Projeto Final de Mestrado para a obtenção do Grau de Mestre em Arquitetura
Orientação Científica
Professor Doutor José Manuel Aguiar Portela da Costa Júri
Presidente: Professor Doutor José António Jacob Martins Cabido Vogal: Professor Doutor António Pedro Moreira Pacheco Vogal: Professor Doutor José Manuel Aguiar Portela da Costa
DOCUMENTO DEFINITIVO
Arquitetura Orientação Científica: Professor Doutor José Manuel Aguiar Portela da Costa
Júri: Presidente: Professor Doutor José António Jacob Martins Cabido Vogal: Professor Doutor António Pedro Moreira Pacheco Vogal: Professor Doutor José Manuel Aguiar Portela da Costa
DOCUMENTO DEFINITIVO Lisboa, FA ULisboa, Dezembro, 2019
da Vila de Oeiras. Estes conjuntos foram construídos para proteger a cidade de Lisboa, fazendo parte de um complexo Sistema defensivo que contribuía para a defesa da Barra do Tejo.
Atualmente, a Bateria da Lage é dirigida e ocupada pela Associação dos Comandos, que tem conseguido manter o edifício da bateria em bom estado. A Bateria das Fontaínhas encontra-se em funcionamento como um conjunto de casas de abrigo, ou campismo de habitação, dirigida por um grupo de residentes, que apesar do grande esforço desenvolvido para manter o edifício em boas condições, não tem sido bem sucedido, uma vez que o edifício se encontra degradado e em mau estado de conservação.
Este vazio de dimensão considerável que alberga um dos melhores miradouros para a linha de água, torna-se numa oportunidade de criar uma nova centralidade para a população local.
Tendo Portugal, e em particular o concelho de Oeiras, uma taxa de envelhecimento elevada, cresce a vontade de perceber como a arquitetura pode ajudar nestes processos de requalificação de preexistências.
A criação de novos espaços públicos e de convívio podem ser um núcleo dinamizador da cidade, conseguindo agrupar diversas atividades e pessoas. Seleccionam-se como caso de estudo as Baterias da Lage e Fontaínhas para a sua reabilitação e por sua vez para implementação de um espaço público de carácter intergeracional.
PALAVRAS-CHAVE
Arquitetura militar; Baterias; Reabilitação; Relação intergeracional; Oeiras
Village of Oeiras.
These sets were built to protect Lisbon city, forming part of a complex defensive system that contributed to the defence of Tagus Coast.
Currently, the Lage Battery is run and occupied by the Association of Commands, which has managed to keep the battery building in good condition. The Battery of Fontaínhas is in operation like a set of houses of shelter, or camping of housing, directed by a group of residents, that in spite of the great effort developed to maintain the building in good conditions, has not been successful, since the building is in poor condition.
This considerable void, which houses one of the best viewpoints for the water line, becomes an opportunity to create a new centrality for the population.
Having Portugal, and in particular the municipality of Oeiras, a high rate of aging, the desire to understand how architecture can help in these pre-existing requalification processes.
The creation of new public and social spaces can be a dynamic nucleus of the city, managing to group diverse activities and people.
The Batteries of Lage and Fontaínhas are selected a a case studies for their rehabilitation and in turn for the implementation of a public space of intergenerational character.
KEYWORDS
Military architecture; Batteries; Rehabilitation; Intergenerational relationship; Oeiras
académico. Agradeço-lhes o orgulho transmitido e força dada desde o primeiro dia, sem eles nada teria sido possível. A eles dedico este trabalho, como forma de retribuição aos valores transmitidos.
Aos meus avós,
Que a meio deste percurso partiram, mas que tanto orgulho tinham em mim.
Ao meu orientador,
Agradeço ao Professor José Aguiar por ter aceite
pertencer a este trabalho. Pela constante
disponibilidade, que sempre me foi concedida aquando solicitada. Pelo interesse demonstrado e conhecimentos transmitidos durante o decorrer dos acompanhamentos, acrescentando valor ao resultado final.
Aos meus amigos,
Agradeço-lhes por terem feito parte do meu percurso académico cheio de amizade e companheirismo. Agradeço-lhes todas as conversas e todas as discussões informais, que ajudaram, de uma forma ou outra, ater novas ideias e novas formas de abordar as diferentes problemáticas da arquitetura.
E, além de tudo e todos, ao Gustavo,
Pelo apoio emocional, pelo companheirismo, pelo incentivo, pelo espírito crítico, pela amizade.
XI ÍNDICE DE FIGURAS 1. INTRODUÇÃO 1.1. TEMA 1.2. PROBLEMÁTICA 1.3. METODOLOGIA E ESTRUTURA 2. O TERRITÓRIO
2.1. A DEFESA DA COSTA DE LISBOA 2.1.1. O SISTEMA DEFENSIVO MEDIEVAL 2.1.2. O SISTEMA DEFENSIVO MODERNO 2.2. ENQUADRAMENTO DAS BATERIAS MILITARES 2.2.1. A BATERIA DA LAGE
2.2.1. A BATERIA DAS FONTAINHAS
2.3. SÍNTESE: DA DEFESA À PAISAGEM CULTURAL
3. O LUGAR
3.1. LEITURA HISTÓRICA
3.1.1. A PAISAGEM E O EDIFICADO
3.1.2. A LINHA DE COMBOIO E A ESTRADA MARGINAL 3.2. LEITURA FORMAL 3.2.1. EVOLOÇÃO MORFOLÓGICA 3.2.2. GEOLOGIA 3.2.3. TOPOGRAFIA E DECLIVES 3.2.4. HIDROGRAFIA 3.2.5. ANÁLISE FUNCIONAL
3.2.6. ANÁLISE DE ESPAÇOS VACANTES 3.2.7. ANÁLISE DE PATRIMÓNIO MILITAR
3.3. SÍNTESE: MEMÓRIAS DE REFERÊNCIA PROJETUAL
4. RELAÇÕES INTERGERACIONAIS
4.1. DEFINIÇÃO DO CONCEITO
4.2. CONTEXTUALIZAÇÃO DEMOGRÁFICA 4.2.1. O CASO DE PORTUGAL
4.2.2. O CASO DE OEIRAS
4.3. SÍNTESE: BENEFÍCIOS DA APRENDIZAGEM INTERGERACIONAL
5. REABILITAÇÃO
5.1. CONCEITO DE REABILITAÇÃO
5.2. REABILITAÇÃO EM PATRIMÓNO MILITAR 5.2.1. CONCEITO DE PATRIMÓNIO MILITAR 5.2.2. COMO INTERVIR EM PATRIMÓNIO MILITAR
5.3. SÍNTESE: REABILITAÇÃO COMO REAJUSTE A SOCIEDADE XIII 3 3 4 4 7 9 10 14 17 19 20 24 27 28 28 40 41 42 44 45 46 48 50 52 54 57 57 59 59 60 63 65 66 67 67 68 69
6. REFERÊNCIAS DE PROJETO
6.1. Bunkers del Carmel
O PATRIMÓNIO MILITAR COMO MIRADOURO NATURAL 6.2. BATTERY PARK:
O PATRIMÓNIO MILITAR COMO ESPAÇO PÚBLICO 6.3. QUARTIERE INTERGERAZIONALE, HABITAÇÃO E CONVIVÊNCIA INTERGERACIONAL EM COLDRERIO: PROGRAMA INTERGERACIONAL
6.4. PLATAFORMA TEJO:
RECONECTAR COM A FRENTE MARITIMA 6.5. FUNDAÇÃO CALOUSTE GULBENKION: OS PERCURSOS
6.6. FUNDAÇÃO DE SERRALVES: O PROGRAMA
7. PROPOSTA
7.1. REQUALIFICAÇÃO URBANA
7.1.1. O ESPAÇO PÚBLICO COMO ELEMENTO REVITALIZADOR DA CIDADE
7.1.2. MOMENTOS DE CONTEMPLAÇÃO
7.2. UM PARQUE INTERGERACIONAL PARA A CIDADE 7.2.1. O PROGRAMA
7.2.2. A ORDEM COMPOSITIVA DO ESPAÇO
7.2.3. ESTRATEGIA DE RECONECÇÃO COM A FRENTE MARITIMA
7.3. AS BATERIAS MILITARES COMO PONTOS DE FIXAÇÃO DO PROJETO
7.3.1. PROGRAMA DA BATERIA DA LAGE
7.3.2. PROGRAMA DA BATERIA DAS FONTAINHAS
8. CONSIDERAÇÕES FINAIS FONTES DOCUMENTAIS GLOSSÁRIO ANEXOS XII 71 72 74 76 78 80 82 85 85 87 89 91 93 99 102 104 105 110 115
https://www.publico.pt/2019/01/06/sociedade/noticia/ultimos-canhoes-costa-calaramse-ha-20-anos-1855355
Fig.2 Evolução tipológica dos sistemas defensivos costeiros (de cima para baixo) Torre de vigia, Forte e Bateria. p.13
Fonte: Esquema da Autora
Fig. 3 Localização das oito Baterias do Regimento da Artilharia da Costa (RAC) p. 15
Fonte: Mapa da Autora, 2019
Fig. 4. Enquadramento das Baterias no lugar, planta do século XIX p.17
Fonte: Documento cedido pela direção Geral das Infraestruturas
Fig. 5. Plantas, Cortes e Alçados da Bateria da Lage, do século XIX p.18
Fonte: Documento cedido pela direção Geral das Infraestruturas
Fig. 6 Imagens de exercícios militares, ainda aquando da ocupação miliar da Bateria da Lage, s.d, p.20
Fonte:
https://www.publico.pt/2019/01/06/sociedade/noticia/ultimos-canhoes-costa-calaramse-ha-20-anos-1855355
Fig. 7 Plantas, Cortes e Alçados da Bateria das Fontainhas, do século XI. p.22
Fonte: Documento cedido pela direção Geral das Infraestruturas
Fig. 8 Perspectiva sobre a entrada para a Bateria das Fontainhas. Esta imagem revela de imediato a ocupação habitacional de forma livre e arbitrária por uma população mais desfavorecida. p.23
Fonte: Fotografia da Autora
Fig. 9 Vista panorâmica da Bateria da Lage sobre o rio Tejo. Esta imagem enfatiza o uso da bateria para fins lúdicos e culturais através das atividades dos escuteiros. p.24
Fonte: https://oliraf.wordpress.com/2017/11/26/%F0%9F%93%8C- a-descoberta-do-regimento-de-artilharia-de-costa-a-3abataria-da-laje/
Fig. 10 Paisagem para a Praia de Santo Amaro de Oeiras de um dos miradouros naturais da bateria da Lage p.27
Fonte: Fotografia da Autora
Fig. 11 Representação Esquemática Da Localização do edificado p.29
Fonte: Esquema da Autora
Fig. 12 Praia e Forte de Catalazete, 1993. p.29
Fonte: Arquivo Fotográfico da Câmara Municipal de Oeiras
Fig. 13 Forte de Catalazete em obras de adaptação para Pousada da Juventude, 1986. p.29
Fonte: Arquivo Fotográfico da Câmara Municipal de Oeiras
Fig. 14 Forte de Catalazete visto do rio Tejo, 1995. p.29
Fonte: Arquivo Fotográfico da Câmara Municipal de Oeiras
Fig. 15 Representação Esquemática Da Localização do edificado p.30
Fonte: Esquema da Autora
Fig. 16 Panorâmica da orla costeira, com o Forte de Catalazete e o INATEL em destaque, 1996. p.30
Fonte: Arquivo Fotográfico da Câmara Municipal de Oeiras
Fig. 17 Zona do restaurante e esplanada, sendo visível o corte na rocha efetuado no século
XVIII, por ordem do Marquês de Pombal, para construção de um canal navegável, 2002. p.30
Fonte: Arquivo Fotográfico da Câmara Municipal de Oeiras
Fig. 18 Zona dos apartamentos, 1992. p.30
Fonte: Arquivo Fotográfico da Câmara Municipal de Oeiras
Fig. 19 Representação Esquemática Da Localização do edificado p.31
Fonte: Esquema da Autora
Fig.20 Praia e Forte de Catalazete, 1993. p.31
Fonte: Arquivo Fotográfico da Câmara Municipal de Oeiras
Fig.21 Forte de Catalazete em obras de adaptação para Pousada da Juventude, 1986.p.31
Fonte: Arquivo Fotográfico da Câmara Municipal de Oeiras
Fig. 22 Forte de Catalazete visto do rio Tejo, 1995. p.31
Fonte: Arquivo Fotográfico da Câmara Municipal de Oeiras
Fig. 23 Representação Esquemática Da Localização do edificado p.32
Fonte: Esquema da Autora
Fig.24 Vista sobre a praia de Santo Amaro e foz da Ribeira da Laje, década de 1940. p.32
Fonte: Arquivo Fotográfico da Câmara Municipal de Oeiras
Fig.25 A lagoa junto à foz da Ribeira da Laje, 1915. p.32
Fonte: Arquivo Fotográfico da Câmara Municipal de Oeiras
Fig. 27 Representação Esquemática Da Localização do edificado. p.33
Fonte: Esquema da Autora
Fig. 28 Praia em época balnear, sendo visível o Casino e a Quinta do Barracão, década de 1940. p.33
Fonte: Arquivo Fotográfico da Câmara Municipal de Oeiras
Fig. 29 Barracas na Praia e a Quinta do Barracão, 1909. p.33
Fonte: Arquivo Fotográfico da Câmara Municipal de Oeiras
Fig. 30 Praia e embarcações de recreio em época balnear. Ao fundo, o Casino Éden e a Quinta do Barracão, década de 1940. p.33
Fonte: Arquivo Fotográfico da Câmara Municipal de Oeiras
Fig. 31 Representação Esquemática Da Localização do edificado p.34
Fonte: Esquema da Autora
Fig. 32 Perspetiva do Forte, 1999. p.34
Fonte: Arquivo Fotográfico da Câmara Municipal de Oeiras
Fig. 33 Panorâmica aérea com o Forte ao centro, 1996. p.34
.Fonte: Arquivo Fotográfico da Câmara Municipal de Oeiras
Fig. 34 Vista aérea do Forte, 2008. p.34
Fonte: Arquivo Fotográfico da Câmara Municipal de Oeiras
Fig. 35 Representação Esquemática Da Localização do edificado. p.35
Fonte: Esquema da Autora
Fig. 36 Praia em plena época balnear, década de 1950. p.35
Fonte: Arquivo Fotográfico da Câmara Municipal de Oeiras
Fig. 37 Praia com banhistas e veraneantes, década de 1950.. p.35
Fonte: Arquivo Fotográfico da Câmara Municipal de Oeiras
Fig. 38 Vista aérea das Fontainhas, 2008. p.35
Fonte: Arquivo Fotográfico da Câmara Municipal de Oeiras
Fig. 39 Representação Esquemática Da Localização do edificado. p.36
Fonte: Esquema da Autora
Fig. 40 Casas de veraneio no areal, 1908. p.36
Fonte: Arquivo Fotográfico da Câmara Municipal de Oeiras
Fig. 41 Barcos de pesca na enseada junto à praia da Sardinha, década de 1950.. p.36
Fonte: Arquivo Fotográfico da Câmara Municipal de Oeiras
Fig. 42 ―Ida a banhos‖ na praia, 1926. p.36
Fonte: Arquivo Fotográfico da Câmara Municipal de Oeiras
Fig. 43 Representação Esquemática Da Localização do edificado. p.37
Fonte: Esquema da Autora
Fig. 44 Estrada Real no Bairro da Giribita, década de 1920. p.37
Fonte: Arquivo Fotográfico da Câmara Municipal de Oeiras
Fig. 45 Praia de Caxias e Forte de Nossa Senhora de Porto Salvo ou da Giribita, 1919. p.37
Fonte: Arquivo Fotográfico da Câmara Municipal de Oeiras
Fig. 46 Vista aérea do Forte de Nossa Senhora de Porto Salvo ou da Giribita, 2008. p.37
Fonte: Arquivo Fotográfico da Câmara Municipal de Oeiras
Fig. 47 Representação Esquemática Da Localização do edificado. p.37
Fonte: Esquema da Autora
Fig. 48 Vista geral de Caxias, cerca de 1869. p.38
Fonte: Arquivo Fotográfico da Câmara Municipal de Oeiras
Fig. 49 Vista aérea do Forte de São Bruno, 2008. p.38
Fonte: Arquivo Fotográfico da Câmara Municipal de Oeiras
Fig.50 Praia e Forte de São Bruno, década de 1950.. p.38
Fonte: Arquivo Fotográfico da Câmara Municipal de Oeiras
Fig. 51 Representação Esquemática Da Localização do edificado. p.39
Fonte: Esquema da Autora
Fig. 52 Alto da Boa Viagem, anterior a 1956. p.39
Fonte: Arquivo Fotográfico da Câmara Municipal de Oeiras
Fig. 53 Subida para o Alto da Boa Viagem, 1986. p.39
Fonte: Arquivo Fotográfico da Câmara Municipal de Oeiras
Fig. 54 Estrada Marginal, década de 1950.. p.39
Fonte: Arquivo Fotográfico da Câmara Municipal de Oeiras
Fig. 55 Linha de Comboio de Cascais e da estrada Marginal no território e da sua presença como barreira física. p.40
Fonte: Esquema da Autora
Fig. 56 Fotografia de uma maquete de estudo do território a 1:2000. p.41
Fonte: Fotografia da Autora
Fig. 58 Século XX, Após a construção da Bateria da Lage e da Bateria das Fontinhas e a presença da Linha de Comboio de Cascais. p.43
Fonte: Esquema da Autora
Fig. 59 Século XX, Após a construção da Estrada Marginal. p.43
Fonte: Esquema da Autora
Fig. 60 Século XXI, Atualmente. p.43
Fonte: Esquema da Autora
Fig. 61 Carta Geológica do concelho de Oeiras. p.44
Fonte: GEOPORTAL Câmara municipal de Oeiras, consultado em Abril de 2019
Fig. 62 Carta Topográfica do concelho de Oeiras. p.45
Fonte: GEOPORTAL Câmara municipal de Oeiras, consultado em Abril de 2019
Fig. 63 Carta Hipsométrica do concelho de Oeiras. p.46
Fonte: GEOPORTAL Câmara municipal de Oeiras, consultado em Abril de 2019
Fig. 64. Esquiço sobre a topografia do terreno p.47
Fonte: Elaborado pela Autora
Fig. 65 Esquema que mostra a análise funcional do território. Os edifícios indicados a amarelo destacam-se por não serem habitacionais , são na sua maioria hotéis, restaurante e museus. p.48
Fonte: Esquema da Autora
Fig. 66 Esquema que mostram análise funcional do território. Os edifícios indicados a amarelo destacam-se por não serem habitacionais , são na sua maioria hotéis, restaurante e museus. p.50
Fonte: Esquema da Autora
Fig. 67 Esquema que mostram análise patrimonial militar do território. Os edifícios indicados a amarelo destacam-se por não serem habitacionais , são na sua maioria hotéis, restaurante e museus. p.53
Fonte: Esquema da Autora
Fig. 68 Paisagem Marítima. p.54
Fonte: Fotografia de Daniel Feliciano
Fig. 69 . Praia das Fontaínhas. p.54
Fonte: Fotografia da Autora
Fig. 70 Fauna e Flora do lugar. p.54
Fonte: Fotografia da Autora
Fig. 71 Forte São João das Maias. p.54
Fonte:
http://www.cmoeiras.pt/pt/descobrir/patrimonio/patrimonio-militar/Paginas/dortesjoaomaias.aspx
Fig. 72 Forte do Areeiro. p.54
Fonte:
http://www.cmoeiras.pt/pt/descobrir/patrimonio/patrimonio-militar/Paginas/fortedoareeiro.aspx
Fig. 73 A interação da geração mais velha com a mais nova. p.56
Fonte: Fotografia da Autora
Fig. 74 Gráfico 1 – População residente no Concelho, 1991, 2001 e
2011. p.60
Fonte: INE, RGPH1991, 2001 e 2011; INE, Anuário Estatístico da
Área Metropolitana de Lisboa, 2014.
Fig. 75 Gráfico 2 - Índice de Envelhecimento no Concelho, 1991, 2001, 2011 e 2014. p.61
Fonte: INE, RGPH1991, 2001 e 2011; INE, Anuário Estatístico da Área Metropolitana de Lisboa, 2014.
Fig. 76 Gráfico 3 - Índice de Envelhecimento no Concelho, por freguesia, 2001 e 2011 p.61
Fonte: INE, RGPH1991, 2001 e 2011; INE, Anuário Estatístico da Área Metropolitana de Lisboa, 2014.
Fig. 77 Quadro 1- Alojamentos familiares de residência habitual cujos residentes são apenas pessoas com 65 anos ou mais de idade, segundo o número de residentes, 2011. p.62
Fonte: INE, RGPH 2011
Fig. 78 Relações intergeracionais promovidas pelo projeto ―TOY‖ DO
Departamento de Ciências Médicas da Universidade de Aveiro. p.63
Fonte: Site da Univerdidade de Aveiro, disponivel em http://www.ua.pt/dcm/PageText.aspx?id=18052
Fig. 79 Fachada principal da Bateria das Fontainhas que apresenta três fases do processo de conservação do edifício. p.65
Fonte: Fotografia da Autora
Fig. 80 Vista dos Bunkers del Canmen .para a Sagrada Família. p.72
Fonte: https://www.360meridianos.com/dica/bunkers-del-carmel-barcelona
Fig. 81 Vista dos Bunkers del Carmel.para a malha urbana da cidade de Barcelona.. p.72
Fonte: https://www.360meridianos.com/dica/bunkers-del-carmel-barcelona
Fig. 84 Perspectiva aérea dos Bunkers del Carmel. p.73
Fonte: ©GoogleMaps
Fig. 85:Vista do Bunker del Canmen .para a cidade de Barcelona. p.73.
Fonte: https://www.360meridianos.com/dica/bunkers-del-carmel-barcelona
Fig. 86 Bocas de fogo da antiga Bateria de Amesterdão integradas na nova intervenção. p.74
Fonte: https://www.archdaily.com.br/br/909947/battery-park-dhk-architects
Fig. 87 Paredes da nova intervenção que
Proporcionam aos visitantes uma sensação autêntica do tamanho original da bateria. p.74
Fonte:https://www.archdaily.com.br/br/909947/battery-park-dhk-architects
Fig. 88 Sobreposição do projeto com uma imagem antiga da Bateria de Amesterdão. p.75
Fonte: https://www.archdaily.com.br/br/909947/battery-park-dhk-architects
Fig. 89 Vista aérea da Bateria de Amesterdão. p.75
Fonte: @GoogleMaps
Fig. 90 Planta do plano urbano da intervenção. p.75
Fonte: https://www.archdaily.com.br/br/909947/battery-park-dhk-architects
Fig. 91 Planta de implantação do edifício. p.76
Fonte:
http://www.dalpian.arq.br/pt-BR/projetos/habitacao-e-convivencia-intergeracional-em-coldrerio
Fig. 92 Axonometria extrudida do programa do projeto. p.76
Fonte:http://www.dalpian.arq.br/pt-BR/projetos/habitacao-e-convivencia-intergeracional-em-coldrerio
Fig. 93 Perspectiva aérea da intervenção (render). p.77
Fonte:http://www.dalpian.arq.br/pt-BR/projetos/habitacao-e-convivencia-intergeracional-em-coldrerio
Fig. 94 Perspectiva interior da intervenção (render). p.77
Fonte:http://www.dalpian.arq.br/pt-BR/projetos/habitacao-e-convivencia-intergeracional-em-coldrerio
Fig. 95 Perspectiva exterior da intervenção (render). p.77
Fonte:
http://www.dalpian.arq.br/pt-BR/projetos/habitacao-e-convivencia-intergeracional-em-coldrerio
Fig. 96 Perspectivas que demonstram a plataforma Tejo utopicamente criada para reconectar a cidade com a frente marítima. p.78
Fonte:
https://www.ressanogarcia.com/index.php?lop=conteudo&op=a8 7ff679a2f3e71d9181a67b7542122c&id=c4ca4238a0b923820dcc50 9a6f75849b
Fig. 97 Estudo conceptual do projeto. p.78
Fonte:
https://www.ressanogarcia.com/index.php?lop=conteudo&op=a8 7ff679a2f3e71d9181a67b7542122c&id=c4ca4238a0b923820dcc50 9a6f75849b
Fig. 98 Desenhos de Gonçalo Ribeiro Telles que mostram a importância dos percursos na fundação. p.80
Fonte: https://gulbenkian.pt/jardim/visitar/
Fig. 99 Um dos percursos de bosque no jardim da Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa, 1969.. p.80
Fonte: https://gulbenkian.pt/jardim/visitar/
Fig. 100 Desenho de Gonçalo Ribeiro Telles que compõe o edificado ajustado ao lago e ao maciço vegetal da Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa, 1969. p.81
Fonte: https://gulbenkian.pt/jardim/visitar/
Fig. 101 Clareira do grande lago, onde o auditório marca a sua presença em proximidade ao mesmo e por entre a vegetação. Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa, 1969. p.81
Fonte: https://gulbenkian.pt/jardim/visitar/
Fig. 102 Percurso de orla, onde se está protegido na sombra mas ao mesmo tempo se têm contacto com a clareira e o grande lago. Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa, 1969. p.81
Fonte: https://gulbenkian.pt/jardim/visitar/
Fig. 103 Uma das alamedas dos jardins da Fundação Serralves. p.82
Fonte: https://www.serralves.pt/pt/parque/o-parque/historia/
Fig. 104 Planta explicativa dos espaços pertencentes à Fundação Serralves. p.82
Fonte: https://www.serralves.pt/pt/parque/o-parque/historia/
Fig. 105 Instalação artística numa clareira do parque. p.83
Fonte:
https://jornaleconomico.sapo.pt/noticias/fundacao-de- serralves-e-a-cp-estabelecem-parceria-que-da-descontos-a-quem-viajar-para-visitar-o-museu-396477
Fig. 106 Instalação artística ‗Horizonte Arbóreo do Árctico', de artista Olafur Eliasson. p.83
Fonte: ttps://www.timeout.pt/porto/pt/noticias/olafur-eliasson-e-siza-inquietacoes-de-pequena-e-grande-escala-em-serralves-091319
Fonte: ttps://www.timeout.pt/porto/pt/noticias/olafur-eliasson-e- siza-inquietacoes-de-pequena-e-grande-escala-em-serralves-091319
Fig. 108 Desenho de estudo para a proposta de reconecção com a frente marítima. p.83
Fonte: Desenho da Autora
Fig. 109Ortofotomapa. Mapa que revela os limites de intervenção da unidade operativa, incluindo a Praia de Santo Amaro de Oeiras e a estrada Marginal. p.86
Fonte: Fotomontagem elaborada pela Autora através de uma imagem do GoogleMaps.
Fig. 110 Descida da estrada marginal em paço de arcos população passeia pela estrada marginal quando esta ainda não tinha sido aberta a automóveis, que demonstra a importância do atravessamento da marginal. p.88
Fonte: Arquivo Fotográfico da Câmara Municipal de Oeiras
Fig. 111 Esquema simplificado do elemento conceptual dos percursos. p.89
Fonte: Esquema da Autora
Fig. 112 Esquema simplificado do elemento conceptual da água. p.89
Fonte: Esquema da Autora
Fig. 113 Esquema simplificado do elemento conceptual das árvores. p.89
Fonte: Esquema da Autora
Fig. 114 Esquema simplificado do elemento conceptual da torre. p.89
Fonte: Esquema da Autora
Fig. 115 O pinhal de pinheiro bravo junto da Bateria da Lage. p.90
Fonte: Fotografia da Autora
Fig. 116 Modelo tridimensional da torre : a sua inserção na Bateria das Fontaínhas e impacto visual no território. p.90
Fonte: Modelo tridimensional elaborado pela Autora
Fig. 117 Vista do último piso do miradouro para o território envolvente. p.90
Fonte: Modelo tridimensional elaborado pela Autora
Fig. 118 Diagrama de relações, intenções estratégias entre a proposta do parque verde com o novo espaço público intergeracional, integrando ainda o público alvo e os elementos de referência presentes no lugar de intervenção. p.93
Fonte: Esquema da Autora
Fig. 119 Mapa esquemático da composição e do ordenamento espacial da proposta, integrando o sistema de acessibilidades e de mobilidade urbana. p.94
Fonte: Esquema da Autora
Fig. 120 Mapa esquemático da composição e do ordenamento espacial da proposta. Lógicas morfológicas dos terrenos do lugar. p.95
Fonte: Esquema da Autora
Fig. 121 Mapa esquemático da composição e do ordenamento espacial da proposta. Lógicas da composição e distribuição do maciço vegetal. p.96
Fonte: Esquema da Autora
Fig. 122 Mapa esquemático da composição e do ordenamento espacial da proposta. Edificado proposto e existente. p.97
Fonte: Esquema da Autora
Fig. 123 Mapa esquemático da composição e do ordenamento espacial da proposta. Mancha dos usos no complexo e na proximidade ao mesmo. p.98
Fonte: Autora
Fig. 124 Planta da proposta urbana. p.100
Fonte: Elaborada pela Autora
Fig. 125 Esquema simplificado das ligações do espaço intergeracional entre a urbanidade e a linha de costa de Oeiras. p.102
Fonte: Esquema da Autora
Fig. 126 Corte representativo da passagem de nível inferior integrando um pequeno comércio. p.102
Fonte: Elaborado pela Autora
Fig. 127 Estratégia de reconecção à frente marítima: eixo principal que faz o atravessamento do parque perpendicularmente. p.103
Fonte: Elaborado pela Autora
Fig. 128 Estratégia de reconecção à frente marítima;: elevador público , núcleo de escadas e galeria de acesso à Bateria da Lage. p.103
Fonte: Elaborado pela Autora
Fig. 129 Estratégia de reconecção à frente marítima: túnel e passagem de nível inferior. p.103
Fonte: Elaborado pela Autora
Fig. 130 Ortofotomapa. Que assinala a vermelhos as duas baterias militares que são os pontos de fiação do espaço. p.104
Fonte: Fotomontagem elaborada pela Autora através de uma imagem do GoogleMaps.
Fonte: Elaborado pela Autora
Fig. 132 Pormenor do Corte pelo elevador de munições convertido num sistema de projecção holográfica. p.105
Fonte: Elaborado pela Autora
Fig. 133 Planta do piso 0 da Bateria da Lage. p.106
Fonte: Elaborad pela Autora
Fig. 134 Esquiço de estudo que mostra a proposta de uma nova circulação na Bateria da Lage. p.107
Fonte: Elaborado pela Autora
Fig. 135 Planta do piso 0 da Bateria da Lage. p.108
Fonte: Elaborado pela Autora
Fig. 136 Axonometria extrudida da Bateria das Fontaínhas. A nova intervenção está indicada a vermelho e as préexistencias a preto. p.110
Fonte: Elaborada pela Autora
Fig. 137 Esquiço de estudo que mostra a proposta de uma nova circulação na Bateria das Fontaínhas. p.110
Fonte: Elaborado pela Autora
Fig. 138 Planta do piso 0 da Bateria das Fontaínhas. p.111
Fonte: Elaborada pela Autora
Fig. 139 Esquema de estudo que mostra a proposta de uma nova circulação na Bateria das Fontaínhas. p.112
Fonte: Elaborado pela Autora
Fig. 140 Planta do piso 1 da Bateria das Fontaínhas. p.113
Fonte: Elaborada pela Autora
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1.1. TEMA
O presente Projeto Final de Mestrado aborda dois exemplos dos sistemas defensivos militares, que foram sendo construídos ao longo da linha costeira portuguesa: a Bateria da Lage e a Bateria das Fontaínhas. Estes conjuntos tinham o objetivo de proteger as populações residentes na orla marítima, defendendo as áreas de maior interesse estratégico.
Uma vez que os casos de estudo se inserem num complexo sistema defensivo que contribuía para a defesa da Barra do Tejo, foi necessário identificar previamente todas as estruturas de defesa edificadas nesse território.
À semelhança do que acontece com outras estruturas, as baterias militares assim que deixaram de exercer as funções de defesa que tinham inicialmente, foram deixadas ao abandono, permitindo um desaparecimento gradual deste património arquitectónico. A formação enquanto estudante de arquitetura, potenciou o interesse pelo estudo do património militar edificado, de modo a entender de que forma se poderá intervir nele, de modo a possibilitar a sua preservação. As Baterias da Lage e Fontaínhas, localizadas em Paço de Arcos, estão – estrategicamente – camufladas pela natureza, e são delimitadas pela Marginal e pela linha do comboio. Estas instalações militares, ali colocadas para proteger a foz do rio Tejo, guardam um dos melhores miradouros para a linha de água, o que confere a este lugar isolado do quotidiano onde se insere, uma relação afetiva pela sua memória.
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INTRODUÇÃO
1.2. PROBLEMÁTICAS
Numa primeira fase, o trabalho procurou analisar o sistema defensivo de Lisboa e perceber a causa que levou a construção de um número tão elevado de estruturas militares numa área de reduzidas dimensões, como as adaptaram à topografia e condições do terreno, assim como os critérios utilizados para a escolha do lugar de implantação.
Posteriormente importou perceber a problemática, e a partir daí responder a algumas questões importantes que se colocaram:
• Como projetar em palimpsestos urbanos com valor identitário e cultural?
• Para que podem servir as antigas estruturas militares e os seus espaços?
• Como conseguir incorporar equipamentos militares desafectados na cidade?
• Que novas soluções urbanísticas e arquitectónicas se podem conceber para uma reapropriação do património militar?
• Que programas são possíveis para a reconversão de património militar?
• O que é um equipamento intergeracional? Como é que um espaço intergeracional vai condicionar o projeto?
Com efeito, abre-se uma oportunidade para reflectir sobre a reabilitação deste património e das estruturas que merecem a manutenção da sua memória, mas também que sejam criadas oportunidades de reinvenção de uma nova urbanidade.
1.3. METODOLOGIA E ESTRUTURA
Com este trabalho pretendeu-se complementar a informação existente, quer teórica, quer prática, com o que se considerou estar em falta, como bases gráficas centradas na evolução do sistema defensivo.
Organizou-se o trabalho em várias etapas. Para uma aproximação à área de estudo, fez-se uma introdução ao tema do património arquitectónico militar edificado, na área de Lisboa. Partiu-se de conceitos mais gerais e recorrentes ao longo do trabalho, de modo a contextualizar o tema.
entre os séculos XVIII (enquanto campos agrícolas) e XX (enquanto reduto militar), para uma melhor compreensão do local.
Apresentaram-se elementos gráficos rigorosos,
correspondentes à análise das estruturas arquitetónicas permanentes, edificadas na região de Oeiras, numa escala mais aproximada, que permitiu entender a sua implantação, estratégia e função inicial no território (esquemas de cruzamento de fogo), apesar de, na generalidade, se encontrarem devolutas. Na génese deste levantamento cartográfico foi essencial a consulta de vários documentos já existentes como monografias de Oeiras, cartografia antiga consultada na direção de Infraestruturas do Exército, ortofotomapas atuais consultados na direção Geral do Território, e constantes visitas ao terreno, para o ajuste de desenhos.
Foi feita uma análise mais detalhada do caso de estudo, de modo a salientar e perceber o lugar privilegiado onde o mesmo se implanta, uma vez que todas as restantes fortificações se localizam em pontos mais habituais, estando a maior parte delas na linha costeira, e situando-se o caso de estudo num lugar diferente e cativante. Realizou-se uma consulta à cartografia existente, de diferentes épocas, e produziram-se novos elementos gráficos rigorosos, que procuram entender a sua evolução desde a função militar até ao estado actual, bem como todas as intervenções realizadas durante esse longo período de
tempo. Pretendeu-se também entender se nas
reconstruções que têm vindo a ser feitas houve a preocupação em manter a estrutura inicial. Acharam-se necessários novos e atuais levantamentos fotográficos, para complementar a base teórica e os respectivos desenhos.
Com este trabalho procurou-se compreender a razão pela qual se poderá intervir na nestas estruturas e como a criação de um espaço público intergeracional de convívio pode ser um núcleo dinamizador de uma cidade, conseguindo agrupar diversas atividades e pessoas.
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O TERRITÓRIO
“O espaço pelas suas características e pelo seu funcionamento, pelo que ele oferece a alguns e recusa a outros, pela selecção de localização feita entre as atividades e entre os homens, é o resultado de uma práxis colectiva que reproduz as relações sociais, (...) o espaço evolui pelo movimento da sociedade total. ―1
antigos postos defensivos da costa, ativos em dois momentos diferenciados cronologicamente, importa contextualizá-los numa área mais ampla de forma a depreender a motivação e o objetivo da ocupação militar neste local.
Uma vez que as baterias não se extinguiam em posições de defesa pontuais, mas pertenciam sim a um extenso sistema de defesa costeiro, pretende-se perceber as diversas circunstâncias que levaram à génese desta rede, bem como a sua evolução.
Para fundamentar o amplo contexto desta primeira análise, importa realçar que a defesa da foz do Tejo pela margem sul e pela margem norte eram complementares, sendo que a defesa de Lisboa não se limitava apenas ao perímetro da cidade, fazendo deste um plano comum de defesa das barras do Tejo e do Sado, tentando impedir algum ataque por via marítima.
Faz-se agora uma contextualização histórica, que apontas para dois momentos distintos tipologicamente: um primeiro dedicado ao Sistema Defensivo Medieval, e um segundo, referente ao Sistema Defensivo Moderno.
Fig . 1 Soldado num dos seus exercícios de
treino na Bateria da Lage, século XX.
2.1.1 O SISTEMA DEFENSIVO MEDIEVAL2
É no reinado de D. João II, no final do séc. XV, que se estrutura o primeiro plano de defesa da cidade de Lisboa. Ao contrário do anterior plano, que se fundamentava em naus artilhadas, ancoradas no rio Tejo, o plano joanino propunha uma estratégia que integrava vários pontos fixos fortificados, que visava a construção de três torres fortificadas, apropriadas para o tiro rasante da artilharia da época: dois na margem norte, em Cascais e em Belém; e um na margem Sul, na Caparica.
A primeira torre fortificada a ser construída foi a Torre de Santo António de Cascais. As suas obras iniciaram-se em 1488, vindo substituir o castelo de Cascais que se encontrava degradado e já não conseguia exercer a sua função de defesa de pirataria inglesa, francesa e moura que frequentemente atacava a vila, constituindo assim ―um novo modelo de arquitetura que marcará a transição
entre o castelo medieval e a fortaleza abaluartada”3.
No final do século XV, estava concluída a Torre de São Sebastião da Caparica, que defenderia o enfiamento mais estreito da foz do Tejo juntamente com a futura Torre de São Vicente de Belém. Esta última só viria a ser erguida no reinado de D. Manuel I, por isso foi provisoriamente ancorada, a meio do Tejo, a Grande Nau, que potentemente artilhada, preenchia a função desejada. Sendo concluída em 1520, a Torre de Belém formava assim o triângulo defensivo costeiro de Lisboa, com pontos fixos no Restelo, Cascais e Caparica.
D. João Ill, manda edificar uma grande fortaleza na ponta de São Gião em 1553, sendo este o primeiro projeto do Forte de São Julião da Barra. As obras foram concluídas
em 1568, ainda que se continuassem obras
complementares, nos anos posteriores.
Em Portugal surge em paralelo o ―Tratado sobre as fortificações das Cidades, Castelos e Burgos‖, de Albrecht Dūrer, escrito em 1527, que se converteu numa instrumento relevante para a edificação dos sistemas fortificados abaluartados até meados do séc.XVI.
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2 O seguinte subcapítulo foi baseado na conferência apresentada pelo Coronel José Paulo Berger, em outubro de 2018 no Auditório Rainha Sonjia da Faculdade de Arquitetura da Universidade de Lisboa
3 BOIÇA, Joaquim Ferreira, Maria Ramalho
e Maria de Fátima Barros — As Fortificações Marítimas da Costa de Cascais. Lisboa: Quertzal Editores, 2001, p.28.
No primeiro reinado da Dinastia Filipina, reorganizou-se o plano de defesa da Barra do Tejo, consequente das dificuldades demonstradas durante a invasão espanhola. A Fortaleza de São Julião tornou-se na maior fortificação do reino de Portugal desde 1582, devido à sua ampliação nessa época.
D. Filipe I, em 1589, manda edificar a Fortaleza de Nossa Senhora da Luz para fortificar a baía de Cascais, que iria anular a ineficaz Torre existente.
Em 1590, começam as obras das fundações do Forte do Bugio, sendo uma obra de grande complexidade, perlongar-se-ia por décadas até à sua conclusão.
A restauração da Independência de Portugal dá-se em 1640, tornando-se necessário conceber um sistema defensivo eficaz para a defesa das fronteiras terrestres e marítimas do reino , dada a ameaça espanhola.
Com efeito, executou-se aquele que foi o maior e mais eficaz plano de defesa da Barra do Tejo e do Sado praticado até então, favorecendo a construção abaluartada das fortificações.
Prontamente em 1641, avançou o estudo para a Cidadela de Cascais, fortificação essa que aumentava em larga medida as competências defensivas na baía. A sua planta desenvolvia-se em torno da Fortaleza de Nossa Senhora da Luz, gerando uma praça forte seiscentista.
Entre 1642 e 1649 são edificados pela costa norte do Tejo, vários fortes, de menor escala, que formavam a linha de defesa da Barra do Tejo e do Sado, destacando-se, entre os demais, na margem norte, o Forte de São João das Maias.
Já em 1762, D. José ordenou uma reforma no exército. Daqui emergiria a edificação da Bateria Alta, da Galé e da Crismina e ainda o Forte de Catalazete, que revigoravam a defesa ocidental de Lisboa. No reinado de D. Maria I, é mandado construir o Forte do Bom Sucesso, para o apoio da linha defensiva de Belém. Após o período da Restauração, e de todas estas fortificações atrás mencionadas terem sido edificadas, a linha de defesa da barra do Tejo e do Sado ficava concluída, muito embora a maioria das fortificações (à excepção da Cidadela de Cascais), já tinham sido desartilhadas em 1834.
Fig. 2. Evolução tipológica dos
sistemas defensivos costeiros (de cima para baixo) Torre de vigia, Forte e Bateria
2.1.2 O SISTEMA DEFENSIVO MODERNO4
Este momento histórico que é exposto neste subcapítulo, por norma não é mencionado nos relatos históricos mais convencionais sobre a defesa da cidade de Lisboa. Contudo, é fundamental para o entendimento deste trabalho, passar por toda a linha temporal, desde o século XIV até aos dias de hoje.
O paradigma na estratégia defensiva altera-se na segunda metade do século XIV, resultado do progresso tecnológico da artilharia. Naturalmente, o modo de ver e projetar a arquitetura militar sofreu inúmeras transformações. As fortificações até então construídas revelavam-se verdadeiras representações de poder e domínio, marcando expressivamente o território natural e urbano, de grande significado, cuja função era de intimidação ao inimigo, e que por este motivo deveriam ter um alcance visual a grande distância.
Ao contrário do que se pensava anteriormente, a nova ideologia militar identificou-se pelo uso da técnica de dissimulação no território, sendo composta por pequenas construções à superfície e construções entrincheiradas, galerias e paióis, tendo geralmente mecanismos de camuflagem.
A construção bastante resistente, segundo conceitos modernistas, onde se realça o uso do ferro fundido ou a combinação do betão armado com o ferro, compreendia entrincheiramentos bem moldados ao terreno, de modo a poder atirar fogo de uma posição protegida, baterias de tiros e vias de comunicações rápidas. Uma bateria era uma plataforma, composta por um determinado número de bocas-de-fogo de artilharia, dispostas sob a mesma orientação e posições de tiro próximas.
Em 1876, um novo plano de defesa terrestre e marítima de Lisboa, foi concebido pelo nome de Campo Entrincheirado de Lisboa, cumprindo em parte com o princípio de fortificação. A defesa do porto de Lisboa compreendia dois sectores: um exterior, na margem norte do Tejo, pelo Forte de São Julião da Barra, reduto Duque de Bragança e bateria de S. Gonçalo; e, na margem sul, pelas baterias de Raposeira e Alpena.
14 1ª 2ª 3ª 1ª Bateria de Alcabideche 2ª Bateria da Parede 3ª Bateria da Lage 4ª Bateria do Bom Sucesso 5ª Bateria da Trafaria 6ª Bateria da Fonte da Telha 7ª Bateria do Outão 8ª Bateria de Albarquel
4 O seguinte subcapítulo foi baseado na conferência apresentada pelo Coronel José Paulo Berger, em outubro de 2018 no Auditório Rainha Sonjia da Faculdade de Arquitetura da Universidade de Lisboa
Sucesso; e, na margem sul, pelas restantes obras da Trafaria.
Um ano após a implantação da República (1911), surge uma nova organização militar do Exército, passando a Artilharia de Costa a representar- se como um ramo distinto.
Neste sentido, nasce uma linha de Artilharia de Costa em Lisboa e em Setúbal, tornando-se num caso particular de sistemas de defesa, por se tratar de um conjunto do século XX e, por esse motivo, ainda não ter ganho a sua posição na história da arquitetura militar em Portugal, sendo assim pouco conhecido.
Já na Segunda Guerra Mundial, foi formada uma organização luso-britânica, coordenada pelo major-general inglês FW. Barron, que criou um plano de defesa costeira da região de Lisboa: o Plano Barron. Este definia um Comando de Defesa Costeira em Oeiras, responsável pela organização de dois grupos: o sector Norte - defendendo o rio Tejo e o Porto de Lisboa - e o sector Sul - defendendo o rio Sado e o Porto de Setúbal. O grupo norte abrangia as primeiras quatros baterias: Alcabideche, Parede, Lage e Forte do Bom Sucesso; o grupo sul incluía as restantes quatro: Trafaria, Fonte da Telha, Outão e Albarquel (fig. 3).
Este plano, foi executado por fases entre 1948 e 1958. Durante este período, as oito baterias definidas no Plano Barron passaram a ser operacionais, na sua maioria foram instaladas casamatas e paióis subterrâneos e armadas com peças de grande calibre. Entretanto o Comando da Defesa Costeira passou a ter a designação Regimento de Artilharia de Costa - RAC.
Também no pós-guerra foram armadas Baterias Independentes de Defesa de Costa, fora deste plano, nos Açores, na Madeira e em Cabo Verde.
Fig. 3. Localização das oito Baterias do
Regimento de Artilharia da Costa (RAC)
15 4ª 5ª 6ª
7ª 8ª
Em 1976, o RAC passou a ser o único grupo de Artilharia de Costa do Exército Português, assumindo, além da sua missão operacional, a função de Escola prática, passando a ter a competência do estudo e do ensino desta especialidade em Portugal.
Até 1977, a Artilharia de Costa passa a ter um novo estímulo, marcado pela modernização da técnica de direção de disparo, embora o material se mantivesse o mesmo. Quando eram feitos exercícios de tiro, o tráfego marítimo e aéreo nas áreas de Setúbal, Lisboa e Cascais eram suspensos e a população era informada nas áreas de influência das peças.
Sendo pouco prováveis as ameaças e com o aumento da urbanização nas zonas onde estavam instaladas a maior parte das baterias, estas foram sendo desactivas, com a exceção da 6ª e 7ª Baterias (Fonte da Telha e Outão, respectivamente) para exercícios de tiro, uma vez que se encontram junto a zonas costeiras protegidas, nas quais a construção de habitações era mais reduzida. Este modo de defesa, bem como os próprios conjuntos militares, foi-se tornando obsoleto e, em 1999, o RAC foi totalmente desactivado, tendo nesse ano realizado os últimos disparos do Muro Atlântico Português.
Com a desativação de todas as Baterias de Costa, hoje em dia estas estruturas encontram-se na sua maioria sem qualquer utilidade, encontrando-se apenas vestígios bélicos abandonados e peças de artilharia decadentes. Como excepção, diferencia-se o caso da 1ª Bateria, em Alcabideche, da qual só foi recuperada uma peça de tiro, exposta numa rotunda do novo Hospital de Cascais; a 3ª Bateria, da Lage, em Oeiras, transformada numa Associação de Comandos; e a 4ª Bateria, do Bom Sucesso, em Belém, actual Museu da Liga dos Combatentes.
Através desta leitura pretende-se compreender a razão pela qual as baterias militares estão inseridas neste território (fig. 4).
O actual território das Baterias da Lage e Fontainhas é marcado por dois momentos distintos cronologicamente. Embora nasçam conceptualmente de um propósito comum, o da defesa da costa e do território, estas duas ocupações principais divergem pelo tipo de intervenção e compromisso que assumiram com o sítio.
As peças edificadas préexistentes constituem
testemunhos ricos que aqui se pretendem enquadrar e contextualizar, de modo a compreender a sua importância histórica e patrimonial.
17
Fig. 4. Enquadramento das
Baterias no lugar, planta do século XIX
Situada no planalto que domina a praia de Santo Amaro de Oeiras do lado Leste, a actual Bateria da Lage, assim conhecida pela proximidade à Ribeira da Laje, em 1902, era designada como Bateria Rainha Maria Pia, em memória da viúva do rei D.Luís I.
Projetada pelo Major de Engenharia Firmino José da Costa, a 1 de Março de 1887 foi começada a ser edificada , e apesar de ter sido concluída, em 1889, a bateria só foi equipada com três bocas de fogo Krupp nos princípios do século XX.5
No âmbito do Regimento de Artilharia de Costa (RAC), a 3ª Bateria da Lage estava integrada no Grupo Norte do complexo sistema de fortificações do ―Plano Barrow‖6.
Esta bateria de artilharia de costa tem uma imensa frente marítima, desde Algés até à entrada da barra do Tejo, em Oeiras.
À semelhança das 5ª e 8ª Baterias da Raposeira
(Trafaria) e de Albarquel (Setúbal), estava
equipada com 3 peças de fogo Krupp CTR 15 cm de curto e médio alcance e contribuía para a defesa de proximidade da barra do Tejo.
Contava, nas proximidades, com o apoio adicional da 2ª Bateria da Parede. Esta instalação militar contava, ainda, com um quartel, casamatas e paióis para alojamento do material e pessoal militar que prestava serviço nesta antiga unidade militar do Exército Português.
Perdida a sua função militar, em 1998, as instalações militares foram cedidas à Associação de Comandos que, atualmente, proporciona um espaço verde para atividades de desporto e aventura.7
19 cidadela de Cascais e a Defesa da Costa
Marítima do Guincho ao Estoril. In: ―Boletim do AHM‖, Lisboa, vol. 63 (1998 – 1999), pp. 37 – 98
7 MACHADO, M. (22 de Dezembro de
2008). Os Últimos Disparos do ―Muro do Atlântico‖ Português. Obtido em Fevereiro de 2011,
de http://www.operacional.pt: http://www.oper acional.pt/os-ultimos-disparos-do-
A Bateria da Lage, que mantém em bom estado de conservação as três peças de 15 cm K.T.R, foi muito embora projectada e construída para ter três peças de 28 cmKrupp.
A bateria tem em planta a forma rectangular, constando de uma frente marítima, dois flancos e um gola.
Todo o edifício é envolvido por um fosso vedação interrompido na entrada, que se faz por um portão de ferro aberto no flanco direito, ao nível do terrapleno baixo da bateria e que dá acesso à estrada de ligação entre as duas baterias (Bateria da Lage e Bateria das Fontainhas), a Rua Nuno Álvares Pereira, antiga estrada Real.
As três plataformas são limitadas lateralmente pelos muros dos traveses e protegidos na frente por um muro de alvenaria e betão. Do outro lado das plataformas abrem-se as portas de comunicação com os abrigos, pelas quais se fazia o serviço das munições, recebendo cada boca de fogo os cartuxos por um lado e os projécteis pelo outro.
Fig. 6 Imagens de exercícios militares, ainda
aquando da ocupação miliar da Bateria da Lage, s.d,
Real de 14 de Novembro de 1901, que reestruturava o Campo Entrincheirado de Lisboa, a Bateria a construir no sítio das Fontaínhas, entre Oeiras e Paço de Arcos, faria parte do Sector Interior das Defesas do Porto de Lisboa.8
Este ponto fortificado, assim como a Bateria da Lage, construída em 1887, e a Bateria da Praia de Santo Amaro, ainda em obras, contribuiria para a defesa da Barra do Tejo.
Concluídas as escavações, nas quais não foi encontrada pedra, o Capitão Sá Nogueira, diretor da obra, informou superiormente, a 12 de Novembro de 1902, ir começar em breve, as construções de alvenaria. Assim sucedeu e em Agosto de 1904 já a artilharia estava montada.
Completada a obra a 31 de Dezembro de 1906, procedeu-se, a 2 de Março de 1907, à entrega da Bateria das Fontaínhas ao Governo do Campo Entrincheirado.9
Pronta a intervir na defesa de Lisboa, e do seu porto, o que felizmente não veio a ser necessário, nem nas duas guerras que tiveram lugar durante a sua existência, ou em qualquer conflito interno, esta fortificação - obteve das Autoraidades militares a Autoraização para captar água das nascentes, e daí o nome de Fontaínhas - não podia eximir-se ao destino da maior parte dos pontos fortificados, a perda de valor estratégico e o consequente abandono.
No ano de 1946, a Bateria das Fontaínhas e outras fortificações e instalações militares passaram para a dependência do Regimento de Artilharia de Costa mas, tempo depois, acabou por ser desartilhada. Em 1951 encontrava-se a servir de arrecadação de material e munições doutros pontos fortificados como, também servia de residência a oficiais, sargentos e familiares (CALLIXTO, 2002).
do Concelho de Oeiras‖, Oeiras: Câmara Municipal de Oeiras, 2002
9 BERGER, José Paulo (Coronel) (2017), "Campo
Entrincheirado de Lisboa", Tertúlias de História
Militar (apresentação ), direção de História e Cultura
Militar, 21 de Maio de 2017.
No ano seguinte, após a demolição da Bateria de Santo Amaro, o Terço de Oeiras da Legião Portuguesa, conseguiu instalar-se na Bateria das Fontaínhas inaugurando o seu Aquartelamento, a 30 de Novembro. Com a Revolução de 25 de Abril, foi de imediato devolvida ao Regimento de Artilharia de Costa o que levantou reparos por parte do Ministério do Exército.10
Apesar de a fortificação estar desactivada, e ocupada pela Legião Portuguesa e por sargentos e seus familiares, nunca as Autoridades militares dela se haviam desinteressado.
Assim se encontra, a Bateria das Fontaínhas: a fortificação está em relativo estado de conservação e muito merecia ser preservada para o futuro, como valioso exemplar de um ponto fortificado construído no princípio do século passado.
Estaria armada com quatro peças de tiro rápido de 7,5 cm e 45 calibres de comprimento, protegidas com escudos de aço e montadas em reparos de eixo central com uma altura de joalheira de dois metros.
A bateria de forma rectangular, consta de uma frente marítima, uma gola e dois flancos. A frente é perpendicular à antiga linha média da faixa de torpedo, linha tirada pelo moinho das antas, paralelamente à linha de Torres. A magistral eleva-se à cota 20, 30m e o plano de fogo teria uma inclinação de 10º com o horizonte. A bateria é semienterrada e o terreno em que assenta é de calcário rijo
22
Fig. 7. Plantas, Cortes e Alçados da
Bateria das Fontainhas, do século XIX
10 SOUSA, Pedro Marquês de (Tenente-Coronel), "A Artilharia de Costa na Defesa de Lisboa
na 1ª Guerra Mundial (1914-1919)", in Revista de Artilharia, n.1100-1102, Abril-Junho de 2017, pp.83-100.
Fig. 8- Perspectiva sobre a entrada para a
Bateria das Fontainhas. Esta imagem revela de imediato a ocupação habitacional de forma livre e arbitrária por uma população mais desfavorecida.
2.3. SÍNTESE : DA DEFESA À PAISAGEM CULTURAL
As Baterias da Lage e das Fontainhas, bem como o território onde se inserem, podem agora (segundo a Carta ICOFORT sobre Fortificações e Património relacionado, página 1) ser considerados paisagem cultural militar por terem sido instalações de defesa militar costeira usadas para fins defensivos.
Consequentemente, as paisagens culturais têm valores semelhantes aos outros edifícios e locais históricos como o seu valor histórico, o seu valor arquitectónico e técnico, o seu valor humano e antropológico, o seu valor cultural e educacional, bem como o seu valor socioeconómico. No entanto, há valores específicos que precisam ser analisados, como é o caso do valor territorial e o valor da paisagem cultural.
Para analisar o valor territorial destas fortificações modernas é necessário interpretá-las num contexto mais amplo, pois fazem parte de um sistema defensivo (3ª Linha de Torres) e por isso o seu valor como sistema é maior do que o seu valor específico.
Mais ainda, as baterias por estarem inseridas em contexto urbano, passam também elas a ser entendidas como conjuntos urbanos e não estruturas isoladas. Quanto ao seu valor de paisagem cultural, estas baterias fornecem entendimento contextual sobre os materiais construtivos e da sua função enquanto fortificações, bem como a sua função de estrutura militar em relação ao domínio visual e físico sobre o território circundante. Conclui-se assim, que as Baterias da Lage e Fontaínhas incorporam um importante valor associativo em relação à identidade e apego da comunidade a este local, pois estas fortificações permitem uma intensa experiência de aprendizado pessoal e até emocional dos eventos realizados na história das comunidades. Elas pertencem ao imaginário coletivo em relação à própria paisagem urbana. Importa ainda realçar que as baterias possuem valor educacional porque podem proporcionar um ambiente propício estimulante relacionado à experiência cultural do património militar (fig. 9)
25
Fig. 9- Vista panorâmica da Bateria da Lage sobre o rio Tejo. Esta
imagem enfatiza o uso da bateria para fins lúdicos e culturais através das atividades dos escuteiros.
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O LUGAR
Fig. 10- paisagem para a Praia de Santo
Amaro de Oeiras de um dos miradouros naturais da bateria da Lage
27
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3.1. LEITURA HISTÓRICA
Com esta leitura pretende-se compreender as alterações na paisagem no concelho de Oeiras, bem como as mudanças no edificado da orla costeira da vila, nos últimos 100 anos
As suas condições naturais, com solos muito férteis e a proximidade do Estuário do Tejo, fizeram com que desde cedo fosse alvo da ocupação humana, tendo um perfil marcadamente rural até meados do século XX. Mais recentemente, a sua posição privilegiada em relação à capital levou a um crescente desenvolvimento e urbanização.
Com efeito, as peças edificadas préexistentes constituem testemunhos ricos que aqui se pretendem enquadrar e contextualizar, de modo a compreender a sua importância histórica e patrimonial.
3.1.1 A PAISAGEM E O EDIFCADO
A ocupação da orla marítima do litoral do concelho de Oeiras trouxe mudanças importantes à sua paisagem e edificado, em particular nos últimos 100 anos.
O Arquivo Fotográfico da Câmara de Oeiras cedeu-nos uma vasta colecção fotográfica que permitiu fazer o levantamento do desenvolvimento e da transformação da costa oeirense, tanto ao nível arquitectónico como paisagístico.
Percorrendo o Passeio Marítimo, vamos encontrando ao longo da costa uma série de edificações que resistem ao tempo e que testemunham a sua época, bem como percebemos os vestígios das que foram destruídas. A paisagem da orla marítima de Oeiras foi sempre influenciada pela proximidade das praias, que durante o séc. XIX tornaram a vila num local privilegiado para zona balnear da elite portuguesa. Este fenómeno fez com que fossem edificadas uma série de chalés e moradias de recreio, muitas delas já perdidas.
Também as fortificações marítimas construídas para a defesa do Tejo são, para além de fortes marcas na paisagem, edificado com valor patrimonial, que embora desactivados na sua maioria, permanecem intactos.
Oeiras.
O Forte De Catalazete (fig.12) é um pequeno forte de defesa construído em 1762. Em 1763, esta fortificação, também designada por Forte Novo das Mercês, estava artilhada com 9 bocas-de-fogo. Em 1851 já se encontrava em mau estado e, como sucedia com as fortificações desactivadas, começou a ser arrendada a particulares a partir de 1888. Em 1958 foi entregue à Mocidade Portuguesa para servir de Colónia de Férias. Em 1977 passou a ser propriedade da Associação Portuguesa da Juventude, funcionando hoje em dia como Pousada da Juventude. 11
Fig. 12 Praia e Forte de Catalazete, 1993. Fig.13 Forte de Catalazete em obras de
adaptação para Pousada da Juventude, 1986.
Fig. 14 Forte de Catalazete visto do rio Tejo,
1995. : 12 13 14 Praia de Santo Amaro Praia de Paço d’Arcos Praia de Caxias FORTE DO CATALAZETE
Fig. 11 Representação Esquemática Da Localização do
edificado
A INATEL (fig.16) é uma Unidade hoteleira construída no final da década de 1960 e inaugurada com o nome Motel Continental. Em 1978 passa a ser propriedade do INATEL, mantendo-se até aos dias de hoje como um ícone da história do turismo de Oeiras. 12
Este equipamento de lazer, virado para o Tejo, é um local privilegiado para se usufruir da tranquilidade do mar e da beleza do litoral de Oeiras.
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Fig. 16 Panorâmica da orla costeira, com o Forte de
Catalazete e o INATEL em destaque, 1996.
Fig. 17 Zona do restaurante e esplanada, sendo
visível o corte na rocha efetuado no século XVIII, por ordem do Marquês de Pombal, para construção de um canal navegável, 2002.
Fig. 18 Zona dos apartamentos, 1992.
. : Praia de Santo Amaro Praia de Paço d’Arcos Praia de Caxias INATEL
Fig. 15- Representação Esquemática Da Localização do
edificado
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muito degradado, tendo sido sujeito a obras de beneficiação nos finais do século. Até finais do século XVIII ainda mantinha artilharia, mas daí em diante foi sendo progressivamente desativado. Em 1954 foi entregue ao Ministério da Defesa Nacional.13
Fig.20 Praia e Forte de Catalazete, 1993. Fig.21 Forte de Catalazete em obras de
adaptação para Pousada da Juventude, 1986.
Fig. 22 Forte de Catalazete visto do rio Tejo,
1995. : 20 21 22 Praia de Santo Amaro Praia de Paço d’Arcos Praia de Caxias FORTE DO AREEIRO
Fig. 19- Representação Esquemática Da Localização do
edificado
A Ribeira da Laje (fig.24) nasce na Serra de Sintra e desagua no estuário do Tejo, na extremidade poente da Praia de Santo Amaro de Oeiras. 14
No século XIX atravessava algumas das quintas mais emblemáticas de Oeiras, caso das Quintas do Marquês de Pombal, da Quinta da Arriaga ou da Quinta do Proença. Estas duas últimas, na década de 1940, foram transformadas em parque público. No início do século XX a foz apresentava uma configuração diferente formando uma lagoa que ocupava parte do atual Jardim Municipal de Oeiras.
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Fig.24- Vista sobre a praia de Santo Amaro e foz da
Ribeira da Laje, década de 1940.
Fig.25- A lagoa junto à foz da Ribeira da Laje, 1915. Fig.26 - Vista do jardim e da Ribeira da Laje junto à
Estrada Marginal, década de 1940.. : Praia de Santo Amaro Praia de Paço d’Arcos Praia de Caxias RIBEIRA DA LAJE
Fig. 23- Representação Esquemática Da Localização do
edificado
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14 Aplicação do Modelo SWAT do estudo hidrológico
Muitos visitantes chegavam de comboio para passear, nadar ou mesmo usufruir dos concertos e dos espetáculos de variedades que o Casino Éden, situado junto à praia, oferecia aos veraneantes.
A Quinta do Barracão, junto ao Casino Éden, era um dos seus marcos arquitetónicos.15
Fig.28 Praia em época balnear, sendo visível
o Casino e a Quinta do Barracão, década de 1940.
Fig.29 Barracas na Praia e a Quinta do
Barracão, 1909.
Fig. 30 Praia e embarcações de recreio em
época balnear. Ao fundo, o Casino Éden e a Quinta do Barracão, década de 1940.
: 28 29 30 PRAIA DE SANTO AMARO Praia de Paço d’Arcos Praia de Caxias
Fig. 27- Representação Esquemática Da Localização do
edificado