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Toxicologia e Classificação dos inseticidas

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Academic year: 2021

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O termo AGROTÓXICO é definido pela Lei Federal nº 7.802 de 11/07/89, regulamentada através do Decreto 98.816 no seu artigo 2, inciso I, como

sendo:

“Os produtos e os componentes de processos físicos, químicos ou biológicos destinados aos setores de produção, armazenamento e beneficiamento de produtos agrícolas, pastagens, proteção de florestas e também em ambientes urbanos, hídricos e industriais, cuja finalidade seja alterar a composição da flora e da fauna, a fim de preservá-la da ação danosa de seres vivos considerados nocivos, bem como aqueles empregados como desfolhantes, dessecantes, estimuladores e inibidores do crescimento”.

Assim, os grupos de agrotóxicos são definidos a partir do alvo de controle do produto Hebicidas, Fungicidas, Inseticidas, Acaricidas, Bactericidas, Nematicidas, Rodenticidas, Algicidas, etc.

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Toxicologia de Inseticidas

Inseticidas:

Compostos químicos ou biológicos que aplicados diretamente sobre

insetos, em doses adequadas, provocam sua morte.

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Destacam-se:

− ACARICIDA: de combate aos ácaros (incluem os carrapaticidas); − ESCORPIONICIDAS: de combate aos escorpiões;

− INSETICIDA: de combate aos insetos;

− MOLUSCICIDA: de combate aos moluscos; − NEMATICIDA: de combate aos nematóides; − RODENTICIDA: de combate aos roedores; − VAMPIRICIDA: de combate aos morcegos.

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-

Nome comum: (ex: clorpirifós, deltametrina, lufenuron, etc.);

- Nome comercial: (Lorsban 480 BR, Match 50 CE, etc.);

- Nome químico: (O,O-diethyl-O-3,5,6-trichloro-2-pyridyl phosphorothioate);

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QUANTO AO MODO DE AÇÃO

CONTATO: resultante da absorção pelo tegumento do organismo alvo em borrifações residuais ou espaciais;

INGESTÃO: o praguicida age e penetra no organismo alvo através da via oral; FUMIGANTE: alcança o organismo alvo na forma de vapor, através de suas vias respiratórias.

QUANTO À PERSISTÊNCIA

Os praguicidas agrotóxicos são classificados segundo a meia vida, que é o tempo necessário, após aplicado, para que tenha sua eficácia reduzida à metade. Consideram-se persistências:

− CURTA: até 90 dias;

− MÉDIA: de 91 a 180 dias; − LONGA: maior que 180 dias.

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QUANTO AO DESLOCAMENTO

O deslocamento do praguicida no ambiente durante sua meia vida pode ser:

− PEQUENO: até 20 cm; − MÉDIO: de 21 a 60 cm;

− GRANDE: maior que 60 cm.

QUANTO À DURAÇÃO DO EFEITO DE TRATAMENTO

− EFEITO RESIDUAL: o ingrediente ativo aplicado num determinado local, permanece

em dosagens letais para um organismo alvo por um tempo prolongado (algumas semanas ou meses);

− EFEITO INSTANTÂNEO (“ knockdown” ): logo que aplicado, o efeito é imediato

sobre o organismo que se quer combater.

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Esta classificação é fundamental para o conhecimento da toxicidade de um produto, do ponto de vista dos seus efeitos agudos. Existem duas classificações:

• Ministério da Saúde - MS - Brasil: baseada na DL50 oral das formulações líquidas e sólidas

• Organização Mundial da Saúde - OMS: baseada na DL50 em ratos, oral e dérmica, por mg/kg de peso, das formulações líquidas e sólidas.

Formulação DL50 Oral (mg/kg)

Classe Toxicidade Líquida Sólida

I Altamente tóxico < 200 < 100

II Medianamente tóxico 200 – 2.000 100 - 500

III Pouco tóxico 2.000 – 6.000 500 – 2.000

IV Praticamente não tóxico > 6.000 > 2.000

Classe Toxicidade Oral Dérmica

sólidos líquidos sólidos líquidos Ia Extremamente tóxico 5 ou 20 ou 10 ou 40 ou menos Ib Altamente tóxico 5 - 50 20 - 200 10 - 100 40 – 400

II Moderadamente tóxico 50 - 200 - 100 - 400 - 4.000 III Levemente tóxico > 500 > 2.000 > 1.000 > 4.000

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Riscos recorrentes do uso de inseticidas

• Ressurgência e aparecimento de novas pragas;

• Surtos de pragas secundárias; • Morte de polinizadores;

• Deriva;

• Resíduos em alimentos;

• Resistência de pragas a inseticidas/acaricidas

•Os agrotóxicos compõem o maior grupo de “venenos” de largo espectro;

Desequilíbrio biológico e seletividade de inseticidas

Rompimento do controle natural = “desequilíbrio biológico”

Inseticidas atuam:

a) Eliminação de inimigos naturais presentes no complexo biótico do ecossistema.

Ex: Alto uso de piretroides. Ineficientes no controle de cochonilhas, mas eficientes destruidores de seus inimigos naturais;

b) Por especificidade, eliminando a competição pelo alimento.

Ex: Ácaro-branco na cultura do algodão. Eliminação de pulgões e outros ácaros por inseticidas fosforados.

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POR QUÊ ESTUDAR OS AGROTÓXICOS?

Benefícios associados ao uso de agrotóxicos

 Manejo de insetos vetores: Ex: malária (Anopheles gambiae);  Incremento na eficiência da produção agrícola;

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Modo de ação dos inseticidas

Refere-se ao processo bioquímico pelo qual uma molécula inseticida interage com o seu alvo, causando alterações em processos fisiológicos normais da praga-alvo que

se expressam na forma de toxicidade e inabilidade de sobrevivência.

Atuação:

 Neurotóxicos: atuam em alvos específicos no sistema nervoso (grande maioria em termos de uso e mercado). Isto devido a alta eficácia e rápida resposta no controle de uma praga.

 Reguladores de crescimento: atuam no processo bioquímico de síntese de quitina e no sistema endócrino.

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1.1. INIBIDORES DA ENZIMA ACETILCOLINESTERASE

*

Organofosforados

( clorpirifós, metamidofós, profenofós, paration metílico) *

Carbamatos

(metomyl, benfuracarb, carbosulfan).

 Inibem a acetilcolinesterase resultando em acúmulo de acetilcolina na fenda

sináptica, causando hiperexcitabilidade do sistema nervoso central devido à

transmissão contínua e descontrolada de impulsos nervosos.

 Os sintomas de intoxicação por organofosforados e carbamatos incluem tremores, convulsões e, eventualmente, colapso do sistema nervoso central e morte.

ACETILCOLINESTERASE: é uma enzima que quebra a acetilcolina, neurotransmissor

encontrado no cérebro que é responsável pelos impulsos nervosos.

Quando a acetilcolina é liberada na fenda sináptica, imediatamente ela deve ser removida, é aí que entra a ACETILCOLINESTERASE, fazendo a sua hidrolize

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• GABA- ácido gama-aminobutírico

• é um aminoácido que ocorre no SNC em altas concentrações, e que desempenha uma função importante na bioquímica neuronal cerebral e nos fenômenos de regulação pós-sináptica e da neurotransmissão autonômica. O GABA ativa os fenômenos enzimáticos (transaminação, descarboxilação) do ciclo de Krebs, sendo consumido pelas células nervosas na qualidade de material energético do metabolismo cerebral.

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1.2 . INSETICIDAS QUE ATUAM NOS RECEPTORES DE ACETILCOLINA 1.2.1 Agonistas (análogos) de Acetilcolina (neonicotinóides ou cloronicotinóis)

• Neonicotinóides (cloronicotinóis) > grupo novo descoberto a partir da molécula de nicotina.

ex.: Imidacloprid, Acetamiprid, Thiacloprid, Thiamethoxa

* Os neonicotinóides imitam o neurotransmissor excitatório (acetilcolina) e competem com ele pelos seus receptores nicotinérgicos.

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1.2 . INSETICIDAS QUE ATUAM NOS RECEPTORES DE ACETILCOLINA

1.2.2 Moduladores de Receptores de Acetilcolina (Naturalytes)

 único representante comercial é o spinosad

 Trata-se de um metabólito da fermentação de um fungo de solo (Saccharopolyspora spinosa).  Liga-se ao receptor nicotinérgico de acetilcolina (em sítio distinto da ligação por

neonicotinóides)

 Causa hiperexcitabilidade do sistema nervoso central devido à transmissão contínua e descontrolada de impulsos nervosos. Os sintomas de intoxicação incluem tremores, convulsões e, eventualmente, colapso do sistema nervoso central e morte.

1.2.3 Antagonistas de Acetilcolina

> Mais conhecido neste grupo é o Cartap que tem ação contrária à da acetilcolina, competindo com o neurotransmissor excitatório pelos seus receptores.

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1.3 - INSETICIDAS QUE ATUAM NOS RECEPTORES DE GABA

1.3.1 Antagonistas de Canais de Cloro mediados por GABA (ciclodienos e fenilpirezóis)

*endosulfan, e os fenil-pirezóis, ex. fipronil.

 O modo de ação destes inseticidas ainda não foi totalmente elucidado. Porém, sabe-se que os mesmos antagonizam a ação do neurotransmissor inibitório, GABA (ácido g-amino butírico).

1.3.2 Agonistas (análogos) de GABA (avermectinas)

* avermectinas (ex. abamectina) são metabólitos isolados da fermentação do fungo

Streptomyces avermitilis.

* competem com GABA, ligando-se ao seu receptor específico na membrana pós-sináptica e estimulando o fluxo de Cl- para o interior da célula nervosa, desta forma "imitando" o efeito

"calmante" do GABA.

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2.1- MODULADORES DE CANAIS DE SÓDIO

 DDT e Piretróides

Interagem com os canais de sódio distribuídos ao longo do axônio, prolongando ou impedindo o fechamento normal dos mesmos após a transmissão do impulso nervoso.

Ocorre um fluxo excessivo de íons Na++ para o interior da célula nervosa. Os sintomas

de intoxicação de insetos por piretróides desenvolvem-se rapidamente, resultando em transmissão de impulsos repetitivos e descontrolados, hiperexcitabilidade, perda de

postura locomotora ("knockdown“ = choque)

2.1- BLOQUEADORES DE CANAIS DE SÓDIO

 oxadiazinas

O Indoxacarb mantém os canais de sódio fechados, bloqueando o fluxo normal de íons

Na++ para o interior da célula nervosa e, desta forma, impedindo a transmissão do

impulso nervoso. Os sintomas de intoxicação de insetos por indoxacarb incluem paralisia.

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De que forma os insetos crescem?

Mediante mudanças de tegumento (ecdise).

Comandada por hormônios.

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HORMÔNIOS ENVOLVIDOS NO PROCESSO DE ECDISE

L L l

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• QUITINA: principal componente do exosqueleto dos insetos, só é

produzida por insetos e por alguns organismos aquáticos.

– interferência na produção de quitina

• Os sintomas se manifestam na muda de pele.

-

a cutícula recém-formada não aguenta a pressão da hemolinfa e a

tração muscular.

• Ex. : Lufenuron

Inibidores da Síntese de Quitina

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3.1 - INIBIDORES DA SÍNTESE DE QUITINA (benzoilfeniluréias, triazinas, thiodiazinas)

 Benzoilfeniluréias: (diflubenzuron, teflubenzuron, triflumuron, lufenuron, novaluron). As benzoilfeniluréias afetam a habilidade do inseto produzir quitina e,

consequentemente, de formar a sua cutícula. Na ausência de quitina, a cutícula do

inseto se torna fina e frágil e é incapaz de suportar o corpo do inseto. O processo de ecdise (muda de pele) é afetado pela inabilidade de formar uma nova cutícula normal.

 Thiodiazinas: o único representante deste grupo atualmente é o inseticida buprofesin, um potente inibidor da síntese de quitina com atividade específica para homópteros (exs. cigarrinhas, mosca branca e cochonilhas).

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3.2 AGONISTAS (análogos) DO HORMÔNIO JUVENIL ("Juvenóides")

 metoprene, fenoxicarb, piriproxifen) assemelham-se estruturalmente ao hormônio juvenil do inseto e imitam a ação deste hormônio, interferindo numa série de processos fisiológicos vitais, como a ecdise (muda de pele) e a reprodução.

3.3 AGONISTAS DA ECDISONA OU ECDISTERÓIDES (diacilhidrazinas)

 Tebufenozide, metoxifenozide > competem com a ecdisona (hormônio que controla a ecdise ou muda de pele) pelo seu receptor na membrana de células epidérmicas, ligam-se a este receptor e induzem as larvas à muda prematura e letal.

• Provocam uma aceleração no processo da ecdise. Ex: tebufenozide e

methoxyfenozide.

• Imita o ecdisônio.

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Neste grupo, incluem-se inseticidas e acaricidas que interferem na produção de adenosina trifosfato (ATP)

4.1 INIBIDORES DA SÍNTESE DE ATP

Pyrroles > único representante comercial Clorfenapir, inibem a síntese de ATP por meio de desacoplamento de prótons ativos (H+) da mitocôndria.

Dinitrofenóis (dinocap) e os organoestânicos (óxido de febutatin, cihexatin) inibem a fosforilação oxidativa. O transporte de elétrons não é afetado, porém não há formação de ATP.

4.2 INIBIDORES DO TRANSPORTE DE ELÉTRONS

Neste grupo, incluem-se a rotenona, o fenazaquin, o piridaben e o fenpiroximate. Estes produtos atuam como inibidores da enzima NADH oxido-redutase, da cadeia respiratória.

4.3 INIBIDORES DA ATPase

Neste grupo incluem-se o Propargite e o Diafentiuron, que interferem na respiração celular inibindo a enzima ATPase.

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5. AÇÃO TÓXICA NO SISTEMA DIGESTIVO - TOXINAS DE Bt

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AVALIÇÃO TOXICOLÓGICA

TOXICOLOGIA AGUDA: Quantidade do inseticida que aplicada uma única vez em cada indivíduo de uma população resulta em 50% de mortalidade.

TOXICIDADE SUBAGUDA: É caracterizada pela exposição de 14 dias a três meses a determinada substâncias.

TOXICIDADE CRÔNICA: É a quantidade de inseticida que provoca a morte de 50% dos indivíduos de uma população-teste, quando aplicada várias vezes em cada um dos indivíduos dessa população. A dose é determinada após várias aplicações de subdosagens e os efeitos esperados ocorrem em longo prazo.

TOLERÂNCIA: Concentração máxima dos resíduos de um agrotóxico que é permitida em um alimento por ocasião da colheita ou consumo.

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Toxicologia de Inseticidas - Periculosidade

Legislação Brasileira

Lei 7.802 de 11/07/89 “Lei dos Agrotóxicos” - Regulamentada pelo decreto 98.816 de 11/01/90

Avaliações:

Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento: Aspectos agronômicos.

Ministério da Saúde: Aspectos toxicológicos 26 estudos (animais de laboratório), Classificação toxicológica. IBAMA: Aspectos ecotoxicológicos, 20 estudos ecotoxicológicos, 36 de caracteristicas fisico-químicas e 4 testes de metabolismo e degradação (Antecipar o comportamento do pesticida no ambiente).

Classe Classificação (ANVISA) Cor da faixa

I Extremamente tóxico Vermelha II Altamente tóxico Amarela III Moderadamente tóxico Azul IV Pouco tóxico Verde

Após as avaliações (MAPA, MS e IBAMA) a formulação candidata é registrada;  Esta decisão é publicada no diario oficial da união;

 O registro tem validade em todo território nacional;

 Nos Estados o registro da formulação do produto deve ser solicitado junto a secretaria de agricultura.

Classe Classificação (IBAMA)

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Referências

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