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Karen Ciaccio Secco

Coaching e formação da consciência docente

MESTRADO EM EDUCAÇÃO: CURRÍCULO

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Karen Ciaccio Secco

Coaching e formação da consciência docente

MESTRADO EM EDUCAÇÃO: CURRÍCULO

Dissertação apresentada à Banca Examinadora da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, como exigência parcial para o título de MESTRE em Educação: Currículo, sob a orientação do Professor Doutor Alípio Márcio Dias Casali.

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BANCA EXAMINADORA

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Agradeço, primeiramente, a Deus por me fortalecer em cada momento dessa jornada.

À minha família, por ser a fonte de conforto, sabedoria, esclarecimento e aprendizagem, sempre com palavras de incentivo e amor. Sem o apoio de vocês jamais teria trilhado este caminho tão belo. Aproveito para estender meus agradecimentos aos meus queridos amigos que me apoiaram também durante o desenvolvimento desta dissertação, cada um à sua maneira. Amigos que me auxiliaram a concluir e estruturar meu estudo e também me ofereceram conforto, amor, carinho e companhia em todos os momentos nessa trajetória.

Agradeço ao meu marido amado, que com muito amor e paciência sempre esteve ao meu lado e soube me compreender e me encorajar nos momentos mais difíceis.

Devo ainda agradecer ao meu coach querido e amado amigo, Michiel Herbert, por todo apoio nos mais diversos aspectos de minha vida. Agradeço com muito carinho por ter acreditado em meu potencial e ter me encorajado em cada instante desse período tão importante em minha vida, além de contribuir tanto com reflexões imprescindíveis sobre o trabalho de coaching dentro e fora da educação. Agradeço também à Ana Rosa e ao Tai, pela paciência, pela compreensão, pelo amor e pelo carinho que me dispuseram em todos os momentos. Obrigada por ter mantido a cada instante meu brilho no olhar e por me inspirar tanto!

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mestrado.

Meus agradecimentos, em especial, ao Prof. Dr. Antônio Ciampa, que fez contribuições tão valiosas durante a disciplina que tive a oportunidade de frenquentar e aprender tanto com suas discussões e reflexões em torno do tema Identidade. Agradeço ainda pelas contribuições sábias durante a qualificação.

Estendo ainda meus agradecimentos à Prof. Dr. Ana Cristina Limongi, que me acolheu de maneira muito carinhosa em seu grupo de pesquisa na USP e deu também contribuições de grande valia para a minha dissertação durante a qualificação. Em suma, agradeço mais uma vez pela leitura atenta da pesquisa e pelas contribuições fundamentais para o ajuste deste estudo.

A CAPES, pelo apoio e incentivo por meio da bolsa nos últimos 12 meses de pesquisa.

Não poderia deixar de agradecer à Cida, funcionária exemplar do Programa Educação: Currículo, sempre disposta em auxiliar os alunos de maneira alegre e educada, que me ajudou tanto durante todo o mestrado.

Agradeço também a todas as professoras que se dispuseram a participar deste estudo de maneira tão dedicada e que me proporcionaram crescimento pessoal e profissional.

Agradeço também a toda a equipe diretiva da escola pesquisada, pelo apoio e pelos ajustes realizados para que pudesse concluir esta pesquisa e por acreditarem na educação e em uma formação docente que envolva a profissionalidade do professor, dentro de seu ambiente de trabalho.

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Karen Ciaccio Secco

Este estudo tem como objetivo principal olhar para a subjetividade do professor; olhar para a ligação entre as dimensões pessoais e profissionais na formação da consciência docente e na produção identitária dos professores. Busca maiores esclarecimentos sobre a profissão docente, compreendendo suas crenças e elucidando seus valores pessoais e profissionais através do coaching (processo que trabalha com desenvolvimento pessoal e profissional do ser humano). Apresenta como referenciais teóricos as concepções de Rousseau, Dewey, Vygotsky, Freire, Nóvoa e Ciampa no que diz respeito aos princípios educacionais, à formação da identidade e à consciência docente; e como fundamentação teórica do coaching, apresenta os conceitos de Atkinson, O’Connor & Lages, Whitmore, Galley e Pérez. A opção metodológica foi pela pesquisa qualitativa, utilizando a pesquisa-ação como referência, segundo Barbier. Para análise e interpretação dos dados utiliza Bardin, enfatizando duas categorias: compromisso e responsabilidade. Durante a pesquisa de campo foram realizadas as sessões de coaching com professores de Educação Infantil e do Ensino Fundamental I, com a intenção de verificar qual efetivamente foi o impacto do coaching na dimensão pessoal e profissional dos sujeitos envolvidos na pesquisa. A dissertação conclui que o coaching teve um impacto positivo em ambas as dimensões mencionadas, considerando-as indissociáveis, isto é, uma reflete na outra. O trabalho com as sessões de coaching possibilitou reflexões e mudanças na vida pessoal e profissional dos sujeitos. Como o foco da pesquisa era especificamente a formação da consciência docente, por meio do coaching, associando-se consciência aos conceitos de compromisso e responsabilidade com a profissão, concluiu-se que quando se desenvolve a dimensão pessoal do sujeito o profissional também se modifica. Neste caso, evidencia-se o fortalecimento do grupo de professores, a valorização do trabalho em equipe e um olhar mais atento para os educandos, resgatando o brilho no olhar dos professores e contemplando também as expectativas, que, em especial, eram a formação docente e o autoconhecimento, dados esses que foram resultados da presente pesquisa. Em suma, busca-se, desta forma, a construção de um programa de formação que utilize o coaching como novo elemento do currículo, com foco na formação dentro da escola, olhando para as dimensões pessoais e profissionais do docente, contribuindo para sua produção identitária e para uma maior consciência de/para sua profissão.

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Karen Ciaccio Secco

This study's main objective is to look at the subjectivity of the teacher, look for the link between personal and professional dimensions of consciousness in teacher training and teachers in the production of identity, reaching further information on the teaching profession, better understanding their beliefs and clarifying their personal values and professional through coaching (the process that works with personal and professional development of the human). It assumes the theoretical conceptions of Rousseau, Dewey, Vygotsky, Freire, Ciampa and Nóvoa with regard to educational principles and the formation of teacher identity and consciousness as theoretical teaching of the coaching, it introduces the concepts of Atkinson, O'Connor & Lages, Whitmore, Galley and Pérez. The methodology was that of qualitative research, using action research as a reference, according to Barbier. For analysis and interpretation of data it was used Bardin, emphasizing two categories: commitment and responsibility. During the field research coaching sessions were conducted with kindergarten and elementary school teachers with the intention to ascertain what was effectively the impact of coaching in personal and professional dimensions of the subjects involved in research. The dissertation concludes that coaching had a positive impact on both dimensions mentioned, whereas inseparable, in other words, reflecting the other one. Working with the coaching sessions has allowed reflections and changes in personal and professional lives of individuals that were involved in this study. The focus of this research was specifically aware of teacher training, through coaching, joining awareness, the concepts of commitment and responsibility with the profession; it was concluded that when, looking at the personal dimension of the subject, his/her the work is also modified, which in this case, we realized the strengthening of the group of teachers, promotion of teamwork and a greater attention to the students, rescuing the shining eyes of teachers and also considering the expectations, which in particular were the teacher training and self-knowledge, data which were results of this search. In short, this way we seek to build a training program that uses coaching as a new element of the curriculum, focusing on education in school, looking for personal and professional dimensions of teaching, contributing to the production of identity and to lager awareness of/for his/her profession.

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Quadro 1 – Perfil dos Sujeitos Pesquisados...91

Quadro 2 – Roda da Vida...97

Quadro 3 – Pontos fortes e fracos...114

Quadro 4 – Principais valores apresentados pelos sujeitos...116

Gráfico 1 – Escolaridade...93

Gráfico 2 – Crenças Religiosas...93

Gráfico 3 – Maternidade entre as professoras...94

Gráfico 4 – Estado Civil das professoras...94

Gráfico 5 – Tempo de Magistério...95

Gráfico 6 – Vínculos trabalhistas com outras escolas...95

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CEFAM – Centro de Formação e Aperfeiçoamento do Magistério FGV – Fundação Getúlio Vargas

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INTRODUÇÃO...01

CAPÍTULO I O QUE É O COACHING? 1. A história do coaching...13

2. Coaching e a sua natureza...19

3. Benefícios do coaching...25

4. Tipos de coaching...28

5. Teacher coaching...32

CAPÍTULO II REFERENCIAL TEÓRICO DA EDUCAÇÃO 1. As propostas pedagógicas de Rousseau, Dewey, Vygotsky e Freire....34

1.1. Jean-Jacques Rousseau...34

1.2. John Dewey...40

1.3. Lev Vygotsky e a Zona de Desenvolvimento Proximal...45

1.4. Paulo Freire...47

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COACHING E FORMAÇÃO DE PROFESSORES: RELATO DE UMA EXPERIÊNCIA

1. Abordagem qualitativa e pesquisa-ação...67

2. Percurso metodológico e a pesquisa de campo...71

3. Pesquisa de campo...74

3.1. Cenário e sujeitos da pesquisa...75

3.2. Pesquisa de campo: sessões de coaching...77

4. Primeiros resultados das sessões...82

5. Análise, interpretação e resultados da pesquisa...85

CAPÍTULO IV COACHING E FORMAÇÃO DOS PROFESSORES: UMA CONTRIBUIÇÃO AO DESENVOLVIMENTO DO CURRÍCULO 1. Coaching: um novo elemento do currículo...121

2. A construção da identidade docente...130

3. Coaching e a formação de professores...135

CONSIDERAÇÕES FINAIS...145 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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INTRODUÇÃO

Meu projeto de mestrado surgiu de um grande sonho. Desde menina tenho paixão pela educação. Quando criança, era apenas uma brincadeira: imitava minhas professoras. Aos 9 anos de idade tive duas grandes educadoras em minha vida. A paixão por elas era tanta que despertava em mim o desejo de aprender e de poder ser cada dia melhor. Elas eram minha mãe, professora, que na época também era assistente de direção numa escola de Educação Infantil; e minha professora da 3a série, atual 4o ano do Ensino Fundamental. Elas eram realmente incríveis, referências na vida de tantas crianças. Nessa época já desejava ser professora. Trago entre as minhas memórias as vezes que acompanhava a minha mãe na escola e participava das festividades e do cotidiano daquelas professoras.

Ao ouvir e pensar na palavra PROFESSOR me lembro do quanto esta profissão era reconhecida, respeitada. Ser professor era ter prestígio, sabedoria, status, de certa forma. Desde então, em toda a minha vida escolar tive bons e ruins professores, os quais deixaram marcas, alguns como brilhantes referências, outros nem tanto, mas que me ajudaram a enxergar coisas que não faria na profissão.

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Vieram os estágios e as primeiras percepções: quantos professores em sala que davam a mesma aula de 20, 30 anos atrás; quantos professores esquecidos, num sistema abandonado pelo governo e pela sociedade; tantos problemas. Porém, em meio a tantos conflitos, a parte mais linda e magnifica da profissão: a pureza, a inocência, o amor e a confiança de uma criança. Isto, sim, me motivava cada vez mais a entrar em sala e colocar meus verdadeiros sonhos, desejos e aprendizagens em prática. Meu único pensamento: fazer a diferença de maneira positiva na vida do aluno que estava em minhas mãos!

Certa ou errada, o que me inspirava era a paixão, o amor pela profissão e fui percebendo que, como eu, existiam outros que amavam a nossa profissão, mas que, na maioria das vezes, trabalhavam sozinhos. Então, vinha em meus questionamentos: por que não trabalharmos todos juntos em prol de um mesmo objetivo? Por que não tentarmos mudar a educação? Quantas indagações de uma menina nova no magistério, sem muita experiência, mas com uma vontade e uma garra enorme de mudar! Mudar a educação parecia um sonho muito ousado, mas a busca por ele está cada vez mais perto.

Com o passar do tempo, ingressei na Prefeitura Municipal de Santo André, depois na Prefeitura Municipal de São Bernardo e, a mais almejada, na Prefeitura de São Paulo, o coração do Brasil. Imaginava que todos os esforços estariam nesta grande rede. Não foi bem assim, mas meus valores e desejos continuavam presentes.

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recursos, tinha dentro de mim o desejo de aprender com eles, meus amados e adoráveis alunos1.

Paralelo a isso, à minha prática profissional, me formei na Faculdade de Educação Física e, em seguida, fiz Pedagogia.

Quanta coisa tenho aprendido nessa estrada. Porém, tenho de confessar que também tive as minhas crises na área educacional; desmotivação talvez não fosse a palavra mais adequada, mas um descontentamento com a forma com que o Estado, a sociedade e até os próprios professores enxergam a educação. Foi com base neste descontentamento que me movi a procurar algo para lutar pela minha grande razão de viver: a arte de EDUCAR. Descontente com tanto descaso, fui a busca de novos conhecimentos para realmente poder transformar a educação.

Assumi os riscos e saí da rede na qual batalhei tanto para entrar, fui para a educação corporativa entender o lado privilegiado do país, pois até então havia trabalhado na periferia, um mundo à parte dentro de nosso mundo. Foi aí que conheci e percebi que quando temos uma causa, um sonho, fazemos qualquer coisa para que este seja realizado: trabalhei treinando executivos. Especializei-me numa empresa de liderança e pude medir de perto o quanto o sonho de uma pessoa, a disposição para a mudança, juntamente com plano estratégico para a efetivação deste sonho, fazem a diferença não só na vida da pessoa, como na busca por um mundo melhor. Nessa época fiz meu MBA em Gestão de Pessoas, na Fundação Getúlio Vargas – FGV.

Foi então que, infelizmente, vi que a educação estava mesmo esquecida pela parte “rica” da sociedade, mas descobri também que quando queremos algo e nos determinamos para consegui-lo somos capazes de transformar o mundo! Os recursos estão dentro de nós mesmos! Por que não passar esta vivência para

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outros professores, tão sonhadores e apaixonados quanto eu? Eram esses pensamentos que permeavam o tempo todo minha cabeça. Foi então que conheci o coaching. Que processo encantador! Um trabalho que ia ao encontro de tudo o que eu acreditava na educação, baseado no outro, trabalhando a reflexão, o pensamento a todo o momento, o autoconhecimento, o sonho, a missão de vida, os valores; enfim, despertar no outro a força que ele mesmo tem. Fazê-lo reconhecer que pode, que o ser humano é capaz.

A partir de então meu sonho tomou ainda mais forma. O que fazer com tantas informações? Como colocá-las em prática? Então, com um processo curto de coaching 4 passos, resolvi ir para o Canadá e me especializar em coaching, e percebi que lá este processo é trabalhado nas escolas. Tive a oportunidade de conhecer escolas lá fora que aplicam o coaching em seu cotidiano e que trazem bons resultados. Então, por que não trabalhar em meu país? É mais um questionamento que me motivou a voltar para o Brasil e colocar em prática tudo o que havia lido, aprendido e vivenciado na prática. Percebi que hoje é possível, tenho um longo trabalho e terei grandes parceiros, que assim como eu sonham em fazer uma educação de qualidade.

Minha trajetória não termina aí. Ela apenas começou. Encontrei também no curso de coaching, no Canadá, uma pessoa muito especial, que me motiva e inspira nesta jornada: Michiel Kerbert2, que compartilha do mesmo objetivo que

eu: fazer a diferença na educação, como já havia citado acima. Ele me motivou a voltar e realizar a minha pesquisa e a partir daí é que minha nova história começa, mas a história de um mesmo e novo sonho, EDUCAÇÃO, esta palavra que me move, me impulsiona. Quero poder despertar esta mesma paixão em outros professores, resgatar o brilho no olhar e o motivo real que fez com que eles escolhessem esta profissão tão bela, que nos ensina tanto, que nos desperta como agentes de mudança em sociedade, ampliando nossas visões de mundo,

2 Michiel Kebert: amigo querido, empresário, profissional renomado na área de coaching e na

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lidando com pessoas e comportamentos de diferentes tipos, trabalhando com cultura, contribuindo para a formação de um ser humano melhor, de uma sociedade mais justa e menos violenta. Pois, para mim, a solução para os grandes conflitos de nosso país passa pela construção de uma nova educação.

Compartilhar este sonho, estes conhecimentos com meus colegas de profissão me motivam a estudar, pesquisar, investigar a arte do coaching aplicada à educação como um todo. A arte de fazer perguntas que estimulam o pensar; que auxiliam e direcionam o olhar do professor para seu aluno; que o auxilia a prestar atenção no ser humano que está à sua frente, na sala de aula e fora dela; a compreender qual o impacto de uma atitude profissional na vida de um aluno. O coaching auxiliará na mudança de cultura escolar, compreendendo e ressignificando crenças, vivenciando valores de forma plena e, acima de tudo, interessando-se pelo outro, pelo próximo, sendo este seu aluno ou não. A utilização desta ferramenta ampliará a visão da prática educativa atual, trazendo benefícios para a sociedade como um todo, pois o objetivo maior é despertar no aluno o desejo de aprender sempre e trazer para a educação uma nova visão educacional, que se preocupa em formar seres humanos melhores em busca de um mundo melhor para todos nós.

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Cabe então a mim, enquanto educadora, e aos que aqui compartilham do mesmo desejo de transformação de nossa sociedade acreditar que isto é possível e colocar em prática o amor pela profissão, a missão de vida, sendo agente transformador através do trabalho com a formação da consciência docente e diretamente com os alunos envolvidos nesse processo de sucesso.

Se aprender para a vida significa alguma coisa, trata-se antes de tudo da criação de novas formas de compreensão, de unidade entre o ser humano e o mundo, dos seres humanos entre si, entre o que se aprende na sala de aula e o que se vive e se viverá fora dela e fora da escola. Partindo desta perspectiva, o professor deve ter clareza de um projeto de educação comprometido com o desenvolvimento das capacidades que permitam intervir na realidade para transformá-la. Ele deve compreender que cabe a ele levar quem aprende a níveis cada vez mais profundos de consciência, tornando-o um ser maduro e responsável. E aqui é onde o processo de coaching pode auxiliá-lo na compreensão e no desenvolvimento de seu educando.

Como deixo claro, sou impulsionada por motivações pessoais e profissionais, pois a escola, a educação, precisa mudar, inovar, renovar, buscar novos caminhos. E para que isso aconteça é necessário trabalhar a subjetividade do professor, em sua dimensão pessoal e profissional, resgatando o passado, nossas raízes, olhando para um futuro melhor, sem esquecer o presente e das ações que devemos ter hoje para que possamos alcançar um futuro tão almejado. Sempre com os pés no chão e a mente no infinito.

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melhor” e que este desejo faça parte do cotidiano escolar, promovendo reflexões em sala de aula que contribuam para que o educando também se torne um ser humano melhor e se realize integralmente. Segundo Arroyo (2000), não nascemos humanos, nos fazemos e aprendemos a ser humanos.

Acredito que o professor deve ter clareza de que inspirar seus alunos faz com que estes estabeleçam relações não só com o processo ensino aprendizagem, mas também como compreendem o mundo. Quem faz as coisas por obrigação tende a fazê-las com menor empenho e obtém resultados medíocres. Já aqueles que agem movidos pelo amor e pelo talento se entregam de corpo e alma, alcançando resultados extraordinários. Quando o professor acredita em sua causa e trabalha por amor à profissão, sua motivação o impulsiona, seu envolvimento aumenta e, consequentemente, o processo de aprendizagem torna-se mais rico e produtivo. O coaching contribui efetivamente para que isto aconteça, pois é através dele que o educador estará refletindo profundamente sobre estas questões e sobre a cultura educacional como um todo, compreendendo cada vez mais suas crenças, valores e comportamentos.

Direcionamento do olhar para o momento presente: pesquisa em ação

Por conta de toda a minha trajetória de vida, tanto na dimensão pessoal como na profissional, cheguei ao tema título desta pesquisa: Coaching e formação da consciência docente. A decisão por pesquisar o tema, em primeiro lugar, está baseada numa crença de que nós, enquanto educadores, temos a obrigação de sonhar e de que estes sonhos possam transgredir a realidade e propiciar mudanças individuais e coletivas, além de estar diretamente atrelada a identificar os gaps3 existentes na exigência da sociedade para com a escola, para com o professor, especialmente direcionada à lacuna existente diante desta demanda de

3 Gaps: termo em inglês que significa “lacunas”, de acordo com o Dicionário Michaelis on line

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massa, onde o professor está no meio deste grande problema e está ficando pra trás, completamente perdido, desatendido, desassistido. Quem cuida do sujeito professor na sua subjetividade? Como fazer isso? Como ajudar o sujeito professor na sua subjetividade a ter uma inserção adequada dentro do universo escolar e da sociedade? Qual o impacto do coaching neste processo da formação da consciência docente? Trazer uma discussão como esta é fazer um resgate histórico.

E para resolver esta questão é que proponho o coaching. Ele captura estes gaps e vem para solucioná-los. Estes processos análogos estão reconectando tradições ancestrais. Em especial, quando resgatamos as ideias de Rousseau, Dewey e Paulo Freire, realizando uma contraposição com o histórico e o surgimento do coaching, que vem de uma tutoria, mesmo que a tutoria tivesse sido um privilégio dos nobres.

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Este estudo pretende trazer alguns elementos do coaching, já utilizados em outros países e até no Brasil, que trarão para a escola alguns dispositivos similares aos que são usados em empresas, respeitando as peculiaridades da escola e a essência de cada professor enquanto ser humano, visando não só o trabalho com este educador, mas que ele possa utilizar os pressupostos do coaching em sala de aula como start4 para ações e intervenções mais efetivas diante de seus educandos, proporcionando condições, situações, experiências que visem o desenvolvimento das potencialidades do mesmo, almejando um ser humano melhor e uma sociedade cada vez mais justa e igualitária, trazendo uma nova plataforma para o trabalho de coaching em educação. Algumas condições, se não ideais, próximas ao ideal.

A pesquisa busca utilizar o viés humanista do coaching, buscando expor as raízes do processo para que esse seja compreendido criticamente e também visando um viés político dentro das escolas, dentro da educação. (ATKINSON, 2007a).

O problema que dá origem a este projeto é a insatisfação geral dos professores em relação à profissão docente, identificada pela desvalorização social, pela falta de recursos para exercer a profissão, pelos baixos salários, pelo excesso de trabalho e, principalmente, por crenças tão arraigadas ao longo da profissão, entre outras questões, que afrontam a educação brasileira nos dias atuais.

A insatisfação dos professores provoca cansaço, desânimo e falta de motivação para exercer de maneira efetiva a profissão. Na maioria das vezes, impede-os de cumprir seu papel na sala de aula, de se atualizar, de buscar novos conhecimentos e aprimorar sua prática pedagógica, causando um descomprometimento do profissional docente com o exercício de sua profissão.

4Start: termo em inglês que significa começar, iniciar, de acordo com o Dicionário Michaelis on line

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A hipótese a ser utilizada neste trabalho é: se houver um trabalho com a subjetividade do professor, um olhar direcionado para o educador na sua dimensão pessoal e profissional, através do coaching, o problema apresentado será minimizado e muitos gaps na relação professor-escola-aluno estarão solucionados.

Acredito que o coaching, em sua essência, possibilita a mudança do ser humano e da realidade na qual o mesmo está inserido, pois, a partir da compreensão da subjetividade do ser, de suas crenças e valores, o professor estará resgatando seu “brilho no olhar”, visando sempre potencializar seus talentos dentro e fora da sala de aula e, consequentemente, assumindo também o papel de teacher coach, um profissional que olha para seu aluno e crê que este pode se desenvolver mais a cada dia. No decorrer do presente estudo trago os princípios do coaching e como este pode ser utilizado como ferramenta de sucesso.

Tendo em vista a importância da descoberta de caminhos que tornem possível um trabalho significativo com a pessoalidade e profissionalidade do professor, tenho a intenção de articular projetos que contribuam para a formação de professores, pautados na pesquisa e voltados à busca por uma nova consciência docente.

A pesquisa é essencialmente qualitativa. Surgiu a partir de muitos outros estudos tanto nas disciplinas do Programa de Educação: Currículo como em minhas próprias pesquisas realizadas nas aulas, na Internet, no Portal da CAPES e na leitura de bons livros e dissertações que contribuem com a educação de forma geral.

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Nesta pesquisa, o objetivo principal é olhar para a subjetividade do professor, olhar para a ligação entre as dimensões pessoais e profissionais na formação da consciência docente e na produção identitária dos professores, buscando maiores esclarecimentos sobre a profissão docente, compreendendo melhor suas crenças e elucidando seus valores pessoais e profissionais através do coaching.

Para atingir o objetivo principal e buscar respostas para o problema anunciado, analisarei junto a um grupo de professores em que medida uma prática de coaching pode produzir um efeito de ampliação de sua consciência docente e intensificação de seu compromisso profissional. Para isso seguirei o percurso metodológico da pesquisa numa abordagem qualitativa, pois se desenvolve na relação e nos níveis de colaboração com outro, trabalha a autorreflexão, buscando a transformação de todos (pesquisador e sujeitos), visando a elaboração de teoria para a condução da prática. Conforme Chizzotti (2003, p. 79), “uma interdependência viva entre o sujeito e o objeto, um vínculo indissociável entre o mundo objetivo e a subjetividade do sujeito”.

Esta dissertação está assim estruturada: o primeiro capítulo, intitulado O que é o coaching?, apresenta um histórico do tema, sua definição, seus pressupostos e os tipos de coaching, enfatizando o coaching teacher.

O segundo capítulo, Referencial teórico da educação, traz a fundamentação teórica, apresentando uma justificativa histórica do tema, explicando o que foi perdido ao longo do tempo e mostrando a importância da retomada de alguns princípios educacionais e do próprio coaching para a educação. Resgata ainda a proposta pedagógica de Rousseau, Dewey, Vygotsky e Freire.

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No quarto e último capítulo, intitulado Olhares metodológicos, descrevemos o percurso da pesquisa e a metodologia utilizada; descrevo ainda o cenário e sujeitos de pesquisa, a coleta de dados e a análise e interpretação dos mesmos, através do processo de coaching.

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CAPÍTULO I

O QUE É O COACHING?

1. A história do coaching

O coaching apresenta diferentes origens em seu processo histórico. Cabe descrever primeiramente o que é este processo e quais as abordagens históricas de seu surgimento.

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ação e não perder o foco no caminho da implantação. Ele tem como foco as possibilidades futuras, as ações que devem ser feitas no presente e não os “erros” do passado (ATKINSON, 2007a).

A história do coaching começou a ser escrita há alguns séculos, tendo o filósofo Sócrates como uma grande inspiração para o seu surgimento, pois fazia uso de um processo de perguntas que ajudava as pessoas a refletirem sobre as respostas desejadas. O coaching utiliza perguntas reflexivas como sua base. Fazer perguntas poderosas é uma das principais habilidades que um coach profissional precisa ter e desenvolver (Ibidem).

A história aponta para os séculos XV e XVI, quando a cidade húngara de Kocs, situada a uns 70 km de Budapeste (entre Viena e Peste), se tornou a mais popular e se converteu em paragem obrigatória para todas as viagens entre as duas capitais.

Em Kocs passou a ser muito comum o uso de uma carruagem que tinha um sistema de suspensão, destacando-se ainda pela sua comodidade com relação às carruagens tradicionais. Esta carruagem passou a ser chamada de kocsi szeker, ou seja, a carruagem de kocs. Assim o termo kocsi (pronunciado cochi) passou para o alemão como kutsche, para o italiano como cocchio e para o espanhol como coche. Em português também temos a palavra cocheiro (PÉREZ, 2009).

Desta forma, podemos dizer que a palavra coach é de origem húngara e referia-se a um veículo puxado por animais que servia para transportar as pessoas de um lugar para o outro.

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Instalou-se nos Estados Unidos antes de 1971, diretamente atrelado ao esporte. O precursor foi Thimothy Galley, com seu livro publicado em 1974, The Inner Game of Tennis, que assumia o papel de coach esportivo. Seu livro foi um marco para o coaching que conhecemos hoje.

Em seu livro, Galley argumenta que o tenista tinha dois adversários: um é o externo, que fica do outro lado da rede, e o objetivo é derrotá-lo; o outro é o adversário interior, ou seja, você mesmo. Enquanto o adversário externo, de certa forma, tira o melhor de você, o interno conhece todos os seus problemas e seus pontos fracos e, ao mesmo tempo em que possui muitas armas para enfrentar o adversário externo, possui a distração, conversas internas e dúvidas. Esse jogo interior se desenvolve na mente do jogador. E, na verdade, seu pior adversário acaba sendo ele mesmo (GALLEY, 1974).

Whitmore (2010) ressalta em sua pesquisa que Galley tinha tocado a essência do coaching: liberar o potencial de uma pessoa para maximizar seu desempenho, ajudá-la a aprender ao invés de ensiná-la. Um coach reconhece que os obstáculos internos são com frequência mais assustadores que os externos.

Sua obra foi realmente revolucionária, pois reuniu elementos da psicologia humanista, esportiva, do pensamento budista e de propor a ideia da programação do inconsciente, mesclando de forma habilidosa com o aconselhamento.

Segundo O’Connor & Lages (2010), em 1980 as ideias de coaching começaram a aparecer na cultura popular dos Estados Unidos, mas somente em 1990 o coaching passou a se desenvolver. Um dos responsáveis foi Thomas Leonard, fundador, em 1994, da Internacional Coach Federation, que é hoje a principal associação dos profissionais de coach do mundo.

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resultados, o coaching também tem em suas raízes a psicologia humanista e a filosofia oriental, que buscam o ser humano como um ser integral.

O’Connor & Lages afirmam que muitos princípios da psicologia humanista foram incorporados no processo de coaching, como: a visão otimista da natureza humana, onde todas as pessoas querem se realizar; cada pessoa forma um todo singular; cada pessoa é um ser único e valioso; todas as pessoas têm escolhas e sentimentos que devem ser valorizados. Na visão desses dois autores,

para o coaching não existem fórmulas prontas, o coachee é um especialista em sua própria experiência; cada um é um, e essas diferenças devem ser respeitadas. Os coaches convidam os coachees a serem arquitetos de suas próprias futuras personalidades, fazendo escolhas e assumindo a responsabilidade por essas escolhas. (O’CONNOR & LAGES, 2010, p. 27-28)

A filosofia oriental contribuiu muito para o desenvolvimento do coaching, em especial, pois, enquanto o ocidente buscava Deus no exterior, o oriente buscava Deus no interior. Olhava para o íntimo da pessoa e buscava o diálogo interior, fator fundamental no processo de coaching, onde o coachee busca o diálogo interior e suas próprias respostas nele mesmo.

Outra filosofia subjacente no coaching é a filosofia socrática e seus postulados maiêuticos, presentes nos diálogos de Platão, que evidenciavam a capacidade das pessoas em procurar e encontrar as respostas em si próprias.

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Segundo Dorion (2008), Sócrates é considerado o “pai a filosofia”. Ele dizia que sua sabedoria era limitada à sua própria ignorância, dando origem à frase “só sei que nada sei”. Pensava devagar e não aceitava a primeira coisa que lhe vinha à mente. Buscava se libertar de ideias e conceitos de terceiros, submetendo-os a críticas antes de enunciar seu pensamento.

Segundo Platão, Sócrates não queria ser considerado um professor e nunca se considerou um sábio. Preferia ser visto como uma “parteira de ideias”. Ele considerava que qualquer um poderia fazer o que ele fazia desde que se dispusesse a fazer perguntas, aprender com todo mundo e desafiar suas próprias crenças (apud WILLIANS, 2000).

Sócrates pregava que, ao desenvolvermos a confiança em nossas próprias ideias, ficaríamos menos vulneráveis às influências de opiniões alheias e acreditava que, para descobrir sua verdadeira vocação, o homem precisava se libertar das expectativas que os outros têm sobre ele (DORION, 2008).

Sócrates afirmava que as verdades do método estavam em seu interior, vindos da sua experiência anterior no mundo das ideias.

No coaching, a aproximação da “verdade interior” do coachee não implica necessariamente ter a crença de que tal verdade seja inata.

A ideia básica da filosofia socrática que se relaciona diretamente com a prática do coaching nos parece muito clara no diálogo entre Sócrates e Teeteto:

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Vale lembrar que para compreendermos os fundamentos do coaching é necessário que se compreenda o método socrático, técnica para adquirir conhecimento através da palavra, as quais estão escritas em forma de diálogos, onde Sócrates surge como protagonista, fazendo seus discípulos refletirem através de perguntas inteligentes, para que dessa forma adquiram conhecimento por si próprios, podendo assim chegar à verdade das coisas (PÉREZ, 2009).

De acordo com Atkinson (2007a), alguns princípios e valores nomeados por Sócrates, em especial voltados para os indivíduos, estão presentes fortemente na cultura do coaching.

 Autoconhecimento como base em uma vida autêntica;

 Autoridade moral e espiritual do indivíduo sobre sua própria “alma”;

 Questionamento do “senso comum” para verificação da verdade, em vez de confiar na tradição;

 Liberdade de expressão, direito de discordar abertamente e de questionar a autoridade são elementos essenciais de uma sociedade saudável;

 Pensamento disciplinado pela lógica e pela experiência pessoal.

Pérez (2009) afirma que o método socrático é um método baseado no diálogo, onde através de perguntas se questionam conceitos considerados verdades até o momento. Este método se processa em duas fases:

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2) Maiêutica: fase em que começa a real procura da Verdade, através da dialética. Consiste numa evolução progressiva quanto à exatidão de definições elaboradas. Quanto mais correta for a definição mais perto se estará da Verdade. É desses ensinamentos socráticos que temos a inspiração do coaching. Como ressalta Atkinson (2007b), o conhecimento não está no coach e sim no coachee. Um bom coach tem de incorporar esta ideia, pois este é um dos princípios que garante o sucesso do programa e o diferencia de outras profissões, como a consultoria, o mentoring (pessoa que tem mais experiência e orienta o outro), o counseling (pessoa que faz um aconselhamento), entre outros. O coaching foi buscar nos princípios socráticos a sua base.

Sócrates não dava respostas, nem soluções, ajudava seus discípulos a encontrarem as respostas em si próprios. Promovia o autoconhecimento e a aprendizagem significativa através da reflexão; assim também faz o coaching, que tem como premissa promover a reflexão, a aprendizagem e o autoconhecimento do coachee. Seguir o lema de Sócrates, “conhecer-te a ti mesmo”, o que significa precisamente consciência racional de si mesmo para organizar racionalmente a própria vida: é um dos propósitos do coaching5.

2. Coaching e sua natureza

O coaching é um meio para se chegar a um fim e não um fim em si mesmo. Trata-se de uma metodologia de mudança destinada a ajudar as pessoas a aprender, a desenvolver-se e dar o melhor de si. Para conseguirmos o melhor das

5 A intenção da presente pesquisa é apenas descrever de acordo com os teóricos utilizados a

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pessoas precisamos acreditar que o melhor está com cada uma delas, adotando uma visão otimista do ser humano.

Para o sucesso de um processo de coaching é imprescindível que o coach utilize os princípios básicos do mesmo. Atkinson (2007b) define que:

Princípios são pressupostos éticos que você assume como fundamentos. Ex: eu não minto porque vai contra meus princípios regras ou leis que criamos para viver porque são uma consequência direta do seu valor fundamental e refletem no nosso sistema de crenças (A arte e a Ciência do Coaching 6, módulo II,

2009).

A partir desta definição que rege o processo de coaching, a autora ainda apresenta cinco princípios fundamentais a serem incorporados integralmente pelo coach, a saber:

As pessoas são como elas são. Este princípio diz que as pessoas podem crescer e mudar a partir de sua própria vida, através de suas escolhas. Todas as pessoas têm capacidades e habilidades que podem ser desenvolvidas a partir do seu querer;

As pessoas já possuem todos os recursos de que necessitam. Imagens mentais, vozes interiores, sensações e sentimentos são os blocos básicos de construção de todos os nossos recursos mentais e físicos. Podemos usá-los para construir qualquer pensamento, sentimento ou habilidade que desejarmos, colocando-os depois nas nossas vidas, onde quisermos ou mais precisarmos;

As pessoas sempre fazem a melhor escolha disponível para elas.Cada um de nós tem a sua própria e única história. Através dela aprendemos o que

6 A Arte e a Ciência do Coaching é o curso oferecido pela Erickson College, em Vancouver,

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querer e como querer, o que valorizar e como valorizar, o que aprender e como aprender. Esta é a nossa experiência. A partir dela, devemos fazer todas as nossas opções, isto é, até que outras novas e melhores sejam acrescentadas;

A mudança é algo inevitável. A transformação é algo inevitável. O mundo está em constante transformação e, consequentemente, as pessoas também; e

Todo comportamento tem uma intenção positiva para o sujeito. Todos os comportamentos nocivos, prejudiciais ou mesmo impensados tiveram um propósito positivo originalmente: gritar para ser reconhecido; agredir para se defender; esconder-se para se sentir mais seguro etc. Em vez de se tolerar ou condenar essas ações, podemos separá-las da intenção positiva daquela pessoa para que seja possível acrescentar novas opções mais atualizadas e positivas a fim de satisfazer a mesma intenção.

De acordo com Atkinson (2007b), o coach tem a responsabilidade de seguir esses princípios e deve ter muito claro os três elementos importantes no processo: mudança, relacionamento e aprendizado.

A mudança está diretamente ligada ao desenvolvimento, em busca de algo melhor no e para o indivíduo. A palavra mudança, no Dicionário Aurélio (2009, p. 567) apresenta diferentes definições, dentre estas, apresento-lhes algumas delas: ação ou efeito de mudar, transformação; pressupõe uma alteração de um estado, modelo ou situação anterior para um estado, modelo ou situação futuros, por razões inesperadas e incontroláveis ou por razões planejadas e premeditadas; modificação ou alteração de sentimentos e atitudes.

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o nosso olhar e entendermos melhor nossas crenças, valores e atitudes. Todo coaching começa com a necessidade de mudar.

A mudança é como se fosse uma porta que só abre do lado de dentro, pois cabe a cada individuo querer e abrir a porta, buscando novos horizontes, enfrentando novos desafios e se desenvolvendo constantemente.

O coaching é um processo que apoia as pessoas nessas mudanças, potencializando escolhas e auxiliando as pessoas a caminharem na direção que elas pretendem ir, de forma que potencializem seus talentos e as tornando seres humanos melhores. Ele é baseado em reflexão, diálogo e ação, promovendo desenvolvimento pessoal e profissional.

O coach instiga, promove a reflexão constante sobre os comportamentos, crenças e atitudes, tanto no âmbito profissional como pessoal.

O relacionamento é fundamental no processo de coaching, pois o coach cria uma poderosa relação de parceria com o coachee, construindo uma relação de confiança e qualidade de relacionamento. Esses também são componentes para o sucesso do processo, pois sem confiança, confidencialidade e um bom relacionamento não há um bom coaching.

O aprendizado é o último elemento fundamental, mas não o menos importante. O coaching ajuda o coachee a aprender, incentiva a capacidade de autoconhecimento, buscando uma análise minuciosa de um determinado problema ou situação, utilizando os princípios do coaching, aprendendo com suas ações e comportamentos e buscando olhar o outro de forma diferenciada.

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Estágio 1 - Incompetência Inconsciente: é o estágio onde o indivíduo não tem a consciência de que não sabe algo. É o estágio onde eu não sei que não sei alguma coisa;

Estágio 2 - Consciência Incompetente: é o estágio onde o indivíduo tem a consciência de que aquele determinado assunto existe, mas não têm conhecimento sobre o mesmo. É o estágio onde eu sei que não sei determinado assunto;

Estágio 3 - Consciência Competente: é o estágio onde o indivíduo está começando a se desenvolver, pois é onde procura o conhecimento sobre determinado assunto. Sei que o assunto existe e estou aprendendo sobre ele; e

Estágio 4 - Competência Inconsciente: é o estágio onde o indivíduo incorpora determinado conhecimento, domina as habilidades envolvidas em determinado assunto e já o pratica de forma inconsciente. Exemplo claro é quando o indivíduo dirige de forma automática, ouvindo rádio, falando no celular e adquiriu aquele conhecimento e age inconscientemente no momento de dirigir. Não pensa mais no momento em que deve colocar a primeira ou a segunda marcha, por exemplo.

Esses estágios são considerados, dentro do coaching, o ciclo da aprendizagem. O coaching vê a vida como uma trajetória em melhoria contínua, onde a aprendizagem e o desenvolvimento caminham lado a lado e o ser humano é o protagonista de sua própria história, desse seu desenvolvimento e aprendizado.

Vale ressaltar ainda neste capítulo a diferença entre o coaching e atividades similares. Esta diferença está descrita de forma muito clara no material da Lambent do Brasil7 (2002).

7 Lambent do Brasil

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Mentoring - é quando alguém com mais experiência e sabedoria em determinada área dá conselhos, orienta as ações e funciona como modelo. Ele é um mentor, um “padrinho” no campo profissional desse indivíduo;

Counseling (aconselhamento) - é um processo de apoio geralmente dentro do ambiente profissional, com a finalidade de auxiliar o indivíduo a solucionar os problemas pessoais que afetam o profissional. O profissional de couseling dá conselhos de como o indivíduo deve agir;

Terapia - trabalha com o indivíduo que apresenta alguns problemas de ordem psicológica, focando experiências vividas em seu passado. O indivíduo que procura a terapia geralmente quer livrar de alguma dor ou desconforto, mais do que irem à direção aos seus objetivos. Busca a cura emocional e o alívio mental;  Treinamento -o treinamento é o processo de adquirir habilidade através do estudo, experiência ou ensino. O treinador é por definição um expert no assunto abordado. E o treinamento geralmente trabalha com habilidades específicas e resultado imediato. Em geral é um para muitos e não um para um; e

Consultoria - um consultor oferece conhecimento e experiência e resolve o problema dos negócios, ou até desenvolve o negócio como um todo. O consultor, geralmente, lida com a organização e não com as pessoas de forma direta.

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Acredito que, atualmente, as melhores práticas para a busca do desenvolvimento pessoal e profissional estão entre as práticas de coaching. O coaching procura facilitar a transformação de desejos e sonhos em objetivos claramente definidos, aonde se quer chegar, partindo dos recursos atuais, considerando quais as competências que precisam ser reforçadas ou adquiridas, que esforços e recursos devem ser mobilizados para suprir as carências, que limitações e hábitos improdutivos precisam ser vencidos nos níveis: intrapessoal, interpessoal e profissional. O que facilita a aceitar a responsabilidade pelas escolhas e pelas consequências. Treina o indivíduo a não culpar ninguém, nem as circunstâncias e nem a si mesmo pelos resultados diferentes do que foi objetivado, bem como a analisar o quê e como foi feito ou deixou de ser feito, que contribuiu para que não se atingisse os objetivos, estimulando o aprendizado. O ser humano é o agente de sua vitória.

3. Benefícios do coaching

O coaching traz resultados devido ao relacionamento de apoio entre coach e coachee. Coaching não é uma técnica para ser aplicadas em certas circunstâncias pré-concebidas. É uma forma de gerenciamento, de tratar as pessoas, de pensar, de ser. Quero listar de forma simples alguns dos benefícios do coaching, de acordo com a ICF – International Coach Federation8:

- iniciativa de mudanças; - direção;

8 ICF International Coach Federation Federação Internacional de Coaching, onde os

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- clareza em relação às metas; - planejamento da carreira;

- equilíbrio entre vida pessoal e trabalho;

- melhora nas relações pessoais e profissionais; - melhora na habilidade de comunicação;

- aumento da satisfação no trabalho;

- ampliação da autoestima e da autoconfiança; - aumento da motivação;

- mais energia; - sucesso.

Atualmente, coaching é uma profissão reconhecida mundialmente. Existem diversas associações que promovem e apoiam o coaching profissional, sendo a ICF a mais importante e significativa, com representações em 49 países. (INTERNACIONAL COACH FEDERATION, 2010)

Segundo a ICF (Ibidem), coaching é um relacionamento cujo foco é levar os clientes a tomar ações em direção à realização de suas visões, metas e desejos. Coaching utiliza um processo de questionamento e descoberta pessoal para criar no cliente um nível de consciência e responsabilidade e promove ao cliente estrutura, suporte e feedback9. O processo de coaching ajuda o cochee tanto na definição quanto no alcance de metas pessoais e profissionais, muito mais rapidamente e facilmente do que seria possível de outra maneira.

9 Feedback: termo em inglês que significa regeneração, realimentação,resposta, retroinformação:

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Pesquisas realizadas quanto ao uso do coaching, nos Estados Unidos, nos mostram que a utilização do coaching cresceu 45% nos últimos anos (REIS, 2000). Esses dados mostram que as empresas e as escolas estão utilizando estratégias de desenvolvimento que procuram gerar aprendizagem e desenvolvimento pessoal e profissional no próprio local onde ocorrem as interações de trabalho, mesmo que se utilize de um especialista externo, garantindo a privacidade e o apoio ativo. Os diálogos de coaching podem propiciar profundidade de questionamento que permite que o indivíduo escape do pensamento restrito da própria cultura profissional, organizacional e, em alguns casos, nacional (ADLER, 2003). No Canadá, as empresas e escolas que tem utilizado o processo também tiveram excelentes resultados, o uso do coaching aumentou 70% nos últimos anos (ATKINSON, 2007a). Trazer pesquisas atuais evidencia a importância da metodologia tanto na gestão, como com o próprio indivíduo. Vale ressaltar que a análise da realidade brasileira é fator primordial antes da aplicação do processo, fator esse levado em consideração para a realização desta pesquisa.

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4. Tipos de coaching

Como o coaching tem evoluído muito como metodologia e crescido muito mundialmente, este também se ampliou para as diversas demandas do mercado e da sociedade. Venho aqui citar algumas delas, segundo Atkinson (2007a):

Teacher coaching - visa provocar mudanças, aprofundar conhecimentos, potencializar talentos, trabalhar competências que impulsionem o sucesso da instituição escolar como um todo, trabalhando sobre um potencial ainda inexplorado, integrando liderança, professores e alunos em busca de seus sonhos e da melhor forma de realizá-los; promovendo também o desenvolvimento pessoal e profissional do professor;

Carrear coaching - visa provocar questionamentos que levem ao autoconhecimento e à consequente utilização do mais alto potencial, tomando decisões e ações alinhadas, descobrindo e colocando em prática o melhor de cada ser humano; para indivíduos que desejam iniciar ou reconstruir suas carreiras de forma planejada, analisando todas as variáveis possíveis e assumindo o controle por suas decisões; para indivíduos que já descobriram a carreira de seus sonhos e querem continuar se desenvolvendo e explorando todo o potencial;  Relationship coaching - coaching para melhorar os relacionamentos e analisar posturas e comportamentos, refletindo sobre estes com uma perspectiva de mudança;

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Sport coaching - o coaching de esporte desenvolve atletas de alto desempenho na sua modalidade, explorando o máximo de seu potencial, para que o atleta obtenha os resultados alcançados;

Student coaching - é um trabalho de profunda reflexão sobre a escolha profissional, levantando questões essenciais para o sucesso na vida do estudante;  Life coaching - é o trabalho que tem como foco o equilíbrio entre a vida pessoal e profissional, proporcionando reflexões que auxiliem o coachee a viver sua vida de forma plena. Ajuda a descobrir uma forma de darmos o melhor de nós e extrairmos o melhor dos outros, vivenciando nossos valores e compreendendo nossas crenças;

Leadership coaching - auxilia a liderança a explorar o potencial de sua equipe e o potencial do próprio líder, ampliando sua visão de mundo, refletindo e elaborando ações que proporcionem resultados cada vez melhores, alinhando missão, visão e valores do líder, da equipe e da organização.

O profissional coach pode atuar nas mais diversas áreas, sempre de acordo com os princípios e valores do coaching, lembrando que o foco deste nosso trabalho é o teacher coaching. Dentro desse processo é de suma importância abordar a questão das crenças, pois essas serão bastante trabalhadas, onde o coachee reconhecerá suas crenças e as classificará como limitantes ou não, compreendendo que essas crenças refletem diretamente no modo de agir dos seres humanos e, muitas vezes, especificamente, em seu desempenho no trabalho (WHITMORE, 2010).

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desempenho profissional do professor. Se o professor acredita, se empenha cada vez mais, buscando alternativas para seu educando progredir em seu aprendizado; porém, o contrário também é verdadeiro: o professor que acredita que determinado aluno é incapaz, acaba deixando-o de lado e privando-o de poder avançar com os outros.

As crenças formam nossos modelos mentais, isto é, a maneira que o mundo parece funcionar de acordo como nossas experiências. É a nossa visão do mundo. As crenças não são fatos, embora muitas vezes a consideramos como tais. Rhandy Di Stéfano (2008, p. 119) explicita isto de maneira muito clara.

[...] os maiores obstáculos da vida do ser humano são frutos de seu modelo mental, ou seja, a maneira que ele percebe e analisa a realidade. Esta percepção da realidade pode ser totalmente incongruente com os fatos, mas uma vez que a pessoa acredita nela, ela age como se fosse verdade absoluta. O modelo mental é o filtro que usamos para enxergar a vida. Os fatos da vida na maioria das vezes são os mesmos para as pessoas o que nos difere é o modelo mental que usamos para analisá-los.

As crenças dão forma ao nosso mundo social. Temos crenças sobre as pessoas, sobre nós mesmos, sobre a sociedade, sobre relacionamentos, crenças sobre nossa profissão. Elas determinam nossas ações e estão diretamente ligadas aos nossos valores. Nossas crenças podem nos impulsionar e nos limitar nas mais diferentes decisões e ações de nossa vida.

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Atkinson (2007b) afirma que as decisões e as ações do ser humano são ligadas à representação que ele tem de si e do mundo, representadas pelo seu sistema de crenças, que são compartilhadas socialmente. O coach tem o dever de fazer com que o coachee reconheça suas crenças e, se preciso, as ressignifique. A autora define crenças

[...] como relações de causa e efeito nas quais você acredita. São desenvolvidas baseadas nas nossas vivências, experiências. Elas podem ser positivas (que nos impulsionam a alcançar nossos objetivos). Ex: Na vida tudo é possível, o ser humano tem todos os recursos necessários para alcançar seus objetivos; ou negativas (que nos limitam a alcançar nossos objetivos. Ex: quem trabalha pouco vai morrer pobre).

Wooden & Carty (1996) definem o sistema de crenças como um conjunto coerente que tem como eixo uma questão central e afirma que, embora as crenças não sejam consensuais para um conjunto de pessoas que fazem parte de uma determinada cultura, há um sistema social de crenças compartilhadas por várias pessoas. Os autores ressaltam que um sistema de crenças considera o modo como as coisas são e também intervém no modo como as pessoas acham que as coisas deveriam ser, isto é, nos valores que deveriam prevalecer.

Dentro de um processo de coaching é fundamental a importância do resgate dos valores fundamentais para o coachee: se este tem vivenciado realmente seus valores e se os mesmos são essenciais para sua vida e sua conduta ética. O coach é um facilitador para que esse reconhecimento aconteça, buscando sempre a mudança e a satisfação do coachee.

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Os valores são a energia que estão por trás de nossas metas. Se as metas são nossos destinos, os valores são os que nos impulsionam em direção a elas. São os valores que nos ajudam a nos comprometermos com determinadas decisões e ações de nossa vida cotidiana. Eles também fazem parte do trabalho no processo de coaching, pois sem eles o processo não aconteceria.

Para o sucesso do processo, o coachee deve se comprometer com as ações por ele traçadas e, para isso, seus valores devem estar claros e devem-no impulsionar a alcançar seus objetivos.

5. Teacher coaching

Como mencionado anteriormente, optei nesta pesquisa pelo processo de coaching focado no trabalho dos professores (teacher coaching). Processo esse que utilizará alguns focos de trabalho que serão abordados durante as sessões com os professores.

O teacher coaching será totalmente direcionado para o autoconhecimento, centrado numa abordagem humanista e educacional, auxiliando os professores a aprender a aprender, incentivando expectativas elevadas, a busca por novos caminhos e/ou estratégias para alcançar a visão de futuro, através da proatividade e de planos de ação consistentes e reflexivos, utilizando o feedback constante entre eles e os incentivando cada vez mais a utilizá-lo com seus respectivos alunos.

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construindo e ou reconstruído sua identidade e apresentando estratégias para auxiliá-lo a ter um equilíbrio entre a vida pessoal e profissional, relacionando as duas dimensões, sempre na busca de um equilíbrio e focando nas melhores práticas e ações a serem realizadas dentro e fora da escola, tanto no âmbito profissional entre os pares, pais e a gestão como, principalmente, com seus educandos.

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CAPÍTULO II

REFERENCIAL TEÓRICO DA EDUCAÇÃO

1. As propostas pedagógicas de Rousseau, Dewey, Vygotsky e Freire

1.1. Jean-Jacques Rousseau

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Rousseau está muito preocupado com a felicidade humana a ser realizada e conquistada nas condições concretas, ao contrário do pensamento da metafísica tradicional que tendia a deslocar esta felicidade para um momento posterior à própria existência histórica dos homens.

Para Rousseau, o homem é feito para ser feliz e deve saber como agir para atingir tal felicidade (DOZOL, 2006).

Vale lembrar que no século XVIII o mundo ocidental viveu um processo de tremenda efervescência, um período de transformações históricas sociais e culturais na Europa, com a afirmação do Iluminismo e do Naturalismo. Conforme o pensamento dominante da época, Rousseau reconhece o papel prioritário que a razão natural tem na busca de esclarecer o sentido da existência humana. Ele acreditava que o homem é bom por natureza, sendo preciso, segundo ele, imaginar uma sociedade e uma educação que não corrompessem esta bondade e sim que ela se desdobrasse em virtudes sociais. (Ibidem).

Rousseau vê o homem surgir na natureza em perfeita harmonia, compreendendo o homem que emerge da natureza como parte dela, entendo-o, desta forma, como parte integrante da natureza. Para Rousseau, o homem nasce feliz e perfeito, profundamente integrado à natureza. Ele afirma que o convívio em sociedade com o progresso intelectual e racional é que vai perturbar essa harmonia. (Ibidem)

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Rousseau sofreu naquela época críticas severas da Igreja, pois buscava dar respostas concretas aos problemas da sociedade europeia, onde procurou elaborar sugestões para diferentes tipos de governo que estavam sendo ensaiados naquele período histórico. Toda a problematização que ele faz é exatamente tentar explicar porque o homem, sendo naturalmente bom, se manifesta tão mal no âmbito da sociedade. “O homem nasceu livre e por toda parte se encontra sob grilhões” (ROUSSEAU, 2004, p. 11).

Portanto, todo o problema da ação humana tanto da teoria como da prática, na condição da sua existência, seria como recuperar, como resgatar esse estágio de liberdade e harmonia com a natureza. A característica da origem do ser humano que se encontra totalmente comprometida na convivência social é a linha de todo o seu investimento intelectual. Sua reflexão filosófica vai se dar muito no sentido de fazer um diagnóstico, uma descrição das misérias de seu tempo, como os grilhões que nos escravizam e, ao mesmo tempo, nos apontam novas condições que poderiam nos trazer a felicidade. E é por isso que ele, ao vislumbrar uma nova sociedade, tem a necessidade de pensar numa educação diferente do que aquela que estava sendo praticada no seu momento histórico, a qual se desenvolvia nas ciências e nas artes, mas que tinha trazido a perda da felicidade, da liberdade e da vontade humana.

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mundo, analisando, pesquisando a realidade natural, transformando a natureza no seu objeto de conhecimento (SEVERINO, 2008).

Voltando à premissa de Rousseau, que diz que o entrosamento entre o homem e a natureza se dá na dimensão do sentimento e do envolvimento de sensibilidade, o homem não pode ser tratado pura e simplesmente como um fragmento dessa natureza, No entanto, esta relação envolve uma densa sensibilidade que precisa ser levada em conta e a tese dele é justamente esta: ao ter dado um tratamento muito lógico e adestrado à realidade, a ciência perdeu as artes. Perdeu as habilidades técnicas do homem, mesmo provocando um aparente crescimento da sociedade, mas a um custo muito alto da felicidade humana. Ele trás fortemente em sua obra a conciliação entre o sentimento e a inteligência, procurando uma maneira de conciliar, num mesmo projeto político e educativo, natureza e sociedade, eliminando as contradições humanas (DOZOL, 2006).

Para Rousseau, a vida em sociedade se apresentava como um fato concreto e real para os homens e a vida em sociedade não estaria correspondendo, garantindo a segurança e a felicidade dos homens. Como estava realmente preocupado com a situação social, ocupou-se em desvendar todos os impasses e malefícios ligados aos grilhões aos quais se referia, pensando numa outra organização da vida em sociedade, numa outra proposta de educação. Ele acreditava que a vida social não deveria comprometer a harmonia entre o homem e a natureza. Para isso, cada um teria que abrir mão de seus interesses egoísticos e todos deveriam fazer um pacto coletivo para colocar a vontade geral acima da vontade particular. Deste modo, a liberdade dos indivíduos conviveria muito bem com a necessidade das normas, leis, postas no âmbito da sociedade. (Ibidem)

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conflitos das necessidades individuais e as limitações trazidas pela vontade geral, pelos interesses coletivos dessa sociedade. Portanto, a superação desse impasse e a recuperação da condição original do homem, mesmo vivendo em sociedade, só poderiam acontecer se houvesse um entendimento entre as determinações e as exigências da vontade geral para com as necessidades individuais, priorizando a felicidade e o viver bem, fatores do pano de fundo do pensamento rousseauniano.

A vontade geral se expressava formalmente mediante um processo de convenção que estava por baixo do sentido social, a ser assinado entre todos os participantes da sociedade e/ou através de seus representantes, levando à organização de um aparelho político administrativo conhecido no ocidente como Estado, sob a forma da democracia. Este é o grande objetivo e tema central do Contrato Social. O caminho para se chegar a esta nova condição social é, sem dúvida, a educação. A dimensão fundamental dessa educação é de levar o indivíduo natural a um novo estágio sem romper seu elo com a natureza (SEVERINO, 2008).

De acordo com Moacir Gadotti, Rousseau

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Rousseau propõe uma educação que respeite a integridade, a autenticidade e a autonomia da criança. Aborda uma pedagogia que valoriza muito mais a aprendizagem do que um ensino, onde o professor não deve impor algo e sim atuar na direção de despertar e orientar o aprendiz, incentivando posturas convergentes com uma relação harmoniosa com a natureza. Dentro de sua obra, Emílio, a grande discussão que prevalece é a forma de valorização da criança, de não enxergá-la como um adulto em miniatura, trazendo fortemente o conceito de tutoria, a qual busca um homem livre, feliz e sem ser corrompido pela sociedade. Ele conta uma história de como seria a educação de uma criança, o Emílio, numa nova perspectiva de educação e de homem. Rousseau vai mostrando durante toda a sua obra a importância de se trabalhar desde a mais tenra idade a relação da criança com a natureza, a fim de que não haja o rompimento da relação. Educado desta forma, Emílio seria um cidadão capaz de assumir e aceitar as exigências impostas pela convivência social, sem sentir-se oprimido.

Rousseau faz uma crítica muito severa à educação vigente, que era racionalizada e impositiva e que via a criança como uma folha em branco, onde era preciso trazer tudo e colocar ali; onde, geralmente, eram trazidos valores e referências de uma pessoa adulta que, segundo ele, era uma pessoa totalmente deformada pela própria vida em sociedade. As concepções rousseaunianas trazem a importância de se levar em conta a seriedade do próprio modo de ser criança, propondo uma pedagogia centrada nela, que busca a criança que nasce livre, é feliz e está em harmonia com a natureza.

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Gráfico 2
Gráfico 4
Gráfico 6
Gráfico 7

Referências

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