Parte 1
BC 0003
Edson Alex Arr´azola Iriarte
Universidade Federal do ABC
June 27, 2014
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Conte´
udo
1 Elementos de L´ogica e Linguagem Matem´atica
Proposi¸c˜oes
Proposi¸c˜oes Abertas Quantificadores Exemplos
Exemplos e Contra-exemplos Proposi¸c˜oes Compostas A nega¸c˜ao de uma proposi¸c˜ao
Nega¸c˜ao de uma proposi¸c˜ao composta A nega¸c˜ao do quantificador
Exemplos Implica¸c˜ao Exemplos
Nega¸c˜ao de uma implica¸c˜ao Condi¸c˜ao necess´aria e suficiente Exemplos
A bicondicional
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Proposi¸c˜
oes
Proposi¸c˜ao
´
E uma senten¸ca declarativa que ´e verdadeira ou falsa, mas n˜ao ambas Nota¸c˜ao: p, q, r , · · ·
Example (Exemplos)
1 “ 2 ´e um n´umero primo ” → (V )
2 “ f (x ) = −x ´e uma fun¸c˜ao crescente ” → (F )
3 “ Vamos dan¸car ” → senten¸ca declarativa, no entanto, n˜ao
podemos atribuir um ´unico valor de verdade
Proposi¸c˜
oes Abertas
S˜ao proposi¸c˜oes que dependem de uma ou mais vari´aveis
Nota¸c˜ao: p(x ), q(x ), r (x , y ), · · ·
Example (Exemplos) 1 p(x ) = “ x < 3 ”
2 q(n) = “ 2n + 1 ´e ´ımpar ”
Observa¸c˜ao
O valor de verdade de uma proposi¸c˜ao aberta depende do valor atribu´ıdo `
Example (Exemplos)
Seja a proposi¸c˜ao aberta p(x ) = “ x < 3 ”.
Se x = 2 temos que p(2) = “ 2 < 3 ” → (V )
Se x = 4 temos que p(4) = “ 4 < 3 ” → (F )
Observa¸c˜ao
Para podermos falar em valor de verdade de uma proposi¸c˜ao aberta, temos
substitu´ıdo a vari´avel por um elemento qualquer dentre uma cole¸c˜ao de objetos, que denotaremos por U e chamaremos de universo do discurso ou dom´ınio do discurso.
Example (Exemplo)
Seja a proposi¸c˜ao aberta p(x ) = “ x ∈ R, x < 3 ”. x ´e a vari´avel e U = R
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Observa¸c˜ao
O conjunto dos valores de x para os quais a proposi¸c˜ao p(x ) ´e (V ) ´e chamado conjunto de verdade de p(x ).
Example (Exemplos)
1 Seja a proposi¸c˜ao aberta p(x ) = “ x ´e primo e 3 < x < 14 ”
O conjunto de verdade ´e {5, 7, 11, 13}
2 Seja a proposi¸c˜ao aberta p(x ) = “ x ´e real e x2+ 1 = 5 ”
O conjunto de verdade ´e {−2, 2}
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Quantificadores
Atrav´es de proposi¸c˜oes abertas podemos fazer afirma¸c˜oes sobre
(I) todos os elementos de um conjunto
usando o quantificador universal
∀ → “ para todo ”, “ para cada ” ou “ qualquer que seja ”
(II) a existˆencia de um elemento de um conjunto
usando o quantificador existencial
∃ → “ existe ”, “ h´a ”, “ para algum ”
(III) a existˆencia de um ´unico elemento de um conjunto
usando o quantificador existencial
∃ ! → “ existe um ´unico”, “ h´a um ´unico ”
Exemplos
1 “ para todo n´umero natural n temos que 2n + 1 ´e ´ımpar ”
Em s´ımbolos:
I ∀n ∈ IN, 2n + 1 ´e ´ımpar
ou ainda
I ∀n ∈ IN, p(n), onde p(n) = “ 2n + 1 ´e ´ımpar ”
2 “ a equa¸c˜ao linear ax + b = 0, com a 6= 0, admite solu¸c˜ao real ” Em s´ımbolos: I se a 6= 0, ∃ x ∈ R : ax + b = 0 ou ainda, I se a 6= 0, ∃ x ∈ R : q(x), onde q(x) =“ ax + b = 0 ” 3 ∀n ∈ IN , n < n + 1 ou n < n + 1, ∀n ∈ IN 4 ∃ x ∈ R , x2 = x 5 ∃! x ∈ IN , x2= x 6 ∀x ∈ {1, 2, 3, 4} , x + 3 ≤ 7 7 ∀ > 0, ∃ δ > 0 : se |x − a| < δ ent˜ao |f (x ) − f (a)| <
Exemplos e Contra-exemplos
Todo n´umero natural ´e ´ımpar 5 ´e um exemplo
2 ´e um contra-exemplo
O quadrado de todo natural ´e maior do que 4
3 ´e um exemplo
1 ´e um contra-exemplo
Para todo n ∈ IN par temos que (n + 1)2 ´e ´ımpar 2 ´e um exemplo
3 n˜ao ´e um exemplo nem um contra-exemplo, pois ele n˜ao ´e par
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Proposi¸c˜
oes Compostas
Sejam p e q duas proposi¸c˜oes. A proposi¸c˜ao:
(i ) “ p ou q ” ´e chamada disjun¸c˜ao dep eq → p ∨ q
Pergunta: Qual ´e o valor de verdade desta proposi¸c˜ao ? Resposta: p q p ∨ q V V V V F V F V V F F F
ou seja, p ∨ q ´e (V ) quando ao menos uma das proposi¸c˜oes, ou ambas as proposi¸c˜oes s˜ao verdadeiras. Caso contr´ario ela ´e (F ).
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(ii ) “p e q ” ´e chamada conjun¸c˜ao de p e q → p ∧ q
Pergunta: Qual ´e o valor de verdade desta proposi¸c˜ao ? Resposta: p q p ∧ q V V V V F F F V F F F F
ou seja,p ∧ q ´e (V ) somente quando as proposi¸c˜oes p e q forem ambas verdadeiras. Caso contr´ario ela ´e (F ).
A nega¸c˜
ao de uma proposi¸c˜
ao
Dada uma proposi¸c˜ao p, a nega¸c˜ao de p, ´e uma proposi¸c˜ao com valor de verdade invertido, denotada por
¬p
que ´e lida como “ n˜ao p ” ou “ n˜ao ´e verdade p ”.
Example (Exemplos)
1 Seja a proposi¸c˜ao: p = “x ´e ´ımpar ”
a nega¸c˜ao de p: ¬p = “ x n˜ao ´e ´ımpar ” ou “ x ´e par ”
2 Seja a proposi¸c˜ao: p = “
√
2 n˜ao ´e racional ”
a nega¸c˜ao de p: ¬p = “ n˜ao ´e verdade que√2 n˜ao ´e racional ” ou “ √2 ´e racional ”
Nega¸c˜
ao de uma proposi¸c˜
ao composta
nega¸c˜ao da disjun¸c˜ao: ¬(p ∨ q) = ¬p ∧ ¬q
nega¸c˜ao da conjun¸c˜ao: ¬(p ∧ q) = ¬p ∨ ¬q
nega¸c˜ao da nega¸c˜ao: ¬(¬p) = p
Exemplos:
(1) prop: “ x ´e divis´ıvel por 2 e 3 ” ´e :
nega¸c˜ao: “ x n˜ao ´e divis´ıvel por 2 ou x n˜ao ´e divis´ıvel por 3 ” (2) prop: “ x ´e divis´ıvel por 2 ou 3 ” ´e :
nega¸c˜ao: “ x n˜ao ´e divis´ıvel por 2 e x n˜ao ´e divis´ıvel por 3 ”
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A nega¸c˜
ao do quantificador
Seja p(x ) uma proposi¸c˜ao aberta: A nega¸c˜ao da proposi¸c˜ao
para todo x em D ´e verdade p(x )
´ e
existe um x em D tal que n˜ao ´e verdade p(x ) Em s´ımbolos:
¬ (∀x ∈ D, p(x)) = ∃ x ∈ D : ¬p(x)
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A nega¸c˜ao da proposi¸c˜ao
existe x em D tal que ´e verdade p(x )
´e
para todo x em D n˜ao ´e verdade p(x )
Em s´ımbolos:
¬ (∃ x ∈ D : p(x)) = ∀x ∈ D, ¬p(x)
Exemplos
Converta as seguintes afirma¸c˜oes para a forma simb´olica e diga quais s˜ao as suas nega¸c˜oes:
Af 1 Todos os numeros naturais podem ser decompostos como
produto de n´umeros primos
S´ımbolos Seja m(x ) = “ x pode ser decomposto como produto de
n´umeros primos ”, ent˜ao
∀ x ∈ IN, m(x)
Nega¸c˜ao Existe um n´umero natural que n˜ao pode ser decomposto
como produto de n´umeros primos. Em s´ımbolos:
Af 2 Existe algum inteiro n tal que n + 3 = 4
S´ımbolos Seja p(n) = “ n + 3 = 4 ”, ent˜ao
∃ n ∈ IN : p(n)
Nega¸c˜ao Para todo n´umero inteiro temos que n + 3 6= 4. Em s´ımbolos:
∀ n ∈ ZZ , ¬ p(n)
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A implica¸c˜
ao
Sejam p e q duas proposi¸c˜oes, podemos construir a proposi¸c˜ao
“se p, ent˜ao q00
que pode ser lida como
p implica q
e a denotamos por
p ⇒ q
Oberva¸c˜ao
Na implica¸c˜ao p ⇒q, a proposi¸c˜aop ´e chamada hipotese, premisa ou
antecedente, e a proposi¸c˜aoq ´e chamada tese, conclus˜ao ou consequente
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Pergunta: Qual ´e o valor de verdade desta proposi¸c˜ao ?
Resposta: A implica¸c˜ao p ⇒ q ´e (F ) somente no caso que a
proposi¸c˜ao p ´e (V ) e a proposi¸c˜ao q ´e (F ) p q p ⇒ q V V V V F F F V V F F V Observa¸c˜ao Importante
Em matem´atica a implica¸c˜ao p ⇒ q n˜ao estabelece nenhuma rela¸c˜ao de
causa-efeito entre a hipotese e a tese. A implica¸c˜ao matematica somente
estabelece uma rela¸c˜ao entre o valor l´ogico da implica¸c˜ao e os valores l´ogicos da premisa e da conclus˜ao.
Exemplos
p “ 2 ´e um n´umero par ” → (V )
q “ 3 ´e um n´umero ´ımpar ” → (V )
p ⇒ q “ Se 2 ´e um n´umero par, ent˜ao 3 ´e um n´umero ´ımpar ” (V )
p “ 2 ´e um n´umero par ” → (V )
q “ 4 ´e um n´umero ´ımpar ” → (F )
p ⇒ q “ Se 2 ´e um n´umero par, ent˜ao 4 ´e um n´umero ´ımpar ” (F )
p “ 2 ´e um n´umero ´ımpar ” → (F )
q “ 2 + 5 = 7 ” → (V )
p ⇒ q “ Se 2 ´e um n´umero ´ımpar, ent˜ao 2 + 5 = 7 ” (V )
p “ 2 ´e um n´umero ´ımpar ” → (F )
q “ 3 ´e um n´umero par ” → (F )
p ⇒ q “ Se 2 ´e um n´umero ´ımpar, ent˜ao 3 ´e um n´umero par ” (V )
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p “ 4 ´e um n´umero par ” → (V )
q “ um 4 equil´atero tem todos os ˆangulos iguais ” → (V )
p ⇒ q “ Se 4 ´e par, ent˜ao um triˆangulo equil´atero tem todos os ˆ
angulos iguais ” (V )
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Example (Exemplo)
Imagine uma lei que diz “ Todos os motoristas de fusca devem usar gravatas vermelhas ”
Pergunta: Quando um motorista est´a desobedecendo a lei ?
Resposta: Se ele n˜ao estiver dirigindo fusca (premisa falsa), ent˜ao n˜ao importa se ele est´a ou n˜ao usando gravata vermelha, pois a lei n˜ao se aplica a ele.
O ´unico modo dele desobedecer a lei ´e estar dirigindo um fusca
vermelho (premisa verdadeira) e n˜ao estiver usando gravata vermelha
(conclus˜ao falsa)
Nega¸c˜
ao de uma implica¸c˜
ao
¬ (p ⇒ q ) = p ∧ (¬q )
Example (Exemplos)
p ⇒ q “ Se a ´e par, ent˜ao a2 ´e par ”
nega¸c˜ao: “ a ´e par e a2 ´e ´ımpar ”
p ⇒ q “ Se f ´e uma fun¸c˜ao deriv´avel em x0, ent˜ao ´e cont em x0 ”
Observa¸c˜
ao
Dada uma proposi¸c˜ao p ⇒ q ent˜ao:
rec´ıproca: q ⇒ p
contrapositiva: ¬ q ⇒ ¬p
Exemplo 1
p ⇒ q: Se x ´e um n´umero racional, ent˜ao x2 ´e um n´umero racional rec´ıproca: Se x2 ´e um n´umero racional, ent˜ao x ´e um n´umero racional
Obs: A rec´ıproca ´e (F )
contrapositiva: Se x2 n˜ao ´e um n´umero racional, ent˜ao x n˜ao ´e um n´umero racional
Obs: A contrapositiva ´e (V )
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Exemplo 2
(Para que j´a est´a familiarizado com o c´alculo diferencial)p ⇒ q: Se f ´e deriv´avel em x0, ent˜ao ´e cont´ınua em x0 rec´ıproca: Se f ´e cont´ınua em x0, ent˜ao ´e deriv´avel em x0
Obs: A rec´ıproca ´e (F )
contrapositiva: Se f n˜ao ´e cont´ınua em x0, ent˜ao ela n˜ao ´e deriv´avel em x0
Obs: A contrapositiva ´e (V )
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Condi¸c˜
ao necess´
aria e suficiente
Uma proposi¸c˜ao p ´e dita condi¸c˜ao necess´aria para uma proposi¸c˜ao q se q ⇒ p
Uma proposi¸c˜ao p ´e dita condi¸c˜ao suficiente para uma proposi¸c˜ao q se p ⇒ q
Exemplos
Considere a seguinte proposi¸c˜ao:
Se uma pessoa nasceu em MG, ent˜ao ela ´e brasileira Considere as seguintes situa¸c˜oes
“ Pedro nasceu em MG ” “ Pedro ´e brasileiro ” “ Isabella nasceu em SP ” “ Isabella ´e brasileira ”
Assim: Ter nascido em MG ´e uma condi¸c˜ao suficiente para ser brasileiro, mas n˜ao ´e uma condi¸c˜ao necess´aria, ou ´E suficiente nascer em MG para ser brasileiro, mas n˜ao ´e necess´ario.
Observe que para ser brasileiro ´e necess´ario ter nascido em MG, SP, AMZ, etc...
(Para quem j´a est´a familiarizado com o c´alculo diferencial) Considere a seguinte proposi¸c˜ao:
Se f ´e deriv´avel em x0 ⇒ f ´e cont´ınua em x0
Considere as seguintes situa¸c˜oes
“ f (x ) = x2 ´e deriv´avel em 0 ”
“ f (x ) = x2 ´e cont´ınua em 0 ” “ g (x ) = |x | n˜ao ´e deriv´avel em 0 ” “ g (x ) = |x | ´e cont´ınua em 0 ”
Assim: ´E suficiente ser deriv´avel em x0 para ser cont´ınua em x0, mas n˜ao ´e necess´ario.
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A bicondicional
A express˜ao p ⇔ q ´e lida como p se e somente se q.
p ⇔ q ´e equivalente a p ⇒ q e q ⇒ p
Dizemos que p ´e uma condi¸c˜ao necess´aria e suficiente para q.