As aulas de yoga realizadas tanto no Maternal quanto no Jardim foram desenvolvidas pensando em criar uma atmosfera acolhedora que encoraje as crianças a relaxar, se divertir e “experenciar” sensações enquanto desenvolvem não apenas força, coordenação, flexibilidade e equilíbrio, mas também consciência, melhora na capacidade de concentração, foco e autoconfiança. Dessa forma, as aulas não se restringiram somente à prática dos exercícios físicos, a fim de que desde cedo eles sintam que o yoga vai além de um alongamento e percebam que é também um caminho que conduz o ser humano à compreensão de si mesmo, à luz interior.
Todo começo de aula tocamos o sino e entoamos o mantra OM a fim de que eles se conectem com a respiração e se concentrem no começo da aula. Nesta aula, apresentei a eles o símbolo do som universal OM na forma de mandala, eles seguiram colorindo-a em um mosaico com os pedaços de papel. Priorizo as atividades em grupo a fim de aumentar as relações entre eles e construir a força do coletivo.
A terra é um elemento da natureza rica em minerais e metais de propriedades terapêuticas, regenera as energias, revitaliza o sistema psicofísico e o organismo. Alivia tensões e volta o ser humano às sensações primitivas. A atividade da interação com a argila foi pensando nessas características. Além disso, a proposta do contato com a terra
RELATÓRIO DE YOGA
1º Semestre/2016
Turmas: Maternal e Jardim
Professora:
Carla Cristina Urbina Carrion
Coordenação: Ludmila Santos
é uma forma de conectar as crianças ao mundo que se apresenta a elas. O primeiro setênio das crianças revela que vivem em uma fase aérea, relacionada com elementos mais subjetivos, o contato com a terra as trazem para o presente e para esse planeta. E yoga é a união com aquilo que existe de mais divino dentro de nós e com a divindade que está nos elementos da natureza.
Foi proposto também aulas em que eles realizaram posturas de yoga em duplas. O conhecimento do mundo por meio do corpo. Lívia na postura da criança (Balásana), Bernardo na postura da roda (Cakrásana), Ian e Antônio na postura do barco (Navásana).
Trabalhamos também yoga e música inspiradas no livro Yoga com Música. Músicas e posturas para relaxar idealizado por Cris Pitanga. A cada música existe uma postura de yoga na qual eles a realizam brincando. Algumas das letras:
“Como árvore eu vou ficar, equilíbrio eu vou ganhar”
“Ploc ploc, olha esse sapo, como ele pula, suas pernas ficam fortes, suas pernas ficam fortes, ploc ploc, olha esse sapo, como ele dorme, concentra e relaxa, concentra e relaxa.”
“ Voa borboleta, voa borboleta, voa pra lá, voa pra cá, vou voar como uma borboleta e a paz eu vou levar para todo o lugar.”
“Vou rolar o meu corpo para lá e para cá e com isso vou esquentar. Esquentar, esquentar...com muita alegria vou ficar.”
“Forte e corajoso como um leão caminho pelo mundo fazendo tudo com o coração.”
Ao final da maioria das aulas faço massagem neles e em seguida eles fazem um no outro. Os alunos são receptivos para a massagem.
A respiração conecta nosso corpo físico à nossa alma. Nossa primeira inspiração trouxe vida ao corpo físico, nossa última expiração será o abandono da alma à esse corpo físico. Dessa forma, no yoga a respiração é uma prática essencial para nos trazer para o presente, para nos conectar ao nosso Eu Superior, à nossas forças internas divinas. Sentamos em roda e simulamos encher bexigas, conduzi para que eles enchessem a barriga de ar e em seguida os pulmões e após eliminassem todo o ar dos pulmões e da barriga devagar. Essa é a respiração completa do yoga, na qual o prana (energia
vital) percorre todo o eixo da coluna vertebral. Nutrindo os centros energéticos (cakras) do nosso corpo. Os alunos do Jardim encheram sozinhos, o os outros nós os ajudamos a efetivar a atividade e em seguida eles brincaram com as bexigas.
Da mesma forma, a proposta de levar bolhas gigantes foi incentivá-los a assoprar a bolha, a se conectarem com o elemento ar.
Yoganidra é uma técnica de relaxamento, é uma forma de recuperar e restabelecer o corpo energético e, dessa forma relaxados fortalecemos o sistema imune. É necessário que aprendamos a relaxar. Levei como opção de relaxamento a bola suíça para que eles relaxassem sobre a bola.
Fizemos também sequências terapêuticas sistematizadas pelo professor Hermógenes em seu livro Yoga para Nervosos. Consiste em sequências na quais eliminamos os bloqueios guardados dentro de nós. São sequências de purificação que envolvem gritos explosivos RÁ!
Pintamos a árvore da vida na qual as folhas foram feitas com o carimbo das mãos das crianças. Essa árvore representa as ações que estamos colhendo em nossas vidas. E conversamos sobre isso assim: Se plantamos a árvore do amor, colheremos o quê? Amor. Se plantarmos a árvore da brincadeira, vamos colher brincadeira. Se plantarmos a árvore da verdade, colheremos verdade. E se plantarmos a árvore da mentira? Colheremos o quê? Mentira. Qual a semente você vai escolher plantar na sua vida? Os
ensinamentos do yoga dizem que você pode escolher semear a semente que quiser, mas a colheita é inevitável.
Ao final da aula, cantamos: “Mãos que abençoam e fazem o bem. Mão que trabalham e não se detêm. Mãos amorosas a todos amparam. Mãos que rezam e sempre rezaram. Mão que celebram o gesto profundo. São dessas mãos que precisa o mundo”.
Foi um desafio trabalhar yoga com crianças e sou grata pela oportunidade e pela liberdade pedagógica que a Escola do Sítio proporciona aos professores. O processo torna-se criativo e lúdico respeitando a escolha das crianças de se envolverem ou não na atividade. Acredito que o Maternal está
num processo de assimilação do yoga e aos poucos eles foram participando mais das atividades propostas. Enquanto o Jardim I já se apresenta numa fase de apreensão grande dos nomes das posturas do yoga, demonstram mais interesse e atenção. O interessante é que o yoga mesmo diz que devemos agir desapegados do resultado da ação. Dessa maneira sigo dando ênfase no processo de desenvolvimento tanto das técnicas quanto da filosofia da prática.