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Signos Universais do Ethos

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Academic year: 2022

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Signos Universais do Ethos

Psicosofia – Volume II

William Scriblerius Fontana

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Signos Universais do Ethos – William Fontana 2

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Signos Universais do Ethos – William Fontana 3

SIGNOS UNIVERSAIS DO ETHOS

Copyright © William Scriblerius Fontana 2020

Todos os direitos reservados a Gerson Machado de Avillez Twitter: www.twitter.com/GersonAvillez

E-mail: [email protected] Blog: http://filoversismo.blogspot.com

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Signos Universais do Ethos – William Fontana 4

Facebook: www.facebook.com/Filoversismo

Título Original

Signos Universais do Ethos – Psicosofia II

Capa

William Scriblerius Fontana

Revisão

William Scriblerius Fontana

PREFÁCIO

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Signos Universais do Ethos – William Fontana 5

“Há somente três preceitos utópicos de sociedade perfeita: todos fazerem apenas o que é seu direito e se meter na vida alheia apenas para ajudar, o contrário apenas mediante fazerem o oposto. ”

Verbogonia – William Fontana

Dando continuidade as hipóteses criadas por Gerson Avillez em 'Psicognitionis', o livro seguirá na busca pela decodificação dos signos e emoções como parte universal que poderia convergir a um 'sonho coletivo' pelo inconsciente coletivo, numa busca Semiologia do Ethos.

Utilizando-se da descrição de cada estereótipo, mito e lendas busca desvelar padrões que possam indicar crises iminentes no Ethos por sua emergência como símbolos universais de uma consciência coletiva na análise de determinada cultura tal como seu acesso por uma hipnogogia individual como fonte de criatividade.

A continuação de 'Psicosofia' (2018) debulha a partir de uma concepção junguiana a origem e tipos de arquétipos inerentes ao inconsciente coletivo sendo ele também como um conhecimento adormecido do indivíduo e coletivo. Similarmente discute como aspectos da filosofia moral aos seus problemas e resoluções abrangendo a cultura e valores de determinado povo ou grupo em seus pontos de evolução ou retrocesso como a exemplo dos ciclos e sabores históricos que estão declinados a se repetirem de modos diferentes ao longo da história.

Traçando alguns paralelos com a filosofia moral bíblica tende a demonstrar a possibilidade de valores e símbolos de aspiração universal ao demonstrar aspectos desses traços tanto nos preceitos de discriminação como da maldade. Basicamente rediscute questões filosóficas ancestrais como o problema do mal sob uma ótica universalista ante uma crise de valores gerada em parte pelo relativismo pós-moderno que permeia hoje o mundo.

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A continuidade do primeiro volume desse em 2018 quando colei grau superou minhas expectativas ante os estudos que perfiz para concluí- lo. O livro sobretudo evoca antes de nada um práxis não condizendo com a hipocrisia de duplo padrão moral ou exceção o qual o próprio livro delata ao identificar como parte do problema.

Fruto de anos de trabalho como continuidade da produção intelectual anterior o livro formula não somente padrões preditivos da história e seus símbolos em arquétipos como as relações das discriminações com os arquétipos e com o Ethos, assim como conduz ao problema do mal através de uma teoria do mal que visa delinear aspectos que tendem a universalização da maldade tanto como da bondade. Disso se deduz uma filosofia moral da justiça que visa harmonizar a representação de crise e desequilíbrio inerente a maldade, discriminação ou crise de valores.

A abordagem filosófica do autor se refere por vezes a metafísica ou idealismo ainda que sob a forma de filosofia política na busca por analisar os problemas sociais sob a ótica da intuição coletiva e individual.

Minha área de formação em humanas e sociais ainda que não precisas a isso (pedagogia), não me impede de discorrer de tal assunto ainda que não almeja o rigor acadêmico, mas do pensamento filosófico sucinto.

Sobretudo por não existir formação para pioneirismo, os que criaram disciplinas não foram formados na área que criou ainda que possuíssem conhecimentos precursores. Darwin não era instruído no darwinismo, ou Cristo convertido ao cristianismo, pois estes foram seus fundadores.

Marx não possuía formação na maioria das áreas que abordou como economia, no entanto, marxistas lhe atribuem o título de economista em suas bem difundidas ideias ainda que alvo de divergências políticas e econômicas ainda hoje.

Tornando ao tema central do livro seria de fato os mitos originados em arquétipos inatos do ser humano ou os arquétipos inatos do ser

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humano proveniente de deuses reais? Talvez o ser humano tenha sido programado geneticamente a determinadas crenças uma vez que nascemos acreditando em Deus, mas alguns aprendem a desacreditar.

Ainda que tais hipóteses sejam na esfera subjetiva da crença a abordagem filosófica levanta tais questionamentos.

Normalmente estou inclinado a crer que o condicionamento é uma espécie de instinto flexível, suscetível a sugestão e aprendizado, pois envolve essencialmente elementos instintivos como as emoções. Sendo assim discorro da possibilidade especulativa de que da ‘alma’ (vide

‘pisque’) dos sentimentos e emoções se exprime conhecimentos que induzem nosso comportamento.

O objetivo da filosofia retorna à essência original do pensamento que é resolver problemas e chegar as verdades das questões primordiais da humanidade tal como poder fomentar contemplações que beirem o holístico, ao contrário dos sofistas que acreditam no relativismo e retórica em defesa do próprio desejo avesso a lei e direito alheio, sendo um exemplo vivo de como o simples desejo formam opiniões que não são necessariamente verdadeiras ou certas, mas relegam o pensamento a vontade não objetiva. No pós-modernismo que desponta como a era pós- verdade o maior problema crítico é a dissipação da objetividade que permeia o ambíguo e obscuro como protagonista na deturpação da verdade. Por isso a filosofia legítima como a acadêmica prima pela precisão semântica, objetividade, questionamento, o sofisma lhe é oposto.

Se as pessoas soubessem a importância da precisão e objetividade do uso das palavras muitos problemas seriam poupados pois em especialmente nas ciências humanas, sociais e políticas é tal precisão e objetividade que levam a melhorias, resoluções e acordos ao contrário dos que desejam o oposto. Semanticamente a imprecisão do ambíguo favorece apenas o erro ante o alvo que seria verdade e o certo. Porém, a despeito disso a verdade é a luz que nunca se apaga da existência, mas a

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mentira um parco lampejo da vontade do ego independente da roupagem que pretenda ter, a exemplo do Pinóquio seria uma simbolização freudiana da mentira fálica. Uma verdadeira ereção mitomaníaca nasal.

A propósito, a diferença entre os livros 'O Segredo é a Maldade' e 'Os Signos Universais do Ethos' seria que no primeiro digo como o mundo é, e no segundo como o mundo deveria ser. O segundo mostro o problema e sugestiono a resolução, mas os adeptos descritos no primeiro livro nunca terão valia para o segundo, pois apenas são parte do problema. Os segredos que esses impõem possuem um peso insuportável.

"A Justiça baseia-se no conjunto de valores de uma sociedade numa determinada época. Se não temos uma sociedade suficientemente evoluída, então a Justiça é falha, simples assim."

Augusto Branco

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Índice

O Conhecimento Instintivo e do Condicionamento – Pág.10 O Conhecimento Adormecido – Pág.25

Valores Universais e Sua Ruptura – Pág.32 A História do Medo – Pág.41

Signos do Ethos – Pág.51

Formação Mítica de Signos do Ethos – Pág.65 A Estética de Valores do Ethos – Pág.72 Uma Filosofia Moral da Justiça – Pág.84 As Mil Faces da Discriminação – Pág.100 A Teoria do Mal – Pág.123

O Monomito da Crise real – Pág.132 Os Sete Sabores da História – Pág.147 Agentes do Saber – Pág.154

Apêndices - Posfácio – Pág.160

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O Conhecimento Instintivo e do Condicionamento

"A renúncia progressiva dos instintos parece ser um dos fundamentos do desenvolvimento da civilização humana."

Sigmund Freud

Julgo adequada a vertente da Teoria de Abraham Maslow do qual advém a pirâmide de Smarllow considerando assim que as motivações humanas têm origem nas variadas necessidades, não em pulsões de libido conforme a corrente freudiana psicanalítica. Tais necessidades, no entanto, poder-se-ão serem expressas por signos mediante o inato assemelhando-se as pulsões, mas todas visam suprir necessidades em ordem de importância tal como postula Smarllow.

A ordem implícita do surgimento destas é suprir necessidades para suprimir instintos, o que nos tira da selva para a civilização. Das dificuldades e adversidades o engenho do pensamento humano criou possibilidades de resolve-los como verdadeiro motivo do surgimento da inteligência.

A inteligência existe para triunfar sobre a adversidade não para viver para ela, pelo mesmo motivo que problemas existem para serem resolvidos, assim como perguntas existem para serem respondidas, mesmo que sem pergunta não haja resposta, o resultado não justifica o problema, caso contrário ele não seria necessário.

Sendo assim seria mais fácil o homem evoluir e construir uma máquina para ir no fundo do oceano do que ter se desenvolvido e evoluído lá embaixo. Seria como falar que um gênio numa zona de guerra

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iria fazer uma pesquisa de campo sobre flores delicadas e exóticas abundantes na região ou pesquisar primatas no Alasca.

As goldlock zones ou planetas de zonas habitáveis provam isso, o motivo pelo qual existe desenvolvida vida na Terra e não em Vênus.

Adversidade extrema é abiótico, contra a vida. Ora, a adversidade é proporcionalmente necrófila a medida de sua intensidade. A infelicidade e depressão resultantes demonstram isso ao passar desejar a morte como escape.

Logo da inteligência humana possível apenas em condições propícias surgiram as ferramentas afim de facilitar trabalhos e resolver problemas, e para suprir tais necessidades que de suas convenções sociais nascera a sociedade mediante o grupo. Por sua vez surgiram a formação da família e em posteriormente da propriedade. De certo o capitalismo somente existe graças a ideia de propriedade que ao lado da família1 se tornou base central da sociedade humana. Naturalmente tais sistemas evoluem e nem sempre para melhor mediante o predomínio de uma classe, e quando a propriedade2 passa ser um negócio ela muitas vezes exacerba a elementos de desigualdade por táticas maliciosas, pois dá sociabilidade cooperativa e a troca do comércio surgiu a venalidade associada aos desejos de acúmulo de poder e riqueza além do talento e aptidão produtiva. Assim a civilização deu lugar a degradação do vício. O capitalismo radicalizado assim consolida um modelo de lucro assimétrico.

1 Fato histórico notado que a maioria das sociedades sempre foram fundadas nesses princípios de propriedade e família ainda que com leves variações e nuances.

2 Hoje propriedade legítima são apenas as herdadas, doadas, compradas ou produzidas, mas outrora houveram variações primitivas.

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Mas o fato é que o ser humano sempre barganhou, desde ideias que convençam a bens materiais, desde a criação das primeiras ferramentas, tendo raiz em motivações. Tais motivações3 podem ser “fisiológicas (primárias, básicas, biológicas, orgânicas): as que estão ligadas à sobrevivência do organismo e não resultam de uma aprendizagem e motivações sociais (secundárias, culturais): as que dependem essencialmente de aprendizagens, isto é, foram adquiridas no processo de socialização”. Tais por sua vez pode ser dividir:

“a) Centradas no indivíduo (autoafirmação): desejo de segurança, de ser aceito, de pertencer a um grupo, de alcançar um estatuto social elevado, de enriquecer, etc.

b) Centradas na sociedade (independentes dos nossos interesses particulares): respeito pelo próximo, de solidariedade, de amizade, de amor, etc.”

Ainda que alguns discordem de tais motivações as generalizado com a única intensão da obtenção de poder, observa-se como elas se relacionam do indivíduo ao coletivo e vice-versa que ao ser harmonizada expressa uma simetria de relação ao contrário do desequilíbrio proporcionado pelo crime, pelo lucro através do prejuízo alheio. Simetria que perfaz toda harmonia e abrange todas relações saudáveis entre homens, como a reciprocidade.

A natureza ensina a sobrevivência cooperativa do companheirismo, as ruas a corrupção. Dentre tantos maus instintos primitivos uns poucos nobres se tornaram virtude o bastante para que permitisse o surgimento da

3 Carlos Fontes: http://www.filorbis.pt/filosofia/psicMotivacao.html

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sociedade, o amor, a afeição e empatia. A sociedade surgiu afim de atender as motivações humanas que ascenderam socialmente, ou seja, surgiu de motivações humanas do indivíduo ao coletivo e do coletivo ao indivíduo, de modo que sua desfiguração rompe com seu viés de origem assim como harmonia simétrica tal como do direito e dever.

Assim seria contra intuitivo mudanças que não sejam para melhor para todos, para a sociedade. Da inteligência a tecnologia dela advinda os inventos humanos tem a função original de melhorar a vida e resolver problemas a exemplos das ferramentas primordiais ao invento da civilização. Similarmente o meliorismo4 mesmo a suposição da evolução intui as mudanças e adaptações de seres que objetivam melhor sobrevivência, afinal não existiria relatos na nomenclatura científica de seres que evoluiriam e se adaptaram apenas para sofrerem mais e terem maiores dificuldades, pois tais condições são análogas à extinção assim como a estagnação5. Esse oposto pode apenas sugerir uma aberração, pois mesmo uma doença evolui para melhorar sua eficiência pois ela em si não sofre mesmo que faça sofrer, por isso sendo classificada de tal modo.

Similarmente a maioria dos instintos humanos são animais e exterioriza-los sem inibição social sempre evocará problemas a comunidade de modo que sua utilização só se vale justificável mediante

4 Meliorismo: no evolucionismo filosófico de Spencer 1820-1903, doutrina segundo a qual o mundo, embora contenha o mal, tende à melhorar por meio da intervenção humana consciente.

5 Observamos aqui limites da vida onde condições extremas são abióticas, escasseando a vida em organismos no máximo simples (extremófilos normalmente são microrganismos sem inteligência) quanto o extremo oposto torna fútil e inútil determinados elementos da vida.

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condições extremas, de sobrevivência. Ser civilizado seria essencialmente suprimi-los ante um senso de comunidade e convívio mediante o bem- estar de todos. O sobrevivencialismo é a destituição civilizatória da humanidade em sua harmonia. Assim a civilização se torna o meio humano pelo qual tira o homem da selvageria para suprir suas necessidades cooperativamente em sociedade. Não anula sua própria ordem natural, mas a reforça ainda que por vias de domesticação o qual o oposto afeta diretamente tudo que a perfaz. Sendo assim supervalorizar os maus instintos da natureza inferior humana contradiz a natureza social e sentimental, a única verdadeiramente melhor ante os resquícios na natureza animal ou dito pecaminosa6.

Disto nasce a importância mesmo dos banheiros que é a mesma do saneamento básico, nos livrar dos resíduos que tóxicos que como rejeitos devem ser isolados afim de não poluírem e contaminarem a humanidade ao transmitirem doenças. Das funções fisiológicas as psicológicas similarmente têm funções os esportes e entretenimento como escoamento de catarse. O mesmo se aplica como paralelo as leis e a moral humana que determina que o lugar dos que fazem a sujeira do crime sempre será fora da sociedade aberta e livre. Ou seja, separar o crime da lei, buscando nesses casos a correção.7

Demonstra-se que os instintos, emoções e sentimentos são em graus diferentes reativos, sejam ante as necessidades fisiológicas ou

6 Coloco tal termo referente a pecado pois nota-se curiosamente como muitos dos atribuídos pecados levam a problemas de convívio e crimes, como o ódio, inveja, ganância e afins sendo moralmente correto mesmo ao meio jurídico ainda que o desejo em si, não seja crime.

7 Os aspectos de filosofia moral da justiça serão discutidos adiante.

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emocionais interiores ou acontecimentos exteriores. Mas ainda que isso se demonstre um grau de idealismo - sou idealista, pois acredito que toda ação tem precursor na ideia de ação, da informação que conduz a isso como concretização. Podemos ver a exemplo do sentimento de gratidão quando alguém há de fazer algo bom e caridoso que nos ajude no que precisamos como um modo de harmonizar, ao contrário da síndrome de Estocolmo que pelo desequilíbrio imposto a vítima em situação socialmente assimétrica (e de medo) que na necessidade e carência passa enxergar qualquer atitude mínima afetiva de seu algoz como digna de afeição. A afetividade demonstra-se como uma forma de fazer parte com alguém que por meio da empatia se demonstra um modo de identificar-se com sua necessidade o qual a crise demonstra-se um rompimento. Assim cada qual emoção, desejo, sentimento, negativos ou positivos tem significados na sociedade o qual o desequilíbrio destes emergentes ao coletivo expressam uma crise através de signos potencialmente universais. Os demosignos são arquétipos que encarnam determinadas emoções e vontades coletivas que projetam características e padrões discerníveis.

Tais padrões discerníveis demonstram-se como signos de determinado Ethos, sendo num momento de crise em particular, ou expressos na cultura a exemplo do entretenimento. Os signos podem ser personificados em totens humanos ou meros arquétipos. Os totens canalizam o clamor público sobre determinado grupo ou individuo sendo eles negativos (a exemplo da discriminação quando infundada) ou positivos enquanto os arquétipos apenas surgem em condições propícias.

De acordo com a matéria publicada na revista Exame de 23 de setembro de 20178 um estudo feito por norte-americanos do Laboratório

8 https://exame.abril.com.br/ciencia/estas-sao-as-27-principais- emocoes-humanas-segundo-a-ciencia/

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de Interação Social da Universidade de Berkeley utilizou 2.185 vídeos para serem visto por 853 pessoas levando-os a identificar 27 diferentes emoções mais comuns por meio de uma lista de 34 opções ao qual os pacientes foram submetidos após os vídeos. Não há ainda um método científico preciso para se identificar com exatidão todas as emoções e nuances desses no ser humano. As emoções identificadas no estudo aparentavam muitas vezes terem relações entre si como as seguintes:

1 – admiração 2 – adoração 3 – alívio 4 – anseio 5 – ansiedade

6 – apreciação estética 7 – arrebatamento 8 – calma

9 – confusão 10 – desejo sexual 11 – dor empática 12 – espanto 13 – estranhamento 14 – excitação

15 – horror 16 – inveja 17 – interesse 18 – júbilo 19 – medo 20 – nojo 21 – nostalgia 22 – raiva 23 – romance 24 – satisfação 25 – surpresa 26 – tédio 27 – tristeza

Todas ações humanas têm valor moral e ético, sendo estes negativos ou positivos e sua negação seria negar a essencialidade da sociedade em si, de modo que apenas mediante valores essas ações são norteadas não somente ao bem próprio, como o bem comum, seu e de todos. Assim a única ética verdadeira seria uma a aspirar a universalista.

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Podemos assim identificar dois potenciais blocos de emoções divididos entre positivo e negativo como as positivos provenientes de estímulos agradáveis como a alegria, afeto, confiança ao contrário das negativas que apresentam oposição as anteriores como a tristeza, aversão, medo, raiva. Tais emoções apresentam efeitos sobre o ego e reações, sendo as negativas normalmente baixando a autoestima assim como as positivas o contrário. No entanto, há algumas emoções de caráter neutro a exemplo da surpresa podendo ela ser positiva ou negativa, mas compilando o ser ao estado de alerta por estímulos fisiológicos análogos9.

Fica evidente assim que a plenitude determinada por felicidade seria emocionalmente a predominância maior das emoções positivas sobre as negativas. Demonstra-se isso como consenso entre filósofos que o máximo objetivo moral seria a felicidade mútua tanto como a realização. Seu antagonismo às ações moralmente aceitas expressam uma resultante niilista como uma das origens do crime normalmente expresso daquele o qual o bem vem do dano alheio. Crimes podem ter motivações nos desejos, mas nunca justificativa na razão. Ora, qual objetivo da razão e a inteligência que não seja a verdade e o certo? Apenas a loucura é o oposto!

De certo isso tem origens vitais do ser humano. Maior parte dos prazeres saudáveis, naturais, são direcionados a vida como supressão da morte enquanto seus opostos, o sofrimento e a dor são direcionados sinalizadores da morte, da dor emerge apenas uma necrosofia justificando a necrofobia. Indicam que algo está errado com seu corpo ou mente, seja um ferimento, dor ou abstinência das essencialidades vitais. Sendo assim a procedência da origem moral visa abster harmoniosamente isto com base numa aproximação de moderação hedonista como bem comum, ainda que o hedonismo exacerbado que como vício se apresente um

9 https://www.significados.com.br/tipos-de-emocoes-humanas/

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desequilíbrio tanto como seu oposto (masoquismo), especialmente quando essa fonte de prazer se torna artificialmente a busca pela dor alheia10.

Da bíblia aos filósofos gregos demonstra-se como um preceito que aspira a universalidade, a moderação como uma virtude da sabedoria, onde o sábio foge do excesso, exagero e extremo. Muitos dos pecados são demonstrados pelo excesso ou exageros de instintos e desejos que exacerbam às más atitudes, da cólera, ganância e inveja. Mesmo a democracia encontra-se na harmonia, no meio, onde os extremos do radicalismo desacerbam ou a anarquia ou ditadura. A plenitude democrática é rara.

Dicotomias radicais de antagonismo apenas se enclavinham num âmbito selvagem tal como da presa e predador como da vítima e vilão enaltecendo conhecimentos instintivos da vontade. Os extremos desvelam a verdadeira natureza humana em estado primitivo. O mesmo se diz da imposição da passividade ante um ativo como análogo ao mesmo em desigualdade ainda que em origem de modo inorgânico, mas artificial.

Porém, ao contrário do que propõe a ideologia de gênero nem tudo é construção cultural e social, mas também biológica. A ideologia de gênero representa um rompimento parcial com a biologia ainda que fatores culturais muitas vezes sejam legítimos ao influenciar mesmo os instintos. Mas o amor é um desses fatos biológicos que não por menos associa-se a produção de enzimas próprias. Mas o engano seria associar o amor romântico com a ideia de possessão, quando tem fundo na empatia como outro fator biológico inerente ao ser humano, negar esses aspectos

10 Notamos aqui a ideia do prazer de suprir necessidades, não o prazer inerente ao vício como será colocado adiante, pois com a supressão de necessidades surgiram, porém, alguns vícios como a ganância, inveja e hedonismo (mesmo sádico).

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seria negar o que é a natureza essencialmente humana. O conceito de amor entre casais assim demonstra-se como fato biológico (reforçado pela cultura) inerente a busca de fidelidade ao contrário de outras espécies como os macacos bonobos ainda que a ampliação do ato sexual possa se avolumar mediante fatores culturais, sociais ou religiosos.

A fidelidade se demonstrou uma necessidade entre outras espécies como as araras, sobretudo se atém a questões de saúde arraigadas nos hábitos de higiene que impeçam a proliferação de doenças ou a garantia da transmissão de seus genes. O engenho da natureza assim se justifica.

Ou seja, o sentimento do amor está arraigado nos instintos de sobrevivência não somente do indivíduo, mas do grupo, da família desses ou dos elos de amizade.

Ainda que mediante a menor incidência dos instintos e da influência do biológico nos seres humanos como comum caminho de afastamento mediante a evolução cultural da civilização, compreendemos que a medida com que as necessidades básicas são supridas melhor desenvolve-se a consciência, cultura e ciência humanas. Todavia essa influência não é inexistente podendo ser presente mediante maiores necessidades não supridas assim como fatores propriamente culturais que favorecem e condicionem os instintos primordiais, ou seja todo desenvolvimento está de algum modo relacionado as melhorias, sejam como busca desta ou efeito.

Não obstante, mediante um inconsciente que pareça remeter ser arraigado em fatores instintivos e biológicos, ainda que não se possa sistematizar padrões, notável como podemos herdar trejeitos, reações e outros aspectos geneticamente ainda que em graus sutis mesmo que ainda hipotéticos. Por exemplo, minha mãe costuma dizer que quando minto abro as narinas tal como fazia meu avô materno ainda que não me recorde disto na minha infância. Similarmente ainda não é consenso na biologia

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de que animais não desenvolvam alguma cultura como aparentam ter algumas espécies de símios.

Por fim, ainda que o ser humano tal como animais sejam condicionados observamos esse mesmo aspecto como uma reação instintiva tal como o senso comum a permear a cultura de modo reprodutivo. O condicionamento é um “aprendizado dos instintos”. Ora, o condicionamento que mais se aproxima do adestramento animal visa um aprendizado que naturalmente está arraigado na repetição condicionadora o que não é tão diferente da memória muscular proporcionada por similares exercícios de musculação ainda que o cérebro não seja um mero músculo. Ou seja, assim como o homem pode aprender ser humano civilizado ele também pode aprender a ser animal estritamente condicionado aos instintos. O condicionamento pode tanto domesticar quando tornar animal, pois a diferença entre um animal doméstico a um selvagem está no condicionamento de suas necessidades mediante a condição de qualidade do habitat. Em graus diferentes o mesmo pode ser aplicado ao ser humano, pois assim como um animal pode ser domesticado como aconteceram com os cães e gatos, o oposto também é possível o que é extremamente venenoso em termos sociais. Disso advém aberrações e problemas no Ethos.

Da repetição condicionadora podemos dizer semelhante mesmo as tradições que exercem papel análogo em termos sociais, sendo estas maléficas ou não. Disso a repetição natural se chama ciclo, a inatural se chama vício. Ora, o vício emerge da supressão desordenada da necessidade como prevalência dos instintos além necessidade. O exagero e excesso ao contrário da fome, a gula, por exemplo.

Isso ocorre toda vez quando se evidenciam alguns sinais e padrões comuns a um retrocesso aos aspectos mais míticos da cultura assim como uma degeneração comportamental muitas vezes expressa em sua ilicitude.

Não devemos mudar a natureza humana em algo que lhes seja inferior em

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desacordo com a verdadeira virtude da evolução do Ethos a exemplo da cultura da corrupção no Brasil.

Como parte de toda cultura independente de seu estado ou grau de suposta evolução elas apresentam determinados valores que como moral passa a aspirar a tradição, ou em alguns casos valores surgirem de tradições. Tradição é a cola que mantem a cultura, a exemplo das tradições judaicas que mesmo extirpados de seu território ao serem espalhados por séculos no mundo os tornaram unidos como cultura por suas tradições. Rituais tal como eventos culturais constroem o simbolismo o qual se insere a cultura e Ethos de um povo como identidade.

Passos adiante ou em retrocesso são sempre em relações a tais tradições de onde podem advir discriminações ou não. Toda tradição deve assim ser questionável, mas não necessariamente descartável.

A exemplo de religiões temos alguns rituais que ao serem legítimos enaltecendo valores e dignidades essencialmente humanas esse verdadeiro ritual é uma honrosa tradição, logo significante e dignificante.

O resto é solenidade do mal.

Uma coisa demonstra-se uma tradição de nativos que se pintam e dançam em mútua harmonia social como modo enaltecer-se como coletivo estreitando relações e laços sociais, outra é a tradição de indígenas matarem filhos com deficiência por simplesmente a terem, ou de índios canibalizarem rivais por crerem absorver suas almas ou conhecimentos.

George Hegel atribuía similar evolução social ao que seria dialética, porém, tais aspectos quando não apresentam melhorias substanciais a sociedade questiona-se seu verdadeiro valor evolucionário

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muito embora uma sociedade possa apresentar estágios, ciclos e fases11 por si só assim como postulado pelo o italiano Giovanni Vico pelos 3 estágios, como espírito da época (Zeitgeist) conforme Hegel, mas alguns, no entanto, poderiam ser crises que se demonstram como claros desequilíbrios sociais que muitas vezes parecem mais remeter a uma doença do que evolução.

Um exemplo poderia ser demonstrado nos altos indícios de problemas de saúde mental e problemas psicológicos na população denotando um caso de antropatia emergente, da depressão a síndrome do pânico.

Podemos observar em parte que isso ocorre, pois a felicidade está arraigada essencialmente a ideia de liberdade e livre escolha do indivíduo pelo mesmo motivo que se diferencia um sonho agradável de um pesadelo o qual você não tem o menor controle sobre. Isso fica comprovado a exemplo da quarentena provocada pela pandemia de covid- 19 aumentando exponencialmente a busca por psiquiatras.

Similarmente quando a sociedade não é capaz de comportar oportunidades que proporcionem a escolha ao indivíduo do que é sua vocação ou escolha em seu direito legal leva apenas a frustração do mesmo perante si e a sociedade que acrescida a outros problemas sociais limitam-se a vícios entorpecidos de ilusões (entretenimento, fanatismo, esportes) que desviem as frustrações de sua vida para com a sociedade.

Como os pesadelos algo contra sua escolha evoca frustrações ou medos.

A exemplo dos entorpecentes despertam a sensação biológica que pela dependência relega ao vício condicionando o usuário a busca eterna

11 Mesmo o capitalismo parece ter evoluído em fases do capitalismo comercial, Capitalismo industrial ao Capitalismo financeiro (que apenas especula).

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pelo mesmo. Estes assim passam a ser escravos, similarmente a algumas doutrinas ou desejos que levem a vícios psicopatológicos similares ao sadismo12, psicopatia e outros. Não são as drogas quem matam, mas o vício, por isso os mesmos efeitos são obtidos através da ganância, inveja e luxúria ao crime ao contrário da virtude autoconsciente e ponderada.

Não por menos o termo entorpecente tem significação nisso, no que torna torpe, destitui significado sendo os causadores de vícios maléficos uma droga.

Na realidade aparenta haver mecanismos que limitem as escolhas de indivíduos, sejam suprimindo seus direitos por fatores econômicos, sociais e culturais lançando um fardo pesado sobre esses. Os verdadeiros remédios a esses males são suprimidos da sociedade (intencionalmente ou não) os inviabilizando por interesses de poderosos afim de estender seu poder sobre a sociedade através de um modo pernicioso de impor ainda que indiretamente o que quer que você seja. Mas essa passividade imposta sempre será antagônica a felicidade por ser sempre oposta à livre escolha. Por isso a passividade sempre determina a vítima, pois apenas há culpa na escolha, pois a responsabilidade apenas existe no que fazemos, não no que nos fazem.

Apenas mediante atitudes proativas definimos a própria posição do que somos e fazemos de onde somente se torna possível se tornar realizado e assim levado a felicidade, por isso indesejável aos que querem a passividade para sermos definidos em desigualdade e injustiça ante esses.

12 A exemplo do sadismo é uma lente que enxerga beleza na maldade e injustiça.

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O máximo que esses males entorpecentes fazem é viciar e criar dependência13 pelo condicionamento levando a um grau em que o próprio indivíduo perante a sociedade não tem consciência da total potencialidade de sua liberdade ou mesmo capacidade de sonhar, na realidade acaba por possuir um baixo grau de autoconhecimento, ou s elfsofia.

Assim a cultura começa com a rotina que vira tradição e termina quando se torna condicionada, acrítica. Mesmo a loucura quando vira rotina e normativo deixa de sê-lo, ou seria o contrário?

Podemos assim caracterizar como crises por não terem identidade própria, mas deterem padrões comuns e onipresentes ao longo dos tempos, como a emergência de determinados frenesi impressos em signos próprios de um coletivo, algo que discorreremos adiante.

13 Quando algo ao invés de melhorar e facilitar a vida se tornar uma dependência se torna um vício que pode entorpecer e(ou) iludir, seja isto tecnologia, entretenimento ou religião. Passamos então a servir o que deveria nos servir.

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O Conhecimento Adormecido

A pessoa que vai em mil direções não sabe para onde ir, ao não saber o caminho a um alvo podemos até mudar o rumo, mas nunca a direção ao objetivo. De igual modo não podemos experimentar todas as coisas como todos os caminhos pois a quem tudo acha e persegue, se perde. Disto podemos notar mesmo os instintos como alerta do que não devemos experimentar a exemplo do medo. Ainda mais quanto pela racionalização ponderamos com lógica o que seria passível de aprovação e experimentação sem a necessidade de fazê-lo ou experimenta-lo, para tanto existe o conhecimento.

Todavia ainda que mediante toda ciência sendo positivista, observacional ou empírica justamente pelos instintos há de supor que possuímos um conhecimento inato o qual parcialmente nos dirige, ainda que pelo inconsciente, a comportamentos e desejos subsequentes em graus diferentes mediante a intensidade e grau de consciência do mesmo.

O ser humano apresenta instintos condicionáveis tornando-nos capazes de aprender hábitos e comportamentos que se tornam inconsciente numa vida o que outros animais levam gerações. Por esse motivo se um ser humano for criado entre cães sem referência humana agirá como um cão, mas um cão nunca aprenderá ser gente sendo criado entre humanos. Fica claro que ainda que o fato de que em grande parte a personalidade de uma pessoa se forme mediante a construção cultural e social a qual ela está inserida fica tangível a influência genética de instintos que determinam aspectos de predisposição de características da personalidade e não apenas a doenças herdadas. Um exemplo de influência ainda que não necessariamente herdada, mas inconsciente é a psicopatia.

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Por esse motivo não acredito integralmente em ideias como da

‘Ideologia de Gênero’. Não acredito que a construção sexual seja totalmente cultural, pois o ato sexual sempre teve vínculos biológicos por razões reprodutivas. Ora, os instintos são essencialmente ligados a genética que em suma é a demonstração biológica da vida herdada. Ainda que não exista gene da homossexualidade conhecido, sua possibilidade ao remeter a ideia de herança genética seria impossível do ponto de vista biológico pelo simples fato de que a homossexualidade é incapaz de se reproduzir. Sendo dessa forma estou mais inclinado a crer que se tiver razão biológica esta seria por uma mutação aleatória dos instintos explicando seu caráter anômalo na natureza ou de busca de equilíbrio14, sabe-se que na natureza a raridade representada pelo incomum demonstra-se como uma exceção por mutação a qual apenas progride mediante melhor possibilidade de se reproduzir. Sobretudo isso explica o fato de que a homossexualidade poderia surgir mesmo num lar rigorosamente cristão conservador, o que a salvo influências exteriores isso implicaria ser algo de nascença. Ainda que hajam evidentemente casos de pessoas homossexuais por formação acredito que muitas delas não escolhem conscientemente suas preferências sexuais.

Mas houveram casos como a dos gêmeos Bruce e Brian Reimer nascidos em 22 de agosto de 1965 em Winnipeg no Canadá, em que quando um deles teve o pênis queimado ainda bebê o operaram tornando- o mulher, o fato é que mesmo sem saber que era originalmente homem ele declinou a todo comportamento masculino típico.

Tais casos remetem a um conhecimento que adormecido abaixo do limiar da consciência e se manifesta de alguma forma, seja no coletivo ou

14 Há casos de populações de animais que se tornam homossexuais por razões de excesso de indivíduos ou escassez, sendo uma condição não característica da espécie.

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indivíduo. Sendo ele exceção ou padrão, mas sempre manifesta de forma voluntária ainda que por vezes com razões intrínsecas a desejos instintivos.

O mesmo se aplica na construção da própria cultura em si manifesta como identidade de um povo. Toda criação coletiva espontânea determina a autoria de uma cultura e identidade de um povo. Uma língua tem origem na associação inicialmente sonora que transcreva as coisas do concreto ao abstrato, ganhando gradual precisão mediante a crescente complexidade por estruturação semântica que dão razão, por sua vez aos verbos, advérbios. Parece evidente que o advento da escrita é posterior cristalização desse processo em constante mutação que favorecem o entendimento que deu razão à sociedade, mostrando o motivo pelo qual até hoje o diálogo é sinônimo de acordo ao contrário do oposto, como o medo do qual discorreremos mais tarde.

Muitas vezes um saber adormecido no inconsciente manifesta-se intuitivamente pelas artes como precursores de descobertas, como modo intrínseco ao inconsciente e compreensões que escapam a percepção objetiva e consciência. Exemplos históricos disto são demonstrados de Van Gogh em sua pintura 'noite estrelada' ao demonstrar aspectos da mecânica quântica apenas descoberta de modo tardio após sua morte.

Seria coincidência?

Muitos outros padrões similares parecem demonstrar espontâneo pioneirismo inconsciente como percepções arraigadas na subjetividade do inconsciente como algo inato ou adormecido. Talvez assim poderíamos postular que em similaridade aos instintos como normas de condutas escritas abaixo do limiar consciente existiriam outras informações e conhecimentos mais complexos em tais estados? Seria deveras absurdo afirmar a existência de uma memória genética de vívidas lembranças ainda que traços de personalidades poderiam ser transmitidos? Porém, e se houvesse em remotos tempos conhecimentos amplos tão

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profundamente arraigados na sociedade que foram cristalizados de modo inato como o condicionamento a imprimir similares diretrizes instintivas nos genes? Ainda que sejam especulações ousadas poderiam explicar muitos casos.

As sensações por vezes parecem sempre estarem associadas a memórias talvez por um fato implícito a instintos como mais que normativos comportamentais, mas de informação ou conhecimento atingido por um inconsciente volitivo. Tal como o medo remete a possibilidade de morte como previsão de possibilidade em similaridade ao reflexo outros instintos poderiam instigar uma contemplação não de uma possibilidade futura, mas ancestral, mas arraigada a fatores intrínsecos aos genes.

Tal hipótese ainda que altamente especulativa parece demonstrar aspectos evolucionários não somente físicos, mas mentais e mesmo psicológicos até mesmo ao modo de sentir e pensar. Afinal quantos sentimentos e emoções possuímos e tal como as cores quais os limites entre um e outro? Como disposto no volume anterior poderiam haver sentimentos e sentidos perdidos entre genes incógnitos em nosso DNA15.

Outro exemplo de um conhecimento adormecido que parece emergir por padrões comuns está num estudo realizado em 2019 pela Universidade de Harvard (EUA)16 no que parece indicar a existência de uma “gramática musical universal”. Ao se utilizarem de 5.000 cantos de 60 sociedades diferentes os pesquisadores traçaram um paralelo com

15 Menciono não aspectos conhecidos do DNA que tornam o que nos fazem ser humanos, mas trechos o qual a origem e função permanece ainda não inteiramente compreendida perante a ciência a exemplo do DNA ‘junk’ presente em todos.

16 Natasha Romanzoti, em 29.11.2019, HypeScience.

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quatro tipos diferentes de músicas provenientes de 30 regiões diferentes do mundo ao disporem de um algoritmo computacional. Os estilos de música que iam ao ‘de ninar, de amor, de cura e de dançar’ resultando numa série de padrões coincidentes ao demonstrarem estruturas similares.

As mais predominantes eram as músicas de curar sendo mais repetitivas que as de dançar que por sua vez eram mais agitadas que a de ninar.

W. Tecumseh Fitch, da Universidade de Viena (Áustria) explicou que “da mesma forma que todas as línguas do mundo tenham um conjunto de fonemas – todas as palavras do mundo são compostas de pequenos conjuntos de sons de fala – o mesmo ocorre com as melodias.

Todas as melodias podem ser construídas a partir de um pequeno conjunto de notas. Isso sugere que há uma base biológica que é constante em todos os seres humanos, mas interpretada de maneira diferente em diferentes culturas humanas”. O mesmo pode ser verificado a exemplo do gene da linguagem exclusivo em seres humanos.

Outro exemplo de padrões potencialmente universais na humanidade está na beleza, ainda que variável ao longo dos tempos o senso estético como filosofia compreende padrões e harmonias que remetem a simetrias ainda que associado a elementos sociais ou culturais de sua época, mas que podem ser um reflexo do mundo físico a exemplo do Pi e tantos outros elementos uma vez que o cérebro humano busca por padrões e simetrias. Sendo assim parte do cérebro humano replica o universo exterior de seu interior, do indivíduo ao coletivo.

O que se conhece é a definição, pois a existência anterior a definição independe disso, nosso conhecimento limitado e parco não abrange toda extensão do desconhecido. Mas por isso devemos procurar definições mais precisas como modo de conduzir o pensamento a verdades mais relevantes assim como o passo adiante na descoberta do que antes não era conhecido.

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Assim como há aspectos da história humana que permanecem desconhecidos nas brumas do incógnito há de mencionar a possibilidade de uma história morta que possa viver adormecida sob camadas genéticas como uma herança desconhecida de nossos ancestrais pois compreende que a essência do DNA é informação. Objetiva a ciência como intento de seu empreendimento (tal como historiadores) desvelar a verdade.

Assim como há verdades exteriores inatingíveis por percepções limitadas poderá haver verdades interiores ancestrais sob as brumas de instintos, intuições e do inconsciente onde mesmo arquétipos expressam parte desse conhecimento adormecidos inerente ao inconsciente coletivo, desde tempos imemoráveis eles parece demonstrar aspectos comportamentais padronizados em dado grupo ou individuo como uma espécie de programação inconsciente dos instintos. Maior parte dos arquétipos emergem de efeitos similares aos de efeito manada quando os povos ou grupos são condicionados ou rebaixados aos instintos primários mediante condições hostis ou de adversidade.

Diversos mitos ancestrais parecem aludir a esse conhecimento essencialmente de qualidades duais o que fomenta curiosamente preceitos morais de valores naturais em sobreposição a esses maus instintos. Um exemplo pode ser visto na ideia de Ying Yang que conota ideias moral antagônicas que sob equilíbrio é dominado pelo indivíduo ao sobrepor tais instintos primordiais. Curiosamente mesmo a bíblia alude exatamente a isso com a ideia da experimentação do fruto da ciência do bem e mal que alude a emergência tanto de bons instintos quanto os maus que fora de controle levam ao pecado. Similarmente a ruptura entre os dois levam a conflitos onde ambos possam ser encarnados separadamente como arquétipos do herói e vilão que serão abordados adiante. A falta de controle sobre o mesmo como extinção do autodomínio conota não menos ao mito da caixa de pandora que espalhou os males ao mundo. O fato é que o mesmo ser humano capaz de coisas maravilhosas, de

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criações, descobertas a feitos também é historicamente capaz das maiores atrocidades.

Sejam mitos ancestrais ou não isso alude a um mal antigo e adormecido dentro de nós do qual sem harmonizar sob controle exacerba a liberta-lo em atitudes insociáveis, o mesmo ocorre no coletivo sob a forma de imagens primordiais de arquétipo que deformam o Ethos. Sob as camadas do aparente o ser humano guarda em si potenciais monstros que sob condições e pressões podem emergir como as figuras dos demônios que conduzem o homem através de maus instintos como ódio, inveja, ganância, luxuria a sequestros, homicídios, roubo, estupros e outros graus de crimes e crueldades. Todos os aspectos confluem a padrões universais conforme serão abordados mais adiante.

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Valores Universais e sua Ruptura

"A ciência procura os traços gerais. O cretinismo pseudocientífico nega a existência das individualidades"

Edgar Morin

O pacto republicano do iluminismo17 somente é correto ao compreender a liberdade como poder fazer apenas o que seu direito permite, ter por igualdade oportunidades e direitos iguais e propriedade mediante aquisição por compra, doação, herança ou produção. Porém, a universalidade de tais valores transcende isso mediante a proporção do grau de complexidade ainda que não contraditória aos mesmos preceitos a exemplo de leis draconianas ou desiguais ao concederem privilégios para uns e pesados encargos a alheios. A desigualdade que perfaz a desarmonia de todo mais rompe o contra social ainda que sob ilusórias concepções do contrato sob a figura supranacionalista ao interpretar distorções pela ambiguidade que possa conter, por exemplo, as ideias de liberdade, igualdade e propriedade gerando apenas imposições com aspiração autarquia global. O diabo está nas entrelinhas e entre as vírgulas da sua ambiguidade e obscuridade pode pairar enxertos aberrativos como se um dia o estupro ou o suicídio fossem interpretados como direitos universais. Por isso a importância das definições dos critérios do mesmo, do crime, juízo e afins. Ora, toda constituição e legislação nacional, multinacional ou aspirante supranacional compreende como um acordo entre Estado e povo sendo seu rompimento por parte de um dos lados uma ilicitude. Sendo assim, sobretudo, esse contrato tem

17 Contrato Social, Jacques Rosseau

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que ser estabelecido em comum acordo por ambos lados, caso contrário deixa de sê-lo.

O ‘contrato social’ precisa evoluir conforme o seu Ethos. Se muitos dos animais evoluíssem a uma sociedade avançada as bases dela seriam as mesmas que as humanas, um patriarcado hierarquizado por suas fontes instintivas de organização biológica. Porém, seu afastamento, isto é, do biológico ao mental, demonstra um grau mais elevado de aprimoramento social homogêneo pelo afastamento de tais instintos.

Particularmente acredito que a hierarquia de autoridade por vezes se faz necessária mediante a proporcionalidade dos problemas enfrentados. Porém, uma hierarquia espontânea, orgânica e competente por aptidão o que não acontece a exemplo do autoritarismo e corrupção.

O fato se demonstra que o homem não precisa mais tanto evoluir biologicamente para se adaptar fisicamente pois usa sua tecnologia para isto o adaptando as adversidades sem necessitar alterar sua fisiologia de modo que sua tecnologia permite-o libertar-se das limitações de natureza orgânica e as imposições pelo habitat. A queda do inatismo demonstra-se como uma evolução da consciência. A libertação do inatismo seria assim um passo final do aperfeiçoamento da espécie como civilização.

Quando fazemos parte realmente de algo que importa nos sentimos acolhidos e valorizados por um propósito e sentido norteadores ao contrário quando somos excluídos e segregados expressando uma destituição de valor numa insignificância que é a máscara de um niilismo desigual. Disso se faz um vão existencial cujo o enorme vazio traga todo sentido.

A invisibilidade que apaga a identidade e individualidade ao torna- lo num mero número estatístico e a exclusão que isola e separa da vida em sociedade demonstram-se como grandes males da sociedade ao ser contrário a natureza humana como origem de verdadeiras doenças sociais, de antropatias. Tais são órfãos de uma sociedade moralmente falida.

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Tais fatores são os mais negativos como entraves a evolução social da sociedade gerando males e criando seus próprios monstros em ciclos viciosos de problemas sem fim e utopismo inatingível.

Há mecanismos na sociedade que produzem resíduos sociais que alimentam a criminalidade, resta saber onde termina a vítima e tem início o vilão concebido pela revolta das injustiças e desigualdades18. Quando isso se demonstra por padrões denotam uma antropatia causada por uma sucessão de vícios culturais e sociais, especialmente a discriminação.

Uma falha social sendo ela deliberada ou não e esculpe os maus instintos humanos emergindo seu lado mais maléfico. Pôr vezes indivíduos perniciosos permanecer com suas declinações negativas adormecidas por condições sociais, culturais e educacionais adequadas, enquanto seu oposto pode corromper mesmo os indivíduos de bom caráter. Nascendo assim o mal na sociedade que ao manifestar no coletivo remete a um incêndio.

A responsabilidade é uma tocha do qual o portador é culpado caso provoque um incêndio a partir de suas próprias mãos. A tocha pode iluminar a escuridão, mas também queimar sem distinção. A responsabilidade é a chama da consciência humana que ao se extinguir apaga o espírito humano. Mas o que ilumina a civilização pode levar destruição caso seja negligente. Sua ausência é escuridão e seu excesso fazem mais vítimas do que pune culpados, pois jogar sua responsabilidade sobre alheios pode ser a origem de avassaladores incêndios como teria feito Nero ao culpar os cristãos primitivos pelo incêndio que provocou.

18 Vítima que faz vítima apenas ajuda a correnteza que lhe tragou.

Alguns não querem que sejamos melhores do que sofremos, mas para que apenas eles sejam maiores e superiores.

Referências

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