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Academic year: 2021

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A Nova Ciência de Uma Arte Perdida

Tradução de

Rita Canas Mendes

Pergaminho

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Os piores respiradores do reino animal

O paciente chegou, pálido e entorpecido, às 9h32. Do sexo masculino, de meia -idade, a pesar 79 kg. Falador e afável, mas visivelmente ansioso. Dor: nenhuma. Fadiga: um pouco. Nível de ansiedade: moderado. Receio sobre a progressão e os sintomas futuros: intenso.

O paciente reportou ter sido criado num ambiente suburbano moderno, alimentado a biberão até aos seis meses, e depois des-mamado, passando a alimentar -se de purés comerciais vendidos em frasco. A falta de mastigação associada a esta dieta à base de papas atrofiou o desenvolvimento ósseo nas suas arcadas dentá-rias e na cavidade dos seios nasais, conduzindo a uma congestão nasal crónica.

Chegado aos quinze anos, subsistia à base de alimentos ainda mais macios e altamente processados, consistindo maioritariamente em pão branco, sumos de fruta açucarados, vegetais enlatados, carne em fatias muito finas, fatias de queijo industriais, tacos de aquecer no micro -ondas, marshmallows e chocolates. A sua boca tornara -se subdesenvolvida a ponto de não conseguir acomodar trinta e dois dentes definitivos; os incisivos e os caninos cresceram tortos, exigindo extrações, aparelho dentário fixo, aparelho den-tário amovível e um capacete ortodôntico. Três anos de tratamentos deixaram -lhe a boca pequena ainda mais pequena, pelo que a lín-gua deixou de lhe caber devidamente entre os dentes. Quando a punha de fora, algo que fazia com frequência, esta tinha marcas laterais visíveis, um precursor do ressonar.

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Aos dezassete anos, quatro sisos mal posicionados foram extraídos, o que lhe diminuiu ainda mais o tamanho da boca, ao mesmo tempo que aumentou a probabilidade de vir a sofrer da asfixia noturna crónica conhecida como apneia do sono. Quando estava na casa dos vinte e dos trinta anos, a sua respiração tornou--se mais esforçada e disfuncional e as suas vias respiratórias fica-ram mais obstruídas. O seu rosto manteria um padrão de crescimento vertical, que levou a olhos descaídos, bochechas moles, testa incli-nada e um nariz protuberante.

Esta boca, esta garganta e este crânio atrofiados e subdesen-volvidos, infelizmente, pertencem -me.

Estou deitado na cadeira de observação do Centro Cirúrgico para Doenças da Cabeça e do Pescoço que faz parte do Departa-mento de Otorrinolaringologia da Universidade de Stanford. Há já vários minutos que o Dr. Jayakar Nayak, cirurgião rinologista e dos seios nasais, me enfia alegremente uma câmara endoscópica no nariz. Entrou tão a fundo na minha cabeça que acabou por sair pela outra ponta, na garganta.

«Diga aaaaaaa», pede -me ele. Nayak tem uma auréola de cabelo preto, óculos quadrados, ténis acolchoados e uma bata branca. Mas não estou a olhar para a sua roupa, nem para o seu rosto. Tenho postos uns óculos de vídeo que me mostram a ima-gem em tempo real do que a câmara está a captar enquanto viaja pelas dunas, os pântanos e as estalactites no interior dos meus seios nasais gravemente danificados. Estou a tentar não tossir, não me engasgar nem vomitar, à medida que a sonda se contorce e vai um pouco mais fundo.

«Diga aaaaaaa», repete Nayak. Digo -o e vejo o tecido macio em torno da minha laringe, rosado e carnudo e coberto de muco, abrir -se e fechar -se como uma flor pintada por Georgia O’Keeffe movendo -se em câmara lenta.

Não embarquei nesta viagem por prazer. Vinte e cinco sexti-liões de moléculas (ou seja, 250 com 20 zeros a seguir) fazem este mesmo percurso 18 vezes por minuto, 25 000 vezes por dia. Vim até cá para ver, sentir e descobrir por onde é que este ar deve

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entrar no nosso corpo. E vim despedir -me do meu nariz, porque vou ficar sem ele durante dez dias.

Durante o último século, a crença vigente na medicina oci-dental foi de que o nariz é um órgão mais ou menos acessório. Devemos respirar pelo nariz se pudermos, segundo esta perspe-tiva, mas, se não for possível, não há problema. É para isso que a boca serve.

Muitos médicos, investigadores e cientistas ainda defendem esta visão. Há vinte e sete departamentos nos National Institutes of Health1 dos Estados Unidos, dedicados a pulmões, olhos,

doen-ças da pele, ouvidos e assim por diante. O nariz e os seios nasais não estão representados em quaisquer deles.

Para Nayak, isto é absurdo. Ele é o diretor de investigação em rinologia da Universidade de Stanford e encabeça um laboratório de renome internacional que se dedica exclusivamente a tentar compreender o poder oculto do nariz. E verificou que estas dunas, estalactites e pântanos no interior da cabeça humana orquestram uma grande variedade de funções para o corpo. Funções vitais. «Essas estruturas estão lá por uma razão!», disse -me anteriormente. Nayak tem uma reverência especial pelo nariz, que ele julga ser muito incompreendido e injustamente desvalorizado. É por esse motivo que está tão interessado em ver o que acontece a um corpo que funciona sem ele. Foi isso o que me trouxe até cá.

A partir de hoje, passarei o próximo quarto de milhão de res-pirações com tampões de silicone a vedarem -me as narinas, com fita adesiva médica por cima deles, para impedir que a mais pequena réstia de ar entre ou saia. Respirarei apenas pela boca, uma experiência horrorosa que me deixará exausto e infelicís-simo, mas que tem um objetivo muito concreto.

Quarenta por cento da população mundial atual padece de obstrução nasal crónica e cerca de metade de nós respira habitual-mente pela boca, sendo as mulheres e as crianças os mais afetados.

1 Órgão equiparável ao nosso Ministério da Saúde. (N. da T.)

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As causas são muitas: do ar seco ao stresse, da inflamação às aler-gias, da poluição aos medicamentos. E boa parte da culpa, como estou prestes a descobrir, pode atribuir -se ao território cada vez mais exíguo localizado na parte da frente do crânio humano.

Quando as bocas não crescem com a largura necessária, o céu -da -boca tende a subir, em vez de vir para fora, formando aquilo a que se chama um palato em V ou de arco pronunciado. O movimento para cima impede o desenvolvimento da cavidade nasal, encolhendo -a e perturbando as delicadas estruturas do nariz. O espaço nasal diminuído conduz à obstrução e inibe o fluxo do ar. No geral, os seres humanos têm a triste honra de ser a espécie com o nariz mais entupido de todos.

Eu que o diga. Antes de sondar as minhas cavidades nasais, Nayak fez -me uma radiografia à cabeça, o que lhe deu uma ima-gem «fatiada» de todo e cada recanto da minha boca, dos meus seios nasais e das vias respiratórias superiores.

«Tem aqui algumas… coisas», disse -me ele. Eu não só tinha um palato em V como também tinha uma obstrução «aguda» da narina esquerda causada por um septo nasal «gravemente» des-viado. Os meus seios nasais estavam também cheios de uma pro-fusão de deformidades chamadas concha bullosa. «Superinvulgar», segundo Nayak. Uma expressão que nunca queremos ouvir da boca de um médico.

As minhas vias respiratórias estavam de tal modo arruinadas que Nayak se admirou por eu não sofrer de ainda mais infeções e dos problemas respiratórios que tivera em criança. Mas estava relativamente seguro de que me esperavam sérios problemas res-piratórios no futuro.

Durante os dez dias de respiração forçada pela boca, estarei a pôr -me dentro de uma bola de cristal mucosa, amplificando e acelerando os efeitos nefastos que a minha respiração estava a ter na minha saúde, algo que só piorará à medida que envelheço. Estarei a pôr o meu corpo num estado que ele já conhece, que metade da população mundial conhece, só que a multiplicá -lo várias vezes.

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«Certo, agora não se mexa», diz -me o médico. Agarra uma agulha de aço com uma escova de arame na ponta, parecida com um pincel de rímel. Penso: Ele não vai enfiar ‑me aquilo pelo nariz

acima. Uns segundos depois, ele enfia -me aquilo pelo nariz acima.

Através dos óculos especiais, vejo Nayak manobrar a escova até um pouco mais fundo. Continua a empurrá -la até ela já não estar no meu nariz, até ter passado os seios nasais e estar a contorcer -se dentro da minha cabeça, a alguns centímetros de profundidade. «Quieto, quieto», diz ele.

Quando a cavidade nasal fica congestionada, o fluxo de ar diminui e as bactérias prosperam. Estas bactérias reproduzem -se e podem causar infeções, constipações e mais congestão. Conges-tão gera congesConges-tão, o que nos obriga a respirar pela boca. Nin-guém faz ideia da velocidade a que estes danos ocorrem. NinNin-guém sabe com que rapidez as bactérias se acumulam numa cavidade nasal obstruída. Nayak precisa de recolher uma amostra do meu tecido nasal profundo para o descobrir.

Encolho -me enquanto o vejo empurrar a escova mais fundo ainda, e depois rodá -la, arrancando uma camada de muco. Os ner-vos nesta zona tão profunda do nariz estão feitos para sentir a subtileza do fluxo de ar e as ligeiras mudanças na temperatura do ar, e não escovas de metal. Embora ele me tenha passado um anes-tésico naquela zona, ainda consigo sentir a escova. O meu cérebro não sabe ao certo o que fazer, como reagir. É difícil explicar, mas é como se alguém estivesse a picar com agulhas um gémeo siamês fora da minha cabeça.

«As coisas que nunca pensou que daria por si a fazer», ri -se Nayak, colocando a ponta ensanguentada da escova num tubo de ensaio. Vai comparar as 200 mil células dos meus seios nasais com outra amostra de dez dias depois, para ver de que modo a obs-trução nasal afeta o crescimento bacteriano. Abana o tubo de ensaio, entrega -o à sua assistente e, com simpatia, pede -me que retire os óculos e dê lugar ao próximo paciente.

O paciente n.º 2 está encostado à janela e a tirar fotografias com o seu telefone. Tem 49 anos, está muito bronzeado, tem o

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cabelo branco e os olhos de um azul vivo. Usa calças de sarja beges imaculadas e mocassins sem meias. Chama -se Anders Olsson e viajou 8000 quilómetros desde Estocolmo, na Suécia. Tal como eu, desembolsou mais de 5000 dólares para participar nesta experiência.

Eu tinha entrevistado Olsson vários meses antes, depois de ter tropeçado no seu website. O site exibia todos os sinais típicos de ser uma treta: fotografias tiradas de bancos de imagens com mulheres louras a fazerem pose de super -heroínas no cume de montanhas, cores garridas, um uso exagerado de exclamações e tipos de letra arredondados. Mas Olsson não era uma personagem duvidosa. Tinha passado dez anos a reunir e a conduzir estudos científicos sérios. Escrevera dezenas de textos online e autopubli-cara um livro em que explicava a respiração desde o nível suba-tómico até à escala humana, tudo com referências bibliográficas aludindo a centenas de estudos. Olsson também se tinha tornado um dos terapeutas respiratórios mais respeitados da Escandinávia, ajudando a curar milhares de pacientes através do poder subtil da respiração saudável.

Quando numa das nossas conversas via Skype lhe disse que iria respirar pela boca ao longo de dez dias durante uma experiência laboratorial, ele fez uma careta. Quando lhe perguntei se gostaria de se juntar a mim, recusou. «Não quero», disse ele. «Mas fico curioso.»

Agora, alguns meses mais tarde, Olsson atira o seu corpo com

jet ‑lag para a cadeira de observação, coloca os óculos de vídeo

e inspira uma das suas últimas inalações nasais das próximas 240 horas. Junto a ele, Nayak brinca com o seu endoscópio metá-lico como um baterista de heavy ‑metal faria com a sua baqueta. «Bom, incline a cabeça para trás», pede o médico. Com um rodar de pulso e um esticar de pescoço, lá entra ele a fundo.

A experiência está concebida para ter duas fases. A primeira fase consiste em taparmos os nossos narizes e tentarmos viver de forma normal. Comeremos, beberemos, praticaremos exercício e dormiremos como habitualmente. Na segunda fase, comeremos, beberemos, praticaremos exercício e dormiremos como na

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primeira fase, mas mudaremos a via respiratória disponível, pas-sando a respirar pelo nariz e praticaremos uma série de técnicas respiratórias ao longo do dia.

Entre fases, regressaremos à Universidade de Stanford e repe-tiremos os testes que acabámos de fazer: gasometria arterial, indi-cadores inflamatórios, níveis hormonais, olfato, rinometria, função pulmonar, entre outros. Nayak irá comparar os conjuntos de dados e ver se algo mudou no nosso cérebro e no nosso corpo na sequência da mudança de estilo respiratório.

Quando falei da experiência aos meus amigos, alguns deles mostraram -se apreensivos. «Não o faças!», disseram -me alguns adeptos do ioga. Mas no geral limitaram-se a encolher os ombros. «Não respiro pelo nariz há uma década», disse -me um amigo que passou a maior parte da vida com alergias. Quase todas as outras pessoas disseram algo do tipo: E que importância tem isso? Res‑

pirar é respirar.

Será? Olsson e eu passaremos os próximos vinte dias a descobri -lo.

* * *

Em tempos, há uns quatro mil milhões de anos, os nossos antepassados mais remotos apareceram numas rochas. Nessa altura éramos uma microscópica bola de lodo. E tínhamos fome. Precisávamos de energia para viver e proliferar. Então encontrá-mos maneira de comer ar.

A atmosfera era composta sobretudo por dióxido de carbono, que não é o melhor combustível, mas a coisa funcionava. Estas versões primitivas de nós aprenderam a absorver este gás, a decompô -lo e a cuspir o que restava: oxigénio. Durante os milha-res de milhões de anos que se seguiram, aquela mistela primordial continuou a fazê -lo, consumindo mais gás, produzindo mais lodo e excretando mais oxigénio.

Foi então que, há cerca de dois mil milhões e meio de anos, passou a haver resíduos de oxigénio suficientes na atmosfera para

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que um antepassado «abutre» aparecesse e lhe desse uso. Ele aprendeu a engolir aquele oxigénio residual e a excretar dióxido de carbono: o primeiro ciclo de vida aeróbica.

O oxigénio, como se veio a revelar, produzia dezasseis vezes mais energia do que o dióxido de carbono. As formas de vida aeróbicas tiraram partido dessa vantagem para evoluírem, para deixarem as rochas cobertas de lodo para trás e para se tornarem maiores e mais complexas. Elas rastejaram até terra, mergulharam no mar e voaram pelos ares. Elas tornaram -se plantas, árvores, pássaros, abelhas e os primeiros mamíferos.

Os mamíferos desenvolveram narizes para aquecer e purificar o ar, gargantas para conduzir o ar até aos pulmões e uma rede de sacos que se apoderava do oxigénio e o transferia para o sangue. As células aeróbicas que em tempos se tinham alapado a rochas lamacentas formavam agora os tecidos dos corpos dos mamíferos. Estas células recebiam oxigénio do nosso sangue e devolviam dióxido de car-bono, que fazia o seu caminho de regresso através das veias e dos pulmões até chegar à atmosfera: o processo de respirar.

A capacidade de respirar de modo tão eficiente e de formas tão diversas – consciente ou inconscientemente; depressa, deva-gar, ou não respirando de todo – permitiu aos nossos antepassa-dos mamíferos capturarem pressas, fugirem a predadores e adaptarem -se a vários ambientes.

Estava tudo a correr muito bem até que, há cerca de 1,5 milhões de anos, as vias através das quais inalávamos e exalávamos o ar começaram a mudar e a fender -se. Foi uma mudança que, muito tempo depois, haveria de afetar a forma de respirar de todos os seres humanos do planeta.

Tenho sentido estas fissuras ao longo de quase toda a vida, e o mais provável é que o leitor também: narizes entupidos, resso-nar, uma certa pieira, asma, alergias, e tudo o mais. Sempre pensei que eram parte integrante de se ser humano. Quase toda a gente que eu conhecia tinha um destes problemas.

Mas vim a descobrir que estes problemas não se desenvol-vem por acaso. Há algo que os causa. E as respostas podem

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encontrar -se numa característica humana banal e não particu-larmente bonita.

Alguns meses antes da experiência de Stanford, apanhei um avião até Filadélfia para visitar a Dr.ª Marianna Evans, orto-dontista e investigadora na área da dentição que passou vários anos a estudar as bocas de crânios humanos, tanto antigos como modernos. Estávamos na cave do Museu de Arqueologia e Antropologia da Universidade da Pensilvânia, rodeados de várias centenas de espécimes. Cada um deles estava rotulado com letras e números, juntamente com a «raça»: Beduíno,

Copta, Árabe do Egito, Negro nascido em África. Havia

pros-titutas brasileiras, escravos árabes e prisioneiros persas. O espé-cime mais famoso, segundo me disse, era o de um presidiário irlandês que foi enforcado em 1824 por matar e comer outros presos.

Os crânios tinham entre 200 e milhares de anos. Faziam parte da Coleção Morton, assim designada por ter pertencido a um cien-tista racista chamado Samuel Morton que, na década de 1830, colecionou esqueletos para, em vão, tentar provar a suposta supe-rioridade da raça caucasiana. O único desfecho positivo do trabalho de Morton foram os crânios que ele passou vários anos a reunir, que atualmente nos oferecem um instantâneo sobre o aspecto que as pessoas tinham e o modo como costumavam respirar.

Onde Morton afirmava ver raças inferiores e «degradação» genética, Evans descobriu algo quase perfeito. Para me mostrar o que queria dizer com isso, dirigiu -se a uma vitrina e pegou num crânio rotulado Parsee, correspondente a persa. Sacudiu o pó de osso da sua camisola de caxemira e passou uma unha limada rente ao longo do maxilar e do rosto da caveira.

«Têm o dobro do tamanho das atuais», disse ela, com sotaque ucraniano vincado. Estava a apontar para as aberturas nasais, os dois buracos que ligam os seios nasais ao fundo da garganta. Virou o crânio ao contrário, voltando -o de frente para nós. «Tão largas e pronunciadas», disse, aprovadoramente.

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