Do processo das ações
sumárias trabalhistas
In ju stitia illud (ju diciu m) redit amarum,
m ora acidum — B a c o n i
DOMINGOS SAVIO BRANDÃO LIMA Juiz de Direito e Professor da Faculdade
de Direito de Mato Grosso
1 . A objetividade, precisão e atualidade do pensamento
do emérito Ma n o e l Au r e l i a n o d e Gu s m ã o são tão expressivas
e sintetizam com tamanha fidelidade o anseio de quantos mili- tam na Justiça ou a ela recorrem para dirimir suas questões que merecem uma reprodução integral:
“O ideal assinalado pela ciência do Direito Judiciário e que todas as legislações têm vindo procurando realizar, é o da diminuição quantitativa e simplificação qualitativa das formas destinadas a reger os atos da luta jurídica, no convívio social” .
“A tendência universal da ciência processualística tem sido sempre para desembaraçar e simplificar o processo, expur-gando-o de todo êsse cortejo de solenidades arcaicas, de delon-gas e de exigências inúteis, que só têm a virtude de entorpecer,
de paralizar, ou de anular, segundo a frase de Oo c c o-Or t u , “a
defesa honesta do bom direito” e que só servem para entreter e alimentar as protelações e a chicana, onerando as partes de despesas supérfluas, que flagelam, sem vantagem alguma para
1. Ba c o n. “Tratado de Moral e Política”, pág. 53 = se a injustiç da sentença a torna amarga, as delongas fazem-na azêda.
o descobrimento da verdade, ou p a ra a dem onstração da legiti-midade dos direitos controvertidos, que o poder público é cha-mado a tu te la r e p roteger” . 2
P o r estas razões ponderáveis, sempre oportunas, é que para o clássico e brilhante Jo ã o Mo n t e i r o “o m elhor sistem a de processo será aquêle que o fizer — pronto, simples e efeti-vam ente g aran te da final estabilidade das relações de direito”.3
Ê inconfundivelmente certo que “o apêgo farisaico à letra da lei — apregoa o dr. An d r e a s Vo n Tu h r — caracteriza as civilizações jurídicas pouco evoluídas”, tendo Cl ó v is Be v il á q u a observado que o form alism o decai como resultado da evolução jurídica.
H odiem am ente, — afirm am os no Acórdão da Apelação Cível n° 3.967, no Egrégio Tribunal de Ju stiça de M ato Grosso, quando convocados, — o fetichism o das fórm ulas processuais, o ritualism o tacanho e apaixonado, o fascínio das palavras sacram entais, o simbolismo extrem ado das legis actiones, do procedimento form ulário, cujos ressaibos se perpetuaram atrav é s das legislações portuguêsas, constituem apenas sub-sídios históricos aos estudiosos, estando sua influência e vigên-cia em poeiradas e am arelecidas pelo p a ssa r do tempo, repou-sando nos arquivos das a ntiqualhas do direito.
P o r m ais inócuo e insignificante que nos apresente um dissídio submetido à consideração e julgam ento da Ju stiça do Trabalho, podemos, sem m uito esforço, divisar atrav és daquela dim inuta pretensão, um a inquietante situação de profunda repercussão e larga significação sociais. E m bora individual, aquela demanda pode alcançar im ensa ressonância, sensibili-zando, em c ará te r genérico e ab strato , todo um grupo social que poderá considerar-se na m esm a posição.
2 . Ma n o e l Au r e l i a n o d e Gu s m ã o. “Processo Civil e Comercial”, 1921, 116, n<? IX.
O processo, êsse “conjunto de atos destinados à form ação de im perativos jurídicos” ,4 cuja finalidade, n a afirm ação de Co u t u r e, é “fazer cessar o conflito, m ediante o debate preor- denado, por ato da autoridade”,5 no setor trab alh ista, assume um c a rá te r muito m ais grave. Ãs vêzes, quanto m enor o pedido, m aior a urgência e m ais negra a necessidade de buscar-se um a solução ju sta, dentro do m enor espaço processual possível, sem contudo sacrificar-se o sagrado m ister da Ju stiç a de d a r o seu a cada um, sob pena de converter-se o mesmo em túm ulo do D ire ito .
Os ju rista s, diante dêstes pressupostos e pressurosos em conciliar os interêsses em litígio, dentro do princípio da igual-dade de todos perante a lei, procuraram agrupá-los num pro-cesso, onde o pouco reclam ado pelo dem andante fôsse poupado ou conservado intacto por um desfêcho rápido e econômico, de modo tam bém a não d esg astar o muito do demandado, pela polêmica infindável, tão ao gôsto da chicana, destituída de qualquer proveito às p a rte s e ao cará te r social da Ju stiça.
2. Ao sistem atizar os diversos procedimentos, o projeto
do Código Judiciário do Trabalho, atualm ente paralizado no Congresso Nacional, abandonando a v etu sta divisão form al das ações p ara p erfilhar a m oderna processualística, classificou os processos em duas grandes e d istin tas categorias: processo ordinário (a rts. 371-428) e processos especiais de natureza individual (arts. 429-534) e coletiva (arts. 535-595).
E n tre os processos especiais de natureza individual, enu-m erou a ação suenu-m ária,a hoenu-mologação do pedido de deenu-missão do em pregado estável, ação p a ra demissão do em pregado estável, ação de consignação em pagam ento, ação executória, ação de restituição de posse, ação rescisória, ação de cumprimento de convenção coletiva de trabalho, mandado de segurança,
infra-4. Ca e n e l u t t i. apud Frederico Marques, “Instituições de Direito Processual Civil”, I/II.
5. Ed u a r d o J. Co u t u r e. “Introdução ao Estudo do Processo Civil”, Rio, pág. 67.
ções e aplicação de penalidades, m edidas preventivas, protestos, em bargos de terceiros, incidente de fa ctu m príncipis, incidente de falsidade.
Devemos, prim eiram ente, louvar a iniciativa e a pujança com que o douto au to r do projeto enfrentou e ten to u resolver antigos e irreconciliáveis problem as, suscitados na doutrina e jurisprudência.
L t r ., a renom ada Legislação do Trabalho, em seu número 305, ao fazer um a circuntanciada e criteriosa análise dos textos do, então, anteprojeto, confiou a p arte de que nos ocupamos ao talentoso Dr. Ed u a r d o Sa a d (pág. 37-41) que, em suas pre-cisas apreciações,, lim itou-se a propôr que a alçada das ações sum árias fôsse fixada na proporção de um, dois e trê s salários mínimos, na conformidade do nível de vida evidenciado nos diversos E stados mencionados. Sustentou ainda S. Excia. que o critério atual, se adotado, não determ inará economia proces-sual nem contribuirá p a ra o desafogo dos T ribunais, sobretudo nos E stados em que os trab alh ad o res têm padrão de vida m ais elevado.
3. N ada mais necessário e proveitoso p a ra o estudo da
natureza e essência das instituições jurídicas, que um a inves-tigação, mesmo suscinta de seu desenvolvimento histórico, p ara têrm os um a noção m ais precisa de sua atualidade e das m edidas que nos atrevem os a propôr.
E m sua interessante e constante evolução judiciária, assi-nalaram os rom anos trê s períodos de im portantes sistem as processuais civis: ,o sistem a das legis actiones, o form ulário e a cognitio ex traordinária,6 cujo estudo, mesmo perfunctório,
6. Cf. Ro b e r t Von Ma y r . “História del Derecho Romano”, Barce
lona, 1926, /348-407 ; Teodoro Mommsen, Compendio dei Derecho Público Romano, Buenos Aires, 1942, págs. 325/381; Vittorio Scialoja, Procedi-mento Civil Romano, Buenos Aires, 1954, págs. 351/438; Eugene Petit, Tratado Elemental de Derecho Romano, Buenos Aires, 1958, págs. 823/ 874; J. Arias Ramos, Derecho Romano, Madrid, 1954, 1/206-214; E. Didier- Pailhé, Cours Élémentaire de Droit Romain, Paris, 1887, 1/329-361; Paul Frédéric Girard, Manuel Elémentaire de Droit Romain, Paris, 1906, págs.
ser-nos-ia impossível num trabalho como êste reservando-nos p a ra nossos “Com entários ao Código Judiciário do T rabalho”, que elaborarem os de p arceria com o ilustrado e culto Juiz do Trabalho, dr. W aldem ar Thomazine.
Encontram os, ao tem po do Código Teodosiano, processos que, pela plenitude das provas e das decisões, eram idênticos aos processos ordinários, omitindo-se contudo certos atos e ace-lerando-se .os prazos do procedim ento.
No D ireito Justiniâneo, segundo o testem unho de SciA- l o j a ,7 existiram determ inados processos que se realizavam com m aior celeridade, especialm ente quanto à s provas perante o m agistrado julgador, que não precisavam conduzir a um a con-vicção plena, como se verificava nos demais processos. Não constituíam processos propriam ente ditos, em seu rig o r técnico, m as p u ras form alidades judiciais em casos determ inados, como a concessão da bonorum possessio decretalis, as interrogationes in jure, a suspensão do judicium liberale, a actio ad exhiben- dum, a actio legis Aquiliae por destruição das táb u as contra-tuais, a pignoris capio executiva e a ação de alimentos.
Em processos dessa natureza, bastav a ao m agistrado “sum m atim cognoscere” , ou seja, conhecer superficialm ente, sucintam ente, sum àriam ente, originando-se daí, o nomen ju ris da ação sum ária.
4. No procedim ento civil ítalo-canônico, segundo a n a r
ra tiv a de Le o Ro s e n be r g, “introduziu-se na “Clementina saepe” de 1.306 um processo chamado m ais adiante sum ário indeter-minado, que se aplica prim eiram ente às causas de m enor valor e que se extende logo ao procedimento ordinário, dado que o
964-1071; Gastonmay, Eléments de Droit Romain, Paris, 1909, págs. 558/ 633; Pietro Bonfante, Instituciones de Derecho Romano, Madrid, 1959, págs. 12-137; F. Mackeldey, Manuel de Droit Romain, Bruxelles, 1837, pägs. 121-131; L. A. Wamkoening, Instituições de Direito Romano Pri-vado, Rio, 1882, págs. 429/435; Filippo Serafini, Instituzioni di Diritto Romano, Firenze, 1872, 1/107-130.
7 . Vi t t o r i o SciALOJA. “Procedimiento Civil Romano”, Buenos Aires 1954, págs. 428-30.
juiz pode resolver simpliciter et de plano, sine strepitu et figura judicii e concentrar os prazos discricionàriamente” .8 Chio- venda nos adianta que êste processo “regulou êsse modo de proceder simpliciter et de plano ac sine strepitu et figura judi-cii, a observar-se em determinados casos: dispensando do libelo, da contestação da lide, da rigorosa sucessão dos prazos, antes mirando a concentrar numa só audiência tôdas as deduções das partes, reformando os podêres do juiz na direção da lide; aumentando o contacto entre as partes e o juiz, e a oralidade da causa; admitindo um processo contumacional na exata acepção do têrmo” .9
5. Nosso país, herdeiro das tradições ju ríd icas e
cultu-rais dos rom anos e lusos, nunca poderia desconhecê-lo, especial-mente, no direito crim inal que, com idêntico sentido e objetivo, ainda nos em presta seu concurso (Código de Processo Penal: arts. 513-540), destinando-se à punição das contravenções e aos processos por crimes a que não fôr ainda que alternativam ente, cominada a pena de reclusão. Nêle, elucida Pi m e n t a Bu e n o, “se abreviam os têrm os do processo ordinário, deixando-se por isso de observar extensam ente algum as form alidades, atos, ou dila-ções dêste, e guardando-se só as que interessam à ordem essen-cial do Juízo, ou têrm os indispensáveis da acusação, defesa, e exam e” . 10
Existiu, atesta-nos o insigne Jo ã o Me n d e s Jú n i o r, um “processo simplesmente verbal, como o o u tro ra adotado nas causas excedentes de quatrocentos mil réis e n a infração de polícia municipal. O juiz ouvia as partes verbalm ente e suas provas, limitando-se o escrivão a fazer, em seu protocolo, um assento de como o juiz as ouviu sôbre aquêle fa to e condenou ou absolveu; e dêste assento se e x traia o m andado p ara
exe-8. Le o Ro s e n b e r g. “Tratado de Derecho Procesal Civil”, Buenos Aires, 1955,1/19-20.
9. Gi u s e p p e Ch i o v e n d a. “Instituições de Direito Processual Civil, São Paulo, 1965, 1/107.
10. Jo s é An t ô n i o Pi m e n t a Bu e n o. “Apontamentos sôbre o Pro-cesso Criminal Brasileiro”, 1959, pág. 488, m 294.
cução (Ord. Liv. i, tit. 65, §§ 7, 23 e 73) . N ão hav ia papéis a a u tu a r. Não se form avam autos. De tudo ficava tão somente, o assento no protocolo. Ê sse processo, a princípio aplicado às pequenas dem andas perante os juizes de paz, depois se foi abusivam ente transform ando em um processo verbal por escrito” . 11
O procedim ento sum ário naturaliza-se, em nosso direito comercial, graças aos ilustres redatores do Reg. n° 737, de 25-novembro-1850, ingressando no âm bito da processualística civil, por fôrça do Dec. n" 763, de 19-setembro-1896, p ara obter sua aplicação no Dec. n9 3.084, de 1898 (P a rte terceira, a rt. 359) e, persistindo em quase todos os códigos estaduais de processo, foi extinguir-se com o advento e vigência do D ec.-Lei n 9 1.608, de 18-setembro-1939.
Segundo Lo p e s d a Co s t a,12 êste procedim ento é regulado no Código P ortuguês ( a r t. 471) e no Code de Procédure
( a r t. 404), sendo desconhecido da ZPO, onde seus comen-tadores o consideram desnecessário, diante da faculdade do
§ 226, que perm ite ao juiz o abreviam ento da m archa pro-cessual, com o encurtam ento dos prazos.
6. E m m atéria co n tratu al de trabalho, m uito antes mesmo
de pensar-se em qualquer coisa que se parecesse com o Direito do Trabalho, já nos deparam os com a Ação de Soldada, deri-vada do contrato de locação de serviço13 e fundada nas Leis de 13-setembro-1830 (a rt. 2", § 39) e n9 608, de ll-novem bro-1837 ( a r t. 14) e de 15-março-1870, cujo processo era sumaríssimo, sendo, posteriorm ente, pela Lei de 15-março-1878 ( a r t. s . 81 e 8 4 ), alterado p a ra sum ário (R eg. 737, a r ts . 237 e s e g s .) .
11. Jo ã o Me n d e s d e Al m e i d a Jü n i o r . “ P r o g r a m a d o C u r s o d e D i r e i t o J u d i c i á r i o ” , 1910, p á g s . 202 e s e g s .
12. Al f r e d o d e Ar a ú j o Lo p e s d a Co s t a. “Direito Processual Civ Brasileiro”, 1959, 1/196, n« 204.
13. Fazemos esta distinção por existirem duas espécies destas ações
sendo a primeira fundamentada nas Ords. Liv. 4'\ tits. 29 e 34, do processo sumário.
N a p ra g m ática tra b a lh is ta nacional, vam os re g is tra r o ensaio de seus prim eiros passos no a rt. 46 do Dec.-Lei n 9 1.237,
de 02. v . 1939 14 para, despreocupado com su a nom enclatura,
quase escondido e desconhecido, afirm ar-se em ca ra c tere s m ais nítidos, no § l '1 do a rt. 851 d a C L T ,15 com a nova redação que lhe im prim iu o D ec.-L ei n" 8.787, de 19-1-1946 e, finalm ente, ap resen ta r-se m odificado no P ro je to que o douto P ro f. Mo z a r t Vic t o r Ru s s o m a n o teve o m érito de organizar em tão curto p ra z o .
7. Processo sum ário é “aquêle, em que a lei, resp eitad a
a ordem n a tu ra l, sim plifica os atos, en c u rta os prazos e d is-p ensa c e rtas form alidades, dando-lhe assim u m a m a rc h a m ais breve e expedita” , 16 onde “só se observam os a to s substanciais, re je ita d a s as solenidades” 17 que, “pela u rg ên cia da realização do direito, ou pela m odicidade do pedido e sim plicidade do litígio, n ad a m ais exigem do que” 18 “exposição d a pretensão do au to r, defesa do réu, in stru ç ão ou prova e ju lg am en to ” . 19
F undam enta-se êle em trê s razões, que o tem po não ousou m o d ificar: “a parvidade de seu objetivo, o fa v o r de que gozam, a urgência de su a decisão” , 20 objetivando, apenas, “brevidade,
14. A rt. 46 — Os trâm ites do processo e julgamento da reclamação serão resumidos em ata, de que constará, na Integra, a decisão. Pará-grafo único. A ata será assinada pelo presidente e pelos vogais, juntando-se ao processo original.
15. CLT, art. 851 — Os trâm ites de instrução e julgamento da recla-mação serão resumidos em ata, de que constará na íntegra a decisão. § 1’ — Nos processos de exclusiva alçada das Juntas, será dispen-sável a juizo do presidente, o resumo dos depoimentos, devendo constar da ata a conclusão do Tribunal, quanto à m atéria de fato.
16. Pa u l a Ba p t i s t a. “Compêndio de Teoria e Prática do Pro-cesso”, § 75.
17. Pe r e i r a e So u z a. Primeiras Linhas, nota 7.
18. Jo ã o Me n d e s d e Al m e i d a Jü n i o r . “Direito Judiciário Brasi-leiro”, 1960, pág. 237.
19. Ma n o e l Au r e l i a n o d e Gu s m ã o . “Processo Civil e Comercial”,
1921, 1/323.
20. An t ô n i o Jo a q u i m Ri b a s. “Consolidação das Leis do Processo
economia, rem oção de todos os meios m aliciosos e supérfluos, ta is são as condições que devem aco m p an h ar o processo em tô d a a su a m a rc h a ”,21 ou seja, “o m áxim o resu lta d o com o m íni-mo de esforço, princípio êsse que p ara Vo n Ih e r i n g é um a das leis v ita is da Ju risp ru d ê n c ia ” .22
C aracteriza-se “po r um a sim plificação” ,23 tendente “a d im in u ir a m assa dos m a teria is, ta n to q uanto não seja p re ju -dicial aos resu ltad o s a a tin g ir” e “a d elim itar ex atam en te os ato s e têrm os e a reuní-los h arm ônicam ente” ,24 c u ja adoção, recom endada p o r Ci r n e, “por se r o m ais com patível com a p ró p ria definição de ação” ,25 e v itaria aquela v e tu sta adver-tên cia de Mo n t e s q u i e u: “as form alidades são necessárias; mas o seu núm ero poderia se r tã o grande que iria se co n tra p o r ao fim das leis. D ar-se-ia a um a das p a rte s os bens da o u tra sem exam e, ou, à fô rça de ta n to exam inar, se a rru in a ria a am b as” .26
8. P a ra m elhor entendim ento e elucidação dêste processo,
no direito p á trio antigo, transcrevem os o que nos ap resen ta Jo ã o Mo n t e i r o: “Quanto à form a do processo, observar-se-ão as re g ra s dos a rts. 237 a 244 do Reg. 737, de 25 de novembro de 1850, a sab er:
— A petição inicial conterá, além do nom e do a u to r e do ré u :
1? — O contrato, tra n sa ç ã o ou fa to de que re su lta o direito do a u to r e a obrigação do réu;
*
29 — O pedido com tô d a s as especificações e estim ativ as do valor, quando não fô r determ inado;
30 — A indicação das provas em que se fu n d a a dem anda.
21. Pa u l a Ba p t i s t a , ob. c i t . , § 72. 22. Gu s m ã o , ob. cit., 1/18. 23. Lo pe s d a c o s t a, ob. c it., 1/196. 24. Ih e r i n g, a p u d Jo ã o Me n d e s d e Al m e i d a Jú n i o r . Ob. cit. 1960, p á g . 295. 25. Ad o l p h o Ta c i o d a Co s t a Ci r n e. “ A c ç õ e s S u m m á r i a s ” , R e c i f e , 1936, p á g . 115.
Na audiência para a qual fôr o réu citado, feito o pregão, e presente êle ou à sua revelia, lerá o autor, ou seu advogado, a petição inicial, a fé da citação, e produzindo os documentos que tiver, exporá de viva voz a sua intenção e depositará o rol de testemunhas.
— Logo depois se procederá à inquirição das testemunhas, a que poderá se prorrogar para audiências seguintes, podendo o juiz m arcar audiências extraordinárias p ara êsse fim.
— Êstes depoimentos serão escritos resumidamente, salvo: l 9, quando alguma das partes requerer que o sejam, à sua custa, por inteiro; 2", quando a prova fôr somente testem unhal.
— Findas as inquirições, verbalmente ou por escrito, o juiz fa rá em seguida reduzir a têrm o circunstanciadamente as ale-gações e requerimentos orais, e depoimentos das testem unhas; e autuando êsse têrmo com a petição inicial, documentos e ale-gações escritas, serão os autos conclusos.
— Antes de proferir a sentença procederá o Juiz ex-officio ou a requerimento de qualquer das partes as diligências que lhe parecerem necessárias p ara julgar afinal, ou ao arb itra -mento nos casos em que a lei o determ inar” .27
9. Se nos detivermos a observá-lo, mesmo de relance, em
tôda a sua longa mas fascinante evolução, concluiremos que os três requisitos, almejados pelos romanos, da simplicidade, bre-vidade e eficácia continuam a desafiar a argúcia e a cultura de nossos modernos processualistas.
O conceituado e culto Prof. Ru s s o m a n õ , em dividindo os
processos em ordinários e especiais, não cometeu o deslise apon-tado ao Código de Processo Civil, incluindo nestes últimos os processos acessórios e foi extrem am ente feliz na redação do art.
429, pois, doutrina Po n t e s d e Mi r a n d a, “a especialidade, no
Código, nem sempre significa exclusão da ordinariedade, às vêzes, essa ordinariedade persiste e apenas se modifica algum
26. Mo n t e s q u i e u. “Espírito das Leis”, Liv. 29, cap. 1<?.
momento inicial; ou apenas se alude a que se manteve a forma ordinária, a despeito da especialidade da pretensão e da ação”.28 O procedimento das ações sumárias trabalhistas, pelo espírito e evolução, pelo seu sentido etmológico e atualidade social, não pode, apesar de sua excepcionalidade, conservar a ordinariedade quase total, como se pretende, sob pena de perder o valor e as características primordiais de sua razão de ser. A êle se aplica, com inteira procedência, a lição do grande JoÃò Mendes Júnior: “atos e têrmos devem ter em vista conciliar a necessidade da realização do direito: — com a segurança do exame, para dar confiança aos litigantes; com a simplici-dade, para distrair a atenção do juiz e concentrá-la sôbre os verdadeiros pontos do litígio; e com a brevidade, tanto quanto seja possível, sem degenerar em precipitação”.29
Juan B a le lla ,30 destacando as múltiplas razões que indu-ziram o legislador a subtrair as controvérsias individuais do trabalho à competência da jurisdição do direito comum, infor-ma-nos que tôdas elas “fundam-se na convicção de que a jus-tiça ministrada pelos tribunais ordinários à demasiado lenta”, aduzindo A lejandro G a lla r t F olch que “a jurisdição do tra-balho tem que ser uma jurisdição especial, caracterizada pela simplicidade processual; pela rapidez e pela gratuidade”.31
Da form a como está estatuído no Projeto, o processo das ações sum árias trabalhistas, longe de representar um avanço na complexa técnica processual, como se pretendeu, manifesta, na realidade, uma tremenda negação e desprêzo de seu conteúdo histórico, de sua finalidade e essência precípuas. É, à seme-lhança do “processo verbal por escrito”, um processo sumário ordinarizado, ou, numa apreciação mais simples, nada mais que
28. Po n t e s d e Mi r a n d a. “Comentários ao Código de Processo Civil”,
1959, IV /244.
29. Jo ã o Me n d e s apud Gu s m ã o, ob. cit., 1/18.
30. Ju a n Ba l e l l a. “Lecciones de Legislacion dei Trabajo”, pág. 336,
n9 2 .
31. Al e j a n d r o Ga l l a r t Fo l c h . "Derecho Espanol dei Trabajo,
um a ação ordinária de valor líquido igual ou inferior a três vêzes o m aior salário mínimo, em que das provas testem unhas produzidas em audiência apenas constarão da a ta o nome e a qualificação dos depoentes e partes, as alegações finais estarão excluídas dos autos e a sentença será irrecorrível à instância superior.
Referindo-se às diferenças existentes e n tre a reclamação com o rito prescrito pelo a rt. 851, § l p da CLT e as demais,
assim se m anifestou Ca m p o s Ba t a l h a : “nisto, portanto, se
distingue o processo sum ário do ordinário: naquele, os depoi-m entos das partes e testedepoi-m unhas são reunidos n a a ta da audiên-cia, na qual se indicará sucintam ente a conclusão do juiz ou da J u n ta sôbre a m atéria de fato ; neste, os depoimentos serão ditados separadam ente, em súmula, devendo se r assinados pelo juiz ou presidente e pelos depoentes” .32
N a verdade, data vênia, não se tra ta v a exatam ente de
processo sumário, como entendeu o preclaro Ba t a l h a, cujo rito
deve se r expresso, jam ais ficar na dependência do juízo do presidente e cuja celeridade se evidenciava tão só em alguns m inutos de audiência e supressão do recurso à segunda instância.
Reconhecemos que, no procedimento consolidado, exclusi-vam ente de alçada, justificava-se aquela diferença mínima, face ao sistem a da oralidade, preconizado pelos m odernos proces- sualistas, em que “a predom inância da palavra falada, como meio de expressão, m as combinada inteligentem ente com efeitos preparatórios e de docum entação”,33 já tradicional no traba- lhism o m undial e p átrio . O procedimento j á era tã o sucinto e desprovido de form alism os que modificá-lo, seria extinguir ou m u tila r suas partes essenciais, torná-lo tum ultuário e nulo.
“B asta considerar — pondera o eminente JoÃõ Me n d e s d e
Al m e i d a J ú n iõ r — que, no procedimento oral o que caracteriza o processo ordinário é que a causa deve ser in stru íd a e
prepa-32. W i l s o n d e So u z a Ca m p o s Ba t a l h a . “Instituições de Direito
Processual do Trabalho”, 1951, pág. 343.
33. Ga b r i e l Jo s é Ro d r i g u e s d e Re z e n d e Fi l h o . “Curso de Direito
rad a antes de audiência p a ra o debate oral, ao passo que, no processo sum ário, as conclusões são tom adas em audiência e a instrução se faz em audiência: isto é, no procedim ento oral, a instância do processo sum ário desde logo in sta u ra in teira -m ente perante a autoridade judiciária co-m citação p a ra audiên-cia fixa, é suprim ida a fase da instrução prelim inar escrita, e na audiência p a ra o debate oral são produzidos depoimentos, discutidas propostas e desenvolvidas as requisições e conclusão das p a rte s” . 34
A gora, com as inovações apresentadas, o estudo dêste processo assum e proporções diversas que devem se r m editadas com vagar. Sacrificou-se a simplicidade, o encurtam ento dos prazos e a facilidade do procedimento consolidado p a ra form a-lizá-lo por escrito, transform ando-o de especial que era em ordinário, com um prim eiro despacho saneador (a rt. 377), ainda encontrado em algum as legislações, inclusive no Direito Canônico,35 contestação solene, despacho saneador eminen-tem ente inform al (art. 389) .
Substituiu-se, destarte, um processo extrem am ente simples por outro m uito m ais form alista.
Positivou-se, outrora, tendências exatam ente inversas, ou seja, su b stitu ir o procedimento ordinário pelo sum ário, m
ere-cendo do grande Almeida e Sòuza, baseado em Strikio e
Bronnem, êste prognóstico: “seria de interêsse público que
todos os processos se tra ta sse m sum àriam ente”
,36
M elloFreire nos assevera que êste desideratum só não foi alcançado
34. Jo ã o Me n d e s apud Gu s m ã o, ob. cit., 1/18.
35. Co d e x Iu r i s Ca n o n i c i. Can. 1.709. I. Iudex vel tribunal, post
quam viderit et rem esse suae competentiae et actori legitimam personam esse standi in iudicio, debet quantocius libellum aut admittere aut reiicere, adjectis in hoc altero casu reicctionis causis = depois que o juiz ou tribu-nal verifica que o assunto é de sua competência e que o autor tem personalidade legítima para comparecer em juízo, deve quanto antes admitir ou rechaçar o escrito da demanda, acrescentando neste segundo caso as razões pelas quais o rejeita — Typis Polyglottis Vaticanis —■ MCMLI, pág. 465.
em Portugal, graças “ao grande prestígio e ao respeito quase supersticioso de que gozavam o D ireito Romano e o D ireito Canônico, de onde era derivado o processo ordinário” .37 Uma lei italiana de 31 de março de 1901, numa reprodução incom-pleta da lei geral suíça de 11 de abril de 1889, procurou em vão estabelecer esta inversão, que não teve êxito face às peculiaridades do sistem a adotado.
Não postulamos a tese de Lo bã o, nem comungamos do
fracasso da lei italiana, mas, as condições essencialmente humanas nos impõem a advogar um rito tríplice para os pretó-rios trabalhistas — o sumaríssimo, sumário e ordinário.
Quem questiona direitos de valor igual ou inferior a um salário mínimo não pode sujeitar-se às delongas de outros pro-cessos. P or que então não aproveitar-se o atu al rito da Lei
n9
4.066,
de28-V-1962?
As partes, de comum acôrdo ou seusadvogados, compareceriam, juntam ente com suas testem unhas, em audiência designada com trê s dias de antecedência e, perante o Juiz T rabalhista, apresentavam suas provas, pedindo que lhes fizesse Ju stiç a . D esta decisão não haveria qualquer recurso e o cumprimento seria imediato, sob pena de execução. Regis-trar-se-ia apenas a conclusão do julgam ento, cuja certidão serviria para exigir-se o pagam ento, ou com provar-se o acôrdo.
10.
Se, outrora, um a reclam ação verbal que poderia sjulgada na prim eira audiência desimpedida, depois de cinco dias, arrastava-se mêses, por causa de inexistência de pauta, imaginemos agora no regime proposto.
Agora, um processo trab alh ista, se tiv e r um andam ento rápido, g a sta rá um prazo mínimo de vinte e sete dias! Isso norm alm ente. Exem plifiquem os: apresentada a inicial, ou o pedido oral, o M inistério Público te rá dois dias p ara redigir a petição, inexiste prazo p ara o juiz proferir o despacho saneador Mi r i m, a secretaria possui dois dias p ara a rem essa da segunda via ao réu, um dia p a ra que o DCT possa entregá-la, cinco dias
p ara a contestação, um dia p ara rem essa da contestação pelo DCT ( ? ) , um dia p a ra a conclusão dos autos, dois dias p ara o despacho saneador, dois dias p ara expedir a intim ação da audiência, um dia para o DCT entregá-la, cinco dias de antece-dência da audiência, trê s dias p ara a sentença, se o juiz não se se n tir habilitado = to ta l vinte e sete d ia s : convenhamos se o juiz despachar a inicial im ediatam ente, se o M inistério Público cum prir seu prazo, se a Secretaria observar rigorosam ente as conclusões e rem essas das citações e intim ações e . . . (aqui o hoc opus labor e st) se o Correio en treg ar tôdas as citações e intim ações em um dia p ara cada, o que duvido e aposto em contrário.
Ora, a Ação Sum ária T rabalhista te rá todos êstes prazos e sua única e absoluta vantagem será a de não constar da a ta os interrogatórios das partes, depoimentos de testem unhas e peritos, e a irrecorribilidade da decisão (a rt. 602) à superior instância, com possibilidade de um pedido de reconsideração em trê s dias.
Onde a brevidade, a simplicidade, a isenção de form alidades acidentais, a economia e facilidade processuais?. . .
Se agora, na vigência do procedimento consolidado, am pa-rado pela rápida conclusão da demanda, assistim os comumente ao espetáculo doloroso do em pregado que, antes de reclam ar ou no lim iar da causa, é forçado a tran sig ir, recebendo menos da m etade do que tin h a direito certo e incontestável, porque suas condições não agüentam a espera do moroso desfêcho de sua reclam atória, que diremos dêstes processos, ora codifi-cados?. ..
N um país, onde a inflação atinge a níveis inacreditáveis, infalivelm ente superiores a qualquer ju ro de m ora, a procras-tinação ainda significa a m ais temível das arm as utilizadas pelo economicamente fo rte contra os que, vivendo de seu exclu-sivo labor e desprovidos de quaisquer economias, não podem re sistir à desvalorização do que lhes cabe, sob pena do pereci-mento total, aderindo a tôda a proposta que im porte no rece-bimento imediato.
O A utor do P rojeto (a rt. 602), ao inclinar-se pelo ju lg a-mento em instância única, nas causas de pequeno valor, in su
r-giu-se corajosam ente co n tra as valiosas opiniões de Se a b r a
Fa g u n d e s,38 Jo s é Fr e d e r i o õ Ma r q u e s,39 Ca r v a l h o Sa n t o s,40
Af f o n s ò Fr a g a,41 p a ra perm anecer ao lado do Código do Processo Civil (a rt. 839) e CLT (a rt. 894).
Ê necessário desafogar os trib u n ais superiores, não à custa de dem ora n a instância inferior, m as pela segurança, rapidez e economia processual de suas decisões. “N a Alemanha, não se adm ite apelação nas questões patrim oniais em que a conde-nação seja inferior a 1.000 m arcos (ZPO § 511-A). N a à ustria, a apelação se restringe, nas causas de pequeno valor, à alegação de nulidade da sentença (ZPO. §§ 501 e 477) . N a Itália, não são passíveis de apelação as sentenças proferidas nos dissídios individuais do trabalho de valor até 5.000 liras (Código de Processo Civil, art. 452) ou, em m atéria de previdência social, até 10.000 (a rt. 4 6 2 ); as decisões do conciliador, em causas de valor inferior a 2.000 liras, só com portam apelação nas hipóteses de incompetência ou de fa lta de jurisdição do prolator da sentença. N a F rança, a apelação é excluída nas questões de valor igual ou inferior a 10.000 francos que versem sôbre m até-ria tra b a lh ista ou sejam de competência do juiz de paz”.42
11. Com as nossas excusas, aproveitando da experiênc
das legislações do passado, aliada às proveitosas inovações da ateualidade, cremos que e stas m odestas sugestões serviriam
38. Se a b r a Fa g u n d e s. Do s Recursos Ordinários em Matéria Civil,
1946, pág. 411, nota 79.
39. Jo s é Fr e d e r i c o Ma r q u e s. “Instituições de Direito Processual
Civil, IV/265.
40. Ca r v a l h o Sa n t o s. “Código de Processo Civil Interpretado, IX /
331.
41. Af f o n s o Fr a g a . “Instituições do Processo Civil do Brasil”, III/
142-3.
42. Te o t On i o Ne g r ã o. " Do Julgamento em Instância ünica, para
p a ra dim inuir a avalanche de recursos que atropela e conges-tiona os trib u n ais superiores tra b a lh ista s e contribuiriam para acelerar o andam ento dos feitos na prim eira instância, com reais vantagens p a ra as p artes e à J u s tiç a .
DA AÇÃO SUMARÍSSIMA E SUMÁRIA
A rt. 430 — N as ações de valor líquido igual ou inferior ao m aior salário mínimo, vigente no país, poderão os interes-sados, independentem ente de advogados e de comum acôrdo, acom panhados de su as testem unhas e m unidos de ou tras pro-vas, requerer ao Juiz Competente que lhes designe audiência, d entro do prazo máximo de trê s (3) dias, onde comparecerão,
independentem ente de citação, e lhes faça ju stiça.
P a rág ra fo único. O Juiz, depois de ouvir as partes, sem lo g rar acôrdo e, se o ju lg a r necessário, as dem ais testem unhas, p ro la ta rá sua decisão irrecorrível, ordenando se o vencido não satisfizer im ediatam ente a im portância da condenação, que se lance a sentença no livro de audiências, colhendo-se a assinatura das p a r te s .43
A rt. 431 — Serão instruídos, em única audiência, sumà- riam ente, n a form a disposta neste Capítulo, todos os processos que envolvam pedido:
a) de valor líquido, igual ou inferior a trê s vêzes o maior salário mínimo vigente no país, ou estim ativa de seu valor, quando não fô r determ inado;
b) de qualquer valor, onde se questione sôbre férias ou salários atrazados líquidos;
c) cuja prova se firm e, exclusivamente, em documentos
escritos, anexados à inicial;
d) p ara ser, expressam ente, adotado êste procedimento
e não fô r contestado pelo réu, até setenta e duas (72) horas do recebim ento da citação.
43. Aproveitamos a redação do anteprojeto do dr. Teotônio Negrão,
P arág rafo único. O a u to r fica obrigado a declarar o valor do pedido, ou sua estim ativa, n a petição inicial, sob pena de absolvição de instância.
A rt. 431 — Protocolada a inicial, verificará o juiz se preenche os requisitos legais, designará a audiência de in stru -ção e julgam ento, a realizar-se em prazo não inferior a cinco
(5) dias e ordenará a citação do réu, acom panhada da segunda via.
P arág ra fo único. Ocorrendo a hipótese da alínea “d ” do artig o anterior, a audiência de instrução e julgam ento será designada após o decurso daquele prazo, caso o processo sum á-rio não se ja contestado.
A rt. 432 — Na audiência de instrução e julgam ento, o réu disporá de quinze (15) m inutos p ara contestar a ação e apre-sen ta r as provas que re p u ta r necessárias.
§ 1? — Requerida a ju n tad a de documentos, pronunciar-se-á o a u to r sôbre os mesmos nas alegações finais.
§ 2" — Os interrogatórios, os depoimentos de testem unhas e peritos não serão resum idos na ata, constando apenas o nome e a qualificação dos mesmos.
§ 3- — As alegações finais, apresentadas pelas partes, tam bém não constarão da a ta ou dos autos do processo.
A rt. 433 — A sentença condenatória fix ará, obrigatoria-mente, quantia certa e determ inada, inclusive honorários advo- catícios, se houver, de m aneira a dispensar a liquidação, e considerar-se-á publicada na mesma audiência em que fôr proferida.
Entendemos, com Ru s s ò m a n o , “que o processo trab alh ista,
pelo seu conteúdo e pelo seus fins, necessita ser um a ação ju d i-cial veloz, e prática, livre de form alism os, isenta de procrastinações, distin ta das “chicanas proteladoras” 44 e essa fin a
-44. Mo z a r t Vi c t o r Ru s s o m a n o. “Comentários à Consolidação das
lidade precípua só se conseguirá atrav é s da lei processual que,
segundo a lição de Cõ u t u r e, “é a lei que determ ina as minúcias
por meio das quais se realiza a ju stiç a ” .45
Um a Ju stiç a do Trabalho im parcial, dinâm ica e eficiente, que inspire segurança às partes, equilíbrio nas relações de t r a -balho, harm onia à sociedade, — êsse nosso exclusivo deside- ra tu m .
45. Ed u a r d o J. c õ u t u r e. “Interpretação das Leis Processuais, 1956,