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(2) 2. ROSANA AUGUSTA BONCOMPAGNO ROSSI PACHECO. QUALIDADE DE VIDA, PERCEPÇÃO DE SUPORTE SOCIAL E CONSUMO DE MEDICAMENTOS EM IDOSAS PARTICIPANTES DA UNIVERSIDADE PARA A TERCEIRA IDADE. Dissertação apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Psicologia da Saúde da Faculdade de Psicologia da Universidade Metodista de São Paulo, como requisito parcial para obtenção do Título de Mestre em Psicologia da Saúde. Orientador: Prof. Dr. Manuel Morgado Rezende. SÃO BERNARDO DO CAMPO 2015.
(3) 3. FICHA CATALOGRÁFICA. Pacheco, Rosana Augusta Boncompagno Rossi. P115q. Qualidade de vida, percepção de suporte social e consumo de medicamentos em idosas participantes da universidade para terceira idade / Rosana Augusta Boncompagno Rossi Pacheco. 2015. 157 f.. Dissertação (Mestrado em Psicologia da Saúde) --Faculdade da Saúde da Universidade Metodista de São Paulo, São Bernardo do Campo, 2015. Orientação de: Manuel Morgado Rezende.. 1. Qualidade de vida 2. Percepção de suporte social 3. Medicamentos - Consumo 4. Feminização da velhice 5. Terceira idade – Qualidade de vida I. Título CDD 157.9.
(4) 4. A dissertação de mestrado sob o título: QUALIDADE DE VIDA, PERCEPÇÃO DE SUPORTE SOCIAL E CONSUMO DE MEDICAMENTOS EM IDOSAS PARTICIPANTES DA UNIVERSIDADE PARA A TERCEIRA IDADE, elaborada por ROSANA AUGUSTA BONCOMPAGNO ROSSI PACHECO, foi apresentada e aprovada em 08 de junho de 2015, perante banca examinadora composta por Prof. Dr. Manuel Morgado Rezende (Presidente UMESP), Profª. Drª. Eda Marconi Custodio (Titular UMESP) e Profª. Drª. Nancy Julieta Inocente (Titular convidado).. ______________________________ Prof. Dr. Manuel Morgado Rezende Orientador e Presidente da Banca Examinadora. _____________________________ Profª. Drª. Maria Geraldo Viana Heleno Coordenadora do Programa de Pós-Graduação. Programa: Pós-Graduação em Psicologia da Saúde Área de Concentração: Psicologia da Saúde Linha de Pesquisa: Processos Psicossociais.
(5) 5. DEDICATÓRIA. Dedico este estudo a todas as pessoas que receberam o privilégio do envelhecimento, e aqueles que lutam para fazer deste envelhecer, algo saudável, tanto no corpo, quanto na mente, fornecendo à toda raça humana o sumo mais precioso de um velho: sua sabedoria, experiência de vida e riqueza da partilha..
(6) 6. AGRADECIMENTOS. Agradeço a Deus e reconheço a sua disponibilidade em manter acesa em meu coração, a chama da fé... Agradeço e reconheço a importância da minha família, que sempre acreditou em mim, e abriu mão de alguns momentos de lazer, enquanto eu escrevia e escrevia...em especial, agradeço ao meu marido Sérgio Pacheco, pai da minha filha Laura, que incansavelmente torceu, acompanhou, e esteve presente de corpo e alma em todos os momentos... Agradeço e reconheço a competência, profissionalismo e humanidade do meu orientador, Prof. Dr. Manuel Morgado Rezende, que me ensinou com paciência, o caminho do fazer científico. Ser humano sempre presente, humilde e gigante ao mesmo tempo... Agradeço e reconheço a importância das mulheres, que doaram seu tempo ao responderem aos instrumentos deste trabalho e contribuírem, mesmo sem ter a dimensão exata, para uma pequena parcela da construção do conhecimento na área da promoção da saúde... e um agradecimento especial à Profª Ms. Sueli Ferreira, que com generosidade auxiliou a todo o momento na coleta dos dados e na preparação das idosas no preenchimento dos instrumentos... Agradeço e reconheço a importância dos docentes do Programa de Mestrado em Psicologia da Saúde da UMESP, pelas brilhantes aulas, ensinamentos, orientações e domínio do saber em Psicologia... e em especial, à Profª Cecilia Aparecida Vaiano Farhat, pelas aulas de estatística, pela paciência e disponibilidade em orientar o coração deste trabalho, como se fosse o trabalho dela... Agradeço e reconheço as inestimáveis orientações da minha banca de qualificação, através da Prof.ª Dra. Eda Marconi Custódio e Profª. Dra. Miria Benincasa. Agradeço e reconheço a importância dos meus amigos do mestrado. Luzes que sempre iluminaram meu caminho, risos, lágrimas, saudades... Agradeço e reconheço a ajuda de todos os colaboradores da UMESP.... Este trabalho foi confeccionado pelas mãos de todas essas pessoas. A elas, meu agradecimento....
(7) 7. RESUMO ROSSI PACHECO, R. A. B. Qualidade de vida, percepção de suporte social e consumo de medicamentos em idosas participantes da universidade para a terceira idade. 2015. Dissertação (Mestrado em Psicologia da Saúde) – UMESP, São Bernardo do Campo, SP. A presente dissertação de mestrado abordou a qualidade de vida, a percepção de suporte social e o consumo de medicamentos em idosas participantes de um programa da Universidade para a Terceira Idade, no município de São Caetano do Sul - São Paulo Brasil. O estudo objetivou descrever uma possível relação entre o perfil sociodemografico da amostra, a percepção subjetiva da qualidade de vida, a percepção subjetiva de suporte social, e o consumo de medicamentos, submetendo a testes estatísticos, um conjunto de possíveis relações entre as características sociodemográficas, percepção de qualidade de vida, percepção de suporte social e consumo de medicamentos. Utilizou-se o método descritivo exploratório, de corte transversal, e de caráter quantitativo. Os dados foram coletados entre os meses de agosto a outubro de 2014, através de uma amostra de conveniência, formada por 150 mulheres, com idade média de 66,13 anos. Foram utilizados instrumentos autoaplicáveis: WHOQOL-OLD e WHOQOL-BREF (Word Health Organization Quality of Life Instrument); Escala de Percepção de Suporte Social (EPSS); um questionário sobre a utilização de medicamentos de uso geral, e um questionário contendo os dados sociodemográficos. Dos resultados, 59,3% da amostra concluiu o ensino fundamental, 49,3% é casada, 79,3% não exerce atividade remunerada, e 78,7% não exerce atividades voluntárias. Apresentou boa percepção de Qualidade de Vida Global (82,90%), sendo o domínio com menor valor médio o Funcionamento do Sensório (12,56%), e maior escore médio no domínio Autonomia (14,66%). Sente segurança ao recorrer à rede de suporte social prático (53,08%), e insegurança ao recorrer à sua rede de apoio social emocional (28,88%). A prevalência do uso de medicamentos foi de 3,6%, todos prescritos, e os princípios ativos mais utilizados pertenciam aos tratamentos da hipertensão e sistema cardiovascular. Não foram evidenciadas correlações significativas relevantes entre as variáveis do estudo, do ponto de vista estatístico. Apesar de residirem em um município com elevado Índice de Desenvolvimento Humano, conclui-se que o aumento das possíveis incapacidades físicas das idosas apontam dificuldades de acesso aos recursos do ambiente, onde a amostra estava inserida. Sugerese a criação de pesquisas e intervenções com idosas, incluindo nos programas de educação continuada, espaços para debate com o tema da finitude e o envelhecimento, bem como a realização de novos estudos de natureza qualitativa, para aprofundar o conhecimento sobre a qualidade de vida, a percepção do suporte social e o consumo de medicamentos nesta população, como também a inclusão de outros grupos sociodemográficos de idosas, em estudos longitudinais.. Palavras-chaves: qualidade de vida; percepção de suporte social; consumo de medicamentos na velhice; feminização da velhice; psicologia da saúde..
(8) 8. ABSTRACT. ROSSI PACHECO, R. A. B. Quality of life , social support perception and drug consumption in old university of participants for the third age. 2015. Dissertação (Mestrado em Psicologia da Saúde) – UMESP, São Bernardo do Campo, SP. This master's thesis addressed the quality of life, perceived social support and the use of medications in elderly women attending a University Program for Senior Citizens in São Caetano do Sul’ city - São Paulo - Brazil. The study aimed to identify and describe the possible relationships between the variables studied. It used the exploratory descriptive method of cross-sectional and quantitative character. Data were collected between August and October 2014, through a convenience sample composed of 150 women with a mean age of 66.13 years. Self-report instruments were used: WHOQOL-OLD and WHOQOLBREF (Word Health Organization Quality of Life Instrument), proposed by the World Health Organization (WHO), applied by a single interviewer, and are used to identify the quality of global life and their domains; Perceived Social Support Scale (EPSS), which evaluated the perception of social support in their emotional and practical dimensions; a questionnaire on the use of commonly used drugs, and a questionnaire containing sociodemographic data, which helped in the characterization of the sample profile and statistical analysis. From the results, 59.3% of the sample completed elementary school, 49.3% are married, 79.3% does not exercise remunerated activity, and 78.7% does not exercise volunteer activities. Global showed good perception of Quality of Life (82.90%) and the domain with the lowest average value Sensory operation (12.56%), and higher average score on Autonomy domain (14.66%). Feel safe to resort to practical social support network (53.08%), and insecurity to use its network of emotional social support (28.88%). The prevalence of drug use was 3.6%, all prescribed and the most widely used active ingredients belonged to treatment of hypertension and cardiovascular system. Significant correlations between the relevant variables of the study, from a statistical point of view were not observed. Although they live in a city with high Human Development Index, it is concluded that the increase in possible physical disabilities of older reveal difficulties of access to environmental resources, where the sample was inserted. We suggest the creation of research and interventions with elderly, including in continuing education programs, spaces for debate with the theme of finitude and aging, as well as new studies of qualitative nature, to deepen the knowledge about quality life, perceived social support and the use of medications in this population, as well as the inclusion of other sociodemographic groups of elderly, in longitudinal studies.. Key-words: quality of life; perception of social support; consumption of drugs in old age; feminization of old age; health psychology..
(9) 9. LISTA DE GRÁFICOS Gráfico 1 – Distribuição Etária da População por Sexo, segundo os grupos de idade – Brasil 2010................................................................................................. 21. Gráfico 2 – Intervalo de Confiança para Média dos Escores do WHOQOL OLD... 74. Gráfico 3 – Intervalo de Confiança para Média dos Escores do WHOQOL BREF....................................................................................................................... 79. Gráfico 4 – Intervalo de Confiança para Média da Idade e Medicamentos............. 84. Gráfico 5 – Representação Gráfica do Uso de Medicamentos.............................. 86. Gráfico 6 – Representação Gráfica do Estado Civil............................................. 90. Gráfico 7 – Distribuição do Status de Escolaridade............................................. 93. Gráfico 8 – Rendimento Médio Mensal das Pessoas de 60 anos ou mais de Idade........................................................................................................................ 98. Gráfico 9 – Relação entre Faixa Etária e Consumo de Medicamentos................... 102 Gráfico 10 – Intervalo de Confiança para os Domínios do WHOQOL OLD e Faixas Etárias......................................................................................................... 113.
(10) 10. LISTA DE TABELAS Tabela 1 – Descritiva Completa para Escores do WHOQOL OLD.......................... 69. Tabela 2 – Teste de Análise de Variância................................................................. 70. Tabela 3 – Descritiva Completa para os Escores do WHOQOL BREF................... 75. Tabela 4 – Domínios e Facetas do WHOQOL BREF.............................................. 77. Tabela 5 – Descritiva Completa para Escores da Escala de Percepção de Suporte Social.......................................................................................................................... 80. Tabela 6 – Descritiva Completa para Idade e Medicamentos................................... 83. Tabela 7 – Distribuição da Idade.............................................................................. 88. Tabela 8 – Relação da Idade e Tempo de Matrícula................................................. 88. Tabela 9 – Descritiva da Idade por Faixas Etárias.................................................... 89. Tabela 10 – Descritiva da Escolaridade.................................................................... 92. Tabela 11 – Descritiva do Tempo de Matrícula........................................................ 95. Tabela 12 – Descritiva das Atividades Remuneradas............................................... 96. Tabela 13 – Descritiva das Atividades Voluntárias................................................. 96. Tabela 14 – Teste de Análise de Variância.............................................................. 101. Tabela 15 – Relação entre Faixa Etária e Estado Civil............................................ 104. Tabela 16 – Relação entre Faixa Etária e Escores de Percepção de Suporte Prático e Suporte Emocional..................................................................................................... 105. Tabela 17 – Teste de Análise de Variância............................................................... 106. Tabela 18 – Teste de Análise de Variância............................................................... 107. Tabela 19 – Descritiva da Relação entre Faixa Etária e os Escores do WHOQOL BREF........................................................................................................................... 108. Tabela 20 – Teste Post Hoc....................................................................................... 109. Tabela 21 – Teste de Comparações Múltiplas........................................................... 110. Tabela 22 – Teste de Comparações Múltiplas........................................................... 110. Tabela 23 – Descritiva da Relação entre os Domínios do WHOQOL OLD e Faixas Etárias.............................................................................................................. 112. 1. A numeração das figuras, tabelas e quadros extraídas das fontes bibliográficas não coincidirão com as listas elaborada pela autora da pesquisa 1.
(11) 11. LISTA DE QUADROS Quadro 1 – Desempenho das Palavras da Escala de INTENSIDADE.................... 68. Quadro 2 – Desempenho das Palavras da Escala para Avaliação, Capacidade e Frequência,. Utilizando-se. a. mesma. Metodologia.............................................................................................................. 69. Quadro 3 – Média de Anos de Estudo das Pessoas de 25 Anos ou Mais de Idade.... 94.
(12) 12. LISTA DE SIGLAS ABC Paulista – Área formada pela sigla de três cidades industriais da Região Metropolitana de São Paulo, Brasil. São elas: Santo André, São Bernardo do Campo e São Caetano do Sul AGA – Avaliação Geriatrica Ampla AINE – Antiinflamatórios não esteroides CEP – Conselho de Ética em Pesquisa CISE – Centros Integrados de Saúde e Educação da Terceira Idade CINAHL – Cumulative Index to Nursing and Allied Health Literature (Base de Dados em Enfermagem) COMTID – Coordenadoria Municipal da Terceira Idade CONEP – Conselho Nacional de Ética em Pesquisa DEF – dicionário de Especialidades Farmacêuticas EI – Estatuto do Idoso EPSS – Escala de Percepção de Suporte Social Escala Likert – tipo de escala de resposta psicométrica usada habitualmente em questionários IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística IDH – Índice de Desenvolvimento Humano IDHM – Índice de Desenvolvimento Humano Municipal LILACS – Latin american and Caribbean Health Sciences Literature (Literatura LatinoAmericana e do Caribe em Ciências da Saúde) MEDLINE – sigla em inglês para Sistema Online de Busca e Análise de Literatura Médica (Medical Literature Analysis and Retrieval System Online) é a base de dados bibliográficos da Biblioteca Nacional de Medicina dos Estados Unidos da América (US National Library of Medicine's - NLM). NOAS – Norma Operacional de Assistência à Saúde OCDE – Organização para Cooperação Econômica e Desenvolvimento OIT – Organização Internacional do Trabalho OMS – Organização Mundial de Saúde. ONU – Organização das Nações Unidas. OPAS – Organização Pan Americana da Saúde PNAD – Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios.
(13) 13. PNI – Política Nacional do Idoso PNSI – Política Nacional de Saúde da Pessoa Idosa PNUD – Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento PRM – Problemas relacionados aos Medicamentos PSF – Programa de Saúde da Família p-valores considerados estatisticamente significativos perante o nível de significância adotado. QVRS – Qualidade de Vida Relacionada à Saúde RAM – Reação Adversa a Medicamentos RENAME – Relação Nacional de Medicamentos Essenciais SABE – Saúde, Bem Estar e Envelhecimento SERT – Secretaria do Emprego e Relações do Trabalho. SUS – Sistema Único de Saúde TCLE – Termo de Consentimento Livre e Esclarecido. UNESCO – Organização para a Educação, Ciência e Cultura UNIMAIS – Programa Universidade Aberta à Terceira Idade da Universidade Municipal de São Caetano do Sul - São Paulo - Brasil WHO – World Health Organization (Organização Mundial de Saúde) WHOQOL OLD – Word Health Organization Quality of Life Instrument (Instrumento de Qualidade de Vida da Organização Mundial de Saúde para Idosos) WHOQOL BREF – Word Health Organization Quality of Life Instrument (Instrumento de Qualidade de Vida da Organização Mundial de Saúde Abreviado) WHOQOL GROUP – Grupo de pesquisadores responsáveis pelo desenvolvimento do WHOQOL..
(14) 14. SUMÁRIO INTRODUÇÃO ......................................................................................................... 16 1 ENQUADRAMENTO TEÓRICO......................................................................... 29 1.1 ENVELHECIMENTO FEMININO ................................................................... 29 1.2 QUALIDADE DE VIDA................................................................................... 33 1.2.1 Qualidade de vida na velhice ....................................................................... 35 1.3 PERCEPÇÃO DE SUPORTE SOCIAL ............................................................. 42 1.3.1 Conceito de Redes Sociais ........................................................................... 44 1.3.2 Teoria do Comboio Social ........................................................................... 46 1.3.3 Teoria da Seletividade de Socioemocional ................................................... 48 1.4 CONSUMO DE MEDICAMENTOS NA VELHICE ......................................... 49 2 OBJETIVOS .......................................................................................................... 55 2.1 OBJETIVO GERAL .......................................................................................... 55 2.2 OBJETIVOS ESPECÍFICOS ............................................................................. 55 3 MÉTODO ............................................................................................................... 56 3.1 AMBIENTE DA PESQUISA ............................................................................ 57 3.2 PARTICIPANTES DA PESQUISA ................................................................... 58 3.3 INSTRUMENTOS ............................................................................................ 59 3.3.1 Escala de Avaliação da Qualidade de Vida (WHOQOL OLD) – ANEXO A 59 3.3.2 Escala de Avaliação da Qualidade de Vida (WHOQOL BREF) – ANEXO B ............................................................................................................................ 60 3.3.3 Escala de Percepção de Suporte Social (EPSS) – ANEXO C ....................... 60 3.3.4 Questionário sobre o uso de medicamentos (ANEXO D) ............................. 60 3.3.5 Questionário sociodemográfico (ANEXO E) ............................................... 62 3.4 PROCEDIMENTOS .......................................................................................... 62 3.5 TRATAMENTO DOS DADOS ......................................................................... 63 3.6 ASPECTOS ÉTICOS ........................................................................................ 64 4 DISCUSSÃO E RESULTADOS ............................................................................ 65 CONSIDERAÇÕES FINAIS .................................................................................. 113 REFERÊNCIAS ...................................................................................................... 116 ANEXO A - INSTRUMENTO WHOQOL-OLD .................................................. 132 ANEXO B – INSTRUMENTO WHOQOL BREF ................................................ 139 ANEXO C – ESCALA DE PERCEPÇÃO SUPORTE SOCIAL .......................... 146.
(15) 15. ANEXO D – QUESTIONÁRIO DE CONSUMO DE MEDICAMENTOS .......... 147 ANEXO E – QUESTIONÁRIO DADOS DEMOGRÁFICOS .............................. 148 ANEXO F- TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO ........ 149 ANEXO G – DECLARAÇÃO DE RESPONSABILIDADE DA PESQUISADORA ................................................................................................................................. 151 ANEXO H – AUTORIZAÇÃO PARA REALIZAÇÃO DA PESQUISA ............. 152 ANEXO I – PARECER DO COMITÊ DE ÉTICA DA UMESP .......................... 153.
(16) 16. INTRODUÇÃO Em termos de envelhecimento populacional mundial, milhares de anos foram necessários para que a humanidade atingisse um contingente de um bilhão de pessoas, o que, segundo Veras (2003), teria ocorrido aproximadamente no ano de 1830. A população envelheceu vertiginosamente, apresentando-se hoje, como um fenômeno, significando um crescimento mais elevado com relação ao crescimento dos demais grupos etários. Em 1930, o número de pessoas no planeta dobrou e em 1960, a população mundial chegou à casa dos três bilhões. Em quatorze anos, atingiu o número de quatro bilhões de habitantes, e o quinto bilhão foi constatado em 1987. Em 1999, doze anos apenas, alcançou-se o sexto bilhão de pessoas na face da Terra (VERAS, 2003). Ainda segundo Veras (2003), em relação ao século XX, essas alterações demográficas podem ser traduzidas como uma modificação e muitas vezes, como uma inversão das pirâmides etárias, refletindo o envelhecimento da população geral, colocando desafios para governos, famílias e comunidades nem sempre preparados para enfrentá-los. A preocupação essencial, frente aos desafios, sempre se apresentou como um envelhecimento associado à boa saúde, independência e autonomia dos indivíduos e nisso não apenas a cada pessoa, mas também à uma responsabilidade coletiva, significando desenvolvimento social e econômico para os países, entendendo o envelhecimento com qualidade na vida de cada um, e de todos em comum. O mundo passou a se preocupar com a questão do envelhecimento ao longo da vida, aliado às políticas de prevenção e promoção de saúde e autonomia, paralelamente, através de programas, incentivos e estudos científicos sobre, por exemplo, a prática regular de atividades físicas, alimentação saudável e acessível a todos, segurança e participação na vida social, como promotoras de regulação afetiva, além da preocupação efetiva com o aumento abusivo no consumo de substâncias psicoativas nocivas, como álcool, tabaco, psicotrópicos, medicamentos prescritos (polifarmácia) e suas interações nefastas, drogas ilícitas e aspectos indissociáveis ao envelhecimento saudável. Para Silva, Schmidt e Silva (2012), a polifarmácia em geriatria caracteriza-se quando o paciente consome cinco ou mais medicamentos, segundo critério utilizado pelo Centro IberoAmericano para a Terceira Idade. Envelhecer, mas com boa saúde e qualidade de vida, significa reduzir as incapacidades gerais de um indivíduo ou de uma coletividade, numa atitude de prevenção e recuperação global adequadas, envolvendo a comunidade, potencializando recursos.
(17) 17. existentes em cada grupo humano, e dinamizando ações cada vez mais próximas das pessoas, promovendo um envelhecimento mais saudável em vários aspectos, sendo os principais: saúde, educação, segurança social, trabalho e renda, aspectos econômicos e financeiros, justiça, planejamento urbano, habitação, transportes, turismo, novas tecnologias, cultura e preservação de valores existentes e peculiares de cada sociedade. O fenômeno do envelhecimento humano é multifatorial e pode ser entendido como um processo complexo de mudanças progressivas e complementares em toda estrutura biológica, psicológica e sociocultural dos indivíduos, que se inicia mesmo antes do nascimento e se desenvolve ao longo de toda vida, não devendo ser encarado como um problema, mas componente natural, normativo, esperado durante todo ciclo vital, sendo desejável que constitua uma oportunidade de viver de forma saudável e autônoma o maior tempo possível, tanto física como cognitivamente, implicando ações integradas por parte de profissionais da saúde envolvidos com esse processo, que acompanham o envelhecimento individual e demográfico, ajustam os ambientes às peculiaridades e fragilidades que podem acometer com o avanço da idade, minimizando custos, evitando dependências excessivas, humanizando cuidados e ajustando todos à diversidade que caracteriza esse processo (LIMA; SILVA; GALHARDONI, 2008). Numa perspectiva mundial, o envelhecer populacional representa um enorme desafio e responsabilidade, principalmente para os setores de saúde na área dos cuidados primários de cada país, na implementação de melhorias e estratégias adequadas de intervenção comunitária, respondendo adequadamente às exigências de quem envelhece, que não são poucas. Em relação ao número de pessoas idosas no mundo, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o envelhecimento populacional pode levar os indivíduos com 60 anos ou mais, a atingir uma estatística de um bilhão e duzentos milhões de seres humanos em todo o mundo no ano de 2015 (OMS, 2001). A OMS define o envelhecimento como “envelhecimento ativo” desde 1990, e o considera como um processo de vida moldado por diversos fatores, que favorecem a saúde, a participação social efetiva e a segurança dos idosos. Pode ser considerado um processo de otimização das oportunidades de saúde, participação e segurança, tendo como objetivo melhorar a qualidade de vida dos mais velhos (ORGANIZAÇÃO PAN-AMERICANA DE SAÚDE, 2005, p. 13). Para a OMS, o termo ativo se refere à participação dos idosos nas questões sociais, economicoculturais, espirituais e civis, e não somente à capacidade de estar fisicamente apto para a realização de atividades rotineiras e até mesmo, para as atividades do mundo.
(18) 18. do trabalho. Os grandes desafios do século XXI são justamente a conquista da qualidade de vida na velhice e a busca incessante do envelhecimento de forma saudável e para se manterem ativos, com independência e saúde, faz-se necessário que as políticas públicas mundiais desenvolvam programas educativos nas escolas e universidades, focando a questão do envelhecimento, pois as pessoas envelhecem em comunidades, em sociedades, sendo ainda de fundamental importância incluir as novas gerações na preparação para a velhice, num processo de interdependência e solidariedade, princípios fundamentais para o citado envelhecimento ativo. A abordagem do envelhecimento ativo, estabelecida pela Organização Mundial da Saúde, baseia-se no reconhecimento dos direitos das pessoas idosas e nos princípios de. independência,. participação,. dignidade,. assistência. e. auto. realização. (ORGANIZAÇÃO PAN-AMERICANA DE SAÚDE, 2005, p. 14), além de apoiar a responsabilidade, em contrapartida, dos idosos no exercício dessa participação nos processos políticos e em outros aspectos da vida em comunidade. Com relação ao estabelecimento de uma agenda de políticas públicas para a população idosa, segundo Camarano e Pasinato (2004), considera-se como marco inicial a 1ª Assembleia Mundial sobre o Envelhecimento ocorrida em Viena, no ano de 1982, sendo o primeiro fórum global entre os governos centrado especificamente nas questões do envelhecimento populacional, resultando na aprovação de um plano globalizado de ações, além de ter sido um grande avanço, pois até então o envelhecimento não era assunto de nenhuma agência especializada na ONU. Segundo as autoras, as questões eram tratadas de forma superficial, tanto pela Organização Internacional do Trabalho (OIT), tanto quanto pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e pela Organização para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO). O plano então teve como referência a Conferência dos Direitos Humanos realizada em 1968, em Teerã (capital e principal cidade da República Islâmica do Irã (antiga Pérsia), localizada no Oriente Médio, onde se admitiu que os idosos, devido às condições de vulnerabilidade social, poderiam estar mais expostos e sofrerem mais as consequências do colonialismo, apartheid, neocolonialismo e racismo, ou seja, situações de conflitos e resultado de tendências demográficas delimitadas no plano global, marcado então pelas tensões da Guerra Fria. Vale ressaltar, que este Plano Internacional de Ação, adotado na 1ª Assembleia Mundial, foi estruturado no formato de 66 recomendações para os estados membros, referentes à sete áreas, a saber: saúde e nutrição, proteção ao consumidor idoso, moradia.
(19) 19. e meio ambiente, família, bem-estar social, previdência social, trabalho e educação. Em tempo, a preocupação com as implicações do envelhecimento populacional e suas consequências existiam, mas não eram expressas. De acordo com Alves (1995), (apud CAMARANO; PASINATO, 2004), temas sociais não ocupavam o mesmo status dos planos econômicos e políticos dentro dos diálogos da ONU, muito menos as questões dos direitos humanos como um todo. Ainda segundo Camarano e Pasinato (2004), existe outro documento, Averting the Old Age Crisis: Policies to Protect the Old and Promote the Growth - Evitando as crises da idade avançada: Políticas para a Proteção do Idoso e promoção do crescimento, Banco Mundial (1994), com a finalidade de ressaltar as consequências e os impactos deste crescimento da população idosa, em especial, sobre as políticas públicas: O mundo está se aproximando de uma crise do envelhecimento. Como a esperança de vida aumenta e as taxas de natalidade diminuem, a proporção da população idosa está se expandindo rapidamente, aumentando o peso econômico sobre a população jovem. (CAMARANO; PASINATO, 2004, p. 256).. Ainda no âmbito da ONU, a Assembleia Geral de 1991 adotou 18 princípios que favoreciam a população idosa, em especial, agrupados em 5 grandes temas, a saber: independência, participação, cuidados, autorrealização e dignidade, ou seja, esses temas podem ser considerados dentro dos princípios de acessos aos direitos básicos de todo e qualquer ser humano: alimentação, habitação, saúde, trabalho e educação. Mais uma vez, vale lembrar a importância do ambiente no qual o idoso está inserido, pois essa integração social é condição para a garantia da independência e autonomia dos mesmos, onde compartilham seus conhecimentos, habilidades, socializando com as gerações mais jovens, sendo no convívio familiar ou institucional. Para Camarano e Pasinato (2004), as questões de auto realização dizem respeito à possibilidade dos idosos fazerem usos das oportunidades para desenvolverem seus potenciais, principalmente no acesso aos recursos educacionais, culturais, espirituais e recreativos, e talvez o mais importante neste âmbito, a questão da dignidade que assegure ao idoso a possibilidade de levarem uma vida digna e segura, livre de toda e qualquer exploração e, também, as questões de violência e maus tratos. No ano de 1992, na Assembleia Geral da ONU, foi aprovado a Proclamação sobre o Envelhecimento que definiu o ano de 1999 como o Ano Internacional dos Idosos, definindo também, os parâmetros para o início dos trabalhos oficiais sobre as questões.
(20) 20. pertinentes ao envelhecimento humano. Adotou-se, então, um slogan: sociedade para todas as idades, como medida de promoção. Em 1995, elaborou-se o marco conceitual – Documento 5014 da ONU, contando com 4 principais dimensões para a análise desse slogan: a observação da situação dos idosos, o desenvolvimento continuado de cada indivíduo em particular, as relações multigeracionais e a interrelação entre envelhecimento e desenvolvimento individual, considerando assim, os idosos em outros fóruns da ONU, como nas conferências mundiais sobre meio ambiente, discussões sobre gêneros e debates sobre aspectos sociais (CAMARANO; PASINATO, 2004). Ainda no contexto das Assembleias na ONU, a 2ª Assembleia Mundial sobre o Envelhecimento (Abril de 2002), definiu as diretrizes que orientarão as políticas públicas relativas à população idosa para o século XXI, oferecendo propostas baseadas em uma nova ideia de velhice e envelhecimento, resultante na mudança de conceito, em torno do envelhecimento produtivo, e não mais de idosos que sobrecarregam a sociedade pela condição de não-produção, exclusão ou incapacidades, incluindo essa população nos planos de inclusão e participação social com maior efetividade. Sendo assim, o Plano de Ação Internacional prevê a capacitação destas pessoas, visando ainda, sua inclusão nos trabalhos voluntários ou assalariados e remunerados (ONU, 2002b). Em relação ao contexto brasileiro, em 1940, no primeiro censo realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o número de pessoas idosas no Brasil representava 4,1%, e o censo demográfico de 2000 revelou que esse grupo passou à representatividade de 8,6% do total da população brasileira. Esse senso de 2000 revelou que, em 1950 havia cerca de 204 milhões de idosos no mundo, e em 1998 - quase cinco décadas depois - este contingente alcançava 579 milhões de pessoas, um crescimento de quase 8 milhões de pessoas idosas por ano. Essas projeções indicam que, em 2050, a população idosa será um montante equivalente à população infantil de 0 a 14 anos de idade. Vale reafirmar, que no Brasil é considerada idosa a pessoa com 60 anos ou mais (Lei 8842/94 e 10741/03), seguindo-se ainda, os padrões da Organização Mundial de Saúde (OMS), citado por Rosa, Keinert e Louvison (2009), que a velhice deve ser entendida como um conjunto de especificidades físicas, psicológicas e socioculturais, com características próprias, não devendo ser entendida como um todo. Faz-se necessária a categorização em faixas etárias, como mostra o Gráfico 1, a seguir:.
(21) 21. Gráfico 1 - Distribuição Etária da População por Sexo, segundo os Grupos de Idade – Brasil 2010. Fonte: Instituto Nacional de Geografia e Estatística (IBGE). Sinopse do censo demográfico 2010. Disponível em: <http://www.ibge.com.br/home/estatistica/populacao/> Acesso em: 3 jul. 2013.. De acordo com o Gráfico 1, a diminuição das taxas de fecundidade e de natalidade pode ser observada a partir da análise da composição etária da população brasileira. O estreitamento significativo ocorrido na base da pirâmide aponta para a redução do contingente das crianças e adolescentes de até 19 anos de idade. Enquanto, em 1999, a proporção desse grupo na população total era de 40,1%, em 2009, esta participação diminui para 32,8%. Outro ponto que merece ser destacado, refere-se ao considerável incremento da população idosa de 70 anos ou mais de idade. Em 1999, a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) apontava para um total de 6,4 milhões de pessoas nessa faixa etária (3,9% da população total), enquanto para 2009 a população atingiu um efetivo de 9,7 milhões de idosos, correspondendo a 5,1 %. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE, 2010), a redução da população de crianças e jovens, e o consequente aumento da população de adultos e idosos, está associado a queda dos níveis de fecundidade e aumento da esperança de vida..
(22) 22. A título de ilustração, em 2010, o número de pessoas brasileiras idosas passou a ser de 20.590.599 (10,79%) da população, sendo que na Região Sul, essa porcentagem é de 12%; e em Santa Catarina, 10,51%. Na capital, Florianópolis, é de 11,40 %, e na maior cidade do Estado, em Joinville, 8,81% são idosos (IBGE, 2010a). Segundo Louvison e Barros (2009), no Brasil, a Política Nacional do Idoso foi promulgada em 1994 e regulamentada em 1996, através da Lei n. 8.842/94 e Decreto n. 1.948/96, que garante direitos sociais aos idosos, definido, então, como a pessoa que tem 60 anos ou mais de idade, e em 2003, o Estatuto do Idoso, através da Lei n. 1.0741/2003, reafirmou os direitos dos idosos na área da Saúde, proibindo a discriminação do mesmo nos planos de saúde, via cobrança de valores diferenciados em razão da idade e procurando assegurar a atenção integral à saúde, por intermédio do Sistema Único de Saúde (SUS). A Política Nacional do Idoso apresenta como finalidade garantir os direitos sociais de todas as pessoas idosas no país, além de criar condições visando a promoção de sua cidadania, integração e participação efetiva na vida social. Ela agrega responsabilidades que devem ser partilhadas pelo Estado, família, sociedade civil, órgãos públicos, ministério público, além das instituições sociais, retomando o estabelecido na Constituição Federal - compete à família, à sociedade e ao Estado o dever de assegurar ao idoso todos os direitos de cidadania, garantindo sua participação na comunidade, defendendo sua dignidade, bem-estar e o direito à vida; afirmando que não deve sofrer discriminação de qualquer natureza, e que o idoso deve ser o principal agente e o destinatário das transformações a serem efetivadas através desta política, reconhecendo, então, ao mesmo o papel de agente ativo na condução da própria vida (ROSA; KEINERT; LOUVISON, 2009). Enquanto na maioria dos países desenvolvidos o envelhecimento populacional ocorreu em um cenário socioeconômico aparentemente favorável, permitindo a expansão dos seus sistemas de proteção social, nos países em desenvolvimento e, especificamente, no caso brasileiro, o acelerado processo de envelhecimento está ocorrendo em meio a uma conjuntura recessiva e a uma crise fiscal que dificultam a expansão do sistema de proteção social para todos os grupos etários e, em particular, para os idosos (ARANÍBAR, 2001). Segundo Araníbar (2001), no Brasil, como em outros países em desenvolvimento, a questão do envelhecimento populacional está somada a uma ampla lista de questões.
(23) 23. sociais ainda em fase de resolução, tais como pobreza, exclusão, e altos índices de desigualdade, e essa realidade é visível em todas as faixas etárias. No ano de 2002, foi proposta a organização e a implantação de Redes Estaduais de Assistência à Saúde do Idoso (Portaria nº 702/SAS/MS, de 2002), apresentando como base as condições de gestão e a divisão de responsabilidades definida pela Norma Operacional de Assistência à Saúde (NOAS), e, como parte integrante de operacionalização das redes, foram criadas as normas para cadastramento de Centros de Referência em Atenção à Saúde do Idoso (Portaria nº 249/SAS/MS, de 2002). Nela o Artigo 2º desta política PNSI (2006) determina que os órgãos e entidades do Ministério da Saúde, em que as suas ações se relacionem com o objeto desta, voltadas logicamente ao público idoso, “promovam a elaboração ou a readequação de seus programas, projetos e atividades em conformidade com as diretrizes e responsabilidades nela estabelecidas”. Lebrão e Duarte (2003), através de estudos populacionais, como o estudo: Saúde, Bem Estar e Envelhecimento (SABE) e outros (RAMOS, et al, 1993), demonstram que os idosos apresentam baixo nível socioeconômico e educacional, além de uma alta prevalência de doenças crônicas, origem das limitações funcionais e de incapacidades, sendo que aproximadamente 80% apresenta pelo menos uma enfermidade crônica, e salientam que a hipertensão arterial é a mais prevalente, atingindo mais da metade desta população e impactando num crescente aumento da demanda e utilização de serviços de saúde, principalmente os serviços hospitalares. No Brasil, a outorga aos idosos de direito à liberdade, à dignidade, à integridade, à educação, à saúde, a um meio ambiente de qualidade, entre outros direitos fundamentais (individuais, sociais, difusos e coletivos), ganha instrumentos legais para a sua efetivação com a promulgação, em 2003, da lei do Estatuto do Idoso. O Estatuto do Idoso (EI) - Lei nº 10.741, de 1.º de Outubro de 2003 - Brasil (2003), foi elaborada justamente visando o fortalecimento e implementação de uma lei já existente - a Política Nacional do Idoso. (PNI, 1994). Ressalta-se que especificamente no campo da Saúde, a concepção do envelhecimento entendida como um desenvolvimento natural ao longo da vida e o envelhecer está atrelada, tanto a questões socioculturais e ambientais, do que propriamente apenas aos fatores genéticos. Estudos norte-americanos e europeus seguem essa linha de pensamento, corroborando a ideia central que grupos de pessoas sem incapacidades e com alto nível de funcionalidade até idades bastante avançadas, sugerem.
(24) 24. que os declínios na função dos órgãos não são necessariamente uma parte inerente do envelhecimento (ROSA; KEINERT; LOUVISON, 2009). No Brasil, a população idosa é o grupo etário onde se verifica maior crescimento, e dados do censo de 2004, revelam que as maiores concentrações de idosos são apresentadas nas regiões Sul e Sudeste, respectivamente, as quais mostram em contrapartida as taxas de fecundidade mais baixas do país (IBGE, 2008). Para Ramos (1993), é um dos países que envelhecem rapidamente. As alterações na estrutura populacional são claras, pois no início do século XX, um brasileiro vivia em média 33 anos, ao passo que hoje a expectativa de vida dos brasileiros atinge os 68 anos. Berquó (2006), salienta que o envelhecimento da população é um fenômeno mundial e para a ONU, em seu último relatório “Previsões sobre a população mundial”, elaborado pelo Departamento de Assuntos Econômicos e Sociais, nos próximos anos o número de pessoas com mais de 60 anos de idade será três vezes maior do que o atual, representando assim um quarto da população mundial. Em 2050, a expectativa de vida nos países desenvolvidos será de 87,5 anos para os homens e 92,5 para as mulheres (contra 70,6 e 78,4 anos em 1998), e nos países em desenvolvimento, como o Brasil, será de 82 anos para homens e 86 para mulheres, ou seja, 21 anos a mais do que os 62,1 e 65,2 atuais, sendo que o fenômeno do envelhecimento populacional está diretamente ligado à redução nas taxas de fecundidade e mortalidade, ocasionando novos desafios para a sociedade como um todo, devido a profundas mudanças sociais, urbanas e familiares, produzindo impacto direto nos serviços de saúde e também nos serviços educacionais. O Ministério da Saúde Brasileiro, por sua vez, no ano de 2006, através da Portaria nº 2.528, criou a Política Nacional de Saúde da Pessoa Idosa (PNSI), revisando e atualizando a Política Nacional de Saúde do Idoso, que assegurava direitos sociais, criava condições de promover sua autonomia, integração e participação efetiva na sociedade e reafirmando o direito à saúde nos diversos níveis de atendimento do SUS (Lei nº 8.842/94 e Decreto nº 1.948/96). (ROSA; KEINERT; LOUVISON, 2009). Trazendo à realidade do Estado de São Paulo, no ano de 2007, a Secretaria de Estado da Saúde, em seu Plano Estadual de Saúde, em concordância à visão da Organização Pan Americana da Saúde (OPAS) e do Ministério da Saúde, também focaliza a questão do chamado envelhecimento ativo, a rede de atenção e a educação permanente como eixos que estruturam as políticas de saúde dos idosos. Paralelamente, no governo desse Estado, foi criado um Plano Estadual para a Pessoa Idosa, objetivando a.
(25) 25. possibilidade de incentivos no cumprimento do Estatuto do Idoso, então denominado “FUTURIDADE”. O “Futuridade”, sob a coordenadoria a Secretaria Estadual de Assistência e Desenvolvimento Social, este Plano, também dentro da visão do Envelhecimento Ativo, é estruturado sobre dois pilares básicos: educação (mudança cultural com a inclusão do tema do envelhecimento na rede de ensino) e formação de Redes de Atenção à Pessoa Idosa. É nesse contexto que o presente estudo se desenvolveu, em específico no município de São Caetano do Sul, Estado de São Paulo, município integrante do ABC Paulista, que por sua vez lidera o ranking das cidades mais desenvolvidas do Brasil. De acordo com o Atlas do Desenvolvimento Humano no Brasil (2013), divulgado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) Brasil, esse município apresenta o maior Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM), entre os 5.565 municípios pesquisados em 2010. Segundo o PNDU, que avalia anualmente os avanços das políticas públicas, econômicos, sociais e culturais dos países, que por sua vez, influenciam na qualidade de vida humana de sua população, esse município oferece programas e políticas públicas gratuitos aos idosos residentes na comunidade, objetivando reinserção no mercado de trabalho, educação e promoção de saúde, lazer e qualidade de vida (ATLAS BRASIL, 2013 - Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento), ressaltando que, essa foi a terceira edição do IDHM e também, a terceira vez que São Caetano do Sul apareceu em primeiro colocado. Segundo levantamento da biblioteca do IBGE, a história oficial deste município teve início com os trabalhos dos frades beneditinos radicados no Brasil, ordem religiosa pertencente à Igreja Católica Romana, que fundaram a Fazenda de São Caetano, nas terras de Tijucuçu. A partir de 1631, duas personalidades participaram da formação patrimonial de São Caetano do Sul: o capitão Duarte Machado e sua esposa, que doaram à Ordem de São Bento, em São Paulo, as terras de Tijucuçu, e o bandeirante, Fernão Dias Paes Leme, que, em 1671, doou quinhentas braças de terra aos frades beneditinos, enriquecendo o referido patrimônio. Formou-se assim a Fazenda São Caetano, cuja denominação é uma homenagem ao Santo da Divina Providência, muito cultuado pela ordem religiosa dos beneditinos. Até 1764, os frades administraram a fazenda, na qual construíram o marco da cidade que ali se instalaria, construindo como marco principal, uma pequena capela. Mais tarde, com a chegada dos imigrantes italianos, em 1877, a capela deu origem à paróquia São Caetano..
(26) 26. A partir desta data, Portugal ficou sob o jugo do Marquês de Pombal e as atividades dos beneditinos foram proibidas no Brasil. Desse modo, as terras foram sendo abandonadas aos poucos. Em relação à formação administrativa do município, o distrito foi criado com a denominação de São Caetano, pela Lei Estadual n.º 1.512, de 04-12-1916, subordinado ao município de São Bernardo. Nos quadros de apuração do recenseamento geral de 1IX-1920, o distrito de São Caetano figura, ainda, no município de São Bernardo. Assim permanecendo em divisões territoriais datadas de 31-XII-1926 e 31-XII-1937. Pelo Decreto-lei Estadual n.º 9.775, de 30-11-1938, é extinto o distrito de São Caetano, sendo. seu. território. anexado. ao. novo. município. de. Santo. André.. Elevado à categoria de município e distrito com denominação de São Caetano do Sul, pela Lei Estadual n.º 233, de 24-11-1948, desmembrado do município de Santo André. Atualmente, o município possui 157.205 habitantes, segundo estimativa de população do IBGE para o ano de 2014. Cabe aqui explicitar, que foi elevado à categoria de município no ano de 1948, e que anteriormente, seu nome era apenas São Caetano. Neste ano, foi acrescentado ao nome a partícula “do sul”, para diferenciá-lo de outro município pertencente ao Estado de Pernambuco, nordeste brasileiro, denominado São Caitano. Em relação especial ao público idoso, chama atenção o fato deste município contar com a criação de uma coordenadoria específica de atendimento aos idosos Coordenadoria Municipal da Terceira Idade (COMTID), voltada ao planejamento e monitoramento das ações de assistência e promoção de saúde desta população. Essas ações são prestadas em quatro Centros Integrados de Saúde e Educação da Terceira idade (CISE), sendo que, na área educacional, tem parceria com a Universidade municipal local, onde se coletaram os dados do presente trabalho (FERREIRA, 2012). Foi nesse ambiente que o trabalho se desenvolveu, tendo como pano de fundo a prática profissional da mestranda, enquanto coordenadora de um programa de educação continuada para adultos e idosos, em outro município do Estado de São Paulo. Constatou a importância, que a percepção favorável do suporte oferecido pelo grupo social, tem no desenvolvimento emocional positivo, proporcionado pela interação entre as pessoas de idades e dificuldades semelhantes, ao participarem das atividades preestabelecidas pelas diretrizes do programa educacional. Nessa prática profissional, a percepção de que as mulheres idosas procuram ou são incentivadas pela família a se matricularem, pode ser maior do que a participação de.
(27) 27. homens nas atividades, embora existam alunos do gênero masculino. Nos relatos da maioria, a busca pela amizade, companhia, distração e preenchimento do tempo com algo além de ficar em casa, ou apenas se preocupando com as enfermidades. Dividir, durante algumas horas, seus problemas e perceberem que existem mulheres em situações semelhantes, ou muitas vezes, menos favoráveis, pode trazer às idosas um sentimento de pertencimento, de bem-estar e autocompreensão. Sendo assim, o desenho desse estudo foi baseado em um método quantitativo, de corte transversal, e descritivo, sobre a possível relação entre a percepção subjetiva de qualidade de vida, suporte social e uso de medicamentos, de mulheres idosas matriculadas em um programa de educação para idosos. O embasamento teórico está sob os pressupostos da Psicologia do Desenvolvimento Humano, pensando sempre o desenvolvimento ao longo da vida (lifespan), e não apenas estratificado em faixas etárias e desenvolvimentais, e também, dos aspectos da psicologia positiva, entendendo que a velhice não é apenas uma fase de perdas, esquecimentos e acúmulo de enfermidades, mas que pode comportar potencialidades, ajustamentos e adaptações, buscando envelhecer com qualidade e possível redução dos danos. Dentro do contexto, então, da velhice, fez-se necessário caracterizar algumas diferenças que envolvem o envelhecer entre gêneros, já que as mulheres apresentam características e particularidades físicas, emocionais, e socioculturais específicas, cabendo em alguns trabalhos acadêmicos e científicos, a importância de se caracterizar e especificar a população a ser estudada. Na sequência, foram levantados alguns estudos científicos que abordam a questão da qualidade de vida, e a percepção subjetiva que os idosos tem dessa qualidade, e ainda, os estudos relacionados à percepção do suporte social, e do consumo de medicamentos na velhice. Ao final de fundamentação teórica, apontam-se os objetivos desse trabalho, e a descrição minuciosa do método escolhido para melhor descrever a amostra. Os resultados dos achados estão descritos na íntegra, bem como as discussões, baseadas em trabalhos semelhantes, nacionais e internacionais, amparados pela teoria lifespan e psicologia positiva, bem como sempre comparados ao perfil dos idosos e idosas brasileiras, através dos levantamentos do IBGE, bem como de outros órgãos governamentais, como a ONU e OMS, finalizando o trabalho com algumas considerações finais, pois no caso não se aplicam conclusões, por se tratar de um estudo descritivo, sem a intenção de fechar os questionamentos sobre o envelhecimento feminino, mas,.
(28) 28. sobretudo, de levantar questões para a melhoria dos futuros trabalhos com mulheres que envelhecem..
(29) 29. 1 ENQUADRAMENTO TEÓRICO. 1.1 ENVELHECIMENTO FEMININO No processo de compreensão do envelhecimento humano e de como a promoção de saúde se faz presente na realidade da população que envelhece, no âmbito mundial, percebe-se que não foi apenas a longevidade que aumentou, mas sim, a expectativa de vida. Um maior número de pessoas vive mais que antigamente, chegando cada vez mais perto do tempo máximo de vida, e ainda, deve-se levar em conta que essa expectativa varia de acordo com a época e a localidade da vivência. O envelhecimento humano é um processo contínuo desde o nascimento. A velhice, por sua vez, é uma das etapas da vida de uma pessoa, faz parte do processo como um todo, independente do gênero. Homens e mulheres vivenciam, quando possível, a fase da velhice, entretanto, não a experienciam da mesma forma. Esclarecendo essa questão diferencial de gênero, segundo a OMS (2005), existe um contingente populacional maior de mulheres na população que envelhece, e elas vivem mais que os homens. Este fato é constatado em quase todos os lugares do mundo, por exemplo: na Europa, em 2002, havia 678 homens para cada 1000 mulheres com 60 anos ou mais. E em regiões menos desenvolvidas, havia 879 homens para cada 1000 mulheres. As mulheres correspondem a, aproximadamente, dois terços da população acima de 75 anos em países como o Brasil e África do Sul. Apresentam vantagem na longevidade, mas em compensação, são vítimas mais frequentes da violência doméstica, e de discriminação quanto ao acesso educacional, salarial, alimentício, trabalho remunerado, assistência à saúde, direito a heranças, seguro social e poder político. Tendem a ser mais pobres que os homens, e a apresentarem mais deficiências em idades mais avançadas, caracterizando-se, muitas vezes, como cidadãs de segunda classe, sendo sua saúde mais negligenciada ou até mesmo ignorada. Além do fato de muitas possuírem pouca ou nenhuma renda devido aos anos de trabalho não remunerados, e sem direito à aposentadoria, tendem a viver mais que os homens quando em idades mais avançadas, mesmo sendo suas deficiências e outros múltiplos problemas de saúde mais comuns. Com 80 anos ou mais, a média mundial, ainda segundo a OMS (2005), é de 600 homens idosos para cada 1000 mulheres idosas. Por exemplo, no Japão, considerado um.
(30) 30. país economicamente e socialmente desenvolvido, as mulheres representam mais que o dobro do número de homens, na faixa etária dos 80 anos. O número de viúvas idosas também é maior, em relação ao número de viúvos idosos, pois a tendência dos homens casarem com mulheres mais jovens e contraírem novo matrimônio, em caso de falecimento das primeiras esposas é significativamente maior do que o de mulheres nesta mesma situação. Por exemplo, para Botev (1999) nos países do leste europeu em fase de transição econômica, mais de 70% das mulheres com idade de 70 anos ou mais são viúvas, sem falar no número de idosas vivendo sozinhas, sendo mais vulneráveis à pobreza e isolamento social. Para o autor, conforme a cultura, atitudes em relação à herança podem privar as viúvas de suas propriedades e posses, sua saúde e independência e até mesmo suas vidas. Percebe-se, através de fatos observáveis, que existe um processo a parte dentro do processo do envelhecimento humano, chamado de feminização da velhice. A população mais idosa, ou seja, de 80 anos ou mais, está aumentando rapidamente, trazendo novas demandas e desafios às políticas públicas em uma sociedade que hoje se concentra nas grandes metrópoles e com agregados familiares e modos de vida pouco continentes às demandas familiares (LEBRÃO; DUARTE, 2003). A mulher, sob a influência das mudanças sociais que ocorreram a partir da década de 1960, alterou seu comportamento com consequências no mercado de trabalho, no nível educacional e no casamento. A fecundidade passou a integrar os direitos individuais, com a assimilação dos métodos anticoncepcionais opcionais. No século XXI, a mulher tem a metade dos filhos que a geração de sua mãe. Mas não só. A medicina preventiva e programas voltados para a qualidade de vida contribuem para ampliar a longevidade. Sem falar nas baixas taxas de mortalidade infantil ou prematura que aumentam a esperança de vida, devido a nutrição adequada, ampliação do saneamento básico e tratamento de água ou pelo uso de vacinas e antibióticos. Neri (2001) alerta e ressalta a necessidade das pesquisas se voltarem para a compreensão dos aspectos psicológicos da velhice feminina, e não apenas para os processos de diferenciação das estatísticas de gênero, como reconhece a OMS quando diz que o gênero e suas diferenciações são determinantes transversais para os processos de envelhecimento humano, na medida que vem determinar quais valores e atitudes as sociedades darão aos homens e mulheres componentes da estrutura social, compreendendo a velhice feminina somente em questões epidemiológicas, mostrando a.
(31) 31. longevidade da mulher somente em termos de desvantagens para os sistemas de saúde e previdenciários. Ainda segundo Neri (2007), o campo em que ocorre essa feminização não significa apenas aumento do número de mulheres na população idosa, e para Camarano (1999), estudos epidemiológicos mostram que a maior longevidade delas significa mais risco do que vantagens, uma vez que são física e socialmente mais frágeis que os homens, e a feminização da velhice é vista principalmente como problema médico-social. Os idosos, de modo geral, e as idosas em particular são objeto de um discurso ambíguo das instituições sociais e do Estado brasileiro, que ora os protege, ora os apontam como causadores dos males que afligem os sistemas públicos de saúde e de previdência. A diferenciação de gêneros pode promover desigualdades estruturais e socioeconômicas, e em muitas situações pode alterar as condições de sobrevivência, envolvendo os aspectos da saúde, renda e dinâmica das famílias, e como citado acima, pode impactar nas demandas públicas e de prestação de serviços de proteção social por parte das autoridades governamentais. Entretanto, o fato da longevidade requer que se pense em qualidade de vida, pois viver mais não significa necessariamente viver bem ou melhor. Neste ponto, as mulheres são afetadas, pois acumulam, no decorrer da vida, desvantagens em relação à violência, discriminação social, salários inferiores aos dos homens, dupla jornada quando ainda residem com algum familiar, tendo inclusive maior probabilidade de serem mais pobres do que os homens e dependendo assim de mais recursos externos. No Brasil, as mulheres vivem em média, oito anos a mais do que os homens, e isso pode ser atribuído a alguns aspectos, a saber: fatores biológicos, como a proteção hormonal de estrógeno, e à diferença de exposição aos fatores de risco de mortalidade, a qual os homens estão mais expostos; a inserção diferenciada no mercado de trabalho; o uso e/ou abuso de tabaco e álcool, e também a diferença de atitude em relação à saúde e à doença, considerando que a mulher busca mais os serviços de saúde, o que mostra maior preocupação com autocuidado. (MOURA e col, 2010; SALGADO, 2002). É importante a observação dos achados acima através da ótica de gênero, pois segundo dados do IBGE (2011) constata-se um aumento da população idosa feminina, num processo de feminização da velhice, ou seja, quanto mais a população envelhece, mais feminina ela se torna e as mulheres nesse contexto representam 55,5% da população idosa no Brasil e 61% do contingente de idosos acima de 80 anos. Isso significa dizer que elas vivem em média 8 anos a mais que os homens nas mesmas faixas etárias, e dentre os.
(32) 32. fatores que favorecem essa ocorrência estão as mortes violentas (assassinatos e acidentes), pois as vítimas são na maioria das vezes homens (90% dos casos) e o acompanhamento médico contínuo é mais observado nas mulheres ao longo de sua existência. (BANDEIRA; MELO; PINHEIRO, 2010). Para De Mello Moreira (2014), as mudanças ocorridas na estrutura demográfica, em especial no Brasil, derivadas da ampla queda da fecundidade humana, resultam em um processo de envelhecimento populacional ocorrendo a uma velocidade que não tem correspondência na história da maioria dos países já envelhecidos, implicando socialmente de forma significativa. Em função, principalmente dos diferenciais da mortalidade por sexo, o envelhecimento assume maior dimensão entre as mulheres. Para Debert (1994) a velhice é uma etapa da vida com experiências coletivas, mas diferentes para homens e mulheres, não somente no tocante ao fato das mulheres serem em maior número que os homens, mas em especial aos novos arranjos familiares, com o retorno de filhos divorciados aos lares paternos, auxílio aos netos, arrimos de família, bem como a realidade conjugal diferenciada para ambos, ou seja, as mulheres idosas vivem, em sua maioria, sem a presença de um novo companheiro ao longo da velhice, ao contrário dos homens (BERQUO, 1986; ALVES; NOGUEIRA, 2014). Camarano (2003), em seus trabalhos, problematiza a consequência da viuvez para a mulher em idades mais avançadas, pois pode representar tanto tragédia quanto libertação. A morte do cônjuge pode causar profunda depressão, gerando inclusive adoecimento, ou oportunidade de viver a liberdade até então nunca experimentada por essas mulheres. Segundo Alves e Nogueira (2014), a Organização das Nações Unidas (ONU) estima, para o ano de 2040, um número de 23,99 milhões de homens e 30,19 milhões de mulheres, ou seja, uma diferença significativa de 6,2 milhões de mulheres, em relação à população idosa masculina, crescendo ainda, o excedente de mulheres em cada grupo etário. Os autores ainda ressaltam, que até o ano 2000, as mulheres idosas, portanto, as nascidas antes de 1940, apresentavam níveis educacionais menores que os homens, refletindo discriminação de gênero perpetuada na educação formal brasileira do século XX. Mas, o novo contingente de idosas com mais de 60 anos, hoje se apresenta com maior escolaridade que os homens, ou seja, as mulheres tem contribuído com o aumento no nível educacional do país, desafiando o Brasil à criação de espaços de convivência, com a finalidade de motivar essas mulheres ao convívio social, evitando o isolamento e.
(33) 33. fortalecendo sua autoestima, e consequente autonomia, podendo inclusive, transmutarem sabedoria e experiências de vida para as demais gerações, agregando a isso a tão esperada e almejada qualidade de vida na velhice. Corroborando com a estatística, De Lima e Bueno (2009), também afirmam em suas pesquisas que a tão esperada longevidade aumentou nos últimos anos, e os idosos com mais de 70 anos são maioria, e com eles, também o aumento do número de pessoas apresentando doenças crônico-degenerativas e suas tão temidas complicações, muitas vezes, tão ou mais indesejáveis que a própria enfermidade. Isto acarreta problemas graves ao Sistema único de Saúde brasileiro, que não está preparado totalmente para dar suporte aos mais velhos. Para as autoras, mesmo o período da velhice sendo universal, também carrega em si um forte componente de gênero (55% dos idosos brasileiros são mulheres). As mulheres, por sua vez, apresentam características que as tornam vulneráveis, e apesar de viverem mais, estão mais sujeitas às doenças, maiores problemas relacionados à adaptação das mudanças fisiológicas decorrentes da idade.. 1.2 QUALIDADE DE VIDA O interesse na qualidade de vida dos indivíduos sempre existiu, pois, a sociedade, de certa forma, sempre procurou se organizar de modo a facilitar a vida das comunidades, desde tempos imemoriais. Entretanto, a sedimentação do conceito, com estruturação sistemática e científica é relativamente recente, tornando-se popular no final da década de 1950, pelos sociólogos que procuravam discutir assuntos referentes à poluição ambiental, e principalmente, condições de deterioração da vida urbana. A ciência, nessa época, passou a se preocupar com o bem-estar das pessoas vivendo em grandes centros, e se preocupar com as consequências, até então não compreendidas, da crescente industrialização. Mensurar essa realidade passou a fazer parte de estruturas científicas, através da coleta de dados objetivos, que até então, eram veiculados em publicações não acadêmicas. Visando a melhoria dos indicadores sociais, em meados dos anos 70 e início dos anos 80, o termo começou a ser definido como um conceito que englobava todas as áreas da vida do indivíduo e sua comunidade, tornando-se um constructo multidimensional. Falar em multidimensionalidade é especificar as múltiplas dimensões da vida humana, tanto individual, quanto em sua relação com a comunidade, levando-se em consideração.
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