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Paracoccidioidomicose do sistema nervoso central.

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(1)

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UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA CATARINA AÀPQ*

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PARACOCCIDIOIDOMICOSE DO SISTEMA NERVOSO CENTRAL

É

ACADÊMICAS: DIONE MARIA CRUZ DA SILVA

ELIANE CIDRAL

FLORIANÓPOLIS - SC

(2)

AGRADECIMENTOS

Ao orientador do trabalho: Dr°Luiz Carlos Coral. Ao neurg

radiologista: Dr Marco A. H. Modesto. Ã professora de português

Lúcia Locatelli Flõnes.

š

(3)

1 - RESUMO

Um paciente com comprometimento neurológico por Blastomi-

cose Sul-Americana com múltiplas lesões granulomatosas V cere-

brais, evidenciada por tomografia cerebral computadorizada, ê

descrito.

(4)

1' -

mrwmnuçäo

A paracoccidioidomicose ( Blastomicose Sul-America-

na ) ê causada por um fungo dimôrfico o Paracoccidioides brasi-

liensis. A porta de entrada do fungo no organismo dâfse por via

inalatõria â semelhança da tuberculose. O pulmão ê o õrgao mais

comumente atingido. O fungo atinge o organismo na forma de espo-

ros, instala-se no pulmão e, a partir da lesão primária, dissemi

na-se por via hemãtica para a pele, as mucosas, o baço,

osossos

as glândulas supra-renais e'o sistema nervoso central..Atingeprg

ferencialmente individuos do sexo masculino, entre vinte e ses-

4,

senta anos, moradores da zona rural.

"

4

Foi descrita pela primeira vez no Brasil por. Lutz,

em 19083, e definida mais precisamente por Splendore, .em 1910,

mas somente em 1930 Almeida denominou de Paracoccidioides brasi-

liensis o fungo patogênico.

`A doença ê endêmica na Amêrica Latina e suanmiorigi

cidência ocorre no sul do Brasil.

- O envolvimento do sistema nervoso central que, 'no

início,-pensou-se ser raro, mais e mais vezes vem sendo descrito

por autores latino-americanos. Pereira Raphael e Sallumll, ao re

visarem necrôpsias de 145 pacientes portadores de

(5)

domicose, encontraram l4(9,65%) com lesões do sistema nervoso cen

tral. Del Negro, citado no mesmo trabalho, encontrou sete (l2,5%)

em 56 necrõpsias realizadas.

'O comprometimento do sistema nervoso central '

pela

blastomicose Sul-Americana pode ser tanto meníngeo como parenqui-

matosolz. A

'

~

_ A meningite paracoccidioidomicõtica apresenta local;

zação basal assemelhando-se â tuberculosa dos pontos de vista clí

nico, liquõrico e mesmo anãtomo-patolõgico, sendo a forma mais cg

. . 6 ll

mum de comprometimento do sistema nervoso central '

¬

' H...

. O líquor em geral ë claro, com\pressao dentro dos pa

râmetros normais, as células estao normais ou levemente aumenta-

das.âs custas de linfomononucleares, as proteínas variam de nor-

mal atê 200mg/dl. A glicose e os cloretos em geral são normais. O

teste de fixação do complemento sô ocasionalmente ê positivo e _o

exame direto sô raramente mostra Paracoccidiõides brasiliensis.

As lesões parenquimatosas podem ser medulares, com

. - . 6 . .

poucos casos descritos ate o presente , e cerebrais, que podem as

sumir forma de granulomas solitários ou mültiplos3'l0'l4, . sendo

OS-primeiros-passíveis de tratamento cirúrgico com. boa

evolu-`

GS sinais e sintomas mais freqüentes do sistema ner-

~ . ¢ as ~

voso central sao cefaleia, vomitos, papiledema, convulsoes, hemi-

plegia, rigidez de nuca e alteração do nível de consciência. O

diagnõstico somente pode ser estabelecido com certeza, quando se

encontra o Paracoccidiõides brasiliensis no .exame 'microscõpiÇo,

tanto do escarro como de lesões ulceradas de mucosa ou pele, even

tualmente no líquor. Antes da tomografia computadorizada, o envol

. . . . lO

vimento cerebral era diagnosticado apenas em bases clínicas .

-'

(6)

Obs. - N.S., 30 anos, branco, casado, natural e pro-

cedente de zona rural de Santa Catarina, há dois anos .trabalhou

na lavoura. Foi internado em 26.09.84, referindo histõria de há

cerca de um mês estar apresentando lesões ulceradas, rasas, hemor

rágicas em mucosa oral, e_em região axilar esquerda, dispnéia aos

grandes esforços e tosse com expectoraçao mucopurulenta.NegavahÊ

moptise, emagrecimento e dor torácica. Há quatro meses relata ce-

faléia holocraniana com predomínio matinal, no início com

perío-~

dos de alívio e remissao total, de.intensidade progressiva há a-

proximadamente vinte dias, sem alívio e acompanhada eventualmente

de náuseas e vômitos. Há cerca de um ano foi tratado com Anfoteri

cinaB e Sulfametoxipiridazina, sendo que fez uso do ültimo até há

um mês atrás. O exame físico da internação revelava: na pele, pre

sença de lesão ulcerada, rasa, em cuja base observava-se'tecÍdo‹üa

- ~ ~

granulaçao discretamente eritematosa, localizada em regiao axilar

esquerda. Presença ã ausculta pulmonar de estertores bolhosos em

terço médio da região inter-escápulo-vertebral direita, diminui-

çao do murmürio vesicular no local. O exame do abdômen era normal

e, ao exame neurolõgico, constatou-se leve rigidez de nuca.

A radiografia de tórax de seis dias antes da interna

. I

. _

çao mostrava infiltrados pulmonares difusos bilateralmente, com

predomínio em terço médio, simétricos, poupando as bases e regis

.

oes hilares proeminentes. A pesquisa de BAAR no escarro foi nega-

tiva. Dois dias apõs a internação, foi solicitado parecer neurolê

gico, sendo observado: paciente orientado, leve edema de papila,

ausência de sinais focais e leve rigidez de nuca. ;A;xn&@iQ9râfiiâ

de crânio realizada na ocasião era normal. A tomografia cerebral

computadorizada evidenciava múltiplas lesões granulomatosas cere-

brais ( Ver figura n9 l`).

(7)

-A medicação específica consistiu-se basicamente de

Sulfametoxipiridazina e Anfotericina B que foi administradaeflndg

ses progressivamente maiores até a dosagem de 875mg, quando a hi

popotassemia secundária ã droga, obrigou sua suspensão. Dez dias

apõs a internação, foi encaminhado para exame anãtomo-patolõgicq

fragmento de lesão ulcerada de pele, que exibia acantose irregu-

lar, e na derme infiltrado inflamatório de padrão granulomatoso,

contendo numerosas estruturas esféricas birrefringentes (Paracog

cidioides brasiliensis). Conclusão: Paracoccidioidomicose.

Um mês e meio apõs a internação, as lesões do reveâ

timento mucoso e cutâneo estavam cicatrizadas e as lesões pulmo-

nares involuíram acentuadamente, assim como não mais se observa-

vam manifestações atribuíveis ã hipertensão endo-craniana. Rece-

beu alta hospitalar em l4.ll.84, para tratamento ambulatorial,fa

zendo uso de Sulfametoxipiridazina (lg/dia), sendo marcado re-

torno para realização de nova tomografia cerebral computadoriza-

da ( Ver figura n9 2 ).

(8)

CT 1 FT Ê' '_ CT 2 FT 1 Fig 1 cw 1 ë CT 1 Fig 2 cT 2 â CT 2 Confrontaçoes homologas de Tomografias computadorízadas

realizadas antes (CT 1) e apos

(CT 2) tratamento com anfoterící-

na B e sulfametoxípírídazína.

Bvídente redução dos diametros

(9)

. 2 DISCUSSAO

O primeiro caso de envolvimento do sistema nervoso

central foi descrito no Brasil por Pereira e Jacobs, em 19199.

Desde então, vârios casos com envolvimento meníngeo e as mais di

ferentes formas de comprometimento granulomatoso de todo o neuro

eixo têm sido descritas. Mais recentemente o trabalho publicado

por Mingueti e Madalozzolo, chamou a atenção para a .importância

da tomografia cerebral computadorizada no diagnôsticoprecocedeã

ta patologia, visto que, em muitos casos, tal diagnóstico sô era

possível com exploração cirúrgica ou de necrõpsia. No,caso rela-

tado, esta confirmaçao já era esperada, uma vez que o paciente

Ê

presentava Blastomicose Sul+Americana muco cutânea e pulmonar.No

~

entanto, suspreendeu o número de granulomas encontrados. Nao foi

realizado estudo liquõrico pela presença de papiledema.

Foi realizado tratamento com Anfotericina

B,atêque

seus efeitos colaterais impedissem a continuidade do seu uso e

o segmento da terapêutica foi dado, usando Sulfametoxipiridazina

O paciente evoluiu bem, de forma que a segunda tomografia wcere-

“bral computadorizada, realizada cerca de um mês apõs, evidencia-

~ `

vv.

va regressao acentuada das lesoes. ,

~ ~

Nao existe uniformidade de opinioes sobre a melhor

(10)

maneira de tratar a paracoccidioidomicose. Classicamente são u-

tilizadas as sulfas como a Sulfadiazina e a Sulfametoxipiridazi

na, este último constitui-se em um fármaco de fãcil utilização,

baixo preço e praticamente destituído de paraefeitos. A Anfote-

ricina B, embora tenha ação fungicida e seja capaz de erradicar

_ _, .

o fungo, tem sua indicaçao limitada aos casos mais graves, por

apresentar alta toxicidade4'6.

Nos ültimos anos tem se acumulado relatos a respeito

de uma nova droga anti-füngica de amplo espectro, chamada de

Ketoconazolez Trata-se de um derivado imidazõlico que, ao «con-

trário dos imidazõlicos anteriores (clotrimazole e miconazole),

tem baixa toxicidade, ê bem absorvido por via oral e temese mos

~

trado efetivo no tratamento de micoses sistêmicas nao yzrmenínë

2

geas .

Experiências com uso de Ketoconazole no tratamentode

~ _ '

infecçoes fungicas no sistema nervoso central em humanos tem si

do extremamente limitadas até a presente dataz.

Craven, Graybill e Jorgensens estudaram a vmresposta

clínica em cinco pacientes portadores de infecção füngica‹k>si§

tema nervoso central usando 800 a 1200 mg de Ketoconazole 'w ao

dia. _

-_

As conclusões deste'estudo foram: l - resposta clíni

ca em maior ou menor grau foram observadas em todos os npacien-

tes; 2 - penetração consistente no líquor apõs doses de 800 a

1200 mg/dia foram detectadas pelo menos nas 8 horas seguintes â

administração; 3 - a concentração atingida no líquor ê dependen

te da concentração sërica da droga de modo linear. No entanto,

~

até a presente data, nao hã relato descrevendo o uso de Ketoco-

nazole na paracoccidioidomicose cerebral. Portanto, o valor da

(11)

\ 1 P Í 1 \ ? \ I

droga, nestes casos, ai nda não esta estabelecido.V ÊO

(12)

I

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(14)

TCC NCMHI TCC UFSC CM 0116 Autor S1lva,D:one Mana

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UFSC'

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