Universidade de Aveiro Departamento deElectr´onica, Telecomunica¸c˜oes e Inform´atica 2011
Bruno
Rodrigues Braz de
Carvalho
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encias de Treino 802.11p
Universidade de Aveiro Departamento deElectr´onica, Telecomunica¸c˜oes e Inform´atica 2011
Bruno
Rodrigues Braz de
Carvalho
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encias de Treino 802.11p
Disserta¸c˜ao apresentada `a Universidade de Aveiro para cumprimento dos requisitos necess´arios `a obten¸c˜ao do grau de Mestre em Engenharia Electr´onica e Telecomunica¸c˜oes, realizada sob a orienta¸c˜ao cient´ıfica do Professor Doutor Arnaldo S. R. Oliveira e co-orienta¸c˜ao cient´ıfica do Profes-sor Doutor Jo˜ao Nuno Matos, Professores do Departamento de Electr´onica, Telecomunica¸c˜oes e Inform´atica da Universidade de Aveiro
o j´uri / the jury
presidente / president Prof. Doutor Jos´e Alberto Gouveia Fonseca Professor Associado da Universidade de Aveiro
vogais / examiners committee Prof. Doutor Arnaldo Silva Rodrigues de Oliveira Professor Auxiliar da Universidade de Aveiro (orientador)
Prof. Doutor Jo˜ao Nuno Pimentel da Silva Matos Professor Associado da Universidade de Aveiro (co-orientador)
Prof. Doutor Ant´onio Jos´e Duarte Ara´ujo
Professor Auxiliar do Departamento de Engenharia Eletrot´ecnica e de Computa-dores da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto
agradecimentos / acknowledgements
Este trabalho marca o culminar de uma alegre, por´em por vezes dif´ıcil cam-inhada na Universidade de Aveiro. No decorrer destes anos, muitos foram aqueles que estiveram ao meu lado. A eles, o meu profundo agradecimento. A Deus, o meu maior orientador.
Aos meus Pais; pelo exemplo de determina¸c˜ao com que olham a vida, por estarem ao meu lado a cada momento, mesmo que por vezes me deixem trope¸car, para que possa aprender qual o melhor caminho.
Aos meus Irm˜aos; s˜ao os meus melhores amigos, est˜ao sempre ao meu lado e, apesar de mais novos, ajudam-me a crescer.
`
A Margarida; pelo conforto nas horas dif´ıceis e orienta¸c˜ao nas horas de devaneio. Pelo sorriso com que me brindas pela manh˜a, pelo amor e por toda a alegria que d´as ao meu dia.
Aos outros elementos do grupo dos cinco; pela disponibilidade nos melhores e nos piores momentos, pelas noites de boa disposi¸c˜ao, pelas conversas mais ou menos interessantes, pela palha¸cada e pela uni˜ao.
`
A Rep´ublica do Terra¸co; pelas noites de estudo regadas com boa disposi¸c˜ao, e pelo companheirismo e alegria com que me foram brindando ao longo dos anos.
Aos meus amigos; por me ouvirem, por se rirem de mim, pelas cr´ıticas e pelo encorajamento. S˜ao parte importante da minha vida.
Por fim, mas n˜ao menos importante, aos meus orientadores Prof. Doutor Arnaldo Oliveira e Prof. Doutor Jo˜ao Nuno Matos, pela cr´ıtica, conheci-mento e apoio.
Resumo As comunica¸c˜oes veiculares s˜ao um campo da comunica¸c˜ao r´adio ainda pouco disseminado. O tipo de comunica¸c˜oes efectuado no ˆambito veicular, at´e agora, resume-se a um conjunto muito restrito de aplica¸c˜oes, de entre as quais se destaca o tolling. No entanto, e dada a crescente necessidade de comunica¸c˜oes nos mais variados cen´arios, o grupo de standards IEEE 802.11 desenvolveu uma norma que permitir´a comunica¸c˜ao r´adio com alta largura de banda em ambientes veiculares - a norma IEEE 802.11p.
Um dos maiores problemas das comunica¸c˜oes neste tipo de ambientes passa pela fraca qualidade do canal, bem como as suas caracter´ısticas bastante vari´aveis. ´E neste ˆambito que surge a necessidade de implementa¸c˜ao de um forte mecanismo de sincroniza¸c˜ao e recupera¸c˜ao das tramas transmiti-das. A norma encontra-se munida de ferramentas capazes de auxiliar tanto a sincroniza¸c˜ao no dom´ınio do tempo como no dom´ınio das frequˆencias. Contempla a utiliza¸c˜ao de sequˆencias de treino bem definidas e de porta-doras piloto, capazes de incorporar sistemas de sincroniza¸c˜ao potenciadores de uma comunica¸c˜ao mais est´avel.
Com este trabalho, pretende-se desenvolver uma ferramenta capaz de, quando implementado num sistema completo de comunica¸c˜oes veiculares, proceder `a sincroniza¸c˜ao no dom´ınio temporal.
Num primeiro momento e, ap´os o estudo da norma e das suas sequˆencias de treino, foi abordada a implementa¸c˜ao da gera¸c˜ao destas mesmas sequˆencias paralelamente ao processamento da trama completa, com o intuito de diminuir o impacto temporal que a sua sintetiza¸c˜ao provocaria na cadeia de transmiss˜ao. Posteriormente, foi implementado um modelo de gera¸c˜ao de tramas e sincroniza¸c˜ao das mesmas utilizando a biblioteca System Gen-erator do Simulink e o XtremeDSP Development Kit-IV, um kit de desen-volvimento constitu´ıdo por trˆes FPGAs da Xilinx.
Esta disserta¸c˜ao resultou na implementa¸c˜ao de um gerador de tramas sim-plificado, dado que cada trama apenas cont´em uma sequˆencia de treino e um conjunto de dados gerado de forma aleat´oria, e ainda num mecanismo de sincroniza¸c˜ao da trama no dom´ınio do tempo. Como forma de teste, foi ainda introduzido um conjunto de blocos respons´avel pela introdu¸c˜ao de ru´ıdo. No entanto, o modelo apresenta algumas limita¸c˜oes, j´a que a sua im-plementa¸c˜ao foi desenvolvida sem o aux´ılio de toda a cadeia de transmiss˜ao e recep¸c˜ao prevista na norma IEEE 802.11p.
Abstract Vehicle communication is a radio communication subject poorly dissemi-nated. Communications including vehicles as one of its nodes so far boil down to a very limited set of applications, among which stands out tolling. However, given the growing need for communications in a variety of sce-narios, the IEEE 802.11 standards group has developed a standard that will allow high bandwidth radio communication in vehicular environments -IEEE 802.11p.
One of the biggest problems of communication in these environments is the poor quality of the channel, as well as its rather variable characteristics. This context arises the need to implement a strong synchronization mechanism and transmitted frames recovery. The standard is provided with tools to assist both the synchronization in the time domain as in the frequency domain. Contemplates the use of well-defined training sequences and pilot carriers, able to incorporate synchronization systems enhancers of a more stable communication.
This work is intended to develop a tool capable of proceeding with time domain synchronization, when implemented in a vehicle communications’ complete system.
At first, and after studying the standard and its training sequences, the implementation of parallel training sequences generation was implemented, in order to decrease the delaying impact that would cause the transmission chain . Subsequently, it was implemented a model of generation and syn-chronization of the same streams using the library System Generator from Simulink and resorting to XtremeDSP Development Kit-IV, a development kit consisting of three Xilinx FPGAs.
This thesis resulted in the implementation of a simplified stream generator, since each frame contains only a training sequence and a set of randomly generated data, and also a time domain synchronization mechanism for the received stream. For a test purpose, it was also introduced a set of blocks ehich objective was to generate noise. However, the model has some limitations, since its implementation has been developed without the aid of the transmission and reception chain planned in the IEEE 802.11p standard.
Conte´
udo
Conte´udo i
Lista de Figuras v
Lista de Tabelas vii
Acr´onimos ix
1 Introdu¸c˜ao 1
1.1 Enquadramento . . . 1
1.2 Motiva¸c˜ao . . . 5
1.3 Objectivos . . . 5
2 Comunica¸c˜oes Veiculares 7 2.1 Tecnologias utilizadas no ˆambito das comunica¸c˜oes veiculares . . . 7
2.2 Projectos desenvolvidos ou em desenvolvimento . . . 9
2.3 Espectro de Radiofrequˆencias . . . 11
2.4 Comunica¸c˜oes Veiculares Baseadas em DSRC 5.9 GHz / WAVE / 802.11p . 13 2.4.1 DSRC 5.9 GHz . . . 14
2.4.2 WAVE/IEEE 802.11p . . . 14
3 Sincroniza¸c˜ao em sistemas OFDM 19 3.1 T´ecnicas de Acesso M´ultiplo . . . 19
3.1.1 FDMA . . . 20
3.1.2 TDMA . . . 20
3.1.3 CDMA . . . 20
3.2 OFDM . . . 21
3.2.1 Caracter´ısticas . . . 21
3.2.2 Transmiss˜ao e recep¸c˜ao do sinal OFDM . . . 23
3.3 Fontes de degrada¸c˜ao do desempenho da t´ecnica OFDM . . . 27
3.3.1 Efeitos de multi-percurso . . . 28
3.3.2 Efeito de Doppler . . . 29
3.3.3 Atenua¸c˜oes . . . 30
3.3.4 Ru´ıdo de Fase . . . 30
3.4 Sincroniza¸c˜ao e recupera¸c˜ao do sinal . . . 31
3.4.1 Detec¸c˜ao da trama . . . 31
3.4.2 Sincroniza¸c˜ao na frequˆencia . . . 33
3.4.3 Correc¸c˜ao de erros . . . 34
4 Implementa¸c˜ao 37 4.1 Gera¸c˜ao das sequˆencias de treino . . . 37
4.2 Implementa¸c˜ao recorrendo `a biblioteca System Generator . . . 39
4.2.1 Gerador da trama OFDM . . . 40
4.2.2 Introdu¸c˜ao de ru´ıdo . . . 42
4.2.3 DAC para ADC . . . 42
4.2.4 Cadeia de Sincroniza¸c˜ao . . . 42 4.3 Co-simula¸c˜ao em FPGA . . . 49 4.3.1 Implementa¸c˜ao . . . 49 5 Resultados 51 5.1 Gerador de Trama . . . 51 5.2 Cadeia de sincroniza¸c˜ao . . . 52 5.2.1 Auto-correla¸c˜ao . . . 52 5.2.2 Correla¸c˜ao cruzada . . . 53 5.2.3 Resultado final . . . 54 5.3 Co-simula¸c˜ao . . . 56
5.3.1 Recursos utilizados na FPGA . . . 56
6 Conclus˜oes 57 6.1 Resumo do trabalho realizado . . . 57
6.2.1 Implementa¸c˜ao num sistema completo . . . 58 6.2.2 Sincroniza¸c˜ao na frequˆencia . . . 58
Appendices 58
A Short Training Sequences 59
B XtremeDSP Development Kit-IV 61
Lista de Figuras
1.1 Arquitectura WAVE incorporando a norma IEEE 802.11p [3] . . . 3
1.2 QPSK . . . 4
1.3 OFDM . . . 4
2.1 Algumas das topologias de redes veiculares poss´ıveis [12] . . . 10
2.2 Espectro de radiofrequˆencias . . . 12
2.3 Espectro de radiofrequˆencias na zona do DSRC 5.9GHz [19] . . . 13
3.1 Compara¸c˜ao entre FDMA, TDMA e CDMA . . . 21
3.2 Cadeia de transmiss˜ao e recep¸c˜ao do sinal OFDM . . . 23
3.3 Exemplo de codifica¸c˜ao/descodifica¸c˜ao . . . 24
3.4 Exemplo da utiliza¸c˜ao do Interleaver . . . 25
3.5 Codifica¸c˜ao bin´aria das constela¸c˜oes . . . 25
3.6 IFFT/FFT . . . 26
3.7 Efeito de multi-percurso . . . 28
3.8 Estrutura das training sequences [29] . . . 32
3.9 Aloca¸c˜ao das portadoras piloto segundo a norma IEEE 802.11 . . . 34
4.1 Esquema com blocos Simulink representativo do processamento offline das Short Training Sequencess (STSs) . . . 38
4.2 Esquema com blocos Simulink representativo do processamento offline das Long Training Sequencess (LTSs) . . . 39
4.3 Esquema com blocos do System Generator representativo de toda a cadeia . . 40
4.4 Gera¸c˜ao das tramas . . . 41
4.5 Introdu¸c˜ao de ru´ıdo . . . 41
4.7 Cadeia de sincroniza¸c˜ao . . . 43
4.8 Auto-correla¸c˜ao . . . 44
4.9 Bloco de atraso . . . 45
4.10 Multiplicador . . . 45
4.11 Filtro FIR (Somador) . . . 46
4.12 Diagrama de blocos de um filtro FIR . . . 47
4.13 Diagrama de blocos da implementa¸c˜ao da fun¸c˜ao M´odulo . . . 47
4.14 Correla¸c˜ao cruzada . . . 48
4.15 Bloco de co-simula¸c˜ao . . . 50
5.1 Sequˆencia de treino processada . . . 52
5.2 Trama completa transmitida . . . 52
5.3 Trama de dados transmitida com ru´ıdo adicionado . . . 53
5.4 Resultado da auto-correla¸c˜ao . . . 54
5.5 Resultado da correla¸c˜ao cruzada . . . 55
5.6 Resultado final da correla¸c˜ao . . . 55
5.7 Trama presente `a sa´ıda da DAC . . . 56
Lista de Tabelas
1.1 Categorias das aplica¸c˜oes em redes veiculares . . . 3
2.1 802.11p vs 802.16e . . . 8
2.2 Pilha de protocolos WAVE [21] . . . 15
2.3 Nomenclatura resumida da arquitectura WAVE [21] . . . 16
2.4 IEEE 802.11a em compara¸c˜ao com IEEE 802.11p [19] . . . 17
5.1 Recursos utilizados . . . 56
A.1 Short Training Sequences no dom´ınio do tempo (1a parte) . . . 59
Acr´
onimos
ADC Analog-to-Digital Converter
ANACOM Autoridade Nacional de Telecomunica¸c˜oes ATM Asynchronous Transfer Mode
BER Bit Error Rate
BPSK Binary Phase Shift Keying CDMA Code Division Multiple Access
COOPERS Cooperative Systems for Intelligent Road Safety CORDIC COordinate Rotation DIgital Computer
CVIS Coopertative Vehicle Infrastructure Systems DAC Digital-to-Analog Converter
DC Direct Current
DSRC Dedicated Short-Range Communications EUA Estados Unidos da Am´erica
FDM Frequency Division Multiplexing FDMA Frequency Division Multiple Access FFT Fast Fourier Transform
FIR Finit Impulse Response
GPRS General Packet Radio Service GPS Global Positioning System
GSM Global System for Mobile Communications HDL Hardware Description Language
HSDPA High-Speed Downlink Packet Access
IEEE Institute of Electrical and Electronics Engineers IFFT Inverse Fast Fourier Transform
ISI Inter-Symbol Interference
JSK Association of Electronic Technology for Automobile Traffic and Driving LTS Long Training Sequences
MAC Medium Access Control NoW Network on Wheels OBU On Board Unit
OFDM Orthogonal Frequency-Division Multiplexing PAPR Peak-to-Average Power Ratio
PLCP Physical Layer Convergence Procedure PSK Phase Shift Keying
QAM Quadrature Amplitude Modulation QPSK Quadrature Phase Shift Keying ROM Read-Only Memory
RF RadioFrequˆencia
RFID Radio-Frequency Identification RSU Road Side Unit
SDMA Space Division Multiple Access SNR Signal-to-Noise Ratio
STS Short Training Sequences
TDMA Time Division Multiple Access
UMTS Universal Mobile Telecommunications System V2I Vehicule to Infrastructure
V2V Vehicule to Vehicle
VANET Vehicular Ad-hoc Network
WAVE Wireless Access in the Vehicular Environment WBSS WAVE Basic Service Set
WiBro Wireless Broadband
WiMAX Worldwide Interoperability for Microwave Access WLAN Wireless Local Area Network
Cap´ıtulo 1
Introdu¸
c˜
ao
1.1
Enquadramento
As VANETs tratam-se de um tipo de redes nas quais os ve´ıculos e as infraestruturas que se encontram instaladas junto `as estradas funcionam como n´os de comunica¸c˜ao. Assim sendo, formam uma rede capaz de partilhar e oferecer informa¸c˜ao, que poder´a estar relacionada com aspectos t˜ao dispares como a seguran¸ca ou o lazer. Estas redes s˜ao consideradas fundamentais para que num futuro pr´oximo nos seja poss´ıvel observar uma coopera¸c˜ao entre a condu¸c˜ao dos diversos ve´ıculos que populam as estradas.
As VANETs caracterizam-se por [1]:
• Uma topologia confinada a um conjunto de infra-estruturas (ve´ıculos e infraestruturas junto `a estrada (RSUs)), por´em bastante vari´avel em forma (depende do n´umero de ve´ıculos e RSUs, e da forma como se distribuem);
• Um poss´ıvel grande n´umero de n´os.
• Condi¸c˜oes de comunica¸c˜ao muito vari´aveis e usualmente pouco favor´aveis, dado serem contr´arias `as condi¸c˜oes ideais de propaga¸c˜ao r´adio (possibilidade de existˆencia de obst´aculos entre os ve´ıculos, velocidades relativas dos n´os da rede elevadas);
Actualmente, as redes veiculares encontram-se muito pouco disseminadas. Mas os esfor¸cos por criar condi¸c˜oes de condu¸c˜ao cada vez mais eficientes, confort´aveis e acima de tudo mais seguras j´a come¸caram. Procura-se, com o desenvolvimento deste tipo de redes, fazer diminuir a mortalidade rodovi´aria que se situa nos 1.2 milh˜oes de pessoas por ano em todo o Mundo, o n´umero de feridos que se situa em aproximadamente 40 vezes o n´umero de fatalidades e ainda
tentar diminuir as perdas de tempo e de combust´ıvel que se verificam nos congestionamentos de trˆansito [2].
O desenvolvimento deste tipo de redes ´e de grande interesse econ´omico, j´a que as co-munica¸c˜oes entre ve´ıculos permitem a partilha de canais wireless para aplica¸c˜oes m´oveis, aumentam a capacidade de planeamento de rotas, controlo do congestionamento de tr´afego e ainda uma melhoria na seguran¸ca de todos aqueles que viajam nas estradas. Trata-se de um tipo de rede que tem vindo a adquirir, cada vez mais, uma posi¸c˜ao de relevo no ˆambito das redes sem fios [3].
´
E de prever ainda, que num futuro n˜ao muito long´ınquo, seja poss´ıvel ao Homem viajar com um n´ıvel de seguran¸ca elevad´ıssimo e com condi¸c˜oes de comodidade muito pr´oximas `as que se verificam nas habita¸c˜oes de cada um.
Existem trˆes grandes grupos de aplica¸c˜oes alvo das redes veiculares [4]:
• Seguran¸ca rodovi´aria: Este tipo de aplica¸c˜oes tem como grande objectivo diminuir o n´umero de acidentes e mortes nas estradas, alertando o condutor para potenciais riscos; • Eficiˆencia de tr´afego: Esta categoria engloba todo o tipo de aplica¸c˜oes que procuram descongestionar o tr´afego, ajudando a monitorizar as estradas e oferecendo itiner´arios complementares aos condutores. Al´em de favorecerem os condutores, este grupo de aplica¸c˜oes favorecem o meio ambiente, j´a que menor congestionamento leva a menores n´ıveis de emiss˜oes de gases.
• Servi¸cos de valor acrescentado: Aplica¸c˜oes que promovam o conforto, o divertimento ou a melhor gest˜ao de uma viagem fazem parte desta categoria. Podem ser gratu-itas ou sujegratu-itas a uma taxa, e algumas delas podem promover uma melhor gest˜ao do combust´ıvel.
´
E necess´ario garantir que a troca de mensagens entre os v´arios n´os desta rede, imple-mentada sob condi¸c˜oes adversas ao seu funcionamento, seja efectuada r´apida e eficazmente. Conv´em ent˜ao que sejam utilizados protocolos standard de comunica¸c˜ao muito robustos, j´a que em alguns casos (mensagens de seguran¸ca), podem ser vidas a depender do bom fun-cionamento desta rede.
´
E neste contexto que surgem os conjuntos de protocolos Dedicated Short-Range Communi-cations (DSRC)/Wireless Access in the Vehicular Environment (WAVE) [5] que estabelecem padr˜oes necess´arios ao envio de mensagens de emergˆencia, com grande fiabilidade e de latˆencia muito limitada, para os ve´ıculos circundantes e em r´apida aproxima¸c˜ao.
Categoria da aplica¸c˜ao Latˆencia tolerada
Alcance Exemplos (latˆencia m´axima aceit´avel)
Seguran¸ca Rodovi´aria Baixa Local - Alerta pr´e-acidente (50ms); - Alerta de risco de colis˜ao (100ms)
Eficiˆencia de tr´afego M´edia M´edio - Itiner´ario recomendado (500ms)
Servi¸cos de valor acres-centado
M´edia M´edio - Notifica¸c˜ao de pontos de in-teresse (500ms)
Tabela 1.1: Categorias das aplica¸c˜oes em redes veiculares
Figura 1.1: Arquitectura WAVE incorporando a norma IEEE 802.11p [3]
Espera-se que este tipo de protocolos beneficie enormemente de t´ecnicas de flooding, j´a que em ambientes de alta mobilidade, como o rodovi´ario, existe uma baixa probabilidade de que um broadcast efectuado recorrendo a apenas um salto para todos os ve´ıculos na proximidade tenha sucesso, devido `as atenua¸c˜oes do canal e `a possibilidade de existˆencia de zonas de sombra. Os protocolos que definem este tipo de rede necessitam de responder com sucesso em v´arios tipos de cen´arios, sendo por isso, necessariamente, bastante vers´ateis; A rede pode corresponder a um conjunto de apenas dois ve´ıculos, podendo no entanto alargar-se, numa situa¸c˜ao de um engarrafamento citadino, a centenas de ve´ıculos.
Em 2004, o esfor¸co de normaliza¸c˜ao deste tipo de comunica¸c˜oes (DSRC) ´e assumido pela associa¸c˜ao IEEE, atrav´es do seu grupo de desenvolvimento da norma IEEE 802.11. O enquadramento e necessidades deste tipo de comunica¸c˜oes r´adio, cujas diferen¸cas para a norma IEEE 802.11a se situam essencialmente na contempla¸c˜ao da altera¸c˜ao da gama de frequˆencias
utilizada e em pormenores referentes ao tipo de canal utilizado leva ao aparecimento da norma IEEE 802.11p [6]. Esta procura solucionar as contrariedades inerentes `a comunica¸c˜ao em movimento com canal de qualidade vari´avel ao n´ıvel da camada f´ısica, baseando-se sempre na norma IEEE 802.11a. S˜ao estes protocolos e normas que regulam a forma como a comunica¸c˜ao ´e efectuada, tanto a n´ıvel das caracter´ısticas do hardware utilizado como a n´ıvel do formato e processamento das mensagens respons´aveis pela comunica¸c˜ao.
A necessidade de comunica¸c˜oes sem fios com altas taxas de transmiss˜ao, modula¸c˜oes vari´aveis, v´arios utilizadores e robustez a interferˆencias do meio, levou o grupo IEEE 802.11 a incorporar na norma a modula¸c˜ao Orthogonal Frequency-Division Multiplexing (OFDM). Esta modula¸c˜ao caracteriza-se pela divis˜ao da largura de banda por v´arias portadoras e sobrepostas no tempo, por´em ortogonais. A ortogonalidade permite que as v´arias portadoras n˜ao interfiram entre si, ou seja, idealmente n˜ao existir˜ao quaisquer tipo de interferˆencias.
Figura 1.2: QPSK
Figura 1.3: OFDM
Nas figuras acima est´a explicita a capacidade de economiza¸c˜ao de largura de banda que o OFDM confere ao sinal, devido `a sua ortogonalidade.
Existem, no entanto alguns inconvenientes no uso desta t´ecnica de modula¸c˜ao, que passam pelas altera¸c˜oes nas frequˆencias provocadas por exemplo pelo efeito de Doppler e ainda a possibilidade de existirem atrasos temporais na propaga¸c˜ao dos s´ımbolos. A altera¸c˜ao na frequˆencia provocar´a uma interferˆencia entre portadoras, enquanto que atrasos no tempo
dar˜ao origem a interferˆencias entre s´ımbolos.
A solu¸c˜ao encontrada para contornar estas barreiras constitui a incorpora¸c˜ao de um inter-valo de guarda e um prefixo c´ıclico em qualquer trama OFDM. O primeiro procurar prevenir o sinal para um atraso inferior a este mesmo tempo de guarda, enquanto que o segundo em adi¸c˜ao ao primeiro garante ainda a manuten¸c˜ao de ortogonalidade do sinal.
O prefixo c´ıclico cont´em um conjunto de informa¸c˜oes, nas quais se incluem mecanismos de controlo e ferramentas como as short e long training sequences. As training sequences s˜ao um conjunto de s´ımbolos bem determinados e conhecidos que servem de referˆencia para determinar o in´ıcio de cada trama e ainda, no caso das long training sequences determinar o desvio do sinal na frequˆencia.
1.2
Motiva¸
c˜
ao
Os enormes benef´ıcios, para todos aqueles que viajam nas estradas, do desenvolvimento de um m´odulo capaz de melhorar de uma forma significativa a experiˆencia de condu¸c˜ao levou `
a cria¸c˜ao de um projecto no qual este trabalho se integra. Este projecto procura a cria¸c˜ao de um m´odulo capaz de estabelecer liga¸c˜oes dentro de uma rede veicular seguindo os protocolos baseados no standard WAVE e, desta forma, garantir a cria¸c˜ao de um produto capaz de integrar qualquer rede deste tipo devido `a sua configura¸c˜ao segundo as normas.
´
E neste contexto que a gera¸c˜ao e detec¸c˜ao das sequˆencias de treino se tornam essenciais, j´a que, sem o desenvolvimento deste tipo de mecanismos, a troca de informa¸c˜ao entre os v´arios componentes das redes veiculares se tornaria praticamente irrealiz´avel. Os processos respons´aveis pela sincroniza¸c˜ao da trama s˜ao, desta forma, elementos chave para o bom funcionamento de uma rede de comunica¸c˜ao sem fios.
1.3
Objectivos
Este trabalho visa munir um transmissor/receptor para comunica¸c˜oes veiculares com a capacidade de gerar e detectar as training sequences, tornando assim poss´ıvel a detec¸c˜ao do in´ıcio de cada trama, promovendo desta forma a correcta troca de informa¸c˜ao entre os diferentes n´os nas redes veiculares.
Com este trabalho pretende-se criar dois blocos (Pr´e-processamento das Training Se-quences na parte do transmissor, e Sincroniza¸c˜ao temporal implementado no receptor) perten-centes `a camada f´ısica do m´odulo de comunica¸c˜oes veiculares baseado no DSRC 5.9GHz/WAVE.
Com esta finalidade, torna-se necess´ario, inicialmente, compreender os standards sobre os quais acenta esta implementa¸c˜ao (WAVE, DSRC e IEEE 802.11p), bem como adquirir conhecimentos s´olidos acerca do funcionamento da camada f´ısica deste projecto e ainda de como se processa a modula¸c˜ao OFDM. Numa fase seguinte, ser´a crucial possuir um overview acerca dos blocos presentes no conjunto System Generator da Xilinx implement´aveis em ambiente Simulink.
A fase final do trabalho consiste em, finalmente, implementar numa FPGA, e recorrendo aos blocos do System Generator, ao inv´es de uma linguagem de descri¸c˜ao de hardware (HDL), as fun¸c˜oes inicialmente propostas.
Cap´ıtulo 2
Comunica¸
c˜
oes Veiculares
Redes de comunica¸c˜oes veiculares, como j´a referido, tratam-se de uma nova classe de redes sem fios que emergiu gra¸cas aos avan¸cos verificados, tanto na tecnologia de redes wireless e r´adios, como na industria autom´ovel [7].
O facto deste tipo de rede assentar num ambiente veicular, em que alguns dos seus n´os (ve´ıculos) se movimentam a velocidades relativamente elevadas, requer que a infraestrutura re-spons´avel pelo seu suporte apresente um conjunto de caracter´ısticas que lhe garantam grande estabilidade e qualidade de sinal pr´oximo ao verificado nas casas de cada um. Este contexto despoletou o desenvolvimento de um conjunto de tecnologias sem fios desenhadas especial-mente para ambientes de alta mobilidade e que procuram cumprir com as necessidades de redes com estas caracter´ısticas. Deste conjunto, h´a a destacar o Wi-Fi (IEEE 802.11p), WiMAX (IEEE 802.16e), MBWA (IEEE 802.20) e ainda a tecnologia 3G [8].
2.1
Tecnologias utilizadas no ˆ
ambito das comunica¸
c˜
oes
veicu-lares
Como referido, este trabalho incide na tem´atica das comunica¸c˜oes veiculares, mais propri-amente no protocolo IEEE 802.11p pertencente ao grupo DSRC/WAVE. Conv´em no entanto apontar que al´em deste tipo de tecnologia, existem outros que tornam ou tornar˜ao poss´ıveis as comunica¸c˜oes entre ve´ıculos.
As t´ecnicas que poder˜ao passar a fazer parte das comunica¸c˜oes veiculares variam entre o reaproveitar de tecnologia j´a amplamente implementada, como as redes celulares (GSM, GPRS, ...) e a implanta¸c˜ao de novas redes, como as baseadas no DSRC/WAVE. Teremos, para al´em das tecnologias DSRC/WAVE, os seguintes grandes conjuntos de tecnologias:
• Redes Celulares: Este tipo de tecnologia tem vindo a desenvolver-se com uma enorme rapidez, acompanhando as necessidades cada vez mais crescentes das redes m´oveis. Os sistemas 2G como o GSM suportam taxas de transmiss˜ao relativamente diminutas (at´e 171kbps). No entanto, UMTS/HSDPA (sistemas 3G) apresentam uma melhoria na taxa de transmiss˜ao, variando entre os 144kbps para ambientes de alta mobilidade e os 2Mbps [9] para ambientes estacion´arios.
O comportamento de sistemas 3G foi testado em ambientes veiculares por Quereshi et al.[10]. N˜ao foi encontrada uma rela¸c˜ao directa entre o n´ıvel de sinal e a velocidade do ve´ıculo, mas sim com a posi¸c˜ao geogr´afica (devido `a posi¸c˜ao das antenas). De real¸car ainda o acontecimento espor´adico de curtas disconex˜oes (sempre inferiores a 30 segundos).
• WiMAX/802.16e: A norma 802.16e ou Worldwide Interoperability for Microwave Ac-cess (WiMAX) como ´e mais conhecida tem como grande objectivo constituir a plataforma final de uma rede de banda larga como alternativa ao cabo, j´a que permite taxas de transmiss˜ao bastante razo´aveis (at´e 40Mbps) e atrav´es de longas distˆancias (at´e 10Km). Esta tecnologia vem assim tentar preencher o vazio entre o 3G e os standards Wireless Local Area Network (WLAN) como o 802.11.
No caso em concreto do WiMAX e como existe um estudo que procura comparar este standard com o abordado neste trabalho (IEEE 802.11p) num contexto de comunica¸c˜ao entre o veiculo e a infraestrutura, ser´a pertinente contrastar as suas caracter´ısticas.
Tabela 2.1: 802.11p vs 802.16e [4]
oferece uma grande cobertura, altas taxas de transmiss˜ao e delays bastante baixos. No entanto, constatou-se que a tecnologia baseada em 802.11p era mais apropriada para quantidades de dados mais reduzidas, para as quais apresenta latˆencias extremamente reduzidas mesmo a altas velocidades.
Num outro estudo conduzido por Han et al. [11], em que foi medida a performance do WiBro (tecnologia desenvolvida na Coreia do Sul com base na tecnologia WiMAX) no metro em que a velocidade m´axima era de 90Km/h e conclu´ıram que as taxas de trans-miss˜ao variavam entre os 2Mbps e os 5.3Mbps e que os atrasos dos pacotes raramente excediam os 200ms.
• WLAN: As redes Wi-Fi ou WLAN tamb´em suportam servi¸cos de banda-larga sem fios. O conceito de Wardriving, que consiste em procurar redes Wi-Fi desprotegidas ou livres enquanto se desloca num veiculo, j´a existe h´a algum tempo e ´e possuidor de software pr´oprio. No entanto n˜ao est´a muito explorado, j´a que ´e utilizado num contexto mais l´udico.
Este tipo de redes pode, no entanto, integrar a rede de comunica¸c˜oes veiculares de uma forma mais secund´aria, n˜ao estando t˜ao ligada `a transferˆencia de dados entre as viaturas e as infraestruturas.
Na figura 2.1 est˜ao representadas algumas das topologias exequ´ıveis com o conjunto de tecnologias sem fios aqui abordadas [12].
2.2
Projectos desenvolvidos ou em desenvolvimento
O primeiro projecto de pesquisa em comunica¸c˜oes entre ve´ıculos foi conduzido pela Association of Electronic Technology for Automobile Traffic and Driving (JSK) do Jap˜ao no inicio da d´ecada de 80 [20]. Este trabalho considerou comunica¸c˜oes veiculares, primeiramente, como sistemas de informa¸c˜ao do tr´afego e do condutor incorporado em Asynchronous Transfer Modes (ATMs).
Mais tarde, projectos como o norte-americano PATH [13] ou o europeu ”Chaffeur”[14] investigaram e implementaram sistemas aut´onomos, constitu´ıdos por v´arios ve´ıculos, atrav´es da transmiss˜ao de dados entre estes.
No inicio do novo mil´enio, o evoluir das comunica¸c˜oes sem fios veio proporcionar condi¸c˜oes para que se desenvolvessem cada vez mais investiga¸c˜oes na ´area da seguran¸ca veicular. ´E neste
V2V V2I V2I-I2V Internet Gateway /WiFi (a) DSRC/WiFi V2I Internet Cellular /WiMAX V2I (b) Cellular/WiMax V2I Internet Cellular /WiMAX V2V V2I-I2V Gateway /WiFi (c) DSRC/WiFi + Cellular/WiMax
Figura 2.1: Algumas das topologias de redes veiculares poss´ıveis [12]
contexto que, desde o ano 2000, projectos como o CarTALK2000 ou o FleeNet, financiados pela industria autom´ovel, empresas privadas e institutos de investiga¸c˜ao, foram criados com o objectivo comum de procurar estabelecer uma plataforma de comunica¸c˜ao que visa possibilitar a comunica¸c˜ao entre ve´ıculos.
Nos tempos que correm, existem in´umeros projectos em actividade, que procuram in-vestigar, desenvolver e implementar redes de comunica¸c˜oes veiculares. Um conjunto de en-tidades composto por membros da ind´ustria autom´ovel, empresas privadas como a Brisa e institutos de investiga¸c˜ao como o Instituto de Telecomunica¸c˜oes procuram desenvolver um sistema inteligente de transportes. Projectos como o caso nacional do HeadWay ou pertencentes a grandes cons´orcios internacionais como os Network on Wheels (NoW) [15], Coopertative Vehicle Infrastructure Systems (CVIS) [16], Cooperative Systems for Intelligent Road Safety (COOPERS) [17] ou GeoNet [18] fazem ou fizeram recentemente parte deste esfor¸co mundial por diminuir a enorme mortalidade rodovi´aria e modernizar a forma como conduzimos no dia-a-dia. Este ´e um conjunto de projectos que investigam ou investigaram recentemente nesta ´area:
• NoW - Trata-se de um projecto alem˜ao que incorpora um grande cons´orcio de comu-nica¸c˜oes designado CAR 2 CAR. Foca a sua actividade nos aspectos da comunica¸c˜ao, entre ve´ıculos e entre estes e as infraestruturas, baseada em tecnologia WLAN. O ob-jectivo deste projecto passa por contribuir, atrav´es da resolu¸c˜ao de problemas t´ecnicos nos protocolos de comunica¸c˜ao e de seguran¸ca, para o aparecimento dos standards que reger˜ao as comunica¸c˜oes veiculares.
• COOPERS - Este ´e um projecto cuja ´area de investiga¸c˜ao se centra no desenvolvi-mento de aplica¸c˜oes inovadoras em telem´atica. Procura melhorar as aplica¸c˜oes para a infraestrutura de sensores rodovi´aria e de controlo de tr´afego.
• GeoNet - Um projecto da Uni˜ao Europeia cujo inicio data de Fevereiro de 2008 e que procura implementar um sistema de referˆencia para redes veiculares ad-hoc. De real¸car que este projecto ir´a ser integrado num conjunto de outros projectos integrantes do cons´orcio CAR 2 CAR e, como tal, poder´a obter um conjunto de resultados muito significativo.
As comunica¸c˜oes entre ve´ıculos est˜ao cada vez mais pr´oximas de se tornarem uma reali-dade no dia-a-dia de cada um. O esfor¸co financeiro produzido pelos grandes construtores da industria autom´ovel e das autoridades para os transportes, aliado ao conhecimento cient´ıfico de institutos de investiga¸c˜ao tornar˜ao poss´ıvel uma rede rodovi´aria bastante mais segura, c´omoda e interactiva.
2.3
Espectro de Radiofrequˆ
encias
Quando, no final do s´eculo dezanove, Marconi conseguiu comunicar sem fios atrav´es do canal da Mancha, baseando-se na teoria de Maxwell e nas experiˆencias de Hertz, estava longe de imaginar o qu˜ao ”povoado”se iria tornar o espectro de radiofrequˆencias.
O aumento exponencial das transmiss˜oes r´adio suscitou a necessidade de tornar os sistemas espectralmente eficientes e ainda de organizar todos os tipos de comunica¸c˜oes r´adio de acordo com a aloca¸c˜ao de banda de frequˆencias necess´aria. ´E neste contexto que surge o espectro de radiofrequˆencias que, em Portugal, ´e regulamentado pela Autoridade Nacional de Teleco-munica¸c˜oes (ANACOM) e que garante que n˜ao existam incompatibilidades ou interferˆencias entre os diversos sistemas utilizadores deste espectro.
Como ´e percept´ıvel atrav´es da figura 2.2, existe um n´umero extremamente elevado de aloca¸c˜oes dentro do espectro, o que torna assim essencial a sua gest˜ao cuidada.
Figura 2.2: Espectro de radiofrequˆencias
Para as comunica¸c˜oes veiculares foi alocada uma pequena largura de banda em torno dos 5.9 GHz. Os Estados Unidos da Am´erica alocaram inicialmente (1999) uma largura de banda de 75 MHz para sistemas inteligentes de transporte (ITS). O objectivo passava por criar a oportunidade de salvar vidas e de melhorar as situa¸c˜oes de congestionamento de tr´afego. ´E s´o mais tarde (2008) que a Europa disponibiliza 30 MHz do espectro para comunica¸c˜oes entre ve´ıculos e entre estes e as infraestruturas junto `as estradas [20].
A largura de banda de 75 MHz (alocada nos EUA) e os 70 MHz que j´a constam da ´ultima tabela, de aloca¸c˜ao e utiliza¸c˜ao de frequˆencias, disponibilizada pelo Electronic Communica-tions Committee (ECC) permitem a coexistˆencia de 7 canais de 10 MHz cada. Assim, ´e poss´ıvel a existˆencia de quatro canais de servi¸co, um de controlo e dois de caracter´ısticas especiais, um para emergˆencia e preserva¸c˜ao da vida e outro de alta potˆencia para seguran¸ca p´ublica [21].
Esta faixa do espectro ´e livre, no entanto licenciada. Isto significa que apesar de ser gratuita a sua utiliza¸c˜ao, existem regras, estando restrita `a utiliza¸c˜ao de um determinado
Figura 2.3: Espectro de radiofrequˆencias na zona do DSRC 5.9GHz [19]
conjunto de tecnologias e aplica¸c˜oes.
2.4
Comunica¸
c˜
oes Veiculares Baseadas em DSRC 5.9 GHz /
WAVE / 802.11p
Prevˆe-se que, num futuro pr´oximo, todos os tipos de ve´ıculos, como carros, autocarros e cami˜oes sejam capazes de operar em rede, partilhando informa¸c˜ao entre eles, desde dados sobre o congestionamento de tr´afego e estado da via, at´e sinais de alarme relativos a acidentes ou potenciais situa¸c˜oes de perigo. Desta forma ser´a poss´ıvel efectuar decis˜oes de navega¸c˜ao e seguran¸ca com base em mensagens que s˜ao enviadas pelos n´os vizinhos da rede constitu´ıda quer pelos ve´ıculos, quer pela infra-estrutura fixa suportada pelo operador ou concession´ario da via. Esta informa¸c˜ao poder´a tamb´em ser utilizada e integrada nos sistemas de navega¸c˜ao baseados em GPS de forma a dot´a-los de novas funcionalidades, tais como a divulga¸c˜ao em tempo-real de avisos ao condutor e a determina¸c˜ao dos melhores caminhos tendo em conta diversos factores como o congestionamento das vias. Al´em disso, as comunica¸c˜oes ve´ıculo-a-ve´ıculo e entre ve´ıculo-a-ve´ıculo e a infra-estrutura abrem novas oportunidades de aplica¸c˜oes, incluindo a dissemina¸c˜ao de informa¸c˜ao baseada em localiza¸c˜ao, social networking, videojogos, entre outras.
2.4.1 DSRC 5.9 GHz
Dedicated Short-Range Communications (DSRC) trata-se de um conjunto de normas base respons´aveis pela defini¸c˜ao de um canal de comunica¸c˜ao para mensagens trocadas no ˆambito das comunica¸c˜oes veiculares [22].
O desenvolvimento e aparecimento do DSRC data do inicio da d´ecada de 90 quando se tornou claro que a rede de portagens nas autoestradas se poderia tornar mais eficiente utilizando transponders RFID como no caso Portuguˆes da Via Verde da Brisa. Entretanto, o grupo de construtores deste tipo de material, chegaram `a conclus˜ao de que este tipo de comunica¸c˜ao teria potencial para outro tipo de aplica¸c˜oes e formaram um cons´orcio para desenvolvimento do DSRC.
Inicialmente, procurou-se estandardizar o DSRC 915 MHz, mas rapidamente se chegou `a conclus˜ao de que a abordagem do IEEE 802.11 e os 5.9 GHz seriam a melhor op¸c˜ao, j´a que esta permite um modo ad-hoc. Este desenvolvimento culminou nos standards IEEE 802.11p e 1609.x [23].
O DSRC 5.9 GHz difere dos modelos anteriores de DSRC tanto na frequˆencia a que operam como na largura de banda que utilizam. Os sistemas anteriores operavam ou a 915 MHz ou a 1800/1900 MHz (sistema Onstar, implementado em alguns ve´ıculos nos EUA) com uma largura de banda inferior a 1 KHz, contrastando com a largura de banda de 10 MHz por canal oferecida pelo DSRC 5.9 GHz [24].
2.4.2 WAVE/IEEE 802.11p
Em 2004, O Institute of Electrical and Electronics Engineers (IEEE) iniciou a estandard-iza¸c˜ao das comunica¸c˜oes em redes veiculares dentro do grupo de trabalho do IEEE 802.11. Este padr˜ao ´e agora conhecido como IEEE 802.11p WAVE. A arquitectura WAVE define-se num conjunto de seis standards: IEEE 1609.1, IEEE 1609.2, IEEE 1609.3, IEEE 1609.4, IEEE 802.11 e IEEE 802.11p.
As v´arias camadas de um sistema de comunica¸c˜oes veiculares ser˜ao ent˜ao definidas por diversos standards. A camada f´ısica inferior ´e definida pelo padr˜ao IEEE 802.11, mais propri-amente pela norma p e, como se trata da camada sobre a qual incide este trabalho, ser-lhe-`a dado maior relevo.
Os padr˜oes da fam´ılia IEEE 1609 definem grande parte das camadas, n˜ao se restringindo apenas `a parte superior da camada f´ısica e da camada Medium Access Control (MAC).
Tabela 2.2: Pilha de protocolos WAVE [21]
conjunto de padr˜oes para que os diferentes fabricantes de autom´oveis possam tornar poss´ıvel a comunica¸c˜ao entre ve´ıculos (V2V) e entre estes e a infraestrutura (V2I). Assim, poder´a existir uma interoperabilidade entre dispositivos de diversas proveniˆencias.
Os grupos respons´aveis pela elabora¸c˜ao dos standards tˆem ainda de ter em considera¸c˜ao as caracter´ısticas particulares inerentes `as comunica¸c˜oes veiculares. Como tal, as altas ve-locidades desenvolvidas pelos ve´ıculos, bem como a necessidade de baixas latˆencias e de comunica¸c˜oes efectuadas num curto espa¸co de tempo devem ser tidas em conta.
A arquitectura WAVE considera ainda um determinado conjunto de dispositivos dos quais fazem parte as On Board Unit (OBU) e as Road Side Unit (RSU) por exemplo.
Na tabela 3.2 encontram-se referenciados um conjunto de dispositivos que alicer¸cam a arquitectura WAVE. As OBU e RSU ser˜ao os elementos mais vis´ıveis desta arquitectura, j´a que se encontram espalhados ora pelas estradas (dentro dos ve´ıculos em movimento) ora junto a estas (unidades estacion´arias junto `as estradas). Conv´em no entanto reter os termos WAVE Basic Service Set (WBSS) e WAVE Short Message (WSM) j´a que, o primeiro ser´a respons´avel por ”alimentar a rede”e o segundo por tornar poss´ıvel a comunica¸c˜ao.
Dispositivo WAVE Dispositivo que implementa a subcamada MAC e a camada f´ısica de acordo com o padr˜ao WAVE
Unidade de Bordo Dispositivo WAVE m´ovel capaz de trocar
(On Board Unit – OBU) informac¸˜ao com outras OBUs ou RSUs
Unidades de Acostamento Dispositivo WAVE estacion´ario que suporta
(Road Side Unit – RSU) a troca de informac¸˜ao com OBUs
WBSS Conjunto de estac¸˜oes WAVE consistindo de um provedor
(WAVE Basic Service Set) de WBSS e zero ou mais usu´arios de WBSS
WSM (WAVE Short Message) Mensagem curta WAVE, enviada pelo protocolo WSMP
Provedor de WBSS Dispositivo iniciador de um WBSS ou emissor de WSMs
Usu´ario de WBSS Dispositivo associado a um WBSS ou destinat´ario de WSMs
Tabela 2.3: Nomenclatura resumida da arquitectura WAVE [21]
IEEE 802.11p
A massifica¸c˜ao das novas tecnologias e a procura cada vez mais exacerbada pela informa¸c˜ao e comunica¸c˜ao tornou necess´ario o aparecimento de protocolos de comunica¸c˜oes sem fios com vista a suplantar as limita¸c˜oes ´obvias apresentadas por qualquer tipo de liga¸c˜ao f´ısica. Neste momento j´a se verifica uma utiliza¸c˜ao massiva de comunica¸c˜oes sem fios, seja atrav´es da utiliza¸c˜ao de telem´oveis ou de computadores port´ateis, no caso do mero utilizador particular, quer a sua implementa¸c˜ao em redes de grande dimens˜ao no caso de uma unidade fabril, por exemplo.
A plataforma que rege este tipo de comunica¸c˜oes de dados sem fios ´e o grupo de standards IEEE 802.11 dos quais constam as normas a, b, g ou n (sendo as ´ultimas trˆes as mais con-hecidas). No entanto, este conjunto de normas n˜ao se encontra ainda preparado para abarcar com a grande mobilidade requerida, pelo que a utiliza¸c˜ao de qualquer uma destas n˜ao seria poss´ıvel nos termos da comunica¸c˜ao veicular. Assim sendo, tornou-se necess´aria a cria¸c˜ao de uma nova norma que permitisse a implementa¸c˜ao global das comunica¸c˜oes Vehicule to Vehicle (V2V) e Vehicule to Infrastructure (V2I). O grupo do IEEE 802.11 decidiu criar assim o 802.11p.
A norma 802.11p modifica o standard 802.11 de forma a permitir a sua utiliza¸c˜ao em situa¸c˜oes de comunica¸c˜ao entre ve´ıculos ou destes com a infraestrutura fixa. O IEEE 802.11a foi criado para ambientes interiores, com uma alta taxa de transmiss˜ao e que n˜ao permite ao utilizador uma grande mobilidade. O 802.11p vem assim, tendo por base o 802.11a, permitir uma grande mobilidade (comunica¸c˜oes veiculares) [25]. As diferen¸cas entre esta nova norma e a base do IEEE 802.11 baseiam-se principalmente no facto de esta funcionar em half-clocked mode, resultando assim num conjunto de caracter´ısticas que a tornam mais robusta
`
a grande mobilidade requerida pelo ˆambito das comunica¸c˜oes veiculares. Na tabela que se segue encontram-se comparadas as caracter´ısticas que diferenciam o 802.11p do 802.11a.
Tabela 2.4: IEEE 802.11a em compara¸c˜ao com IEEE 802.11p [19]
Da tabela acima ´e percept´ıvel que a norma 802.11p possui metade da taxa de transmiss˜ao e o dobro dos ”tempos”. Assim sendo, ´e de destacar o seguinte conjunto de parˆametros alterados:
• Largura de Banda: Normalmente ´e utilizada uma largura de banda de 10MHz para dotar a transmiss˜ao de uma maior robustez relativamente ao fen´omeno de fading. • Tamanho do s´ımbolo: Torna-se o dobro, sendo assim, por isso, mais um recurso que
vai de encontro `a robustez do sinal.
• Intervalo de guarda: ´E aumentado para o dobro, conferindo assim um maior inter-valo de tempo para sincroniza¸c˜ao da trama;
Cap´ıtulo 3
Sincroniza¸
c˜
ao em sistemas OFDM
Como o pr´oprio nome indica, o Orthogonal Frequency-Division Multiplexing (OFDM) trata-se de uma t´ecnica de acesso m´ultiplo (multiplexagem) capaz de dividir um canal, com uma maior largura de banda, num conjunto de canais, ortogonais entre si e cuja largura de banda n˜ao passa de uma pequena frac¸c˜ao do canal original, em que os dados s˜ao transmitidos em paralelo.
Conv´em, no entanto, situar o OFDM entre as restantes t´ecnicas de acesso m´ultiplo e identificar os seus pontos fortes, pontos fracos e respectivas solu¸c˜oes.
3.1
T´
ecnicas de Acesso M´
ultiplo
O avan¸co no ramo das tecnologias da comunica¸c˜ao e do processamento de informa¸c˜ao levaram tanto ao aparecimento de novas aplica¸c˜oes, produtos e servi¸cos, como `a procura cada vez mais desenfreada por este tipo de tecnologia por parte dos utilizadores. Sendo assim, tornou-se vital o desenvolvimento de t´ecnicas capazes de suportar uma utiliza¸c˜ao exaustiva, por parte das grandes massas, sem que se verificasse uma quebra substancial na qualidade do servi¸co. ´E nestas circunstˆancias que surge a massifica¸c˜ao das t´ecnicas de acesso m´ultiplo, respons´aveis pela possibilidade de partilha de um determinado canal de comunica¸c˜ao por m´ultiplos utilizadores.
As T´ecnicas de Acesso M´ultiplo s˜ao utilizadas para permitir que uma determinada por¸c˜ao finita do espectro de radiofrequˆencia seja acedida por um conjunto de utilizadores, de forma simultˆanea. Estas t´ecnicas tˆem de garantir que esta aloca¸c˜ao de banda n˜ao resulte em degrada¸c˜ao da qualidade do sistema.
• FDMA (Frequency Division Multiple Access) • TDMA (Time Division Multiple Access) • CDMA (Code Division Multiple Access) • SDMA (Space Division Multiple Access)
• OFDM (Orthogonal Frequency Division Multiplex)
3.1.1 FDMA
Esta t´ecnica caracteriza-se pela divis˜ao do espectro num conjunto de de v´arias frequˆencias que, por seu lado, ser˜ao atribu´ıdas a cada um dos utilizadores. Assim, garante-se que cada uti-lizador possa emitir e receber em simultˆaneo [26]. De real¸car que esta t´ecnica ´e habitualmente utilizada em canais wired.
3.1.2 TDMA
Trata-se de uma t´ecnica de acesso m´ultiplo temporal, na qual a mesma frequˆencia ou banda ´e partilhada por todos os utilizadores, sendo que estes tomam parte do canal em slots temporais d´ıspares. Neste caso n˜ao ´e poss´ıvel a simultaneidade de envio e recep¸c˜ao, pelo que apenas uma destas ac¸c˜oes ´e pass´ıvel de acontecer por cada slot temporal.
3.1.3 CDMA
Com o evoluir da tecnologia tornou-se pratic´avel a multiplexagem de utilizadores por c´odigo. Nesta t´ecnica ´e atribu´ıdo a cada utilizador um c´odigo; vai ser a des-correla¸c˜ao entre os diferentes c´odigos que permitir´a a detec¸c˜ao dos diferentes utilizadores. Esta t´ecnica possui um n´umero elevado de vari´aveis como por exemplo o DS (Direct Sequence) - CDMA, o FH (Frequency Hoping) - CDMA ou o TH (Time Hoping) - CDMA, variando assim as t´ecnicas utilizadas na codifica¸c˜ao.
3.1.4 SDMA
Trata-se de uma t´ecnica ainda muito pouco explorada e que, baseando-se em t´ecnicas de processamento de sinal avan¸cadas, procura adaptar a direc¸c˜ao do sinal aos utilizadores, preterindo os interferidores. Assim, torna-se poss´ıvel ”reutilizar”uma dada banda de frequˆencias
Figura 3.1: Compara¸c˜ao entre FDMA, TDMA e CDMA
j´a que ´e criada a capacidade direccionar o sinal de acordo com a localiza¸c˜ao de quem necessita de utilizar o sistema.
Na pr´atica, esta t´ecnica passa pela utiliza¸c˜ao de um array de antenas e com base em pro-cessamento de sinal, ”separar”o sinal para que v´arios utilizadores utilizem a mesma frequˆencia ao mesmo tempo. De real¸car ainda a utiliza¸c˜ao de uma t´ecnica similar ao CDMA para dis-tinguir os diferentes sinais com base no destino.
3.2
OFDM
O OFDM trata-se de uma t´ecnica robusta e eficaz para aplica¸c˜oes com alta taxa de transmiss˜ao. Possui um tempo de s´ımbolo relativamente elevado e um prefixo c´ıclico sufi-cientemente longo, conferindo-lhe uma tolerˆancia `as interferˆencias provenientes do canal. No entanto, problemas como a alta sensibilidade a desloca¸c˜oes na frequˆencia das portadoras e o facto de necessitar de um amplificador linear de alta potˆencia, capaz de lidar com o grande PAPR introduzido pelos s´ımbolos OFDM, conferem a este tipo de sistemas uma not´oria complexidade [27].
3.2.1 Caracter´ısticas
Num sistema convencional de transmiss˜ao, os s´ımbolos s˜ao enviados em sequˆencia atrav´es de uma ´unica portadora, cujo espectro ocupa toda a faixa de frequˆencias dispon´ıvel. A car-acter´ıstica base que sustenta o OFDM ´e a divis˜ao da informa¸c˜ao a ser transmitida por um conjunto de portadoras com modula¸c˜ao QAM ou PSK, com uma largura de banda correspon-dente a uma frac¸c˜ao da original. Teremos assim que a informa¸c˜ao a transferir ser´a dividida por N frequˆencias, por seu lado, com uma taxa de transmiss˜ao inversamente proporcional
(1/N) `a taxa original.
Trata-se de um caso especial de Frequency Division Multiplexing (FDM), em que a diferen¸ca reside na ortogonalidade. Esta particularidade concede, como grande benef´ıcio, a possibili-dade de transmiss˜ao simultˆanea de um elevado n´umero de portadoras numa largura de banda bastante reduzida, sem que se verifique interferˆencia entre cada uma delas. Esta redu¸c˜ao ´e de pr´oximo de 50% face ao caso geral de FDM.
A modula¸c˜ao e desmodula¸c˜ao da informa¸c˜ao podem ser efectuadas, de uma forma bastante eficiente, recorrendo `a FFT e `a IFFT. A interferˆencia entre s´ımbolos (ISI) ´e praticamente eliminada atrav´es da introdu¸c˜ao de um tempo de guarda em cada s´ımbolo, sendo este intervalo ciclicamente estendido, uma c´opia da parte final do s´ımbolo, reproduzida antes do in´ıcio desse mesmo s´ımbolo. A dura¸c˜ao deste tempo de guarda num sinal OFDM ´e escolhido tendo em conta o atraso m´edio esperado por s´ımbolo, resultante da propaga¸c˜ao multipercurso.
Assim sendo, os benef´ıcios desta t´ecnica v˜ao muito al´em da alta eficiˆencia na utiliza¸c˜ao do espectro j´a referenciada, destacando-se ainda:
• Resistˆencia a atenua¸c˜oes;
• Baixa interferˆencia entre s´ımbolos; • Robusto contra interferˆencia co-canal;
• Suporta condi¸c˜oes severas do canal sem recorrer a equaliza¸c˜oes complexas. No entanto, esta t´ecnica n˜ao ´e perfeita, pelo que acarreta algumas desvantagens na sua utiliza¸c˜ao, nomeadamente:
• Sensibilidade ao efeito Doppler;
• Consumo de energia do transmissor ineficiente, j´a que necessita de uma grande linearidade no sistema;
• Dif´ıcil sincroniza¸c˜ao do sinal; • Existˆencia de ru´ıdo de fase;
Em ambientes veiculares, a existˆencia de efeito de Doppler torna-se evidente, devido ao movimento dos ve´ıculos. O deslocamento na frequˆencia que da´ı adv´em leva a uma perda de ortogonalidade entre portadoras, resultando em interferˆencia entre s´ımbolos. Mesmo um desvio muito ligeiro resultar´a numa rota¸c˜ao da constela¸c˜ao QAM desmodulada [24].
Este conjunto de inconvenientes na utiliza¸c˜ao desta t´ecnica ser˜ao abordados com maior detalhe, bem como as poss´ıveis solu¸c˜oes para minimizar o seu impacto no processo de comu-nica¸c˜ao.
3.2.2 Transmiss˜ao e recep¸c˜ao do sinal OFDM
Figura 3.2: Cadeia de transmiss˜ao e recep¸c˜ao do sinal OFDM
A figura 3.2 representa, de uma forma geral, a cadeia de transmiss˜ao e recep¸c˜ao para um sistema OFDM
Como ´e vis´ıvel, o processo de transmiss˜ao ´e mais simples do que o de recep¸c˜ao. Esta realidade prende-se com a necessidade de adquirir um sinal que vem do meio (neste caso o ar), sendo por isso necess´ario considerar todas as fontes de ru´ıdo que degradam o sinal a receber, e assim, dotar o nosso sistema de solu¸c˜oes para a recupera¸c˜ao poss´ıvel do sinal.
Torna-se relevante conhecer, um pouco, as fun¸c˜oes de cada bloco ou conjunto de blocos. Ser´a feita referˆencia a cada bloco da cadeia de transmiss˜ao e ao conjunto de blocos respons´aveis pela sincroniza¸c˜ao, j´a que o que resta da cadeia de recep¸c˜ao tem a fun¸c˜ao inversa da cadeia de transmiss˜ao descrita.
Convolutional Encoder
A fun¸c˜ao deste bloco passa por codificar a informa¸c˜ao (conjunto de bits) que se pretende transmitir. O processo ´e descrito na norma 802.11 e ´e percept´ıvel pelo esquema da figura 3.3
Figura 3.3: Exemplo de codifica¸c˜ao/descodifica¸c˜ao
Interleaver
O Interleaver ´e utilizado em t´ecnicas de transmiss˜ao de dados digital com o intuito de diminuir o efeito dos burst errors. Quando um s´ımbolo ´e afectado por este tipo de erros, uma grande parte do seu conte´udo ´e corrompida, pelo que se torna imposs´ıvel a sua correcta descodifica¸c˜ao. Assim sendo, este bloco ´e respons´avel pelo ”entrela¸camento”da trama por forma a que este tipo de fen´omeno n˜ao atinja um grande conjunto de bits de um ´unico s´ımbolo.
A figura 3.4 d´a um exemplo de como a trama se pode transformar de forma a tornar o seu conte´udo a um qualquer fen´omeno relativamente prolongado que possa introduzir erro.
Figura 3.4: Exemplo da utiliza¸c˜ao do Interleaver
Mapeamento
Figura 3.5: Codifica¸c˜ao bin´aria das constela¸c˜oes
Este bloco ´e respons´avel por mapear a informa¸c˜ao bin´aria nos pontos do sinal constelado. No modelo do IEEE 802.11p ´e usado um c´odigo Gray. Quatro tipos de modula¸c˜oes s˜ao contempladas:
• BPSK; • QPSK; • 16-QAM; • 64-QAM.
Cada s´ımbolo ´e mapeado de acordo com a modula¸c˜ao pretendida criando uma constela¸c˜ao como a da figura 3.5, que corresponde ao conjunto de modula¸c˜oes contempladas pela norma IEEE 802.11p.
Pilot Insertion
Cada s´ımbolo OFDM, de acordo com a norma IEEE 802.11p, possui quatro subportadoras piloto. Estas portadoras s˜ao utilizadas posteriormente para sincroniza¸c˜ao na frequˆencia e elimina¸c˜ao do ru´ıdo de fase, como aprofundado posteriormente. Este ´e o bloco respons´avel pela sua introdu¸c˜ao no conjunto de informa¸c˜ao a emitir.
S/P, FFT e P/S
Figura 3.6: IFFT/FFT
Este conjunto de blocos tem como finalidade converter o sinal do dom´ınio da frequˆencia para o dom´ınio do tempo. Realce ainda para a capacidade do bloco FFT para alocar as difer-entes portadoras de forma ortogonal de modo a que n˜ao exista interferˆencia entre s´ombolos. Assim, as diferentes portadoras s˜ao colocadas proximamente umas das outras, economizando espectro.
A figura 3.6 ilustra a forma como o fluxo de dados se altera do dom´ınio dos tempos para o das frequˆencias e vice-versa.
Introdu¸c˜ao do prefixo c´ıclico e windowing
Este bloco ´e respons´avel pela introdu¸c˜ao do prefixo c´ıclico, que constitui a inser¸c˜ao da r´eplica da parte final do s´ımbolo no seu in´ıcio. A fun¸c˜ao de windowing ´e aplicada neste bloco e ´e a raz˜ao pela qual n˜ao existem varia¸c˜oes muito abruptas de potˆencia entre dois s´ımbolos cont´ıguos.
Bloco de sincroniza¸c˜ao no tempo e na frequˆencia
Tratando-se de um sistema de elevado d´ebito de transmiss˜ao, ´e utilizado um esquema de modula¸c˜ao coerente. Esta caracter´ıstica torna necess´ario o conhecimento com grande precis˜ao da amplitude e fase de cada sub-portadora. ´E neste contexto que se torna essencial a implementa¸c˜ao de t´ecnicas de sincroniza¸c˜ao robustas para que sinais degradados possam ser correctamente recuperados.
Os inconvenientes da utiliza¸c˜ao da t´ecnica OFDM, j´a apontados, bem como a forma como diferentes processos de sincroniza¸c˜ao os podem mitigar, tornam-se de extrema relevˆancia no contexto deste trabalho.
3.3
Fontes de degrada¸
c˜
ao do desempenho da t´
ecnica OFDM
Um canal r´adio ideal seria constitu´ıdo por um ´unico caminho que ligasse dois pontos e no qual se verificaria um sinal recebido exactamente igual ao anteriormente transmitido. No entanto, um canal r´adio real ´e composto por um conjunto de vari´aveis que tornam o sinal recebido em algo distante do que se havia transmitido. O sinal recebido ser´a constitu´ıdo por uma combina¸c˜ao de reflex˜oes, refrac¸c˜oes, difrac¸c˜oes e atenua¸c˜oes do sinal original. Al´em de todos estes efeitos da propaga¸c˜ao multi-percurso, existe a possibilidade do pr´oprio canal possuir fontes de ru´ıdo e de, no caso de existirem movimentos por parte do transmissor e/ou receptor, se notarem altera¸c˜oes nas frequˆencias das portadoras, devido ao efeito de Doppler.
´
E essencial conhecer o tipo de canal onde se pretende operar, bem como os efeitos de todas as vari´aveis que afectar˜ao o sinal para que seja project´avel um sistema r´adio o mais imune poss´ıvel.
3.3.1 Efeitos de multi-percurso
Numa liga¸c˜ao r´adio, por mais curta que seja, o sinal RF proveniente do transmissor poder´a ser reflectido por objectos t˜ao vari´aveis como pessoas, ve´ıculos e edif´ıcios ou animais, ´arvores e montes. Este tipo de obst´aculos aumentar´a o n´umero de poss´ıveis percursos a percorrer pelo sinal at´e chegar ao receptor.
Figura 3.7: Efeito de multi-percurso
O sinal chegar´a assim em momentos diferentes, sendo que estas r´eplicas possuir˜ao carac-ter´ısticas dispares da que faz o caminho mais curto, como a intensidade do sinal.
Atrasos de propaga¸c˜ao
Como j´a referido, em ambientes reais, o sinal r´adio recebido ´e composto pelo conjunto formado pelo sinal directo e todas as reflex˜oes proporcionadas por obst´aculos no caminho de propaga¸c˜ao. Os sinais reflectidos demoram mais tempo que o transmitido directamente. Observa-se, por isso, que a potˆencia total transmitida ´e espalhada ao longo do tempo. Os atrasos de propaga¸c˜ao provocados pelas reflex˜oes tornam-se assim importantes fontes de in-terferˆencia entre s´ımbolos (ISI). Em sistemas possuidores de altas taxas de transmiss˜ao, como o caso do IEEE 802.11p, as interferˆencias entre s´ımbolos tende a ser cr´ıtica. Este problema torna-se deveras problem´atico quando o atraso de propaga¸c˜ao chega a aproximadamente 50% do tempo s´ımbolo.
O facto das comunica¸c˜oes veiculares se desenrolarem em ambientes exteriores constitui um acr´escimo do sistema se tornar v´ıtima deste tipo de interferˆencia, j´a que no exterior as reflex˜oes podem ocorrer em pontos muito distantes, aumentando o tempo de propaga¸c˜ao e por conseguinte a probabilidade de interferir com um s´ımbolo posterior.
Rayleigh fading
A fase relativa entre os v´arios sinais reflectidos e o pr´oprio sinal pode causar interferˆencia construtiva ou destrutiva no receptor. No entanto, este tipo de atenua¸c˜oes s´o ´e verificado para transmiss˜oes a distˆancias muito curtas (tamb´em apelidado de fast fading), tipicamente na ordem de metade do comprimento de onda. Assim, para comunica¸c˜oes do tipo veicular, esta fonte de ”ru´ıdo”n˜ao ser´a considerada significativa, j´a que como as comunica¸c˜oes s˜ao efectuadas a 5.9 GHz, o efeito s´o seria de notar para comunica¸c˜oes a aproximadamente 5 cm.
3.3.2 Efeito de Doppler
Quando o transmissor e o receptor se movem em rela¸c˜ao um ao outro, observa-se que a frequˆencia do sinal recebido n˜ao corresponde `aquela do sinal transmitido.
Quando o emissor se aproxima do receptor observa-se um crescendo na frequˆencia, j´a que como cada onda ´e emitida mais pr´oximo do receptor demora ligeiramente menos tempo a chegar ao destino, tornando-se assim mais curta e logo com maior frequˆencia. No caso em que o transmissor se afasta ´e observado o efeito oposto.
Este efeito ´e percept´ıvel no dia-a-dia, por exemplo, quando um ve´ıculo passa por um indiv´ıduo a buzinar e se torna aud´ıvel uma varia¸c˜ao no som produzido pela buzina. Este efeito ´e de uma extrema importˆancia em sistemas r´adio m´oveis, como o caso dos sistemas que integram as comunica¸c˜oes veiculares.
A varia¸c˜ao da frequˆencia, consequˆencia do efeito de Doppler, ´e proporcional `a velocidade relativa entre receptor e transmissor e `a velocidade de propaga¸c˜ao da pr´opria onda.
A varia¸c˜ao da frequˆencia por efeito de Doppler pode ser descrita, de forma simplificada, como:
∆f ≈ ±f0
v
c (3.1)
onde ∆f se trata da varia¸c˜ao da frequˆencia do ponto de vista do receptor, f0´e a frequˆencia
emitida, v ´e a diferen¸ca de velocidades entre o emissor e o transmissor e c corresponde `a velocidade da luz.
Desta express˜ao ´e f´acil extrapolar que mesmo para velocidades relativamente baixas, para um contexto veicular, como 80 Km/h, poderemos observar, para o caso da transmiss˜ao a 5.9 GHz, uma varia¸c˜ao de 437 Hz. Num caso em que ambos os ve´ıculos se movem em direc¸c˜oes opostas a esta velocidade observar-se-ia o dobro do deslocamento na frequˆencia. Para um sistema OFDM, o estudo deste efeito torna-se preponderante para que seja poss´ıvel obter uma boa comunica¸c˜ao, j´a que deslocamentos desta ordem comprometem completamente a ortogonalidade do sinal.
3.3.3 Atenua¸c˜oes
A atenua¸c˜ao de um sinal consiste na diminui¸c˜ao da potˆencia de um sinal quando transmi-tido de um ponto para outro. Pode ser causado por v´arias caracter´ısticas do percurso do sinal como obstru¸c˜oes ou a distˆancia percorrida. Este efeito ´e de notar em situa¸c˜oes de ”sombra”, nas quais obstru¸c˜oes como edif´ıcios, serras, ´arvores ou outros obst´aculos criam zonas `as quais o sinal chega com menor intensidade ou ´e mesmo inexistente.
O n´ıvel de Shadowing (n´ıvel de sombra) varia tanto com a quantidade e dimens˜oes dos obst´aculos como com a frequˆencia a que o sinal ´e transmitido. Sinais com frequˆencias mais baixas s˜ao mais difractados, acabando por chegar a mais zonas sem linha de vista, enquanto sinais com frequˆencias mais elevadas acabam por depender inteiramente da existˆencia de linha de vista.
O facto de as comunica¸c˜oes veiculares poderem ocorrer tanto em ambientes rurais como urbanos impede que se padronize o efeito que esta fonte ter´a nas comunica¸c˜oes.
3.3.4 Ru´ıdo de Fase
No processo de modula¸c˜ao das sub-portadoras ´e introduzido ru´ıdo de fase por parte do oscilador local. Num oscilador comum, esta varia¸c˜ao de fase aleat´oria modular´a em fase a portadora gerada. Pequenas varia¸c˜oes deste tipo produzir˜ao um efeito consider´avel na qualidade do sinal e por conseguinte no seu SNR
Este ru´ıdo de fase produzir´a altera¸c˜oes em todas as sub-portadoras, produzindo uma rota¸c˜ao na constela¸c˜ao do sinal.
Osciladores com maior qualidade (mais caros) apresentar˜ao, tipicamente, um menor ru´ıdo de fase, enquanto que um oscilador mais barato produzir´a uma maior varia¸c˜ao na fase das sub-portadoras. Desta forma, ser´a espect´avel que uma RSU seja mais imune ao ru´ıdo de fase que uma OBU.
3.4
Sincroniza¸
c˜
ao e recupera¸
c˜
ao do sinal
O processo de sincroniza¸c˜ao pode ser dividido, de uma forma concisa, em trˆes fases [28]: 1. Detec¸c˜ao da trama;
2. Estimativa do offset de frequˆencia da portadora e posterior correc¸c˜ao; 3. Correc¸c˜ao de erros na amostra.
A primeira das trˆes fases (Detec¸c˜ao de trama) est´a directamente relacionada com a ca-pacidade de procurar, no dom´ınio do tempo, a trama. Neste contexto, ser´a referida como sincroniza¸c˜ao do sinal no tempo.
Na fase correspondente `a estimativa do deslocamento da frequˆencia de portadora ser´a feita uma estimativa do efeito do canal na frequˆencia das portadoras piloto e, posteriormente, a sua correc¸c˜ao.
Na ´ultima fase, e atrav´es de interpola¸c˜ao, s˜ao aplicados os conhecimentos adquiridos na fase anterior, para correc¸c˜ao de erros em toda a amostra recebida.
3.4.1 Detec¸c˜ao da trama
Como j´a referido, a maioria dos sistemas com elevados d´ebitos de transmiss˜ao necessitam de esquemas de modula¸c˜ao coerentes, tornando-se necess´ario conhecer com enorme precis˜ao a fase e a amplitude de cada sub-portadora.
Assim, torna-se imperativo efectuar uma correcta sincroniza¸c˜ao no tempo para o in´ıcio de cada s´ımbolo OFDM e encontrar a posi¸c˜ao correcta para a janela da FFT. Uma sincroniza¸c˜ao pouco precisa no tempo poder´a provocar interferˆencias bastantes prejudiciais `a comunica¸c˜ao, quer sejam entre s´ımbolos ou entre portadoras.
As t´ecnicas para sincroniza¸c˜ao no tempo baseiam-se quer em sequˆencias de treino, quer no pr´oprio sinal e partindo do intervalo de guarda com extens˜ao c´ıclica.
Os processos recorrem `as fun¸c˜oes matem´aticas de:
• auto-correla¸c˜ao, no caso daquelas que se baseiam na extens˜ao c´ıclica, j´a que apenas se recorre ao pr´oprio sinal e `a propriedade de possuir parte do sinal igual no in´ıcio da trama, para identificar onde se situa exactamente o come¸co do s´ımbolo;
• correla¸c˜ao cruzada, para os casos em que a sincroniza¸c˜ao se socorre de uma sequˆencia previamente conhecida. Neste caso ´e poss´ıvel dotar o receptor com a informa¸c˜ao da sequˆencia e depois efectuar uma correla¸c˜ao cruzada.
Na norma 802.11 est´a definida a existˆencia de uma sequˆencia predeterminada e, no ˆambito deste trabalho, torna-se relevante o seu conhecimento para uma correcta utiliza¸c˜ao desta ferramenta para obten¸c˜ao de sincronismo temporal.
Training sequences
No caso das comunica¸c˜oes veiculares e, como o standard que se utiliza na camada f´ısica ´e o IEEE 802.11p e este se baseia no standard base IEEE 802.11, a estrutura base da trama mant´em-se inalterada pelo que ser´a vis´ıvel a existˆencia de training sequences, tanto as curtas como as longas. Estas training sequences fazem parte do preˆambulo PLCP que tem como principal finalidade facilitar uma posterior sincroniza¸c˜ao tanto no dom´ınio do tempo como no dom´ınio da frequˆencia. Este preˆambulo ´e composto por dez s´ımbolos curtos e dois s´ımbolos longos, sendo que estes ´ultimos s˜ao precedidos de um.
t1 t2t3 t4 t5t6t7t8 t9 GI2 T1 T2 GI SIGNAL GI Data 1 GI Data 2 8 + 8 = 16 μs
10 × 0.8 = 8 μs 2 × 0.8 + 2 × 3.2 = 8.0 μs 0.8 +3.2 = 4.0 μs 0.8 + 3.2 = 4.0 μs 0.8 + 3.2 = 4.0 μs
Signal Detect, AGC, Diversity
Coarse Freq.
Offset EstimationChannel and Fine Frequency RATE SERVICE + DATA DATA
t10
Selection Timing Synchronize Offset Estimation LENGTH
Figura 3.8: Estrutura das training sequences [29]
Como se constata da figura 3.8, os s´ımbolos da sequˆencia de treino curta s˜ao os com-preendidos entre t1 e t10, enquanto os que incorporam a sequˆencia de treino longa s˜ao T1 e
T10. As separa¸c˜oes entre s´ımbolos nesta figura correspondem a repeti¸c˜oes que se devem `a
periodicidade da IFFT.
Conv´em referir que os valores para a dura¸c˜ao de s´ımbolo referem-se a uma transmiss˜ao a 20 MHz, significando por isso que para o caso do modo half-clocked, os tempos ser˜ao o dobro. Na sequˆencia de transmiss˜ao de dados, ao preˆambulo Physical Layer Convergence Procedure (PLCP) seguem-se os campos de sinal (SIGNAL) e de dados (DATA).
Neste ponto, ´e de extrema relevˆancia revelar quais os valores para as diferentes sequˆencias de treino. Estes valores fazem parte do standard IEEE 802.11 e ´e o facto de serem conhecidos e bem determinados que permite a sua posterior utiliza¸c˜ao para correc¸c˜ao de erros.
S−26,26 = r 13 6 × {0, 0, 1 + j, 0, 0, 0, –1–j, 0, 0, 0, 1 + j, 0, 0, 0, –1–j, 0, 0, 0, –1–j, 0, 0, 0, 1 + j, 0, 0, 0, 0, 0, 0, 0, –1–j, 0, 0, 0, –1–j, 0, 0, 0, 1 + j, 0, 0, 0, 1 + j, 0, 0, 0, 1 + j, 0, 0, 0, 1 + j, 0, 0} (3.2) A multiplica¸c˜ao pela constante serve para normalizar a potˆencia m´edia do s´ımbolo OFDM resultante, j´a que apenas 12 de cada 52 portadoras ´e diferente de zero. Ali´as, ´e o facto de apenas as portadoras m´ultiplas de 4 serem diferentes de zero que provoca o aparecimento de portadoras com periodicidade TF F T/4=0.8 µs e que por seu lado leva a que a sequˆencia de
treino curta tenha s´ımbolos mais pequenos e a que TSHORT corresponda a 10 per´ıodos, ou
seja 8 µs.
Por seu lado, uma sequˆencia de treino longa ´e composta por 53 portadoras, sendo que uma destas se trata de um 0 a DC. Estas portadoras ser˜ao moduladas pelos elementos da sequˆencia L que se segue:
L−26,26 = {1, 1, −1, −1, 1, 1, −1, 1, −1, 1, 1, 1, 1, 1, 1, −1, −1, 1, 1, −1, 1, −1, 1, 1,
1, 1, 0, 1, −1, −1, 1, 1, −1, 1, −1, 1, −1, −1, −1, −1, −1, 1, 1, −1, −1, 1, −1,
1, −1, 1, 1, 1, 1} (3.3)
Ser˜ao transmitidos dois per´ıodos deste desta sequˆencia de treino por forma a aumentar a precis˜ao da possibilidade de uma posterior correc¸c˜ao, assim sendo teremos TLON G=1.6+2×3.2=8 µs
O standard IEEE 802.11 j´a nos fornece, tanto as sequˆencias de treino no dom´ınio da frequˆencia e o modelo matem´atico que nos permite chegar aos valores no tempo, como os valores esperados ap´os estes c´alculos e passagem pela IFFT. O conjunto de valores fornecidos em standard ´e por isso completo no que toca a estas sequˆencias.
3.4.2 Sincroniza¸c˜ao na frequˆencia
Erros nas frequˆencias das portadoras resultam de um deslocamento do espectro do sinal recebido no dom´ınio das frequˆencias. No caso em que o erro ´e um valor (n), m´ultiplo inteiro do espa¸camento entre as portadoras (∆f), teremos deslocamentos da ordem de n.∆f. Assim sendo, a ortogonalidade entre s´ımbolos manter-se-ia no sinal recebido, por´em, os s´ımbolos mapeados no espectro OFDM apareceriam nos locais errados depois de desmodelados. Este problema resultaria num BER de 0,5.