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Academic year: 2021

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TÍTULO: CARACTERIZAÇÃO DA COMERCIALIZAÇÃO DE PESCADO NA RUA DO PEIXE, SANTOS/SP

TÍTULO:

CATEGORIA: CONCLUÍDO

CATEGORIA:

ÁREA: CIÊNCIAS BIOLÓGICAS E SAÚDE

ÁREA:

SUBÁREA: ECOLOGIA

SUBÁREA:

INSTITUIÇÃO: UNIVERSIDADE SANTA CECÍLIA

INSTITUIÇÃO:

AUTOR(ES): FERNANDA HARTMANN SILVA

AUTOR(ES):

ORIENTADOR(ES): MARIANA CLAUZET

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No contexto mundial a pesca artesanal emprega uma grande parte da população, praticamente todas residentes em países em desenvolvimento e tem aumentado a oferta de alimento, especialmente com a aplicação de novas tecnologias de captura. Contudo, o manejo da pesca é bastante complexo, considerando-se o contexto socioeconômico e cultural que envolve a pesca artesanal. Esta pesquisa tem como objetivo geral a caracterização da comercialização de pescado na rua do Peixe, Santos/SP, através da coleta de dados com entrevistas e observação para identificar as principais espécies de pescado comercializadas, identificar quem são os fornecedores e os consumidores deste pescado, quais os valores de venda e compra, de que forma é feito o pagamento do pescado, como o pescado está disposto para venda, forma de armazenamento e conservação, tempo de disponibilidade do pescado e infraestrutura e custos dos boxes, entre outras informações. A Rua do Peixe está localizada na Rua Áurea Gonzáles Conde s/n no bairro da Ponta da Praia e possui 8 boxes que comercializam pescados diariamente, das sete horas da manhã até as seis e meia da tarde. Foram realizadas entrevistas com os donos de cinco boxes, e feitas amostragens da comercialização em 14 visitas semanais de março a agosto de 2014. Dos cinco boxes amostrados, o da Zelaine é o de maior infraestrutura e o Pernambuco e de menor, sendo que o primeiro tem um gasto mensal maior do que o dobro dos outros boxes. Os resultados mostram que o peixe inteiro é o mais comercializado na rua do Peixe (63,8%), seguido dos pescados em filé (23,1%) e depois em postas (13,1%). Os peixes que mais estiveram disponíveis para a venda nos boxes da rua do peixe são: Cação (8,3%), Linguado (15%), Pescada (28%), Salmão (41,8%) e Sardinha (7%).

Palavras-chave: pesca artesanal; comercialização; Santos. Introdução:

A pesca é uma atividade econômica de bases muito simples, tanto no que se refere aos seus métodos, quanto nos recursos exigidos. O pescado é um alimento importante na dieta humana. De acordo com a FAO (Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação) o pescado é altamente nutritivo, rico em micronutrientes, minerais e ácidos graxos essenciais (FAO, 2006).

Em virtude disso, a atividade de pesca é praticada pelo homem desde a antiguidade, com lanças, flechas, peneiras, redes, anzóis e linhas, evoluindo com o tempo para ferramentas e processos mais sofisticados, com o objetivo de aumentar a escala de produção.

Na cidade de Santos, litoral sudeste do Estado de São Paulo, existe o mercado municipal e a rua do peixe, dois locais conhecidos que absorvem a produção da pesca artesanal e industrial da região. Este locai foi investigado, pois representa importantes pontos de comercialização da produção local do Litoral sudeste do Estado de São Paulo.

A lei brasileira (Lei 11.959, a Lei da Pesca) define como pesca “toda operação, ação ou ato tendente a extrair, colher, apanhar, apreender ou capturar recursos pesqueiros”, isto é, animais e vegetais que vivem na água, passíveis de exploração, estudo ou pesquisa. A norma geral classifica a pesca como amadora, de subsistência, científica, comercial e de aquicultura. Somente no século XX,

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as tecnologias de cultivo de espécies aquáticas começaram a ser desenvolvidas e utilizadas em diversos países, inclusive no Brasil (Ministério da Pesca e Aquicultura 2009). A aquicultura, ou aquacultura, é a criação de organismos aquáticos, seja no mar, chamada de maricultura, ou em água doce, conhecida como piscicultura, e praticada em represas, açudes, lagoas, rios e em tanques construídos para esse fim.

No Brasil, são consideradas três finalidades gerais: a pesca comercial, a desportiva e a científica. Porém, na prática, a pesca extrativa é classificada também a partir de outros critérios, tais como a simplicidade dos meios ou os métodos de produção, a menor capacidade produtiva, os tipos de pescados-alvo, entre outros. Já a pesca considerada industrial, que também atua como fornecedora de pescado em Santos utiliza embarcações de maior tamanho e autonomia, com motores a diesel de potência elevada, dotadas de equipamentos eletrônicos de navegação e detecção de cardumes e podem chegar a áreas mais distantes da costa (DIEGUES, 1983).

De acordo com dados do Ministério da Pesca e Aquicultura, com o apoio do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2010, a produção de pescados no Brasil em 2009, teria sido de 1.240.813 toneladas. Outro número importante é que somente nos últimos anos houve um crescimento de 15,7% da produção, conforme estatísticas de 2008 e 2009, sendo que a aquicultura apresentou uma elevação na produção 43,8%, passando de 289.050 toneladas/ano. A pesca extrativa, tanto marítima quanto continental (rios, lagos, etc.), passou no mesmo período de 783.176 toneladas para 825.164 toneladas/ano no mesmo período, um aumento em torno de 5,4% (MPA, 2010).

O peixe é consumido em grande escala pelo homem, que ainda depende do extrativismo. De acordo com o Ministério da Pesca e Agricultura (2009), o consumo per capita de pescados no Brasil é de 9,03 Kg/ano, índice considerado baixo em relação ao recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), que é de 12 Kg por pessoa por ano. Por ser altamente perecível, exige muitos cuidados especiais, desde a manipulação até a comercialização, passando por armazenamento, conservação e transporte. Em geral, em Santos/SP o pescado é vendido inteiro, in natura, (conhecido como “peixe fresco”) refrigerado ou congelado (RODRIGUES et al., 2004).

A qualidade dos produtos alimentares é da maior importância para os industriais do sector e para as autoridades de saúde pública. Foi possível estimar que nos Estados Unidos hajam mais de 80 milhões de casos por ano de doenças originadas pela alimentação (MILLER e KVENBERG, 1986). No contexto mundial a pesca artesanal emprega cerca de 51 milhões de pessoas,

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praticamente todas residentes em países em desenvolvimento, que produzem mais da metade de toda a produção marinha. No Brasil, as populações humanas que vivem ao longo costa de Mata Atlântica têm na pesca artesanal a principal atividade de subsistência e o pescado capturado representa de 50 a 68% de toda a proteína animal consumida por elas (Begossi et al. 2000, Davy 2002, Cergole & Wongtschowski 2003, Silvano 2004).

Além da sobre-exploração dos recursos, a pesca artesanal é uma atividade dentro de um contexto socioeconômico e isto torna a questão do manejo bastante complexa, evidenciando as inúmeras dificuldades e limites de todas as atuais ferramentas de manejo, como as licenças de pesca, épocas de defeso, restrições de aparelhagem, os limites de captura por cotas e as taxações sobre recursos sobre explorados (Ludicello et al. 1999, Begossi et al. 2000, Silvano 2004, Begossi et

al. 2012).

A partir da década de 1970, começam a surgir medidas de manejo baseadas em estratégias de combate à sobre-exploração, não somente com leis de limitações de acesso e extração de recursos pesqueiros, mas também incluindo aspectos econômicos relacionados à viabilidade de mercado desta produção (Ludicello et al. 1999, Hersoug 2004, Castello 2007).

Porém, é especialmente pela perspectiva econômica que as dificuldades de manejo do setor pesqueiro aparecem, pois os recursos naturais comuns, no caso os pesqueiros, e as comunidades de pescadores artesanais não são reconhecidos como partes integradas à economia nacional (McKean & Ostrom 1995, Agrawal 2001, FAO 2001, Hersoug 2004, Ruddle & Hickey 2008).

A liberalização do mercado de produtos pesqueiros entre os países, especialmente após a década de 1960, gerou o aumento da demanda por proteína de origem marinha, causando o aumento do consumo de pescado mundial (que dobrou nos últimos 30 anos), a sobre-exploração de certas espécies, a mudança de espécie-alvo de pescarias industriais e, em menor escala, pode ser questionada quanto à melhoria do “bem-estar” de muitas populações locais sobreviventes da atividade de pesca (Jacquet e Pauly 2006, Bell et al. 2009, Nielsen 2009).

Nielsen (2009) propôs uma análise empírica do “bem-estar” gerado pela liberalização do mercado pesqueiro e concluiu que o impacto social disto, com resultados otimizados em casos específicos, depende de fatores tais como: a situação do país como importador ou exportador, o estado dos estoques pesqueiros em cada região e o tamanho e demanda dos países no mercado mundial, podendo, inclusive, causar perdas de bem-estar, mesmo que não intencionais, em países onde a gestão da pesca não é efetiva, como no caso do Brasil.

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O crescimento do mercado de produtos pesqueiros fez com que os empresários e comerciantes de pesca, sejam estes atacadistas ou do setor de varejo, procurem adequar seus produtos aos selos de qualidade e às preferências dos consumidores.

Neste sentido, as recomendações e padrões estabelecidos por instituições internacionais ditam as diretrizes de qualidade de pescado no mercado mundial para a saúde humana como, por exemplo, as normas do Marine Stewardship Council (MSC), (http://www.msc.org/) e o “Codex Alimentarius” da FAO (http://www.codexalimentarius.org/), que exigem dos países que seus produtos pesqueiros entrem no mercado com a identificação de diversos aspectos relacionados à extração e ao beneficiamento dos produtos.

O principal objetivo das certificações para recursos naturais renováveis é beneficiar estoques de peixes em situação de risco, permitindo aos consumidores expressar suas preocupações ambientais através das suas escolhas por produtos advindos da captura sustentável (UNCED 1992, Jacquet e Pauly 2006). Esta vertente de comercialização é baseada na premissa de que o consumidor está disposto a pagar mais caro por um produto como prêmio pelas suas escolhas e satisfazer, assim, suas crenças na conservação e sustentabilidade.

Em 2011, uma extensa pesquisa na Inglaterra mostrou que 37% dos consumidores não sabem o que significa a etiqueta do MSC; apesar de 70% acharem importante comprar produtos da pesca sustentável, 40% não compram, pois ficam confusos sobre os selos de certificação e acham tais produtos muito caros (DEFRA).

A falta de transparência da legislação de pesca sustentável, da responsabilidade social das empresas e dos padrões ecológicos dos produtos certificados propicia inúmeras fraudes no sistema de produtos pesqueiros. Isso inclui dizer que diversos peixes têm nomes alterados no mercado para se adequar ao gosto e às preferências dos consumidores. Além de afetar negativamente os regulamentos de importação e exportação de peixes, esta realidade prejudica os consumidores, tanto em termos de preços, quanto na sua capacidade de escolha em fazer compras ecologicamente corretas (Jacquet e Pauly 2006, 2007, Ruddle 2007).

A complexidade de planejar o manejo dos sistemas de pesca tem na essência a própria complexidade do conceito de segurança alimentar, definido como o acesso físico, social e econômico para satisfazer de forma segura as necessidades nutricionais e preferências alimentares das populações (FAO 1999,).

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paradoxo, na medida em que o setor pesqueiro comandado por um Estado forte e centralizado não atinge o maior volume de pescadores dos países em desenvolvimento, como no caso dos pescadores artesanais do Brasil. No caso de países tropicais, os pescadores artesanais exploram, com inúmeras e diferentes tecnologias, um ambiente de alta diversidade biológica e o Estado não possui recursos humanos e financeiros suficientes para implementação e fiscalização de políticas de manejo antes idealizadas para as realidades da Europa e da América do Norte (Pauly et al. 2002, Hersoug 2004, Castello et al. 2007).

Considerando-se a importância do pescado como alimento da população mundial e a necessidade de investigarem-se as condições sanitárias deste alimento, este artigo descreve e detalha as condições de comercialização dos produtos advindos da pesca na cidade de Santos/SP.

Objetivo:

Geral: Caracterização da comercialização de pescado na rua do Peixe, Santos/SP. Especifico:

1- Identificar quais são e quais os valores de mercado das principais espécies de peixes comercializadas;

2- Identificar quem são os fornecedores e os consumidores do pescado comercializado. Metodologia:

Área de Estudo:

Localizada dentro dos domínios da Mata Atlântica, a região da Baixada Santista foi colonizada pelos portugueses no início do século XVI e é composta por 09 municípios com praias, mangues, rios e toda biodiversidade aí contidos. Um destes municípios é o município de Santos, o mais populoso deles com 281,35 Km2 de área e uma orla atrativa aos turistas (Figuras 1 e 2).

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Figura 1. Foto ilustrativa da delimitação geográfica do município de Santos, São Paulo, Brasil na baixada santista (Fonte: Stori, 2010).

Figura 2. Foto ilustrativa do Panorama da orla de Santos. (Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Santos#Litoral acessado em Agosto de 2014).

Santos é um município portuário que abriga o maior porto da América Latina, o qual é o principal responsável pela dinâmica econômica da cidade ao lado do turismo, da pesca e do comércio. O PIB total do município é segundo os últimos dados do IBGE (2014) de R$ 27.616.035,000 e a renda per capta de R$ 65.790,53.

De acordo com o último censo demográfico para a região da baixada Santista, em 2010, Santos tem cerca de 419.400 habitantes, mas a população estimada em 2013 já é de 433.153. A População Rural é de 314 (0,1%) sendo 50,3% homens e 49,7% mulheres; Enquanto que a população Urbana é de 419.086 (99,9%) sendo 45,8% homens e 54,2% mulheres. O município tem

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densidade demográfica de 1.419,94 habitantes por quilometro quadrado e apresentou taxa média de crescimento anual de 0,50% entre as décadas de 90 e 2000 (PNUD, 2014; IBGE, 2014). Apesar da relativa desigualdade social, segundo a classificação do PNUD, o município está entre as regiões consideradas de muito alto desenvolvimento humano, apresentando em 2000 índice de Desenvolvimento Humano (IDH) de 0,840, o maior entre os nove municípios da região da baixada santista e o quinto lugar no ranking nacional (PNUD, 2014).

A Rua do Peixe está localizada na região da Ponta da Praia e possui 8 boxes que comercializam pescados diariamente, das sete horas da manhã até as seis e meia da tarde, na Rua Áurea Gonzáles Conde s/n (Figuras 3 e 4).

Figura 3. Foto ilustrativa destacando o bairro Ponta da Praia, Santos/SP, onde esta localizada a rua do peixe. (Fonte: http://santosturismo.wordpress.com/mapa/ acessado em Agosto de 2014).

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Métodos de coleta de dados:

Foram realizadas cinco entrevistas com fichas de campo com os donos dos boxes no intuito de obter informações sobre infraestrutura, organização, disponibilização do pescado, formas de venda, informações de gastos mensais com a manutenção dos boxes, entre outras informações. Dos oito boxes da rua do peixe, esta pesquisa coletou dados sobre cinco deles. Pois, dois deles estavam fechados durante o trabalho de campo e um deles não quis participar da pesquisa.

Além disso, foram feitas 14 visitas semanais nos boxes de março até agosto 2014, nas quais, através de observação direta e entrevistas foram coletadas informações sobre as espécies disponíveis para a venda, os preços destas espécies no mercado local e destino final de tais produtos.

Resultados:

Os resultados de infraestrutura dos boxes mostram despesas mensais com o pagamento de água, luz, limpeza, funcionários e gelo; além de outras despesas especificas citadas pelos entrevistados. Estas informações estão descritas na tabela e gráfico 1 abaixo:

Tabela 1. Informações sobre as despesas mensais dos boxes da rua do peixe. Boxes/despesa

mensal (R$)

Zelaine Vall & Nena Sergipano 11 e 12 Pernambuco

Água 400,00 150,00 100,00 180,00 100,00 Luz 1.200,00 80,00 180,00 90,00 30,00 Limpeza 800,00 200,00 200,00 120,00 40,00 Funcionários 14.000,00 3.800,00 3.600,00 1.400,00 2.400,00 Gelo 5.000,00 4.000,00 2.400,00 2.700,00 3.000,00 Outros 2.000,00 2.570,00 360,00 200,00 40,00 Total 23.400,00 10.800,00 6.840,00 4.690,00 5.610,00

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Gráfico 1. Despesas mensais nos boxes da rua do peixe.

No Box Zelaine os gastos são maiores quando comparados aos outros boxes pelo fato de serem do mesmo dono dois boxes juntos; assim tal box tem, no mínimo, o dobro de despesa dos outros em todos os itens de infraestrutura. Por outro lado, o Box Pernambuco e o Box 11 e 12 são os dois boxes que tem menos gastos. O Pernambuco apresentou este resultado provavelmente porque é o box com menos estrutura e menos recursos; um exemplo disto é o gasto com a luz, que é baixo quando comparado aos outros boxes, pelo fato dele gastar a energia somente com a balança. Já o box 11 e 12 tem um gasto mensal menor em função de pagar menos por funcionários, ja que é um box de dois sócios que trabalham e pagam só um funcionário.

Outro fato que também chama atenção é o gasto com os funcionários, o Box Zelaine aparece mais uma vez como o que tem o maior gasto, pelo mesmo fato de serem dois boxes juntos e com isso ter mais funcionários para melhor atendimento.

Depois dos valores gastos com os funcionários, o gelo é o produto que todos os boxes tem mais gasto, pois todo o pescado comercializado na rua do peixe são conservados no gelo e que precisam sempre serem repostos ao longo do dia, conforme o gelo derrete, para a boa manutenção e conservação dos produtos à venda. O tempo de exposição do pescado varia em média de dois a três dias. No Box Zelaine, os filés são dispostos no gelo e cobertos com plástico para evitar assim o contato das moscas no mesmo.

Todos os boxes, menos o Box Pernambuco, que tem menos recursos, apresentaram outros gastos como, por exemplo, as sacolas plásticas, a embalagem de isopor, o papel para embrulhar o pescado, a bobina para a máquina de cartão, café da manhã e almoço. Além destes gastos específicos a cada boxe, todos eles dividem o pagamento de um vigia, que toma conta de toda a rua

0   5000   10000   15000   20000   25000   Boxes  Zelaine  (R$  23.400)   Boxes  Vall  &  Nena  (R$  10.800)   Boxes  Sergipano  (R$  6.840)   Boxes  Pernambuco  (R$  5.610)   Boxes  11  e  12  (R$  4.690)  

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durante a noite.

É fato bastante conhecido e ainda comentado e temido pelos donos dos boxes o incêndio que destruiu seis boxes de venda de pescados no ano de 2013. Na ocasião, Oito boxes foram atingidos pelo fogo, seis foram destruídos e dois parcialmente danificados, mas ninguém se feriu.Este acontecimento teve repercussão na mídia da cidade de Santos e esta disponível em sites da internet como, por exemplo, no G1.com ( http://g1.globo.com/sp/santos-regiao/noticia/2013/09/incendio-destroi-tres-quiosques-na-rua-do-peixe-em-santos.html)

O pescado comercializado na Rua do Peixe está disponível para a venda em filé, inteiro, ou em postas. A tabela 2 a seguir mostra estas informações:

Tabela 2. Porcentagem das formas de venda do pescado na rua do peixe, Santos/SP.

Os resultados mostram que o peixe inteiro é o mais comercializado na rua do Peixe (63,8%), seguido dos pescados em filé (23,1%) e depois em postas (13,1%). O gráfico 2 abaixo representa estas informações. O peixe inteiro é bastante procurado por pessoas que querem fazer o pescado assado, mas principalmente, é a forma de comercialização que melhor pode ser avaliada a qualidade do pescado, pois um filé pode estar feito há mais dias, enquanto com o peixe inteiro é possível observar as guelras, os olhos, e a textura da carne do corpo como um todo, que são excelentes indícios do prazo de validade do produto.

Formas de venda Inteiro Filé Postas

Quantidade total de registros de cada forma 555 201 114

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Gráfico 2. Porcentagens das formas de venda de pescado na rua do peixe.

Das espécies comercializadas, cinco são as mais frequentes, que estiveram presentes na maioria das amostragens feitas. Estas espécies foram avaliadas em relação aos valores médios de comercialização e estas informações estão descritas na tabela 3 abaixo:

Tabela 3. Espécies mais frequentes amostradas na rua do peixe e valores médios de comercialização.

Espécie (nome popular)

Cação Linguado Pescada Salmão Sardinha

% de disponibilidade de venda 8,3% 15% 28% 41,8% 7% Valor total (R$) 745,00 1.349,00 2.508,00 3.743,00 619,00 Preço médio (R$) 15,20 kg 20,40 kg 23,70 kg 53,50 kg 9,80 kg

Os peixes que mais estiveram disponíveis para a venda nos boxes da rua do peixe são: 0   10   20   30   40   50   60   70  

Inteiro   Filé   Postas  

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Cação (8,3%), Linguado (15%), Pescada (28%), Salmão (41,8%) e Sardinha (7%). Destaca-se que o salmão é um peixe capturado fora das águas brasileiras, pela pesca comercial, ou então um pescado comprado congelado pelos boxes para ser revendido na rua do peixe; Já a Sardinha é uma espécie controlada, que já esteve na lista de risco de extinção, a qual a pesca tem regras estabelecidas em prol da conservação da espécie.

O peixes mais freqüentes para a venda nos boxes estão descritos no gráfico 3 abaixo: Gráfico 3. Frequência de peixes para venda

Em relação aos principais consumidores do pescado vendido na rua do peixe, o Box Zelaine tem como consumidores alguns restaurantes, moradores da cidade e turistas. Os restaurantes Kiodai, Gotissô e Clube estrela de ouro foram citados pelo dono e lembrados por comprarem caixas fechadas, ou seja, boas quantidades de salmão; Tratam-se dois destes de restaurantes japoneses, o que justifica a escolha por grande quantidade de salmão. No Box Vall &Nena também são citados como compradores os moradores, turistas e quiosques da praia, neste caso, o peixe preferencial é o cação provavelmente para ser servido em porções de isca nos quiosques da orla. O box Sergipano destacou os moradores como principal comprador, seguido dos quiosques do canal 1 e 5 e poucos restaurantes. Por fim, o Box Pernambuco tem como consumidores principalmente os moradores, mas também alguns turistas e restaurante não costumam comprar neste box, exceto pelo restaurante Gotissô que compra neste box normalmente quando o preço está mais baixo que em outros locais. 0   5   10   15   20   25   30   35   40   45   Frequencia  de   Disponibilidade  (%)  

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Considerações finais:

O comércio de pescado na Rua do Peixe é realizado por poucos boxes que aparentemente trabalham sem conflitos. Não houve durante o trabalho nenhuma menção a problemas entre os comerciantes. A infraestrutura do local de comércio não é muito desenvolvida, mas os comerciantes mantém uma boa qualidade do pescado através do gelo e isopor. Além de restaurantes, os moradores são o principal consumidor dos produtos da rua do Peixe, seguido pelos turistas. Destaca-se que o salmão, que não é uma espécie típica da pesca artesanal, é uma das espécies mais comercializada no local, provavelmente isto se deva à demanda de restaurantes japoneses da cidade de Santos. Espécies de alto valor comercial como, por exemplo, os robalos e garoupas e outras espécies na lista vermelha de risco de extinção como, por exemplo, os vermelhos, não são espécies frequentes no comércio da rua do Peixe, o que poderia estar relacionado a sazonalidade, já que no caso dos vermelhos, por exemplo, sabe-se que a época de maior captura é o verão, meses os quais não foi realizado amostragem neste estudo; ou, ser um indicio da escassez deste pescado na região de abrangência da pesca artesanal de Santos; o que seria um motivo de preocupação para a conservação das espécies e do próprio mercado, já que são peixes de bom valor de mercado.

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Referências

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