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Reflexão sobre o Carisma Espiritano de 1703 a 1839

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Missão Espiritana

Volume 5 | Number 5

Article 13

6-2004

Reflexão sobre o Carisma Espiritano de 1703 a

1839

Henry J. Koren

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Recommended Citation

Koren, H. J. (2004). Reflexão sobre o Carisma Espiritano de 1703 a 1839. Missão Espiritana, 5 (5). Retrieved from

(2)

HenryJ. Koren*

reflexão

sobre o

carisma

espiritano

de

1703 a

1839

1

Durante

60anos,osemináriofoidirigidoporsuperiores escolhidos,

em-bora

não

tivessem muito mais que

uma

vintena de anos; os

semina-ristasparticipavam igualmente

na

suaescolha,

como

se se tratasse de

uma

repúblicade estudantes.

Completados

estesestudos, ospadres

optavam

pelos serviços apostólicos mais modestosentre os pobres eos abandonados.

O

vigorda fundação de Poullart des Places

não

provinha da sua

organi-zação,

mas do

seu carisma.

O

que

tinham

em

comum

era a suaconcepção

do

sacerdócio. Ser padre significava para eles

uma

disponibilidade

evangélica

na

obediênciaao Espírito paraoserviçodos pobres e

abandona-dos,

acompanhada

duma

pobrezavoluntária.

Recordar-se-á que o

termo

espiritanodesignava então ospadres

forma-dos pelo Seminário

do

Espírito Santo, sob a direcção e carisma vivido e

transmitido pelos seus formadores, herdeiros

da

obra de Poullart des Places.

O

segundoelemento

duma

autêntica disponibilidade evangélica, é a

po-breza evangélica

na

suadupla dimensão: pobreza material e pobreza

espiri-tual.

Estaaberturaàexperiência exigeonosso

abandono do

passado. Se o

es-piritano

não

querpregaramortos,devebasear-se sobre ascoisas vividas

en-treaqueles que o escutam.

:

HenryJ.Koren, missionárioespiritanao,reconhecidohistoriador einvestigadordasfontes

es-piritanas,recentementefalecido.

Ao

traduzir esteartigo eaoinseri-lonasecção Biblioteca Es-piritana,MissãoEspiritaria querprestarumahomenagemlegítima a estevalorosohistoriador eestudiosodocarismaespiritano.

Eao Pe.ChristiandeMaréquedevemosatraduçãodoinglêsparafrancêsdealgumas páginas

doPe.HenryJ.Koren,extraídasdasuarecolhadeartigos econferências. "Essaysonthe

Spir-itanCharism andonSpiritan History".Nestetexto,Chritian deMaréfezumaescolha,

apre-sentada abaixoemduaspartes.Paracadaumadelas,redigiuumaintroduçãoqueéapresentada

emitálico. missão Ano e "Recordar-se-áque o termoespiritano designava entãoos padres formados peloSeminário do

Espírito Santo,sob

adirecção ecarismavivido etransmitido pelos seusformadores, herdeirosdaobra dePoullart des Places."

(3)

Origem

e

evolução da

inspiração inicial

"o Pe.Koren

estudaquatro figurasde fundadoresque claramentese demarcaramdos caminhoshabituais devidareligiosa seguidos noseu tempo eque fizeram obra durável de inovadores.

Em

primeirolugar debruça-sesobre o carisma deS.

Bento, depoissobre

ode S. Francisco deAssis,

em

seguidasobre ode S. Inácioepor últimoestudaa obra dePoullart desPlacesede Libermann;mas

aquinãonos

fixamossobre oque

se refereaeste

último"

Introdução

Na

primeira parte

do

textoaqui traduzido2

oPe.

Koren

estudaquatro

fi-gurasde fundadores,que claramente se

demarcaram

dos

caminhos

habituais

devida religiosa seguidos

no

seu

tempo

e que fizeramobradurável de

ino-vadores.

Em

primeiro lugardebruça-se sobre o carismade S. Bento, depois

sobre o de S. Franciscode Assis,

em

seguida sobre o de S. Inácioe por

úl-timoestuda aobrade Poullart des Places edeLibermann;

mas

aqui

não

nos

fixamossobre o que serefere aeste último.

A

apresentaçãoque elefaz

do

carismade Poullartdeveser entendida

na

linha

do

que

une

asfigurasdeste artigo:são todos

campeões

danovidade, o

mesmo

édizer daliberdade. Poullart éapresentado

como

um

fundadorque, a

exemplo

de S. Francisco, criou

um

espírito, mais que

uma

estrutura.

Seguindo esta intuição, aRegra de 1734, muito

marcada

pelo espírito

ina-ciano, fixa-se sobre as disposiçõesjurídicas próprias para consolidar a

Con-gregação

do

Espírito Santo.

Pouco

preocupada

com

o seucrescimento,

mas

muito mais

com

ovalorda formação que podiadar, a

Congregação

encon-trou-se definitivamente enfraquecida depois da Revolução Francesa que a

tinha destruído.

O

Pe.

Koren

julgaquea fraqueza dassuas estruturas jurídicas

não

pôde

evi-tar que a Congregação, restabelecida por Luís XVIII, caísse

em

declínio

no

princípio

do

séculoXIX.

Mas

é preciso

também

ter

em

contaqueasnovas

ori-entações recebidas peloinstitutodaautoridadereal,depoisdaRevoluçãoe

do

Império,

eram

muitodiferentesdavisãoinicial

do

fundador.

Não

dizoPe.

Ko-renquedes Places

não

tinhaprevistopara a sua

comunidade

tarefas nas

mis-sões longínquas?

E

com

razão: elas

eram

então inacessíveis.

A

leitura deste estudo põe

bem

em

evidência o grandedesinteresse que

Poullart soube transmitir aos seus discípulos e que os preparou para

mu-danças insuspeitas.

O

espírito

permaneceu,

e Francisco

Libermann,

trazendo,

em

1848, à

Congregação

envelhecida ovigordasua direcçãoeda

suainspiração,mostrava o

mesmo

desinteresse

na

disponibilidade evangélica

a favor dos pobres edos abandonados.

Uma

história extraordinária

Entre os institutos religiosos, "poucos tiveram

uma

história tão

extra-ordinária

como

o dos espiritanos", escreve

um

historiador jesuíta

em

1986.

A

obrafundada

em

1703 por

um

estudante

do

colégio Luís-o-Grande,

com

a idade de 24 anos, esteve

sem

existência legal durante trinta anos, tanto

como

casa religiosa

como

seminário,

embora

estivesse inteiramente

con-forme às orientações dadas pelo Concílio de Trento. Durante

60

anos, o

seminário foidirigido porsuperiores escolhidos,

embora não

tivessemmuito

mais que

uma

vintena de anos; osseminaristas participavam igualmente

na

2

H.J.

KOREN,

(1990). «Essayson the SpiritanCharism and onSpiritan History». In Bethel

(4)

Henry).Koren

suaescolha,

como

se se tratassede

uma

repúblicadeestudantes.

Os

seus

pro-gramas de estudosexigiam primeiramente trêsanos defilosofia, incluindo a

matemáticaea

nova

teoriadafísicade

Newton,

depoiscincoanosde

teolo-gia; porfim, senecessário,doisanos de Direito

Canónico ou

de Sagrada

Es-critura.

Completados

estes estudos, os padres

optavam

pelos serviços

apos-tólicos mais modestosentre ospobres e osabandonados.

O

fundador

morreu

dois anos depois da sua ordenação, tendo apenas

trinta anos; o seu sucessor

morreu

seis meses mais tarde; depois foi Luís

Bouic,

com

apenas 26 anosque assumiua responsabilidadede governoeque

dirigiu o instituto durante 53 anos.

Um

tempo

de governo só ultrapassado

em

poucosinstitutos:o únicocaso quese

conhece

éodeS.

Hugo

de

Cluny

que foi abade

em

1049 e ficou

no

cargo durante 60 anos.

A

propósito

do programa

de estudos,

quão

diferente era a atitude de

Poullart des Places da

do

sulpiciano Etienne Mollevault, que

em

1825,

-numa

época

completamente

diferente, é verdade, - dava a

um

directorde

seminário

do

tempo

de Libermann,oseguinteconselho:

"Tenha

cuidado

em

não

alimentar o espírito de curiosidade que

mata

a acção da graça, pense

quea maiorparte dos seusouvintes deveexercer oministérionos meios ru-rais

com

bonscamponeseseporconsequênciavejaoquelhes serámaisútil".

No

entanto, ele escrevia estas linhas

numa

época

em

que Felicite de

Lam-menais afirmava

em

1828: "nunca, depois de muitosséculos, oclero

na

sua

maioria, tinha sido tão ignorante

como

hoje, e nunca,

no

entanto, a

ver-dadeira ciênciatinhasido tão necessária3".

Durante muitos anos (pode-se

mesmo

dizer quase 150 anos), afundação

espiritana foi mais

um

movimento do

que

uma

organização e quando,

em

1734, elaadquire

uma

estrutura visível, estaconsistiaapenas

num

corpo de

directoresexigido pela leicivilparaquesepudessefalardepersonalidade

le-gal.

Os

directores

não

tomavam

um

compromisso

religioso sob a forma de

votos

ou

de promessas,

mas

assinavam

um

contrato

em

que se obrigavama

observaros estatutos, estatutosque,

no

dizerde

um

jurista oficial, dois

sécu-los mais tarde,

eram

duma

extrema concisão.

O

vigorda fundação de Poullartdes Places

não

provinha da sua

organi-zação,

mas do

seu carisma. Todos os seus

membros

- qualquer que fosse a

qualificação que tivessemalcançado- foram reconhecidos

como

espiritanos

e

não

tiveram outroscompromissos religiososparticularesa

não

seros

do

seu

sacerdócio.

O

que

tinham

em

comum

era a sua concepção

do

sacerdócio.

Serpadre significava paraeles

uma

disponibilidade evangélica

na

obediên-ciaaoEspíritoparaoserviçodospobreseabandonados,

acompanhada

duma

pobreza voluntária.

Sem

dúvida,

pensavam

que esta concepção

do

sacerdó-cio era suficiente paraviverem a vida religiosa

na

sua autenticidade e tudo

o que sejuntasse aos seus compromissos apostólicos pelos votos

ou

promes-sas era inútil

ou

artificial.

3

Estasduascitaçõessãoextraídas de:G.BERTIERdeSAUVIGNY,(1974).

Au

soirde

monar-chie.LaRestauration.3-Edição.Paris:Flammarion:309.

Na

páginaseguinte,encontra-sea

in-teressante reflexãode

um

bispo,MgrLeblanc deBeaulieu:"gosto mais decultivar avinhado

Senhorcomburrosdo quedeixá-la inculta".

(5)

O

que

Des

Places queriaera averdade:

não

só aaparência,

mas

a

iden-tificação real

com

os pobres, através de

uma

existência frugal. Para ele, a

opçãoevangélica pelospobresera fidelidadeaoEspírito.

Não

havia

nada

de

mais urgente, porque nesse

tempo eram

poucos os padres verdadeiramente

entregues ao seuserviço.

A

mesma

penúria existe ainda nos nossosdias.

A

Regra

de Poullart des Places e a de S.

Bento

Se comparamos

a regradePoullart des Places ea deS. Bento,

podemos

encontrar algunspontos de convergênciamuitoúteis.

Como

adeS. Bento,

a regra

do

nosso fundador, que ele acabou por volta de 1706, era

somente

uma

regra interna; apresentava linhas de conduta para certos serviços da

casa, para a vida de oração e para os estudos.

Não

descrevia o espírito da

casa, anteso pressupunha.

Como

avida

mudou

muitodesde então, amaior

partedas suas prescriçõessão obsoletas

como

as deS. Bento.

Contudo,

os beneditinos

têm

continuado a guardar a regra original,

como

um

texto venerável, frequentemente lido e comentado,

mesmo

que

todos os costumes e constituições

respondam

às necessidades actuais.

Mas

entre os espiritanos, asregrasde Poullartdes Places estiveram muito

tempo

confinadas aos arquivos; aí

dormiram

até à sua publicação

em

19594 .

As

nossas Regras e Constituições actualizadas

em

1986

não contêm

mesmo

nenhuma

referência a essasantigas regras

como

a

uma

das suas fontes,

não

mais que à regra de 1734, que era

uma

versão revista e actualizada da de

1706.

No

entanto, aregrade 1734apresentava explicitamenteocarisma

es-piritano de disponibilidade evangélica,

na

fidelidade ao Espírito, para o

serviço dos pobres.

A

Regra

de Poullart des Places e a de S. Francisco

Se

comparamos

a regrade Poullartdes Places

com

ade S. Francisco de

Assis,

vemos

que

ambas

salientam a importânciadapobreza evangélica.

Mas

o nosso fundadorviu a pobreza

como

uma

realidadesubordinadaaoserviço

da pregação

do

Evangelho,

mesmo

se ela fosse exigida incondicionalmente

por este serviço.

Chamados

a servir os pobres, os seus discípulosdeveriam

mostrar, pelo seuestilode vida, quese identificam

com

eles.

A

prioridade é

apregação

do

Evangelho,

mas

estapregação

não

se fazsó

com

palavras,

mas

igualmente

com

estasobriedade

no

estilo devida.

A

Regra

de Poullart des Places e a de S. Inácio

No

que respeita à regra de S. Inácio, é

muito

claro que o próprio

pro-grama

dos estudosmostra

quanto

o nosso fundadorfoi

profundamente

in-fluenciado pelosjesuítas.Recordar-se-áqueele tinhasido

educado

poreles

durante cerca de doze anos. Depois, durante

muito tempo,

os jesuítas

4

HenryJ. Koren e Maurice

CARIGNAN

(ed.). LesÉcrits spirituelsde M. Claude-François

PoullartdesPlace. Pittsburgh: DuquesneUniversity; Louvain, Nauwelaerts;Rhenen,Spiritus,

1959.

Em

1983,emCahiersSpiritains,n° 16,oP.Joseph Lécuyer reproduziuumaedição(reed.

em1988)naqualosRèglementsnãosão maistranscritosintegralmente.Encontrar-se-áno

(6)

HenryJ. Koren

foram directores espirituais

no

Seminário

do

Espírito

Santo

5

.

A

influência

de S. Inácio é ainda mais visível

na

regra de 1734 que está muitíssimo

baseada nos regulamentos ecostumes introduzidos porPoullart des Places.

Embora

a regra de

1706

exija

uma

obediência cega, a de

1734 retoma

quase palavra por palavra a exigência inacianada obediênciaperfeita sob

todos os aspectos,quanto àexecução,aojuízo eàvontade.

A

mesma

coisa

para a práticadapobreza: queaalimentação, ovestuário,oleitoeo quarto

sejam o que

convém

aos pobres e

também

em

tudo o resto.

Como

os

je-suítas, osespiritanos

tinham

porregra que o Superiorera eleito parao seu "obediênciacega"

mandato,

sem

limite de tempo,

mas

que podia ser substituído pela

maio-riadosseusconselheiros.Estesreuniam-se todosostrêsanos

sem

asuapre- "perfeita sob todos

sença para consultas

mútuas

e para

examinarem

se

não

teria

chegado

o os aspectos, quanto

tempo

de eleger

um

outro SuperiorGeral.

Se

quatro dos seis conselheiros àexecução, ao

respondessem afirmativamente a esta consulta, ele era destituído

do

seu

juízoeavontade"

cargo6

.

As

Missões longínquas

A

primeira

menção

específica

dum

trabalhonas missões longínquas

não

se encontra antes da regra de 1734,

onde

aparece

como

uma

tarefa entre

tantasoutras queos espiritanospoderão empreender. Se o fundador

não

fez

referência àsmissões longínquas,

não

é porse lhes teroposto

ou

por

nunca

nisso ter pensado;

mas

é devido às circunstâncias particulares

do

início

do

século

XVIII

que as

tornavam

praticamente inacessíveis àqueles

que

tivessem desejo de a elas se consagrarem.

O

principal obstáculo eraque os

espiritanos só

podiam

irparalápor intermédioda SociedadedasMissões

Es-trangeiras e este instituto estava eivado dejansenismo.

Por vezes defende-se a ideia de que os espiritanos

têm

sido sempre, e

antes de tudo, missionários;

mas

o único

argumento

apresentado para

de-fender estaopinião refere-se ao desejo de des Places,

no tempo

da sua

con-versão (1701), de se consagrar às missões longínquas. Este

argumento

não

parece muito convincente.

Quase

todos os jovens que tiveram

uma

sólida

formaçãocatólica, eespecialmente aquelesque desejaram ser padres, foram

atraídos por estavocação,

mas

para a maiorparte deles,

não

passou de

um

votopiedoso

como

que efémero. Se,

em

lugardeserem missionários, os

es-piritanossetivessemtornadocontemplativos, poderiaterjustificação, talvez

ainda melhor, recorrendo à ideia, igualmente efémera,

do

fundador formar

5

Asregras3 e4 da casa oexigemexplicitamente.Elasforamsuprimidas (retiradasdotexto)de

seguida,semdúvidana épocaemqueos jesuítasconheceramasdificuldadesquelevaramàsua extinçãoemFrança (1763).

6

Semelhante deposição nunca aconteceu.

A

nossa história recorda que

em

1865, Inácio

Schwindenhammer,Superior Geral,seopôsvigorosamenteareceberqualquercríticaquefosse

destasconsultastrienais:elenapráticaeliminou-as.Deseguida encontrou-se outromodo,mais

comum,de exercer

um

controledemaneiraequilibrada:o Superior Geralquefosseeleitopor

um

mandato limitado. Ver.AmadeuMARTINS,(1981)."Expositionde quelquesmembresde

laCongrégationcontre1'administrationduPèreSchwindenhammer».In Cahiersspiritains,n°

14,Jan.-Junho: 29-35.

"que

aalimentação,

o vestuário, oleito

eoquartosejam

o queconvémaos

pobresetambém

(7)

os seus discípulos

como membros

duma

ordem

contemplativa rigorosa7

.

De

facto, logoque ascircunstâncias históricaspermitiramaos espiritanos

sermissionários (por voltade 1730), as missões longínquas foram

acrescen-tadas à listadas tarefas prioritáriasa favor dos pobrese abandonados. Então

o magnífico trabalho realizadopor algumas dúziasde padresque foram para

o

Canadá

e

Extremo

Oriente levou o Ministro geral das colónias a propor que a

Congregação

aceitasse oficialmente a responsabilidade

do

ultramar.

Quando

estapropostafoiaceite, a

nova

situaçãolevouossuperioresda

Con-gregação e

do

seminário (que legalmente constituíamo instituto) a admitir

missionários

como

associados.Isto

começou

aserconcretizadomais

ou

menos

apartirde 1775; temos então oprimeiro

exemplo

claro

duma

associação

com

missionáriosda

Guiana

(recordemosque então otermoassociado significava:

ser

membro

da Congregação, inscrito

no

registo àos associados).

Depois daRevolução Francesa, as tarefas missionárias tornaram-se

prio-ritáriasparaos espiritanos, ederepente, aadmissão demissionáriosfoi

olha-da

como

normal,

como

aparece

numa

carta

do

Pe. Jean Perrin, o primeiro

prefeitoapostólicoespiritano: "Todosospadres que foremenviados, escreve

ele

em

1807, serão

membros

da

Congregação

(...); todos os missionários

doentese

na

reformaserão tratadosnos seusestabelecimentos".

Mas

as

con-tingências políticas por várias vezes

impediram

de pôr

plenamente

em

prática esta decisão, até que

em

1848 ela

pôde

por fimsertida

em

conta.

Resolvidaaaceitaçãodemissionários

na

Congregação,

não

houve

muita preocupação

com

a expansão

do

instituto, pelo

menos

no

sentido estrito,

como

o fruto

duma

política de crescimento.

A

única expansão que

houve

foi consequência de factores externos

ou

seja: os pedidos dos bispos de

Meaux

e de

Verdun

parase encarregarem dos seusseminários diocesanos e

a aceitação de missões nas

Américas

e

na

África8.

Até

ao generalato de

M.Leguay, nos finais de 1840, a

Congregação

não

mais teve

em

vista

en-carregar-se doutros seminários, tanto

na

França

como

nas missões fora

do

Império Francês, nos Estados

Unidos

como também

ao longe

na

Nova

Zelândia.

Sem

serpor suaculpa, ela

não

esteve

em

condiçõesde ofazer.

A

situaçãoda

Congregação

depois daRevolução mostrou asua fraqueza

pelo facto deela ser mais

um

movimento

que

uma

organização, isto é,

um

institutoestruturado.

A

Congregação

não

tinha previsto

nada

para permitir

a sua expansão e o seu crescimento;

nem mesmo

tinha estruturas jurídicas

suficientespara exercer a sua autoridade sobreos seuspadres

quando

saíssem

do

seminário;

não

tinha o poder de conservaro pessoal necessáriopara

as-segurar a sua sobrevivência.

O

seu carisma

pôde

permanecervivo,

mas

por

sisó, foiincapaz de impedir oseudeclínio.

A

vinda

do

Pe.

Libermann

edos

seus discípulos

em

1848salvou-a

do

desaparecimento iminente, trazendo-lhe

Ver:"MémoiresurlaviedeM.Claude-FrançoisPoullartdesPlaces»,atribuídaa PierreThomas

cssp, in

KOREN,

Écrits:270. Acrescente-sequeM.desPlacesprimeiramentenãotinha con-cebido a ideiade formareclesiásticos,massantosreligiososque se entregassemaos rigoresda penitênciaseDeusoschamasseaoclaustro".

HouvetambémamisteriosaaceitaçãodumseminárionaCórsega, talvezligadaa

um

projecto

(8)

Henry1. Koren

asestruturas necessárias, opessoal e

uma

direcção capazes

não

sóde a

con-servar,

mas

delhedar

novo

vigoraoseuidealde disponibilidade evangélica.

A

tradição espiritual

da

Congregação do

Espírito

Santo

Introdução

Esta segundaparte aborda o

mesmo

tema

que a precedente,

mas

procu-rando apreender

duma

maneira mais completaoselementosque entram

no

carisma espiritano.

E

uma

tentativadesíntese que

tem

muito interessepara

todos aqueles que desejam

compreender melhor

a tradição espiritual da

Congregação

do

Espírito Santo.

O

Pe.

Koren

resume assim estes diversos elementos: "parece-me que a

nossa espiritualidade viva

pode

ser descrita perfeitamente

como

uma

disponibilidade evangélica que estáatenta ao Espírito Santo

manifestando-se nas situações concretas da vida". Estes traços fundamentais ajustam-se

tanto àherança de Poullartdes Placesapresentada nestas páginas

como

àde

Libermann

que

não

é tratada aqui.

O

Pe.Korenmostradeseguida,

como

estestraços seencontram,nãosóna

vi-da de Poullartdes Places, mas

também

nados seusdiscípulos, ao longo dos anos

1703-1839.

As

pesquisas doPe. Koren sobre os espiritanos, tendo trabalhadonas

missõesda Acádia,doExtremo-Este dosEstadosUnidosedo

Canadá

(mas

também

nasdo ExtremoOriente)permitem-lhecitartestemunhosdequese falapouco.

Recordar-se-á que o termo espiritano designava então os padres

forma-dos pelo Seminário

do

Espírito Santo, sob a direcção e carisma vivido e

transmitido pelos seus formadores, herdeirosda obra de Poullartdes Places.

Lendo-se o Pe. Koren,compreende-se justeza daquiloque Nicolas

War-net (1795-1863),

membro

da

Congregação do

EspíritoSanto, depois

Supe-rior Geral interinamente (de 7 deJaneiro a28 de Abrilde 1845),dizia nas suas famosas homilias por ocasião das festas patronais

do

seminário: a

tradiçãoespiritanatem-seconservado

bem,

não

sónostextos,

mas

sobretudo

no

modo

de viverde muitosespiritanos deantes dafusão de 1848.

Os

dois elementos fundamentais

do

carisma espiritano9

A

disponibilidade evangélica

O

primeiro traço característico

do

carisma espiritano é

sem sombra

de

dúvida a disponibilidade evangélica nos seus dois aspectos.

Antes

de tudo,

disponibilidade diante de

Nosso

Senhor: nós colocamo-nos diante de Deus,

desejososde estarinteiramente à suadisposição. Taléa santidade à qualcada

um

denóséchamado,dizendomuito simplesmenteaDeus: "eis-meaqui,

Sen-hor".

Em

seguida,disponibilidadeparaosnossos irmãose irmãs,o que nosfaz

acrescentar a "eis-me aqui"aspalavras"Envia-me". Estaéa basedanossa vida

apostólica:a nossa disponibilidade diantede Deus,daqualépreciso reterque

os dois aspectos são asfacetas

duma

únicae

mesma

disponibilidade,

como

o

amor

a

Deus

e aosnossos irmãos e irmãs são

uma

mesma

realidade.

Damosaquiumaversãocondensadaeadaptada das páginas 15-18de Koren,Essays.

"A

disponibilidade

evangélica"

eis'me aqui,

(9)

Esta dupla disponibilidade implica antes de mais

uma

vida interior de união a Deus, isto é,

uma

vida de oração, e, de seguida,

uma

pobreza

evangélica feitade pobrezamaterial e pobreza espiritual.

A

compenetração

destes doisaspectosdanossa disponibilidade dá,

em

princípio, a chave

dum

eternoproblema: oda conciliação entrevida apostólica e vida religiosa. Se

asduas constituem

uma

única e

mesma

realidade, então a santidade à qual

somos

chamados

- anossapresença contínua diante de

Deus

numa

atitude

de disponibilidade - é a própria essência

duma

vida verdadeiramente

con-sagradaao serviço

do

Evangelho

no meio

dos nossos irmãose irmãs.

O

segundo elemento

duma

autêntica disponibilidade evangélica, é a

po-brezaevangélica

na

suadupladimensão:pobreza materialepobrezaespiritual.

A

primeira

pode

exprimir-se

em

poucaspalavras: respeitando inteiramente as

necessidadesfundamentaisdavida, ter

uma

atitude

moderada

com

relação aos

bens materiais, tanto paracada pessoa

como

para acomunidade.

A

nível

es-piritual, a pobreza evangélica exige

uma

atenção constante àquiloque a vida

nos traz nas suascontínuas mutações:

uma

atitude de aberturaao

mundo.

A

atençãoao Espírito Santo

manifestando^se nas situações concretas da vida

Estaabertura à experiência exigeo nosso

abandono do

passado.

Quando

opassadoestáverdadeiramenteparatrás, torna-se

um

museu

daquiloquefoi

a vida. Issojá

não

diz

nada

ao

homem,

a

não

ser que ele esteja interessado

pelasantiguidades. Se oespiritano

não

querpregar aos mortos, deve

basear-sesobre ascoisas vividasentre aquelesque o escutam.

Como

consequência,

é

no

que estávivo hoje,que ele entenderáos

murmúrios do

EspíritoSanto.

É

só esta atenção ao Espírito

que

permite discernir o que

vem

de

Deus

(mesmo

olhando aopassado,

mesmo

entreaquelesque

não

partilhamas

nos-sas convicções e

mesmo

as atacam) e o que

tem

a sua fonte noutro lado.

Discernirésemprenecessárioparadiminuira

margem

dos nossoserros.

Mas

a flexibilidade

do

espírito que deveria caracterizar o espiritano, exige dele

que

abandone

asposições tomadas, as orientações segundo asquais ele gas-tou,

Deus

sabe

como,

anos detrabalho árduo,

sem pena

e

sem

seprender ao

"Mariaéonosso

passado, desde que a experiência lhe mostre que ele estava

num

caminho

moàeh

em

tudo

sem

saída. Maria é o nosso

modelo

em

tudo isso: ela foi sempre fielaoseu

isso" divinoEsposo

numa

atitude inteiramente evangélica...

De

1703

a 1839, vidas de espiritanos fiéis a este espírito10

Poullart des Places escreveu

uma

regra só para o Seminário

do

Espírito

Santo.

se faz referência a

uma

consagração especial de todos os

estu-dantes ao Espírito Santo; tanto os formadores

como

os estudantes "terão

uma

singulardevoção à Santíssima Virgem, sob cuja protecção se

oferece-ram

ao EspíritoSanto11".

Lendo

estasregras, descobre-se

uma

insistência

so-bre aoração exprimindoesta duplaconsagração.

<

10

Damosaquiatraduçãode

KOREN,

Essays,p. 18-21.paraasduasedições.

11

PoullartdesPlaces,RèglementsGénérauxet Particuliers, 1706,Regra1 :KOREN,Écrits: 164;

(10)

HenryJ. Koren

A

primeira regra oficialmente aprovada, a de 1734, que sebaseia

larga-mente

sobre atradiçãoproveniente

do

fundador, retoma estaconsagraçãoe

indica os objectivos da Congregação: formar padres pobres que estejam

preparados para tudo, para anunciar o Evangelho aos pobres e

mesmo

aos

descrentes, preparados igualmente para aceitar os ministérios mais

aban-donados e os mais difíceis

na

Igreja12.

Os

historiadores dão testemunho de

que oapostolado dos espiritanostinha por

fundamento

uma

mística de

po-breza: pobreza

não

pelo

amor

de

nada

possuir,

mas

pelo seu valor de

teste-munho

prestado ao evangelho.

Citemos

alguns exemplos vividos e alguns testemunhos.

O

espiritano1

-Charles Besnard, terceiroSuperiorgeraldos Monfortinos,escrevia

no

século

XVIII que os espiritanosestão preparadosuair portoda aparte

onde

é

pre-ciso trabalharpela salvação das almas, entregando-se depreferência à obra

dasmissões, querestrangeiras quernacionais; oferendo-separa irresidir nos

lugares mais pobres e mais

abandonados

para os quais dificilmente se

en-contram

obreiros14".

No

mesmo

século, o Padre de Isle

Dieu

escreve ao

duque

de Choiseul,

em

1763, que, para prefeitos apostólicos nas colónias,

a

seriamprecisos

homens

não tomados

ao acaso,

mas

homens

escolhidosede

elite, (...)

homens

que

tenham

o espírito evangélico e verdadeiramente

apostólico,

homens

que tivessemsidoformados (sefosse possível)nos

semi-nários

como

o

do

Espírito Santo".

Com

efeito, neste seminário, os

homens

que aí sãoformados "preparam-se para os postos mais difíceis, mais

trabal-hosos,

menos

lucrativos e osmais

abandonados

15

.

Para citar exemplos pessoais de espiritanos,

comecemos

por "Monsieur"

Caris16,

morto

em

"odordesantidade",conhecido por todaa parte

em

Paris

como

o legendário pobre padre.

Na

pedra

do

seu túmulo, hoje desaparecida,

tinha a seguinte inscrição: "aqui repousaPierre Caris, pobrepadre, Escravo

de Maria, Procurador deste Seminário: viveu sempre para

Deus

e para o

próximo;para ele, nunca!

Morreu

a 21 de

Junho

de 1757. Reza. Imita17".

12

LE FLOCH, Poullart des Places, Nova edição 1915: 586. Para uma edição crítica, ver:

BOUCHARD

&

NICOLAS

(ed.) (1968).SynopsedesdeuxRégiesde Libermann,précédée delapremièreRèglespiritaine.Paris:30,Rua Lhomond: 8

13

Lembremosqueotermo"espiritano"designavanoséculoXVIII

um

padreformadono

Semi-náriodoEspiritoSanto.

14

KOREN,

Ecrits: 288.Textoligeiramente corrigidosegundo aedição mais recente:Charles

BESNARD,(1981). VidadeLuís Maria Grignionde Montfort. Roma:Centrointernacional

monfortino,DocumentsetRecherchesIV: 283.

15

AlbertDAVID,LesmissionairesduSéminaireduSaint-EspritàQuébeceten Acadieau

XVI-Ile siècle, Mamers, imp.Gabriel Enault/Paris,Sociétéd'histoiredu Canada, 1926:57e53 paraasduasedições.

16

Atéao séculoXIX(e mesmodepois)os eclesiásticosquenãopertenciamaumaOrdemeram

chamados"Messieurs":messieursduSaint-Esprit,de SaintSulpice,etc;masPadreJesuíta,

Ca-puchinho,etc.

''H.LEFLOCH,(1915).PullartdesPlaces.Novaedição:401.Eumatraduçãodadaaqui,porque

ooriginaléemlatim:"Hicjacet Petrus Caris,paupersacerdos,Servus Mariae,.hujus seminarii

procurator:Deoetpróximovixit,nunquamsibi.Obiitdie21 junii 1757.Ora. Imitare". Este

(11)

M.

Alienou da Ville-Angevin entrou

no

Seminário

do

EspíritoSanto

em

1703 e foi

Cónego

de Québec.

Doou

ao bispado paraos pobres tudo o que

possuía; morreu

também

em

"odor de santidade"18.

M.

Le Loutre gastou todo o seu patrimóniopara socorrer os Acadianos

exilados e recusou daparte

do

governo qualquer

compensação

pessoal pelo

seu ministério.

A

sua certidão de óbito traz igualmente a

menção:

"morto

em

odor desantidade"19.

Mgr. Pierre Kerhervé, trabalhando

em

Sião,

nomeado

Vigário

Apos-tólico

na

China

(mas, estando quase cego declinou esta responsabilidade)

tinha

um

guarda-roupaque consistia

numa

velha batina e

num

parde

sap-atos

completamente

usados.

Sem nenhum

dinheiro

no

bolso

empreende

uma

viagem

pararestaurar a paze morre

no

mar

20 .

M.

Maillard

morreu

também "em

odor de santidade"

em

Halifax

em

1762.

O

segredo

do

seu sucesso entre os índios

Micmas

éatribuídoaofacto

de ele se ter identificado totalmente

com

eles.

Nas

refeições

contentava-se

em

partilhar a sopa

mal

cheirosa à base de foca.

A

sua

morte

deixou

unicamente

algunsvelhos móveise os seusmanuscritos

em

Micmac.

Estes

escritos

mantiveram

afé dos índiosdurantemais de

um

século,

na

faltade

padre21.

Mgr. Pottier, Vigário apostólico de

Su-Tchuan na

China, escrevia:

"te-nhamos

o

mínimo

denecessidadespossíveis eseremossemprericos.

custa

a princípio.

Tendo

a vidae o vestir, que mais se

pode

desejar que seja

ra-zoável?22".

Citemos

ainda

M.

Lanoé, missionário dos índios

na

Guyana

(morto

em

1791),

que

escrevia:

"A

minha

única

ambição

tem

sido cooperar

na

obrade Deus;

quando

estiver segurode

mendigar

o

meu

pão

ao fim dos

meus

dias,

com

nada

mais

me

inquietarei.J.C. (Jesus Cristo)

meu

divino

Mestre tinhaoutracondição

muito

diferente da

minha;

prefiroapobreza

e a ignomínia da cruz, a todas as riquezas e honras

do mundo".

Ele

que-ria

que

os missionários

da

Guyana

observassem os

mesmos

princípios

do

Seminário do

Espírito Santo:

"Peço

ao

Senhor que

vosdê a graçade

en-contrar verdadeiros missionários, cheios

do

espírito

do

seu ideal, e

total-mente

desapegados

do

mundo

e

do

dinheiro. Quereria

que

fôssemos

to-dos

um

só coraçãoe

uma

só alma, e que

não conhecêssemos

nunca

este

miserável

meu

e teu,

que

causa tantas desordens,

que

disséssemos e

pra-18

MICHEL,Poullartdes Places: 289.

19

HenryJ.

KOREN,

Knaves orKnigts?

A

History of theSpiritan Missionaries inAcadiaand

North America, 1732-1839 (Pittsburgh, DuquesneUniversity, 1962): 85ss.Estaobrado Pe.

Korenfoi traduzidaemfrancêscomotítulo"Chenapns ouchevaliers?(KnavesorKnights?)

traduzidado inglêspela equipaespiritana:Pe.ArmandLarose, P. HenryLestage, PAntoine

Mercier,Montreal,CasaProvincial, 1979: 201.Vertambém:H.

KOREN,

LesSpiritains: 52-96,aparte sobre «Les Missions en Acadie, auprès des Indiens, 1755-1763»: 89-92 paraLe

Loutre. 20

J.MICHEL,PoullartdesPlaces: 310ss.

21

H.J.

KOREN,

Knaves: 78ss.

22

(12)

HenryJ. Koren

ticássemos todos os dias estas doces palavras,

Dominus

pars haereditatis

meae

etc.

Mas

infelizmente

vemos

que

a

mudança

de clima

muda

tam-bém

os costumes23".

E

depois

também

os testemunhos dos herdeiros da tradição

prove-nientedePoullartdes Placesque trabalharam nos EstadosUnidos, o último

dos quais morreu

em

1839, exactamente antes de

Libermann empreender

a

fundação da

Obra

dos Negros.

M.

]ean-François Moranvillé era

um

dentre

eles.

Antigo

missionário

na Guyana,

prestou juramento constitucional

do

Clero, arrependeu-se

do

seu erro e

chegou

aos Estados

Unidos

no

fim de

1794. Foi o primeiro cidadão americano

membro

da nossa

Congregação

(1804). Durante trinta anos, penitenciou-se austeramente pelos seus

peca-dos. Levantava-se

muito

cedo todas as

manhãs

para ficar três horas

em

oração;

nunca

aqueceu o seuquarto

no

presbitériode Saint-Patrickde

Bal-timore, egastou todos os seus recursos ao serviçodos pobres. Alguns meses

antes da sua morte

(também

ele

"em

odor de santidade")

em

1824, o seu

arcebispo escreveu ao bispo de Boston: "Eu consideraria a sua perda

como

uma

calamidademaior

do

quese tivesseperdido vintepadres".

E

oarcebispo

dizia isso

quando

vinte padresrepresentavam cercade

10%

de todooclero

dos Estados

Unidos

24

.

M.

Matthieu Hérard,

também

ele refugiado da

Guyana,

trabalhou nas

ilhasVierge, Martinicaenos EstadosUnidos, incluindo Pittsburgh.

Embora

trabalhando

em

lugaresde grandepobreza, fez dons consideráveis aos

sulpi-cianos, aos carmelitas de clausurade Baltimore e ao Seminário

do

Espírito

Santo.

Deu

a

M.

Bertout, Superior Geral,odinheiro necessário paraabriro

primeiro seminário

menor

das missões

em

França

(mesmo

ao lado da casa

mãe).

Teve

de vivermuitofrugalmente parafazer taisdons25 .

Pode-se ver por estes exemplos (e poderíamos acrescentar muitos

ou-tros),

como

os espiritanosde

ontem

viviamasua vidaapostólica, tendo por

fundamento

adisponibilidade evangélica diantede

Deus

edos

homens.

Nas

situações concretas da sua vida, estavam à escuta

do

Espírito Santo, antes

de tudo escutando a voz dos seussuperiores e, depois,

quando eram

disper-sos pela perseguição, procurando nas diversas situações o apelo evangélico

que lhes era dirigido nos acontecimentos concretos.

O

Espírito sopra

onde

quer

Regressemos por

um

instante,para terminar, a M.Hérard, o último

mis-sionário espiritano

do

século XVIII que trabalhou

no

Novo

Mundo.

Em-barcou para França

em

1837 para celebrar as suas Bodas de

Ouro

com

os

seus confradesde Paris.

Em

1839,

quando

visitavaafamília, morreu

na

sua

aldeia natal de

Ampuis,

perto de Lião, a 17 de

Outubro

de 1839,

com

a

23

Carta de M.LanoéaM. Becquet, Superior Geral,6 deNovembrode 1784,ArquivosCSSp.

4-B-lII(cópia).Admirar-se-áa artedapráticadoimperfeitodoconjuntivo.

24

HenriJ.

KOREN,

(1983).

A

SpiritanwhowasinNorth America andTrinidad. Pittsburgh:

PA,notice24: 11-12.Jean François Moranvillé nascera

em

1760emCagny, perto deAmiens ondemorreriaa16deMaiode 1824.

25

H.J.

KOREN,

Knaves: 149,160ss.

(13)

idade de 75 anos26

.

Alguns

dias mais tarde - e o acaso desta coincidência

bem

poderia aqui chamar-se

com

outro

nome

-, a 28 de

Outubro

de 1839,

Libermann, mestre de noviços dos Eudistas,

em

Rennes, recebia "alguma ténue luz" encorajando-o a juntar-se à

"Obra

dos Negros" ao lado de

Le

Vavasseur e Tisserant. Dentro

em

pouco

viajaria para

Roma

para aí

apre-sentar o projecto, e a abertura

do

noviciado dos Missionários

do

Sagrado

Coração

de Maria

em

La

Neuville, perto de

Amiens,

a 17 de

Setembro

de

1841.

E

sete anos mais tarde,

com

a "fusão" de 1848,

Libermann

devia

tornar-se o 11° Superior Geral da

Congregação do

Espírito Santo,

reno-vando-a

por

um

espírito de disponibilidade evangélica, de pobreza e de atenção aos sinais

do

Espírito Santo,

numa

espantosa continuidade

com

a

tradição espiritualrecebidade Poullart desPlaces.

(Tradução: Domingos Neiva,

CSSp)

26

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