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Anais do Conic-Semesp. Volume 1, 2013 - Faculdade Anhanguera de Campinas - Unidade 3. ISSN 2357-8904

TÍTULO: EFEITOS DE UM PROGRAMA DE NATAÇÃO DE AUTO-SALVAMENTO COM ESTRATÉGIAS DISTINTAS DE PRÁTICA

TÍTULO:

CATEGORIA: CONCLUÍDO

CATEGORIA:

ÁREA: CIÊNCIAS BIOLÓGICAS E SAÚDE

ÁREA:

SUBÁREA: EDUCAÇÃO FÍSICA

SUBÁREA:

INSTITUIÇÃO: UNIVERSIDADE PAULISTA

INSTITUIÇÃO:

AUTOR(ES): MARIANA CLARA VILLANI

AUTOR(ES):

ORIENTADOR(ES): FABRÍCIO MADUREIRA BARBOSA

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Efeitos de um programa de natação de autossalvamento com estratégias

distintas de prática

Introdução

A cada ano 490.000 pessoas são vitimas fatais de afogamentos em todo o mundo, no Brasil este tipo de acidente é apontado como a primeira causa morte em crianças menores de 6 anos , já no mundo ocupa a segunda posição (PEDIATRICS, 2010; HYDER et al., 2008; CAMPBELL, 2007; ISAAC, et al., 2007; WIRTZ et al., 2001; KYPRI et al. 2000; ANDERSON et al., 2000). Fatores que predispõem as ocorrências desta infeliz fatalidade têm sido muito bem documentados, entre eles, pode-se descrever o envolvimento com alcoolismo em adultos, e a maior incidência no gênero masculino mesmo em diferentes faixas etárias (GILCHRISTH et al., 2000; OLIVEIRA, 1998); o poder econômico das vítimas, e os lugares onde ocorrem os afogamentos, este fator, possui relação direta com faixas etárias específicas como por exemplo, jovens e adultos tem maiores proporções de afogamento em praias e rios, já as crianças tem maiores índices em piscinas particulares (WIRTZ et al., 2001; BLUM & SHILD, 2000; WILKS & COORY, 2000). As crianças têm sido as maiores vitimas deste tipo de acidente, que quando não resulta em fatalidades acarreta em sequelas neurológicas com poucas possibilidades de reversão.

Pesquisadores no mundo inteiro tem apontado um constante crescimento no afogamento na primeira infância desde a década de 60 (KINOSHITA & SUNADA, 1966; PRESS et al., 1968), casos de afogamento seguido de morte em crianças tem o poder de traumatizar seriamente os familiares, inclusive levando pais a cometerem suicídio (LIPTON, 2000), entretanto, cabe ressaltar que na maioria dos casos esses acidentes são involuntários, isto é, as crianças não pulam na água deliberadamente, mas as ocorrências indicam que brincadeiras próximas a estes ambientes, bem como, brinquedos flutuando na água são desencadeadores indiretos do afogamento neste período da vida (BRENNER et.al. 2001; FENNER, 2000).

PEARN, NIXON, FRANKLIN, WALLIS, (2008); CASTLEDINE, (2000); GILCHRIST et al., (2000) identificam que os afogamentos na infância ocorrem com maior frequência quando as crianças estão brincando perto de piscinas sem vestimenta apropriada e por pequeno período de tempo sem a supervisão de um adulto. Ainda, os autores supracitados também indicam que a ausência de barreiras de proteção em volta das piscinas, e a existência de objetos (brinquedos) que

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chamem atenção da criança dentro da água ou por perto da mesma são fatores que predispõem a ocorrência do afogamento na infância. Por fim, não possuir habilidades para o autossalvamento em meio liquido, tem sido um fator crucial para este tipo de acidente. Uma vítima de afogamento tem entre 20 e 60 segundos até submergir por completo, porém nesse pouco tempo nem sempre é possível pedir por ajuda, já que provavelmente a vítima estará em desespero para tentar manter seu rosto fora da água e com a respiração acelerada.

Existem várias formas de se evitar esse tipo de incidente na infância, como a conscientização dos pais, já que qualquer período de ausência pode vir a ser fatal, a obrigatoriedade do ensino de técnicas de auto-salvamento (FENNER, 2000; BARSS, 1995; ASHER et. al. 1995), além do incentivo e explicação as crianças sobre a importância do respeito pela água para que nunca se entre em uma piscina, mar, rio e etc., sem estar acompanhada de algum adulto.

Scorcine, Marques, Silva, Madureira, (2009) realizaram uma pesquisa com 16 pais com o objetivo de analisar o conhecimento dos pais sobre os fatores de risco que envolve o afogamento na infância, foi utilizado um questionário com 15 questões fechada, após uma palestra informativa o aumento da concientização dos pais foi de 99%. Madureira, Scorcine, Rocha e Campi, (2009) realizaram um experimento no qual foi testada a influencia de um programa específico de ensino de habilidades de auto suficiência no meio líquido em crianças, 92,30% do grupo obteve sucesso.

As estratégias voltadas para as habilidades de autossalvamento aquático têm potencial para diminuir significativamente os índices de óbito por afogamento na infância e diferentes pesquisadores tem proposto técnicas específicas para o domínio do corpo na água, a seguir serão apresentados algumas proposições. Schieffelin, et al., (1977) demonstravam que o ensino de técnicas de autossalvamento diminuíam significativamente o índice de óbitos deste tipo, em crianças que haviam experiênciado técnicas de autossalvamento no meio líquido, já Rowe et.al., (1977) sugeriram que as habilidades de autossalvamento deveriam ser desenvolvidas em escolas da rede pública. Nixon et al. (1979), levantam a hipótese de que aulas de natação voltadas para o treinamento de autossalvamento seriam mais eficazes do que as aulas tradicionais. Kidd, (1983) sugere que a flutuação de costas ou o equilíbrio horizontal é uma tarefa de extrema importância para a autossobrevivência de crianças, haja vista, a posição permitir ótima flutuabilidade e liberdade para que ocorra a mecânica respiratória com o corpo em posição estável. O estudo de Kochen & MacCabe (1986) demonstrou que bebês de 2 anos e meio, estavam aptos para realizar o

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autossalvamento no meio líquido, principalmente em função do domínio do nado reflexo ou padrão mamífero, bem documentado ao final da década de 30 do século passado, pela pesquisadora McGraw, (1939). Asher et al., (1995) mostraram que crianças entre 24 e 42 meses treinando durante 3 meses já adquiriam habilidades como nadar para a borda após o salto, realizar a recuperação respiratória durante o nado e conseguiam subir no deck da piscina com facilidade, estes resultados demonstram que em pouco tempo de prática é possível a aprendizagem de um conjunto diminuto de habilidades que possibilitem a autossobrevivência na água. Barnett, (1998) desenvolveu um trabalho com 1000 crianças usando a flutuação de costas como o princípio básico para a aquisição de habilidades de auto-salvamento a partir dos 6 meses de idade.

Segundo Madureira et al (2009) tarefas que exijam que a criança mantenha seu corpo em flutuação com diferentes posições e níveis de dificuldade, que tenham capacidade de manter um bloqueio respiratório prolongado, ser capaz de realizar trocas de decúbitos que é a mudança de decúbito ventral para decúbito dorsal e vice versa durante o deslocamento ou parado sem perder a flutuabilidade, auto propulsão, que é a habilidade de gerar deslocamento com qualquer parte do corpo, e experiência em varias situações que deixem a criança em desequilíbrio como por exemplo vendar os olhos, nadar sem materiais ajudem na flutuação e utensílios que dificultam a flutuação como roupas e calçados demonstram dessa forma, um grande domínio corporal no nadar, são habilidades necessárias para o desenvolvimento do auto salvamento. Assim as crianças estarão mais preparadas para qualquer risco, além da preocupação com a estrutura do ambiente como o nível de profundidade da piscina.

Com base nos trabalhos apresentados anteriormente pode-se afirmar que a luz da ciência, ainda são limitadas as quantidades de programas que testaram o ensino e aprendizagem de habilidade de auto-salvamento em meio líquido, apesar deste conjunto de habilidades terem sido descritas como essenciais para a sobrevivência na água, desta forma, entender sobre as variáveis que possam interferir de forma positiva no processo ensino- aprendizagem especificamente das habilidades de auto – salvamento são essenciais para a construção de programas realmente efetivos. A seguir aprofundaremos em informações que permitam uma melhor reflexão sobre o atual estado da arte nesta temática.

No contexto da área de Aprendizagem Motora, existem diferentes tipos de suplementação da aprendizagem, são eles: tipo de instrução - dica, foco interno e externo, etc, demonstração - tipos de modelos e frequência de apresentações,

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feedbacks - intrínsecos e extrínsecos para conhecimento de performance ou de

resultados, estabelecimento de metas e tipos de prática mental e física para gerar aprendizagem da habilidade propriamente dita (TANI, FREUDENHEIN, MEIRA & CORRÊA, 2004; TERTULIANO, et al., 2007). Neste trabalho o foco da atenção estará voltado particularmente para o efeito da prática física, no que diz respeito a esta estratégia de suplementação da aprendizagem, pode-se apresenta-la de forma parcial que é um procedimento utilizado para facilitar a aquisição de uma habilidade complexa, ainda, a mesma pode ser apresentada de três formas para o aprendiz, que são: a-) Fracionalização – duas ou mais partes de uma habilidade complexa praticada separadamente, como exemplo: o nado crawl pode ser dividida em quatro partes, respiração, tronco, membro inferior e membro superior; b-) Segmentação – uma parte de uma habilidade alvo é praticada até que seja aprendida, então uma segunda parte é adicionada a primeira e as duas são praticadas juntas e sucessivamente, pode-se exemplificar com o nado crawl, pratica-se a respiração isoladamente como primeiro passo, depois introduz a braçada em coordenação com a respiração como segundo passo, em seguida como terceiro passo coordena-se a respiração, braçada e pernada. Esse procedimento também chamado de prática parcial progressiva e finalmente, c-) Simplificação – prática na qual a dificuldade em algum aspecto da tarefa-alvo é reduzida, através de estratégias facilitadoras, no caso da natação, a utilização de nadadeiras, pranchas e espaguetes, para exemplificar este tipo de prática, é fácil observar em programas tradicionais de ensino crianças inaptas para o nado autônomo utilizarem boias de braço que garantam segurança do aprendiz ao mesmo tempo que facilitam sua flutuabilidade durante o deslocamento (SCHMIDT & WRISBERG, 2001)

Apesar da estratégia de simplificação ser tradicionalmente utilizada em diferentes programas de ensino do nadar, ainda são limitadas as informações sobre os efeito de programas que utilizem este tipo de estratégia quando comparados aos programas que não fazem uso da mesma.

Na teoria a simplificação da tarefa para o aprendiz parece ser uma estratégia interessante no nadar ou qualquer outra habilidade que dependa de toda a coordenação corporal para gerar deslocamento, tem como objetivo proporcionar ao aprendiz um melhor posicionamento e movimentação mecânica, aumentando a eficiência da técnica. Esse tipo de prática proporciona uma maior facilidade ao aprendiz para a execução dos movimentos da pernada de crawl, por exemplo, a iniciação é o estágio ideal para o começo de um programa de desenvolvimento, tanto da flexibilidade do tornozelo, como das demais articulações (BOMPA 2000) neste caso a utilização de nadadeiras pode ser uma estratégias facilitadora, pode vir a corrigir a

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coordenação da pernada e aumentar o grau de flexibilidade da articulação do tornozelo, a boa flexão plantar permitirá que os pés dos nadadores fiquem em uma boa angulação deslocando uma maior quantidade de água para trás (FARINATTI, 2000), que na mesma proporção, gera um maior deslocamento do corpo da criança e com menos esforço físico. Em programas de ensino do nadar na infância, o uso de nadadeiras também tem sido referenciado (FREUDENHEIM et al., 2003; LOBO et. al., 2006; MADUREIRA, et al., 2011), entretanto, ainda são limitados os estudos que investigam especificamente a influencia deste material em variáveis fisiológicas que podem limitar ou maximizar o processo de aprendizagem.

A metodologia da natação infantil deve ser diferenciada em diversos sentidos, como por exemplo, utilizar jogos para a execução dos objetivos das aulas, tornando a aprendizagem e o treino mais prazeroso e divertido, potencializando a interação do aluno com a modalidade, utilizar materiais diferenciados como brinquedos, deve-se lembrar que a dificuldade da aula será proposta pela capacidade de aproveitamento dos indivíduos logo, se a criança utilizar materiais (brinquedos) que fazem parte do seu cotidiano, possivelmente essa interação se fortalecerá, podendo aumentar a capacidade de aprendizagem da criança.

Por meio das referencias acima, estruturar um ambiente adequado que proporcione segurança e recursos para a prática da natação, com uma metodologia baseada em estratégias de autossalvamento com o foco nas habilidades de flutuação, utilizando de materiais facilitadores para a aprendizagem (nadadeiras) com palestras de conscientização de acidentes e afogamentos poderia ser uma estratégia capaz de diminuir estes índices absurdos? Ou a conscientização por si só seria capaz de tal façanha?

Objetivo

Analisar o efeito de um programa de natação de auto salvamento com e sem o uso de nadadeira.

METODOLOGIA

A amostra foi composta por 20 crianças com idade entre 7 e 10 anos, praticantes de natação com até três meses, divididos em dois grupos (GSN, sem nadadeira, e GCN, com nadadeira). O programa teve duração de 4 semanas sendo 2 sessões por semana de 50 minutos. Foi criada uma planilha para as aulas com

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habilidades do autossalvamento em forma de jogos lúdicos, cada habilidade foi abordada durante as aulas de forma aleatória para que todas as crianças realizassem todas as HAS. Ambos os grupos realizaram a mesma aula. O GCN utilizou as nadadeiras de forma regressiva, sendo retiradas mais para os finais de cada aula.

Para as avaliações foi elaborado e validado um check list (Florêncio et al. 2012) de acordo com as principais HAS propostas por Madureira et al. (2009) com 9 tarefas 8 motoras e 1 cognitiva, sendo elas, flutuação, apneia prolongado, apneia intermitente, mudança de decúbito, deslocamento e mudança de direção, deslocamento com flutuação, saída da água e respeito ao perigo. Foi aplicado os testes nos momentos pré e pós-intervenção, o grupo com nadadeiras nos dois momentos foram avaliados sem nadadeiras, foram utilizadas 7 das 9 habilidades, todas de parte motora. Após a não confirmação da normalidade dos dados foi utilizado o teste de Wilcoxon para comparação entre os momentos pré e pós-intervenção e o teste de Mann Whitney U para comparação entre os dois grupos.

RESULTADOS

Com base nos resultados da tabela 1, pode-se afirmar que o programa de natação foi eficiente para a aquisição das HAS, não se detectando diferença inter grupos.

Tabela 2 Os resultados sugerem que para as variáveis apresentadas, o grupo com nadadeiras, evoluiu para as tarefas de deslocamento com flutuação e mudança de decúbito, quando comparado ao grupo controle que obteve melhoras apenas para a última variável.

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Tabela 3 Demonstra que apesar dos dois grupos terem melhorado na tarefa de flutuação, apenas o grupo SN resultou em mudanças estatísticas significativas.

DISCUSSÃO

Diferentes autores sugerem que iniciativas como o ensino de HAS, têm fortes probabilidades de diminuir os índices de afogamento na infância (FENNER, 2000; BARSS, 1995; ASHER et. al. 1995; Madureira et al, 2009). Os dados desta pesquisa corroboram com os achados em trabalhos anteriores supracitados, demonstrando a eficiência de programas específicos para resolução parcial do afogamento na infância.

Outro objetivo central do trabalho foi testar se estratégias facilitadoras (SCHMIDT & WRISBERG, 2001), mais especificamente o uso de nadadeiras, utilizadas durante o processo do ensino de HAS influenciaria a aquisição das habilidades aquáticas de forma positiva ou negativa. Tradicionalmente, especulações empíricas são feitas sobre o potencial negativo que o uso de materiais facilitadores teriam no processo de aquisição do nadar, induzindo o aprendiz a dependência do material e diminuindo a possibilidade da autonomia no domínio do corpo na água, estas especulações contrariam achados acadêmicos como os trabalhos desenvolvidos por Rocha et al, (2005); Mineiro et al, (2010); Campi, et al, (2003). Nesta pesquisa os resultados corroboram com o mundo acadêmico, demonstrando que a utilização de nadadeiras, durante o programa, foi eficiente para a transferência da aquisição das habilidades sem o uso delas e negam as especulações empíricas.

CONCLUSÃO

O programa de ensino de habilidades de autossalvamento demonstrou ser eficiente para ambos os grupos na analise intragrupos GSN p= 0,05 e GCN P= 0,04, entretanto, não detectou-se diferenças intergrupos. Portanto, o uso de nadadeira para facilitação das habilidades não apresentou influencia nem positiva nem negativa quando comparado o grupo controle, mas a proposta de progressão seguida de regressão no tempo de uso das nadadeiras possibilitou transferência dos domínios das HAS quando os indivíduos foram testados sem o uso deste material

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