Missão Espiritana
Volume 5 | Number 5
Article 13
6-2004
Reflexão sobre o Carisma Espiritano de 1703 a
1839
Henry J. Koren
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Koren, H. J. (2004). Reflexão sobre o Carisma Espiritano de 1703 a 1839. Missão Espiritana, 5 (5). Retrieved from
HenryJ. Koren*
reflexão
sobre o
carisma
espiritano
de
1703 a
1839
1Durante
60anos,osemináriofoidirigidoporsuperiores escolhidos,em-bora
não
tivessem muito mais queuma
vintena de anos; ossemina-ristasparticipavam igualmente
na
suaescolha,como
se se tratasse deuma
repúblicade estudantes.Completados
estesestudos, ospadresoptavam
pelos serviços apostólicos mais modestosentre os pobres eos abandonados.
O
vigorda fundação de Poullart des Placesnão
provinha da suaorgani-zação,
mas do
seu carisma.O
quetinham
em
comum
era a suaconcepçãodo
sacerdócio. Ser padre significava para elesuma
disponibilidadeevangélica
na
obediênciaao Espírito paraoserviçodos pobres eabandona-dos,
acompanhada
duma
pobrezavoluntária.Recordar-se-á que o
termo
espiritanodesignava então ospadresforma-dos pelo Seminário
do
Espírito Santo, sob a direcção e carisma vivido etransmitido pelos seus formadores, herdeiros
da
obra de Poullart des Places.O
segundoelementoduma
autêntica disponibilidade evangélica, é apo-breza evangélica
na
suadupla dimensão: pobreza material e pobrezaespiri-tual.
Estaaberturaàexperiência exigeonosso
abandono do
passado. Se oes-piritano
não
querpregaramortos,devebasear-se sobre ascoisas vividasen-treaqueles que o escutam.
:
HenryJ.Koren, missionárioespiritanao,reconhecidohistoriador einvestigadordasfontes
es-piritanas,recentementefalecido.
Ao
traduzir esteartigo eaoinseri-lonasecção Biblioteca Es-piritana,MissãoEspiritaria querprestarumahomenagemlegítima a estevalorosohistoriador eestudiosodocarismaespiritano.Eao Pe.ChristiandeMaréquedevemosatraduçãodoinglêsparafrancêsdealgumas páginas
doPe.HenryJ.Koren,extraídasdasuarecolhadeartigos econferências. "Essaysonthe
Spir-itanCharism andonSpiritan History".Nestetexto,Chritian deMaréfezumaescolha,
apre-sentada abaixoemduaspartes.Paracadaumadelas,redigiuumaintroduçãoqueéapresentada
emitálico. missão Ano e "Recordar-se-áque o termoespiritano designava entãoos padres formados peloSeminário do
Espírito Santo,sob
adirecção ecarismavivido etransmitido pelos seusformadores, herdeirosdaobra dePoullart des Places."
Origem
eevolução da
inspiração inicial"o Pe.Koren
estudaquatro figurasde fundadoresque claramentese demarcaramdos caminhoshabituais devidareligiosa seguidos noseu tempo eque fizeram obra durável de inovadores.
Em
primeirolugar debruça-sesobre o carisma deS.Bento, depoissobre
ode S. Francisco deAssis,
em
seguidasobre ode S. Inácioepor últimoestudaa obra dePoullart desPlacesede Libermann;masaquinãonos
fixamossobre oque
se refereaeste
último"
Introdução
Na
primeira partedo
textoaqui traduzido2oPe.
Koren
estudaquatrofi-gurasde fundadores,que claramente se
demarcaram
doscaminhos
habituaisdevida religiosa seguidos
no
seutempo
e que fizeramobradurável deino-vadores.
Em
primeiro lugardebruça-se sobre o carismade S. Bento, depoissobre o de S. Franciscode Assis,
em
seguida sobre o de S. Inácioe porúl-timoestuda aobrade Poullart des Places edeLibermann;
mas
aquinão
nosfixamossobre o que serefere aeste último.
A
apresentaçãoque elefazdo
carismade Poullartdeveser entendidana
linha
do
queune
asfigurasdeste artigo:são todoscampeões
danovidade, omesmo
édizer daliberdade. Poullart éapresentadocomo
um
fundadorque, aexemplo
de S. Francisco, criouum
espírito, mais queuma
estrutura.Seguindo esta intuição, aRegra de 1734, muito
marcada
pelo espíritoina-ciano, fixa-se sobre as disposiçõesjurídicas próprias para consolidar a
Con-gregação
do
Espírito Santo.Pouco
preocupadacom
o seucrescimento,mas
muito mais
com
ovalorda formação que podiadar, aCongregação
encon-trou-se definitivamente enfraquecida depois da Revolução Francesa que a
tinha destruído.
O
Pe.Koren
julgaquea fraqueza dassuas estruturas jurídicasnão
pôdeevi-tar que a Congregação, restabelecida por Luís XVIII, caísse
em
declíniono
princípio
do
séculoXIX.Mas
é precisotambém
terem
contaqueasnovasori-entações recebidas peloinstitutodaautoridadereal,depoisdaRevoluçãoe
do
Império,
eram
muitodiferentesdavisãoinicialdo
fundador.Não
dizoPe.Ko-renquedes Places
não
tinhaprevistopara a suacomunidade
tarefas nasmis-sões longínquas?
E
com
razão: elaseram
então inacessíveis.A
leitura deste estudo põebem
em
evidência o grandedesinteresse quePoullart soube transmitir aos seus discípulos e que os preparou para
mu-danças insuspeitas.
O
espíritopermaneceu,
e FranciscoLibermann,
trazendo,
em
1848, àCongregação
envelhecida ovigordasua direcçãoedasuainspiração,mostrava o
mesmo
desinteressena
disponibilidade evangélicaa favor dos pobres edos abandonados.
Uma
história extraordináriaEntre os institutos religiosos, "poucos tiveram
uma
história tãoextra-ordinária
como
o dos espiritanos", escreveum
historiador jesuítaem
1986.A
obrafundadaem
1703 porum
estudantedo
colégio Luís-o-Grande,com
a idade de 24 anos, esteve
sem
existência legal durante trinta anos, tantocomo
casa religiosacomo
seminário,embora
estivesse inteiramentecon-forme às orientações dadas pelo Concílio de Trento. Durante
60
anos, oseminário foidirigido porsuperiores escolhidos,
embora não
tivessemmuitomais que
uma
vintena de anos; osseminaristas participavam igualmentena
2
H.J.
KOREN,
(1990). «Essayson the SpiritanCharism and onSpiritan History». In BethelHenry).Koren
suaescolha,
como
se se tratassedeuma
repúblicadeestudantes.Os
seuspro-gramas de estudosexigiam primeiramente trêsanos defilosofia, incluindo a
matemáticaea
nova
teoriadafísicadeNewton,
depoiscincoanosdeteolo-gia; porfim, senecessário,doisanos de Direito
Canónico ou
de SagradaEs-critura.
Completados
estes estudos, os padresoptavam
pelos serviçosapos-tólicos mais modestosentre ospobres e osabandonados.
O
fundadormorreu
dois anos depois da sua ordenação, tendo apenastrinta anos; o seu sucessor
morreu
seis meses mais tarde; depois foi LuísBouic,
com
apenas 26 anosque assumiua responsabilidadede governoequedirigiu o instituto durante 53 anos.
Um
tempo
de governo só ultrapassadoem
poucosinstitutos:o únicocaso queseconhece
éodeS.Hugo
deCluny
que foi abade
em
1049 e ficouno
cargo durante 60 anos.A
propósitodo programa
de estudos,quão
diferente era a atitude dePoullart des Places da
do
sulpiciano Etienne Mollevault, queem
1825,-numa
épocacompletamente
diferente, é verdade, - dava aum
directordeseminário
do
tempo
de Libermann,oseguinteconselho:"Tenha
cuidadoem
não
alimentar o espírito de curiosidade quemata
a acção da graça, pensequea maiorparte dos seusouvintes deveexercer oministérionos meios ru-rais
com
bonscamponeseseporconsequênciavejaoquelhes serámaisútil".No
entanto, ele escrevia estas linhasnuma
épocaem
que Felicite deLam-menais afirmava
em
1828: "nunca, depois de muitosséculos, oclerona
suamaioria, tinha sido tão ignorante
como
hoje, e nunca,no
entanto, aver-dadeira ciênciatinhasido tão necessária3".
Durante muitos anos (pode-se
mesmo
dizer quase 150 anos), afundaçãoespiritana foi mais
um
movimento do
queuma
organização e quando,em
1734, elaadquire
uma
estrutura visível, estaconsistiaapenasnum
corpo dedirectoresexigido pela leicivilparaquesepudessefalardepersonalidade
le-gal.
Os
directoresnão
tomavam
um
compromisso
religioso sob a forma devotos
ou
de promessas,mas
assinavamum
contratoem
que se obrigavamaobservaros estatutos, estatutosque,
no
dizerdeum
jurista oficial, doissécu-los mais tarde,
eram
duma
extrema concisão.O
vigorda fundação de Poullartdes Placesnão
provinha da suaorgani-zação,
mas do
seu carisma. Todos os seusmembros
- qualquer que fosse aqualificação que tivessemalcançado- foram reconhecidos
como
espiritanose
não
tiveram outroscompromissos religiososparticularesanão
serosdo
seusacerdócio.
O
quetinham
em
comum
era a sua concepçãodo
sacerdócio.Serpadre significava paraeles
uma
disponibilidade evangélicana
obediên-ciaaoEspíritoparaoserviçodospobreseabandonados,
acompanhada
duma
pobreza voluntária.
Sem
dúvida,pensavam
que esta concepçãodo
sacerdó-cio era suficiente paraviverem a vida religiosa
na
sua autenticidade e tudoo que sejuntasse aos seus compromissos apostólicos pelos votos
ou
promes-sas era inútil
ou
artificial.3
Estasduascitaçõessãoextraídas de:G.BERTIERdeSAUVIGNY,(1974).
Au
soirdemonar-chie.LaRestauration.3-Edição.Paris:Flammarion:309.
Na
páginaseguinte,encontra-seain-teressante reflexãode
um
bispo,MgrLeblanc deBeaulieu:"gosto mais decultivar avinhadoSenhorcomburrosdo quedeixá-la inculta".
O
queDes
Places queriaera averdade:não
só aaparência,mas
aiden-tificação real
com
os pobres, através deuma
existência frugal. Para ele, aopçãoevangélica pelospobresera fidelidadeaoEspírito.
Não
havianada
demais urgente, porque nesse
tempo eram
poucos os padres verdadeiramenteentregues ao seuserviço.
A
mesma
penúria existe ainda nos nossosdias.A
Regra
de Poullart des Places e a de S.Bento
Se comparamos
a regradePoullart des Places ea deS. Bento,podemos
encontrar algunspontos de convergênciamuitoúteis.
Como
adeS. Bento,a regra
do
nosso fundador, que ele acabou por volta de 1706, erasomente
uma
regra interna; apresentava linhas de conduta para certos serviços dacasa, para a vida de oração e para os estudos.
Não
descrevia o espírito dacasa, anteso pressupunha.
Como
avidamudou
muitodesde então, amaiorpartedas suas prescriçõessão obsoletas
como
as deS. Bento.Contudo,
os beneditinostêm
continuado a guardar a regra original,como
um
texto venerável, frequentemente lido e comentado,mesmo
quetodos os costumes e constituições
respondam
às necessidades actuais.Mas
entre os espiritanos, asregrasde Poullartdes Places estiveram muito
tempo
confinadas aos arquivos; aí
dormiram
até à sua publicaçãoem
19594 .As
nossas Regras e Constituições actualizadas
em
1986
não contêm
mesmo
nenhuma
referência a essasantigas regrascomo
auma
das suas fontes,não
mais que à regra de 1734, que era
uma
versão revista e actualizada da de1706.
No
entanto, aregrade 1734apresentava explicitamenteocarismaes-piritano de disponibilidade evangélica,
na
fidelidade ao Espírito, para oserviço dos pobres.
A
Regra
de Poullart des Places e a de S. FranciscoSe
comparamos
a regrade Poullartdes Placescom
ade S. Francisco deAssis,
vemos
queambas
salientam a importânciadapobreza evangélica.Mas
o nosso fundadorviu a pobreza
como
uma
realidadesubordinadaaoserviçoda pregação
do
Evangelho,mesmo
se ela fosse exigida incondicionalmentepor este serviço.
Chamados
a servir os pobres, os seus discípulosdeveriammostrar, pelo seuestilode vida, quese identificam
com
eles.A
prioridade éapregação
do
Evangelho,mas
estapregaçãonão
se fazsócom
palavras,mas
igualmente
com
estasobriedadeno
estilo devida.A
Regra
de Poullart des Places e a de S. InácioNo
que respeita à regra de S. Inácio, émuito
claro que o própriopro-grama
dos estudosmostraquanto
o nosso fundadorfoiprofundamente
in-fluenciado pelosjesuítas.Recordar-se-áqueele tinhasido
educado
porelesdurante cerca de doze anos. Depois, durante
muito tempo,
os jesuítas4
HenryJ. Koren e Maurice
CARIGNAN
(ed.). LesÉcrits spirituelsde M. Claude-FrançoisPoullartdesPlace. Pittsburgh: DuquesneUniversity; Louvain, Nauwelaerts;Rhenen,Spiritus,
1959.
Em
1983,emCahiersSpiritains,n° 16,oP.Joseph Lécuyer reproduziuumaedição(reed.em1988)naqualosRèglementsnãosão maistranscritosintegralmente.Encontrar-se-áno
HenryJ. Koren
foram directores espirituais
no
Semináriodo
EspíritoSanto
5.
A
influênciade S. Inácio é ainda mais visível
na
regra de 1734 que está muitíssimobaseada nos regulamentos ecostumes introduzidos porPoullart des Places.
Embora
a regra de1706
exijauma
obediência cega, a de1734 retoma
quase palavra por palavra a exigência inacianada obediênciaperfeita sob
todos os aspectos,quanto àexecução,aojuízo eàvontade.
A
mesma
coisapara a práticadapobreza: queaalimentação, ovestuário,oleitoeo quarto
sejam o que
convém
aos pobres etambém
em
tudo o resto.Como
osje-suítas, osespiritanos
tinham
porregra que o Superiorera eleito parao seu "obediênciacega"mandato,
sem
limite de tempo,mas
que podia ser substituído pelamaio-riadosseusconselheiros.Estesreuniam-se todosostrêsanos
sem
asuapre- "perfeita sob todossença para consultas
mútuas
e paraexaminarem
senão
teriachegado
o os aspectos, quantotempo
de elegerum
outro SuperiorGeral.Se
quatro dos seis conselheiros àexecução, aorespondessem afirmativamente a esta consulta, ele era destituído
do
seujuízoeavontade"
cargo6
.
As
Missões longínquasA
primeiramenção
específicadum
trabalhonas missões longínquasnão
se encontra antes da regra de 1734,
onde
aparececomo
uma
tarefa entretantasoutras queos espiritanospoderão empreender. Se o fundador
não
fezreferência àsmissões longínquas,
não
é porse lhes teropostoou
pornunca
nisso ter pensado;
mas
é devido às circunstâncias particularesdo
iníciodo
século
XVIII
que astornavam
praticamente inacessíveis àquelesque
tivessem desejo de a elas se consagrarem.
O
principal obstáculo eraque osespiritanos só
podiam
irparalápor intermédioda SociedadedasMissõesEs-trangeiras e este instituto estava eivado dejansenismo.
Por vezes defende-se a ideia de que os espiritanos
têm
sido sempre, eantes de tudo, missionários;
mas
o únicoargumento
apresentado parade-fender estaopinião refere-se ao desejo de des Places,
no tempo
da suacon-versão (1701), de se consagrar às missões longínquas. Este
argumento
não
parece muito convincente.
Quase
todos os jovens que tiveramuma
sólidaformaçãocatólica, eespecialmente aquelesque desejaram ser padres, foram
atraídos por estavocação,
mas
para a maiorparte deles,não
passou deum
votopiedoso
como
que efémero. Se,em
lugardeserem missionários, oses-piritanossetivessemtornadocontemplativos, poderiaterjustificação, talvez
ainda melhor, recorrendo à ideia, igualmente efémera,
do
fundador formar5
Asregras3 e4 da casa oexigemexplicitamente.Elasforamsuprimidas (retiradasdotexto)de
seguida,semdúvidana épocaemqueos jesuítasconheceramasdificuldadesquelevaramàsua extinçãoemFrança (1763).
6
Semelhante deposição nunca aconteceu.
A
nossa história recorda queem
1865, InácioSchwindenhammer,Superior Geral,seopôsvigorosamenteareceberqualquercríticaquefosse
destasconsultastrienais:elenapráticaeliminou-as.Deseguida encontrou-se outromodo,mais
comum,de exercer
um
controledemaneiraequilibrada:o Superior Geralquefosseeleitoporum
mandato limitado. Ver.AmadeuMARTINS,(1981)."Expositionde quelquesmembresdelaCongrégationcontre1'administrationduPèreSchwindenhammer».In Cahiersspiritains,n°
14,Jan.-Junho: 29-35.
"que
aalimentação,
o vestuário, oleito
eoquartosejam
o queconvémaos
pobresetambém
os seus discípulos
como membros
duma
ordem
contemplativa rigorosa7.
De
facto, logoque ascircunstâncias históricaspermitiramaos espiritanossermissionários (por voltade 1730), as missões longínquas foram
acrescen-tadas à listadas tarefas prioritáriasa favor dos pobrese abandonados. Então
o magnífico trabalho realizadopor algumas dúziasde padresque foram para
o
Canadá
eExtremo
Oriente levou o Ministro geral das colónias a propor que aCongregação
aceitasse oficialmente a responsabilidadedo
ultramar.Quando
estapropostafoiaceite, anova
situaçãolevouossuperioresdaCon-gregação e
do
seminário (que legalmente constituíamo instituto) a admitirmissionários
como
associados.Istocomeçou
aserconcretizadomaisou
menos
apartirde 1775; temos então oprimeiro
exemplo
claroduma
associaçãocom
missionáriosda
Guiana
(recordemosque então otermoassociado significava:ser
membro
da Congregação, inscritono
registo àos associados).Depois daRevolução Francesa, as tarefas missionárias tornaram-se
prio-ritáriasparaos espiritanos, ederepente, aadmissão demissionáriosfoi
olha-da
como
normal,como
aparecenuma
cartado
Pe. Jean Perrin, o primeiroprefeitoapostólicoespiritano: "Todosospadres que foremenviados, escreve
ele
em
1807, serãomembros
daCongregação
(...); todos os missionáriosdoentese
na
reformaserão tratadosnos seusestabelecimentos".Mas
ascon-tingências políticas por várias vezes
impediram
de pôrplenamente
em
prática esta decisão, até que
em
1848 elapôde
por fimsertidaem
conta.Resolvidaaaceitaçãodemissionários
na
Congregação,não
houve
muita preocupaçãocom
a expansãodo
instituto, pelomenos
no
sentido estrito,como
o frutoduma
política de crescimento.A
única expansão quehouve
foi consequência de factores externos
ou
seja: os pedidos dos bispos deMeaux
e deVerdun
parase encarregarem dos seusseminários diocesanos ea aceitação de missões nas
Américas
ena
África8.Até
ao generalato deM.Leguay, nos finais de 1840, a
Congregação
não
mais teveem
vistaen-carregar-se doutros seminários, tanto
na
Françacomo
nas missões forado
Império Francês, nos Estados
Unidos
como também
ao longena
Nova
Zelândia.
Sem
serpor suaculpa, elanão
esteveem
condiçõesde ofazer.A
situaçãodaCongregação
depois daRevolução mostrou asua fraquezapelo facto deela ser mais
um
movimento
queuma
organização, isto é,um
institutoestruturado.
A
Congregação
não
tinha previstonada
para permitira sua expansão e o seu crescimento;
nem mesmo
tinha estruturas jurídicassuficientespara exercer a sua autoridade sobreos seuspadres
quando
saíssemdo
seminário;não
tinha o poder de conservaro pessoal necessárioparaas-segurar a sua sobrevivência.
O
seu carismapôde
permanecervivo,mas
porsisó, foiincapaz de impedir oseudeclínio.
A
vindado
Pe.Libermann
edosseus discípulos
em
1848salvou-ado
desaparecimento iminente, trazendo-lheVer:"MémoiresurlaviedeM.Claude-FrançoisPoullartdesPlaces»,atribuídaa PierreThomas
cssp, in
KOREN,
Écrits:270. Acrescente-sequeM.desPlacesprimeiramentenãotinha con-cebido a ideiade formareclesiásticos,massantosreligiososque se entregassemaos rigoresda penitênciaseDeusoschamasseaoclaustro".HouvetambémamisteriosaaceitaçãodumseminárionaCórsega, talvezligadaa
um
projectoHenry1. Koren
asestruturas necessárias, opessoal e
uma
direcção capazesnão
sóde acon-servar,
mas
delhedarnovo
vigoraoseuidealde disponibilidade evangélica.A
tradição espiritualda
Congregação do
EspíritoSanto
Introdução
Esta segundaparte aborda o
mesmo
tema
que a precedente,mas
procu-rando apreender
duma
maneira mais completaoselementosque entramno
carisma espiritano.
E
uma
tentativadesíntese quetem
muito interesseparatodos aqueles que desejam
compreender melhor
a tradição espiritual daCongregação
do
Espírito Santo.O
Pe.Koren
resume assim estes diversos elementos: "parece-me que anossa espiritualidade viva
pode
ser descrita perfeitamentecomo
uma
disponibilidade evangélica que estáatenta ao Espírito Santo
manifestando-se nas situações concretas da vida". Estes traços fundamentais ajustam-se
tanto àherança de Poullartdes Placesapresentada nestas páginas
como
àdeLibermann
quenão
é tratada aqui.O
Pe.Korenmostradeseguida,como
estestraços seencontram,nãosónavi-da de Poullartdes Places, mas
também
nados seusdiscípulos, ao longo dos anos1703-1839.
As
pesquisas doPe. Koren sobre os espiritanos, tendo trabalhadonasmissõesda Acádia,doExtremo-Este dosEstadosUnidosedo
Canadá
(mastambém
nasdo ExtremoOriente)permitem-lhecitartestemunhosdequese falapouco.
Recordar-se-á que o termo espiritano designava então os padres
forma-dos pelo Seminário
do
Espírito Santo, sob a direcção e carisma vivido etransmitido pelos seus formadores, herdeirosda obra de Poullartdes Places.
Lendo-se o Pe. Koren,compreende-se justeza daquiloque Nicolas
War-net (1795-1863),
membro
daCongregação do
EspíritoSanto, depoisSupe-rior Geral interinamente (de 7 deJaneiro a28 de Abrilde 1845),dizia nas suas famosas homilias por ocasião das festas patronais
do
seminário: atradiçãoespiritanatem-seconservado
bem,
não
sónostextos,mas
sobretudono
modo
de viverde muitosespiritanos deantes dafusão de 1848.Os
dois elementos fundamentaisdo
carisma espiritano9A
disponibilidade evangélicaO
primeiro traço característicodo
carisma espiritano ésem sombra
dedúvida a disponibilidade evangélica nos seus dois aspectos.
Antes
de tudo,disponibilidade diante de
Nosso
Senhor: nós colocamo-nos diante de Deus,desejososde estarinteiramente à suadisposição. Taléa santidade à qualcada
um
denóséchamado,dizendomuito simplesmenteaDeus: "eis-meaqui,Sen-hor".
Em
seguida,disponibilidadeparaosnossos irmãose irmãs,o que nosfazacrescentar a "eis-me aqui"aspalavras"Envia-me". Estaéa basedanossa vida
apostólica:a nossa disponibilidade diantede Deus,daqualépreciso reterque
os dois aspectos são asfacetas
duma
únicaemesma
disponibilidade,como
oamor
aDeus
e aosnossos irmãos e irmãs sãouma
mesma
realidade.Damosaquiumaversãocondensadaeadaptada das páginas 15-18de Koren,Essays.
"A
disponibilidadeevangélica"
eis'me aqui,
Esta dupla disponibilidade implica antes de mais
uma
vida interior de união a Deus, isto é,uma
vida de oração, e, de seguida,uma
pobrezaevangélica feitade pobrezamaterial e pobreza espiritual.
A
compenetraçãodestes doisaspectosdanossa disponibilidade dá,
em
princípio, a chavedum
eternoproblema: oda conciliação entrevida apostólica e vida religiosa. Se
asduas constituem
uma
única emesma
realidade, então a santidade à qualsomos
chamados
- anossapresença contínua diante deDeus
numa
atitudede disponibilidade - é a própria essência
duma
vida verdadeiramentecon-sagradaao serviço
do
Evangelhono meio
dos nossos irmãose irmãs.O
segundo elementoduma
autêntica disponibilidade evangélica, é apo-brezaevangélica
na
suadupladimensão:pobreza materialepobrezaespiritual.A
primeirapode
exprimir-seem
poucaspalavras: respeitando inteiramente asnecessidadesfundamentaisdavida, ter
uma
atitudemoderada
com
relação aosbens materiais, tanto paracada pessoa
como
para acomunidade.A
níveles-piritual, a pobreza evangélica exige
uma
atenção constante àquiloque a vidanos traz nas suascontínuas mutações:
uma
atitude de aberturaaomundo.
A
atençãoao Espírito Santomanifestando^se nas situações concretas da vida
Estaabertura à experiência exigeo nosso
abandono do
passado.Quando
opassadoestáverdadeiramenteparatrás, torna-se
um
museu
daquiloquefoia vida. Issojá
não
diznada
aohomem,
anão
ser que ele esteja interessadopelasantiguidades. Se oespiritano
não
querpregar aos mortos, devebasear-sesobre ascoisas vividasentre aquelesque o escutam.
Como
consequência,é
no
que estávivo hoje,que ele entenderáosmurmúrios do
EspíritoSanto.É
só esta atenção ao Espíritoque
permite discernir o quevem
deDeus
(mesmo
olhando aopassado,mesmo
entreaquelesquenão
partilhamasnos-sas convicções e
mesmo
as atacam) e o quetem
a sua fonte noutro lado.Discernirésemprenecessárioparadiminuira
margem
dos nossoserros.Mas
a flexibilidade
do
espírito que deveria caracterizar o espiritano, exige deleque
abandone
asposições tomadas, as orientações segundo asquais ele gas-tou,Deus
sabecomo,
anos detrabalho árduo,sem pena
esem
seprender ao"Mariaéonosso
passado, desde que a experiência lhe mostre que ele estava
num
caminho
moàeh
em
tudosem
saída. Maria é o nossomodelo
em
tudo isso: ela foi sempre fielaoseuisso" divinoEsposo
numa
atitude inteiramente evangélica...De
1703
a 1839, vidas de espiritanos fiéis a este espírito10Poullart des Places escreveu
uma
regra só para o Semináriodo
EspíritoSanto.
Aí
se faz referência auma
consagração especial de todos osestu-dantes ao Espírito Santo; tanto os formadores
como
os estudantes "terãouma
singulardevoção à Santíssima Virgem, sob cuja protecção seoferece-ram
ao EspíritoSanto11".Lendo
estasregras, descobre-seuma
insistênciaso-bre aoração exprimindoesta duplaconsagração.
<
10
Damosaquiatraduçãode
KOREN,
Essays,p. 18-21.paraasduasedições.11
PoullartdesPlaces,RèglementsGénérauxet Particuliers, 1706,Regra1 :KOREN,Écrits: 164;
HenryJ. Koren
A
primeira regra oficialmente aprovada, a de 1734, que sebaseialarga-mente
sobre atradiçãoprovenientedo
fundador, retoma estaconsagraçãoeindica os objectivos da Congregação: formar padres pobres que estejam
preparados para tudo, para anunciar o Evangelho aos pobres e
mesmo
aosdescrentes, preparados igualmente para aceitar os ministérios mais
aban-donados e os mais difíceis
na
Igreja12.Os
historiadores dão testemunho deque oapostolado dos espiritanostinha por
fundamento
uma
mística depo-breza: pobreza
não
peloamor
denada
possuir,mas
pelo seu valor deteste-munho
prestado ao evangelho.Citemos
alguns exemplos vividos e alguns testemunhos.O
espiritano1-Charles Besnard, terceiroSuperiorgeraldos Monfortinos,escrevia
no
séculoXVIII que os espiritanosestão preparadosuair portoda aparte
onde
épre-ciso trabalharpela salvação das almas, entregando-se depreferência à obra
dasmissões, querestrangeiras quernacionais; oferendo-separa irresidir nos
lugares mais pobres e mais
abandonados
para os quais dificilmente seen-contram
obreiros14".No
mesmo
século, o Padre de IsleDieu
escreve aoduque
de Choiseul,em
1763, que, para prefeitos apostólicos nas colónias,a
seriamprecisos
homens
não tomados
ao acaso,mas
homens
escolhidosedeelite, (...)
homens
quetenham
o espírito evangélico e verdadeiramenteapostólico,
homens
que tivessemsidoformados (sefosse possível)nossemi-nários
como
odo
Espírito Santo".Com
efeito, neste seminário, oshomens
que aí sãoformados "preparam-se para os postos mais difíceis, mais
trabal-hosos,
menos
lucrativos e osmaisabandonados
15.
Para citar exemplos pessoais de espiritanos,
comecemos
por "Monsieur"Caris16,
morto
em
"odordesantidade",conhecido por todaa parteem
Pariscomo
o legendário pobre padre.Na
pedrado
seu túmulo, hoje desaparecida,tinha a seguinte inscrição: "aqui repousaPierre Caris, pobrepadre, Escravo
de Maria, Procurador deste Seminário: viveu sempre para
Deus
e para opróximo;para ele, nunca!
Morreu
a 21 deJunho
de 1757. Reza. Imita17".12
LE FLOCH, Poullart des Places, Nova edição 1915: 586. Para uma edição crítica, ver:
BOUCHARD
&
NICOLAS
(ed.) (1968).SynopsedesdeuxRégiesde Libermann,précédée delapremièreRèglespiritaine.Paris:30,Rua Lhomond: 813
Lembremosqueotermo"espiritano"designavanoséculoXVIII
um
padreformadonoSemi-náriodoEspiritoSanto.
14
KOREN,
Ecrits: 288.Textoligeiramente corrigidosegundo aedição mais recente:CharlesBESNARD,(1981). VidadeLuís Maria Grignionde Montfort. Roma:Centrointernacional
monfortino,DocumentsetRecherchesIV: 283.
15
AlbertDAVID,LesmissionairesduSéminaireduSaint-EspritàQuébeceten Acadieau
XVI-Ile siècle, Mamers, imp.Gabriel Enault/Paris,Sociétéd'histoiredu Canada, 1926:57e53 paraasduasedições.
16
Atéao séculoXIX(e mesmodepois)os eclesiásticosquenãopertenciamaumaOrdemeram
chamados"Messieurs":messieursduSaint-Esprit,de SaintSulpice,etc;masPadreJesuíta,
Ca-puchinho,etc.
''H.LEFLOCH,(1915).PullartdesPlaces.Novaedição:401.Eumatraduçãodadaaqui,porque
ooriginaléemlatim:"Hicjacet Petrus Caris,paupersacerdos,Servus Mariae,.hujus seminarii
procurator:Deoetpróximovixit,nunquamsibi.Obiitdie21 junii 1757.Ora. Imitare". Este
M.
Alienou da Ville-Angevin entrouno
Semináriodo
EspíritoSantoem
1703 e foi
Cónego
de Québec.Doou
ao bispado paraos pobres tudo o quepossuía; morreu
também
em
"odor de santidade"18.M.
Le Loutre gastou todo o seu patrimóniopara socorrer os Acadianosexilados e recusou daparte
do
governo qualquercompensação
pessoal peloseu ministério.
A
sua certidão de óbito traz igualmente amenção:
"mortoem
odor desantidade"19.Mgr. Pierre Kerhervé, trabalhando
em
Sião,nomeado
VigárioApos-tólico
na
China
(mas, estando quase cego declinou esta responsabilidade)tinha
um
guarda-roupaque consistianuma
velha batina enum
pardesap-atos
completamente
usados.Sem nenhum
dinheirono
bolsoempreende
uma
viagem
pararestaurar a paze morreno
mar
20 .M.
Maillardmorreu
também "em
odor de santidade"em
Halifaxem
1762.
O
segredodo
seu sucesso entre os índiosMicmas
éatribuídoaofactode ele se ter identificado totalmente
com
eles.Nas
refeiçõescontentava-se
em
partilhar a sopamal
cheirosa à base de foca.A
suamorte
deixouunicamente
algunsvelhos móveise os seusmanuscritosem
Micmac.
Estesescritos
mantiveram
afé dos índiosdurantemais deum
século,na
faltadepadre21.
Mgr. Pottier, Vigário apostólico de
Su-Tchuan na
China, escrevia:"te-nhamos
omínimo
denecessidadespossíveis eseremossemprericos.Só
custaa princípio.
Tendo
a vidae o vestir, que mais sepode
desejar que sejara-zoável?22".
Citemos
aindaM.
Lanoé, missionário dos índiosna
Guyana
(mortoem
1791),que
escrevia:"A
minha
únicaambição
tem
sido cooperarna
obrade Deus;
quando
estiver segurodemendigar
omeu
pão
ao fim dosmeus
dias,com
nada
maisme
inquietarei.J.C. (Jesus Cristo)meu
divinoMestre tinhaoutracondição
muito
diferente daminha;
prefiroapobrezae a ignomínia da cruz, a todas as riquezas e honras
do mundo".
Eleque-ria
que
os missionáriosda
Guyana
observassem osmesmos
princípiosdo
Seminário do
Espírito Santo:"Peço
aoSenhor que
vosdê a graçadeen-contrar verdadeiros missionários, cheios
do
espíritodo
seu ideal, etotal-mente
desapegadosdo
mundo
edo
dinheiro. Quereriaque
fôssemosto-dos
um
só coraçãoeuma
só alma, e quenão conhecêssemos
nunca
estemiserável
meu
e teu,que
causa tantas desordens,que
disséssemos epra-18
MICHEL,Poullartdes Places: 289.
19
HenryJ.
KOREN,
Knaves orKnigts?A
History of theSpiritan Missionaries inAcadiaandNorth America, 1732-1839 (Pittsburgh, DuquesneUniversity, 1962): 85ss.Estaobrado Pe.
Korenfoi traduzidaemfrancêscomotítulo"Chenapns ouchevaliers?(KnavesorKnights?)
traduzidado inglêspela equipaespiritana:Pe.ArmandLarose, P. HenryLestage, PAntoine
Mercier,Montreal,CasaProvincial, 1979: 201.Vertambém:H.
KOREN,
LesSpiritains: 52-96,aparte sobre «Les Missions en Acadie, auprès des Indiens, 1755-1763»: 89-92 paraLeLoutre. 20
J.MICHEL,PoullartdesPlaces: 310ss.
21
H.J.
KOREN,
Knaves: 78ss.22
HenryJ. Koren
ticássemos todos os dias estas doces palavras,
Dominus
pars haereditatismeae
etc.Mas
infelizmentevemos
que
amudança
de climamuda
tam-bém
os costumes23".E
depoishá
também
os testemunhos dos herdeiros da tradiçãoprove-nientedePoullartdes Placesque trabalharam nos EstadosUnidos, o último
dos quais morreu
em
1839, exactamente antes deLibermann empreender
afundação da
Obra
dos Negros.M.
]ean-François Moranvillé eraum
dentreeles.
Antigo
missionáriona Guyana,
prestou juramento constitucionaldo
Clero, arrependeu-se
do
seu erro echegou
aos EstadosUnidos
no
fim de1794. Foi o primeiro cidadão americano
membro
da nossaCongregação
(1804). Durante trinta anos, penitenciou-se austeramente pelos seus
peca-dos. Levantava-se
muito
cedo todas asmanhãs
para ficar três horasem
oração;
nunca
aqueceu o seuquartono
presbitériode Saint-PatrickdeBal-timore, egastou todos os seus recursos ao serviçodos pobres. Alguns meses
antes da sua morte
(também
ele"em
odor de santidade")em
1824, o seuarcebispo escreveu ao bispo de Boston: "Eu consideraria a sua perda
como
uma
calamidademaiordo
quese tivesseperdido vintepadres".E
oarcebispodizia isso
quando
vinte padresrepresentavam cercade10%
de todooclerodos Estados
Unidos
24.
M.
Matthieu Hérard,também
ele refugiado daGuyana,
trabalhou nasilhasVierge, Martinicaenos EstadosUnidos, incluindo Pittsburgh.
Embora
trabalhando
em
lugaresde grandepobreza, fez dons consideráveis aossulpi-cianos, aos carmelitas de clausurade Baltimore e ao Seminário
do
EspíritoSanto.
Deu
aM.
Bertout, Superior Geral,odinheiro necessário paraabriroprimeiro seminário
menor
das missõesem
França(mesmo
ao lado da casamãe).
Teve
de vivermuitofrugalmente parafazer taisdons25 .Pode-se ver por estes exemplos (e poderíamos acrescentar muitos
ou-tros),
como
os espiritanosdeontem
viviamasua vidaapostólica, tendo porfundamento
adisponibilidade evangélica diantedeDeus
edoshomens.
Nas
situações concretas da sua vida, estavam à escuta
do
Espírito Santo, antesde tudo escutando a voz dos seussuperiores e, depois,
quando eram
disper-sos pela perseguição, procurando nas diversas situações o apelo evangélico
que lhes era dirigido nos acontecimentos concretos.
O
Espírito sopraonde
querRegressemos por
um
instante,para terminar, a M.Hérard, o últimomis-sionário espiritano
do
século XVIII que trabalhouno
Novo
Mundo.
Em-barcou para França
em
1837 para celebrar as suas Bodas deOuro
com
osseus confradesde Paris.
Em
1839,quando
visitavaafamília, morreuna
suaaldeia natal de
Ampuis,
perto de Lião, a 17 deOutubro
de 1839,com
a23
Carta de M.LanoéaM. Becquet, Superior Geral,6 deNovembrode 1784,ArquivosCSSp.
4-B-lII(cópia).Admirar-se-áa artedapráticadoimperfeitodoconjuntivo.
24
HenriJ.
KOREN,
(1983).A
SpiritanwhowasinNorth America andTrinidad. Pittsburgh:PA,notice24: 11-12.Jean François Moranvillé nascera
em
1760emCagny, perto deAmiens ondemorreriaa16deMaiode 1824.25
H.J.
KOREN,
Knaves: 149,160ss.idade de 75 anos26
.
Alguns
dias mais tarde - e o acaso desta coincidênciabem
poderia aqui chamar-secom
outronome
-, a 28 de
Outubro
de 1839,Libermann, mestre de noviços dos Eudistas,
em
Rennes, recebia "alguma ténue luz" encorajando-o a juntar-se à"Obra
dos Negros" ao lado deLe
Vavasseur e Tisserant. Dentro
em
pouco
viajaria paraRoma
para aíapre-sentar o projecto, e a abertura
do
noviciado dos Missionáriosdo
SagradoCoração
de Mariaem
La
Neuville, perto deAmiens,
a 17 deSetembro
de1841.
E
sete anos mais tarde,com
a "fusão" de 1848,Libermann
deviatornar-se o 11° Superior Geral da
Congregação do
Espírito Santo,reno-vando-a
porum
espírito de disponibilidade evangélica, de pobreza e de atenção aos sinaisdo
Espírito Santo,numa
espantosa continuidadecom
atradição espiritualrecebidade Poullart desPlaces.
(Tradução: Domingos Neiva,
CSSp)
26