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UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES PÓS-GRADUAÇÃO LATU SENSU PROJETO A VEZ DO MESTRE

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UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES

PÓS-GRADUAÇÃO “LATU SENSU”

PROJETO A VEZ DO MESTRE

OS REFLEXOS DO NOVO IDOSO NA SOCIEDADE

Por: Maria Fernanda Lima Ventura de Bragança Alves

Orientador: Profª. Maria Esther de Araújo Oliveira

RIO DE JANEIRO 2008

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UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES

PÓS-GRADUAÇÃO “LATU SENSU”

PROJETO A VEZ DO MESTRE

OS REFLEXOS DO NOVO IDOSO NA SOCIEDADE

Apresentação de monografia à Universidade Candido Mendes como requisito parcial para obtenção do grau de especialista em Gestão de Recursos Humanos. Por: Maria Fernanda Lima Ventura de Bragança Alves

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AGRADECIMENTOS

A Deus, pela vida.

Aos meus pais, irmãos e toda a minha família, fontes de força e luz para as lutas desta vida.

A Prof. Maria Esther pelo incentivo sempre carinhoso que me foi dado nesta pesquisa.

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DEDICATÓRIA

Ao meu amado e amigo Augusto.

Aos meus filhos, o melhor presente que a vida me deu.

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RESUMO

Com o envelhecimento da população, a sociedade mundial vem passando por profundas transformações em seu cenário sócio-econômico. Este trabalho tem como objetivo pesquisar e analisar quais as mudanças e desafios da sociedade necessários para a convivência com essa mais nova geração de idosos, que apresentam comportamentos e atitudes completamente diferentes das anteriores.

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METODOLOGIA

A presente monografia nasce a partir de leituras e pesquisas em artigos, reportagens e livros que apresentam dados relativos à transição demográfica pela qual a sociedade brasileira vem passando desde o ano de 1980.

Cabe salientar que foram de suma importância os dados e opiniões fornecidos pela Revista Desafios, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada , órgão vinculado ao Núcleo de Assuntos Estratégicos da Presidência. Suas reportagens e artigos, sempre muito atuais, foram fontes seguras acerca das mudanças demográficas e seus impactos na sociedade.

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SUMÁRIO

Introdução 08

Capítulo 1 – O novo Idoso 11

1.1 - Dados demográficos 1.2 - Idoso – conceito, conseqüências e classificação Capítulo 2 – O mercado de trabalho para a terceira idade 20

Capítulo 3 – O mercado consumidor da terceira idade 25

Conclusão 30

Bibliografia Consultada 32

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INTRODUÇÃO

O envelhecimento populacional é hoje um proeminente fenômeno mundial. É inegável que a população idosa cresce em proporção mais elevada do que nos demais grupos, fenômeno ocasionado principalmente pelo declínio das taxas de natalidade e mortalidade, esta última produto de uma das maiores conquistas sociais do século XX, que foi o maior acesso popular às tecnologias e aos serviços de saúde. Apesar de reconhecermos que o envelhecimento é entendido e percebido de maneiras distintas, a definição mais amplamente utilizada é baseada no critério etário – atualmente a partir de 60 anos. Mas cabe salientar que envelhecimento pode-se referir a processos biológicos,aparência física,eventos de desengajamento da vida social, como a aposentadoria, e aparecimento de novos papéis sociais, como o de avós.Como o segmento idoso compreende um intervalo etário amplo, aproximadamente 30 anos, é comum distinguirmos grupos distintos. É a heterogeneidade dentro do próprio grupo de idosos.

No caso específico brasileiro, projeções indicam que em 2025 o Brasil será a sexta nação mais envelhecida do mundo (dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada - IPEA). A parcela da população idosa – com 60 anos ou mais – cresce a taxas superiores às dos demais grupos (4,1% em 1950 para 8,6% em 2000). Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Brasil está dentro dos padrões globais e a população idosa corresponde a 10 % do total, cerca de 18 milhões de pessoas.Mas daqui a vinte anos as projeções são de que esse número salte para 14,5%, um aumento de quase 50%. “É uma transição muito rápida, se considerarmos que outros países levaram mais de um século para realizar esse movimento, como a França”, afirma Vicente Faleiros, autor do livro Gestão Social por Sujeito/Idade na Velhice. Outro dado particularmente interessante é o fato de que, de acordo com o censo demográfico de 2000, dos 14,5 milhões de idosos encontrados, 55% eram mulheres Quando

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desagregados em subgrupos de idade, a proporção de mulheres aumenta. Esse fato é explicado pela mortalidade diferencial por sexo.Constatamos, assim, que haverá uma “feminização” da velhice. Além disso, provavelmente nunca foi tão difícil como hoje caracterizar uma pessoa idosa. Os antigos clichês não se aplicam mais. Os aposentados de pijama e as senhoras que passam os dias fazendo tricô desaparecem e dão lugar a indivíduos totalmente diferentes. A famosa frase “Eu sou você amanhã” não assusta mais as pessoas ditas maduras ou até mesmo os jovens. Ao que tudo indica, o amanhã parece altamente promissor.

Sendo assim, este trabalho tem como objetivo pesquisar e questionar como a sociedade está se preparando para lidar com este novo cenário, mais especificamente, com esse “novo velho”. Primeiramente faz-se necessária uma análise comportamental desse “novo velho”. Há tempos atrás, a expectativa de vida era de 50 a 60 anos. Hoje, é de aproximadamente 80 anos. Portanto, não faz mais sentido atribuir a uma pessoa de 60 anos comportamentos e expectativas relacionadas ao fim de vida. Atualmente essa faixa etária apresenta-se numa forma física e emocional totalmente diferente das gerações anteriores.

Em um segundo momento a presente pesquisa aborda do mercado de trabalho. Ana Amélia Camarano, pesquisadora do IPEA, diz que “a oferta de força de trabalho futura é bem diferente da atual. As transformações exigem ajustes para contemplar as demandas de uma população mais madura. O desafio demanda reflexão da sociedade e adequação institucional para que, como se espera, o mercado de trabalho e os espaços pós-laborais cumpram seu papel”(Revista Desafios do Desenvolvimento, reportagem “Retrato do Futuro”). A psicóloga Beatriz Magadan, da DRH Consultoria Ltda, ressalta que “a tendência será de maior aproveitamento das pessoas mais velhas sempre que a experiência for importante para a responsabilidade do cargo”( site RH,texto “As dificuldades do mercado de trabalho na terceira idade). Resta saber se as empresas estão cientes dessa mudança, uma vez que uma das tarefas primordiais de um gestor é a de se adiantar nos efeitos e necessidades do mercado.

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Além do mercado de trabalho, o “novo velho” tem impacto direto no mercado consumidor. Muitas empresas já descobriram o filão do mercado consumidor voltado para a terceira idade. Afinal, que outro mercado oferece taxas de crescimento tão seguras como a da terceira idade? Dos medicamentos e serviços de saúde aos automóveis, dos alimentos ao setor financeiro, não há área de negócio que escape da influência das mudanças demográficas em curso.

Portanto, olhos e ouvidos atentos aos novos velhos, pois a humanidade jamais poderá declarar-se surpreendida com a nova estrutura etária da população,uma vez que ela não decorre de movimentos bruscos ou imprevistos. Pelo contrário, ela está sendo antecipada com prazo suficiente à adoção de medidas que permitam uma adaptação à realidade do futuro.

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CAPÍTULO 1

O NOVO IDOSO

A ONU organizou em 1982 a Assembléia Geral sobre o Envelhecimento, da qual resultou o Plano Internacional de Ação sobre o Envelhecimento aprovado através da Resolução 37/51 em dezembro de 1982. No Brasil, em 1994, foi promulgada a Lei 8842 que dispõe sobre a Política Nacional do Idoso e cria o Conselho Nacional do Idoso.O ano de 1999 foi consagrado pela Organização das Nações Unidas como o Ano Internacional do Idoso. Em 2002 foi criado o Conselho Nacional do Idoso através do Decreto 4227. Já em 2003 surge a Lei 10741, que dispõe sobre o Estatuto do Idoso. São inúmeros os procedimentos legais que visam assegurar aos idosos, dignidade, participação, independência, cuidados e auto-realização. Toda essa preocupação com o idoso não surgiu por acaso. “Há 600 milhões de pessoas com mais de 60 anos no planeta”, afirma o subsecretário de Promoção Humana da Secretaria Especial de Direitos Humanos, Perly Cipriano, citando dados da Organização das Nações Unidas (Revista Desafios do Desenvolvimento, reportagem “A nova velha geração”). Sim, o planeta está envelhecendo.

1.1 – Dados demográficos

Foi constatado que nas primeiras três décadas da segunda metade do século passado, o crescimento populacional era uma das principais preocupações da ONU. Com um crescimento populacional em torno de 2% ao ano certamente uma explosão demográfica ocorreria e traria graves problemas à humanidade.

Observa-se que em apenas 3 décadas (entre 1950 e 1980) foram acrescentadas à população aproximadamente 2 bilhões de habitantes. Sem dúvida, um aumento expressivo que, se continuasse neste ritmo, iria gerar uma população mundial de cerca de 18,5 bilhões de habitantes, um pouco mais do que o dobro das previsões revistas pela Organização das Nações Unidas , 9,1 bilhões.

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Gráfico 1

Entretanto, estudos demonstram que o crescimento demográfico não ocorrerá de maneira explosiva, mas sim juntamente com um envelhecimento da população. Dados demográficos demonstram um envelhecimento populacional causado concomitantemente pelo, declínio das taxas de mortalidade e fecundidade. O gráfico a seguir demonstra como a taxa de fecundidade vem se desenvolvendo ao longo das últimas décadas no cenário mundial.

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Gráfico 2

Especificamente no Brasil,segundo Ana Amélia Camarano, pesquisadora do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), o componente demográfico mais importante para se pensar no futuro da população brasileira é justamente a fecundidade. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a fecundidade brasileira já chegou ao nível tecnicamente chamado de reposição, ou seja, o número de crianças nascidas equivale ao número de mortos.A taxa de fecundidade atual é de 2,1 filhos por mulher. “As evidências não sinalizam que essa taxa vá se estabilizar ou voltar a crescer no médio prazo. Ao contrário, pode-se esperar que o nível de fecundidade brasileiro em 2030 seja de 1,4 filhos por mulher”, diz Camarano( Revista Desafios do Desenvolvimento, reportagem “Retrato do Futuro’). Torna-se óbvia a constatação que com um número menor de crianças nascendo e com as pessoas vivendo cada vez mais, o envelhecimento da população é inevitável.

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Gráfico 3

1.2 – Idoso – conceito, conseqüências e classificação

O dicionário de Hoauiss define idoso: “que tem muitos anos;velho”. É uma definição simples e objetiva, que parece não contemplar todas as nuances que envolvem o ato de envelhecer. Sim, porque o caminho para o envelhecimento ocorre de maneira individual e distinta, sobretudo no Brasil, onde as trajetórias são marcadas por desigualdades sociais, regionais e raciais. No entanto, para fins legais e práticos, define-se como população idosa a de 60 anos ou mais, tal como estabelecido no Estatuto do Idoso (Lei 10.741, de 01/10/2003) e na Política Nacional do Idoso (Lei nº. 8842, de 04/01/1994) .

O envelhecimento da população vem trazendo conseqüências para as nações que necessitam se preparar para acolher esse novo tipo de sexagenário, septuagenário e também octogenário. A pesquisadora Ana Amélia Camarano chama atenção para o fato de que a maior longevidade da população é positiva,

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porém uma maior população de velhos demanda um planejamento específico para essa faixa etária, a fim de se evitar um transtorno social (op.cit.)

Atualmente, para caracterizarmos uma pessoa idosa é preciso deixarmos de lado preconceitos e antigos clichês. A bola de cristal dos pesquisadores sociais aponta para um outro tipo de idoso. Seria um idoso trabalhador ativo, reivindicador político, beneficiado pelos avanços da medicina (vide quadro abaixo). “O envelhecimento é uma grande conquista social”, diz o médico brasileiro Alexandre Kalache, diretor do programa de Envelhecimento e Saúde da Organização Mundial de Saúde, OMS. “Temos de celebrá-lo. Ruim era quando a maior parte da população morria antes dos 5 anos de idade”(op.cit).

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Segundo uma das profissionais mais dedicadas à questão do envelhecimento no Brasil, a professora e pesquisadora do Programa de Mestrado e Doutorado em Gerontologia da Universidade de Campinas (UNICAMP), Anita Liberalesso Néri, “há um discurso ambíguo das instituições sociais e do Estado brasileiro em relação aos idosos, que em certos casos são protegidos e em outros casos acusados de provocar os males dos sistemas públicos de saúde e previdência. Encarar o idoso como um peso e um risco social é uma concepção parcialmente verdadeira”(Revista Desafios do Desenvolvimento, reportagem “A nova velha geração”)

O professor do mestrado de Gerontologia da Universidade Católica de Brasília, Vicente Faleiros, afirma que os problemas complexos surgidos com a nova geração de idosos podem ser resolvidos no Brasil com atitudes objetivas.”É só o governo destinar à seguridade o que já é financeiramente garantido a ela pela Constituição, mas vem sendo aplicado em outras áreas”(op.cit) Não é só o envelhecimento da população a principal ameaça para o sistema previdenciário: somam-se a este fator o aumento de desemprego, a economia formal e as inúmeras fraudes. Desde 1974, quando foi criado um ministério específico para a Previdência Social, 21 titulares tentaram administrar com sucesso o ministério que centraliza a maior fatia do orçamento da União. Desde 1996, a arrecadação do Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS) deixou de ser suficiente para cobrir os pagamentos de benefícios e o quadro se complicou muito. A dificuldade não é exclusividade do Brasil. Na América Latina, a crise afetou o sistema previdenciário público de quase todos os outros países. Inúmeras são as idéias para equacionar o problema (vide quadro abaixo). A polêmica é enorme e não é o enfoque deste trabalho. Mas fica aqui registrado que o sistema está sofrendo um colapso, necessitando com urgência de ajustes para sua sobrevivência no futuro.

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Gráfico 5

Fonte: HSBC/Pesquisa “O futuro da aposentadoria:o que o mundo quer”

Como foi dito anteriormente, o envelhecimento é entendido de maneiras diversas. Dentro do critério de idade, no Brasil de hoje são considerados idosos jovens aqueles que têm entre 60 e 70 anos de idade; medianamente idosos entre 70 e 80; e muito idosos acima de 80. Ressalta-se que “a população com mais de 80 anos cresce mais que o conjunto geral de idosos”, informa Faleiros (op.cit). Conforme o Diagnóstico do Envelhecimento no Brasil, elaborado pelo Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, o aumento médio do conjunto de idosos é de 3,5%, enquanto o grupo daqueles com mais de 80 anos cresce 4,7%.

Com tanto tempo pela frente é obvio que mudanças ocorram, principalmente no modo de agir e pensar, tendo como conseqüência comportamentos inovadores. Atualmente, aos 40 anos, um brasileiro está na metade de sua vida. Estatisticamente, ele viverá por mais 30 anos. Este fato gera uma mudança comportamental imensa. Já na chegada dos 50 anos, os

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bommers balançam a estrutura e dão o tom do novo idoso sexagenário. Os baby-bommers são a geração que nasceu após a 2ª Guerra Mundial (entre 1946 e 1964) e protagonizou o movimento hippie, as revoluções sexual e feminista. Ao invés de se prepararem para o papel exclusivo de avós e diminuírem o passo, eles estão acelerando e correndo atrás de novos objetivos:um segundo ou terceiro curso universitário, outra profissão, outro parceiro, a concretização de um sonho. Afinal, os anos de bônus que os avanços da ciência lhes proporcionaram terão que ser bem vividos. Após cumprirem todas as exigências da vida adulta – construir uma carreira, formar uma família, pagar casa própria - homens e mulheres chegam á maturidade com uma forma física e emocional totalmente diferentes das gerações anteriores (vide quadro abaixo). Com uma nova disposição, eles adiam a aposentadoria ou se aposentam porque querem fazer outras coisas. Parar, jamais.

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Não faltam exemplos provando que o mesmo ocorre no Brasil. Rogério Woisky, cirurgião plástico de 53 anos, e Prado, professora aposentada de 57 afirmam estar na melhor fase de suas vidas. Viajam mundo afora em busca de melhores locais para praticar alpinismo e mergulho.

O juiz Gilberto Moreira, de 60 anos, também resolveu a cuidar de si. Filhos criados, ele foi atrás de realizar um sonho da juventude: ser piloto. Zeli Camargo, de 64 anos, trabalha e estuda. Ela cursa Letras na Universidade Federal do Paraná e aproveita os três idiomas que domina para fazer trabalhos esporádicos como guia turístico.

O dentista aposentado Leo Birbman nada 1.200 metros três vezes por semana e afirma que “nos dias em que não me exercito fico lento, com menos energia”.

Portanto, o mais importante no processo de envelhecimento é a adoção de uma postura corajosa diante das mudanças. A boa notícia é que um número cada vez maior de pessoas consegue encarar de forma positiva a passagem dos anos e aproveitá-los bem mais.

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CAPÍTULO 2

O MERCADO DE TRABALHO PARA A TERCEIRA IDADE

Em geral a aposentadoria significa retiro profissional e é muitas vezes utilizada como instrumento de regulação do mercado de trabalho. No entanto, conforme análise do IPEA, há um crescente aumento da participação da PEA (Pessoa Economicamente Ativa) idosa no total da PEA brasileira. Apenas para efeito comparativo, em 1977, 4,5% do PEA era composto por idosos. Esse percentual dobrou, atingindo em 1998 a taxa de 9%. Se for considerado apenas o efeito da tendência demográfica, ou seja, do envelhecimento populacional, a expectativa é que em 2020 o percentual do PEA idoso seja de 13%.

Boa parte dos indivíduos maduros irá adiar a aposentadoria por mais algum tempo, levantando a bandeira de “é hora de aposentar a aposentadoria”. São vários os motivos para o adiamento: necessidade financeira, sentimento de que se é capaz e produtivo, para manter o contato social, dentre outros.

O interessante desse fato é que as empresas conscientes do retrato do futuro (população envelhecida) terão vantagens com a tendência dos empregados em adiarem as suas aposentadoria. Até porque, se as empresas continuarem a focar o trabalhador jovem em detrimento do mais velho, certamente irão se jogar diretamente para um precipício demográfico. Na próxima década, quando os baby boomers começarem a chegar aos 60 anos e a pensar em aposentadoria, não haverá um ingresso suficiente de jovens no mercado para compensar o êxodo. Nos EUA, o Buraeu of Labor Statistics projeta uma defasagem de 10 milhões de trabalhadores em 2010. Em países onde a taxa de natalidade está bem abaixo do nível de reposição da população (sobretudo na Europa ocidental), o déficit surgirá mais cedo, será mais severo e terá caráter crônico.

O problema não será apenas a falta de braços. Qualificação, conhecimento, experiência e relacionamentos também se vão toda vez que alguém se aposenta, e sua reposição consome tempo e dinheiro. Não nos esqueçamos há uma

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sistema educacional em gerá-la .Haverá uma perda contínua de conhecimento tácito das organizações. E mais: a escassez de trabalhadores atingirá a faixa etária associada com liderança e posições cruciais da organização.

A boa notícia, como já foi dito anteriormente, é que existe uma saída: a maioria do pessoal maduro quer seguir trabalhando.Do pessoal aposentado, aproximadamente 20% continuam na ativa. Entre o pessoal abaixo dos 60 que já recebe aposentadoria, mais de 50% trabalham.Dentre os de 55 anos ou mais que aceitaram uma aposentadoria precoce, um terço voltou à ativa. Mas atenção:os recém aposentados podem não querer trabalhar para a mesma empresa. Isto porque, em geral, eles trabalham em meio período ou como autônomos.

Sendo assim, cada vez mais as empresas terão de se ajustar a esses trabalhadores, se quiserem acesso a sua capacitação. Uma empresa interessada em conquistar uma geração de trabalhadores maduros precisa começar pelo ambiente de trabalho em si, até então alheio a qualquer pessoa acima dos 50 anos. Tudo começa no recrutamento: um trabalhador maduro se sentirá atraído por um anúncio que enfatize “experiência” e “conhecimento” ao invés de “energia”,”ritmo acelerado” e “idéias novas”. Para admissão de um profissional, a empresa deverá ser clara e objetiva quanto ao perfil da pessoa a ser contratada. Para cada situação há uma necessidade peculiar, e a idade versus experiência pode ser significativo nesse processo. Vários fatores são mais significativos do que a idade no desempenho das pessoas, entre eles o vínculo do profissional com a empresa, o grau de satisfação com o seu trabalho, o desafio proposto e a valorização que é dada ao profissional. É óbvio que em algumas tarefas nas quais é exigida uma maior força física, o profissional mais jovem leva vantagem. Em contrapartida, funções que exijam experiência e alto grau de organização, são desempenhadas por pessoas mais maduras. O importante é ressaltar que o mercado de trabalho não poderá ser mostrar preconceituoso em relação aos profissionais da terceira idade e sim atentos ao ganho significativo para a empresa ao se contratar uma profissional de idade mais avançada, fora do esteriótipo até então valorizado.

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O trabalhador maduro será, acima de tudo, atraído por uma cultura que valorize sua experiência e sua capacitação – um ambiente que, para ser criado, pode exigir tempo e esforço. Nos EUA, a Aerospace Corporation é uma empresa que ganhou, ao longo dos anos, a reputação de valorizar experiência e conhecimento. Cerca de metade de sua folha regular de 3.400 funcionários em tempo integral tem mais de 50 anos – sinal claro que a experiência ali é bem-vinda. A CVS, rede de farmácia americana, deu passos largos na criação de um ambiente mais acolhedor para o pessoal maduro; nos últimos 12 anos , mais que duplicou o percentual de funcionários com mais de 50 anos, contanto, inclusive com funcionários de 90 anos.

Já foi dito anteriormente que os trabalhadores maduros valorizam a recém conquistada independência e dão preferência a maior flexibilidade no trabalho. O caso da empresa ARO Incorporated, um prestadora de serviços terceirizados de processos de negócios de Kansas City, no Missouri. Seis anos atrás, a ARO tinha rotatividade de pessoal de 25%. Michel Amigoni, diretor de operações da empresa, resolveu cortar custos e melhorar o serviço investindo em uma tecnologia que permitisse a cerca de 100 funcionários trabalharem sem sair de casa. Em seguida, partiu para a contratação de baby boomers, a quem a flexibilidade agradava, para preencher tais postos. A ARO ganhou acesso a uma grande reserva de funcionários maduros, experientes, que de modo geral ficaram na empresa mais tempo do que o pessoal mais jovem.

Outro caso de sucesso em relação à flexibilização do trabalho cabe a empresa Deloitte Consultmg. Para não perder um talentoso grupo de sócios que se aproximavam da aposentadoria, a Deloitte Consultmg criou o programa Sênior Leaders, no qual era criada uma segunda carreira na empresa, incluindo horário e localização flexíveis, projetos especiais e a oportunidade de atuar como mentor e se envolver em pesquisa, treinamento e desenvolvimento. O programa tornou-se um sucesso , pois ser um líder sênior virou algo altamente prestigioso, tanto para a empresa como para os clientes.

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Na Varian, uma das grandes fabricantes americanas de sistemas de radioterapia, funcionários com mais de 55 anos, que tenham trabalhado na empresa pelo menos por cinco anos e planejem se aposentar dentro de 3 anos podem negociar uma redução de jornada. O esquema típico é de quatro dias por semana no primeiro ano e três dias por semana nos anos seguintes.

Vale ressaltar que o trabalho flexibilizado é uma forma de motivar o trabalhador mais velho a continuar na ativa, o que já é uma tendência no mercado. Acima de tudo, o trabalho flexibilizado lança as bases para uma abordagem mais flexível da aposentadoria, fundada no princípio de que o indivíduo pode continuar a contribuir de alguma forma mesmo de pois de sua “aposentadoria”.

O fato de o trabalhador maduro desejar continuar a trabalhar é um desejo natural. Natural porque , na verdade, ao longo de quase toda a história, o ser humano trabalhou até não poder mais. Quando a noção moderna de aposentadoria foi articulada, na reta final do século 19, a idade oficial de aposentadoria era maior do que a expectativa de vida. No entanto, a expectativa de vida subiu, deixando mais anos para o ócio. E puro ócio, pouquíssimos querem.

O Brasil segue a tendência mundial em relação aos trabalhadores bem como em relação ao empregador. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) há duas maneiras de interpretar o interesse dos brasileiros em seguir trabalhando depois dos 60 anos. A primeira revela que há uma insegurança financeira entre os profissionais quando o assunto é aposentadoria. A segunda é a percepção de que estarão com a saúde em dia, prontos e aptos para prolongarem os dias de labuta. As empresas brasileiras, por sua vez, ainda que lentamente, têm percebido que o importante é a capacidade de trabalho do empregado, não a sua idade.

O Grupo Pão de Açúcar, desde outubro de 1997, implantou um programa pioneiro no setor supermercadista brasileiro. Com mais de 334 lojas espalhadas pelo Brasil, a rede emprega, atualmente, cerca de 800 idosos que atuam em

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funções de empacotador, caixa e recepcionista. O projeto voltado para a terceira idade começou no Pão de Açúcar da Rua Teodoro Sampaio (SP), loja que já realizava ações comunitárias com os idosos daquela região. O período de experiência durou quatro meses e trouxe resultados bem satisfatórios: além de serem assíduos e responsáveis, os funcionários mostraram-se atenciosos e amáveis com os clientes. A partir daí, a empresa oficializou o projeto, expandindo-o para expandindo-outras lexpandindo-ojas da rede. Além de Sãexpandindo-o Paulexpandindo-o, expandindo-o prexpandindo-ograma também funciexpandindo-ona nexpandindo-o Rio de Janeiro, Distrito Federal, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Paraná, Ceará e Pernambuco.

Em agosto de 2004, a Apsen Farmacêutica, uma empresa 100% brasileira, passou a contratar profissionais com a idade a partir de 65 anos de idade. Para concorrer às vagas disponíveis, os candidatos precisavam atender algumas exigências: ter idade mínima de 65 anos, experiência no ramo farmacêutico, nível superior, bom humor e disposição para o trabalho. O processo de seleção não foi diferente dos demais. Floriano Serra, diretor de Recursos Humanos e Qualidade de Vida das Aspen, comenta; “na medida em que consideramos o profissional da terceira idade tão competitivo e capaz quanto os jovens, não havia razão para ser criado um processo diferenciado. Como com qualquer candidato, queríamos aferir experiências, competências, habilidades e sobretudo características pessoais”. Quanto aos benefícios trazidos à empresa, a iniciativa possibilitou que a ASPEN absorvesse profissionais talentosos, experientes e motivados.

Inúmeros são os exemplos que atestam o vigor e a capacidade produtiva dos considerados preconceituosamente “velhos demais para o mercado”. A grande poetisa Cora Coralina publicou o seu primeiro poema aos 75 anos; o sambista Cartola gravou seu primeiro samba aos 65; o jornalista Roberto Marinho fundou a poderosa Rede Globo aos 65 anos. Todos mostraram com bravura e competência que estarão sempre prontos para o mercado de trabalho.

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CAPÍTULO 3

O MERCADO CONSUMIDOR DA TERCEIRA IDADE

O filme Coccon dos anos 80 foi um sucesso. Ele mostrava um bando de velhinhos revitalizados pelo contato com esferas extraterrestres.Esses velhinhos colocaram abaixo todas as regras do asilo onde moravam , transformando-o em um lugar de dança, brincadeiras, namoro e sexo. É assim, descontados os exageros da ficção, o novo perfil do idoso das próximas décadas.

Faith Popcorn, uma pesquisadora americana de tendências, diz em seu Dicionário do Futuro, que “a medicina e a geração redefinindo o sentido do que é envelhecer” (Revista Exame, reportagem “Os novos velhos”.). Segundo ela, para esses novos consumidores velhos, que são mais numerosos e vivem mais e melhor que seus antepassados, há uma indústria trabalhando a todo vapor. Dos medicamentos e serviços de saúde a automóveis, dos alimentos ao setor financeiro, não há área de negócios que escape da influência das mudanças demográficas em curso.

De acordo com a ONU, a quantidade de sexagenários no mundo já é maior do que a de crianças abaixo de 14 anos. Em 2025, o Brasil passará da 16ª posição à sexta na lista dos países com o maior número de idosos. Serão 33 milhões de pessoas com mais de 60 anos – o equivalente a duas vezes a população de Minas Gerais (op. cit)

A primeira conseqüência direta do alongamento da vida é o aumento da oferta de serviços e produtos voltados para a faixa idosa da população. Um levantamento do grupo francês Sodexho avalia em 25 bilhões de dólares o potencial de mercado dos idosos em 11 países. Devido ao envelhecimento da população, a Sodexho estima que até 2025 seus negócios – alimentação, limpeza, lavanderia, acompanhamento de idosos e cuidados com eles – cresçam 27% na Espanha, 13% no Reino Unido e 3% na França e Itália.(op.cit)

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O Brasil já presta atenção a esse novo nicho, decorrente do envelhecimento da população. O movimento ainda não é tão significativo, pois aqui possuímos uma desigualdade social que restringe o mercado consumidor da terceira idade a indivíduos que fizeram carreiras bem-sucedidas em profissões liberais ou como executivos, e as faixas mais bem-remuneradas dos aposentados do serviço público. Porém, o forte crescimento dos fundos de previdência privada aponta para uma mudança consistente a médio prazo, uma vez que a maioria tem consciência de que a previdência oficial não é suficiente para se viver dignamente. “O poder aquisitivo dos brasileiros com mais de 50 anos de idade deverá crescer 2,5% ao ano na próxima década”, diz James Wright, que conduz o Programa de Estudos do Futuro na USP.(Revista Exame, artigo “Os novos velhos”)

Como é na faixa da terceira idade que se encontra o contingente que mais consome medicamentos, nada mais natural que as empresa desse setor tenham sido as primeiras a desenvolver ações para atraí-lo. Em 1987, a rede de farmácias paulista, Drogaria São Paulo, lançou um programa de descontos de 15% nas compras de clientes aposentados ou com mais de 60 anos. “Chegamos a conquistar 1 milhão de associados”, diz Marcus Paiva, diretor-superintendente da rede (op. cit.) Seguindo a mesma trilha, o laboratório Medley, de Campinas, fechou acordo com o Sindicato Nacional dos Aposentados para que seus filiados comprem medicamentos genéricos com abatimento de 25% a 30%. O projeto deverá atingir 120.000 aposentados.

Os bancos, sempre atentos ao melhor lucro, são também exemplos de bons exploradores desse novo filão. O Bradesco lançou o Top Sênior, linha de seguros para pessoas de 59 a 80 anos do Bradesco Vida e Previdência. Os clientes pagam em torno de 200 reais por mês para acumular um capital de 15.000 reais. Depois de observar o aumento da expectativa de vida da população, o Bradesco mudou a política e elevou a idade de ingresso no programa para 65 anos. Já o Itaucard realizou o estudo "Cartões de Crédito na Terceira Idade" e concluiu que os clientes com 60 anos ou mais responderam por 10% do valor das compras feitas com cartão de crédito no país no primeiro semestre do ano de 2007, o que

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representa um faturamento de R$ 8,4 bilhões. Atualmente praticamente todos os bancos possuem produtos e serviços com taxas de administração e aplicações diferenciadas, exclusivas para a terceira idade.

As montadoras de automóveis também passaram a estudar com lupa o gosto dos consumidores mais velhos. Nessas pesquisas descobriram que os brasileiros acima de 60 anos preferem modelos que oferecem espaço, autonomia, segurança e conforto. Dão pouca importância a fatores como status e prestígio do veículo, ao contrário do que ocorre em países como a França, onde 75% dos carros de luxo são comprados por idosos. "No Brasil, a cada década de vida do consumidor, o design e o luxo passam a ter menos importância", diz Paulo Kakinoff, gerente do programa de vendas da Volkswagen. "Para acompanhar o envelhecimento da população, a indústria automobilística tem optado por modelos que não sejam restritivos a nenhum público específico."

A geração que está entrando nos 60 anos já se beneficiou dos grandes avanços da tecnologia médica, cosmeotológica, da reposição hormonal e foi influenciada pelo culto à juventude. Independente da classe social, esse grupo de idosos apresenta maior disponibilidade para o consumo, principalmente em relação a produtos para a preservação do corpo. E isto é tudo que a indústria de cosméticos quer. No Brasil, a Natura foi a primeira empresa a lançar produtos que estampam no rótulo a segmentação por faixa etária. Seu creme anti-sinais Chronos possui uma fórmula específica para cada ciclo biológico: dos 30 aos 35 anos, dos 45 aos 60 anos e dos 60 em diante. Segundo a Natura, as vendas nesta última faixa cresceram 30% entre 2000 e 2001. Bem acima dos 5% que o mercado de cremes e loções para o rosto atingiu no período. Para explorar o mesmo nicho, a Avon, concorrente da Natura, defende-se com o Renew, um creme antiidade que está entre os mais caros no catálogo da empresa. O Renew representa atualmente metade das vendas da Avon no Brasil.

Entretanto, os idosos não estão apenas preocupados com o corpo. Querem também liberdade.O desejo de ter o próprio espaço é comum à grande maioria das pessoas mais velhas, de acordo com pesquisa realizada pela terapeuta

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ocupacional Sônia Greib, na Universidade Federal de São Paulo. Um exemplo é o Residencial Santa Catarina, um tipo de flat de alto luxo inaugurado há menos de dois anos no bairro paulistano do Paraíso. Erguido pela Associação Congregação de Santa Catarina, o prédio tem 125 apartamentos com quarto, banheiro, sala e cozinha. A maioria das unidades possui móveis e acessórios adaptados para pessoas idosas, com dificuldade de locomoção e que, eventualmente, usam cadeira de rodas. O banheiro tem barras de apoio e há pelo menos três botões de chamada de emergência que acionam a recepção e a unidade de saúde. Além dos serviços comuns aos hotéis, o residencial oferece assistência médica e mantém atividades esportivas e culturais para estimular o convívio dos residentes.

No Brasil, é notório que os governos, tanto municipal,estadual ou federal falham na questão das necessidades básicas da terceira idade, principalmente em relação à saúde pública.Talvez, para compensar os maus tratos, foi lançado o programa Viajamais – Melhor Idade, exclusivo para idosos e aposentados. “Será um turismo de portas abertas para a Melhor Idade, com muito respeito pelo segmento que apresenta um grande potencial de viajantes para o nosso turismo”, destacou a ministra Marta Suplicy (Brasilturis Jornal, 20/08/2007). Os juros serão abaixo de 1%. Na realidade, com variações de 0,65% por seis vezes e 0,95% por 12 meses. O programa brasileiro deverá repetir o êxito de similares existentes na França, Espanha e no Chile, este de sucesso indiscutível com o “Vacaciones de Tercera Edad”. É óbvio que as empresas de turismo não estão deixando esse filão escapar. Segundo a Associação Brasileira de Agências de Viagens, mais de 20% dos pacotes de viagem vendidos foram para grupos com mais de 60 anos. As operadoras e os hotéis perceberam que precisam tomar determinados cuidados ao abordar essa clientela. "Se você anunciar um pacote turístico para grupos da terceira idade, corre o risco de afugentar o público", diz Francisco Ancona Lopez, consultor de marketing da Costa Cruzeiros, empresa italiana que atua no Brasil. Mais de um terço dos clientes da Costa Cruzeiros estão na faixa acima de 60 anos (Revista Exame, artigo “Os novos velhos”.) Os idosos não querem ser segregados

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No entanto, para o coordenador do Centro de Referência em Inteligência Empresarial da Coppe/UFRJ, Marcos Cavalcante, a maioria dos negócios voltados para a terceira idade ainda estão na fase embrionária. “Os idosos formam , hoje , uma público mal atendido. Não consigo entender como os empresários ainda não se deram conta de que as possibilidades são muitas”, diz Marcos Cavalcante.(Jornal O Globo, Caderno Boa Chance – Terceira Idade:mercado ainda aberto a pioneiros). O professor da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM) Ricardo Scaroni, especializado em varejo na área de saúde, chama atenção para o mercado consumidor da terceira idade. “Os idosos querem novidades, produtos e serviços diferentes. O fenômeno das casas de bingo foi indicativo: quantos daqueles freqüentadores não continuam dispostos a consumir?”, diz Scaroni (op. cit).

O público da terceira idade é composto por consumidores experientes, exigentes e altamente críticos em relação à qualidade de serviços prestados. Sabem o que querem,como e quando. Mas com certeza é um público que não poderá ser ignorado nas próximas décadas ,e sim valorizado.

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CONCLUSÃO

De acordo com as pesquisas demonstradas, é inevitável o envelhecimento da população brasileira, seguindo a tendência mundial. Quer pela baixa natalidade,quer pela baixa mortalidade, seremos o sexto país mais velho em 2025. No entanto, contrário ao ritmo acelerado do envelhecimento, o ritmo das mudanças necessárias para a acolhida da terceira idade é lento. Isto porque o Brasil possui uma legislação para a garantia dos direitos daqueles que já passaram dos 60 anos, porém pouquíssimo praticada na realidade. Alguns passos são dados, mas certamente as políticas públicas estão longe de atender a demanda que essa nova parcela da população exige. Os problemas começam na saúde pública, vão para a aposentadoria, enquanto as soluções seguem vagarosas e um tanto nebulosas.

Por outro lado, seguindo os padrões do puro capitalismo, o mercado consumidor representado pelos novos idosos é alvo de grande interesse pelas mais diversas representações de serviços. Afinal, os chamados baby boomers serão a geração de consumidores maduros de maior ou melhor poder aquisitivo até então visto. Setores como turismo, saúde,automobilístico, hoteleiro e demais serviços começam a investir nesse nicho. O mercado para a terceira idade oferece, inegavelmente, um futuro muito promissor.

É fácil chegar à conclusão que com o envelhecimento da população há, concomitantemente, o envelhecimento da força de trabalho. Entretanto, esse envelhecimento não é negativo, a não ser para empresas preconceituosas com o trabalhador maduro. E lutar contra preconceito é uma tarefa árdua e desgastante. Sendo assim, as empresas , salvo exceções já citadas no capítulo pertinente, terão com urgência,de mudar as suas posturas e conceitos não só em relação aos seus trabalhadores seniores, bem como ficarem atentas às novas “velhas” oportunidades “aposentadas” no mercado.

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As políticas públicas podem ser implementadas de modo vagaroso,os mercados de trabalho e do consumidor terão seus caminhos e percalços , mas os novos velhos não esperam. Já adquiriram um novo comportamento, e estão a mil.Estão ingressando em universidades e cursos de idiomas. Praticam esportes, inclusive radicais. Vão ao cinema e teatro. Passeiam mais. Informam-se mais. Querem aprender mais e mais. Conclui-se assim, que em um futuro bem próximo, a lembrança dos antigos idosos ficará restrita à poesia “Retratos”, de Cecília Meirelles:

“Eu não tinha este rosto de hoje, assim calmo, assim triste, assim magro,

nem estes olhos tão vazios, nem o lábio amargo. Eu não tinha estas mãos sem força,

tão paradas e frias e mortas;

eu não tinha este coração que nem se mostra.

Eu não dei por esta mudança, tão simples, tão certa, tão fácil. Em que espelho ficou perdida a minha face?”

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REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICAS

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www.rh.com.br, acesso em 22/07/2007.

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FOLHA DE AVALIAÇÃO

Nome da Instituição: Universidade Candido Mendes Instituto A Vez do Mestre

Título da Monografia: Os reflexos do novo idoso na sociedade

Autor: Maria Fernanda Lima Ventura de Bragança Alves

Data da entrega: 29/01/2008

Referências

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