6.5 Previsão de Diagnósticos
32Neste parágrafo será analisada mais uma aplicação para o Método de Análise pelo Baricentro (MAB) no auxílio às tomadas de decisão. Ele será aplicado em previsão de diagnósticos, o que não deixa de ser uma tomada de decisão, uma vez que diagnosticar nada mais é do que decidir, entre as opções disponíveis, qual delas é a mais provável ou que se apresenta com maior evidência. A finalidade de mais esta aplicação é mostrar uma variante do MAB e que ele pode ser aplicado mesmo em análise de problemas que envolvem bases de dados bastante grandes.
Para apresentar o processo, focou-se no problema da previsão de um diagnóstico médico, embora o método possa ser aplicado de maneira idêntica para previsão de outros diagnósticos, como de defeitos de máquinas industriais, de aviões, navios, automóveis, caminhões, tratores, etc. Portanto, nesta aplicação, será feita a previsão de diagnósticos de doenças a partir dos sintomas apresentados pelo paciente. Essa previsão se reveste de importância para ser usada, por exemplo, em triagens de grandes hospitais, facilitando o pessoal que ali trabalha a fazer o encaminhamento do paciente ao setor especializado na doença prevista. Evidentemente, não se pretende de modo algum que essa previsão substitua o diagnóstico feito por um médico ou por uma junta médica.
Para o que se pretende, será utilizada uma base de dados formada pelas opiniões de especialistas em medicina, constituída pelos valores da evidência favorável (ou graus de crença) e pelos valores da evidência contrária (ou graus de descrença) que cada especialista médico atribui a cada doença, quando um certo sintoma é apresentado pelo paciente.
___________________________________________________________________________
32 Trabalho apresentado na Seventh International Conference on Computing Anticipatory Systems (CASYS'05), realizada em Liège, Bélgica, de 8 a 13 de agosto de 2005, com o título "Prevision of Medical Diagnostic Based on Paraconsistent Annotated Logic" e publicado no Abstract Book of Seventh International Conference on Computing Anticipatory Systems (CASYS'05). Editor: Daniel M. Dubois. Synposium 7, p. 13-14. Foi escolhido para compor os Proceedings da referida Conferência. (DE CARVALHO; BRUNSTEIN; ABE, 2005b).
Nesta abordagem, para a apresentação do método, serão considerados dados não reais e um conjunto de trinta e duas doenças possíveis D
i(1 ≤ i ≤ 32) (ordenadas de AA até BF), que será relacionado com um outro conjunto de trinta sintomas S
j(1 ≤ j ≤ 30) (ordenados de S
01até S
30), todos não especificados com a realidade.
Tendo-se a base de dados (Tabela 6.16), o processo consiste, primeiramente, em fazer a pesquisa de campo, verificando quais sintomas o paciente apresenta, por meio de uma entrevista feita com ele (anamnese ou anamnésia). Conhecendo-se os sintomas, por meio da aplicação das técnicas de maximização (operador OR) e de minimização (operador AND) da lógica paraconsistente anotada evidencial (Tabela 6.18 – Tabela de cálculos), obtém-se o grau de certeza resultante para cada uma das trinta e duas doenças em decorrência dos sintomas apresentados pelo paciente. O MAB, na tabela de decisão (Tabela 6.17), compara os graus de certeza resultantes para todas as doenças que constam da base de dados, e aquela para a qual o valor é máximo é considerada como a previsão do diagnóstico. A seguir o processo é apresentado com detalhes.
6.5.1 Construção da base de dados
Para a construção da base de dados, especialistas em medicina, principalmente em clínica geral, com experiência em propedêutica e acostumados a fazer a anamnese de pacientes, são chamados a opinarem.
Usando seus conhecimentos, experiências, vivência, sensibilidade, intuição, bom
senso, etc., eles devem atribuir valores da evidência favorável (ou grau de crença) e da
evidência contrária (ou grau de descrença) para cada uma das trinta e duas doenças diante de
cada um dos trinta sintomas, escolhidos para constituir o banco de dados.
Tabela 6.16 – Base de dados: valores das evidências favorável e contrária atribuídos pelos especialistas para as trinta e duas doenças, diante de cada um dos trinta sintomas.
ai,j,1 bi,j,1ai,j,2 bi,j,2 ai,j,3bi,j,3 ai,j,4 bi,j,4 ai,j,1 bi,j,1ai,j,2 bi,j,2 ai,j,3bi,j,3 ai,j,4 bi,j,4 AA S01 0,88 0,04 0,94 0,14 0,84 0,08 0,78 0,03 . . . . . . . . . . . . . . . 0,23 0,87 0,17 AA S02 1,00 0,04 0,95 0,15 1,00 0,10 0,85 0,00 BE S29 0,85 0,10 0,95 0,11 1,00 0,21 0,91 0,15 AA S03 0,90 0,10 0,96 0,20 0,86 0,14 0,80 0,09 BE S30 0,77 0,06 0,87 0,07 0,93 0,17 0,83 0,11 AA S04 0,97 0,14 1,00 0,24 0,93 0,19 0,87 0,13 BE S99 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 AA S05 0,98 0,91 0,02 0,13 0,91 0,88 0,00 0,03 BF S01 0,67 0,38 0,47 0,53 0,57 0,43 0,57 0,43 AA S06 0,65 0,48 0,65 0,38 0,55 0,38 0,55 0,48 BF S02 0,62 0,39 0,52 0,41 0,52 0,43 0,57 0,44 AA S07 0,57 0,43 0,67 0,38 0,47 0,53 0,57 0,43 BF S03 0,19 0,93 0,28 0,98 0,12 1,00 0,14 0,86 AA S08 0,57 0,44 0,62 0,39 0,52 0,41 0,52 0,43 BF S04 0,14 0,92 0,17 0,93 0,01 0,96 0,13 0,81 AA S09 0,14 0,86 0,19 0,93 0,28 0,98 0,12 1,00 BF S05 0,15 1,00 0,18 0,91 0,02 0,94 0,14 0,88 AA S10 0,13 0,78 0,14 0,89 0,17 0,90 0,01 0,93 BF S06 0,99 0,11 0,84 0,01 0,99 0,06 0,94 0,16 AA S11 0,94 0,14 0,84 0,08 0,78 0,03 0,88 0,04 BF S07 0,18 0,02 0,21 0,95 0,05 0,98 0,17 0,83 AA S12 0,95 0,15 1,00 0,10 0,85 0,00 1,00 0,04 BF S08 0,65 0,46 0,55 0,48 0,55 0,50 0,60 0,51 AA S13 0,96 0,20 0,86 0,14 0,80 0,09 0,90 0,10 BF S09 0,93 0,87 0,02 0,02 0,98 0,90 0,04 0,12 AA S14 1,00 0,24 0,93 0,19 0,87 0,13 0,97 0,14 BF S10 0,89 0,06 0,99 0,06 0,89 0,15 0,99 0,15 AA S15 0,02 0,13 0,91 0,88 0,00 0,03 0,98 0,91 BF S11 0,84 0,01 0,99 0,06 0,95 0,16 0,99 0,11 AA S16 0,65 0,38 0,55 0,38 0,55 0,48 0,65 0,48 BF S12 0,81 0,07 0,91 0,08 0,97 0,18 0,87 0,12 AA S17 0,67 0,38 0,47 0,53 0,57 0,43 0,57 0,43 BF S13 0,20 0,98 0,08 1,00 0,06 0,86 0,11 0,93 AA S18 0,62 0,39 0,52 0,41 0,52 0,43 0,57 0,44 BF S14 0,48 0,41 0,48 0,43 0,53 0,44 0,58 0,39 AA S19 0,19 0,93 0,28 0,98 0,12 1,00 0,14 0,86 BF S15 0,48 0,43 0,53 0,44 0,58 0,39 0,48 0,41 AA S20 0,14 0,89 0,17 0,90 0,01 0,93 0,13 0,78 BF S16 1,00 0,04 0,95 0,15 1,00 0,10 0,85 0,00 AA S21 0,84 0,08 0,78 0,03 0,88 0,04 0,94 0,14 BF S17 0,91 0,09 0,97 0,19 0,97 0,13 0,81 0,08 AA S22 1,00 0,10 0,85 0,00 1,00 0,04 0,95 0,15 BF S18 0,93 0,15 0,96 0,25 0,87 0,19 0,81 0,14 AA S23 0,86 0,14 0,80 0,09 0,90 0,10 0,96 0,20 BF S19 0,00 1,00 0,10 0,80 0,90 0,08 1,00 0,15 AA S24 0,93 0,19 0,87 0,13 0,97 0,14 1,00 0,24 BF S20 0,89 0,15 0,99 0,15 0,89 0,06 0,99 0,06 AA S25 0,91 0,88 0,00 0,03 0,98 0,91 0,02 0,13 BF S21 0,93 0,17 0,98 0,12 0,83 0,02 0,98 0,07 AA S26 0,55 0,38 0,55 0,48 0,65 0,48 0,65 0,38 BF S22 0,57 0,44 0,62 0,39 0,52 0,41 0,52 0,43 AA S27 0,47 0,53 0,57 0,43 0,57 0,43 0,67 0,38 BF S23 0,10 0,86 0,15 0,93 0,24 0,98 0,08 1,00 AA S28 0,52 0,41 0,52 0,43 0,57 0,44 0,62 0,39 BF S24 0,13 0,81 0,14 0,92 0,17 0,93 0,01 0,96 AA S29 0,28 0,98 0,12 1,00 0,14 0,86 0,19 0,93 BF S25 0,52 0,44 0,57 0,39 0,47 0,41 0,47 0,43 AA S30 0,17 0,90 0,01 0,93 0,13 0,78 0,14 0,89 BF S26 0,54 0,45 0,64 0,40 0,44 0,55 0,54 0,45 AA S99 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 BF S27 0,98 0,18 0,88 0,12 0,82 0,07 0,92 0,08 AB S01 0,02 0,94 0,14 0,88 0,15 1,00 0,18 0,91 BF S28 1,00 0,24 0,93 0,19 0,87 0,13 0,97 0,14 AB S02 0,99 0,06 0,94 0,16 0,99 0,11 0,84 0,01 BF S29 0,04 0,11 0,93 0,86 0,02 0,01 0,98 0,89 AB S03 0,91 0,09 0,97 0,19 0,97 . . . . . . . . . BF S30 0,55 0,38 0,55 0,48 0,65 0,48 0,65 0,38 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . BF S99 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00
Di Sj E1 E2 E3 E4
Di Sj
E1 E2 E3 E4
No caso, como já foi dito, para a apresentação do método, foram escolhidos trinta e
duas doenças e trinta sintomas. Foram utilizados quatro especialistas (de E
1a E
4), da escolha
do EC. Portanto, a base de dados será constituída de 32 x 30 x 8 = 7.680 dados, apresentados
em uma tabela com 960 linhas e 8 colunas.
Desses 7.680 dados, metade representa valores de evidências favoráveis e outra metade, valores de evidências contrárias. Uma pequena parte da base de dados é mostrada na Tabela 6.16, destacando-se seu início com a doença AA e seu final com a doença BF.
A base de dados completa com as trinta e duas doenças e os trinta sintomas é apresentada no Apêndice B (p.300).
6.5.2 Cálculo do grau de certeza resultante para cada doença em decorrência dos sintomas apresentados pelo paciente
O cálculo do grau de certeza resultante para cada doença, considerando os sintomas apresentados pelo paciente, é feito com o auxílio do MAB. Uma vez conhecidos os sintomas apresentados pelo paciente (S
pj), eles são colocados na coluna 2 da tabela de decisão (Tabela 6.17). A partir daí, o MAB (i) passa os valores dessa coluna para a coluna correspondente das tabelas de cálculo (coluna 2 da Tabela 6.18), (ii) busca as opiniões dos especialistas na base de dados (Tabela 6.16), trazendo-as para a tabela de cálculos (colunas de 3 a 10 da Tabela 6.18), (iii) aplica as técnicas da lógica Eτ e efetua os cálculos (colunas 11 a 18 da Tabela 6.18), obtendo o grau de certeza de cada doença em decorrência de cada sintoma, isoladamente (coluna 17 da Tabela 6.18), e em decorrência de todos os sintomas, conjuntamente (última linha da coluna 17 da Tabela 6.18). Em seguida, o programa (iv) leva esses resultados para a tabela de decisão (coluna 4 da Tabela 6.17) e (v) exibe a doença com maior grau de certeza (coluna 5). É a previsão do diagnóstico.
Como se pode observar, o MAB efetua praticamente tudo, desde a busca dos dados até
a tomada de decisão final. Portanto, a única tarefa a ser feita é alimentá-lo, verificando quais
são os sintomas apresentados pelo paciente e colocando-os na coluna 2 da tabela de decisão
(Tabela 6.17).
Tabela 6.17 – Tabela de decisão, obtida a partir dos sintomas apresentados pelo paciente e dos graus de certeza de cada uma das doenças analisadas.
1 2 3 4 5 6
Sintomas possíveis
Sintomas apresentados
Doenças
possíveis Hcert Doença com maior
evidência a favor 0,60
S01 S01 AA 0,265
S02 S02 AB 0,199
S03 S03 AC 0,035
S04 S05 AD 0,400
S05 S07 AE 0,125
S06 S09 AF 0,526
S07 S12 AG 0,053
S08 S15 AH -0,267
S09 S18 AI 0,259
S10 S22 AJ 0,453
S11 S26 AK 0,213
S12 S30 AL 0,108
S13 S99 AM 0,308
S14 S99 NA 0,452
S15 S99 AO 0,380
S16 S99 AP 0,650 Aceitável
S17 S99 AQ 0,055
S18 S99 AR -0,197
S19 S99 AS 0,330
S20 S99 AT 0,623 Aceitável
S21 S99 AU 0,193
S22 S99 AV 0,108
S23 S99 AX 0,340
S24 S99 AY 0,460
S25 S99 AZ 0,403
S26 S99 AW 0,651 Aceitável
S27 S99 BA 0,070
S28 S99 BB -0,199
S29 S99 BC 0,327
S30 S99 BD 0,656 Doença BD Aceitável
S99 S99 BE 0,429
BF -0,015
Previsão de diagnóstico
Nível de exigência Número de Sintomas = 12 Grau de
certeza
Isso deve ser feito pelo setor de triagem do hospital, por meio de uma entrevista com o paciente. Como exemplo, considere que o paciente apresenta doze sintomas: S
01, S
02, S
03, S
05, S
07, S
09, S
12, S
15, S
18, S
22, S
26e S
30.
Esses sintomas são colocados na coluna 2 da tabela de decisão (Tabela 6.17). A coluna
2, que tem 30 linhas para receber até 30 sintomas, deve ser preenchida com os doze sintomas
apresentados pelo paciente e completada. Para isso, além dos sintomas apresentados pelo paciente (doze, neste exemplo), deve ser colocado S
99nas outras linhas.
Tabela 6.18 – Tabela de cálculos para a doença AA. Calcula o grau de certeza da doença AA (= 0,265), considerando os sintomas apresentados pelo paciente.
1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18
ai,j,1 bi,j,1 ai,j,2 bi,j,2 ai,j,3 bi,j,3 ai,j,4 bi,j,4 ai,j,A bi,j,A ai,j,B bi,j,B ai,j,R bi,j,R Hcert Gcontr AA S01 0,88 0,04 0,94 0,14 0,84 0,08 0,78 0,03 0,94 0,14 0,84 0,08 0,84 0,08 0,76 -0,08 AA S02 1,00 0,04 0,95 0,15 1,00 0,10 0,85 0,00 1,00 0,15 1,00 0,10 1,00 0,10 0,90 0,10 AA S03 0,90 0,10 0,96 0,20 0,86 0,14 0,80 0,09 0,96 0,20 0,86 0,14 0,86 0,14 0,72 0,00 AA S05 0,98 0,91 0,02 0,13 0,91 0,88 0,00 0,03 0,98 0,91 0,91 0,88 0,91 0,88 0,03 0,79 AA S07 0,57 0,43 0,67 0,38 0,47 0,53 0,57 0,43 0,67 0,43 0,57 0,53 0,57 0,43 0,14 0,00 AA S09 0,14 0,86 0,19 0,93 0,28 0,98 0,12 1,00 0,19 0,93 0,28 1,00 0,19 0,93 -0,74 0,12 AA S12 0,95 0,15 1,00 0,10 0,85 0,00 1,00 0,04 1,00 0,15 1,00 0,04 1,00 0,04 0,96 0,04 AA S15 0,02 0,13 0,91 0,88 0,00 0,03 0,98 0,91 0,91 0,88 0,98 0,91 0,91 0,88 0,03 0,79 AA S18 0,62 0,39 0,52 0,41 0,52 0,43 0,57 0,44 0,62 0,41 0,57 0,44 0,57 0,41 0,16 -0,02 AA S22 1,00 0,10 0,85 0,00 1,00 0,04 0,95 0,15 1,00 0,10 1,00 0,15 1,00 0,10 0,90 0,10 AA S26 0,55 0,38 0,55 0,48 0,65 0,48 0,65 0,38 0,55 0,48 0,65 0,48 0,55 0,48 0,07 0,03 AA S30 0,17 0,90 0,01 0,93 0,13 0,78 0,14 0,89 0,17 0,93 0,14 0,89 0,14 0,89 -0,75 0,03 AA S99 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 -1,00 AA S99 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 -1,00 AA S99 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 -1,00 AA S99 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 -1,00 AA S99 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 -1,00 AA S99 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 -1,00 AA S99 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 -1,00 AA S99 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 -1,00 AA S99 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 -1,00 AA S99 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 -1,00 AA S99 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 -1,00 AA S99 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 -1,00 AA S99 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 -1,00 AA S99 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 -1,00 AA S99 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 -1,00 AA S99 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 -1,00 AA S99 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 -1,00 AA S99 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 -1,00 0,712 0,447 0,265 0,158 Resultados Di Sj
Baricentro W: média dos graus resultantes
E4 E1 OR E2 E3 OR E4
Grupo A Grupo B Gr. A Gr. B
A AND B
E1 E2 E3
S
99significa total falta de informação (paracompleteza) sobre os outros sintomas
possíveis, ou seja, significa que, com relação a todos os outros sintomas, os valores da
evidência favorável e da evidência contrária são iguais a zero. De fato, se o paciente não
apresenta qualquer outro sintoma, além dos doze apresentados, esses outros não podem
influenciar na previsão do diagnóstico da doença por ele apresentada.
Além de colocar os sintomas apresentados pelo paciente, a quantidade de sintomas (no caso, doze) deve ser colocada na primeira linha da coluna 3 da Tabela 6.17.
Aqui no corpo do texto, é mostrado apenas um fragmento da tabela de cálculos (Tabela 6.18), ou seja, apenas a tabela de cálculos referente à doença AA. Mas, o programa realiza essa operação para as trinta e duas doenças. A tabela de cálculos completa para as trinta e duas doenças que participam da base de dados está no Apêndice C (p.308).
Para a aplicação das técnicas da lógica paraconsistente anotada, os quatro especialistas escolhidos devem ser distribuídos em grupos, conforme as características dos mesmos. Assim, por exemplo, se um dos especialistas é altamente renomado e conceituado, ele poderá constituir sozinho um grupo; se dois especialistas têm aproximadamente a mesma formação e o mesmo nível de conhecimento e experiência, eles poderão constituir um grupo; etc. Neste trabalho os especialistas estão distribuídos em dois grupos: Grupo A, constituído pelos especialistas E
1e E
2, e Grupo B, constituído pelos especialistas E
3e E
4.
A maximização (operador OR) é aplicada intragrupos, ou seja, dentro do grupo A e do grupo B, e a minimização (operador AND) é aplicada entre grupos, ou seja, entre os resultados obtidos pela maximização aplicada aos grupos A e B. Assim, o esquema que está sendo adotado para aplicar as técnicas da lógica Eτ é o seguinte:
[(E
1) OR (E
2)] AND [(E
3) OR (E
4)] ou [G
A] AND [G
B].
Com isso, são obtidos os graus de evidência favorável e de evidência contrária
resultantes para cada doença, em relação a cada sintoma apresentado pelo paciente (colunas
15 e 16 da Tabela 6.18). Esses valores resultantes, quando plotados no algoritmo para-
analisador, resultam em pontos, cada um deles representando a influência de um sintoma
apresentado pelo paciente na doença considerada. O baricentro desses pontos traduz o efeito
combinado dos doze sintomas apresentados pelo paciente.
A Figura 6.15 representa os efeitos, isolados (doze pontos) e resultante (baricentro) dos sintomas apresentados pelo paciente na doença AA. Representações análogas para todas as demais doenças estão no Apêndice C.
Doença AA
0,00 0,20 0,40 0,60 0,80 1,00 1,20
0,00 0,20 0,40 0,60 0,80 1,00 1,20
Grau de evidência favorável
Grau de evidência contrária
Efeito isolado de cada sintoma
Efeito combinado dos sintomas
Contorno Fronteiras Fronteiras
Figura 6.15 – Efeitos, isolados e resultante, dos doze sintomas apresentados pelo paciente na doença AA.
6.5.3 A obtenção do diagnóstico previsto
A média aritmética (ou ponderada) das anotações resultantes (colunas 15 e 16 da
Tabela 6.18) para cada um dos sintomas dá o valor da evidência favorável (a
W) e da evidência
contrária (b
W) à doença analisada, em decorrência dos doze sintomas apresentados pelo
paciente (última linha das colunas 15 e 16 da Tabela 6.18). Portanto, o valor médio das
evidências favoráveis e o valor médio das evidências contrárias, resultantes da aplicação dos
operadores OR e AND a cada um dos sintomas definem um par ordenado (a
W; b
W) que traduz o efeito conjunto de todos os sintomas apresentados pelo paciente nessa doença. Representado no diagrama cartesiano, esse par ordenado define o centro de gravidade ou baricentro (W) dos pontos que traduzem a influência de cada sintoma, isoladamente, sobre a doença analisada.
Com os graus de evidência favorável e de evidência contrária do baricentro, o MAB calcula o seu grau de certeza (H
cert= a
W– b
W) (última linha, coluna 17, Tabela 6.18).
Para o caso da doença AA, cuja tabela de cálculos foi mostrada (Tabela 6.18), em decorrência dos doze sintomas apresentados pelo paciente, o grau de certeza do baricentro W foi calculado da seguinte forma:
H
cert= a
W– b
W= 0,712 – 0,447 = 0,265
Observe-se que o processo de previsão pode tornar-se mais refinado, pela atribuição de pesos aos sintomas de acordo com sua "força" como indicador de cada uma das doenças relacionadas. Neste caso, o baricentro seria obtido pela média ponderada (e não aritmética) dos valores resultantes da evidência favorável (graus de crença) e da evidência contrária (graus de descrença). Entretanto, considerando que se trata de fazer apenas uma previsão e que a idéia é usar o resultado somente para o encaminhamento do paciente ao setor especializado do hospital, julgou-se que esse refinamento não era necessário neste exemplo de aplicação do MAB.
Os graus de certeza de todas as doenças decorrentes de todos os sintomas apresentados
pelo paciente são levados pelo próprio MAB da Tabela 6.18 (última linha, coluna 17) para a
Tabela 6.17 (colunas 4). Então, o método compara entre si esses valores e escolhe a doença
que apresenta maior grau de certeza, que é considerada a previsão do diagnóstico. Ela é
mostrada na coluna 5 da Tabela 6.17. Neste exemplo, a previsão de diagnóstico é a doença
BD.
A Figura 6.16 mostra o efeito resultante dos doze sintomas apresentados pelo paciente nas trinta e duas doenças consideradas. Ou seja, cada ponto do diagrama da Figura 6.16 é um baricentro que representa o efeito dos doze sintomas em uma doença. Eles são obtidos da mesma maneira que se obteve o baricentro AA na Figura 6.15.
Algoritmo para-analisador
AA
0,000 0,200 0,400 0,600 0,800 1,000 1,200
0,000 0,200 0,400 0,600 0,800 1,000 1,200
Grau de evidência favorável
Grau de evidência contrária
Doenças Contorno Fronteiras Fronteiras
BD
Figura 6.16 – Localização dos trinta e dois baricentros, que traduzem a influência combinada dos doze sintomas apresentados pelo paciente nas trinta e duas doenças consideradas.