Mestrado Integrado em Medicina
6º Ano
Ano Letivo: 2019/2020
Unidade Curricular: Estágio Profissionalizante
Relatório Final de Estágio
Regente da Unidade Curricular – Professor Doutor Rui Maio
Presidente do Júri – Professora Doutora Cândida Fonseca
Orientação – Mestre Paula Cristina Vidal Reis Leiria Pinto
Discente:
João de Amorim Martins
Aluno nº2014417
Turma 8
Índice
I - Introdução ... 1
II - Objetivos ... 1
III – Síntese das Atividades Desenvolvidas ... 2
III.I – Estágio Parcelar de Ginecologia e Obstetrícia ... 2
III.II – Estágio Parcelar de Saúde Mental ... 3
III.III – Estágio Parcelar de Medicina Geral e Familiar ... 4
III.IV – Estágio Parcelar de Pediatria ... 4
III.V – Estágio Parcelar de Cirurgia Geral ... 6
III.VI – Estágio Parcelar de Medicina ... 7
IV – Reflexão Crítica Final ... 7
Anexos Anexo 1 – Cronograma Ano Letivo 2019/2020 ... 9
Anexo 2 – Certificado de Presença nas IV Jornadas de Atualização em Dermatologia e Venereologia de Almada ... 10
I - Introdução
Após 5 anos de aquisição de fundamentos teóricos e bases práticas, o último ano do Mestrado Integrado em Medicina (MIM) pretende formar o aluno finalista para a realidade da prática clínica médica em Portugal, não como médico autónomo, mas como médico pluripotencial apto para a sua formação pós-graduada. Com essa finalidade, o aluno do 6º ano da Nova Medical School (NMS) frequenta o Estágio Profissionalizante. Este corresponde a uma Unidade Curricular (UC) organizada em 6 Estágios Parcelares que correspondem às principais áreas médico-cirúrgicas da Medicina, nomeadamente: Ginecologia e Obstetrícia; Saúde Mental; Medicina Geral e Familiar; Pediatria; Cirurgia Geral; e Medicina Interna. Os mesmos têm como objetivo geral habilitar o aluno com o conhecimento e aptidões para a prática clínica, através do acompanhamento das atividades diárias de um tutor, bem como a realização de tarefas supervisionadas que deverão fazer parte das responsabilidades de um futuro médico.
O presente relatório pretende sumarizar os objetivos e atividades por mim estabelecidos e realizados durante cada Estágio Parcelar, apresentando ainda uma reflexão final onde exponho uma avaliação geral de toda a minha formação enquanto aluno de Medicina.
II - Objetivos
Creio ser importante referir primeiro que concorri ao Concurso Especial para Acesso ao Curso de Medicina por Titulares do Grau de Licenciado com o objetivo de me formar, no futuro, como Médico de Medicina Geral e Familiar (MGF). Percorri todo o curso académico sempre com este propósito, estando, no entanto, sempre aberto a outras especialidades. Contudo, mantive até ao início do 6º ano o mesmo propósito aquando entrada no curso. Por este motivo estabeleci como objetivos pessoais principais:
1) Consolidação dos conhecimentos teóricos adquiridos nas UCs dos anos anteriores;
2) Estabelecer e melhorar esquemas mentais de abordagem aos doentes com as patologias mais frequentes na comunidade;
3) Desenvolvimento de aptidões de comunicação entre médico e doente e entre profissionais de saúde;
4) Aperfeiçoamento de procedimentos práticos comuns entre as várias especialidades e a MGF, nomeadamente: exame ginecológico; exame do estado mental; exame objetivo do recém-nascido; e pequena cirurgia;
5) Familiarização com os recursos informáticos utilizados para registo de dados e consulta do historial clinico de cada doente, bem como prescrição de terapêutica e métodos complementares de diagnóstico.
III – Síntese das Atividades Desenvolvidas
Os estágios parcelares estavam programados decorrer entre 9 de Setembro de 2019 e 15 de Maio de 2020, perfazendo um total de 32 semanas. Contudo, face à pandemia provocada pela COVID-19, todos os estágios clínicos foram interrompidos a partir do dia 11/03/2020. Por esse motivo não foi possível frequentar o Estágio Parcelar de Medicina na sua totalidade.
III.I – Estágio Parcelar de Ginecologia e Obstetrícia
O Estágio Parcelar de Ginecologia e Obstetrícia decorreu entre 9 de Setembro de 2019 e 4 de Outubro de 2019 (4 semanas) no Hospital de São Francisco Xavier (HSFX), sob tutela do Dr. Rui Gomes.
Na primeira sexta-feira do estágio foi realizado um workshop intitulado “The Woman”, apresentado pela Prof.ª Dr.ª Teresinha Simões, tendo como objetivo relembrar os conhecimentos adquiridos nos anos anteriores.
Nas consultas externas de ginecologia assisti ao seguimento por rotina de mulheres saudáveis e de doentes com patologia geniturinária, maioritariamente com queixas de infeção do trato urinário, incontinência urinária ou hemorragia uterina anómala. Durante estas consultas tive ainda a oportunidade de realizar o exame ginecológico, nomeadamente a observação do colo e a palpação bimanual. Observei ainda a realização de vários procedimentos técnicos específicos da especialidade como a colocação de dispositivos intrauterinos, ecografias pélvicas por via endovaginal e colposcopias com colheita de amostras para análise, estas últimas em contexto de consulta de patologia do colo. No bloco de ginecologia assisti a várias cirurgias, tais como: polipectomias por histeroscopia; histerectomias por via abdominal e vaginal; e quistectomias por via abdominal. Tive o privilégio em poder participar, como segundo ajudante, em três destas cirurgias. Acompanhei o meu tutor e outros elementos da equipa nas consultas externas de obstetrícia, assistindo à colheita da história clínica e do exame objetivo dirigidos à grávida, bem como à realização de ecografias obstétricas. Na enfermaria materno-fetal assisti à avaliação de grávidas que necessitaram de internamento para um acompanhamento mais rigoroso da evolução da sua gravidez, nomeadamente por: rotura prematura de membranas; hemorragia do segundo trimestre, insuficiência cervico-ístmica; e restrição de crescimento fetal. No bloco de partos assisti ainda à monitorização, por cardiotocografia, de fetos e grávidas em trabalho de parto, à indução do trabalho de parto em grávidas com indicação para tal (hipertensão na gravidez e hemorragia indolor espontânea, por exemplo), bem como a todos os diferentes tipos de partos, isto é, partos eutócicos e distócicos (por cesariana, com recurso a ventosas ou fórceps). No serviço de urgências (SU) de Ginecologia e Obstetrícia acompanhei a
observação de doentes com queixas geniturinárias, nomeadamente: vulvovaginites e infeções do trato urinário; abortos espontâneos com necessidade de curetagem; e grávidas com contrações pré-termo.
Na última semana do estágio foi realizada no serviço uma sessão de apresentação de trabalhos efetuados pelos alunos do 6º ano sobre temas relevantes na área de Ginecologia e Obstetrícia, tendo o meu grupo apresentado o tema “Pré-eclâmpsia: Como Prevenir?”.
III.II – Estágio Parcelar de Saúde Mental
O Estágio Parcelar de Saúde Mental decorreu entre 7 de Outubro de 2019 e 31 de Outubro de 2019 (4 semanas) no Centro Hospitalar Psiquiátrico de Lisboa (CHPL), sob tutela do Dr. João Oliveira.
Durante a primeira semana de estágio foram lecionados a todos os alunos da turma, na NMS, dois seminários em dois dias distintos. O primeiro, abordado pelo Prof. Dr. Miguel Talina, englobou a discussão, juntamente com os alunos, de casos clínicos hipotéticos relativos aos temas mais relevantes da Psiquiatria. O segundo seminário foi lecionado pelo Prof. Dr. Pedro Mateus e onde foi abordada a importância da relação terapêutica como ferramenta do médico psiquiatra e a sua complexidade, bem como o estigma da doença mental. Semanalmente os alunos a estagiar no CHPL frequentaram aulas teóricas com o Dr. Pedro Rodrigues baseadas no Shorter Oxford Textbook of Psychiatry.
Relativamente à atividade clínica, pude acompanhar as atividades do meu tutor no Centro Integrado de Tratamento e Reabilitação em Ambulatório (CiNTRA) em Sintra. Trata-se de uma Área de Dia que se articula com o CHPL e que tem como finalidade acompanhar os doentes na comunidade que necessitem de seguimento por um especialista. Durante a abordagem dos doentes foi-me possível observar como é feita a colheita de história clínica, com confirmação dos diagnósticos prévios, a reavaliação da medicação habitual e da necessidade da continuidade de cuidados por especialista. No internamento de agudos da Clínica 6 do Pavilhão 29 do CHPL assisti à avaliação da evolução durante o internamento de doentes com patologia psiquiátrica, mais especificamente: doença bipolar do tipo I e II: esquizofrenia; psicose sem outra especificação; e perturbação esquizoafetiva de dependência de cocaína. Foi-me dada a possibilidade de, em gabinete e de forma completamente autónoma, colher a história clínica de um doente com o diagnóstico de psicose sem outra especificação para posterior discussão com o meu tutor. Semanalmente assisti às reuniões multidisciplinares do serviço onde estão presentes médicos, enfermeiros e assistentes sociais e onde é discutido cada doente quanto à sua evolução durante o internamento. Aqui são também elaborados os planos terapêuticos a serem implementados pela equipa. Frequentei também o SU de Psiquiatria do Hospital São José onde presenciei a abordagem do médico psiquiatra em contexto de urgência. Dentro dos motivos de recurso ao SU que observei, destaco uma tentativa de suicídio por ingestão voluntária medicamentosa e uma doente com alucinações auditivo-verbais.
III.III – Estágio Parcelar de Medicina Geral e Familiar
O Estágio Parcelar de MGF decorreu entre 4 de Novembro de 2019 e 29 de Novembro de 2019 (4 semanas) na Unidade de Saúde Familiar São João do Pragal, sob tutela da Dr.ª Ana Valério.
Durante a primeira semana do estágio mantive uma ação predominantemente de observação, assumindo sempre, contudo, a responsabilidade de realizar o exame objetivo a todos os doentes. Após a primeira semana tive a oportunidade de ser o responsável pelo registo dos dados dos doentes na plataforma SClínico, bem como pela prescrição da terapêutica, métodos complementares de diagnóstico e referenciação, esta última através da plataforma ALERT. Tive também espaço para participar ativamente e orientar as consultas, propondo intervenções terapêuticas ou de prevenção, sempre com supervisão presencial da minha tutora. Nas consultas de saúde do adulto apresentaram-se doentes para vigilância das suas patologias crónicas, maioritariamente hipertensão arterial, dislipidémia e diabetes (estes na consulta de diabetes), havendo espaço para a abordagem de novas queixas, educação para a saúde e atualização dos rastreios populacionais. Numa destas consultas foi-me dada a oportunidade de conduzir a consulta, da preparação até ao encerramento, de modo completamente autónomo. Às consultas de planeamento familiar recorreram doentes com necessidade de prescrição ou esclarecimento de dúvidas sobre métodos contracetivos, com queixas de infertilidade, de infeções sexualmente transmissíveis ou para apresentação dos resultados ou prescrição de exames para rastreio do cancro da mama ou colo do útero. Nas consultas de saúde materna pude observar o acompanhamento de grávidas de baixo risco, tendo, inclusivamente, a oportunidade de realizar a determinação da altura uterina e a auscultação do batimento cardíaco fetal com
doppler. Nas consultas de saúde infantil e juvenil acompanhei a avaliação de utentes dos 0 aos 17 anos de
idade, onde é feita aplicação da escala de rastreio de Mary Sheridan modificada, a pesquisa de sinais de alarme e o registo dos parâmetros antropométricos no boletim de saúde individual. É também avaliado o quotidiano de cada criança/adolescente quanto ao ambiente familiar, ao desempenho escolar, ao sono, à alimentação, entre outros. Acompanhei também as equipas de enfermagem na avaliação prévia de doentes com posteriores consultas de saúde infantil e juvenil, saúde materna e de diabetes, tendo ainda a oportunidade de acompanhar visitas de apoio domiciliário.
Por fim, destaco ainda a participação nas IV Jornadas de Atualização em Dermatologia e Venereologia de Almada, cujo respetivo certificado se encontra no anexo 2.
III.IV – Estágio Parcelar de Pediatria
O Estágio Parcelar de Pediatria decorreu entre 2 de Dezembro de 2019 e 10 de Janeiro de 2020 (4 semanas) no Hospital de Dona Estefânia (HDE), sob tutela da Dr.ª Raquel Santos.
A prática clínica da minha tutora centra-se essencialmente na Nefrologia Pediátrica, pelo que grande parte do tempo do estágio envolveu a abordagem de doentes com patologia renal. No serviço de Nefrologia assisti a duas sessões em formato de journal club, cujos temas foram “Lesão Renal Aguda no Recém-Nascido” e “Hipertensão Arterial na Infância”. A cada sexta-feira presenciei à reunião do serviço de Nefrologia onde são apresentados os doentes internados para discussão da sua situação clínica. Todas as manhãs, antes do início das atividades clínicas, assisti às reuniões realizadas por todo o serviço de Pediatria, onde são apresentados os doentes recém-internados e são discutidos os respetivos planos terapêuticos.
Em relação à atividade clínica propriamente dita, pude acompanhar a minha tutora nas consultas de Nefrologia e de doença renal crónica. Na primeira pude observar a colheita da história clínica e realizar o exame objetivo de doentes com patologia que representa risco de comprometimento da função renal, como, por exemplo: púrpura de Henoch-Schönlein, lúpus eritematoso sistémico; ou rim único funcionante. Na segunda observei doentes que, por várias etiologias, como por exemplo válvulas da uretra posterior, têm comprometimento irreversível da sua função renal. Acompanhei igualmente as consultas de Reumatologia orientadas pela Dr.ª Marta Conde. Nestas foi-me possível contatar com patologias um pouco menos frequentes na população pediátrica, como a síndrome PFAPA ou a distrofia muscular de Duchenne, e onde pude também observar a realização do pGALS como parte do exame objetivo. Todos os alunos a frequentar o HDE tiveram a oportunidade de assistir a consultas de Imunoalergologia. Durante estas, acompanhei a Dr.ª Mariana Lobato na abordagem de crianças com patologia de origem alérgica, tendo também a possibilidade de assistir à realização de testes de sensibilidade cutânea. Para complementar a presença nas consultas de Imunoalergologia foi lecionada uma aula teórica respeitante ao tema “Anafilaxia” pela Dr.ª Ana Margarida Romeira. Na enfermaria observei o acompanhamento de doentes com, por exemplo, síndrome nefrótico corticorresistente e peritonite bacteriana. Neste último caso tive a oportunidade de assistir aos passos que compõem a troca do dialisante na técnica de diálise peritoneal. Com o objetivo de realizar uma de história clínica foi-me atribuído um doente com anemia de células falciformes para posterior discussão com a minha tutora. Numa das manhãs do estágio tive a oportunidade de acompanhar as atividade de uma das equipas móveis de apoio ao domicílio (UMAD). Semanalmente frequentei o SU, acompanhado pela minha tutora, e onde tive contato com várias das patologias mais frequentes na comunidade, na sua larga maioria de origem infeciosa. Frequentei também um workshop de urgência pediátrica onde, juntamente com outros colegas, foi possível enfrentar modelos simulados de situações reais que ocorrem em ambiente de urgência/emergência.
No último dia do estágio foi organizado um seminário onde os alunos apresentaram um tema à escolha com relevância atual na área da Pediatria. O meu grupo apresentou o tema “Caso Raro de Hipoxemia Refratária a Oxigenoterapia”.
III.V – Estágio Parcelar de Cirurgia Geral
O Estágio Parcelar de Cirurgia Geral decorreu entre 20 de Janeiro de 2020 e 10 de Março de 2020 (8 semanas) e aconteceu em duas fases distintas. A primeira fase decorreu no Hospital Beatriz Ângelo (HBA) e teve uma componente maioritariamente teórica. Aqui, membros da equipa do HBA apresentaram diversos temas relacionados com a Medicina, e outros menos clínicos, tais como técnicas de comunicação, princípios de gestão em saúde, entre outros. Houve ainda espaço para a prática de algumas técnicas invasivas em modelos, como a colocação de cateteres venosos centrais, periféricos e treino de suturas. Nos dois últimos dias dessa semana decorreu o curso TEAM (Trauma Evaluation and Management) cujo certificado de presença se encontra no anexo 3. O curso teve uma componente teórica lecionada pelo Dr. Pedro Amado e cujo tema foi “Princípios de Abordagem do Politraumatizado Grave”. A componente prática decorreu no segundo dia do curso nas instalações da NMS. Os alunos foram divididos em grupos de modo a circular por quatro bancadas que tinham como objetivo instruir os mesmos nas seguintes áreas: abordagem da via aérea; choque; trauma vertebro-medular; e radiografia em trauma.
A segunda fase do estágio correspondeu à parte clinica e decorreu no Hospital das Forças Armadas (HFAR), sob tutela da Dr.ª Ana Catarina Pinho. Semanalmente, às quintas-feiras de manhã, pude assistir a várias sessões clínicas organizadas pela equipa do HFAR, cada uma destas preparadas por uma especialidade diferente. Como complemento aos estágios realizados no HFAR, todos os alunos têm a oportunidade de visitar o Centro de Epidemiologia e Intervenção Preventiva, o Centro de Medicina Aeronáutica e o Centro de Medicina Subaquática e Hiperbárica, estruturas estas que são próprias do contexto militar e orientadas para áreas específicas da Medicina.
Relativamente à atividade clínica em si, esta decorreu em grande parte na enfermaria de Cirurgia. Aqui pude acompanhar todo o processo dos doentes, desde a entrada até à alta. Foi-me dada a responsabilidade de seguir os pós-operatórios de cada doente, intervindo na avaliação do seu estado geral, no exame objetivo, na interpretação das análises ao sangue e na redação dos respetivos diários clínicos. Em todas as terças-feiras de cada semana o estágio decorria no bloco operatório central. Observei várias cirurgias e tive, inclusivamente, a oportunidade de participar, como segundo ajudante, em duas delas. No bloco operatório foi também possível assistir à preparação do doente pela equipa de Anestesia, onde coloquei uma sonda nasogástrica num dos doentes. No bloco operatório de cirurgia de ambulatório assisti a minha tutora em dois dias distintos em procedimentos de pequena cirurgia, sendo-me também permitido, sob supervisão, encerrar algumas das feridas por sutura. Nas consultas externas acompanhei os elementos da equipa de Cirurgia na avaliação de doentes com necessidade de intervenção cirúrgica ou aqueles cujo motivo foi a revisão pós-operatória. As consultas articulavam-se com a sala de pensos onde,
desbridamento de algumas feridas. Frequentei também a área de pequena cirurgia no SU do HSFX, onde auxiliei uma Médica Interna de Formação Geral durante os processos de limpeza, desinfeção e sutura de feridas.
No último dia do estágio estava programada a realização de um minicongresso que não se chegou a concretizar pela interrupção dos estágios clínicos, devido à pandemia de COVID-19. Neste, os alunos iriam apresentar temas baseados em casos clínicos observados durante o estágio. O meu grupo iria apresentar o tema denominado “Take My Breath Away”, que relatava o caso de um doente com bócio multinodular tóxico compressivo.
III.VI – Estágio Parcelar de Medicina
Face à impossibilidade de frequentar o Estágio Parcelar presencialmente, foi proposto aos alunos a realização de um artigo de revisão versando a pandemia de COVID-19. O meu grupo escolheu explorar os mecanismos fisiopatológicos que levam a alterações nos processos de hemóstase e trombólise em doentes infetados, bem como a sua abordagem e tratamento. O artigo finalizado foi denominado “COVID-19 Association With Coagulation Disorders” e foi apresentado, através da plataforma Zoom, à equipa de médicos que compõem o serviço de Medicina II do Hospital Egas Moniz no dia 26 de Junho de 2020.
IV – Reflexão Crítica Final
Concluído o último ano do MIM é-me possível fazer uma avaliação crítica do meu percurso enquanto aluno da NMS. Tendo anteriormente frequentado o Mestrado Integrado em Ciências Farmacêuticas, onde o ensino é essencialmente teórico, considero que a grande vantagem que a NMS oferece é a precocidade do ensino prático em meio clínico. Sou da opinião de que o que se colhe através da experiência é tão ou mais valioso do que aquilo que se aprende no estudo dos conceitos teóricos. Sinto em mim, e nos meus colegas, uma maior confiança e preparação para enfrentar o contexto profissional do que aquela que experienciei aquando término do meu curso anterior. Tal não significa que considero as aulas teóricas dispensáveis. Aliás, acredito fortemente no contrário. Estas foram lecionadas, na sua grande maioria, por um corpo de docentes que mantem a sua atividade clínica e que, desse modo, nos conseguem transmitir a sua experiência. Por esta razão procurei estar sempre presente em todas as aulas ao longo do curso. Não tenho dúvidas que foram uma grande mais-valia no meu percurso até agora e o serão para o meu futuro.
Por outro lado considero o confinamento aos hospitais terciários, na maioria dos estágios, como uma das principais limitações do curso. Nestes são observados doentes que representam, em geral, situações clínicas agudas que raramente serão atendidas na clínica diária em ambulatório. Associado ao
facto da grande maioria dos alunos seguir a especialidade de MGF, creio que seria mais benéfico reforçar a aprendizagem em centros de saúde, hospitais distritais e outros locais de prestação de cuidados de saúde na comunidade. Uma das soluções poderia passar pelo alargamento do período dos estágios de MGF.
Em relação ao Estágio Profissionalizante posso afirmar a minha satisfação por ter conseguido cumprir a maioria dos objetivos que estabeleci no início do ano. A consolidação de conhecimentos teóricos acaba por estar, inevitavelmente, associada à experiência. Durante os estágios somos confrontados diariamente com doentes e/ou situações que nos despertam dúvidas e que nos alertam para a necessidade de colmatar tais lapsos. Outro dos objetivos seria o desenvolvimento de esquemas mentais úteis na abordagem de doentes. Tais estratégias são próprias de cada pessoa, isto é, dependem do modo como cada médico, ao longo da sua experiência individual, vai encontrar a melhor forma de abordar cada componente da sua atividade profissional. Seja na abordagem ao doente, no cumprimento de tarefas mais burocráticas ou no investimento a longo prazo da sua aprendizagem. Talvez possa ter sido um objetivo demasiado ambicioso. Tal implicaria um maior tempo de contato com a profissão do que aquele que temos durante os vários estágios. Por outro lado, devido muitas vezes à complexidade dos serviços, não nos foi possível atribuir mais responsabilidades enquanto futuros médicos. Outra das causas prende-se com a não realização do Estágio Parcelar de Medicina, devido à pandemia de COVID-19. Sei, por ter estado no 4º ano no mesmo serviço onde iria realizar o estágio, que são outorgadas várias responsabilidades aos alunos do 6º ano. Estas englobariam a vigilância diária de dois a três dos doentes internados, a documentação dos achados em diário clínico e o estabelecimento de um plano a ser apresentado e discutido com toda a equipa. Este estágio também teria sido útil para desenvolver melhores aptidões de comunicação, bem como uma adequada familiarização com os recursos informáticos, dois dos objetivos descritos no presente relatório. Durante o Estágio Parcelar de MGF consegui desenvolver algumas destas capacidades, no entanto sinto que irei iniciar o Internato de Formação Geral com menos confiança do que aquela que teria se tivesse frequentado as oito semanas do Estágio Parcelar de Medicina.
Considero ainda que não faltaram oportunidades para aperfeiçoar alguns dos procedimentos práticos que irei realizar, no futuro, como Médico de MGF. Creio que a possível insegurança na execução de alguns destes procedimentos, principalmente se forem parte do exame objetivo, poderia resultar numa má interpretação de achados e, consequentemente, na falha do reconhecimento de eventuais necessidades de intervenção. Durante os vários estágios foi-me sempre facilitada a realização do exame objetivo, o que me permitiu aperfeiçoar práticas já efetuadas em anos anteriores, bem como executar outras para as quais não tinha qualquer experiência, como, por exemplo, o exame ginecológico.
Em forma de finalização, gostaria de expressar a minha gratidão a todos os tutores e respetivas equipas pelo empenho e genuíno interesse na minha formação enquanto futuro médico e de me fazerem
Anexo 1 – Cronograma Ano Letivo 2019/2020
* Estágio presencial cancelado (devido à pandemia de COVID-19)
Estágio
Parcelar
Tutor
Período
Local
Trabalho Realizado
Ginecologia e
Obstetrícia Dr. Rui Gomes
09/09/2019 a 04/10/2019
Hospital de São
Francisco Xavier “Pré-eclâmpsia: Como Prevenir?”
Saúde Mental Dr. João Oliveira 07/10/2019 a 31/10/2019
Centro Hospital Psiquiátrico de
Lisboa
História Clínica -
Psicose sem outra especificação Medicina Geral
e Familiar Dr.ª Ana Valério
04/11/2019 a 29/11/2019
USF São João do
Pragal -
Pediatria Dr.ª Raquel Santos 02/12/2019 a 10/01/2020
Hospital de Dona Estefânia
Caso Clínico:
“Caso Raro de Hipoxemia Refratária a Oxigenoterapia”
Cirurgia Geral Dr.ª Ana Catarina Pinho 20/01/2020 a 10/03/2020 Hospital das Forças Armadas Caso Clínico: “Take My Breath Away”
Medicina
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Artigo de Revisão: “COVID-19 Association With