• Nenhum resultado encontrado

FACULDADE DE LETRAS DA UNIVERSIDADE DE LISBOA

N/A
N/A
Protected

Academic year: 2021

Share "FACULDADE DE LETRAS DA UNIVERSIDADE DE LISBOA"

Copied!
24
0
0

Texto

(1)
(2)

FACULDADE DE LETRAS DA UNIVERSIDADE DE LISBOA

HISTÓRIA DA ARTE

DOCENTE: PROFESSOR DOUTOR LUÍS URBANO AFONSO

Discente: Ana Cláudia Pereira de Nóbrega ICONOGRAFIA

(3)

A LENDA DE SANTA

ANA E JOAQUIM

(4)

A Lenda de Santa Ana e São Joaquim

◦ Ana e Joaquim foram os progenitores da Virgem Maria. Muito antes do

nascimento da Virgem, Joaquim, homem rico e respeitado em Israel foi recriminado por nunca ter concebido um filho dentro dos limites de Israel;

◦ Joaquim, ao sentir-se humilhado decidiu deixar a esposa, Ana, e isolar-se no

deserto onde iria rezar e jejuar durante dias e noites consecutivas. Ana ao sentir-se sozinha e desamparada, refugiava-se também na oração por sentir que estaria sob o castigo de Deus;

(5)

Certo dia enquanto rezava, um anjo surge e anuncia a Ana que

estaria grávida de uma filha que seria célebre no mundo inteiro. Ao

mesmo tempo, Joaquim é surpreendido por visões semelhantes, nas

quais um anjo surge e profere promessas da conceção de um filho.

Repleto de tamanha alegria, Joaquim decidiu voltar para os braços

de Ana, que através de mensageiros soube da proximidade do seu

retorno e aguardou por ele nos portões da cidade. Quando Joaquim

se aproximou, Ana disse:

“Agora eu sei, que O Senhor ouviu as minhas preces.

Eu que antes estaria viúva, mas viúva não serei mais;

(6)

Giotto

1304-06

“Cenas da Vida de Joaquim: Anunciação a Santa Ana”

-Capela Scrovegni Pádua

Esta imagem representa um anjo, que aparece na janela da casa, anunciado a futura maternidade de Ana enquanto a Santa Reza.

A iconografia desta imagem é reforçado pelo ambiente doméstico, caracterizado pelos objetos do quotidiano.

Este quarto reaparece na obra “Natividade de Maria”, pelo mesmo artista.

Fonte – Web Gallery of Art http://www.wga.hu/frames-e.html?/html/g/giotto/padova /1joachim/joachi3.html

(7)

Giotto

1304-06

“Cenas da Vida de Joaquim: O Encontro de Joaquim e Ana”

-Capela Scrovegni Pádua

Esta é ultimo episódio deste conjunto de representações por Giotto que retrata o reencontro de Ana e Joaquim nos portões da cidade.

Fonte – Web Gallery of Art http://www.wga.hu/frames-e.html?/html/g/giotto/padova /2virgin/mary01.html

(8)

Giotto

1304-06

“Cenas da Vida da Virgem: A natividade de Maria” - Capela

Scrovegni Pádua

Esta cena é representada na mesma casa onde o anjo anunciou a Santa Ana a natividade de uma nova filha.

Nesta imagem podemos

observar Ana sentada na cama enquanto uma figura feminina lhe entrega a bebé recém nascida.

Ambas as Santas são

representadas com a aureola dourada remetente ao valor de santidade.

Fonte – Web Gallery of Art

http://www.wga.hu/frames-e.html?/html/g/giotto/padova /2virgin/mary01.html

(9)

Segundo o livro A Legenda Áurea, Santa Ana foi casada por três vezes, Cléofas,

Salomé e Joaquim teriam sido os seus maridos.

O seu primeiro marido terá sido Joaquim, pai da Virgem Maria e mãe de Jesus

Cristo.

Após a sua morte casou com Cléofas, irmão de José, e juntos conceberam outra

filha de seu nome Maria.

Quando faleceu o segundo marido, casou então com Salomé com quem teve a

sua terceira filha que, à semelhança das irmãs, se chamou Maria.

◦ De facto, poucos são os dados exatos sobre a sua vida, tais como a sua data de

nascimento ou de falecimento. No entanto, os dados retirados da leitura e análise de textos apócrifos elucidam-nos para a importância desta santa que, na sua essência, retém grande importância por ter sido a escolhida de Deus para conceber no seu ventre a Virgem Santíssima.

(10)

Jean Fouquet

1416

Livro das Horas, Étienne

Chevalier

Nesta figura, Santa Ana encontra-se acompanhada pelas suas três filhas e seus filhos. Fonte: http://www.conocereisdever dad.org/website/index.php?i d=3441&layout=print&mode =show

(11)

O CULTO DE STª ANA

(12)

Com a difusão dos textos apócrifos, os Cristãos mostravam-se cada

vez mais fascinados pela Santa e pelo seu culto criando então diversas

festividades em honra da mesma, tais como: A Conceção de Maria, A

Natividade de Maria, A Apresentação da Virgem Maria e a festa

conjunta de São Joaquim e Santa Ana.

O culto de Santa Ana sempre esteve intimamente relacionado ao culto

de sua filha, Maria. Diversas igrejas em honra de Santa Ana foram

construídas a partir do século VI d.C., nomeadamente em Jerusalém,

fora construída uma igreja no local onde Ana haveria nascido, e,

segundo Procópio de Cesareia , foi erigida também uma igreja em

nome de Santa Ana em Constantinopla por volta do ano de 550 d.C.

(13)

◦ Graças à construção destas duas primeiras igrejas foi possível potencializar a difusão do culto dos pais da Virgem Maria, especialmente o culto de Santa Ana.

◦ A certa altura, os restos mortais da Santa foram transladados da Palestina

para Constantinopla, e como explica detalhadamente Réau na sua obra, as relíquias de Santa Ana foram-se dispersando mais tarde por todo o Ocidente.

◦ De facto, os primeiros momentos do culto de Santa Ana a Ocidente sucederam

em Roma durante o século VIII, através da divulgação do Evangelho de Pseudo-Mateus.

◦ Segundo Réau, o culto de Santa Ana sofreu uma propagação em grande escala

com a ocorrência das cruzadas, sendo que foram trazidas relíquias de Santa Ana desde a Terra Santa e Constantinopla, como por exemplo o Véu de Santa Ana.

(14)

Véu de Santa

Ana

Tesouro da Catedral de Apt, Provença, França.

(15)

A partir do século XIV deu-se a expansão do culto na restante Europa

onde também foram criadas várias igrejas, capelas e confrarias em honra

da santa. O apogeu do culto da santa deu-se em França, sendo Chartres

considerado o centro do culto de Santa Ana.

Os exemplos iconográficos mais antigos referentes ao culto de Santa

Ana podem ser encontrados nos frescos da Igreja de Santa Maria

Antiqua e nos mosaicos do Arco Triunfal de Santa Maria Maior.

O culto de Santa Ana entrou em decadência e extinguiu-se, exceto na

Grã-Bretanha e no Canadá, a partir do seculo XVI.

(16)

Leonardo Da

Vinci

1510

-A Virgem e o Menino com Santa Ana -Museu do Louvre Fonte: http://www.louvre.fr/en/oeuvr e-notices/virgin-and-child-saint-anne

(17)

Portal de

Santa Ana

- Catedral de Notre-Dame - Ano 1200

(18)

Caravaggio

1606

“Madonna com o Menino e Santa Ana”

Nesta figura mais uma vez vemos a figura de Santa Ana acompanhada pela Virgem Maria e o seu neto Jesus.

(19)

ICONOGRAFIA

(20)

Para os fiéis, esta santa constitui o modelo de educação dos

filhos para todos aqueles unidos pelos laços matrimoniais,

por isso, muitas vezes esta vê-se representada com um livro

na mão enquanto ensina a pequena Maria a ler.

Regra geral, Santa Ana nunca é representada sozinha, sendo

que na grande maioria das vezes, nas suas representações,

esta encontra-se acompanhada pela Virgem Maria, pelo

Menino Jesus , pelas suas três filhas (três Marias) e toda a sua

família.

(21)

Para além do livro, com um valor iconográfico ligado à educação, Santa

Ana é constantemente (embora não exclusivamente) representada vestida

com um manto verde e um vestido de cor vermelha.

De acordo com George Ferguson na sua obra Signs & Symbols of

Christian Art cor verde do manto de Santa Ana remete-nos para a

imortalidade, para a esperança.

O verde é a cor da vegetação, da natureza, simboliza o triunfo da vida

sobre a morte. Sendo a cor verde uma mistura entre as duas cores

primárias azul (ciano) e amarelo, também sugere uma relação com a

caridade e a regeneração da alma através da palavra.

(22)

Também Réau acreditava que Santa Ana seria representada

usando o manto verde pois esta carregaria no seu ventre a

esperança do mundo.

A cor vermelha, é a cor do sangue, pode ser associada tanto

ao amor como ao ódio, neste caso, a cor vermelha simboliza

claramente o amor divino, a entrega da alma a Deus e à

família.

(23)

M

ASACCIO

-M

ASOLINO DA

P

ANICALE

1424 - 1425

Inicialmente pertencia à Igreja de Santo Ambrósio em Florença e encontra-se na Galeria de Ufizi. Nesta figura encontramos em primeiro plano a Virgem Maria com o menino Jesus ao Colo. Atrás das mesmas podemos ver Santa Ana numa posição de proteção e bênção.

Aqui é novamente notória a figura de santa Ana relacionada ao conceito de maternidade e família. Fonte: http://it.cathopedia.org/wiki/San t'Anna_Metterza_(Masaccio_e_ Masolino_da_Panicale)

(24)

Santa Ana

Nesta imagem Santa Ana encontra-se acompanhada pela filha Maria.

Esta imagem é um ótimo exemplo para relacionar a Santa com os seus atributos já que a mesma tem em sua posse:

- O Livro

- O Vestido Vermelho

- A Capa com detalhes de verde

Ilustração de:

BUTLER, A vida dos Santos, Edição Ilustrada do séc. XIX, em dois volumes.

Referências

Documentos relacionados

Queridos irmãos e irmãs, que hoje o Espírito Santo ilumine os nossos corações, para podermos reconhecer no Menino Jesus, nascido em Belém da Virgem Maria, a salvação

Eu estava pensando sobre ter ou não ter irmãos e cheguei à conclusão que todas as crianças deveriam ter pelo menos um irmãozinho já que as crianças que não têm

A virgem no Novo Testamento, representada em Maria, é a Igreja do Senhor Jesus Cristo e há uma grande bênção para a Igreja do Senhor Jesus Cristo, porque

Essas características são reforçadas pela maneira como o livro está estruturado - ele tem início com um capítulo dedicado aos conceitos básicos de economia; em seguida, trata

Nuno Alegria Licenciado em História pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, encontra-se a preparar uma tese de mestrado em História Contemporânea (Universidade de

autos, decidem os membros do Conselho de Recursos do Sistema Nacional de Seguros Privados, de Previdéncia Privada Aberta e de Capitalização, por unanimidade, negar provimento

As cenas sobre a vida de Santa Teresa são: o Casamento Místico de Santa Teresa com Jesus Cristo; a Transverberação ou o Êxtase de Santa Teresa; A Virgem do Carmo e o Menino

Luís Paulo Saldanha Martins (Faculdade de Letras da Universidade do Porto) Maria da Conceição Meireles Pereira (Faculdade de Letras da Universidade do Porto) Maria de Lourdes