ATO DELIBERATIVO Nº 44, DE 19 DE JUNHO DE 2012
Dispõe sobre o Programa de Internação Domiciliar do Supremo Tribunal Federal.
O PRESIDENTE DO CONSELHO DELIBERATIVO DO PLANO DE ASSISTÊNCIA À SAÚDE E BENEFÍCIOS SOCIAIS DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL – STF-Med –, no uso das atribuições que lhe confere o Regulamento
Geral do STF-Med e tendo em vista o decidido na reunião extraordinária de 4 de junho de 2012,
R E S O L V E:
Art. 1º O Programa de Internação Domiciliar consiste na prestação de serviços de assistência à saúde a nível domiciliar com gerenciamento de equipe multidisciplinar que atenda em ambiente pós-hospitalar e com indicação médica e avaliação sob protocolo de auditoria médica.
Art. 2º O Programa de Internação Domiciliar destina-se ao atendimento dos beneficiários do STF-Med.
Art. 3º O Programa compreende serviços prestados sob as modalidades de Assistência Indireta Dirigida e de Livre Escolha.
Parágrafo único. Os serviços só poderão ser prestados por empresa especializada em atenção domiciliar.
Art. 4º São objetivos do Programa:
I – ser opção de alta hospitalar para pacientes que ainda necessitem de tratamento;
II – possibilitar a recuperação do paciente em ambiente familiar; III – reduzir custos;
IV – prevenir novas internações;
Art. 5º São passíveis de cobertura os seguintes serviços e procedimentos:
I – visita médica;
II – supervisão e cuidados de enfermagem; III – fisioterapia respiratória e/ou motora; IV – fonoaudiologia;
V – serviço social;
VI – avaliação nutricional; VII – atendimento psicológico;
VIII – coleta domiciliar de exames laboratoriais; IX – medicamentos endovenosos;
X – mobiliário e equipamentos;
XI – materiais utilizados nos procedimentos;
XII – ambulância em caso de urgência ou de necessidade de realização de exames em clínicas;
XIII – terapia de nutrição parenteral;
XIV – terapia de nutrição enteral por até sete dias.
§ 1º A oxigenoterapia contínua só é coberta mediante uso de aparelhos concentradores de oxigênio.
§ 2º Cilindro de oxigênio pode ser usado apenas em situações de exceção, definidas no plano de assistência individual elaborado pelo médico assistente.
§ 3º A cobertura e a disponibilização dos serviços e procedimentos mencionados nos incisos I a XIV e nos § 1º e § 2º deste artigo estão condicionadas à aprovação da Seção de Processamento de Despesas Médicas com o auxílio da auditoria técnica.
Art. 6º A assistência prevista neste Programa não inclui os seguintes materiais, serviços e procedimentos:
I – alimentos ou suplementos e nutrientes alimentares, com exceção dos previstos nos incisos XIII e XIV do art. 5º;
II – objetos de uso pessoal e de higiene.
Art. 7º O paciente será admitido no Programa, quando:
I – preencher os critérios de elegibilidade descritos no Anexo deste Ato Deliberativo;
II – estiver em ambiente hospitalar apenas por necessidade de uso de medicação endovenosa;
III – a desospitalização puder promover redução comprovada de custos.
§ 1º É pré-requisito para a admissão no Programa a indicação de um responsável pelo paciente.
§ 2º O paciente que necessitar de cuidados, ao receber alta da internação domiciliar, terá direito ao treinamento de um cuidador pelo período máximo de quinze dias.
Art. 8º Para inclusão no Programa deverão ser entregues à Seção de Processamento de Despesas Médicas:
I – formulário de inscrição;
II – relatório do quadro clínico atual e das necessidades do paciente, preenchido e subscrito pelo médico assistente que indicou a internação domiciliar;
III – plano de assistência individualizado, elaborado pela empresa contratada e que contenha:
a) descrição das assistências clínico-terapêuticas e psicossociais necessárias ao tratamento do paciente;
b) indicação dos materiais, medicamentos, procedimentos e equipamentos necessários, bem como do período de utilização e quantidade estimados;
c) cronograma de atividades dos diversos profissionais indicados e logística de atendimento, que inclua o número de sessões ou de consultas para cada área;
d) periodicidade das visitas médicas;
e) estimativa do tempo de permanência do paciente no Programa; f) orçamento discriminado e pormenorizado;
IV – termo de ciência e responsabilidade preenchido pelo paciente ou pelo responsável;
Art. 9º Perito médico indicado pelo STF-Med realizará visita e análise técnica para efeito de decisão sobre inclusão do paciente no Programa.
Parágrafo único. A critério da Seção de Processamento de Despesas Médicas, a avaliação para inclusão no Programa poderá ocorrer na residência do paciente.
Art. 10. Cabe à Seção de Processamento de Despesas Médicas, com fundamento em parecer da auditoria técnica, analisar e decidir sobre a inscrição no Programa, observadas as disposições constantes deste Ato Deliberativo.
Art. 11. O paciente é inscrito no Programa pelo prazo máximo de 240 dias, que pode ser prorrogado.
§ 1º A prorrogação deverá ser requerida, por escrito, com antecedência mínima de oito dias úteis do fim do prazo autorizado.
§ 2º O requerimento de prorrogação deverá ser acompanhado de novo plano de assistência e de nova análise técnica, sujeitando-se aos mesmos critérios, exigências e procedimentos da inscrição.
Art. 12. A inclusão de materiais, serviços e/ou procedimentos dependerá sempre de nova perícia e de autorização específica da Seção de Processamento de Despesas Médicas, com fundamento em parecer da auditoria técnica.
Art. 13. O plano de assistência a que se refere o inciso III do art. 8º deverá ser revisado e reapresentado à Seção de Processamento de Despesas Médicas do STF-Med quinzenalmente, no primeiro mês, e a cada mês após esse período, podendo esse prazo ser diminuído de acordo com o acompanhamento e a evolução do quadro clínico do paciente.
Art.14. Cessa a prestação dos serviços e procedimentos, bem como o fornecimento de materiais previstos neste Ato, quando se verifique:
I – modificação do quadro clínico do paciente, estando ausentes os critérios de admissão do art. 7º;
II – internação hospitalar; III – óbito;
IV – pedido do paciente ou do responsável legal; V – indicação do médico assistente;
VI – descumprimento das normas previstas neste Ato Deliberativo, inclusive por parte da família;
VII – fim do período autorizado.
Parágrafo único. Compete à Seção de Processamento de Despesas Médicas, com fundamento em parecer da auditoria técnica, decidir sobre a cessação.
Art.15. Os serviços compreendidos no Programa de Internação Domiciliar, sob a modalidade de Assistência Indireta Dirigida, serão prestados pela rede credenciada.
Art. 16. O custeio sobre o valor total das despesas será cobrado de acordo com o percentual definido para os casos de internação em ato deliberativo próprio.
Art. 17. No caso de opção do titular ou dependente econômico pela Assistência Indireta de Livre Escolha, o reembolso será de 90% (noventa por cento) do valor das tabelas adotadas pelo STF-Med.
Art. 18. Para habilitar-se ao reembolso, o titular ou dependente econômico deverá entregar à Seção de Cadastro de Beneficiários e Reembolsos requerimento em formulário próprio, acompanhado de nota fiscal e de relatório do qual conste descrição pormenorizada de todos os serviços.
§ 1º A nota fiscal deverá: I – ser original;
II – ser apresentada em até trinta dias após a data da emissão;
III – ser emitida em nome do beneficiário atendido ou do titular do STF-Med;
IV – conter a descrição dos serviços e dos valores unitários e total; V – estar sem emendas nem rasuras.
§ 2º O relatório deverá conter a descrição dos atendimentos, com discriminação das datas dos serviços, e ser:
I – original; II – datado;
III – assinado pelo médico assistente da empresa; IV – emitido em nome do beneficiário atendido; V – legível.
§ 3º Para efeito de reembolso, serão aceitos somente os documentos emitidos pela empresa que assiste o paciente, não se admitindo emissão nem substituição de documentos por outra empresa ou profissionais.
§ 4º O deferimento do reembolso dependerá da exatidão das informações prestadas, podendo a Seção de Cadastro de Beneficiários e Reembolsos, a qualquer tempo, solicitar outros documentos comprobatórios que repute necessários.
Art. 19. O reembolso será efetivado em folha de pagamento no mês subsequente ao do deferimento do pedido.
Art. 20. Os casos omissos e as dúvidas surgidas na aplicação deste Ato serão resolvidos pela Secretaria de Gestão do STF-Med, ad referendum do Conselho Deliberativo.
Art. 21. Fica revogado o Ato Deliberativo nº 25, de 31 de outubro de 2008.
Art. 22. Este Ato Deliberativo entra em vigor na data de sua assinatura.
Anexo ao Ato Deliberativo nº 44, de 19 de junho de 2012
Critérios de elegibilidade para avaliação da inclusão no Programa de Internação Domiciliar
Nome do Paciente Idade Convênio Matrícula Diagnóstico Principal Diagnóstico Secundário Descrição Itens da Avaliação Pontos Atribuídos 1. Suporte Medicamentoso
Via oral ou retal 0
Via gastrostomia 1
Via intramuscular (IM) e subcutânea (SC) 1
Via sonda nasojejunal (SNJ) ou jejunostomia 3
Via endovenosa 4 Via intratecal 5 2. Dietoterapia Oral 0 Suplementação oral 1 Gastrostomia 2
Via sonda nasoenteral (SNE) ou jejunostomia 3
Nutrição parenteral total intermitente 4
Nutrição parenteral total contínua 5
3. Suporte Ventilatório
Ar ambiente 0
Oxigenoterapia intermitente 1
Oxigenoterapia contínua 2
CPAP terapia 3
Ventilação mecânica não invasiva/ intermitente 4
Ventilação mecânica invasiva/ contínua 5
4. Capacidade Funcional
Independente 0
Dependente parcial 1
Dependente total 2
5. Ferida cutânea
Úlcera de pressão grau I 0
Úlcera de pressão grau II 0
Úlcera de pressão grau III 3
6. Suporte terapêutico assistencial
Itens da Avaliação
Pontos Atribuídos
Cuidados higiênicos 0
Cuidados com pacientes sem controle
esfincteriano 0
Controle e monitorização de sinais vitais 1
Controle e monitorização de glicemia 1
Prevenção de lesões cutâneas 1
Aspiração oral 2
Presença de drenos e sondas 2
Fístulas /estomas 3
Aspiração traqueal 4
Aspiração de vias aéreas superiores 3
Métodos dialíticos 3
OBSERVAÇÕES:
I) Quanto à avaliação da capacidade funcional:
1- Entende-se por paciente independente aquele que pode ser acompanhado por cuidador ou familiar bem treinado.
2- Entende-se por dependente parcial aquele que apresenta duas ou mais das condições abaixo:
a) somente mobiliza-se do leito com ajuda de terceiros; b) apresenta nível de consciência com confusão mental;
c) faz uso de medicações endovenosas com acesso intermitente ou contínuo; d) necessita de curativos especializados /cirúrgicos diários.
3- Entende-se por dependente total, aquele que apresenta uma das condições abaixo: a) apresenta-se em prótese ventilatória contínua ou intermitente com três ou mais intervenções diárias;
b) apresenta-se inconsciente/comatoso ou totalmente restrito ao leito, associado à necessidade de algum dos suportes terapêuticos: cateter vesical, traqueostomia, acesso venoso e diálise domiciliar;
c) possui cirurgia de fixação da coluna, em decorrência de instabilidade grave, com menos de sessenta dias de pós-operatório.
II) Quanto à classificação:
a) Se o somatório de pontos obtidos for menor ou igual a oito, o paciente será considerado não elegível para iniciar ou manter-se no Programa de Internação Domiciliar.
b) Se o somatório de pontos obtidos for maior que oito, desde que a soma não seja alcançada a partir da somatória de pontos um, o paciente será considerado elegível para inclusão ou manutenção no Programa de Internação Domiciliar.
III) Em todos os itens de avaliação, exceto os relacionados à coluna Suporte
Terapêutico Assistencial, os pontos não se somam, sempre prevalecendo o item de maior pontuação em decorrência da maior complexidade.
IV) Caso o paciente utilize medicamento e nutrição por gastrostomia, em relação à
pontuação nos itens Suporte Medicamentoso e Dietoterapia, será considerada apenas a maior pontuação. Será considerado da mesma maneira no caso de sonda nasoenteral ou jejunostomia.