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2
1I'Ibllnii
��--�-�---�
muito
marketíng,
_""
�
pOUCO público
A
arte
precisa
de
tema
ii
A
realização
da 23ª BienalInternacional de Artes deSão Paulodemonstrouum
aspecto
muitointeressante.Apesar
dogi
gantesco
aparato
depropaganda
planeja-�
elo
p;rradivulgar
o evento, as artesplásti
:�
casnão
conquistaram,
pelo
menosnoBra-,
...�
sil,
o interesse deumpúblico amplo
edi-:;
versificado. Todas as demais artes conse:t
guiram
alcançar
esseobjetivo.
Qualquer
3
6J.mç
deterceiracategoria
leva às salas decinema
milhões
deespectadores.
A exposição
dealgumas
obras do escultorRodin,
realizadaoano
passado
noRiodeJaneiro
e
São
Paulo,
foivisitada
por cercade ummilhão depessoas,durantepouca mais de
trintadias.
Já
a bienal deste ano, realizada numacidadede dezesseis milhões de habitantes
aberta das nove horas da manhã à meia
noite,
durante dois meses, contabilizou apresença de
aproximadamente
quinhen
fãS"fiiiIpêSsoaS. É
umpúl5llêÕ'iri"isóiiO
emtermos
comparativos
comapopulação
deSão Paulo e
desanimador
emcomparação
com a,
população
do Brasil.XStQ
é urnª,ç1�a
eVidêrtGia
de
qlJ.ç
asa.tt¢S
plástiêas
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A. Ptai'
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H11m
grupo restrito,
seleto
eespecial,
caPaz
dedecodificar
acomplexo
simbolismo das•
,Illensagens,
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aforça.
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CQtl-'.•,...'.�.'Wlª-."YI$
ço de tra
A
complexidade
quecerca as artesplásticas
nestefim de sécu lopode
servislumbradanotamanhodos textosusadospelo
presidente
daFundação
Bienal de SãoPaulo,
Edmar CidFerreira,
epelo
Curador da 23ê BienalInternacional,
Nel sonAguilar,
paraexplicar
o tema central do evento: a desmaterialização
daobra deartenofinaldo milênio. Foramcentenas e centenasdelinhas,
dezenas de entrevistas em todos os meios decomunicação
para esclarecer o que vem a ser uma obra de artedesmaterializada.
Em uma das suas muitas
entrevistas,
concedidas durante osdois meses de funcionamento da Bienal
- 5 de outubro a 8 de de
zembro
-, Nelson
aguilar
revelaquea
desmaterialização
pode
ser"tanto o movimento que leva a arte a se afastar das referências
naturalistas
(Goya
desenhando homensvoando,
porexemplo)
quanto as correntes para asquais
a idéiaque está por trás de umtrabalho é mais
importante
queaobramaterial.Ao colocar este tema como fio condutor da
bienal,
Aguilar
demonstraque gostamesmodacontrovérsia. Em
1994 eletevequese
esforçar
muitoparaexplicar
o temaproposto da 22ê Bienal
-acrisedosupor
te
-ao mesmotempoemqueasobrasselecionadas
expostas no belo interior do
prédio
dafundação
contrariavam,
com rarasexceções,
as suas propostas. Este ano ele incorre na mesma contradi
ção:
muitotexto, poucasobrasrepresentativas
dotemaproposto, muita
tradição
equasenenhuinspiração
naseleção
dos trabalhosrepresentati-vos da artecontemporânea.
Toda
exposição
de arte,com-urnatemáicadefinida,
quenecessitade muitas
explicações,
de abundantes reflexõesteóricas,
demanual detalhado para orientar a
leitura, paraintroduzir
no espectador o
objeto
do prazerestético,
é deficierre. A obra de arte nãopode
ser consideradacomo umeletrodoméstico,
que necessita deummanualpara
explicar
todosos detalhes doseufuncionamentoe do seu uso emsituações
específicas.
Mas foi
algo
muitoparecido
com istoque ocorreu em torno do temaproposto paraestabienal. Adesmaterialização
da obradearte no fimdo milênioéumapropostaderivada da crítica de arte
norte-americana
Lucy
Lippard,
apresentada
no livro SixYears: TheDesmaterialization
of
theartobject, publicado
em 1973. Nestaobra,
Lippard
reúne umconjunto
deensaios sobre artistas que, nasuaopinião, contribuiram
paraodesenvolvimento do tema nas Américas, Europa,
AsiaeAustrália. Na AméricadoSul,
só aArgentina
foimencionada.Desta
forma,
Mrs.Lippard,
e o seu leitorretardatário,
NelsonAguilar,
deixaram deladoo eixoRio-NewYork, ignorando
olimpi
camente Marcel
Duchamp
e Hélio Oiticica.Segundo
Carlos vonSchimdt,
diretoreeditor dojornalArtes, foiDuchamp, francês,
semteoria,
textosexplicativos
oumanual deinstrução,
transformouumsecador de
garrafas,
um urinol demictório em obra de arte. Estegesto, há 80 anos,
antecipou
adesmaterialização
quelucy Lippard
sistematizou em 1973 eNelson
Aguilar
apropõe
como tendência em 1996.'
Neste fim de
século,
ignorar
apropostacolocadaporDuchamp,
ouporHélio Oiticicanos anos 50 énomínimo umaatitude estra nha e
inexplicável.
E o mais curioso ainda é chamaratenção
dopúblico
paraos nomesconsagrados
deGoya,
Munch,
Klee,
Figari,
comoseelesfossemostípicos
representantes da bienal.Paraoartista
plástico
Carlos vonSchmidt,
vincular esses nomes à desmaterialização
é"subestimarainteligência
doespectador. Goya
temtanto a vercom a
desmaterialização
quantoHyeronimus
BoschemJardim
das Delícias. Istoé,
nada".Dos nomes
consagrados
que serviram paraatrair o
público
àbienal,
somentePablo Picassoe
Andy
Warhol desmaterializaramoobjeto
artístico.
Mas,
nas salasespeciais
deambos,
não foiexposto nenhum trabalho
representativo
dessatemática. Schimidt
explica
que foi nolixo,
nasucata, quePicasso foi buscar material para sua
desmaterialização.
Cabeça
detouro, ajunção
deum selim e um
guidão
debicicleta,
meninapu-lando corda,
assemblage
com uma cesta velha.. e outrasobrasemque reuniumateriaisdiversos,
sãodesmaterializações
autênticas.
Andy
Warhol,
por sua vez, nãoprocurou
no lixo sua fonte deinspiração.
Foi'buscá-las nossupermercados.
Asla�as
de sopaCampbell's,
as caixas desabãoBrillo,
asgarrafas
�e
�ep�
ao
natural,
nãoas
pintadas
nastelas,
sãoexemplos
dedes�aten�çao
bemsucedida. Ao reunir esses bens de consumo e assimassumindo-os
como
objetos
artísticos,
Warhol deu continuidadeadesmaterialização
inicia-dapor
Duchamp.
.Nas salas
especiais
de Picasso eWarhola.opo��de
para.mos
trarosverdadeiros
exemplos
dotemadesta bienalnaofOI
aproveitada.
Osretratos de
Mao,
Marilyn,
LizTaylor,
ostorsos)não.
representem;
a
desmaterialização.
Os trabalhos aóleoe,desenho
dePIcasSO tambemnão. A
desmaterialização
só foiencontradaentre umaobra�
outra,,?-O
interiordo
amplo prédio
�
Fundação
Bien�.
emal�as
mstalaçoes
e na
expressão
deespantoce um ououtro VISItante incauto.
A obra
de
arte
não
pode
serconsiderada
umeletrodoméstico
CAAV
Pela
segunda
vez o cursode
jornalismo
da
Universidade
Federal de
Santa
Catarina
faz
a cobertura
da Bienal
Internacional de Artes de São
Paulo. Tal
empreendi
mento
exige
umasérie
de
decisões)
nemsempre
acertadas.
Como)
por
exemplo, qual
amúsica
a se
ouvir durante
avia
gem.
O único
consensofoi
manter os
alto-falantes
desligados.
Nos
cincodias
emque
a
equipe
de
ZERO esteve na
capital
Paulista,
nem
tudo
foi
trabalho.
Antes
fosse.
Entreasm.
de
24 horasde ônibus
entre
ida
evolta)
ojeito
foi
procurar
amelhor
maneira de
se manter emeio
aosmosquitos
do
alojamento
e ao custod
vida
paulistano.
Até
próxima
bienal)
é claro.
,
encontramoswua
pingüin,
r.
ção
daSaritaCeia
out¥RsÚJlbolo
:so,
em.outro, talvez Utnaobraor'.
Tintoretto,
DaVinci,Rubens,
'l\e.Q.oir,
(,Van
Gogh.QU
Mondrian. O queexiste
em.
comum nesses ambientes é o cultivo
da
arte, do
ícone,
darepresentação,
na vida,"
humana.
...
Então por
que
,as artesplás1:icas
não;
são consideradasimportantes
dentro da'•
tos
humanos,
nas'convoc".
'sações
cotidianas,
riasesco oclos os
..
Pettres,
CarolinaHeinen,
Eduardo BurckhardtMontagem:
Gladinston SilvestriniPlanejamento gráfico:
Pablo ClaudinoSupervisão:
Prof. CarlosAlbertoAdi VieiraRedação:
Curso dejornalismo
(UFSC
-CCE),
TrindadeFlorianópolis/SC
- CEP38040 - 900JornalLaboratório do Curso de Jornalismo da UFSC
..
Arte: Carolina
Heinen,
IvanJerônimo,
Romeu Martins ..,Edição:
AlessandroBonassoli,
AlexCunha,
CarolinaHeinen,
EduardoBurckhardt,
G/adinstonSilvestrini,
JoséLacerda,
MichelleAraújo,
MicheleOliveira,
RenataLago,
Tatiana Ramos
'
,
.
,.'
¢du,c:ar
�j··rt���
através de
mat��i;1$ curl"i���
qp��gª't<)i'
:",::
Fias eredirecionar.a$
políti�
qÇ)s.;����
./' museus em
direção
a umttab�Q
mru8
,f.,.
�
efetivojunto
àpopulação.
Editoração
eletrônica: EduardoBurckhardt,
G/adinstonSilvestrini,
JoséLacerda,
MicheleOliveira,
RenataLago,
RomeuMartins
Telefones:
(048)
231-9490e 231-9215Telexe fax:
(048)
234-4069 Fotolitos eimpressão:
A NotíciaDistribuição
GratuitaCirculação
Dirigida
Fotógrafos:
AndreaMarques,
Carolina Heinen, EduardoBurckhardt,
DanielBúrigo,
Omar PaludoLaboratório
fotográfico:
AndreaMarques,
BárbaraA
melhor
ediçjão
da
história
!
Nunca
o
Brasil reuniu tantos estilos
e
tendêncíéjÍ$
da
arte.
Saiba
como
oevento
foi
organizlIdo
,
A
Bienal
surgiu
de uma idéia do empresário
paulista
CiccilloMatarazzo,
emmeados de 1950. O
objetivo
era,
fazer de SãoPauloumcentroartísti
co
mundial,
colocando aprodução
brasileira em contato com a arte internacional. A
primeira
exposição
aconteceuem 1951 erecebeu obras de21
países.
Hoje
na23a. edição,
aBienal sofreuprofundas
modificações
ereuniu 135 artistas de75
países.
Cada
exposição
temum temaespecí
·fico para discussão. O deste ano foi a
,�'desmaterialização
da obra de arteno fmal
-do
milênio",
que resumindorapidamente
-visa dar ênfase à idéia do trabalho e não à
-obra material em si.
Assim,
a artefoge
donaturalismo.
A
expectativa
daorganização
erareceber cerca de 600 mil
visitantes,
mas até oúltimo dia 400 milpessoas haviam
passado
pelos portões
da Bienal. Não que/e�a
tenhasidoum
fracasso,
mas,pelo
contrano, arrecadou
US$
5milhões,
cerca deUS$
1 milhão amais do queo orçamento
previsto.
Mas por que a 23a.
edição
foiconsi-�ierada
amelhordos últimos 45 anos? Simplesmente
pelo
fato deque
nunca havia sereunido tantos artistas
importantes
em umsóencontro. Pablo
Picasso,
EdvardMunch,
Paul
Klee,
Andy
Warhol,
Francisco deGoya,
Cy Twombly
eAnishKapoor
sãoalguns
dosnomes
presentes
nestaexposição.
/ Tantas "estrelas"
juntas proporciona
ram também
rigorosos
cuidados. Umdelescom
relação
à segurançao No"Espaço
Museológico",
onde ficaram as obras maiscaras o número devisitantes eralimitado
-,
.
735 pessoas por hora. Para evitar
transtor-nos, o acesso ao
público
a esta área só foipossísel
comhora marcada,Outro cuidado foi com a
climatização
Opróprio
cenário daBienal,
o Pavilhão dofbirapuera, já
é uma obra de artedo
ambiente,
já
que o calor e aumidade-Arcoda
Histeria,
obrade LouiseBourgeois
I Have a
Dream,
SvendWiig
Hansen
....
-próprios
do climatropical
-poderiam
dani:
ficar as telas. No interior do
"Espaço'
Museológico",
atemperatura
tinha queos:
cilarentre20°Ce 22°C
Já
aumidadedoarnã?
_podia ultrapassar
54%,
en�uanto
queai
mediana Cidade de São Paulo ede 80%.
Este ano a
exposição
foi dividida emtrês
partes,
cada umaocupando
um andardo
prédio
daBienal,
situado no parque doIbirapuera.
No terceiroandar,
ficaram as"Salas
Especiais",
que também incluíram o"Espaço
Museológico",
uma caixa-forte de�,12p.m2
que concentrou 265criações
milionárias. Se todas as obras fossem vendi
das;
arrecadariamUS$
425milhões,
o que danapara realizar 35 bienaisiguais
aestaquecustou
US$
12 milhões.'
A
parte
mais tradicionaldaexposição,
as
"Representações
Nacionais",
ocupou osegundo
andar. Dos Estados Unidos à Sabá(Antilhas
Holandesas),
75países
foram repr�e?tados,
cadaumporumartista,
com oobjetivo
demostrarasobras de maneira maisorganizada.
Nos outros anos, aparticipa
ção
não era limitada.Novidade mesmo foi o setor "Un i
-..
versalis",
SItuadonoprimeiro
andar dopré
dio.
Nele,
42 artistas devanguarda
foram
divididos em sete
regiões
/-
Brasil,
Africa/
Oceania,
AméricaLatina, Asia, CanadájEs-
• tadosUnidos, Europa
Ocidental eEurope'
Oriental. O
objetivo principal
eradebatera�
arte
contemporânea.
A BIenal à distância também foroutra
inovação
Quem
nãopôde
comparecer pessoalmente à 23a.
edição,
teveaoportunida
de de conhecê la viaInternet.
Enfim,
só nãoviu a
exposição
quemnãoquis.
E não sabeoque
perdeu,
afmaldecontas, Bienalagora'
só
daqui
a dois anos.:,
José Lacerda
Renata
Lago
'11
Hienal
é.
uma
aula
, ,,
Química, Física,
História. Escolha
oseu
tema
favorito
noacervo
Os dados
apomam:
80%dos visitantes dessa
edição
daBienal Internacional de São
Paulo tinham menos de 30
anos. Um dos fatores que
ocasionouessenúmero foi a
presença de diversas escolas
no evento. Um fato 11llpor
tante,
já
que as obras da exposição
são aulas de arte na,prática.
Mas seriam só de arte?
Claroquenão.ABienaltam
bém ensinaoutras
disciplina,
deumamaneira diferente. Foi
por ISSO que a
organização
elaborou umprograma
especial
para escolas. Para nãohaver
dúvidas,
todas oscolégios
tiverammonitores
disponíveis
paraexplicar
asobras. Além
disso,
os alunos de escolaspúblicas
de Io, e 20. graus nãoprecisa
rampagar
ingresso.
A Bienaltambém estámuito cotada para "cair" nos vestibula
res,
principalmente
9s de São Paulo.ArteFísica
-Óptica,
eletricidade,
acústica. Essas são
algumas
daspossíveis
aulas defísicaqueovisitante conhecenes
ta
exposição.
O venezuelano[esús
Soro,
por
exemplo,
sempre utiliza a ilusão deóptica
em seus trabalho.Já
ChristianLemmerz mostrana
prática
que a resistência elétrica
equivalente
é a soma das resistências elétricas das
lâmpadas.
A
nipo-brasileira
Tomie Ohtake discute o
equilíbrio
em todas as suas instalações.
Em umadelas,
o centro demassaestáabaixodopontode
suspensão,
oqueconfereà obrauma
situação
deequilíbrio
estável.No entanto, é Anish
Kapoor
que trabalhacomduas áreas da físicaao mesmo
tempo:
aóptica
e a acústica. Uma das esferasespelhadas
vista de um lado apresenta umespelho
convexo-que forma
imagens
virruais,
direitas e reduzidas. Por outroângu
lo,
oespelho
é côncavo-e tem como resul
tado
imagens
reais,
invertidas e menores.Caso a pessoa emitasom na parte côncava
daobra acontece uma
amplificação,
que se
dá
pela superposição
do somprincipal
comorefletido.
pos
quadros
àsinstalações;
aquímica
tambem sempre estevepresente nas obras
seja
nas tintas dastelas,
no mármore eno
bronze das esculturas.
Aliás,
a artista francesaLouise
Bourgeois
costumautilizaroúltimo material na maior parte dos seus
tra-A física aparece nos trabalhos de
AlJish
Kapoor
(Sem
Título)
t·
;1
---,---
--,----jOO,i�---'
balhos. Arco da HisteriaeAranbasão
feitos:
de
bronze)
liga
constituída por cobre(Cu)
eestanho
(Sn),
cuja
união émetálica,
ondeíons
positivos
são envoltos por elétrons.Historicarte - Retratando
personali
dadesemdeterminadas
épocas, Andy
Warholéum dos artistas quemais utilizaa história em seus
quadros.
Mao é umdosprincipais
exemplos.
O líder daRevolução
Chinesa,morreuhá20 anos,mas continuarendendo
comentários.
Em I have a
Dream,
odinamarquês
Svend
Wiig
Hansen remonta um tema re cente dahistória,
opreconceito
racial nosEstados Unidos. O
quadro
éinspirado
nOJlíder
pacifista
Martin LutherKing,
assassi-nadoem 1968emostraumnegro
abraçado
a um branconaparte
central da tela. IO mais "histórico"dos
artistas,
no entanto,éo
espanhol
Francisco deGoya.
Criti�ando
a nobreza�
o clero de seupaís,
opmtor reflete arealidadeda
época
das rcvoluções
burguesas
-séculos XVIII e XIX
-,
período
em que viveu.' "
José Lacerda
Ailusão de
óptica
de Jesús Sofade arte são apenas prazer estético e apre
senta uma utilidade a elas com "os rituais
de
proteção".
Os trêsquadros
eram destinados a um
paciente
eforam confeccionadosde acordo com a
doença diagnosticada.
Proteção
para terça,
Proteção
para
quarta'?
eProteção
para
sextasintetizamrituais decurae ensinam passo a passo os caminhos para
livrar-se de todos os males.
A
o observar as obras dos seis artistas
representantes
daÁfrica
eOceania,
tem-sea
impressão
deestar inseridoem outro espaço, em outro
tempo.
O que provoca essa
sensação
são as corescontrastantes,com o
predomínio
dovermelho,
que desenhandofiguras geométricas
lembram
inscrições
de tribosprimitivas
encontradas por
arqueólogos.
O trabalho de Francina
Ndimande,
artista de
Johannesburgo,
foiproduzido
naprópria
parede
de uma das salas destinadasaosdois continentes. O
painel
éoresultadode um
tipo
depintura
decorativa para muros e
paredes
que�
artistad�envolveu
em sua terra natal. E um festival de coreschapadas
sobreumfundobrancocomdesenhos de
losangos
equadrados.
Já
Cyprien Tokoudagha
trouxeàBienalobras que enfatizam acultura e os elemen
tos místicos tribais. Ele une corpos huma
nos com o de animais edamistura surgem
guerreiros
como"Awoguinomie",
"Ayefodo"
e
"Zangbetolegha".
Nesseúltimo aparecemtambém
toques
defeitiçaria, quando
umdragão hipnotiza
o chefe tribal. Para a escultora Priscila Gorzoni os trabalhos de
Cyprien
lembram muito o candomblé e ofolclore brasileiro.
Cartão Postal - Os
órgãos
sexuais sãoo
popto
forte deoutro artistarepresentante
da Africa e da Oceania. Para Fréderci
Bouabré todos os animais e até insetos são
dotados deenormes
pênis
evaginas.
O trabalho é feito a
lápis
e acanetaesferográfica
sobre
papelão
e é entitulado Sementes daVida.Asériese
compõe
de23 desenhosque
trazem de forma
grotesca
ainsignificância
das
relações
sexuais.Cachorros,
lesmaseelefantes
aparecem compênis
e transamextasiados.
A
inspiração
de Boubré não está apenas no sexo. O artistaretrataosastrosetam
bém sinais e elementos da natureza. Cada
desenho,
feito em pequenos cartões de papelão,
é cercado por umalenda,
muitas vezescoloridaporuma cruamalíciaquetenta
restituir à cultura africanasua
justa
dimen são.Enquanto
Boubré utilizaopapelão
pararegistrar
sua arte,John
Mawandjul
faz dacascafibrosa peçachave da
exposição.
Seusquadros
sãoproduzidos
sobreesse materialepossuemum mesmo tom ocre. Retratam
de forma abstrata
representantes
da triboYaukYauk
Fins
terapêuticos
- No trabalho deGédeon oselementos tribais são pouco uti
lizados. Ele
prefere
compor o emaranhadode desenhos com cores neutras e
traços
duplos
que aumentam a tensão dos motivosentrelaçados.
Gédeon tentadesvendaros segredos
da cultura islâmica e aborda nessaspinturas
oconflitoentreobeme omal. Paraomatemático Nelson Arbacho trabalho do
artistatemum
significado especial.
"Eleconseguiu
sintezar a olho nu ageometria
dosfactrais. Os "rabiscos"passama
sensação
dedesintegração
ede vidroquebrado".
A geometria dos fractais
analisa,
porexemplo,
porqueos cacosde vidro tomamformas es
pecíficas depois
queum copo sequebra.
Gédeon contrariaaidéiadequeas obras
Quando
o
primitivo
é
contemp�râneo
Herança
de ferro - Todas as obras trazem
algo
dopassado
autoritário vivido pelos autores. Kabakovrecria ambientes
típi
cos do estado soviético para servir de su
porte
avídeos,
ilustrações
etextos.Talcomoos doisconsultórios médicosqueconstruiu
para a Bienal de São Paulo. Ambos tinham
uma
espécie
degabinete
fechado,
no centroda
instalação,
Nos corredores formados aoredor,
o russoexpôs
desenhos e textos" àsemelhança
destory-boards.
Kabakov é um dos
representantes
dachamadasoc-art, grupo de artistas que tra
balhacom os símbolos do comunismo e do
estado soviético. O ultra-realismo destestra
balhos é uma crítica ao estado socialista e seu
tipo
de realismo oficial nas artes. Aomesmo
tempo
procura superar a arte deoposição
aoantigo regime,
queeraabstratapela
necessidade de falarnasentrelinhasparafugir
àcensura.Na mesma linha do russo está
Ojars
Petersons,
da Letônia. Conhecidopelo
usoArtistas do
continente
africano
eda
Oceania mostram
variações
de
cores nasobras
expostas
naBienal
Pronúncia distorcida e amabilidades são a melhor
estratégia
paraconquistar
omundo,
segundo
Peter RobinsonUltra-realistas,
graças
a
Deus
Dentro dacasade
tijolos
malacabada,
amulher achou a
comparação
inevitável. "Qqueo
projeto Cingapura
tá fazendoaqui?".
Nada a ver com as casas
populares
do prefeito e
presidenciável
Paulo Maluf. A obrachama-se Casa em
construção,
deMarjetica
Porre,
expositora
daseção
dedicada à Europa Oriental. Mas a
pergunta
da visitantepaulistana
dá'tm bom conceito daarte/c�m
temporânea.
E como promessa depolítico.
Uns acham maravilhosa.
Outros,
umagrande
enganação.
Artistas ou
enganadores,
a curadorahúngara
KatalinNéray
procurou trazer doantigo
bloco comunista quem melhor representasse
a�ansiçã�
política
por queI?as
saram esses paises. Ha
alguns
anos, muitosteriam
nacionalidades
diferentes. O russoIlya
Kabakov,
aeslovênaMarjetica
e o letãoOjars
Petersons seriamsov�éti�os.
Otchec,o
Milan
Knizák,
tcheco-eslovaqmo.
AHungna
de Péter
Forgács
e a Polônia deZbignie,:v
Libera não
provocaram
mudanças
na certidão de
nascimento,
mas amudança
do comunismo para um
capitalismo
.tardio
nãofoi menos drástica que no resto da
região,
constante dacor
laranja,
procura ironizar aimponência
dototalitarismoc0t?unista'/Na
Bienal
apresentou
oArco doTnunfo
M(JVel,
uma peça de madeira sobre
quatro
r?das
semelhante a um arco romano.
Laranja
dearderos
olhos,
é claro.'Maior que a média
-Especialista
emirritaravisão foio
polônes
Zbigniew
Libera. Nada menos que
quatro
trabalhos dele estavamexpostos.
Entreeles,
uma parafernália
parecida
com umaparelho
d�
musculação,
in tirulada UniversalpenH
expander.
O artefato chamava menos atenção
queo cartazcolocado ao lado. Um modelo nuexibindo
pênis
de tamanhodespro
porcional
-suposto
rgsultado
dos exercíciosdo
aparelho.
.'
Completavam
o,digamos,
lado escurode
Libera,
550supositórios
empilhados
eum vídeo quemostravaumadoentemental
girando
umpenico.
No último trabalho opolônes
não foimenosagressivo,
mas mostrouque também sabeusardesutileza. Cai
xas de
lego,
obrinquedo
demontagem,
consrruindocenas decampos de concentrá
ção
nazista.Abatedouro- Outro
quechamou aten
ção
foiohúngaro
Milan Knizák.Trouxeparaa
exposição
um porcoempalhado,
colocadodiante de cenas de
esquartejamento
de outro porco na televisão. Ou
melhor,
de um"desesquartejamento",
já
que o vídeo eraexibido de trás parafrente. A
primeira
vista,
as cenas causavam certo desconforto,
O
"projeto Cingapura"
deMarjetica
foi vítima de um acaso irônico, Fechada
parao reparodeuma
placa
demadeira quese soltara no
interior, alguns
acharam quea arte da obra era olhar
pelos
furos dostijolos
dasparedes
externas.Muitos saíamdizendo ter visto um maravilhoso efeito
ótico. Caso voltassem no outro dia e des
sem com a casa
aberta,
quem sabe não sesentiriam redondamente
enganados.
Gladinston Silvestrini
Tatiana Ramos
Fernanda Zachi
Ataque
estratégico
- O neozelandêsPeter Robinson se destaca entre os demais
porsuaarte
contestadora,
mas comboa dosede humor. Robinson é descendente datri
bo
maori,
etentaem suas obrasresgatar
umpouco avida do povo e desfazer
alguns
estereótipos,
como o envolvimento deste naáreade economiae
política.
Seus trabalhosprocuram criticar a sociedade de consumo.
Em
Strategic
Plan,
onde em umpainel
preto ele ensina doze
estratégias
paraconquis
tar o mundo.
Abaixo das "dicas" colocadas caotica
mente, escritas em
inglês,
há uma série decomentários que sóé
possível
compreender
depois
de muitoesforço.
Umalíngua
completamente
estranha: "kawmo se deesh'3,125%
maori' aynPoortoogaysh?
". Ouseja,
Robinson quer saber "como se diz'3,125%
maori" emportuguês".
Nesta frase ele faz uma referência a
porcentagem
de'sangue maori que
possui
e quejá
foi basepara outro
trabalho,
chamadodePercentage
Painting.
Em
Strategic
Plan ele fezquestão
dereproduzir
umclimabélico,
que vai além dos
mini
tanques
de guerra colocados em cimadamesaonde está o mapa mundi. São ara
mes
farpados,
imitando cercas de alta tensão,
erádios transmissores de ondesurgemruídos e vozes difíceis de ser identificados.
Algumas "estratégias"
deRobinsonsão:"dar segurança aos nativos')
fingindo
nãoconseguir
imitar apronúncia
desualíngua,
dirigir-se
sorridentementeaeles,
elogiando
sua terra natal e convidando-os a conhecer
seu
país.
Outra dicaparaconquistar
o mundo é
começar'
oataque
por São Paulo e depois,
partir
para Berlim.Nãopor coincidênciao
tanque
debrinquedo
naregião
doBrasilé
branco,
enquanto
todos osoutrossãopretos.
Mas,
eles possuem em suas laterais onúmero
3,125%,
abrincadeira incansáveldoartista.
Veja
com os dedos - Umaobra para cego ver. O artista sul-africano Wilian
Boshoff
simplesmente
não dáimportância
à visão e faz do trabalho uma crítica ao racismo em seu
país
deorigem.
Acredita-quea
valorização
excessiva dadaaoatodeenxergar é
t
causadosproblemas
raciais naÁfri
cado Sul. Por
isso,
trouxe à Bienalgrandes
caixas com
tamp1S
embraillequeescondem
suasesculturas. Edifícil
observar
otrabalhoesómesmo umdeficientevisual
consegueria
decifrar as peças. A
exposição
nãopoderia
ter outro nome Blind
Alphabetic
(alfabeto
para
cegos).
Apenas
umdetalhe,
umaplaca
indicavaDon't touch ou melhor Não toque.
Na verdade o trabalho de Boshoff era um
verdadeio mistério.
Michele de Oliveira Michelle
Araújo
Libera
geral:
polonês
apresentou
obras como ossupositórios
e openico giratório
_ __ .��.� •._�,.,.",�_,,,,���,,, __ ,,,����__,,,_"''''''',�''''''_'''_''''__�.�_''__.�.""__" _.� ,_o. ,_ ,_ ._.n ,� �_ __�".��.'�� ·. .".�-_"����� "__
Waltércio Caldas foiumdos brasileiros
presentes
à bienalInlv'''IIII.,..,.,..,.,.,.
__��__""""""", _A
invasão
do
american
way
of
art
o
país
que
participa
da
exposição
com omaior número de
artistas mostra umaarte que varia do
consumista aoirracional
'Estrelas de Sol Lewittomaram-se marca
registrada
desta bienal---c
oca-cola,
Me
Donalds)
Hollywood)
tshirt) short)
shopping)
ticket)
outdoor. Take it easy)baby) pois
a culturayankee
ésemprereconhecida hodia-a-dia dos
brasileiros,
das coisas mais simples
às maiscomplexas.
Mas serápossível
identificar
ad
arte "estado-unidense" numaI
Bienal? E
sim,
afinal de contas não équal-quer artista queescreveamarca
"copyright"
numa
obra,
comoJean-Michel
Basquiat;
coloca astros
hollywoodianos
emquadros,
como
Andy
Warhol,
ou aindaretrataídolos dorock,
comoElizabethPeyton.
Os Estados Unidos tiveramamaiorre
presentação
daBienal,
com 10artistas,
quetêm em comum a
contemporaneidadc,
Sóparaseteruma
idéia,
aobramaisantiga
daexposição
norte-americana éZyxig
do artista
CyTwombly
edata de 1951.Primeiro mundo na
periferia
- O setorUniversalisreservoua
esquinamais
afas-.
tada
noprimeiro
andar para Estados UnidoseCanadá. As poucas pessoas que passa
vam não
conseguiam
se deter àsobras,
as vezesinexpressivas.
Deoriginal, pode-se
salientar a
instalação Flowers,
de KathleenSchimert. Diversasflores feitas de fitacrepe
estavam
dispostas
emumaparede
lembrando crateras lunares.
Jim
Hodges
tambémusaflores - de seda
-emsua
instalação
(sem
título).
Costurando uma auma, fezuma enormecortinaco
loridatentando recriar anatureza. Esta ca
racterística é marcante na obra On ffi
Go,
que imita uma teia de aranha usando uma
corrente banhadaàprata.
Já
quesefalaemnatureza, aúnica instalação
deJennifer
Pastor trabalhacom a degradação.
Acriação
(sem
título)
consiste Iern.urn
grande
milheirodeplástico
com esI I
pigas
descascadas. ElizabethPeyton
abordaoutro tema. A única
pintora
norte-americana naUniversalis faz retratos de
personali-dades, geralmente
cantores derock,
comooex-líder do
Nirvana,
Kurt Cobain.Omais inusitado
expositor
dos Estados Unidos é Tom
Friedmam,
cujas
obrasparecem feitas por artistas diferentes. Des-.
de um minúsculo homem de
isopor
(sem
título)
à foto de um alfmete emDarkroom,
passando
por umcírculo de areiacom umabolano meio
(Dust
ball),
Friedman mostraque
pode
se fazerarte commateriais do cotidiano.
Aos24anos,
Julie
BeckertrouxeàBienaluma
criação
interativa e até mesmo metalingüística.
Ressearches, residents)
aplace
to restapresentatrês
estágios.
Primeiroo observador vêo
projeto, depois
aminiaturada instalação,
para finalmente conhecer o trabalho em si. Pena que o
objetivo
inicial emque o visitante
podia
mexer naobra - nãotenhaseconsolidadopormotivode
desgas-te dos materiais.
'-'
Súnbolo da Bienal? - Sol LeWitt é o
nomedosEUAnas
Representações
Nacionais. Eleéocriador dachamada "arteconceitual",
naqual
oartistapensaaobrasemnecessaria mente executá-la. A idéia de LeWitt para aBienal foi
pintar
seteestrelasdepontas coloridas em 300 metros de
parede.
Mas quemcolocouamão namassa, ou
melhor,
natinta, foram oito artistas brasileiros.
Com uma
sensação
detridimen-'
sionalidade,
aobrafoitomadapela impren
sa e até
pelos
visitantes como um dos símbolos da Bienal. Prova distofoi a venda de
camisetas
cuja
estampaeraumapartedainstalação.
Quem
nãoadquiriu
umarecordação
da
obra,
perdeu
aoportunidade,
pois
paranãofugir
dotemadaBienal,
asestrelas de LeWittvão para o espaço. No fmal da
exposição
aparede
foi novanientepintada
de branco.Renata
Lago
José Lacerda
/
1�
��p��i()d?s
outros artistas do terceiro
andar;
Jean-1fiche1
Basquiat
nãoga
i111.ºU·
�asaIa para expor
o seutrabalho;
e sim uma ruajá
q-ue suas setetelas foram
.��
•.
çtn
wn
<;�rredQt
..M,elhQr
assim,
Wis
a,pinturade
:B�ql.úat
sempre
foibaseada
. das.ru deNova York.
dy
pai
haitianoet)Jlãe
porto-riqueaha,
Basquiat
éO artistamais
novogas
.�.�. Especiais.
NascidoetIl.19óO,
��l7re
viveu
nos�etos
novaieiou
SUascriações
comografiteiro,
pintando
muros emetrôs
dacidade...
tcijdo
umbra�ó
aosoito
anos, oartista
nPncaseacomodoucom.estas�<1S
��ti3$
para
osquadros.
.'. '. '. .,'
,
é
Otra15hlho
quemais
chama
aatenção,
pois
mostraa
versatiliqade
�stuta
rabi sc¥acç(;�dSFicos
deçy
',iwQmbly
comelementos
fígura
t�:queintl\le
...Jean-�che1�.AnqyWarhol:Arml1ndHammer(1985)
00
(1984).
são duas
telasque!1zeratn
emparceria.
Osdóistrabalharam. a
!87·e
tinhamemeomumacríticaaoconsumismo. •.•... ,' ..•.. ','. ',',' '.,...•..•... 0.0." ,', _ ,•. 0.0 .. o"�
ê
1..1ô3.$
•,Comparado
aos.
artistas
norte-americanos dasSalas
E$peciais,
é.�
q�e
<l.presynta
omenor número
dy
tr�alhos
�Mas
nemporissO
émenos.
tedo
�ue
os�Uttos.
Tantoatéqu�
�rou
�lthe
ejáestâ
em cartaz noscinemas�ulo.
$m
�;Basqui<l.f;
dodiretor
J�lían
SCMabe1j
oat9f
Jeffrey Wr�ght,
Íll¥er.,
J;?
opintor,
Conto
a§�ela$
de
Jean-Michel
pettençel11
acoleções
particul�es,
Wright
es.
epessoalmente
naBIenalparaverostrabalhos reunidoseficouimpresSionado
coina
espiritualídade
das obras..Wright
isright,
já
.que
B.asquiatsó
pode
estarpresente
espiritll�ente
entrenós.
Ví�a
das?rogas,
mais precisamenteaheroína,
o artistamorreuem1988,
aos 28anos.Vai-seo arnsta, mas ficam-seas obras. Visãocontrastante
-Evangelista
transmite estavisão dos contrastes da Amazônia
__________________________
..:�:.;.R;.;.;;L.,.";.e;.J;,;.;.;L�.J;..._EP_=ar::..::a:...:s::_::u=as:::__::o::_b-=-ras=--:..,__;q�u_e_t_em_c_o_m_o�p_ei_·s�p_ec_t_iv�
:o�:��_�oulart
I ,,i
�o
minimalismo
brasileiro
Roberto
Evangelista, Geórgia
Ky
riakakis,
EderSantos, Flãvia
Ribeiro,
Nel sonFélixeArthur Barrio foram escolhidospara
representar
o setorbrasile�o
daexP�
sição,
com obras queforamcnadas espeCialmente para a 23ª Bienal
Internacional
deSãoPaulo. Cada artistatransportou para as
obras a sua maneira dever arealidade.
OamazonenseRoberto
Evangelista,
porexemplo,
vê aAmazônia como umconjun
to de
imagens, lendas, ruídos, luz,
cheiros,
peles
epenas deanimais misturadosà ZonaFranca,
àindustrialização criminosa,
aodesmatamento,
aosleprosos
nasesquinas
deManaus,
àdesaparição
denações
indígenas.
acurado homem
contemporâneo
pormeio daarte.Já
Nelson Felix volta asua obrapara abusca do
oculto,
daquilo
que éessencial,
daquilo
que nãosevê,
masque,noentanto, �é o que dá sentido as coisas. No seu traba
lhoparaaUniversalis eleavançaem
espe�-
�lação
sobreo mundoorgânico,
num carru-''
nho iniciadocomversões
ampliadas
deglârí
dulas do nosso corpo. Um
jogo
emque-a
figura
passacomo sendoumaabstração.
Foi num climadecontrastes e contra
dições
históricas que os artistas brasileiros
lançaram
novas luzes sobre apropost�
dominimalismo,
estilo comum por aquI entrefins dos anos 50 e meados dos anos60.
IIIVlN.111
7A
arle que
veio
da
repressão
Quase
fados
osartisfas lafino-americanos
sofreram
comregimes
eutoriténos
epassam
essaexperiência
em suasobras
�raziela
Sacco,
escultoraargentina
�
lexplosão
Ia
arle
asiálica
:'_
Máquinas, brinquedos plásticos,
neonscontrolados
porcomputador,
argila
e atéformigas
vivas foi o queYanagi,
japonês
de
Fukuoka,
trouxepara a Bienal. DaAsiavieram
também CharlieCo,
Cai Guoqi;mg,
r- Heri Dono eSoocheonTheon.
Yanagi,
nascido em1959,
se destacaentre os
jovens
artistasjaponeses
e é umdos mais conhecidos da arte
contemporâ
nea. Emboranos últimos anos tenha am
pliado
os métodos queutiliza,
seu interés�e
tem se tornado cadavez maisagudo
e
pronunciado, explica
o crítico TsutomuMizusawa.
E o caso do tratamentofigu
rativo
do tema"nações",
em The 'WórldFlág
Ant Farm(1990),
umacomposição
com
formigas,
areiacolorida,
170 caixasde
plástico
edocumentação
emvídeo,
nosquais
oespectador,
através dadestruição
das
bandeiras,
toma consciência do queocorre com as
nações.
Inseto
bem-humorado
- No caso dainstalação
Wandering
Position uma formiga é colocada dentro de uma moldura da
. aço. O desenho
é formado
pelos
rastrosde
rinta
deixadospelo
artista que segue astrilhas
do inseto. Aposição
artística deYanagi
é universal e ele se liberta o máximo
possível
dequalquer
restrição
parti
dária,
classistaou racial. Comoresultado,
sua obra apresenta traços de humor mor daz. Issoéinfluenciado
pelo
fato deYanagi
ter estudado nosEstados
Unidos,
apartir
de
1988,
quando
procurou dar a mesmaimportância
básicaaoJapão
e aos EstadosUnidos para sua atividade artística.
Cai
Quo
Qiang
- O artistaasiático éconhecido
principalmente
pelos
trabalhosem que utiliza
pólvora.
Aenormequanti
dade de
tempo
entre apreparação
da obra�s
poucossegundos
_em que a
explosão
acontece
proporcionam
umalembrança
única para o
espectador.
A sériede trabalhos com
pólvora,
que estevenaBienal,
édenominada
Project
for Extraterrestrials epode
ser entendidacomo umatransformação
súbita do espaço terrestre,expandido
por uma
explosão,
tornando-se um espaço'
celestial.l!
Cogumelo explosivo
-Qiang,
emsuacondição
de artistafigurativo,
tem umenorme interesse
pela
fumaça
causadapela
explosão. Segundo ele,
a nuvem em forma de
cogumelo
provocada pela
bombaatômica foi"amarcavisual doséculo
20",
"comumformato de beleza
heróica",
quesuperaaarte.
Planetscape
-a20th
Century
of
Mushrooms,
pretende
criar uma nuvemem forma de
cogumelo
por meio do usoda
pólvora
em umanação
nuclear. O trabalho em
exibição
na Bienal é diretamenterelacionado à obraeà The
Century
withMushromms
Clouds,
quefoi realizadoprin
cipalmente
no campo de testes nuclearesem
Nevada,
em fevereiro. A Bienaltrouxefotos de
Qiang
segurando
.pequenas nuvens de
cogumelos.
Já
Dome-Projectfor
de20thCentury,
acúpula
construída com bambu e lanternasrevestidacomfotos denuvensque porden
tro tem mesa e
cadeira,
refere-se àarquite
tura da
Renascença.
Utilizando lanternaschinesas,
aimagem
daRenascença
édesconstruída e transformada num espaço
festivosemnenhuma
conotação
cristãeondeo
espectador
éconvidadoabrincarcom umbaralho de nuvens e formas de
cogumelo,
por
ironia,
umremédio natural que proporciona eterna
juventude
elonga
vida,
interpreta
o críticoTsutomu Mizusawa.Barbara Pettres
os
naartistas convidados paraseção
latino-americanaexpôr
daUniversalis têm como caracterís
tica comum
pertencerem
apaí-ses que sofreram com ditaduras milita
res e graves crises econômicas. O artis
ta chileno Gonzalo Díaz
sofreu,
no começo de sua
carreira,
arepressão
do regime
de Pinochet. O cubano RicardoBrey
utiliza materiaispobres
em seu trabalho porque em Cuba "nunca se acham
coisas novas, está tudo usado ou que
brado". O
uruguaio
LuisCarnnitzer,
radicado nos Estados
Unidos,
a colombiana María Teresa
Hincanpié
e o venezuelano
José
Antonio Hernández-Diezcompletam
O grupo que se destacapela
vivência crítica daarte desmaterializada.
Diferenças
locais-O termo desmaterialização
foi utilizadopela
ativista ecrítica norte-americana
Lucy
R.Lip
pard,
em1968,
para descrevero processo de
transformação
da arte emsimples
idéias ou
ações
espontâneas,
tentandose
reintegrar
à vida diária. Os artistaslatino-americanos que fazem
parte
daUniversalis procuram atender ao desa
fio da arte
desmaterializada,
mas em seuspróprios
termos. Suas obras preocupamse em destacar a
diferença
entre suas diretrizes locais e a aldeia
global.
A vida em
países
sob ditadura militar incentivou muitos
artistas
a se engajarem
em formasideológicas
de artebaseadano
objeto,
paracontornar acen sura egarantir
circuitos viáveis para aexibição
dos trabalhos. Luis Camnitzerresponde
àdesmaterialização
com umaqueixa
sobre acondição
atual da arte.O
uruguaio
preocupa-se em defenderque avida e arte são
inseparáveis
e também deixar
implícito
que é umprisio
neiro
impotente
de suas ilusões. Em suainstalação,
criou um espaço que se comunica com o
espectador
como se fosseurna
fotografia.
Epreciso
olhar atravésde'uma frestaestreitapara
perceber
objetos arranjados
dentro de um ambienteque lembra um cárcere,
Como Camn
itzer,
Gonzalo Díaz também seengajou
desde cedo na lutapara superar as
limitações
desse discurso artístico. Através de
palavras
ou deobjetos
que repetem ahistória,
o chile-.no
propõe
o fim dasutopias
artísticasou
políticas.
Díaz procura usarobjetos
inanimados para dar vida ao seu discur
so. Um dos
aspectos
fundamentais doseu trabalho é a
utilização
de textos,palavras
e números em vez de cores eImagens,
A dimensão
tecnológica
do vídeofornece a
José
Antonio Hernández-Diez o elemento central de seu trabalho. Na.sua
exposição,
destaca-se a presença demonitores de TV colocados em embala
gens
plásticas
semelhantes aanimais,
emuma
representação
do animalpolítico.
Segundo
o artista, 'os materiaispobres',
em
oposição
aosdispositivos
tecnológicos
dosvídeos,
refletem "as profundas
mudanças
ocorridas naVenezuela,
mergulhada
numa grave crise econômica".
Lixo desolar - Ricardo
Brey
faz usodelixo ou sucata em suas
instalações,
fruto da atual
situação
emCuba,
para falarda rea.lidade desoladora do artista diante
das
condições
denossomundo.Apela
maispara o sentido do que o
olhar,
envolvendo o
espectador pelo
som oupelo
toque.
Já
para aMaría TeresaHincanpié,
emsuaobra UnaCosaesunaCosaesuna
Cosa,
o material ou o
objeto
tem maisimpor
tânciado queo sentido da peça encenada.
Para a
colombiana,
emdepoimento
àUniversalis,
a arte não é nem teatro neminstalação
e existe a "necessidade não daobra,
mas de sepôr
em evidência o seuprocesso: o corpo, o
tempo,
o espaço e aação.
Esses são motivos demais para euconfrontar meu trabalho. UnaCosaesuna
Cosaes una Cosaéo clímaxdo meu traba-· lho."
Antônio
Menegati
Netoo vietnamita Tran Tho foi um dos asiáticos mais mais
elogiados
da bienal---_._---,-_._---_._-_._.----_..- .__ .,--_ ...__.