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TÍTULO: AVALIAÇÃO DE SUBSTRATOS COMERCIAIS E MISTURAS COM CINZAS E VERMICOMPOSTO PARA A PRODUÇÃO DE MUDAS DE TOMATE CEREJA
TÍTULO:
CATEGORIA: CONCLUÍDO CATEGORIA:
ÁREA: CIÊNCIAS EXATAS E DA TERRA ÁREA:
SUBÁREA: CIÊNCIAS AGRÁRIAS SUBÁREA:
INSTITUIÇÃO: UNIVERSIDADE DE MARÍLIA INSTITUIÇÃO:
AUTOR(ES): VANESSA MAPELLI MENEGAÇO, INGID LUSVARDI MAGALHÂES, THAYNÁ LIMA CARVALHO
AUTOR(ES):
ORIENTADOR(ES): RONAN GUALBERTO ORIENTADOR(ES):
COLABORADOR(ES): UNIVERSIDADE DE MARÍLIA COLABORADOR(ES):
1. RESUMO
O aumento do custo dos fertilizantes minerais e a crescente poluição ambiental fazem do uso de resíduos orgânicos na agricultura uma opção atrativa do ponto de vista econômico, em razão da ciclagem de C e nutrientes. Com o objetivo de avaliar o efeito da adição de cinza de madeira e vermicomposto ao substrato comercial Carolina Soil® e fibra de coco no desenvolvimento de mudas de tomate cereja foi conduzido o experimento em condições de ambiente protegido, na Universidade de Marília, no período de setembro a outubro de 2015. O delineamento experimental utilizado foi o inteiramente casualizado, com quatro repetições. Os tratamentos utilizados foram: T1 - Carolina Soil® (100%); T2 – Fibra de Coco (100%); T3 – Carolina Soil® (50%) + Fibra de Coco (50%); T4 – Carolina Soil® (50%) + Fibra de Coco (25%) + Vermicomposto (25%); T5 – Fibra de Coco (50%) + Carolina Soil® (25%) + Vermicomposto (25%); T6 - Carolina Soil® (75%) +Cinzas (25%); T7 - Fibra de coco (75%) + Cinzas (25%) e T8 - Carolina Soil® (25%) + Fibra de coco (25%) + Vermicomposto (25%) + Cinzas (25%). O substrato comercial Carolina Soil® se mostrou superior ao substrato fibra de coco no desenvolvimento das mudas de tomate cereja. O vermicomposto na dosagem utilizada mostrou ser uma excelente alternativa para se misturar tanto com Carolina Soil® quanto com a fibra de coco. Já as cinzas de madeira nas dosagens testadas, não apresentaram benefícios na produção de mudas de tomate cereja.
2. INTRODUÇÃO
O tomateiro (Solanum lycopersicum L.) é uma das hortaliças mais importantes no mundo e no Brasil é uma das principais hortaliças consumidas, quer seja na forma fresca quanto na forma processada. Tem destaque especial, tanto do ponto de vista econômico quanto social, pelo volume de produção e geração de empregos (BARROS et al., 2014).
O avanço da tecnologia de melhoramento genético e o aprimoramento do cultivo em ambientes protegidos, incluindo a utilização de substratos, favoreceu a expansão do tomate tipo cereja (Solanum lycopersicum var. cerasiforme), pois este passou por uma série de modificações em seus híbridos, para adaptá-los às condições climáticas desejáveis (ROCHA et al., 2009). De acordo com Ambrosano et
al. (2014) o tomate cereja é uma espécie muito adaptada ao sistema agroecológico de cultivo apresentando boas produtividades e poucos problemas com pragas e doenças, além de ser muito saboroso e cada vez mais presente nos mercados.
No Brasil, a produção de mudas utiliza um expressivo volume de substratos, insumo indispensável também em diferentes segmentos da horticultura. Grande parte dos substratos é produzida utilizando a turfa como componente principal, mas são crescentes os esforços visando à substituição deste material, devido a questões de proteção ambiental (FREITAS et al., 2013).
Atualmente, os substratos orgânicos estão sendo bastante utilizados pelos viveiristas, não só por atenderem as necessidades dos vegetais como também por serem de baixo custo e, sobretudo por não serem poluentes e assim contribuir para a preservação do meio ambiente. Os substratos orgânicos usados na produção de mudas são formados por materiais orgânicos que contribuem na retenção de umidade, fornecimento de parte dos nutrientes, aumento da difusão de oxigênio para as raízes, capacidade de troca de cátions (CTC) e regulação do pH, e sustentação física necessária para assegurar o desenvolvimento da planta com qualidade (CAMARGO et al., 2011).
Para tanto, a pesquisa de materiais alternativos para a formulação de misturas que sirvam como substrato ou meio de crescimento vegetal tem se tornado preocupação crescente, visando a reduzir a participação de insumos industrializados, assim trazendo benefícios econômicos e ecológicos capazes de fomentar sistemas agrícolas sustentáveis (OLIVEIRA, 2011). Dentre os possíveis componentes para formação de um substrato, o vermicomposto é uma alternativa viável. Segundo Antoniolli et al.(1995) vermicomposto é o nome que se dá a ação das minhocas em um composto orgânico, transformando-o em húmus, o qual é um composto enriquecido com esterco das minhocas, contendo microorganismos humificantes alcalinos e bactérias.
Conforme Gonçalves & Poggiani (1996), o vermicomposto usado como substrato apresenta várias vantagens tais como: boa consistência dentro dos recipientes, média a alta porosidade e drenagem, alta capacidade de retenção de água e nutrientes, elevada fertilidade e boa formação do sistema radicial. Ainda segundo Compagnoni & Putzolu (1985), o vermicomposto é um autêntico fertilizante biológico que atua como um corretor do solo, melhorando o equilíbrio biológico do húmus estável.
Uma outra alternativa é a cinza de madeira que pode proporcionar a obtenção de mudas de qualidade e, ainda, resolver problemas da indústria quanto à alocação deste resíduo (PRADO et al., 2003; PIVA, 2011). Silva et al. (2010) avaliaram diversos substratos na produção mudas de pepino orgânicas, constataram que quando adicionaram cinzas de madeira ao substrato favoreceu o desenvolvimento vegetativo das mudas. Resultados satisfatórios utilizando cinza no substrato para produção de mudas também foram encontrados por Darolt et al. (1993) e Silva et al. (2009b), quando avaliaram o desenvolvimento de mudas de alface. Porém, não se tem relatos da utilização deste adubo orgânico na produção de mudas de couve-flor.
3. OBJETIVO
Avaliar o desenvolvimento de mudas de tomate cereja produzidas com a adição de cinza vegetal e vermicomposto no substrato comercial Carolina Soil® e Fibra de Coco.
4. METODOLOGIA E DESENVOLVIMENTO
O experimento foi conduzido em condições de ambiente protegido, na Fazenda Experimental Marcelo Mesquita Serva, da Universidade de Marília, situada no município de Marília - SP, geograficamente localizado em latitude 22º 12' 50'' S e longitude 49º 56' 45'' W, a uma altitude de, aproximadamente, 610 m, em relação ao nível do mar, no período de setembro a outubro de 2015.
O delineamento experimental utilizado foi o inteiramente casualizado com quatro repetições. Os tratamentos utilizados foram: T1 - Carolina Soil® (100%); T2 – Fibra de Coco (100%); T3 – Carolina Soil® (50%) + Fibra de Coco (50%); T4 – Carolina Soil® (50%) + Fibra de Coco (25%) + Vermicomposto (25%); T5 – Fibra de Coco (50%) + Carolina Soil® (25%) + Vermicomposto (25%); T6 - Carolina Soil® (75%) + Cinzas (25%); T7 - Fibra de coco (75%) + Cinzas (25%) e T8 - Carolina Soil® (25%) + Fibra de coco (25%) + Vermicomposto (25%) + Cinzas (25%).
Todas as misturas dos substratos foram realizadas com base no volume. A semeadura de tomate cereja cultivar Carolina foi realizada em 20/09/2016 em bandejas de poliestireno expandido, com duzentas células, sendo irrigadas
manualmente com regadores, duas vezes ao dia com solução nutritiva, recomendada por Basso & Bernardes (1993).
Trinta dias após a semeadura foram coletadas quatro plantas por parcela e avaliadas as características: altura de planta e massa fresca e seca da parte aérea planta
-1.
Os dados obtidos foram submetidos à análise de variância, através do programa computacional SISVAR, utilizando-se o teste de Scott-Knott (1974) a 5% de probabilidade para comparação das médias.
5. RESULTADOS
Diferenças significativas entre substratos foram observadas para as características avaliadas. Na altura de plantas (AP) se destacaram os substratos Carolina Soil® (CS100%) e a mistura FC(50%) + CS(25%) + Verm(25%), que proporcionaram alturas de plantas de 20,7 cm e 20,57 cm, respectivamente (Tabela 1). Esses dois tratamentos também proporcionaram maiores pesos de plantas, tanto da MFPA quanto da MSPA, porém não diferiram significativamente das misturas CS(50%) + FC(50%); CS(50%) + FC(25%) + Verm(25%) e CS(75%) + Cin(25%).
Observa-se que de maneira geral a fibra de coco só apresentou resultados favoráveis na produção de mudas de tomate cereja quando em mistura com outros substratos ao passo que o substrato Carolina Soil® se destacou quando utilizado puro ou em mistura com os demais substratos, à exceção quando em mistura com todos os substratos testados. A cinza de madeira, em função da quantidade utilizada (25%), provavelmente tenha interferido negativamente nas misturas à exceção quando adicionada com a fibra de coco e o vermicomposto. Alguns autores têm relatado que doses elevadas de cinzas causam prejuízos ao desenvolvimento das mudas.
Gentil et al. (2015) quando testaram cinza de olaria em substrato para mudas de alface observaram que quando utilizaram doses mais altas de cinzas as mudas não se desenvolveram adequadamente. Segundo esses autores, em função do teor de sódio nas cinzas.
Tabela 1: Valores médios obtidos da altura de planta (AP), massa fresca da parte aérea
planta-1 (MFPA) e massa seca da parte aérea planta-1 (MSPA) de mudas de tomate cereja em diferentes substratos. UNIMAR, Marília, 2015.
Substratos AP (cm) MFPA (g) MSPA (g)
CS(100%) FC(100%) CS(50%) + FC(50%); CS(50%) + FC(25%) + Verm(25%) FC(50%) + CS(25%) + Verm(25%) CS(75%) + Cin(25%) FC(75%) + Cin(25%) CS(25%) + FC(25%) + Verm(25%) + Cin(25%) 20,77 a 14,60 c 16,92 b 18,30 b 20,57 a 15,95 b 11,20 d 9,75 d 3,98 a 2,31 b 3,45 a 3,38 a 3,49 a 3,10 a 1,69 c 1,32 c 0,2900 a 0,1800 b 0,2725 a 0,2575 a 0,2525 a 0,2825 a 0,1400 b 0,1600 b CV (%) 8,73 13,78 22,99
* Médias seguidas pela mesma letra minúscula na coluna não diferem entre si pelo teste de Scott-Knott ao nível de 5% de probabilidade.
** Carolina Soil® : CS; Fibra de Coco : FC; Cinzas: Cin e Vermicomposto: Verm
De acordo com Gomes (1968) o uso indiscriminado de cinza pode causar problemas, principalmente com a aplicação de doses excessivas e, segundo Raposo (1963) levando em conta a importância do equilíbrio catiônico para as plantas o desbalanceamento provocado por doses inadequadas de cinza pode vir a ser prejudicial às culturas. Ainda de acordo com Ignatieff & Page (1959), doses elevadas de cinza podem prejudicar as raízes das plantas, causando-lhes até morte, cm razão da alta alcalinidade.
Resultados positivos do uso do vermicomposto em substratos na produção de mudas também foram encontrados por Silva et al. (2010) que avaliando a produção de mudas de pimentão em diferentes substratos obtiveram maiores médias nas variáveis número de folhas definitivas, produção de matéria fresca e seca em substratos cuja a composição estava presente o húmus de minhoca. Outros trabalhos onde se utilizaram o vermicomposto adicionado a diferentes substratos na produção de mudas de olerícolas que também apresentaram resultados favoráveis foram feitos por Bicca et al. (2011), Duarte et al. (1993), Ensinas et al. (2011), Oliveira e Panno, 2011e SILVA et al., 2009a.
6. CONSIDERAÇÕES FINAIS
O substrato comercial Carolina Soil® se mostrou superior ao substrato fibra de coco no desenvolvimento das mudas de tomate cereja.
O vermicomposto na dosagem utilizada mostrou ser uma excelente alternativa para se misturar tanto com Carolina Soil® quanto com a fibra de coco.
As cinzas de madeira nas dosagens testadas não apresentaram benefícios na produção de mudas de tomate cereja.
7. FONTES CONSULTADAS
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