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A PROBLEMÁTICA DAS MANIFESTAÇÕES PATOLÓGICAS NAS FACHADAS DE EDIFÍCIOS RESIDENCIAIS

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A PROBLEMÁTICA DAS MANIFESTAÇÕES PATOLÓGICAS

NAS FACHADAS DE EDIFÍCIOS RESIDENCIAIS

SILVA, Ataline; ALBUQUERQUE, Guilherme; BELO, Paula; SILVA, Dione Universidade de Pernambuco, (81) 9 9682-2544, [email protected]; Universidade de Pernambuco, [email protected]; Universidade de Pernambuco,[email protected];

Universidade de Pernambuco, [email protected]

RESUMO

Este estudo mostra a vulnerabilidade das faces externas da edificação, destacando a importância da existência de um plano de manutenção nos edifícios, principalmente nestas áreas, onde a exposição à ação de intempéries é maior e consequentemente estão mais sujeitas ao desenvolvimento de manifestações patológicas. Diante disso, realizou-se uma revisão bibliográfica à cerca do tema, descrevendo sucintamente as principais manifestações patológicas desenvolvidas nos principais tipos de revestimento, a saber: revestimento cerâmico e revestimento de argamassa. Foi realizado ainda, um estudo de caso em um edifício localizado na Região Metropolitana do Recife (RMR), local de agressividade II. O prédio é parcialmente revestido com placas cerâmicas, mas predominantemente revestido com argamassa, algumas informações sobre ele foram recolhidas, inclusive sobre a existência de um plano de manutenção, e uma inspeção visual foi realizada a fim de se observar quais as manifestações patológicas foram desenvolvidas na edificação durante a sua vida útil. Dentre as manifestações encontradas, constatou-se a presença de fissuras, a ocorrência de bolor e descascamento da tinta. A parte revestida com argamassa estava visivelmente mais deteriorada que a revestida com placas cerâmicas, mostrando que o revestimento cerâmico é mais resistente aos agentes deteriorantes que o revestimento de argamassa. O estudo mostra o quanto as fachadas se deterioram e o quão importante é a realização de manutenções periódicas, tendo em vista não só o valor estético, mas a proteção que estas conferem às construções quando bem conservadas.

Palavras-chave: Revestimento. Fachadas. Manifestações patológicas. Edificações.

ABSTRACT

This study shows the vulnerability of the external faces of the building, which are called facades, showing the importance of a maintenance plan in buildings, especially in those areas where the exposure to the action of weather is bigger and therefore are more likely the development of pathological manifestations. Therefore was made a literature review about the theme, describing shortly the main pathological manifestations developed in the main types of coatings, which are called ceramic and mortar. A case study was made in a building in Recife, place of aggression II. The building is partly coated with ceramics, but predominantly coated with mortar, some information about it was collected, including on the existence of a maintenance plan, and a visual inspection was carried out in order to observe which pathological manifestations were developed in building over time. Among the changes found, it was observed the presence of cracks, the occurrence of mold and peeling of the paint. The part that was coated with mortar was noticeably most deteriorated than the coated ceramic plates, showing that the ceramic coating is more resistant to spoilage agents that the mortar coating. This paper emphasizes how the facades deteriorate and how important it is to perform periodic maintenance, with not only the aesthetic view, but the protection they confer the buildings when well preserved.

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Key-words: Coating. Facades. Pathological manifestations. Edification.

1 INTRODUÇÃO

A construção civil é o ramo da engenharia responsável por todas as atividades de produção de obras, incluindo a execução, manutenção e restauração de obras em diferentes segmentos. Ao longo dos anos, a indústria da construção civil tem crescido progressivamente e se tornou indispensável no desenvolvimento da sociedade. Com o advento do êxodo rural, onde muitas famílias se mudaram para os grandes centros urbanos em busca de melhores condições de vida e emprego, as cidades começaram e ficar superlotadas, e para um melhor aproveitamento do solo começaram a se desenvolver verticalmente (BASTOS, 2011; ALVES et al., 2011).

A construção civil, por sua vez, assume um papel importante no processo de verticalização das cidades e inúmeras construções com mais de um pavimento foram projetadas, um número cada vez maior de famílias passaram a dividir o mesmo espaço do solo (IPEA, 2011). No entanto, devido à deterioração dos materiais constituintes, com o passar dos anos essas construções podem apresentar diversos problemas patológicos e a fim de evitar a incidência precoce dos mesmos é necessário que os edifícios contem com um plano de manutenções periódicas, com o intuito de se prolongar a vida útil da edificação. Dentre os diversos elementos que constituem as construções encontram-se as fachadas, que são as faces externas da edificação. As fachadas são as mais prejudicadas com a ação do intemperismo incidente nas construções com o passar do tempo. E dependendo do tipo de revestimento ao qual a fachada está sujeita, esta ação pode trazer ainda mais problemas à edificação como um todo. (FREITAS et al., 2013)

Os principais tipos de revestimentos de fachadas são os cerâmicos e argamassados, este último, por sua vez, é muito mais propício ao desenvolvimento de manifestações patológicas, porém, ambos estão em condição de vulnerabilidade ambiental e necessitam de manutenções periódicas. Muitas construções não conferem a devida importância ao plano de manutenção, contudo a elaboração do mesmo deve ser feita desde as fases de projeto e deve ser executado por seus moradores por meio de seu representante durante toda a vida da edificação (SILVA, 2014).

Face ao exposto, o artigo visa analisar as principais manifestações patológicas incidentes nas fachadas de um prédio localizado na Região Metropolitana do Recife, mostrando o seu diagnóstico inicial através de uma inspeção visual.

2 REVESTIMENTO DE FACHADAS

De acordo com a NBR 13755 (ABNT, 1996), revestimento externo é um conjunto de camadas superpostas e intimamente ligadas, constituído pela estrutura suporte, alvenarias, camadas sucessivas de argamassas e revestimento final, cuja função é proteger a edificação da ação da chuva, umidade, agentes atmosféricos, desgaste mecânico oriundo da ação conjunta do vento e partículas sólidas, bem como dar acabamento estético. Portanto, entende-se que um sistema de revestimento de fachadas diz respeito ao material destinado a proteger e compor esteticamente a edificação, levando em

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consideração tudo que interfira em sua vida útil e desempenho. Nas palavras de Reis (2013),

O revestimento de fachada tem a função de “invólucro” na edificação. O que se passa externamente pode interferir internamente, e vice-versa. Contudo, é necessário o entrosamento do sistema de fachada com o revestimento, a impermeabilização, a alvenaria, as esquadrias e a estrutura. (p. 14)

Segundo Groff (2011 apud Sabbatini 1990) os revestimentos externos utilizados em fachadas desempenham papel nas vedações de edifícios e têm diversas funções, como a proteção contra agentes deterioradores, isolamento termo-acústico, estanqueidade à água e aos gases, segurança ao fogo assim como estética e acabamento.

Para Groff (2011), um bom desempenho de fachadas é fundamental não apenas do ponto de vista estético, mas também do ponto de vista técnico, visto que manifestações patológicas desses revestimentos pode ser um grande problema para os usuários no que se refere aos custos e insatisfações futuras. Estes problemas podem ter origem no processo de concepção das fachadas, quando não é dada a atenção devida, tanto por parte dos empreendedores e construtores, como por parte dos projetistas. Muitas vezes, os projetos de arquitetura, estrutura, alvenaria e esquadrias são desenvolvidos sem que se saiba, qual será o sistema escolhido para o resvestimento da fachada. Além disso, a escolha do material de revestimento é definida dentro das alternativas disponíveis no mercado e de acordo com a verba disponível, bem como considerando a beleza, a qualidade do material da camada mais externa, facilidade de composição arquitetônica, deixando de lado se o revestimento escolhido terá seu melhor desempenho (COSTA, 2013).

Os sistemas mais comuns de revestimento de fachadas no Brasil, são os revestimentos de argamassas e acabamento final (pintura, textura etc) e revestimentos cerâmicos.

O revestimento em argamassa, hoje oferece grande variedade no mercado definidas através de suas características e a de seus aglomerantes. De acordo com Santos et al. (2014 apud Pereira 2010), a argamassa é o material de construção obtido através da mistura homogênea de aglomerante, agregado miúdo e água. As principais propriedades deste são a aderência, capacidade de absorver deformações, resistência mecânica, permeabilidade à água e durabilidade.

Por outro lado, o revestimento cerâmico é aquele caracterizado por elementos cerâmicos, de grande variedade de cores, brilhantes, em diversos padrões e modelos. Além disso, destaca-se por sua coesão, resistência à compressão e abrasão. Este tipo de revestimento apresenta conforto funcional quanto estético, sua utilização em fachadas apresenta inúmeras vantagens como o aumento da durabilidade, bem como a melhoria no aspecto estético, na limpeza e manutenção (REIS, 2013).

3 MANIFESTAÇÕES PATOLÓGICAS EM FACHADAS

Segundo Gonçalves (2015), o conceito de “patologia” no contexto da Construção Civil, está alinhado com a definição encontrada na Medicina, na

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qual estudam-se as origens, os sintomas e a natureza das doenças. Ou seja, são todas as manifestações cuja ocorrência no ciclo de vida da edificação venha prejudicar o desempenho esperado do edifício e suas partes (subsistemas, elementos e componentes).

As fachadas são as regiões do edifício mais sujeitas ao aparecimento de manifestações patológicas, segundo Bauer et al. (2015) isso ocorre devido à exposição aos agentes atmosféricos, fazendo com que esse subsistema se degrade com mais intensidade. São regiões mais expostas a ação de intempéries.

A ocorrência e o tipo das manifestações variam de acordo com o tipo de revestimento. Sendo mais comum e tendo mais variados tipos, quando se trata de revestimento argamassado.

3.1 Manifestações patológicas mais comuns em revestimentos argamassado

Fissuras e Trincas – Essas manifestações podem aparecer devido a

diversos fatores: argamassa de encunhamento (em excesso ocasiona a retração, gerando fissuras no encunhamento da alvenaria e consequentemente no revestimento), não utilização de telas de reforço nos locais específicos, inconformidades no traço da argamassa (COSTA; 2013). E ainda: hidratação tardia do óxido de magnésio da cal, reação do cimento com o sulfato, presença de argilo-minerais expansivos e excesso de finos de agregados são outros fatores que podem gerar essa manifestação (FREITAS et al., 2013).

Desplacamento – Trata-se do desplacamento do chapisco e argamassa

proveniente da não aderência ao concreto devido a uma má limpeza da estrutura, segundo Costa (2013). Ou ainda devido a inconformidades do traço da argamassa ou ausência da camada de chapisco (FREITAS et al., 2013).

 Irregularidade – Desvios do plano, requadramentos, arestamentos tortuosos e etc, devido à falta de fiscalização no momento da execução e mão-de-obra desqualificada (COSTA, 2013).

 Eflorescência - Consiste-se de manchas de umidade ou pó branco acumulado na superfície. Tem como causas prováveis a umidade constante, sais solúveis presentes na alvenaria ou na água de amassamento e cal não carbonatada (FREITAS et al., 2013).

 Esfarelamento – Esfarelamento do revestimento devido ao traço da argamassa inadequado (COSTA, 2013).

 Bolor - trata-se de manchas esverdeadas ou escuras, além da desagregação do revestimento, são formadas devido à umidade constante ou falta de exposição ao sol (FREITAS et al., 2013).

 Vesículas - Constitui-se do empolamento nas cores branca, preta ou vermelha acastanhada que acontecem nas pinturas. Sua principal causa é a hidratação tardia do óxido de magnésio da cal (FREITAS et al., 2013).

 Deslocamento com empolamento - Constitui-se do deslocamento da superfície do reboco ao emboço, formando bolhas cujos diâmetros

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aumentam progressivamente. Sua mais provável causa é a hidratação tardia do óxido de magnésio da cal (FREITAS et al., 2013).

 Deslocamento com pulverulência - Trata-se do deslocamento da película de tinta luxando o reboco. Acontece devido ao excesso de finos nos agregados, argamassa magra, muito espessa ou rica em cal e ausência de carbonatação da cal (FREITAS et al., 2013).

3.2 Manifestações Patológicas mais comuns em fachadas com revestimento cerâmico

Fissuras, Trincas, Desplacamento, Irregularidade e Eflorescência são manifestações patológicas comuns a revestimentos argamassado e cerâmico. Contudo as mesmas aparecem com mais frequência em revestimentos argamassados, pois como citado por Bauer et al. (2015), as fachadas sofrem bastante agressão do meio externo, e no caso dos revestimentos argamassados, estes estão mais desprotegidos em relação ao cerâmico.

Contudo, além destas citadas (Fissuras, Trincas, Desplacamento, Irregularidade e Eflorescência), outras manifestações, específicas a revestimento cerâmico podem aparecer:

 Descolamento das peças – De acordo com Costa (2013), essa manifestação pode se dar por: uso inadequado das ferramentas de trabalho, argamassa de assentamento inadequada ou aplicada de forma inadequada.

 Gretamento - Trincas e fissuras no revestimento cerâmico, com perda de integridade da superfície do componente, podendo levar o seu descolamento. Pode se dar por: má colocação da peça por parte do operário, retração e dilatação da peça relacionada à variação térmica ou de umidade, absorção excessiva de parte das deformações da estrutura e retração da argamassa convencional (COSTA, 2013).

 Deterioração das juntas – Segundo Costa (2013), um mau preenchimento das juntas de dilatação do revestimento cerâmico prejudica a estanqueidade do conjunto o que leva a ocorrência de fissuras e infiltrações e provoca danos ao material aplicado.

4 DURABILIDADE DOS REVESTMENTOS DE FACHADA

Silva (2014) define durabilidade de um revestimento como sendo a capacidade do sistema em conservar ao longo do tempo, sob condições de instalação, operação e manutenção especificadas, o desempenho compatível com a utilização prevista no projeto. A autora completa ainda que a vida útil prevista para o revestimento exterior das edificações não deve ser inferior a 50 anos, considerando a realização das manutenções periódicas.

A NBR 15.575-1 (ABNT, 2013), afirma que a durabilidade do edifício e de seus sistemas é uma exigência econômica do usuário, pois está diretamente associada ao custo global do bem imóvel.

Apesar de a durabilidade estar inteiramente ligada a manutenção, o tipo de revestimento também influencia na mesma. Como foi visto, a maioria das manifestações patológicas ocorrem em revestimentos argamassados, ou seja, estes precisam de uma atenção maior nas manutenções e na periodicidade

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das mesmas. Entretanto, os revestimentos cerâmicos não estão isentos do desenvolvimento de manifestações patológicas, ambos podem ter sua durabilidade afetada caso a periodicidade das manutenções não condizam com a necessidade das mesmas.

5 IMPORTÂNCIA DA MANUTENÇÃO EM FACHADAS

De acordo com Silva et al. (2013 apud Souza e Ripper 2003) entende-se por manutenção de uma estrutura o conjunto de atividades necessárias à garantia do seu desempenho satisfatório ao longo do tempo, ou seja, os procedimentos que devem ser tomados periodicamente com o intuito de prolongar a vida útil da edificação.

Manutenção pode ser entendida ainda como um conjunto de ações técnicas e administrativas que, juntas, manterão ou devolverão a um item a capacidade de desempenhar determinada função (CASTRO apud SILVA et al., 2013). O bom desempenho, a vida útil e a durabilidade da construção estão intimamente ligados à realização de manutenção, seja ela preventiva ou corretiva. A manutenção preventiva, como o próprio nome sugere se refere aos cuidados que devem ser tomados a fim de se evitar o surgimento de manifestações patológicas e deve ser priorizada, pois após verificado tais problemas a manutenção utilizada é a corretiva, a qual possui menor desempenho e maior custo de realização. A manutenção preventiva é realizada em intervalos de tempo bem definidos e visa diminuir a probabilidade de ocorrência de problemas na edificação, enquanto que a corretiva só é utilizada após o diagnóstico do mesmo (SILVA et al., 2013; COSTA, 2013)

A realização de manutenções em edifícios fica a cargo dos seus moradores, os quais devem se mostrar dispostos a arcar com as despesas necessárias a uma manutenção de qualidade. Embora edifícios nos quais nenhum programa de manutenção é feito estejam mais propícios ao desenvolvimento de problemas, sabe-se que todas as edificações estão sujeitas a ocorrência de manifestações patológicas, tento em vista que as estruturas e seus materiais se deterioram com o tempo (SILVA et al., 2013). Antes da execução de obras de manutenção numa edificação é necessário o planejamento e a realização de uma inspeção predial, a fim de diagnosticar o problema e sua causa. De acordo com a Cartilha de Informações Técnicas do CONFEA/CREA-RN (2013),

A Inspeção Predial é a vistoria da edificação para determinar suas condições técnicas, funcionais e de conservação, visando direcionar o Plano de Manutenção. Esta vistoria técnica tem por finalidade verificar as condições de Desempenho e determinar medidas corretivas e preventivas que se fizerem necessárias para a boa vida do imóvel e seus usuários. (p.41)

Estudos preliminares feitos ainda na fase de projeto com o intuito de prever potenciais falhas na edificação podem diminuir sensivelmente o custo com intervenções posteriores de manutenção. Se tratando de fachadas, esses estudos podem ajudar projetistas e usuários na elaboração de estratégias de manutenção que possibilitem o prolongamento da vida útil desses elementos. (BELISÁRIO e BAUER, 2015). Sendo assim, é de suma importância à elaboração de um plano de manutenção em fachadas, independente do tipo de

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revestimento, tendo em vista às manifestações patológicas as quais estas estão sujeitas e que podem ser prevenidas ou ter suas consequências minimizadas através da execução de manutenções periódicas.

6 ESTUDO DE CASO

O estudo de caso foi elaborado em três etapas, de forma simples e prática foi possível obter resultados que confirmassem o exposto no presente artigo.

 Etapa 1: Esta etapa consistiu em visitar o edifício, colhendo as informações necessárias do mesmo, identificando e fotografando as manifestações patológicas existentes na fachada.

 Etapa 2: Nessa fase foi descrita de forma mais detalhada cada manifestação patológica encontrada na fachada do edifício.

 Etapa 3: Após a descrição, foram construídas hipóteses para as mais possíveis causas das manifestações patológicas encontradas, tomando como base as causas mais recorrentes apresentadas pelos autores referenciados neste trabalho.

6.1 Etapa 1 – Informações do edifício

O objeto de estudo escolhido foi um edifício do tipo caixão, o qual costuma passar despercebido quando o assunto é manutenção predial, por ser um tipo de edificação antiga e muitas vezes desvalorizada. A partir das visitas realizadas ao prédio para realização de uma inspeção visual com levantamento fotográfico foi possível analisar e identificar, sucintamente, as manifestações patológicas presentes no mesmo.

O Edifício em estudo foi construído há mais de 20 anos, e localiza-se na Região Metropolitana do Recife (RMR). Caracterizado por seu tipo caixão, possui três pavimentos, composto por quatro unidades por andar, no qual cada um possui dois apartamentos, em sua maioria do tipo kitnet e outros de modelo usual.

A edificação em questão é de concreto armado. As fachadas são parcialmente revestidas com placas cerâmicas, conforme Figura 1, mas o revestimento predominante é do tipo argamassado. Segundo informações do proprietário, as manutenções não são periódicas, pois são feitas somente quando julgada necessário, a fachada é pintada eventualmente.

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Figura 1 - Fachada Principal

Fonte: Autores (2016)

6.2 Etapa 2 – Descrição das manifestações patológicas

Foram encontradas algumas manifestações patológicas, conforme ilustra a Figura 2, no edifício em estudo, a saber: fissuras, trincas, desplacamento do emboço, manchas, bolor, descascamento da tinta etc. Essas manifestações foram registradas em fotografias para dar seguimento a análise das mesmas visando o levantamento das principais hipóteses das suas causas e origens, para um possível pré-diagnóstico ou ainda apontar a necessidade de se realizar uma inspeção detalhada. Observa-se que o bolor é o problema patológico mais incidente na fachada do edificio, sendo constatado pela predominância das manchas observadas. E sabe-se que essa manifestação é prejudicial para o concreto porque pode dissolver a pasta de cimento.

Ainda se verifica o descascamento da pintura da fachada, com maior intensidade na região da varanda. Também se observa que as fissuras se concentram nas áreas vivas da fachada, com diversas espessuras, podendo ser considerada como trinca e rachadura. Apesar de se apresentarem em pequenas quantidades há de se concordar que esse problema pode viabilizar outros tipos de manifestações patológicas, portanto, é importante, tratá-lo o de imediato.

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Quadro 1 – Principais manifestações patológicas encontradas na edificação

Manifestações

Patológicas Imagens obtidas in loco

Fissuras e rachaduras

Desplacamento do emboço

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Bolor e fissuras (A) Descascamento

de tinta (B)

Fonte: Autores (2016)

6.3 Etapa 3 – Hipóteses das causas

A seguir lista-se as principais causas que podem ter desencadeado os problemas patológicos identificados na estrutura analisada, essas hipóteses foram levantadas baseadas no conteúdo evidenciado na revisão bibliográfica do presente trabalho.

 Fissuras – As fissuras podem ser provenientes de vários fatores, a causa mais provável para o surgimento das mesmas encontradas nas

A A A A A A B B

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fachadas do prédio analisado, podem ser inconformidades na argamassa utilizada associadas a agressividade da água proveniente das chuvas, por exemplo. Ainda pode-se considerar que as fissuras tenham se manifestado devido a retração por secagem, em alguns casos.

 Desplacamento do emboço – Inconformidades na argamassa associadas a agressividade das chuvas, também são as causas mais prováveis para o surgimento dessa manifestação patológica. Além disso, a falta de aderência argamassa/substrado pode ter desencadeado esse problema.

 Manchas, bolor e descascamento da tinta – A umidade é o principal fator que causa esses tipos de manifestações patológicas. Devido à edificação se encontrar numa região com elevado índice de umidade, esta pode ser a principal causa. A falta de insolação e ventilação também podem desencadear esse problema, e foi verificado que o prédio se encontrava cercado por outros com alturas mais elevadas, o que dificulta a insolação e ventilação, aumentando mais ainda a ocorrência desta manifestação.

7 CONCLUSÃO

Face ao exposto, reitera-se aqui a importância da existência de um plano de manutenção para as construções, pois todas elas estão sujeitas a agentes nocivos que podem prejudicá-la reduzindo sua vida útil de projeto. Além disso, se faz necessária a periodicidade dessas manutenções, a fim de conservar em bom estado os elementos constituintes das edificações, tal como as fachadas que são as partes mais vulneráveis à deterioração. O tipo de revestimento utilizado também contribui significativamente no desempenho e na durabilidade das fachadas, sabendo-se que estas além de responsáveis pela estética da construção tem a responsabilidade de proteger o edifício.

Nesse estudo constatou-se a existência de inúmeras manifestações patológicas encontradas na literatura e pôde-se observar que os revestimentos argamassados são mais propícios ao desenvolvimento de manifestações patológicas que os revestestimentos cerâmicos. Para estudos posteriores se faz necessário realizar uma inspeção detalhada do edificio estudado visando afirmar as hipóteses levantadas. Propõe-se ainda, uma pesquisa aprofundada das vantagens e desvantagens dos tipos de revestimentos citados, através de um comparativo entre fachadas que os utilizam.

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Referências

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