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Anatomia Para Estudantes de Medicina - Richard S. Snell-Www.livrosGratis

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Titulo:

Titulo: An Anatoato mmiia - 2ª Ed.a - 2ª Ed.  Au

 Autoto r:r: Richard S. Snell Richard S. Snell Editora:

Editora: Medsi Editora Médica e Científica Ltda Medsi Editora Médica e Científica Ltda Publicação:

Publicação: 1984 1984

 Anatomia - 2ª

 Anatomia - 2ª Ed. - Capítulo Ed. - Capítulo 01 – Introdução01 – Introdução

Termos Anatômicos Descritivos

Termos Anatômicos Descritivos

TERMOS REFERENTES À POSIÇÃO

TERMOS REFERENTES À POSIÇÃO

Anatomia é o estudo da estrutura do corpo a inter-relação de suas partes

Anatomia é o estudo da estrutura do corpo a inter-relação de suas partes

constituintes. Todas as descrições do corpo humano baseiam-se na

constituintes. Todas as descrições do corpo humano baseiam-se na

suposição de que o indivíduo se encontra em posição ereta (em pé),

suposição de que o indivíduo se encontra em posição ereta (em pé),

membros superiores estendidos, aplicados ao tronco e com as palmas

membros superiores estendidos, aplicados ao tronco e com as palmas

voltadas para a frente (

(2)
(3)

Fig. 1-1.

Fig. 1-1. Termos anatômicos usados em relação à posição. Observar que as figuras Termos anatômicos usados em relação à posição. Observar que as figuras estão de pé na posição anatômica.

estão de pé na posição anatômica.

Esta é a chamada

Esta é a chamada  posição

 posição anatômica

anatômica. As diversas partes do corpo são,

. As diversas partes do corpo são,

portanto, descritas em relação a certos planos imaginários.

portanto, descritas em relação a certos planos imaginários.

O

O  plano

 plano mediano

mediano é um plano vertical que divide o corpo humano em

é um plano vertical que divide o corpo humano em

metades iguais, direita e esquerda (

metades iguais, direita e esquerda (

Fig. 1-1Fig. 1-1

). Os planos situados de um

). Os planos situados de um

ou de outro lado do plano mediano e paralelos a este são denominados

ou de outro lado do plano mediano e paralelos a este são denominados

 paramedianos

 paramedianos (planos sagitais). Uma estrutura situada mais próxima do

(planos sagitais). Uma estrutura situada mais próxima do

plano mediano do corpo do que outra é denominada

plano mediano do corpo do que outra é denominada medial

medial em relação

em relação

àquela. Da mesma forma, uma estrutura mais afastada do plano mediano

àquela. Da mesma forma, uma estrutura mais afastada do plano mediano

do

que

outra

é

do

que

outra

é

lateral

lateral

em

em

relação

relação

a

a

esta.

esta.

Os

Os planos f

 planos frontais

rontais (coronais) são planos verticais imaginários, em ângulo

(coronais) são planos verticais imaginários, em ângulo

reto em relação ao plano mediano (

reto em relação ao plano mediano (

Fig. 1-1Fig. 1-1

). Planos

). Planos horizontais

horizontais ou

ou

transversais

transversais situam-se em ângulo reto em relação aos planos mediano e

situam-se em ângulo reto em relação aos planos mediano e

coronal (

coronal (

Fig. 1-1Fig. 1-1

).

).

Os termos

Os termos anterior

anterior (ventral) e

(ventral) e  posterior 

 posterior . (dorsal) são utilizados para

. (dorsal) são utilizados para

indicar, respectivamente, a frente ou o dorso do corpo (

indicar, respectivamente, a frente ou o dorso do corpo (

Fig. 1-1Fig. 1-1

); de

); de

modo que, para se descrever a relação de duas estruturas, diz-se estar

modo que, para se descrever a relação de duas estruturas, diz-se estar

anterior ou posterior à outra na medida em que estiver mais próxima da

anterior ou posterior à outra na medida em que estiver mais próxima da

superfície

corporal

anterior

ou

posterior.

superfície

corporal

anterior

ou

posterior.

Descrevendo-se a mão, utilizam-se os termos faces

Descrevendo-se a mão, utilizam-se os termos faces  palmar

 palmar ee dorsal

dorsal em

em

lugar de anterior e posterior, e na descrição do pé, os termos faces

lugar de anterior e posterior, e na descrição do pé, os termos faces

 plantar

 plantar ee dorsal

dorsal são utilizados em vez de face superior e inferior (

são utilizados em vez de face superior e inferior (

Fig. 1-Fig. 1-11

). Os termos

). Os termos  proximal

 proximal ee distal

distal descrevem as distâncias relativas das

descrevem as distâncias relativas das

raízes dos membros; por exemplo, o braço é proximal ao antebraço, e a

raízes dos membros; por exemplo, o braço é proximal ao antebraço, e a

mão é distal ao antebraço.

mão é distal ao antebraço.

Os termos

Os termos superficial

superficial ee  profundo

 profundo indicam as distâncias relativas das

indicam as distâncias relativas das

estruturas da superfície do cor o, e os termos

estruturas da superfície do cor o, e os termos superior

superior ee inferior

inferior

estruturas relativamente altas ou baixas, com referência às extremidades

estruturas relativamente altas ou baixas, com referência às extremidades

superior e inferior do corpo.

superior e inferior do corpo.

Os termos

Os termos interno

interno ee externo

externo são utilizados para descrever a distância

são utilizados para descrever a distância

relativa de uma estrutura do centro de um órgão ou cavidade; por

relativa de uma estrutura do centro de um órgão ou cavidade; por

exemplo, a

exemplo, a artéria carótida interna

artéria carótida interna nutre as estruturas contidas na

nutre as estruturas contidas na

cavidade craniana e a

cavidade craniana e a artéria carótida externa

artéria carótida externa nutre as estruturas

nutre as estruturas

situadas fora desta cavidade.

situadas fora desta cavidade.

O termo

O termo ipsilateral 

ipsilateral   refere-se ao mesmo lado do corpo; por exemplo, a

  refere-se ao mesmo lado do corpo; por exemplo, a

mão esquerda e o pé esquerdo são

(4)

lados opostos do corpo; por exemplo, o

lados opostos do corpo; por exemplo, o músculo

músculo bíceps braquial

bíceps braquial

esquerdo e o

esquerdo e o músculo reto femoral

músculo reto femoral direito são contralaterais.

direito são contralaterais.

A posição

A posição supina

supina do corpo é a posição de decúbito dorsal; a posição

do corpo é a posição de decúbito dorsal; a posição em

em

 pronação

 pronação é a de decúbito ventral.

é a de decúbito ventral.

TERMOS RELACIONADOS AO MOVIMENTO

TERMOS RELACIONADOS AO MOVIMENTO

O ponto em que dois ou mais ossos se conectam é conhecido como

O ponto em que dois ou mais ossos se conectam é conhecido como

articulação.

articulação.  Algumas articulações não apresentam movimento (suturas

  Algumas articulações não apresentam movimento (suturas

do crânio); outras possuem apenas movimentos limitados (articulação

do crânio); outras possuem apenas movimentos limitados (articulação

tibiofibular superior), e algumas movimentam-se livremente (articulação

tibiofibular superior), e algumas movimentam-se livremente (articulação

do ombro).

do ombro).

Flexão

Flexão é o movimento que tem lugar no plano mediano. Por exemplo, a

é o movimento que tem lugar no plano mediano. Por exemplo, a

flexão da articulação do cotovelo aproxima a superfície anterior do

flexão da articulação do cotovelo aproxima a superfície anterior do

antebraço da superfície anterior do braço. É usualmente um movimento

antebraço da superfície anterior do braço. É usualmente um movimento

anterior, porém é por vezes posterior, como no caso da articulação do

anterior, porém é por vezes posterior, como no caso da articulação do

 joelho (

(5)

Fig. 1-2.

Fig. 1-2. Alguns termos anatômicos utilizados em relação ao movimento. Observar Alguns termos anatômicos utilizados em relação ao movimento. Observar a diferença entre flexão do cotovelo e do joelho.

a diferença entre flexão do cotovelo e do joelho.

Extensão

Extensão significa uma retificação da articulação, e usualmente ocorre

significa uma retificação da articulação, e usualmente ocorre

numa direção posterior (

numa direção posterior (

FigFig. 1-. 1-22

).

).

Flexão lateral

Flexão lateral é um movimento do tronco no plano coronal frontal (

é um movimento do tronco no plano coronal frontal (

Fig. 1-Fig. 1-33

).

).

(6)

Fig

Fig. 1-. 1-3.3. Termos anatômicos adicionais utilizados em relação ao movimento. Termos anatômicos adicionais utilizados em relação ao movimento.

 Abdução

 Abdução de um membro é um movimento em que este se afasta da linha

de um membro é um movimento em que este se afasta da linha

mediana do corpo, no plano coronal (

mediana do corpo, no plano coronal (

Fig. 1-2Fig. 1-2

).

).

 Adução

 Adução do membro é um movimento em direção ao corpo, no plano

do membro é um movimento em direção ao corpo, no plano

coronal (

coronal (

Fig. 1-2Fig. 1-2

). Nos dedos das mãos e dos pés, a abdução aplica-se no

). Nos dedos das mãos e dos pés, a abdução aplica-se no

afastamento destas estruturas, e a adução aplica-se à aproximação (

afastamento destas estruturas, e a adução aplica-se à aproximação (

Fig.Fig. 1-3

1-3

).

).

Rotação

Rotação é o termo aplicado ao movimento de uma parte do corpo em

é o termo aplicado ao movimento de uma parte do corpo em

torno de seu eixo longitudinal. Rotação medial é o movimento que resulta

torno de seu eixo longitudinal. Rotação medial é o movimento que resulta

na superfície anterior da parte voltada para a linha mediana; rotação

na superfície anterior da parte voltada para a linha mediana; rotação

lateral é o movimento que resulta na superfície anterior da parte voltada

lateral é o movimento que resulta na superfície anterior da parte voltada

lateralmente.

(7)

Pronação do antebraço é uma rotação medial do antebraço (

Fig.1-3

).

Supinação do antebraço é uma rotação lateral deste, a partir da posição

pronada, de modo que a palma da mão esteja voltada anteriormente

(

Fig. 1-3

).

Circundução é a combinação, em seqüência, dos movimentos de flexão,

extensão, abdução e adução (

Fig. 1-2

).

Protração é mover-se para a frente; retração é mover-se para trás

(usado para descrever o movimento da mandíbula para adiante e para

trás

nas

articulações

temporomandibulares).

Inversão é o movimento do pé de modo que a face plantar esteja voltada

em direção medial (

Fig. 1-3

). Eversão é o movimento oposto do pé de

modo que a face plantar esteja voltada lateralmente (

Fig. 1-3

).

Algumas Estruturas Anatômicas Básicas

PELE

A pele é dividida em duas partes distintas, a parte superficial - epiderme

-, e a parte profunda - derme (

Fig. 1-4

).

(8)

Fig. 1-4. Estruturas geral da pele e sua relação as camadas superficial e profunda da fáscia. Observar que os folículos pilosos estendem-se para baixo e para dentro da parte mais profunda da derme, ou mesmo para dentro da fáscia superficial, enquanto as glândulas sudoríparas estendem-se profundamente para dentro da fáscia superficial.

A epiderme é um epitélio estratificado cujas células se tornam achatadas

à medida que envelhecem e afloram à superfície. Nas palmas das mãos e

plantas dos pés, a epiderme é extremamente espessa para suportar o

uso e o desgaste destas regiões. Em outras áreas do corpo, por exemplo

na superfície anterior do braço e antebraço, ela é fina. A derme é

composta de tecido conectivo denso contendo muitos vasos sangüíneos,

linfáticos e nervos. Apresenta uma variação considerável de espessura,

em diferentes partes do corpo, tendendo a ser mais fina na superfície

anterior do que na posterior. É também mais fina nas mulheres do que

nos homens. A derme da pele está conectada com a fáscia muscular

subjacente ou com os ossos, através da tela subcutânea, também

conhecida

como

tecido

subcutâneo.

Na derme (cório), os feixes de fibras colágenas estão dispostos, em sua

maioria, em filas paralelas. Uma incisão cirúrgica através da pele, feita ao

longo ou entre essas fileiras, provoca um desarranjo mínimo do colágeno,

e a ferida cicatriza com um mínimo de tecido cicatricial. Por outro lado,

uma incisão feita através das filas de colágeno rompe e altera a pele,

resultando na produção maciça de colágeno fresco e na formação de uma

cicatriz ampla e de mau aspecto. A direção das fileiras de colágeno é

conhecida como linhas de clivagem (linhas de Langer); elas tendem a

correr longitudinalmente nos membros e circunferencialmente

(transversais) no pescoço e no tronco (

Fig. 1-5

).

Fig. 1-5. Linhas de clivagem da pele (modificado de Last).

A pele situada sobre as articulações é sempre dobrada num mesmo

lugar, a pele enrugada (

Fig. 1-6

).

(9)

Fig. 1-6.  Os diversos sulcos cutâneos na superfície palmar da mão e superfície anterior da articulação do punho. A relação da unha com as outras estruturas de dedo também é demonstrada.

Nestes pontos a pele é mais fina do que em qualquer outro local, estando

firmemente fixada às estruturas subjacentes por faixas mais fortes de

tecido

fibroso.

Os apêndices da pele são as unhas, folículos capilares, glândulas

sebáceas e glândulas sudoríparas.

As unhas são placas queratinizadas, situadas nas superfícies dorsais das

extremidades dos dedos das mãos e dos pés. A extremidade proximal da

placa é a raiz da unha (

Fig. 1-6

). Com exceção da extremidade distal da

placa, a unha é delimitada e recoberta por camadas de pele conhecidas

como perioníquio. A superfície da pele coberta da unha é o leito ungueal

(

Fig. 1-6

).

Os cabelos crescem dos folículos, que são invaginações da epiderme em

direção à derme (

Fig. 1-4

). O folículo situa-se obliquamente em relação à

superfície cutânea, e suas extremidades expandidas, chamadas bulbos

capilares, penetram até a parte mais profunda da derme. Cada bulbo

capilar é côncavo na sua extremidade, e a concavidade é ocupada por

tecido conectivo vascular, a  papila capilar . Uma faixa de músculo liso, o

músculo eretor do pêlo, conecta a parte de folículo situada abaixo da

superfície com a parte superficial da derme (

Fig. 1-4

). O músculo é

inervado por fibras simpáticas, e sua contração faz com que o pêlo se

movimente para uma posição mais vertical; ele também comprime a

glândula sebácea e provoca a eliminação de parte de sua secreção. O

estiramento do músculo também provoca a ondulação da superfície

(10)

cutânea, assim chamada  pele arrepiada. Os pêlos estão distribuídos em

quantidade variada, sobre toda a superfície corporal, exceto nos lábios,

palmas das mãos, parte lateral dos dedos, glande do pênis e clitóris,

lábios menores, superfície interna dos lábios maiores, superfície plantar e

parte lateral dos pés, e na parte lateral dos dedos.

As glândulas sebáceas eliminam sua secreção, o sebo, dentro das hastes

dos pêlos, quando eles passam através do istmo dos folículos. Estão

situadas na parte inclinada abaixo da superfície dos os folículos e

permanecem no interior da derme (

Fig. 1-4

). O sebo é um material

oleoso, que ajuda a conservar a flexibilidade do pêlo emergente. Também

lubrifica a epiderme superficial em torno da abertura do folículo.

As glândulas sudoríparas são longas, espiraladas e tubulares, distribuídas

na superfície do corpo, exceto nas margens avermelhadas dos lábios,

leitos ungueais, glande do pênis e clitóris (

Fig. 1-4

). Estendem-se através

de toda a espessura da derme e suas extremidades, e podem estar

situadas na fáscia superficial. Por conseguinte, de todos os apêndices

epidérmicos, as glândulas sudoríparas são as estruturas que penetram

mais profundamente.

FÁSCIAS

As fáscias do corpo podem ser divididas em dois tipos: superficiais e

 profundas. Estão situadas entre a pele e os músculos e ossos

subjacentes.

A tela subcutânea, ou fáscia superficial , é uma mistura de tecido adiposo

e areolar frouxo que une a derme da pele à fáscia profunda subjacente.

No couro cabeludo, parte posterior do pescoço, palmas das mãos e

plantas dos pés, ela contém numerosos feixes de fibras colágenas que

mantêm a pele firmemente ligada às estruturas mais profundas. Nas

sobrancelhas, orelha, pênis e escroto, e clitóris, ela é desprovida de

tecido adiposo.

A fáscia muscular é uma camada membranosa de tecido conectivo que

reveste os músculos e outras estruturas profundas (

Fig. 1-7

).

(11)

Fig. 1-7.  Secção transversal ao nível do terço distal do braço direito, para demonstrar a disposição das fáscias superficial e profunda. Observar como septos fibrosos estendem-se entre grupos de músculos, que dividem o braço em compartimentos fasciais.

No pescoço, forma camadas bem definidas que podem desempenhar um

papel importante, determinando a via de propagação de organismos

patogênicos durante a disseminação da infecção. No tórax e abdome, é

simplesmente uma película fina de tecido areolar que cobre os músculos

e aponeuroses. Nos membros, forma uma bainha definida ao redor dos

músculos e outras estruturas, mantendo-os em Posição. Septos fibrosos

que se estendem a partir da superfície profunda da membrana, entre

grupos musculares, e em muitos lugares, dividem-se até o interior dos

membros em compartimentos (

Fig. 1-7

). Na região das articulações, a

fáscia profunda pode estar consideravelmente espessada, formando

faixas de retenção, denominadas retináculos (

Fig. 1-8

).

Fig. 1-8.  Retináculo extensor na superfície posterior do punho, sustentando os tendões dos músculos extensores em posição.

Sua função é manter os tendões subjacentes em posição, ou servir como

roldanas ou polias ao redor das quais os tendões podem se movimentar.

(12)

MÚSCULOS

Existem três tipos de músculos: esqueléticos, lisos, e cardíaco.

MÚSCULO ESQUELÉTICO

Os músculos esqueléticos são os que realizam os movimentos do

esqueleto; algumas vezes são chamados músculos voluntários, e

constituem-se de fibras musculares estriadas. O músculo esquelético tem

duas ou mais conexões com os ossos. A conexão que se movimenta

menos é referida como a origem, e a que se move mais, como a inserção

(

Fig. 1-9

).

Fig. 1-9. Origem, inserção e ventre do músculo braquial.

Sob circunstâncias variadas, o grau de mobilidade das conexões pode ser

invertido e portanto os termos origem e inserção são intercambiáveis.

A parte carnosa do músculo é denominada ventre (

Fig. 1-9

). As

extremidades de um músculo estão ligadas aos ossos, cartilagens ou

ligamentos por cordões de tecido fibroso denominados tendões (

Fig. 1-10

).

(13)

Fig. 1-10. Exemplo de (1) um tendão, (2) uma aponeurose, e (3) uma rafe.

Ocasionalmente, músculos planos estão ligados por uma lâmina fina mas

forte de tecido fibroso denominada aponeurose (

Fig. 1-10

). Uma rafe é

uma interdigitação das extremidades tendinosas das fibras dos músculos

planos (

Fig. 1-10

).

ESTRUTURA INTERNA DO MÚSCULO ESQUELÉTICO

As fibras musculares são mantidas juntas por um delicado tecido areolar

que se condensa na superfície para formar um revestimento fibroso, o

epimísio (

Fig. 1-11

).

(14)

Fig. 1-11.  (A) Secção transversal de um músculo, mostrando feixes e fibras musculares, envolvidos e suportados por tecido conectivo. Observar a entrada do tronco nervoso e dos vasos sangüíneos. (B) Músculo em repouso e contraído, demonstrando como fibras musculares em contração encurtam de 1/3 a 1/2 seu comprimento em repouso. Observar como o músculo fica tumefeito. (C) As diferentes formas de estrutura interna de músculo esquelético.

As fibras individuais de um músculo são dispostas em sentido paralelo ou

oblíquo ao longo eixo do músculo. Considerando-se que quando se

contrai um músculo encurta-se de um terço da metade de seu

comprimento em repouso, segue-se então que músculos cujas fibras

correm paralelas à linha de estiramento provocam maior grau de

movimento, em comparação com aqueles cujas fibras correm

obliquamente. Exemplos de músculos com fibras dispostas em paralelo

(

Fig. 1-11

) são o esternocleidomastóideo, o reto do abdome e o sartório.

Os músculos cujas fibras correm obliquamente à linha de estiramento são

denominados músculos peniformes (assemelham-se a uma pena) (

Fig. 1-11

). Um músculo unipenado é aquele em que o tendão situa-se ao longo

de um dos lados do músculo, e as fibras musculares passam em sentido

oblíquo a ele (por exemplo, extensor digitorum longus). Um músculo

bipenado é aquele em que o tendão situa-se no centro do músculo e as

fibras musculares passam dos dois lados em relação a ele (p. ex., o reto

femoral ). Um músculo multipenado (1) pode se dispor como uma série de

músculos bipenados um ao lado do outro (por exemplo, fibras acromiais

do deltóide); ou (2) pode apresentar um tendão no interior do seu

centro, as fibras musculares passando de todos os lados em relação a

ele, convergindo à medida que passam (por exemplo, tibial anterior ).

Para um determinado volume de substâncias musculares, os músculos

peniformes apresentam muito mais fibras quando comparados com os

músculos de fibras dispostas em paralelo, sendo por conseguinte mais

potentes; em outras palavras, a amplitude do movimento foi sacrificada

pela força.

TÔNUS E AÇÃO MUSCULAR

Uma unidade motora consiste em um neurônio motor da coluna cinzenta

anterior, ou de uma coluna anterior da medula espinhal e todas as fibras

musculares supridas por ele (

Fig. 1-12

).

(15)

Fig. 1-12. Componentes de uma unidade motora.

Num grande músculo das nádegas, como o glúteo maior , onde o controle

delicado é desnecessário, um determinado neurônio motor pode suprir

até 200 fibras musculares. Em contraste, nos pequenos músculos das

mãos ou nos músculos intrínsecos da órbita, onde é necessário um

controle delicado, uma fibra nervosa supre apenas algumas fibras

musculares.

Quando em estado de repouso, todo músculo esquelético está em parcial

estado de contração. Esta condição é denominada tônus muscular.

Considerando-se que as fibras musculares estão totalmente contraídas ou

relaxadas, não existindo estágio intermediário, poucas fibras musculares

num determinado músculo estão completamente contraídas durante todo

o tempo. Para dar origem a este estado e evitar fadiga, diferentes grupos

de unidades motoras e, deste modo, diferentes grupos de fibras

musculares são postos em ação em diferentes tempos. Isto é realizado

pela descarga assíncrona dos impulsos nervosos nos neurônios motores

do como cinzento anterior da medula espinhal.

Basicamente, o tônus muscular depende da integridade de um simples

arco reflexo monossináptico composto de dois neurônios no sistema

nervoso (

Fig. 1-13

).

(16)

Fig. 1-13.  (A) Arco reflexo simples, consistindo em um neurônio aferente, que se origina nos fusos musculares e fusos tendinosos, e de um neurônio eferente, cujo corpo celular situa-se na coluna cinzenta anterior da medula espinhal. (B) Axônio do neurônio motor, que termina na fibra muscular situada numa placa motora terminal. (C) Estrutura do fuso muscular.

O grau de tensão do músculo é detectado por terminações sensoriais

sensitivas denominadas fusos musculares e fusos tendinosos (

Fig. 1-13

).

Os impulsos nervosos atravessam neurônios aferentes que entram na

medula espinhal. Aí, fazem sinapse com os neurônios motores situados

na coluna cinzenta anterior, que, por sua vez, envia impulsos para baixo,

através de seus axônios, para as fibras musculares (

Fig. 1-13

). Se as vias

aferentes ou eferentes deste arco reflexo simples fossem cortadas, o

músculo perderia imediatamente o seu tônus e tornar-se-ia flácido. O

músculo flácido é sentido à palpação como uma massa pastosa, tendo

perdido completamente a sua elasticidade. Atrofia-se rapidamente e

passa a ter volume reduzido. É importante compreender que o grau de

atividade das células da coluna cinzenta anterior, e por conseguinte o

grau de tônus muscular, depende da soma dos impulsos nervosos

recebidos por estas células de outros neurônios do sistema nervoso.

O movimento muscular é realizado acionando-se um número cada vez

maior de unidades motoras e, ao mesmo tempo, reduzindo-se a atividade

das unidades motoras dos músculos que se opõem ou antagonizam o

(17)

movimento. Quando é necessário um esforço máximo, todas as unidades

motoras de um músculo são postas em ação.

É importante compreender que todos os movimentos são a conseqüência

da ação coordenada de muitos músculos. Entretanto, para compreender a

ação de um músculo é necessário estudá-lo individualmente.

Um músculo pode trabalhar do seguinte modo: como (1) agonista, (2)

antagonista, (3) fixador, e (4) sinergista.

AGONISTA. Um músculo é agonista quando é o principal músculo ou

membro de um grupo principal de músculos responsável por um

movimento particular. Por exemplo, o quadríceps femoral   é agonista no

movimento de extensão da articulação do joelho (

Fig. 1-14

).

Fig. 1-14. Diferentes tipos de ação muscular. (A) Quadríceps femoral estendendo o  joelho como agonista, bíceps femoral atuando como antagonista. (B) Bíceps femoral fletindo o joelho como agonista, e quadríceps atuando como antagonista. (C) Músculos situados em torno da cintura escapular fixando a escápula de modo que o movimento de abdução na articulação do ombro possa ser realizado. (D) Músculos flexor e extensor do carpo atuando como sinergistas e estabilizando o carpo de modo que os tendões flexor e extensor possam fletir e estender os dedos.

ANTAGONISTA. Qualquer músculo que se opõe à ação do agonista é um

antagonista. Por exemplo, o bíceps femoral  opõe-se à ação do quadríceps

femoral quando a articulação do joelho é estendida (

Fig. 1-14

). Antes que

(18)

o agonista possa se contrair, deve haver igual relaxamento do músculo

antagonista; isto é causado pela inibição do reflexo nervoso.

FIXADOR. É um músculo que se contrai isometricamente para estabilizar

a origem do agonista de modo que este possa atuar eficientemente. Por

exemplo, os músculos que unem a cintura escapular ao tronco

contraem-se como fixadores para permitir ao deltóide atuar sobre a articulação do

ombro (

Fig. 1-14

).

SINERGISTA. Existem muitos exemplos no corpo, onde um músculo

agonista cruza um grande número de articulações antes de alcançar

aquela em que sua ação principal tem lugar. Para impedir um movimento

indesejado numa articulação intermediária, grupos de músculos

denominados sinergistas, contraem-se e estabilizam as articulações

intermediárias. Por exemplo, os músculos flexor e extensor do carpo

contraem-se para fixar a articulação do punho, o que permite aos

músculos extensor e flexor longos dos dedos trabalhar eficientemente

(

Fig. 1-14

).

Deve-se compreender que estes são os termos aplicados na ação de um

músculo particular durante um movimento particular; muitos músculos

podem atuar como agonista, antagonista, fixador ou sinergista,

dependendo

do

movimento

a

ser

realizado.

INERVAÇÃO DOS MÚSCULOS ESQUELÉTICOS

O tronco nervoso para um músculo é um nervo misto, cerca de 60%

motor e 40% sensorial, e também contém algumas fibras simpáticas

autônomas. O nervo entra no músculo próximo da parte média, sob a sua

superfície profunda, muitas vezes próximo da margem; o local de entrada

é conhecido como  ponto motor (

Fig. 1-11

). Esta disposição permite ao

músculo movimentar-se com o mínimo de interferência do tronco nervoso

As fibras motoras são de dois tipos: as fibras alfa, maiores, derivadas de

grandes células da coluna cinzenta anterior, e as fibras gama, menores,

derivadas de células menores da medula espinhal. Todas as fibras são

mielinizadas e terminam dividindo-se em muitos ramos, cada um dos

quais termina em uma fibra muscular na  placa motora terminal (

Fig. 1-13

). Cada fibra muscular possui pelo menos uma placa motora terminal;

(19)

As fibras sensoriais ou sensitivas são mielinizadas e originam-se de

terminações sensoriais especializadas, situando-se no interior dos

músculos ou tendões denominados fusos musculares ou fusos tendinosos,

respectivamente. Estas terminações são estimuladas por tensão no

músculo, que pode ocorrer durante contração ativa ou estiramento

passivo. A função destas fibras sensoriais é dirigir, para o sistema

nervoso central, as informações relativas ao grau de tensão dos

músculos. Isto é essencial para a manutenção do tônus muscular e da

postura corporal, para realizar movimentos voluntários coordenados.

As fibras simpáticas são não-mielinizadas e passam para os músculos

lisos nas paredes dos vasos sangüíneos que suprem o músculo. Sua

função é regular o fluxo sangüíneo para os músculos.

MÚSCULO LISO

O músculo liso consiste em células longas, fusiformes, intimamente

dispostas em feixes ou camadas. Nos órgãos tubulares (ocos), fornecem

a força motora para impelir os conteúdos através do lúmen. No sistema

digestivo, também fazem com que os alimentos ingeridos sejam

completamente misturados com os sucos digestivos. Uma onda de

contração das fibras dispostas circularmente passa ao longo do canal,

ordenhando seu conteúdo para a frente. Por sua contração, as fibras

longitudinais empurram a parede do tubo no sentido proximal em relação

ao conteúdo. Este método de propulsão é denominado  peristalse.

Nos órgãos de armazenamento, como a bexiga urinária ou o útero, as

fibras estão irregularmente dispostas e entrelaçadas umas com as outras.

Sua contração é lenta e mantida, e provoca a expulsão do conteúdo dos

órgãos. Nas paredes dos vasos sangüíneos, as fibras musculares lisas são

dispostas de modo circular e servem para modificar o calibre do lúmen.

Dependendo do órgão, as fibras musculares lisas podem determinar a

contração pelo estiramento local das fibras, por impulsos nervosos dos

nervos autônomos, ou por estímulo hormonal.

MÚSCULO CARDÍACO

O músculo cardíaco consiste em fibras musculares estriadas que se

ramificam e se unem umas com as outras. É encontrado no miocárdio do

coração. Suas fibras tendem a se dispor obliquamente e em espirais e

apresentam a propriedade da contração rítmica e espontânea. As fibras

(20)

musculares cardíacas especializadas formam o sistema de condução do

coração.

O músculo cardíaco é suprido por fibras nervosas autônomas que

terminam nos nodos do sistema de condução e no miocárdio.

ARTICULAÇÃO

O local onde dois ou mais ossos entram em contato, exista ou não

movimento entre eles, é denominado articulação. As articulações são

classificadas de acordo com o tecido que existe entre os ossos:

articulações

fibrosas,

cartilaginosas

e

sinoviais.

 ARTICULAÇÕES FIBROSAS

As superfícies articulares dos ossos são unidas por tecido fibroso (

Fig. 1-15

),

(21)

Fig. 1-15. Exempla de três tipos de articulação.

e assim os movimentos são muito restritos. O grau de movimento

depende do comprimento das fibras colágenas que unem os ossos. As

suturas da abóbada craniana e as articulações tibiofibulares inferiores são

exemplos

de

articulações

fibrosas.

 ARTICULAÇÕES CARTILAGÍNEAS

As articulações cartilagíneas podem ser divididas em dois tipos:  primárias

e secundárias. Uma articulação cartilagínea primária é aquela em que os

ossos são unidos por uma placa ou barra de cartilagem hialina. Desta

maneira, a união entre a epífise e a diáfise de um osso em crescimento e

(22)

a situada entre a primeira costela e o manúbrio esternal constituem

exemplos deste tipo de articulação. Nenhum movimento é possível.

Numa articulação cartilagínea secundária, os ossos são unidos por uma

placa de fibrocartilagem; as superfícies articulares dos ossos são cobertas

por fina camada de cartilagem hialina. Exemplos são as articulações

intervertebrais (

Fig. 1-15

) e a sínfise púbica. A quantidade de movimento

possível depende das qualidades físicas da fibrocartilagem. (Ver Sínfise

Púbica na Gravidez.)

 ARTICULAÇÕES SINOVIAIS

As superfícies articulares dos ossos são cobertas por fina camada de

cartilagem hialina, separada por uma cavidade articular sinovial (

Fig. 1-15

). Esta disposição permite maior liberdade de movimentos. A cavidade

da articulação é limitada por uma membrana sinovial que se estende das

margens de uma superfície articular às margens da outra. A membrana

sinovial é protegida do lado externo por uma dura membrana fibrosa,

denominada cápsula da articulação (cápsula articular). As superfícies

articulares são lubrificadas por um líquido viscoso denominado líquido

sinovial . Em certas articulações sinoviais, por exemplo, a articulação do

 joelho, discos ou cunhas de fibrocartilagem estão interpostos entre as

superfícies articulares dos ossos. Estes são denominados discos

articulares.

Coxins gordurosos são encontrados em algumas articulações sinoviais

situadas entre a membrana sinovial e a cápsula fibrosa ou osso.

Exemplos são encontrados na bacia (

Fig. 1-15

) e articulações do joelho.

O grau de movimento em uma articulação sinovial está limitado pela

forma dos ossos que participam da articulação pela aproximação das

estruturas anatômicas adjacentes (por exemplo, a coxa contra a parede

abdominal anterior, fletindo-se a articulação da bacia), e a presença de

ligamentos fibrosos que unem os ossos. A maior parte dos ligamentos

situa-se fora da cápsula articular, porém no joelho, alguns ligamentos

importantes, os ligamentos cruzados, situam-se dentro da cápsula (

Fig. 1-16

).

(23)

Fig. 1-16.  Os três fatores Principais responsáveis pela estabilização de uma articulação. (A) Forma das superfícies articulares, (B) ligamentos, e (C) tônus muscular.

ESTABILIDADE ARTICULAR

A estabilidade de uma articulação depende de três fatores principais: (1)

a forma, o tamanho e a disposição das superfícies articulares; (2) os

ligamentos; e (3) o tônus dos músculos em torno da articulação.

SUPERFÍCIES ARTICULARES

A disposição em bola-e-luva da articulação do quadril (

Fig. 1-16

) e a

disposição em encaixe da articulação do tornozelo são bons exemplos de

como a forma do osso desempenha um papel importante na estabilidade

articular. Existem todavia outros exemplos de articulações em que a

forma do osso contribui pouco, ou nada, para a estabilidade; por

exemplo, a articulação acromioclavicular, a calcaneocubóide, e a

articulação do joelho.

LIGAMENTOS

Os ligamentos fibrosos impedem o movimento excessivo em uma

articulação (

Fig. 1-16

), porém se o estresse continua por tempo

excessivamente longo, os ligamentos fibrosos se distendem. Por

exemplo, os ligamentos articulares entre os ossos que formam os arcos

dos pés não mantêm por si mesmos o peso do corpo. No caso de o tônus

muscular, que normalmente mantém os arcos, ficar prejudicado pela

(24)

fadiga, os ligamentos se distendem e os arcos entram em colapso,

causando pés chatos.

Os ligamentos elásticos por outro lado, voltam ao seu comprimento

original após estiramento. Os ligamentos elásticos dos ossículos auditivos

desempenham papel ativo na manutenção das articulações e ajudam no

retorno dos ossos à sua posição original após os movimentos.

TÔNUS MUSCULAR

Na maior parte das articulações, o tônus muscular é o principal fator para

controlar a estabilidade. Por exemplo, o tônus muscular dos músculos

curtos em torno da articulação do ombro mantém a cabeça hemisférica

do úmero no oco da cavidade glenóide. Sem a ação destes músculos,

seria necessária uma força muito pequena para deslocar essa articulação.

A articulação dos joelhos é muito instável sem a atividade tônica do

músculo quadríceps femoral. As articulações entre os pequenos ossos que

formam os arcos dos pés são, em grande parte, mantidas pelo tônus

muscular da perna, cujos tendões estão inseridos nos ossos dos pés (

Fig. 1-16

).

INERVAÇÃO DAS ARTICULAÇÕES

A cápsula e os ligamentos recebem abundante inervação sensorial. Os

vasos sangüíneos recebem fibras simpáticas autônomas. A cartilagem

que cobre as superfícies articulares possui apenas algumas poucas

terminações nervosas próximo à sua extremidade. A superdistensão da

cápsula e dos ligamentos produz contração reflexa dos músculos situados

ao redor da articulação; uma distensão excessiva causa dor. Os

receptores de distensão situados no interior da cápsula e dos ligamentos

estão continuamente enviando informações proprioceptivas para o

sistema nervoso central, mantendo-o informado partir dos fusos

musculares coordenando os movimentos voluntários.

As fibras simpáticas controlam o suprimento sangüíneo para a

articulação.

Lei de Hilton: Um nervo que supre uma articulação também supre os

músculos que movimentam a articulação e a pele sobre as inserções

destes músculos.

(25)

LIGAMENTOS

O ligamento é um tendão ou uma faixa de tecido conectivo que une duas

estruturas. Comumente encontrados em associação com as articulações,

os ligamentos são de dois tipos: a maioria é composta de densos feixes

de fibras colágenas e não podem ser distendidos sob condições normais

(por exemplo, ligamento iliofemoral da articulação do quadril, ligamentos

colaterais da articulação do tornozelo). O segundo tipo é composto, em

grande parte, de tecido elástico, e por conseguinte pode refazer o seu

comprimento original após a distensão (por exemplo, ligamento flavo da

coluna

vertebral

e

ligamento

calcaneonavicular

do

pé).

BOLSAS

Uma bolsa é um aparelho de lubrificação que consiste de um saco fibroso- fechado, delimitado por fina membrana lisa. Suas paredes são separadas por uma camada de líquido viscoso. As bolsas são encontradas sempre que os tendões são atritados contra ossos, ligamentos, ou outros tendões. São comumente encontradas próximo das articulações, onde a pele se atrita contra estruturas ósseas subjacentes, por exemplo, a bolsa pré-patelar (Fig. 1-17).

Fig. 1-17. (A) Quatro bolsas relacionadas à parte frontal da articulação do joelho. Observar que a bolsa suprapatelar comunica-se com a cavidade da articulação. (H) Bainha sinovial, demonstrando como os vasos sanguíneos alcançam o tendão através do mesotendão.

Ocasionalmente, a cavidade de uma bolsa comunica-se com a cavidade da articulação sinovial. Por exemplo, a bolsa suprapatelar comunica-se com a articulação do joelho (Fig. 1-17), e a bolsa subescapular comunica-se com a articulação do ombro.

(26)

BAINHA SINOVIAL

Uma bainha sinovial é uma bolsa tubular que cerca um tendão. O tendão invagina a bolsa de um lado, ficando suspenso no interior da bolsa por um mesotendão (Fig. 1-17). Este permite a entrada dos vasos sangüíneos no tendão ao longo de seu curso. Em certas situações, onde a variação do movimento é extensa, o mesotendão desaparece ou permanece na forma de fios estreitos, os vínculos ou freios (por exemplo, os tendões flexores longos dos dedos das mãos e dos pés). VASOS SANGÜÍNEOS

Os vasos sangüíneos são de três tipos: artérias, velas e capilares (Fig. 1-18).

Fig. 1-18. Esquema geral da circulação sanguínea vascular.

As artérias levam o sangue do coração e o distribuem para os vários tecidos do corpo por meio de seus ramos (Figs. 1-18 e 1-19).

(27)

Fig. 1-19.  Diferentes tipos de vasos sangüíneos e seus métodos de união. Observar a diferença entre a artéria terminal anatômica e a artéria terminal funcional.

As artérias menores, inferiores a 0,1 mm, de diâmetro, são denominadas arteríolas. A união de ramos das artérias é denominada anastomose. Não existem valvas nas artérias.

As artérias terminais anatômicas (Fig. 1-19) são vasos cujos ramos terminais não se anastomosam com os ramos das artérias que suprem áreas adjacentes. Artérias terminais funcionais são vasos cujos ramos terminais se anastomosam com os das artérias adjacentes, mas o calibre da anastomose é insuficiente para manter vivo o tecido caso uma das artérias se torne ocluída.

As veias são vasos que levam o sangue de volta para o coração; multas delas possuem valvas. As veias menores são denominadas vênulas (Fig. 1-19). As veias menores, ou tributárias ou afluentes, unem-se para formar veias maiores, que

(28)

comumente se ligam umas com as outras para formar plexos venosos. As artérias profundas de médio calibre são muitas vezes acompanhadas de duas veias, uma de cada lado, denominadas venae comitantes.

As veias que saem do trato gastrointestinal não vão diretamente para o coração, mas convergem para a veia porta; esta entra no fígado e divide-se novamente em veias de tamanho cada vez menor, que por fim se unem aos capilares dos lóbulos hepáticos (Fig. 1-19). Assim, o sistema porta é um sistema de vasos interpostos entre dois leitos capilares.

Os capilares são vasos microscópicos com a forma de uma rede conectando as arteríolas às vênulas (Fig. 1-19).

Em algumas áreas do corpo, sobretudo nas pontas dos dedos das mãos e do pé, existem conexões diretas entre as artérias e as veias, sem a intervenção de capilares. Os locais destas conexões são denominados anastomoses arteriovenosas.

SISTEMA LINFÁTICO

Linfa é o nome dado ao líquido tissular depois de entrar em um vaso linfático. Os capilares linfáticos são uma rede de finos vasos que drenam a linfa dos tecidos. Estes capilares, por sua vez, são drenados por pequenos vasos linfáticos, que se unem para formar grandes vasos linfáticos. Os vasos linfáticos apresentam um aspecto em contas devido à presença de numerosas valvas ao longo de seu curso. A linfa é por fim drenada na corrente sangüínea, mas antes que isso aconteça, ela passa através de pelo menos um nódulo linfático ou linfonodo, freqüentemente através de vários linfonodos. Os vasos linfáticos que levam a linfa para o linfonodo são denominados vasos aferentes (Fig. 1-20);

(29)

Fig. 1-20. (A) Ducto torácico e ducto linfático direito e seus principais tributários. (É) Áreas do corpo drenadas no ducto torácico (claro), e ducto linfático direito (escurecida). (C) Estrutura geral de um linfonodo. (D) Vasos linfáticos e nódulos do membro superior.

os que a transportam para fora do linfonodo são os vasos eferentes. A linfa alcança a corrente sangüínea, na raiz do pescoço, por grandes vasos linfáticos denominados ducto linfático direito e ducto torácico (Fig. 1-20).

SISTEMA NERVOSO

O sistema nervoso é dividido em duas partes principais: sistema nervoso central, composto de cérebro e medula espinhal, e sistema nervoso periférico, composto de nervos cranianos e espinhais e seus gânglios associados.

O sistema nervoso central é composto de grande número de células nervosas e suas ramificações, mantidas por tecido especializado denominado neuróglia. Neurônio é o nome dado à célula nervosa e todas as suas ramificações. As ramificações longas de uma célula nervosa são denominadas axônios, ou fibras nervosas(Fig. 1-23).

(30)

Fig. 1-23. (A) Neurônio motor multipolar e neurônio conector fazendo sinapse entre si. (B) Secção através do segmento torácico da medula espinhal com raízes espinhais e gânglio da raiz posterior. (C) Secção transversal do segmento torácico da medula espinhal, mostrando raízes, nervo espinhal, ramos anteriores e posterior e suas ramificações.

O interior do sistema nervoso central é organizado em substância branca e cinzenta. A substância cinzenta consiste em células nervosas e das porções proximais; de suas ramificações, encerradas em neuróglia. A substância branca consiste em fibras nervosas encerradas em neuróglia.

Na dissecção do sistema nervoso periférico, observa-se que os nervos cranianos e espinhais são cordões de coloração branco-acinzentada. São constituídos de feixes de fibras nervosas mantidos por fino tecido areolar.

Existem 12 pares de nervos cranianos que partem do cérebro e passam através de forâmens do crânio. Existem 31 pares de nervos espinhais que partem da medula espinhal e passam através de forâmens intervertebrais na coluna vertebral (Figs. 1-21 e 1-22).

(31)

Fig. 1-21. Cérebro, medula espinhal, nervos espinhais e plexos dos membros.

Fig. 1-22.  Associação entre medula espinhal, nervos espinhais e troncos simpáticos.

Os nervos espinhais são denominados de acordo com as regiões da coluna vertebral com as quais estão associados: 8 cervicais, 12 torácicos, 5 lombares, 5 sacrais, e 1 coccígico. Observar que existem 8 nervos cervicais e apenas 7 vértebras cervicais, e que existem um nervo coccígico e 4 vértebras coccígicas.

(32)

Cada nervo espinhal é conectado à medula espinhal por duas raízes, a raiz anterior e a raiz posterior (Figs. 1-22 e 1-23). A raiz anterior consiste em feixes de fibras nervosas que levam impulsos nervosos para fora do sistema nervoso central (Fig. 1-23). Estas fibras nervosas são denominadas fibras eferentes. As fibras eferentes que vão para o músculo esquelético e provocam a sua contração são denominadas fibras motoras. Suas células de origem situam-se na coluna cinzenta anterior da medula espinhal.

A raiz posterior consiste em feixes de fibras nervosas que levam impulsos para o sistema nervoso central, sendo denominadas fibras aferentes (Fig. 1-23). Considerando-se que estas fibras estão relacionadas com a transmissão de informações sobre as sensações de tato, dor, temperatura, e vibrações, elas são denominadas fibras sensoriais. Os corpos celulares destas fibras nervosas estão situados em uma tumefação da raiz posterior denominada gânglio da raiz posterior (Figs. 1-22 e 1-23).

Em cada forâmen intervertebral, as raízes anterior e posterior unem-se para formar um nervo espinhal (Fig. 1-22). Aqui, as fibras motoras e sensoriais misturam-se entre si, de modo que um nervo espinhal é constituído de uma mistura de fibras motoras e sensoriais (Fig. 1-23). Saindo do forâmen, o nervo espinhal divide-se em um grande ramo anterior e um ramo posterior de menor calibre. O ramo posterior passa posteriormente, em torno da coluna vertebral, para suprir os músculos e a pele do dorso (Figs. 1-22 e 1-23). O ramo anterior continua anteriormente suprindo os músculos da pele situada sobre a parede ântero-lateral do corpo e todos os músculos e a pele dos membros.

Na raiz dos membros, os ramos anteriores unem-se entre si para formarem complicados plexos nervosos (Fig. 1-21). Na raiz dos braços, situam-se os plexos cervicale braquial, e na raiz das pernas, os plexos lombar e sacral.

É importante saber que a divisão clássica do sistema nervoso em parte central e periférica é puramente artificial e de conveniência descritiva, pois as ramificações dos neurônios passam livremente entre ambas. Por exemplo, o neurônio motor localizado na coluna cinzenta anterior do primeiro segmento torácico da medula espinhal dá origem a um axônio que passa através da raiz anterior do primeiro nervo torácico (Fig. 1-24),

(33)

Fig. 1-24. Dois neurônios que passam do sistema nervoso central para o sistema nervoso periférico. (A) Neurônio aferente, que se estende do quinto dedo do pé até o cérebro. (B) Neurônio eferente, que se estende da coluna cinzenta anterior do primeiro segmento torácico da medula espinhal até um músculo curto da mão.

através do plexo braquial, segue em direção inferior pelo braço e antebraço no nervo ulnar e finalmente alcança as placas motoras terminais em várias fibras musculares de um pequeno músculo da mão - uma distância total de cerca de 90 cm.

Para tomar outro exemplo: considerar a sensação de tato sentida na parte lateral do quinto dedo do pé. Esta área da pele é suprida pelo primeiro segmento sacral da medula espinhal (S1). Os finos ramos terminais do axônio sensorial, denominados dendritos, partem dos órgãos sensoriais da pele e unem-se para formar o axônio do nervo sensorial. Este sobe pela perna no nervo sural (Fig. 1-24) e depois, nos nervos isquiático e tibial, até o plexo lombossacral. Passa então através da raiz posterior do primeiro nervo sacro para alcançar o corpo celular no gânglio da raiz posterior do primeiro nervo sacral. O axônio central entra, agora, no funículo posterior da medula espinhal e sobe até o nucleus gracilis na medula oblongata -numa distância total de cerca de 1,5 metro. Deste modo, um único neurônio estende-se do quinto dedo do pé até o interior do cérebro.

Ambos os exemplos ilustram o comprimento extremo de um único neurônio. SISTEMA NERVOSO AUTÔNOMO

(34)

O sistema nervoso autônomo é a parte do sistema nervoso relacionada com a inervação das estruturas involuntárias, como coração, músculos lisos e glândulas, em todo o corpo. É distribuído através do sistema nervoso central e periférico. O sistema autônomo pode ser dividido em duas partes, o simpático e o parassimpático. Em ambas as partes existem fibras nervosas aferentes e eferentes. As atividades da parte simpática do sistema autônomo preparam o corpo para uma emergência. Aceleram a freqüência cardíaca, provocam a constrição dos vasos sangüíneos periféricos, e elevam a pressão sangüínea. A parte simpática do sistema autônomo leva a uma redistribuição do sangue, de modo que, partindo de áreas da pele e do intestino, ele fica disponível para o cérebro, coração e músculos esqueléticos. Ao mesmo tempo, inibe a peristalse do trato intestinal e fecha os esfíncteres.

As atividades da parte parassimpática do sistema autônomo têm por objetivo conservar e restaurar energia. Diminuem a freqüência cardíaca, aumentam a peristalse do intestino e a atividade glandular e abrem os esfíncteres.

PARTE SIMPÁTICA DO SISTEMA AUTÔNOMO

FIBRAS NERVOSAS EFERENTES. A substância cinzenta da medula espinhal, do primeiro segmento torácico ate o segundo segmento lombar, possui uma coluna lateral onde estão localizados os corpos celulares dos neurônios simpáticos (Fig. 1-25).

Fig. 1-25. Disposição geral das partes somáticas do sistema nervoso (à esquerda), comparadas com as partes autônomas do sistema nervoso (à direita).

Os axônios mielinizados destas células deixam a medula espinhal das raízes nervosas anteriores e depois passam, através dos ramos comunicantes brancos, para os gânglios paravertebrais do tronco simpático (Figs . 1-22, 1-25 e 1-26).

(35)

Fig. 1-26.  Partes diferentes do sistema nervoso autônomo. As fibras parassimpáticas pré-ganglionares são representadas em linha azul contínua; as fibras parassimpáticas pós-ganglionares, em linha azul pontilhada. As fibras simpáticas pré-ganglionares são representadas em linha vermelha contínua; as fibras simpáticas pós-ganglionares são representadas em linha vermelha pontilhada.

Estas fibras celulares são denominadas pré-ganglionares quando passam para um gânglio periférico. Depois que as fibras pré-ganglionares alcançam os gânglios do tronco simpático, elas podem ter os seguintes destinos:

1. Podem terminar no gânglio onde entraram, fazendo sinapse com uma célula excitadora dentro do gânglio (Fig. 1-25). Uma sinapse pode ser definida como o local em que dois neurônios entram em estreita proximidade, porém não em continuidade anatômica. O intervalo entre dois neurônios é preenchido por uma substância neurotransmissora, a acetilcolina. Os axônios dos neurônios excitadores deixam o gânglio e são desmielinizados. Estas fibras nervosas pós-ganglionares passam agora para os nervos espinhais torácicos como ramos comunicantes cinzentos, e são distribuídas nos ramos dos nervos espinhais para suprirem os músculos lisos das paredes dos vasos sangüíneos, glândulas sudoríparas, e músculos eretores do pêlo da pele.

(36)

2. As fibras que entram nos gânglios do tronco simpático, na parte alta do tórax, podem ascender no tronco simpático até os gânglios da região cervical, onde fazem sinapse com as células excitadoras (Figs. 1-25 e 1-26). Aqui, novamente, as fibras nervosas pós-ganglionares deixam o tronco simpático como ramos comunicantes cinzentos, e a maior parte delas une-se aos nervos espinhais cervicais.

Muitas das fibras pré-ganglionares que entram na parte inferior do tronco simpático a partir dos segmentos torácicos inferiores e dos dois segmentos lombares superiores da medula espinhal seguem inferiormente até gânglios das regiões lombar inferior e sacra, onde fazem sinapse com as células excitadoras ( Fig. 1-26). As fibras pós-ganglionares deixam o tronco simpático como ramos comunicantes cinzentos, que unem os nervos espinhais lombar, sacral e coccígico. 3. As fibras pré-ganglionares podem passar através dos gânglios para a parte torácica do tronco simpático sem fazerem sinapse. Estas fibras mielinizadas formam os nervos esplâncnicos (Fig. 1-26), dos quais existem três.

O nervo esplâncnico maior origina-se do quinto ao nono gânglio torácico, atravessa o diafragma, e faz sinapse com as células excitadoras dentro dos gânglios do plexo celíaco. Os nervos esplâncnicos menores originam-se do 10.º e 11.º gânglios, atravessam o diafragma, e fazem sinapse com as células excitadoras; dos gânglios da parte inferior do plexo celíaco. O nervo esplâncnico imo (inferior ) (quando presente) origina-se no 12.ºgânglio torácico, atravessa o diafragma, e faz sinapse com as células excitadoras; dos gânglios do plexo renal. Os nervos esplâncnicos são, portanto, compostos de fibras pré-ganglionares. As fibras pós-ganglionares originam-se das células excitadoras dos plexos periféricos anteriormente citados, sendo distribuídas para os músculos lisos e glândulas das vísceras. Algumas fibras pré-ganglionares passam pelo nervo esplâncnico maior e terminam diretamente nas células da medula supra-renal. Estas células medulares podem ser consideradas

células excitadoras simpáticas modificadas.

FIBRAS NERVOSAS AFERENTES. As fibras nervosas aferentes mielinizadas partem das vísceras através dos gânglios simpáticos, sem fazerem sinapse (Fig. 1-25). Entram no nervo espinhal através dos ramos comunicantes brancos e alcançam seus corpos celulares no gânglio da raiz posterior do nervo espinhal correspondente. Os axônios centrais entram na medula espinhal e podem formar o componente aferente de um arco reflexo local. Outros podem ascender até os centros autônomos mais elevados, situados no cérebro. PARTE PARASSIMPÁTICA DO SISTEMA NERVOSO AUTÔNOMO

FIBRAS NERVOSAS EFERENTES. As células conectoras desta parte do sistema estão localizadas no cérebro e nos segmentos sacrais da medula espinhal (Fig.

(37)

1-26). As do cérebro formam parte do núcleo de origem dos nervos cranianos 3, 7, 9 e 10 e os axônios emergem do cérebro contido nos nervos cranianos correspondentes.

As células parassimpáticas sacrais são encontradas na substância cinzenta do segundo, terceiro e quarto segmentos sacrais da medula. Estas células não são suficientemente numerosas para formarem uma coluna cinzenta lateral, como fazem as células pré-ganglionares simpáticas da região toracolombar. Os axônios mielinizados deixam a medula espinhal nas raízes nervosas anteriores e espinhais correspondentes. Em seguida, saem dos nervos sacrais e formam os nervos esplâncnicos pélvicos.

Todas as fibras eferentes até agora descritas são pré-ganglionares e fazem sinapse com células excitadoras dos gânglios periféricos, usualmente situadas próximo das vísceras às quais inervam. As fibras pré-ganglionares cranianas comunicam-se com os gânglios ciliares, pterigopalatinos submandibulares e óticos (Fig. 1-26). As fibras pré-ganglionares dos nervos esplâncnicos pélvicos fazem comunicação nos gânglios dos plexos pélvicos. Caracteristicamente, as fibras pós-ganglionares são desmielinizadas e de comprimento relativamente curto quando comparadas com as fibras simpáticas pós-ganglionares.

FIBRAS NERVOSAS AFERENTES. As fibras aferentes mielinizadas passam das vísceras para os seus corpos celulares, localizados ou nos gânglios sensoriais dos nervos cranianos ou nos gânglios da raiz posterior dos nervos sacrais. Em seguida, os axônios centrais entram no sistema nervoso central e tomam parte na formação de arcos reflexos locais, ou passam para centros mais elevados do sistema nervoso autônomo.

É importante saber que o componente aferente do sistema autônomo é, na realidade, idêntico ao componente aferente dos nervos somáticos e forma parte do segmento aferente geral de todo o sistema nervoso. As terminações nervosas do componente aferente autônomo podem não ser ativadas por sensações como calor ou tato e sim por distensão ou privação de oxigênio. Depois que as fibras aferentes entraram no cérebro ou na medula espinhal, acredita-se que elas passem ao longo das fibras aferentes somáticas, ou sejam misturadas com elas. MEMBRANAS MUCOSAS

Membrana mucosa é o nome dado ao revestimento dos órgãos tubulares ou de passagens que se comunicam com a superfície do corpo. Uma membrana mucosa consiste, essencialmente, em uma camada de epitélio ligada por uma camada de tecido conectivo, a lâmina própria. Algumas vezes, no tecido conectivo está presente músculo liso, denominado muscularis mucosae. Uma membrana mucosa

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MEMBRANAS SEROSAS

As membranas serosas delimitam as cavidades do tronco refletidas no interior das vísceras móveis que se situam dentro destas cavidades (Fig. 1-27).

Fig. 1-27. Disposição da pleura no interior da cavidade torácica. Observar que, sob condições normais, a cavidade pleural é um espaço semelhante a uma fenda, e as camadas parietal e visceral da pleura estão separadas por pequena quantidade de líquido seroso.

Consistem em uma camada lisa de mesotélio, mantida por uma fina camada de tecido conectivo. A membrana serosa que delimita a parede da cavidade é denominada camada parietal, e a que cobre as vísceras é denominada camada visceral. O estreito intervalo em forma de fenda que separa estas camadas forma as cavidades pleural, pericárdica e peritoneal e contém pequena quantidade de líquido seroso, o líquido pleural. Este lubrifica a superfície das membranas e permite que as duas camadas deslizem facilmente uma sobre a outra. Os mesentérios, omenta e ligamentos serosos são descritos em outros capítulos

deste livro.

Inervação

A camada parietal da membrana serosa desenvolve-se a partir da somatopleura, sendo ricamente suprida por nervos espinhais. Por conseguinte, é sensível a todas as sensações comuns, como tato e dor. A camada visceral desenvolve-se a partir da esplancnopleura, sendo suprida por nervos autônomos. É insensível ao tato e à

temperatura, porém muito sensível à distensão.

OSSO

O osso é um tecido vivo capaz de modificar sua estrutura em conseqüência do estresse a que está sujeito. Como outros tecidos conectivos, consiste em células,

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fibras e matriz. É duro devido à calcificação de sua matriz extracelular e possui um grau de elasticidade devido à presença de fibras orgânicas. O osso possui uma função protetora; por exemplo, o crânio e a coluna vertebral protegem o cérebro e a medula espinhal das lesões; o esterno e as costelas protegem as vísceras torácicas e abdominais superiores (Fig. 1-28).

Fig. 1-28. O esqueleto. (A) Vista anterior. (B) Vista lateral.

Serve como alavanca, conforme se observa nos ossos longos dos membros. É uma importante área de armazenamento de sais de cálcio. Abriga e protege, em suas cavidades, a delicada medula óssea formadora do sangue.

O osso existe sob duas formas: compacto e esponjoso. O osso compacto aparece como uma massa sólida; o osso esponjoso (trabecular) consiste em uma rede de ramificações de trabéculas (Fig. 1-29).

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Fig. 1-29. Secções de diferentes tipos de ossos. (A) Osso longo (úmero). (B) Osso irregular (calcâneo). (C) Osso plano (os dois ossos parietais separados pela sutura sagital). (D) Osso sesamóide (patela ou rótula). (E) Observar a disposição das trabéculas que atuam como estruturas que resistem às forças de compressão e tensão na extremidade proximal do fêmur.

As trabéculas são dispostas de tal maneira que resistem ao estresse e se distendem quando o osso é exposto.

Os ossos podem ser classificados, de acordo com. sua forma geral, como se segue: (1) ossos longos e curtos, (2) ossos irregulares, (3) ossos chatos e (4) ossos sesamóides. Os ossos longos e curtos são encontrados nos membros; os ossos chatos e irregulares, no crânio, coluna vertebral e cinturas dos membros; e os ossos sesamóides, em certos tendões (por exemplo, os do quadríceps femorais e do flexor longo do hálux).

A medula óssea ocupa a cavidade da medula nos ossos longos e curtos e os interstícios dos ossos esponjosos nos ossos chatos e irregulares. Por ocasião do nascimento, a medula de todos os ossos do organismo é vermelha e hematopoiética. Esta atividade formadora de sangue diminui gradualmente com a idade, e a medula vermelha é substituída por medula amarela. Aos 7 anos de idade, a medula amarela começa a aparecer nos ossos distais dos membros. Esta substituição da medula gradualmente se desloca no sentido proximal, de modo que, quando o indivíduo se torna adulto, a medula vermelha está restrita aos ossos do crânio, da coluna vertebral, da caixa torácica, das cinturas escapular e pélvica, e à cabeça do úmero e do fêmur.

Todas as superfícies ósseas, exceto as de articulação, estão cobertas por uma espessa camada de tecido fibroso denominado periósteo. O periósteo apresenta abundante suprimento vascular, e as células de sua superfície mais profunda são osteogênicas. O periósteo é particularmente bem unido ao osso em locais onde

Referências

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