Prof. Dr. Ângelo Vieira dos Reis Siape: 1065924
Faculdade de Agronomia Eliseu Maciel (FAEM) Departamento de Engenharia Rural (DER)
MEMORIAL ACADÊMICO
Prof. Dr. Ângelo Vieira dos Reis
Faculdade de Agronomia Eliseu Maciel (FAEM) Departamento de Engenharia Rural (DER)
Sumário 1. Introdução ... 4 2. Período pré-acadêmico ... 6 3. Ensino ... 8 3.1. Ensino de graduação ... 8 3.1.1. Disciplinas ... 8
3.1.2. Produção de textos didáticos ... 9
3.1.3. Projetos de ensino ... 9 3.1.4. Orientações ... 10 3.2. Ensino de pós-graduação ... 11 3.2.1. Lato sensu ... 11 3.2.2. Stricto sensu ... 12 4. Capacitação ... 15 4.1. Doutoramento ... 15
4.2. Cursos de curta duração ... 16
5. Pesquisa ... 17
5.1. Trajetória geral da pesquisa ... 17
5.2. Linhas e projetos de pesquisa ... 18
5.3. Resultados da pesquisa ... 23
5.4. Consultorias ad hoc e a periódicos ... 24
5.5. Bancas de trabalho de conclusão ... 24
6. Extensão ... 26 6.1. Cursos ... 26 6.1.1. Edital Nº 36 - 2007 ... 27 6.1.2. Outros ... 28 6.2. Consultorias e serviços ... 29 6.3. Organização de eventos ... 30 6.4. Palestras ... 31 6.5. Orientações ... 32
7. Atividades administrativas ... 34
7.1. Administração direta ... 34
7.2. Representação em órgãos colegiados ... 36
7.3. Participação em comissões ... 36
7.4. Bancas de concursos públicos ... 36
8. Planejamento para o futuro ... 37
1. Introdução
O processo de preparação deste memorial acadêmico levou-me, primeiramente, a buscar lembranças de fatos ocorridos desde 1994, ano em que ingressei na UFPel na condi-ção de professor assistente, e mesmo de anos anteriores, do período de minha graduacondi-ção em engenharia agrícola, também aqui na UFPel. Foi um exercício interessante analisar as condições de trabalho da época em que ingressei na Universidade, relembrar as minhas ex-pectativas quanto à carreira que se iniciava, reavaliar os desafios que se apresentaram ao longo desses anos e as maneiras empregadas para superá-los. Ao fazer isso, foi inevitável sintetizar um balanço de minha trajetória acadêmica nesses 24 anos.
O que eu fiz nesse período todo, como não poderia deixar de ser, está intimamente ligado à minha formação técnica, às minhas experiências profissionais prévias e às capacita-ções realizadas. Dessa forma, é preciso citar a minha graduação em engenharia agrícola no ano de 1988, o período de atuação como engenheiro na então Massey-Perkins S. A. de 1988 a 1990, a atuação como professor na Universidade Luterana do Brasil em Canoas no ano de 1990, o mestrado em engenharia agrícola na Unicamp terminado em 1993, o curto período como professor substituto no DER/FAEM do final de 1993 a 1994 e o meu doutoramento na UFSC em 2003, já na condição de professor efetivo. Todas essas atividades tiveram como pano de fundo o estudo, a docência, a pesquisa, o projeto ou o trabalho direto com máqui-nas agrícolas, nos seus mais variados aspectos. Este foi, e continua sendo, a área do conhe-cimento central de minha carreira acadêmica.
A temática das máquinas agrícolas tem raízes na minha vida familiar, muito próxima ao rural, passando pela minha formação acadêmica e culminando na minha atuação na dis-ciplina de Máquinas Agrícolas para o Curso de Agronomia. Durante a minha trajetória aca-dêmica, os estudos e as pesquisas nessa área passaram por temas como: mecanização agrí-cola, ensaio de máquinas e implementos, perdas na colheita de grãos, semeadura, projeto de sistemas mecânicos, segurança no projeto e no uso de máquinas agrícolas e máquinas para a agricultura familiar. Todos eles com repercussão positiva direta no ensino de gradua-ção e de pós-graduagradua-ção, pois que os aprendizados feitos foram levados à sala de aula.
A fim de descrever a minha trajetória na carreira docente na UFPel, o texto deste memorial acadêmico adota uma estrutura organizada por temas; dentro de cada um deles é observado, tanto quanto possível, o encadeamento temporal dos fatos. No Capítulo “Perío-do pré-acadêmico” são descritos eventos relevantes para a minha carreira acadêmica ocor-ridos na vida particular, no período da graduação e do mestrado, assim como a atuação pro-fissional em empresa metalúrgica e o primeiro contato com a docência antes da entrada na UFPel. O capítulo “ensino” está dividido em ensino de graduação (disciplinas, projetos, pro-dução de material didático e orientações) e ensino de pós-graduação (lato sensu, stricto sen-su, disciplinas e orientações), abordando também a entrada no Programa de Pós-Graduação em Agronomia e a posterior atuação do Programa de Pós- Graduação em Sistemas de Pro-dução Agrícola Familiar. No capítulo “Capacitações” é apresentado o período de doutora-mento, e sua repercussão na atuação docente, e outros cursos realizados. No capítulo “Pes-quisa” é descrita a trajetória geral da pesquisa, as linhas e os principais projetos de pesquisa, os resultados mais relevantes obtidos, ingresso no quadro de pesquisadores do CNPq, pre-miações conquistadas, bancas de trabalhos de conclusão, consultorias ad hoc e a periódicos. No capítulo “Extensão” são listadas as atividades de consultoria a instituições públicas e a empresas, organização de eventos, participação em cursos, palestras e liderança de projetos. No capítulo “Atividades administrativas” são elencadas as atuações nas diversas instâncias administrativas da Universidade. Por fim, o capítulo “Planejamento para o futuro” traz as atividades que ainda pretendo realizar na carreira docente, bem como os ajustes que acredi-to necessários nas linhas de pesquisa e nos procedimenacredi-tos didáticos.
2. Período pré-acadêmico
Sou filho de Hélio Reis dos Reis e Neusa Maria Vieira dos Reis, natural de Pedro Osó-rio - RS, cidade onde cresci e realizei o ensino fundamental em escolas públicas.
O meu pai além de mecânico, atualmente aposentado, é pecuarista e agricultor. Essa particularidade propiciou-me, desde cedo, o contato com máquinas agrícolas, tanto a parte de manutenção e adaptações solicitadas por agricultores, na oficina de meu pai, quanto à parte de operação das mesmas no campo. A experiência com esses equipamentos, aliado ao contato com o meio rural, proporcionaram-me uma sensibilidade para com o assunto que considero muito valiosa, ainda hoje, para a minha atuação como professor, extensionista e pesquisador.
Cursei quase todo o ensino médio no Colégio Municipal Pelotense. No mês de julho de 1982, quando estava no terceiro ano, iniciei um intercâmbio de um ano por meio do A-merican Field Service (AFS) numa escola secundarista nos Estados Unidos da América. Este fato também trouxe importantes repercussões em minha carreira acadêmica, pois, além de conhecer e vivenciar a cultura de outro país, permitiu que eu consolidasse os meus conhe-cimentos da língua inglesa de forma a dominar, fluentemente, a comunicação verbal e escri-ta. Dessa forma, já durante a graduação, pude usufruir da bibliografia em inglês disponível nas bibliotecas da UFPel, a qual, na área de máquinas agrícolas era mais completa que a dis-ponível em português. A conclusão do ensino médio nos EUA também me permitiu ter aces-so antecipado a uma nova tecnologia que se iniciava na década de 1980 e que mudaria os rumos da ciência, da tecnologia e da sociedade de uma maneira geral: o uso dos computa-dores pessoais. Novamente, essa experiência permitiu que eu empregasse o único PC da Faculdade de Engenharia Agrícola e a programação em Basic ou planilha eletrônica para re-solver problemas propostos nas disciplinas do curso.
Terminei o curso de Engenharia Agrícola em agosto de 1988 e, imediatamente, iniciei o processo seletivo para engenheiro trainee da empresa Massey-Perkins S. A. na cidade de Canoas, ao final do qual fui contratado. Posso afirmar que os dois anos que atuei nessa em-presa, inicialmente como trainee e depois como engenheiro júnior, constituíram-se uma
verdadeira especialização em máquinas agrícolas, pois além das capacitações internas para conhecimento profundo dos produtos (colhedoras de grãos, tratores e retroescavadoras), havia o contato com a linha de produção dessas máquinas e os aspectos de projeto envolvi-dos, tanto de produtos novos como alterações de engenharia em modelos já em produção. Obviamente, os frutos dessa experiência profissional perduram até o presente.
Durante o período em que trabalhei na Massey-Perkins S. A. fui convidado para le-cionar a disciplina de Máquinas Agrícolas I do curso de Engenharia Agrícola da Universidade Luterana do Brasil, também em Canoas. Foi a minha primeira experiência em docência. Co-mo o curso era novo, fui incumbido de preparar a disciplina desde o começo, tendo apenas uma ementa como referência. Até então, nunca havia pensado em me tornar professor uni-versitário. No entanto, a experiência positiva nos dois semestres em que lecionei adicionou mais uma possibilidade de atuação profissional futura que me agradaria: a docência.
A nova perspectiva de atuação aliada à crise econômica de então, que reduziu a de-manda por máquinas agrícolas e, por conseguinte, os postos de trabalho na indústria, leva-ram-me a redirecionar a atuação profissional. Buscava a estabilidade no emprego e a garan-tia de uma aposentadoria digna ao final da carreira. Essas aspirações direcionaram-me para a carreira docente em instituição pública. Para buscar esse intento seria necessário qualifi-car-me formalmente e aumentar os meus conhecimentos na área de máquinas agrícolas. Sendo assim, ingressei no mestrado em Engenharia Agrícola na Unicamp, um dos melhores programas de pós-graduação em máquinas agrícolas no país à época. Em novembro de 1993 tive aprovada a dissertação intitulada “Análise espectral das forças no sistema de engate de três pontos do trator agrícola”, sob orientação do prof. Cláudio Bianor Sverzut.
Já durante o último ano do mestrado estudava para futuros concursos de professor na área de máquinas e mecanização agrícola. No mesmo mês em que defendi a dissertação fui aprovado em concurso para professor substituto na disciplina de Máquinas Agrícolas do DER/FAEM e, logo após, logrei êxito em concurso para professor assistente para a área de máquinas agrícolas no mesmo departamento. Iniciava-se então a minha trajetória docente na UFPel.
3. Ensino
3.1. Ensino de graduação
3.1.1. Disciplinas
Disciplina de Máquinas Agrícolas (Agronomia)
A disciplina de Máquinas Agrícolas era, e continua sendo, o único contato formal dos estudantes de agronomia da UFPel com esse assunto. Embora tenha uma carga horária se-mestral de 102 h (34 h teóricas e 68 h práticas), isso é menos que o ministrado em outros cursos de agronomia importantes no país. Até meados de 2005 o seu conteúdo também incluía as máquinas para o processamento dos grãos, o que reduzia ainda mais o tempo dis-ponível para o tema principal. Esta concentração de conteúdos, aliada ao número cada vez maior de estudantes nas duas turmas ofertadas, vem gerando desafios também crescentes sob o ponto de vista didático.
Atuo como colaborador na disciplina desde que entrei na UFPel. Entre os anos de 1997 e 1999 fui regente da disciplina.
Disciplina de Mecanização Agrícola
Tratava-se de uma disciplina eletiva criada em 2004 para suprir uma lacuna no con-teúdo da disciplina de Máquinas Agrícolas. A disciplina tinha carga horária semestral de 51 h (18 h teóricas e 27 h práticas). Essa disciplina foi ofertada anualmente até 2014. Com a re-forma curricular ocorrida no curso de agronomia no ano de 2015, esse conteúdo passou pa-ra a nova disciplina de Máquinas e Mecanização Agrícola que se inicia no primeiro semestre do presente ano.
Fui regente dessa disciplina durante todo o período de oferta.
Disciplina de Máquinas Agrícolas de Interesse Zootécnico (Zootecnia)
Disciplina elaborada com a criação do curso de zootecnia na FAEM e ofertada semes-tralmente a partir do ano de 2011. Trata-se de uma disciplina com carga horária semestral
de 68 h (34 h teóricas e 34 h práticas).
Atuo como colaborador nessa disciplina desde a sua criação.
3.1.2. Produção de textos didáticos
Ao ingressar na UFPel como professor efetivo em 1994 a disciplina de Máquinas Agrí-colas estava em processo de reformulação com o retorno do prof. Antônio Lilles Tavares Machado do mestrado dois anos antes. Uma das primeiras constatações feitas após a análise da situação geral, em conjunto com os demais professores, foi a de que não havia material didático adequado. A bibliografia disponível na Biblioteca das Ciências Agrárias era insufici-ente, seja pela desatualização das obras ou pelo seu reduzido número de exemplares. Por outro lado, as lojas de cópias existentes no campus à época ofereciam velhas apostilas com conteúdos dispersos e antiquados. Constatou-se também que as obras editadas no Brasil ou estavam esgotadas ou não eram adequadas ao programa da disciplina.
Diante da situação resolvemos produzir textos didáticos e editá-los na forma de livros pela Editora e Gráfica da UFPel. Em 1996 surgiram os livros “Máquinas para colheita e pro-cessamento dos grãos1” e “Máquinas para preparo do solo, semeadura, adubação e tra-tamentos culturais”. No ano de 1999 editamos o livro “Motores, tratores, combustíveis e lubrificantes”, e, com ele, todo o conteúdo da disciplina estava contemplado com textos didáticos atualizados e adequados aos estudantes de agronomia.
Cabe ressaltar que ao idealizarmos essas obras tivemos o cuidado de inserir referên-cias bibliográficas para permitir que profissionais da área ou estudantes de outros cursos, como engenharia agrícola, também pudessem fazer uso dos livros e aprofundar o estudo dos assuntos. Como resultado, temos vendido exemplares para estudantes e instituições de en-sino de quase todo o país, pois eles têm sido adotados como bibliografia básica para vários cursos de graduação na área das ciências agrárias.
O três livros encontram-se na segunda edição e o de motores já está com a terceira edição pronta, trazendo as atualizações necessárias e aguardando apenas a editoração.
3.1.3. Projetos de ensino
A percepção de que o ensino numa disciplina fortemente embasada em princípios de engenharia e de física como a de Máquinas Agrícolas é difícil, tendo em vista a manifesta
vocação para as ciências naturais presente na maioria dos estudantes de agronomia, aliado ao fato de que esta matéria constitui-se numa atividade meio para a produção agropecuária, levou à propositura de um projeto de ensino para facilitar aprendizagem dos conteúdos. Assim, criei no ano de 2004 o projeto de ensino “Utilização de pequenos experimentos de campo como prática de ensino de Máquinas Agrícolas”, do qual fui o coordenador. A iniciati-va visainiciati-va colocar os estudantes em contato com as máquinas agrícolas no campo por meio de pequenos experimentos, de forma a estimular o aprendizado.
Nesse projeto as turmas, então de até 35 estudantes, eram divididas em grupos de cinco componentes. A cada grupo era proposto um problema e oferecida bibliografia perti-nente ao tema (livros e artigos científicos) de forma a embasar teoricamente ações de pes-quisa. Os grupos tinham que definir um objetivo para o trabalho, uma metodologia para co-leta de dados, executar no campo um pequeno experimento, analisar os resultados, escrever um artigo científico e apresentá-lo ao restante da turma no final do semestre. Todas essas atividades eram orientadas por um professor da disciplina ao longo do semestre.
A execução desses pequenos experimentos permitia aos estudantes vivenciar o uso da máquina. Os resultados foram excelentes, sendo que em todos os semestres foi possível selecionar trabalhos para apresentação em congressos de iniciação científica.
Não obstante o sucesso obtido, o projeto foi descontinuado em 2007 em virtude do aumento do tamanho das turmas, o que multiplicava o trabalho dos professores na orienta-ção dos grupos, e pela escassez de verbas na Universidade, restringindo a possibilidade de aquisição do material de consumo necessário e do transporte das turmas aos locais dos en-saios.
Também participei como colaborador no projeto “Planejamento da utilização de má-quinas agrícolas como prática de ensino da disciplina de mecanização agrícola”, o qual tinha o objetivo de aproximar os estudantes à realidade das máquinas agrícolas nas propriedades rurais. Para isso os estudantes eram estimulados a estudar propriedades reais quanto ao parque de máquinas e sua adequação ao tamanho da lavoura. O projeto funcionou por cinco anos a partir de 2005.
3.1.4. Orientações
Desde o início de minha entrada na UFPel até o ano de 2012 a disciplina de Máquinas Agrícolas contou com o apoio de monitoria. Os estudantes interessados eram selecionados
e, sob a orientação dos professores da disciplina, auxiliavam nas tarefas de preparação de aulas práticas, dos projetos de ensino e no atendimento aos estudantes para resolução de exercícios e esclarecimento de dúvidas.
Como estas orientações não constam no meu curriculum Lattes os nomes dos estu-dantes dos quais participei das orientações e de que tenho registro são listados a seguir: Alexandre Ramos Reis Jr., 1999; Élisson Bernardi, 2004; Victor Henrique Medronha da Silva, 2005; Mauricio Quadros dos Santos, 2006; Evandro Carlos Uhlmann Back, 2007; Médelin Marques da Silva, 2007; Fausto Alberto Torres Rodriguez, 2008; Laurett de Brum Mackmill, 2012; Julio Cezar Pinheiro Cigales, 2012.
Também fui orientador do estágio de final de curso do técnico em mecânica Enrico Granzotto, o qual foi responsável por inúmeros desenhos utilizados em nossos livros didáti-cos.
3.2. Ensino de pós-graduação
3.2.1. Lato sensu
No ano de 2001 foi criada no Departamento de Engenharia Rural a Pós-Graduação em Engenharia Rural (PGER) com o curso de especialização em Gerenciamento e Utilização de Máquinas Agrícolas. O curso com 480 h de duração foi oferecido na modalidade de tuto-ria à distância com as disciplinas na forma de módulos de ensino e com uma semana de ati-vidades presenciais (palestras, aulas práticas e defesa de monografia). O curso teve turmas de 2002 a 2009.
Nesse curso eu ministrava o Módulo 4 - Tópicos Especiais em Motores e Tratores A-grícolas com carga horária de 34 h.
Em função de meu afastamento para o doutoramento participei de poucas orienta-ções nos anos iniciais. Fui orientador de Danilo Franchini (Segurança em microtator de rabi-ça. 2003), Marcelo Xavier da Silva (Avaliação da eficiência de semeadura em três velocidades distintas: análise de distribuição longitudinal das plantas e profundidade das sementes. 2003), Fábio Augusto Hamu (Avaliação dos custos de operação de um distribuidor de calcá-rio operando com doses variadas. 2007), Carlos André Corrêa Cardoso (Elaboração de base de dados contendo características técnicas de máquinas e implementos agrícolas utilizados na agricultura familiar. 2009), Fábio Fernandes (Os benefícios econômicos do AMS John
Dere na aplicação de agrotóxicos. 2009), Alex Johann (Análise e otimização das máquinas e e-quipamentos de uma pequena propriedade de Horizontina, RS. 2009).
A atuação nessa pós-graduação foi muito importante como preparatório para o meu ingresso como docente permanente de um programa de pós-graduação stricto sensu. Da mesma forma, criou uma rede de profissionais egressos, e muitos deles atuantes em empre-sas fabricantes de máquinas agrícolas, que propiciou a elaboração de convênios e a atuação conjunta em ações de ensino e de pesquisa como o empréstimo de máquinas para aulas e pesquisas, doação de material e equipamentos didáticos, assessorias e cursos.
3.2.2. Stricto sensu
Ao regressar do afastamento para cursar o doutorado em agosto de 2003 aconteceu algo digno de nota numa universidade que então tinha um número reduzido de professores doutores: eu não encontrava um programa de pós-graduação que quisesse, ou precisasse, ter em seus quadros um engenheiro agrícola com doutorado em engenharia mecânica e a-tuando na área de máquinas agrícolas. O mesmo já estava acontecendo com o colega Antô-nio Lilles Tavares Machado que se havia doutorado pouco antes. Finamente, em 2005, eu e o prof. Antônio Lilles ingressamos como docentes permanentes no Programa de Pós-Graduação em Agronomia (PPGA) na Câmara de Produção Vegetal. Iniciava, então, a minha atuação na pós-graduação, favorecendo o aprofundamento das atividades de pesquisa, pois teria mais recursos financeiros e estudantes para auxiliar o trabalho.
O período de trabalho no PPGA foi curto. No ano seguinte o grupo de professores que atuava na área de Produção Vegetal, submeteu e teve aprovada a criação do Programa de Pós-Graduação em Sistemas de Produção Agrícola Familiar (PPG SPAF) em nível de mes-trado e de doutorado. O Programa já iniciou o seu funcionamento com o conceito quatro da CAPES e desde 2013 tem o conceito cinco.
O PPG SPAF é um programa de pós-graduação que nasceu e se mantém com uma proposta diferenciada de atuação na área de formação de recursos humanos e de pesquisa. Ele se diferencia dos demais por ter um objeto de estudo muito particular que é a agricultura familiar, a qual, na verdade, é tratada como o sujeito necessário para o desenvolvimento rural sustentável. Assim, as ações de pesquisa visam a suprir esse setor do mundo rural com as tecnologias e os demais meios que lhes permitam exercer esse protagonismo desejado e atingir uma melhor qualidade de vida. Essas características permitem que as pesquisas com
máquinas agrícolas avancem, pois as tecnologias comercialmente disponíveis são configura-das para os agricultores que produzem em médias e grandes áreas.
Sou regente de duas disciplinas no PPG SPAF, ambas com carga horária de 68 h e o-fertadas uma vez ao ano: “Máquinas agrícolas de baixa potência” e “Metodologia de projeto de produtos agroindustriais”. A primeira tem o objetivo de estudar as máquinas agrícolas adequadas às pequenas áreas, assim como as suas características desejáveis, enquanto que a segunda trata de aspectos metodológicos no projeto de produtos (sistemas mecânicos, alimentos, serviços) com ênfase nas fases de projeto informacional e de projeto conceitual. Além dessas duas disciplinas sou colaborador na disciplina de “Ensaios de máquinas agríco-las” com carga horária de 68 h.
Desde o meu ingresso no ensino de pós-graduação já orientei seis dissertações de mestrado e cinco teses de doutorado. Atuei como co-orientador em seis dissertações de mestrado e cinco teses de doutorado. Atualmente tenho um orientando de mestrado e cinco de doutorado. As orientações em que atuei ou atuo como orientador principal são listadas as seguir.
− Roberto Lilles Tavares Machado. Capacidade de suporte de um argissolo sob plantio di-reto a partir da resistência à penetração e teor de água no solo. 2008. Tese (Doutorado em Programa de Pós Graduação em Agronomia).
− Henrique Carlos Hadler Tröger. Análise do esforço de tração em sulcadores empregados em semeadoras-adubadoras de baixa potência. 2010. Dissertação (Mestrado em Siste-mas de Produção Agrícola Familiar).
− Márcia Beatriz Silva Vasconcelos. Desenvolvimento de um dosador de fertilizantes com dupla saída. 2011. Dissertação (Mestrado em Sistemas de Produção Agrícola Familiar).
− Bóris Kluwe Niemczewski. Desenvolvimento de chassi de uma semeadora-adubadora para tratores de baixa potência. 2012. Dissertação (Mestrado em Sistemas de Produção Agrícola Familiar).
− Fabrício Ardais Medeiros. Desenvolvimento de uma semeadora adubadora para plantio direto com sulcador rotativo acoplada em tratores de rabiças. 2013. Tese (Doutorado em Sistemas de Produção Agrícola Familiar).
− Leonardo Rochefort Vianna. Desenvolvimento de dosador de sementes com dupla saída para milho e feijão. 2013. Dissertação (Mestrado em Sistemas de Produção Agrícola Fa-miliar).
− Tiago Lopes Bertoldi. Projeto informacional e conceitual de uma máquina para a aplica-ção localizada de fertilizantes em pomares. 2013. Dissertaaplica-ção (Mestrado em Sistemas de Produção Agrícola Familiar).
− César Augusto Azevedo Nogueira. Transferência tecnológica: um modelo de referência para máquinas e equipamentos agrícolas projetados no âmbito acadêmico. 2015. Tese (Doutorado em Sistemas de Produção Agrícola Familiar).
− Edson Lambrecht. Desenvolvimento de linha de adubação para semeadoras-adubadoras destinadas à agricultura familiar com transferência de peso por meio de mola plana.
2016. Dissertação (Mestrado em Sistemas de Produção Agrícola Familiar).
− Mônica Regina Gonzatti Balestra. Efeitos da aquisição de tratores agrícolas por meio do Pronaf Mais Alimentos na Região Central do Rio Grande do Sul: da Economia à Seguran-ça. 2016. Tese (Doutorado em Sistemas de Produção Agrícola Familiar).
− Daniel Biazus Massoco. Inspeção de pulverizadores costais: situação dos equipamentos utilizados pela agricultura familiar. 2016. Tese (Doutorado em Sistemas de Produção A-grícola Familiar).
− Elka Carolina Ojeda. Projeto informacional e conceitual de uma colhedora de alho para área declivosa. 2018. Dissertação (Mestrado em Sistemas de Produção Agrícola Famili-ar).
− Bóris Kluwe Niemczewski. Desenvolvimento e teste de uma semeadora de precisão para tratores de baixa potência. Início: 2014. Tese (Doutorado em Sistemas de Produção A-grícola Familiar).
− Aline Soares Pereira. Proposta de modelo de tomada de decisão para aquisição de trato-res de baixa potência, considerando requisitos relativos à ergonomia e segurança. Início: 2015. Tese (Doutorado em Sistemas de Produção Agrícola Familiar).
− Eduardo Walker. Desenvolvimento de um dosador-puncionador para semeadoras de tração mecânica. Início: 2016. Tese (Doutorado em Sistemas de Produção Agrícola Fami-liar).
− Edson Lambrecht. Projeto e otimização de uma linha de semeadura empregando mola plana para transferência de carga. Início: 2016. Tese (Doutorado em Sistemas de Produ-ção Agrícola Familiar).
− Elka Carolina Ojeda. Desenvolvimento de uma colhedora de alho para área declivosa. I-nício: 2018. Tese (Mestrado em Sistemas de Produção Agrícola Familiar).
− Rihan Cardoso Centeno. Avaliação de vibrações em tratores de baixa potência. Início: 2018. Dissertação (Doutorado em Sistemas de Produção Agrícola Familiar).
4. Capacitação
4.1. Doutoramento
A partir de 1997 fique como único professor de máquinas do DER, já que o prof. An-tônio Lilles havia saído para o doutorado e o outro professor pediu uma licença para tratar de assuntos particulares. Essa situação fez com que somente fosse possível a minha saída para o doutoramento em agosto de 1999, quando foi contratado um professor substituto para a disciplina de Máquinas Agrícolas.
Como eu já havia feito mestrado em engenharia agrícola na área de máquinas agríco-las e pretendia aprofundar os meus conhecimentos nesse tema, dois critérios nortearam a busca pelo programa de doutorado: que os estudos trouxessem novas habilidades para o projeto e o uso das máquinas, o que direcionava a busca para a área das engenharias, e que o local fosse um centro de excelência em sua área. Esses requisitos levaram-me a escolher o Programa de Pós-Graduação em Engenharia Mecânica (Posmec) da Universidade Federal de Santa Catarina em Florianópolis, que à época ostentava o conceito seis da CAPES e era tido como um dos centros de engenharia mecânica mais importantes do país.
Levei uma demanda regional para desenvolver as pesquisas: a necessidade de se ter um dosador de precisão para a semeadura do arroz, já que quantidade de sementes utiliza-da por hectare baixava ano a ano e as máquinas disponíveis tinham dificulutiliza-dade de atender a esses parâmetros. Por outro lado, as soluções disponíveis para outras culturas não se adap-tavam a pequena distância entrelinhas empregada na cultura do arroz. Seria necessário um desenvolvimento novo.
A estrutura aberta de funcionamento do NeDIP (Núcleo de Desenvolvimento Integra-do de Produtos), que se assemelhava a um departamento de desenvolvimento de produtos de uma empresa, onde fui recebido, e o elenco de disciplinas disponíveis auxiliaram sobre-maneira o desenvolvimento do trabalho. Entre as disciplinas que auxiliaram a pesquisa e/ou aportaram conhecimentos importantes e que uso ainda hoje, posso citar: Projeto Conceitual,
Projeto para Manufatura, Estatística Experimental (com enfoque para metrologia), Sistemas Hidráulicos e Pneumáticos para Automação e Controle de Processos I. As duas primeiras de-ram origem a uma das disciplinas que oferto anualmente no PPG SPAF e que está relaciona-da com a forma que venho orientando o desenvolvimento de novos produtos aqui na UFPel. Também foi importante o domínio de várias ferramentas de projeto como, por exemplo, o QFD (Quality Function Deployment) ou Casa da Qualidade, software de modelagem em 3D, projeto de questionários.
Os resultados dos estudos realizados durante o doutoramento foram publicados em nove artigos científicos em periódicos e renderam o depósito de dois pedidos de patente, sendo que para um deles obtivemos a carta patente:
− REIS, Ângelo Vieira dos; FORCELLINI, Fernando Antônio. Mecanismo dosador mecânico pa-ra a dosagem de precisão de sementes miúdas - PI0406293-0. 2012, Bpa-rasil. Patente: Privi-légio de Inovação. Número do registro: PI0406293-0, Depósito: 17/12/2004; Concessão: 10/01/2012. Instituições financiadoras: FINEP (Programa RECOPE, na Rede de Engª Agro-industrial de Alimentos).
O doutoramento encerrou-se formalmente com a aprovação da tese intitulada “De-senvolvimento de concepções para a dosagem e deposição de precisão para sementes miú-das” em agosto de 2003, sob a orientação do prof. Fernando Antônio Forcellini.
4.2. Cursos de curta duração
São listados a seguir os cursos de curta duração que participei:
− Ensaio e comercialização de máquinas agrícolas na América Latina. Organização: Sociedade Brasileira de Engenharia Agrícola. Duração: 4 h. 1996.
− Estruturação do processo de desenvolvimento de produto para pequenas e médias empre-sas. Organização: Laboratório de Otimização de Produtos e Processos – UFRGS. Duração: 8 h. 2003.
− Ciência: da filosofia à publicação. Organização: DER/FAEM. Duração: 60 h. 2011.
− Busca profissional de patentes: técnicas, estratégias e aplicações práticas - foco no Questel Orbit e workshop de redação de patentes. Organização: UFPel/Finep/MCT. Duração: 12 h. 2013.
− Moodle para capacitação de professores das ciências exatas e engenharias. Organização: Progep/UFPel. Duração: 20 h. 2017.
5. Pesquisa
5.1. Trajetória geral da pesquisa
As minhas atividades de pesquisa na UFPel começaram com o legado de conhecimen-tos adquiridos no mestrado, onde tive diversas experiências na área de instrumentação (pro-jeto, construção, calibração e uso de transdutores de força, principalmente) e em ensaio de máquinas agrícolas, tanto em laboratório (caixa e canal de solo) quanto no campo. Assim, as primeiras pesquisas realizadas envolveram o ensaio de campo de implementos, correlacio-nando a demanda energética com a efetiva mobilização de solo realizada. O ensaio de má-quinas agrícolas vem ocorrendo desde então, incluindo semeadoras, escarificadores, subso-ladores, tratores de duas e quatro rodas.
Logo a seguir, a demanda por informações qualificadas levou-me, juntamente com os demais professores da área de máquinas agrícolas do DER e o então pesquisador da Embra-pa Clima Temperado Airton dos Santos Alonço, a pesquisas sobre perdas na colheita de arroz irrigado. As perdas na colheita dessa cultura eram pouco estudadas em virtude de que as metodologias empregadas para as culturas de sequeiro não se adaptavam à presença de uma lâmina d’àgua sobre o solo no momento da colheita, como é o caso na maioria das la-vouras. Coube, então, a esse grupo adaptar a metodologia e realizar diversas determinações. Recentemente voltamos a esse tema com ensaio de plataformas de corte com esteira reco-lhedora de borracha na colheita de arroz.
O meu doutoramento abriu mais dois campos de pesquisa que seguem ativos na atu-alidade: a dosagem de precisão de sementes e o projeto de máquinas e equipamentos agrí-colas. A experiência obtida com a minha tese de doutorado no ensaio de dosadores e dosa-gem pneumática foi empregada para criar uma estrutura para ensaios composta de uma bancada para ensaio de dosadores com configuração flexível, de forma a possibilitar o traba-lho com várias tipologias de equipamentos, e de sensores para a contagem automática de sementes. Nessa estrutura já foram ensaiados diversos dosadores de fluxo contínuo, de
pre-cisão (mecânicos e pneumáticos) e mesmo dosadores de adubo. Em paralelo a essas pesqui-sas seguem estudos no campo sobre o desempenho de semeadoras e de ponteiras sulcado-ras (demanda energética e durabilidade), definindo, assim, as máquinas para semeadura e adubação como um importante objeto de estudos. A união de habilidades de projeto de sis-temas mecânicos havidas no doutorado com demandas crescentes por máquinas agrícolas que atendessem às necessidades da agricultura familiar formatou outra linha de pesquisa que vem sendo continuamente desenvolvida desde 2005: projeto de máquinas e equipa-mentos de baixa demanda de potência. Os recursos e o tempo empreendidos nessas ações de pesquisa são, sem dúvida, os mais significantes nesse aspecto de minha carreira acadêmi-ca.
Por fim, há que se destacar o trabalho sobre segurança no uso de máquinas agrícolas. Essa temática de pesquisa surgiu em 2007 com a aprovação de um projeto de extensão em pesquisa no Edital 36/2007 do CNPq. O projeto que coordenei agregava a pesquisa nas ações de capacitação aos agricultores na área de segurança no uso de máquinas. A partir desses trabalhos a temática da segurança não deixou mais a minha agenda de pesquisa, pois ficou evidenciado que o problema é grave e as soluções bastante complexas.
5.2. Linhas e projetos de pesquisa
Nesse item serão detalhadas as principais linhas de pesquisa em que atuei nesses a-nos, assim como os projetos a elas vinculados.
Projeto de sistemas mecânicos
Objetivo: Utilizar metodologias sistemáticas de projeto de produtos para dar suporte ao desenvolvimento de sistemas mecânicos utilizados no setor agrícola. A ênfase da linha de pesquisa é em máquinas agrícolas.
− Projeto conceitual de uma máquina agrícola voltada para a agricultura agroecológica. Obje-tivo: prospectar e desenvolver a concepção de uma máquina para o atendimento das ne-cessidades dos clientes (agricultores agroecológicos), utilizando-se, para isso, metodologias científicas de análise e tomada de decisão. Período: 2006 a 2008. Participação: coordena-dor.
− Desenvolvimento de sulcador rotativo para semeadoras acopladas em tratores de duas ro-das. Objetivo: desenvolver um sulcador rotativo que possa ser facilmente montado em tra-tores de duas rodas e trabalhe satisfatoriamente sob diversas condições de solo, relevo e de cobertura vegetal. Período: 2008 a 2014. Participação: coordenador.
− Projeto de um dosador de fertilizantes para semeadora/adubadora de baixa potência. Ob-jetivo: desenvolver um dosador de fertilizante para uma semeadora/adubadora para grãos graúdos (milho, feijão), para sistema de plantio direto, adequado às condições dos agricul-tores familiares e que atenda a duas linhas de semeadura simultaneamente. Período: 2009 a 2012. Participação: coordenador.
− Desenvolvimento de chassi de uma semeadora-adubadora de baixa potência para a agricul-tura familiar. Objetivo: desenvolver um chassi para uma semeadora-adubadora de quatro linhas destinada ao plantio direto de milho, soja ou feijão em pequenas propriedades, que possa ser tracionada por tratores de baixa potência e que empregue o conceito que utiliza apenas um dosador de sementes para duas linhas de semeadura. Período: 2010 a atual. Participação: coordenador.
− Desenvolvimento de dosador de sementes de milho e feijão com dupla saída para uma se-meadora-adubadora de baixa potência para a agricultura familiar. Objetivo: desenvolver um dosador de sementes, do tipo horizontal, para culturas de milho e feijão, de baixo custo de fabricação, baixo peso e que demande processos usuais de fabricação, possibilitando as pequenas metalúrgicas tenham capacidade técnica de produzi-lo. Período: 2011 a 2014. Participação: coordenador.
− Desenvolvimento de um dosador-depositor rotativo de sementes para semeadoras utiliza-das em agricultura de base familiar. Objetivo: desenvolver um mecanismo dosador e depo-sitor de sementes, adaptado às máquinas de plantio direto para agricultores de base famili-ar, requerendo o mínimo esforço de tração, com baixo custo de fabricação e aquisição. Pe-ríodo: 2009 a 2012. Participação: colaborador.
− Desenvolvimento de uma colhedora-beneficiadora de cebolas voltada para a agricultura familiar. Objetivo: em trabalho anterior, foram executados os projetos informacional e con-ceitual deste equipamento, onde de quatro concepções de máquinas selecionou-se uma que após otimizada evoluiu para a concepção final. Este trabalho visa finalizar a concepção da colhedora-beneficiadora de cebolas através do projeto detalhado e confecção de um protótipo da máquina. Período: 2012 a atual. Participação: colaborador.
− Transferência tecnológica: um modelo de referência para máquinas agrícolas de baixa po-tência: Objetivo: propor um modelo de transferência da tecnologia de máquinas, imple-mentos e equipaimple-mentos agrícolas desenvolvidos na universidade, orientada pela produção coletiva do conhecimento, entre pesquisadores e pequenas empresas fabricantes de má-quinas agrícolas a serem disponibilizados à agricultura de base familiar. Período: 2012 a 2016. Participação: coordenador.
− Desenvolvimento de máquinas e equipamentos de plantio direto para a agricultura familiar. Objetivo: desenvolver equipamentos, destinados às operações do SPD em pequenas ppriedades, que possam ser acionados por tratores de baixa potência (duas ou quatro ro-das). Período: 2013 a atual. Participação: coordenador.
− Semeadora de tração humana para milho e feijão: projeto preliminar e detalhado. Objetivo: realizar as fases do projeto preliminar e detalhado de uma semeadora de tração humana para semeadura direta de milho e feijão, construção de um protótipo e testes de laborató-rio e campo da mesma. Período: 2013 a 2016. Participação: colaborador.
− Avaliação de uma semeadora/adubadora com mecanismo de sulcador rotativo para trato-res de duas rodas. Objetivo: otimizar a semeadora/adubadora, melhorando o desempenho dos sulcadores rotativos, montados na cadeia cinemática de do trator de rabiças, realizan-do ensaio de campo e laboratoriais comparanrealizan-do os sulcarealizan-dores tipo haste e rotativos. Perío-do: 2014 a atual. Participação: colaborador.
− Projeto, construção e testes do protótipo de uma linha para uma semeadora-adubadora para plantio direto. Objetivo: desenvolver e construir uma linha adaptável em
semeadoras-adubadoras para o sistema de plantio direto, destinada a máquinas de baixa potência, utili-zando mecanismo de mola quarto elíptica. Período: 2014 a 2017. Participação: coordena-dor.
− Desenvolvimento de uma máquina para execução de raleamento em faixas para o semiári-do brasileiro: projeto informacional, conceitual e detalhasemiári-do. Objetivo: projetar uma máqui-na aciomáqui-nada por tratores utilizados máqui-na agricultura do semi-árido capaz de fazer o corte da vegetação para possibilitar a implantação da agricultura. Período: 2015 a atual. Participa-ção: colaborador.
− Mecanização e adaptação de implementos para sistemas produtivos integrados do nordes-te brasileiro. Objetivo: possibilitar a Embrapa Caprinos e Ovinos em conjunto com o Núcleo de Inovação em Máquinas e Equipamentos Agrícolas (NIMEq) da FAEM/UFPel, adaptar e desenvolver máquinas e implementos agrícolas para serem utilizados em unidades familia-res de produção do Bioma Caatinga, transferindo a tecnologia gerada as mesmas e micro e pequenas empresas da região. Período: 2015 a atual. Participação: colaborador.
− Projeto informacional e conceitual de uma colhedora de alho em terrenos declivosos. Obje-tivo: desenvolver o projeto de uma máquina colhedora de alho para terrenos declivosos, identificando as necessidades dos agricultores familiares que cultivam alho na Venezuela, caracterizando espacialmente as condições climáticas, pedológicas, edafológicas existentes na bacia superior do rio Chama, Mérida, de forma a desenvolver um protótipo do sistema de colheita e transporte do alho para essa área. Período: 2016 a atual. Participação: coor-denador.
Dosagem de sementes
Objetivo: Avaliar o desempenho de mecanismos dosadores de sementes e adubo quanto à precisão funcional, danificação das sementes e aspectos mecânicos. Otimizar, re-projetar e re-projetar mecanismos dosadores em função das novas demandas técnicas e eco-nômicas.
− Estudo dos principais parâmetros na dosagem pneumática de sementes. Objetivo: estudar os efeitos de diversos diâmetros, de formatos de orifícios e diferenciais de pressões de ar sobre a dosagem pneumática das sementes das principais culturas produtoras de grãos no que se refere ao número de sementes dosadas e a altura de captação das sementes pelo o-rifício. Período: 2003 a 2007. Participação: coordenador.
− Avaliação da precisão funcional de dosadores de sementes. Objetivo: avaliar a adequação e a precisão funcional dos dosadores de sementes, tanto aqueles disponíveis comercialmente quanto os experimentais, na dosagem de sementes de arroz e de outras espécies de inte-resse econômico. Período: 2005 a 2007. Participação: coordenador.
− Desenvolvimento de sistema dosador-depositor de sementes para semeadura em alta velo-cidade. Objetivo: pesquisar, estudar e desenvolver um conjunto dosador-depositor de se-mentes que apresente melhor desempenho quando comparado aos sistemas de dosagem de sementes atuais, tendo como diferencial, a possibilidade de trabalhar com alta velocida-de velocida-de velocida-deslocamento da semeadora, garantindo excelência na uniformidavelocida-de dos espaça-mentos entre sementes, uniformidade de profundidade de deposição de sementes e núme-ro de falhas de dosagem. Período: 2016 a atual. Participação: coordenador.
Ensaio de máquinas agrícolas
Objetivo: Execução de ensaios funcionais e de desempenho de máquinas e imple-mentos agrícolas, em condições de laboratório e de campo, e a construção da instrumenta-ção necessária para a realizainstrumenta-ção dos mesmos.
− Análise do desempenho do trator agrícola 4x2 com tração dianteira auxiliar através da ade-quação do equipamento ao trabalho e a maneira de manutenção. Objetivo: estudar os efei-tos do estado geral de manutenção do trator, assim como os níveis de lastragem e pressão de insuflagem dos pneus, sobre o consumo de combustível em diversas tarefas agrícolas. Período: 2003 a 2006. Participação: coordenador.
− Seleção de sulcadores apropriados para semeadoras de baixa potência. Objetivo: selecio-nar, dentre os sulcadores de fertilizantes e de sementes utilizados em semeadoras-adubadoras de plantio direto existentes no mercado nacional, aqueles que mais se adé-quam ao uso em semeadoras de baixa potência no que se refere à demanda de potência, massa, demanda de força vertical para corte de palha, custo de produção entre outros. Pe-ríodo: 2008 a 2010. Participação: coordenador.
− Inspeção de pulverizadores costais: situação dos equipamentos utilizados pela agricultura familiar. Objetivo: realizar a inspeção técnica, conforme norma específica, de pulverizado-res costais de acionamento manual, novos e usados, empregados na pulverização de agro-tóxicos, afins e produtos aprovados para agricultura orgânica em propriedades caracteriza-das como de Agricultura Familiar, diagnosticando a situação de uso e conservação e o pro-cesso de aplicação, buscando o desenvolvimento de uma metodologia especifica para este tipo de equipamento. Período: 2013 a atual. Participação: coordenador.
Segurança em máquinas agrícolas
Objetivo: Estudar as principais causas de acidentes com máquinas agrícolas no meio rural, identificando os acidentes mais frequentes e os de maior gravidade, de forma a co-nhecer características desejáveis ou não nas máquinas agrícolas ofertadas no mercado.
− Abordagem da mecanização agrícola familiar na Região Centro e Sul do Rio Grande do Sul: da segurança a economia. Objetivo: desenvolver uma ferramenta ou metodologia que permita a transferência de informação aos trabalhadores da Agricultura Familiar, focando a prevenção de acidentes com máquinas agrícolas e o auxilio na aquisição de máquinas ade-quadas as suas necessidades. Período: 2013 a atual. Participação: coordenador.
− Proposta de um modelo para apoiar a decisão na aquisição de tratores de baixa potência, considerando os princípios relativos à ergonomia e segurança. Objetivo: avaliar se os trato-res adquiridos com subsídios públicos atendem ou não atendem a legislação vigente quan-to à ergonomia e segurança. Período: 2015 a atual. Participação: colaborador.
Perdas na colheita de grãos
Objetivo: determinar a perda quantitativa ocorrida durante a colheita mecanizada de grãos, identificando a sua origem na colhedora.
− Determinação das perdas na colheita mecanizada de arroz irrigado empregando dois tipos de plataformas. Objetivo: determinar as perdas quantitativas totais na colheita de arroz
ir-rigado em plataforma de corte convencional e plataforma recolhedora do tipo stripper. Pe-ríodo: 1995 a 1997. Participação: colaborador.
Mecanização agrícola
Objetivo: Estudar sistemas mecanizados próprios para os sistemas de produção agrí-cola de base familiar. Desenvolver metodologias para seleção de tratores para pequenas propriedades.
− Utilização de soldagem de revestimento no aumento da vida útil de ponteiras sulcadoras de semeadoras. Objetivo: estudar uma alternativa economicamente viável para o aumento da vida útil da ponteira sulcadora, através da adição de soldagem de revestimento em pontos estratégicos da ferramenta. Período: 2008 a 2010. Participação: colaborador.
− Desenvolvimento de metodologia para seleção de maquinário agrícola adequado à agricul-tura familiar. Objetivo: desenvolver uma metodologia apropriada de seleção de máquinas agrícolas, treinamento do corpo técnico de associações e órgãos de extensão rural baseada em critérios técnicos, econômicos, de segurança e de ergonomia. Período: 2008 a 2012. Participação: colaborador.
− Estudo exploratório acerca das patrulhas agrícolas de alguns municípios da região de Pelo-tas-RS. Objetivo: caracterizar e avaliar o funcionamento de Patrulhas Agrícolas dos municí-pios de Arroio do Padre, Capão do Leão, Canguçu, Jaguarão, Rio Grande, São Lourenço do Sul e Turuçu, com vistas a obter maior eficiência na prestação dos serviços aos pequenos agricultores. Período: 2009 a 2011. Participação: colaborador.
− Mecanização no cultivo de arroz irrigado em assentamentos de reforma agrária do Núcleo Operacional de São Gabriel. Objetivo: conhecer o grau de utilização e demandas relaciona-das à mecanização agrícola utilizada na produção de arroz irrigado em assentamentos da reforma agrária, utilizando como base de estudos o Núcleo Operacional de São Gabriel. Pe-ríodo: 2013 a 2015. Participação: colaborador.
Estudo da interação máquina-solo (capacidade de suporte e desgaste de ferramen-tas)
Objetivo: Determinar a capacidade de suporte de carga dos principais solos do estado do Rio Grande do Sul de forma que se possa recomendar ou não o tráfego de tratores em função de parâmetros e do estado do solo. Analisar e propor soluções para redução do des-gaste de ferramentas de trabalho no solo.
− Estimativa da capacidade de suporte de carga do solo a partir da avaliação da resistência do solo à penetração. Objetivo: determinar a capacidade de suporte de carga de um solo, e com isso a possibilidade de tráfego de máquinas sem aumentar a compactação, através da determinação da resistência do solo à penetração. Período: 2006 a 2008. Participação: co-ordenador.
− Estudo exploratório da resistência do solo à penetração em pastoreio intermitente de novi-lhas em milheto. Objetivo: verificar por meio de penetrômetro o efeito do pisoteio causado por diferentes lotações de animais na área de pastejo. Período: 2006 a 2007. Participação: colaborador.
− Capacidade de suporte de carga em classes de solos sob distintos usos e manejos no Rio Grande do Sul. Objetivo: definir a capacidade de suporte de carga dos solos com base na determinação de parâmetros físicos, mecânicos, mineralógicos e químicos bem como avali-ar o efeito de diferentes usos e manejos nas classes de solos em estudo. Período: 2012 a atual. Participação: colaborador.
5.3. Resultados da pesquisa
As ações de pesquisa listadas no item anterior foram tornadas públicas principalmen-te em artigos científicos (periódicos e congressos), mas também por meio de depósitos de patentes no Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI). Os resultados mais impor-tantes são listados no Apêndice desse memorial. A quantidade de publicações em cada veí-culo de divulgação, ao longo de minha carreira acadêmica, é listada na tabela a seguir.
Produção bibliográfica Quantidade
Artigos completos publicados em periódico 54
Livros publicados 18
Capítulos de livros publicados 1
Livros organizados ou edições 1
Revistas (Magazines) 7
Trabalhos publicados em anais de eventos 161
Demais produções bibliográficas 2
Produção técnica
Produtos tecnológicos (piloto) 1
Produtos tecnológicos (protótipo) 12
Processos ou técnicas (processo) 1
Trabalhos técnicos (assessoria) 1
Programa de Rádio ou TV (entrevista) 1
Outra produção técnica 1
Patentes e Registros
Patente 10
No ano de 2007 submeti a proposta “Desenvolvimento de máquinas e equipamentos de plantio direto para a agricultura familiar” ao edital “Bolsa Produtividade em Pesquisa – PQ - 2007” do CNPq. A proposta teve o objetivo de desenvolver uma linha de máquinas des-tinadas às operações do sistema de plantio direto em pequenas propriedades que pudessem ser acionados por tratores de baixa potência (duas e quatro rodas). Era uma forma de siste-matizar e dar continuidade às pesquisas que vinha realizando no âmbito do PPG SPAF, prin-cipalmente. Os meus esforços na pesquisa foram reconhecidos com a aprovação da proposta e, desde então, integro o quadro de pesquisadores do CNPq no nível 2.
Com o reconhecimento do trabalho de pesquisa vem junto o acréscimo de trabalho, pois além das atividades da pesquisa que deve ser realizada, há o compromisso irrecusável
de atuar como consultor ad hoc do CNPq em vários editais e programas institucionais.
A dedicação à pesquisa também foi considerada em premiações de orientandos de graduação no Congresso de Iniciação Científica (CIC) da UFPel em três oportunidades, 2006 e 2010, quando os estudantes obtiveram a premiação de seus trabalhos apresentados em primeiro, segundo (2006) e terceiro lugares na área de Engenharias. Da mesma forma, obti-vemos - digo no plural, pois se trata de trabalho de equipe, como alias, a maioria dos resul-tados apresenresul-tados nesse memorial – duas premiações no “Prêmio Gerdau Melhores da Terra”. No ano de 2011 um de nossos orientandos ganhou na categoria Pesquisa e Desen-volvimento - Nível Estudante, com o trabalho intitulado “Debulhador manual de milho ver-de” apresentando o respectivo protótipo, e no ano de 2014 ganhamos novamente na cate-goria Pesquisa e Desenvolvimento, com a máquina “Semeadora adubadora para plantio direto com sulcador rotativo acoplado em tratores de rabiças”.
5.4. Consultorias ad hoc e a periódicos
Desde 2008, quando ingressei no quadro de pesquisadores do CNPq venho atuando como consultor ad hoc em propostas submetidas aos editais daquele conselho. No ano de 2015 também atuei, a convite do CNPq, como avaliador externo do processo de seleção de bolsas institucionais PIBIC, PIBIC EM e PIBIT - CNPq da UFSM e, posteriormente, no mesmo ano, como avaliador do Congresso de Iniciação Científica daquela universidade.
A partir de 2005, em decorrência do aumento do número artigos científicos publica-dos, passei a ser convidado para atuar como consultor aos seguintes periódicos com fre-quência variável: Revista Brasileira de Sementes; Revista Brasileira de Agrociência; Engenha-ria Agrícola; Revista Brasileira de EngenhaEngenha-ria de Biossistemas; Acta Scientiarum - Agronomy; Ciência Rural; African Journal of Agricultural Research; Acta Scientiarum - Technology; Jour-nal of the Brazilian Society of Mechanical Sciences and Engineering; Computers and Electro-nics in Agriculture.
5.5. Bancas de trabalho de conclusão
Participei em 1995 de uma banca examinadora de mestrado no PPGA da FAEM. Na-quela época ainda não era exigido que os examinadores fossem todos doutores. Logo após
essa data a regra se tornou geral, e eu somente viria a participar de uma banca examinadora na pós-graduação novamente em 2005. Foi uma pena, pois considero que essa atividade seja muito importante, tanto pela responsabilidade que representa, quanto pela oportunidade de ler, em primeira mão, pesquisas que estão na fronteira do conhecimento. Além disso, as bancas fora da UFPel possibilitam o contato com outros grupos de pesquisa, outros labortórios, outras maneiras de superar as dificuldades inerentes à pesquisa, oportunizando a-prendizado e expansão da rede de contatos.
No total participei de 35 bancas examinadoras na UFPel, UFSM, UFRGS, UNIJUI e UFSC, sendo duas de defesa de estágio final do Curso de Agronomia, onze de defesa de mo-nografia em curso de especialização, sete de exames de qualificação de doutorado, sete de defesa de doutorado e oito de defesa de dissertação.
6. Extensão
Nesse capítulo optei por abordar as atividades de extensão sem dar ênfase específica aos projetos que as formalizaram na estrutura administrativa da UFPel. Isto, de certa manei-ra, reflete a dificuldade histórica que a Universidade tem de se relacionar com a sociedade nos seus diversos âmbitos, sejam as populações desassistidas, os movimentos sociais, as organizações não-governamentais, sejam outras instituições públicas ou mesmo empresas privadas. Assim, os projetos de extensão de que participei eram mais iniciativas pessoais minhas e das pessoas que compunham o grupo de trabalho próximo frente às demandas pontualmente observadas, do que ações institucionais planejadas para cumprir metas de desenvolvimento social de médio e de longo prazo. Dessa forma, posso afirmar que, muitas vezes, as demandas e as respectivas ações de extensão antecediam os projetos.
Sendo assim, serão relatadas nesse item as ações de extensão das quais participei, com maior grau de protagonismo, no que diz respeito a cursos ministrados, prestação de consultorias e de serviço a órgãos públicos e empresas privadas, organização de eventos e palestras em diversos tipos de eventos. Também estão listadas as orientações de graduação e de profissionais que foram bolsistas dentro de projetos em atividades de preparação de cursos e confecção de materiais didáticos e aplicação dos cursos. Ficaram de fora do capítulo os livros publicados, pois embora sejam considerados como atividades de extensão, institu-cionalmente, requerendo inclusive a confecção de projeto específico, já foram abordados nos capítulos 3 e 5.
6.1. Cursos
Dentre todas as ações de extensão de que participei, considero como a mais impor-tante aquela decorrente da aprovação do projeto “Apoio à implantação da mecanização a-grícola nas unidades familiares de produção” no Edital Nº 36 – 2007 do CNPq, pois além de atingir um número expressivo de pessoas, permitiu o contato mais próximo com agricultores
familiares com atuação em diversos tipos de culturas. Essa proximidade por um tempo rela-tivamente grande permitiu que fossem identificadas as reais carências desse importante setor produtivo. Assim, eu e o meu grupo de trabalho pudemos redirecionar os esforços da própria atividade extensionista, assim como os das ações de pesquisa de forma a atender às demandas observadas. De certa forma, esse projeto ajudou a formatar os conteúdos minis-trados na graduação (por exemplo: inclusão de um capítulo de segurança na disciplina de Máquinas Agrícolas) e ajustar o foco da pesquisa. O ganho de qualidade em minha atuação como docente decorrente da execução desse projeto, reafirmou a minha convicção de que, realmente, deve a haver a tão falada e decantada “indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão”. Essa ação de extensão será abordada com destaque.
6.1.1. Edital Nº 36 - 2007
No ano de 2007 submeti e tive aprovada no Edital MCT/CNPq/MDA/SAF/MDS/SESAN - Nº 36/2007 (Seleção Pública de Propostas para Apoio a Projetos de Extensão Tecnológica Inovadora para Agricultura Familiar) a proposta “Apoio à implantação da mecanização agrí-cola nas unidades familiares de produção”, que tinha como objetivo geral apoiar as associa-ções de agricultores familiares do estado do Rio Grande do Sul como o Movimento dos Pe-quenos Agricultores (MPA), Centro de Apoio ao Pequeno Agricultor (CAPA), União das Asso-ciações Comunitárias do Interior de Canguçu (UNAIC), Associação Regional de Produtores Agroecologistas da Região Sul (ARPASUL), nas questões pertinentes à necessidade de meca-nizar as atividades agrícolas nas unidades familiares de produção. Especificamente os objeti-vos eram: a) assessorar as associações de agricultores familiares na seleção de maquinário agrícola adequado; b) gerar informações para a utilização segura das máquinas agrícolas na pequena propriedade; c) proporcionar o treinamento para a correta utilização das principais máquinas e equipamentos agrícolas; d) prospectar necessidades de desenvolvimento de máquinas e equipamentos para as unidades familiares de produção com vistas à implanta-ção de um sistema agrícola sustentável, valorizando os conhecimentos e saberes locais; e) projetar e construir as máquinas e equipamentos identificados como mais importantes na prospecção de demandas nas áreas de atuação das associações de agricultores consideradas na proposta; f) capacitar a equipe do projeto ao trabalho com a dinâmica da agricultura fa-miliar no âmbito das máquinas e da mecanização agrícola. Como se pode ver pelo elenco de objetivos específicos, tratava-se de uma proposta mista de extensão e pesquisa, já que
leva-va aos agricultores informações e técnicas e ouvia deles demandas e problemas a serem resolvidos.
Vê-se, portanto, que as ações desenvolvidas extrapolaram a capacitação dos agricul-tores para o uso eficiente e seguro das máquinas agrícolas que vinham sendo adquiridas; elas englobaram também ações de pesquisa e a criação de textos básicos para técnicos e agricultores. Pode-se resumir como se segue os resultados alcançados nesse projeto: (a) formatação de uma metodologia de seleção de tratores com emprego da metodologia mul-ticritério (desenvolvido por um bolsista do projeto e defendido em sua dissertação de mes-trado); (b) foram editados dois livros de referência na área de segurança e de tratores de baixa potência e uma cartilha sobre o uso seguro de tratores e outras máquinas destinadas aos agricultores e operadores de máquinas (ver apêndice); (c) foram ministrados 27 cursos de capacitação atingindo 377 pessoas, entre agricultores familiares, extensionistas e técni-cos.
Dentre as ações desenvolvidas no projeto por mim coordenado destacam-se os cur-sos ministrados aos agricultores familiares. Todos os curcur-sos tinham uma carga horária de oito horas (quatro horas teóricas pela manhã seguidas de quatro horas práticas à tarde com as máquinas pertinentes ao curso em questão). As atividades deram-se, majoritariamente, nas próprias comunidades de agricultores familiares (associações, escolas, assentamentos, paróquias, etc.) nos municípios de Arroio do Padre, Canguçu, Jaguarão, Pelotas, Piratini e São Lourenço do Sul. Os cursos ministrados são identificados a seguir.
− Operação e calibração de máquinas para aplicação de produtos químicos. 2009. Três edições.
− Operação e manutenção de tratores de duas e quatro rodas. 2009 e 2010. Doze edições.
− Noções de segurança na utilização de máquinas agrícolas. 2009. Cinco edições.
− Operação e manutenção de máquinas de preparo do solo. 2009. Cinco edições.
− Noções básicas sobre a utilização de máquinas para silagem e fenação. 2009 e 2010. Duas e-dições.
6.1.2. Outros
Ao longo de minha atuação como docente, outros cursos também foram ministrados. A listagem deles é apresentada a seguir.
− Noções básicas de manutenção em tratores agrícolas, arados e grades. 1994. Duração: 16 h.
− Cursos para os usuários do Laboratório de Informática das Ciências Agrárias. 1994, 1995, 1996 e 1997. Duração: 4 h.
da maquinaria agrícola dos assentados da Fazenda da Palma. 1995. Duração: 20 h.
− Manutenção, operação e segurança de tratores agrícolas. 1997. UFPel. Duração: 12 h.
− Aspectos de engenharia agrícola no projeto de semeadoras. 2002. Organização: VI Semana Acadêmica do Curso de Engenharia Agrícola – UNISC. Duração: 16 h.
− Curso de atualização em administração e utilização de máquinas agrícolas. 2002, 2003, 2007, 2008, 2009. Duração: 40 h.
− Máquinas Agrícolas para a Agricultura Familiar. 2006. Duração: 8 h.
− Semeadura de Precisão: Sementes Graúdas e Miúdas. 2007. Duração: 8 h.
− Planejamento e dimensionamento da frota de máquinas agrícolas na propriedade rural. 2014. Duração: 20 h. Ano. Duas edições.
6.2. Consultorias e serviços
Em 1995 realizei a primeira consultoria na minha carreira docente; fruto de um con-vênio que coordenei entre a UFPel e o Instituto Agronômico do Paraná (IAPAR) com a finali-dade de capacitar técnicos daquele órgão a utilizar um dinamômetro de três pontos para ensaio de implementos acoplados ao sistema de engate de três pontos do trator e realizar a análise espectral do dados gerados. Os conhecimentos empregados vieram do contato que tive com esse equipamento durante o meu mestrado. Partes das atividades foram feitas em Pelotas, individualmente e com a vinda do pessoal do IAPAR, e com estada de uma semana em Londrina, sede do instituto. Considero essa consultoria muito importante, pois houve um aporte financeiro ao DER que possibilitou a aquisição de um microcomputador, sem o qual não teria sido possível realizar, naquela época, um grande número de atividades elencadas nesse memorial.
Também durante o ano de 1995 coordenei uma prestação de serviços à Indústria Mecânica Rugeri Mec-Rul S. A., na qual foi avaliado o sistema de embreagem de segurança empregado em máquinas fabricadas pela empresa. Este trabalho foi importante porque permitiu constatar que a área de Máquinas Agrícolas do DER precisava adquirir equipamen-tos para ensaio de máquinas, pois o trabalho foi realizado com muitas dificuldades técnicas e necessitando do auxílio de outras unidades e mesmo de empresas privadas.
No ano de 1996 participei com os demais professores da área de Máquinas Agrícolas do DER da avaliação em campo de uma plataforma recolhedora para a colheita de arroz irri-gado para a Metalúrgica JL. Esse trabalho demandou bastante tempo e obrigou a equipe a alterar a metodologia para determinação de perdas na colheita vigente à época e que fora criada para culturas de sequeiro. Houve muito ganho de conhecimento e geração de
resul-tados que, depois de vencido o período de carência contratual, foram publicados na forma de artigos científicos.
Essa experiência permitiu que em 2013 eu participasse novamente no mesmo tipo de trabalho. Desta vez na análise de desempenho da colheitadeira 9670 STS Rice com platafor-mas 625D e 630D para a John Deere Brasil Ltda. no Uruguai em lavouras de arroz irrigado. Novamente houve a necessidade de se melhorar a metodologia para a coleta de dados para dar mais rapidez às determinações. A descrição dessa metodologia já foi enviada para a pu-blicação e, agora, vencido o prazo contratual de sigilo serão publicados os resultados daque-les ensaios.
A instrumentação adquirida ao longo do tempo com verbas de projetos, de consulto-rias e da própria Universidade, permitiu que a equipe de trabalho que integro prestasse ser-viços ensaiando tratores de baixa potência para as empresas Green Horse (ano de 2010), Farmer (ano de 2012) e Bratec (2016). Esses eram tratores fabricados na China, trazidos para o Brasil desmontados, sendo montados aqui e vendidos para agricultores familiares. Os tes-tes destinavam-se a medir o consumo de combustível, potência na barra de tração, raio de giro, patinagem, velocidades e adequação às normas de segurança.
6.3. Organização de eventos
Participei da organização de vários eventos, muitos deles internos, no âmbito da FA-EM ou da UFPel, e outros com abrangência nacional e mesmo internacional. Estes últimos são descritos a seguir.
− II Workshop de Mecanização Agrícola de Clima Temperado. 1996. Participação: membro da comissão organizadora na parte de avaliação técnica de trabalhos. Instituições promotoras: UFPel, Embrapa Clima Temperado e UFSM. Evento internacional.
− XXVIII Congresso Brasileiro de Engenharia Agrícola. 1999. Participação: tesoureiro. Institui-ções promotoras: Sociedade Brasileira de Engenharia Agrícola e UFPel. Evento nacional.
− 3ª Mostra de Máquinas e Inventos para Agricultura Familiar. 2014. Participação: represen-tante da UFPel na comissão organizadora. Instituições promotoras: Embrapa Clima Tempera-do, Emater/RS-Ascar e a Universidade Federal de Pelotas. Evento internacional.
O II Workshop de Mecanização Agrícola de Clima Temperado foi um evento destina-do a reunir pesquisadestina-dores da Região Sul destina-do Brasil e destina-dos países destina-do Mercosul - fizeram-se pre-sentes representantes do Uruguai, Argentina, Chile e Paraguai - com o objetivo principal de apresentar as suas ações e capacidades para a pesquisa, criando uma oportunidade de troca
de experiências. A parte de apresentação de trabalhos teve menor relevância. Nesse evento tomei conhecimento das pesquisas que vinham sendo realizadas na UFSC na área de projeto de máquinas agrícolas por meio do Prof. Fernando Forcellini, que viria a ser meu orientador de doutorado.
Em 1998 ocorreu na sede da Embrapa Clima Temperado o 1ª Encontro Sul-brasileiro de Máquinas para Agricultura Familiar, o qual alcançou um grande sucesso e teve como principal mérito expor as dificuldades pelas quais passavam os agricultores que trabalhavam em pequenas áreas no que tange à mecanização. Ficou patente a quase total inexistência, então, de máquinas adequadas às suas necessidades, tanto em tamanho, como em especifi-cidade. Essas constatações, feitas no próprio evento e cristalizadas no material escrito pro-duzido, foram o início da mudança de foco em minhas atividades de pesquisa, pois a de-mandas eram grandes e se constituíam num vasto campo de trabalho praticamente inexplo-rado.
Em 2013 fui procurado por pesquisadores da Embrapa para que, novamente, a UFPel participasse da organização daquele evento. Trabalhamos por mais de um ano na formata-ção da 3ª Mostra de Máquinas e Inventos para Agricultura Familiar, na busca por financia-mento e no estabelecifinancia-mento de parcerias com outros órgãos públicos de pesquisa e exten-são para que os inventos dos agricultores fossem trazidos e expostos nos pavilhões da Fena-doce, local do evento. A mostra durou três dias e foi um sucesso atestados pelos números: exposição de 109 inventos provenientes de 35 municípios da Região Sul do país, apresenta-ção de 30 inventos de órgãos públicos de pesquisa e de extensão, 4.500 visitantes. O Evento também contou com a presença de pesquisadores do INTA da Argentina e do INIA do Uru-guai. No Apêndice é listada uma publicação na forma de livro com as imagens e as descrições dos inventos e demais atividades do evento.
6.4. Palestras
Atuei como palestrante em 16 eventos distribuídos entre a própria UFPel e outras instituições de ensino e pesquisa. Os temas mais recorrentes foram a tecnologia e o projeto de máquinas agrícolas e a segurança na operação de tratores. Esses temas refletem os co-nhecimentos obtidos nas ações de pesquisa mais importantes relatadas anteriormente. A listagem das palestras proferidas é apresentada a seguir.