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Adolescentes ensinados e fisicamente educados

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Academic year: 2021

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UNIVERSIDADE DE TRÁS-OS-MONTES E ALTO DOURO

TÍTULO:

ADOLESCENTES ENSINADOS E FISICAMENTE EDUCADOS

[dissertação de mestrado em Ensino de Educação Física nos Ensinos Básico e Secundário]

CANDIDATO:

Paula Cristina de Oliveira Gonçalves Coelho e Silva

(estudante nº 61550)

ORIENTADOR:

Prof. Doutor Vasco Parreiral Simões Vaz

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UNIVERSIDADE DE TRÁS-OS-MONTES E ALTO DOURO

ADOLESCENTES ENSINADOS E FISICAMENTE EDUCADOS

[dissertação de mestrado em Ensino de Educação Física nos Ensinos Básico e Secundário]

Dissertação apresentada à Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, como requisito para a obtenção do grau de Mestre em Ensino de Educação Física nos Ensinos Básico e Secundário, cumprindo o estipulado no artigo 10º do regulamento do CRUP da UTAD, sob a orientação do Prof. Doutor Vasco Parreiral Simões Vaz

Paula Cristina de Oliveira Gonçalves Coelho e Silva (estudante nº 61550)

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AGRADECIMENTOS

A presente dissertação de mestrado culmina um período de 7 anos de formação, quatro da Licenciatura em Ensino Básico – variante de Educação Física (Escola Superior de Educação – Instituto Politécnico de Coimbra) e, dois anos na Faculdade de Ciências do Desporto e Educação Física, Universidade de Coimbra (primeiramente para frequentar a Licenciatura em Ciências do Desporto e Educação Física, posteriormente convertida em Licenciatura em Educação Física).

É devido um agradecimento à direcção pedagógica do Colégio Nossa Senhora da Assunção, aos colegas do grupo de Educação Física que me auxiliaram na fastidiosa tarefa de recolha de dados e de uma forma muito especial agradeço aos alunos que continuam a demonstrar diariamente a importância da Educação Física num projecto educativo que possui uma identidade muito própria e agregadora entre os educadores docentes, educadores não docentes, alunos e encarregados de educação. Estamos convictos que desenvolmentos um trabalho modesto, mas inequivocamente um contributo para a discussão do papel da Educação Física nos currículos escolares dos Ensinos Básico e Secundário, adiantando reflexões e propostas operacionais que reforçam a qualidade pedagógica. Será a melhor forma de devolvermos o esforço que nos emprestaram em tempo e esforço.

Extendo os meus agradecimentos aos professores que tive ao longo da minha formação, sendo devido um reconhecimento individual ao Prof. Doutor Vasco Vaz que aceitou as funções de orientação da dissertação de mestrado que se enquadra na área científica e numa linha de pesquisa com estrita ligação à sua actividade docente na disciplina de “Desenvolvimento e Adaptação Motora”.

Em conjunto, tentámos demonstrar que a perspectiva desenvolvimentista a partir das necessidades próprias dos sujeitos de aprendizagem e objecto do projecto educativo, é inequivocamente central a qualquer plano de planos de estudos em Desporto e Educação Física, num período em que proliferam currículos desenhados a partir da “moda do momento”.

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RESUMO: A Educação Física é parte dos programas curriculares de todos os níveis de ensino desde o 1º

ciclo ao Ensino Secundário. O presente estudo examinou medidas objectivas obtidas na disciplina de Educação Física compreendendo atributos morfológicos, capacidades funcionais e constructos cognitivos por nível de ensino e dentro de um mesmo ciclo por sexo e idade. A amostra compreendeu duas amostras. Uma primeira foi obtida em 2007/2008 e incluiu 490 jovens escolares a frequentarem o Ensino Básico e o Ensino Secundário (masculinos: n=234; femininos: n=256) tendo sido avaliados na estatura, altura sentado, massa corporal, pregas de gordura subcutânea (tricipital, subescapular, geminal medial) e ainda nas provas da milha e no vai-e-vém de 20 metros. Mais tarde, em 2014/2015, foram avaliados 625 participantes (masculinos: n=299; femininos: n=326) nas mesmas medidas e ainda na orientação para a realização de objectivos (TEOSQ) e atitudes face ao desporto (SAQ). A maturação biológica foi estimada a partir do protocolo sugerido por Khamis & Roche (1994, 1995) tendo para o efeito sido obtidas as medidas estaturais dos progenitores. Adoptando os valores de corte propostos pela IOTF para determinar a prevalência de sobrepeso e obesidade, entre os jovens masculinos foram encontradas as seguintes taxas: 19.2% (2007) e 20.7% (2015). Os respectivos valores para o sexo feminino foram 18.0% (2007) e 20.7% (2015). Estas percentagens são ligeiramente mais baixas do que as publicadas em estudos precedentes (Padez et al. 2004) para crianças em idades inferiores a 10 anos. Adicionalmente, a prevalência de inaptos entre os rapazes oscila dos 11.5% (2007) aos 08.7% (2015) com base na prova da milha, com taxas de inpatidão ligeiramente mais elevadas para as raparigas, fazendo uso do mesmo teste: 13.7% (2007) e 12.6% (2015). As prevalências correspondentes para a prova de vai-e-vém em percursos de 20-metros foram: 36.8% (rapazes-2007), 31.4% (rapazes-2015), 35.5% (raparigas-2007), 21.5% (raparigas-2015). O presente estudo oferece valores quartílicos por sexo e idade relativamente à estatura matura estimada, estatura, massa corporal, estimativa de massa gorda, prova da milha, prova de vai-e-vém em percursos de 20 metros. Recorrendo às regressões lineares múltiplas foi possível estimar os desempenhos na discplina de Português: masculinos 2º CEB (F=1.960, p=0.05, R=0.460, R2=0.212), masculinos 3º CEB (F=2.113, p=0.03, R=0.390, R2=0.152);

feminonos 3º CEB (F=2.003, p=0.04, R=0.363, R2=0.132). Para a Matemática só foi possível obter modelos

preditivos entre os elementos do sexo feminino do 2º CEB (F=1.895, p=0.05, R=0.435, R2=0.190); 3º CEB (F=2.422, p=0.01, R=0.394, R2=0.155). No geral, os principais preditores foram o índice de massa corporal,

a percentagem de massa gorda, o vai-e-vém em percursos de 20 metros, a orientação para o ego, o fair-play e compromisso (dimensões do Sports Attitudes Questionnaire). As comparações entre elementos contrastantes no estatuto de massa corporal, para o sexo masculino, revelou efeitos signficativos para a batota (t=3.36, p<0.01). Entre elementos do sexo feminino, as diferenças entre normoponderais e sobrepesados/obesos foram encontradas na orientação para o ego (t=2.45, p=0.02) e na orientação para a tarefa (t=2.17, p=0.03). Adicionalmente, as comparações entre elementos masculinos aptos e inaptos em termos cardiorrespiratórios mostrou resultados significativos para a convenção (t=2.40, p=0.02), compromisso (t=2.22, p=0.03), orientação para a tarefa (t=2.15, p=0.03), orientação para o ego (t=2.57, p=0.01). Por sua vez, entre os elementos femininos, as análises correspondentes encontraram diferenças significativas na orientação para a tarefa (t=2.95, p=0.00; t=2.76, p=0.01) e na orientação para o ego (t=2.45, p=0.02). Resumidamente, o presente estudo evidencia a complexa interrelação entre a aptidão física, capacidades funcionais, orientações para a realização de objectivos e atitudes face ao desporto. Foi ainda possível identificar associações, embora modestas, entre os desempenhos académicos nas disciplinas de Português e Matemática com os resultados decorrentes de alguns instrumentos utilizados na disciplina de Educação Física.

PALAVRAS-PASSE: avaliação em Educação Física, desempenho académico, aptidão física, aptidão

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ABSTRACT: Physical Education is part of the national curriculum in elementary and secondary education

(1st to 12th grades). This study was aimed to examine the objective measurements in children and adolescents on morphology, functional capacities and cognitive constructs by educational cycle and by sex and age within a particular educational cycle. The sample was composed of two data sets: (a) one was obtained in 2007/2008 and comprises 490 students aged 11-17 years (males: n=234; females: n=256) who were assesssed in stature, sitting height, body mass, skinfolds (triceps, subscapular, medial calf), 1-mile run and 20-m shuttle run; (b) few years later (2014/2015), another database was built including 625 students (males: n=299; females: n=326) assessed adopting the same protocols plus two questionnaires (goals orientations, TEOSQ; sports attitudes, SAQ). Biolological maturation was assessed as predicted mature stature using the formula proposed by Khamis & Roche (1994, 1995) which requested parental stature. Taking into account the cutvalues suggested by IOTF the prevalence of overweight and obese males seemed quite stable accross years: 19.2% (2007) and 20.7% (2015). Respective values for females were 18.0% (2007) and 20.7% (2015). These percentages of normal-weighted participants were slightly lower than published in previous studies (Padez et al. 2004) for preteen Portuguese students. In addition, the prevalence of unfit boys ranged from 11.5% (2007) to 08.7% (2015) based on the 1-mile run protocol, with slighlty higher rates of girls classified as unfit using the same test procedures: 13.7% (2007) and 12.6% (2015). Correspondent prevalence derived from the 20-m shuttle run test showed the following unfitness rates: 36.8% (boys-2007), 31.4% (boys-2015), 35.5% (girls-2007), 21.5% (girls-2015). The current study offers sex-and age-specfic quartiles for predicted mature stature (attained %), stature, body mass, estimated percentage of fat mass, 1-mile run test, 20-m shutte run protocol. By using multiple regression analysis it was possible to predict academic performances in Portuguese among males 2nd cycle (F=1.960, p=0.05, R=0.460, R2=0.212), males 3rd cycle (F=2.113, p=0.03, R=0.390, R2=0.152), females 3rd cycle (F=2.003, p=0.04, R=0.363, R2=0.132). For mathematics, it was uniquely possible to obtain a predictive model for females 2nd cycle (F=1.895, p=0.05, R=0.435, R2=0.190); 3rd cyle (F=2.422, p=0.01, R=0.394, R2=0.155).

Predictors were body mass index, estimated fat mass, 20-m shuttle run, ego orientation, fair-play, commitment. Comparisons between males contrasting in weight status showed significant differences for cheating (t=3.36, p<0.01). Among females differences were noted for ego orientations (t=2.45, p=0.02), task orientations (t=2.17, p=0.03). Additionally, comparisons between males contrasting in aerobic fitness were significant for convention (t=2.40, p=0.02), commitment (t=2.22, p=0.03), task orientations (t=2.15, p=0.03), ego orientations (t=2.57, p=0.01). Among females, correspondent analyses found significant differences between groups for task orientations (t=2.95, p=0.00; t=2.76, p=0.01), ego orientations (t=2.45, p=0.02). In summary, the present study supports the complex interrelationship between physical fitness, functional capacities and goal orientations plus sports attitudes. It was also possible to identify modest but suggestive links between objective measurements assessed in the context of Physical Education and academic performances in Portuguese and Mathematics.

KEY-WORDS: evaluation in Physical Education, academic performance, physical fitness, cardiorespiratory

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ÍNDICE GERAL

Agradecimentos... i

Resumo... iii

Abstract ... v

Índice Geral ... vii

Índice de Tabelas... ix

Índice de Figuras ... xiii

Índice de Abreviaturas... xv

Capítulo 1: Introdução... 1

Capítulo 2: Revisão da literatura ... 5

Capítulo 3: Metodologia... 13

Capítulo 4: Resultados ... 25

Capítulo 5: Discussão... 65

Capítulo 6: Conclusões... 77

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ÍNDICE TABELAS

Tabela 3.1. Valores de corte para classificação do estatuto nutricional a partir do índice de massa corporal em crianças com idades entre os 2 e os 18 anos, definidos por Cole et al. (2000) e adoptados pelo International Obesity task

Force ... 15

Tabela 3.2. Valores de corte para classificação dos valores de percentagem de massa corporal em “precisa ganhar massa gorda”, “composição saudável” e

“precisa perder massa gorda”, recomendados pela bateria FITNESSGRAM ... 17

Tabela 3.3. Coeficientes necessários para a utilização do método Khamis-Roche com o

objectivo de determinar a estatura matura predita – sexo masculino... 18

Tabela 3.4. Coeficientes necessários para a utilização do método Khamis-Roche com o

objectivo de determinar a estatura matura predita – sexo feminino... 19

Tabela 3.5. Valores de corte para a prova da milha por sexo e idade (em minutos e

segundos), recomendados pela bateria FITNESSGRAM ... 20

Tabela 3.6. Valores de corte para a prova PACER por sexo e idade (em percursos de 20

metros), recomendados pela bateria FITNESSGRAM ... 20

Tabela 4.1. Estatística descritiva (amplitude, tendência central e dispersão) para o sexo

masculino na série de dados de 2007 (n=234) ... 26

Tabela 4.2. Estatística descritiva (amplitude, tendência central e dispersão) para o sexo

feminino na série de dados de 2007 (n=256) ... 26

Tabela 4.3. Estatística descritiva (amplitude, tendência central e dispersão) para o sexo

masculino na série de dados de 2015 (n=299) ... 27

Tabela 4.4. Estatística descritiva (amplitude, tendência central e dispersão) para o sexo

feminino na série de dados de 2015 (n=326) ... 27

Tabela 4.5. Frequências relativas de acordo com o índice de massa corporal (critério IOTF, International Obesity Task Force), milha e PACER de acordo com a

série de dados (2007 e 2015) e por sexo ... 29

Tabela 4.6. Estatística normativa (quartis) por sexo relativamente a medidas de tamanho corporal, estimativa de composição corporal e aptidão

cardiorrespiratória com base nos dados combinados de 2007 e 2015... 33

Tabela 4.7. Regressão linear múltipla para estimar a classificação na disciplina de “Português” para o sexo masculino nos diferentes níveis de ensino (Ensino Básico 2º Ciclo; Ensino Básico 3º Ciclo; Ensino Secundário) e resultados da análise da variância para avaliar as porções da variância (explicada pelo modelo de regressão e resíduos) de modo a obter a significância dos

modelos lineares... 35

Tabela 4.8. Preditores da classificação na disciplina de “Português” para o nível de ensino “Ensino Básico – 2º ciclo” a partir dos instrumentos utilizados em

Educação Física para os elementos do sexo masculino ... 36

Tabela 4.9. Preditores da classificação na disciplina de “Português” para o nível de ensino “Ensino Básico – 3º ciclo” a partir dos instrumentos utilizados em

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Tabela 4.10. Regressão linear múltipla para estimar a classificação na disciplina de “Português” para o sexo feminino nos diferentes níveis de ensino (Ensino Básico 2º Ciclo; Ensino Básico 3º Ciclo; Ensino Secundário) e resultados da análise da variância para avaliar as porções da variância (explicada pelo modelo de regressão e resíduos) de modo a obter a significância dos

modelos lineares... 39

Tabela 4.11. Preditores da classificação na disciplina de “Português” para o nível de ensino “Ensino Básico – 3º ciclo” a partir dos instrumentos utilizados em

Educação Física para os elementos do sexo feminino ... 40

Tabela 4.12. Regressão linear múltipla para estimar a classificação na disciplina de “Matemática” para o sexo masculino nos diferentes níveis de ensino (Ensino Básico 2º Ciclo; Ensino Básico 3º Ciclo; Ensino Secundário) e resultados da análise da variância para avaliar as porções da variância (explicada pelo modelo de regressão e resíduos) de modo a obter a

significância dos modelos lineares... 42

Tabela 4.13. Regressão linear múltipla para estimar a classificação na disciplina de “Matemática” para o sexo feminino nos diferentes níveis de ensino (Ensino Básico 2º Ciclo; Ensino Básico 3º Ciclo; Ensino Secundário) e resultados da análise da variância para avaliar as porções da variância (explicada pelo modelo de regressão e resíduos) de modo a obter a significância dos

modelos lineares... 44

Tabela 4.14. Preditores da classificação na disciplina de “Matemática” para o nível de ensino “Ensino Básico – 2º ciclo” a partir dos instrumentos utilizados em

Educação Física para os elementos do sexo feminino ... 45

Tabela 4.15. Preditores da classificação na disciplina de “Matemática” para o nível de ensino “Ensino Básico – 3º ciclo” a partir dos instrumentos utilizados em

Educação Física para os elementos do sexo feminino ... 46

Tabela 4.16. Estatística descritiva para os estudantes de 10 anos, separadamente para

cada sexo, e comparação entre sexos ... 49

Tabela 4.17. Estatística descritiva para os estudantes de 11 anos, separadamente para

cada sexo, e comparação entre sexos ... 50

Tabela 4.18. Estatística descritiva para os estudantes de 12 anos, separadamente para

cada sexo, e comparação entre sexos ... 51

Tabela 4.19. Estatística descritiva para os estudantes de 13 anos, separadamente para

cada sexo, e comparação entre sexos ... 52

Tabela 4.20. Estatística descritiva para os estudantes de 14 anos, separadamente para

cada sexo, e comparação entre sexos ... 53

Tabela 4.21. Estatística descritiva para os estudantes de 15 anos, separadamente para

cada sexo, e comparação entre sexos ... 54

Tabela 4.22. Estatística descritiva para os estudantes de 16 anos, separadamente para

cada sexo, e comparação entre sexos ... 55

Tabela 4.23. Estatística descritiva para os estudantes de 17 anos, separadamente para

cada sexo, e comparação entre sexos ... 56

Tabela 4.24. Estatística descritiva e comparação entre escolares masculinos contrastantes na classificação da corpulência dada pelo “índice de massa corporal” nas

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componentes extraídas dos questionários “orientação para realização de

objectivos” e “atitudes face ao desporto” por nível de ensino... 58

Tabela 4.25. Estatística descritiva e comparação entre escolares femininos contrastantes na classificação na corpulência dada pelo índice de massa corporal nas componentes extraídas dos questionários “orientação para realização de

objectivos” e “atitudes face ao desporto” por nível de ensino ... 59

Tabela 4.26. Estatística descritiva e comparação entre escolares masculinos contrastantes na classificação de aptidão e inaptidão na prova de vai-e-vém de 20 metros (PACER) nas componentes extraídas dos questionários “orientação para

realização de objectivos” e “atitudes face ao desporto” por nível de ensino ... 60

Tabela 4.27. Estatística descritiva e comparação entre escolares femininos contrastantes na classificação de aptidão e inaptidão na prova de vai-e-vém de 20 metros (PACER) nas componentes extraídas dos questionários “orientação para

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ÍNDICE FIGURAS

Figura 4.1. Distribuição das categorias de sobrepeso e obesidade determinadas na série de dados mais recente, em 2015, a partir do índice de massa corporal e

adoptando os critérios da IOTF... 30

Figura 4.2. Distribuição das categorias “precisam melhorar”, “aptos”, “excelente” decorrentes da aplicação dos critérios de aptidão na prova da milha avaliada

na série temporal de 2015 ... 31

Figura 4.3. Distribuição das categorias “precisam melhorar”, “aptos”, “excelente” decorrentes da aplicação dos critérios de aptidão na prova PACER

(vai-e-vém de 20 metros) na série temporal de 2015... 31

Figura 4.4. Prevalência de inaptos nas provas cardiorrespiratórias e índice de massa

corporal, nas series temporais de 2007 e 2015, por sexo. ... 32

Figura 4.5. Valores médios na dimensão “batota” extraída do questionário de atitudes face à prática desportiva, de acordo com o sexo, nível de ensino (2ºCEB: 2º ciclo do Ensino Básico; 3ºCEB: 3º ciclo do Ensino Básico; Sec: Ensino

Secundário) e o estatuto nutricional ... 60

Figura 4.6. Valores médios na dimensão “anti-desportivismo” extraída do questionário de atitudes face à prática desportiva, de acordo com o sexo, nível de ensino (2ºCEB: 2º ciclo do Ensino Básico; 3ºCEB: 3º ciclo do Ensino Básico; Sec:

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ÍNDICE ABREVIATURAS

AAHPERD American Alliance for Health, Physical Education, Recreation and Dance

EUROFIT Programme to test fitness of school children throughout Europe

PACER Progressive Aerobic Cardiovascular Endurance Run

IMC Índice de Massa Corporal

NHANES National Health and Nutrition Examination Survey

CDC Centers of Disease Control

IOTF International Obesity Task Force

PC Perímetro da Cintura

WHO World Health Organization

SAQ Sports Attitudes Questionnaire

TEOSQ Task and Ego Orientation Sports Questionnaire

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CAPÍTULO 1: INTRODUÇÃO

1. 1. Importância da aptidão física

As crianças e jovens são frequentemente classificados como fisicamente inaptos (Corbin e Pangrazi, 1992) e são várias as instituições e organizações que enfatizam a necessidade de implementar estilos de vida activos, promotores da saúde e bem estar individual e colectivo (International Federation of Sports Medicine, 1990; Bijnen et al., 1994; Pate et al., 1995). A abundância de testes e baterias disponíveis para avaliar a aptidão física contrasta com a ausência de um consenso em torno do conceito. A avaliação da aptidão física deve ser vista como uma componente da Educação Física, embora nem sempre seja entendida como tal, existindo estabelecimentos de ensino e profissionais que assumem esta preocupação como opcional. Tradicionalmente, a aptidão física é entendida como a combinação de resultados obtidos em provas de força muscular, agilidade, velocidade e resistência orgânica. Baterias como a AAHPERD ou a EUROFIT têm vindo a ser criticadas por colocarem um ênfase excessivo nas competências atléticas (Plowman e Falls, 1978; Falls, 1980). Tal como referido por Malina (1995), o conceito operacional de aptidão física evoluiu de uma perspectiva centrada no rendimento e performance atlética, para preocupações ligadas à saúde. Entre outros méritos, a avaliação passa a ter um desenho criterial, isto é, para além de se obter um resultado do desempenho do avaliado, é possível produzir um juízo de apto ou inapto, em função do sexo e da idade. Sendo especialmente vantajoso para identificar sujeitos em risco e, consequentemente, sobre eles desenhar intervenções, devem ser consideradas algumas reservas sobre a universalidade dos valores de corte, produzidos na população norte-americana e exportados para todos os continentes e latitudes.

1. 2. Questões orientadoras da pesquisa

Para além da aptidão cardiorespiratória, avaliada num desenho multi-método (milha e PACER), o presente estudo procede igualmente à avaliação da corpulência e da composição

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corporal, recorrendo a uma amostra de largo espectro etário de um estabelecimento de ensino. Os objectivos do presente estudo podem ser resumidos no seguinte enunciado:

- Qual é a prevalência de sujeitos inaptos em termos cardiorespiratórios?

- A aplicação das provas da milha e/ou PACER, pensadas para avaliar a mesma dimensão, produzem as mesmas taxas de aptidão e inaptidão?

- Qual a prevalência de sujeitos classificados como sobrepesados, usando o índice de massa corporal e classificados como tendo excesso de massa gorda recorrendo à avaliação indirecta da composição num modelo bicompartimental a partir das pregas de gordura subcutânea?

- Existem variações associadas ao sexo e à idade nas taxas de inaptidão cardiorespiratória, sobrepeso e excesso de gordura?

- Serão os jovens actuais menos aptos e mais corpulentos do que a geração anterior?

- Ser adolescente ensinado e fisicamente educado são atributos compatíveis? - Que atitudes possuem os jovens ensinados face ao desporto?

1. 3. Pertinência da pesquisa

O presente estudo, constitui um exercício profissional recomendável num estabelecimento de ensino, revelando-se como relatório a apresentar num ciclo de estudos, reconhecendo-se-lhe elevado valor para apresentar ao governo do estabelecimento de ensino, aos jovens avaliados e até às famílias de onde provêm. Por outro lado, trata-se de um contributo para o conhecimento da população pediátrica portuguesa, permitindo que a uma escala mais ampla do que a simples exploração dos presentes dados, seja possível apreciar a adequação da aplicação de valores de corte importados de outras populações. Tendo em consideração o valor da recolha sistemática de dados para apreciar a variação secular do crescimento, da aptidão cardiorespiratória e da prevalência de sobrepeso e obesidade, optou-se por acrescentar dados de maturação somática em cada uma das tabelas, organizadas de acordo com a idade e sexo.

Num sistema de ensino que privilegia e aprecia os rankings dos estabelecimentos de ensino e onde os pais, estudantes, professores e direcções escolares valorizam os quadros de

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honra e quadro de excelência, importa reflectir a essência do projecto pedagógico “que tipo de Homem estamos a formar?”. A resposta óbvia é um estudante com bons desempenhos académicos a todas as disciplinas, mas um análise mais profunda e recuperando uma frase de Abel Salazar inscrita no Instituto com o seu nome na Universidade do Porto, “Um médico que só sabe de Medicina, nem Medicina sabe”, podemos afirmar que é possível desenvolver e promover um projecto educativo em que os alunos para além de ensinados, sejam educados e uma dimensão dessa educação prende-se com o corpo e com os comportamentos motores. No final do presente estudo, pretende-se oferecer uma proposta operacional para classificar jovens adolescentes como sendo fisicamente educados, organizando os dados por sexo, maturação biológica e idade cronológica e, concomitantemente, verificar se existem competências sociais, afectivas, cognitivas e emocionais que são comuns ao desempenho em disciplinas como a Educação Física e o Português ou a Matemática, despistando funções executivas determinates para o desempenho académico.

1. 4. Organização da dissertação

O documento será organizado em capítulos. A introdução situará o problema no domínio do estudo da aptidão física numa amostra em idade pediátrica e em contexto escolar. A revisão da literatura será usada para sumariar conceitos relacionados com aptidão cardiorespiratória, nas suas variantes de potência e capacidade, distinguindo o alcance entre provas laboratorais e provas ditas de terreno. Seguidamente, apresentar-se-ão os fundamentos que suportaram a avaliação estaturo-ponderal, de composição corporal e do estatuto maturacional. Na metodologia, para além de se proceder à apresentação da amostra, das variáveis e dos protocolos que permitiram a recolha de dados, são produzidas e apresentadas medidas relativas ao controlo da qualidade dos dados, tendo em vista a futura utilização do presente estudo com outros relatórios, de outros contextos sociais, geográficos, ou até simplesmente temporais, no mesmo estabelecimento de ensino ou noutros. A discussão dos resultados manter-se-á fiel a uma dupla preocupação. Por um lado, corresponder ao formato científico de uma dissertação realizada em ambiente universitário, por outro lado, tecer-se-ão considerações que subsidiem o melhor conhecimento da população escolar do estabelecimento de ensino em causa, favorecendo a aplicação e transferência do conhecimento. Esta cumplicidade entre o “teórico” e o “aplicado” reforça o paradigma de formação ao longo da vida.

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CAPÍTULO 2:

REVISÃO DA LITERATURA

2.1. Excesso de peso e obesidade em idades pediátricas

A Organização Mundial de Saúde (World Health Organization, 2000) identifica a obesidade como uma doença crónica, mas cujo desenvolvimento é evitável pela mudança de estilos de vida. Esta epidemia global é reflexo dos massivos problemas sociais, económicos e culturais, de países em desenvolvimento e recém-industrializados. Os conceitos de excesso de peso e obesidade são utilizados como sinónimos, mas não o são (Flegal & Ogden, 2011). O excesso de peso pode ser caracterizado por um nível moderado de excesso de peso para a estatura, e a obesidade por um estado mais severo (Malina et al., 2004). Diferenças entre sexos na composição corporal são estabelecidas durante o salto pubertário e a maturação sexual (Heyward & Wagner, 2004; Malina et al., 2004; Siervogel et al., 2003). Também Dietz (2004) refere dois períodos críticos no desenvolvimento e persistência do excesso de peso em idades pediátricas: o período pré-natal e a adolescência. O período do “adiposity rebound” pode constituir um 3º período crítico, no qual o índice de massa corporal (IMC) começa a aumentar, após atingir uma estabilidade no início da infância.

Must et al. (1991) apresentaram os primeiros valores de corte de excesso de peso (>percentil 85) e obesidade (>percentil 95), específicos para a raça/etnia, numa população norte-americana (n=20.839, 6-74 anos de idade), a partir dos dados do National Health and Nutrition Examination Survey I (NHANES I). Dos 6 meses aos 19 anos de idade foram determinados percentis do IMC para cada idade, e os adultos foram agrupados em categorias de idade de 5 em 5 anos. Os percentis 5, 15, 50, 85 e 95 foram calculados para cada grupo etário, sexo e etnia, como base. Himes & Dietz (1994) referem que jovens com um IMC≥percentil 95 para a idade e para o sexo ou >30.0 kg/m2 têm excesso de peso, e jovens com um IMC≥percentil 85 e <percentil 95 ou ≤30.0 kg/m2 estão em risco de excesso de peso. Malina & Katzmarzyk (1999) aferiram a validade do IMC como indicador do risco de excesso de peso e da presença de excesso de peso em 6 grupos de adolescentes de diferentes etnias

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(n=1.570, 9-19 anos de idade). O IMC apresentou valores altos de especificidade (86.1-98.8% para o risco de excesso de peso e 96.3-100% para a presença de excesso de peso). Os indicadores da “verdadeira obesidade” (excesso de peso) foram a prega de adiposidade subcutânea tricipital e a percentagem de massa gorda (%MG). Nos rapazes, o risco de excesso de peso foi definido como ≥20.0 %MG e o excesso de peso ≥25.0 %MG, e nas raparigas por ≥25.0 %MG e ≥30.0 %MG, respetivamente. O excesso de peso e a obesidade durante a infância, classificados pelos pontos de corte do Centers for Disease Control (CDC) e da International Obesity Task Force (IOTF), específicos para a idade e para o sexo, são fortes preditores do risco cardiovascular na idade adulta, com diferenças mínimas na respetiva capacidade preditiva (Janssen et al., 2005). Os valores de corte propostos pelo CDC assentam na multietnicidade (NHANES) e a avaliação é realizada pela idade em termos mensais. Contudo, os pontos de corte do CDC com base nos percentis 85 e 95 derivam de uma abordagem distribucional e são sobretudo utilizados no estudo de grupos subnutridos. Em 2000, com a identificação da epidemia de obesidade, a IOTF propôs uma retrogressão dos valores 25.0 kg/m2 e 30.0 kg/m2, aplicada dos 2 aos 20 anos de idade, numa base de dados de 200.000 indivíduos, de ambos os sexos, de seis países e três continentes (Cole et al., 2000).

Burke (2006) e Moreira (2007) referem como preditores de obesidade infantil: o estatuto socioeconómico (ESE), o crescimento intrauterino, o consumo tabágico maternal, a amamentação, a dieta e a atividade física. Adicionalmente, o perímetro da cintura (PC) é considerado o melhor índice de adiposidade central (Taylor et al., 2000) e preditor do risco cardiovascular em crianças e adolescentes (Mushtaq et al., 2011; Sung et al., 2008; Yan et al., 2008). O perímetro da cintura tem uma relação positiva com outros indicadores de adiposidade (Fernandes et al., 2009) e aumenta com a idade, em ambos os sexos (Janssen et al., 2005; Sardinha et al., 2011). A gordura abdominal está mais associada ao risco de saúde do que a gordura geral e inversamente associada à atividade física (Saelens et al., 2007). Outro indicador prático da adiposidade central pediátrica e preditor do risco cardiovascular é a rácio perímetro da cintura-estatura (Aeberli et al., 2011; Arnaiz et al., 2010). O índice de massa corporal, o perímetro da cintura e a rácio perímetro da cintura-estatura, identificam eficazmente a gordura abdominal excessiva (Fujita et al., 2011), embora as relações no índice de massa corporal sejam afetadas pelo assincronismo do salto pubertário, o que dificulta inclusive, a medição do perímetro da cintura.

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A adolescência caracteriza-se por mudanças na composição corporal (quer na localização quer na quantidade de gordura corporal) e na aptidão física. Este período de crescimento e maturação é também marcado por alterações comportamentais na dieta alimentar, na atividade física, no sedentarismo e na saúde psicológica. A atividade física e a participação desportiva declinam durante este período, especialmente nas raparigas, enquanto o comportamento sedentário, o risco de depressão e os aspetos relacionados com a autoestima corporal aumentam (Alberga et al., 2012).

2.2. Estudos epidemiológicos de prevalência de sobrepeso e obesidade pediátrica da população portuguesa

Crianças portuguesas, com idades compreendidas entre os 7 e os 9 anos, representativas dos 18 distritos de Portugal Continental e selecionadas por estratificação aleatória em função da idade, reportam taxas de prevalência de excesso de peso de 20.3% e de 11.3% de obesidade. O trabalho incidiu numa população de 6.865 crianças, de que resultaram 4.847 participantes, correspondente a uma taxa de resposta de 70.6%. A amostra final foi constituída por 4511 crianças. Os resultados de estudos paralelos sugerem uma relação inversa entre as horas de sono, a prevalência de excesso de peso, a obesidade e a % de massa gorda (Padez et al., 2005; Padez et al., 2009).

Mota et al. (2006), com base numa amostra de conveniência de 3 escolas do ensino secundário da cidade do Porto, sustentam que os adolescentes portugueses normoponderais, com idade média de 14.6 anos, passam significativamente menos tempo no computador, quer no fim de semana quer nos dias de semana, comparativamente aos que apresentam excesso de peso. Os adolescentes que utilizam o computador mais de 4 horas por dia, nos dias de semana, têm maior probabilidade de ter excesso de peso/obesidade. De um total de 500 adolescentes da população inicial, 470 devolveram os questionários, com uma taxa de resposta de 94.0%, tendo sido excluídos 20 por falta de informação. Moreira et al. (2010) observaram prevalências elevadas de excesso de peso/obesidade nas meninas (38.8%) e nos meninos (38.6%) portugueses, entre os 5 e os 10 anos de idade. Dentro dessas 35 escolas, todos os alunos foram convidados a participar (n=5.736), com 58.0% de pais a consentir (n=3.327). Após exclusão de participantes por condições médicas pré-existentes e preenchimento incorreto dos questionários, 1976 crianças foram incluídas no estudo. Como preditores do

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consumo de “fast-food”, incluindo bebidas açucaradas e de produtos de pastelaria, foram identificados o tempo despendido a ver televisão e o ser menino. O nível educacional maternal, a prática desportiva e a duração do sono foram positivamente associados com padrões alimentares que incluem frutos e vegetais.

Em 835 crianças e adolescentes, com idades compreendidas entre os 11 e os 16 anos de idade, Fragoso et al. (2013) não encontraram diferenças significativas na idade esquelética e em função do grupo de atividade física. No entanto, as raparigas sedentárias apresentaram uma percentagem significativamente mais alta na estatura matura predita, comparativamente aos outros dois grupos de atividade física (de lazer e regular). Estes resultados sustentam que as raparigas menos ativas pertencem ao grupo maturacional avançado, e que existe uma associação inversa entre a maturação biológica e a atividade física.

De acordo com Mota et al. (2008), a prevalência de excesso de peso e obesidade é de 23.6% nos rapazes portugueses e de 15.1% nas raparigas, com idades compreendidas entre os 13 e os 17 anos. Os rapazes normoponderais são significativamente mais ativos do que os obesos e a inclusão de mais uma refeição diária, em ambos os sexos, reduz o risco de excesso de peso e obesidade.

Num estudo em jovens portugueses, dos 10 aos 18 anos de idade, representativos de Portugal Continental e selecionados por amostragem aleatória estratificada (proporcional) em função da localização geográfica, do número de alunos por idade e sexo de cada escola, a prevalência de excesso de peso e de obesidade em relação à proposta da IOTF é, respetivamente, de 17.0% e 4.6% nas raparigas e de 17.7% e 5.8% nos rapazes, enquanto na proposta da WHO é ligeiramente superior: 23.1% e 9.6% nas raparigas e de 20.4% e 10.3% nos rapazes. Dos 22.179 alunos que aceitaram participar no estudo, 89.0% foram autorizados pelos pais, sendo que 131 foram excluídos pela idade, por condições médicas pré-existentes e pelo preenchimento incorreto dos questionários. O sexo feminino apresenta a maior prevalência de excesso de peso e obesidade em todas as regiões de Portugal Continental (Sardinha et al., 2011).

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2.3. Aptidão física na adolescência

O desempenho físico é medido através do resultado em tarefas motoras que exigem velocidade, agilidade, equilíbrio, flexibilidade, força explosiva, resistência muscular localizada e força muscular estática. A força isométrica aumenta linearmente com a idade durante a infância e a transição para a adolescência em ambos os sexos. Por volta dos 13 anos, o desenvolvimento da força aumenta consideravelmente nos rapazes (pico de velocidade de crescimento), mas continua a aumentar linearmente nas raparigas até aos 15 anos, embora os dados variem entre testes de força específicos. As diferenças na força entre sexos são consistentes, embora pequenas, durante a infância e a transição para a adolescência. Posteriormente, as diferenças tornam-se cada vez maiores, e por volta dos 16 anos poucas raparigas conseguem ter uma performance ao nível médio dos rapazes (Beunen & Malina, 2008).

Uma revisão de estudos longitudinais em ambos os sexos, tendo em consideração o estatuto maturacional (Malina et al., 2004), mostrou que rapazes maturacionalmente avançados têm maior força muscular do que rapazes maturacionalmente atrasados em todas as idades entre os 11 e os 17 anos, enquanto as raparigas maturacionalmente avançadas têm uma performance ligeiramente melhor que as raparigas maturacionalmente atrasadas (isto é, 11-13 anos de idade). Relativamente à capacidade de endurance aeróbio, esta aumenta desde a infância até à adolescência em rapazes, mas atinge um plateau nas raparigas por volta dos 13-14 anos. Antes dos 10-12 anos, o VO2max das raparigas atinge cerca de 85 a 90% do valor médio dos rapazes, mas depois do pico de crescimento este valor decresce para os 70% (Malina et al., 2004).

2.5. A participação desportiva na adolescência

O desporto jovem tem sido invocado como importante no combate à epidemia mundial de excesso de peso e obesidade infantil através da prestação de atividade física regular (Malina, 2009). O número de jovens a competir a nível nacional e internacional continua a aumentar em diversos países. Aproximadamente 40 milhões de jovens Norte-Americanos participavam em desporto organizado em 2008 (National Children and Youth Fitness Survey, 2010). A

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participação regular no desporto organizado é uma característica da juventude em diversos países europeus (Seabra et al, 2007; Telama & Yang, 2000). No nosso país, e segundo os dados oficiais (Instituto do Desporto de Portugal, 2011), a participação desportiva federada, desde 2007, tem atingido valores superiores a 250 mil praticantes nos escalões mais jovens. Em 2009, a prática desportiva nos escalões mais jovens (até Juniores) é a mais significativa, atingindo 55% do total de praticantes inscritos nas federações. No caso particular do sexo feminino tem sofrido uma tendência positiva, esbatendo as desigualdades entre estatísticas masculinas e femininas. De salientar, que a razão entre o número de praticantes masculinos e femininos, observada em 2009, até ao escalão de juniores é de 2.6. De igual modo, e segundo a estatística apresentada pela Direção-Geral de Inovação e Desenvolvimento Curricular (2012), o desporto escolar apresenta um incremento significativo do número de praticantes entre 2007 e 2011, passando dos 128.065 para os 172.225. Estes números sustentam a convicção de que a participação desportiva tem uma crescente adesão dos jovens portugueses.

Diversos estudos têm demonstrado que crianças e adolescentes que praticam desporto apresentam níveis de atividade física mais elevados do que os que não praticam, em particular, despendem significativamente mais tempo em atividades de intensidade moderada a vigorosa (Katzmarzyk & Malina, 1998; Machado-Rodrigues et al., 2012; Trost et al., 1997; Wickel & Eisenmann, 2007). Recentemente, Olds et al. (2011), salientam a importância da participação no desporto organizado quando afirmam que, a diferença de dispêndio energético entre adolescentes obesos e normoponderais australianos se deve à baixa participação em desporto organizado, realçando que este facto justifica dois terços da diferença encontrada. Em Portugal, Machado-Rodrigues et al. (2012), num estudo com adolescentes masculinos, com idades compreendidas entre os 13-14 e os 15-16, verificaram que o grupo de participantes em desporto organizado despende significativamente mais tempo em atividade moderada-e-vigorosa do que o grupo de não participantes. O desporto organizado representa cerca de 11% a 13% do dispêndio energético diário, correspondendo a cerca de 35% a 42% da porção moderada-e-vigorosa do dispêndio energético diário.

A participação desportiva está igualmente associada à adoção de estilos de vida saudáveis, aparecendo inversamente relacionada com o consumo de álcool, tabaco (Pate et al., 1996), e drogas (Naylor et al., 2001) em adolescentes. No caso particular da adolescente feminina, a participação desportiva aparece associada a reduzidas taxas de insatisfação com o

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corpo ou distúrbios alimentares (Tiggemann, 2001), menor prevalência de comportamentos sexuais de risco (Kuliget al., 2003), bem como, a um aumento da auto estima e a um baixo nível de depressões (Johnson & Taliaferro, 2011; Neissaar & Raudsepp, 2011). O sucesso académico está igualmente associado a um aumento da atividade física e participação desportiva (Fox et al., 2010).

2.6. Orientação para a realização de objectivos e clima motivacional

A Teoria da Auto-Determinação (Ryan & Deci, 2000) propõe um modelo para compreender a participação dos jovens no desporto, partindo do princípio que os indivíduos integram uma actividade para se sentirem competentes, realizados e socialmente aceites. Trata-se de objectivos relevantes entre adolescentes. Se estes pressupostos não forem cumpridos, a experiência desportiva não se assume motivacionalmente positiva. A realização de objectivos (Nicholls, 1989) constitui uma orientação motivacional estreitanto o indivíduo e aspectos situacionais como elementos pertinentes e determinantes das atitudes face à prática desportiva, influenciando a adopção de comportamentos morais.

As orientações disposicionais parecem correlacionar-se com o ambiente de equipa (Papaioannou et al., 2004) e entre voleibolistas do sexo feminino (Gano-Overway et al., 2005) foi possível evidenciar as relações entre as orientações disposicionais e o desportivismo, mais propriamente o respeito pelo jogo como estando dependente da orientação para a tarefa. Também em atletas adolescentes (Newton et al., 2006) a orientação para a tarefa e o clima motivacional apareceram correlacionados com o respeito pelos outros e com a responsabilidade pessoal. Theodosiu & Papaioannou (2005) sublinharam a importância do clima social orientado para a tarefa como determinantes no envolvimento dos jovens escolares em actividades desportivas extra-curriculares. Entre adultos, Sage et al. (2006), destacamos o papel das orientações para a tarefa e para o ego como preditoras do funcionamento moral, não deixando de realçar complexidade de se encontrar um modelo explicativo, por estarem em causa sistemas dinâmicos de variáveis e instrumentos ainda em fase de consolidação. As orientações para a realização de objectivos associam-se ao desportivismo (Dunn et al., 2002) e demonstam maior aptidão para funcionarem como preditores de empenho na prática desportiva e de desportivismo do que a própria competência motora, amplamente valorizada como indicador de sucesso na formação desportiva (McDonough & Crocker, 2005).

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2.7. Atidudes face à prática desportiva

No âmbito do que chamamos “desporto organizado”, com praticantes regularmente inscritos numa federação desportiva ou escolar e estando, ou não, orientado para o rendimento, a qualidade das organizações e da supervisão pode determinar o efeito pedagógico positivo. No campo específico do desporto, entende-se que o comportamento dos atletas se deveria pautar pelo respeito pelo Desportivismo ( “fair play”), entendido como um conjunto de “boas práticas”: “respeito pelas regras e pelos adversários”; “igualdade de condições entre os intervenientes”; “renúncia à vitória a todo o custo”; “dignidade nas vitórias e nas derrotas”; “dar o melhor de si mesmo”. Para a avaliação do Desportivismo existe um conjunto de ensaios iniciais (Vallerand et al., 1997; Vallerand et al. 1996) que elegem como subdimensões o “empenhamento na participação”, “respeito pelas convenções sociais”, “respeito pelas regras e pelos árbitros”, “respeito pelo adversário”, “abordagem negativa ao fair-play”. Em regra, cada subdimensão é representada por vários items. Outro autor relevante no domínio da educação pelo desporto, partindo da identificação de atitudes efectuada por um grupo de peritos, elaborou o Sports Attitudes Questionnaire –SAQ (Lee, 1996) composto por 26 items e emergente de uma amostra de mais de 1.000 atletas com idades entre os 12 e os 16 anos no Reino Unido. O questionário organiza-se em quatro escalas: “Batota”, “Anti-desportivismo”, “Vitória a todo o preço” e “A vitória não é o mais importante”. Mais tarde, Lee et al. (2002) modificaram o questionário aproveitando o trabalho proposto por Vallerand et al. (1997), nomeadamente: “Empenhamento na participação” e “Respeito pelas convenções sociais”, substituindo as escalas “A vitória não é o mais importante” e “Vitória a todo o preço” da versão original. Os itens do questionário são agregados numa proposta de modelo teórico com quatro factores, sendo dois considerados socialmente positivos (Empenhamento e Convenção) e dois socialmente negativos (Batota e Anti-desportivismo). O instrumento é subsequentemente aplicado a uma amostra de atletas com idades igualmente abaixo dos 16 anos no Reino Unido (Lee et al. 2002; Whiteheat et al. 2003), chegando-se à versão definitiva do SAQ (“Sports Attitudes Questionnaire). Em Portugal, o “Sports Attitudes Questionnaire” foi aplicado a amostras de idades e de composição de demografia desportiva similares à população original do Reino Unido (dos 13 aos 16 anos), tendo a validade métrica sido devidamente examinadas (Gonçalves et al. 2006).

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CAPÍTULO 3: METODOLOGIA

O presente estudo, essencialmente descritivo, tenta retratar a população escolar de um estabelecimento de ensino, Colégio Nossa Senhora da Assunção, situado no concelho de Anadia, distrito de Aveiro. Não foi considerado um desenho experimental para testar o efeito de variáveis independentes sobre variáveis dependentes, nem utilizados grupos de controlo. A amostra corresponde à totalidade da população escolar do estabelecimento de ensino acima mencionado.

3.1. Amostra

A amostra inicial, avaliada em 2006/2007, foi composta por 490 sujeitos com idades compreendidas entre os 9.83 e os 18.27 anos, para o sexo feminine e entre 10.04 e os 19.17 para o sexo masculino. Todos os participantes estavam matriculados no mesmo estabelecimento de ensino, depois de eliminados os elementos faltosos ou impedidos de realizar provas motoras, sobretudo asmáticos. No ano lectivo 2014/2015, nos mesmos anos de escolaridade e no mesmo estabelecimento de ensino, adoptando os mesmos protocolos e perante a mesma equipa de avaliadores, foi obtida uma segunda série de dados (n=625).

3.2. Idade cronológica

Foram seguidos os procedimentos descritos por Figueiredo et al. (2007), em que se transforma a data de nascimento e a data de observação num sistema de três algarismos dado por uma tabela que combina o cruzamento do mês e do dia de nascimento.

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3.3. Estatura dos progenitores

Foi pedido aos estudantes observados que trouxessem fotocópias do bilhete de identidade dos progenitores. Não existem informações sobre a qualidade dos dados obtidos pelos arquivos de identificação. Outros trabalhos científicos dedicados ao estudo da tendência secular da estatura usaram registos militares, sem qualquer garantia relativa à qualidade dos dados (Padez, 1998; Padez & Johnston, 1999).

3.4. Tamanho corporal

A estatura e a massa corporal foram avaliados seguindo os procedimentos descritos por Lohman et al. (1988), aconselhados por Malina et al. (2004). A medição da altura total (estatura) foi efectuada com um estadiómetro portátil (Harpenden modelo 98.603, Holtain Ltd, Crosswell, UK), enquanto a balança portátil (Seca modelo 770, Hanover, MD, USA) foi

usada para medir a massa corporal.

3.5. Pregas de gordura subcutânea

Foram avaliadas as pregas de gordura subcutânea na região tricipital e subescapular, tal como definido pelos autores anteriormente indicados (Lohman et al., 1988; Malina et al., 2004). Para o efeito foi utilizado um adipómetro Lange (Cambridge, MD, USA) com aproximação aos milímetros.

3.6. Índice de massa corporal

O índice de massa corporal corresponde à divisão da massa corporal pela estatura expressa em metros elevada ao quadrado [kg / m2]. Com base no índice de massa corporal os sujeitos foram classificados como “normoponderais”, “sobrepesados” e em “risco de obesidade” de acordo com os procedimentos do International Obesity Task Force, aqui republicados.

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Tabela 3.1. Valores de corte para classificação do estatuto nutricional a partir do índice de

massa corporal em crianças com idades entre os 2 e os 18 anos, definidos por Cole et al. (2000) e adoptados pelo International Obesity task Force.

Idade Masculino Feminino

Cronológica Sobrepesado “Risco de

obesidade” Sobrepesado “Risco de obesidade” 02.0-02.4 18.41 20.09 18.02 19.81 02.5-02.9 18.13 19.80 17.76 19.55 03.0-03.4 17.89 19.57 17.56 19.36 03.5-03.9 17.69 19.39 17.40 19.23 04.0-04.4 17.55 19.29 17.28 19.15 04.5-04.9 17.47 19.26 17.19 19.12 05.0-05.4 17.42 19.30 17.15 19.17 05.5-05.9 17.45 19.47 17.20 19.34 06.0-06.4 17.55 19.78 17.34 19.65 06.5-06.9 17.71 20.23 17.53 20.08 07.0-07.4 17.92 20.63 17.75 20.51 07.5-07.9 18.16 21.09 18.03 21.01 08.0-08.4 18.44 21.60 18.35 21.57 08.5-08.9 18.76 22.17 18.69 22.18 09.0-09.4 19.10 22.77 19.07 22.81 09.5-09.9 19.46 23.39 19.45 23.46 10.0-10.4 19.84 24.00 19.86 24.11 10.5-10-9 20.20 24.57 20.29 24.77 11.0-11.4 20.55 25.10 20.74 25.42 11.5-11.9 20.89 25.58 21.20 26.05 12.0-12.4 21.22 26.02 21.68 26.67 12.5-12.9 21.56 26.43 22.14 27.24 13.0-13.4 21.91 26.84 22.58 27.76 13.5-13.9 22.27 27.25 22.98 28.20 14.0-14.4 22.62 27.63 23.34 28.57 14.5-14.9 22.96 27.98 23.66 28.87 15.0-15.4 23.29 28.30 23.94 29.11 15.5-15.9 23.60 28.60 24.17 29.29 16.0-16.4 23.90 28.88 24.37 29.43 16.5-16.9 24.19 29.14 24.54 29.56 17.0-17.4 24.46 29.41 24.70 29.69 17.5-17.9 24.73 29.70 24.85 29.84 > 18.0 25.00 30.00 25.00 30.00

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3.7. Percentagem de massa gorda

Recorremos às equações publicadas propostas por Slaughter et al. (1988) e adoptadas pela bateria FITNESSGRAM.

Rapazes pré-púberes (soma das pregas <35 mm):

1.21 * (tricipital + subescapular ) – 0.008 (tricipital + subescapular )2 -1.7 Rapazes púberes (soma das pregas <35 mm):

1.21 * (tricipital + subescapular ) – 0.008 (tricipital + subescapular )2 -3.4 Rapazes pós-púberes (soma das pregas <35 mm):

1.21 * (tricipital + subescapular ) – 0.008 (tricipital + subescapular )2 -5.5 Todos os rapazes (soma das pregas >35 mm):

0.783 * (tricipital + subescapular ) + 1.6

Todas as raparigas (soma das pregas <35 mm):

1.33 * (tricipital + subescapular ) – 0.013 (tricipital + subescapular )2 -2.5

Todas as raparigas (soma das pregas >35 mm): 0.546 * (tricipital + subescapular ) + 9.7

A classificação dos sujeitos em aptos e não aptos seguiu as tabelas publicadas no Manual de Metodologias e Procedimentos do Observatório Nacional da Actividade Física e Desporto (Instituto do Desporto de Portugal, 2007). Assim, as raparigas com menos de 17% estão deficitárias em massa gorda, entre os 17% e os 32% encontram-se dentro de valores aceitável e acima dos 32% são identificadas como estando com excesso de massa gorda. Para os rapazes, os valores de corte são respectivamente 10% e 25%. Os limites apontados são aplicáveis a todas as idades, dos 10 aos 18 anos.

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Tabela 3.2. Valores de corte para classificação dos valores de percentagem de massa

corporal em “precisa ganhar massa gorda”, “composição saudável” e “precisa perder massa gorda”, recomendados pela bateria FITNESSGRAM.

Idade Raparigas Rapazes

Cronológica Precisa

ganhar Composição Saudável Precisa perder Precisa ganhar Composição Saudável Precisa perder 05.0-05.9 <17.0% 17.0%-32.0% >32.0% <10.0% 10.0%-25.0% >25.0% 06.0-06.9 <17.0% 17.0%-32.0% >32.0% <10.0% 10.0%-25.0% >25.0% 07.0-07.9 <17.0% 17.0%-32.0% >32.0% <10.0% 10.0%-25.0% >25.0% 08.0-08.9 <17.0% 17.0%-32.0% >32.0% <10.0% 10.0%-25.0% >25.0% 09.0-09.9 <17.0% 17.0%-32.0% >32.0% <10.0% 10.0%-25.0% >25.0% 10.0-10-9 <17.0% 17.0%-32.0% >32.0% <10.0% 10.0%-25.0% >25.0% 11.0-11.9 <17.0% 17.0%-32.0% >32.0% <10.0% 10.0%-25.0% >25.0% 12.0-12.9 <17.0% 17.0%-32.0% >32.0% <10.0% 10.0%-25.0% >25.0% 13.0-13.9 <17.0% 17.0%-32.0% >32.0% <10.0% 10.0%-25.0% >25.0% 14.0-14.9 <17.0% 17.0%-32.0% >32.0% <10.0% 10.0%-25.0% >25.0% 15.0-15.9 <17.0% 17.0%-32.0% >32.0% <10.0% 10.0%-25.0% >25.0% 16.0-16.9 <17.0% 17.0%-32.0% >32.0% <10.0% 10.0%-25.0% >25.0% 17.0-17.9 <17.0% 17.0%-32.0% >32.0% <10.0% 10.0%-25.0% >25.0% 18.00-… <17.0% 17.0%-32.0% >32.0% <10.0% 10.0%-25.0% >25.0%

3.8. Maturação somática (pela percentagem de estatura matura estimada)

A determinação da estatura matura predita requereu a obtenção dos valores estaturais dos progenitores, bem como a massa corporal e estatura dos observados. Considerando a idade cronológica, registam-se os coeficientes das Tabelas seguidamente apresentadas para serem utilizados na seguinte fórmula: βo + C1 * (Estatura em lb) + C2 * (Massa corporal em in) +

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Tabela 3.3. Coeficientes necessários para a utilização do método Khamis-Roche com o

objectivo de determinar a estatura matura predita – sexo masculino

Idade cronológica B (Estatura) C1 (Massa corporal) C2 (Estatura média C3 parental) 04.0-04.4 -10.2567 1.23812 -0.087235 0.50286 04.5-04.9 -10.7190 1.15964 -0.074454 0.52887 05.0-05.4 -11.0213 1.10674 -0.064778 0.53919 05.5-05.9 -11.1556 1.07480 -0.057760 0.53691 06.0-06.4 -11.1138 1.05923 -0.052947 0.52513 06.5-06.9 -11.0221 1.05542 -0.049892 0.50692 07.0-07.4 -10.9984 1.05877 -0.048144 0.48538 07.5-07.9 -11.0214 1.06467 -0.047256 0.46361 08.008.4 -11.0696 1.06853 -0.046778 0.44469 08.5-08.9 -11.1220 1.06572 -0.046261 0.43171 09.0-09.4 -11.1571 1.05166 -0.045254 0.42776 09.5-09.9 -11.1405 1.02174 -0.043311 0.43593 10.0-10.4 -11.0380 0.97135 -0.039981 0.45932 10.5-10.9 -10.8286 0.89589 -0.034814 0.50101 11.0-11.4 -10.4917 0.81239 -0.029050 0.54781 11.5-11.9 -10.0065 0.74134 -0.024167 0.58409 12.0-12.4 -9.3522 0.68325 -0.020076 0.60927 12.5-12.0 -8.6055 0.63869 -0.016681 0.62279 13.0-13.4 -7.8632 0.60818 -0.013895 0.62407 13.5-13.9 -7.1348 0.59228 -0.011624 0.61253 14.0-14.4 -6.4299 0.59151 -0.009776 0.58762 14.5-14.9 -5.7578 0.60643 -0.008261 0.54875 15.0-15.4 -5.1282 0.63757 -0.006988 0.49536 15.515.9 -4.5092 0.68548 -0.005863 0.42687 16.016.4 -3.9292 0.75069 -0.004795 0.34271 16.5-16.9 -3.4873 0.83375 -0.003695 0.24231 17.0-17.4 -3.2830 0.93520 -0.002470 0.12510 17.5-17.9 -3.4156 1.05558 -0.001027 -0.00950

A conversão da estatura e da massa corporal faz-se com as seguintes correspondências [1 in = 2.54 cm; 1 lb = 433.59 g]. Depois de aplicada a fórmula de Khamis & Roche (1994) é necessário voltar a converter a estatura matura predita de in para cm, permitindo que a estatura observada seja expressa em valor percentual do valor matura estimado.

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Tabela 3.4. Coeficientes necessários para a utilização do método Khamis-Roche com o objectivo

de determinar a estatura matura predita – sexo feminino

Idade cronológica B (Estatura) C1 (Massa corporal) C2 (Estatura media C3 parental) 04.0-04.4 -8.13250 1.24768 -0.19435 0.44774 04.5-04.9 -6.47656 1.22177 -0.185519 0.41381 05.0-05.4 -5.13583 1.19932 -0.175530 0.38467 05.5-05.9 -4.13791 1.17880 -0.16484 0.36039 06.0-06.4 -3.51039 1.15866 -0.15400 0.34105 06.5-06.9 -3.14322 1.13737 -0.14294 0.32672 07.0-07.4 -2.87645 1.11342 -0.13184 0.31748 07.5-07.9 -2.66291 1.08525 -0.12086 0.31340 08.008.4 -2.45559 1.05135 -0.11019 0.31457 08.5-08.9 -2.20728 1.01018 -0.09999 0.32105 09.0-09.4 -1.87098 0.96020 -0.09044 0.33291 09.5-09.9 -1.06330 0.89989 -0.08171 0.35025 10.0-10.4 0.33468 0.82771 -0.07397 0.37312 10.5-10.9 1.97366 0.74213 -0.06739 0.40161 11.0-11.4 3.50436 0.67173 -0.06136 0.42042 11.5-11.9 4.57747 0.64150 -0.05518 0.41686 12.0-12.4 4.84365 0.64452 -0.04894 0.39490 12.5-12.0 4.27869 0.67386 -0.04272 0.35850 13.0-13.4 3.21417 0.72260 -0.03661 0.31163 13.5-13.9 1.83456 0.78383 -0.03067 0.25826 14.0-14.4 0.32425 0.85062 -0.02500 0.20235 14.5-14.9 -1.13224 0.91605 -0.01967 0.14787 15.0-15.4 -2.35055 0.97319 -0.01477 0.09880 15.515.9 -3.10326 1.01514 -0.01037 0.05909 16.016.4 -3.17885 1.03496 -0.00655 0.03272 16.5-16.9 -2.41657 1.02573 -0.00340 0.02364 17.0-17.4 -0.65579 0.98054 -0.00100 0.03584 17.5-17.9 2.26429 0.89246 0.00057 0.07327 3.9. Prova da milha

Trata-se de um teste que se propõe avaliar a resistência cardio-respiratória, de fácil aplicação. Deve ser administrado no exterior, sendo conhecidas algumas dificuldades em conseguir que os jovens realizem o desempenho da prova adoptando uma velocidade constante que lhes permita atingir o melhor resultado. Acredita-se ainda que o carácter constante da prova a torna monótona e menos desafiadora, relativamente ao que acontece com protocolos de patamares progressivos. Segundo Safrit (1995) a corrida da milha possui uma validade entre +0.71 e +0.81 quando comparado com o consumo máximo de oxigénioavaliado num teste máximo. O coeficiente de fiabilidade varia entre 0.40 e 0.98.

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Tabela 3.5. Valores de corte para a prova da milha por sexo e idade (em minutos e segundos),

recomendados pela bateria FITNESSGRAM

Idade Raparigas Rapazes

Cronológica Inapto Apto Bom Inapto Apto Bom

10.0-10-9 >12:30 12:30-09:30 <09:30 >11:30 11:30-09:00 <09:00 11.0-11.9 >12:00 12:00-09:00 <09:00 >11:00 11:00-08:30 <08:30 12.0-12.9 >12:00 12:00-09:00 <09:00 >10:30 10:30-08:00 <08:00 13.0-13.9 >11:30 11:30-09:00 <09:00 >10:00 10:00-07:30 <07:30 14.0-14.9 >11:00 11:00_08:30 <08:30 >09:30 09:30-07:00 <07:00 15.0-15.9 >10:30 10:30-08:00 <08:00 >09:00 09:00-07:00 <07:00 16.0-16.9 >10:00 10:00-08:00 <08:00 >08:30 08:30-07:00 <07:00 17.0-17.9 >10:00 10:00-08:00 <08:00 >08:30 08:30-07:00 <07:00 18.00-18.9 >10:00 10:00-08:00 <08:00 >08:30 08:30-07:00 <07:00

3.10. PACER [Progressive Aerobic Cardiovascular Endurance Run Test]

Trata-se de um teste de patamares de esforço progressivo, adaptado do teste de corrida de 20 metros publicado por Leger & Lambert (1982). Consiste em percorrer a máxima distância possível numa direcção e na oposta, numa distância de 20 metros, com uma velocidade crescente em períodos consecutivos de um minuto. O PACER avalia a resistência cardio-respiratória. É um teste em que os sujeitos parecem demonstrar menos atrito para a sua realização e pode ser realizado num espaço interior. O Pacer é recomendado para todos os escalões etários do presente estudo. A prova possui uma validade entre +0.52 e +0.93 quando comparado com o consumo de oxigéniomedido num teste máximo em tapete rolante (Safrit, 1995). Segundo a mesma autora o coeficiente de fiabilidade varia entre 0.89 e 0.98

Tabela 3.6. Valores de corte para a prova PACER por sexo e idade (em percursos de 20 metros),

recomendados pela bateria FITNESSGRAM

Raparigas Rapazes

Inapto Apto Bom Inapto Apto Bom

10.0-10-9 <15 15-41 >41 <23 23-61 >61 11.0-11.9 <15 15-41 >41 <23 23-72 >72 12.0-12.9 <23 23-41 >41 <32 32-72 >72 13.0-13.9 <23 23-51 >51 <41 41-72 >72 14.0-14.9 <23 23-51 >51 <41 41-83 >83 15.0-15.9 <23 23-51 >51 <51 51-94 >94 16.0-16.9 <32 32-51 >51 <61 61-94 >94 17.0-17.9 <41 41-61 >61 <61 61-94 >94 18.00-18.9 <41 41-61 >61 <61 61-94 >94

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3.11. Questionários de orientação para a realização de objectivos

O estudo inicial para a adaptação à realidade portuguesa do Task and Ego Orientation in Sport Questionnaire (instrumento proposto por Chi e Duda, 1995) foi efectuado por Fonseca e Biddle (1996) e por Fonseca (1999). O TEOSQ revelou-se um instrumento psicometricamente robusto e transculturalmente aceite, sendo a agregação de items aquela que foi proposta por Gonçalves et al. (2006), a saber - anexo 1: (a) orientação para a tarefa: items 2, 5, 7, 8, 10, 12, 13; (b) orientações para o ego: items 1, 3, 4, 6, 9, 11.

3.12. Questionários de atitudes face à prática desportiva

Partindo da identificação de atitudes efectuada por um grupo de peritos, Lee (1996) elaborou o Sports Attitudes Questionnaire -SAQ, de 26 itens, que foi aplicado a uma amostra de 1.391 atletas, dos 12 aos 16 anos, rapazes e raparigas, praticantes dos desportos mais populares no Reino Unido. O instrumento (Anexo 2) compreendeu quatro escalas, a saber: (a) Batota: items 3, 9,13, 19; (b) Anti-desportivismo: items 7, 18, 20, 23; (c) Convenção: items 4, 8, 17, 22; (d) Comprometimento: items 6, 11, 15, 21. O Sports Attitudes Questionnaire foi aplicado a amostras de idades e de composição de demografia desportiva similares à população-alvo do presente estudo (dos 13 aos 16 anos, que, para além de atravessar o período da adolescência, corresponde igualmente à etapa de especialização na maioria das modalidades desportivas) e a sua validade psicométrica foi verificada no Reino Unido (Lee & Whitehead, 1999) e em Portugal (Gonçalves et al. 2006).

3.13. Procedimentos

Depois de aprovado pela Direcção Pedagógica do estabelecimento de ensino onde foi realizada a pesquisa, foi obtida autorização dos encarregados de educação e prestada informação aos órgãos estatutariamente competentes, isto é, Conselho Pedagógico. Numa fase posterior, o estudo foi explicado em todas as turmas, garantido o carácter voluntário da participação dos jovens. Foram efectuadas avaliações no decorrer das aulas de Educação Física. Os procedimentos requereram várias aulas sendo realizados pelos professores da

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disciplinas, com o apoio da autora da pesquisa. Os avaliadores partilharam um programa de treino para estandardizar as condições de avaliação e codificação dos resultados, tendo adoptado a mesma sequência de aplicação das provas e organização das classes e ainda as mesmas fichas de registo, propositadamente preparadas para o efeito.

3.15. Análise de dados

Os dados foram introduzidos numa aplicação folha de cálculo Microsoft Excel onde foram verificados valores estranhos, com base na observação do número de observados, valor mínimo e valor máximo para cada uma das variáveis. Depois, foram exportados para a aplicação SPSS (versão 15) onde se procedeu à apresentação da estatística descritiva por sexo e grupo etário, separadamente para cada um dos sexos e série de dados (2007 e 2015). Para cada uma das idades procedeu-se à comparação entre masculinos e femininos nas dimensões morfológicas, aptidão física e questionários. Esta comparação recorreu à determinação da magnitude dos efeitos que corresponde à diferença das médias dos grupos a dividir pelo desvio padrão combinado (das duas amostras), sendo portanto uma relação entre a variabilidade entre grupos e a variabilidade dentro dos grupos. Seguiu-se a determinação da prevalência de normoponderais, sobrepesados e em risco de obesidade para cada um dos ciclos de estudo (Segundo ciclo do ensino básico, terceiro ciclo do ensino básico, ensino secundário) considerando o sexo. A análise foi repetida para determinar a prevalência de sujeitos que “precisam de ganhar massa gorda”, que possuem “valores aceitáveis de massa gorda” e aqueles que “precisam de perder massa gorda”. Por fim e igualmente por ciclo de ensino e sexo, determinaram-se as taxas de inaptos, aptos e bons nas provas de aptidão cardio-respiratória. Para cada um dos grupos etários (2º CEB, 3ºCEB, Ensino Secundário) e por sexo foram efectuadas comparações entre as médias das séries de 2007 e 2015 para o índice de massa corporal, estimativa de massa gorda, aptidão cardiorespiratória. Por fim, foi utilizada a regressão linear múltipla para identificar as variáveis correlatas (entre as que decorrem dos instrumentos de avaliação em Educação Física) das classificações às disciplinas de Portugês e Matemática, separadamente por ciclo de ensino. Esta técnica estatística parte de uma análise semelhante à análise de variância para saber se é ou não possível obter um modelo explicativo da variável dependente e, caso seja obtido um modelo significativo, foram apresentados os preditores informando sobre a significância e a tolerância (corresponde em saber se existem

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preditores correlacionados entre si). A estatística inferencial foi realizada adoptando um nível de signficância de 5%.

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Imagem

Tabela 3.1. Valores de corte para classificação do estatuto nutricional a partir do índice de  massa  corporal  em  crianças  com  idades  entre  os  2  e  os  18  anos,  definidos  por  Cole  et  al
Tabela  3.2.  Valores  de  corte  para  classificação  dos  valores  de  percentagem  de  massa  corporal em “precisa ganhar massa gorda”, “composição saudável” e “precisa perder massa  gorda”, recomendados pela bateria FITNESSGRAM
Tabela  3.3.  Coeficientes  necessários  para  a  utilização  do  método  Khamis-Roche  com  o  objectivo de determinar a estatura matura predita – sexo masculino
Tabela 3.4. Coeficientes necessários para a utilização do método Khamis-Roche com o objectivo  de determinar a estatura matura predita – sexo feminino
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