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Signos do Ethos

No documento Signos Universais do Ethos (páginas 51-65)

'Com integridade, você não tem nada a temer, pois não tem nada a esconder. Com integridade, você fará a cosia certa e não terá culpa.' Zig Ziglar

A natureza da realidade é verdadeira ainda que apenas parcialmente conhecida. Todavia, a interpretação subjetiva dessa realidade pela percepção pode ser distorcida, incompleta ou enganosa de modo que a ilusão consiste nessa percepção construída artificialmente do mundo a volta, ou seja, a ilusão é a interpretação não o que é interpretado por compreender que todos pertencem a uma causalidade sendo parte inerente a própria realidade em determinado grau. Sua visão da realidade não corresponde a própria realidade como o mapa não é o território, especialmente mediante o distanciamento provocado entre a subjetividade e a objetividade, o abstrato ao concreto ante o exterior e o interior do homem o que pode confluir em muitos conflitos.

O sistema sensorial pode compor por vezes apenas a compreensão volitiva do universo visível, abnegando razões ulteriores pela sistematização das informações colhidas de forma lógica e isenta. Chegar a verdades ocultas desveladas pela lógica é o cerne da filosofia enquanto o sistema religioso propõe um sentido por revelação composta em função do sagrado e sobrenatural. O natural do parco sensorial está entre os dois sistemas por vezes em conflito por reações volitivas.

Nisso se baseia um coletivismo instintivo que compõe um comportamento de manada, onde individualidades absorvidas pelas adversidades ignoram realidades interiores a própria essência em niilidades ou sobrevivencialismo. Algo mais próximo do adestramento

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animalizado pelo condicionamento dos desejos e instintos do que uma educação que desperte a autoconsciência, crítica e reflexão.

Quando o coletivismo suplanta individualidades, não individualismos, apenas suplanta a autenticidade da identidade ao impor o que você é contra seus direitos, obras e espontaneidade, a exemplo da submissão não a constituição, mas a realidade, do conformismo, não conforto, ao tentar impor que sejamos de acordo com a realidade, não a realidade de acordo conosco na reprodução acrítica dessa realidade por sua reafirmação e aceitação de seus problemas. Como a diferença entre defender direitos equalitários a privilégios está em defender ou impor minorias pois a desigualdade que são grilhões dos oprimidos é a propulsão das elites onde a destituição de consciência e sua responsabilidade moral pelo remorso e afeição torna a todos meras máquinas de desejos, não pensamentos. Apenas pelo autoconhecimento teremos identidade e saberemos que somos ao buscar em nosso interior respostas, não em realidades atrozes pois pombo cagar sobre você não prova que és privada.

São seis tipos de enfoques e metodologias para interpretar a realidade: o mito, o senso comum, a ciência, a filosofia, a religião, a artes.

Muitos deles se atribuem relações entre si, mas que o grau de sua sofisticação avançada se centra muito na ciência e na filosofia.

A medida que o conhecimento do mundo se torna mais abrangente ele eleva a consciência a compreensões desmistificadoras. Antigamente habilidades, genialidade e inteligências eram associadas a uma bênção divina ou como a loucura uma inspiração de entidades, hoje superamos essas superstições compreendendo serem inverdades, e por que não dons extra-sensoriais? Similarmente as artes ou crenças a loucura aqui desacerba como uma manifestação interior da subjetividade, mas sem controle consciente de modo que a exemplo do frenesi pouco se discerne da loucura.

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Das artes as fantasias são as mais arraigadas nos instintos e desejos, sendo ela no carnaval ou como gênero, não por menos se aproximando mais dos aspectos míticos de divindades do que de personagens respaldados na realidade. Nisso observamos mesmo a evolução da literatura ao lado das demais artes ao longo dos tempos. Se antes mitologia e história eram a mesma coisa, a exemplo de ‘Odisseia’

de Homero, os gêneros evoluíram das fábulas de animais as metáforas de Jesus, dos os contos de fadas até virarem as novelas e romances que transmitiam mais que emoções, desejos e sensações como nas representações de divindades dos primórdios literários da 'fantasia mitológica', mas traçando paralelos com a realidade para transmitir verdades estruturalmente mais semelhante às metáforas de Jesus do que a 'Odisseia' de Homero. A mitologia de hoje é a fantasia, e a fantasia de antes era a mitologia, pois tendo a ficção e mitos muitas vezes as mesmas origens isso explica o motivo pelo qual mesmo na ficção as publicações poderiam se dividir em moda, clássico, relíquia e mito, pois a medida com que permanece em voga adere a cultura gradualmente até se tornar o último, em semelhanças aos mitos folclóricos da oralidade.

Assim fica tangível como a mitologia de determinada cultura compõe parte essencial de sua identidade inerente ao inconsciente como as vivas figuras arquétipas a exemplo do folclore. Isso porém ao ser exacerbado em extremos exalta por isso instintos o qual o ápice muita vezes é negativo a exemplo do nacionalismo que sob a roupagem patriótica culminou no nazismo arraigado nos mitos nórdicos26. Por isso o populismo e o nacionalismo são frequentemente caminhos para a ditadura.

26 Ao contrário do senso comum patriotismo não é sinônimo de nacionalismo, ainda que frequentemente o segundo se faça a pretexto do primeiro.

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As fantasias ao modo das imaginações que rementem imagens, levam a postular símbolos visuais para os desejos, sejam por objetos, seres ou personagens fantásticos, sendo eles escritos ou pintados.

Demonstra-se de maneira predominante como uma dissociação da realidade na busca da obtenção da concretização de desejos, sendo assim a exemplo da ganância, ódio, inveja se tornam lentes que distorcem a verdade da realidade objetiva em detrimento subordinado do prazer egoísta derivado de sua concretização, tal como muitos buscam num carnaval. Assim cria-se um veículo para o desejo que estabelece um vínculo que ignora a verdade exterior em detrimento do interior, que pode suplantar a lógica e a razão de pensar como um mundo a parte da realidade, mas o qual apenas a sobrepõe, positiva ou negativamente.

Todos seres humanos apresentam uma parte imaginação e fantasia a exemplo da infância, mas que deve ser subordinado a razão do intelecto consciente ao contrário do visto comumente na loucura como descontrole do subconsciente em sobreposição a consciência.

Similarmente muitos dos mitos desencadeiam funções similares a da prevalência dos desejos sobre a razão, sejam estes símbolos do medo, do ódio ou da raiva funcionam como um caminho da obtenção dos desejos demonstrados por signos a vontade destes ao contrário de uma metáfora o qual faz analogia de verdades em acordo com a realidade, ainda que fora desta. Não por menos designados por Jung como arquétipos similarmente ao que acometeu o nazismo, ou podendo mesmo ser visto como a persona de demônios, espíritos imundos e divindades malignas.

Para Carl Jung apesar dos arquétipos serem sistemas dinâmicos autônomos, muitos evoluíram o bastante para serem tratados como sistemas separados da personalidade que são instintos aos impulsos fisiológicos perceptíveis vindo a se manifestar como fantasias e ser revelar como imagens simbólicas sem uma origem conhecida, sendo eles

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a persona, a anima se "ânima" em português do Brasil), o animus (lê-se "ânimus" em português do Brasil) e a sombra (Wikipedia).

Observamos que cultura é externa e coletiva podendo oprimir ao apresentar um input ao indivíduo, inato é interno apresentando um elemento de output ainda que mediante feedback na natureza, os arquétipos assim despontam como a mescla de ambos num certo sincronismo involuntário não tão diferente ao comportamento de manada.

Em parte determinados mitos quando ministrados em doses corretas podem ser a base para uma moral universal, pois a moralidade verdadeira determina-se como uma forma de existencialismo por nortear devendo aspirar ao consenso de um bem comum. Um exemplo pode ser visto na jornada do herói 27que quando não deturpada ao conjecturar uma base dos mitos expressam símbolos universais inerente a valores. Porém, quando esses mitos se associam meramente nos instintos pode ser tornar perigosos e voláteis.

Quanto mais fortes são os instintos, mas vivos são os arquétipos míticos que despontam como se as ações humanas fossem predestinadas a repetir padrões passados, pois um mito ganha poder a proporção que apela ao inconsciente coletivo por ser volitivo e assim se ater aos aspectos instintivos da psique humana muitas vezes aflorada em momentos de crise. De Carl Jung a Joseph Campbell esses padrões são universais e vivos do indivíduo ao coletivo, do real ao fictício. Ainda que a história tenha se desvinculado dos mitos com o advento da modernidade signos e arquétipos ainda se fazem presentes de forma mais sutil e real de quando a fantasia se cruzava com a realidade. Assim como um retrocesso longínquo da história ela se torna mitos em escala civilizacional, o mesmo ocorre com o indivíduo em sua infância, quando suas memórias esparsas e fragmentadas fomentam a construção de mitos fantásticos do

27 Proposta de Joseph Campbell no livro ‘O Herói de Mil Faces’.

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que vê no mundo, algo postulado anteriormente. A verdade é que na

"infância da humanidade" o mesmo ocorria quando o conhecimento fragmentado era no geral obscuro, vago e ambíguo, baseado em anseios fomentados pelos instintos primários de sobrevivência assim como seus temores e medos que foram se dissipando com o surgimento da filosofia e ciência.

Os sinais dos Ethos assim são expressos não somente em signos de imagens, mas comportamentais como padrões ainda que personificados por seus mitos arraigados as suas bases. Quanto maior a proximidade de uma cultura com seus mitos mais primitivo se torna seu Ethos pois todo escape a objetividade, sendo ela individual ou coletiva, torna aos instintos sendo eles de massa e do subconsciente.

Jung postulou oficialmente apenas doze arquétipos associados a indivíduos mediante padrões involuntariamente miméticos e(ou) universais: o mago, fora da lei, cara comum, prestativo, inocente, criador, bobo da corte, explorador, herói, governante, amante e sábio. Ainda que ele também tenha postulado o arquétipo de Wotan como manifestação coletiva que impulsionou o nazismo, os arquétipos do Ethos demonstram-se pelo contrário, uma projeção coletiva do Ethos sobre o indivíduo ou indivíduos não sendo sempre uma manifestação voluntária do mesmo.

Um exemplo claro disso está nas projeções motivadas pelas diferentes discriminações que alternam os motivos ao longo dos tempos mas apresentam sempre os mesmos padrões. Por vezes parecem remeter a um mimetismo ainda que inconsciente e noutros momentos parecem emergir sem vínculos a precedentes. Mas sendo eles deliberados não, sempre apresentam padrões em comum entre si.

A supressão de arquétipos assim demonstra graus elevados do Ethos pela escassez de problemas sociais e culturais de determinada sociedade mediante uma evolução do mesmo, o afastamento do mesmo

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denota uma evolução social que se afasta dos instintos. Assim postulamos o que se acredita ser alguns dos sete arquétipos comuns em todos tempos:

— Arquétipo do bode expiatório, um dos mais primitivos signos de origens tribais, sendo onipresente desde religiões pagãs e hebraicas onde o sacrifício visava conceder favores de deuses ou aplacar sua irá até o cristianismo expresso na figura de Jesus como único sacrifício voluntário.

Sacrifício mesmo de animais sempre foram comuns remetendo a antiguidade, todavia nota-se como Deus bíblico sempre poupa o homem do sacrifício (mas não do castigo) onde mesmo Jesus figura a divindade.

Demonstra sobretudo a imperfeição ante erros humanos em busca de encobrimento de modo que pode ser uma deformação em valores a exemplo de quadrilhas (quando não retrocesso), por exemplo - a defesa do hipócrita é atacar ou condenar quem não tem culpa. Similarmente um arquétipo similar é utilizado na chamada ’guerra simbólica’, mas não para

“expiar” erros, mas amedrontar a população.

— Arquétipo heroico é um dos mais celebrados desde os mitos gregos e romanos, mas que parecem emergir ante calamidades ou um oposto que figura o arquétipo de inimigo espontâneo. Há mesclas de arquétipos onde muitas vezes o arquétipo heroico pode se tornar o bode expiatório voluntário a exemplo de Sansão. Arquétipo do herói ainda que o termo herói na Grécia antiga tivesse uma conotação diferente da atual. Talvez isso fique claro nas fantasias dos super-heróis da ficção que se manifesta pelo subconsciente de seus idealizadores. Os heróis inspiram confiança e fé ao contrário de seus opostos ainda que possam haver dissimulações conforme discutiremos na ‘história do medo’.

— Arquétipos messiânicos assemelha-se ao arquétipo do herói, mas numa escala mais ampla ao abranger a proposta de liderança/libertador de um

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povo ou fundamento de religião. Ao longo dos tempos esse arquétipo se repetiu inúmeras vezes em graus variados normalmente associados a calamidades e situações de opressão de modo que assim Moises pode ser visto como um messias de seu tempo, assim como Jesus que, no entanto, encarnou o arquétipo de bode expiatório.

— Arquétipo do inimigo ou vilão, esse faz parte de um conjunto arquétipo polarizado o qual normalmente este exalta o arquétipo do herói, ainda que observamos facilmente que nem sempre opostos expressam valores ou práticas antagônicas, mas muitas vezes iguais, sendo apenas rivais. Normalmente apresenta-se voluntariosamente independente das prerrogativas, mas se opondo ao bem-estar comum como representação de um desequilíbrio ou calamidade. Podendo ser um indivíduo ou um grupo destes a exemplo de governos distópico, dos opressores, absolutistas ou totalitários. Porém, frequentemente é usado deliberadamente como projetado por determinado grupo dominante sobre indesejados e desafetos sendo na verdade não mais que uma variação de bode expiatório - normalmente os que inventam os próprios dragões que não existem podem ser os únicos a sê-lo.

— O arquétipo da prostituição que se demonstra como arquétipos da devassidão obstinada que ainda não assumida emerge como cultos sexuais a deuses como Baco ou Dionísio quando o eros deixa de servir a humanidade e a humanidade serve ao Eros ou Himeros. Ao contrário de prazeres periódicos, mas consensuais, se levanta muitas vezes criando vítimas como muitos arquétipos negativos, sejam eles através da

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banalização do sexo28, do estupro, sexismo, hiperssexualização, popularização da prostituição, falocentrismo ou exploração sexual.

— Arquétipo da traição pode ser visto como outra variável do arquétipo do bode expiatório normalmente associado por interesses de poder como inveja e ganância. Normalmente se consolidam sob a forma de conluios ou golpes sendo artificiais e voluntários por parte de seus perpetradores ao trair aquele a qual estabelece claro poder de influência sobre um povo ou grupo, seja por poder instaurado ou por liderança espontânea. Um exemplo pode ser visto novamente em Jesus que parece encarnar mais de um desses arquétipos que inclusive serve como uma hipótese alternativa do aparente sincronismo entre casos de personalidades e mitos similares a Jesus, mas anteriores ao mesmo.

— Arquétipos sombra e reflexo que similarmente a ideia de 'duplo' (Freud, 1919), mas não necessariamente interiorizado ao indivíduo em sua psique mas surgem como oposição ou imitação ainda que invertida numa dissonante mimética. Todavia tal como o ser original existe sem a sombra e reflexo, mas não o reflexo e sombra sem o ser de origem.

Podem ser personificações arquétipa de idealizações por antagonismos, tal como a ideia do diabo que não se faz sem a figura primordial de Deus, ou de Anticristo sem Cristo, assim como o arquétipo heroico cessa ao neutralizar seu oposto.

28 A apatia que remete a banalização não seria parte da crise de valores? Ainda que os atos em si sejam valorizados o ser humano submetido a isto não numa coisificação ou objetificação a exemplo da mulher.

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— Arquétipo como 'imagens primordiais' do medo29 não menos pode se manifestar associados a outros arquétipos por motivos variados normalmente a pretextos de dominação desigual. A violência, agressões e submissão impostas são meios comuns do exercício desse arquétipo.

Muitas entidades, demônios e deuses parecem personificar com precisão arquétipos pois eles muitas vezes simbolizam tais características com semelhança instintiva ainda que motivada intencionalmente, um exemplo está no aspecto de arquidemônios associados a determinados pecados como inveja, ganância e afins. Talvez o estudo de sonhos30 de determinados grupos poderia fomentar padrões que denotam a manifestação coletiva de determinado arquétipo.

Os arquétipos assim parecem remeter a semelhança de possessões o qual não por menos mesmo estados de inspiração, genialidade e loucura eram atribuídos a entidades. Ainda que hoje por uma ciência mais clara melhor de delineia metodicamente as diferenças que incorporem uma legítima doença ou dom e talento do pressuposto alheio.

Mesmo parlendas que são rimas suscitam lendas do folclore pode ser exemplo (nesses casos no geral benéficos) da manifestação de arquétipos, personagens que representa vários instintos ou emoções

29 Tais aspectos foram abordados anteriormente no capítulo ‘História do Medo’.

30 A exemplo dos sonhos a percepção da realidade não se faz apenas pelo sensorial, mas sensações que aparentam guiar as imagens experimentadas como se provavelmente a organização de desejos e memórias fossem arraigadas nessas sensações enquanto na realidade o sensorial alimenta as sensações num input que pode apresentar feedback mediante os instintos despertados pelo mesmo.

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humanas. Similarmente alguns sonhos podem despontar não meramente como aspectos freudianos do inconsciente individual, mas por apresentar determinada universalidade serem arquétipos do inconsciente coletivo com relações com seu equivalente Ethos, o que seria uma proposta de estudo fascinante ao lado da análise criteriosa das lendas de determinas culturas, inclusive as lendas urbanas que rodeiam o imaginário popular como uma hipnagogia entre o inconsciente coletivo e sua cultura.

Outra fonte comum do surgimento de novos arquétipos se demonstra pela predominância de um poder vigente em seu tempo sobre seus adversários. Roma em seu tempo fora a sociedade predominante e por isso escreveu a história e perpetuou seu legado muitas vezes negativo, dando lugar ao arquétipo de fasces que derivaram o fascismo e mesmo o feudalismo que emergiu com seu declínio. Outro fato presente do etnocentrismo expressa a frequente demonização e marginalização de rivais, estrangeiros e contrários onde os camponeses que não era submetidos aos senhores feudais se chamavam vilões por serem aldeões de vilas logo associados negativamente a pretexto de serem grosseiros e rudes, similarmente a ideia de barbaridade e vandalismo que surgiram das tribos germânicas barbaras e de vândalos. Ainda que a crueldade fosse predominante em tempos primitivos a reputação era determinada pelo predominante como ainda hoje muitas vezes acontece através das elites que escrevem a história através do controle midiático parcial ou indireto.

Mas dessa demonização surgiram arquétipos projetados dos adversários predominantes sobre os vencidos dos quais os termos tornaram-se signos de arquétipos negativos, de modo similar que divindades subjugadas pelos semitas se tornaram posteriormente demônios.

Conscientemente ou não, ao marginalizar quem não comete crimes, mas por uma subordinação acediosa apenas promove a desigualdade e o surgimento de bandidos. Assim como naturalmente a discriminação que isola, segrega ou excluí passa a taxar jocosamente seus

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rejeitados os marginalizando sem ônus da prova que isso justifique. Disso veio o termo bandido de bandire 'exilar, banir' que passou a ser sinônimo daquele que comete atos contra a legislação vigente. Hoje muitos desses termos passam a encarnar estereótipos que ascendem a projeção de arquétipos.

Curioso notar similarmente os conceitos de Santos ou mesmo de orixás que remetem a pessoas reais que ganharam determinado status post-mortem de personalidades que no inconsciente passam a expressar desejos e vontades.

Fica claro assim que apesar de haver conceitos morais de certo ou errado onipresentes em todos os tempos na humanidade, o que predominou historicamente na prática foram definições exercidas do vencedor sobre o vencido, dos que mandavam aos que não mandavam sob o efeito parcial, mas absoluto do etnocêntrico como maior exercício arquétipo do que da objetividade imparcial Porém, ainda assim seria

Fica claro assim que apesar de haver conceitos morais de certo ou errado onipresentes em todos os tempos na humanidade, o que predominou historicamente na prática foram definições exercidas do vencedor sobre o vencido, dos que mandavam aos que não mandavam sob o efeito parcial, mas absoluto do etnocêntrico como maior exercício arquétipo do que da objetividade imparcial Porém, ainda assim seria

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