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Niliane Cunha de Aguiar Mestra em Ciência da Informação Professora do Curso de Biblioteconomia Universidade Federal de Sergipe [email protected]

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Resumo

Este estudo apresenta um levantamento bibliográfico das obras da professora Doutora Kelley Cristine Gonçalves Dias Gasque acerca da competência informacional. Diante da observação de que a autora op-tou pela utilização do termo letramento informacional, realizou-se uma pesquisa a partir de suas publica-ções relativas a este tema disponibilizadas em seu Currículo Lattes, ressaltando àquelas que utilizavam o termo no título ou nas palavras-chave. Observou-se que a autora oferece significativas contribuições para o discurso da competência e letramento informacional, apresentando importantes reflexões conceituais e práticas, abordando também o contexto educacional brasileiro e a pesquisa em Ciência da Informação.

Palavras-chave

Competência Informacional. Gasque, Kelley Cristine Gonçalves Dias. Letramento Informacional.

1 INTRODUÇÃO

Compreender a trajetória de uma pesquisadora como a da Professora Douto-ra, Kelley Cristine Gonçalves Dias Gasque, é um grande desafio, pois significa mais do que simplesmente identificar suas relações conceituais e teóricas, pois implica uma re-flexão sobre a própria evolução da Ciência da Informação no contexto brasileiro.

A professora adjunta da Universida-de Universida-de Brasília, conforme apresenta a Plata-forma Lattes, possui Mestrado e Doutorado em Ciência da Informação pela Universidade de Brasília (concluídos em 2003 e 2008 res-pectivamente); especialização em Literatura Brasileira pela Universidade Católica de Bra-sília (concluída em 1999) e graduação em Biblioteconomia e Documentação pela Uni-versidade de Brasília (concluída em 1996).

Sua experiência abrange a Ciência da Informação e a Educação, atuando nos te-mas: Letramento informacional; Comunica-ção cientifica; Comportamento informacio-nal (Estudos de usuários); Aprendizagem; Leitura; Formação de professores; Bibliote-cas escolares e Objetos de aprendizagem.

Neste trabalho serão abordadas as contribuições de Gasque para o discurso da Competência Informacional no Brasil, por meio da análise de conteúdo de suas publi-cações, com o objetivo de compreender a evolução teórica da autora, suas influências (autores que mais cita) e os principais con-ceitos por ela elaborados.

2 O DISCURSO DA COMPETÊNCIA INFORMACIONAL NO BRASIL

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ex-pressão information literacy que surgiu na dé-cada de 1970 nos Estados Unidos e que se-gundo Vitorino e Piantola (2009), tem sido alvo de intensas discussões já que historica-mente de acordo com as autoras, se entende literacy apenas como nível básico de aquisição de habilidades, mais especificamente, de leitura e de escrita (letramento).

Porém, a expressão foi usada origi-nalmente para designar habilidades para lidar com a tecnologia da informação, isto é, com computadores e redes eletrônicas, explica Campello (2009).

Assim, no Brasil, conforme explicam Vitorino e Piantola (2009), o termo começou a ser utilizado a partir do ano 2000 com al-gumas variações de tradução para a língua portuguesa gerando também algumas con-trovérsias: competência em informação, letramento informacional e alfabetização em informação.

Os autores brasileiros considerados por Dudziak (2001) como precursores da information literacy no Brasil, são, dentre ou-tros, Alves (1992), Breglia (1986), Cerdeira (1975), Flusser (1982), Milanesi (1986), Oba-ta (1990) e Perroti (1999).

Campello e Abreu (2005) também acrescentam como pioneiros Caregnato (2000) e Hatschbach (2002). Atualmente pode-se destacar nessa linha de pesquisa, dentre outros: Campello (2008), Freire (2007), Gasque (2012), Belluzzo (2008) e Dudziak (2010).

Dudziak (2003), declara que as pes-quisas sobre o tema vêm crescendo na área de Ciência da Informação, mas segundo Vitorino e Piantola (2009, p. 134), o Brasil no que se refere às pesquisas neste contexto e sobre esta temática, esta localizado ainda na primeira fase “caminhando a passos cur-tos, mas sólidos, para a fase experimental, ainda bastante modesta no cenário brasilei-ro”. Assim,

hoje, a ideia inicialmente aceita de que a competência informacional consiste essencialmente em conjun-to de habilidades individuais ligadas à manipulação da informação em um suporte digital constitui apenas uma das muitas dimensões

sugeri-das pelo termo, que vem crescendo em complexidade à medida que as pesquisas sobre o tema evoluem (VITORINO; PIANTOLA, 2009, p. 135).

A partir dos diversos pontos de vista em que a abordagem da competência infor-macional foi apresentada por meio de teori-as, definições e modelos observa-se que as ideias em geral se encontram em algum momento inseridas nas concepções estabele-cidas por Dudziak (2002) para o estudo da competência informacional: concepção da informação (ênfase na tecnologia da infor-mação), concepção cognitiva (ênfase nos processos cognitivos) e concepção da inteli-gência (ênfase no aprendizado).

A concepção cognitiva e a concep-ção da inteligência estão muito ligadas às definições que abrangem a educação, o le-tramento, a aprendizagem, o desenvolvimen-to intelectual dos indivíduos e a concepção da informação, partindo do domínio no uso do computador até o nível de excelência na busca por informações na Internet.

Atualmente, diante das inúmeras transformações tecnológicas vivenciadas pela Sociedade da Informação, o conceito de letramento informacional segundo Campello (2009), designa de forma ampla, o conjunto de habilidades necessárias para localizar, interpretar, analisar, sintetizar, avaliar e co-municar informação esteja ela em fontes impressas ou eletrônicas.

É neste cenário complexo que se-gundo Vitorino e Piantola (2009) a noção de competência informacional denominada crítica, encontra um espaço promissor de atuação, uma vez que, pode contribuir para a promoção de uma educação emancipatória e libertadora, além de oferecer outro benefí-cio: fomentar a consciência crítica dos bibli-otecários a respeito de seus papéis sociais.

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Assim, o bibliotecário, no âmbito da competência informacional possui papel primordial, tanto em sua promoção, desen-volvimento e avaliação, pois

[...] os bibliotecários devem ter ha-bilidades especiais em relação ao ensino/aprendizagem da localiza-ção de recursos, a formulalocaliza-ção ade-quada das buscas, a decodificação da informação, a localização, a se-leção e consulta de registros e de documentos em diferentes suportes e formatos. Aliado a isso, encon-tram-se também os valores éticos e legais relativos ao acesso e uso da informação. As destrezas no uso das tecnologias de informação e comunicação devem ser aprendidas com o apoio de programas institu-cionais, bem como os processos de determinação das necessidades de informação, sua análise e sua reela-boração e disseminação à comuni-dade com a finalicomuni-dade de produção de novo conhecimento – eis o grande desafio para a capacitação em serviço dos bibliotecários en-quanto mediadores desse aprendi-zado nas bibliotecas brasileiras (DIAS et al, 2004, p. 2).

Sob essa ótica, a competência infor-macional possui uma relação muito mais complexa com a informação do que aquela proposta pelas normas e modelos tradicio-nais, pois envolve aspectos objetivos, ligados às habilidades técnicas e à competência críti-ca; mas também possui aspectos subjetivos que abrangem fatores como experiência pes-soal, inspiração, criatividade e motivação, sem os quais as práticas de aprendizado ao longo da vida, dificilmente podem ser vis-lumbradas, afirmam Vitorino e Piantola (2009).

Os diversos autores que se interes-sam pela temática no Brasil estão, portanto, oferecendo suas contribuições para analisar tal complexidade, oferecendo teorias e pro-postas práticas de promoção da competência informacional em diversos contextos.

Neste trabalho, destaca-se de modo especial a produção de Gasque, que vem se dedicando à temática, publicando suas

refle-xões desde 2008, como será apresentado a seguir.

3 METODOLOGIA

Para a realização de uma análise ade-quada das publicações de Gasque acerca da Competência Informacional, foram realiza-das as seguintes etapas:

 Esquematização do estudo: elabo-ração de um sumário preliminar para destacar os pontos mais importantes a serem analisados nas publicações: escolha da terminologia, conceitua-ção, antecedentes históricos, defini-ção de responsabilidade, influências e importância do letramento infor-macional;

 Pesquisa no Currículo Lattes da autora: levantamento de todas aspu-blicações apresentadas;

 Seleção de publicações que apre-sentavam os termos competência ou letramento informacional no título ou palavra-chave;

 Leitura sistematizada: utilização de uma tabela desenvolvida com os pontos a serem analisados durante a leitura de cada artigo;

 Desenvolvimento do artigo a partir dos resultados obtidos.

4 RESULTADO DA PESQUISA

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Quadro 1- Publicações de Gasque sobre letramento informacional

TÍTULO ANO TIPO

O papel da experiência na aprendizagem: perspectivas na busca e no

uso de informação 2008 Artigo de Periódico

Arcabouço conceitual do letramento informacional 2010 Artigo de Periódico

Desafios para implantar o letramento informacional na educação

básica 2010 Artigo de Periódico

A epistemologia de John Dewey e o letramento informacional 2010 Artigo de Periódico

Pesquisas na pós-graduação: o uso do pensamento reflexivo no

letra-mento informacional 2011 Artigo de Periódico

Contribuições do letramento digital e informacional na emancipação

humana 2012 Trabalho de Congres-so

Letramento Informacional 2012 Ebook

Centro de recursos de aprendizagem: biblioteca escolar para o século

XXI 2013 Artigo de Periódico

Competência em Informação: conceitos, características e desafios 2013 Artigo de Periódico

Letramento Informacional e Midiático para professores do século

XXI. 2015 Artigo de Periódico

O uso de obras de referência no letramento de estudantes da

educa-ção básica 2015 Artigo de Periódico

Objetos de Aprendizagem para o Letramento Informacional. 2016 Artigo de Periódico

Information literacy for inquiry-based learning 2016 Artigo de Periódico

Fonte: Dados da Pesquisa (2017).

As principais descobertas do levan-tamento bibliográfico realizado são apresen-tadas a seguir:

4.1 Escolha da terminologia

Observou-se que a autora optou pela utilização do termo Letramento Informacio-nal, porém Gasque não apresentou em ne-nhuma das publicações analisadas uma justi-ficativa para a escolha do termo Letramento Informacional, no entanto explica que

O conceito usado no Brasil mais próximo da derivação do inglês

lite-racy é ‘ letramento’, de uso

relati-vamente recente no campo da pe-dagogia e da educação (CALDAS AULETTE, 2009). No Brasil, al-guns autores como Gasque (2006,

2008), Neves (2008) e, Campello (2009), em seu livro mais recente, optaram por esse termo (GAS-QUE, 2010, p.85).

Dessa forma, entende-se que a base para sua opção foi a proximidade linguística com o termo original em Inglês.

4.2 Conceituação

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Já em 2010, ano em que a autora mais publicou sobre o assunto (03 artigos) Gasque elabora a seguinte definição:

O letramento informacional apre-senta-se como a estruturação sis-têmica de um conjuntode compe-tências que permite integrar as a-ções de localizar, selecionar, aces-sar, organizar, usar informação e gerar conhecimento, objeto da a-prendizagem, visando à tomada de decisão e resolução de problemas. (GASQUE; TESCAROLO, 2010, p.41)

Observa-se um avanço em relação à conceituação do termo, uma vez que descre-ve sua base, sua função e seus objetivos.

Além disso, a autora ainda acrescenta que “o letramento informacional é um pro-cesso de aprendizagem, que deve ocorrer como ação contínua ao longo da vida” (GASQUE; CUNHA, 2010, p.143). Tam-bém para a autora, “o letramento informaci-onal tem como finalidade a adaptação e a socializaçãodos indivíduos na sociedade da aprendizagem” (GASQUE, 2010, p.86).

Em 2012, progredindo em seus estu-dos, Gasque apresenta uma nova conceitua-ção para o termo:

Letramento informacional corres-ponde ao processo de desenvolvi-mentode competências para locali-zar, selecionar, acessar, organilocali-zar, usar informação e gerar conheci-mento, visando à tomada de deci-são e à resolução de problemas. (GASQUE, 2012, p.28)

Vê-se que a mudança conceitual está na utilização inicial do termo “estruturação sistêmica” passando para “processo de de-senvolvimento”. Em ambos, permanecem a noção de competência, assim como as fina-lidades e objetivos, porém estruturar siste-maticamente não é a mesma coisa que pro-mover desenvolvimento, assim, percebe-se a nova abordagem, mais ligada à noção de aprendizagem. Assim, nesse mesmo traba-lho, a autora ainda acrescenta que a essência do letramento informacional está no

enga-jamento do sujeito no processo da aprendi-zagem, para desenvolver as competências e habilidades necessárias que o proporcione buscar e usar a informação de modo eficien-te e eficaz.

Já em 2013, Gasque oferece mais uma contribuição para o entendimento do tema ao afirmar que o Letramento Informa-cional é um processo investigativo, que pro-picia o aprendizado ativo, independente e contextualizado. (GASQUE, 2013b, p.5).

De acordo com os conceitos apre-sentados, é possível compreender que a vi-são de Gasque sobre o Letramento Infor-macional se volta,portanto, mais para os ambientes de aprendizagem e no contexto educacional.

No entanto, ela não anula o conceito de competência, pelo contrário, apresenta diversas vezes uma ideia de parceria entre o Letramento e a Competência Informacional, utilizando o próprio termo competência, como nos trechos mostrados abaixo:

 “[...] requer desenvolver competên-cias específicas, denominadas letra-mento informacional, as quais possi-bilitam localizar, selecionar, acessar, organizar e gerar conhecimento.” (GASQUE, 2011, p. 22, grifo nosso)  “A obtenção dessas competências ocorre mediante o processo de le-tramento informacional”. (GAS-QUE, 2011, p. 24, grifo nosso)  “O mapeamento das competências

informacionais...” (GASQUE, 2011, p.32, grifo nosso)

 “[...] consciência do grau de compe-tência informacional...” (GAS-QUE, 2011, p. 34, grifo nosso)  “O emprego efetivo e eficiente das

competências adquiridas no letra-mento informacional requer, primei-ramente, a conscientização dos ato-res...” (GASQUE, 2011, p.35, grifo nosso)

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 “O processo de construção e desen-volvimento das competências de busca e de uso da informação, Infor-mation Literacy...” (GASQUE, 2008, p.154, grifo nosso)

Assim sendo, acredita-se que ainda há a necessidade de uma melhor definição que permita a diferenciação dos termos le-tramento e competência no âmbito da Ciên-cia da Informação, uma vez que se entende que o indivíduo letrado não é necessaria-mente competente, por diversos fatores in-fluenciadores. Há, portanto, que se fazer novos estudos para esclarecer tais questões ainda obscuras, que, ao serem definidas, favorecerão o desenvolvimento da temática.

4.3 Antecedentes históricos

Os principais antecedentes históricos dos estudos sobre Letramento Informacio-nal são destacados por Gasque em diversos trabalhos. No geral, o que se apresenta é que o mesmo possui raízes nas áreas de treina-mento, formação e educação de usuários. Segundo a autora,

O conceito de letramento informa-cional foi introduzido por Paul Zurkowski, presidente da US

Infor-mation Industry Association, em 1974,

em um relatório submetido à Nati-onal Commission on Libraries and

In-formation Science (NCLIS). No

do-cumento, ele recomendava o de-senvolvimento de um programa nacional de letramento informacio-nal para as décadas seguintes. Para ele, pessoas com capacidade para usar os recursos de informação po-deriam ser consideradas letradas. (GASQUE, 2013b, p. 6).

Outros fatos são descritos por Gas-que e Tescarolo (2010, p.45) como impor-tantes para o desenvolvimento dos estudos de Letramento Informacional:

 Em 1990 ocorre o National Forum on Information Literacy (NFIL);

 Em 1998, a American Association of S-chool Librarians (AASL) e a Association

for Educational Communications and Te-chnology (AECT) publicam um docu-mento detalhando as competências e os indicadores a serem desenvolvi-dos pelos aprendizes da educação básica;

 Em 2000, a Association of College and Research Libraries (ACRL) publica os “Padrões de competências informa-cionais para o ensino superior”.

4.4 Definição de responsabilidade do desenvolvimento da competência infor-macional

Em todos os artigos lidos para esta pesquisa, encontrou-se uma mesma visão quanto à responsabilidade de quem deve ensinar a competência informacional. Gas-que (2008) lembra Gas-que desde 1989, muitos estados, escolas, universidades e instituições estão incentivando a aquisição de competên-cias para lidar com a informação. E por esse motivo, inúmeros trabalhos apresentam a importância da definição dos elementos que compõem o letramento informacional, o papel educacional das bibliotecas escolares e a importância dos programas educacionais para a capacitação dos estudantes.

A autora entende que existe uma responsabilidade em todos os níveis de ensi-no e se torna necessário uma revisão da con-cepção de ensino-aprendizagem de forma a privilegiar o desenvolvimento do pensamen-to reflexivo, um pensamenpensamen-to que é expospensamen-to e estudado pela autora através do filósofo americano John Dewey (GASQUE, 2011).

De acordo com Gasque e Cunha (2010), John Dewey afirma em seus estudos que é papel do professor a preparação de cada lição considerando os objetivos da a-prendizagem, tirando proveito dos inciden-tes e perguntas inesperadas.

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medi-ação formativa, integrando os conteúdos de busca e uso da informação nos conteúdos disciplinares.

Não é suficiente que apenas um pro-fissional do corpo de ensino participe do processo, mas o esforço deve ser comparti-lhado por todos e somente assim os resulta-dos serão satisfatórios.

Nesse sentido, a aprendizagem per-manente seria de certa forma uma bússola, ou um instrumento básico para a inserção contínua das pessoas na nova sociedade. Neste sistema educacional, os atores devem, constantemente se envolver em pesquisas e ações que promovam a solução de proble-mas de natureza educativa, explicam Gasque e Tescarolo (2010).

De acordo com os autores, para rea-lizar as atividades investigativas de forma efetiva,torna-se necessário a aprendizagem de competências específicas que se organi-zam no chamado letramento informacional, sendo considerado uma base fundamental para a aprendizagem permanente que deverá ocorrer ao longo de toda a vida das pessoas, abrangendo todas as disciplinas, ambientes de aprendizagem e níveis de ensino.

Por este motivo, a autora entende que é obrigatório “discutir as ações políticas, culturais, educacionais, socioambientais e econômicas dos vários segmentos da socie-dade capazes de realmente contribuir para a consolidação desse processo, de forma con-creta e sistematizada, em todos os níveis de ensino” (GASQUE, 2010, p.90).

4.5 Influências

Ao longo da leitura é possível notar uma grande influência de autores dos Esta-dos UniEsta-dos, tais como John Dewey e Carol Kuhlthau, bem como a forte presença de autores brasileiros, principalmente Bernadete Campello, Elisabeth Dudziak e Paulo Freire.

Poucos textos da Espanha e de Por-tugal são usados pela autora, no entanto, observa-se a presença do autor português Armando Malheiro Silva em alguns de seus textos.

Entre os autores mais citados obser-vou-se a presença dos estudos da ACRLem todos os artigos analisados.

4.6 Importância do letramento informa-cional

Para Gasque, o letramento informa-cional possibilita, mais do que a aquisição de conteúdos e competências, a sabedoria do aprender a aprender, contribuindo para a sustentabilidade da vida e a solidariedade humana na sociedade contemporânea. Para a autora, é de extrema importância a valoração da experiência na aprendizagem, na orienta-ção das atividades usuais de pensamento e ação e também como reflexão, a responsabi-lidade e a ética e por isso, a educação precisa considerar a produção do conhecimento como um processo mais amplo, relacionado às experiências e às reflexões do sujeito em sintonia com a própria sociedade.

Gasque (2011) afirma ainda que é necessário lembrar que o letramento é um processo de aprendizagem que, quando rea-lizado de forma consciente, reflexiva e con-textualizada, favorece a produção do conhe-cimento, em especial do científico. Esse te-ma é bastante citado pela autora, que ainda afirma que buscar e usar a informação de-vem ser considerados conteúdos de aprendi-zagem e de avaliação escolar, vinculados à experiência de sala de aula, utilizados da educação básica à pós-graduação.

Diante disso, Gasque e Tescarolo (2010) ressaltam a necessidade de se repen-sar a educação básica no Brasil, de modo especial sua finalidade, a concepção do ensi-no-aprendizagem, a organização curricular, os programas de formação de professores e também a infraestrutura de informação, para que aconteça o estabelecimento de uma no-va cultura.

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Diversos aspectos são pontuados pe-la autora ao longo de seus estudos e o tema fica cada vez mais sólido diante dos resulta-dosdas pesquisas. Em uma de suas afirmati-vas, Gasque (2010) explica que o letramento constitui-se no processo de aprendizagem necessário ao desenvolvimento de compe-tências e habilidades específicas para buscar e usar a informação, e por esse motivo, tor-na-se necessário incentivar a busca constante por uma melhor educação em todos os ní-veis de ensino.

Nessa perspectiva, a autora ressalta a importância do pensamento reflexivo pro-posto por Dewey, vendo-o como instrumen-to indispensável para ampliar a visão dos processos educativos e como parte inerente do próprio conhecimento. Assim ela destaca o seguinte pensamento de Dewey: “apreen-der a significação de uma coisa, de um acon-tecimento ou de uma situação, é ver a coisa, o acontecimento ou a situação em suas rela-ções com outras coisas: notar como opera ou funciona, que consequência traz, qual a sua causa e possíveis aplicações” (DEWEY, 1979 citado por GASQUE; CUNHA, 2010, p. 142).

Gasque e Tescarolo (2010) afirmam ainda que a estruturação do letramento in-formacional ao longo da vida escolar e aca-dêmica pode representar uma importante contribuição para o progresso pedagógico. Isso porque favorece o processo de aprender a aprender e o desenvolvimento de cidadãos competentes e autônomos na busca e no uso da informação.

Além disso, Azevedo e Gasque (2012) mostram em seu estudo, a relevância que o letramento informacional tem ao am-pliar a capacidade de lidar com o universo digital, pois possibilita o desenvolvimento de competências para buscar e fazer uso da informação.

Nos trabalhos publicados em 2016, a autora levanta uma reflexão para a necessi-dade da inserção do letramento informacio-nal nos conteúdos curriculares de modo especial, através dos objetos de aprendiza-gem e dos métodos de projetos.

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Pela análise realizada, acredita-se que foi possível apresentar uma visão geral da autora sobre a temática do letramento e competência informacional. Os artigos pes-quisados sobre o assunto em questão come-çam no ano de 2008 e seguem até 2016, sen-do possível compreender o caminho evolu-tivo percorrido pela autora.

Esse caminho que iniciado em 2008 apresentava uma inquietação em relação à tradução do termo Information Literacy e a sua definição no âmbito brasileiro, se desenvolve até 2016 para uma opção pelos ambientes de aprendizagem e para a necessidade de ins-trumentos de formação para as necessidades informacionais.

Desse modo, pode-se dizer que uma nova perspectiva se inicia: o letramento para a competência informacional. Entender que o letramento é o processo e a competência é o produto desse letramento. Assim, novos modelos e novos caminhos podem ser aber-tos para alcançar a maturidade informacional necessária às exigências impostas pelas trans-formações iniciadas no final do século XX e mais fortemente impulsionas neste início do século XXI. O que se espera cada vez mais nesta sociedade é a formação de indivíduos que saibam recuperar, utilizar e disseminar competentemente as informações disponí-veis.

Assim, o diferencial de Gasque está na sua íntima ligação com o contexto educa-cional e consequentemente, com a aprendi-zagem. Nesse sentido, suas ponderações acerca do pensamento reflexivo de John Dewey podem ser consideradas uma de suas grandes contribuições para a área de Ciência da Informação.

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para as inúmeras possibilidades de fomentar o letramento informacional no país.

THE THEORETICAL CONTRIBUTION OF KELLEY CRISTINE GONÇALVES DIAS GASQUE FOR SPEECH INFORMATION LITERACY IN BRAZIL

Abstract

This study presents a bibliographical survey of the works of Professor Kelley Cristine Gonçalves Dias Gasque about infor-mational competence. Based on the observation that the author chose to use the term inforinfor-mational letters, a research was carried out based on her publications on this subject made available in her Curriculum Lattes, highlighting those who used the term in the title or in the keywords. It was observed that the author offers significant contributions to the discourse of information literacy and competence, presenting important conceptual and practical reflections, also addressing the Brazilian educational context and research in Information Science.

Keywords

Information competence. Gasque, Kelley Cristine Gonçalves. Information literacy.

Artigo recebido em 15/01/2017 e aceito para publicação em 14/05/2017

REFERÊNCIAS

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Referências

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