PROGRAMA
DE
Pos-GRADUAÇÃO
EM
EDUCAÇÃO-
1vIEsTRADO
INTERINSTITUCIONAL UESC/UNOEsC
E"DOCENCIA
NO
ENSINO
sU1>ERIOR"
"EDUCAÇÃO
E
PERCEPÇÃO
AMBIENTAL:
0 olhar daComunidade
edo
Acadêmico”
Dissertação apresentada
como
requisito parcial à obtençãodo
graude
Mestreno
Programa de
Pós-'
Graduação
em
Educação
da Universidade Federalde Santa Catarina. .
Mestrando:
Clademir
RobertoDe
Bona
Orientador:
Augusto
César Zeferino (PhD)yflç
,....--z- _, z.-¬..-.___ -
UNIVERSIDADE
FEDERAL DE
SANTA cArAR1NA
CENTRO
DE
CIENcL¿›.sDA
EDUcA_ÇAo
PRDGRAMA
DE
Pos-GRADUAÇAD
CURSO
DE M;Es'mADo
EM
EDUCAÇÃD
“Educação
e
percepção
ambiental:
0
olhar
da comunidade
e
do acadêmico.
"Dissertação submetida
ao
Colegiadodo
Curso de
Mestradoem
Educação do
Centrode
Ciênciasda
Educação
em
cumprimento
parcial para a
obtenção
do
títulode
Mestreem
Educação.
APROVADO
PELA COMISSÃO
EXAMINADORA
em
28/02/2001Dr. Augusto César Zeferino
-
Orientador/UFSC
,~
Dr.
Roque
Strieder-
Examinador/UNOESC
W
Dr. Paulo
Femando
de AraújoLago
-
Examinador/ UÍFSC Dr. Ari Paulo Jantsch-
Suplente/UFSC
i Lucldlo Bianchettl
Coordenador
PPGE
Clad ir 0 erto
De
ona
Aos meus
pais,Aurora
De
Bona
e Orestes FranciscoDe
Bona
(in memoriun), por acreditaremem
meu
sonho
eterem
oportunizado a sua realização.Esta dissertação
somente
foi possível porque
contoucom
a ajudade
professores e amigos, listados abaixo:
Professor Dr.
Augusto
César Zeferino (orientador); Professora Dra. JoanaDe
Lazzari, Professora Dra. `Edel Ern, Professora Dra.Lea
Anastaciou, Professor Dr.Norberto
Etges e Professor Dr. Ari Paulo Jantsch (professoresdo
mestrado); Professor Dr.Roque
Strieder (pró-Reitor de Pesquisa, Extensão ePós-Graduação
da
UNOESC/SMOeste
e examinador); Professor Dr. PauloFernado
Lago
(examinador) e Elino
da
Silva (amigo).O
mundo
estápassando
por rápidas, profundas e incríveis transformações. Neste contexto,uma
pergunta a ser feita diz respeito ao custo social e ambiental dessas transformações `,
Através
do
presente trabalho, procurou-se, inicialmente, demonstrar quaisforam
asmais
importantes contribuiçõesda
Filosofia eda
Religiãona formação
do
pensamento
ocidental, ou,da
"visão demundo"
do
Homem
ocidental.A
partir dessas reflexões edo
entendimentodo
que
vem
a ser os"novos paradigmas"
e das contribuições destesparadigmas na formação
das "novas visõesde
mundo"
do
Homem,
chegou-se à Geografia, ciênciana
qual este trabalho se insere, e desta, atéo advento de
uma
das suas mais recentes perspectivas: a Geografía Humánística. Diantedo
intuitode melhor
compreender
como
ocorrem
as relações entre oHomem
eo
seu entorno natural ede
qual é o elo afetivo (sentimento topofilico)entre
ambos,
procurou-se confrontar a percepção ambientalde
doisgrupos
humanos:
ado
nativo (morador) e ado
visitante (acadêmico), dentrodo
contexto sócio-ambientalda
microbaciado
rioCambuim,
municipiode São Miguel
do
Oeste/ SC.
H
As
conclusões alcançadas neste trabalho permitiramcompreender
como
os agentes envolvidosobservam
epercebem
o
entorno natural,próximo
e distante, epoderão
contribuir para fortalecer os laços afetivos entreo
Homem
e a Natureáa.Também
pretende contribuirno
sentidode
proporuma
nova
metodologia parao
estudo
do
meio
(a partir deum
enfoquemais
humanístico -do
olhardo
nativode
um
determinado espaço lugar), tantoem
nivel fvmdamental, ,médioou
superior, eem
programas
de planejamento ambiental. 'ÀThe World
is undergoing fast,profound
and
incredible transformations. Inthis context,
an
important question relates to the socialand
environmental impactsand
implications. _»
'
The
present study tried, initially, to demonstratewhat have been
themost
important contributions of Philosophy
and
Religion to the formation process of the occidental thinkingand
reasoning, in other words,what
hasbeen
the occidentalvision of the World.
Based
on
theabove
reflectionsand
on
the understanding of themeaning
of thenew
paradigms, including the contributions of theses paradigrns to the formation of the "world vision" ofman,
the study got toGeography,
and
developed
further methodologicaland
conceptual efforts the specializedarea of Humanistic Geography.
Approaching
the basic objective facing the understanding of the process withinwhich
relationshipsbetween
man
and
his environmental surroundings occur,and
to the identification of the affective ties (topofilic feelings)between
both, the study tried to confront the enviromnental perception feelings oftwo
differentgroups
- the native population of the geographical study areaand
agroup
ofuniversity students of
Geography
(visitants), in relation to the socialand
environmental context of the riverCambuim
micro basin, in the country ofSão
Miguel
do
Oeste, state of Santa Catarina,southem
Brazil.The
analysis developedby
the present study allowesone
tounderstand
how
the participant agents observeand
perceive the natural surroundings, near or Vand
perhaps to help developingnew
methodological steps towards the study of theenvironment
departingfrom
amore
humanístic approach, independent of the different levels of academic formation. Environmental planningprograms can
also benefitfrom
the analysesand
conclusions derivedfrom
the present study.RESUMO
ABSTRACT
SUMÁRIO
LISTA
DE
TABELAS
viuLISTA
DE
MAPA
1 2. 3 4 5. 6 7 ~INTRODUÇAO
Novo
MUNDo...vELHAs
1DE1As?
2.1.
O
Homem
e a Visão deMundo
Cristão 2.2. Ciência e Religião:uma
coexistência pacífica?2.3.
O
Homem
em
Crise: a certeza de sua fragilidade e solidãoA
EMERGÊNCIA Dos
Novos
PARAD1GMAsz
O
fim
ao paradigma
cartesiano-newtoniano?
GEOGRAFIA
HUMANÍSTICA:
um
(novo)paradigma da
geografia?4.1. Percepção Ambiental:
um
diálogodo
Homem
com
a Natureza? 4.2. Contextualizaçãode
um
Espaço
Geográfico: a microbaciado
rioCambuím
A
4.3.
A
PercepçãoAmbiental
do
Nativo edo
Visitante 4.4. Análisedo
levantamento decampo:
o olhardo
nativo4.4.1.
A
fotografiacomo
registrodo
belo edo
feio 4.5.O
olhar "de fora": o acadêmico visitante4.5.1. Aspectos estéticos observados pelos acadêmicos
CONCLUSÃO
- A
REFERENCIAS
ANEXOS
TABELA
01-Idade do
entrevistadoTABELA
02 - Sexodo
entrevistadoTABELA
03 - Naturalidadedo
entrevistadoTABELA
04 -Tempo
de residênciano
lugarTABELA
os -você
gosta-do
lugar?TABELA
06 -Você
pretendemorara
noutro lugar?TABELA
07 - Para você, qual éo
elemento natural demaior
valor?TABELA
08 -Como
você descreveo
lugarem
que
mora?
TABELA
09 -Que
cuidados você possuicom
a terra?TABELA
10 - Indicaçãoda
responsabilidade pela degradação ambientalda
regiãoTABELA
11 -Do
que
você mais gostado
lugar?TABELA
12 -Do
que
vocêmenos
gostano
lugar? .TABELA
13 -Em
que
aspecto a presença deDeus
é mais percebida(sentida)? -
TABELA
14 -O
registrodo
belo1.
Mapa'
da mícrobaciado
rioCambuim
(municipio de SãoMiguel
do
Oeste/ SC) ~Em
um
momento
em
que buscamos
novas
altemativasou
formas
paramelhor compreender
as relações entreo
Homem
e a Natureza,surgem
inúmeras
perspectivas (paradigmas)
que
buscam
cumprir
com
maior
eficiência esta .difícil missão.O
dialogocom
o
nosso entorno natural (meio ambiente),'ou
a intercomunicação entreo
Homem
e a Natureza,sempre
foi objetode
estudo,desde
osremotos
tempos
da
Grécia Antiga até o presente, assimcomo
é, a eternabuscada
resposta para a perguntaí"'De onäe"v`iemos e para ondë vamo`s`?"`Atualmente, estamos sentindo
o peso
dasconcepções
ou
visõesde
mundo
do
passado, e ainda presente entre nos,que
provocaram
o
divórcio entreo
Homem
eo
seuentomo
natural e suas conseqüências, tantoem
nível localquanto
globalDiante desta perspectiva busca-se
com
a presente pesquisacompreender
(traduzir a linguagem)
como
ocorrem
as relações entreo
Homem
e a Natureza'e qual éo
elo afetivo entreambos
num
pequeno
espaço natural (microbacia hidrográficado
rioCambuím)
do
municípiode
São Miguel
do
Oeste/ SC. Dianteda
mesma
perspectiva, procurou-se confrontara
percepção ambiental (visãode
mundo)
de
doisgrupos
de
indivíduos nestemesmo
espaço natural:o
primeiro, a partirdo
“olhar” diretodo morador
e,o
segundo, a partirdo
“olhar” indiretodo
visitante (acadêmico
do
cursode
Geografia).H
A
importânciada
percepção ambiental da-se pelo fato deladesvendar
quais são os valores (sentiínentais e/ou
econômicos)
atribuídos peloHomem
ao seu
implementação de
uma
consciênciaambientalfundamentada
nos
paradigmas
da
sustentabilidade.
Os
trabalhos desenvolvidosno
Brasil sobreo
tema
Percepção Ambiental,envolvem
nomes
como
ode
Lucrécia D"AIessi`o Ferraraf,onde
a autoraestudou
-corrto"¬se ~dá~ -af -(marcas, -e i:magens)- de- -espaço urbarioí - o'
bairro 'de .São Paulista. - .a. partir .do. "olhair" do. pesquisador; curioso. e atento, e
do
morador.
Segundo
a autora, aforma de
interpretar estes sinaisou
esta linguagem,que
proporcionaao
Homem um
poder de
modificar esteespaço
urbano
é a percepção.Lucy Marion
C. P.Machado2
procura
estudarum
detemiinado
espaço, relativamenteconservado
(a Serrado
Mar
paulista), a partírdo
enfoque
direto e íntiflíö 'do -seumorador"
e
-do' -errfoque' e" conceitual- do- visitante- (tur`ista)~.Nele,
Machado.
procurou entender .como
.a.paisagem
féfundamentada.
no
conceitode
Topofilia, desenvolvidopor
Tuan
(1983), eque
se refere sobre as percepções, atitudes e valores envolvidos nas relações entreo
Homem
eo seu
› z/
meio
natural.Lineu
Bley3procurou
estudar a percepção ambientalde
um
grupo de
moradores,
ultrapassandoo
seuenfoque
puramente
baseado nos
aspectose"es1éticos, biiscàiíiíõ'-atfibuüf;111êstai11bëúi"'vâ1õfesecóflenücõs: _
Ô
presente traballio,procurou
basear-se nas experiências anteriores, pois,sâõ
de
fézõzúàézââzmzpónâm
'zz.A
észúihzàs
um
aa
pésqifisz(úúcwbm
'zâõ
rm
Cambuím);
pe1o¬fato"de”ser- esta área- -'umaieferência-deestudos
na
região.,além
do
fato das águas destamesma
microbacia abastecer a cidadede São
Miguel
do
Oeste/
SC. Este detalhe' já justificaum
trabalho deste nível nesta área.Outro
fator considerado importantena
escoflia deste localcomo
areade
pesquisa, foio
fãto`d*a` irfesirta'
do
centrodo
município
ee'da
Universidade'doOeste'
1
FERRARA,
L. D. Olhar Periférico: lnfonnação, Linguagem, Percepção Ambiental. São PauIo:Ed.USP, 1-993. ..
2
MACHADO,
L. M. C. P. Paisagem Valorizada:
A
Serra do Mar como espaço e lugar. in:Percepção Ambientais .a.e×periència.brasi1eira. RIO, V. Del. e. OLNEIRA, L de. Sâo.P.auIo:$túdio.
Nobel-UFScar, 1996. “
-
3
de
Santa Catarina(UNOESC), campus
de São Miguel
do
Oeste,0
que
facilitouo
deslocamento
do
grupo de
pesquisadores atéo
localjÀ estratégia utilizada foi ade
zzmvzz' mui»
se
aos
gmpss-
as
pesa-›zs«.as
mfaaef
(nativodo
lugar)e
de
um
grupo de
académicos. (visitantes).Os
instrumentos
utilizados
foram
o
questionário e amáquina
fotográfica.Num
períodode
trêsmeses
(fevereiro a abrilde
2000),foram
visitadas cercade
90%
das residências.Não
foi atingidoo
universode 100%,
pelo fatode
algumas
pessoasapenas
utiiizam -asua
residênciacomo
iocaide
repouso, pois, 'aiguns'moradotestrrabalham nat:idadeeuii1izamaresidênciaapenas.parapassaranoite
ou
os finaisde semana.
Também
não
foram
visitadasduas grandes propriedades
(fazendas), cujos proprietários
residem
na
cidadede São Miguel
do
Oeste.A
aplicaçãodo
questionáriocom
40 questões sócio-econômicas e culturais e sobre aspectosque
procuraram
desvendara
percepção'(ouvisão
de
mu:ndo)'dos
enttev-istados
foram
realizadosporum
giruposde 12acadêmicos
(5acadêmicos
do
1°período
e 6acadêmicos
do
7° periodo)do
cursode
Geografia da
Universidade
do
oestede
Santa Catarina,campus
de São Miguel
do
Oeste.Num
segundo
z ' - .
momento,
foram
escolliidos aleatoriamente algunsmoradores
paraque
osmesmos
indicassem
dois aspectosdo
local(um
mnsiderado
beloe
outro "feio/')'para
que
fossem
fotografados e, posteriormente,confrontados
com
algumas
respostasdo
questionário.
O
objetivodo
registro fotográfico foi darmaior
validade à pesquisa.Quanto
à participaçãodo
grupo de acadêmicos
(o outro "olhar"),procedeu-
seda
seguinte maneira:foram
elaborados dois questionários para osmesmos
responderem
-um
sobrea
percepção'do
-acadêmicoairtesdeirao
locaie
outro,aposa
realizaçãodo
trabalho.de campo.
O
trabalho -apresenta duas- partes- fundamentais.A
primeira delas(Novo
Idéias?),. trata
de
entender somo. ocorreram
as. relaçoes. entreo
Homem
e aNatureza ao
longoda
História e quaisforam
alguns dos principaispersonagens
que
contribuíramou
que
moldaram
opensamento
(visãode
mundo)
do
Homem
ocidental, e apresenta oque
vem
a ser os novos paradigmas da ci`e"nciao entendimento
das relações entreo
Homem
e aNatureza
e seus reflexosem
nosso
dia-a-dia, destacando
o
importante papel/da
Geografía Ffumanístíca,uma
das
daciê1tciageograficanoesh1dodas~retações'en1reoHomeme~a
Natu1=eza,.fu-ndamentada
em
grande
parteno
~.e
na
Fenomenologiae
pelo conceito
de
Percepção Ambiental.A
segunda
partefundamental
e seu terceiro capítulo (GeografíaHumanística:
um
(novo)paradigma
da
Geografia?), tratada
interpretação eda
análise das entrevistas e fotografias, ede desvendar o
"`oIhar"", a -percepçãodo
morador
e
do
Não
buscamos-, neste- capítulo, conclusões' geraise
sobrea
percepção.ambiental
dos
agentes
envolvidos.
Mas
o
mesmo
servecomo
referencial para futuros estudos ambientaisna
área pesquisada e noutras áreasda
região.2.
Novo
MUNDo...vELHAs
IDÉIAS?
.
O
mundo
estápassando por
grandes transformações, ecom
ele, as ciências,a politica e
o
próprioliomem
enquanto
ser vivo e agente histórico-socíai desseprop
detransformação. Trata-se tnitadëpoi-icrise4,'
cont ramificaçõesem
todos
os ramos
do. saber e,. elae
expressa.. peloque
ser
convencionou
chamar
de
rupturas paradigmáticas, e são estas rupturasque
estãonos conduzindo
aosnovos
pa.radigmas5. Neste contexto, está,por
sua vez, aeducação
e,por
extensão,o
ensinoda
Geografia.Com
isso,surgem
novas
concepções'
de
e'/ou conirecimerrtoque
buscam
superar
lineares
e
eartesianasainda
presentes.em
nosso. meio,e
responsáveis.por
essemomento
históricoque estamos
vivendo.Segtmdo
Capra, "à medida que o século[XX]
se aproxima dofim,
as preocupações,, , ›" _- vz- _. z' ,' .. '
com
o meio ambiente adquirem suprema importância. Defrontamo-noscom
todauma
série de problemas globais -que »es~tão~ damfleando- a- biosƒera-e
-a- vida humana- de-uma
maneira- alam1.a11tee que pode logose tomar1`rre1zers1'1zel".6'
aprincípio.
O-usoque
se faz delas éque
astomam,
em
muitos
casos, geradorasde
desequilíbrios tantopara
a nattueza física
quanto para
as espécies animais, inclusive ahumana.
Supostamente
criadas para "facilitar" a vida das pessoas, seumau
uso
provocam
grandes
transtomos, intensíficando os processosque
alteramo
meio
ambiente,oeqmtíbn'
onaturai
eapropna's~
' 'daespecm' "htrma:na,¿MO_RI'N, E. Inzg PETRAGLIA, I. C. Edgard Morin:
A
complexidade do ser e do saber.Petrój:ioI=isfRÍiíVozesj 1996. 11.65.
5 Lembrando Kuhn
(1970), “o conjunto de idéias, ou seja, o embasamento teórico ao qual os pesquisadores. científicos. aderem, .e. .que .guia seus. .trabalhos - impondozlhe. a. estrutura.
metodológica e ditando-lhe as questões fundamentais -, cuja a resposta é o objetivo
mesmo
dapesquisa., constitui
um
paradigma”.que
sofre, direta e indiretamente,com
esses efeitos.Porém,
sãonos
locaisonde
vivem
as comumid/adesmais
carentes (peri_fenas° das cidades, especlalmf ente);que
tais -efeitos'
A
vê1ocidfade“cõm"que`sãõ'criadas
e
sedifundem,
e
os
métodos engendrados
pelos detentoresde
tais processosna
direçãodo
consumo
globalizado,contribuem para
dificultar a resistência local, eem
muito
pouco
tempo
seespalham
mundo
afora e sefixam
como
forças críadorasde
uma
nova
cultura,homogeneízando
avida
edei-ramando seus beneficiose
malefícios.Há
queseescolhert
Segundo
Jimënez
apud
Schnitman,.-
”A
pátria mais interior, a natureza, da qual procedemos e à qual inevitavelmente,haveremos
de
voltar,fica
mais distante.do que nunca do
nosso alcance. Se. as culturashumanas
instauram sempre diversas formas de íntercomunicaçãocom
o -entorno n-a-rural -on-de se- -desenvolvem-, -a- planetarização- da- «técnica curso» ~a~ um-processo de nivelação e exploração
sem
limite dos diversos ecossistemas do globo.'Todos são reduzidos a
um
mesmo
processo de artificiosidade.O
espesso bosque datécnica cresce nas cidades e no campo, tornando cada vez mais
profimda
a rupturado
homem
modernocom
a natureza. ”7As
comunidades,
hoje,experimentam
os efeitos. de__tal processonuma
freqüência e intensidade
cada vez
maiores: cidades são alagadas pelaschuvas
devido
'à~o
da
superficiepernteávelporunra
izmpermeârvei;-Ho
lixo se
acumula
em
locais inadequados-(terrenos baldios, leitoemargensde
rios-enas vias públicas);
ocorrem
deslizamentosde
encostas(movimentos
de
massa)
em
locais habitados
onde não
deveriahaver
construções,causando
prejuízos materiais vultosos e aperda
de inúmeras
vidashumanas,
entre outras conseqüências nefastas;Na
'zona rural, eaperda dos
solos' argrícoias,devido
ao
uso
de
inadequadasde
desmatamento,
a
prática agrícola.Soma-se
a isso,uma
política agrícolaque apenas
favorece osgrandes
produtores (possuidoresde
maiores recursos e capitalde
giro),deixando
ospequenos
7 JIMÉNEZ,
J.
Sem
Pátria: os vínculos de pertinência no mundo de hoje - família, país, nação. ln:B. F. Schnitman-_ Novos Paradigmas-«, Cultura ~e- Subjetividade-. Porto- A-Iegfe:Aftes^ 1996.
produtores
marginalizados ecom
uma
única alternativa viável e coerente: avenda
_.-' ' / .f' 2' .z` _.«' - , ›`
de
suas terras, frutode décadas de mtenso
trabalho, emigrar para
os' centrosm'banos~md1ados'ecomtodos'osproblemas~sabidamenteexistentes;
Paraos
agricultores~que se
encontram
nessa .situaçãoe
muito
deixar oz "lugar"onde
construíram suas vidas,para
aventurarem-senum
novo
"local",onde
quase
tudo deverá começar
do
nada.`
Guattaris afirma
que
as instâncias políticasparecem
incapazesde apreender
toda
essa problemáticaconjuntamente
e suas implicações.Para
ele, serianecessário
"ama
articulação' 'ético--política (...) entre- os't1ês'1eg1'sL~ros'eco~l~ógicos< fo'do
meio'.ambz'ente,. .o. das relações. .e .o. .da .subjetividade humana). .e que poderia esclarecer
convenientemente tais questões ".
A
essanova
visãode
mundo
elechama
de
ecosofia.Atualmente,
não
é difícil entenderque
nossosproblemas
ambientaisnão
sãomais apenas
nossos, esim
de todo o
mundo.
Nãohá
fronteiras intransponíveispara
os
efeitos'da
poluição (água,ar
seusolos);
No
casodas
bacias'~,
os
problemas
de
poluiçãode
uma
microbacia antecedente, será-numa
microbacia subseqüente. Desta forma,
somente
poderá haver
respostaspara
taisproblemas
atravésde
ações locais,porém
pensando-os
globalmente e "através deuma
autê`nti`ca revolução política, sociale cultural' reorientando os olijetioos da produção debenš"1natei'íais`~e*ifrra”tef^iais".9-Art1cu:l:a:r« `- polític' as*dedesenvolvmrerrto`
H
sustentavelcom
as
de
mundo.
e/ou de
naturezados
habitantesde
uma
região, éde
fundamental
importânciapara
evitar os efeitosgeralmente
catastróficosde
uma
degradação
ambiental.Porém,
paracompreender
todas essas problemáticas e suas implicaçõesnos
dias atuais,
devemos,
inicialmente,compreender
como
ocorrem
as relaçõesHomem-Natureza.
Para tanto,se faz
necessáriouma
retrospectiva históricaa
respeitodas
ideiaseconeepçõesque
moldaram
as
visõesde
mundo
dos Homens,
da
Grécia Clássica até os dias atuais,passando
obrigatoriamente pelaépoca
de
maior
relevânciana
construçãoda
atual visãode
mundo
- aRevolução
Científicaou
Moderna
-com
suasprofundas
raízes,Hrmes
efortes, ainda vivas entre nós. ° GuATrAR|,F. As Três Ezouzgâââ. campinaszpapârus, 1993. p. s. 9
GUATTARL
2.1 -
O
Homem
e
a
visão
de
mundo
cristãoAparentemente,
a Históriada
Natureza_ é diferenteda
Históriado
Homem.
Énquanto
uma
écontada
em
milhõesou
bilhõesde
anos, a outra écontada
em
aiguns
milharesde
anos.As
teoriase/ou
hipóteses sobreo
funcionamento
do
Universo,
da
Terra,das
plantase
dosanir-nais,sempre
íoram
consequências.dos
valoresou
significadosque
cada
sociedadeou
cultura conferiram àquiloque
consideravam o
'seumundo'.
Conforme
o
Homem
'evoluía',modificava-se
.- -z z / .~ ' '
também
sua visãode
mundo,
e foicom
o
fl/orescimentoda
culturagrega
que
as
prmr` erras` 'concepçõesque buscavam
uma
exphcaçao'mais
'racional'sobre
os
fenomenos
naturaisesuas relaçõescom
o.Homem.
A
denominada
cultura ocidentainasceu
na
GréciaAntiga
a
partirdas
curiosidades
dos
antigosgregos
na
busca
de
respostas .sobre os. mistériosdo
mundo.
Naquela
época,o
Homem
buscava
suaindependência
das antigas crenças sobrenaturais e das divindadesque
dominavam
ospovos de
então. Para ospovos
ditos primitivos,
onde
prevalecia o "pensamentoem
estado seívagem”,não
havia
distinção entre
o
naturai ea osociai.As
únicas diferenças existentes'diziam
respeitoascaracterísticas fisicase
cada
pessoa. "Neste .u.n.zÍve.rso, as-.ca.rên.c1Ías,os desejos, as decepções, as paixões, as iras, a _g_rai1`dão e demais atitudes
humanas
serãotambém
'comportamentos'comuns
entre os elementos da natureza, podendo ser percebidos na planta que cresce, na erupção deum
vulcão,num
trovão, na chuva que cai, na enchentede
um
rio, ou- na- morte- de-um
-anima1~”.1°-Gs deusesesemi-deuses
que
0
dos
gregos,por
exemplo,
foram
lentamente. 'aposentadosfcomo.
fontes.de
explicações sobre o mistériosdo
Universo
e sobre a sua criação,cedendo
lugarpara
explicaçõesmais
'racionais'.Acreditavam
eles,que
as causasdos
fenômenos
1°
CARVALHO,
naturais,
poderiam
ser encontradasna
própria Natureza, entendidacomo
uma
entidade
dinâmica
-um
ser vivo. 'Os
mais famosos
princípiosda
cultura gregaforam
formulados, entretantos outros,
por
Íalesde
lviileto -que
Iançou as primeiras reflexões sobre aNatureza
de
'ou' '
Platão' - sujeitou os'
fenômenos
naturaise
não.-naturaisa
leise
Aristoteles -quem
primeiro. definiuo
termo Natureza
como
sendo tudo
aquiloqueanao
era criadoou
produzido
peloHomem.
Em
síntese, osmais
importantes princípiosda
culturagrega
diziam
respeito à crençade
um
mundo
ordenado
àsemelhança
da mente
humana,
cujai11teligênciadefim`aopropÓsÍtoeos'desIinos'da
Natureza, estaacessível -a inteligência
humana.
Assim,
como
-a «cultura -grega influenciou decisivamerrte-na
visãode
mundo
do
Ocidente, elaacabou
por
também
na
visãode mundo.
religiosa(judaico-cristã).
Em
seu início,nos
primeiros séculosda
cristandade, a culturagrega
era vistacom
grande
restrição econdenada
por
muitos,por
ser considerada pagã.Com
otempo, porém,
percebeu-seque
nela estaria algunsdos
seusmais
~' °' `
'prmc1pros"',entre^'eles,'acrençana~ex1stênc1a`
`de'umasabfedoria
divina,
a
ênfaseno-euidadoeom
.ae sua
imortalidadee
elevados- princípiosmorais, e
a
crençaque
amorte
serianada
mais
do que
uma
transição,uma
ponte,para
uma
vida melhor.Na
realidade, as influênciasda
cultura gregaforam
muito
mais
importantesdo
que
se possa imaginar.Para
Tarnas,"A
Cristandade integrou as duas culturas [lzelênica e judaicaj, proclamando que averdadeira realidade. elevada - Deus. Pai e. Criador,
o
eterno transcendental platônico - penetrara totalmente 0mundo
imperfeito e finito da Natureza e daHistória .humana por
da
encarnaçãode seu
Filho. Jesus. Cnsto, .o Logos, eujavida e morte deram início à reunião de dois
mundos
separados - transcendental e-rn›u~n»da-no, -divino-~e~ humano» - -e, ~assi~m, -a- -um rerzasei-men~t-o
do
-atravésdo
Homem”.11
"
TARNAS,
R.A
Epopéia do Pensamento Ocidental.Entre outras influências
da
visãode
mundo
cristãna
cultura eno
pensamento
ocidental,temos
a inculcaçãodo
pecado
eda
culpa que,segundo
.
i
íenômenos
naturaise sobrenaturais,tinham origem
noz único-e bondoso-Criador
-Deus.
Incluiam-se aqui,também,
anegação
das faculdades racionais e empíricasem
detrimento das emocionais,morais
e espirituais, subordinando-se a absoluta autoridadeda
Igreja CatólicaRomana
(autoridade papal) eda
BíbliaSagrada
-como
os
-arautosdas
verdades- -absoiutas;Proceder
do
contrário, iraiém
do
que
estavanossa capacidade
b.u.1.nanapara
a
epoca,eu
seja, questionar essaordem
posta, eraum
sacrilégio. Estavao
Homem
dessaépoca
'preso' nessa- visãode
mundo,
ou
paradigma
(se éque
posso
utilizar tal expressão), equem
tentasse questiona-la erapunido”.
As
relações entre osHomens
dessaépoca
com
omundo
físico,
eram
mínimas,
pois,o
mundo
eraconsiderado
sem
um
lugarde
Q-que
realmente era válido,e
que
esse sofrimento purificava a alma, existindoapós
a morte,um
mundo
melhor.Assim
sendo,
o
sofrimento e as injustiçashumanas
(inclusive aquelas cometidas pela Igreja Católica Romaria), seriamcompensadas
após a morte.Abeleza,
a felicidadeea
contemplação
da
Natureza, nestavida, 'eram 'prazeres' munda1ros'.Assim, ë questionável
o papel
da
religiosidadeno
serhumano.
Em
que
grau
ou
sentido ela -detemtiiiavaas
das
pessoas? Ela sempre- esteve voltadapara
.atender os. interessesde
umaelasse dominante
para
tomar
e.Homem
'dÓcil'?Como
então justificar as agressões ambientais? SeDeus
'disse'que
oHomem
deveria crescer, multiplicar (ter filhos) e
dominar
a natureza, ele [ohomem], não
estaria livredo
pesoda
consciência das graves agressões ao seumeio
ambiente?
Afinai,
o
meio
também
-era 'obra'de
Deus,segundo
'aconcepção
deminante
na
então,i
'Z
TARNAS,
R, ibiaem, p. 143.13 -dos -mais clássicos- exemplos- disso- -foi -o- episódio- envolvendo- o- julgamento- -e- de-
Giordano Bruno. Ele fora queimado por defender a idéia de
um
Universo infinito e que pelo.Uni›.‹erso. .afora .existiam .uma infinidade. .de outros. mundos. habitadas. Neste. ano. «(2000), 'comemora-se' os 400 anos de sua morte
ea
polêmica agora reside no fato de a Igreja Católica-Na
verdade, todoo
controle doutrinário exercido sobre oHomem
era necessário para a perfeitamissão
cristã, e ainda,sendo o
Homem
dessaépoca
'considerado
impotente
frenteaos
-domundo; nada
m-ais' justo'do
que
eolocá-.lo .a- proteção. total
da
Igrejae
de
Deus.
Em
que
peseque
alguns-aspectos
da
forte presençada
religiosidadena
vida das pessoastenham
limitadoo
Homem
dessaépoca
houve, todavia,inúmeros
aspectos positivosda
forte presença dalgrejana
vida das pessoas.Esses aspectos traduziram-se nosinúmeros
beneficios morais, sociais ~e~
das
'obras'de
caridade;da
pregação* e~da
atribuição-de valores-là.
de
eada- pessoa,do
.be1n¬estare
do
perdão;também,
inúmeros
centrosde
estudos (escolasnos
monastérios e_,_ posteriormente,as primeiras universidades
do
mundo
ocidental), auxílios aos carentes e famintos,etc.
Para Gleiser, esse período
"Foi
um
lento despertar, a preguiçosa primavera lutando contra o frio abraço doinverno.. Imersadumnte. séculos. .em..um..proƒíu1do. teológico, a. mente.
medieval divagava, perdida
em
densa neblina.A
sabedoria do passado foi esquecida, condenada- pela -Igreja» como- pagan-is-mo; -a- raiz de- todo- o- mal-. -O esplendor- -dascivilizações grega e
romana
erauma
memória distante. Forjada por santo Agostinhodurante o século `V'dL C., a tênue conexão
como
o passado se dava atraves deum
platonismo transvertido, que desprezava qualquer interesses nos fenômenosnaturais, ao
mesmo
tempo encorajando o debate de questões teológicas.As
respostasa todas as .perguntas sobre astronomia ou cosmología eram encontradas na Bíblia.
O
firmamento não e' esfiíricomas
simuma
tenda retangular(um
tabernáculo), porque-le-mos
em
-Isaías -que "-De-usestendeu--os -ee'-us ~eomo~-u~ma--cor-tina-em-›de
~te-nda”.De modo
semelhante, a Terra era retangular ou circularcomo
um
disco, dependendoda parte da Biblia consultada pelos teó'l'ogos”'.14`
O
surgimento dessa visão demundo
cristã deu-sedevido
à forte criseque
atingiu aEuropa
devido ao
declíniodo
Império
Romano.
Eram
necessáriasprotxmdas mudança-s para
restaurar -osda
"De
fato, a Igreja transformou.-se
em
um
símbolo de civilização e ordem. social, oferecendodevoção à Religião
como
antídoto contra os "rituais pagãos dos povos bárbaros”. [Para)A
14
GLEISER, M.
A
Dança do Universo: dos mitos de criação ao Big-Bang. São Pau|o:Companhia'vida .repletas de violência, pestílência e tormentos intermináveis, a Igreja oferecia salvação
_ , . J ,-
eterna no Paraíso"';15
Q
'
Sendo
assim,tudo o
que
fugiada
esfera religiosa eraconsiderado
paganismo
ouheresia.4
"O
barbarismo que corrompia o corpo era omesmo
que corrompia a mente; qualquer'de*inƒormaÇão'aira'oés~dos-.senJidos»decerto;só*podem1t'1e1›aràecomipção
da alma.
As
tentações camais, dependentes que são dos cinco sentidos,sem
dúvida ieoavam«-a-~danação~-eterna-. Como-;o~»es-tudo-»da -Na~tureza- neeessa11'amen~te-~dependia› -do-uso dos sentidos, ele
também
foi considerado conhecimento 'pagão'”.16'
ú
Neste
período,em
contrapartidaao
Cristianismo,o Império
Muçulmano
-que
se expandiavorazmente
- estimuliavao desenvoivimento
das Artes eda
Arquitetura e' os' 'dássicos' 'gregoseram
muito
estudados;No
Ocidente, esses'c-lássic-ossomente
voltaram
.a-ser estudados- váríos-séculos¬apÓs.santo- Agostiànlio e,através
de
outro santo - santoTomás
de
Aquino
(1225-1274),, criando assim,uma
nova
cosmologia cristã,onde
a Terra voltou a ser considerada esférica e aocupar o
centro
do
Universo.Era o
iníciodo
Renascentismo.A
visãode
mundo
cristã foisendo
lentamente substituídapor
uma
nova
visão
de
mundo,
mais
"modema"`, cu`j`o despertar deu-se a partir" das idéiasde
um
'padre' , -Nicoiau
Copémico,
-e-sua
Heiiocêntrica,que
desbarrcou- -a *antiga-Geocën.t1:.ica,.que postulava.. ser o. planeta. Terra, .ocentro
do
Universo,como
não
poderia deixarde
ser a 'grandeobra de
Deus'; era esférica, assimcomo
osmovimentos
dos
astros, pois a perfeiçãotambém
implicavaem
movimentos
circulares, uniformes e perfeitos.
Com
a Teoriade
Copérnico, estava abertoo
caminho
para
'a Revoiuçãoflíenttficaou
Moderna.
15
GLEISER, M.
"*eLaseR,
-M-. rwÊg
2.2 -
Ciência
eReligião:
uma
coexistência pacífica?
~ t~'Segundo
Tarnas,"Entre os séculos
XV
e _XVI,. o Ocidentepresenciou a_ emergência deum
ser.humano Âaulânomofeldotadoede
mundo, confiante
em
sua capacidade de discernimento, cético quanto às ortodoxias, rebel-de ‹con~tra- -a~ -autoridade, responsável por -suas -crenças ~e- ações, »apaifxo›nado~ pelo-passado clássico e ainda mais empenhado
num
firturo maior, orgulhoso de sual
humanidade, consciente de sua dis'finç`ã`o, de sua força artística e
individualidade criativa, seguro de sua capacidade intelectual para compreender e
controlar a Natureza e
bem
menos 'dependente deum
Deus
onipotente”.17 'Nesta
época, surgiaum
novo
Homem,
supostamente mais
independente,livre
das
influências das forças sobrenaturais, edono
de
símesmo. Sua
crençana
igrejaMedievaihafiacedidoespaçoparasua^aençanamvadênciaque'então
surgia,onde,
os
iatos verif-icáflvezis,concretos
os
antigosdogmas
cristãos e
o conhecimento
sedava
a partirdo
raciocínio crítico eda
observaçãodo
mundo
empírico.A
visãode
mundo
antiga e clássica, agoranão
passavade
uma
superstição
ingênua que
fazia partedo
passado.O
principal saItoou
gritode
independência
em
retaçãoa
visãode
mundo
-antiga 'e' ctássica foia
constatação-de
que
za 'Ilerra nãoera- maiso.cen4êro.£iâ¢o.eimovel
.do Universo.Antes'
desse
período,predominava
a
visão-de
mundo
'orgânica',baseada
furuztamentalmentena
e
"As
pessoas.em
comunidades pequenas e coesas, e vivenciavam a natureza
em
termos de relações orgânicas, caracterizadas pela interdependência dos fenômenos espirituais e materiais e pela subordinação das necessidades individuais ãs da comunidade"'I13`Esta
noção de
mundo
orgânicocedeu
lugar para anoção de
um
mundo-
máquina, cujos principais atores
foram
Copêrnico, Gaiiíeu, Descartes eNewton,
Essanova
afirinavaque-não apenas oplaneta
'Perfaestavaem
”
TARNAS,
R.mem,
p. aos.movimento
peloCosmo,
deixando
de
serapenas
um
astro estáticono
centrodo
t'
.= ,.`--.‹'
Universo, mas,
também,
o
Homem
agora entravaem
novos
territórios, antesd~;
Algumas
das principais características dessaépoca
foram
ã crençade
um
Universo
como
um
fenômeno
impessoalcomandado
por
matemáticos
simples.
e
compreensíveisatravés.da
Razão.hmnana,
o. entre corpo.e
mente,
espírito e matéria,Deus
emundo,
Homem
e Natureza.Galileu Galilei contribuiu decisivamente para reforçar esse
dualismo
entreo
Homem
e a Natureza, fatos objetivos e fatos subjetivos. "Galileu ƒõi o primeiro a combinara' experimentação- 'cierrttffica'com
~o~ usoda
'linguagem matemática' para formular- as.leis .da .natureza..po.r .ele..descol1erias;..e',. portanto, .cor1s1`1ie.rado. .o. Pai ..da..ciência..nwdema,"..19
Galileu acreditava
que
a natureza eraum
grande
livro,permanentemente
abertoe escrito 'nalinguagem
universal',que
para
ele era a matemática.Para
compreende-
la,deveríamos aprender
essa "Iíngua"`. Galileu,segundo
Tarnas,argumentava que
"para fazer julgamentos exatos sobre a Natureza, os cientistas deveriam levar
em
contasofmente. as qualidades. '.objetivas.' co.m...p.1ecisão. .(tama11]1o,. ƒbr.ma,_ número, peso, movimento); as qualidades meramente perceptíveis (cor, som, sabor,-textura, ~cheiro)- ~deveri¬am- ser -deixadas -de -l-ado, por serem- -s¡u-bjetivas -e- eƒêmeras.
Somente por meio da análise exclusivamente quantitativa, a ciência poderia obter o conhecimento seguro do mund`o`”;2°` '
Estava claro,
com
isso,que
ospensadores
da
época
atribuírampouco
valor aos sentimentos e à sensibilidade,o
que
afetou a relaçãodo
Homem
com
a Natureza, pois tais sentimentos,de
serem
decodificaclos'na
'híngnagem
universal',
eram
considerados
não-científicos, Ialvez ai está.uma
das
respostas»para o
grande
descasoque
houve
(_e continua a haver)para
com
a Natureza. Issosomente
começaria amudar
significativamenteno
séculoXX,
com
asconcepções
sistêmicas
de
vida.1°
CAPRA,
F. ibidem, p. 5o.
2° r~ARNAs,
'
Para
Galileu, estavana hora de
superar aquela crença aristotélicade
um
mundo
orgânicopor
um
mundo
mecânico,matemático
e impessoalf 'Seguindo
os passosde
Galileuna
tentativade formar
as basesde
uma
nova
z ; , .-" z" ff- _ _/ . .- _
visão
de
mundo,
estava Francis Bacon,que
acreditavaque
aNatureza
deveria ser escravizadae
obrigada
a
ao
Homem,
este,usando
de
toda
-asua
argúciae
para
atingir tal objetivo. isso.nada
do
que
um
desígnio dado pelo Criador
ao
Homem.
Dizia ainda ele,segundo
Capra21,que
o
cientista deveria tercomo
objetivomáximo,
"extrair da Natureza, sob tortura, todos os seus segredos"'IEra o conhecimento
do
Homem
a serviçoda
exploraçãoda 'mãe
Natm'eza'. ”Deƒato,
sua
idéiacomo
uma
rrzulher cujos segredos têm' due ser arrancados- tortura,com
-a .ajuda de instrumentos. mecânicos, .sugere fortementea
tortura generalizada de mulheres nos_ julgamentos de bruxas do começo do século
XVII
".Esse preconceito, típico
de
uma
época
fortementemarcada
pela presençado
Homem
(patríarcado),começa
a ruir atualmente,com
a ascensãodo
femininoem
nosso
mundo,
deste'os
movimentos--(radicais)~a
ocupação
de
cargos.
um
i
"O
antigo conceito da Terracomo
mãe
nutriente foi radicalmente transformado nosescritos.
de
Bacone. desapareceu por completo.quando
.a Revolução. Cientíjica .tratoude substituir a concepção orgânica da Natureza pela metáfora do
mundo
como
máquina. Essa- mudança,
que
viria- ~a- ser -de importância- para- o-desenvolvimento subsequente da civilização ocidental, foi iniciada e completada por
duasfiguras
gigantescas do sëculo X` Descartes e N`ewt`on`”'.22`René
Descartes,o
fimdador
da
filosofiamoderna,
eraum
brilhantematemático
e tinhacomo
objetivo criarum
novo método ou
sistemade
pensamento.
Nesse'novo
'sistemade
pensamento,
o
dentista deveriamão
de
todo
o-que
em
dúvidas; elesomente
deveria ater-seàs coisas perfeitamente conhecidas e prováveis. Isso levou Descartes a criar
o
método
cartesiano,que influenciou profundamente
todos osramos da
ciência2'
CAPRA,
F. nbidem, p. 52.22 cAPRA-, F.
moderna
até os dias atuais.Segundo
Capra23, para Descartes "o Universo-material erauma
maquina, nada alem deuma
miiiyuina.Não
havia proposito, vida ou -ešipfiritualidadeA"Nafurez'a'1acordo“
fleis' mecânicas, -e' *tu~d'o“'n-o^'mundo
material podia ser explicadoem
fiinção da. organização. e do movimento de suaspartes”.
Esse era
o 'paradigma
cartesiano'. Ele teveuma
drástica influência sobreo
comportamento
e a atitudedo
Homem
para
com
aNatureza,
a princípio,reforçandoodualismoentre'oeusubjefivo-oespfiito,'aimagmação-eoeu
objetivo- -
a
oeorpo-
fisico, es-elementos
naturais.Reforçandoa
crença-de
um
mundo
máquina
edominado
pela racionalidade e pelos 'Homens'_,segimdo
Carolyn Merchant
apud
Capra24,"A
imagem
da Terracomo
organismo vivo emãe
nutriente serviucomo
restriçãorrultuml.
as
ações.dos
seres. hunianos.. Não. se. .mata.ƒaa1me.nte.uma. mãe,
perfiirando suas entranhas
em
busca de ouro ou mutilando seu corpo. (...) Enquantoa- 'I-`erra~jiasse--considerada' viva-~e~sens-íve1~, seria- violação~do~comportamen-to~ét~ico›
humano
levar a eďito atos destrutivos contra ela".Isso certamente serviu
como
uma
'luva' para os interessesdos
capitalistaseuropeus
em
seusempreendimentos
além-mar
na
busca de
metais preciosos eprodutos" tropicais.
E
contimra 'a'ser
nos'at11ais;
Se,como
bem
queriam
Bacon
e
Descartes, todo. o. conhecimento- deveriapara
o-Homem
dominar e
explorar
a
Natureza, isso serviatambém
para
a exploraçãodo
Homem
pelo próprioHomem,
como
o
foi nas colônias européias e sobre ospovos
mais
"pri1rüñ`vos".Porém,
a revolução iniciadapor
Copérnico, completou-sesomente
com
Isaac
Newton
e sua surpreendente 'Teoriada
Gravitação universal.Sua
teorialevou-o
-a-descobrir--que~os
planetas-do
Sistema
Sola-r~ -estavamsubmetidos
a-uma
forçade
.atração.em. relação..ao..Sol,.tanto.maior
quanto.proximodele e
que
os.objetos materiais
que caíam
na
Terraestavam submetidos
àmesma
lei.Com
isso,23
CAPRA,
F. |b¡úem, p. 56.2*
ele
confirmou
a visãode
Descartesque
afirmavaque
o
universo erauma
espécie-
., .z _ .
I, 4,, 1,- _, _‹- ,. ‹
de
relógio(mecanicamente ordenado)
submetido
às leis matemáticas.Com
isso, a' '
aIIte1frte'C01'lC111ída.
Apos
tais descobertas e crentesna
perfeição ena
complexidade
do
Universo, conctrríram
que
seu
Criador
-deixara elee
controlardiretamente
em
.seu destino;.agora,.o. proprios. passos,›como.se fosse
uma
máquina
perfeitanão
necessitandomais
de
ajustes.A
descobertade
Newton
levou Einsteinapud
Capra25 a considera-loum
dos
mais
notáveis gêniosdo
mundo,
eparalightman,
sua obrar
“não encontra precedentes na História da Ciência e teve papel
fimdamental
noda
Q
iznpo1:tanieem..se1.L trabalho. não. e'. .aLeida
Gravidade,
mas
a universalização de sua aplicação.A
mesma
gravidade que fazuma
maçã
-cair -da árvore'também
cam-que
a- -Lua gire em- -torna da- Terra- -e~ -essastrajetórias possam ser matematicamente calculada a partir de equações que o físico e
matemático inglês descobriu sozi'nlio"'26.
Newton
acreditavaque Deus
tinha criadono
princípioo
Universo, a matéria e, a partir as forças entre elas e asque
regiam
seusmovimentos.
V
O
que
se pode. deduzir desse período, éque
essespensadores habitavam
em
doismundos
distintos:um
"ob`je'tivo',l'da
Razão
eda
e, outro'subje1:ivo',
da
Fe,da
Para
-eles,havia
uma
'coexistência pacífica'entre
ambos.
era impossível crerem
Deus.e,.ao.mesmo.
tempo..na
que
a.cada
diatomava-se mais independente
eautônoma.
Na
visãodos pensadores
da
época,
tudo o
que
dizia respeito à Religião era para sercompreendido
pela Fé, enão
pela Razão.
Atualmente,muita
coisamudou.
Uma
grande
parcelados
são
'abertamente -ateus ou' agnústicos,embora
esteja'aumentando
o
número.
daqueles-que,por
uma
.razãoou por
outra,acabam
encontrando.a
única resposta
para
os mistérios insolucionáveisda
ciência. Pasteur25
CAPRA,
F. uúdem, p. sa.
2° ~l~_~lG|-tFMA-N-,
Az Ciência-»de--lado; -religião--de-~outro-. Estado' -de
São
Paulo; 1~G~ de- outubro -de-brilhantemente
afirmou que
um
pouco de
ciêncianos
afastavade
Deus
e,do
contrário,muita
ciência,nos
reconduzia a Ele. 'Depois
de
Newton,
amais
importante teoria desse período foi ade Darwin,
onde
a evolução natural'dos
seres vivos era regida pelo acaso e pela seleção "A" »desc'ob“e'rta“' -da" Evolução-em
fiirçouos
«cientistas -a- abandonarem- a-.co.ncepção. .cartesiana a..aua1..o. mundo.
emuma.
construídapelas
mãos
do Criador”.27 Agora, percebeu-seque
ocorreno
Universo
todo,um
complexo
sistemade
evolução,sempre
das substânciasmais
simples para asmais
complexas.
A
teoriade
Darwin
contrariou a descrição bflalicada
criação, inclusiveda
suposta
harmonia
eordenação
previsíveldo
mundo
cartesiano-newtoníano.O
Homem
-deixoudeser
~a~'grande
-obra'do
Criador
e
passou
-aserum
simples
'ser'comandado.
pelas. naturaisedependentesdessa
mesma.
lei.Pa1'a-Taêrnas28- _
“
“Ú
mundo
não era maisuma
criação divina; parecia 'ter perdido certa nobrezaV
espiritual, empobrecimento esse que
também
necessariamente dizia respeito aoHomem,
outrora o apogeu da Natureza.A
teologia cristã sustentara que a histórianatural existia
em
nome
dahumana
e que aHumanidade
estava essencialmente à vontadenum
Universo planejado para seu desenvolvimento espiritual; contudo a'
.nova compreensão'-dozpiroeesso euoluiuzo .refietava essas. duas. teorias. como. fliisões antropocêntrícas”.
-.
Não
somente
os sereshumanos,
mas
também
osdemais
seres vivos, asroclias e
montanhas,
os planetas e galáxias; todoo
Universo
poderiaagora
serentendido -como
o
resultado 'de'uma
evolução naturai. Issotudo
tomou
inaceitávelaquela
.crençade
um
Universo-criado,phmejado-e
comandado-
por
uma
inteligência divina(dependendo muito
do que
se consideracomo
uma
'inteligência divina').Agora o
Homem
perdia seugrande
'criador' e protetor(Deus
e os anjos celestiais):seu
futuro estavapor sua
própria conta.Com
issomudaram
novainenteas' retações' entreHomem
esen
'entorno natural. ç2' CAPRA,
F. lbâdem, p. 67.
2°
2.3 -
Um
Ser
Humano
em
crise:a
certeza
da
fragilidade
esolidão
humana
Conforme
o
tempo
passava,surgiam novas
e surpreendentesconcepções
;.~ , .‹' , . .
acerca
da
vida edo
Universo.Essas
novas
concepções exigiammudanças
profundas nos
as
ciências;A
partir- daí,osconceitosc-omoz holístico, -ecológico, visãosistêmiea-, sustentabilidade, teoria quântica, entre outros e,_
com
anova
cosmologia -com
a descoberta dasdistâncias astronômicas,
medidas
em
anos-luz,de novas
galáxiascada
qual,com
,- _ z:
_ › _-¿‹
bilhões
de
sóis -,ofiomem
passou
a refletirmais
profimdamente
sobre oseu
lugarneste-
Universo
~e~começou
'af -sentir'sua
aparente-De
um Homem
livre, racional, inteligente, cujo›co11po.e
uma
perfeita,
para
um
Homem
'pequenof ,_na
periferiade
um
planetada
periferiado
Universo. Issoprovocou
um
'
grande
abalona
mente
ena
consciênciado
Homem.
Assim,também
a Ciênciamoderna
foi abalada, pois "Ó Universo deixa de ser-~m'sto~ como- uma- imíquina, composta de- uma- infinidade- de- objetos, para- -ser- -descrito.como umatodo. dinâmico,.ind1'v1'sive1,. .a.1.jas. .paries..estão..essenci111menie. inter-.relacionadase só
podem
ser entendidascomo
modelos deum
processo cósmico”.29H '
'
.
~
Além
do
mais,segimdo
a teoriade Darwin,
anova
visãode
mundo
que
surgia
não
poderia admitir a idéiade
um
mundo-máquina,
pois,uma
máquina,
não
'evolui' .Entãoa
mesma
'deveria~ser-substituídaporuma'
'outra' EJ'Eoque
-impressionae choca.em.
-tudoisso, não-.étantoa
'evoluçãof das. visões.de
mundo, mas
o
seuuso
pelas classes dominantes.Sendo
assim,_Carvalho”
afirmaque
"Para a sociedade burguesa de meados do século XIX, nada seria mais conveniente .do .que .a 'descoberta' de.
um
fnatuƒeza..libe1:aIl,. .isto e',. .resulta111e. de.um
processo.2°
CAPRA,
F. ibidem, p. 72.
`
3°