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Santa Cruz, Cascavel, PR.

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Efeito dos diferentes tratamentos de sementes na qualidade de grãos de trigo 1

Cristiano Livi¹, Antonio Piccini Junior¹, Diego Weirich¹, Ana Paula Morais Mourão 2

Simonetti¹ 3

4

1

Faculdade Assis Gurgacz – FAG, Curso de Agronomia. Avenida das Torres n. 500, CEP: 85.806-095, Bairro 5

Santa Cruz, Cascavel, PR. 6

7

[email protected], [email protected], [email protected], [email protected] 8

9

Resumo: Na cultura do trigo o tratamento se torna essencial sendo a única medida para 10

garantir a redução de inoculos vinculado por sementes. O objetivo do trabalho foi avaliar a 11

produtividade e qualidade de grãos do trigo (Triticum aestivum L.) em função dos diferentes 12

produtos e dosagens no tratamento de semente. Os experimentos foram realizados a campo no 13

município de Vera Cruz do Oeste, e o delineamento experimental inteiramente casualizado, 14

composto por 4 tratamentos com 5 repetições. Os tratamentos foram os seguintes, tratamento 15

1: 65 mL de triadimenol + 30 mL de Thiamethoxan + 70 mL enraizador (complexo de 16

aminoácidos), tratamento 2: 65 mL triadimenol + 60 mL de Thiamethoxan + 70 mL 17

enraizador (complexo de aminoácidos), tratamento 3: 65 mL triadimenol + 30 mL de 18

Thiamethoxan + 140 mL enraizador (complexo de aminoácidos) e tratamento 4: testemunha. 19

As variáveis analisadas foram peso hectolitro, peso de 1000 grãos, alveografia, cinzas (base 20

seca), umidade e número de quedas. As sementes tratadas se mostraram com melhores 21

resultados em relação à testemunha, sendo o tratamento 3 destacando se com melhores médias 22

em relação as demais. 23

24

Palavras-chave:Triticum aestivum L, doses, rendimento. 25

26

Effect of the different treatments of seeds of wheat in the quality of grains 27

28

Abstract: In the culture of the wheat the treatment if becomes essential being the only 29

measure to guarantee the reduction of inoculos tied by seeds. The objective of the work was 30

to evaluate the productivity and quality of grains of the wheat (Triticum aestivum L.) in 31

function of the different products and dosages in the treatment of seed. The experiments had 32

been carried through the field in the city of Vera Cruz do Oeste, and entirely casualizado the 33

experimental delineation, composed for 4 treatments with 5 repetitions. The treatments had 34

been the following ones, treatment 1:65 mL of triadimenol + 30 mL of Thiamethoxan + 70 35

mL enraizador (complex of amino acids), treatment 2:65 mL triadimenol + 60 mL of 36

Thiamethoxan + 70 mL enraizador (complex of amino acids), treatment 3:65 mL triadimenol 37

+ 30 mL of Thiamethoxan + 140 mL enraizador (complex of amino acids) and treatment 4: 38

witness. The analyzed 0 variable had been weight hectoliter, weight of 1000 grains, 39

alveografia, leached ashes (dry base), humidity and number of falls. The treated seeds if had 40

shown excessively with better resulted in relation to the witness, being treatment 3 detaching 41

if with better averages in relation. 42

43

Key words: Triticum aestivum L, doses, income 44

45

Introdução 46

Segundo Embrapa (2009) no Brasil há relatos que o cultivo do trigo tenha se iniciado 47

em 1534, na antiga Capitania de São Vicente. Então a partir de 1940, a cultura começou a se 48

(2)

expandir comercialmente para o Rio Grande do Sul. Nessa época, colonos do Sul do Paraná 49

plantavam sementes de trigo trazidas da Europa em solos relativamente pobres, onde as 50

cultivares de porte alto, tolerante ao alumínio tóxico, apresentavam melhor adaptação. 51

O Brasil já foi o principal produtor de trigo da America Latina, sendo um grande 52

exportador de trigo até a primeira década de 1800. Mas por uma série de fatores econômicos e 53

técnicos, principalmente a susceptibilidade a ferrugem do colmo, acabou tornando o país um 54

grande importador sistemático desse cereal, no qual Argentina possui uma boa fatia do 55

mercado brasileiro, pela qualidade dos seus grãos e baixos preços (Embrapa, 2009). 56

A maior produção foi registrada em 1986/87 quando, em uma área de 3.456 mil ha, o 57

Brasil produziu 6 milhões de toneladas de trigo. Naquela safra, o Paraná produziu 3 milhões 58

de toneladas de trigo e a produtividade alcançou 1.894 kgha-1 ( Picinini e Fernandes, 2003). 59

Porém no ano de 2004 registrou se produção de 6,021 milhões, contudo houve aumento muito 60

grande na área cultivada (Germani, 2008). 61

A expansão da área de trigo no Paraná ocorreu numa época em que também se 62

destinavam maiores recursos para a pesquisa agrícola no Brasil. Como resultado, se observou 63

um aumento simultâneo da área e da produtividade do trigo. Enquanto que a produtividade 64

média do trigo no Brasil, no período de 1970 a 1984, foi de 1.139 kgha-1, no período de 1995 65

a 2003, ela se situou acima dos 1.500 kgha-1. Atualmente, algumas cooperativas têm obtido, 66

em anos sucessivos, médias superiores a 2.500 kgha-1 (Embrapa, 2009). 67

A produção brasileira de trigo concentra-se basicamente nos estados do sul do país. O 68

estado do Paraná tem sido o maior produtor nacional de trigo, seguido pelo Rio Grande do 69

Sul. Estes dois estados têm respondido por cerca de 90% da produção nacional (Germani, 70

2008). 71

Os rendimentos dos grãos de trigo obtidos têm sido crescentes, demonstrando assim 72

eficiência dos programas de melhoramento genético em desenvolver variedades com alto 73

potencial de rendimento e com qualidade de panificação próxima aos trigos argentinos e 74

canadenses (Federizzi et al., 2005). 75

Essa melhora no desempenho se deve a fatores como produção de sementes sadias e o 76

tratamento com fungicidas como formas de controle que se enquadram no manejo integrado 77

de doenças. O tratamento se torna essencial sendo a única medida para garantir a redução de 78

inoculo vinculado por sementes. Em muitos casos apesar de não apresentar os sintomas 79

externos, as sementes podem estar infectadas por organismos causadores de doenças, que 80

acabam sendo passados para estádios seguintes da cultura (Dhingra, 2005). 81

(3)

Os patógenos mais importantes associados às sementes da cultura do trigo (Triticum 82

aestivum) no Brasil são Bipolaris sorokiniana (mancha marron) e Septoria nodorum (Mancha 83

das glumas), os quais são tratados com fungicidas. Outros fungos que atacam a cultura são 84

Giberela (Giberela zeae), Ferrugem da folha (Puccinia recondita f. Sp. Tritici), Oidio 85

(Erysiphe graminis) (Azevedo, 2003). 86

O objetivo do tratamento de sementes não tem apenas o propósito de reduzir ou 87

eliminar os inoculo veiculados, mas também proteger as sementes em processo de germinação 88

no solo dos patógenos residentes ali e em restos culturais, dando melhores condições de 89

desenvolvimento na fase inicial (Dhingra, 2005). Além disso, propicia também a emergência 90

do stand desejado (número de plantas por m²) (Azevedo, 2003). 91

Os patógenos podem proporcionar a redução da taxa de emergência de plântula, 92

induzir a podridão de raízes e de colo na fase de pós emergência e a requeima de plântulas ou 93

de folhas primárias. O tratamento também é realizado para reduzir as chances de introdução 94

de patógenos não identificados à campo no plantio anterior, bem como seus biotipos ou raças 95

(Dhingra, 2005). 96

Os fungicidas sistêmicos erradicam, ou evitam a transmissão do patógeno para a parte 97

aérea, além de oferecer proteção contra o ataque de fungos da parte aérea tais como oídios, 98

ferrugem e brusone (Azevedo, 2003). Em caso de estresse hídrico, seca ou excesso de chuva, 99

o tratamento de sementes com fungicida protege por mais tempo as sementes do ataque de 100

fungos no solo (Dhingra, 2005). 101

Outro problema são os insetos que atacam a lavoura de trigo nos estádios iniciais de 102

seu desenvolvimento, podendo prejudicar a qualidade final do produto, entre os que mais se 103

destacam: o percevejo barriga-verde (Dichelops spp.) e pulgões da folha (Metopolophium 104

dirhodum) (Lotici e Gomes, 2008). 105

O tratamento de sementes com inseticida ajuda na prevenção do ataque de insetos nos 106

estádios iniciais da cultura, além de ser uma maneira de se realizar o controle de pragas no 107

solo, tendo em vista a dificuldade de se localizar, monitorar e atingir o alvo (Salvadori, 1999). 108

Quando inoculados nas sementes os inseticidas são translocados para a plântula, após a 109

germinação das sementes, conferindo um controle de pulgões nos primeiros estádios de 110

desenvolvimento da cultura, quando a praga começa a se alimentar. Nesse momento o pulgão 111

ao ingerir o alimento também adquire a molécula tóxica do inseticida. Seus danos podem ser 112

diretos devido à sucção da seiva e indiretos, pela transmissão do vírus do nanismo amarelo da 113

cevada (VNAC) e pela injeção de toxinas, ocasionando a maturação antecipada da planta e 114

conseqüentemente menor peso e qualidade de grãos (Lotici e Gomes, 2008). 115

(4)

Além dos inseticidas utilizados para proteção principalmente no desenvolvimento 116

inicial da cultura, o enraizador Initiate (aminoácidos + extrato vegetal) tem como propósito 117

acelerar e garantir uma germinação plena nos estádios iniciais, outro fator importante é 118

melhoria do sistema radicular, assim promovendo uma melhoria da floração e granulometria 119

do trigo (Improcop, 2009). 120

A qualidade do grão de trigo é o resultado da interação que a cultura sofre no campo, 121

pelo efeito das condições de solo, do clima, da incidência de pragas e injúrias, manejo da 122

cultura, bem como das operações de colheita, secagem, armazenamento, moagem e, por fim, 123

do uso industrial a ser dado à farinha (Gutkoski e Jacobsen Neto, 2002). 124

O peso de grão tem como objetivo tentar estimar a qualidade dos grãos e o seu 125

comportamento na moagem. Grãos grandes e mais densos normalmente têm uma maior 126

proporção de endosperma que os grãos pequenos e menos densos e por isso seria de se esperar 127

que fornecessem um maior rendimento na moagem. Alguns trabalhos de pesquisa indicam 128

que o peso de 1000 grãos apresenta melhor correlação com o rendimento da moagem do que o 129

peso do hectolitro (Germani, 2008). 130

Peso hectolitro é o peso por unidade de volume, que leva em conta ainda o formato do 131

grão e a acomodação que os grãos adotam ao preencher livremente um recipiente. É utilizado 132

para observar quanto pesa uma quantidade de grãos que ocupa o volume de um hectolitro 133

(Germani, 2008). 134

O mesmo autor esclarece que a cinzas são constituídas pelos sais minerais presentes 135

no grão ou na farinha. É o resíduo inorgânico obtido após a incineração ou calcinação do 136

material. O grau de extração influencia fortemente o teor de cinza de uma farinha: aquela que 137

tem maior grau de extração, assim maior quantidade de farelo incorporado, apresentará teor 138

de cinza mais alto. Além disso, há outros fatores que influenciam o teor de cinzas: a limpeza 139

dos grãos, o formato e volume (Germani, 2008). 140

O teste de Alveografia analisa as propriedades de tenacidade e de extensibilidade da 141

massa, de formato redondo e chato, recebe um "sopro" de ar que a faz inflar como uma bolha 142

até estourar. A deformação é registrada em um gráfico, onde a altura máxima e o 143

comprimento da curva são usados como medida de resistência à deformação e extensibilidade. 144

No outro procedimento Falling Number é a medida indireta da concentração da enzima alfa-145

amilase determinada em 7 gramas de trigo moído (Gutkoski e Jacobsen Neto, 2002). 146

Este trabalho teve o objetivo do trabalho foi avaliar a produtividade e qualidade de 147

grãos do trigo (Triticum aestivum L.) em função dos diferentes produtos e dosagens no 148

tratamento de semente através das variaveis analisadas peso hectolitro, peso de 1000 grãos, 149

(5)

Alveografia, Cinzas (base seca e base úmida), umidade e Numero de Quedas (Falling 150 Number). 151 Material e Métodos 152

A pesquisa foi conduzida na Fazenda Seletel, propriedade particular em uma área de 3 153

alqueires, localizada no município de Vera Cruz do Oeste - PR, suas coordenadas geográficas 154

são longitude 53º55’39” oeste e latitude 25º01’41” sul, e uma altitude de 544.6 metros do 155

nível do mar, região Oeste do Estado do Paraná, no ano de 2009. O solo da região é 156

caracterizado segundo a Embrapa (1999), como Latossolo Vermelho Distroférrico, relevo 157

suave, substrato basalto. O clima da região se enquadra como subtropical úmido com 158

temperatura média anual de 19ºC, e precipitação anual de 1600 mm. 159

Utilizou-se o delineamento inteiramente casualizado composto por 4 tratamentos e 5 160

repetições, totalizando 20 parcelas. Sendo os tratamentos: T1: 65 mL de triadimenol + 30 mL 161

de Thiamethoxan + 70 mL enraizador, T2: 65 mL triadimenol + 60 mL de Thiamethoxan + 70 mL 162

enraizador, T3: 65 mL triadimenol + 30 mL de Thiamethoxan + 140 mL enraizador e T4: 163

testemunha semente. Cada parcela foi formada com 2,85m de largura por 772m de 164

comprimento, totalizando uma área de quatro parcelas com 8800m², no qual foram retiradas 165

amostras nas linhas centrais. 166

Os tratamentos foram aplicados via sementes nas doses variadas pouco antes da 167

realização da semeadura. Realizou-se o tratamento em 40 kg de sementes de trigo para cada 168

tratamento com o produto diluído em 1000 mL de água nas variadas doses, e misturado com 169

auxilio de equipamento adaptado para melhor homogeneização. 170

A cultivar utilizada foi a BRS220 classificada como tipo pão. No Paraná, apresentou 171

média de 69 dias da emergência ao espigamento e 122 dias até a maturação (Embrapa 2009). 172

O plantio foi realizado no dia 11 de maio de 2009. 173

Foram realizados todos os manejos necessários para desenvolvimento da cultura, 174

sendo realizadas 2 aplicações de fungicidas (triazol) nas parcelas com sementes tratadas; 175

enquanto na testemunha foram feitas 3 aplicações de fungicidas na parte aérea. 176

Após a colheita o material foi retirado por amostras em sacos de papel, e levados para 177

laboratório. Onde foi feita a moagem dos grãos de trigo com umidade abaixo de 15%, 178

formando a farinha. Então foram realizados os testes número de quedas (Falling Number), 179

Alveografia, peso de 1000 grãos, peso hectolitro (PH) e cinzas (Base seca) e umidade. 180

Peso de 1000 grãos 181

(6)

Foram contados e pesados 1000 grãos com ajuda de uma balança analítica para saber o 182

peso dos mesmos. 183

184

Peso hectolitro 185

Determinado de acordo com as recomendações do fabricante da balança Dalle Molle, 186

Método 55-10, é a massa de 100 litros de trigo, expressa em Kgh/L. É influenciado por 187

uniformidade, forma, densidade e tamanho do grão, além do teor de matérias estranhas e 188

grãos quebrados da amostra. 189

190

Número de queda 191

Conforme método nº 56-81B AACC (1999) o número de quedas foi obtido através da 192

mensuração da capacidade da enzima alfa-amilase em liquefazer um gel de amido, sendo 193

realizada a tomada de tempo (em segundos) requerida à mistura para permitir a queda do 194

agitador até uma distância fixa, sob um gel aquoso da farinha submetida a uma temperatura 195

constante de 100 °C. Mede a intensidade de atividades da enzima amilase no grão, sendo 196

resultado expresso em segundos (s). 197

198

Alveografia 199

A análise reológica da farinha de trigo foi realizada no alveógrafo marca Chopin, 200

utilizando o método nº 50-30A da AACC (1999), através da massa elaborada da pesagem de 201

250 gramas de farinha e o volume de solução salina (2,5 %) baseada na umidade inicial da 202

farinha. Simula o comportamento da massa na fermentação, imitando em grande escala a 203

formação de alvéolos originados na massa pelo CO2 produzido pelos fermentos. Os 204

parâmetros obtidos nos alveogramas são tenacidade (P), que mede a sobrepressão máxima 205

exercida na expansão da massa (mm); extensibilidade (L), que mede o comprimento da curva 206

(mm) e energia de deformação da massa (W), que corresponde ao trabalho mecânico 207

necessário para expandir a bolha até a ruptura, expressa em 10-4 J. 208

209

Cinzas (base seca) 210

Foi determinada a quantidade de matéria mineral (em percentual) com base na perda 211

de peso da amostra (6 gramas da farinha), após ser submetida à calcinação por 3 horas em 212

mufla a 900 °C, seguindo-se de resfriamento em dessecador em temperatura ambiente 213

conforme método nº 44-15A da AACC (1995). 214

(7)

Colorimetro 216

O objetivo do Colorimetro da marca Minolta CHROMA METER CR410s foi avaliar a 217

cor da farinha de trigo traduzindo essa cor em números conforme método nº 14-22 da AACC 218 (1999). 219 220 Umidade 221

Os métodos para determinação da umidade medem direta ou indiretamente a água 222

presente no material. O teor de umidade afeta bastante as características do grão e da farinha e 223

interfere diretamente na sua qualidade. Determinou-se a umidade (em percentual) pela perda 224

do peso original das amostras pelo método 44-15A AACC, 1995. 225

Os dados obtidos serão submetidos à análise de variância e teste de Tukey a 5% de 226

significância. Usando programas SISVAR e INFOSTAT. 227

228

Resultados e Discussão 229

Analisando os dados da Tabela 01, podemos verificar que houve resultados 230

significativos entre os tratamentos e a testemunha em relação ao PH, no qual a média mais 231

alta foi do tratamento 3 com 79,10, e inferior da testemunha com 75,31, no qual apresentou 232

maior umidade. A variável do peso de mil grãos teve um resultado significativo, porém, 233

somente demonstrando diferença significativa entre os tratamentos em relação à testemunha, 234

sendo que dentre os tratamentos, o 3 obteve a melhor média de 39 g para cada mil sementes. 235

Enquanto a testemunha obteve 34 g, assim demonstrando a variação na produtividade. 236

237

Tabela 01 - Peso Hectolitro e Peso de mil grãos de trigo obtido de plantas que tiveram suas 238

sementes submetidas a diferentes tratamentos. 239

Tratamentos PH (kg.h/L) Peso de mil grãos (g) 240 Tratamento 1 78.61 a 38.90 a 241 Tratamento 2 78.08 a 38.50 a 242 Tratamento 3 79.10 a 39.00 a 243 Testemunha 75.31 b 34,00 b 244 CV (%) 0,73 6,30 245

Médias seguidas de mesma letra na coluna, não diferem entre si pelo teste de Tukey a 5% de probabilidade. n.s. 246

= não significativo. C.V. = coeficiente de variação. 247

248

O peso de mil grãos é utilizado para classificar o trigo pelo tamanho (Gutkoski, et al., 249

2008). A diferença de tamanho também influencia na quantidade de água absorvida, pois os 250

(8)

grãos pequenos absorvem maior quantidade de água em relação aos grãos grandes durante a 251

etapa de condicionamento do trigo (Posner e Hibbs, 1999). 252

Analisando a tabela 02, correspondente a variável de numero de quedas, podemos 253

observar que existe diferença significativa entre os grãos tratados e a testemunha, no qual a 254

testemunha se mostrou bem acima do restante com valor de 315,75. Os trigos analisados 255

apresentaram número de queda acima do preconizado pela legislação brasileira (BRASIL, 256

2005), para fins de definição da classe, que é de 200 segundos. O padrão necessário para 257

comercialização do trigo é em torno de 250 segundos. Os tratamentos demonstraram uma 258

media bem próxima. Segundo Embrapa (2009), a média de numero de quedas para cultivar 259

BRS 220 é de 384 segundos, os valores apresentados na tabela 02 ficaram muito abaixo. 260

261

Tabela 02 - Falling Number (NQ) e Umidade de farinha de trigo, obtida de plantas que 262

tiveram suas sementes submetidas a diferentes tratamentos. 263

Tratamentos NQ (segundos) Umidade (%)

264 Tratamento 1 230,75 b 13,99 a 265 Tratamento 2 229,50 b 13,67 a 266 Tratamento 3 231,25 b 13,85 a 267 Testemunha 315,75 a 14,38 a 268 CV (%) 2,02 4,59 269

Médias seguidas de mesma letra na coluna, não diferem entre si pelo teste de Tukey a 5% de probabilidade. n.s. 270

= não significativo. C.V. = coeficiente de variação. 271

272

Segundo Gutkoski et al.(2008) o número de queda permite estimar a capacidade de 273

fermentação da farinha, quanto maior o valor encontrado, menor a atividade amilásica, o que 274

dificulta o processo industrial. A quantidade de enzima presente nas farinhas tem uma 275

influência direta sobre a qualidade do pão produzido. Em atividade enzimática de 200 a 350 276

segundos, o pão apresenta miolo firme com grande volume e textura macia. Contudo os pães 277

elaborados com farinha de atividade enzimática alta (NQ menor que 200 segundos) ou baixa 278

(maior que 350 segundos) apresentam volume reduzido e características internas e externas 279

indesejáveis. Isso indica que as farinhas oriundas de sementes tratadas apresentam melhor 280

qualidade para o processo industrial, em relação a testemunha, destacando ainda, que mesmo 281

não apresentando diferença estatística entre eles, o tratamento 3 obteve melhores resultados. 282

Observando os dados da tabela 02, verifica-se que não houve diferença significativa na 283

variável umidade, entretanto, nota-se que a umidade mais alta foi encontrada na testemunha, 284

que também teve o numero de quedas mais elevado. Dimmock e Gooding apud Gutkoski, et 285

(9)

al. (2008) verificaram que o número de queda está negativamente associado com o teor de 286

umidade e peso médio do grão. 287

288

A tabela 03 apresentou uma media mais alta de 192,5 de força de glúten para 289

tratamento 2, com um CV de 2,43. Segundo Embrapa (2009) a média da cultivar BRS 220 290

para Força de Glúten 255, a tabela 03 mostrou que as amostras ficaram abaixo desse valor. 291

292

Tabela 03 - Alveografia, tenacidade (P), extensibilidade (L), relação tenacidade e 293

extensibilidade e força do glúten (W) de farinha de trigo, obtida de plantas que tiveram suas 294

sementes submetidas a diferentes tratamentos. 295 Tratamentos P L P/L W 296 Tratamento 1 56,65 c 83,3 c 0,68 b 146,33 c 297 Tratamento 2 69,25 b 110,0 a 0,62 b 192,50 a 298 Tratamento 3 77,25 a 97,6 b 0,79 b 192,13 a 299 Testemunha 79,75 a 63,0 d 1,32 a 161,00 b 300 CV (%) 2,67 4,44 15,7 2,43 301

Médias seguidas de mesma letra na coluna, não diferem entre si pelo teste de Tukey a 5% de probabilidade. n.s. 302

= não significativo. C.V. = coeficiente de variação 303

304

A alveografia é um teste reológico usado para a determinação de características 305

qualitativas da farinha através dos parâmetros força geral do glúten (W x 10-4J), relação 306

elasticidade e extensibilidade (P/L) e índice de elasticidade (IE). A expressão força de glúten 307

normalmente é utilizada para designar a maior ou menor capacidade de uma farinha sofrer um 308

tratamento mecânico ao ser misturada com água. Também é associada à maior ou menor 309

capacidade de absorção de água pelas proteínas formadoras de glúten, que combinadas à 310

capacidade de retenção do gás carbônico resultam em um pão de volume aceitável, textura 311

interna sedosa e de granulométrica aberta (Dobraszczyk e Morgenstern, 2003 apud Gutkoski, 312

et al., 2008). 313

A tenacidade (P) é utilizada pra testar a força da farinha, e a extensibilidade (L) é a 314

capacidade de sofrer mais ou menos ações mecânicas para misturar a água. 315

Analisando a tenacidade (P) que mede a pressão máxima exercida para a expansão da 316

massa o CV foi de 2,67, e a maior média apresentada foi da testemunha com 79,75 mmH20. 317

Na extensibilidade (L), que é uma medida do comprimento da curva, expressa os 318

resultados em mm, apresentou media mais alta de 110 sendo tratamento 2. 319

A força do glúten (W), que mede a energia de deformação da massa. Força de glúten 320

(W), passando por farinhas fracas (W<250), moderadas ( 250<W<300) e fortes (W>300). 321

(10)

Observando a tabela 4, podemos verificar que houve variação significativa entre os 323

tratamentos, sendo na variável L teve apenas diferença o tratamento 2, apresentando a menor 324

média. Analisando o tratamento 1 obteve as melhores médias e mais proximidade com valor 325

de 100, sendo assim com coloração mais branca, muito visada pela industria. 326

327

Tabela 04: Resultado do teste Tukey para as variáveis de Colorimetria, obtidas de plantas que 328

tiveram suas sementes submetidas a diferentes tratamentos. 329 Tratamentos L a b 330 Tratamento 1 89,87 a 1,07 a 15,21 a 331 Tratamento 2 89,22 b 0,79 b 14,76 a 332 Tratamento 3 89,79 a 0,84 b 14,05 b 333 Testemunha 89,74 a 0,48 c 13,02 c 334 CV (%) 0,71 4,5 1,76 335

Médias seguidas de mesma letra na coluna, não diferem entre si pelo teste de Tukey a 5% de probabilidade. n.s. 336

= não significativo. C.V. = coeficiente de variação 337

338

O teste de colorimetria é de fundamental importância, pois a cor da farinha é um dos 339

aspectos ao qual o consumidor se atém para a sua aceitação, preferindo muitas vezes as 340

farinhas mais brancas, o que nem sempre é a de melhor qualidade. 341

A cor de um produto é definida pelo uso da escala de cor tridimensional que descreve 342

os diferentes componentes da cor. A luz refletida é composta de um componente escuro ou 343

luminoso (L) em adição a um vermelho ou verde (a) e um componente azul ou amarelo (b), 344

determinada por colorímetros ou espectrofotômetros (Coultate, 2004). 345

Os valores de luminosidade (L*) variam entre zero (preto) e 100 (branco), os valores 346

das coordenadas de cromaticidade a* e b*, variam de -a* (verde) até +a* (vermelho), e de -b* 347

(azul) até +b* (amarelo). 348

Analisando a Tabela 05, o teor de cinzas variou entre 0,92 e 0,97% estimado em base 349

seca, sendo encontrado maior valor no tratamento 2, variando significativamente entre os 350

demais tratamentos analisados. Já na base úmida variou de 0,79 a 0,84%. 351

352

Tabela 05 - Teste de Cinzas de farinha de trigo, obtida de plantas que tiveram suas sementes 353

submetidas a diferentes tratamentos. 354 Tratamentos bu bs 355 Tratamento 1 0.92 b 0,79 b 356 Tratamento 2 0.97 a 0,84 a 357 Tratamento 3 0.94 ab 0,81 ab 358 Tratamento 4 0.95 ab 0,82 ab 359 CV (%) 0,73 6,30 360 361

(11)

Médias seguidas de mesma letra na coluna, não diferem entre si pelo teste de Tukey a 5% de probabilidade. n.s. 362

= não significativo. C.V. = coeficiente de variação 363

364

A umidade é o fator mais importante e a quantidade de água varia com a dureza do 365

grão (Posner e Hibbs, 1999). 366

Segundo Germani (2008), Os minerais concentram-se nas camadas mais externas do 367

grão e, por isso, o teor de cinza do grão é mais elevado que o da farinha branca, já que essas 368

camadas são retiradas na moagem. O grau de extração influencia fortemente o teor de cinza 369

de uma farinha: aquela que tem maior grau de extração e, portanto, maior quantidade de 370

farelo incorporado, apresentará teor de cinza mais alto. 371

No Brasil, o teor de cinza é utilizado como critério para diferenciar os dois tipos de 372

farinha existentes no mercado. Segundo a ANVISA (Agencia Nacional de Vigilância 373

Sanitária), a farinha especial deve ter, no máximo, 0,65% de cinza (base seca) e, a farinha 374

comum, até 1,35% (base seca). Embora esse critério esteja definido pela legislação, ele 375

sozinho não define a qualidade das farinhas e, na prática, não é rigorosamente levado em 376

consideração. De acordo com essa classificação os tratamentos da tabela 05, se enquadram 377

na farinha do tipo comum. 378

379

Conclusões 380

Com os resultados analisados, podemos concluir que as amostras com sementes 381

tratadas apresentaram um variação em relação à testemunha, no qual verificamos uma 382

melhora não muito significativa em relação à qualidade da farinha. Contudo analisando 383

experimento verificamos uma melhor produtividade e sanidade dos grãos, se destacando com 384

tratamento 3, que tem uma dose maior de enraizador (aminoácidos e extrato vegetal). O 385

tratamento de semente é uma pratica recomendável, pois além de diminuir custos com 386

aplicação via aérea, teve aumento significativo na produtividade na cultura de trigo. 387

388

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Referências

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