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(2) VICTOR MANTOANI ZAIA. ESTRESSE, DEPRESSÃO, SATISFAÇÃO SEXUAL, VIVÊNCIAS EMOCIONAIS E QUALIDADE DE VIDA EM PACIENTES DE AMBULATÓRIOS DE REPRODUÇÃO HUMANA Dissertação de Mestrado a ser apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Psicologia da Saúde da Universidade Metodista de São Paulo como requisição final para a obtenção do título de mestre em psicologia da saúde. Orientadora: Profa. Dra. Maria Geralda Viana Heleno. ÁREA DE CONCENTRAÇÃO: PSICOLOGIA DA SAÚDE LINHA DE PESQUISA: PREVENÇÃO E TRATAMENTO. São Bernardo do Campo 2014.
(3) FICHA CATALOGRÁFICA Z13e. Zaia, Victor Mantoani Estresse, depressão, satisfação sexual, vivências emocionais e qualidade de vida em pacientes de ambulatórios de reprodução humana / Victor Mantoani Zaia. 2014. 118 f. Dissertação (Mestrado em Psicologia da Saúde) --Faculdade da Saúde da Universidade Metodista de São Paulo, São Bernardo do Campo, 2014. Orientação de: Maria Geralda Viana Heleno. 1. Infertilidade 2. Qualidade de vida 3. Depressão 4. Estresse 5. Vivências emocionais I. Título CDD 157.9.
(4) A dissertação de mestrado sob o título: “Aspectos Psicológicos e Qualidade de Vida em Pacientes de Ambulatório de Reprodução Humana”, tendo seu título alterado por sugestão da Banca para: “Estresse, Depressão, Satisfação Sexual, Vivências Emocionais e Qualidade de Vida em Pacientes de Ambulatórios de Reprodução Humana”, foi elaborada por Victor Mantoani Zaia. Sendo apresentada e aprovada em 11 de junho de 2014, perante banca examinadora composta pelos professores: Dra. Maria Geralda Viana Heleno (Presidenta/UMESP), Dr. Antonio de Pádua Serafim (Titular/UMESP) e Dr. Daniel Bartholomeu (Titular/UNIFIEO).. ___________________________________________ Profa. Dra. Maria Geralda Viana Heleno Orientadora e Presidenta da Banca Examinadora. ___________________________________________ Profa. Dra. Maria Geralda Viana Heleno Coordenadora do Programa de Pós-Graduação. Programa: Pós-graduação Stricto Sensu Área de concentração: Psicologia da Saúde Nível: Mestrado Linha de pesquisa: Prevenção e Tratamento.
(5) II. Dedico este trabalho a todos que dele participaram de forma direta e indireta. E o dedico também à minha família, que sempre apoiou-me nos mais difíceis momentos..
(6) III. AGRADECIMENTOS. Como sou feliz em poder agradecer.... Agradeço minha orientadora, Dra. Maria Geralda Viana Heleno, que já há 8 anos caminhamos juntos. A agradeço pela paciência, pelo incentivo, pelos olhos nos olhos, pela sabedoria e vontade de ensinar. A agradeço também como pessoa e como aquela que possui a estranha mania de acreditar nos outros.. Agradeço a toda a minha família, em especial aos meus pais, a minha irmã e aos meus avós. Aqui também agradeço à Giulia, nova irmã, vinda olter mare, e que muito contribuiu para meu trabalho e para mim como pessoa.. Agradeço aos amigos e companheiros de mestrado, em especial a Nathália, Camila, Erica, Elisangela e Adriana, que por muitas vezes alegraram dias e estabeleceram excelentes conversações sobre tantos temas da psicologia da saúde e outros.. Gostaria de muito agradecer aos professores: Dra. Marília Martins Vizzotto, Dr. Manuel Morgado Rezende, Ms. Mariantonia Chippari, Dr. Antônio de Pádua Serafim, por terem feito parte de desse percurso acadêmico tão importante, e por serem exemplos de profissionais e pessoas.. Ringrazio alla Dott.ssa Gremigni, del Dipartimento di Psicologia dell’Università degli Studi di Bologna, per aver accetatto di inaugurare l’interscambio tra la sua e la nostra università. Accogliendomi, e offrendomi l’opportunità di sviluppare le mie conoscenze scientifiche e statistiche, ciò mi ha permesso di realizzare una ricerca ampia e con solide fondamenta.. Agradeço à CAPES pelo financiamento e apoio para o desenvolvimento desse projeto, bem como ao Instituto Ideia Fértil de Reprodução Assistida que viabilizou as práticas em pesquisa.. Por fim agradeço aos participantes dessa pesquisa, por terem dividido seu mundo psicológico e permitindo que um novo estudo científico se realizasse..
(7) IV. “Di regola le grandi decisioni della vita umana hanno a che fare più con gli istinti che con la volontà cosciente e la ragionevolezza.” “Nella caduta ci sono già i germogli della risalita, fragili ma verdi. Vanno coltivati con premura.”.
(8) V. C.G. Jung ZAIA, Victor Mantoani. “ESTRESSE, DEPRESSÃO, SATISFAÇÃO SEXUAL, VIVÊNCIAS EMOCIONAIS E QUALIDADE DE VIDA EM PACIENTES DE AMBULATÓRIOS DE REPRODUÇÃO HUMANA”. RESUMO Este estudo teve como objetivos avaliar a Qualidade de Vida (QV), sintomas depressivos, estresse, satisfação sexual e vivências emocionais em pacientes que apresentam infertilidade. Participaram deste estudo 500 pessoas (mulheres e homens), com idade igual ou maior a 18 anos, pacientes de um ambulatório de reprodução humana localizado no Grande ABC Paulista. O estudo utilizou instrumentos de avaliação autoaplicáveis: WHOQOL-Bref, BDI-II, ISQ, ICQ, ISS e questionário sócio-demográfico. A caracterização da amostra estudada demostrou alto nível escolar (62,4%), boa condição econômica (80,2%), idade superior a 30 anos (82,8%) e a maioria apresenta infertilidade primária (73,2%). Quanto à QV, níveis de depressão e estresse os homens apresentam melhores resultados quando comparados às mulheres. No que ser refere aos níveis de satisfação sexual 56,6% dos participantes descrevem ter satisfação sexual, mas 45,4% afirmam ter insatisfação sexual e não houve diferença entre os gêneros. As análises dos dados mostraram que é maior o número de mulheres do que o de homens que procuram atendimento para infertilidade (64,8%). Pôde-se comprovar que além das dificuldades provenientes da infertilidade, o tratamento, também, impacta sobre a vida dessas pessoas. Foram diversos participantes que descreveram significativas mudanças (42,8%), dos quais apontaram em maioria absoluta (92,6) uma piora no estado de humor devido ao tratamento. Como também é alto o índice de pessoas que descrevem sintomas de depressão (38,8%) e estresse (31,4%) acima da média da população geral. Ao considerar as especificidades da qualidade de vida averiguou-se um maior impacto no domínio psicológico dos pacientes (15,20 pontos) comparado ao físico (15,68 pontos). Estes resultados ressaltam a importância do atendimento psicológico para as pessoas em programas de reprodução humana.. Palavras chaves: infertilidade, qualidade de vida, depressão, estresse e vivências emocionais..
(9) VI. ZAIA, Victor Mantoani. “PSYCHOLOGICAL ASPECTS AND QUALITY OF LIFE IN PATIENTS OF SERVICES MEDICALLY ASSISTED PROCREATION”. ABSTRACT This work aimed to evaluate the Quality of Life (QoL) depressive symptoms, stress, sexual satisfaction and emotional experiences in patients with infertility. Participated in the study 500 subjects (men and women), with a minimum age of 18 years, atendy at service of assisted reproductive technology (ART), located in the Greater ABC Paulista, Brazil. For the evaluations, we used the following tools: WHOQOL-Bref, BDI-II, ISQ, ICQ, ISS and socio-demographic questionnaire. The subjects showed a high level of education (62.4%), good economic situations (80.2%), the majority over 30 years (82.8%) and primary infertility (73.2%). On the QV, levels of depression and stress are men to have better results than women. Sexual satisfaction was found on 56.6% of subjects, with no differences between the genders. The analysis showed a greater number of women compared to men who seek service (64.8%). It has been shown that besides the difficulty of the problem of infertility care in ART, in itself, is an impact on the lives of these people. Several research participants have described changes in mood (42.8%), symptoms of depression (38.8%) and stress (41.4%) above the general population average. Considering the specific quality of life was examined whether a greater impact in the psychological domain (15.20 points) when compared to the physical domain (15.68 points). The results also showed the importance of psychotherapy for people in care in ART.. Keywords: infertility, quality of life, depression, stress and emotional experiences..
(10) VII. ZAIA, Victor Mantoani. “ASPETTI PSICOLOGICI E QUALITÀ DI VITA IN PAZIENTI DI SERVIZI DI PROCREAZIONE MEDICALMENTE ASSISTITA”. RIASSUNTO Questo lavoro ha avuto come obiettivi valutare Qualità di Vita (QV), sintomi depressivi, stress, soddisfazione sessuale e vissuti emozionali in pazienti con difficoltà di infertilità. Hanno partecipato allo studio 500 soggetti (tra donne e uomini), con età minima di 18 anni, tutti pazienti di un servizio di Procreazione Medicalmente Assistita (PMA), localizzato nel Grande ABC Paulista, Brasile. Per le valutazioni, sono stati utilizzati i seguenti strumenti autosomministrabili: WHOQOL-Bref, BDI-II, ISQ, ICQ, ISS e questionario sociodemografico. I soggetti hanno presentato un alto livello d’istruzione (62,4%), buone situazioni economiche (80,2%), maggioranza oltre i 30 anni (82,8%) e infertilità primaria (73,2%). Su QV, livelli di depressione e stress sono gli uomini ad avere migliori risultati rispetto alle donne. La soddisfazione sessuale è stata riscontrata nel 56,6% dei soggetti, senza differenze tra i generi. Le analisi dei dadi hanno dimostrato che le donne si rivolgono a questo tipo di servizio in misura maggiore rispetto agli uomini (64,8%). Si è comprovato che oltre le difficoltà date dal problema di infertilità, le cure richieste dalla PMA, in sé, hanno un forte impatto sulla vita di queste persone. Diversi partecipanti alla ricerca hanno descritto significativi cambiamenti (42,8%) dell’umore, di cui hanno descrito un calo (92,6%) in esso; livelli di stress (31,4%) e depressione (38,8%) oltre la media della popolazione generale. Considerando le specificità della QV, si è avvertito un maggior impatto sul dominio psicologico (15,20 punti), quando paragonato al dominio fisico (15,68 punti) dei pazienti. I risultati, inoltre, hanno dimostrato l’importanza della psicoterapia per il sostegno delle persone in cura in PMA.. Parole chiave: infertilità, qualità della vita, depressione, stress e vissuti emozionali..
(11) VIII. LISTA DE TABELAS Tabela 01. Descrição da Amostra ................................................................................................ 33 Tabela 02. Caracterização dos pacientes de um ambulatório de reprodução humana ................. 39 Tabela 03. Caracterização dos pacientes de um ambulatório de reprodução humana no que se refere à infertilidade ...................................................................................................................... 40 Tabela 04. Qualidade de Vida dos pacientes de um ambulatório de reprodução humana .......... 41 Tabela 05. Comparação da Qualidade de Vida entre homens e mulheres pacientes de um ambulatório de reprodução humana ............................................................................................. 41 Tabela 06. BDI-II – Sintomas depressivos dos pacientes de um ambulatório de reprodução humana .......................................................................................................................................... 42 Tabela 07. BDI-II – Sintomas depressivos dos pacientes, mulheres e homens, de um ambulatório de reprodução humana .................................................................................................................. 42 Tabela 08. Presença de estresse dos pacientes de um ambulatório de reprodução humana ........ 42 Tabela 09. Presença de estresse dos pacientes de um ambulatório de reprodução humana ........ 43 Tabela 10. Fatores do ICQ - vivências emocionais ligados à infertilidade ................................. 44 Tabela 10.1. ICQ na população estudada .................................................................................... 44 Tabela 11. Vivências emocionais ligados à infertilidade na população estudada ....................... 44 Tabela 12. Vivências emocionais ligadas à infertilidade e diferença por gênero ........................ 45 Tabela 13. Satisfação Sexual ....................................................................................................... 45 Tabela 14. Comparação da Satisfação Sexual por gênero ........................................................... 45 Tabela 15. Domínios do WHOQOL-Bref e dados descritivos da amostra .................................. 46 Tabela 16. Níveis de depressão (BDI-II) e dados descritivos da mostra ..................................... 53 Tabela 17. Níveis de estresse e dados descritivos da amostra ..................................................... 56 Tabela 18. Vivências emocionais (ICQ) e dados descritivos da amostra .................................... 58 Tabela 19. Qualidade de Vida e Depressão – ANOVA com HSD de Tukey .............................. 61 Tabela 20. Qualidade de Vida e Estresse (ISQ) – ANOVA com HSD de Tukey ....................... 64 Tabela 21. Qualidade de Vida e Satisfação Sexual ..................................................................... 67 Tabela 22. Depressão (BDI-II) e Estresse (ISQ) ......................................................................... 68 Tabela 23. Depressão (BDI-II) x Satisfação Sexual (ISS) .......................................................... 69 Tabela 24. Estresse (ISQ) e Satisfação Sexual (ISS) ................................................................... 70.
(12) IX. Tabela 25. “É possível ser feliz mesmo sem filhos” (ICQ) e Satisfação Sexual (ISS) ............... 70.
(13) X. LISTA DE FIGURAS Figura 0. Gráfico decrescente de autovalores …........................................................................................ 43 Figura 1. Domínio 1 – Físico, do WHOQOL-Bref x Idade …................................................................... 47 Figura 2. Domínio 1 – Físico, do WHOQOL-Bref x Crença na possibilidade de sucesso ….................... 47 Figura 3. Domínio 1 – Físico, do WHOQOL-Bref x Mudança de humor ….........................................… 47 Figura 4. Domínio 2 – Psicológico, do WHOQOL-Bref x Gênero …....................................................... 48 Figura 5. Domínio 2 – Psicológico, do WHOQOL-Bref x Tipo de infertilidade ….................................. 48 Figura 6. Domínio 2 – Psicológico, do WHOQOL-Bref x Diagnóstico …...........................…................. 49 Figura 7. Domínio 2 – Psicológico, do WHOQOL-Bref x Crença na possibilidade de sucesso …........... 49 Figura 8. Domínio 2 – Psicológico, do WHOQOL-Bref x Mudança de humor ….................................... 49 Figura 9. Domínio 3 – Relações Sociais, do WHOQOL-Bref x Gênero …...........................…...........…. 50 Figura 10. Domínio 3 – Relações Sociais, do WHOQOL-Bref x Tipo de infertilidade …........................ 50 Figura 11. Domínio 3 – Relações Sociais, do WHOQOL-Bref x Mudança de humor ..…....................... 50 Figura 12. Domínio 4 – Meio ambiente, do WHOQOL-Bref x Escolaridade ...........…............................ 51 Figura 13. Domínio 4 – Meio ambiente, do WHOQOL-Bref x Renda anual …........................................ 51 Figura 14. Domínio 4 – Meio ambiente, do WHOQOL-Bref x Mudança de humor …............................ 51 Figura 15. Domínio Overall do WHOQOL-Bref x Tratamento anterior em ART …................................ 52 Figura 16. Domínio Overall do WHOQOL-Bref x Diagnóstico …...........................…............................ 52 Figura 17. Depressão x Psicoterapia …...........................…...........................…........................................ 54 Figura 18. Depressão x disponibilidade para novas tentativas …...........................…............................... 54 Figura 19. Depressão x Crença na possibilidade de sucesso …...........................….................................. 54 Figura 20. Depressão x Mudança de humor …...........................…...........................…............................ 55 Figura 21. Depressão x Como mudou seu humor …...........................…...........................….................... 55 Figura 22. Estresse x Gênero …...........................…...........................…...........................….................... 56 Figura 23. Estresse x Tipo de infertilidade …...........................…...........................….............................. 57 Figura 24. Estresse x Diagnóstico …...........................…...........................…...........................…............. 57 Figura 25. Estresse x Mudança de humor …...........................…...........................…................................ 57 Figura 26. Estresse x Como mudou seu humor …...........................…...........................…....................... 58 Figura 27. Fator 1 – Ter um filho é a questão central da minha vida e completa a minha vida conjugal x Tempo de união do casal …...........................…...........................…...........................…............................ 59 Figura 28. Fator 1 – Ter um filho é a questão central da minha vida e completa a minha vida conjugal x Crença na possibilidade de sucesso …...........................…...........................…...........................…........... 59 Figura 29. Fator 3 – O suporte social é importante x Gênero …...........................…................................. 60 Figura 30. Fator 3 – O suporte social é importante x Escolaridade …...........................…........................ 60 Figura 31. Fator 3 – O suporte social é importante x Psicoterapia …...........................…......................... 60 Figura 32. Domínio 1 – Físico, do WHOQOL-Bref x Depressão …...........................….......................... 62 Figura 33. Domínio 2 – Psicológico, do WHOQOL-Bref x Depressão …...........................…................. 62 Figura 34. Domínio 3 – Relações Sociais, do WHOQOL-Bref x Depressão …........................................ 63 Figura 35. Domínio 4 – Meio ambiente, do WHOQOL-Bref x Depressão …........................................... 63 Figura 36. Domínio 1 – Físico, do WHOQOL-Bref x Estresse …...........................….............................. 64 Figura 37. Domínio 2 – Psicológico, do WHOQOL-Bref x Estresse …...........................…..................... 65 Figura 38. Domínio 3 – Relações Sociais, do WHOQOL-Bref x Estresse …........................................... 65 Figura 39. Domínio 4 – Meio ambiente, do WHOQOL-Bref x Estresse …...........................…............... 65 Figura 40. Overall do WHOQOL-Bref x Estresse .…..........................…...........................…................... 66 Figura 41. Domínio 2 – Psicológico, do WHOQOL-Bref x É possível ser feliz mesmo sem filhos do ICQ …...........................…...........................…...........................…...........................…...........................…....... 66 Figura 42. Overall do WHOQOL-Bref x Fator 1 – Ter um filho é a questão central da minha vida e completa a minha vida conjugal, do ICQ …...........................…...........................….................................. 67 Figura 43. Depressão x Estresse …...........................…...........................…...........................…............... 68.
(14) XI. Figura 44. Estresse x Fator 1 – Ter um filho é a questão central da minha vida e completa a minha vida conjugal, do ICQ …...........................…...........................…...........................…........................................ 69.
(15) XII. SUMÁRIO 1. APRESENTAÇÃO E JUSTIFICATIVA ............................................................................. 12 2. INFERTILIDADE: ASPECTOS GERAIS E REPRODUÇÃO HUMANA ....................... 13 2.1 Aspectos fisiopatológicos da infertilidade/esterilidade .............................................. 15 2.2 Reprodução Humana Assistida (Art) .......................................................................... 16 3. PSICOLOGIA E ART ......................................................................................................... 18 3.1 Qualidade de Vida, WHOQOL-Bref e a Infertilidade ................................................ 21 3.2 Transtorno Depressivo e método investigativo .......................................................... 24 3.3 Estresse, vivências emocionais e métodos investigativos .......................................... 28 3.4 Satisfação sexual e método investigativo por meio do Index of Sexual Satisfaction (ISS) .................................................................................................................................. 31 4. MÉTODO ................................................................................................................................ 33 4.1 Participantes ................................................................................................................ 33 4.2 Local ........................................................................................................................... 33 4.3 Ambiente .................................................................................................................... 34 4.4 Instrumentos ............................................................................................................... 34 4.5 Procedimento .............................................................................................................. 36 4.6 Aspectos Éticos ........................................................................................................... 37 4.7 Análise dos dados ....................................................................................................... 37 5. RESULTADOS ....................................................................................................................... 39 5.1 Caracterização da Amostra ......................................................................................... 39 5.2 Qualidade de vida e gênero ........................................................................................ 41 5.3 BDI-II e gênero ........................................................................................................... 42 5.4 ISQ e gênero ............................................................................................................... 42 5.5 ICQ e gênero ............................................................................................................... 43 5.6 ISS e gênero ................................................................................................................ 45 5.7 Relações entre os dados sociodemográficos, da infertilidade e dos Instrumentos utilizados .................................................................................................................... 46 5.7.1 Dados Descritivos e WHOQOL-Bref .......................................................... 46 5.7.2 Dados Descritivos e BDI-II ......................................................................... 53 5.7.3 Dados Descritivos e ISQ .............................................................................. 56 5.7.4 Dados Descritivos e ICQ ............................................................................. 58 5.8 Relações e correlações entre os instrumentos utilizados no estudo ............................ 61 5.8.1 Qualidade de Vida e Depressão ................................................................... 61 5.8.2 Qualidade de Vida e Estresse ...................................................................... 64 5.8.3 Qualidade de Vida e Vivências Emocionais ................................................ 66 5.8.4 Qualidade de Vida e Satisfação Sexual ....................................................... 67 5.8.5 Depressão e Estresse .................................................................................... 68 5.8.6 Depressão e Satisfação Sexual .................................................................... 69 5.8.7 Estresse e Vivências Emocionais ................................................................ 69 5.8.8 Estresse e Satisfação Sexual ........................................................................ 70 5.8.9 Vivências Emocionais e Satisfação Sexual ................................................. 70 5.9 Comparações sem significância estatística ................................................................. 70.
(16) XIII. 6. DISCUSSÃO ........................................................................................................................... 71 7. CONSIDERAÇÕES FINAIS ................................................................................................. 77 8. REFERÊNCIAS ...................................................................................................................... 80 9. ANEXOS 9.1 Anexo I: Parecer Consubstanciado do Cometê de Ética com o título original da pesquisa. 9.2 Anexo II: Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE) 9.3 Anexo III: WHOQOL-Bref - Questionário de qualidade de vida da OMS 9.4 Anexo IV: Beck Depression Inventory (BDI-II) 9.5 Anexo V: Infertility Stress Questionnaire (ISQ) 9.6 Anexo VI: Infertility Concern Questionnaire (ICQ) 9.7 Anexo VII: Index of Sexual Satisfaction (ISS). 10. APÊNDICE – QUESTIONÁRIO SÓCIO-DEMOGRÁFICO.
(17) 14. 1. APRESENTAÇÃO E JUSTIFICATIVA Depois de alguns anos de experiência clínica e em pesquisa com adolescentes grávidas em ambulatórios de ginecologia e obstetrícia, surgiu o interesse de estudar mulheres em situação de infertilidade. Para possibilitar o desenvolvimento desta pesquisa, dirigiu-se à uma clínica de Reprodução Humana Assistida onde foi possível averiguar os aspectos psicológicos, tais como estresse, qualidade de vida, depressão e satisfação sexual em uma parcela da população com infertilidade. Observa-se na prática clínica e é confirmado pela literatura que esta população tende a desenvolver um quadro mais intensificado de sintomas com tendência ao negativismo, estresse e depressão (confronta: AGOSTINI et al., 2011; KARATAS et al., 2011; BOIVIN; GRIFFITHS; VENETIS, 2011; MOURA-RAMOS et al., 2012), o que parece contribuir para a redução da qualidade de vida e da satisfação sexual (confronta: AARTS et al. (2011); ALVANI, 2012; TAO; COATES; MAYCOCK, 2012; ANDERSON, 2013). Dessa forma, além da curiosidade inicial do pesquisador, pôde-se considerar importante a realização de trabalhos que como este, que aborde a questão da saúde reprodutiva e seus possíveis reflexos na saúde geral das pessoas, principalmente diante do alto número de casos de infertilidade na população geral. Não se pretende todavia, exaurir a temática estudada, mas sim oferecer um contributo..
(18) 15. 2. INFERTILIDADE: ASPECTOS GERAIS E REPRODUÇÃO HUMANA. A infertilidade primária ou secundária é compreendida como a incapacidade de concepção no período mínimo de um ano de tentativas constantes para engravidar em mulheres em idade fértil (15-49 anos), sexualmente ativas e não usuárias de contraceptivos (WHO, 2001 e 2002). De acordo com Chelo (1994) existe uma diferença entre esterilidade e infertilidade, não obstante o uso como sinônimo por pacientes e alguns médicos para indicar a dificuldade na concepção durante um tempo de tentativas para engravidar; Enquanto a infertilidade seria a incapacidade de concluir com sucesso uma gestação, a esterilidade é a incapacidade inclusive de iniciar uma gestação. Todavia grande parte dos estudos sobre o referido tema não fazem essa distinção no uso dos termos, principalmente devido à ideia de partir-se da infertilidade, a esterilidade seria considerada a partir de um diagnóstico específico, tanto é que a própria Organização Mundial da Saúde (OMS) traz seus escritos referidos à infertilidade. Existem diferentes classificações de esterilidade segundo a Organização Mundial de Saúde (WHO, 1991) e ratificado pela Federação Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO, 1997): Esterilidade primária: seria a incapacidade de concepção de um indivíduo, após um ano de tentativas constantes e sem uso de qualquer método anticonceptivo para engravidar. Segundo Drosdzol e Skrzypulec (2009) é considerável tentativa constante de engravidar a realização do coito de 4 a 5 vezes na semana; Esterilidade secundária: configura a condição de um indivíduo, que apesar de já ter concebido uma criança, depois de dois anos desse nascimento, não consegue mais a ter uma nova gravidez (o período de 2 anos, deve ser calculado do retorno do ciclo menstrual após a gravidez anterior). A fecundidade de um casal ou indivíduo é calculada de forma estatística, baseada em uma escala da população geral. Tem-se hoje uma aproximativa de 25% de chance para engravidar a cada ciclo menstrual. A frequência das relações sexuais e como esta se distribui ao longo do ciclo feminino influi sobre a percentual de sucesso de gravidez, sendo que a probabilidade é máxima no período de 4 dias anteriores até 2 dias depois da ovulação. Com a forte ligação da fecundidade ao ciclo reprodutivo feminino, historicamente a mulher era tida como a principal responsável pela infertilidade. Todavia sabe-se hoje que o fator masculino está presente em 40-60% dos casos, e existem 10-30% de casais que o fator infertilidade se encontra em ambos (ADAMSON; BAKER, 2003; CHANDRA; STEPHEN, 1998)..
(19) 16. Com relação à prevalência da infertilidade na população geral, a Organização Mundial da Saúde estima que seria entre 8 a 10 por cento da população casada e em idade reprodutiva – equivalente a 1 casal a cada 6 no mundo com problemas de infertilidade (Drosdzol e Skrzypulec, 2009) - isso comportaria importantes implicações demográficas e sobre à saúde, além de um profundo impacto individual, incidindo fortemente sobre as vivências psicológicas de muitos casais. Assim, nesse contexto sociocultural, a Reprodução Humana Assistida, do termo inglês Assisted Reproductive Technology (ART) é uma prática cada vez mais difundida (WHO, 1991). A ART ofereceria um tratamento e otimização da possibilidade de engravidar das mulheres e respectivos casais em situação de infertilidade, de modo a oferecer a essas pessoas a probabilidade de 25% de engravidar a cada ciclo menstrual, recordando que esta seria a porcentagem do êxito de uma gravidez normal. Ainda que se objetive aos 25%, estatisticamente é uma porcentagem relativamente baixa de sucesso de gravidez, principalmente em relação ao alto investimento pessoal e financeiro, muitas vezes, feitos por essas pessoas, além de que frente a cada falimento, gera-se novo sofrimento e impacto sócio-psicológico (WHO, 2002). Por mais que a idade reprodutiva, como apresentada anteriormente, seja entre 15 e 49 anos, os estudos médicos, como indicam Collins e Crosignani (2005) indicam uma maior redução da fertilidade a partir dos 35 anos, isto devido a esta idade estar associada a diversas mudanças nas práticas obstétricas, e a partir da idade de 38 anos, ocorreria um marco biológico de redução nas expectativas de fertilidade. Confirmando essa informação, pode-se confrontar os estudos de Robinson et al. (1987), Bewley et al. (2005), McMahon et al. (2007) e Bornstein et al. (2006), que pesquisaram problemáticas gestacionais de mulheres em diversas idades, o que se encontra são que mães mais velhas possuem maiores experiências de dificuldades reprodutivas, tempos maiores para conseguirem conceber e maiores riscos de aborto e complicações obstétricas. Ainda pode-se evidenciar dessas pesquisas que a idade da mulher influi como fator determinando sobre a dificuldade reprodutiva, tendo como consequência uma redução da probabilidade de concepção e da reserva ovárica. A Organização Mundial da Saúde (WHO, 2002) declarou a infertilidade como causa de desconforto social, que atinge milhões de pessoas. Isto fez com que a busca e requisição de serviços de reprodução humana aumentasse de forma considerável em todo o mundo..
(20) 17. 2.1 Aspectos fisiopatológicos da infertilidade/esterilidade. Righetti et al. (2009) trazem uma série de apontamentos sobre as causas e os tipos de esterilidade, sendo assim faz uma divisão para os casais inférteis em: Casais estéreis nos quais ao menos um dos companheiros apresenta algum fator de esterilidade; Casais com esterilidade idiopática (sem causa aparente) nos quais não foram possíveis definir algum fatos de esterilidade específico. Casais inférteis, ou por razões biológicas ou por repetidos abortos espontâneos. Além dessas características os mesmos autores reportam uma série de porcentagens com a incidência das principais causas de esterilidade que seriam semelhantes para todo o mundo, sendo então: fator feminino, 57% (entre eles: defeito ovulatório, 29%; fator tubários, 16%; endometriose, 7%; fator cervical, 2%; fator uterino, 3%); fator masculino, 21%; esterilidade não explicada, 4%; Fator feminino e masculino, 18% e Outros, 4%. A porcentagem não deve ser somada, pois fatores diversos podem coexistirem. Ainda segundo Righetti et al. (2009) a identificação das incidências advém da própria forma de diagnosticar a esterilidade, que normalmente é feita observando quatro níveis: qualidade do esperma, ovulação, genitais masculinos/femininos, possível incompatibilidade entre esperma e genital feminino. A partir de então, a infertilidade pode ser secundária a um fator masculino, a um feminino ou como mais comum, à combinação de fatores que se apresentam em ambos os indivíduos, considerando sempre o casal. Gullo, Di Leo e Carlino (1996), Luisi et al. (2002) e Righetti et al. (2009) descrevem em seus escritos os diversos fatores que influem sobre a esterilidade feminina e masculina, aspectos físicos e psicológicos. Neste momento se aterá aos aspectos físicos da esterilidade feminina. Segundo esses autores grande parte da esterilidade feminina provém de causas anatómicas, bioquímicas (reações imunológicas) e fisiológicas (distúrbios ovulatórios). Os problemas fisiopatológicos podem ser: endometriose, fator ovárico, tubário, cervical e peritoneal, ou seja possuem diversas localizações anatômicas e diferentes etiologias. Alguns autores como Bonde et al. (1998), Guzik et al. (2001), Slama et al. (2002) e Kvist e Björndahl (2002) apontam que apesar dos poucos estudos sobre o sêmen de homens com diagnóstico de infertilidade, o que se tem é um alto nível de concordância entre as características semiológicas de homens férteis e inférteis. Índices como concentração e morfologia dos.
(21) 18. espermatozoides são amplamente associadas à fecundidade, porém a capacidade deles de prever um quadro de infertilidade é limitada. Segundo Righetti et al. (2009), na categoria de esterilidade idiopática, poderia ser considerada também aquela psicogênica, a qual propõem uma etiologia do tipo psicológico. Porém seja para a idiopática, seja para a psicogênica, não se compreende adequadamente todas as variáveis, causais e de consequências que estão presentes. O último tipo apresentado pelo autor é a esterilidade imunológica na qual existem anticorpos, sejam feminino (isoanticorpos) e/ou masculino (anticorpos anti-espermatozoide) que atacam o espermatozoide comprometendo sua funcionalidade. Quando um casal é diagnosticado com este tipo de esterilidade, não ocorre o anulamento da possibilidade de gravidez, mas sim uma considerável redução que ela venha ocorrer, ou seja pode-se considerar como um caso de infertilidade, mais que esterilidade.. 2.2 Reprodução Humana Assistida (Art) Como definido anteriormente, a Reprodução Humana Assistida, da sigla em inglês ART, consiste em um técnica médica que possibilita ou aumenta a probabilidade de casais inférteis gerarem uma criança (WHO, 1991). Com relação aos pacientes que recorrem a ART, são cerca 85-95% aqueles que necessitariam apenas de um tratamento convencional, considerado de I nível, e apenas 3% necessitaria de técnicas mais invasivas, as de II nível, como é o caso da Fertilização In Vitro com Transferência de Embrião, FIVET (COUSINEAU; DOMAR, 2007). O tratamento convencional (I nível) pede uma fecundação in vivo, ou seja, a fecundação ocorre dentro do corpo feminino. Para tanto é realizado a “inseminação artificial” (InArt), ou seja, os espermatozoides são coletados do homem e são injetados dentro do aparato genital feminino com o uso de instrumentos adequados para tanto. Esse procedimento pode ser realizado com o companheiro dessa mulher (InArt homóloga AIH) ou com o de um doador (InArt heteróloga AID) (WHO, 2002; COUSINEAU; DOMAR, 2007; NYBOE-ANDERSEN et al. 2008). De acordo com Chelo (1992 e 1994), Flamigni (1998), Gianaroli et al. (2000) e Cousineau e Domar (2007), as técnicas de II nível se diferenciam das de I nível devido à manipulação dos gametas femininos e masculinos, além de compreender quase sempre a fertilização in vitro..
(22) 19. Esta breve introdução sobre a infertilidade e ART que abordou sobretudo os aspectos físicos-fisiológicos e histórico, procurou situar o leitor no tema, em seguida será abordado os diversos aspectos de cunho psicológico que envolvem a reprodução humana assistida..
(23) 20. 3. PSICOLOGIA E ART. Segundo Atkinson et al. (2002), a psicologia enquanto ciência pode ser definida como aquela que estuda o comportamento e processos mentais, estudos estes que podem ser realizados com seres humanos no intuito de melhor compreendê-los. Tendo definido as bases do estudo psicológico, torna-se passível investigar diversos fenômenos que ocorrem ou são relacionado aos seres humanos, como por exemplo, qualidade de vida, estresse, sintomas depressivos e satisfação sexual, aspectos esses abordados por este trabalho. A fazer relação entre a Psicologia e ART são diversos autores (entre eles: BERNSTEIN et al., 1992; BEAUREPAIRE et al., 1994; BARTLIK et al., 1997; ARDENTI et al., 1999; HURST et al., 1999; RIGHETTI; LUISI, 2007; MONTI et al., 2009; RAMAZANZADEH et al., 2009; DROSDZOL; SKRZYPULEC, 2009; WISCHMANN et al., 2009), que evidenciam o quanto a infertilidade é acompanhada por diversos problemas psicológicos, como estresse, depressão, insatisfação sexual, baixa auto-estima, entre outros. Problemas estes que segundo Martinelli e La Sala (2009), não devem ser observados em uma relação unilateral, isto é, a infertilidade não gerará determinado e específico problema psicológico, pois é uma relação ampla, ou seja, composta por uma esfera afetiva-emocional-relacional. Wirtberg et al. (2007) em seu estudo, escrevem que a infertilidade geraria uma interrupção dos processos evolutivos do casal e do indivíduo, perda de controle sobre a sua própria existência e emoções, além de alterar a percepção da identidade de cada um. Neste sentido Alvani (2012) 1 verifica uma relação inversa entre saúde mental e esterilidade, algo demonstrado também por Costabile e Spevak (1999) que ainda aponta para uma redução do bemestar geral dos casais inférteis, com sentimentos de culpa e evitamento relacionados aos problemas de fertilidade, principalmente na mulher. Anderson (2013) descreve que a percepção da infertilidade e daquilo que ela comporta influi na adaptação psicológica. Bringhenti et al., 1997; Newton et al., 1999; Brucker e McKenry (2004), AuhagenStephanos, 2008; Drosdzol e Skrzypulec, 2009 e Agostini et al. (2011) demonstram que pessoas que buscam ter filhos e que não obtém o sucesso esperado, apresentam infelicidade, baixo suporte social, frustração mental e existencial, com agravo a cada nova tentativa com insucesso.. 1. ALVANI, J. Psychological condition due to infertility. 20th European Congress of Psychiatry. 2012..
(24) 21. Além do gradual rebaixar do suporte social, descrito anteriormente, Auhagen-Stephanos (2008), acrescentam sobre o isolamento social e o voltar-se à si mesmo, realizado principalmente pela mulher, isso ocorreria a partir do sentimento de culpa, pelo medo de exposição ao ridículo, por sua incapacidade de realizar o que todo o animal pode fazer, que é ter um filho. Sendo assim, a esterilidade biológica pode sim levar à uma esterilidade social, iniciando assim, um perigoso círculo vicioso. Adjiman e Mouzon (2002), Drosdzol e Skrzypulec (2009), reforçam que para o casal, representa um grande desastre em suas existências, chegando a apresentar sintomas psicopatológicos, como ansiedade e depressão em níveis semelhantes à diversas doenças crônicas, como doenças cardíacas, neoplasias, isquemias e hipertensão. Edelmann, Connolly et al. (1994), indicaram alguns fatores que levariam à redução do bem-estar do casal: dificuldades na sexualidade; duração da infertilidade (levaria também ao aumento do estresse); procedimentos diagnósticos, tais como testes, exames, bem como o diagnóstico em si e o prognóstico (aumentaria o nível de ansiedade sobretudo), quando vem atribuído a um dos membros do casal a “culpa” do não engravidar. Bringhenti et al. (1997), Akhter et al. (2011), aprofundam a temática do diagnóstico e suas repercussões. Segundo os autores, um diagnóstico que levante causas inexplicadas, pode repercutir no casal de modo diferente do que um diagnóstico que aponte a causa exata da infertilidade, sendo que a primeira, influenciaria de modo negativo na relação do casal, enquanto a segunda, com causa específica não. Para essas conclusões, em seu estudo, os autores comparam casais nos quais as mulheres tinham infertilidade orgânica e outros cujos tinham o diagnóstico de infertilidade não explicada. Os resultados indicam que as mulheres com o diagnóstico de infertilidade orgânica estão muito mais satisfeitas na relação com seus maridos do que as com diagnóstico de infertilidade inexplicada. Os autores concluem, que essa baixa satisfação na última população, seria advinda da falta da explicação para a dificuldade dessas mulheres de conceberem uma criança. A partir das dificuldades do casal, procurou-se averiguar a relação entre infertilidade e sua percepção a partir do gênero, tema já estudado por autores como: Bostofte et al. (1993), Greil (1997), Bringhenti et al. (1997), Bielawska-Batorowicz (1998), Bar-Hava et al. (2009), Edelmann e Connolly, 2000; Benyamini et al., 2005; Schneider e Forthofer, 2005; Schmidt, et al., 2005; Pook e Krause, 2005, Peterson et al., 2006; Akyuz e Sever (2009), Benyamini et al..
(25) 22. (2009) e Borneskog et al. (2012). E indicam que a são as mulheres a serem maiormente afetadas, provavelmente por um comprometimento da adaptação à infertilidade, este que teria origem em alguns fatores (para ambos os gêneros, com acentuação na mulher), como por exemplo: repetição de ciclos; não querer adotar uma criança; término do ciclo sem sucesso; desemprego; baixa autoestima; tendência à introversão e à instabilidade emocional. Em contrapartida identificaram também que uma relação positiva entre os indivíduos do casal seria um fator positivo para a adaptação à infertilidade. Apesar de vários estudos indicarem um maior afeto pela parte feminina, os homens também sofrem impactos, os autores Elsenbruch et al. (2003), Zerach et al. (2010) e Štulhofer et al. (2013), indicam que os homens percebem consideravelmente menos o suporte social, de amigos e família, e da equipe de saúde reprodutiva quando comparados às mulheres. Isso gera um aumento de ansiedade nesses homens. Ainda indicam que a grande maioria dos homens desiste de realizar a ART devido à dificuldades financeiras. Todavia, para ambos, a relação com o médico pode ser o motivo de vinculação ou desistência do tratamento e o bem-estar psicológico é um fator importante a ser considerado (SINA; TER MEULEN; DE PAULA, 2010). Com os diversos fatores envolvidos na ART, muitos dos quais de origem psicológicas, alguns autores tiveram o interesse de pesquisar o impacto direto da psicoterapia e acompanhamento psicológico sobre as pessoas com problema de infertilidade. Dentre essas pesquisas, pode-se destacar as dos autores, Ramezanzadeh et al. (2006), Hentschel et al. (2008), Sina, Ter Meulen e De Paula (2010), Iris, Kirmizi e Taner (2013) e Anderson (2013), que identificaram uma influência positiva sobre os resultados do tratamento bem como a adesão a ele. Isto é, o acompanhamento psicológico melhoraria significativamente o tratamento que finalizam de modo positivo, isto é, com uma gestação, bem como uma melhor adesão, seja no primeiro ciclo de tratamento, seja em possíveis repetições de novos ciclos. Todavia, Boivin (2003) e Millheiser et al. (2010) dizem que são poucos os pacientes a realizarem um acompanhamento psicológico, a maioria alega não fazê-lo por motivos práticos: “não sei com quem falar”, “não sei como poderia ser útil”, o que seria indicado pelo estudo como uma possível forma de resistência. Uma outra significativa contribuição da psicologia para as pessoas com infertilidade é a clarificação do que esta significa e quais são as possibilidades de tratamento, pois ainda que a infertilidade afete de modo considerável as pessoas que assim são diagnosticadas, muitas não sabem com exatidão o que ela significa, dessa forma seria essencial o papel da psicologia desde o.
(26) 23. diagnóstico até a finalização do tratamento (BLAKE et al., 1997; BOIVIN; SCANLAN; WALKER, 1999). Com um acompanhamento contínuo seria possível não somente à ressignificação e compreensão da infertilidade mas também gerar um impacto sobre a adesão ao tratamento, melhoria na relação médico paciente, redução de estresse e tensão, melhoria na relação do casal e na satisfação sexual. Enfim, a psicologia pode melhorar a qualidade de vida geral desses pacientes, além de melhorar a própria chance de sucesso do tratamento em ART (BERG; WILSON, 1991; BRINGHENTI et al., 1997; BURNS, 2007; HENTSCHEL et al., 2008; ABEDINIA; RAMEZANZADEH; NOORBALA, 2009; SINA; TER MEULEN; DE PAULA, 2010).. 3.1 Qualidade de Vida, WHOQOL-Bref e a Infertilidade Ao longo da história da humanidade, a saúde ou o conceito de saúde sofreu fortes mudanças, um exemplo disso, é o caminhar da ideia que as doenças são de origens sobrenaturais, como por desgosto dos deuses, até a visão recente da biologia e da medicina dentro de uma visão científica moderna (VOLICH, 2002). Esta última, é conhecida pelo nome de Modelo Biomédico, no qual há uma cisão mente e corpo, e a saúde é vista como a ausência de agentes etiológicos que poderiam alterar o funcionamento normal do organismo, não há portanto uma relação cultural ou social, o ambiente e colocado quando possível proliferador de agentes patológicos (BOWLING, 2002). Em uma tentativa de estabelecer um novo modelo, novas teorias foram desenvolvidas na modernidade e contemporaneidade, com o objetivo de ampliar a visão de doença e saúde. Tem-se então o Modelo biopsicossocial, ou ecológico, chamado assim por considerar os aspectos biológicos (ex.: aspectos físicos gerais e específicos), psicológicos (ex.: comportamentos) e sociais (ex.: cultura e história de vida) que envolvem os processos de saúde e doença de cada indivíduo. Existem então diversos agentes e de diversas origens que atuam conjuntamente em cada pessoa de modo a levá-la ao adoecer ou ao bem-estar, não sendo estes oposições, mas um processo circular (SULS; ROTHMAN, 2004; APA, 2006)..
(27) 24. A OMS passa então a considerar a saúde não como a ausência de doença, mas como um quadro de bem-estar físico, emocional e social, no qual a percepção de cada indivíduo é indispensável para a o estabelecimento do nível de sua saúde (WHO, 2004). Como a consideração do bem-estar, o conceito de Qualidade de Vida (QV) que acompanha a evolução da visão da saúde sofre alterações e passa a ser cada vez mais citado e a influenciar as proposições de políticas públicas e práticas na área da saúde (SEID; ZANNOM, 2004). Farguhar (1995) reforça que o conceito de QV vem sendo constantemente modificado e se encontra ainda em processo de construção, todavia seria já consenso que a Além das referidas variações, Kimura (1999) demonstra existir variações intraculturais e intrasociais e que estas QV possui fatores subjetivos e objetivos, variando para cada sociedade, cultura e indivíduo. ocorreram ao longo dos anos e torna-se um conceito multidimensional e o indivíduo passa a ser compreendido como um todo, dentro de um olhar interdisciplinar, e primase então, não apenas pela prevenção das doenças, mas também pela promoção da saúde. Este mesmo autor especifica os aspectos subjetivos que compõem a QV, incluindo aspectos do comportamento afetivo-emocional, da capacidade funcional, da interação social, do trabalho, da situação econômica. Sendo assim, fazem parte da avaliação da QV o estresse, sintomas depressivos e vivências afetivas; além da inclusão da avaliação e percepção do indivíduo sobre a própria qualidade de vida como um todo, acompanhando portanto o modelo de saúde em vigor. Com a inserção da subjetividade a definição do conceito QV não pode ser clara no sentido objetivo, todavia, a subjetividade torna de extrema relevância as informações provenientes do indivíduo na avaliação de eficácia, abordagem, adesão e impactos originados de determinados tratamentos para grupos de doenças específicas. Pelo conceito de QV ser amplo, é possível a realização de avaliações quantitativas e qualitativas, para tanto criou-se vários instrumentos e índices, de forma a não somente avaliar o indivíduo, mas também, como relatado acima, grupos (saudáveis ou não), de modo a identificar novas formas de prevenção e promoção. Estas avaliações podem ser feitas de dois modos: específico – capazes de avaliar pormenores de determinados aspectos da qualidade de vida; e genérico – capaz de demonstrar o impacto de uma doença na vida de indivíduos em distintas populações (PATRICK; DEYO, 1989; GUYATT, 1995). Com a possibilidade da avaliar a QV e visto a importância do seu estudo e desenvolvimento, em 1995, a Organização Mundial da Saúde (OMS), criou o “The WHOQOL.
(28) 25. Group” com o objetivo de definir o conceito e criar instrumentos de avaliação. O grupo WHOQOL, tendo como base a multidimensionalidade e aspectos subjetivos (positivos e negativos) que compõem a QV, criou o WHOQOL-100. (THE WHOQOL GROUP, 1995) O WHOQOL-100 é uma escala extensa e para que se houvesse a possibilidade de uma aplicação desse instrumento de uma forma mais rápida, o WHOQOL Group também desenvolveu uma versão abreviada, conhecida como WHOQOL-bref. Essa é uma escala autoaplicável que contempla quatro grandes domínios da vida humana: físico, psicológico, relações sociais e meio ambiente; possuindo 26 questões distribuídas entre esses domínios (THE WHOQOL GROUP, 1995; SKEVINGTON; LOTFY; O’CONNELL, 2004). A validação desta escala envolveu 23 países, entre eles o Brasil. Não obstante a redução no número de questões, a escala reduzida contempla todas as 24 facetas apresentadas no WHOQOL-100, possuindo para tanto, uma questão por item. Skevington, Lotfy e O’connell (2004) explicitam quais as facetas que se relacionam a cada domínio no WHOQOL-bref, são elas: Domínio 1 ou Físico: Dor e desconforte; Energia e fadiga; Sono e repouso; Mobilidade; Atividades da vida cotidiana; Dependência de medicação ou de tratamentos; Capacidade de trabalho; Domínio 2 ou Psicológico: Sentimentos positivos; Pensar, aprender, memória e concentração; Autoestima; Imagem corporal e aparência; Sentimentos negativos; Espiritualidade, religião, crenças pessoais; Domínio 3 ou Relações Sociais: Relações pessoais; Suporte (apoio) social; Atividade sexual; Domínio 4 ou Meio Ambiente: Segurança física e proteção; Ambiente no lar; Recursos financeiros; Cuidados de saúdes e sociais, vistos pela disponibilidade e qualidade; Oportunidades de adquirir novas informações e habilidades; Participação e oportunidades de recreação e lazer; Ambiente físico (poluição, ruído, trânsito, clima); Transporte. Com o enfoque da OMS sobre a Qualidade de Vida, as áreas da saúde se voltam cada vez mais sobre esse tema e sua melhoria passou a ser um dos resultados esperados tanto das práticas assistenciais, quanto das políticas públicas para o setor, nos campos da promoção da saúde e da prevenção de doenças. Ao considerar a promoção de saúde ou simplesmente a melhoria da QV para diferentes e específicos grupos, diversos autores se concentraram sobre a população de pessoas com problemas de infertilidade, podendo-se citar, por exemplo: Berg e Wilson (1995), Fleck et al. (2000), Fekkes et al. (2003), Benyamini, Gozlan e Kokia (2005), Ragni et al. (2005), Corrêa, Vizzotto e Cury (2007), Bayley, Slade e Lashen (2009), Chachamovich et al. (2010), Freizinger.
(29) 26. et al. (2010), Aarts et al. (2011). Todos esses estudos abordaram a questão de qualidade de vida e bem-estar ou em casais, ou homens e mulheres separadamente, apesar das especificidades de cada trabalho, a síntese de seus resultados indicariam, de um modo geral, uma menor QV nas pessoas inférteis. Ao abordar os diferentes aspectos da QV, trazem que o maior impacto negativo é sobre o aspecto psicológico, mais do que sobre o físico. E fatores como tempo de infertilidade, relação ruim do casal, baixa compreensão do parceiro(a) sobre a infertilidade vivida, podem levar a um maior rebaixamento no nível da QV (Psicológica sobretudo), sempre com um maior prejuízo para a mulher, isto é, é o gênero feminino sempre o mais afetado negativamente em sua QV nas questões relacionadas à infertilidade. Alguns pesquisadores, dentre eles Monga et al. (2004), Rashidi et al. (2008), Lau et al. (2009), listam alguns dos fatores que influiriam diretamente sobre a redução da QV na mulher seriam: dificuldade de adaptação à infertilidade, a sensação de responsabilidade e o sofrimento ligado aos possíveis abortos, sensação de humilhação por não conseguir ter filhos (sentem-se menos mulher). Já no homem o fator encontrado que influenciaria diretamente a QV negativamente seria o sentimento de humilhação por não poder ter filhos, apesar da influência no homem, o reflexo sobre a QV seria menor do que na mulher. Souter et al. (2002), acrescenta que para as mulheres, já ao início do processo de Reprodução Humana, cerca de 30% delas possui uma considerável possibilidade de desenvolver um transtorno psicológico (sobretudo depressão e estresse), ainda que leve, o que levaria a uma maior redução na QV. Apesar das diferenças apresentadas em cada gênero, existem alguns fatores em comum para ambos, que seriam: ter um filho melhoraria a QV; o aumento da ansiedade, que além de influir negativamente na QV dificultaria o tratamento em si; e o estresse (ABBEY, ANDERWS E HALMAN, 1994; MAZZOTTI, 2007; JOHANSSON ET AL. 2009). Aarts et al. (2012) ressalta nas conclusões de seu estudo a necessidade do acompanhamento psicológico nessa população e o quanto isso pode melhorar a QV e conseguintemente o bem-estar dessas pessoas.. 3.2 Transtorno Depressivo e método investigativo O Transtorno Depressivo ou Episódio Depressivo, também denominado Depressão, é considerada uma doença seja pelo DSM-IV-TR, no qual está classificado nos Transtornos de.
(30) 27. Humor como pela CID-10. Uma de suas características é ser unipolar, devido a ausência de episódios eufóricos. O Transtorno Depressivo divide-se em Maior, Distímico e Depressivo Sem Outras Especificações, com variações entre leve, moderado e grave. A intensidade deve ser mensurada através de uma série de quesitos clínicos (DSM-IV-TR, 2002; CID-10, 2008). Um episódio depressivo, se caracteriza por um humor deprimido ou perda de interesse e prazer em diversas atividades realizadas pelo sujeito, além de fatiga aumentada. Todavia é comum em adolescentes e crianças que o humor se apresente irritadiço e não deprimido. Essas características, devem ocorrer no indivíduo por pelo menos 2 semanas e serem acrescentadas por outros sintomas, como: dificuldade para tomar decisões; perda de apetite, de sono; sentimento de culpa; ideação suicida; agitação, entre outros (DSM-IV-TR, 2002). A Classificação Internacional de Doença e Problemas Relacionados à Saúde (CID-10) acrescenta às características do quadro depressivo, além da referida divisão entre leve, moderado e grave, os seguintes sete sintomas: redução de atenção, concentração, autoestima e confiança; ideia de culpa e inutilidade; visões pessimistas do futuro; ideação ou ato lesivo ou suicida; perturbação do sono e redução de apetite. Não sendo necessário ao paciente apresentar todos os referidos sintomas. Além dos sintomas mencionados, existem aspectos característicos que podem se desenvolver, que seriam comumente somáticos, como perda de prazer, não reatividade emocional, piora da depressão pela manhã, evidente retardo ou agitação identificados por terceiros, perda de peso em 5% da massa corpórea em um breve período de tempo, entre outros (CID-10, 2008). Com relação à prevalência, o DSM-IV-TR (2002) aponta para valores entre 5 a 9% nas mulheres e de 2 a 3% nos homens. Sendo o risco para desenvolvimento do Transtorno Depressivo entre 10 a 25% nas mulheres e 5 a 12% nos homens. É interessante notar que em ambos os casos os valores associados à mulher são o dobro do que nos homem. Na gravidez ocorre o risco da incidência deste transtorno (PEREIRA, 2008). Se por um lado a gravidez em si poderia ser geradora de um quadro depressivo, a ausência dela, de modo imperativo, ou seja, não por escolha, também o seria. Essa hipótese é defendida por vários autores (Bringhenti et al., 1997; Beutel et al., 1999; Fassino et al., 2002; Meller et al.,2002; Epstein e Rosenberg, 2005; Ashkani, Akbari e Heydari, 2006; Drosdzol e Skrzypulec, 2009; Karatas et al., 2011), que em seus estudos demonstram que o casal com o diagnóstico de.
(31) 28. infertilidade possui nível mais elevado de depressão do que a população geral. Esses mesmos autores ressaltam que as mulheres são as mais afetadas por esse transtorno de humor, principalmente na fertilização e monitoramento dela, momento de grande angústia feminina. Isto seria devido às incertezas do sucesso do tratamento ou por perceber falta de suporte do parceiro. Apesar da maior presença da depressão ser encontrada nas mulheres, Knoll et al. (2009) relata que ocorre uma troca de sintomas depressivos dentro do casal, ou seja, a mulher e o homem se afetam mutuamente, causando portanto sofrimento em ambos. Ocorrendo ainda uma variação no nível da depressão ao longo do tratamento. Além do diagnóstico de infertilidade em si, existem outros fatores que colaborariam para o desenvolvimento de um quadro depressivo na população com problemas de infertilidade, seriam eles: reduzido grau de escolaridade e nível socioeconômico (por indicarem uma menor possibilidade de manejo das questões que envolvem a ART); maior tempo em ART; infertilidade primária; sentimento de culpa e crença no insucesso certo do tratamento (EPSTEIN; ROSENBERG, 2005; BRASILE; KATSOFF; CHECK, 2006; KRAAIJ; GARNEFSKI; VLIETSTRA, 2008; ABEDINIA; RAMEZANZADEH; NOORBALA, 2009; AHMADI et al. 2011). Alguns estudos se atêm sobretudo às mulheres, justamente por, como já descrito, serem as mulheres as mais afetadas pelo quadro depressivo. Auhagen-Stephanos (2008) revela que a própria infertilidade levaria a mulher a um mundo de sofrimento, de modo que pouco a pouco, ela se isola e estagna o seu fluxo vital. Isto é, o querer ter um filho assume um papel dominante na vida da mulher, de modo a prejudicar todos os demais aspectos de uma vida saudável, esse autor denomina esse quadro como “síndrome do desejo de filhos”. Neste caso, a dor da infertilidade estaria ligada ao próprio corpo infértil, que seria a confirmação de uma marginação social, pois a maioria das pessoas tem filhos, além da percepção da finitude: seu ciclo genético finaliza-se com ela, que não foi capaz de fazê-lo prosseguir. Domar et al. (2000) em suas pesquisas utilizando o Beck Depression Inventory (BDI) que é um questionário para medir o nível de depressão. Fizeram um estudo com mulheres inférteis e com um grupo de mulheres controle (mulheres férteis), e encontraram que as mulheres com problemas de infertilidade apresentavam o dobro de nível depressivo do que as mulheres do grupo controle..
(32) 29. Righetti e Luisi (2007) e Monti et al. (2009), acrescentam que no caso das mulheres inférteis, mesmo após o nascimento de um filho e ainda que este se encontre em perfeita saúde, elas continuam a manifestar sintomas depressivos. Volgsten et al. (2010), reforça em um certo sentido essa informação, ao colocar que a depressão no tratamento reprodutivo se ligaria a uma série de distúrbios nervosos persistentes e necessários de atenção especializada. Com uma importante presença do Transtorno Depressivo nos quadros de infertilidade, alguns autores passa a indagar sobre o impacto direto e indireto da depressão sobre a eficácia da ART. Os resultados desses estudos indicam que ocorre uma significativa redução na eficácia do tratamento reprodutivo com o aumento dos níveis de depressão e que um acompanhamento psicológico juntamente com o tratamento para a infertilidade reduziria os níveis de estresse, aumentando a possibilidade do engravidar (DEMYTTENAERE et al. 1992; 1994; BEAUREPAIRE et al. 1994; BRUCKER; MCKENRY, 2004; BRASILE; KATSOFF; CHECK, 2006; VOLGSTEN et al. 2008; HERBERT, LUCKE; DOBSON, 2010). Abedinia, Ramezanzadeh e Noorbala (2009), relatam nos resultados de sua pesquisa, que o grupo de mulheres inférteis que tiveram um acompanhamento psicológico durante a ART apresentaram uma taxa de gravidez de 47,1%, enquanto no grupo controle, composto por mulheres inférteis que não tiveram acompanhamento psicoterapêutico, essa mesma taxa foi de 7,1%. Em 1961, para aprimorar os estudos sobre a depressão e para poder medir seus diferentes níveis, além de facilitar o diagnóstico, Beck desenvolve um inventário com diversas questões fechadas e pontuadas, esse inventário ficou conhecido como Inventário de Depressão de Beck (BDI), e se tornou um dos instrumentos mais populares para avaliar presença e gravidade de sintomas depressivos. Consta de 21 itens dispostos em ordem crescente de gravidade e se referem aos aspectos motivacionais, fisiológicos, cognitivos, afetivos e sua pontuação por questão varia entre 0 e 3. Os itens são distribuídos em: sensação de fracasso, de culpa, de punição, tristeza, pessimismo, ausência de satisfação, cansaço excessivo, perda de peso e apetite, irritação, indecisão, diminuição da libido, autodepreciarão e acusação, crises de choro, distorção da imagem corporal, ideias suicidas, retração social, distúrbio do sono, diminuição da libido e preocupações somáticas. O tempo de aplicação está estimado em cerca de 10 minutos. (BECK et al. 1961; GORESTEIN; ANDRADE, 1998; PEREIRA, 2008).
(33) 30. O BDI foi revisto após a publicação do DSM-IV devido a algumas mudanças nos critérios diagnósticos da depressão, sendo então feito o BDI-II. Apesar do novo inventário ser constituído também por 21 itens 4 deles foram alterados (itens: 11, 14, 15 e 19), para: agitação, sentimento de inutilidade, perda de energia e dificuldade de concentração. E as respostas devem ser dadas considerando “as duas últimas semanas mais hoje” na vida do sujeito (STEER et al. 1999).. 3.3 Estresse, vivências emocionais e métodos investigativos. O Estresse é definido por diferentes autores de diversos modos, ainda que não antagônico mas que se complementam. Um dos primeiros a escrever sobre o assunto foi Seyle em 1936, que considera o estresse como um conjunto de reações desenvolvidas por um organismo que se encontra em situações nas quais são imperiais um esforço adaptativo. Seyle considera principalmente o estresse físico e seus reflexos sobre o organismo, frente a necessidade de adaptação e com a geração de estresse, o autor descreve três níveis: alarme, resistência e esgotamento. Após a última fase desenvolvem-se as doenças de adaptação, isto é: doenças que respondem ao estresse, como pressão alta, úlcera, etc (SEYLE, 1976). Com os avanços das pesquisas sobre o tema, os aspectos psicológicos e a nova conceituação de saúde passam a influir sobre a definição de estresse, para Atkinson et al. (2002) o estresse, seria uma resposta a situações que são percebidas como ameaçadoras ao nosso bem estar físico ou psicológico. Segundo Lipp (2006), o estresse possui componentes bioquímicos e genéticos, de modo a variar a intensidade e formas de manifestação. O estresse em nível moderado é considerado inclusive positivo, por propiciar produtividade e motivação. Todavia, ao apresentar-se em níveis aumentados desencadearia diversas patologias, sejam biológicas, sejam nas relações interpessoais, como irritabilidade, depressão e ansiedade. De acordo com a mesma autora, temas de vida que se repetem constantemente na vida de certas pessoas geram um estresse excessivo, contribuindo para uma sensação de maior fragilidade, são situações emocionalmente desgastantes e já classificadas por essas pessoas como estressante, logo um contato repetido com as mesmas situações levaria ao um cenário de estresse crônico..
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