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21. 9ª SESSÃO ORDINÁRIA CETRAN/RJ – PUBLICAÇÃO.
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PARECER
Senhor Presidente, cumprindo determinação exarada nas folhas nº dos processos E-12/134.025/2012 e E-12/343786/2012 , foram analisadas as consultas formuladas respectivamente pelo Gabinete do Comando Geral e pelo 34º Batalhão de Polícia Militar. Ambas as OPM externaram o seguinte questionamento: Seria a Polícia Militar obrigada a conduzir os veículos retidos e removidos para o depó-sito público munícipe ?
Neste contexto, urge abordar alguns aspectos constitucionais:
O artigo 22, inciso XI, da Constituição Federal de 1988, dispõe que: "Compete privativamen-te à União legislar sobre trânsito e transporprivativamen-te". A primeira necessária explicação ao que nos interessa é que a competência privativa difere da competência exclusiva para legislar. Enquanto esta é indelegável, aquela pode ser delegada, fato que se confirma no próprio texto da Carta Magna, já que o parágrafo único do mesmo dispositivo estabelece que "Lei complementar poderá autorizar os Estados a legislar sobre questões específicas das matérias relacionadas neste artigo".
Essa previsão constitucional permitiu que o Congresso Nacional, após elevada discussão, ti-vesse prolatado o Código de Trânsito Brasileiro, com validade para todo o território nacional, tendo sido instituído por uma Lei Federal, de nº 9.503, promulgada em 23/09/97, Aliás, outra não é a tônica do artigo 1º do CTB, ao estabelecer que "O trânsito de qualquer natureza nas vias terrestres do território nacional, abertas à circulação, rege-se por este Código.”
Faz-se importante ressaltar que o próprio texto do Código de Trânsito Brasileiro, como foi citado no ofí-cio 3092/2501- 2012 do Gabinete do Comando Geral, no seu artigo 271 dispõe: “Art. 271. O veículo será removido, nos casos previstos neste Código, para o depósito fixado pelo órgão ou entidade competente,
com circunscrição sobre a via.
Parágrafo único. A restituição dos veículos removidos só ocorrerá mediante o pagamento das multas, taxas e despesas com remoção e estada, além de outros encargos previstos na legislação específica.”
É evidente que o município, através de seu órgão executivo de trânsito, possui a faculdade de fixar a localização de seus depósitos, contudo não possui a envergadura para elaborar norma obrigando os órgãos estaduais a fazer ou deixar de fazer. Para tanto, o legislador local, assim estabeleceu na lei nº 1569 de 05 de março de 2008:
“ Art. 1º Todos veículos apreendidos no Território de São João de Meriti, em razão de infração de trânsito,
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§1º. O descumprimento desta Lei ensejará na comunicação à autoridade superior do agente responsável pelo ato, visando a punição disciplinar administrativa ou outra cabível na espécie.
§2º. Sejam comunicados, imediatamente após a publicação, à Secretaria Estadual de Segurança Pública, ao Comandante Geral da Polícia Militar, a Chefia de Polícia, à Secretaria Municipal de Segurança Públi-ca, ao Comandante do 21ºBPM, ao Delegado Titular da 64º DP e ao Diretor do DETRAN-RJ.
Art.2º. Esta Lei entrará em vigor na data de sua publicação, revogadas as disposições em contrário.” Ao executar uma observação mais acurada verifica-se que o legislador munícipe utilizou a
expressão “veículos apreendidos”, não abrangendo os veículo removidos ou retidos.
A apreensão consiste em uma penalidade, não sendo possível de ser adotada pelo Agente de Trânsito, no caso concreto, pelo policial militar, visto que a Polícia Civil não está inserida no Sistema Na-cional de Trânsito . Com o objetivo de melhor possibilitar a compreensão da dita penalidade preconizada no CTB, transcreve-se:
“Art. 256. A autoridade de trânsito, na esfera das competências estabelecidas neste Código e dentro de
sua circunscrição, deverá aplicar, às infrações nele previstas, as seguintes penalidades:
I - advertência por escrito; II - multa;
III - suspensão do direito de dirigir; IV - apreensão do veículo;
V - cassação da Carteira Nacional de Habilitação; VI - cassação da Permissão para Dirigir;
VII - frequência obrigatória em curso de reciclagem.”
A leitura do texto induz a seguinte pergunta: Quem seria a autoridade de trânsito? O Anexo I do
CTB a define como “dirigente máximo de órgão” executivo de trânsito do Sistema Nacional de Trânsito.
Com certeza não se trata de medidas administrativas que possam ser adotadas pelo Agente da Autoridade de Trânsito.
Em se tratando de penalidade, não pode ser aplicada sem o devido processo legal, cuja inexistên-cia implicaria em violação dos princípios da ampla defesa e do contraditório. A matéria foi apreinexistên-ciada pelo Órgão Máximo de Trânsito do Estado do Rio de Janeiro, através do Parecer CETRAN 01/2005, o qual menciona a CONSTITUIÇÃO FEDERAL ─ “Art. 5º.:“LIV - ninguém será privado da liberdade ou de seus bens sem o devido processo legal; LV - aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e a ampla defesa, com os meios e recursos a ela
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É oportuno relembrar que os valorosos órgãos do Poder Judiciário e do Ministério Público têm manifestado reiteradas vezes o seu posicionamento quanto à ilegalidade das decisões alcançadas em processos administrativos, a cujos acusados não foram assegurados o exercício dos ditos princípios consti-tucionais.
Outrossim, adentrando ainda mais no mérito, a penalidade de apreensão foi regulamentada
pelo Conselho Nacional de Trânsito, em razão da Resolução 53 do CONTRAN, de 21 de maio de 1998, ainda em vigência. Os procedimentos e os prazos de custódia dos veículos apreendidos em razão de pena-lidade aplicada estão estabelecidos por essa norma reguladora.
Pode-se inferir ainda que, no texto legal, foi empregada outra incongruência, ou seja: “ To-dos veículos apreendidos no Território de São João de Meriti, em razão de infração de trânsito, deverão
ser encaminhados ao Depósito Público Municipal de São de Meriti”, independente de qual instituição t
e-nha atuado na apreensão de veículos mencionando no parágrafo 2º a Polícia Civil, dentre outras institui-ções. Ora, a supramencionada instituição não possui competência administrativa para remover ou reter ve-ículos por infrações de trânsito, visto que não está inserida no Sistema Nacional de Trânsito, como já foi abordado, carecendo porém, da transcrição do artigo 7º do CTB, que diz:
“Art. 7º. Compõem o Sistema Nacional de Trânsito os seguintes órgãos e entidades:
I - o Conselho Nacional de Trânsito - CONTRAN, coordenador do Sistema e órgão máximo normativo e consultivo;
II - os Conselhos Estaduais de Trânsito - CETRAN e o Conselho de Trânsito do Distrito Federal - CON-TRANDIFE, órgãos normativos, consultivos e coordenadores;
III - os órgãos e entidades executivos de trânsito da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municí-pios;
IV - os órgãos e entidades executivos rodoviários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Muni-cípios;
V - a Polícia Rodoviária Federal;
VI - as Polícias Militares dos Estados e do Distrito Federal; e VII - as Juntas Administrativas de Recursos de Infrações - JARI.”
Pela da lei, pode-se entender que a Polícia Civil somente possui a devida competência legal para a apreensão de veículos oriundos e/ou envolvidos com ilícitos penais, objetivando a persecução
cri-minal, em conformidade com legislação adjetiva brasileira, em seu artigo 6º a Codificação de Processo Pe-nal, que dispõe:
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I - se possível e conveniente, dirigir-se ao local, providenciando para que se não alterem o estado e con-servação das coisas, enquanto necessário;
II - apreender os instrumentos e todos os objetos que tiverem relação com o fato;
I - dirigir-se ao local, providenciando para que não se alterem o estado e conservação das coisas, até a
chegada dos peritos criminais;”
No caso específico, os veículos serão conduzidos para o pátio da 64ª DP ou outro lugar de-signado pela autoridade de polícia judiciária. Evidencia-se com clareza solar, expressão utilizada pelo eminente ministro Marco Aurélio de Mello, até aqui já demonstrada, a inaplicabilidade do texto oriundo do legislativo munícipe.
Retornando à abrangência legal da atuação da Polícia Militar no exercício da polícia ostensiva de trânsito, faz-se cogente, a meu juízo, efetuar-se uma incursão na missão constitucional da bis-secular Corporação, assunto amplamente tratado no Parecer CETRAN 04/2010, do qual se transcreve um breve trecho:
“O Parecer GM 25 diz: “Assim sendo, mereceram recepção pela Carta atual os atos nor-mativos federais que, em lhe sendo anteriores, tiveram (e têm) em mira as Polícias Militares, ontem e hoje
"forças auxiliares e reserva do Exército", conquanto subordinadas aos Governadores dos Estados e do
Distrito Federal. Dentre esses atos, relevam o Decreto-lei nº 667, com a letra que lhe conferiu aquele de nº 2 010, de 1 983, e o Decreto nº 88 777, em seguida editado (30.9.83), pelo qual se aprovou o "
Regulamen-to para as Polícias Militares e Corpos de Bombeiros Militares (R-200)"; sobre um e outro, cabem as
ano-tações a seguir.”
No Decreto-Lei nº. 2 010, de 1983 pode-se efetuar a seguinte leitura:
“a) executar com exclusividade, ressalvadas as missões peculiares das Forças Armadas, o policiamento
ostensivo, fardado, planejado pela autoridade competente, a fim de assegurar o cumprimento da lei, a
manutenção da ordem pública e o exercício dos poderes constituídos;
b) atuar de maneira preventiva, como força de dissuasão, em locais ou áreas específicas, onde se presuma
ser possível a perturbação da ordem;
c) atuar de maneira repressiva, em caso de perturbação da ordem, precedendo o eventual emprego das
Forças Armadas;”
As polícias militares no Brasil possuem a atribuição de " manutenção da ordem pública e segurança
interna", e devem assegurar ─ o "cumprimento da lei", e do "exercício dos poderes constituídos".
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Para tanto, atua no policiamento ostensivo, de modo preventivo e repressivo. De forma preventiva
an-tes da perpetuação dos ilícitos; de forma repressiva, reprimindo delinquenan-tes, com a prisão, toda vez que a ordem jurídica for violada.
É conveniente e oportuno ressaltar importantes aspectos contidos no "Regulamento para as Polícias
Militares e Corpos de Bombeiros Militares (R-200)" (aprovado pelo Decreto nº. 88777, de setembro de 1983), por meio dos seguintes excertos: “Manutenção da Ordem Pública: é o exercício dinâmico do Poder de Polícia, no campo da segurança pública, manifestado por atuações predominantemente ostensi-vas, visando a prevenir, dissuadir, coibir
ou reprimir eventos que violem a ordem pública;
- Policiamento Ostensivo: ação policial, exclusiva das Polícias Militares, em cujo emprego o homem ou a fração de tropa engajados sejam identificados de relance, quer pela farda, quer pelo equipamento, ou viatura, objetivando a manutenção da ordem pública.."
Os aspectos e os conceitos existentes na legislação anterior, editados em 1983, não podem colidir
com o artigo 144 de nossa atual Carta máxima. Assim sendo, crê-se útil afirmar que a dita a segurança pú-blica é exercida "para a preservação da ordem pública", e para a preservação "da incolumidade das
pes-soas e do patrimônio".
De seguida, a Advocacia Geral da União faz referência aos diversos níveis da segurança pú-blica — político, judicial e policial — e sobre esse último, diz: "O nível policial de segurança pública se
cinge à preservação da ordem pública, tal como em doutrina se conceitua, acrescentando, todavia, o art. 144, caput, da Constituição, a "incolumidade das pessoas e do patrimônio". São, portanto, extensões
coerentes do conceito e que até o reforçam, na medida em que assimilam as violações à incolumidade pes-soal e patrimonial na ruptura de convivência pacífica e harmoniosa."(Sublinhou-se.)
Observando a função das Polícias Militares na preservação (e no restabelecimento) da or-dem pública, contém o art. 144 da Carta federal as fases do exercício, pelo Estado, do seu poder de polí-cia, para frisar, de forma fulgente, a competência das Polícias Militares, inclusive a residual. No intento, disserta:
— " Preservação e restabelecimento policial-militar da ordem pública:
A competência residual, da policia-militar: caberá sempre que não for o caso da preservação e restabelecimento policial da ordem pública de atribuição peculiar e promulgada dos demais órgãos po-liciais do Estado.”
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Surge, então, aqui, uma dúvida: por que o legislador constitucional se referiu apenas à "preservação", no art. 144, caput, e seu § 5º, e omitiu o "restabelecimento", que menciona no art. 136, caput:
“Art. 136 - O Presidente da República pode, ouvidos o Conselho da República e o Conselho de Defesa
Nacional, decretar estado de defesa para preservar ou prontamente restabelecer, em locais restritos e de-terminados, a ordem pública ou a paz social ameaçadas por grave e iminente instabilidade institucional ou atingidas por calamidades de grandes proporções na natureza.”
Não se observa em tal contexto omissão, porém, outra vez, uma ênfase. A preservação é suficien-temente elástica para conter a atividade repressiva, desde que imediata.
De tal sorte, que existe uma predominância de prevenção da palavra preservação, enquanto a celeu-ma se contiver a nível policial, a repressão deve caber aos mesmos órgãos encarregados da preservação e sob sua inteira responsabilidade.
Para maior clareza, se tem preferido, por isso, sintetizar as duas idéias na palavra manutenção, daí alguns autores entenderem até mais adequada a expressão "polícia de manutenção da ordem pública". Essa atuação, por fim, obedece rigorosamente à partilha federativa entre as polícias militares estadu-ais, do Distrito Federal e dos Territórios (essas, corporações federais).
Ainda sobre a expressão “polícia ostensiva”:
Consiste em uma inovação, não só no texto constitucional como na nomenclatura da especialidade. No parecer, o ex-presidente do STF informa: “foi adotada por dois motivos: o primeiro, já aludido, de es-tabelecer a exclusividade constitucional e, o segundo, para marcar a expansão da competência policial
dos policiais militares, além do "policiamento" ostensivo”.
O policiamento equipara-se à fiscalização, constituindo-se somente uma fase da atividade de polícia. O Estado opera, no exercício de seu poder de polícia, em quatro fases: a ordem de polícia, o con-sentimento de polícia, a fiscalização de polícia e a sanção de polícia. As fases serão conceituadas:
“A ordem de polícia se contém num preceito, que, necessariamente, nasce da lei, pois se trata de
uma reserva legal (art. 5º, II), e pode ser enriquecido discricionariamente, consoante as circunstâncias, pela Administração. ...
O consentimento de polícia, quando couber, será a anuência, vinculada ou discricionária, do Estado com
a atividade submetida ao preceito vedativo relativo, sempre que satisfeitos os condicionamentos exigidos.
...
A fiscalização de polícia é uma forma ordinária e inafastável de atuação administrativa, através da qual
se verifica o cumprimento da ordem de polícia ou a regularidade da atividade já consentida por uma li-cença ou uma autorização. A fiscalização pode ser ex officio ou provocada. No caso específico da atuação
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Finalmente, a sanção de polícia é a atuação administrativa auto-executória que se destina à repressão da
infração. No caso da infraçãoà ordem pública, a atividade administrativa, auto-executória, no exercício
do poder de polícia, se esgota no constrangimento pessoal, direto e imediato, na justa medida para
res-tabelecê-la.”
Como se disse, o policiamento corresponde apenas à atividade de fiscalização; por esse motivo, a expressão utilizada, polícia ostensiva, amplia a performance das Polícias Militares à totalidade das fases do exercício do poder de polícia.
O adjetivo "ostensivo" tem referencia à ação de dissuasão, característica do policial fardado e ar-mado, reforçada pelo aparato militar utilizado, que evoca o poder de uma corporação eficientemente unifi-cada pela hierarquia e disciplina.
O mestre Álvaro LAZZARINI, citado no Parecer 25, ilustra que no tocante à preservação da ordem pública, às Polícias Militares não só cabe o exercício da polícia ostensiva, na forma retro examinada, co-mo também a competência residual de exercício de toda atividade policial de segurança pública não atri-buída aos demais órgãos.
No desempenho de suas atribuições as Polícias Militares consistem numa instrumentalização do poder de polícia do Estado. A designação poder de polícia, como já citamos no Parecer CETRAN 04/2010, teve sua origem, segundo Caio Tácito, no exercício jurisdicional norte americano no caso Browm x Maryland.
Para CRETELA JÚNIOR (1981, p.268) consiste na“ faculdade discricionária da administração de limitar, dentro da lei, a liberdade individual ou coletiva em prol do interesse público.”
O mestre ensina que, tendo como origem os poderes residuais dos Estados-membros, o Police Power passou a exprimir a competência legislativa estadual para regular direitos privados em benefício do interes-se coletivo.
O Estado possui supremacia sobre seus administrados, situação jurídica que lhe faculta restringir di-reitos em benefício da coletividade.
Esse domínio denomina-se poder de polícia, que possui várias definições doutrinárias no Direto Bra-sileiro. Antes de apresentá-las, será citado o único texto legal que contém a expressão. Lei nº. 5.172 e 25 de outubro 1966(Código Tributário Nacional):
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MOREIRA NETO (1987, p. 119) define poder de polícia como: “a atividade administrativa do
Esta-do que tem por fim limitar e condicionar o exercício das liberdades e direitos individuais, visanEsta-do assegu-rar, em nível capaz de preservar a ordem pública, o atendimento de valores mínimos da convivência social, notadamente a segurança, a salubridade, o decoro e a estética.”
MEIRELLES (1987, p.147) quando aborda os poderes administrativos, destaca o poder de polícia administrativa, conceituando-a como “a faculdade” de que dispõe a administração pública para condicionar e restringir o uso e gozo de bens, atividades e direitos individuais, em benefício da coletividade ou do pró-prio Estado.
O autor ao descrever sobre ato de polícia, conclui:
“Discricionariedade– traduz-se na livre escolha, pela administração da oportunidade e
conveniên-cia de exercer o poder de políconveniên-cia, bem como de aplicar as sanções e empregar os meios conducentes a atingir o fim colimado, que é a proteção de algum interesse público. Não se confunde, porém ato discricio-nário com ato arbitrário, aquele é legítimo se contiver nos limites da lei; este é sempre ilegal, por desbor-dante da lei.
Auto-executorieade– É a faculdade de administração julgar e executar diretamente a sua decisão,
por seus próprios meios, sem intervenção do Poder Judiciário. Reafirmamos que o ato de Polícia Adminis-trativa é, em regra, discricionário, mas passa a ser vinculado se a norma legal que o rege estabelecer o modo e a forma de sua realização. Neste caso, a autoridade só poderá praticá-lo, validamente, atendendo a todas exigências da lei ou do regulamento pertinente.
Coercibilidade– é a imposição coativa das medidas adotadas pela administração. Realmente, todo
ato de polícia é imperativo para seu destinatário, admitindo até mesmo o emprego de força pública para o seu cumprimento, quando resistido pelo administrado, mas, todavia não legaliza a violência desnecessária ou desproporcional à resistência oferecida. Em tal caso, a conduta do mandante pode caracterizar-se em excesso de poder e
Abuso de autoridade, ensejadas de responsabilidade administrativa, civil ou criminal, para o agente arbitrário”.
O Poder de Polícia consiste, portanto, na faculdade da administração Pública de restringir gozo e liberdade individuais em razão da coletividade. A própria existência de normas de trânsito já impacta na necessidade de o Estado disciplinar e tornar mais rápido, seguro e eficiente o deslocamento de pedestres e condutores de veículos.
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Segundo MEIRELLES, (1987, p. 51), “Estado é constituído por três elementos originários e indissolúveis:
“Povo– componente humano do Estado;
Território: A sua base física;
Governo Soberano: É o elemento condutor do Estado que detém e exerce o poder absoluto de
autodeter-minação auto-organização emanada do povo.”
É importante elucidar que em nossa pátria existem 03(três) formas de Estados: União, Estado-Membro e Estado-Município.
Após nos socorrermos do Parecer CETRAN 04/2010 para efetuar o esclarecimento sobre os seguintes temas: a missão constitucional das Polícias Militares, poder de polícia e conceito de Estado, volveremos ao presente Parecer, na tangência de sua essência em analisar à luz da legislação de constitucional de trânsito de renomados doutrinadores, se a autonomia do Estado-Membro teria sido lesionada pelo município. Em sua obra MORAES ( 2012 p. 285) afirma sobre Autonomia estadual: “A autonomia dos Estados-membros caracteriza-se pela denominada tríplice capacidade de auto-organização, e normatização pró-pria, autogoverno e autodeterminação.”
O mestre, sobre Auto-organização e normatização própria, coloca que os Estados-membros se
au-to- organizam através do exercício de seu poder constituinte derivado decorrente, fundamentado na elabo-ração das respectivas Constituições Estaduais e, também na edição de sua própria legislação, em conformi-dade com o artigo 25 da CF:
“Art. 25. Os Estados organizam-se e regem-se pelas Constituições e leis que adotarem, observados os
princípios desta Constituição.
§1º. São reservadas aos Estados as competências que não lhes sejam vedadas por esta Constituição. §2º. Cabe aos Estados explorar diretamente, ou mediante concessão, os serviços locais de gás canali-zado, na forma da lei, vedada a edição de medida provisória para a sua regulamentação.
§3º. Os Estados poderão, mediante lei complementar, instituir regiões metropolitanas, aglomerações urbanas e microrregiões, constituídas por agrupamentos de municípios limítrofes, para integrar a organi-zação, o planejamento e a execução de funções públicas de interesse comum.”
O insigne jurista conclui que não se pode colidir a legislação estadual com os princípios da Carta Magna pátria.
Em relação a autonomia estadual também se caracteriza pela Autogoverno, uma vez que é o
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Finalmente o autor explica Autodeterminação, complementando a tríplice capacidade garantidora
da autonomia dos entes federados. Os Estados membros se autoadministram no exercício de suas compe-tências administrativa, legislativa e tributária definidas constitucionalmente. Salienta-se que está implícito no exercício de competência tributária a existência de um mínimo de recursos financeiros, obtidos direta-mente através de sua própria competência tributária.
Do texto, pode-se concluir que a lei munícipe nº 1569 de 05 de março de 2008, definindo como in-fração disciplinar no seu parágrafo 1º a conduta de servidor estadual, consiste em violação da Autonomia do Estado do Rio de Janeiro, especificamente violação na capacidade de autoadministração.
Já existe reconhecida matéria prolatada pelo Supremo Tribunal Federal no que se refere à competên-cia suplementar de um município para legislar sobre trânsito e transporte, com imposição de sanções mais gravosas que aquelas previstas no Código de Trânsito Brasileiro.
A questão foi discutida no Recurso Extraordinário com Agravo (ARE 639496) analisado pelo Ple-nário Virtual do Supremo Tribunal Federal (STF). O agravo foi interposto pela Autarquia Municipal de Trânsito e Transporte de Contagem - MG (Transcon) contra decisão do Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais que negou o processamento de Recurso Extraordinário.
A Transcon alegava violação ao artigo 30, incisos I e V, da Constituição Federal, e afirmava que a decisão de inconstitucionalidade do artigo 7º, da Lei Municipal nº 3.548/02, pela Corte Superior do TJ-MG
“não possui efeito vinculante”. Também argumentava a autora do recurso que os municípios têm comp e-tência para legislarem sobre assuntos de interesse local, dentre eles o de transporte coletivo, de caráter es-sencial, pretendendo, portanto a reforma da decisão recorrida.
O Supremo corroborou a existência de repercussão geral da questão constitucional levantada, existindo a derrota dos Ministros Marco Aurélio e Ayres Brito. No mérito, a Corte reafirmou a jurisprudên-cia dominante sobre a matéria.
Ou seja, há no Supremo Tribunal Federal, decisão específica sobre o tema em voga, no senti-do da inconstitucionalidade de norma municipal que impõe sanção mais gravosa que a prevista no CTB, nos seguintes termos:
“por extrapolar a competência legislativa suplementar do município expressa no artigo 30, inciso II, da
Constituição Federal”.
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Art. 30. Compete aos Municípios: I - legislar sobre assuntos de interesse local;
V - organizar e prestar, diretamente ou sob regime de concessão ou permissão, os serviços públicos de in-teresse local, incluído o de transporte coletivo, que tem caráter essencial;
É conveniente e oportuno, todavia, aduzir que o lastro discricionário inserido na essência da
atribui-ção constitucional da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro não pode servir de escudo para justificar a adoção de uma medida administrativa que viole o interesse público, visto que a razão de ser do Poder de Polícia consiste no interesse público.
Do exposto, regressa-se ao cerne do primórdio questionamento: Seria a Polícia Militar obrigada a conduzir os veículos retidos e removidos para o depósito público munícipe?
Apesar de não haver eficácia de aplicação da Lei do município de São João de Meriti nº 1569 de 05 de março de 2008, o policial militar, no exercício da polícia ostensiva de preservação da ordem pública, deve buscar a remoção ou retenção de veículos nas infrações de competência do Estado, sempre que possí-vel, para Depósitos Públicos de veículos próximos aos locais onde foram lavrados os respectivos Autos de Infrações. É legítimo, em Caso de não existirem vagas em galpões próximos, o deslocamento para Depósi-tos Públicos localizados em municípios vizinhos.
E ainda, buscando a expansão da indagação do Comandante do 34º. BPM :
O PM poderá utilizar de um reboque que não foi contratado pelo DETRAN para deslocar um veículo para um Depósito em razão de remoção ou retenção?
E respondo: O texto da Lei nº 12.760 de 20 de dezembro de 2012 acresceu na redação do artigo 262 do CTB, o seguinte parágrafo:
“§ 5o O recolhimento ao depósito, bem como a sua manutenção, ocorrerá por serviço público
executado diretamente ou contratado por licitação pública pelo critério de menor preço.”
O texto corrobora a competência do Órgão Executivo de Trânsito para executar o serviço de recolhimento (retenção ou remoção) de veículos aos depósitos, diretamente ou mediante contratação de serviços particulares, cabendo portanto a Polícia Militar quando atuar em conjunto com o DETRAN conduzir um veículo utilizando-se de reboques e dos Depósitos conveniados pelo mencionado Órgão Executivo de Trânsito, mesmo que os Depósitos públicos não sejam localizados nos municípios onde ocorreu a infração geradora .
Há que se ressaltar que, a Corporação no exercício de suas atribuições constitucionais no ato de po-lícia, lastreado pela discricionariedade, autoexecutoriedade e coercibilidade, objetivando a preservação da ordem pública, e por consequência o interesse público, não está obrigada a atuar com reboques convenia-dos com o DETRAN. Afora o aspecto doutrinário mencionado, o legislador de trânsito propiciou a facul-dade decisão para o Agente sobrepor a normas de trânsito, quando disse: “Art. 89. A sinalização terá a
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I - as ordens do agente de trânsito sobre as normas de circulação e outros sinais; II - as indicações do semáforo sobre os demais sinais;
III - as indicações dos sinais sobre as demais normas de trânsito.”
Ou seja, o Policial Militar possui a faculdade de remover ou reter em veículos com utilização de reboques distintos, desde que o serviço seja público ou objeto de licitação, bem como, poderá adotar as medidas administrativas de retenção ou remoção através da condução do veículo por policial militar devidamente habilitado para tal, observando as devidas cautelas legais e sempre que possível, reitero, em ambos os casos, buscando um depósito público conveniado, autorizado, registrado junto ao Órgão Executivo de Trânsito Estadual, sendo portanto passível de receber veículos oriundos de infração de competência do estado, mais perto do local da infração, ou seja, atendendo sempre o interesse público.
Em último termo, conjecturando um enfoque mais maturado, consiste ato legal, em situações excepcionais e ou caso fortuito, no exercício da polícia ostensiva e na preservação da ordem pública, o Policial Militar promover a remoção ou retenção de veículos a quaisquer depósitos independente de sua localização.
É o meu Parecer
Rio de Janeiro em 13 de março de 2013
Cel. PM ANTÔNIO UOSTOM BORGES GERMANO
Conselheiro ─ Representante da PMERJ.
(Nota nº 0525 – 15 maio 2013 - GCG)
22. VIAGEM À SERVIÇO DA CORPORAÇÃO - AUTORIZAÇÃO – PUBLICAÇÃO.
O Comandante Geral, no uso de suas atribuições legais, autoriza o CEL PM RG 43.557 SEBASTIÃO JOSÉ DE ALCÂNTARA NETO, Assessor Parlamentar da PMERJ, a viajar a serviço da Corporação, com destino ao Espírito Santo, no dia 17 de maio de 2013, a fim de representar este Comando Geral na Cerimônia de Assunção de Comando Geral da Polícia Militar do Espírito Santo.
O Policial Militar supracitado não será alojado ou alimentado por qualquer órgão civil ou militar e todos os deslocamentos serão com ônus para Corporação.
Providenciem a DP/PMERJ e DOr no que lhes couber e a APar quanto a confecção Processo de Viagem.