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PROCESSO: RTOrd

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PODER JUDICIÁRIO FEDERAL JUSTIÇA DO TRABALHO

TRIBUNAL REGIONAL DO TRABALHO DA 1ª REGIÃO

Gab Des Rosana Salim Villela Travesedo Av. Presidente Antonio Carlos, 251 6o. andar Castelo Rio de Janeiro 20020-010 RJ

PROCESSO: 0000824-47.2012.5.01.0078 - RTOrd

A C Ó R D Ã O 10ª T U R M A

APOSENTADORIA. INSS. MANUTENÇÃO DO VÍNCULO DE EMPREGO. DIREITO À RESPECTIVA COMPLEMENTAÇÃO. MARCO INICIAL PARA A CONCESSÃO DO BENEFÍCIO. Do artigo 23 do Regulamento Básico da POSTALIS, vigente à época da adesão da trabalhadora ao plano de benefício, deflui a concessão da suplementação de aposentadoria a partir da percepção do benefício de aposentadoria por tempo de serviço junto ao INSS, independentemente do desligamento da obreira dos quadros da ECT, em regra que se incorporou ao contrato de trabalho, nos termos da Súmula nº 288 do TST. Apelo obreiro provido.

Vistos, relatados e discutidos estes autos de recurso ordinário em que são partes: TEREZA CRISTINA TORRES RAMOS, como recorrente, e PORTALIS INSTITUTO DE SEGURIDADE SOCIAL DOS CORREIOS E TELÉGRAFOS e EMPRESA BRASILEIRA DE CORREIOS E TELÉGRAFOS - ECT, como recorridas.

Trata-se de recurso ordinário interposto pela trabalhadora, objetivando a reforma da sentença de fls. 358/359, proferida pelo MM. Juiz Marco Antônio Belchior da Silveira, da 78ªVT/RJ, que julgou improcedente o pedido. Postula o reconhecimento de seu direito à complementação de aposentadoria a partir de 13/05/2011, data em que completou 58 anos de idade.

Custas à fl. 373.

Contrarrazões da 1ª ré às fls. 427/446, com preliminares de incompetência da Justiça do Trabalho, impossibilidade jurídica do pedido, falta de interesse de agir e inexistência de grupo econômico (solidariedade); da 2ª ré, às fls. 469/475, com preliminar de ilegitimidade passiva ad causam.

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Parecer do Ministério Público do Trabalho, às fls. 479/482, no qual o d. Procurador Marcelo de Oliveira Ramos opina pelo conhecimento e não provimento do recurso.

É o relatório.

V O T O: Conhecimento:

Recurso ordinário interposto a tempo e modo. Conheço-o.

Das preliminares arguidas pela 1ª ré, em contrarrazões:

Da incompetência da Justiça do Trabalho:

Sustenta a ré que a matéria ora posta em Juízo escaparia da competência desta Especializada, por envolver matéria de índole civil, qual seja, previdência privada. Invoca a alteração do art. 202 da Lei Maior.

Não vinga a tese patronal.

O E. Supremo Tribunal Federal, em 20/02/2013, por ocasião do julgamento do Recurso Extraordinário nº 586453, ao qual foi reconhecida repercussão geral, dissipou quaisquer dúvidas acerca da questão, na medida em que, ao declarar que é a Justiça Comum competente para dirimir controvérsias decorrentes de contrato de previdência complementar privada, reconheceu também a competência da Justiça do Trabalho para processar e julgar, até o trânsito em julgado e correspondente execução, todas as causas da espécie que já tenham sido sentenciadas até 20/02/2013.

Na hipótese em comento, em tendo sido a r. sentença recorrida proferida anteriormente à indigitada data (05/11/2012 - fl. 359), resta inafastável a competência desta Especializada para prosseguir no julgamento do feito, razão pela qual não prospera a alegação.

Rejeito.

Da impossibilidade jurídica do pedido:

A impossibilidade jurídica do pedido consiste na expressa vedação legal de apreciação do Poder Judiciário de determinada relação de direito material contida no pedido mediato, o que não se verifica na demanda em curso.

Rejeito.

Da preliminar de falta de interesse de agir:

Sustenta a 1ª ré que a autora careceria de interesse de agir, sustentando-se na impossibilidade de concessão da vindicada sucessão antes de rescindido o pacto laboral com a 2ª ré (patrocinadora).

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O interesse de agir da trabalhadora decorre da resistência oposta pelas rés ao pagamento de diferenças que entende devidas, valendo ressaltar a necessidade e utilidade do processo para o fim de obter a reparação pretendida.

Rejeito.

Da inexistência de solidariedade:

Pugna a empresa afastar eventual solidariedade, negando grupo econômico ou qualquer relação com a segunda ré.

O argumento não convence.

Em sendo uma das recorrentes ex-empregadora da autora e mantenedora da outra, que, por sua vez, é responsável pelo pagamento das diferenças em baila, notória a existência de estreito liame entre ambas, autorizando, nos termos do art. 2º, § 2º da CLT, a respectiva responsabilização solidária.

Rejeito.

Da ilegitimidade passiva ad causam, arguida pela 2ª ré em contrarrazões:

Sabe-se, consoante remansada jurisprudência, que a verificação da legitimidade passiva dá-se abstratamente, bastando a indicação do suposto empregador ou responsável pelo cumprimento das obrigações trabalhistas para legitimá-lo ao pólo passivo da lide.

Rejeito a arguição. Mérito

Do marco inicial para a concessão da complementação de aposentadoria:

Bate-se a obreira pela reforma do veredicto de origem que indeferiu o pleito de complementação de aposentadoria. Assevera que a manutenção do vínculo de emprego, malgrado a jubilação perante o INSS, não seria óbice ao direito postulado, à luz do regramento da POSTALIS (art. 23).

A decisão a quo merece reproche.

Deflui do acervo probatório que a trabalhadora restou admitida aos 21/09/1978, no cargo de assistente de administração e, a despeito de sua aposentadoria pelo INSS em data de 01/02/2003, continua a prestar sua atividade laborativa para a ECT.

Porquanto persistisse a relação de emprego da autora com a ECT, a 1ª ré indeferiu o desiderato obreiro à complementação de aposentadoria, invocando o disposto no Regulamento POSTALIS, em vigor de janeiro de 1981 a dezembro de 1996, editada antes de o INSS haver permitido a concessão de aposentadoria (01/02/2003 - fls. 13/14) independentemente da cessação do vínculo empregatício.

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É cediço que as normas pertinentes à complementação de aposentadoria vigentes quando da admissão do empregado aderem ao seu contrato de trabalho, observando-se as alterações posteriores, desde que mais favoráveis ao beneficiário do direito, consoante as Súmulas nºs 51, I, e 288 do c. TST, verbis:

“Súmula nº 51 - NORMA REGULAMENTAR. VANTAGENS E OPÇÃO PELO NOVO REGULAMENTO. ART. 468 DA CLT.

I - As cláusulas regulamentares, que revoguem ou alterem vantagens deferidas anteriormente, só atingirão os trabalhadores admitidos após a revogação ou alte-ração do regulamento.

(...).”

“Súmula nº 288 - COMPLEMENTAÇÃO DOS PROVENTOS DA APOSENTADORIA - A complementação dos proventos da aposentadoria é regida pelas normas em vigor na data da admissão do empregado, observando-se as alterações posteriores desde que mais favoráveis ao beneficiário do direito.”

Dessarte, a questão resolve-se pela aplicação do disposto no art. 23 do Regulamento da Postalis de 1981, vigente à data de admissão da trabalhadora na 2ª ré e à adesão a 1ª (02/02/1981 - fl. 12), verbis:

“A suplementação de aposentadoria por tempo de serviço será concedida ao participante que a requerer com pelo menos 58 (cinquenta e oito) anos de idade, 35 (trinta e cinco) anos de vinculação ao regime de previdência oficial, 5 (cinco) anos de

vinculação à INSTITUIÇÃO e manutenção

ininterrupta de vínculo empregatício à patrocinadora durante os últimos 10 (dez) anos, desde que lhe tenha sido concedida a aposentadoria por tempo de

serviço correspondente àquele tempo de

vinculação” (fl. 32)

Daí se infere que a concessão do benefício em baila jungia-se ao preenchimento de requisito quíntuplo: idade mínima de 58 anos, 35 anos de vinculação ao regime de previdência oficial, 5 anos de vinculação à instituição, manutenção ininterrupta de vínculo empregatício com a patrocinadora durante os últimos 10 anos e concessão de aposentadoria pelo INSS.

Pois bem. A recorrente veio a este mundo em data de 13/05/1953 e obteve aposentadoria junto à autarquia previdenciária em 01/02/2003,

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quando contava com 49 anos de idade e 35 anos de contribuição completos, haja vista o documento previdenciário de fls. 13/14, concedendo-lhe aposentadoria por tempo de contribuição. Não se questionam, ademais, os dois últimos requisitos, em face do documento de fl. 12 e anotações na CTPS da trabalhadora, à fl. 10, noticiando a adesão a POSTALIS desde 1981 e o labor ininterrupto para a patrocinadora a partir de 1978.

Logo, em tendo a autora postulado a indigitada suplementação, tão somente, ao completar 58 anos de idade, aos 13/05/2011, iniludível a observância dos supracitados requisitos, restando inaplicáveis, ao caso, o conteúdo das Leis Complementares nºs. 108 e 109, ambas de 2001, e Regulamento POSTALIS, de 01/01/1997, à fl. 103, em respeito ao direito adquirido e à impossibilidade de alteração contratual in pejus, (CLT, arts. 8̊, 9̊ e 468).

Nesse sentido, colhe-se a prospectiva jurisprudência do c. TST em hipótese análoga, verbis:

“COMPLEMENTAÇÃO DE APOSENTADORIA. ART. 23 DO REGULAMENTO BÁSICO DA PETROS

VIGENTE À ÉPOCA DA ADMISSÃO DO

RECLAMANTE. ADESÃO AO CONTRATO DE TRABALHO. EMPREGADO QUE CONTINUA NA ATIVA APÓS A APOSENTADORIA PELO INSS. Delimitou o eg. TRT que o artigo 23 do Regulamento Básico da Petros, vigente à época da adesão do reclamante ao plano de benefício, estabelecia a percepção da suplementação de aposentadoria enquanto lhe fosse concedida a aposentadoria por tempo de serviço pelo INSS. Referida regra incorporou-se ao contrato de trabalho do reclamante, nos termos da Súmula nº 288 desta c. Corte, razão pela qual não há como prevalecer o entendimento do julgado recorrido no sentido de que se faz necessário o desligamento do empregado aposentado pelo INSS dos quadros da empregadora para o recebimento da complementação de aposentadoria junto a Petros.” (RR -

237400-57.2009.5.20.0005 - Relator Ministro Aloysio Corrêa da Veiga - 6ª Turma - pub. em 25/11/2011).

Nesse ambiente, indene de dúvida que a obreira faz jus à percepção da complementação de aposentadoria desde a data do preenchimento dos requisitos do Regulamento POSTALIS de 1981 (13/05/2011) - parcelas vencidas e vincendas.

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na medida em que a ECT, além de ainda ostentar a condição de empregadora da autora é a instituidora e mantenedora da POSTALIS, entidade de previdência privada criada exatamente para atender aos empregados da primeira. Assim, é notória a existência de estreito liame entre as duas rés, autorizando, nos termos do art. 2º, § 2º da CLT, a respectiva responsabilização solidária.

Dou provimento. Conclusão:

Conheço do recurso ordinário; rejeito as preliminares de incompetência da Justiça do Trabalho, impossibilidade jurídica do pedido, falta de interesse de agir e inexistência de grupo econômico (solidariedade), arguidas pela 1ª ré em contrarrazões, rejeitando, ainda, a preliminar de ilegitimidade passiva ad causam, suscitada pela 2ª ré, também em contrarrazões; no mérito, dou provimento ao apelo para, julgando procedente em parte o pedido, condenar as rés, solidariamente, ao pagamento da complementação de aposentadoria a partir de 13/05/2011, parcelas vencidas e vincendas, devendo a 2ª ré (ECT) abster-se de descontar contribuições para a 1ª ré (POSTALIS) sobre a remuneração percebida pela trabalhadora em razão do contrato de trabalho ainda vigente, limitando-se os descontos ao valor da suplementação quitada pela POSTALIS, sob pena de multa de R$10.000,00 por cada ato de infringência.

Acresçam-se juros de mora sobre o capital corrigido, nos termos da Lei nº 8.177/91 e da Súmula nº 381 do c. TST.

Inverto o ônus da sucumbência, condenando as rés ao pagamento das custas no importe de R$600,00, calculadas sobre o valor da condenação, ora arbitrado em R$30.000,00.

Atendendo ao disposto no parágrafo 3º do art. 832 da CLT, declaro a natureza salarial das parcelas deferidas.

A C O R D A M os Desembargadores que compõem a 10ª Turma do Tribunal Regional do Trabalho da 1ª Região, por unanimidade, conhecer do recurso ordinário; rejeitar as preliminares de incompetência da Justiça do Trabalho, impossibilidade jurídica do pedido, falta de interesse de agir e inexistência de grupo econômico (solidariedade), arguidas pela 1ª ré em contrarrazões, rejeitando, ainda, a preliminar de ilegitimidade passiva ad causam, suscitada pela 2ª ré, também em contrarrazões; no mérito, dar provimento ao apelo para, julgando procedente em parte o pedido, condenar as rés, solidariamente, ao pagamento da complementação de aposentadoria a partir de 13/05/2011, parcelas vencidas e vincendas, devendo a 2ª ré (ECT) abster-se de descontar contribuições para a 1ª ré (POSTALIS) sobre a remuneração percebida pela trabalhadora em razão do contrato de

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trabalho ainda vigente, limitando-se os descontos ao valor da suplementação quitada pela POSTALIS, sob pena de multa de R$10.000,00 por cada ato de infringência. Acresçam-se juros de mora sobre o capital corrigido, nos termos da Lei nº 8.177/91 e da Súmula nº 381 do c. TST. Inverte-se o ônus da sucumbência, condenando as rés ao pagamento das custas no importe de R$600,00, calculadas sobre o valor da condenação, ora arbitrado em R$30.000,00. Atendendo ao disposto no parágrafo 3º do art. 832 da CLT, declarar a natureza salarial das parcelas deferidas, nos termos do voto da Excelentíssima Desembargadora Relatora.

Rio de Janeiro, 03 de julho de 2013.

Rosana Salim Villela Travesedo Desembargadora do Trabalho

Relatora

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