UNIVERSIDADE REGIONAL DO NOROESTE DO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL DEPARTAMENTO DE CIÊNCIAS EXATAS E ENGENHARIAS
CURSO DE ENGENHARIA CIVIL
CATIANE STRADA
ANÁLISE DO SISTEMA CONSTRUTIVO, FLEXIBILIDADE E APLICABILIDADE DE PAREDES DE GESSO ACARTONADO
Ijuí 2019
CATIANE STRADA
ANÁLISE DA FLEXIBILIDADE EM EDIFICAÇÕES UTILIZANDO PAREDES DE GESSO ACARTONADO
Projeto de pesquisa apresentado como requisito para aprovação na disciplina de Trabalho de Conclusão de curso de Engenharia Civil da Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul.
Orientador: Prof. Me. Cláudia Kraemer Legonde
Ijuí 2019
CATIANE STRADA
ANÁLISE DA FLEXIBILIDADE EM EDIFICAÇÕES UTILIZANDO PAREDES DE GESSO ACARTONADO
Este Trabalho de Conclusão de Curso foi julgado adequado para a obtenção do título de ENGENHEIRO CIVIL e aprovado em sua forma final pelo professor orientador e pelo membro da banca examinadora.
Ijuí, 18 de dezembro de 2019
Prof.Ma. Cláudia Kraemer Legonde Mestra pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos - Orientador Prof.Me. Lia Geovana Sala Coordenadora do Curso de Engenharia Civil/UNIJUÍ
BANCA EXAMINADORA
Prof.Me. Lia Geovana Sala (UNIJUÍ) Mestra pela Universidade Federal de Santa Catarina
AGRADECIMENTOS
Primeiramente agradeço aos meus pais, Neli e Celso, que sempre me incentivaram a estudar e estiveram do meu lado, me dando apoio em todos os momentos que precisei. As minhas irmãs Viviane e Fabiane, que torceram por mim e me encorajaram a seguir em frente.
Ao meu namorado Jackson, pela paciência, compreensão e apoio, e principalmente por ter acreditado em mim.
À minha orientadora prof. Cláudia pela disposição de ter sempre me ajudado em todas as dúvidas que tive e pelo tempo que disponibilizou para que tudo fosse possível. Obrigada pelas orientações, todos os encontros foram de extrema importância para a realização deste trabalho.
Aos amigos, colegas e professores que de alguma forma colaboraram para a minha formação.
A maior recompensa para o trabalho do homem não é o que ele ganha com isso, mas o que ele
se torna com isso. John Ruskin
RESUMO
STRADA, Catiane. Análise da Flexibilidade em Edificações utilizando Paredes de Gesso
Acartonado. 2019. Trabalho de Conclusão de Curso. Curso de Engenharia Civil, Universidade
Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul – UNIJUÍ, Ijuí, 2019.
Atualmente a flexibilidade tornou-se um aspecto essencial, objetivando melhorar o uso das edificações e aumentar sua vida útil, uma vez que simplifica a capacidade de adaptação, utilizando para isso vedações verticais leves que substituem as divisórias internas de alvenaria convencional. As divisórias de gesso acartonado são constituídas de placas de gesso de fácil fixação e adaptável a qualquer tipo de ambiente, sendo uma escolha correta em divisões internas de estabelecimentos comerciais, já que essas edificações sofrem mudanças ao longo dos anos, seja por melhorias na modernização e/ou infraestrutura do ambiente. Porém, o drywall é visto como um material muito frágil e pouco resistente, por isso o uso desse sistema nas edificações ainda é muito baixo comparado com a alvenaria convencional, que dá uma ideia de ser uma parede rígida e forte. Desta forma, este trabalho consiste em apresentar, através de revisões bibliográficas, as características técnicas e construtivas desse sistema e de como é feita a instalação, visando apontar as vantagens e desvantagens, além de salientar a maneira como esse tipo de divisória auxilia na flexibilidade de um ambiente. Além do mais, foi aplicado um questionário na cidade de Santo Augusto, para apurar a opinião e o nível de conhecimento e aceitação que esse material apresenta no comércio da cidade. O sistema drywall é conhecido por uma parte da população, porém é visto como um material frágil, pouco resistente e com durabilidade baixa pela maioria dos entrevistados, constatando que há pouca informação dos atributos desse material. Similarmente foi realizado um estudo de caso, onde acompanhou-se a instalação das divisórias, observando o tempo de execução, as dificuldades encontradas, bem como os resíduos gerados e analisando como tudo está vinculado com a flexibilidade. A instalação foi executada corretamente, em um tempo curto e com baixa quantidade de resíduos, entretanto, na obra em questão a flexibilidade de remodelação dos ambientes não foi alcançada totalmente, pois os proprietários pediram para instalar as divisórias antes de ser colocado o piso, o que dificulta a adaptação facilitada do ambiente futuramente.
______________________________________________________________________________________ Catiane Strada ([email protected]). Trabalho de Conclusão de Curso. Ijuí DCEENG/UNIJUÍ,
2019
ABSTRACT
STRADA, Catiane. Análise da Flexibilidade em Edificações utilizando Paredes de Gesso
Acartonado. 2019. Trabalho de Conclusão de Curso. Curso de Engenharia Civil, Universidade
Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul – UNIJUÍ, Ijuí, 2019.
Flexibility has now become a key aspect of improving building use and extending edification life as it simplifies adaptability by using lightweight vertical seals that replace the internal partitions of conventional masonry. Plasterboard partitions are made of plasterboard that is easy to fix and adaptable to any kind of environment, being a correct choice in internal divisions of commercial establishments, as these buildings have changed over the years, since to improvements in modernization and / or infrastructure of the environment. However, drywall is seen as a very fragile and poorly resistant material, so the use of this system in buildings is still very low compared to conventional masonry, which gives the idea of being a rigid and strong wall. Thus, this work consists of presenting, through bibliographic reviews, the technical and constructive characteristics of this system and how the installation is made, aiming to point out the advantages and disadvantages, as well as highlighting how this type of partition helps in the flexibility of an environment. In addition, a questionnaire was applied in the city of Santo Augusto, to ascertain the opinion and the level of knowledge and acceptance that this material presents in the city's commerce. The drywall system is known to a part of the population, but is seen as a fragile material, poorly resistant and with low durability by most interviewees, noting that there is few information of attributes of this material. Similarly, a case study was carried out, where the installation of the partitions was followed, observing the execution time, the difficulties encountered, as well as the generated residues and analyzing how everything is linked with flexibility. The installation was performed correctly, in a short time and with low amount of waste, however, in the work in question the flexibility of remodeling the environments has not been fully achieved, as the owners asked to install the partitions before the floor was placed, which makes it easier to adapt the environment in the future.
LISTA DE FIGURAS
Figura 1: Características de Edificações Flexíveis ... 20
Figura 2: Placas de gesso acartonado ... 24
Figura 3: Tipos de paredes ... 27
Figura 4: Etapas de execução das divisórias leves ... 28
Figura 5: Guias e Montantes ... 29
Figura 6: Passador de tubulação em drywall ... 30
Figura 7: Reforço em parede drywall ... 31
Figura 8: Etapas para drywall receber pintura ... 32
Figura 9: Consumo anual de chapas para drywall no Brasil (milhões de m²) ... 39
Figura 10: Localização de Santo Augusto no mapa do RS ... 44
Figura 11: Questionário ... 45
Figura 12: Planta Baixa Técnica ... 47
Figura 13: Marcação da posição dos perfis metálicos com nível a laser ... 55
Figura 14: Corte do perfil ... 55
Figura 15: Alicate ... 56
Figura 16: Parafusos e rebites ... 56
Figura 17: Instalação da guia ... 57
Figura 18: Instalação do montante ... 57
Figura 19: Instalação das placas de gesso ... 58
Figura 20: Vão da porta ... 59
Figura 21: Marcação das caixas elétricas ... 60
Figura 22: Caixas elétricas instaladas ... 60
Figura 23: Tubulação do lado interno ... 61
Figura 24: Tubulação do lado externo ... 61
Figura 25: Instalação elétrica completa ... 62
Figura 26: Reforço na divisória 1 ... 63
Figura 27: Reforço na divisória 2 ... 63
Figura 28: Lã de Pet ... 64
Figura 29: Corte da Lã de Pet ... 64
Figura 30: Revestimento acústico colocado ... 65
Figura 31: Medição das placas de gesso ... 66
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2019
Figura 33: Fechamento da divisória ... 67
Figura 34: Massa drywall para juntas ... 67
Figura 35: Passando a massa para juntas ... 68
Figura 36: Fita para reforço ... 68
Figura 37: Divisórias após o tratamento das juntas ... 69
Figura 38: Resíduo das placas de gesso ... 70
LISTA DE GRÁFICOS
Gráfico 1: Faixa etária dos entrevistados...49
Gráfico 2: Sexo dos entrevistados...50
Gráfico 3: Conhecimento da divisória...51
Gráfico 4: Utilização no local de trabalho...51
Gráfico 5: Substituição do gesso pela alvenaria...52
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LISTA DE QUADROS
Quadro 1: Vantagens e desvantagens das divisórias em gesso acartonado...33
Quadro 2: Segregação dos resíduos de gesso...36
Quadro 3: Características geométricas das chapas de gesso...40
LISTA DE SIGLAS
ABNT Associação Brasileira de Normas Técnicas IBGE Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística NBR Norma Brasileira
RS Rio Grande do Sul
______________________________________________________________________________________ Catiane Strada ([email protected]). Trabalho de Conclusão de Curso. Ijuí DCEENG/UNIJUÍ,
2019 SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO ... 15 1.1 CONTEXTO ... 15 1.2 PROBLEMA ... 16 1.3 OBJETIVOS ... 17 1.3.1 Objetivo Geral ... 17 1.3.2 Objetivos Específicos ... 17 2 EMBASAMENTO TEÓRICO ... 18
2.1 Flexibilidade nas edificações ... 18
2.2 Flexibilidade como contribuição para a sustentabilidade ... 21
2.3 Divisórias em gesso acartonado ... 24
2.3.1 Características técnicas e construtivas ... 24
2.3.2 Instalação das divisórias ... 27
2.3.3 Potencialidades e Fragilidades ... 33
2.3.4 Resíduos do gesso acartonado ... 34
2.3.5 Flexibilização através do uso de paredes em gesso acartonado... 37
2.4 Legislações e Normas ... 40 2.4.1 ABNT NBR 14715-1/2010 ... 40 2.4.2 ABNT NBR 9050/2015 ... 41 2.4.3 Legislações Municipais ... 41 3 METODOLOGIA ... 43 3.1 MÉTODO DE ABORDAGEM ... 43 3.2 DELINEAMENTO ... 43 3.2.1 Localização ... 44 3.2.2 Questionário ... 44 3.2.3 Estudo de caso ... 46 4 RESULTADOS E DISCUSSÕES ... 49 4.1 QUESTIONÁRIO ... 49 4.2 ESTUDO DE CASO ... 53
4.2.1 INSTALAÇÃO DAS DIVISÓRIAS DE GESSO ACARTONADO ... 53
4.2.3 RESÍDUOS GERADOS ... 69
4.3 ANÁLISE DOS RESULTADOS ... 71
5 CONSIDERAÇÕES FINAIS ... 72
______________________________________________________________________________________ Catiane Strada ([email protected]). Trabalho de Conclusão de Curso. Ijuí DCEENG/UNIJUÍ,
2019
1 INTRODUÇÃO
O tema proposto de flexibilidade nas edificações surge da preocupação das mudanças constantes que vem ocorrendo nos centros urbanos em decorrência do aumento populacional e das diferenças visíveis no estilo de vida das pessoas, causando um conflito quando se pensa em modificar as edificações existentes para satisfazer os usuários.
González (2008) acredita que os edifícios não podem ser permanentes quando a sociedade que os rodeia está em constante evolução. Mudanças nas edificações são necessárias para que se tenha um bom aproveitamento da mesma, uma vez que a sociedade tem pensamentos e ideias diversas. Segundo Saleh e Chini (2009), os edifícios que não são capazes de se adaptar a circunstâncias diferentes, com o mínimo de alterações construtivas, correm o risco de se tornarem obsoletos ou mal utilizados, não servindo ao seu propósito atual.
As vedações verticais internas estão sendo cada vez mais utilizadas para flexibilizar as edificações. De acordo com Camillo (2010) o emprego de sistemas total ou parcialmente industrializados maximiza a capacidade de racionalizar os processos construtivos. Inconvenientes como desperdícios na construção, atrasos, mão de obra despreparada e a contraposição entre projeto e execução são problemas frequentes, que devem ser resolvidos estabelecendo caminhos para que seja realizada uma racionalização da produção total de uma edificação. Ainda cita que “em meio ao processo da modernização, a preocupação com medidas de racionalização de vedações verticais é crescente, devido à carência de alternativas competitivas e eficientes no mercado nacional”.
1.1 CONTEXTO
Uma forma de realizar mudança rápida de plantas internas em uma edificação é utilizando o sistema de vedações, onde são empregados painéis leves industrializados. Este sistema é conhecido como drywall ou construção seca e estão sendo utilizados cada vez mais no Brasil.
Um exemplo de divisória leve são os painéis de gesso acartonado que por serem de fácil manuseio e manutenção, quando utilizados, produzem uma quantidade baixa de resíduos,
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o que torna o material ainda melhor se tratando de sustentabilidade. Segundo Camillo (2010), a produção e utilização de chapas de gesso acartonado são viáveis, estão plenamente testadas há quase cem anos e tem sua viabilidade técnica comprovada por um número significativo de área construída ao redor do mundo.
Na cidade de Santo Augusto – RS a construção civil está em amplo desenvolvimento, com muitas obras em andamento. Ainda que a maioria das construções estão sendo executadas com alvenaria convencional, observa-se o uso de materiais diferentes, como chapas de aço, madeira e gesso, porém as pessoas ainda possuem muitas dúvidas com relação á esses materiais, principalmente no quesito resistência e durabilidade.
1.2 PROBLEMA
O ramo da construção civil passa por constantes mudanças, sendo necessário adotar soluções para flexibilizar as edificações, que sejam viáveis e se adaptem a qualquer espaço em um intervalo curto de tempo, com o objetivo de melhorar a satisfação do usuário na edificação.
A edificação que possui um layout interno de fácil modificação reduz sujeira e desperdício de material durante uma reforma, além de ter uma vida útil maior. Segundo Bekaert (2018), assim um prédio comercial pode ser ocupado por várias empresas ao longo de sua vida útil, mesmo elas tendo características e exigências diferentes.
1.2.1 Questões de pesquisa
2. Questão principal
Visto que atualmente busca-se por racionalização na construção civil, além da necessidade de fazer mudanças rápidas e facilitadas na obra, como o uso das divisórias de gesso acartonado auxiliam na flexibilidade de uma edificação? 3. Questões secundárias
Quais as vantagens e desvantagens das divisórias em gesso acartonado?
O que os comerciantes de Santo Augusto sabem sobre o uso de gesso acartonado?
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2019 internas de uma edificação comercial?
1.3 OBJETIVOS
1.3.1 Objetivo Geral
Este trabalho tem como objetivo geral analisar a aplicação de paredes de gesso acartonado para promover a flexibilidade em edificações comerciais e verificar a funcionalidade fazendo um estudo de caso.
1.3.2 Objetivos Específicos
Analisar como a flexibilidade está sendo vista e aplicada atualmente;
Identificar as características técnicas e construtivas da parede de gesso acartonado;
Elencar as potencialidades e as fragilidades da utilização deste sistema construtivo;
Verificar a opinião da população acerca deste sistema construtivo;
Selecionar uma obra localizada na cidade de Santo Augusto/RS que esteja executando vedações verticais internas realizadas com gesso acartonado;
Analisar a execução deste sistema nesta obra, com relação à proposta de flexibilidade apresentada no projeto, às dificuldades encontradas, a relação com as instalações prediais, as vantagens e desvantagens observadas durante a montagem do sistema;
Verificar o tempo levado para a montagem deste sistema;
Verificar como a utilização deste sistema contribui na redução de resíduos na construção da obra.
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2 EMBASAMENTO TEÓRICO
2.1 Flexibilidade nas edificações
O crescimento da tecnologia trouxe mudanças na vida das pessoas, principalmente no âmbito social e cultural, da mesma maneira que influenciou o estilo de vida dos usuários, alterando o interesse e comportamento das pessoas. Em decorrência disso têm-se a necessidade de flexibilizar as edificações, adaptando os projetos para satisfazer os diferentes perfis dos usuários que virão a usufruir de determinado espaço.
A flexibilidade significa que um dado espaço deve responder ás necessidades e expectativas dos usuários de forma rápida, eficaz e econômica, melhorando o seu desempenho e sem necessidade de grandes modificações. Um tema bastante discutido entre os profissionais envolvidos na elaboração de projetos de edificações (arquitetos e engenheiros) está diretamente ligado aos projetos com “ambientes de fácil utilização ao usuário” e “flexíveis às alterações futuras” (WBDG, 2010). Edificações flexíveis são aquelas que concedem aos usuários utilizarem a área de forma eficaz, de acordo com as necessidades de cada um, sendo por essa razão, considerada como uma estratégia para a adaptabilidade (RUSSEL; MOFFATT, 2001).
A Norma de Desempenho NBR 15575 (2013) define flexibilidade como sendo “a possibilidade da configuração de novas tipologias de apartamentos no edifício, a partir da junção de duas unidades de forma a não comprometer a qualidade do ambiente construído” (ABNT, 2013). De acordo com Dorfman (2002), a flexibilidade é a capacidade que os processos construtivos possuem para atender as exigências e às variadas situações de produção, sem precisar de mudanças significativas nas edificações.
Teixeira (2011) acredita que “um espaço é flexível quando é possível fazer mudanças de forma simples e rápida, seja de forma manual ou com a ajuda da tecnologia”. Rossi (1998) conceitua flexibilidade como sendo a possibilidade de um ambiente ser organizado e utilizado de várias maneiras, além disso, frisa que a flexibilidade “pode resultar do esforço despendido pelo arquiteto para criar possibilidades de alterar futuramente algumas áreas, as funções e as composições em uma unidade habitacional”.
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características flexíveis são aqueles que tem a capacidade de “proporcionar uma utilização mais eficiente do espaço, um aumento da longevidade e uma melhoria geral do desempenho operacional”. Strapasson (2011) denomina um ambiente flexível como sendo “um espaço que possui características que permitam alterações tornando-o utilizável por diferentes necessidades dos usuários ao longo de sua vida útil”.
De acordo com Saleh e Chini (2009), a flexibilidade de um edifício depende do seu layout interno, dos materiais utilizados, da estrutura formal, além do ponto de vista arquitetônico, relacionando a proposta inicial à finalidade das modificações. Barth, Catto e Roman (2007), conceituam a flexibilidade como a capacidade de um sistema de se submeter a mudanças com relativa facilidade.
No entanto, este conceito tem um aspecto bastante amplo quando aplicado no setor da construção de edifícios, fazendo-se necessária à contextualização do termo conforme sua aplicação, que pode ser exemplificado separadamente em projeto, construção e uso. Primeiramente, segundo Barth, Catto e Roman (2007), a flexibilidade projetual é identificada como a propriedade de transformação e adaptação que um determinado layout ou projeto pode apresentar para satisfazer as variações nos programas de necessidades. Depois, Rosso (1976) cita a flexibilidade construtiva, definindo como a capacidade de compatibilizar um maior número possível de combinações de diferentes módulos, destacando que quanto menor o módulo adotado mais elevado é o grau de flexibilidade. Por fim, a flexibilidade de
uso é definida, de acordo com Brandão e Heineck (1997), como flexibilidade contínua ou
funcional e que se processa ao longo da vida útil da construção.
Entretanto, quando se avalia as edificações de um modo geral, nota-se que a maioria dos projetos convencionais não responde à intensidade e relevância das mudanças observadas na sociedade moderna. Projetos convencionais geralmente são feitos sem possibilidades de realizar alterações, além de não apresentarem características funcionais adequadas, resultando em dificuldade para possíveis adaptações que poderão vir a ocorrer em virtude das mudanças das necessidades dos usuários.
De acordo com Saari et al. (2007), a dificuldade em considerar alterações nas edificações ocorre pelo fato de que na maioria dos casos não se tem conhecimento de quem serão os possíveis usuários das edificações, como por exemplo, em shoppings e complexos de
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escritório. Segundo Canedo (2013), as edificações devem ser flexíveis para ter uma melhor adaptação quanto às modificações que poderão ser realizadas. Castro Neto (1994), ao definir “edifícios inteligentes”, já falava sobre as previsões arquitetônicas que deveriam ser levadas em consideração pelo fato de ter-se um avanço tecnológico na sociedade.
Para que as mudanças nas edificações sejam econômicas e tecnicamente possíveis, é importante que as mesmas tenham uma arquitetura voltada à facilidade de adaptações. Uma antiga fábrica pode vir a ser um condomínio de apartamentos, ou uma igreja que não está mais sendo usada pode tornar-se um restaurante, por exemplo (SALEH, 2009).
Então, as edificações que levam em consideração os aspectos de flexibilidade abrangem espaços que proporcionam possibilidades de adaptações, conforme descritas na Figura 1.
Figura 1: Características de Edificações Flexíveis
Fonte: WBDG (2010)
Dentre as mudanças que ocorrem ao longo do ciclo de vida das edificações, destacam-se as mudanças relativas às exigências para a acessibilidade. É de vital importância garantir acesso para as pessoas portadoras de necessidades especiais a todas as instalações de uma edificação, como por exemplo, um portador de necessidades visuais precisa da sinalização tátil de piso para se locomover no interior da edificação, assim como um cadeirante necessita de rampas para conseguir ter acesso a todos os ambientes (WBDG, 2010).
Littlefield (2011) afirma que existe uma boa parte da população que possui algum tipo de deficiência, mas os cadeirantes têm uma dificuldade maior em habitar espaços comuns, pois necessitam de modificações importantes para que possam viver satisfatoriamente. Ainda
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cita que “os projetos que possibilitam o acesso – seja ele físico ou intelectual – geram resultados que beneficiam a comunidade como um todo”.
O custo adicional para fornecer acessibilidade em edificações novas é pouco quando comparado ao custo para realizar mudanças construtivas após finalizada a obra. Portanto, é de grande importância saber quais as alterações que deverão ser feitas em uma edificação já existente, tendo em vista a economia e a qualidade do projeto. Brandão (2006) considera um bom projeto aquele que busca o equilíbrio entre custo e qualidade. Conforme Brandão e Heineck (2007), “custo e qualidade consolidaram-se como objetivos de desempenho mais sólidos na construção, mas a flexibilidade também deverá assumir um papel de importância no sistema de produção”.
Em síntese, a flexibilidade tem como estratégia aumentar as possibilidades dos usuários aplicarem mudanças nas edificações, de acordo com seus desejos e necessidades, pelo fato de que há variações no estilo de vida das pessoas, assegurando uma qualidade maior ao projeto e um melhor desempenho funcional da edificação ao longo de sua vida útil. Além disso, Freire (2010) afirma que a flexibilidade favorece a obra como um todo, abrangendo meios de construção completamente inovadores, “facilitando assim o mercado imobiliário, com a apresentação de um grande número de soluções de ocupação do espaço”.
2.2 Flexibilidade como contribuição para a sustentabilidade
Conforme Freire (2010) a construção sustentável é definida como “a criação e responsabilidade de gestão do ambiente construído, baseado nos princípios ecológicos e no uso eficiente dos recursos”. O autor ainda cita que o aspecto mais importante em um projeto arquitetônico é a escolha dos materiais, visto que um edifício deverá resistir à passagem do tempo e ter a capacidade de adaptação ao longo de sua vida útil, para ter uma funcionalidade contínua e, contingentemente, integrar uma visão abrangente de sustentabilidade e de uma gestão racional de recursos, como energia, água e impacto ambiental dos materiais utilizados na construção, além de comportar diferentes usos.
De acordo com Esteves (2013), o impacto ambiental causado pelos edifícios deve ser analisado segundo dois aspectos. Primeiramente como uma estrutura física, onde o edifício é uma coisa morta, sendo apenas uma soma de todas as suas partes constituintes, ou seja, é a totalidade dos efeitos associados a cada processo (extração, fabricação, montagem,
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manutenção e demolição). Por segundo, o edifício é analisado como uma estrutura viva, onde o custo do ambiente é fazer com que a edificação seja funcional durante sua vida útil.
É muito importante que a edificação aumente sua eficiência ambiental ao longo de sua vida útil, além de possuir uma flexibilidade funcional. As soluções de flexibilidade devem ser pensadas e aplicadas quando se está fazendo o planejamento da edificação, pois é nessa fase que é possível realizar alterações nos sistemas de isolamento térmico e acústico, ventilação e iluminação (WBDG, 2010).
A flexibilidade apropria-se a uma índole essencial à sustentabilidade ambiental, visto que possibilita um aumento da vida útil de uma edificação, ao mesmo tempo em que permite a estabilização dos usuários por mais tempo no espaço. A capacidade de gerir os recursos destinados à construção de forma sustentável deve passar pela previsão de adaptações da edificação relacionada às mudanças de necessidades do usuário e/ou ao desenvolvimento de soluções de baixo custo que permitam a readequação de edificações existentes (LARCHER, 2005).
A arquitetura sustentável é observada em três situações: na obra, no método de construção e no meio ambiente. Isso cria uma combinação completa entre as fases, evitando agressões para o ambiente, melhorando os processos de construção, obtendo uma redução no consumo de energia do edifício, além da redução de resíduos resultantes da obra (TEIXEIRA, 2011). De acordo com Strapasson (2011), para reduzir o impacto ambiental que uma edificação causa, é necessário reutilizar a mesma, pois assim o ciclo de vida dos materiais e da própria edificação aumentaria, evitando demolições precoces.
Paduart et al. (2009) afirma que a construção convencional é responsável por uma grande quantidade de resíduos de demolição e tende a aumentar anualmente. O Plano Nacional de Resíduos Sólidos (2011), orienta o setor da construção civil a seguir mecanismos que contribuam para o desempenho socioambiental, selecionando materiais e meios que tenham uma agressão menor ao meio ambiente, desde o projeto até a conclusão de uma edificação, que tem como resultado uma redução na geração de resíduos.
Segundo os autores Saleh e Chini (2009), a principal causa de demolições nas edificações é a falta de adaptabilidade às novas tecnologias. Um projeto com previsões de mudanças na edificação evita reformas que possam prejudicar a estrutura e as instalações,
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minimizando o impacto ambiental. Ainda, segundo os autores, deve ser dada a devida importância na fase de planejamento das edificações, pois assim reduz-se o prejuízo ambiental provocado pelo consumo alto de energia e recursos naturais, além dos custos financeiros ocasionados pela limitação da vida útil das edificações.
Analisar a flexibilidade nos projetos resulta em um aumento significativo no desempenho e na vida útil das edificações, auxiliando a construção civil a ser mais sustentável. De acordo com Russel e Moffatt (2001), edifícios flexíveis são utilizados de forma apropriada em relação ao desempenho ambiental, pois apresentam uma vida útil prolongada e são alterados com recursos e perdas reduzidos e com um menor custo. Canedo (2013) complementa que, ao flexibilizar uma edificação, evitam-se reconstruções e demolições, diminuindo a geração de resíduos, e consequentemente uma redução no impacto ambiental.
Esteves (2013) cita que os recursos naturais são cada vez mais específicos e os recursos econômicos cada vez mais limitados, além disso, as pessoas estão mudando dia após dia, por isso é indispensável que os projetistas e construtores adotem procedimentos que prolonguem a vida útil dos materiais, bem como do próprio edifício. A autora conclui que quando a vida útil do edifício é aumentada, corresponde “ambientalmente, a uma sustentabilidade mais facilitada; socialmente, a uma sustentabilidade mais promissora; e, economicamente, a uma sustentabilidade mais eficaz”.
De acordo com informações do Canada Mortgage and Housing Corporation – CMHC (2000), a média de idade útil de um edifício em Tóquio era de apenas 17 anos. No Brasil, obedecendo a normas, o projeto considera um ciclo de vida útil de 50 anos, mas nota-se que em edificações comerciais ou direcionadas a serviços este período é inferior tendo em vista as mudanças contínuas para satisfazer os usuários.
Strapasson (2011) argumenta que o desafio é fazer com que os projetistas atendam a alguns critérios na fase inicial do projeto, pensando nas mudanças e necessidades dos clientes, tendo como objetivo principal a redução do impacto ambiental, causado pelas adaptações e readequações na edificação. O autor ainda cita que é de suma importância verificar o comportamento dos usuários, prevendo assim “como estes usuários utilizarão as edificações
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no futuro, quais serão as possíveis necessidades e também, a previsão da entrada de novas tecnologias”.
Portanto, a flexibilidade assume um traço essencial à sustentabilidade ambiental, pois permite ao mesmo tempo um aumento da vida útil da edificação, na medida em que esta passa a estar sempre adequada às situações e necessidades que vão surgindo com o passar do tempo, tendo como consequência, uma redução de reformas na edificação, o que acarreta a uma diminuição de resíduos provenientes de construções e demolições.
2.3 Divisórias em gesso acartonado
2.3.1 Características técnicas e construtivas
O drywall é basicamente composto por três elementos: as placas de gesso, os elementos estruturais e os acabamentos e acessórios (PIRES ET AL., 2017). De acordo com a Associação Brasileira de Drywall (2014), o método de montagem e os componentes utilizados possibilitam que a divisória seja configurada conforme o desejo e exigências do usuário, além de ser capaz de atender aos diferentes níveis de desempenho do sistema em termos acústicos, térmicos, mecânico e de comportamento frente ao fogo.
Segundo Sabbatini (1998), um aspecto muito positivo em relação às placas de gesso acartonado é a variedade das tipologias que as constituem, que são: a padrão, a escolha da espessura e as resistentes à água e ao fogo, além da possibilidade de utilizar as chapas simples ou duplas. A Figura 2 ilustra as diferentes cores das placas de gesso comercializadas.
Figura 2: Placas de gesso acartonado
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Segundo Barros e Taniguti (2000), no Brasil são comercializados três tipos diferentes de chapas de gesso:
a) Chapa Standard: é uma chapa empregada nas situações comuns, podendo ser identificada pela cor de seu cartão, que é branco na face frontal e marfim na face posterior;
b) Chapa resistente à água: possui a cor do cartão verde, e é composta por gesso e silicone na sua parte central, além de ser constituída ainda por um cartão com hidrofugante nas duas superfícies;
c) Chapa resistente ao fogo: é uma chapa identificada pelo cartão de cor rosada na face frontal, sendo constituída por fibras não combustíveis na camada de gesso.
Antes de dar início a montagem das placas de gesso acartonado, é de suma importância fazer uma verificação completa na obra, observando quais etapas já foram concluídas e ter o devido cuidado quanto aquelas que ainda estão na fase de execução. De acordo com Taniguti (1999), deve ser realizado um controle dos subsistemas executados que interagem com a divisória, a saber:
1) Controle da estrutura: verificando as condições em que se encontra, com relação às características geométricas;
2) Controle das instalações: observando se na laje estão locadas todas as saídas dos eletrodutos previstos no projeto;
3) Controle durante a execução das divisórias: observando cada atividade que está sendo executada, os equipamentos e materiais que estão sendo utilizados para a montagem completa das placas de gesso;
4) Controle após a execução das divisórias: verificando a qualidade do produto, observando o seu aspecto final.
Realizar o controle na obra garante a satisfação total do usuário, pois as placas de gesso, quando executadas corretamente, possuem um bom desempenho acústico e térmico, além de ser um ótimo sistema de vedação interna, apresentando um baixo peso e facilidade de
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montagem. O autor Davico (2013) complementa apresentando as características do sistema drywall em comparação com a alvenaria convencional:
Rápida execução e pequena geração de resíduos;
Execução simplificada de instalações para fornecimento de água e eletricidade, etc.;
Possibilidade de inclusão de materiais isolantes na caixa-de-ar, gerando um isolamento acústico e térmico;
Peso relativamente baixo;
Menor espessura das paredes e consequente maior área útil;
Excelente acabamento, pronto para receber revestimentos;
Ausência de umidade durante a construção e elevada resistência ao fogo.
A empresa Sollus Empreedimentos (2017) elaborou um artigo que está disponível no site, onde especificam as principais diferenças entre a alvenaria convencional e o sistema drywall, a saber:
Velocidade de Execução: a execução do sistema drywall é mais rápida;
Peso: paredes de drywall são mais leves, aproximadamente 20% do peso de uma parede de alvenaria;
Custo: o preço é semelhante entre os dois;
Desempenho acústico: o drywall pode ser melhor nessa categoria, mas apenas se for feita a execução correta;
Acabamento: o sistema drywall proporciona um melhor acabamento por ser plano e apresentar uma textura lisa;
Resistência Mecânica: as paredes de alvenaria são mais resistentes;
Mão-de-obra: para executar a montagem correta das placas de gesso acartonado é necessário o treinamento da mão de obra, o que não é preciso para a alvenaria convencional;
Aceitação: o sistema drywall ainda é pouco aceito no mercado da construção civil. De acordo com Ferguson (1996), as divisórias internas em gesso acartonado são compostas por uma estrutura leve em perfis metálicos de aço, sendo as guias e montantes, sobre os quais ficam presas as chapas de gesso acartonado, podendo ser de uma ou mais camadas, como pode ser visto na Figura 3.
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Figura 3: Tipos de paredes
Fonte: BRAGA (2008)
2.3.2 Instalação das divisórias
Segundo Taniguti (1999) a instalação das divisórias pode ser separada em seis etapas, sendo elas:
1. Locação e fixação das guias; 2. Instalação dos montantes;
3. Fechamento do primeiro lado da divisória com a chapa de gesso; 4. Fechamento da outra face da divisória com a chapa de gesso; 5. Tratamento das juntas;
6. Acabamento final.
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Figura 4: Etapas de execução das divisórias leves
Fonte: TANIGUTTI (1999)
A locação das guias é o primeiro passo da instalação, e exige um cuidado especial, pois determina o posicionamento da divisória. É de grande importância que a mão de obra conheça os equipamentos necessários para executar corretamente o sistema, além de ter capacidade para entender o projeto arquitetônico (TANIGUTI, 1999).
Para a fixação das guias e montantes são utilizados acessórios, como parafusos, buchas e rebites. As guias direcionam onde ficarão locadas as divisórias e são instaladas nas partes superior e inferior das paredes, sendo fixados no teto e no piso na posição horizontal. Os montantes são fixados nas guias na posição vertical e servem de base para a fixação das placas de gesso (TANIGUTI, 1999). A Figura 5 ilustra como fica o sistema após sua montagem.
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Figura 5: Guias e Montantes
Fonte: TANIGUTTI (1999)
Após a montagem de toda a estrutura é a vez das chapas de gesso serem fixadas na mesma, realizando o fechamento de uma das faces, utilizando para isso parafusos. Essas chapas podem ser colocadas na posição horizontal ou na vertical, de acordo com o que for solicitado (TANIGUTI, 1999). Depois de serem dimensionadas conforme o projeto, se necessário, as chapas de gesso devem ser cortadas a fim de serem instaladas como desejado. Além disso, as placas não podem encostar no piso para que não absorvam umidade indesejada (KNAUF, 2019).
A próxima etapa é realizar a instalação elétrica e hidráulica, que deve ser dada depois do fechamento da primeira face da chapa de gesso. Além disso, as instalações já devem ter sido dispostas na laje de forma que as mangueiras estejam na posição correta de projeto para que coincidam perfeitamente com as guias da parede (LABUTO, 2014). As aberturas das caixas elétricas podem ser feitas antes ou depois da colocação das chapas de gesso, dependendo do tipo de instalação utilizada e da definição da sequência executiva (LESSA, 2005).
Segundo Labuto (2014), a passagem da tubulação elétrica e hidráulica é simples, já que os montantes tem a perfuração necessária para tal, porém, essas perfurações podem ser
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cortantes, podendo danificar a tubulação. Por isso precisam-se colocar passadores plásticos no orifício da passagem para proteção da tubulação, como mostra a Figura 6.
.
Figura 6: Passador de tubulação em drywall
Fonte: TIGRE (2018)
Se as divisórias receberem isolamento acústico e/ou térmico é nessa etapa que devem ser colocados, após as instalações internas e antes do fechamento da segunda face da placa de gesso. O isolante pode ser fixado por meio de parafusos na guia superior, garantindo sua total distribuição na divisória (TANIGUTI, 1999).
Em alguns casos é necessário reforçar as divisórias quando serão fixados pesos além do suportado por ela. De acordo com Knauf (2018), as paredes de drywall suportam pesos elevados, porém, para a correta fixação das cargas devem ser utilizados materiais e técnicas apropriadas, e complementa que: “o drywall pode sustentar desde objetos mais leves, como armários, até cofres e redes de descanso com peso máximo de 200 kg”.
Ainda, Knauf (2018) afirma que o principal recurso no mercado para situações que exigem a fixação de cargas mais elevadas são os reforços para drywall, que podem ser estruturas em madeira tratada ou em aço galvanizado, além das buchas especiais, popularmente conhecidas como “buchas para ocos”. A Figura 7 ilustra como fica um reforço na parede de drywall.
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Figura 7: Reforço em parede drywall
Fonte: KNAUF (2018)
Depois de finalizadas as etapas citadas anteriormente, pode-se executar o fechamento da outra face da divisória com a placa de gesso, tendo os mesmos cuidados e com o mesmo procedimento da fixação da primeira face da divisória (LABUTO, 2014). O próximo passo é fazer o tratamento das juntas. Esse tratamento tem a função de fazer com que as juntas das placas não fiquem aparecendo após a pintura, utilizando para isso, fitas de reforço e massa para juntas que asseguram o acabamento nas chapas de gesso. (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DOS FABRICANTES DE CHAPAS PARA DRYWALL, 2006; TANIGUTI, 1999).
As massas são encontradas prontas pra uso, já podendo ser aplicada, ou em pó, sendo necessário a adição de água pra utilizar. Ainda, podem ser encontradas com dois parâmetros, rápido e lento. As massas rápidas possuem um menor tempo de secagem entre as demãos, e as lentas necessitam de um maior tempo de secagem (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DOS FABRICANTES DE CHAPAS PARA DRYWALL, 2006).
De acordo com Labuto (2014), a aplicação da massa para o tratamento se dá com o uso de uma desempenadeira, passando uma primeira camada a fim de preencher o espaço entre as juntas. A seguir coloca-se a fita de papel pressionando com o auxílio de uma espátula para melhor ligação entre ambas, finalizando com a aplicação de uma nova camada de massa para reforçar o tratamento.
Feita todas essas etapas realiza-se o acabamento da divisória. A estrutura de drywall pode receber qualquer tipo de acabamento, desde que alguns cuidados sejam tomados, como
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por exemplo, verificar se as placas estão bem fixadas, se necessitam de correções, se as juntas foram tratadas corretamente e se a massa aplicada está totalmente seca, geralmente a secagem dura em torno de 48 horas (LABUTO, 2014).
As placas de gesso podem receber pintura, papel de parede, cerâmica, tecidos, porcelanato, etc, de acordo com Knauf (2018), porém não deverá ser usado cal. Ainda, a empresa cita as etapas para que as divisórias recebam a pintura corretamente:
1) Lixar as áreas emassadas, eliminando ondulações indesejadas; 2) Aplicar selador para tornar a superfície homogênea;
3) Após a total secagem do selador, aplicar massa corrida a fim de uniformizar a textura, se necessário;
4) Lixar a superfície, após completa secagem; 5) Pintar a superfície desejada.
A Figura 8 mostra as etapas citadas acima.
Figura 8: Etapas para drywall receber pintura
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No caso de papel de parede, devem ser utilizados adesivos próprios para esse sistema, já para revestimentos cerâmicos é aconselhável aplicar a argamassa do tipo AC2 ou AC3 ou pasta de resina para colagem de revestimento (KNAUF, 2018).
Um sistema apresenta um bom desempenho quando obedece às normas, executando e utilizando os componentes de forma correta (FILHO, 2012). Através do conhecimento sobre o desempenho das divisórias de gesso acartonado, as construtoras têm a capacidade de tomar os cuidados necessários durante a execução do sistema para obter o resultado desejado. Já os usuários, quando possuem informações suficientes sobre o sistema, contribuem para que não haja maiores preconceitos na utilização das placas de gesso, além de usarem o sistema de forma adequada conhecendo suas limitações (TANIGUTI, 1999).
2.3.3 Potencialidades e Fragilidades
Conhecer as vantagens e desvantagens do sistema drywall também é de fundamental importância, pois assim os construtores e os usuários compreendem o material que estão utilizando, tendo cuidados quanto as suas limitações. A seguir consta o Quadro 1 citando algumas vantagens e desvantagens desse sistema, segundo os autores Sabbatini (1998) e Silva et al. (1999):
Quadro 1 – Vantagens e desvantagens das divisórias em gesso acartonado.
Vantagens Desvantagens/limitações
Menor massa, proporcionando um menor peso; Não é muito resistente a pancadas e a peso excessivo; Menor espessura, proporcionando um ganho de área
útil;
Não pode ser aplicado em ambientes externos; Vedação oca e formada por perfis, possibilitando
facilidade para realizar manutenções elétricas e hidráulicas;
Difícil de localizar vazamentos de água, por conta de a parede ser oca;
Aplicação direta de acabamento; Não é aconselhável aplicar revestimento cerâmico sobre as placas, por conta da necessidade de aplicação de argamassa convencional;
Redução de perdas de material, se a utilização for correta;
Sensível à umidade, podendo reduzir o desempenho e a durabilidade das divisórias;
Execução rápida. Contrapiso, revestimentos de argamassa e outros serviços úmidos devem ser executados antes da montagem das placas de gesso.
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O uso de drywall é satisfatório em uma obra, principalmente em relação à duração de uma construção, pois o sistema chega a ser cinco vezes mais rápido do que o processo de levantar uma alvenaria convencional (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE DRYWALL, 2014).
A Associação Brasileira de Drywall (2014) declara que as placas de gesso são multifuncionais, trazendo inovação e benefícios para a sociedade, pois apresentam um bom desempenho, podendo substituir materiais difíceis de manusear que exigem esforço físico, citando ainda que:
O sistema de paredes drywall, por ser um processo construtivo á seco, dispensa os longos períodos de cura, além disso, o sistema é mais leve sendo mais fácil de transportar e instalar. Por ser um sistema construtivo modulado e industrializado, reduz as perdas economizando tempo de transporte horizontal e vertical e o descarte das sobras.
(ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE DRYWALL, 2014)
Além disso, de acordo com Silva (2013), a utilização das divisórias de gesso acartonado reduz a mão de obra e eleva a produtividade. Outra grande vantagem que o sistema apresenta é a capacidade de adaptação a diversos projetos com ou sem modulação, não havendo restrições para seu uso.
No entanto, os painéis de gesso acartonado não permitem improvisos durante a obra por ser um sistema industrializado, por isso devem ser montados após a conferência detalhada do projeto. Além disso, devem ser previstas todas as instalações hidráulicas e elétricas, por conta das passagens que deverão ser locadas nas placas (KRUGER, 2000).
Perante todas as informações das características e desempenho funcional das placas de gesso, ficam evidentes os benefícios que essas divisórias trazem para a sociedade como um todo, principalmente pela capacidade de adaptabilidade das divisórias. Mudanças nas edificações acontecem constantemente, por isso a importância de prever as alterações necessárias. Proporcionar diversas alternativas de uso torna o edifício funcional, prolongando sua vida útil.
2.3.4 Resíduos do gesso acartonado
A reciclagem dos resíduos sólidos de construção e demolição reduz o impacto ambiental, pois o mesmo está diretamente ligado com o aumento do ciclo de vida dos materiais, pois, quanto maior a vida útil, menor é a extração de matérias primas e, por
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conseguinte, menor a área de descarte. A meta da União Europeia, definida pela Diretiva 2008/98 é reaproveitar 70% dos resíduos de construção e demolição até o ano de 2020 (JIMÉNEZ RIVERO et al., 2016).
O gesso tem misturas de contaminantes na sua composição, além de uma grande variedade de matérias primas que são utilizadas para sua fabricação. Essas contaminações ocorrem, geralmente, durante a construção da obra, na fase de aplicação do gesso ou na gestão de resíduos no canteiro de obras (JOHN; CINCOTTO, 2003).
De acordo com o Sindicato da Indústria da Construção Civil no Estado de Minas Gerais (2008), as divisórias de gesso acartonado geram resíduos durante a fase de instalação pela necessidade de realizar cortes para a adequação no ambiente.
O gesso acartonado gera resíduos, tanto na sua produção, quanto na sua aplicação. A Associação Brasileira de Drywall (2014) produziu o manual “Resíduos de Gesso na Construção Civil”, onde está especificado que os resíduos de gesso podem ser reutilizados pelo setor agrícola, pela indústria cimenteira e pela indústria de transformação do gesso. Entretanto, para que o gesso seja reciclado, alguns cuidados devem ser tomados, segundo John e Cincotto (2003) “a segregação do resíduo de gesso no momento da geração e o controle de sua contaminação nas etapas de estoque e transporte são condições para tornar a reciclagem possível”.
De acordo com Silva (2013), os resíduos de gesso devem ser armazenados em local seco, sem qualquer tipo de contato com a água. Esse armazenamento pode ser feito em caçambas estacionárias ou em um local com piso de concreto. O Quadro 2 ilustra os processos de segregação para as três diferentes origens do gesso.
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Quadro 2: Segregação dos resíduos de gesso ORIGEM DO RESÍDUO SEGREGAÇÃO
Chapas de gesso Delimitar uma área exclusiva para deposição dos resíduos em locais (Drywall) cobertos. Deve evitar qualquer tipo de contaminação, principalmente
por metais.
O gesso não aproveitado não deve ser depositado nas mesmas Gesso para pilhas dos resíduos classe A. Deve haver um local específico para o revestimento acondicionamento e armazenamento deste resíduo em locais cobertos. Deve evitar qualquer tipo de contaminação, principalmente
por metais.
Placas pré-moldadas Delimitar uma área exclusiva para deposição dos resíduos em locais de gesso cobertos. Deve evitar qualquer tipo de contaminação, principalmente
por metais.
Fonte: SINDICATO DA INDÚSTRIA DA CONSTRUÇÃO CIVIL NO ESTADO DE MINAS GERAIS (2008)
A composição das placas de drywall possuem, em média, 90% de gesso, o que facilita a sua reciclagem. Em comparação com a alvenaria convencional, as placas de gesso geram menos resíduos, o que proporcionou um crescimento significativo da sua utilização na construção civil (PIRES ET AL., 2017). A Associação Brasileira de Drywall (2014) afirma que:
A alvenaria gera uma quantidade de entulho em cerca de 30% de seu peso, contra apenas 5% do seu peso de gesso acartonado, que facilita sua coleta e seu transporte, além que os restos de chapas e aço podem ser totalmente reciclados, por ser composta por 90% de gesso, o drywall é 100% aproveitável para a produção de cimento.
(ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE DRYWALL, 2014)
Além de contribuir para a redução de resíduos na obra, as placas de gesso acartonado auxiliam na sustentabilidade do meio ambiente. De acordo com a Associação Brasileira de Drywall (2014), o sistema drywall é sustentável nas quatro dimensões que definem esse conceito:
Drywall é ambientalmente adequado: consome pouca energia na sua fabricação e gera menos resíduos na sua montagem;
Drywall é socialmente justo: o sistema valoriza a mão de obra envolvida, principalmente na montagem, aumentando a renda dos profissionais envolvidos e reduzindo seu esforço físico em comparação com os métodos para realizar a alvenaria convencional;
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dimensional, ser executado rapidamente e gerar uma quantidade mínima de resíduos, proporciona economias em todas as etapas da obra;
Drywall é culturalmente aceitável: o sistema drywall possui uma execução mais racional e inteligente, permitindo projetos com maior grau de modificações.
Com todas as informações citadas acima, conclui-se que o gesso utilizado na construção civil apresenta baixo impacto ambiental, sendo assim, uma ótima escolha pensando na sustentabilidade, pois, além disso, os resíduos do gesso podem ser facilmente reciclados. Para tanto, de acordo com Silva (2013), a prática de gestão dos resíduos de gesso é de fundamental importância, visto as consequências negativas geradas por este resíduo quando não gerenciado corretamente.
2.3.5 Flexibilização através do uso de paredes em gesso acartonado
As divisórias internas devem ter a capacidade de adaptação a qualquer ambiente, visto que possuem como principal característica, a facilidade de montagem e desmontagem de seu sistema (FINKELSTEIN, 2009). Além disso, Legonde (2017) cita que as divisórias internas de uma edificação devem ter pouca espessura, serem leves e de fácil instalação e manutenção, exercendo um papel fundamental como estratégia de flexibilidade.
Segundo Reis et al. (2003), muitas construtoras, percebendo o potencial que as vedações verticais possuem, relacionando os demais subsistemas da edificação, têm introduzido ações de racionalização. Franco (1998) confirma essa afirmação ao destacar que “muitas empresas do mercado têm percebido a importância da vedação vertical e vem investindo em mudanças neste subsistema muitas vezes associadas a mudanças nos demais subsistemas do edifício”.
Flexibilizar uma edificação através do uso de paredes de gesso acartonado é uma forma de racionalização construtiva, visto que a indústria da construção civil busca cada vez mais por implementação de estratégias modernas no setor, além de mudanças voltadas para a redução do tempo e de resíduos na obra. De acordo com Reis et al. (2003), as vedações dos edifícios de múltiplos pavimentos, quando executadas em alvenaria convencional têm sido questionadas pelo atraso tecnológico que causam ao setor. Os autores ainda citam que já faz
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algum tempo que o objetivo de evoluir e modernizar as construções está sendo colocado em pauta, para que haja substituições no mercado da construção civil.
As placas em gesso acartonado foram inventadas nos Estados Unidos em 1898 por Augustine Sackett (HARDIE, 1995). Contudo, Gypsum (1999) diz que essas placas começaram a ser utilizadas em 1917, na Primeira Guerra Mundial, por serem resistentes ao fogo e serem fáceis de montar. Reis et al. (2003) complementa que, atualmente, aproximadamente 95% das residências americanas possuem forros, revestimentos e paredes em chapas de gesso e, na Europa, há mais de 70 anos as placas de gesso acartonado são consideradas como uma tecnologia definitiva.
No Brasil, as vedações verticais leves de gesso acartonado surgiram na década de 70, porém não foi um sistema muito utilizado por conta da resistência que encontrou, pelo fato da alvenaria convencional ser mais conhecida e aceita pela sociedade. Essas vedações foram introduzidas no mercado da construção civil para substituir os processos tradicionais de vedações verticais internas nas edificações (REIS ET AL, 2003).
A expressão drywall foi adotada primeiramente nos Estados Unidos, e vem sendo empregada no Brasil para referir o sistema de divisória de gesso acartonado (TANIGUTI, 1999). Drywall é o nome dado aos componentes de fechamento que são aplicados na construção a seco, tendo como principal função a separação e compartimentação dos ambientes internos de uma edificação (STEIN, 1998).
Nas lojas de materiais de construção dos Estados Unidos, do Canadá e da França há uma grande variedade de componentes e materiais para a execução de divisória em gesso acartonado, por isso, nestes países, o sistema drywall é bastante utilizado (SOUZA, 1998).
A Norma de Desempenho NBR 15578-1 (2009) apresenta a definição do sistema de paredes em gesso acartonado, como sendo:
Conjunto de componentes formado por chapas de gesso para drywall, estrutura de perfis de aço, acessórios de fixação e insumos, destinados a atender determinadas funções de compartimentação, as guias definem e limitam verticalmente os ambientes internos dos edifícios, controlando o fluxo de agentes solicitantes, cumprindo as exigências dos usuários.
(ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 2009, p. 02)
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acartonado devem possibilitar um bom isolamento acústico, permitir que portas e janelas sejam instaladas e possuir capacidade para as instalações elétricas serem colocadas no seu interior, para serem consideradas eficientes.
Conforme Reis et al. (2003), “hoje, cada vez mais escritórios, residências, hotéis, flats, shopping centers têm suas paredes internas, revestimentos e forros sendo executados no sistema construtivo a seco – drywall (chapas de gesso e seus acessórios)”. De acordo com a Revista Grandes Construções (2014), nos primeiros nove meses de 2013, a utilização do sistema drywall no Brasil superou 36 milhões de m² de chapas de gesso, variando 15% no mesmo período de 2012.
A Figura 9 apresenta o consumo de placas de gesso acartonado, onde, no ano de 2013 foi alcançado 50 milhões de m² na construção civil brasileira, segundo dados da Associação Brasileira de Drywall (2014).
Figura 9: Consumo anual de chapas para drywall no Brasil (milhões de m²)
Fonte: ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE DRYWALL (2014).
Atualmente, o sistema drywall já tem uma boa aceitação no mercado da construção civil, podendo assim substituir o sistema de alvenaria convencional, apresentando várias vantagens que reduzem os custos e proporcionam uma facilidade no processo construtivo,
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pois, além de ser uma construção a seco, geram pouco entulho. A indústria da construção civil poderá progredir utilizando esse sistema de divisórias leves a um nível satisfatório de racionalização dos processos construtivos (REIS ET AL., 2003).
2.4 Legislações e Normas
2.4.1 ABNT NBR 14715-1/2010
Esta Norma especifica os requisitos para as chapas de gesso para drywall destinadas à execução de paredes, forros e revestimentos internos não estruturais, definindo as chapas de gesso como “chapas fabricadas industrialmente mediante um processo de laminação contínua de uma mistura de gesso, água e aditivos entre duas lâminas de cartão, onde uma é virada sobre as bordas longitudinais e colada sobre a outra” (ABNT, 2010).
O Quadro 3 apresenta as principais características geométricas que as placas de gesso devem seguir para estar de acordo com a NBR 14715-1 (2010).
Quadro 3: Características geométricas das chapas de gesso
Norma NBR 14715-1:2010- Chapas de gesso para drywall - Parte 1: Requisitos Característica geométrica Tolerância Limite
9,5 mm - Espessura 12,5 mm +/- 0,5 mm - 15,0 mm - Largura 0 a 4 mm Máximo de 1200 mm Comprimento 0 a 5 mm Máximo de 3600 mm Esquadro ≤ 2,5 mm - Rebaixo¹ LARGURA Mínimo - 40 mm Máximo - 80 mm Rebaixo¹ PROFUNDIDADE Mínimo - 0,6 mm Máximo - 2,5 mm
¹A borda rebaixada deve estar na face da frente da chapa, sua medida e profundidade são medidas de acordo com a NBR14715-2/2010.
Fonte: Adaptado de (ABNT NBR 14715-1/2010).
Além disso, a ABNT NBR 14715-1 (2010) apresenta os tipos e usos das chapas, que pode ser observado no Quadro 4.
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Quadro 4: Tipo e aplicação de cada chapa de gesso
Norma NBR 14715-1:2010- Chapas de gesso para drywall - Parte 1: Requisitos
Tipo de chapa Ccódigo Aplicação
Standart ST Paredes, revestimentos e forros em áreas secas Resistente à
umidade RU
Paredes, revestimentos e forros em áreas sujeitas à umidade por tempo limitado (de forma intermitente)
Resistente ao fogo RF
Paredes, revestimentos e forros em áreas secas, com chapas especialemnte resistentes ao fogo
Fonte: Adaptado de (ABNT NBR 14715-1/2010).
2.4.2 ABNT NBR 9050/2015
A Norma de Desempenho NBR 9050 (2015) “estabelece critérios e parâmetros técnicos a serem observados quando do projeto, construção, instalação e adaptação de edificações, mobiliário, espaços e equipamentos urbanos às condições de acessibilidade”. Esta Norma tem como objetivo atender o maior número de pessoas possível, independentemente de idade, estatura ou limitação de mobilidade ou percepção, a utilização do ambiente, edificações, mobiliário, elementos e equipamentos urbanos de forma segura e de maneira autônoma.
No item 6 a Norma aborda os critérios de acesso e circulação, especificando que “nas edificações e equipamentos urbanos, todas as entradas, bem como as rotas de interligação às funções do edifício, devem ser acessíveis” (ABNT, 2015).
O sistema drywall, por ser facilmente adaptável a qualquer ambiente, é uma ótima alternativa de divisória interna, pois apresenta diversas possibilidades de mudanças dentro de uma edificação.
2.4.3 Legislações Municipais
O Plano Diretor da cidade de Santo Augusto-RS, “dispõe sobre o ordenamento e planejamento da política territorial municipal e estabelece as estratégias e instrumentos orientadores do Desenvolvimento Sustentável do Município” (PREFEITURA MUNICIPAL DE SANTO AUGUSTO, 2016).
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O Código de Obras do Município de Santo Augusto-RS (2016), apresenta os objetivos que deverá ser atendido, em conjunto com o disposto no Plano Diretor Municipal:
I) O conforto ambiental e a salubridade e segurança da edificação; II) A acessibilidade universal dos espaços e públicos;
III) A preservação dos recursos naturais e o desempenho energético da edificação; IV) A qualidade da paisagem urbana;
V) A simplificação dos processos e a transparência nas relações do Executivo com o cidadão;
VI) O compartilhamento das responsabilidades.
O município de Santo Augusto-RS não dispõe de leis específicas quanto à utilização de divisórias em gesso acartonado e quanto à disposição de seus resíduos.