AULA 1 – CONCEITOS E DEFINIÇÕES DE ECONOMIA

Texto

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APOSTILA DE INTRODUÇÃO À ECONOMIA.

PROFESSOR MS. ALEXANDRE DELLAMURA.

AULA 1 – CONCEITOS E DEFINIÇÕES DE ECONOMIA

Alfred Marshall, um dos mais ilustres economistas, dizia que a economia nada mais é do que o estudo do homem dirigindo a sua vida cotidiana.

A palavra economia vem do Grego:

OIKOS = casa NOMOS = norma, Lei

Então, OIKOSNOMOS quer dizer:

“Administração da casa” “Aquele que administra o lar” “Administração da coisa pública”

A economia é muito mais conhecida como a ciência da escassez. A escassez dos recursos produtivos é o principal problema da Economia. Sendo assim, a economia é a ciência social que estuda a produção, a circulação e o consumo dos bens e serviços que são utilizados para satisfazer as necessidades humanas.

A TEORIA ECONÔMICA é dividida em dois grandes enfoques: teoria microeconômica e teoria macroeconômica.

MICROECONOMIA: explica o comportamento econômico a partir dos agentes econômicos individuais – produtores e consumidores. Usa um olhar “microscópico” para estudar o sistema de preços e as forças do mercado. Lida com a demanda de mercado de um determinado bem ou serviço, com a quantidade do bem que a firma deve ofertar, a quantidade do bem que a industria deve ofertar e, mais que isso, trata do preço desse bem ou serviço. Por isso dizemos que, onde há preço, há Microeconomia e por isso a Micro também é chamada de Ciência dos Preços. Está subdividida em Teoria do Consumidor, Teoria da Firma e Teoria da Produção.

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FATORES DE PRODUÇÃO

São os elementos indispensáveis e básicos ao processo produtivo de bens ou serviços. Tradicionalmente são três principais:

a) Terra – Não apenas terra cultivável e urbana, mas também os recursos naturais que contém, por exemplo, minerais. Para ser considerado um fator de produção, a terra deve ser explorável, ou seja, um parque nacional ou uma reserva intocada não é considerado fator;

b) Trabalho – Faculdades físicas e intelectuais dos seres humanos que intervém no processo produtivo. É parte da população que desenvolve as tarefas produtivas. A

População Economicamente Ativa (PEA), compreende os trabalhadores empregados e os desempregados que têm condições de trabalhar. Estão fora da PEA os estudantes, aposentados, donas de casa, incapacitados e pessoas que não procuram emprego.

c) Capital – Corresponde ao conjunto de edifícios, máquinas, equipamentos e instalações que a sociedade dispõe para efetuar a produção. Este conjunto é denominado de estoque de capital da economia. Quanto mais bens de capital

dispuser a economia, mais produtiva ela será. O capital circulante consiste nos bens em matérias-primas e estoques de armazém; o capital fixo consiste em instrumentos de toda a espécie, incluindo os edifícios e os equipamentos. Capital Dinheiro, usado na linguagem comum, não é tido como fator de produção.

BENS

A economia estuda a maneira como se administram os recursos escassos, com o objetivo de produzir bens e serviços e distribuí-los para seu consumo entre os membros da sociedade.

Se um bem é produzido ou há a necessidade de qualquer consumidor em comprá-lo, ele se chama bem econômico. Um carro, um pão, a eletricidade ou a água que consumimos em nossa casa são exemplos de bem econômico. Já o ar, a água da praia e os raios solares, que não precisam ser produzidos ou transacionados, são chamados de bens livres.

Os bens econômicos, por sua vez, se dividem em:

Bens de Capital – são máquinas e equipamentos utilizados na produção de outros bens. São utilizados na produção dos bens de consumo.

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Bens Intermediários – são as matérias-primas ou insumos vendidos de uma empresa a outra para a fabricação de um bem final. Ex: cana-de-açúcar que fabrica o álcool, ou os grandes lingotes de ferro que as indústrias pesadas elaboram e vendem para as montadoras fabricarem seus carros

***As 3 perguntas que a Ciência Econômica deve responder:

1 - O que e quanto produzir? Significa quais produtos deverão ser produzidos (carros, cigarros, café, roupas, etc.) e em que quantidades deverão ser colocados à disposição dos consumidores;

2 - Como produzir? Por quem serão os bens e serviços produzidos, com quais recursos e de que maneira ou processo técnico;

3 - Para quem produzir? Para quem se destinará a produção (fatalmente, para os que têm renda).

FLUXO CIRCULAR DE RENDA

Numa economia de mercado (capitalista) há dois agentes econômicos principais: as unidades produtivas (empresas) e as unidades consumidoras (famílias).

As empresas produzem os bens e serviços, utilizando os fatores de produção (terra, trabalho e capital) que são cedidos a ela pelos proprietários dos mesmos (famílias) em troca de uma remuneração, que é denominada renda.

Os proprietários dos fatores de produção (capitalistas donos do capital, assalariados e outros trabalhadores que possuem o trabalho e as pessoas que são donas dos recursos naturais “ou seja, as famílias”) utilizam a renda gerada pelas empresas para comprar os bens e serviços que estas produzem. O valor dessas compras é chamado de dispêndio.

Obs: os capitalistas são os donos do capital, mas fazem parte das famílias.

Resumindo: empresas alugam os fatores de produção das famílias e lhes pagam uma determinada renda. A renda recebida pelas famílias compra de volta a produção realizada pelas empresas, determinando o dispêndio.

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Pagamento pela compra de bens e serviços = dispêndio

Pagamento pelo uso dos fatores de produção = renda

A renda, remuneração paga pelas empresas pelo uso dos fatores de produção é classificada em salários (remuneração do fator trabalho), juros e lucros (remuneração do fator capital) e aluguéis (remuneração dos recursos naturais e de bens de capital alugados).

CURVAS DE POSSIBILIDADE DE PRODUÇÃO (CPP)

A análise do problema de escassez dos recursos e as ilimitadas necessidades nos leva a crer que a Economia é uma ciência ligada a problemas de escolha.

A Curva de Possibilidade de Produção é a fronteira máxima que a economia pode produzir, dados os recursos produtivos limitados. Ela mostra as alternativas de produção da sociedade, supondo os recursos plenamente empregados. Trata-se de um conceito teórico, cujo principal objetivo é ilustrar a questão da escassez de recursos e as opções ou escolhas que as sociedades devem fazer.

Supondo que a Volkswagen do Brasil fabrique apenas dois carros: o Gol e o Cross Fox.

UNIDADE DE PRODUÇÃO: EMPRESAS

UNIDADES

CONSUMIDORAS: FAMÍLIAS

Bens e Serviços

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GOL CROSS FOX

20 0

18 1

15 2

11 3

6 4

0 5

0 1 2 3 4 5

CROSS FOX

Ponto 0 (pleno desemprego): situação representada apenas teoricamente, pois torna-se necessário pelo menos um mínimo de produção para a simples subsistência.

Qualquer ponto sobre curva: representa a produção máxima da economia, ou pleno emprego dos fatores de produção.

Pontos além da curva: não poderão ser atingidos com os recursos disponíveis. Torna-se possível apenas com Mudanças tecnológicos ou aparecimento de novos recursos naturais.

Pontos internos à curva: representam situações nas quais a economia não está empregando todos os recursos (ou seja, há capacidade ociosa).

Custo de oportunidade: O custo de oportunidade de um bem ou serviço é a quantidade de outros bens ou serviços que se deve renunciar para obtê-lo. A quantidade perdida do automóvel GOL que a Volks precisa incorrer para aumentar a produção do CROSS FOX é denominada custo de oportunidade. (Demonstração em aula)

GOL

20 18 15

11

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EXERCÍCIOS

1 – Por que dizemos que o principal problema da economia é a escassez? Existe algo no mundo que não seja escasso?

2 – O carro que o taxista usa em seu turno de trabalho é um bem de capital. Por quê?

3 – Eu não quero trabalhar e não procuro emprego. Estou na PEA? E o meu avô aposentado, está na PEA? O que é PEA?

4 – A microeconomia é conhecida como a “ciência dos preços”. Você saberia o porquê?

5 – O que diferencia um bem de um serviço?

6 - Dada a Curva de Possibilidade de Produção (CPP) abaixo, explicar o significado dos pontos A, B e C.

Produto Y

Produto Z

9 – (ICMS 2006) – Considere a seguinte curva de possibilidades de produção para uma determinada economia fictícia, onde Y e X são os únicos bens produzidos na economia.

A B

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X

É correto afirmar que:

a) os pontos A, B e D representam cominações de produção Y e X em que todos os recursos produtivos disponíveis estão sendo utilizados.

b) a economia só poderá atingir o ponto C se houver um aumento na disponibilidade de seus recursos produtivos e/ ou por meio de inovações tecnológicas.

c) a partir do ponto D, só é possível atingir os pontos A e B se houver um aumento na disponibilidade de recursos produtivos na economia.

d) somente o ponto A representa o pleno emprego dos fatores produtivos, pois é o ponto mais alto da curva.

e) os pontos A e B, no curto prazo, representam maiores potenciais de crescimento econômico (elevação do produto interno bruto) em relação ao ponto D.

Y

D A

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AULA 2 - INTRODUÇÃO AO ESTUDO DOS MERCADOS

O mercado é o local onde se encontram os vendedores e compradores de

determinados bens e serviços. Seguem abaixo suas divisões.

CONCORRÊNCIA PERFEITA. Esse mercado tem as seguintes características:

a) existência de um grande número de pequenos vendedores e compradores que sozinhos representem muito pouco no total do mercado;

b) o produto transacionado é homogêneo, ou seja, todas as empresas fabricam produtos iguais que não se distinguem por qualidade, marca ou rótulo;

c) há livre entrada e saída de empresas no mercado, sem qualquer restrições dos concorrentes, como práticas desleais de preços ou associações para impedir a entrada de empresas novas;

d) perfeita transparência e conhecimento pelos compradores e vendedores de tudo o que ocorre no mercado (se uma empresa obtiver uma inovação tecnológica as outras empresas saberão imediatamente. e) Os fatores de produção são perfeitamente móveis.

O mercado de concorrência perfeita praticamente não existe na prática, sendo encontrados apenas em alguns casos de produtos agrícolas. Esse seria o mercado ideal, por isso as teorias elementares de oferta e demanda são baseadas nele.

Na concorrência perfeita nenhum vendedor ou comprador tem influência sobre o preço de mercado. Nenhum vendedor isolado conseguirá vender seu produto por preço superior ao preço de mercado, pois o comprador simplesmente irá optar por uma empresa concorrente. Da mesma maneira, nenhum comprador conseguirá comprar o produto abaixo do preço do mercado, pois o vendedor sabe que se não vender para ele, venderá para qualquer outro consumidor.

A concorrência perfeita seria o sonho da Ciência Econômica.

MONOPÓLIO

É correto dizermos que, excetuando-se a concorrência perfeita, todos os mercados restantes devem ser tratados de concorrência imperfeita. Desses, o monopólio detém o maior grau de imperfeição.

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a) Existência de somente uma empresa que venda um determinado bem ou serviço para um grande número de compradores ou que domine boa parte de um determinado mercado;

b) O bem ou serviço produzido não deve possuir substitutos próximos. Se houvesse algum substituto próximo, uma elevação do preço do produto por parte do monopolista faria com que os consumidores migrassem sua demanda para o substituto.

c) Existência de Lucros Extraordinários. Claro que com apenas uma empresa dominando o mercado, seus lucros não seriam normais. Isso não quer dizer que a empresa monopolista possa elevar de modo indiscriminado seus preços. Um litro de leite tem um preço razoável a R$ 2,00, mas se houver apenas uma empresa produtora de leites e esta elevar o preço do litro para R$ 15,00, óbvio será que, apesar da não existência de substitutos, os consumidores médios só comprariam um litro de leite em casos extremos, assim como compram um quilo de salmão ou caviar.

d) Existência de barreiras a entrada de novas empresas. Tais barreiras podem ser expressas por meio de patentes, fórmulas e avanços tecnológicos, de propriedade apenas do monopolista, ou por autorização do governo (nesse caso chamamos de monopólio legal). Sobre patentes, um caso clássico é o do laboratório Pfizer, que até o dia 20 de junho de 2010 era dona da patente do medicamento para disfunção erétil Viagra, lançado em 1998. A empresa americana era a única empresa que produzia o medicamento com base na substância Citrato de Sildenafila e só em 2009 suas vendas somaram mais de R$ 170 milhões. Com o fim do monopólio do Viagra pela Pfizer, várias empresas esperam autorização da ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) para a fabricação do medicamento.

Temos que lembrar que a demanda da empresa monopolista é a própria demanda do mercado, posto que ela o domina. Vejamos alguns exemplos famosos de monopólio como acabamos de definir:

1 – Monopólio da transmissão de futebol pela Rede Globo de Televisão: para as transmissões dos jogos do campeonato brasileiro de futebol, além de campeonatos regionais, a Globo acaba “dividindo” os direitos de transmissão com suas emissoras a cabo ou com alguma outra emissora aberta que não tenha condições de interferir no domínio quase total de sua audiência.

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3 – Monopólio das lojas virtuais (online): Americanas.com, Submarino e Shoptime faturam anualmente mais de R$ 2 bilhões. Fazem parte do mesmo grupo e não são raras as vezes em que não há diferença de preço de determinado produto nos três sites.

Citamos apenas três exemplos de casos mais concretos de monopólio, ou monopólio não-puro, mas você certamente já deve ter visto uma dezena de outros em sua cidade ou bairro. Poucos são os casos em que existe um substituto próximo e a hipótese de lucros extraordinários é visível. O que é indubitável em casos de monopólio é o prejuízo social que sua existência impõe a sociedade. O monopólio míngua todos os interesses da coletividade, desde o poder de escolha, passando pela qualidade do produto até a perda do excedente do consumidor.

OLIGOPÓLIO

Na concorrência imperfeita, a existência do oligopólio é muito mais provável que a de monopólio. A situação de duas empresas que dominem a quase totalidade de um mercado já caracteriza um oligopólio. Além disso, às barreiras à entrada de novas empresas e os lucros extraordinários são algumas das características comuns entre o oligopólio e o monopólio.

Não existe uma teoria definitiva do oligopólio, sendo utilizados para estudo uma série de modelos de autores como Cournot, Chamberlin, Edgeworth e Sweezy. Esses autores tentaram à sua maneira e em seu tempo delinear observações desse fenômeno muito comum no sistema capitalista.

Seguindo os exemplos anteriores, vejamos algumas hipóteses que justifiquem um mercado oligopolista, tirando dos modelos citados as principais características.

a) Um pequeno número de empresas, como já dissemos, que domine um mercado. O duopólio é uma forma muito comum de oligopólio, com apenas duas empresas. No setor automobilístico ou de eletrônicos é comum a existência de mais empresas, quatro ou cinco, que domine mais que 85% da oferta total.

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c) O oligopólio pode existir com diferenciação de produto ou serviço (hipótese de um oligopólio diferenciado). Geralmente a diferenciação entre os produtos ou serviços pode ser sutil, como na indústria automobilística brasileira, nos cigarros (no Brasil também um duopólio entre Souza Cruz e Philip Morris) ou nos refrigerantes. Esse tipo de oligopólio permite maiores manobras de preços entre os participantes, embora possa redundar também em guerras de preços. As guerras de preços, como vimos, diminuem os lucros dos oligopolistas. Como os produtos ou serviços podem ser diferentes, os custos também são diferentes, o que torna difícil a fixação de um preço parecido entre os membros.

d) As decisões de uma empresa devem influenciar as outras empresas e, por conseguinte, o mercado. Imagine um jogo de futebol onde ocorrem as seguintes condições:

1 – O empate classifica os dois times para a próxima fase;

2 – Se um dos dois times ganhar, além de desclassificar o outro, chegará à próxima fase com vantagem sobre as demais adversários.

Tal é a condição de um oligopólio: a de um jogo. Esse jogo pode ou não ser cooperativo. Em nosso exemplo, o empate seria muito bom para ambos os times se os dois cooperassem, mas, a vitória seria um benefício maior ainda, capaz de valer o risco de sua busca para o vencedor (não cooperação). O certo é que na maioria das vezes ocorrem práticas de acordos, combinações ou maquinações e, mesmo que o jogo seja cooperativo, os cooperadores sempre desejarão conhecer o maior leque de opções possíveis sobre o outro. Vamos lembrar que, principalmente sobre a ótica de Sweezy, se um dos oligopolistas baixar seu preço, todos os outros farão o mesmo ou até em patamares maiores, por represália ao primeiro; mas, caso algum dos oligopolistas aumente seu preço, dificilmente os outros aumentarão.

e) A competição é direcionada ao marketing. Na existência de oligopólio puro ou de produtos com elevado grau de substituição já explicamos que uma possível guerra de preços seria prejudicial a todos os produtores-vendedores. Uma prática muito constante usada pelos oligopolistas para ampliação de suas vendas se concentra então nas estratégias de marketing, mais especificamente na promoção do produto ou serviço (propaganda). É só lembrar-se das propagandas de cerveja, automóveis e refrigerantes.

O Cartel

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posto de combustível. Qual é a sua surpresa ao perguntar sobre o preço da gasolina? R$ 3,50. No terceiro, no quarto e no quinto posto: R$ 3,50. O que você conclui?

Primeiro é claro que, se você não abastecer, ficará pelo caminho. Segundo, o que você acabou de passar é chamado em economia de “cartel”. O cartel geralmente se caracteriza num oligopólio onde são combinadas as cotas de produção e os preços. Literalmente trata-se de um acordo. Se o produto ou serviço possuir uma demanda inelástica – muito importante para o consumidor – os membros do cartel poderão auferir lucros muito similares a de um monopólio e claro prejuízo ao consumidor com a diminuição de seu excedente.

Muitos países tentam coibir a prática de cartel. O Brasil considera crime tal prática e a pena pode varia de um a cinco anos de prisão, além de multas que podem chegar a 30% do faturamento da empresa infratora.

CONCORRÊNCIA MONOPOLÍSTICA

Note os seguintes anúncios publicitários:

“Dove, único sabonete com ¼ de creme hidratante”

“Itaipava, a primeira cerveja com selo de proteção”

Você deve saber que o sabonete Dove é, na realidade, o único sabonete que contém mesmo ¼ de creme hidratante. Essa característica o torna único. Então, por que não dizer que o Dove detém monopólio do sabonete com ¼ de creme hidratante?

Da mesma forma, por que não dizer que a cerveja Itaipava detém o monopólio da cerveja com selinho de alumínio?

Mas, o mercado de sabonetes e de cervejas possui muitas empresas, cada uma com determinada parcela de mercado. Não há uma marca que domine, digamos, mais que 50% de toda parcela de vendas. Apesar disso você já deve ter notado que cada marca pode ser, dentro de seu respectivo mercado, diferente de outra ou de outras marcas. Elas podem se diferenciar quanto a embalagem, quanto a uma diversificação, mesmo que pequena, no gosto ou na apresentação do produto, na quantidade, na publicidade ou mesmo no valor da marca. A esse tipo de estrutura de mercado que acabamos de observar, daremos o nome de concorrência monopolística.

Como fizemos com as outras estruturas, vamos enumerar as principais características da concorrência monopolística:

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de alguma diferenciação do produto ou serviço, que o torna, ao mesmo tempo, um monopólio.

b) Há livre entrada e saída de empresas desse mercado, o que também explica a existência de um grande número de produtores-vendedores. Aqui não falamos de patentes, facilitações ou decretos governamentais que limitem o ingresso de novas empresas. Estas são atraídas pelos lucros altos no curto prazo e, ao observarem a possibilidade de ganhos acima dos normais, voltam sua produção aos produtos cuja concorrência seja monopolística. O próprio mercado regulará a situação de excesso de empresas, já que com uma grande quantidade de empresas os lucros diminuirão e tenderão, no longo prazo, a se tornarem lucros normais.

c) Os produtos, como dissemos, não são homogêneos (iguais) como na concorrência perfeita. Existe sempre uma pequena diferença que faça com que o consumidor seja “fiel” a sua marca. Isso pode se caracterizar por um pequeno detalhe, por uma propaganda que reflita um estilo de vida, pela embalagem que as pessoas se identifiquem, pela pequenina diferença no sabor, pelo modo com que o consumidor é atendido no pós-venda, entre muitas outras.

d) O grau de substituição entre os produtos (elasticidade-cruzada da demanda) é muito alto. Isso acontece porque há na concorrência monopolística a existência de muitas marcas. Todos eles são bons substitutos entre si, apesar de não serem iguais como dissemos no item anterior. Você pode pagar R$ 0,30 ou 0,50 a mais por um sabonete Dove, mas não vai pagar R$ 1,00 se o vendedor assim o fizer. Da mesma forma que, para você, o selinho na lata de cerveja Itaipava é um diferencial que possa valer, R$ 0,15 a mais no preço, certamente não valerá R$ 0,50. Aqui você poderia facilmente substituí-la por uma Skol, Brahma, Kaiser ou Nova Schin.

Enfim, podemos finalizar nossa análise a respeito da concorrência perfeita afirmando, com grande grau de certeza, que é esta a estrutura de mercado com que mais nos deparamos no dia-a-dia. O consumidor se identifica bastante com um bom “jingle” na TV e com uma embalagem chamativa. Ele também tem seu refrigerante favorito ou cerveja, pelo “gostinho” que a distingue. Esse “gostinho” faz esse produto único entre muitos semelhantes, e por isso dissemos ser um monopólio no interior de um mercado de concorrência.

EXERCÍCIOS

1 – Descreva as implicações sociais da existência de um mercado de monopólio.

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3 – Dê exemplos de mercados cuja concorrência seja monopolística. Atente-se aos detalhes que fazem os produtos parecerem “únicos” em relação aos semelhantes.

4 – Há uma piada antiga que diz que a concorrência perfeita é o “sonho do economista”. Justifique essa afirmação.

5 – O Oligopólio e o monopólio são distorções a um mercado de concorrência perfeita. Suas principais diferenças em relação a essa última seriam então:

a) perfeita transparência do mercado oligopolista e monopolista.

b) tanto no oligopólio quanto no monopólio existem muitos ofertadores.

c) nenhum dos agentes, tanto do monopólio quanto do oligopólio, atuam em condições de modificar o preço do bem ou serviço.

d) barreiras a entrada de novas empresas e bons produtos substitutos e) barreiras a entrada de novas empresas e lucros extraordinários.

6 – (AFCE – TCU/ 1994). Em relação às características de um oligopólio, assinale o item que melhor o descreve.

a) Uma situação de mercado com poucos compradores. b) Uma situação de mercado com poucos produtores. c) Uma situação de mercado com apenas um comprador.

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AULA 3 - TEORIA ELEMENTAR DA DEMANDA E OFERTA

EM CONCORRÊNCIA PERFEITA.

TEORIA ELEMENTAR DA DEMANDA:

A demanda ou procura é definida como a quantidade de um determinado

bem ou serviço que o consumidor deseja adquirir em certo período de tempo.

Primeiramente, a demanda é um desejo de adquirir, um plano, e não literalmente a

sua realização. Em segundo lugar, a demanda é um fluxo por unidade de tempo, expressa em um dado período.

Ex: Dona Dulci deseja adquirir 4 quilos de arroz por semana e não que Dona Dulci deseja simplesmente 4 quilos de arroz e que esta é a sua procura.

Tendo um orçamento limitado, ou seja, um determinado nível de renda, o consumidor deverá fazer a melhor combinação possível entre os bens e serviços e sempre maximizar a sua renda para ter maior satisfação.

A demanda de um bem depende de uma série de fatores, entre eles:

 O preço do bem (Px);

 A renda do consumidor (Y);  O preço de outros bens (Pz);

 Os gostos ou preferências dos consumidores (G).

Matematicamente, pode-se expressar a demanda do bem de x pela seguinte expressão:

Dx = f(Px, Y, Pz, G, etc.)

Onde a letra f significa que Dx é função de e a palavra etc. abarca as outras

possíveis variáveis. Sendo:

Dx: a demanda do bem x Px: o preço do bem x Pz: o preço dos outros bens Y: renda

G: preferências

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Então, coeteris paribus, a demanda é função do preço, tudo o mais

permanecendo constante.

Qd

x

= f (Px)

Normalmente há uma relação inversa entre o preço do bem e a quantidade demandada. Repare que a curva abaixo é descendente da esquerda para a direita, o que evidencia a Lei da Procura: a quantidade procurada do bem varia inversamente ao comportamento do seu preço, ou seja, se o bem aumentar, a quantidade demandada diminuirá, e se o preço do bem diminuir, a quantidade procurada do bem aumentará.

Quando o preço do bem cai, o bem fica mais barato em relação aos seus concorrentes e os consumidores deverão aumentar seu desejo de comprá-lo (efeito-substituição). De outra forma, quando o preço cai, o consumidor fica mais rico (efeito-renda).

Assim, quando Pn ↑ Dn ↓ e Pn ↓ Dn ↑

Repetindo, matematicamente, pode-se dizer que a demanda do bem x é uma função inversa ou decrescente do seu preço. Num gráfico os economistas costumam tratar a curva de demanda como uma reta, a chamada demanda linear.

EXCEÇÕES À LEI DA PROCURA:

Mas o aluno há de perguntar: mas eu já vi algo diferente! Certamente, pois há duas exceções à Lei da Procura.

Bens de Giffen (Robert Giffen, inglês): São bens de pequeno valor, mas de grande Preço do bem n ($)

10

8

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quando seu preço aumenta, não sobra renda suficiente para a compra de outros alimentos e então o consumo do pão terá que aumentar, posto que o pão é o alimento mais barato.

Bens de Veblen: (Thorstein Veblen, americano): São bens de consumo ostentatórios, tais como obras de arte, jóias e automóveis de luxo. Quanto mais caros, mais são procurados. Seu consumidor sempre quer mostrar que tem grande renda.

TEORIA ELEMENTAR DA OFERTA

Oferta é a quantidade de bens e serviços que os produtores/empresas desejam colocar a venda no mercado em determinado período de tempo.

Lembrar: Qox – empresa deseja vender ≠ vender propriamente dito.

Lei da oferta: A quantidade ofertada de determinado bem ou serviço é diretamente proporcional ao seu preço, coeteris paribus . Quer dizer que quanto maior o preço

maior será a quantidade a ser ofertada no mercado pelos produtores/empresas. Isto se deve a possibilidade de aumentarem suas receitas.

↑Pox ↑Qox ↓Pox ↓Qox

Pox: Preço de oferta do produto x Qox: Quantidade ofertada do produto x.

↑: Aumenta

↓: Diminui

Preste atenção no quadro:

Preço ($) Quantidade ofertada

10,00 100

15,00 150

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Curva de oferta

P O

30

15

10

100 150 300 Q

Função da Oferta

Q

ox

= f (Px)

Qox = quantidade ofertada de um determinado bem ou serviço (produto x), num dado

período de tempo.

Px = preço do bem ou serviço (produto x)

A expressão significa que a quantidade ofertada, Qo, é uma função f do preço P, isto

é, depende do preço P, coeteris paribus.

Outros fatores ou aspectos determinantes da oferta:

1. Preço do bem

2. Custos dos Fatores de Produção (também chamados de insumos) 3. Aumento do número de empresas no mercado

4. Tecnologia

5. Preço de outros bens

Então: Ox = f(Px, PI, E, T, Pz...)

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EQUILÍBRIO DO MERCADO

Partindo-se da hipótese de que o mercado esteja em concorrência perfeita (nem empresas e nem consumidores individuais têm poder para influenciar o preço de mercado), o preço de equilíbrio no mercado será determinado pelas livres manifestações das forças de oferta e demanda (procura). O preço de equilíbrio é o ponto em que a quantidade demandada for igual a quantidade ofertada.

Veja o gráfico a seguir:

Supondo que o mercado comece com o preço 20. Com esse preço os vendedores oferecem 150 unidades do bem, mas os compradores só desejam adquirir 60 unidades. A quantidade transacionada no mercado ao preço 20 será portanto, de 60 unidades e haverá um excedente (sobra) de 90 unidades (150 unidades ofertadas menos 60 adquiridas pelos compradores).

Os vendedores não ficaram satisfeitos, pois tiveram um estoque indesejado de 90 unidades. Para se livrar desse estoque terão que baixar os preços. Logo, este mercado não está em equilíbrio.

Inversamente, supondo que o mercado comece com o preço 10. Ocorrerá uma escassez (excesso de quantidade demandada sobre a ofertada), pois os compradores desejarão consumir mais, ou 170 unidades do bem, enquanto os vendedores estarão dispostos a vender apenas 40 unidades (escassez de 130 unidades). Os compradores

P x

20

14

10

(20)

ficarão insatisfeitos e oferecerão preços maiores para conseguir os bens. Logo, o preço do bem irá aumentar.

O preço de 14 corresponde ao cruzamento das duas curvas, onde ocorre o equilíbrio de mercado. Nesse caso tanto os vendedores desejam oferecer quanto os compradores tencionam adquirir 100 unidades do bem. Com os grupos satisfeitos o preço de equilíbrio será de 14 e quantidade procurada e oferecida será de 100 unidades.

Lembre-se:

Ponto de Equilíbrio: a quantidade que os consumidores desejam comprar é

exatamente igual a que os produtores desejam vender. Neste caso, Q = 100 e P = 14

Excedente (Excesso de oferta): Para qualquer preço superior ao ponto de equilíbrio, a quantidade que os produtores desejam vender é maior que a que os consumidores desejam comprar, havendo assim um acúmulo nos estoques, provocando uma competição no mercado e forçando a baixa dos preços até o ponto de equilíbrio.

Escassez (Excesso de demanda): Para qualquer preço abaixo do ponto de equilíbrio surgirá um excesso de demanda. As quantidades ofertadas são menores que as demandadas, sendo assim os consumidores disputarão a quantidade ofertada pressionando a elevação dos preços até o ponto de equilíbrio.

TRATAMENTO MATEMÁTICO

As curvas de demanda e de oferta também podem ser expressas linearmente, através de equações.

QDx = 280 - 4Px (demanda) parâmetro de Px é sempre negativo, pois a relação é inversa (se o preço aumentar, a quantidade diminui)

QOx = - 20 + 2Px (oferta) parâmetro é sempre positivo, pois a relação é direta (se o preço aumentar, a quantidade ofertada também aumenta).

Onde:

QDx = quantidade demandada (ou procurada) do bem X QOx = quantidade ofertada do bem X

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Px QDx = 280 – 4Px QOx = -20 + 2Px

30 280 – (4 x 30) = 160 - 20 + (2 x 30) = 40 40 280 – (4 x 40) = 120 - 20 + (2 x 40) = 60

50 280 – (4 x 50) = 80 - 20 + (2 x 50) = 80

60 280 – (4 x 60) = 40 - 20 + (2 x 60) = 100

Observando-se a tabela acima, percebe-se facilmente que o preço de equilíbrio é $50. Para se obter o preço de equilíbrio, seria mais fácil igualar as quantidades demandadas e ofertadas (já que o preço de equilíbrio iguala as duas quantidades), ao invés de montar a tabela.

280 - 4Px = - 20 + 2Px

300 = 6Px

Px = 300

6 Px = 50

Agora é só substituir o Px de equilíbrio em qualquer uma das equações:

QDx = 280 – 4(50)

QDx = 80

E a quantidade de equilíbrio desse mercado é de 80, como no quadro.

Dadas as seguintes equações: Qs = 48 + 10p

Qd = 300 – 8p

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EXERCÍCIOS

1- Dadas as seguintes funções: (Qo = 70 + 5p) e (Qd = 200 – 5p), determinar:

a) Preço de Equilíbrio =

b) Quantidade de Equilíbrio =

c) O que acontece se os produtores aumentarem o preço para $ 15?

2 - Dadas seguintes funções de oferta e demanda, determinar o preço de equilíbrio, a quantidade de equilíbrio e o que acontece se o governo tabelar o preço a 10.

Qs = 48 + 10p Qd = 300 – 8p

3 - Admita-se que o Sr. João, empresário agrícola de Piraporinha (Diadema), dedica-se ao cultivo de tomates. Com badedica-se no comportamento da produção no quadro abaixo, trace a curva de oferta.

Preço da caixa de tomates

Quantidade de caixas

oferecidas

Px X

10 20 30 40 50 60

0 5 10 15 20 25

4 – (Fiscal de Tributos Estaduais – MG/1993). Não se inclui entre os determinantes da procura individual.

a) o preço do bem.

(23)

5 – (Controlador da Arrecadação Federal/1983). Um bem, cuja quantidade demandada cai quando o seu preço relativo diminui, é chamado bem:

a) normal. b) inferior. c) superior. d) de Giffen. e) anormal.

6 – (Economista do Ministério da Minas e Energia/1981). Segundo a teoria microeconômica, o principal fator a determinar a quantidade procurada de um bem é:

a) a renda real do consumidor. b) o preço do próprio bem.

(24)

AULA 4 - MUDANÇA NO PREÇO DE EQUILÍBRIO DE

MERCADO: DESLOCAMENTOS DAS CURVAS DE

OFERTA E PROCURA

1.DESLOCAMENTOS DAS CURVAS DE DEMANDA

A curva de demanda se desloca em relação à sua posição original quando uma daquelas variáveis que supusemos constantes quando traçamos a curva (renda, preço dos outros bens, gosto do consumidor) mudar de valor. Ela se deslocará para a

direita da posição original quando a mudança do valor da variável antes suposta constante contribuir para aumentar a demanda e para a esquerda da posição original quando contribuir para diminuir a demanda.

1.1–MUDANÇA NA RENDA DOS CONSUMIDORES

BENS NORMAIS

Bens normais são aqueles cujo consumo aumenta à medida que a renda do consumidor se eleva. Chocolate, picanha e laticínios, por exemplo.

Caso a renda dos consumidores se eleve (portanto, estão mais ricos), provavelmente eles aumentarão também as quantidades demandadas do bem x. Surge então uma nova curva de demanda, situada à direita da curva antiga, indicando que a cada nível de preço possível, os consumidores estão dispostos a adquirir maiores quantidades do bem, porque estão com mais renda que antes. Esse fato dará origem a um novo preço e quantidade de equilíbrio, maiores que os antigos.

(25)

Como a curva de demanda nova (Dx`) está à direita da antiga (Dx), a intersecção da curva de oferta de X (Ox) com Dx` origem a um preço e quantidade de equilíbrio (Pe` e Qe`) maiores que o preço e quantidade de equilíbrio antigos (PE e Qe). Ou seja, o aumento da demanda do bem X devido a elevação da renda dos consumidores (curva da demanda para direita) tem como conseqüência uma elevação do preço do mercado e na quantidade transacionada.

Caso a renda dos consumidores diminua ao invés de se elevar, o raciocínio é inverso: diminuição da demanda do bem X devido ao decréscimo da renda. Então a curva de demanda se deslocará para a esquerda de sua posição original, diminuindo o preço e quantidade transacionada.

BENS INFERIORES

Bens inferiores são bens cuja demanda diminui quando o nível de renda do consumidor aumenta e aumenta quando o consumidor fica mais pobre. Um exemplo é a carne de segunda. Se a renda do consumidor aumenta, ele diminui a procura por carne de segunda. Se a renda do consumidor diminui, ocorre o inverso: ele reduz o consumo de carne de primeira e aumenta o da carne de segunda.

Se o bem X for um bem inferior, o aumento da renda dos consumidores reduz a sua demanda, a curva se desloca para a esquerda e o preço e a quantidade de equilíbrio diminuem. Um decréscimo na renda dos consumidores terá conseqüências inversas.

Qe Qe` Pe`

Pe

Ox

Dx` (Y aumentou)

Dx

(26)

OBS: Alguns bens como os gêneros alimentícios de primeira necessidade e os medicamentos, por exemplo, são chamados de bens de consumo saciados, pelo fato de aumentos ou reduções na renda dos consumidores não afetarem ou afetarem muito pouco seu consumo.

1.2–MUDANÇA NOS PREÇOS DE OUTROS BENS (PZ )

Um determinado bem Z pode ter as seguintes relações com o bem X: a) Z é um bem de consumo independente de X;

b) Z é substituto de X; c) Z é complementar de X.

Quando Z e X são independentes, o preço de Z nada tem a ver com a demanda de X. Assim, por exemplo, feijão e automóveis são bens de consumo independentemente: alterações no preço do feijão não provocarão nenhuma modificação na demanda de automóveis e vice-versa.

Entretanto, quando Z e X são substitutos ou complementares, modificações no preço de um ocasionam mudanças na demanda do outro, conforme abaixo.

BENS SUBSTITUTOS

São bens em que o consumo de um deles exclui (mesmo que parcialmente) o consumo de outro. Ex: Manteiga e margarina, café e chá, carne de vaca e carne porco.

Se Z e X são substitutos, o aumento no preço do bem Z tornará seu consumo Qe` Qe

Pe Pe`

Ox

Dx

Dx` (Y aumentou) QPx

(27)

elevar e se preço e quantidade de equilíbrio no mercado também aumentarão. Efeitos inversos ocorrerão no mercado de X se o preço de Z diminuir.

BENS COMPLEMENTARES

São bens cujo consumo é feito geralmente de maneira simultânea, ou seja, o consumo de um complementa o outro. Exemplo: pão e manteiga, café e leite, caderno e caneta, microcomputador e impressora. Basta que o consumo de ambos esteja associado de alguma forma.

Se Z e X são complementares, o aumento no preço de Z provocará uma diminuição no seu consumo no mercado; como o seu consumo está associado ao de X, a demanda de X também tenderá a diminuir, deslocando a curva para a esquerda e provocando queda no preço e na quantidade de equilíbrio do mercado de X. Efeitos inversos ocorrerão se o preço de Z diminuir.

Qe Qe` Pe`

Pe

Ox

Dx` (Pz aumentou)

Dx

(28)

HÁBITOS E GOSTOS DOS CONSUMIDORES

Esta é uma variável influenciada principalmente por campanhas publicitárias e propaganda do bem X. Por exemplo, se uma campanha publicitária convencer o consumidor que o consumo de um determinado produto faz bem a saúde, a demanda deste bem deverá aumentar e, conseqüentemente, elevar o seu preço e quantidade de equilíbrio.

Qe Qe` Pe`

Pe

Ox

Dx` depois da propaganda

Dx (antes da propaganda) QPx

Px

Qe` Qe Pe

Pe`

Ox

Dx

Dx` (Pz aumentou) QPx

(29)

2 – DESLOCAMENTOS DA CURVA DE OFERTA

A curva de oferta se desloca em relação à sua posição original quando uma daquelas variáveis que foram supostas constantes ao se traçar a curva (preço dos fatores de produção, tecnologia, preço de outros bens) mudar de valor.

Supondo-se que um dos fatores de produção (capital) utilizados na produção de um bem X sofra um aumento. Como o custo de produção do bem X aumentará, os produtores deverão aumentar os preços na mesma proporção. Sempre que o custo de produção é aumentado, a oferta diminui e a sua curva diminui para a esquerda de sua posição original; se o custo de produção é reduzido, ocorre o inverso.

EXERCÍCIOS

1 – Observe os exemplos e justifique sobre a influência da renda na demanda. Normais, inferiores ou saciados?

a) Arroz b) Chandelle c) Kisuco

d) Roupas do Brechó e) Ferrero Rochê f) Maminha

g) Ingressos para jogo de futebol

2 – Observe os pares e justifique sobre a influência do preço dos outros produtos na demanda. Substitutos ou complementares?

a) Viagem de ônibus ou viagem de avião b) Molho de tomate e macarrão

c) Ipad e Galaxy

d) Impressora e computador e) peixe e carne de porco

Dx Ox Ox`

Qe` Qe Pe`

Pe

(30)

f) Margarina e manteiga g) Pneus e automóveis

3 – Falaremos novamente do Ipad da Apple e do Samsung Galaxy. Uma diminuição de 30% no preço do Galaxy ocasionaria mudanças na curva de demanda do Ipad ou da curva de demanda do Ipad? Demonstre graficamente.

4 – O açaí virou mania entre os brasileiros e está sendo exportado para muitos outros países. Você acha que aconteceria alguma coisa com a demanda de granola, caso o preço do açaí fosse aumentado em 25%? Demonstre graficamente.

5 – (Especialista em Políticas Públicas e Gestão Governamental/1997). Quando a renda de um indivíduo cai, tudo o mais permanecendo constante, a sua demanda por um bem inferior:

a) aumenta.

b) cai numa proporção igual à queda de sua renda.

c) cai numa proporção maior do que a queda de sua renda. d) cai numa proporção menor do que a queda de sua renda. e) permanece inalterada.

6 – (Agente da Polícia Federal/2000). Julgue o item seguinte.

(31)

AULA 5 – ELASTICIDADE

Amigos, elasticidade em economia significa sensibilidade. Assim, a elasticidade mede a variação que ocorre nas quantidades de um determinado bem ou serviço quando ocorrem variações em outro fator, tudo mais permanecendo constante (coeteris paribus). Então, a elasticidade medirá o que acontece com a quantidade de um produto quando o seu preço, ou a renda dos consumidores, ou o preço de outro bem sofrem variações.

Abaixo contam os 4 principais tipos de elasticidade. Estudaremos profundamente apenas a elasticidade-preço da demanda.

* Elasticidade – preço da demanda; * Elasticidade – renda da demanda; * Elasticidade – cruzada da demanda; * Elasticidade – preço da oferta.

1) Elasticidade – preço da demanda

Veja o comportamento da demanda de dois bens A e B:

Demanda de A Demanda de B

PA QDA PB QDB

1º momento 10 100 20 80

2º momento 12 60 24 76

Observe que os dois preços foram aumentados em 20% (PA passou de 10 para 12) e (PB passou de 20 para 24). Entretanto, o comportamento da quantidade demandada foi completamente diferente. QDA diminuiu 40% (de 100 para 60) e QDB diminuiu apenas 5% (de 80 para 76). Em vista disso pode-se dizer que demanda do bem A é mais elástica que a demanda do bem B, ou que a quantidade demandada do bem A é mais sensível a variações de seu preço do que o bem B.

1.1) Coeficiente de Elasticidade – Preço da Demanda (Epd)

Existem duas formas de se medir o coeficiente de elasticidade preço da demanda. A mais simples e a lógica do conceito é a seguinte:

Epd = variação percentual da quantidade demandada Variação percentual do preço

(32)

e no caso do bem B:

EpdB = 5% = 0,25 20%

Se o valor absoluto (não se considera negativo) de Epd for:

a) maior que 1, a demanda do bem é considerada elástica em relação a seu preço. Geralmente são considerados produtos supérfluos;

b) menor que 1, a demanda do bem é considerada inelástica em relação a seu preço. Geralmente são produtos de subsistência ou muito necessários;

c) igual a 1, a demanda do bem apresenta elasticidade unitária em relação ao preço. Geralmente bens normais apresentam elasticidade, como no caso da moradia.

Outra maneira de se calcular o coeficiente de elasticidade preço da demanda (mais concreta) é a seguinte:

Epd = Po x ΔQD

QDo ΔP

Po = preço inicial

QDo = quantidade demandada inicial

ΔQD = variação na quantidade demandada

ΔP = variação no preço

Utilizando esta fórmula para os bens A e B:

EpdA = 10 x 40 = 400 = 2 100 2 200

EpdB = 20 x 4 = 80 = 0,25 80 4 320

1.2) Relação entre Epd e a receita total dos produtores (RT)

Simples:

Receita total dos produtores = quantidades vendidas do bem x preço de venda. Usando a elasticidade o produtor pode prever o que acontecerá com as suas

vendas se aumentar ou diminuir o preço de seu produto.

Quando o bem desse produtor tiver uma DEMANDA ELÁSTICA, se ele

AUMENTAR o PREÇO no mercado HAVERÁ uma REDUÇÃO de sua

(33)

PA QDA RT

10 100 10 x 100 = 1000 12 60 12 x 60 = 720

Vamos provar que é um demanda elástica?

Epd = Po x ΔQD

QDo ΔP

Epd = 10 x 40 = 400 = 2 (maior que 1, portanto elástica) 100 2 200

Quando o bem desse produtor tiver uma DEMANDA INELÁSTICA, um

AUMENTO ou DIMINUIÇÃO do seu preço no mercado ACARRETARÃO MUDANÇAS NO MESMO SENTIDO NA RECEITA TOTAL DOS PRODUTORES, ou seja, ELA SE ELEVARÁ OU SE REDUZIRÁ, respectivamente.

PA QDA RT 20 80 1600 24 76 1824

Viu? O preço aumentou 20% e a quantidade demandada reduziu-se em apenas 5%. Nesse caso, a variação do preço prevalece e a RT aumenta de 1600 para 1824.

Quando o bem desse produtor tiver uma demanda com ELASTICIDADE UNITÁRIA, qualquer variação no preço é anulada pela variação da quantidade procurada. Nesse caso a RECEITA TOTAL dos produtores NÃO SE ALTERA.

Casos Extremos de elasticidade de demanda;

a) Demanda Perfeitamente Inelástica: isto é elasticidade é zero. Quando variar o

preço, a demanda não mostra nenhuma resposta na quantidade demandada. Ex: sal. b) Demanda Perfeitamente Elástica: ou infinita. Quando os compradores não estão

(34)

2) Elasticidade – Renda da demanda

O coeficiente de elasticidade-renda de procura tem por objetivo medir a sensibilidade da demanda de um bem X em relação a variações na renda Y do consumidor.

Er = variação % da quantidade procurada (QP) Variação % da renda do consumidor (Y)

Assim, por exemplo, se a renda dos consumidores se elevar de 1000 para 1300 e as quantidades demandadas dos bens A, B, C e D apresentassem o comportamento exposto na tabela a seguir:

Quantidade Demandada

Bens Y = 1000 Y = 1300

A 40 36

B 50 60

C 60 78

D 20 30

Temos que:

1) Er (bem A) = -10% = - 1/3 30%

Observe que a quantidade demandada do bem A diminuiu quando a renda aumentou. Então A é um bem inferior. O coeficiente de elasticidade-renda dos bens inferiores é negativo, refletindo o comportamento inverso entre quantidade procurada e renda.

2) Er (bem B) = 20% = 2/3 (então é menor que 1) 30%

O coeficiente do bem B é positivo (então B é um bem normal). Entretanto, ele é menor que 1, indicando que B tem demanda inelástica (pouco sensível em relação à renda)

3) Er (bem C) = 30% = 1 30%

O bem C apresenta elasticidade-renda da demanda unitária.

(35)

O bem D apresenta Er > 1, logo sua demanda é elástica em relação à variação da renda. Esse tipo de bens são denominados bens superiores (supérfluos ou de luxo)

A fórmula Erd = Yo x ΔQD é a mais usada, onde QDo ΔY

Yo = Renda inicial

ΔY = Variação da Renda

Qdo = Quantidade demandada inicial

ΔQD = Variação da quantidade demandada

3) Elasticidade – Cruzada da demanda

A elasticidade-cruzada da demanda (Ecd) mede a sensibilidade da demanda do bem X a variações nos preços de outros bens (Pz)

Elasticidade cruzada = variação % da quantidade procurada do bem X Variação % do preço do bem Z

Como foi visto anteriormente, os bens X e Z podem ser substitutos, complementares ou independentes. A tabela abaixo deixa claro as relações entre X e Z e o seu coeficiente de elasticidade cruzada:

Relação entre X e Z Sinal da elast. Cruzada Valor da Elast. cruzada

Substitutos Positivo > 1, demanda elástica < 1, demanda inelástica

Complementares Negativo = 1, elasticidade unitária

Independentes Igual a zero ---

Assim, por exemplo, se o preço do bem Z aumenta 10% e a quantidade demandada de X diminui em 15%:

Ecruzada = -15% = -1,5% +10%

Como o sinal da elasticidade-cruzada é negativo, X e Z são complementares. O preço do bem Z aumentou e a quantidade procurada de X diminuiu, o que indica que X e Z têm uma relação de bens complementares.

(36)

4) Elasticidade – Preço da Oferta

A elasticidade-preço da oferta (Epo) mede a sensibilidade da oferta a variações do preço do bem X:

Epo = variação % da quantidade ofertada do bem X Variação % do preço do bem X

Valores de Epo Grau de Elasticidade

> 1 Oferta Elástica < 1 Oferta Inelástica

= 1 Oferta de Elasticidade Unitária

O valor da elasticidade-preço da oferta é sempre positivo, porque o preço e a quantidade ofertada (coeteris paribus) variam na mesma direção.

.

EXERCÍCIOS

1 – A Epd de um dado medicamento é de 0,25. Como você interpretaria esse coeficiente?

2 – Digamos que a Epd do chocolate Ferrero Rocher é de 1,25. Como você interpretaria esse coeficiente?

3- Uma determinada empresa vendia 3000 unidades/mês de seu produto quando praticava um preço de R$ 5,00. Num determinado momento, passou a praticar o preço de R$ 4,00, vendendo 4000 unidades/mês do produto. Encontrar o coeficiente de elasticidade.

4- Dada a função Qd = 1600 – 20p, encontrar a quantidade demandada quando o preço for 32 e quando passar para 31,80. Depois, calcular a elasticidade dessa mudança de preço.

5 – Supondo que a curva de demanda de determinado produto seja dada por: Qd = 80 – 5p

(37)

c) Valeu à pena o aumento de preço?

6 – (Papiloscopista Polícia Federal/2000). Julgue o item seguinte.

- A dificuldade em impedir altas dos preços dos medicamentos, que constitui o cerne do embate entre o governo e os laboratórios farmacêuticos, explica-se, parcialmente, pelas baixas elasticidades-preço da demanda que caracterizam esses produtos.

7 – (FTF/1981). Um determinado bem tem procura elástica em relação ao seu preço. Então, se o preço desse bem aumenta, com tudo o mais permanecendo constante, o gasto total do consumidor com o bem:

a) aumenta. b) diminui.

c) permanece constante. d) aumenta indefinidamente.

(38)

AULA 6 - TEORIA DA FIRMA

Esta é a última parte da Microeconomia que estudaremos. A Teoria da Firma (ou Empresa) está subdividida em Teoria da Produção e Teoria dos Custos. Ambos, de maneira opostas, retratarão o comportamento das receitas e dos custos das unidades produtivas. Essa relação é expressa na seguinte equação: Lucro Total (LT) = Receita Total (RT) – Custo Total (CT).

TEORIA DA PRODUÇÃO

Produção é o processo pelo qual uma firma transforma os fatores de produção adquiridos e suas matérias-primas em produtos ou serviços para a venda no mercado. Então, recapitulando, a firma compra os insumos (fatores de produção/ matérias-primas), combina-os segundo um processo de produção escolhido e vende os produtos no mercado.

Função de Produção é a relação técnica entre a quantidade física de fatores de produção e a quantidade física do produto em determinado período de tempo.

Quantidade do Produto = f (quantidade dos fatores de produção)

Q = f (N, K, M)

Quantidade mão-de-obra capital físico matérias-primas Produzida utilizada utilizado utilizadas

Ex: Q = 2K0,5L0,5

Utilizando a função acima, se L = 81 trabalhadores, K = 16 máquinas, a quantidade produzida Q seria:

Q = 2 . √16 . √81

Q = 2 . 4. 9 Q = 72 unidades

Fatores de Produção Fixos: são aqueles que permanecem inalterados quando a produção varia. Geralmente o capital (K)

Fatores de produção Variáveis: Se alteram com a variação da quantidade produzida. Geralmente a mão-de-obra (N)

Curto Prazo: período no qual existe pelo menos um fator de produção fixo.

(39)

Com apenas dois fatores de produção, mão-de-obra (N) e capital (K), sendo apenas a mão-de-obra variável e o capital (equipamentos e instalações) fixo, a função de produção ficaria:

Q = f(N, K)

Mas, como K é fixo no curto prazo:

Q = f(N)

O que acontece com a produção caso varie a quantidade utilizada de um insumo, mantendo-se constante o outro? A resposta para essa pergunta é a famosa LEI DOS RENDIMENTOS DECRESCENTES:

Se adicionarmos quantidades de uma mesma magnitude de um fator de produção variável a uma quantidade fixa de outro, os acréscimos na produção serão inicialmente crescentes, porém, depois se tornarão decrescentes podendo, inclusive, assumir valores negativos.

Repare no quadro, admitindo que usaremos apenas dois fatores de produção (Capital K e Trabalho N):

K N PT Pmed = PT

N Pmgn = ΔPTΔN

5 0 0 - -

5 1 3 3 3

5 2 8 4 5

5 3 12 4 4

5 4 15 3,75 3

5 5 17 3,4 2

5 6 17 2,8 0

5 7 16 2,3 - 1

5 8 13 1,6 - 3

Onde:

K = Capital

N = Trabalho, Mão-de-obra

PT = Produção Total

(40)

medir a Produção Média do capital (K), estaríamos medindo a contribuição média de cada máquina.

Pmgn = Produção Marginal (Variação da Produção Total dividida pela variação da Mão-de-obra). É a contribuição marginal ou adicional de cada fator de produção. No caso do quadro, a contribuição adicional do fator trabalho, dada a entrada de sempre um trabalhador a mais.

Repare que o capital (K) se mantém fixo (5 unidades), o que indica ser uma abordagem de curto prazo. Com essas 5 máquinas, à medida que se aumenta o número de trabalhadores (N), a produção total aumenta até certo ponto, assim como a produção média e produção marginal. Depois seu crescimento é paralisado e vai se tornar negativo. Isso se deve ao fato de que não haverá mais máquinas suficientes para todos os trabalhadores a partir do quinto trabalhador.

Se formos observar graficamente, a produção total seria:

Produção Total

0

Quantidade de trabalhadores

Como no quadro, a produção total sobe a taxas crescentes, depois a taxa decrescentes, até que começa a cair.

Vejamos o comportamento da produtividade marginal e da produtividde

.

.

(41)

PMg, PMe

0

Quantidade de trabalhadores

Ambas as curvas têm a forma de uma letra U invertida, pois são crescentes de início, atingem um máximo e depois passam a decrescer. Perceba que, enquanto a produtividade marginal for maior que a média, esta última é crescente; quando PMg e PMe forem iguais, a PMe é máxima (quando as duas curvas se tocam.

ANÁLISE DE LONGO PRAZO

No longo prazo todos os insumos (fatores de produção e matéria-prima) são variáveis (mão-de-obra, terra, capital, instalações e matérias-primas). Supondo que estejamos trabalhando apenas com dois fatores, mão-de-obra (N) e o capital (K), teremos a seguinte função de produção:

Q = f(N, K)

A possibilidade, no longo prazo, do aumento da quantidade de todos os fatores de produção (capital, trabalho e terra) pressupõe que a empresa pode aumentar inclusive o tamanho de suas instalações, ou seja, a escala de suas operações.

Se as quantidades dos insumos aumentarem numa dada proporção e a produção também aumentar na mesma proporção, teremos a ocorrência de

rendimentos constantes de escala. Caso a produção aumente numa proporção maior, teremos rendimentos crescentes de escala e caso ela aumente numa proporção menor, rendimentos decrescentes de escala.

(42)

Veja no quadro:

Variação na Escala

(fatores de produção Variação na Produção Total (Q) Tipo de rendimento

10% 10% Constante de escala

10% 15% Crescente de escala

10% 5% Decrescente de escala

TEORIA DOS CUSTOS DE PRODUÇÃO

Custo, em economia, quer dizer o gasto monetário de todos os bens materiais, trabalho e serviços consumidos pela empresa na produção de bens e serviços e na manutenção de suas instalações.

Vejamos as denominações de custos mais utilizadas a Curto Prazo:

Custo Variável Total (CVT): Parcela do custo que varia quando a produção varia. É a parcela que depende da quantidade produzida. Ex: folha de pagamento e despesas com matérias-primas. CVT = f(Q)

Custo Fixo Total (CFT): Parcela do custo que se mantém fixa quando a produção varia, ou seja, são os gastos com fatores fixos, como aluguel e depreciação.

Custo Total (CT): É a soma do Custo Variável Total com o Custo Fixo Total. CT = CVT + CFT.

Custo Médio (CMe): Custos Totais CT quantidade produzida q

Custo Variável Médio (CVMe):CVT

q Custo Fixo Médio (CFMe): CFT

q

Custo Marginal (CMg): variação do CT ou ΔCT É o custo de se produzir uma unidade extra do produto. Variação em q Δq

Os custos marginais não são influenciados pelos custos fixos, que são invariáveis a curto prazo. Então: CMg = ΔCVT

Δq

(43)

CMg, CVme

0

Quantidade

EQUILÍBRIO DO PRODUTOR EM CONCORRÊNCIA PERFEITA

O ponto no qual a firma é mais eficiente no ponto de vista econômico estará na maximização do lucro. Ela acontece quando há:

1 – Maximização da produção; 2 – Minimização dos custos.

Ou, o lucro é máximo quando a diferença entre a receita total (valor total do faturamento) e o custo total da produção for a maior possível.

RECEITA TOTAL

Como já foi visto em elasticidade, a RECEITA TOTAL é dada por:

RT = preço unitário de venda x quantidade vendida RT = P x Q

RECEITA MÉDIA

A Receita Média (RMe) é a receita por unidade de produto vendida, ou Receita Unitária.

RMe = RT Q RMe = p . q

Q RMe = P

CMg

(44)

RECEITA MARGINAL

É a receita adicional, ou a variação da receita total, quando varia a quantidade vendida, ou seja, a receita extra, quando se vende uma unidade a mais.

RMg = Δpq, mas por convenção e lógica, RMg = p Δq

EQUILÍBRIO:

A receita para a firma maximizar os lucros é dada por:

RMg = CMg

Caso a receita marginal seja maior que o custo marginal, a empresa deve produzir mais, pois aumentará o seu lucro total, que ainda não é o máximo. Caso ocorra o contrário (custo marginal maior que a receita marginal, a empresa deverá reduzir a produção pois mais unidades fabricadas diminuiriam o seu lucro total (ela teria ultrapassado a produção de lucro máximo). Perceba no quadro que a quantidade de 8, receita e custo marginal de 5,00, o lucro total é máximo.

Q Receita

Marginal (RMg) Custo Marginal (Cmg) Lucro Total (LT)

0 - - (15,00)

1 5,00 2,00 (12,00)

2 5,00 1,50 (8,50)

3 5,00 1,00 (4,50)

4 5,00 1,25 (0,75)

5 5,00 1,50 2,75

6 5,00 2,00 5,75

7 5,00 3,26 7,49

8 5,00 5,00 7,50

9 5,00 8,00 4,50

(45)

RMg, CMg

0 8

Quantidade

Perceba que a receita marginal é uma reta a partir de R$ 5,00, que também é igual ao preço. Em seu cruzamento com a curva de custo marginal (que se dá na quantidade 8) temos o lucro máximo. Com uma quantidade menor ou maior que 8 essa condição é anulada.

Para efeito de elucidação, o ponto em que a empresa não aufere lucro ou prejuízo, isto é, suas receitas são iguais aos seus custos (RT = CT) é chamado em economia de BREAK-EVEN POINT. Geralmente ocorre quando uma empresa entra num mercado competitivo e terá que aceitar o preço dado pelo mercado. Seu lucro normal pode estar implícito dentro do valor dos custos.

Exercícios do capítulo 10

1 - Dada a tabela abaixo, calcule as colunas restantes.

K N PT PMe PMg

15 0 0

15 1 10

15 2 22

15 3 36

15 4 52

15 5 65

15 6 77,4

15 7 87,5

15 8 96

15 9 99

15 10 100

15 11 99

CMg

(46)

2 – Dados os custos abaixo, calcular também as colunas restantes.

Quantidade CF CV CT CFm CVM CTm

0 15 -

1 15 2,00

2 15 3,50

3 15 4,50

4 15 5,75

5 15 7,25

6 15 9,25

7 15 12,51

8 15 17,50

9 15 25,50

10 15 37,50

3 – Calcular o Custo Marginal

Quantidade Custo Total Custo Marginal

0 15,00

1 17,00

2 18,50

3 19,50

4 20,75

5 22,25

6 24,25

7 27,51

8 32,50

9 40,50

10 52,50

4 – Repita o mesmo procedimento e indique o ponto onde o lucro é máximo. Quantidade

Total Custo Total Preço Receita Total Lucro Total Custo Marginal Receita Marginal

0 10,00 5,00

1 15,00 5,00

2 18,00 5,00

3 20,00 5,00

4 21,00 5,00

5 23,00 5,00

6 26,00 5,00

7 30,00 5,00

8 35,00 5,00

(47)

5 – (Economista do Ministério das Minas e Energia/1981). Considere uma fábrica de panelas, cujas matérias-primas estão disponíveis e que é preciso aumentar a produção para atender determinada encomenda. O fabricante precisa decidir quantos homens empregará na produção. Ele sabe que a relação entre o número de homens empregados e a produção por semana é a que se apresenta na tabela abaixo:

No de homens/semana Panelas/Semana

1 40

2 88

3 142

4 210

5 260

6 316

7 366

8 408

9 440

10 460

11 466

12 456

De acordo com a tabela anterior, verifique as afirmativas seguintes. 1 – A produção máxima de panelas por semana é igual a 456 panelas. 2 – O produto médio dos primeiros 5 trabalhadores é igual a 260 panelas. 3 – O produto marginal do 10º homem empregado é de 20 panelas. 4 – O produto médio dos primeiros 4 trabalhadores é de 52,5 panelas. Pode-se dizer que são corretas as afirmativas:

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AULA 7 - MACROECONOMIA - INTRODUÇÃO

Para podermos traçar cenários econômicos ou analisar séries econômicas do passado, é imprescindível o domínio da Macroeconomia, ou como já sabemos, o estudo dos grandes agregados. Este é o ramo da teoria econômica que trata da economia como um todo, analisando e determinando o comportamento da renda, produto nacional, investimento, poupança e consumo agregado, nível geral de preços, emprego e desemprego, estoque de moedas e taxas de juros, balanço de pagamentos e taxa de câmbio.

Na internet, nos jornais e nos noticiários econômicos, a macroeconomia é mais explorada que a micro. Você deve estar atento: a maioria dos temas de entrevistas, testes, dinâmicas de grupo e concursos vão abordar a macro.

A)

METAS MACROECONÔMICAS:

As principais metas que a política macroeconômica visa atingir são as seguintes:

1 – ALTO NÍVEL DE EMPREGO = Essa foi uma questão que surgiu de maneira arrebatadora após a Grande Depressão de 1929. O emprego nos Estados Unidos na primeira metade da década de 1930 caiu 25% e o total de todas as suas riquezas 30%. John Maynard Keynes representou então um marco na história e teoria econômica ao elaborar sua obra (a principal da Macroeconomia) A teoria geral do emprego, do juro e da moeda, de 1936, iniciada com uma série de artigos

após 1929. Desde então o pleno emprego do fator trabalho vêm sendo uma meta obsessiva da maioria dos governos.

2 – ESTABILIDADE DE PREÇOS = Veremos mais tarde um estudo aprofundado do fenômeno inflacionário. Define-se inflação como um aumento contínuo e generalizado no nível geral de preços. A inflação é maligna porque

distorce a distribuição de renda, as expectativas das empresas, o mercado de capitais e o Balanço de Pagamentos. A obtenção de um crescimento estável requer uma série de controles no que se refere a políticas inflacionárias. A maioria dos países não-desenvolvidos tem ou já tiveram problemas com a inflação (pergunte aos seus pais como era a vida na década de 1980!!!)

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Referências