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Arq. NeuroPsiquiatr. vol.49 número2

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Academic year: 2018

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IN MEMORIAM

ARNALDO DI LASCIO

Com a morte de Arnaldo Di Lascio em maio de 1990, perde a medicina bra-sileira e, em particular, a pernambucana um dos últimos especialistas em Neuro-psiquiatria.

Argentino de nascimento, filho de imigrantes italianos, era antes de tudo um nordestino da Paraíba (uma vez que sua família lá se fixou), que teve no Re-cife sua terra adotiva. Graduado em Medicina pela velha Faculdade de Medicina do Recife em 1936, já nos bancos escolares começou a se destacar como estudante aplicado, de futuro promissor. Atraído por Ulysses Pernambucano passou a traba-lhar no antigo Hospital de Alienados (Hospital da Tamarineira) como acadêmico-¬ interno e, nesta condição, foi co-autor do trabalho «Alguns dados antropológicos da população do Recife», juntamente com o próprio Ulysses Pernambucano, Jarbas Pernambucano e Almir Guimarães. Uma vez médico, integrou-se à chamada Escola Pernambucana de Psiquiatria de Ulysses Pernambucano, passando a atuar como médico do Sanatório Recife, como Neuropsiquiatra da Polícia Militar de Pernam-buco e como Professor Assistente da Clínica Neurológica da Faculdade de Medicina do Recife. Com o prematuro falecimento de Ulysses Pernambucano em 1943, deixou a função docente, porém em 1955 voltou a exercê-la já então na qualidade de Pro-fessor Assistente da Clínica Psiquiátrica da mesma escola médica, funcionando então no Hospital D. Pedro II e no qual fundou o Serviço de Eletrencefalografia.

Com sólida formação na medicina clínica geral, dedicou-se particularmente ao estudo da neurologia e da psiquiatria biológica sem tornar-se um intransigente defensor da psiquiatria organicista. Isto fica patente no grande número de traba-lhos científicos que publicou, proporcionando uma visão de sua experiência na prá-tica médica e na pesquisa científica na sua área de atuação. Sem nunca haver en-frentado uma banca de concurso para docente, foi um professor completo, compe-tente e atualizado, eficiente transmissor de conhecimentos para várias gerações de médicos até sua aposentadoria compulsória em 1985. É possível que seu desinte-resse em possuir títulos universitários representasse uma crítica ao artificialismo e ao defeito das técnicas de seleção do pessoal universitário. Um outra característi-ca de Di Lascio era seu gosto pelas atividades associativas. Fundador, com Ulysses Pernambucano, da Sociedade de Neurologia, Psiquiatria e Higiene Mental do Brasil, era Membro Titular da Academia Brasileira de Neurologia (da qual foi membro da Diretoria no biênio 1966-1968) da Sociedade Brasileira de Eletrencefalografia e Neurofisiologia Clínica, da Sociedade Brasileira de Psiquiatria, sócio da Sociedade de Medicina de Pernambuco e integrante da Academia Pernambucana de Medicina. Nos últimos anos estava trabalhando para tornar realidade a Associação de Antigos Alunos da Faculdade de Medicina do Recife.

Todavia, o traço mais marcante de sua personalidade era a retidão de ca-ráter e o senso de cumprimento do dever, características que lamentavelmente estão cada vez mais relegadas no Brasil moderno.

Eis o perfil de um homem, exemplo para as gerações de hoje.

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