UNIVERSIDADE TECNOL ´OGICA FEDERAL DO PARAN ´A DEPARTAMENTO ACAD ˆEMICO DE EL ´ETRICA
CURSO DE ENGENHARIA EL ´ETRICA
KLEBER CHAN BEKOSKI
PROJETO E IMPLEMENTAC
¸ ˜
AO DE UM DRIVER PARA
L ˆ
AMPADAS DE LED EMPREGADAS EM ILUMINAC
¸ ˜
AO
DE INTERIORES
TRABALHO DE CONCLUS ˜AO DE CURSO
PATO BRANCO 2016
KLEBER CHAN BEKOSKI
PROJETO E IMPLEMENTAC
¸ ˜
AO DE UM DRIVER PARA
L ˆ
AMPADAS DE LED EMPREGADAS EM ILUMINAC
¸ ˜
AO
DE INTERIORES
Trabalho de Conclus ˜ao de Curso de graduac¸ ˜ao, apresentado `a disciplina de Trabalho de Conclus ˜ao de Curso 2, do Curso de Engenharia El ´etrica do Departa-mento Acad ˆemico de El ´etrica - DAELE - da Universidade Tecnol ´ogica Federal do Pa-ran ´a - UTFPR, C ˆampus Pato BPa-ranco, como requisito parcial para obtenc¸ ˜ao do t´ıtulo de Engenheiro Eletricista.
Orientador: Prof. Dr. Juliano de Pelegrini Lopes
Coorientador: Prof. Me. Marcelo Flavio Guepfrih
PATO BRANCO 2016
TERMO DE APROVAC¸ ˜AO
O Trabalho de Conclus ˜ao de Curso intituladoPROJETO E IMPLEMENTAC¸ ˜AO DE UM DRIVER PARA L ˆAMPADAS DE LED EMPREGADAS EM ILUMINAC¸ ˜AO DE INTERIORES do acad ˆemico Kleber Chan Bekoski foi considerado APROVADO de acordo com a ata da banca examinadoraN◦ 120 de 2016.
Fizeram parte da banca examinadora os professores:
Prof. Dr. Juliano de Pelegrini Lopes
Prof. Me. Marcelo Flavio Guepfrih
Prof. Me. Everton Luiz de Aguiar
AGRADECIMENTOS
Meus sinceros agradecimentos:
Ao professor Juliano de Pelegrini Lopes, pela orientac¸ ˜ao exemplar, pelo empenho e dedicac¸ ˜ao ao longo de todo o trabalho, e por acreditar no meu trabalho.
Ao professor Marcelo Flavio Guepfrif pela coorientac¸ ˜ao, pelas contribuic¸ ˜oes e dedicac¸ ˜ao `a este trabalho.
Aos professores Everton Luiz de Aguiar e Jean Patric da Costa por aceita-rem participar da banca e pelas contribuic¸ ˜oes que colaboraram com a elaborac¸ ˜ao da monografia.
Ao professor Diogo Ribeiro Vargas pelos conhecimentos t ´ecnicos transmiti-dos e pelas contribuic¸ ˜oes no desenvolvimento do prot ´otipo.
Aos colegas do curso de Engenharia El ´etrica, pelo apoio, pela amizade e pelo incentivo.
RESUMO
BEKOSKI, Kleber Chan.Projeto e implementac¸ ˜ao de um driver para l ˆampadas de LED empregadas em iluminac¸ ˜ao de interiores. 2016. 63 f. Monografia (Graduac¸ ˜ao em Engenharia El ´etrica) - Departamento Acad ˆemico de El ´etrica, Universidade Tec-nol ´ogica Federal do Paran ´a, Pato Branco, 2016.
Este trabalho destaca a import ˆancia da utilizac¸ ˜ao de meios de iluminac¸ ˜ao artificial para o ser humano e apresenta a utilizac¸ ˜ao de LEDs para esta finalidade. O trabalho destaca a necessidade de drivers para acionamento de LEDs e desenvolve o projeto de um driver para uma l ˆampada de LEDs de baixa pot ˆencia. Faz-se um estudo dos est ´agios de retificac¸ ˜ao, conversor CC-CC e malha de controle, e posteriormente apre-senta o projeto de cada uma das partes a serem implementadas. ´E utilizada a topolo-gia flyback dos conversores CC-CC e circuitos snubber s ˜ao utilizados para preservar os semicondutores utilizados na implementac¸ ˜ao. No projeto do indutor acoplado utili-zado no flyback destaca-se a import ˆancia de reduc¸ ˜ao da dispers ˜ao e como deve ser feito o enrolamento desse elemento. ´E feita a modelagem do flyback utilizando-se o modelo CA de pequenos sinais e projetado a partir do modelo um controlador PI para controle da corrente sobre os LEDs. S ˜ao realizadas simulac¸ ˜ao no software PSIM ,R do driver em malha aberta e em malha fechada, e s ˜ao apresentados os resultados obtidos. E desenvolvido um prot ´otipo para aquisic¸ ˜ao de resultados experimentais,´ tamb ´em em malha aberta e em malha fechada.
ABSTRACT
BEKOSKI, Kleber Chan. Design and implementation of a driver for LED lamps used in indoor lighting. 2016. 63 f. Monograph (Degree in Electrical Engineering) -Academic Department of Electrical, Federal Technological University of Paran ´a, Paro Branco, 2016.
This work highlights the importance of the artificial lighting for humans and emphasi-zes the use of LEDs for this purpose. The author developed a driver for a low-power LED lamp showing the need for drivers to control this type of lamps. In brief, this work deals with the stage of the driver: the rectification stages, DC-DC converter and loop controls. Subsequently, the paper presents the design of each one of the stages, and later it shows the implementation process. This project used the flyback topology of DC-DC converters and snubber circuits to preserve the semiconductors used in the implementation. On the coupled inductor design used in this project, the importance of reducing the leakage inductance and how the winding should be done is displayed. The flyback modeling is made through the small signal AC model and is projected a PI current controller for the LEDs. The simulation of the driver are held on a simu-lation software named PSIM including the open loop and closed loop of the driver,R and the results of those simulation are presented. A prototype for the acquisition of experimental results is built, also open loop and closed loop.
LISTA DE FIGURAS
Figura 1: Classificac¸ ˜ao dos LEDs: (a) LEDs indicativos; (b) LEDs de alto
brilho; (c) LEDs de pot ˆencia . . . 15
Figura 2: Modelo el ´etrico aproximado do LED . . . 16
Figura 3: Comparac¸ ˜ao do modelo real e aproximado da curva tens ˜ao ver-sus corrente . . . 17
Figura 4: Diagrama de blocos de uma l ˆampada de LEDs alimentada pela rede . . . 18
Figura 5: Representac¸ ˜ao simplificada de um conversor CC-CC . . . 18
Figura 6: Modos de conduc¸ ˜ao: (a) Cont´ınuo. (b) Descont´ınuo. (c) Cr´ıtico 19 Figura 7: Conversor flyback . . . 19
Figura 8: Circuito equivalente do conversor flyback usando modelo de transformador que inclui a indut ˆancia de magnetizac¸ ˜ao . . . 20
Figura 9: Etapa 1 de operac¸ ˜ao do flyback em DCM . . . 21
Figura 10: Etapa 2 de operac¸ ˜ao do flyback em DCM . . . 21
Figura 11: Etapa 3 de operac¸ ˜ao do flyback em DCM . . . 21
Figura 12: Ponte retificadora onda completa com filtro capacitivo . . . 24
Figura 13: Tens ˜ao retificada e tens ˜ao na sa´ıda do retificador de onda com-pleta com filtro capacitivo . . . 25
Figura 14: N ´ucleo magn ´etico tipo EE . . . 27
Figura 15: Distribuic¸ ˜ao das camadas dos enrolamentos do indutor acoplado 31 Figura 16: Tens ˜ao Drain-Source do MOSFET . . . 32
Figura 17: Circuito snubber RCD . . . 32
Figura 18: Circuito de acionamento do MOSFET em malha aberta . . . 34
Figura 19: Rede de interruptores do flyback . . . 35
Figura 20: Modelo m ´edio do conversor flyback . . . 36
Figura 22: Modelo simplificado de pequenos sinais do conversor flyback . 40
Figura 23: Simulac¸ ˜ao flyback e func¸ ˜ao de transfer ˆencia . . . 41
Figura 24: Corrente na carga simulado para perturbac¸ ˜ao de +5 % na raz ˜ao c´ıclica . . . 41
Figura 25: Corrente na carga simulado para perturbac¸ ˜ao de -5 % na raz ˜ao c´ıclica . . . 42
Figura 26: Controlador PI . . . 42
Figura 27: Circuito de realimentac¸ ˜ao . . . 44
Figura 28: Circuito snubber RC . . . 44
Figura 29: Circuito de pot ˆencia . . . 46
Figura 30: Circuito utilizado na simulac¸ ˜ao em malha aberta . . . 47
Figura 31: Simulac¸ ˜ao em malha aberta. Corrente, tens ˜ao e pot ˆencia de sa´ıda em alta frequ ˆencia . . . 47
Figura 32: Simulac¸ ˜ao em malha aberta. Corrente, tens ˜ao e pot ˆencia de sa´ıda em baixa frequ ˆencia . . . 48
Figura 33: Simulac¸ ˜ao em malha aberta. Corrente nos enrolamentos prim ´ario e secund ´ario . . . 48
Figura 34: Simulac¸ ˜ao em malha aberta. Esforc¸os de tens ˜ao no MOSFET e no Diodo . . . 49
Figura 35: Simulac¸ ˜ao em malha aberta. Tens ˜ao, corrente e pot ˆencia de entrada do driver . . . 49
Figura 36: Circuito utilizado na simulac¸ ˜ao em malha fechada . . . 50
Figura 37: Simulac¸ ˜ao em malha fechada. Corrente, tens ˜ao e pot ˆencia de sa´ıda em alta frequ ˆencia . . . 50
Figura 38: Simulac¸ ˜ao em malha fechada. Corrente, tens ˜ao e pot ˆencia de sa´ıda em baixa frequ ˆencia . . . 51
Figura 39: Simulac¸ ˜ao em malha fechada. Corrente nos enrolamentos prim ´ario e secund ´ario . . . 51
Figura 40: Simulac¸ ˜ao em malha fechada. Esforc¸os de tens ˜ao no MOSFET e no Diodo . . . 52
Figura 41: Simulac¸ ˜ao em malha fechada. Tens ˜ao, corrente e pot ˆencia de entrada do driver . . . 52
Figura 42: Prot ´otipo . . . 53 Figura 43: Resultado em malha aberta. Raz ˜ao c´ıclica (CH 1 5 V/div)
-Escala de tempo: 10 µs/div . . . 54 Figura 44: Resultado em malha aberta. Tens ˜ao de sa´ıda (CH 1 - 5 V/div),
Corrente de sa´ıda (CH 2 - 200 mA/div) e Pot ˆencia de sa´ıda (CH M - 5 W/div) - Escala de tempo: 10 µs/div . . . 54 Figura 45: Resultado em malha aberta. Tens ˜ao de sa´ıda (CH 1 - 5 V/div),
Corrente de sa´ıda (CH 2 - 200 mA/div) e Pot ˆencia de sa´ıda (CH M - 5 W/div) - Escala de tempo: 4 ms/div . . . 55 Figura 46: Resultado em malha aberta. Corrente no prim ´ario (CH 2 - 200
mA/div) e Corrente no secund ´ario (CH 3 - 500mA/div) - Escala de tempo: 10 µs/div . . . 55 Figura 47: Resultado em malha aberta. Tens ˜ao no MOSFET (CH 1 - 50
V/div) - Escala de tempo: 4 µs/div . . . 56 Figura 48: Resultado em malha aberta. Tens ˜ao no diodo de sa´ıda (CH 1
-10 V/div) - Escala de tempo: 2 µs/div . . . 56 Figura 49: Resultado em malha aberta. Tens ˜ao de entrada (CH 1 - 50
V/div), Corrente de entrada (CH 2 - 500mA/div) e Pot ˆencia de entrada (CH M - 100 W/div) - Escala de tempo: 4 ms/div . . . . 57 Figura 50: Resultado em malha fechada. Raz ˜ao c´ıclica (CH 1 5 V/div)
-Escala de tempo: 10 µs/div . . . 57 Figura 51: Resultado em malha fechada. Tens ˜ao de sa´ıda (CH 1 - 5 V/div),
Corrente de sa´ıda (CH 2 - 200 mA/div) e Pot ˆencia de sa´ıda (CH M - 5 W/div) - Escala de tempo: 10 µs/div . . . 58 Figura 52: Resultado em malha fechada. Tens ˜ao de sa´ıda (CH 1 - 5 V/div),
Corrente de sa´ıda (CH 2 - 200 mA/div) e Pot ˆencia de sa´ıda (CH M - 5 W/div) - Escala de tempo: 4 ms/div . . . 58 Figura 53: Resultado em malha fechada. Corrente no prim ´ario (CH 2 - 200
mA/div) e Corrente no secund ´ario (CH 3 - 500mA/div) - Escala de tempo: 10 µs/div . . . 59 Figura 54: Resultado em malha fechada. Tens ˜ao no MOSFET (CH 1 - 50
Figura 55: Resultado em malha fechada. Tens ˜ao no diodo de sa´ıda (CH 1 - 10 V/div) - Escala de tempo: 2 µs/div . . . 60 Figura 56: Resultado em malha fechada. Tens ˜ao de entrada (CH 1 - 50
V/div), Corrente de entrada (CH 2 - 500mA/div) e Pot ˆencia de entrada (CH M - 100 W/div) - Escala de tempo: 4 ms/div . . . . 60 Figura 57: Resultado em malha fechada para variac¸ ˜ao de carga. Tens ˜ao
na carga (CH 1 - 5 V/div), Corrente na carga (CH 2 - 200mA/div) - Escala de tempo: 4 ms/div . . . 61
LISTA DE S´IMBOLOS
Di Diodo ideal VLED Tens ˜ao do LED
VJ Tens ˜ao de joelho do LED RD Resist ˆencia din ˆamica do LED iLED Corrente do LED
Vi Tens ˜ao de entrada Vo Tens ˜ao de sa´ıda ii Corrente de entrada io Corrente de sa´ıda
tof f Tempo da chave fechada ton Tempo da chave aberta iL Corrente no indutor
T Per´ıodo da onda
LM Indut ˆancia de magnetizac¸ ˜ao S Chave interruptora
v1 Tens ˜ao no enrolamento prim ´ario v2 Tens ˜ao no enrolamento secund ´ario Do Diodo de sa´ıda
Co Capacitor de sa´ıda RL Carga resistiva
N1 Enrolamento prim ´ario N2 Enrolamento secund ´ario D Raz ˜ao c´ıclica nominal D1 Durac¸ ˜ao da segunda etapa VCA Tens ˜ao RMS da rede f e Frequ ˆencia da rede
f s Frequ ˆencia de chaveamento Dmax Raz ˜ao c´ıclica m ´axima
η Rendimento
∆VBU S Ondulac¸ ˜ao da tens ˜ao de barramento
∆iLED Ondulac¸ ˜ao de corrente nos LEDs
VBU Smax Tens ˜ao m ´axima no barramento CC
Vqd Queda de tens ˜ao no diodo
VBU Smin Tens ˜ao m´ınima no barramento CC
CBU S Capacitor de barramento ∆Vo Variac¸ ˜ao de tens ˜ao na caraga
Ae Area da sec¸ ˜ao transversal do n ´ucleo magn ´etico´ Aw Area da janela do n ´ucleo magn ´etico´
δ Entreferro
b Largura da janela h Altura da janela
a Dist ˆancia entre janelas d Profundidade do n ´ucleo
Kp Fator de utilizac¸ ˜ao do prim ´ario Kw Fator de utilizac¸ ˜ao da janela ∆B Variac¸ ˜ao da densidade de fluxo Bmax Densidade de fluxo m ´axima Jmax Densidade de corrente m ´axima µo Permabilidade magn ´etica do ar µr Permeabilidade relativa do cobre ρcu Resistividade do cobre
AeAw Produto das ´areas Ae e Aw
Lt Comprimeto m ´edio de uma espira Ve Volume do n ´ucleo
i1pk Corrente de pico no enrolamento prim ´ario
i1ef Corrente eficaz no enrolamento prim ´ario
i2pk Corrente de pico no enrolamento secund ´ario
i2ef Corrente eficaz no enrolamento secund ´ario
Sc1 Area de sec¸ ˜ao transversal do condutor do enrolamento prim ´ario´ Sc2 Area de sec¸ ˜ao transversal do condutor do enrolamento secund ´ario´ δcu Profundidade de penetrac¸ ˜ao
Amax Area de sec¸ ˜ao transversal m ´axima do condutor´ RN1 Resistencia do enrolamento prim ´erio
ρAW G26 Resistencia por cent´ımetro do fio AWG 26 RN2 Resistencia do enrolamento secund ´ario
ρAW G22 Resistencia por cent´ımetro do fio AWG 22
PJ Perdas Joule
RN1 Resist ˆencia do enrolamento prim ´ario
RN2 Resist ˆencia do enrolamento secund ´ario
Awmin Area m´ınima da janela´
ScAW G26 iso Area de sec¸ ˜ao transversal com isolamento do fio 26 AWG´
ScAW G22 iso Area de sec¸ ˜ao transversal com isolamento do fio 22 AWG´
LLk1 Indut ˆancia de disperc¸ ˜ao
Coss Capacit ˆancia de sa´ıda do MOSFET VDS Tens ˜ao entre Drain e Source
Vsn Tens ˜ao snubber Csn Capacitor snubber
∆Vsn Ondulac¸ ˜ao de tens ˜ao no capacitor snubber Rsn Resistor snubber
Psn Pot ˆencia snubber
L1 Indut ˆancia do enrolamento prim ´ario L2 Indut ˆancia do enrolamento secund ´ario d1 Raz ˜ao ciclica
d2 Durac¸ ˜ao da etapa 2 Re Resistor equivalente
P Pot ˆencia
KP I Ganho do controlador PI
ZP I Frequ ˆencia do zero do controlador PI
e Erro
u Ac¸ ˜ao de controle
CD Capacit ˆancia parasita do diodo
LLk2 Indut ˆancia de dispers ˜ao do secund ´ario Csn2 Capacitor do snubber do diodo
Rsn2 Resistor do snubber do diodo
SUM ´ARIO
1 INTRODUC¸ ˜AO . . . 13
1.1 OBJETIVO GERAL . . . 14
1.2 OBJETIVOS ESPEC´IFICOS . . . 14
2 FUNDAMENTAC¸ ˜AO TE ´ORICA . . . 15
2.1 DIODO EMISSOR DE LUZ . . . 15
2.1.1 Modelo El ´etrico do LED . . . 16
2.1.2 Acionamento de LEDs . . . 17
2.2 CONVERSOR CC-CC . . . 18
2.2.1 Conversor Flyback . . . 20
2.3 NORMAS PARA ACIONAMENTO DE DISPOSITIVOS DE ILUMINAC¸ ˜AO . . . 22
3 PROJETO DO DRIVER . . . 24
3.1 PROJETO DO RETIFICADOR . . . 24
3.2 PROJETO DO CONVERSOR FLYBACK . . . 26
3.3 PROJETO DO INDUTOR . . . 26
3.4 PROJETO DO SNUBBER . . . 31
3.5 PROJETO DO CIRCUITO DE ACIONAMENTO DO MOSFET . . . 33
3.6 MODELAGEM DO CONVERSOR . . . 34
3.7 PROJETO DO CONTROLADOR . . . 42
3.8 PROJETO DO SNUBBER DO DIODO DE SA´IDA . . . 44
4 AN ´ALISE DOS RESULTADOS . . . 46
4.1 RESULTADOS DE SIMULAC¸ ˜AO . . . 47
4.2 RESULTADOS EXPERIMENTAIS . . . 53
13
1 INTRODUC¸ ˜AO
Com o dom´ınio de t ´ecnicas de iluminac¸ ˜ao artificial o ser humano pode ex-pandir o hor ´ario de produtividade, o que ´e fundamental para o desenvolvimento da economia, cultura e conhecimento cientifico (COSTA, 2006).
Os meios mais antigos de iluminac¸ ˜ao utilizados pelo ser humano s ˜ao as fogueiras, tochas e l ˆampadas de ´oleo. Uma l ˆampada a ´oleo b ´asica necessita apenas de um recipiente para o ´oleo e um pedac¸o de planta fibrosa para o pavio. Com o passar dos anos as metodologias de iluminac¸ ˜ao artificial foram se aprimorando, por ´em a maior revoluc¸ ˜ao veio com o surgimento das l ˆampadas incandescentes, patenteada pelo americano Thomas Alva Edison em 1879 (BOWERS, 1980).
Ao longo dos anos as fontes el ´etricas de iluminac¸ ˜ao sempre estiveram em constante evoluc¸ ˜ao. Em 1938 surgiram as primeiras lampadas fluorescentes (BENDER, 2012). Essas que se popularizaram no Brasil ap ´os a crise energ ´etica ocorrida em 2001 por se tratarem de l ˆampadas mais eficientes e com maior vida ´util em relac¸ ˜ao as l ˆampadas incandescentes (PINTO, 2008) (BRIOSCHI; LAMEGO; VIEIRA, 1998). Por outro
lado, uma tecnologia recente vem ganhando espac¸o por ser ainda mais eficiente e ter maior vida ´util que as l ˆampadas fluorescentes. Trata-se das l ˆampadas com diodos emissores de luz, do ingl ˆes Light Emitting Diode (LED) (LUZ, 2013).
Os LEDs nem sempre foram utilizados para iluminac¸ ˜ao. Inicialmente os LEDs eram utilizados apenas para sinalizac¸ ˜ao, devido a sua baixa luminosidade (LUZ, 2013). No entanto, com a evoluc¸ ˜ao da tecnologia, surgiram os LEDs de alto brilho utilizados em iluminac¸ ˜ao de pequenas ´areas, tais como pain ´eis automotivos, visores de equipamentos eletr ˆonicos, lanternas, etc (PINTO, 2012).
Com tecnologia mais avanc¸ada que dos LEDs de alto brilho, os LEDs de pot ˆencia s ˜ao tend ˆencias em aplicac¸ ˜oes de iluminac¸ ˜ao de alta pot ˆencia devido a seu alto fluxo luminoso, alta efici ˆencia e longa vida ´util (QIU et al., 2015). Um exemplo ´e o LED OSRAM OSLON SSL 80, que possui vida ´util de 50000 horas (OSRAM, 2015).
Os LEDs s ˜ao dispositivos que operam com corrente cont´ınua. Por este motivo n ˜ao ´e poss´ıvel conect ´a-los direto na rede el ´etrica e necessita-se de um circuito eletr ˆonico auxiliar de acionamento, tamb ´em conhecido como driver (ABILUX, 2015).
1.1 Objetivo Geral 14
Um driver ´e um dispositivo eletr ˆonico que converte a tens ˜ao alternada em continua, e ad ´equa a tens ˜ao e a corrente aos padr ˜oes necess ´arios para o acionamento do LED (BAO; HU; BAO, 2011).
Embora os LEDs tenham longa vida ´util, a utilizac¸ ˜ao de drivers pode limitar a vida ´util do conjunto, pois os drivers possuem menor vida ´util do que os LEDs, espe-cialmente se utilizados capacitores eletrol´ıticos em sua construc¸ ˜ao (HUI et al., 2010). A utilizac¸ ˜ao de capacitor de filme vem sendo abordada em trabalhos cient´ıficos como al-ternativa para se obter uma maior vida ´util dos drivers para LEDs e consequentemente uma maior vida ´util das l ˆampadas de LED (ZHANG; NI; YU, 2013). A desvantagens deste tipo de capacitor ´e o custo mais elevado e maior volume se comparados com o capa-citor eletrol´ıtico (ZHANG; NI; YU, 2013).
1.1 OBJETIVO GERAL
O objetivo geral desse trabalho ´e projetar e implementar um driver para uma l ˆampada de LEDs de 15 W, utilizando um conversor CC-CC do tipo flyback operando em malha aberta e em malha fechada.
1.2 OBJETIVOS ESPEC´IFICOS
• Estudar as normas relacionadas aos dispositivos de iluminac¸ ˜ao;
• Projetar um conversor CC-CC para acionamento de uma l ˆampada de LEDs de 15 W;
• Projetar os elementos magn ´eticos do conversor;
• Projetar um circuito de acionamento de semicondutores de pot ˆencia; • Obter o modelo em malha fechada do conversor flyback ;
• Projetar um circuito de controle anal ´ogico para a corrente dos LEDs; • Obter os resultados de simulac¸ ˜ao e experimentais da topologia.
15
2 FUNDAMENTAC¸ ˜AO TE ´ORICA
Este cap´ıtulo tem por objetivo contextualizar alguns t ´opicos que s ˜ao a base para o desenvolvimento desse trabalho de conclus ˜ao de curso. Primeiramente, ´e feita uma abordagem do diodo emissor de luz (LED), bem como seu modelo el ´etrico e os meios de acionamento desse dispositivo. Na sequ ˆencia ´e apresentado o conversor CC-CC flyback. Por fim, s ˜ao apresentadas as normas vigentes para o acionamento de l ˆampadas de LED.
2.1 DIODO EMISSOR DE LUZ
Os diodos emissores de luz, do ingl ˆes, Light Emitting Diode (LED), s ˜ao se-micondutores distintos dos diodos convencionais por emitirem luz quando polarizados diretamente (LUZ, 2013). Por ser um dispositivo em estado s ´olido e n ˜ao necessitar
de vidro ou filamento em sua construc¸ ˜ao, o LED ´e extremamente resistente contra choques e vibrac¸ ˜oes (PECK; ASHBURNER; SCHRATZ, 2011).
Na d ´ecada de 60, quando surgiram os primeiros LEDs, eles eram utilizados apenas de forma indicativa (Figura 1 (a)), mostrando se um estado estava ativo ou n ˜ao, e at ´e hoje este tipo de LED ´e utilizado para fins de sinalizac¸ ˜ao. No entanto, com a evoluc¸ ˜ao da tecnologia, surgiram os LEDs de alto brilho (Figura 1 (b)), que tornou poss´ıvel a iluminac¸ ˜ao de pequenas ´areas como visores de r ´adio, pain ´eis automotivos, lanternas, etc (PINTO, 2012).
Figura 1: Classificac¸ ˜ao dos LEDs: (a) LEDs indicativos; (b) LEDs de alto brilho; (c) LEDs de pot ˆencia
Fonte: Adaptado de Pinto (2012).
2.1 Diodo Emissor de Luz 16
LEDs de pot ˆencia (Figura 1 (c)), que devido ao maior fluxo luminoso expandem as aplicac¸ ˜oes para sistemas de iluminac¸ ˜ao de ambientes internos ou externos (LUZ, 2013).
Al ´em de robustez a vibrac¸ ˜oes e elevado fluxo luminoso, os LEDs pos-suem longa vida ´util e elevada efici ˆencia luminosa em comparac¸ ˜ao com outros ti-pos de l ˆampadas, o que faz com que os LEDs sejam cada vez mais empregados na iluminac¸ ˜ao em geral (QIU et al., 2015). A aus ˆencia de metais pesados ou produ-tos qu´ımicos em sua construc¸ ˜ao faz com que os LEDs sejam menos nocivos ao meio ambiente (MAHADEOKAR; SARDESHMUKH, 2015).
2.1.1 MODELO EL ´ETRICO DO LED
Ao se projetar um circuito para o acionamento de LEDs o projetista pode utilizar o recurso de softwares de simulac¸ ˜ao para analisar o comportamento do circuito antes mesmo da implementac¸ ˜ao pr ´atica (PINTO, 2008). Para que a simulac¸ ˜ao seja a mais pr ´oxima da realidade ´e importante utilizar um circuito equivalente que se apro-xime ao m ´aximo de um LED real. A Figura 2 apresenta um modelo aproximado do LED bastante utilizado (LIN; CHEN, 2009) (PINTO, 2012).
Di VJ RD
iLED VLED
+ −
Figura 2: Modelo el ´etrico aproximado do LED Fonte: Adaptado de Pinto (2012).
O modelo matem ´atico do LED ´e dado por:
VLED = VJ+ RD.iLED (1)
As grandezas da Equac¸ ˜ao 1 s ˜ao: VLED = Tens ˜ao direta [V];
VJ = Tens ˜ao de joelho do LED [V]; RD = Resist ˆencia din ˆamica do LED [Ω];
2.1 Diodo Emissor de Luz 17
iLED = Corrente que circula atrav ´es do LED [A].
A Figura 3 apresenta uma comparac¸ ˜ao entre o modelo real e o modelo aproximado do LED, a qual mostra a curva caracter´ıstica de tens ˜ao direta versus cor-rente direta do LED. A curva real geralmente ´e fornecida pelo fabricando em folha de dados, e a curva aproximada pode ser obtida trac¸ando-se, no ponto de operac¸ ˜ao desejado, uma reta tangente `a curva real (LIN; LEE; LIU, 2011).
800 700 600 500 400 300 200 100 0 0 1,0 2,0 3,0 4,0 5,0 Tensão direta [V] Corr ente dire ta [mA ] Real Aproximado
Figura 3: Comparac¸ ˜ao do modelo real e aproximado da curva tens ˜ao versus corrente
Fonte:Adaptado de FUTURLEC (2016).
Em uma an ´alise da curva caracter´ıstica de tens ˜ao por corrente de um LED pode-se observar que uma pequena variac¸ ˜ao no valor de tens ˜ao sobre o LED causa uma grande variac¸ ˜ao na corrente direta (SAUERLANDER et al., 2006). Outro fator que deve ser considerado ´e que a elevac¸ ˜ao da temperatura resulta em uma reduc¸ ˜ao da tens ˜ao de joelho, e com isso a corrente direta do LED aumenta, elevando a tempera-tura, e gerando um ciclo que pode levar a queima do LED (LUZ, 2013). Portanto uma
forma adequada de acionamento dos LEDs ´e utilizando uma malha de controle para manter constante a corrente sobre ele.
2.1.2 ACIONAMENTO DE LEDS
Por se tratar de dispositivos que operam com corrente cont´ınua, os LEDs n ˜ao podem ser ligados diretamente na rede el ´etrica e para seu acionamento ´e ne-cess ´ario um circuito eletr ˆonico auxiliar, tamb ´em conhecidos como driver (ABILUX, 2015).
A Figura 4 apresenta um diagrama de blocos de uma l ˆampada de LEDs alimentada pela rede el ´etrica. A tens ˜ao alternada da rede deve ser primeiramente retificada. Para isso ´e utilizado um retificador, que tem por objetivo converter a tens ˜ao
2.2 Conversor CC-CC 18
alternada da rede em tens ˜ao continua (HART, 2012). ´E necess ´ario ent ˜ao um segundo conversor para regular a amplitude da tens ˜ao retificada de forma a ser compat´ıvel com a tens ˜ao de operac¸ ˜ao do LED. Uma malha de controle ´e utilizada para minimizar as oscilac¸ ˜oes de tens ˜ao e corrente nos LEDs.
Rede Retificador Conversor
CC-CC LEDs
Controle
Figura 4: Diagrama de blocos de uma l ˆampada de LEDs alimentada pela rede Fonte: Autoria pr ´opria.
Dentre as metodologias empregadas para reduzir um n´ıvel de tens ˜ao CC, a maneira mais simples ´e utilizar um resistor em s ´erie com o LED. Outra alternativa ´e a utilizac¸ ˜ao de reguladores lineares, por ´em a efici ˆencia dos dois m ´etodos ´e baixa, principalmente se a diferenc¸a da tens ˜ao for elevada (PINTO, 2008).
Como alternativa de maior efici ˆencia para utilizac¸ ˜ao em drivers para LED, t ˆem-se os conversores CC-CC. Estudos como Pinto (2012), Bender (2012) e Luz (2013), apontam que os conversores CC-CC s ˜ao amplamente utilizados no aciona-mento de LEDs, especialmente por possu´ırem rendiaciona-mento elevado.
2.2 CONVERSOR CC-CC
Segundo Hart (2012, p. 197), ”os conversores CC-CC s ˜ao circuitos que convertem uma tens ˜ao CC para um diferente n´ıvel de tens ˜ao CC fornecendo sempre uma sa´ıda regulada”.
Para Martins e Barbi (2006), o conversor CC-CC pode ser simplificada-mente representado pela Figura 5, na qual Vi representa a tens ˜ao de entrada e Vo a tens ˜ao de sa´ıda regulada.
Vi CONVERSOR Vo
CC-CC
ii io
Figura 5: Representac¸ ˜ao simplificada de um conversor CC-CC
2.2 Conversor CC-CC 19
Quanto ao modo de operac¸ ˜ao, os conversores s ˜ao classificados em tr ˆes modos: Modo de operac¸ ˜ao cont´ınua, modo de operac¸ ˜ao descontinua e modo de operac¸ ˜ao critico.
O modo de operac¸ ˜ao cont´ınua, do ingl ˆes Continuous Conduction Mode (CCM), ´e o modo em que a corrente no indutor ´e sempre positiva, ou seja, a energia armazenada no indutor nunca ´e nula. No modo de operac¸ ˜ao descont´ınua , do ingl ˆes, Discontinuous Conduction Mode (DCM), a corrente no indutor permanece nula por um determinado tempo quando a chave esta aberta tof f. EO modo cr´ıtico de operac¸ ˜ao, do ingl ˆes Boundary Conduction Mode (BCM), ´e o modo em que a corrente no indutor vai a zero no instante em que a chave volta a fechar ton. A Figura 6 apresenta os tr ˆes modos de operac¸ ˜ao do conversor boost (MOHAN; UNDELAND; ROBBINS, 2003).
t iL T ton tof f (a) t iL T ton tof f (b) t iL T ton tof f (c)
Figura 6: Modos de conduc¸ ˜ao: (a) Cont´ınuo. (b) Descont´ınuo. (c) Cr´ıtico Fonte: Adaptado de Mohan, Undeland e Robbins (2003).
Outra classificac¸ ˜ao dos conversores ´e quanto a isolac¸ ˜ao el ´etrica. Os n ˜ao isolados possuem ligac¸ ˜ao el ´etrica entre a entrada e sa´ıda do conversor. ´E o caso dos conversores b ´asicos como buck, boost e buck-boost. Os conversores CC-CC que n ˜ao possuem ligac¸ ˜ao el ´etrica entre a entrada e sa´ıda, s ˜ao denominados conversores isolados. O forward e o flyback, mostrado na Figura 7, s ˜ao exemplos de conversores isolados(BARBI, 2001).
Vi
+
− Vo
Figura 7: Conversor flyback Fonte: Adaptado de Hart (2012).
2.2 Conversor CC-CC 20
2.2.1 CONVERSOR FLYBACK
O conversor flyback apresenta caracter´ısticas tais como: baixo custo, de-vido ao circuito possuir poucos componentes; elevado rendimento; e isolamento el ´etrico entre entrada e sa´ıda. Quando operado em DCM, o flyback se torna f ´acil de ser es-tabilizado, por apresentar um p ´olo simples na func¸ ˜ao de transfer ˆencia e o tamanho do n ´ucleo ´e reduzido se comparado ao CCM (SCORTEGAGNA, 2015). Pelas raz ˜oes
ex-postas, o conversor flyback, em DCM, ´e largamente empregado em baixas pot ˆencias (inferior a 100 W) (BARBI, 2001) (SCORTEGAGNA, 2015).
O conversor flyback armazena energia na indut ˆancia de magnetizac¸ ˜ao LM quando a chave est ´a fechada e transfere essa energia para a carga quando a chave est ´a aberta (SCORTEGAGNA, 2015). A Figura 8 apresenta o circuito equivalente do conversor flyback usando o modelo de transformador que inclui a indut ˆancia de magnetizac¸ ˜ao. Vi LM S + − v1 + − v2 Do Co RL + − Vo N1 N2
Figura 8: Circuito equivalente do conversor flyback usando modelo de transformador que inclui a indut ˆancia de magnetizac¸ ˜ao
Fonte: Adaptado de Hart (2012).
De acordo com Hart (2012), em regime permanente o funcionamento do flyback operando em DCM ´e descrito em tr ˆes etapas de operac¸ ˜ao:
• Etapa 1: A chave S est ´a fechada, a tens ˜ao da fonte ´e a da indut ˆancia de magnetizac¸ ˜ao LM, que armazena energia. Al ´em disso, o diodo Do ´e reversa-mente polarizado e a corrente na carga ´e fornecida pelo capacitor de sa´ıda Co. A Figura 9 ilustra a etapa 1 de operac¸ ˜ao do flyback em DCM.
• Etapa 2: Quando a chave abre, a corrente em LM n ˜ao pode mudar instantane-amente, logo o caminho de conduc¸ ˜ao deve ser pelas espiras do transformador, e a energia armazenada na primeira etapa ´e transferida para o secund ´ario do transformador. O diodo Do agora ´e polarizado diretamente e a energia do
indu-2.2 Conversor CC-CC 21
tor alimenta a carga RL e carrega o capacitor de sa´ıda Co. A Figura 10 ilustra a segunda etapa de operac¸ ˜ao do flyback em DCM.
• Etapa 3: A chave S est ´a aberta e toda a energia armazenada na indut ˆancia de magnetizac¸ ˜ao LM foi transferida. O capacitor de sa´ıda Co fornece energia `a carga. A Figura 11 ilustra a etapa 3 de operac¸ ˜ao do flyback em DCM.
+ − v1 + − v2 Do N1 N2 Vi LM S Co RL + − Vo
Figura 9: Etapa 1 de operac¸ ˜ao do flyback em DCM Fonte: Adaptado de Hart (2012).
Vi S LM + − v1 + − v2 Do Co RL + − Vo N1 N2
Figura 10: Etapa 2 de operac¸ ˜ao do flyback em DCM Fonte: Adaptado de Hart (2012).
+ − v1 + − v2 Do N1 N2 Vi LM S Co RL + − Vo
Figura 11: Etapa 3 de operac¸ ˜ao do flyback em DCM Fonte: Adaptado de Hart (2012).
2.3 Normas para acionamento de dispositivos de iluminac¸ ˜ao 22
O ganho est ´atico do conversor flyback em DCM, ´e dado pelo balanc¸o de tens ˜ao no indutor, calculado atrav ´es da integral
1 T
Z T 0
v1(t)dt = 0 (2)
Resolvendo a integral a isolando os termos de interesse, obt ´em-se a relac¸ ˜ao da tens ˜ao de entrada e tens ˜ao de sa´ıda
Vo Vi = D D1 ·N1 N2 (3) Em que D representa a durac¸ ˜ao da primeira etapa ou a raz ˜ao c´ıclica no-minal de um conversor CC-CC, e D1 representa a durac¸ ˜ao da segunda etapa. Para determinar D1, resolvendo pela corrente m ´edia no diodo de sa´ıda, obt ˆem-se:
D1 = N2 N1 ·r 2 · LM · f s RL (4) Substituindo a Equac¸ ˜ao 4 na Equac¸ ˜ao 3, ´e obtido o ganho est ´atico do con-versor flyback em DCM, dado por:
Vo Vi = D · s RL 2 · LM · f s (5)
2.3 NORMAS PARA ACIONAMENTO DE DISPOSITIVOS DE ILUMINAC¸ ˜AO
No Brasil a norma que estabelece procedimentos relativos `a qualidade de energia el ´etrica ´e o m ´odulo 8 dos Procedimentos de Distribuic¸ ˜ao de Energia El ´etrica no Sistema El ´etrico Nacional (PRODIST), elaborado pela Ag ˆencia Nacional de Energia El ´etrica (ANEEL). Contudo, a norma faz menc¸ ˜ao apenas a unidades consumidoras e n ˜ao a equipamentos el ´etricos ou eletr ˆonicos (ANEEL, 2016).
Internacionalmente a norma IEC 61000-3-2 ´e aplic ´avel a dispositivos el ´etricos e eletr ˆonicos que tenham corrente de entrada inferior a 16 A. Esta norma refere-se `as limitac¸ ˜oes dos harm ˆonicos de corrente injetadas na rede p ´ublica de alimentac¸ ˜ao. Nesta norma os dispositivos de iluminac¸ ˜ao est ˜ao enquadrados na classe C, por ´em os limites de harm ˆonicas injetadas na rede s ˜ao estabelecidas apenas para dispositivos com pot ˆencia ativa de entrada superior a 25 W. Para sistema com tens ˜ao nominal inferior a 220 V a norma tamb ´em n ˜ao considera limites de conte ´udo
2.3 Normas para acionamento de dispositivos de iluminac¸ ˜ao 23
harm ˆonico (IEC, 2005).
Pelos par ˆametros especificados para esse trabalho, para a l ˆampada de LEDs desenvolvida n ˜ao h ´a limitac¸ ˜oes quanto aos indicativos de conte ´udo harm ˆonico de corrente ou fator de pot ˆencia. Portanto n ˜ao ser ˜ao abordados nesse trabalho in-dicadores de fator de pot ˆencia e harm ˆonicos injetados na rede, tamb ´em n ˜ao ser ˜ao buscadas alternativas para correc¸ ˜ao desses indicadores.
24
3 PROJETO DO DRIVER
Para o projeto do driver s ˜ao especificados alguns par ˆametros, apresenta-dos na Tabela 1, como tens ˜ao e frequ ˆencia da rede, o rendimento de 90 % ´e um valor estimado, por ´em t´ıpico para operac¸ ˜ao de conversores CC-CC aplicados em baixas pot ˆencias. A pot ˆencia da l ˆampada de LEDs ´e de 15 W e as ondulac¸ ˜oes de tens ˜ao de barramento e corrente na carga s ˜ao de 10 % e 5 % respectivamente.
Tabela 1: Par ˆametros pra projeto do driver
Par ˆametro S´ımbolo Valor Unidade
Tens ˜ao RMS da rede VCA 127 V
Frequ ˆencia da rede f e 60 Hz
Frequ ˆencia de chaveamento f s 50 KHz
Raz ˜ao c´ıclica nominal D 0,35
Raz ˜ao c´ıclica m ´axima Dmax 0,4
Rendimento estimado do flyback η 90 %
Pot ˆencia entregue aos LEDs Po 15 W
Ondulac¸ ˜ao da tens ˜ao de barramento ∆VBU S 10 %
Ondulac¸ ˜ao da corrente na carga ∆iLED 5 %
Fonte: Autoria pr ´opria.
3.1 PROJETO DO RETIFICADOR
Para a entrada do flyback foi projetada uma ponte retificadora de onda com-pleta com filtro capacitivo, conforme Figura 12. O objetivo de um retificador ´e converter
D4 D1 D2 D3 CBU S VCA VBU S + −
Figura 12: Ponte retificadora onda completa com filtro capa-citivo
3.1 Projeto do Retificador 25
uma tens ˜ao CA em tens ˜ao CC, O retificador de onda completa tem a vantagem de ga-rantir na sa´ıda os dois semi ciclos da senoide de entrada, e o capacitor de filtro CBU S tem uma valor inferior se comparado com um retificador meia onda (HART, 2012).
Durante a primeira etapa de funcionamento a tens ˜ao da fonte ´e positiva e os diodos D1 e D2 s ˜ao polarizados diretamente, enquanto D3 e D4 est ˜ao bloqueados. Na segunda etapa de funcionamento, a tens ˜ao da fonte ´e negativa e os diodos que po-larizam diretamente s ˜ao D3 e D4, enquanto D1 e D2 est ˜ao bloqueados (BARBI, 1986). A Figura 13 mostra a forma de onda da tens ˜ao retificada e a tens ˜ao de sa´ıda com filtro. ωt VBU S ∆VBU S VBU Smax 0 π2 π 3π 2 2π
Figura 13: Tens ˜ao retificada e tens ˜ao na sa´ıda do retificador de onda com-pleta com filtro capacitivo
Fonte: Adaptado de Hart (2012).
A m ´axima tens ˜ao do barramento CC VBU Smax ´e calculada pela m ´axima
tens ˜ao da fonte de entrada menos a queda de tens ˜ao Vqd nos diodos do retificador, sendo:
VBU Smax =
√
2 · VCA− 2 · Vqd = 178, 21V (6) Em regime, a min´ıma tens ˜ao do barramento VBU Smin deve permanecer
den-tro da faixa de variac¸ ˜ao ∆VBU S estabelecida na Tabela 1, calculada atrav ´es de:
VBU Smin = VBU Smax− VBU Smax · ∆VBU S = 160, 39V (7)
De acordo com Barbi (2001), o capacitor de barramento CBU S ´e calculado por: CBU S = Po/η f e · (V2 BU Smax− V 2 BU Smin) = 46, 25µF (8)
3.2 Projeto do Conversor Flyback 26
3.2 PROJETO DO CONVERSOR FLYBACK
Para projetar o flyback ´e necess ´ario conhecer quantos LEDs devem ser utilizados para atingir a pot ˆencia estipulada de 15 W. Para isso ´e analisada a curva caracter´ıstica do LED apresentada na Figura 3. Da Figura 3 conclui-se que para um ponto de operac¸ ˜ao em 600 mA, a tens ˜ao direta ´e de 3,588 V, resultando em uma pot ˆencia de 2,153 W para cada LED.
Utilizando 7 LEDs em s ´erie ´e suficiente para obter 15 W de pot ˆencia, e a tens ˜ao de sa´ıda Vo do flyback, ser ´a a soma da tens ˜ao direta em cada LED, portanto, Vo =25,116 V.
Para o c ´alculo do capacitor de sa´ıda Co, ´e estipulada uma ondulac¸ ˜ao na corrente de sa´ıda menor que 5 %. O capacitor ´e calculado com base na variac¸ ˜ao de tens ˜ao, e portanto ´e necess ´ario conhecer a variac¸ ˜ao da tens ˜ao com base na variac¸ ˜ao da corrente dos LEDs dado por:
∆Vo = 7 · [RD· (iLED+ ∆iLED) + Vj − VLED] (9)
E o capacitor portante resulte em:
Co =
iLED· Dmax f s · ∆Vo
= 25, 017µF (10)
Para o c ´alculo da indut ˆancia de magnetizac¸ ˜ao ´e importante conhecer o modo de operac¸ ˜ao do conversor, neste caso pelas raz ˜oes apresentadas na sec¸ ˜ao 2.2.1 optou-se pelo DCM. A indut ˆancia de magnetizac¸ ˜ao do flyback, de acordo com (BARBI, 2001), ´e dimensionada por:
LM = V2 BU Smin· D 2 2 · Po· f s · η = 1, 882mH (11) 3.3 PROJETO DO INDUTOR
Segundo Barbi, Font e Alves (2002, p. 2), ”o sucesso na construc¸ ˜ao e no perfeito funcionamento de um conversor CC-CC est ´a intimamente ligado com um projeto adequado dos elementos magn ´eticos”.
Para operac¸ ˜ao em alta frequ ˆencia, os n ´ucleos de ferrite s ˜ao os mais indi-cados, e t ˆem o objetivo de fornecer um caminho adequado para o fluxo magn ´etico. A
3.3 Projeto do Indutor 27
Figura 14 apresenta o n ´ucleo magn ´etico do tipo EE. A ´area de sec¸ ˜ao transversal do n ´ucleo Ae, a ´area da janela Aw e o entreferro δ s ˜ao fatores importantes no projeto de indutores (BARBI; FONT; ALVES, 2002).
b δ 2 h a d Aw Ae
Figura 14: N ´ucleo magn ´etico tipo EE
Fonte: Adaptado de SCORTEGAGNA (2015).
Para o conversor flyback ´e utilizado um indutor acoplado, pois deve ter isolac¸ ˜ao el ´etrica entre a entrada e a sa´ıda do conversor. O que difere de um transfor-mador convencional ´e o fato dele armazenar energia em uma etapa e fornecer essa energia armazenada em uma segunda etapa de funcionamento, enquanto no transfor-mador a energia no prim ´ario ´e instantaneamente transferida para o secund ´ario ( POMI-LIO, 2014).
A diferenc¸a f´ısica entre eles ´e a presenc¸a do entreferro no indutor aco-plado, onde teoricamente ´e armazenada a energia do indutor (SCORTEGAGNA, 2015). A Tabela 2 apresenta os par ˆametros para o dimensionamento do indutor acoplado do conversor flyback.
Tabela 2: Par ˆametros para dimensionamento do indutor
Par ˆametro S´ımbolo Valor Unidade
Fator de utilizac¸ ˜ao do prim ´ario Kp 0,5 Fator de utilizac¸ ˜ao da janela Kw 0,4
Variac¸ ˜ao da densidade de fluxo ∆B 0,3 T
Densidade de fluxo m ´axima Bmax 0,3 T
Densidade de corrente m ´axima Jmax 350 A/cm2 Permeabilidade magn ´etica do ar µo 4π · 10-7 H/m Permeabilidade relativa do cobre µr 1
Resistividade do cobre ρcu 2,3 · 10-8 Ω·m
Fonte: Barbi, Font e Alves (2002).
Com os par ˆametros definidos na Tabela 2, inicia-se o projeto f´ısico do indu-tor. De acordo com Barbi, Font e Alves (2002) o produto das ´areas Ae e Aw ´e dado por:
3.3 Projeto do Indutor 28 AeAw = Po· √ Dmax ∆B · f s · Kp· Kw· Jmax· η = 0, 101cm4 (12)
Por meio de consulta ao cat ´alogo do fabricante de n ´ucleos de ferrite para in-dutores THORNTON (2016), foi selecionado o n ´ucleo NEE-25/10/6, e seus par ˆametros s ˜ao apresentados na Tabela 3.
Tabela 3: Par ˆametros do n ´ucleo de ferrite NEE-25/10/6
Par ˆametro S´ımbolo Valor Unidade
´
Area do entreferro Ae 0,3929 cm2
´
Area da janela Aw 0,8547 cm2
Comprimento m ´edio de uma espira Lt 5,2000 cm
Volume do n ´ucleo Ve 1,9354 cm2
Dist ˆancia entre janelas a 6,2500 mm
Largura da janela b 6,4750 mm
Altura da janela h 13,200 mm
Profundidade do n ´ucleo d 6,2500 mm
Fonte: THORNTON (2016).
Definidos os par ˆametros do n ´ucleo a ser utilizado, na Equac¸ ˜ao 13 ´e calcu-lada a distancia do entreferro.
δ = 2 · µo· Po B2
max· Ae· f s · η
= 0, 238mm (13)
O n ´umero de espiras dos enrolamentos prim ´ario e secund ´ario s ˜ao dados respectivamente por: N1 = Dmax· VBU Smin Ae· Bmax· f s = 109 espiras (14) N2 = N1· (Vo+ Vqd) · (1 − Dmax) VBU Smax · Dmax = 24 espiras (15)
Com o n ´umero de espiras definido, resta saber a bitola do condutor a ser utilizado, para isso deve ser calculada previamente a corrente eficaz em cada enrola-mento do indutor acoplado.
Sendo a corrente eficaz e a corrente de pico do enrolamento prim ´ario dadas respectivamente por:
i1pk =
2 · Po VBU Smin· Dmax· η
3.3 Projeto do Indutor 29
i1ef = i1pk ·
r Dmax
3 = 0, 191A (17)
A corrente de pico no enrolamento prim ´ario refletida no enrolamento se-cund ´ario, resulta na corrente de pico no enrolamento sese-cund ´ario
i2pk = i1pk·
N1 N2
= 2, 399A (18)
e a corrente eficaz no enrolamento secund ´ario ´e calculada pela equac¸ ˜ao:
i2ef = i2pk ·
r
1 − Dmax
3 = 0, 72A (19)
A relac¸ ˜ao da corrente eficaz pela m ´axima densidade de corrente define a bitola dos condutores. Portanto a ´area de sec¸ ˜ao transversal do condutor do enrola-mento prim ´ario e a ´area de sec¸ ˜ao transversal do condutor do enrolaenrola-mento secund ´ario, s ˜ao dados respectivamente por:
Sc1 = i1ef Jmax = 0.000545cm2 (20) Sc2 = i2ef Jmax = 0.003065cm2 (21)
Quando utilizados condutores percorridos por correntes em elevadas frequ ˆencias, deve ser levado em considerac¸ ˜ao o efeito pelicular, do ingl ˆes skin effect,
`
A medida em que a frequ ˆencia aumenta, a corrente el ´etrica tende a circular mais pela superf´ıcie externa do que pelo centro de sua sec¸ ˜ao transversal do condutor (BARBI; FONT; ALVES, 2002) (SCORTEGAGNA, 2015).
Para condutores de cobre, a profundidade de penetrac¸ ˜ao da corrente ´e
δcu=
r ρ
cu π · µr· µo· f s
= 0, 0340cm (22)
e a ´area de sec¸ ˜ao transversal m ´axima para esse projeto deve ser inferior ao valor de:
Amax = π · δcu2 = 0, 0037cm2 (23) Portanto, para o enrolamento prim ´ario ´e selecionado o fio esmaltado AWG 26, e para o enrolamento secund ´ario ´e selecionado o fio esmaltado AWG 22. Ambos os fios possuem ´area de sec¸ ˜ao transversal inferior a Amax, e n ˜ao h ´a necessidade
3.3 Projeto do Indutor 30
de usar mais de um condutor em paralelo por enrolamento. Os par ˆametros dos fios selecionados s ˜ao apresentados na Tabela 4.
Tabela 4: Par ˆametros dos fios esmaltados
Enrolamento
Par ˆametro Prim ´ario Secund ´ario Unidade
Condutor 26 22 AWG
Di ˆametro do cobre 0,040 0,064 cm
Di ˆametro com isolamento 0,046 0,071 cm
´
Area do cobre 0,001287 0,003255 cm2
´
Area com isolamento 0,001671 0,004013 cm2
Resist ˆencia por cent´ımetro 20oC 0,001339 0,000530 Ω/cm
Fonte: Barbi (2001).
As perdas Joule do indutor acoplado podem ser estimadas sabendo a cor-rente eficaz e a resist ˆencia de cada enrolamento. A resist ˆencia dos enrolamentos prim ´ario e secund ´ario s ˜ao dados respectivamente por:
RN1 = N1· Lt· ρAW G26 = 0, 759Ω (24)
RN2 = N2· Lt· ρAW G22 = 0, 066Ω (25)
As perdas Joule total do indutor acoplado s ˜ao:
PJ = RN1· i
2
1ef + RN2 · i
2
2ef = 0, 104W (26)
Ap ´os serem definidos o tipo de n ´ucleo, entreferro, n ´umero de condutores e n ´umero de voltas por enrolamento, ´e verificada a possibilidade de execuc¸ ˜ao do indu-tor acoplado. Para acondicionar os enrolamentos calculados ´e necess ´aria uma ´area m´ınima da janela, superior `a:
Awmin =
N1· ScAW G26 iso+ N2· ScAW G22 iso
Kw
= 0, 696cm2 (27)
Onde:
ScAW G26 iso = ´Area de sec¸ ˜ao transversal com isolamento do fio 26 AWG;
ScAW G22 iso = ´Area de sec¸ ˜ao transversal com isolamento do fio 22 AWG.
Como a Awmin ´e inferior a Aw, significa que ´e poss´ıvel realizar a construc¸ ˜ao
3.4 Projeto do Snubber 31
entre os enrolamentos, existe na pr ´atica uma indut ˆancia de dispers ˜ao indesej ´avel para o circuito, ocasionando principalmente, picos de tens ˜ao nos semicondutores nos ins-tantes da comutac¸ ˜ao (MOHAN; UNDELAND; ROBBINS, 2003).
Algumas t ´ecnicas s ˜ao utilizadas na hora de enrolar o indutor para minimizar a dispers ˜ao, tais como: utilizac¸ ˜ao de toda a extens ˜ao do carretel para acondicionar os enrolamentos e particionamento e intercalac¸ ˜ao entre os enrolamentos no interior da janela. Na Figura 15 ´e apresentada a distribuic¸ ˜ao das camadas utilizadas no indutor acoplado utilizado nesse trabalho (MOHAN; UNDELAND; ROBBINS, 2003).
N1 3 N2 2 N1 3 N2 2 N1 3
Figura 15: Distribuic¸ ˜ao das camadas dos enrolamentos do indutor acoplado Fonte: Adaptado de Mohan, Undeland e Robbins (2003).
De acordo com Mohan, Undeland e Robbins (2003), a indut ˆancia de dis-pers ˜ao pode ser estimada atrav ´es da equac¸ ˜ao:
LLk1 ≈
µo· N12· 9 · a · b
3 · p2· h = 8, 582µH (28)
Em que p representa o n ´umero de interfaces entre sec¸ ˜oes do enrolamento. Por mais que a dispers ˜ao do indutor acoplado n ˜ao possa ser eliminada, ainda h ´a alternativas para amenizar seu efeito indesejado de sobretens ˜ao na chave nos instantes de comutac¸ ˜ao. Uma alternativa ´e a utilizac¸ ˜ao de snubber. O objetivo do snubber ´e fixar a tens ˜ao de pico para que n ˜ao ultrapasse o limite suportado pela chave (KOO, 2006).
3.4 PROJETO DO SNUBBER
Em conversores flyback utilizando MOSFET como chave, nos instantes de deligamento do MOSFET surgem picos de tens ˜ao entre os terminais Drain e Source,
3.4 Projeto do Snubber 32
devido a resson ˆancia entre a indut ˆancia de dispers ˜ao LLk1 do indutor acoplado e a capacit ˆancia de sa´ıda Cossdo MOSFET (KOO, 2006).
A Figura 16, apresenta a forma de onda da tens ˜ao entre os terminais Drain e Source (VDS), do MOSFET. Destaca tamb ´em a resson ˆancias entre LLk1 e Coss, e a resson ˆancia entre LM e Coss, que surge na terceira etapa de funcionamento do flyback.
t VDS VBU S Vsn ton tof f Vo N1 N2
resson ˆancia entre LLk1e Coss
resson ˆancia entre LM e Coss
Figura 16: Tens ˜ao Drain-Source do MOSFET Fonte: Adaptado de Koo (2006).
Existem diferentes tipo de snubber, tais como: snubber RCD, snubber n ˜ao dissipativo LC e snubber regenerativo. O mais simples deles ´e o snubber RCD, mos-trado na Figura 17. A desvantagem do snubber RCD ´e que ele reduz o rendimento do conversor, por consumir pot ˆencia ativa (SCORTEGAGNA, 2015).
LLk1 Dsn Csn Rsn ... Coss ... ... ... N1 N2
Figura 17: Circuito snubber RCD Fonte: Adaptado de Koo (2006).
3.5 Projeto do circuito de acionamento do MOSFET 33
seja de 300 V e a ondulac¸ ˜ao de tens ˜ao no capacitor snubber Csn, ∆Vsn = 10 %. De acordo com Koo (2006), o resistor snubber Rsn e o capacitor snubber Csns ˜ao calculados respectivamente por:
Rsn= 2 · Vsn2 LLk1· i21pk· Vsn Vsn− Vo· N1 N2 · f s = 45, 193KΩ (29) Csn= V2 sn ∆Vsn· Vsn· Rsn· f s = 4, 425µF (30)
A pot ˆencia dissipada no snubber RCD ´e:
Psn= V2
sn Rsn
= 0, 403W (31)
3.5 PROJETO DO CIRCUITO DE ACIONAMENTO DO MOSFET
Para o acionamento do MOSFET em malha aberta, ´e utilizado o circuito integrado (CI), SG3524 da fabricante Texas Instruments. Esse CI ´e um gerador de PWM e pode ser alimentado com tens ˜ao entre 8 e 40 volts (INSTRUMENTS, 2015).
De acordo com o fabricante, a frequ ˆencia do PWM ´e determinada pela relac¸ ˜ao
f s = 1, 3
RT · CT (32)
Fixando o capacitor CT igual a 10 nF e isolando RT na Equac¸ ˜ao 32, encontra-se o valor do resistor RT igual `a:
RT = 1, 3
CT · f s = 2, 6KΩ (33)
O pino 16 (VREF) do SG3524, fornece uma tens ˜ao regulada de 5 V para corrente at ´e 50 mA, e dispensa a necessidade de outra fonte de alimentac¸ ˜ao externa de 5 V para tens ˜oes de refer ˆencia.
A tens ˜ao no pino 2 (+IN), determina a raz ˜ao c´ıclica do PWM de sa´ıda, e varia de 0 a 100 %, para tens ˜ao entre 1 e 3,5 V. Para ajustar a raz ˜ao c´ıclica nominal de 35 %, ´e utilizado um potenci ˆometro.
3.6 Modelagem do conversor 34
comutac¸ ˜ao, ´e utilizado um arranjo totem-pole, por ter baixa imped ˆancia de sa´ıda e capacidade de drenar e fornecer correntes relativamente grandes (KIRSTEN, 2011). A Figura 18 apresenta o circuito de acionamento do MOSFET em malha aberta.
Modulador Totem-pole 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 SG352 4 3 1 2 VR1 R1 R2 CT RT Q2 Q3 R4 R3 R5 D1 Q4 15V 15V PWM
Figura 18: Circuito de acionamento do MOSFET em malha aberta Fonte: Autoria pr ´opria.
Na Tabela 5 s ˜ao apresentados os valores dos componentes utilizados no circuito de acionamento do MOSFET em malha aberta da Figura 18.
Tabela 5: Valor dos componentes do circuito de aciona-mento do MOSFET
Componente Valor Componente Valor
VR1 10 KΩ R4 100 Ω RT 2,6 KΩ R5 15 Ω CT 10 nF Q1 BC337 R1 1,8 KΩ Q2 BC337 R2 100 Ω Q3 BC327 R3 1 KΩ D1 1N4148
Fonte: Autoria pr ´opria.
3.6 MODELAGEM DO CONVERSOR
Analisando a equac¸ ˜ao do ganho est ´atico do conversor ´e poss´ıvel observar que todos os par ˆametros do conversor podem ser considerados constantes, e conse-quentemente, para uma variac¸ ˜ao da tens ˜ao de entrada, a tens ˜ao de sa´ıda tamb ´em sofre variac¸ ˜ao de forma a manter o equil´ıbrio da equac¸ ˜ao (PADILHA, 2011).
Quando ´e desejado que algum par ˆametro de sa´ıda permanec¸a constante, seja tens ˜ao ou corrente, mesmo para variac¸ ˜ao na tens ˜ao de entrada do conversor, se faz necess ´ario a utilizac¸ ˜ao de um sistema de controle que atue sobre algum dos par ˆametros de forma a compensar as perturbac¸ ˜oes da tens ˜ao de entrada.
3.6 Modelagem do conversor 35
Para projetar um controlador para o driver, ´e necess ´aria uma func¸ ˜ao de transfer ˆencia que represente as caracter´ısticas din ˆamicas do conversor. Para que seja obtida essa func¸ ˜ao de transfer ˆencia ´e feita a modelagem do conversor (BARBI, 2015).
Para representar o flyback ´e utilizado o modelo CA de pequenos sinais, que ´e baseado na metodologia do modelo m ´edio de interruptor, a qual consiste em substi-tuir os interruptores controlados e n ˜ao controlados do circuito por fontes dependentes de tens ˜ao e corrente (ERICKSON; MAKSIMOVI ´C, 2001). A Figura 19 apresenta o conver-sor flyback com a rede de interruptores, sendo L1 a indut ˆancia pr ´opria do enrolamento prim ´ario e L2 a indut ˆancia pr ´opria do enrolamento secund ´ario.
Rede de interruptores VBU S S L1 Co Do L2 D i VJ RLED N1 N2 Vo − + v1 + − v2 − + i1 i2
Figura 19: Rede de interruptores do flyback Fonte: Adaptado de Luz (2013).
O segundo passo do m ´etodo consiste em calcular o valor m ´edio das formas de onda nos terminais de acesso 1 e 2 (ERICKSON; MAKSIMOVI ´C, 2001). Visto que a tens ˜ao m ´edia no indutor ´e igual a zero, as tens ˜oes m ´edias nos terminais 1 e 2 podem ser expressas respectivamente por:
hv1(t)iT s = hVBU S(t)iT s (34)
hv2(t)iT s = hVo(t)iT s (35) A corrente m ´edia no terminal 1 ´e calculada a partir de:
hi1(t)iT s =
ipk· d1(t)
2 (36)
Onde ipk ´e dado por:
ipk =
hv1(t)iT s· d1(t) · T s L1
3.6 Modelagem do conversor 36
Sendo d1(t)o valor da raz ˜ao c´ıclica. Substituindo a Equac¸ ˜ao 37 na Equac¸ ˜ao 36, ´e dada a corrente m ´edia no terminal de acesso 1:
hi1(t)iT s=
hv1(t)iT s· d21(t) · T s 2 · L1
(38) O valor m ´edio da corrente no terminal de acesso 2, ´e definida por:
hi2(t)iT s =
ipk· d2(t)
2 (39)
Onde a durac¸ ˜ao da etapa 2 d2(t), ´e dado pelo balanc¸o de tens ˜ao em L1, mostrado dado por:
d2(t) = d1(t) · hv1(t)iT s· N2 N1 hv2(t)iT s (40) Portanto hi2(t)iT s ´e dado por:
hi2(t)iT s = hv1(t)i2T s· d21(t) · T s · N2 N1 2 hv2(t)iT s· 2 · L2 (41) A corrente no terminal de acesso 1 ´e proporcional a tens ˜ao aplicada no terminal, ou seja, a entrada se comporta como uma resist ˆencia equivalente Re. J ´a o terminal de sa´ıda da rede de interruptores se comporta como uma fonte de pot ˆencia, equivalente a pot ˆencia que seria consumida por Re(ERICKSON; MAKSIMOVI ´C, 2001). A Figura 20 mostra o circuito do modelo m ´edio do conversor flyback.
hP (t)i hVBU S(t)i Re(d) L1 Co L2 D i VJ RLED N1 N2 hVo(t)i − + hv1(t)i + − hv2(t)i − + hi1(t)i hi2(t)i
Figura 20: Modelo m ´edio do conversor flyback Fonte: Adaptado de Luz (2013).
O valor de Re e da pot ˆencia de sa´ıda da rede de interruptores s ˜ao dados respectivamente pelas relac¸ ˜oes:
3.6 Modelagem do conversor 37 Re(d1) = hv1(t)iT s hi1(t)iT s = 2 · L1 d2 1(t) · T s (42)
hP (t)iT s = hv2(t)iT s· hi2(t)iT s =
hVBU Si2T s Re(d1)
(43) Para obter o modelo CA de pequenos sinais ´e necess ´ario que o modelo m ´edio seja perturbado e linearizado, visto que o modelo m ´edio obtido ´e valido para grandes sinais, por ´em o modelo n ˜ao ´e linear. S ˜ao aplicadas as seguintes perturbac¸ ˜oes nos sinais do modelo m ´edio:
hv1(t)iT s= V1+ ˆv1(t) hi1(t)iT s = I1+ ˆi1(t) hv2(t)iT s= V2+ ˆv2(t) hi2(t)iT s = I2+ ˆi2(t) d(t) = D + ˆd(t) (44)
Considerando a corrente de entrada como uma func¸ ˜ao da tens ˜ao de en-trada, tens ˜ao de sa´ıda e raz ˜ao c´ıclica, conforme:
hi1(t)iT s =
hv1(t)iT s Re(d1)
= f1(hv1(t)iT s, hv2(t)iT s, d(t)) (45) Tomando a s ´erie de Taylor da Equac¸ ˜ao 45 em torno de um ponto de operac¸ ˜ao (V1, V2, D), e desconsiderando os termos de ordem superior obt ´em-se:
I1+ ˆi1(t) = f1(V1, V2, D) + ˆv1(t) · ∂f1(V1, V2, D) ∂v1 v1=V1 + ˆ v2(t) · ∂f1(V1, V2, D) ∂v2 v 2=V2 + ˆd(t) · ∂f1(V1, V2, D) ∂d d=D (46)
Da Equac¸ ˜ao 46, extrai-se o termo CC e o termo CA de pequenos sinais, dados respectivamente por:
I1 = f1(V1, V2, D) = V1 Re(D) (47) ˆi1(t) = ˆv1(t) · 1 r1 + ˆv2(t) · g1+ ˆd(t) · j1 (48)
3.6 Modelagem do conversor 38
Onde, g1, 1/r1 e j1 s ˜ao representados respectivamente pelas relac¸ ˜oes:
g1 = ∂f1(V1, V2, D) ∂v2 v2=V2 = 0 (49) 1 r1 = ∂f1(V1, V2, D) ∂v1 v 1=V1 = 1 Re(D) (50) j1 = ∂f1(V1, V2, D) ∂d d=D = V1· D · T s L1 (51) Utilizando a mesma l ´ogica aplicada para corrente de entrada, agora para a corrente de sa´ıda. Pode-se considerar a corrente de sa´ıda como uma func¸ ˜ao da tens ˜ao de entrada, tens ˜ao de sa´ıda e raz ˜ao c´ıclica, de acordo com:
hi2(t)iT s =
hv1(t)i2T s hv2(t)i · Re(d1)
= f2(hv1(t)iT s, hv2(t)iT s, d(t)) (52) Tomando a s ´erie de Taylor da Equac¸ ˜ao 52 em torno de um ponto de operac¸ ˜ao (V1, V2, D), e desconsiderando os termos de ordem superior obt ´em-se:
I2+ ˆi2(t) = f2(V1, V2, D) + ˆv1(t) · ∂f2(V1, V2, D) ∂v1 v 1=V1 + ˆ v2(t) · ∂f2(V1, V2, D) ∂v2 v2=V2 + ˆd(t) · ∂f2(V1, V2, D) ∂d d=D (53)
Da Equac¸ ˜ao 53, extrai-se o termo CC e o termo CA de pequenos sinais, dados respectivamente por:
I2 = f2(V1, V2, D) = V2 1 V2· Re(D) (54) ˆi2(t) = ˆv1(t) · g2+ ˆv2(t) · 1 r2 + ˆd(t) · j2 (55)
Onde, g2, 1/r2 e j2 s ˜ao representados respectivamente pelas relac¸ ˜oes:
g2 = ∂f1(V1, V2, D) ∂v2 v2=V2 = 2 · V1 V2 · Re(D) (56) 1 r2 = ∂f1(V1, V2, D) ∂v1 v1=V1 = − V 2 1 V2 2 · Re(D) (57)
3.6 Modelagem do conversor 39 j2 = ∂f1(V1, V2, D) ∂d d=D = V 2 1 · D · T s V2· L1 (58)
A partir das equac¸ ˜oes obtidas pode-se obter um circuito equivalente de pequenos sinais do conversor flyback, o que torna poss´ıvel a aplicac¸ ˜ao de t ´ecnicas de an ´alise de circuitos para determinar as func¸ ˜oes de transfer ˆencia do sistema. A Figura 21 apresenta o modelo de pequenos sinais do conversor flyback.
VBU S L1 r1 + − v1 j1dˆ g1vˆ2 Di VJ RLED L2 r2 j2dˆ g2vˆ1 Co N1 N2 v2 − + Vo − + i1 iCo iLED i2
Figura 21: Modelo de pequenos sinais do conversor flyback Fonte: Autoria pr ´opria.
O circuito do modelo de pequenos sinais do conversor flyback possui dois elementos reativos (indutor acoplado e capacitor de sa´ıda), e as func¸ ˜oes de trans-fer ˆencia obtida a partir desse circuito possuem dois polos. Por ´em, o conversor nesse trabalho opera em DCM, o que faz com que a din ˆamica relacionada ao indutor es-teja em elevada frequ ˆencia, pr ´oximo da frequ ˆencia de chaveamento. Dessa forma, a din ˆamica do indutor acoplado pode ser desprezada e as func¸ ˜oes de transfer ˆencia do modelo simplificado de pequenos sinais apresentam apenas um polo (ERICKSON; MAKSIMOVI ´C, 2001).
Outra simplificac¸ ˜ao, para obtenc¸ ˜ao das func¸ ˜oes de transfer ˆencia, ´e que a tens ˜ao de joelho do LED ´e fixa, e n ˜ao sofre perturbac¸ ˜oes. Dessa forma, a fonte de tens ˜ao VJ pode ser desprezada no modelo simplificado de pequenos sinais (BENDER, 2012).
O modelo simplificado de pequenos sinais do conversor flyback ´e apresen-tado na Figura 22.
Para encontrar a func¸ ˜ao de transfer ˆencia que relacione o comportamento da corrente de sa´ıda com a variac¸ ˜ao da raz ˜ao c´ıclica. Pode-se observar na Figura 22 que a perturbac¸ ˜ao na corrente de sa´ıda do circuito ´e igual a soma da perturbac¸ ˜ao na corrente do capacitor de sa´ıda com a perturbac¸ ˜ao na corrente dos LEDs.
3.6 Modelagem do conversor 40 VBU S r1 + − v1 j1dˆ g1vˆ2 Di RLED r2 j2dˆ g2vˆ1 Co v2 − + Vo − + i1 iCo iLED i2
Figura 22: Modelo simplificado de pequenos sinais do conversor flyback Fonte: Autoria pr ´opria.
ˆi2(t) = ˆic(t) + ˆiLED(t) (59) Que pode ser expandida, obtendo-se:
ˆ v1(t) · g2+ ˆv2(t) · 1 r2 + ˆd(t) · j2 = Co· dˆv2(t) dt + Vo RLED (60) Aplicando transformada de Laplace na Equac¸ ˜ao 60, considerando que n ˜ao existe perturbac¸ ˜ao na tens ˜ao de barramento obt ´em-se:
ˆ vo(s) · 1 r2 + ˆd(s) · j2 = s · Co· ˆvo(s) + ˆ vo(s) RLED (61) Isolando a relac¸ ˜ao entre as vari ´aveis de interesse, obt ´em-se a func¸ ˜ao de transfer ˆencia que relaciona a perturbac¸ ˜ao da tens ˜ao sobre os LEDs com a raz ˜ao c´ıclica (GVoD(s)), dada por:
GVo D(s) = ˆ vo(s) ˆ d(s) = V2 1 V2· Co· L1· f s s + 1 RLED· Co + V 2 1 · D2 2 · V2 2 · Co· L1· f s (62)
A func¸ ˜ao de transfer ˆencia que relaciona a corrente nos LEDs com a raz ˜ao c´ıclica (GiLED D(s)), ´e obtida pela divis ˜ao da Equac¸ ˜ao 62 pela resist ˆencia RLED,
con-forme mostrado pela relac¸ ˜ao:
GiLED D(s) = ˆiLED(s) ˆ d(s) = V12 V2· Co· L1· f s · RLED s + 1 RLED· Co + V 2 1 · D2 2 · V2 2 · Co· L1· f s (63)
3.6 Modelagem do conversor 41
Para validar a func¸ ˜ao de transfer ˆencia obtida na Equac¸ ˜ao 63 ´e feita a simulac¸ ˜ao do circuito do conversor flyback, juntamente com a func¸ ˜ao de transfer ˆencia GiLED D(s). A Figura 23 apresenta o circuito utilizado para simulac¸ ˜ao no software
PSIM .R
Figura 23: Simulac¸ ˜ao flyback e func¸ ˜ao de transfer ˆencia Fonte: Autoria pr ´opria.
Na Figura 24 ´e apresentado o resultado da simulac¸ ˜ao para a corrente de sa´ıda. Nessa simulac¸ ˜ao o sistema ´e perturbado em 5 % na raz ˜ao c´ıclica, no tempo de 2,5 ms. 0.002 0.003 0.004 Time (s) 0.5 0.55 0.6 0.65 0.7 I(LED) i_LED_mod
Figura 24: Corrente na carga simulado para perturbac¸ ˜ao de +5 % na raz ˜ao c´ıclica
Fonte: Autoria pr ´opria.
A Figura 25 apresenta a comparac¸ ˜ao do modelo de pequenos sinais com a simulac¸ ˜ao do conversor considerando uma perturbac¸ ˜ao de -5 % na raz ˜ao c´ıclica no tempo de 2,5 ms.
3.7 Projeto do controlador 42 0.002 0.003 0.004 Time (s) 0.5 0.55 0.6 0.65 0.7 I(LED) i_LED_mod
Figura 25: Corrente na carga simulado para perturbac¸ ˜ao de -5 % na raz ˜ao c´ıclica
Fonte:Autoria pr ´opria.
Com base nos resultados obtidos na Figura 24 e Figura 25, ´e poss´ıvel ob-servar que a corrente de sa´ıda do modelo obtido est ´a em concord ˆancia com a resposta do circuito simulado, tanto para perturbac¸ ˜ao positiva como negativa, o que torna v ´alida a utilizac¸ ˜ao do modelo.
3.7 PROJETO DO CONTROLADOR
Substituindo os valores das vari ´aveis da Equac¸ ˜ao 63, obt ´em-se a func¸ ˜ao de transfer ˆencia representada por:
GiLED D(s) =
20920
s + 7353 (64)
Para garantir erro nulo em regime permanente para corrente nos LEDs pode-se utilizar um controlador do tipo Proporcional Integral (PI). A simplicidade do circuito para implementac¸ ˜ao de forma anal ´ogica tamb ´em colaborou para a escolha dessa topologia. A Figura 26 apresenta a topologia do PI.
− + R7 C2 R6 e u Figura 26: Controlador PI Fonte: Adaptado de Nise (2012).
3.7 Projeto do controlador 43
A func¸ ˜ao de transfer ˆencia do PI ´e:
C(s) = KP I ·
(s + ZP I)
s (65)
Onde KP I representa o ganho, e ZP I representa a frequ ˆencia do zero do controlador PI.
O controle deve atuar de forma a compensar as ondulac¸ ˜oes de baixa frequ ˆencia da tens ˜ao do barramento CC (120 Hz).
Para determinar os valores de KP I e ZP I, utilizou-se a ferramenta SISOtool, do software MatLab . ´E especificado um controlador do tipo PI para a func¸˜ao deR transfer ˆencia da Equac¸ ˜ao 64 e a frequ ˆencia do zero do PI ´e ajustada uma d ´ecada acima da ondulac¸ ˜ao de baixa frequ ˆencia da tens ˜ao do barramento CC, a func¸ ˜ao de transfer ˆencia resultante ´e:
C(s) = 0, 55007 · s + 7539
s (66)
O circuito de realimentac¸ ˜ao utilizado ´e apresentado na Figura 27. A medic¸ ˜ao de corrente nos LEDs ´e realizada atrav ´es de um resistor RS ligado em s ´erie com os LEDs. No subtrator 1 ´e obtido a diferenc¸a de tens ˜ao sobre RS, no subtrator 2 ´e calculado o erro (e), seguido do controlador PI. Devido a tens ˜ao de entrada do SG3524 ser limitada em 5 V, para limitar a ac¸ ˜ao de controle (u) dentro dessa faixa de tens ˜ao, utilizou-se um divisor resistivo (R8 e R9). Os componentes utilizados no circuito da Figura 27 s ˜ao apresentados na Tabela 6.
Tabela 6: Valor dos componentes do circuito de realimentac¸ ˜ao
Componente Valor Componente Valor
R1 1,8 KΩ RS 1,7 Ω R2 = R4 100 Ω RT 2,6 KΩ R3 1 KΩ CT 10 nF R5 15 Ω C2 100 nF R6 2,2 KΩ D1 1N4148 R7 1,3 KΩ Q1 = Q2 BC337 R8 = R10 = R11 = R12 = R13 100 KΩ Q3 BC327 R9 33 KΩ VREF 1,02 V R14 = R15 = R16 = R17 10 KΩ
3.8 Projeto do Snubber do Diodo de Sa´ıda 44 Modulador Totem-pole 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 SG352 4
Subtrator 1 Subtrator 2 Controlador PI
R1 R2 CT RT Q2 Q3 R4 R3 R5 D1 Q4 R17 R15 R14 R16 R13 R12 R10 R11 R6 R7 C2 RS 15V 15V PWM PI R9 R8 V_REF PI
Figura 27: Circuito de realimentac¸ ˜ao Fonte: Autoria pr ´opria.
3.8 PROJETO DO SNUBBER DO DIODO DE SA´IDA
De forma semelhante ao que acontece no MOSFET, a indut ˆancia de dis-pers ˜ao no secund ´ario do indutor acoplado causa picos de tens ˜ao no diodo de sa´ıda nos instantes de comutac¸ ˜ao do MOSFET. Isso ´e causado pela resson ˆancia entre a
LLk2 ... ... ... Do ... CD Rsn2 Csn2 N1 N2
Figura 28: Circuito snubber RC Fonte: Adaptado de Fairchild (2012).
3.8 Projeto do Snubber do Diodo de Sa´ıda 45
capacit ˆancia parasita do diodo (CD) e a indut ˆancia de dispers ˜ao do secund ´ario (LLk2). Para reduzir essas oscilac¸ ˜oes pode-se utilizar um snubber RC, como o da Figura 28 (FAIRCHILD, 2012)
De acordo com Fairchild (2012) o capacitor do snubber do diodo (Csn2) deve ter um valor de duas a tr ˆes vezes maior que o capacitor parasita do diodo (CD). Para esse trabalho ´e utilizado o diodo r ´apido PR1501, que tem capacit ˆancia parasita CD = 25pF (DIODES, 2003). Portanto Csn2 e o resistor do snubber do diodo (Rsn2) s ˜ao dados respectivamente por:
Csn2 = 3 · CD = 75pF (67)
Rsn2 =
r LLk2 CD
= 82Ω (68)
A indut ˆancia de dispers ˜ao do secund ´ario (LLk2) ´e obtida por meio de medic¸ ˜ao e vale 0, 5µH.
46
4 AN ´ALISE DOS RESULTADOS
O presente Cap´ıtulo apresenta os principais resultados do driver projetado no Cap´ıtulo 3. Inicialmente ser ˜ao apresentados os resultados de simulac¸ ˜ao no soft-ware PSIM e posteriormente os resultados experimentais obtidos ser˜ao mostrados.R Para os dois casos s ˜ao apresentados resultados em malha aberta e malha fechada do driver. A Figura 29 apresenta um resumo do circuito de pot ˆencia do driver.
Dsn Csn Rsn CBU S LM D4 D1 D2 D3 VCA S Do RS Co LEDs ... Rsn2 Csn2 N1 N2
Figura 29: Circuito de pot ˆencia Fonte: Autoria pr ´opria.
Como nem todos os componentes calculados no Capitulo 3 s ˜ao valores de componentes comerciais, para esses componentes s ˜ao utilizados valores pr ´oximos e os mesmo valores s ˜ao utilizados na simulac¸ ˜ao para uma melhor comparac¸ ˜ao com a realidade. A Tabela 7 apresenta os semicondutores utilizados e um resumo dos componentes projetados juntamente com o valor utilizado no circuito de pot ˆencia.
Tabela 7: Valor dos componentes do circuito de pot ˆencia
Componente Valor Componente Valor
Projeto Utilizado D1 1N4007 CBU S 46, 25µF 2 × 22µF D2 1N4007 Rsn 45, 19KΩ 47KΩ D3 1N4007 Csn 4, 43nF 4, 7nF D4 1N4007 LM 1, 882mH 1, 872mH Dsn PR1505 N1 109 109 Dsn2 PR1505 N2 24 24 S IRF740 Rsn2 82Ω 82Ω RS 1, 7Ω Csn2 75pF 82pF LEDs 7 LEDs Co 25, 02µF 22µF
4.1 Resultados de simulac¸ ˜ao 47
4.1 RESULTADOS DE SIMULAC¸ ˜AO
Para simulac¸ ˜ao do circuito em malha aberta montou-se o circuito no PSIM conforme a Figura 30. S˜ao considerados para essa simulac¸˜ao as dispers˜oesR do indutor acoplado, a resist ˆencia dos enrolamentos, a capacit ˆancia do MOSFET e a capacit ˆancia do diodo.
Figura 30: Circuito utilizado na simulac¸ ˜ao em malha aberta Fonte: Autoria pr ´opria.
Na Figura 31 s ˜ao apresentado os par ˆametros de sa´ıda do driver. O valor m ´edio da corrente de sa´ıda ´e igual a 598 mA e a ondulac¸ ˜ao igual a 38 ma. A tens ˜ao m ´edia ´e igual a 26,12 V e a pot ˆencia igual a 15,64W. Nota-se uma tens ˜ao de sa´ıda acima da especificada no projeto (25,12 V) e consequentemente a pot ˆencia temb ´em
´e maior, devido a n ˜ao ter considerado o resistor RS na fase do projeto.
17 17.02 17.04 17.06 17.08 17.1 0.58 0.6 0.62 Io [A] 17 17.02 17.04 17.06 17.08 17.1 26 26.2 26.4 Vo [V] 17 17.02 17.04 17.06 17.08 17.1 15 15.5 16 Po [W] Tempo [ms]
Figura 31: Simulac¸ ˜ao em malha aberta. Corrente, tens ˜ao e pot ˆencia de sa´ıda em alta frequ ˆencia
Fonte: Autoria pr ´opria.
4.1 Resultados de simulac¸ ˜ao 48
oscilac¸ ˜oes da baixa frequ ˆencia da rede se refletem na sa´ıda do driver. A Figura 32 apresenta os par ˆametros de corrente, tens ˜ao e pot ˆencia em baixa frequ ˆencia. Em valores m ´edios a corrente ´e igual a 611 mA, a tens ˜ao igual a 26,2 V e a pot ˆencia igual a 16 W. 20 25 30 35 40 45 50 0.5 0.6 0.7 Io [A] 20 25 30 35 40 45 50 25 26 27 Vo [V] 20 25 30 35 40 45 50 15 20 Po [W] Tempo [ms]
Figura 32: Simulac¸ ˜ao em malha aberta. Corrente, tens ˜ao e pot ˆencia de sa´ıda em baixa frequ ˆencia
Fonte: Autoria pr ´opria.
Na Figura 33 s ˜ao apresentadas as correntes nos enrolamentos do indutor. A corrente no prim ´ario (I1) tem valor m ´edio igual a 124 mA, com pico de 647 mA. A m ´edia da corrente no secund ´ario (I2) ´e igual a 595 mA, com pico de 2,53 A.
17 17.02 17.04 17.06 17.08 17.1 −0.5 0 0.5 1 1.5 2 2.5 3 Corrente [A] Tempo [ms] I1 I2
Figura 33: Simulac¸ ˜ao em malha aberta. Corrente nos enrolamentos prim ´ario e secund ´ario
Fonte: Autoria pr ´opria.
Os esforc¸os de tens ˜ao no MOSFET (S) e no diodo (Do) s ˜ao apresentados na Figura 34. A tens ˜ao de pico entre os pinos Drain e Source de S ´e igual a 303 V,
4.1 Resultados de simulac¸ ˜ao 49
valor abaixo dos 400 V suportado por esse componente. No diodo a tens ˜ao de pico ´e igual a 62 V, valor bem abaixo dos 400 V que o componente suporta.
17 17.01 17.02 17.03 17.04 17.05 0 100 200 300 Vs [V] 17 17.01 17.02 17.03 17.04 17.05 0 20 40 60 VDo [V] Tempo [ms]
Figura 34: Simulac¸ ˜ao em malha aberta. Esforc¸os de tens ˜ao no MOSFET e no Diodo
Fonte: Autoria pr ´opria.
Os par ˆametros de entrada da simulac¸ ˜ao em malha aberta s ˜ao apresenta-dos na Figura 35. A tens ˜ao da rede ´e igual a 127 V, e a corrente m ´edia igual a 4,4 µA com pico de 1,96 A. A pot ˆencia de entrada para este caso ´e igual a 20 W, resultando em um rendimento igual a 80 %, abaixo do estipulado no projeto que era 90 %. Esse decr ´escimo no rendimento em relac¸ ˜ao ao valor estimado ´e devido aos circuitos adici-onais de snubber, os quais dissipam parte da pot ˆencia de entrada, reduzindo portanto o rendimento do driver. 20 25 30 35 40 45 50 −200 0 200 Vi [V] 20 25 30 35 40 45 50 −2 0 2 Ii [V] 20 25 30 35 40 45 50 0 100 200 300 Pi [W] Tempo [ms]
Figura 35: Simulac¸ ˜ao em malha aberta. Tens ˜ao, corrente e pot ˆencia de entrada do driver