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Avaliação do efeito citotóxico e apoptótico induzido pela ação dos venenos do gênero Bothrops e Tityus em linhagens de carcinoma cervical transformadas por papilomavírus humano

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Academic year: 2021

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(1)UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO NORTE CENTRO DE CIÊNCIAS DA SAÚDE DEPARTAMENTO DE ANÁLISES CLÍNICAS E TOXICOLÓGICAS PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM CIÊNCIAS FARMACÊUTICAS. EMANUELLY BERNARDES DE OLIVEIRA DA SILVA. AVALIAÇÃO DO EFEITO CITOTÓXICO E APOPTÓTICO INDUZIDO PELA AÇÃO DOS VENENOS DO GÊNERO BOTHROPS E TITYUS EM LINHAGENS DE CARCINOMA CERVICAL TRANSFORMADAS POR PAPILOMAVÍRUS HUMANO. NATAL, RN 2015.

(2) EMANUELLY BERNARDES DE OLIVEIRA DA SILVA. AVALIAÇÃO DO EFEITO CITOTÓXICO E APOPTÓTICO INDUZIDO PELA AÇÃO DOS VENENOS DO GÊNERO BOTHROPS E TITYUS EM LINHAGENS DE CARCINOMA CERVICAL TRANSFORMADAS POR PAPILOMAVÍRUS HUMANO. Dissertação apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Ciências Farmacêuticas, como parte dos requisitos para obtenção do título de Mestre. Orientadora: Prof.ª Dr.ª Janaina Cristiana de Oliveira Crispim Freitas. Coorientador: Prof. Dr. Kleber Juvenal Silva Farias.. NATAL, RN 2015.

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(4) EMANUELLY BERNARDES DE OLIVEIRA DA SILVA. AVALIAÇÃO DO EFEITO CITOTÓXICO E APOPTÓTICO INDUZIDO PELA AÇÃO DOS VENENOS DO GÊNERO BOTHROPS E TITYUS EM LINHAGENS DE CARCINOMA CERVICAL TRANSFORMADAS POR PAPILOMAVÍRUS HUMANO. Dissertação apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Ciências Farmacêuticas, como parte dos requisitos para obtenção do título de Mestre.. BANCA EXAMINADORA. NATAL, RN 2015.

(5) Porque todo o que a si mesmo se exaltar será humilhado, e aquele que a si mesmo se humilhar será exaltado (Lucas 14:11)..

(6) DEDICATÓRIA. À Deus, Agradeço por esse dia. Pela minha fé, por meus erros, acertos, oportunidades de fazer o bem e por merecer o Seu amor..

(7) DEDICATÓRIA. Aos meus pais Geraldo e Estefânea por terem sido meu porto seguro durante toda a minha vida. Por nunca desistirem de mim, me levantado toda vez que cai e pelo exemplo de amor. Obrigada por repousar em seus abraços! AMO VOCÊS. Às minhas quatro irmãs, por estarem sempre ao meu lado. ADORO AS MINHAS PIRRICHINHAS.. Ao meu esposo Periclys. Pelo companheirismo, amor e amizade. Que juntos, pude realizar um dos nossos sonhos. Obrigada pelo incentivo e por não meter deixado desistir! Meu companheiro pra toda a vida. TE AMO.. À minha princesa, Nathália. Minha herança que veio do Senhor Deus. Sem os seus sorrisos e carinhos nunca saberia como é o verdadeiro Amor. MEU TUDO.. À minha avó Vanda, por todas as orações, és doutora da vida, levarei seus ensinamentos sempre comigo. ETERNO AMOR..

(8) AGRADECIMENTOS. À minha orientadora, Prof.ª Dr.ª Janaina Cristiana de Oliveira Crispim Freitas, por me proporcionar orientação científica e pela confiança, por acreditar em mim, durante esses dois anos. Só tenho a agradecer pela oportunidade de ter realizado esse trabalho sob sua orientação. Ao Prof. Dr. Carlos Alberto de Moreira Campos (aposentado UFRN), pela sua sabedoria, carinho e estímulo, por ter me ensinado os primeiros passos da pesquisa científica. Ao programa de Pós-graduação em Ciências Farmacêuticas da UFRN, pelo suporte oferecido no desenvolvimento da pesquisa e a todos os professores que de uma forma ou de outra contribuíram para a realização desse trabalho. Aos Prof. Dr. Matheus Pedrosa e Prof. Dr. Wilmar Dias, pela pesquisa realizada e bolsa científica. Ao Instituto Butantan, por ter cedido às amostras dos venenos Tityus serrulatus, Bothrops jararaca e Bothrops erythromelas. Ao Prof. Dr. Kleber Juvenal Silva Farias, pela coorientação e, por ter despertadoem mim a vocação e amor pela pesquisa com cultura de células. À Prof.ª Dr.ª Ana Paula Lepique, por ter doado as linhagens SiHa e HeLa. Ao Prof. Dr. Hugo Alexandre, pelo apoio no cultivo das células. Ao Centro de Zoonose de Natal, em especial as biólogas Irina Paula e Juraci Alves. Ao Prof. Dr. Joselio Araújo, por ter cedido o laboratório LAVIMI (IMT/UFRN) onde foram desenvolvidos alguns experimentos com cultura de células..

(9) A Bióloga Dayanne Gomes, pela grande ajuda nos resultados desse trabalho. Ao Farmacêutico Bioquímico Francisco Paulo Freire Neto, pela leitura das amostras no citômetro. Aos colegas do LAPIM que de uma forma ou de outra contribuíram para a realização desse trabalho, obrigada pelo apoio de cada um de vocês. À. Coordenação. de. Aperfeiçoamento. Superior - CAPES, pelo apoio financeiro.. de. Pessoal. de. Nível.

(10) RESUMO. Entre os tipos mais incidentes de câncer no Brasil, o câncer cervical é o quarto tipo mais comum entre as mulheres, com mais de 99,7% dos casos associados à infecção pelo Papilomasvírus Humano (HPV), tipos 16 e 18 principalmente. A resposta limitada dos tumores malignos à quimioterapia convencional levou ao desenvolvimento de novas estratégias farmacológicas baseadas no conhecimento de novos alvos terapêuticos. Considerando a diversidade dos escorpiões e serpentes da fauna brasileira, esses animais peçonhentos possuem um potencial farmacológico em seu veneno, sendo de grande interesse na pesquisa e desenvolvimento de novos fármacos a partir do veneno bruto ou frações. Desta forma, frente a esses venenos abre-se uma expectativa na busca de novos compostos com ação terapêutica no tratamento do câncer. O objetivo deste trabalho foi avaliar o efeito citotóxico e apoptótico do veneno bruto do escorpião Tityus serrulatus (TSR) e das serpentes Bothrops jararaca (BJ) e Bothrops erythromelas (BE) em linhagens de carcinoma cervical SiHa e HeLa, tranformadas pelos HPV 16 e 18, respectivamente. Em relação à viabilidade celular pelo método de MTT, obteve-se citotoxicidade nas linhagens tumorais desafiadas com os venenos das serpentes BJ e BE quando comparada ao veneno TSR. De forma similar, o processo de morte celular, avaliada por citometria de fluxo, foi superior quando desafiados com BJ e BE. Portanto, os venenos Bothrops demonstraram uma ação citotóxica e apoptótica nas linhagens estudadas, de maneira dose temporesposta dependentes. O presente trabalho sugere, pela primeira vez, um papel citotóxico e apoptótico dos venenos das serpentes B. jararaca e. B.. erythromelas em linhagens de carcinoma cervical.. Palavras-chave: Câncer cervical; Papilomavírus humano; Citotoxicidade; Tityus serrulatus; Bothrops jararaca; Bothrops erythromelas..

(11) ABSTRACT. Among the types of cancer incidents in Brazil, cervical cancer is the fourth most common type among women, with more than 99.7% of cases associated with infection by human papillomaviruses (HPV) types 16 and 18 mainly. The limited of malignant tumors to conventional chemotherapy response led to the development of new pharmacological strategies based on knowledge of new therapeutic targets. Considering the diversity of scorpions and snakes of Brazilian fauna, these poisonous animals have a pharmacological potential in their venom, being of great interest in the new drugs research and development from raw or fractions poison. Thus, faced with these poisons opens an expectation in the search for new compounds with therapeutic action in the treatment of cancer. The objective of this study was to evaluate the cytotoxic effect and apoptosis of the poisons of the scorpion Tityus serrulatus (TSR), Bothrops jararaca (BJ) and Bothrops erythromelas (BE) in cervical carcinoma cell lines SiHa and HeLa, tranform by the respective HPV 16 and 18. In relation to cell viability by MTT method was obtained challenged cytotoxicity in tumor cell lines with the poisons of snakes BJ and BE compared to the TSR poisons. Similarly, the process of cell death was greater when challenged with BJ and BE. Therefore, Bothrops poisons showed a cytotoxic and apoptotic action on the lines studied, dose-dependent and time-response manner. This study suggests for the first time, a cytotoxic and apoptotic role of poisons of snakes B. jararaca and B. erythromelas in cervical carcinoma cell lines.. Keywords: Cervical cancer ; human papillomavirus; Cytotoxicity; Tityus serrulatus ; Bothrops jararaca; Bothrops erythromelas..

(12) LISTA DE ABREVIATURAS. BE. Bothrops erythromelas. BJ. Bothrops jararaca. CDDP. Cisplatina. DMEM. Meio de cultura Eagle Modificado por Dulbecco. DMSO. Dimetilsulfóxido. DNA. Ácido desoxirribonucleico. E. Early genes. FITC. do inglês “Fluorescein isothiocyanate”. G1. Fase gap da mitose. HPV. Papilomavírus Humano. IMT. Instituto de Medicina Tropical. INCA. Instituto Nacional do Câncer. L. Late genes. LAPIM. Laboratório de em Imunologia Celular e Molecular. LAVIMI. Laboratório de Virologia e Micologia. LCR. Long Control Region. MMP-2. Matrix metalloproteinases. MTT. (3-4,5-dimetiltiazol-2-yl)-2 5 Difenil brometo de tetrazolina. OMS. Organização Mundial da Saúde. ORFs. Open Reading Frames. PI. Iodeto de propídeo. p53. Proteína supressora. pRb. Proteína Retinoblastoma. S. Fase de síntese de DNA na mitose. SBF. Soro bovino fetal. TSR. Tityus serrulatus. LISTA DE FIGURAS.

(13) FIGURA 1. Representação espacial da incidência por 100 mil mulheres, estimadas no ano de 2014 com câncer cervical, de acordo com as regiões brasileiras............................................................................ 16. FIGURA 2. Organização do genoma viral do HPV 16............................................ 19. FIGURA 3. Infecção. e. diferenciação. do. HPV. no. epitélio. escamoso. estratificado........................................................................................... 20 FIGURA 4. Ilustração. gráfica. das. características. morfológicas. mais. proeminentes dos mecanismos de morte celular por apoptose e necrose.................................................................................................. FIGURA 5. Detecção. da. apoptose. baseado. em. 22. anexina. V.............................................................................................................. 23 FIGURA 6. Mudanças morfológicas de linhagens HeLa e SiHa após 48h de tratamento. com. os. venenos. do. escorpião. e. das. serpentes................................................................................................ 35. FIGURA 7. Efeito dos venenos na linhagem SiHa, tratamento por 24h.............. 37. FIGURA 8. Efeito dos venenos na linhagem HeLa, tratamento por 24h............. 38. FIGURA 9. Efeito dos venenos na linhagem SiHa, tratamento por 48h.............. 39. FIGURA 10. Efeito dos venenos na linhagem HeLa, tratamento por 24h............. 40. FIGURA 11. Diagrama de AnexinaV/PI por citometria de fluxo.............................. 41. FIGURA 12. Análises de citometria de fluxo das células SiHa e HeLa tratadas com venenos de serpentes e marcadas com Anexina V-FITC e PI............................................................................................................. 43. FIGURA 13. Análises de citometria de fluxo das células SiHa e HeLa tratadas com veneno de escorpião T. serrulatus e marcadas com Anexina V-FITC e PI.............................................................................................. 44.

(14) SUMÁRIO. 1 INTRODUÇÃO................................................................................................... 15. 1.1 CÂNCER: UMA VISÃO GERAL..................................................................... 15. 1.2 EPIDEMIOLOGIA DO CÂNCER CERVICAL................................................. 15. 1.2.1 HPV E O CÂNCER CERVICAL................................................................... 16. 1.2.2. FATORES. DE. RISCO. RELACIONADOS. AO. CÂNCER. CERVICAL............................................................................................................ 17. 1.2.3 PREVENÇÃO E TRATAMENTO DO HPV.................................................. 17. 1.2.4 DIAGNÓSTICO DA INFECÇÃO PELO HPV CERVICAL E PREVENÇÃO DO CÂNCER CERVICAL..................................................................................... 18 1.3 BIOLOGIA DO HPV........................................................................................ 18. 1.3.1 CICLO DE VIDA DO HPV NO EPITÉLIO ESTRATIFICADO...................... 19. 1.4 MORTE CELULAR POR NECROSE E APOPTOSE..................................... 21 1.5 MARCADORES DE CÉLULAS EM APOPTOSE E NECROSE..................... 23. 1.6 TERAPIA ANTICÂNCER................................................................................ 24. 1.7 ANIMAIS PEÇONHENTOS............................................................................ 25 1.7.1 VENENOS DE ESCORPIÕES E OS CÂNCERES...................................... 26. 1.7.2 VENENOS DE SERPENTES E OS CÂNCERES........................................ 26. 2 OBJETIVOS ...................................................................................................... 29. 2.1 OBJETIVO GERAL......................................................................................... 29. 2.2 OBJETIVOS ESPECÍFICOS.......................................................................... 29. 3 MATERIAIS E MÉTODOS................................................................................. 30. 3.1 FLUXOGRAMA............................................................................................... 30. 3.2 CULTURA DE CÉLULAS............................................................................... 30. 3.3 OBTENÇÕES DOS VENENOS Tityus E Bothrops...................................... 31. 3.3.1 PREPARAÇÃO DAS CONCENTRRAÇÕES Tityus E Bothrops.............. 31. 3.4 USO DOS QUIMIOTERÁPICOS..................................................................... 32. 3.5 DETERMINAÇÃO DA CITOTÓXICIDADE (ensaio de redução. do 32. MTT)..................................................................................................................... 3.5.1 TRATAMENTOS DAS CÉLULAS SIHA E HELA....................................... 32 3.6 CRITÉRIOS MORFOLÓGICOS...................................................................... 33.

(15) 3.7 ENSAIOS DE ANEXINA V CONJUGADA COM FITC E IODETO DE PROPRÍDIO POR MEIO DA CITOMETRIA.......................................................... 33. 4 ANÁLISE ESTATÍSTICA................................................................................... 34. 5 RESULTADOS................................................................................................... 35. 5.1 ANÁLISE MORFOLÓGICAS DAS LINHAGENS SIHA E HELA NA PRESENÇA DOS. VENENOS. OBTIDOS. DOS. GÊNEROS. Tityus. E. Bothrops............................................................................................................ 35. 5.2 ATIVIDADE ANTIPROLIFERATIVA DOS VENENOS EM LINHAGENS SIHA E HELA....................................................................................................... 5.3. AÇÃO. DOS. VENENOS. NO. PROCESSO. DE. 36. MORTE. CELULAR............................................................................................................. 41 6 DISCUSSÃO...................................................................................................... 46. 7 CONCLUSÃO.................................................................................................... 50 8 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS.................................................................. 51.

(16) 16. 1 INTRODUÇÃO. 1.1 CÂNCER: UMA VISÃO GERAL. Entre as diferentes doenças existentes, o câncer atinge milhões de pessoas e tem emergido como um grande problema de saúde pública em todo o mundo, causando alta morbidade e mortalidade (WALLECE et al., 2011; FRATI et al., 2015). Mais de 14 milhões de novos casos de câncer são relatados a cada ano, levando mais de 8,2 milhões de pesso as a óbitos, sendo esperado um aumento de mais de 75% de casos novos (BOBDEY et al., 2015). O câncer é caracterizado pela desregularização de controle do ciclo celular e falhas nos mecanismos de morte via apoptose, facilitando assim, danos ao DNA (ácido desoxirribonucléico), que levará a uma transformação da célula e, consequentemente, à proliferação descontrolada (ALABSI et al., 2012). Um dos cânceres que atinge a região genital femenina é o câncer cervical, uma neoplasia considerada um problema de saúde grave nas mulheres, principalmente em paises em desenvolvimento (NCUBE et al., 2015), tendo como principal fator de risco a infecção persistente pelo Papilomavírus Humano (HPV) (LI-DAN et al., 2015). Com isso, há necessidade urgente de encontrar o melhor tratamento como também a melhor forma de evitar o seu surgimento (LIU et al., 2014).. 1.2 EPIDEMIOLOGIA DO CÂNCER CERVICAL. O câncer cervical é o quarto tipo de câncer mais comum em todo mundo, superado pelo câncer de mama, colorretal e pele não melanoma (INCA, 2014), sendo globalmente responsável por aproximadamente 510 mil novos casos por ano e mais de 288 mil óbitos todos os anos, caracterizando um sério problema de saúde pública, especialmente em países em desenvolvimento (LI-DAN et al,. 2015). No Brasil, apesar dos programas de rastreio para o câncer cervical, esta doença continua a ser a terceira causa mais comum de morte em mulheres..

(17) 17. Segundo o Instituto Nacional do Câncer (INCA), no ano de 2014 a estimativa para este tipo de câncer foi de 15.590 (8,1%) novos casos, risco estimado de 155,33 casos a cada 100 mil mulheres. A realidade desse câncer em nosso país difere nas cinco regiões brasileiras, onde a região Norte apresenta maior incidência (23,57/100 mil), seguido das regiões Centro-oeste (22,19/100 mil), Nordeste (18,79/100 mil), Sul (15,87/100 mil) e Sudeste (10,15/100 mil), (INCA, 2014), (Figura 1).. FIGURA 1 Representação espacial da incidência por 100 mil mulheres, estimadas no ano de 2014 com câncer cervical, de acordo com as regiões brasileiras.. 1.2.1 HPV E O CÂNCER CERVICAL. O HPV tem sido estabelecido como agente etiológico precursor principal (BIRYUKOV & MEYERS, 2015; GANTI et al., 2015) e necessário em mais de 99% do câncer cervical (AGORASTOS et al., 2015). Esta correlação foi detectada pela primeira vez há quase 30 anos e vem sendo confirma continuamente (GHITTONI et al., 2015; LI et al., 2010; ZUR HAUSEN, 2002), isso ocorre devido ao tropismo desse vírus por mucosas ou epitélios escamoso cutâneo (GHITTONI et al., 2015). Os diferentes tipos de HPV transmitidos sexualmente são identificados por números. Além disso, são classificados de baixo risco e alto risco de acordo a sua capacidade de induzir neoplasias genitais (GHITTONI et al., 2015). Aqueles de baixo.

(18) 18. risco induzem 90% da formação de neoplasias benignas (KHATIBI & RASEKH, 2015), conhecidas como verrugas, condiloma acuminado (KAJITANI, 2012; AMINU et al., 2014; GANTI et al., 2015). Os HPV de baixo risco mais prevalentes são os tipos 6 e 11, seguidos, não necessariamente nesta ordem, pelos tipos 40, 42, 43, 44, 55. Já os HPV de alto risco são responsáveis pelo surgimento de neoplasias malignas (GHITTONI et al., 2015). Os tipos 16 e 18 são os mais prevalentes em todo o mundo, sendo responsáveis por 70% das infecções (KHATIBI & RASEKH, 2015; MONSONEGO et al., 2015). Destes, aproximadamente 50% para o tipo 16 e 20% para o tipo 18 (GHITTONI et al., 2015). Os demais de alto risco são o 26, 31, 33, 35, 39, 45, 51, 52, 53, 56, 58, 59, 66, 68, 73 e 82 (AGORASTOS et al., 2015). A maioria dos HPV de alto risco (31, 33, 35, 52, e 58) são filogeneticamente relacionado com HPV 16, já os HPV 39, 45, 59, e 68, que também são de alto risco são relacionados com HPV 18 (KUMAR et al., 2013). Recentemente no dia 30 de maio de 2015 foi oficializado a identificação de um novo HPV denominado mucopapilomavírus tipo 204, totalizando 201 tipos diferentes de HPV (KOCJAN et al., 2015), dentre eles, cerca de 40 tipos podem ser transmitidos sexualmente (SCHIFFMAN, 2010; KUMAR et al., 2013) e, mais de uma dezena deles tem alto poder carcinogenico e está relacionado o câncer cervical (McGRAW & FERRANTE, 2014; GHITTONI et al., 2015).. 1.2.2 FATORES DE RISCO RELACIONADOS AO CÂNCER CERVICAL. Alguns estudos relacionam diferentes fatores para o desenvolvimento do câncer cervical, entre eles, a promiscuidade, iniciação sexual precoce, a heterossexualidade, alta paridade, baixa imunidade, desordens genéticas, hábitos como fumar e uso prolongado de contraceptivos (JACOBS et al., 2014).. 1.2.3 PREVENÇÃO E TRATAMENTO DO HPV. Algumas das formas de se prevenir contra algum tipo de HPV são o uso do preservativo e de vacinas para imunização, tais como a Cervarix (GlaxoSmithKline) para tipos HPV 16 e 18 e a Gardasil (Merck& Co.), para os tipos HPV 6, 11, 16, e 18 (KAJITANI et al., 2012). Em outros casos quando a paciente já está infectada e o.

(19) 19. seu próprio organismo não é capaz de conter a infecção, usos de cremes imunomoduladores,. tal. como. imiquimode. 5%,. são. utilizados. como. imuno-estimulantes, com atividade antitumoral e antiviral (CHEN, 2013). Outros tratamentos tópicos, tais como o ácido tricloroacético, o azoto líquido, injeções de interferon e resina podofilina também estão disponíveis. No entanto, os tratamentos repetidos são necessários e nem sempre são eficazes (CARVALHO et al., 2010). Em conclusão, não há nenhum agente antiviral eficaz atualmente disponível (YUAN; FILIPPOVA; DUERKSEN-HUGHES, 2012).. 1.2.4. DIAGNÓSTICO. DA. INFECÇÃO. PELO. HPV. CERVICAL. E. PREVENÇÃO DO CÂNCER CERVICAL. Sabe-se que o agente causal e necessário para o desenvolvimento do câncer cervical é a pesistência do HPV de alto risco (LORENZ, et al., 2015; McKINNEY et al., 2015), com isso, a promoção a saúde é necessária. Os métodos mais utilizados e com alta precisão no diagnóstico da infecção pelo HPV e lesões precursoras para o desenvolvimento do câncer cervical são os de rastreamento primário, tais como o exame de Papanicolau (COMPARETTO & BORRUTO, 2015), onde podem ser detectados. anomalias. citológicas,. e. exames. de. colposcopia. e. biópsia. histopatologica, neste caso para neoplasiaintra-epitelial cervical (NIC) (ZHAO et al., 2015). No entanto, os recentes desenvolvimentos tecnológicos estão levando a uma mudança de paradigmana prevenção do câncer cervical (MENDES et al., 2015).. 1.3 BIOLOGIA DO HPV. O HPV consiste em um grupo heterogêneo de vírus que pertence à família Papillomaviridae (BOCCARDO et al., 2010). Em geral, os capsídeos desses vírus têm cerca de 50-55nm de diâmetro e formato icosaédrico constituído de 72 capsômeros, não são envelopados (CHEN H-S et al., 2011). O material genético destes vírus é constituído de DNA circular de dupla fita (SCHIFFMAN, 2010), composto aproximadamente por 8000 pares de bases e oito regiões conhecidas como ORFs - “Open Reading Frames” (BOCCARDO et al., 2010). Os seus genes.

(20) 20. são divididos em dois grupos: os de expressão precoce e os de expressão tardia (BIRYUKOV& MEYERS, 2015). Os genes de expressão precoce (Early genes) são denominados de E1, E2, E4, E5, E6 e E7. Destacam-se as proteínas E6 e E7, obtidos dos genes de nome semelhante, as quais têm alto potencial carcinogênico, pois inibem, respectivamente, as proteínas supressoras de tumor p53 e a proteína Retinoblastoma (pRb) (SCHIFFMAN, 2010). Já os genes de expressão tardia (Late genes, L1 e L2) são responsáveis pela codificação das proteínas estruturais constituintes do capsídeo viral (BOCCARDO et al., 2010) (Figura 2).. FIGURA 2 Organização do genoma viral do HPV 16. Fonte: Adaptado de STANLEY, 2012.. 1.3.1 CICLO DE VIDA DO HPV NO EPITÉLIO ESTRATIFICADO Todos os tipos de HPV têm a capacidade de replicar dentro do epitélio, no entanto, eles são subdivididos com base em sua capacidade de infectar as mucosas e os queratinócitos (BIRYUKOV & MEYERS, 2015)..

(21) 21. Durante o ciclo de vida do HPV, a infecção tem início quando as partículas virais penetram por microfissuras no epitélio estratificado eobserva-se que este tecido é o principal alvo de uma infecção por este tipo de vírus, no qual o epitélio estratificado normal e as células ligadas à membrana basal (células basais) são as únicas células com potencial para proliferar. Durante a mitose, as células basais dividem-se em uma nova célula basal e uma célula filha, sendo esta separada da membrana basal e com capacidade de diferenciação (McKINNEY et al., 2015). Com isso, ocorre o deslocamento das células filhas da camada basal, proporcionando alteração na expressão dos genes tardios para que ocorra a produção do capsídeo viral (KAJITANI et al., 2012). Nesta camada, as células estão menos diferenciadas e possuem elevada atividade de proliferação, no qual a divisão celular pode contribuir para a expansão e amplificação do genoma viral, expressão de oncoproteínas E6 e E7, resultando na perda completa do controle celular (TORNESELLO, 2013) (Figura 3).. FIGURA 3 Infecção e diferenciação do HPV no epitélio escamoso estratificado. Fonte: Adaptado de McKINNEYet al., 2015..

(22) 22. 1.4 MORTE CELULAR POR NECROSE E APOPTOSE. As células muitas vezes estão expostas a condições que podem levar à lesão celular. Essa lesão pode ser reversível até certo ponto, depois do qual a célula morre. Diferentes tipos de morte celular já foram descritas, sendo que duas delas ocorrem de dois modos distintos: morfológica e bioquimicamente, ou seja, necrose e apoptose (ALABSI et al., 2012; RELLO-VARONA et al., 2015). Por muito tempo a morte celular por necrose foi considerada meramente como uma forma descontrolada acidental de morte celular, como isso era caracterizada apenas morfologicamente por um ganho no volume da célula, inchaço das organelas, ruptura da membrana do plasma e subsequente perda de conteúdo intracelular. Mas já se sabe que algumas evidências podem ser reguladas por um conjunto de vias de transdução de sinal e mecanismo catabólicos (KROEMER et al., 2009)..

(23) 23. Em contra partida, apoptose é a via de morte celular com ativação de enzimas que degradam o DNA nuclear e as proteínas citoplasmáticas. Esta via é estimulada por algumas condições patológicas, fisiológicas ou ambientais. Este processo é caracterizado pela retração celular, condensação nuclear, fragmentação do DNA, rompimento da membrana celular para formação de vesículas, denominadas corpos apoptóticos, que posteriormente serão fagocitados por macrófagos (ALABSI et al., 2012; OUYANG et al., 2012; RELLO-VARONA et al., 2015). A sua principal função é regular o crescimento e desenvolvimento celular, estimular a resposta imunitária e destruir as células anormais. Dessa maneira, a apoptose é o tipo de morte mais eficaz na eliminação de células tumorais, porque este tipo de morte celular é considerado um estado final, induzindo a célula tumoral a não representar qualquer perigo e não induz inflamação (ALABSI et al., 2012; HERNANDEZ-FLORES et al., 2011; OUYANG et al., 2012) (Figura 4 B).. Figura 4 Ilustração gráfica das características morfológicas mais proeminentes dos mecanismos de morte celular por apoptos e enecrose. Fonte: Adaptado de RELLO-VARONA et al., 2015..

(24) 24. 1.5 MARCADORES DE CÉLULAS EM APOPTOSE E NECROSE. A Fosfatidilserina (PS) é predominantemente observada na superfície interna da membrana celular, voltada para o citosol. No início da apoptose, quando a membrana celular sofre uma desorganização, a PS é translocada para a superfície exterior da superfície celular (OGAWA & AOKI, 2014). Já a Anexina V é uma proteína que se liga a fosfolipídios e possui alta afinidade por PS na presença de íons de Cálcio (Ca+) (Figura 7).. Figura 5 Detecção de apoptose baseado em anexina V. Fonte: Adaptado de DEMCHENKO, 2013.. Com isso, ocorre mudançana assimetria da membrana, que é analisada através da medição da aderência de Anexina V à membrana celular, que pode ser detectada antes das alterações morfológicas associadas ao início da apoptose e antes da perda da integridade da membrana. Ao conjugar a Anexina V ao FITC (Isotiocianato de fluoresceína) é possível identificar e quantificar as células apoptóticas por citometria de fluxo (DEMCHENKO, 2013; MIRNIKJOO et al., 2009). Outro marcador é o nuclear fluorescente Iodeto de Propídeo (PI) que é utilizado para distinguir células apoptóticas de células necróticas. O PI é uma molécula que se intercala em qualquer DNA, desde que a membrana celular esteja permeável. Tal propriedade deve-se ao fato de que marcadores de DNA de elevado peso molecular, como o PI, não são passíveis de penetrar na célula intacta em.

(25) 25. decorrência do seu tamanho, bem como não marcam células apoptóticas sem que estas apresentem alterações na permeabilidade da membrana plasmática, como ocorre nos estágios finais da apoptose. Desse modo, cora células simultaneamente com Anexina V/FITC (fluorescência verde) e com o corante PI (fluorescência vermelha) permite a discriminação de células intactas, viáveis (FITC-/PI-), no início de apoptose (FITC+/PI-) e células tardiamente apoptóticas ou necróticas (FITC +/ PI+).. 1.6 TERAPIA ANTICÂNCER. Várias tentativas terapêuticas têm sido estudadas e aplicadas em diferentes tipos de câncer, visando o seu controle. A busca por novas terapias anticâncer é uma área em constante desenvolvimento, porém sua efetividade tem sido observada apenas em pequena proporção. O tratamento disponível para o câncer tem tido como alvo a célula carcinogênica, sendo por essa razão designados terapias citotóxicas.. No. entanto,. os. tratamentos clássicos. como. quimioterapias. e. radioterapias não atingem somente as células tumorais, causam também danos a várias células saudáveis do corpo humano. Essa falha na especificidade de ação é a maior limitação destas terapias. As pesquisas com o câncer estão focadas na descoberta de novos potenciais terapêutico, já que as drogas tradicionalmente utilizadas, como a Cisplatina (CDDP) e 5-Fluorouracil (5-FU), muitas vezes não são especificas e não atuam diretamente no microambiente tumoral. Por isso, os tratamentos para os diferentes cânceres, bem como o cervical, são considerados uns dos maiores desafios da atualidade médica (LI et al., 2015; VERMORKEN et al., 2014). As modalidades utilizadas atualmente na clínica médica contra os diferentes tipos de cânceres, entre eles o câncer cervical, é remoção cirúrgica do tumor, seguidos de radioterapias e quimioterapias (STONE et al., 2014). As intervenções com uso de quimioterápicos estão longe de ser satisfatórios, devido aos efeitos colaterais, destruição de células saudáveis e principalmente a resistência adquirida pelos tumores (DUARTE, 2010; HERNANDEZ-FLORESet al., 2011; SINGH et al., 2013; LIU et al., 2014)..

(26) 26. Para superar tais limitações, diversos estudos estão sendo realizados com substâncias bioativas, com objetivo de descobrir drogas mais seletivas, onde poderão atuar diretamente nas células tumorais, assim evitando efeitos secundários pelos quimioterápicos convencionais quando administrados pela via sistêmica. Nesse contexto, os venenos de animais peçonhentos têm se mostrado promissores (DAS GUPTA et al., 2007; ZARGA et al., 2011). Entretanto, escassos são os estudos que têm explorado o veneno bruto de escorpiões e serpentes da fauna brasileira no contexto antitumoral. Neste sentido, avaliar os venenos de escorpião e serpentes em linhagens de tumor cervical é o objetivo do presente estudo.. 1.7 ANIMAIS PEÇONHENTOS. São animais que, por meio de um extinto de predador e mecanismo de defesa, são capazes de injetar em suas presas uma substância tóxica produzida por glândulas secretoras e órgãos inoculadores por onde passa o veneno, o que os caracterizam como peçonhentos. Eles são responsáveis por provocarem inúmeros acidentes em variadas regiões do mundo. No Brasil, os índices crescem anos após ano. Fazem parte dessa categoria, escorpiões e serpentes (SILVIA et al., 2005; BRASIL & PORTO, 2010). Entre as diferentes espécies de escorpiões, o Tityus serrulatus é endêmico da região Sul. Já as serpentes, Bothrops erythromelas é distribuída no Nordeste, diferentemente da Bothrops jararaca que habita na região sul-sudeste (FUNASA, 2001). Estudos prévios com venenos de escorpiões e serpentes têm demonstrado que os mesmos possuem atividade antifúngica, antimicrobiana, imunogenética, antiproliferativa e antitumoral (KHOOBDEL et al., 2013; ERDEŞ et al., 2014; PENG &XIA 2015), destacando assim um potencial terapêutico bastante atrativo..

(27) 27. 1.7.1 VENENOS DE ESCORPIÕES E OS CÂNCERES. Os venenos de escorpiões são compostos por uma complexa mistura de proteínas, associadas às pequenas quantidades de aminoácidos e sais. Contém mais de 10 mil toxinas das quais são conhecidas apenas 1%, principalmente as neurotoxinas que atuam em canais iônicos, fosfolipases A2 e diferentes citocinas (PINTO et al., 2009; ETTINGER et al., 2013). Além da importância do conhecimento dos constituintes do veneno e suas ações no organismo humano, a conduta clínica adequada vem sendo de grande destaque para potencializar diferentes ações terapêuticas (ERDEŞ et al., 2014). No contexto das pesquisas com câncer, o veneno do escorpião tem apresentado uma capacidade em modular a proliferação, o crescimento das proteínas do ciclo celular via indução de mecanismos ainda não totalmente conhecidos (LIU et. al., 2014). Em tumores primários do cérebro e glioma, os venenos das espécies Leirus quinquestriatus e Buthus martensii Karsch inibiram, em ambas linhagens estudadas, o crescimento tumoral (OMRAN, 2003; WANG & JI, 2005). A relação do veneno do Tityus serrulatus com câncer cervical ainda não foi investigado, propomos com este trabalho estudar e melhor caracterizar a ação dos venenos em linhagens de carcinoma cervical infectadas com HPV 16 e 18.. 1.7.2 VENENOS DE SERPENTES E OS CÂNCERES. Venenos de serpentes são constituidos por uma mistura de substâncias com mais. de. 90%. proteínas. epeptídeos. bioativos,. diferentes. enzimas,. (Acetilcolinesterase, L-aminoácido oxidase, serina-proteases, metaloproteinases e Fosfolipases-A2), carboidratos, aminoácidos e minerais, fontes atraentes para investigação de novos fármacos (VYAS, et al., 2013). O inibidor da enzima conversora da angiotensina I (ACE), isolado de uma enzima do veneno de serpente brasileira B. jararaca, que além de ser usada em tratamentos de hipertensão e algumas cardiopatias, também foi testado em.

(28) 28. camundongos com câncer de pulmão, promovendo redução notável do crescimento do tumore metástases nos linfonodos (ATTOUB et al., 2008). A citotoxicidade dos venenos de serpentes está relacionada com as alterações no metabolismo celular, tendo grande efeito sobreas células tumorais quando comparadas com células normais (CALDERON et al., 2014). Estas observações. estimulam. o. desenvolvimento. da. maioria. dos. agentes. quimioterapêuticos baseados em venenos produzidos por animais, que têm a capacidade de serem altamente citotóxico (PETRICEVICH, 2010; CALDERON et al., 2014). Foi sugerido que Ancrod, um polipéptido de Agkistrodon rhodostoma, administrado com ciclofosfamida, poderia produzir desfibrinação, diminuindo assim o peso do tumor por fibrinólise e contribuindo para tanto desprendimento e diminuição da propagação de alguns tumores (CALDERON et al., 2014). Diversos estudos com cultura de células têm demonstrado que os venenos de diferentes espécies de serpentes podem ter aplicação na inibição e proliferação de várias linhagens, incluindo as tumorais (JAIN&KUMAR, S., 2012). Essa ação se dá pela capacidade desses venenos se associarem com elevada especificidade e afinidade por células e tecidos. Apesar de seus efeitos toxicológicos, várias proteínas isoladas do veneno de serpentes poderão ter futuras aplicações terapêuticas no tratamento de diferentes tipos de câncer. Como demonstrou Silva (2002), o veneno da serpente Bothrops jararaca tem um efeito antitumoral em tumor Ascítico de Ehrlich dependente do aumento de leucócitos polimornucleares em estágios iniciais durante o crescimento do tumor. A lectina BJcuL, isolada da peçonha da Bothrops jararacussu (jararacuçu), quando aplicada em células tumorais in vitro, possui a capacidade de se ligar as linhagens de carcinoma gástrico MKN-45 e AGS, induzindo apoptose, inibindo a adesão celular e desestabilizando os filamentos de proteínas do citoesqueleto (NOLTE et al., 2012). Estudo recente mostrou efeito semelhante em linhagens metastáticas B16F10 de melanoma de camundongo C57BL/6J, onde o veneno bruto da serpente Bothrops jararaca teve atividade antiproliferativa, causando fragmentação ao DNA, ativação da caspase-3 e necrose celular (MARIA et al. 2014). Já em células de leucemia.

(29) 29. mieloide crônica K562, o veneno da Bothrops leucurus teve uma ação citotóxica no qual inibiu a sua replicação (NUNES et al., 2012). Devido à alta capacidade citotóxica observada nos venenos dessas peçonhas, estes achados abrem expectativas para o desenvolvimento de novas drogas com diferentes potenciais terapêuticos (CALDERON et al., 2014). Assim, avaliar ação dos venenos das serpentes das espécies Bothrops jararaca e Bothrops erythromelas, em linhagens tumorais é um dos objetivos do referido trabalho..

(30) 30. 2 OBJETIVOS. 2.1 OBJETIVO GERAL. Investigar a ação antitumoral dos venenos do escorpião Tityus serrulatus e das serpentes Bothrops jararaca e Bothrops erythromelas em linhagens de carcinoma cervical SiHa e HeLa.. 2.2 OBJETIVOS ESPECÍFICOS. 2.2.1 Analisar a morfologia das células tumorais na presença dos venenos do escorpião Tityus serrulatus e das serpentes Bothrops jararaca e Bothrops erythromelas; 2.2.2 Avaliar a citotoxidade dos venenos do escorpião T. serrulatus e das serpentes B. jararaca e B. erythromelasnas linhagens de carcinoma cervical SiHa e HeLa pelo método do MTT; 2.2.3 Avaliar quantitativamente a apoptose e necrose celular, utilizando o ensaio de Anexina V-FITC e PI por citometria de fluxo após tratamento com os venenos do escorpião T. serrulatus e das serpentes B. jararaca e B.erythromelas..

(31) 31. 3 MATERIAIS E MÉTODOS. 3.1 FLUXOGRAMA. 3.2 CULTURA DE CÉLULAS. O potencial efeito antiproliferativo dos venenos dos escorpiões Tityus e serpentes Bothrops foram avaliados em diferentes linhagens de carcinoma cervical (SiHa e HeLa) transformadas pelo HPV. As células SiHa (HPV 16) e HeLa (HPV 18) foram gentilmente cedidas pela Prof.ª Dr.ª Ana Paula Lepique (Departamento de Imunologia, Universidade de São Paulo – USP)..

(32) 32. As células foram cultivadas na presença do meio DMEM (do inglês, Eagle Modificado por Dulbecco) com alta concentração de glicose (Cultilab, Campinas-SP, Brasil), acrescido de 1% de antibiótico (penicilina 100 U/mL, estreptomicina 100 μg/mL – Sigma-Aldrich, USA), 1% de Piruvato de Sódio e 1% de Aminoácidos Essenciais (Sigma-Aldrich, USA), suplementado com 10% de Soro Bovino Fetal (SBF) inativado (Cultilab, Campinas-SP, Brasil). As células foram cultivadas em garrafas de cultura com filtro, mantidas em estufas com 5% de CO 2 e à temperatura 37ºC até que a monocamada celular estivesse confluente. Posteriormente, as células foram lavadas com 5 mL PBS (1X) e tripsinizadas. Após o desprendimento do tapete celular, as células foram homogeneizadas com meio de cultura. A suspensão celular obtida em uma garrafa foi transferida para outras garrafas, de modo obter 105 células/ 25 cm2. Esse procedimento foi repetido até que houvesse a quantidade de células suficientes para a realização dos experimentos.. 3.3 OBTENÇÕES DOS VENENOS Tityus E Bothrops. O veneno do escorpião T. serrulatus e das serpentes B. jararaca e B. erythromelas foram cedidos gentilmente pelo Prof. Dr. Wilmar Dias (Laboratório de Imunoquímica / Instituto Butantan - SP). Todos os venenos estavam liofilizados e mantidos na temperatura de -20ºC.. 3.3.1 PREPARAÇÃO DAS CONCENTRRAÇÕES Tityus E Bothrops. O veneno bruto do escorpião T. serrulatus (TSR) foi diluído em meio de cultura DMEM nas concentrações de 50 µg/mL, 125 µg/mL, 250 µg/mL e 500 µg/mL, enquanto que os das serpentes B. jararaca (BJ) e B. erythromelas (BE) em 12,5 µg/mL, 25 µg/mL e 50 µg/mL. Ambos filtrados em membrana 0,22 µm..

(33) 33. 3.4 USO DOS QUIMIOTERÁPICOS. Dentre os quimioterápicos para o câncer, a Cisplatina é um agente antineoplásico, citotóxico e desempenha um papel importante no tratamento de diversos tipos de câncer. As linhagens estudadas foram tratadas com Cisplatina (CDDP), que foi a droga Controle Positivo, gentilmente cedida pela Liga Norte Riograndense Contra o Câncer. As linhagens foram tratadas em concentração de 33 µg/mL.. 3.5 DETERMINAÇÃO DA CITOTÓXICIDADE (ensaio de redução do MTT). 3.5.1 TRATAMENTOS DAS CÉLULAS SIHA E HELA. O método de MTT foi utilizado para a avaliação de citotoxicidade e tem como princípio a determinação da habilidade de células viáveis em reduzirem (3-4,5dimetiltiazol-2-yl)-2,5-difenil-2H-brometo de tetrazolina (MTT, Sigma-Aldrich, USA) a cristais insolúveis de formosana, que possuem coloração violeta. Uma suspensão celular de 5x103 células/poço foi cultivada em placas de 96 poços, e após 24 horas de cultivo, as células SiHa e HeLa foram tratadas com 200 µLde soluções contendo diferentes concentrações dos venenos. Cada ensaio foi acompanhado de Controle Positivo (Cisplatina – CDDP) e Controle Negativo (CN, células não-tratadas). Todos os ensaios foram realizados em dois experimentos independentes e o tempo de exposição a veneno e a cisplatina foi de 24 e 48 horas. Após o tratamento (descrito em 3.3.1), o sobrenadante foi retirado e armazenado para futuras pesquisas de mediadores solúveis. Em seguida, aplicou-se em cada poço da microplaca 50 µL de solução de 5 mg/mL de MTT diluído em meio de cultura não suplementado. Posteriormente, o material foi mantido ao abrigo da luz em estufa a 37ºC por 4h para formação dos cristais de formazan. Após esse período, os cristais foram solubilizados com 100 µL de dimetilsufóxido (DMSO) P.A. e posteriormente foi feito uma leitura das soluções em espectrofotômetro no comprimento de onda 540nm. Foi realizada em leitor de placa (Bio-TekPowerwave.

(34) 34. X, BioTekInstruments, Inc.,USA). O percentual de redução do MTT d foi calculada em relação ao controle negativo, como proposto por MOSMANN (1983).. (%)Redução do MTT= Absorbância do Controle Negativo – Absorbância do Teste X 100 Absorbância do Controle Negativo. 3.6 CRITÉRIOS MORFOLÓGICOS. As células foram observadas em microscópio invertido (NIKON CFI60, Spectrum – Spectrum Bio Engenharia Médica Hospitalar LTDA - São Paulo, SP, Brasil) durante todas as etapas de manutenção e tratamentos, para estudo morfológico. Com o intuito de avaliar a correlação existente entre achados microscópicos em cada uma das estruturas. Critérios como descolamento da monocamada, retração celular, formação de corpos apoptóticos, sugerindo morte celular.. 3.7 ENSAIOS DE ANEXINA V CONJUGADA COM FITC E IODETO DE PROPRÍDIO POR MEIO DA CITOMETRIA. Para avaliar o processo de morte celular, as células foram cultivadas em placas de 6 poços (2x105) por 48 horas e tratadas com 1 mL das concentração 50 µg/mL (BJ e BE) e 250 µg/mL (TSR), ambos em duplicata e comparados as células CN e na presença de 33 µg/mL de CDDP. Após os tratamentos, os sobrenadantes foram armazenados em seus respectivos tubos falcon de 15mL de acordo com cada poço. Adicionou-se tripsina (500 µL) por 5 min, em seguida aplicou-se 2 mL de DMEM 10% para neutralizar. Cada poço tratado foi lavado 2 vezes com PBS 1X e transferido para o falcon. As amostras foram centrifugadas a 3200 rpm por 5 min. O sobrenadante foi descartado e o pellet de células foi ressuspendido em 2 mL de meio de cultura. Os tubos passaram. por. mais. uma. centrifugação. e. seu. sobrenadante. descartado.. Durante o ensaio da avaliação de morte por apoptose e necrose, utilizou-se.

(35) 35. Anexina V-FITC e PI (Iodeto de Propídeo) (Ambriex, Importação e Comércio). As células foram ressuspendidas com 50 µL de tampão de ligação Anexina 1X e marcada com 5 µL de Anexina e 1 µL de PI. A reação foi incubada por 15 minutos em temperatura ambiente, ao abrigo da luz. A intensidade de fluorescência (FITC e PI) foi avaliada utilizando o equipamento BD FACSCanto II (Bencton Dickinson Co., San Jose, CA USA) nas dependências do laboratório de Imunogenética, sob responsabilidade do Farmacêutico Bioquímico Francisco Paulo Freire Neto (DBQ/CB – UFRN). Para cada ensaio, foi incluído controle negativo (células não tratadas, na presença e ausência dos marcadores) e controle positivo (células tratadas com quimioterápicos, todas marcadas com Anexina-V FITC e PI). Foi utilizado o programa FlowJo para analisar as amostras da citometria.. 4 ANÁLISE ESTATÍSTICA. O teste one way ANOVA com pós-teste de Tukey foi aplicado em todos os ensaios para comparação efeito dose-tempo resposta dos tratamentos com diferentes venenos nas linhagens SiHa e HeLa. Diferenças com p< 0.001 entre os valores serão consideradas significantes estatisticamente. A análise estatística foi realizada através GraphPadInStat® Software versão 3.05 para Windows 95, GraphPad Software Incorporation, San Diego, CA, EUA..

(36) 36. 5. RESULTADOS. 5.1 ANÁLISE MORFOLÓGICAS DAS LINHAGENS SIHA E HELA NA PRESENÇA DOS VENENOS OBTIDOS DOS GÊNEROS Tityus E Bothrops. Escolhida as doses-desafio do veneno do escorpião T. serrulatus (TSR) e das serpentes B. jararaca (BJ) e B. erythromelas (BE), o próximo passo foi avaliar se os venenos brutos em estudo teriam a capacidade de reduzir, ou até mesmo inibir a proliferação das células tumorais SiHa e HeLa. Quando as células foram tratadas com os diferentes venenos, observou-se uma diminuição das projeções celulares, descolamento da monocamada, presença de células globosa e o surgimento da fragmentação nuclear, quando comparadas com seus respectivos controles negativos “células não tratadas”, que apresentaram em meio de cultura aderência celulares e projeções citoplasmática. Vale ressaltar, quando as linhagens foram tratadas com os venenos das serpentes, as alterações celulares foram mais acentuadas (Figura 6).. FIGURA 6 Mudanças morfológicas de linhagens HeLa e SiHa após 48h de. tratamento com os venenos do escorpião e das serpentes. TSR – Veneno de T. serrulatus, BJ – Veneno de B. jararaca, BE – Veneno de B. erythromelas. Os dados são representativos para ensaios em duplicatas. Ampliação (40X). As setas pretas.

(37) 37. indicam o descolamento da monocamada e as setas brancas destacam retração celular.. 5.2 ATIVIDADE ANTIPROLIFERATIVA DOS VENENOS EM LINHAGENS SIHA E HELA. Com intuito de avaliar ação citotóxica do veneno de escorpião e das serpentes, as linhagens de carcinoma cervical SiHa e Hela foram tratadas com diferentes concentrações dos venenos TSR, BJ e BE pelo método de MTT. Entre os venenos das serpentes, o veneno da BJ, na maioria das vezes, se mostrou um pouco mais citotóxico dose-tempo-resposta quando comparado ao veneno da BE nas linhagens de carcinoma. Quando a dose de 50 µg/mL foi avaliada entre os diferentes venenos de serpentes, observou-se que não houve diferenças estatisticamente significantes em relação à citotoxicidade. Em. relação. ao. veneno. do. escorpião,. TSR. apresentou uma. citotoxicidade estaticamente significante na linhagem HeLa que foi dependente da concentração e do tempo de exposição (Figuras 8 e 10), atingindo o ápice de 70% de citotoxicidade quando tratadas por 48h nas concentrações de 250 µg/mL e 500 µg/mL, não havendo diferenças significativas entre as doses(Figura 10). Diferentemente dos resultados obtidos na linhagem HeLa, a linhagem SiHa na concentração de 500 µg/mL apresentou citotoxicidade em torno de 43% e 35%, respectivamente, para as cinéticas de 24h e 48h (Figuras 7 e 9). Em relação ao uso CDDP, quando avaliou-se o ensaio de citotoxicidade, observou-se que os venenos do gênero Bothrops induziram uma citotoxicidade superior quando comparado com a Cisplatina, nas diferentes concentrações e tempo de exposição. De forma contraria, durante o ensaio de MTT com as mesmas linhagens tumorais, o veneno TSR proporcionou uma maior viabilidade celular em relação aos dados obtidos frente ao CDDP (Figuras 7, 8, 9 e 10)..

(38) 38. FIGURA 7 Efeito dos venenos na linhagem SiHa, tratamento por 24h.a, b , c letras diferentes correspondem aos dados significativos . CN – Células não tratadas, CDDP – Cisplatina, TSR – Veneno de T. serrulatus, BJ – Veneno de B. jararaca, BE – Veneno de B. erythromelas. Os resultados foram analisados por meio do teste ANOVA–Tukey ( p ˂ 0.001 )..

(39) 39. FIGURA 8 Efeito dos venenos na linhagem HeLa, tratamento por 24h.a, b , c letras diferentes correspondem aos dados significativos. CN – Células não tratadas, CDDP – Cisplatina, TSR – Veneno de T. serrulatus, BJ – Veneno de B. jararaca, BE – Veneno de B. erythromelas. Os resultados foram analisados por meio do teste ANOVA–Tukey ( p ˂ 0.001 )..

(40) 40. FIGURA 9 Efeito dos venenos na linhagem SiHa, tratamento por 48h.a, b , c letras diferentes correspondem aos dados significativos. CN – Células não tratadas, CDDP – Cisplatina, TSR – Veneno de T. serrulatus, BJ – Veneno de B. jararaca, BE – Veneno de B. erythromelas. Os resultados foram analisados por meio do teste ANOVA–Tukey ( p ˂ 0.001 )..

(41) 41. FIGURA 10 Efeito dos venenos na linhagem HeLa, tratamento por 48h.a,. b , c. letras diferentes correspondem aos dados significativos. CN – Células não tratadas, CDDP – Cisplatina, TSR – Veneno de T. serrulatus, BJ – Veneno de B. jararaca, BE – Veneno de B. erythromelas. Os resultados foram analisados por meio do teste ANOVA–Tukey ( p ˂ 0.001 )..

(42) 42. 5.3 AÇÃO DOS VENENOS NO PROCESSO DE MORTE CELULAR. Utilizou-se os ensaios com Anexina V e Iodeto de Propídeo, com intuito de investigar se as células que sofreram citotoxicidade estavam morrendo. pelo. processo de apoptose ou necrose. Para responder tal propósito, linhagens de câncer cervical SiHa e HeLa foram desafiadas com concentrações de 250 µg/mL (TSR) e 50 µg/mL (BJ e BE) por 48h (Figuras 11, 12 e 13). Após esse intervalo de tempo, as células foram submetidas ao ensaio para avaliar o processo de morte celular utilizando a Anexina V-FITC e PI. Os resultados obtidos são visualizados na figura 11.. Figura 11 Diagrama de Anexina V-FITC/PI por citometria de fluxo.. Ambos os venenos das serpentes Bothrops diminuíram bruscamente o número de células viáveis em comparação ao seu CN. Contudo, pode-se observar que o tratamento com BJ e BE induziu a morte celular via apoptose. Vale ressaltar ainda que, nas mesmas condições, o veneno TSR teve um percentual inferior de apoptose na linhagem SiHa quando comparado a linhagem HeLa..

(43) 43. Os dados obtidos pelo citômetro e analisado pelo programa FlowJo diferenciaram e quantificaram o processo de morte celular das linhagens estudadas expostas aos venenos de TSR, BJ e BE, sendo o histograma interpretado da seguinte maneira: Anexina-/PI+ (Q1) – porcentagem de células em necrose; Anexina+/PI+ (Q2) – porcentagem de células em estágio de apoptose tardia; Anexina+/PI- (Q3) – porcentagem de células em apoptose precoce; Anexina-/PI- (Q4) – porcentagem de células viáveis.. Interessantemente, ao avaliar as células não tratadas, observou-se uma porcentagem superior a 95% de células viáveis, ou seja, que não sofreram processo de morte celular. Esse dado demonstra que os venenos foram capazes de induzir apoptose em linhagens de câncer cervical..

(44) 44. No intuito de melhor visualizarmos os resultados da citometria e o tipo de morte celular que ocorreu nas linhagens SiHa e HeLa tratadas com ambos os venenos das serpentes, utilizou-se e analisou-se a figura abaixo: A. B. Figura 12 Análises de citometria de fluxo das células SiHa e HeLa tratadas com venenos de serpentes e marcadas com Anexina V-FITC e PI. As células SiHa (A), HeLa (B) foram tratadas com 50 µg/mL dos venenos BJ e BE, exposto por 48 horas. Bothrops jararaca (BJ) e Bothrops erythromelas (BE). A significância foi determinada por ANOVA com pós-teste de Tukey (p < 0.001)..

(45) 45. A. B. Figura 13 Análises de citometria de fluxo das células SiHa e HeLa tratadas com veneno de escorpião T. serrulatus e marcadas com Anexina V-FITC e PI. As células SiHa (A), HeLa (B) foram tratadas com 250 µg/mL dos venenos TSR, exposto por 48 horas. A significância foi determinada por ANOVA com pós-teste de Tukey (p < 0.001)..

(46) 46. Diante desses resultados, verificamos que os venenos T. serrulatus, B. jararaca e B. erythromelas são considerados atrativos já que se apresentaram citotoxicidade para as linhagens tumorais SiHa e HeLa..

(47) 47. 6 DISCUSSÃO. O crescimento e a multiplicação celular são um processo determinado, em parte, pela capacidade de replicação e consequente divisão da célula, e por outro, pelos mecanismos apoptóticos que levam à morte celular. Em relação aos trabalhos em câncer cervical, os estudos explorando o veneno do escorpião são bem escassos. Recentemente, demonstrou-se em linhagens HeLa que o veneno da espécie Centruroides limpidus limpidus induziu a apoptose em uma maneira dosedepedente (CONTRERAS-ORTIZ et al., 2013). Estudos recentes com linhagem de carcinoma pancreatico PANC-1, verificou-se que o peptídeo Chlorotoxin (CTX) derivado da toxina do Leiurus quinquestriatus inibiu a ativação da metaloproteinases de matriz-2 (MMP-2) (EL-GHLBAN et al., 2014). Em linhagem de câncer de mama MDA-MB-435, o veneno do Rhopalurus junceus apresentou uma toxicidade seletiva (DÍAZ-GARCÍA et al., 2013). Ainda, em linhagens de câncer de mama MCF-7, observou-se que o veneno do escorpião da espécie Odontobuthus doriae demonstrou uma ação apoptótica e antiproliferativa mediada pela inibiçãoda síntese de DNA (ZARGAN et al., 2011). Enquanto a espécie Buthus matensiiKarsch inibiu o crescimento dessa mesma linhagem, induzindo-a a apoptose e bloqueio de proteínas do ciclo celular em fase G0/G1 (LI et al., 2014). Ainda na interface do câncer, cultura de células leucêmicas humanas U937 e K562 quando tratadas com o veneno do escorpião preto da espécie Heterometrus bengalensis apresentou um aumento do processo de apoptose, sugerindo também um efeito antiproliferativo (DAS GUPTA et al., 2007). O presente estudo demonstrou que as linhagens SiHa e HeLa quando desafiadas com os venenos T. serrulatus, B. jararaca e B. erythromelas apresentam alterações morfológicas, tais como perda da aderência, retração celular e formação de corpos apoptóticos. De fato, esses achados foram intensificados na presença dos venenos do gênero Bothrops. Dados semelhantes foram obtidos em linhagem de melanoma (B16-F10) desafiadas com lectina BIL extraída do veneno da serpente B. leucurus (ARANDA-SOUZA et al., 2014). Outro estudo de Zargan et al. (2011) demonstrou retração celular e ruptura em linhagem de câncer de mama quando as linhagens foram desafiadas com o veneno da espécie de escorpião Odontobuthus.

(48) 48. doriae. A linhagem HeLa apresentou prolongamentos em sua membrana, sugerindo que a mesma estava entrando em apoptose ao ser desafiada pelo veneno do escopião Rhopalurus junceus (DÍAZ-GARCÍA et al., 2013). Quando se avaliou à viabilidade celular, o veneno do gênero Bothrops apresentou citotoxicidade superior a 90% nas linhagens tumorais estudadas de maneira dose-dependente. No contexto do câncer, até o presente momento, não há dados publicados com a espécie Bothrops erythromelas, contudo os resultados obtidos neste trabalho estão em concordâncias com os obtidos em frações isoladas do veneno da Bothrops em linhagens de melanoma (MARIA et al., 2014), bem como em modelo in vivo apresentando tumor Ascítico de Ehrlich (SILVA et al., 2002). Obteve-se citotoxicidade dose-dependente quando utilizou-seveneno bruto da serpente Vipera lebetina turanica em linhagens de câncer cervical Caski e C33A (LEE et al., 2014). Sabe-se que alguns venenos de escorpião têm proporcionado aumento da citotoxicidade frente a linhagens tumorais de mama (D’Suze et al., 2010; DÍAZGARCÍA et al., 2013), de gliomas (ZARGAN et al., 2011), leucêmicas (DAS GUPTA et al.; 2007), colón (JORGE, et al., 2011), carcinoma gástrico (NOLTE et al., 2012) e de próstata (ZHANG et al., 2009). Quando desafiamos as linhagem SiHa e HeLa com o veneno do TSR nas primeiras 24 horas observou-se um citotoxidade discreta em ambas linhagens de carcinoma cervical. Quando prolongamos o desafio para cinética de 48h, observou-se que a linhagem HeLa foi mais sensível a ação do veneno (75% de citotoxicidade). Zargan et al. (2011), ao testar veneno da escorpião Odontobuthus doriae em células de mama (MCF-7), observaram citotoxicidade em 60%. Ao contrario do veneno do escorpião, os venenos das serpentes durante o ensaio pelo MTT foram mais citotóxica em ambas as células SiHa e HeLa, e este efeito foi dose-dependente. No contexto do câncer cervical, os trabalhos que trazem aplicação do veneno de diferentes espécies de escorpiões e serpentes são bem escassos. Pesquisas utilizando frações isoladas do veneno do escorpião T. discrepans mostrou-se promissora em linhagem de câncer de mama (D’SUZE et al., 2010). Em relação as serpentes das famílias Viperidae, Elapidae e Colubridae, as mesmas apresentaram ação citotóxica e efeitos catalíticos em linhagens tumorais de mama MCF-7 e melanoma A-375, conferindo um potencial terapêutico e uma perspectiva no.

(49) 49. desenvolvimento de novas drogas contra este tipo de câncer (BRADSHAW et al., 2014). Trabalho realizado com linhagem CaSki e C33A de carcinoma cervical demonstrou inibição do crescimento e apoptose via NF-kB, quando tratada com veneno da serpente Vipera lebetina turanica (LEE et al., 2014). Após os ensaios de citotoxicidade, a próxima pergunta que precisava ser respondida era o motivo pelo qual as células desafiadas com diferentes venenos estavam morrendo. Para tal propósito, os ensaios de morte celular com os diferentes venenos indicaram que o tratamento induziu o processo de apoptose e necrose nas linhagens tumorais avaliadas. De fato, o veneno do gênero da serpente Bothrops demonstrou uma maior intensidade de indução de morte celular tempo-dependente quando comparado com o veneno do escorpião. JORGE et al. (2011) obtiveram um percentual de morte por apoptose em linhagem de glioma quando desafiado por três espécies de Bothrops. Recentemente, foi isolado da serpente Crotalus durissus terrificus uma proteína capaz de inibir o crescimento e induzir apoptose das células de câncer pulmonar (HAN, et al., 2014). LIANG et al. (2007) isolaram uma proteína, denominada ACTX-8, da serpente Agkistrodon acutus, responsável por induzir apoptose, de maneira tempo-dependente, em linhagem de câncer. Duas toxinas isoladas de B. jararaca promoveram o aumento de apoptose e necrose em linhagem de melanoma B16F10 (MARIA et al., 2014). Diferentemente desses achados, quando utilizou-se uma lectina extraída do veneno da serpente B. leucurus obteve-se um alto percentual de necrose em linhagem de melanoma (ARANDA-SOUZA et al., 2014). Sabe-se que as linhagens de câncer cervical estudas no trabalho em tela são infectadas pelo HPV, e que este vírus tem intima relação com o câncer cervical (ZUR HAUSEN, 2002). Já foi bem descrito que o Papilomavírus Humano utiliza diferentes estratégias para se evadir da resposta imunitária do hospedeiro e, desta forma, proteger a célula infectada pelo vírus de entrar em apoptose (STONE et al.; 2014). De fato, o mecanismo de carcinogênese do HPV é, principalmente, via inibição da proteína supressora de tumor denominada p53. Estudos demonstraram que esta proteína é responsável pelo reparo em nível de DNA e pela indução de apoptose em células que acumularam mutações (ALABSI et al., 2012 ;ALEXANDER et al., 2014). Frente a estes dados, poderíamos especular que o vírus presentes nestas células estaria criando diferentes mecanismos para que a célula infectada não morresse por.

(50) 50. apoptose, e com isso as linhagens de câncer apresentam mais resistentes à ação dos venenos, como observado, principalmente, quando desafiados com venenos do escorpião. O presente trabalho sugere, pela primeira vez, um papel citotóxico e apoptótico dos venenos das serpentes B. jararaca e B. erythromelas em linhagens de carcinoma cervical, o que os torna promissores na terapêutica deste tipo de câncer. No entanto, mais estudos são necessários para entender os mecanismos envolvidos..

(51) 51. 7 CONCLUSÃO. Pode-se concluir que:. 1- O veneno do gênero Bothrops induziu uma expressiva citotoxicidade e apoptose nas células estudadas quando comparado com o veneno do Tityus serrulatus. 2- O veneno do T. serrulatus inibiu o crescimento da linhagem HeLa na cinética de 48h, enquanto a linhagem SiHa se mostrou resistente ao tratamento. Com obtenção desses dados, pode-se especular que veneno TSR pode levar mais tempo. para. ser. metabolizado. nas. células,. necessitando. de. altas. concentrações quando comparado aos venenos das serpentes do gênero Bothrops.. Esses resultados demonstraram pela primeira vez, que os venenos das serpentes Bothrops jararaca e Bothrops erythromelas, pode ser considerado um potente indutor de citotoxicidade e apoptose em linhagens de câncer cervical, abrindo uma perspectiva no delineamento de futuras pesquisas de novos agentes para o tratamento do câncer cervical. ..

(52) 52. 8 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS. AGORASTOS, T.; CHATZISTAMATIOU, K.; KATSAMAGKAS, T.; et al. PRIMARY SCREENING FOR Cervical Cancer Based on High-Risk Human Papillomavirus (HPV) Detection and HPV 16 and HPV 18 Genotyping, in Comparison to Cytology. Liu X, ed. PLoS ONE.;10(3):e0119755 (2015).. AJIRO, MASAHIKO AND ZHENG, ZHI-MING. Oncogenes and RNA splicing of human tumor viruses. Emerg Microbes Infect. 3(9): e63, Sep (2014).. ALABSI, A. M.; ALI,R.; ALI, A. M.; AL-DUBAI, S. A.; HARUN, H.; ABU, KASIM. NH.; ALSALAHI, A. Apoptosis Induction, Cell Cycle Arrest and In vitro Anticancer Activity of Gonothalamin in a Cancer Cell Lines. Asian Pac J Cancer Prev.; 13 (10):5131-6 (2012).. ALEXANDER, R. E.; WILLIAMSON, S. R.; RICHEY, J.; LOPEZ-BELTRAN, A.; MONTIRONI, R. ; DAVIDSON, D. D.; IDREES, M. T.; JONES, C. L.; ZHANG, S.; WANG, L.; RAO, Q.; PEDROSA, J. A.; KAIMAKLIOTIS, H. Z.; MONN, M. F. ; KOCH, M. O. ; CHENG, L. The Expression Patterns of p53 and p16 and an Analysis of a Possible Role of HPV in Primary Adenocarcinoma ofthe Urinary Bladder.PLOS ONE, Volume 9, April(2014). AMINU, M.;GWAFAN, J.;INABO, H.;OGUNTAYO, A.;ELLA, E.;KOLEDADE, A. Seroprevalence of human papillomavirus immunoglobulin G antibodies among women presenting at the reproductive health clinic of a university teaching hospital in Nigeria.Int J WomensHealth.13;6:479-87, May (2014). ARANDA-SOUZA, M. A.; ROSSATO, F. A.; COSTA, R. A. P.; FIGUEIRA, T. R.; CASTILHO, R. F. C.; GUARNIERE, M. G.; NUNES, E. S.; COELHO, L. C. B. B.; CORREIA, M. T.S.; VERCESI, A. E. A lectin from Bothrops leucurus snake venom raises cytosolic calcium levels and promotes B16-F10 melanoma.

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