Manual da Formação
Técnico Superior de Higiene e Segurança no TrabalhoManual da
Formação
Técnico Superior de
Segurança e Higiene no
Manual da Formação
Técnico Superior de Higiene e Segurança no Trabalhoamb.085.00 2
Objectivos
Pretende-se que, no final da acção de formação, os formandos sejam
capazes de:
Processos de identificação e avaliação dos riscos de operação existentes nas áreas de trabalho;
Medidas técnicas de controlo dos riscos de operação;
Processos de avaliação e controlo de determinado tipo de riscos específicos.
Condições de utilização
Este manual foi concebido no âmbito da acção de formação em TÉCNICO
SUPERIOR DE SEGURANÇA E HIGIENE NO TRABALHO Acção 1/2009para
Bacharéis e Licenciados com idades compreendidas entre os 29 e 61 anos.
Modalidades de desenvolvimento
Aprendizagem/AperfeiçoamentoManual da Formação
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Conteúdo
1.
Avaliação e Controlo de Riscos Associados ... 8
1.1. Circulação, Riscos Horizontais e Verticais ... 8
1.1.1. Introdução ... 8 1.1.2. Riscos de circulação ... 8 1.1.3. Riscos horizontais ... 9 1.1.3.1. Andaimes ... 9 1.1.4. Riscos verticais ... 10 1.1.4.1. Escadas de mão ... 10
1.1.4.2. Equipamentos de elevação de cargas ... 10
1.1.5. Legislação aplicável ... 11
1.1.6. Normalização aplicável ... 11
1.2. Movimentação manual de cargas ... 12
1.2.1. Introdução ... 12
1.2.2. Medidas de prevenção ... 13
1.2.3. Avaliação de referencia do risco ... 14
1.2.3.1. Cargas máximas permitidas ... 14
1.2.3.2. Características da carga ... 15
1.2.3.3. Esforço excessivo ... 16
1.2.3.4. Medidas adequadas ... 16
1.2.4. Mecânica corporal ... 17
1.2.4.1. Princípios básicos ... 17
1.3. Equipamentos dotados de visor ... 20
1.3.1. Introdução ... 20
1.3.2. Efeitos no organismo ... 20
1.3.3. Medidas de prevenção ... 20
1.3.3.1. Medidas gerais de prevenção ... 20
1.3.3.2. Vigilância de saúde ... 22
1.3.3.3. Formação e informação dos trabalhadores ... 22
1.3.4. Legislação aplicável ... 22
1.4. Movimentação mecânica de cargas ... 23
1.4.1. Introdução ... 23 1.4.2. Componentes em interacção ... 23 1.4.2.1. Material ... 23 1.4.2.2. Deslocamento ... 23 1.4.2.3. Método ... 24 1.4.3. Equipamentos de manobra ... 24
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1.4.3.1. Equipamentos ... 25
1.4.3.2. Acessórios ... 27
1.4.4. Manutenção ... 28
1.4.5. Medidas básicas de segurança ... 28
1.4.6. Legislaçâo aplicável ... 29 1.4.7. Normalização aplicável ... 29 1.5. Máquinas ... 31 1.5.1. Introdução ... 31 1.5.2. Definições ... 31 1.5.2.1. Aquisição de máquinas ... 33 1.5.3. Equipamento de trabalho ... 33 1.5.3.1. Princípios de concepção ... 33 1.5.3.2. Comandos ... 35 1.5.3.3. Avisos ... 35
1.6. Segurança para máquinas ... 36
1.6.1. Riscos ... 36
1.6.1.1. Riscos mecânicos ... 36
1.6.1.2. Outros tipos de riscos ... 36
1.6.2. Características dos protectores e dispositivos de protecção ... 37
1.6.3. Manutenção ... 39 1.6.4. Manual de instruçôes ... 39 1.6.5. Legislação aplicável ... 40 1.6.6. Normalização aplicável ... 41 1.7. Manutenção ... 42 1.7.1. Introdução ... 42 1.7.2. Ferramentas manuais ... 43 1.7.3. Manutenção eléctrica ... 43 1.7.3.1. Introdução ... 43 1.7.3.2. Consignação ... 44 1.7.3.3. Fusíveis ... 45 1.7.3.4. Condutores ... 45 1.7.3.5. Gambiarras ... 46 1.7.3.6. Formação ... 46
1.7.4. Manutenção mecânica, hidráulica e pneumática ... 47
1.7.5. Soldadura ... 47
1.7.6. Trabalhos de manutenção em espaços confinados ... 49
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1.7.8. Normalização aplicável ... 50
1.8. Manutenção mecânica ... 51
1.8.1. Tipos de Máquinas Transportadoras ... 51
1.8.2. Aparelhos de Funcionamento Contínuo ... 51
1.8.3. Aparelhos de Funcionamento Descontínuo ... 53
1.8.4. Portas e vias de circulação ... 54
1.9. Armazenagem ... 55
1.9.1. Introdução ... 55
1.9.2. Armazenagem de produtos quimicos perigosos ... 57
1.9.3. Armazenagem de materiais secos a granel ... 57
1.9.4. Armazenagem de liquidos ... 59
1.9.5. Armazenagem de gases ... 59
1.9.6. Locais técnicos ... 59
1.9.6.1. Compressores ... 59
1.9.6.2. Recipientes sob pressão ... 59
1.9.6.3. Fornos e estufas ... 59
1.9.6.4. Instalações frigorificas ... 60
1.9.6.5. Locais de carga de baterias e acumuladores ... 60
2.
Avaliação e Controlo de Riscos específicos ... 61
2.1. Riscos eléctricos ... 61
2.1.1. Introdução ... 61
2.1.2. Riscos eléctricos ... 62
2.1.3. Risco de incêndio devido à corrente eléctrica ... 62
2.1.4. Causas de sobreaquecimento ... 62
2.1.5. Arco eléctrico ... 63
2.1.6. Atmosferas explosivas ... 63
2.1.7. Concepção da instalação ... 63
2.1.8. Quadro eléctrico ... 64
2.1.9. Protecção da instalação e canalizações ... 64
2.1.10. Efeitos principais de uma corrente eléctrica ... 64
2.1.11. Riscos de electrização ... 69
2.1.11.1. Choque Eléctrico ... 69
2.1.11.2. Efeitos do Choque Eléctrico ... 69
2.1.12. Protecção contra choques eléctricos ... 72
2.1.12.1. Contactos directos ... 72
2.1.12.2. Contactos indirectos ... 73
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2.1.13.1. Medidas preventivas contra electricidade estática ... 76
2.1.14. Utilização e manutenção da instalação ... 77
2.1.15. Protecção contra descargas atmosféricas ... 77
2.1.16. Periodicidade aconselhável das verificações ... 77
2.1.17. Cuidados úteis com a electricidade ... 79
2.1.18. Actuação em caso de acidentes eléctricos ... 80
2.1.19. Proteger-se e proteger a vitima de novo acidente ... 80
2.1.20. Aplicação dos primeiros socorros ... 81
2.2. Substâncias Perigosas ... 83
2.2.1. Introdução ... 83
2.2.2. Classificação de substancias químicas de grande risco ... 85
2.2.3. Sólidos inflamáveis ... 85
2.2.3.1. Plásticos e filmes ... 86
2.2.3.2. Metais ... 88
2.2.3.3. Poeiras ... 88
2.2.4. Equipamentos de protecção individual para emergências químicas ... 89
2.2.4.1. Introdução ... 89
2.2.4.2. Vantagens e desvantagens dos vários níveis de protecção ... 91
3.
Instrumentos de Medição e Detecção ... 92
3.1. Explosivímetro ... 92
3.1.1. Características ... 92
3.1.2. Acessórios ... 93
3.2. Detectores de gás ... 95
3.2.1. Detectores de um só gás ... 95
3.2.2. Detector Portátil de Múltiplos Gases ... 95
3.2.3. Detectores de Vida Limitada de um só sensor ... 95
3.2.4. Detectores Fixos ... 96
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1. Avaliação e Controlo de Riscos Associados
1.1. Circulação, Riscos Horizontais e Verticais
1.1.1. Introdução
Uma grande percentagem dos acidentes que ocorrem é provocada por quedas ou escorregamentos. As quedas não precisam de ser grandes para ser fatais, são imprevisíveis e, habitualmente, as zonas do corpo humano mais atingidas são:
Cabeça, que pode sofrer fracturas a velocidades de impacto de 15 a 24 km/h, ou seja, a uma queda equivalente de im de altura;
Pés e tornozelos, que podem fracturar-se à velocidade de impacto de 13 a 15 km/h ou uma queda equivalente de 0,6 a 0,75 m altura;
Pernas e braços;
Coluna vertebral, que se pode fracturar à velocidade de impacto de 10 km/h ou à queda equivalente de 0,3 m de altura.As quedas são um dos tipos de acidentes mais frequentes e a sua prevenção depende fundamentalmente da organização da empresa.
Os riscos de queda podem ser devidos a três situações:
Riscos de circulação;
Riscos horizontais;
Riscos verticais. 1.1.2. Riscos de circulaçãoA circulação diz respeito às actividades realizadas no solo como, por exemplo, circulação de veículos ou peões, circulação em corredores no interior das instalações, etc..
O transporte de materiais e de produtos é responsável pela ocorrência de muitos acidentes, pelo que os corredores e vias de circulação devem ser planeados de um modo simples e de fácil compreensão para os utilizadores. Em relação às vias de circulação devem, para se evitar riscos, ser tomados em consideração os seguintes pontos:
Estar perfeitamente identificadas e sinalizadas;
Não haver resíduos, líquidos derramados ou zonas obstruídas com materiais empilhados;
Os pavimentas não devem ter buracos, lajes danificadas ou solo irregular;
Haver uma nítida separação entre as zonas destinadas a operar com máquinas e as destinadas à circulação de pessoas;
Haver zonas de circulação próprias e diferenciadas para peões e para veículos;
Proporcionar formação adequada aos condutores dos veículos de transporte interno da empresa;
Informar as pessoas exteriores à empresa das regras internas de circulação;Manual da Formação
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Desimpedir completamente as saídas de emergência;
Dimensionar correctamente as vias de circulação para se proceder a trabalhos de manutenção e de revisão dos equipamentos de forma segura e eficiente; devem ser suficientemente largas para comportar o movimento a que se destinam e a evitar colisão de veículos;
Iluminar as vias de circulação de forma adequada, principalmente em escadas e rampas;
Colocar grades de protecção nos locais que ofereçam risco de queda;
Sinalizar os locais a que dão acesso;
Adaptar as vias de circulação à utilização de deficientes físicos.1.1.3. Riscos horizontais
Os riscos horizontais são devidos a actividades efectuadas à mesma altura acima do solo como, por exemplo, trabalhos em pontes rolantes, armazenagem suspensa, circulação em andaimes, etc.
Perante estes riscos, devem ser tomadas em consideração as seguintes recomendações:
Para proteger os trabalhadores contra o risco de queda livre, as passagens situa das acima do solo deverão ter dispositivos de protecção;
Todos os trabalhadores que executem tarefas acima do solo deverão possuir equipamentos individuais de protecção (cintos e cabos de segurança);
O risco de colisão ou emaranhamento de dois equipamentos que operam à mesma altura deverá ser analisado antes dos mesmos entrarem em funcionamento;
Os operadores que trabalhem com equipamentos que funcionem em altura deve rão ter formação específica para os trabalhos a executar.1.1.3.1. Andaimes
Trata-se de um equipamento susceptível de provocar acidentes graves se não for convenientemente montado e instalado com as protecções adequadas.
Os pontos a seguir indicados devem ser tomados em consideração:
Devem ser montados e instalados por trabalhadores com formação adequada;
Devem ser sólidos, resistentes e apresentar todas as garantias necessárias de forma a impedir quedas de pessoas, materiais e ferramentas;
Antes de serem montados, deve verificar-se o terreno onde vão ser instalados, escolhendo ou construindo pontos sólidos de fixação;
Quando da sua montagem, deve ser utilizado equipamento de protecção adequado contra quedas e deve impedir-se a circulação de pessoas por baixo deles;
Devem instalar-se guarda-corpos para impedir a queda de pessoas, materiais ou ferramentas;
Os andaimes não devem ser utilizados antes de completamente montados;
As tábuas-de-pé dos andaimes devem ser robustas, não devendo ser carregadas exageradamente mas sim com as cargas repartidas ao longo do seu comprimento;Manual da Formação
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Os andaimes rolantes só devem ser deslocados lentamente, de preferência no sentido do seu comprimento, em pavimentos desimpedidos e sem ninguém ou qual quer carga sobre eles;
Os andaimes rolantes deverão ter as rodas bloqueadas antes de serem utilizados.1.1.4. Riscos verticais
Os riscos verticais são resultantes de actividades que necessitam de um acesso em altura ou envolvam um risco de queda de material, por exemplo, utilização de escadas, elevação de cargas, etc..
Os meios de circulação qa vertical deverão ser adaptados ao número de pessoas que os utilizam e as suas dimensões adequadas aos objectos que por eles circulam.
1.1.4.1. Escadas de mão
As escadas de mão são causadoras de um elevado número de acidentes, devido principalmente á sua má utilização e ao seu deficiente estado de conservação.
Os pontos a seguir indicados devem ser tomados em consideração:
As escadas devem ser montadas num pavimento estável, horizontal, contra uma superfície sólida e lisa de modo a não escorregarem ou tombarem; devem ultrapassar, pelo menos em um metro o pavimento de trabalho a que dão acesso;
Como qualquer equipamento só devem ser utilizadas escadas em bom estado de conservação. Montantes e degraus danificados devem ser substituídos;
A base da escada deve estar suficientemente afastada da superfície de apoio;
Para que as escadas duplas não escorreguem, devem os dois montantes ser ligados por correntes ou cordas;
Quando houver necessidade de se emendarem escadas, deve haver uma sobre posição de, pelo menos, cinco degraus.1.1.4.2. Equipamentos de elevação de cargas
Os equipamentos de elevação de cargas são, devido à sua função, susceptíveis de provocar acidentes Assim, para os evitar, há que ter em consideração os pontos a seguir indicados:
Qualquer equipamento de elevação de carga não deverá ser utilizado para movimentar valores superiores aos indicados;
Os equipamentos deverão ser inspeccionados regularmente por pessoal qualificado devendo para isso existir procedimentos bastante rigorosos pois desgastes e falhas de material não são por vezes detectáveis com facilidade;
Devem ser só utilizados ganchos que não permitam o escape do anel ou da alça de segurança (ganchos abertos não devem ser usados);
Os equipamentos de elevação de cargas só devem ser manuseados por pessoal habilitado e devidamente treinado. Pessoal não qualificado não sabe amarrar e empilhar correctamente cargas, o que pode dar origem a acidentes graves;Manual da Formação
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As operações de elevação e movimentação de cargas volumosas e pesadas, por meio de guindastes fixos ou móveis ou pontes rolantes, deverão ser acompanhadas por um segundo trabalhador que, por meio de sinalização adequada, orientará o trabalhador que comanda o equipamento de elevação1.1.5. Legislação aplicável
Decreto-Lei nº 286/91 de 9 de AgostoEstabelece as prescrições técnicas de construção, verificação e funcionamento a que devem obedecer os aparelhos de elevação e movimentação
Portaria nº 1209/91, de 19 de DezembroRegulamenta o conteúdo de declaração do fabricante e a marcação dos cabos metálicos, correntes de varão redondo de aço e ganchos, destinados a operações de elevação e movimentação
Decreto-Lei nº 378/93 de 5 de Novembro, alterado pelos Decretos-Lei nº 139/95 de 14 de Junho e nº 374/98, de 24 de NovembroTranspõe para o direito interno a Directiva 89/392/CEE, do Conselho, de 14 de Junho, alterada pelas Directivas 91/368/CEE, do Conselho, de 20 de Junho, 93/44/CEE, do Conselho, de 14 de Junho e 93/68/CEE, do Conselho, de 22 de Junho, relativas à concepção e fabrico de máquinas e componentes de segurança quando sejam colocados no mercado isoladamente, com vista a eliminar ou diminuir riscos para a saúde e segurança quando utilizadas nas condições previstas pelo fabricante e de acordo com o fim a que se destinam
Revoga: Decreto-Lei nº 386/88 de 25 de Outubro, Decreto Lei nº 273/91 de 7 de Agosto, Portaria nº 736/88 de 10 de Novembro, Decreto Lei nº 47575 de 3 de Março de 1967, Portarias n 933/91 e 934/91 de 13 de Setembro e Portaria nº 1214/91 de 20 de Dezembro
1.1.6. Normalização aplicável
Norma Portuguesa NP EN115:1996
Regras de segurança para o fabrico e instalação de escadas mecânicas e tapetes rolantes
Norma Portuguesa NP 1939:1988Manual da Formação
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1.2. Movimentação manual de cargas
1.2.1. Introdução
O transporte manual de cargas envolve partes ou todo o corpo, e mesmo que a carga a movimentar não seja muito pesada ou volumosa, a baixa eficiência do sistema muscular humano torna este trabalho pesado, provocando rapidamente fadiga com consequências gravosas, nomeadamente aumentando o risco de ocorrência de acidentes de trabalho ou de incidência de doenças profissionais. Os estudos biomecânicos assumem particular importância nas tarefas de transporte e levantamento de cargas, comuns a um grande número de actividades, nas quais se inclui a Industria Metalomecânica, responsáveis por varias lesões, por vezes irreversíveis ou de difícil tratamento, sobretudo ao nível da coluna.
A coluna vertebral, devido à sua estrutura em discos, é pouco resistente a forças contrárias ao seu eixo, como se pode observar:
Quando se levanta a carga na posição o mais erecta possível, o esforço de compressão distribui-se uniformemente sobre a superfície total de vértebras e discos.
Nesta posição consegue-se reduzir em cerca de 20% a compressão nos discos, em relação ao levantamento na posição curvada.
Nos movimentos de flexão, o núcleo não está alinhado com o centro do disco intervertebral, pelo que se desloca pelo efeito de cunha que exercem as vértebras sobre ele.
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Este efeito reveste-se de uma especial importância na região lombar cujas vértebras têm pouco limitado o movimento de flexão. Nestas condições, as fibras concêntricas do anel fibroso comprimem-se na parte dianteira e dilatam-se na parte posterior.
O núcleo deslocado para trás acrescenta tensão a estas fibras provocando sobre elas una pressão anormal. Ao endireitar a coluna até à posição vertical, num disco em bom estado, o núcleo regressa ao centro do disco por efeito do impulso que se exerce sobre as fibras elásticas do anel fibroso. Os movimentos de rotação da coluna resultam perigosos porque provocam um efeito de cizalha sobre os discos intervertebrais da região lombar. Podemos intuir que os esforços realizados com o tronco flexionado podem ser extremamente perigosos. A repetição de movimentos que impõem aos discos esforços anormais (flexão de grande amplitude, rotações, etc.) conduz a deterioramento progressivo dos discos intervertebrais. As fibras elásticas do anel fibroso, em particular, tendem a romper-se.
Ao endireitar o corpo depois de uma flexão, uma parte do núcleo pode ser trilhada nessas fibras deterioradas. Os nervos sensitivos da periferia do disco, irritados, provocam uma dor violenta que desencadeia, por reflexo, o bloqueio dos músculos em posição de semiflexão. Este é o mecanismo do lumbago, tão frequente hoje em dia. O transporte manual de cargas é quase sempre um trabalho pesado, ainda que a carga a movimentar não seja pesada ou volumosa, sobretudo quando há necessidade de elevação e transporte para plataformas ou de subir escadas.
Durante o esforço muscular estático os vasos sanguíneos do tecido muscular são comprimidos e o fluxo de sangue, e com ele o fornecimento de oxigénio e açúcar, é diminuído.
Surge então a fadiga, que tem consequências gravosas, não só porque reduz a eficiência do trabalho, como pode conduzir a acidentes.
A frequência destes acidentes é, geralmente, elevada e aumenta para o fim do dia de trabalho. Existem dois tipos de levantamento de cargas no trabalho:
LEVANTAMENTO ESPORÁDICO: relacionado com a capacidade muscular;
LEVANTAMENTO REPETITIVO: onde acresce a capacidade energética do trabalhador e a fadiga física.
Outros riscos associados à elevação e transporte manual de cargas são: ― Queda de objectos nos pés;
― Ferimentos causados por marcha sobre, choque contra, ou pancada por objectos penetrantes; ― Contusões provocadas por objectos penetrantes ou contundentes.
MOVIMENTAÇÃO MANUAL DE CARGAS: Qualquer operação de transporte e sustentação de uma carga, por um ou mais trabalhadores, incluindo levantar, colocar, empurrar, puxar, transportar e deslocar, que devido às suas características, ou às condições ergonómicas desfavoráveis comporte riscos para os mesmos, nomeadamente na região dorso-lombar.
1.2.2. Medidas de prevenção
O decreto-lei n.º 330/93, de 25 de Setembro, transpõe para o direito interno a Directiva n.º 90/269/CEE, do Conselho, relativa às prescrições mínimas de segurança e de saúde na movimentação manual de cargas:
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―… Organização do trabalho adequada ou utilizar os meios apropriados, nomeadamente mecânicos‖.
Este preceito em obediência aos princípios gerais da prevenção e ao critério geral de eficiência que enquadra tais princípios estabelece que deverão ser prioridades as medidas de ELIMINAÇÃO DO RISCO.
A solução passa pela adopção de metodologias que permitam a mecanização e automatização da elevação e transporte de cargas.
Parte dos riscos podem ser controlados pela utilização de dispositivos de protecção individual, tais como: ― Capacete;
― Luvas;
― Calçado de protecção; ― Aparelhos auxiliares.
1.2.3. Avaliação de referencia do risco
1.2.3.1. Cargas máximas permitidas
Se utilizamos um método correcto para elevação manual, a carga máxima admissível é bastante elevada, sendo limitada apenas pela resistência dos músculos.
A capacidade de elevação das mulheres é cerca de 60% da capacidade de elevação dos homens, o que limita o seu emprego em operações que envolvem movimentação manual.
A Portaria n.º 186/73 (alterado o n.1 e revogado o n.4 pela Portaria n.º 229/96, de 26 de Dezembro), de 13 de Março, que regulamenta o trabalho feminino, limita a 27 kg a carga máxima que uma mulher pode despender acidentalmente e a 15 kg quando em esforço médio regular. A mesma portaria limita ainda à mulher, durante a gravidez e três meses após o parto, a 10 kg o transporte manual regular de cargas.
Os valores limite para elevação e transporte manual de cargas dependem dos seguintes parâmetros: Idade;
Sexo;
Duração da tarefa;
Frequência do movimento de elevação e transporte; Capacidade física do trabalhador.
Através do seguinte quadro podemos obter aqueles valores com base numa combinação dos parâmetros indicados. Valores limite em kg para a elevação e transporte manual de cargas para indivíduos entre 25 e 45 anos.
Frequência de elevação e/ou
transporte manual HOMENS MULHERES Em % de 1 dia de trabalho de
8 horas (ou turno)
CAPACIDADE FÍSICA CAPACIDADE FÍSICA ELEVADA MÉDIA BAIXA ELEVADA MÉDIA BAIXA
0 a 17 50 40 30 30 20 15
18 a 54 32 25 18 16 12 9
55 a 82 20 14 9 9 6 4
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Estes valores devem reduzir-se de cerca de 40% para jovens com idade inferior a 15 anos e homens com idade superior a 60 anos.
Para o transporte em percursos com comprimento superior a 2 metros devem reduzir-se os valores em questão, de: ― 20 % Para percursos de 2 a 10 m;
― 40 % Para percursos de 10 a 25 m; ― 60 % Para percursos de 25 e superiores.
1.2.3.2. Características da carga
Características da carga: Carga pesada:
o > 30 kg em operações ocasionais; o > 20 kg em operações frequentes. Carga volumosa ou difícil de agarrar;
Carga em equilíbrio instável ou com conteúdo sujeito a deslocação;
Carga colocada de tal modo que deve ser mantida ou manipulada à distancia do tronco, ou com flexão do tronco;
Carga susceptível, devido ao seu aspecto exterior e à sua consistência, de provocar lesões ao trabalhador, nomeadamente no caso de choque.
A inclinação da coluna para a frente ou para trás origina uma tensão elevada nos músculos e ligamentos do lado convexo e uma grande compressão nas extremidades das vértebras e dos discos no lado concavo. Em tais posturas extremas os elementos elásticos da coluna vertebral não podem cumprir as suas funções.
Os trabalhadores devem movimentar-se suave cautelosamente quando elevam ou transportam cargas, puxam ou empurram veículos de modo a evitarem a adopção de posturas perigosas. Quando estiver em causa o desenvolvimento de grandes esforços físicos, a coluna não deve ser inclinada, nem rodada sobre o seu eixo. Deve ser utilizada como um suporte e nunca como uma articulação.
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A elevação e o transporte manual de cargas requerem um grau elevado de coordenação muscular. A desatenção, a fadiga e a rigidez dos músculos e tendões sob influência do frio, humidade e correntes de ar, quando o vestuário de trabalho não fornece protecção suficiente, podem impedir essa coordenação e conduzir a acidentes. Por outro lado, o exercício e os movimentos executados correcta e moderadamente melhoram a agilidade física e fortalecem os músculos locomotores e dorsais.
1.2.3.3. Esforço excessivo
― Quando seja excessivo para o trabalhador;
― Quando apenas possa ser realizado mediante um movimento de torção do tronco; ― Quando possa implicar um movimento brusco da carga;
― Quando seja realizada com o corpo em posição instável.
1.2.3.4. Medidas adequadas
― Condições de risco:
o Espaço livre, nomeadamente vertical, insuficiente; o Pavimento plano com desníveis;
o Local que não permite um m.m.c. a uma altura segura ou postura correcta; o Pavimento ou pontos de apoio instáveis.
o Frequência do trabalho;
o Períodos insuficientes de descanso fisiológico e recuperação; o Grandes distancias de elevação, abaixamento ou transporte; o Cadencia que não possa ser controlada pelo trabalhador. ― Procedimentos a adoptar:
o Identificar as causas do risco e factores individuais de risco, nomeadamente aptidão física; o Proceder a nova avaliação após aplicação das medidas adoptadas.
― Informação / Formação:
o Sobre os riscos potenciais para a saúde devido à incorrecta movimentação manual de cargas; o Peso máximo e características da carga;
o Centro de gravidade da carga e trabalhador; o Outros riscos associados;
o Queda de objectos sobre os pés;
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1.2.4. Mecânica corporal
1.2.4.1. Princípios básicos
A utilização dos músculos mais fortes e mais longos ao erguer ou movimentar objectos é uma medida de segurança e torna o movimento mais eficiente;
A contracção dos músculos abdominais ao erguer ou puxar um peso, ajuda a estabilizar a pelve e proteger as vísceras; A estabilidade de um corpo é maior quando tem uma base de sustentação larga e um centro de gravidade baixo;
A força requerida para manter o equilíbrio de um corpo aumenta conforme a linha de gravidade se afasta do centro da base de apoio;
Puxar ou deslizar um corpo requer menos esforço que levantá-lo, porque implica um movimento oposto à força da gravidade;
O atrito entre a força e a superfície sobre o qual se move, afecta o trabalho necessário para movê-lo; Servir-se do próprio peso para deslocar um objecto requer menos energia no movimento;
As mudanças de actividade e posição contribuem para conservar o tonus muscular e evitar a fadiga.
POSTURA
―Um inter-relacionamento relativo das partes do corpo, portanto, o equilíbrio entre os ossos, músculos, tendões e ligamentos, estruturas que sustentam e protegem o corpo contra agentes externos ou internos, que actuam na tentativa de quebrar a harmonia estática ou dinâmica deste equilíbrio‖.
É a posição do corpo que envolve o mínimo de sobrecarga das estruturas com o menor gasto de energia para o máximo de eficiência na utilização do corpo.
É a posição do corpo humano no espaço, quer em movimento quer em repouso, sem que esta provoque dor, esforço ou fadiga. Os principais sistemas envolvidos na movimentação do corpo são:
― Sistema muscular; ― Sistema esquelético; ― Sistema nervoso.
NÃO SENDO POSSÍVEL MECANIZAR O LEVANTAMENTO DE CARGAS, para o levantamento manual podemos
apontar algumas recomendações:
Posto de trabalho (bancadas, prateleiras, equipamentos, etc.) deve ser projectado tendo em conta a ocorrência de tarefas que obrigam a levantamento de cargas;
Limitar o levantamento de pesos a 20 kg, no máximo – (este valor, para levantamentos frequentes, resulta de estudos efectuados pelo NIOSH – National Institute for Occupational and Health, USA), para levantamentos repetitivos em determinadas circunstâncias;
A carga deve possuir formas que facilitem pegar-lhes (furos laterais, pegas); Manter a carga na vertical;
Manter os pesos próximos do corpo; Evitar torções do tronco;
Manter os pés e as costas numa postura correcta;
Evitar movimentos bruscos que provoquem picos de tensão; Alternar posturas e movimentos;
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NÃO SENDO POSSÍVEL MECANIZAR O TRANSPORTE DE CARGAS
Devem adoptar-se alguns princípios, entre outros: Limitar a carga;
Evitar carregar pesos só com uma mão;
Utilizar equipamentos de transporte, de preferência com rodas; Utilizar o movimento do corpo a favor do movimento;
Utilizar um piso duro e nivelado.
Há aparelhos de vários tipos que podem ser utilizados na indústria como auxiliares da movimentação manual. Os mais vulgares são os seguintes:
CARROS DE MÃO
Podem ter 1, 2 ou 4 rodas e são usados para transportar materiais e objectos mais ou menos volumosos ou pesados através de distâncias curtas.
As pegas devem ter resguardos salientes para evitar o contacto com portas, colunas, esquinas ou outros obstáculos.
A carga deve ser distribuída uniformemente, mantendo-se o seu centro de gravidade o mais baixo possível.
A visibilidade do percurso a efectuar é uma condição de segurança importante.
Rolos, tubos de pequeno diâmetro
São utilizados para o transporte de materiais e de peças mais ou menos volumosas. Ventosas
São apropriadas para o transporte de peças de vidro. São constituídas por um punho de dupla ventosa com alavancas, sendo estas utilizadas para aderência do punho à carga e para a sua deslocação. Funciona por vácuo.
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Pinças ou Garras
São utilizadas para o transporte de chapas, carris ou toros de madeira. Íman
Exercem uma tracção magnética sobre os materiais em ferro, servindo para o transporte de chapas de grande superfície.
Sifões
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1.3. Equipamentos dotados de visor
1.3.1. Introdução
Hoje em dia, grande parte do trabalho é feita com a ajuda de suportes informáticos, sendo a apresentação da informação feita através de visores.
Nestes termos, tornou-se necessário regular a utilização de equipamentos dotados de visor, tendo surgido o Decreto-lei nº 349/93 de 1 de Outubro e a Portaria o 989/93 de 6 de Outubro.
Não existem contra-indicações formais para trabalhar com equipamentos dotados de visor, desde que o utilizador disponha de visão normal (ou que a mesma se encontre bem corrigida) e não possua doenças específicas (por exemplo, epilepsia sensível a estímulos luminosos, doença grave do aparelho osteoarticular, etc.).
No entanto, há que ter em atenção o facto de que a observação de um visor por um longo período de tempo contínuo impõe um esforço importante aos músculos oculares, podendo levar o utilizador a ficar com a visão ―desfocada‖, voltando ao normal após um período de paragem para descanso, podendo ainda surgir outros sinais e sintomas, entre os quais se destaca a fadiga.
Outro problema a ter em atenção neste tipo de trabalho é o movimento repetitivo dos dedos e das mãos e a restrição imposta à postura.
1.3.2. Efeitos no organismo
Uma actividade que implique a utilização prolongada de equipamentos dotados de visor pode conduzir ao aparecimento de alguns sintomas, entre os quais se salientam:
Lacrimejo, conjuntivite e fadiga visual;
Cefaleias (dores de cabeça);
Artralgias e mialgias (dores nas articulações e músculos) dos segmentos do corpo mais solicitados (mãos, antebraços, ombros e coluna).1.3.3. Medidas de prevenção
1.3.3.1. Medidas gerais de prevenção
Para minimizar os riscos deste tipo de actividade há que respeitar os seguintes princípios:
Os comandos de regulação de brilho e de contraste do visor deverão ser passíveis de adaptação ao padrão individual de conforto de cada utilizador;
Os caracteres deverão ser nítidos e sem oscilações. Recomenda-se trabalhar com caracteres negros em fundo claro, de forma a provocar menor fadiga visual;
O uso simultâneo de muitas cores só deverá ser utilizado quando se pretenda referenciar diferentes classes de informação em textos extensos, chamando a atenção do utilizador;
Deverá ser dada especial atenção à organização do posto de trabalho, adaptando-o ao padrão individual de conforto de cada utilizador e às necessidades de cada tarefa:
Distância visual recomendável: 30 a 70cm (fig. 1);Manual da Formação
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Cadeira dotada de máxima flexibilidade quanto às várias possibilidades de regulação (altura e inclinação do assento e do apoio lombar), possuindo, pele menos, cinco rodas, de forma a assegurar estabilidade (fig. 1);
Teclado móvel e separado do visor, permitindo uma adequada horizontalização dos antebraços, pulsos e mãos;
Possibilidade de utilizar acessórios para maior conforto, se a tarefa o justificar (por exemplo, suporte de documentos, filtros, apoia-pés);
Possibilidade de fazer pausas, permitindo a diferente solicitação da visão e a movimentação articular e muscular;
Não deverão ser esquecidos os postos de trabalho de pé, os quais deverão ter o seu tratamento específico, tendo em conta a correcta colocação dos visores nas máquinas ou painéis de comando, de modo a serem asseguradas as condições essenciais de trabalho de cada operador, nomeadamente:
Distância visual;
Ângulo visual;
Orientação de forma a evitar reflexos.Também o ambiente de trabalho deverá ser o mais adequado possível, no que diz respeito, fundamentalmente: Espaço de acordo com o tipo de trabalho — deverá permitir fácil mobilidade ao utilizador;
Deverá ser usado tom claro e mate, tanto nos equipamentos como nos revestimentos das paredes e pavimentos, de forma a reduzir a possibilidade de encandeamento
Iluminação correcta de modo a reduzir a fadiga visual; deverão ser usados estores para regular a intensidade da luz natural, o visor deverá estar posicionado perpendicularmente às janelas, afastado delas o mais possível e colocado paralelamente em relação à iluminação do tecto (fig. 2);
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Níveis de ruído que não originem incómodo (nunca acima de 70 dB (A));
Condições de conforto térmico em termos de humidade relativa e de temperatura ambiente, em função do tipo de actividade desenvolvida
Os efeitos de todos estes factores sobre a visão estão intimamente ligados à duração do trabalho com equipamento dotado de visor; assim, quando surgirem ―picadas‖ nos olhos, dores de cabeça, dores nas articulações e músculos ou outras sensações de desconforto, o utilizador deverá dar conhecimento ao médico do trabalho para que este possa analisar cada caso em concreto.
1.3.3.2. Vigilância de saúde
Nos exames médicos do trabalho, nomeadamente nos exames de admissão e periódicos, os trabalhadores deverão ser submetidos a:
História clínica e exame objectivo direccionados para os sistemas nervoso, oftalmológico, psíquico e osteoarticular;
Rastreio adequado de visão e, quando tal se justifique, exame oftalmológico de especialidade.Sempre que os resultados exames médicos o exigirem e os dispositivos normais de correcção não puderem ser utilizados, deverão ser facultados aos trabalhadores dispositivos especiais de correcção concebidos para o tipo de trabalho desenvolvido.
1.3.3.3. Formação e informação dos trabalhadores
Todos os trabalhadores devem receber formação adequada antes da utilização dos equipamentos dotados de visor e ser informados dos riscos para a saúde inerentes a esta actividade e quais os meios de os minimizar.
1.3.4. Legislação aplicável Decreto-lei nº 349/93 de 1 de Outubro
Transpõe para o direito interno a Directiva 9012701CEE, do Conselho, de 29 de Maio, relativa às prescrições mínimas de segurança e de saúde para utilização pelos trabalhadores de equipamentos dotados de visor
Portaria nº 989/93 de 6 de Outubro
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1.4. Movimentação mecânica de cargas
1.4.1. Introdução
A movimentação e o manuseamento de cargas são responsáveis por cerca de 30% dos acidentes de trabalho nas diferentes fases do processo produtivo, provocados por queda levantamento de objectos, entaladela entre objectos, etc.
A preocupação com estes números é ainda maior se se considerar que esta actividade na vida de uma empresa ocupa cerca de 60 a 80% do ciclo de fabricação e que o peso de materiais normalmente movimentados numa indústria corresponde a cerca de cinquenta toneladas por cada tonelada de produto acabado.
1.4.2. Componentes em interacção
Podemos dividir as variáveis envolvidas neste processo em três, cujas causas podem condicionar a movimentação mecânica de cargas: o material, o deslocamento e o método, cada uma com riscos inerentes e consequências diferentes.
1.4.2.1. Material
O modo como se apresenta o material pode influenciar as técnicas e recursos disponíveis: a. O seu estado físico, se este é um sólido ou um líquido;
b. A natureza do material, por exemplo, se é explosivo, implica técnicas especiais de armazenagem e movimentação;
c. As características do próprio material que podem causar dificuldades de manuseamento devido às suas dimensões, peso, grau de perigosidade;
d. A quantidade de material a movimentar é outra das condicionantes a respeitar, especialmente quando existem limites impostos pelos equipamentos. Por exemplo, cada aparelho de elevação accionado mecanicamente (carros automotores e reboques) deve apresentar, de forma bem visível, a indicação da capacidade máxima admissível de carga.
1.4.2.2. Deslocamento
A movimentação dos materiais é uma prática constante no dia-a-dia, implicando cuida dos especiais que devem ser atempadamente previstos.
a. É importante estar definido e ser conhecido o local de origem e destino da mercadoria, para se seleccionarem convenientemente os recursos. Como existem vários tipos de equipamentos, deverão escolher-se aqueles que melhor respondem às necessidades considerando a distância a percorrer, a inclinação e as características do local de origem e destino;
b. Deverá ser considerada a frequência com que se efectua cada movimentação, para se adoptar a melhor via de circulação e o tipo de equipamento a utilizar. For exemplo, um deslocamento frequente requer maiores cuidados do que um deslocamento ocasional, necessitando quaisquer deles regras de segurança adequadas;
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c. A velocidade dos meios mecânicos de transporte deverá ser condicionada às características do percurso, natureza da carga, possibilidade de travagem, tipo de locomoção e distância;
d. Deverá estabelecer-se o itinerário, antes de se iniciar qualquer actividade. Se o percurso é habitual deverá estar bem projectado e concebido de forma a:
Reduzir os riscos resultantes do tráfego;
Considerar os diferentes tipos de veículos;
Ter em conta o espaço disponível;
Considerar a localização de outras vias de trânsito. As vias de circulação de veículos deverão estar concebidas de forma a evitar:
Ângulos e curvas bruscas;
Rampas muito inclinadas;
Passagens estreitas e tectos baixos.Estas vias deverão ser marcadas de cada lado e a todo o seu comprimento por um traço contínuo e nítido e mantidas livres de qualquer obstáculo.
As superfícies dos pavimentos em que esteja prevista a circulação de carros de transporte deverão ser suficientemente lisas e isentas de cavidades, saliências e outros obstáculos, para que a circulação se efectue com toda a segurança.
As vias-férreas fabris, se for o caso, deverão ser construídas tendo em conta a resistência do terreno, a qualidade e colocação das travessas e dos carris, a curvatura e o declive, a carga útil e a velocidade do material rolante. Para o caso de existirem placas giratórias, estas deverão ser equipadas com dispositivos de imobilização.
1.4.2.3. Método
O método a adoptar, como já houve oportunidade de referir, deverá ser escolhido atendendo à especificidade do material e ao deslocamento a efectuar. Deverá sobretudo considerar-se:
a. A carga a transportar, pode constituir um risco. Por exemplo, um dos cuida dos a ter é baixar, tanto quanto possível, o centro de gravidade da carga;
b. O tipo de embalagem, se são caixas de cartão, sacos ou a granel;
c. Antes de efectuar um deslocamento, deverá verificar-se se o equipamento é adequado à carga, ou seja, se o peso da carga não excede a capacidade do equipamento;
d. O tipo de equipamento deverá ser escolhido em função da movimentação a efectuar. Dada a importância desta componente, desenvolve-se em seguida este assunto.
1.4.3. Equipamentos de manobra
Existem vários tipos de equipamentos com características muito diferentes. A sua versatilidade permite uma eficaz adequação à actividade desenvolvida. A melhor estratégia na redução do risco é escolher antecipadamente o meio mais eficaz e adaptado, capaz de responder às solicitações.
Para efectuar algumas manobras existem equipamentos que exigem do homem só a condução, outros exigem a condução e a propulsão, e ainda outros exigem a condução, a propulsão e a elevação parcial.
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Os equipamentos dividem-se em três grupos fundamentais e respectivos acessórios:
1.4.3.1. Equipamentos
Carros de transporte manual e mecânico
De entre os vários equipamentos deste género disponíveis no mercado, os mais conhecidos e utilizados são:
Carros de transporte manual
Os carros de transporte manual mais utilizados são os ‗porta-paletes‖, que deverão ser utilizados tendo em conta a segurança e o tipo de transporte a efectuar.
As rodas devem ser adequadas aos ambientes e pavimentos.
Devem ser dotados de um sistema de travagem e não deverão ser utilizados em rampas ou superfícies inclinadas.
As pegas ou varões de empurrar devem dispor de guarda-mãos.
Carros de transporte mecânicoO empilhador é provavelmente o transporte mecânico mais versátil e mais utilizado. Todos os empilhadores são fabricados de acordo com normas (ASME B56.1:1995, NFPA 505:1996, NFPA 70:1996;etc.) onde se estabelecem as suas protecções, os ambientes de trabalho, os usos, as operações e a sua manutenção.
São fabricados com especificações técnicas para se adaptarem a vários tipos de cargas. Estas normas permitem escolher o tipo de empilhador a utilizar em função das necessidades e riscos existentes.
Os empilhadores podem ser classificados pela sua fonte de energia, posição do operador e formas de transportar a carga.
Quanto às fontes de energia, podem ser:
Energia eléctrica armazenada em bateria que fazem accionar motores eléctricos;
Motores a gasolina ou a diesel;
Motores que queima GPL (gás) e combinações mistas.Os empilhadores eléctricos são os menos poluentes e ruidosos, próprios para o interior de edifícios apresentando, no entanto, alguns riscos em particular se não se respeitarem regras fundamentais como: a carga das baterias que deve ser efectuada num local limpo e ventilado (retirando os tampões dos elementos da bateria). Os empilhadores a diesel são os mais poluentes pois emitem altas percentagens de monóxido de carbono. Os de gás, quando bem afinados, são pouco poluentes.
Em relação à posição do condutor, esta pode ser no interior da cabina do empilhador ou no exterior da máquina. Também podem existir sistemas automáticos que dispensam condutor e que usam soluções electrónicas e rotas preestabelecidas.
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As formas de transportar as cargas são as mais diversas, desde o reboque em cima de plataformas móveis de um ponto para o outro nas instalações, até ao uso de ―garfos‖ para pegar, levantar do solo, transportar, elevar e depositar cargas.
Existe por vezes o perigo dos empilhadores capotarem, dado o peso da carga, velo cidade e o modo de execução da manobra. Para estas circunstâncias devem estar disponíveis protecções para salvaguardar o operador como, por exemplo, guardas laterais e, em especial, uma protecção resistente sobre a cabeça do operador, protegendo-o também da queda de objectos. A utilização dos ―garfos‖ deve provocar o afastamento da vertical do centro de gravidade da carga. Esta situação pode ser crítica, principalmente em terrenos inclinados.
As cargas não deverão ser levantadas ou descidas durante o trajecto e os ―garfos‖ devem ser sempre colocados o mais baixo possível mas sem bater nas irregularidades do pavimento. Quando a carga for muito volumosa, o empilhador deverá ser conduzido de marcha-atrás, para permitir ao operador a visibilidade do trajecto.
Durante as operações de carga e descarga de camiões, utilizando empilhador, os camiões deverão estar bem travados (de preferência com calces) e as rampas de acesso ao seu interior deverão ser anti-derrapantes, evitando ressaltos e encravamentos das rodas dos empilhadores.
A segurança do operador deve estar salvaguardada, a sua posição deve permitir visibilidade em todas as direcções e possibilidade de se escapar rapidamente em caso de acidente.
O empilhador deve possuir volante especial, buzina, ‗pirilampos‖ de sinalização e sinal sonoro de marcha-atrás, devendo a indicação da sua capacidade estar bem visível.
Durante as manobras, o operador deve ter em atenção as estruturas superiores ou objectos próximos, tais como cabos eléctricos, tubagens, ―sprinklers‖, colunas, contentores, quadros eléctricos, extintores de incêndio, portas corta-fogo, etc. De qual quer forma, estas estruturas deverão estar equipadas com barreiras de protecção e convenientemente sinalizadas.
Para facilitar a visibilidade deverão instalar-se espelhos de canto nas esquinas das estruturas (semelhantes aos utilizados na circulação rodoviária). E aconselhável a utilização das buzinas sempre que o empilhador se aproximar de locais com pouca visibilidade.
Os operadores e/ou condutores de empilhadores devem ser seleccionados, treina dos e só os qualificados deverão exercer a actividade. Não é permitido o transporte de pessoas nos empilhadores, para além do condutor.
B. Equipamentos de elevação
Para a elevação de materiais existem equipamentos tão diversos como gruas, guinchos, guindastes, etc., que são comandados pelo homem.
As gruas são equipamentos com estruturas pesadas, com capacidade dê carga para várias toneladas. Para além da elevação, têm translação motorizada em uma ou em duas direcções. Em vez de duas direcções, algumas têm rotação e translação radial. Mais sofisticadas são as gruas automóveis, que operam praticamente em todo o terreno e cujas lanças são extensíveis. As pontes rolantes são também exemplos de gruas.
As gruas, como máquinas complexas que são, devem ser utilizadas de forma adequada para se evitarem acidentes. As cargas devem ser colocadas na vertical das lanças, de modo a evitar solicitações laterais. Os comandos das gruas devem ser bimanuais ou incluir o ―pedal do morto‖ para evitar manobras erradas.
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Os guinchos são equipamentos de elevação de cargas cuja translação, a existir, é efectuada manualmente. A elevação pode ser feita por motor eléctrico, por motor pneumático ou manualmente, por cor rentes ou alavanca. A capacidade de carga do aparelho não deve ser excedida.
As manobras das gruas e guinchos devem ser suaves, evitando arranques, paragens bruscas e velocidades elevadas, de modo a não baloiçar demasiadamente a carga. No caso dos guinchos, é fundamental a existência de travões ou ―patilhas‖ de segurança que impeçam a queda intempestiva das cargas.
Todos os componentes como tambores, cabos, correntes, polis e ganchos são elementos fundamentais para a boa operação de gruas, guinchos e outros equipamentos de elevação. Todas estas partes móveis e elementos de tracção contribuem para um bom funcionamento do equipamento.
Inspecções rigorosas e periódicas a estes elementos deverão ser feitas para detectar eventuais fissuras, desgastes, deformações e danos nos materiais que reduzem as suas capacidades e condições de utilização. Tanto os cabos como os ganchos deverão ser objecto de especial atenção, uma vez que são os componentes de maior desgaste (destacando-se nos ganchos a possibilidade de deformação).
C. Sistemas Transportadores
Um sistema transportador é, segundo a ASME (American Society of Mechanical Engineers) um dispositivo horizontal, inclinado ou vertical para movimentar ou transportar material a granel, embalagens ou objectos numa cadência pré-determinada pelo dispositivo que tem pontos de carga e descarga previamente seleccionados, fixos ou ajustáveis. Podem ser sistemas de correias, correntes, parafusos sem fim, por gravidade, por rolos, etc.
As engrenagens, correntes, rodas e outras partes móveis deste sistema deverão estar protegidas de modo a evitar acidentes pessoais. Deverão existir sinais de AVISO nos pontos de carga e descarga, protecções e dispositivos de paragem de emergência ao longo de todo o comprimento do sistema, Os operadores nunca deverão colocar os braços e a cabeça debaixo das correias ou dos sistemas de propulsão, ou ainda transpor o sistema de um lado para outro, sem ser por meio de passagens adequa das com guardas e corrimões, para evitar quedas sobre os transportadores.
1.4.3.2. Acessórios
Alguns dos equipamentos atrás referenciados necessitam de acessórios corno cordas, esteiras, cintas e paletes para auxílio da manobra. Estes acessórios são os meios de ligação entre as cargas e os equipamentos de elevação que devem ser adaptados e manuseados correctamente pelos operadores. A sua correcta utilização exige um treino específico.
As paletes, em especial, estão disponíveis no mercado em muitos formatos e materiais devendo optar-se pela mais adequada em função da tarefa, Deverá, ainda, retirar-se de circulação toda e qualquer palete que apresente perigo devido ao seu estado de degradação.
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1.4.4. Manutenção
Todos elementos da estrutura, mecanismos, fixadores e acessórios dos equipamentos de manobra devem ser de boa construção, de materiais apropriados e resistentes e ser mantidos em bom estado de conservação e funcionamento.
Após a fase de implementação, deverá continuar-se a dar importância ao equipamento, estabelecendo de imediato e cumprindo o plano de manutenção (controlo, limpeza, conservação).
1.4.5. Medidas básicas de segurança
A segurança oferecida pelo equipamento só é potencializada e efectiva se se cumprirem os procedimentos de utilização da máquina e se o estado de saúde do operador for adequado.
Existem fundamentalmente três processos através dos quais se assegura a integridade física das pessoas.
a. Mantendo o homem afastado da máquina através de:
Barreiras;
Vedações;
Elementos sensíveis de detecção de movimento.No entanto, este processo apresenta um risco residual porque requer sempre intervenção activa ou passiva de pessoas.
b. Mantendo a máquina afastada do homem através de:
Interruptores manuais e/ou automáticos;
Freios manuais, auxiliados mecanicamente ou aplicados à potencia.Por exemplo, os carro por motores de combustão não devem ser utilizados na proximidade de locais com poeiras explosivas ou vapores inflamáveis e/ou no interior de edifícios onde a ventilação não seja suficiente para eliminar os riscos ocasionados pelos gases de escapes.
c. Os dispositivos da precaução, utilizando sinalização activa e passiva. Algumas situações à frente
apresentadas demonstram a aplicação desta medida. Por exemplo:
Os condutores dos aparelhos de elevação não os devem deixar sem vigilância quando estiver suspensa uma carga. Neste caso, o próprio condutor fará o aviso necessário;
Quando é necessário deslocar cargas perigosas por cima de locais de trabalho, tais como metal em fusão ou objectos presos a electroímanes, deve lançar-se um sinal de advertência eficaz a fim de alertar os trabalhadores para abandonar a zona perigosa;
Os sinais que indiquem condições de perigo em zonas de trânsito devem ser convenientemente iluminados durante o serviço nocturno;a elevação e transporte de cargas por aparelhos de elevação devem ser regulados por um código de sinalização que comporte, para cada manobra, um sinal distinto feito, de preferência, por movimentos dos braços ou das mãos, devendo os sinaleiros ser facilmente identificáveis à vista.
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1.4.6. Legislaçâo aplicável
Portaria ri 53/71 de 3 de Fevereiro, na redacção dada pela Portaria n 702/80 de 22 de Setembro Aprova o Regulamento Geral de Segurança e Higiene do Trabalho nos Estabelecimentos Industriais Decreto-lei nº 110/91, de 18 de Março
Aprova os Regulamentos de segurança de elevadores escadas mecânicas e tapetes rolantes Decreto-lei nº 286/91, de 9 de Agosto
Estabelece as prescrições técnicas de construção, verificação e funcionamento a que devem obedecer os aparelhos de elevação e movimentação
Portaria nº de 2 de Março
Aprova como Regulamento de Segurança de Ascensores Eléctricos (RSAE) a norma NP-3163-1:1988
Decreto-lei nº 378/93 de 5 de Novembro, alterado pelos Decretos-lei nº 139/95 de 14 de Junho e nº 374/98, de 24 de Novembro
Transpõe para o direito interno a Directiva 89/392/CEE, do Conselho, de 14 de Junho, alterada pelas Directivas 91/368/CEE, do Conselho, de 20 de Junho, 93/44/CEE, do Conselho, de 14 de Junho e 93/68/CEE, do Conselho, de 22 de Junho, relativas à concepção e fabrico de máquinas e componentes de segurança q sejam colocados no mercado isoladamente, com vista a eliminar ou diminuir riscos para a saúde e segurança quando utilizadas nas condições previstas pelo fabricante e de acordo com o fim a que se destinam.
Revoga: Decreto-lei nº 386/88 de 25 de Outubro, Decreto-lei nº 273/91 de 7 de Agosto, Portaria nº 736/88 de 10 de Novembro, Decreto-lei nº 47575 de 3 de Março de 1967, Portarias nº 933/91 e 934/91 de 13 de Setembro e Portaria n 1214/91 de 20 de Dezembro
Decreto-lei nº 295/98, de 22 de Setembro
Estabelece os princípios gerais de segurança relativos aos ascensores e respectivos componentes, transpondo para o direito interno a Directiva n 95/16/CE de 29 de Junho
Decreto-lei nº 82/99, de 16 de Março
Transpõe para a ordem jurídica interna a Directiva nº 89/655/CEE, do Conselho, de 30 de Novembro de 1989, alterada pela Directiva n 95/63/CE, do Conselho, de 5 de Dezembro de 1995, relativa às prescrições mínimas de segurança e de saúde para a utilização pelos trabalhadores de equipamentos de trabalho
1.4.7. Normalização aplicável
Norma Portuguesa NP 1748:1985 - Aparelhos de elevação e movimentação. Aparelhos de elevação de série. Terminologia ilustrada: Lista de termos equivalentes
Norma Portuguesa NP 3163-1:1988 - Regras de Segurança para a construção e instalação de ascensores e monta-cargas. Parte 1: Ascensores Eléctricos
National Fire Protection Association NFPA 70:1996 - National Electrical Code
National Fire Protection Association NFPA 505:1996 - Powered Industrial Trucks, including type designations, areas of use, maintenance, and operation
American Society for Mechanical Engineers ASME B56.11.4:1994 - Hook-types and Fork Carriers for Powered Industrial Forklifts TrucksManual da Formação
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1.5. Máquinas
1.5.1. Introdução
Associados à utilização de máquinas estão vários riscos para a saúde e segurança das pessoas podendo, em certos casos, provocar acidentes de trabalho e doenças relacionadas com o trabalho
Com o desenvolvimento tecnológico, as máquinas atingiram melhores níveis de eficiência mas, por outro lado, agravaram-se ou surgiram novos riscos inerentes à sua utilização. Por vezes, os dispositivos de segurança não são suficientes para evitar o contacto com zonas perigosas, assim a necessidade de as identificar e controlar é importante para a prevenção de acidentes.
Com a abertura do mercado e a consequente possibilidade de livre circulação de produtos, houve necessidade de (in) formar os fabricantes e consumidores para conhecer e respeitar os requisitos de segurança, criando-se legislação específica e normalização.
1.5.2. Definições
Para facilitar a comunicação nesta matéria, são definidos seguidamente alguns conceitos fundamentais, imprescindíveis para gerir toda a informação disponível nesta área.
a) «Máquina»:
i) Conjunto, equipado ou destinado a ser equipado com um sistema de accionamento diferente da força
humana ou animal directamente aplicada, composto por peças ou componentes ligados entre si, dos quais pelo menos um é móvel, reunidos de forma solidária com vista a uma aplicação definida;
ii) Conjunto referido na subalínea anterior a que faltam apenas elementos de ligação ao local de utilização
ou de conexão com as fontes de energia e de movimento;
iii) Conjunto referido nas subalíneas i) e ii) pronto para ser instalado, que só pode funcionar no estado em
que se encontra após montagem num veículo ou instalação num edifício ou numa construção;
iv) Conjunto de máquinas referido nas subalíneas i),
ii) e iii) e ou quase -máquinas referidas na alínea g) que, para a obtenção de um mesmo resultado, estão
dispostas e são comandadas de modo a serem solidárias no seu funcionamento;
v) Conjunto de peças ou de componentes ligados entre si, dos quais pelo menos um é móvel, reunidos de
forma solidária com vista a elevarem cargas, cuja única fonte de energia é a força humana aplicada directamente;
b) «Equipamento intermutável»
Dispositivo que, após a entrada em serviço de uma máquina ou de um tractor, é montado nesta ou neste pelo próprio operador para modificar a sua função ou introduzir uma nova função, desde que o referido equipamento não constitua uma ferramenta;
c) «Componente de segurança»
Qualquer componente:
i) Que serve para garantir uma função de segurança; e ii) Que é colocado isoladamente no mercado; e
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iii) Cuja avaria e ou mau funcionamento ponham em perigo a segurança das pessoas; e iv) Que não é indispensável para o funcionamento da máquina ou que pode ser substituído por
outros componentes que garantam o funcionamento da máquina;
d) «Acessório de elevação»
Componente ou equipamento não ligado à máquina de elevação que permite a preensão da carga e é colocado entre a máquina e a carga ou sobre a própria carga ou destinado a fazer parte integrante da carga e que é colocado isoladamente no mercado; são igualmente considerados como acessórios de elevação as lingas e seus componentes;
e) «Correntes, cabos e correias»
As correntes, os cabos e as correias concebidas e construídas para efeitos de elevação como componentes das máquinas ou dos acessórios de elevação;
f) «Dispositivo amovível de transmissão mecânica»
O componente amovível destinado à transmissão de potência entre uma máquina automotora ou um tractor e uma máquina receptora, ligando -os ao primeiro apoio fixo, sendo que sempre que seja colocado no mercado com o protector deve considerar -se como um só produto;
g) «Quase -máquina»
O conjunto que quase constitui uma máquina mas que não pode assegurar por si só uma aplicação específica, como é o caso de um sistema de accionamento e que se destina a ser exclusivamente incorporada ou montada noutras máquinas ou noutras quase–máquinas ou equipamentos com vista à constituição de uma máquina à qual é aplicável o presente decreto -lei;
h) «Colocação no mercado»
A primeira colocação à disposição na Comunidade, a título oneroso ou gratuito, de uma máquina ou quase-máquina com vista a distribuição ou utilização;
i) «Fabricante»:
i) Qualquer pessoa singular ou colectiva responsável pela concepção e ou pelo fabrico de uma máquina
ou quase–máquina abrangida pelo presente decreto -lei, bem como pela conformidade da máquina ou quase -máquina com o presente decreto-lei tendo em vista a sua colocação no mercado, com o seu próprio nome ou a sua própria marca ou para seu uso próprio;
ii) Na falta de fabricante na acepção da subalínea anterior, considera -se fabricante qualquer pessoa
singular ou colectiva que proceda à colocação no mercado ou à entrada em serviço de uma máquina ou quase-máquina abrangida pelo presente decreto-lei;
j) «Mandatário»
Qualquer pessoa singular ou colectiva, estabelecida na Comunidade, que tenha recebido um mandato escrito do fabricante para cumprir, em seu nome, a totalidade ou parte das obrigações e formalidades ligadas ao presente decreto -lei;
l) «Entrada em serviço»
a primeira utilização, na Comunidade, de uma máquina abrangida pelo presente decreto--lei de acordo com o fim a que se destina;
Manual da Formação
Técnico Superior de Higiene e Segurança no Trabalhoamb.085.00 33
m) «Norma harmonizada»
a especificação técnica, não obrigatória, adoptada por um organismo de normalização, a saber, o Comité Europeu de Normalização (CEN), o Comité Europeu de Normalização Electrotécnica (CENELEC) ou o Instituto Europeu de Normas de Telecomunicações (ETSI), com base num mandato conferido pela Comissão de acordo com os procedimentos estabelecidos na Directiva n.º 98/34/CE, do Parlamento Europeu e do Conselho, de 22 de Junho, relativa a um procedimento de informação no domínio das normas e regulamentações técnicas e das regras relativas aos serviços da sociedade da informação, transposta para a ordem jurídica interna pelo Decreto -Lei n.º 58/2000, de 18 de Abril, com as alterações de que foi objecto.
1.5.2.1. Aquisição de máquinas
A aquisição de qualquer equipamento deve ser precedida da elaboração de um caderno de encargos onde deverão estar bem explícitas todas as regras de segurança. Cada equipamento adquirido deverá possuir um manual de instruções com informação precisa sobre a sua manipulação e componente de segurança, devendo ser redigido em Português e de fácil compreensão.
1.5.3. Equipamento de trabalho
Os equipamentos de trabalho devem respeitar as regras técnicas relativas às exigências essenciais de segurança e protecção da saúde, não só pela exigência inerente à Directiva Máquinas (declaração de conformidade, procedimentos de comprovação complementares e marcação ―CE‖), mas também pelo facto dos custos de execução serem mais baixos e a instalação mais fácil durante a fase de concepção. Quando não for possível cumprir todos os requisitos legalmente estabelecidos, deverão ser adoptadas de uma forma inequívoca, por parte do fabricante, medidas que garantam as condições de segurança.
1.5.3.1. Princípios de concepção
As soluções mais fiáveis devem ser concebidas de origem, pela sua eficiência e baixo custo. Por isso, existem alguns princípios fundamentais que devem ser amplamente estudados, antes de se conceber um equipamento:
Respeitar prioridades na concepção: para que o risco de um equipamento seja o mais baixopossível e a eficácia maior na prevenção de acidentes, deve respeitar se a seguinte hierarquia:
Eliminar ou reduzir os riscos;
Adoptar medidas de protecção especiais para riscos que não possam ser eliminados;
Por último, informar os utentes dos seus perigos, dar formação específica e disponibilizar equipamento de protecção individual.
Segurança de produto— conceber um equipamento prevendo utilizações em condições normaise/ou anormais para evitar a sua utilização indevida;