Um estudo sobre fun¸
c˜
oes enquadrado
nos novos programas de Matem´
atica
Ana Cristina Lopes Augusto
Orientadora: Isabel Alexandra Ferreira da Silva Vaz Nicolau
Co-orientadora: Elza Maria Alves de Sousa Amaral
Mestre em Ensino de Matem´atica no 3o Ciclo do
Ensino B´asico e Secund´ario de acordo com o disposto no Decreto-Lei n.o 74/2006 de 24 de mar¸co.
Agradecimentos
A realiza¸c˜ao desta disserta¸c˜ao foi acompanhada por v´arios colaboradores, sapientes e impres-cind´ıveis `a concretiza¸c˜ao deste trabalho. A todos, muito obrigada. `As minhas orientadoras, Professora Doutora Isabel Alexandra Nicolau e Professora Doutora Elza Maria Alves de Sousa Amaral, pelo empenho, dedica¸c˜ao e total disponibilidade com que dirigiram e acompanharam esta disserta¸c˜ao. As sugest˜oes e coment´arios proferidos foram fundamentais para a consecu¸c˜ao da mesma. Aos familiares e amigos que me apoiaram e estimularam nesta iniciativa. De um modo muito especial, `a minha m˜ae, que foi o principal pilar para a realiza¸c˜ao desta disserta¸c˜ao, cuidando dos meus filhos e acompanhando-os quando eu estive ausente. Este apoio incondicional revelou-se imprescind´ıvel na efetiva¸c˜ao deste trabalho. ´E aos meus filhos, Francisco e Joana, que dedico este trabalho.
Conte´
udo
Resumo ix
Abstract xi
Introdu¸c˜ao 1
1 Programas de Matem´atica desde 1991 3
1.1 Programa de Matem´atica do 3o Ciclo do Ensino B´asico 1991 . . . 3
1.2 Programa de Matem´atica do Ensino Secund´ario 1991 . . . 5
1.3 Curr´ıculo Nacional do Ensino B´asico . . . 8
1.4 Novo Programa de Matem´atica do Ensino B´asico 2007 . . . 9
1.5 Programa de Matem´atica do Ensino Secund´ario 2003/2004 . . . 18
1.6 Metas de Aprendizagem . . . 28
2 Fun¸c˜oes 31 2.1 No¸c˜oes preliminares . . . 31
2.1.1 Opera¸c˜oes L´ogicas . . . 31
2.1.2 Conjuntos . . . 32
2.1.3 O conjunto dos n´umeros reais . . . 33
2.1.4 Correspondˆencias e aplica¸c˜oes . . . 35
2.2 Fun¸c˜oes reais de vari´avel real . . . 36
2.2.1 Tipos de fun¸c˜oes . . . 36
2.2.2 Opera¸c˜oes entre fun¸c˜oes . . . 39
2.2.3 Classifica¸c˜ao de fun¸c˜oes . . . 39
2.2.4 Composi¸c˜ao de fun¸c˜oes . . . 40
2.2.5 Inversa de uma fun¸c˜ao . . . 40
2.2.6 Fun¸c˜oes exponencial e logar´ıtmica . . . 41
2.2.7 Fun¸c˜oes trigonom´etricas . . . 42
2.2.8 Fun¸c˜oes Trigonom´etricas Inversas . . . 44
2.3 Limites e Continuidade de Fun¸c˜oes . . . 45
2.3.1 No¸c˜oes Topol´ogicas . . . 45
2.3.2 Limite de uma fun¸c˜ao num ponto . . . 46
2.3.3 Teoremas sobre limites de fun¸c˜oes . . . 47
2.3.4 Limites laterais . . . 49
2.3.5 Limites no infinito. Limites infinitos . . . 50 vii
2.3.6 Continuidade num ponto . . . 50
2.3.7 Continuidade num intervalo . . . 52
2.4 Diferencia¸c˜ao . . . 54
2.4.1 Defini¸c˜ao e interpreta¸c˜ao geom´etrica de derivada de uma fun¸c˜ao num ponto 54 2.4.2 Propriedades das fun¸c˜oes deriv´aveis . . . 56
2.4.3 Derivadas sucessivas . . . 58
2.5 Aplica¸c˜oes da derivada . . . 58
2.5.1 Determina¸c˜ao de extremos de fun¸c˜oes . . . 62
2.5.2 Concavidades e pontos de inflex˜ao . . . 63
2.5.3 Ass´ıntotas . . . 64
2.5.4 Estudo completo de uma fun¸c˜ao real de vari´avel real . . . 65
3 Tarefas aplicadas na sala de aula 69 3.1 Tarefa 1 - A Compra do televisor . . . 73
3.2 Tarefa 2 - O tesouro escondido . . . 77
3.3 Tarefa 3 - A corrida dos 400 metros . . . 79
3.4 Tarefa 4 - Interpreta¸c˜ao de tabelas e gr´aficos . . . 81
3.5 Tarefa 5 - As Fun¸c˜oes Quadr´aticas do tipo y = ax2 . . . 85
3.6 Tarefa 6 - Dia do Patrono da Escola . . . 87
Anexos i ´Indice de Tabelas . . . xviii
´Indice de Figuras . . . xix
Resumo
Os novos programas de matem´atica do terceiro ciclo do ensino b´asico, conduziram profes-sores e alunos a grandes mudan¸cas nas pr´aticas letivas. O ensino da disciplina passou a ter o seu principal enfoque no aluno, pretendendo que este se torne um agente mais dinˆamico e participativo das novas pr´aticas de sala de aula. Na consecu¸c˜ao deste trabalho, come¸ca-se por analisar e comparar os anteriores programas do terceiro ciclo do ensino b´asico e secund´ario com os atuais. Constatando que o t´opico das fun¸c˜oes ´e abordado de forma transversal, ao longo de toda a escolaridade, realiza-se um estudo te´orico sobre as fun¸c˜oes, como suporte para o professor nas suas pr´aticas letivas. Com base nos objetivos preconizados no novo programa e nas suas especificidades metodol´ogicas, realizam-se a planifica¸c˜ao e aplica¸c˜ao, em contexto de sala de aula, de tarefas, versando o t´opico das fun¸c˜oes no terceiro ciclo do ensino b´asico. Descreve-se e analisa-se o desempenho dos alunos na realiza¸c˜ao dessas tarefas.
Abstract
The new math programs for the third cycle of basic education, led teachers and students to major changes in their teaching methods. The teaching began to have its main focus on the student, intending it to become an agent more dynamic and participatory in the new classroom practices. Pursuing this work, we start by analyzing and comparing the previous programs of the third cycle of basic education and secondary with the current one. Considering that the topic of functions is approached transversely throughout the pre-university school, we carried out a theoretical study on the functions, to support teachers in their practices. Basing our work in the goals set defined by the new national curricula and their methodological particularities, six working tasks on the functions topics, for the third cycle of basic education, were planned and prepared to realize in the context of the classroom. We also describe and analyze the performance of students during the accomplishment of the working tasks.
Introdu¸
c˜
ao
O programa da disciplina de matem´atica do ensino b´asico e secund´ario sofreu significativas altera¸c˜oes ao longo desta ´ultima d´ecada. Verificam-se mudan¸cas n˜ao s´o ao n´ıvel dos cont´eudos como tamb´em na forma de leciona¸c˜ao dos programas. A leitura atenta dos novos documen-tos normativos sobre o programa de matem´atica remete-nos para altera¸c˜oes significativas nas pr´aticas letivas, sendo que hoje, o trabalho de sala de aula pressup˜oe dinˆamicas substancial-mente diferentes das at´e aqui dominantes. O professor passa a assumir um papel primordial na orienta¸c˜ao e acompanhamento de todo o processo de ensino/aprendizagem e, por sua vez o aluno, adota um papel de destaque na sala de aula, sendo esperado que seja induzido a construir o seu pr´oprio conhecimento. Desta forma, pretende-se desenvolver nos alunos, n˜ao s´o uma maior autonomia nas aprendizagens realizadas como tamb´em um maior desenvolvimento das capacida-des de comunica¸c˜ao matem´atica, racioc´ınio matem´atico e resolu¸c˜ao de problemas, denominadas de transversais a qualquer tema preconizado neste novo programa.
No terceiro ciclo do ensino b´asico, o novo programa de matem´atica est´a estruturado segundo quatro temas: n´umeros e opera¸c˜oes; ´algebra; geometria; e organiza¸c˜ao e tratamento de dados. O estudo das fun¸c˜oes, integrado no grande tema da ´algebra foi o que nos suscitou particular interesse e impulsionou o nosso estudo.
A transversalidade do t´opico das fun¸c˜oes estende-se ao longo do ensino b´asico e secund´ario, pelo que nesta disserta¸c˜ao, foi previamente realizado um estudo cient´ıfico das fun¸c˜oes no terceiro ciclo e secund´ario. Este estudo serviu de suporte `a realiza¸c˜ao e aplica¸c˜ao de seis tarefas a propor aos alunos de uma turma do s´etimo ano e uma turma do nono ano. A escolha destes anos de escolaridade prendeu-se com o facto de terem sido estes dois n´ıveis os atribu´ıdos `a professora investigadora no ano letivo 2011/12 e, portanto, ser mais f´acil a sua aplicabilidade.
Esta disserta¸c˜ao est´a dividida em trˆes cap´ıtulos: Programas de matem´atica desde 1991; Fun¸c˜oes e, Tarefas aplicadas na sala de aula.
No primeiro cap´ıtulo, elaborou-se um estudo comparativo dos programas de matem´atica desde 1991 com os programas que entraram em vigor a partir de 2007 no ensino b´asico e a partir de 2003/04 no ensino secund´ario. Come¸cou-se por analisar os documentos estruturantes, apresentando as linhas orientadoras gerais de cada um, tendo sido elaborada uma reflex˜ao sobre os mesmos. De seguida, foram constru´ıdas tabelas comparativas dos cont´eudos program´aticos das fun¸c˜oes dos antigos com os novos programas, a fim de se conseguir a abrangˆencia necess´aria `
a perce¸c˜ao das mudan¸cas significativas entre eles.
No segundo cap´ıtulo, fez-se um estudo sobre fun¸c˜oes. Este estudo teve como principal prop´osito aprofundar os conceitos sobre fun¸c˜oes no sentido de melhorar as pr´aticas letivas sub-jacentes ao estudo deste t´opico.
No terceiro cap´ıtulo, foram planificadas seis tarefas integradas no t´opico das fun¸c˜oes do terceiro ciclo, visando: abranger todos os objetivos program´aticos poss´ıveis deste t´opico; escolher tarefas diversificadas que promovessem o desenvolvimento das capacidades transversais previstas, particularmente aplicadas ao estudo das fun¸c˜oes; e, implementar as novas metodologias de ensino em sala de aula. O trabalho realizado com os alunos, na sala de aula, foi analisado e, feita uma reflex˜ao quanto ao desenvolvimento, aquisi¸c˜ao e compreens˜ao dos conceitos estudados. Foi igualmente previsto o uso das novas tecnologias no que respeita `a discuss˜ao de algumas tarefas.
Programas de Matem´
atica desde
1991
Nas seguintes sec¸c˜oes vamos resumir os documentos normativos e estruturantes dos pro-gramas de Matem´atica do terceiro ciclo e secund´ario, desde o ano de 1991. Faremos ainda, a compara¸c˜ao destes programas no que respeita ao t´opico das fun¸c˜oes, atrav´es da elabora¸c˜ao de duas tabelas.
1.1
Programa de Matem´
atica do 3
oCiclo do Ensino B´
asico 1991
O programa da disciplina de Matem´atica para o 3o ciclo foi publicado e estruturado segundo dois volumes: o Volume I - Organiza¸c˜ao Curricular e Programas e o Volume II - Plano de Organiza¸c˜ao do Ensino - Aprendizagem.
No primeiro volume, ap´os uma breve introdu¸c˜ao, s˜ao descritas as suas componentes fun-damentais, como sendo: as finalidades; os objetivos gerais; os conte´udos; as orienta¸c˜oes meto-dol´ogicas; e a avalia¸c˜ao. Os conte´udos tem´aticos s˜ao apresentados por ciclo e organizados em quatro temas: Geometria, N´umeros e C´alculo, Estat´ıstica e Fun¸c˜oes.
E em particular, no tema das Fun¸c˜oes, ´e dada especial aten¸c˜ao ao conceito de fun¸c˜ao, es-tudado n˜ao s´o em contexto Matem´atico mas tamb´em de outras ciˆencias (F´ısica, Geografia, Economia, ...); `a leitura, interpreta¸c˜ao e constru¸c˜ao de gr´aficos e, `a representa¸c˜ao gr´afica e anal´ıtica de uma fun¸c˜ao.
Os conte´udos abordados neste tema, s˜ao: Proporcionalidade direta, Conceito de fun¸c˜ao, A proporcionalidade direta como fun¸c˜ao, Proporcionalidade inversa, A proporcionalidade inversa como fun¸c˜ao e An´alise de gr´aficos que traduzem situa¸c˜oes da vida real.
Para uma eficaz concretiza¸c˜ao dos temas s˜ao propostas orienta¸c˜oes metodol´ogicas, no ˆambito da resolu¸c˜ao de problemas, do racioc´ınio, da comunica¸c˜ao, dos conhecimentos, da hist´oria da matem´atica, do papel do professor e dos recursos. Entre outras, destacam-se as seguintes:
• os conceitos s˜ao abordados sob diferentes pontos de vista e progressivos n´ıveis de rigor e
formaliza¸c˜ao[7, pp. 193];
• As atividades a desenvolver, individuais ou em grupo, dever˜ao ser diversificadas e motiva-doras, pretendendo desenvolver a autonomia e o sentido de coopera¸c˜ao;
• A capacidade de resolu¸c˜ao de problemas adquire-se atrav´es da pr´atica continuada de re-solu¸c˜ao de muitos tipos de problemas;
• Devem ser propostas, ao aluno, atividades que permitam desenvolver o racioc´ınio indutivo e dedutivo e ser˜ao inseridas algumas no¸c˜oes de l´ogica consoante a necessidade;
• Devem ser propostas atividades que estimulem o aluno a usar linguagem matem´atica, nomeadamente para explicar os seus racioc´ınios e defender as suas ideias. No entanto, pela dificuldade que causa aos alunos, o seu uso formal deve ser introduzido de forma progressiva.
• A aquisi¸c˜ao de conhecimentos deve, ser feita inicialmente atrav´es da resolu¸c˜ao de pro-blemas, que envolvam conceitos e t´ecnicas j´a adquiridos pelos alunos, e em consequˆencia conduzam `a descoberta de novas no¸c˜oes;
• Cada conceito deve ser tratado e retomado em momentos e contextos diferentes[7, pp.
195];
• A atividade do professor deve caminhar no sentido deste ser o dinamizador e regulador do sistema de aprendizagem e onde toda a atividade se centra no aluno.
Por sua vez, o Volume II - Plano de Organiza¸c˜ao do Ensino - Aprendizagem, ´
e constitu´ıdo por um conjunto de propostas de trabalho, que sem terem um car´ater norma-tivo, pretendem esclarecer o professor quanto `as v´arias componentes curriculares facilitando-lhe, assim, as suas planifica¸c˜oes. Para que o professor tenha uma vis˜ao global do programa, os conte´udos tem´aticos s˜ao apresentados por anos. De seguida, apresentam-se para cada unidade, objetivos espec´ıficos e observa¸c˜oes/sugest˜oes metodol´ogicas que visam concretizar as orienta¸c˜oes metodol´ogicas sugeridas no volume I.
Pode observar-se nos gr´aficos elaborados no documento, que ´e no nono ano que o tema das Fun¸c˜oes assume maior peso relativo.
No s´etimo ano, os alunos estudam a Proporcionalidade Direta. S˜ao propostos problemas em contextos reais, abordando diferentes ´areas do conhecimento. Os alunos trabalham com juros, taxas, cˆambios, escalas de mapas, entre outros. Utilizam propor¸c˜oes, a regra de trˆes simples e efetuam o c´alculo de percentagens usando a calculadora e/ou o c´alculo mental.
No oitavo ano, parte-se da ideia intuitiva de correspondˆencia, trabalhada na proporciona-lidade direta e introduz-se o conceito de fun¸c˜ao e linguagem relativa `as fun¸c˜oes. Estudam-se os diferentes modos de representar uma fun¸c˜ao e ainda, a proporcionalidade direta como uma fun¸c˜ao. S˜ao apresentados gr´aficos de fun¸c˜oes ligados a situa¸c˜oes concretas e estudadas as va-ria¸c˜oes dos parˆametros k e b nas fun¸c˜oes definidas por equa¸c˜oes do tipo y = kx + b.
No nono ano, retoma-se o conceito de fun¸c˜ao com o estudo da Proporcionalidade Inversa. A partir de situa¸c˜oes da vida real, ´e proposto aos alunos que resolvam problemas de propor-cionalidade inversa. S˜ao, de novo, confrontados com o conceito de fun¸c˜ao, j´a estudado em anos anteriores, mas que agora ´e novamente concretizado no estudo da fun¸c˜ao inversa perante a sua express˜ao anal´ıtica, constru¸c˜ao e interpreta¸c˜ao de tabelas e gr´aficos. S˜ao, ainda, apresentados outros tipos de gr´aficos e explorada a sua an´alise fazendo uso da comunica¸c˜ao matem´atica.
Assim, em termos globais, o estudo das fun¸c˜oes no 3o ciclo, ´e concretizado em contextos da vida real, da matem´atica e das outras ciˆencias, tratando-se de uma abordagem mais direcionada para a organiza¸c˜ao, tratamento e interpreta¸c˜ao de informa¸c˜oes. O estudo mais formal e refinado deste tema ´e feito a partir do 11oano, com base nos conte´udos da an´alise infinitesimal, pelo que, a partir dessa etapa, os conceitos adquiridos, at´e ent˜ao, de forma intuitiva ser˜ao progressivamente formalizados e interiorizados pelos alunos.
1.2
Programa de Matem´
atica do Ensino Secund´
ario 1991
As pretens˜oes de mudan¸ca sentidas por grande parte dos professores de matem´atica do pa´ıs foram institu´ıdas nas suas pr´aticas letivas - ”A reforma curricular dos programas do ensino secund´ario”, passou a ser uma realidade. Foram seguidos os princ´ıpios e orienta¸c˜oes definidos na Lei de Bases do Sistema Educativo e, concretizados no Decreto Lei no286/89. Produziram-se propostas program´aticas espec´ıficas para a disciplina de matem´atica que foram realizadas por uma equipa de trabalho constitu´ıda para o efeito. E, na sua elabora¸c˜ao, houve o cuidado de ser feita uma interliga¸c˜ao entre os diferentes ciclos de ensino e o ensino secund´ario, de forma a tornar-se um documento coeso. Procurou dar-se uma nova orienta¸c˜ao ao processo educativo, prevendo no curr´ıculo, n˜ao s´o a aquisi¸c˜ao de conhecimentos ao n´ıvel das aptid˜oes e capacidades, assumindo neste n´ıvel de ensino um peso relevante, mas tamb´em o desenvolvimento de atitudes e a consciencializa¸c˜ao de valores. Neste sentido, s˜ao apontados os seguintes objetivos gerais para o ensino secund´ario:
• Criar as condi¸c˜oes que permitam a consolida¸c˜ao e aprofundamento da autonomia pessoal
conducente a uma realiza¸c˜ao individual e social gratificante;
• Proporcionar a consolida¸c˜ao, aperfei¸coamento e dom´ınio de saberes, instrumentos e me-todologias que fundamentem a cultura human´ıstica, art´ıstica, cient´ıfica e t´ecnica, e fa-vore¸cam, numa perspectiva de educa¸c˜ao permanente, a defini¸c˜ao de interesses e motiva¸c˜oes pr´oprios face a op¸c˜oes escolares e profissionais;
• Aprofundar valores, atitudes e pr´aticas que preparem intelectual e afectivamente os jovens para o desempenho consciente dos seus pap´eis numa sociedade democr´atica.[6, pp. 9]
Para cada um destes objetivos gerais, foram enumerados objetivos espec´ıficos, quanto `a dimens˜ao pessoal, ao dom´ınio das aquisi¸c˜oes fundamentais para o desempenho de pap´eis social-mente ´uteis e no que se refere `a dimens˜ao para a cidadania.
No que respeita `a estrutura curricular, o ensino secund´ario ´e apresentado segundo uma sequˆencia de trˆes anos na qual o aluno dever´a seguir uma carreira de estudos ou uma via pro-fissional. Assim, este sistema de ensino contempla a existˆencia de cursos predominantemente orientados para a vida ativa ou para o prosseguimento de estudos, estando prevista uma mobili-dade entre eles, caso o aluno modifique as suas op¸c˜oes de vida. Os planos curriculares s˜ao, ainda, compostos por trˆes componentes de forma¸c˜ao: uma de forma¸c˜ao geral, de frequˆencia obrigat´oria; uma de forma¸c˜ao espec´ıfica e uma de forma¸c˜ao t´ecnica. A disciplina de Matem´atica, integrada na componente de forma¸c˜ao espec´ıfica, ´e comum aos dois tipos de cursos estruturantes do ensino
secund´ario, pelo que dever´a, por um lado, contribuir para a forma¸c˜ao do indiv´ıduo, e por outro, conferir as competˆencias necess´arias para qualquer uma das op¸c˜oes escolhidas.
Este documento divide-se em duas partes. Na parte I, s˜ao explicitados os pressupostos que conduziram `a elabora¸c˜ao deste programa. Assim, ap´os uma breve introdu¸c˜ao, s˜ao descritas as componentes fundamentais do programa, como sendo, as finalidades, os objetivos gerais, os conte´udos, as orienta¸c˜oes metodol´ogicas e a avalia¸c˜ao.
Os objetivos gerais dividem-se entre trˆes grandes grupos: valores e atitudes, capacidades e aptid˜oes e conhecimentos. Apresenta tamb´em, as seguintes finalidades na disciplina de ma-tem´atica:
• Desenvolver a capacidade de usar a matem´atica como instrumento de interpreta¸c˜ao e
interven¸c˜ao do real.
• Desenvolver as capacidades de formular e resolver, de comunicar, assim como a mem´oria, o rigor, o esp´ırito cr´ıtico e a criatividade.
• Promover o aprofundamento de uma cultura cient´ıfica, t´ecnica e human´ıstica que consti-tuam suporte cognitivo e metodol´ogico tanto para o prosseguimento de estudos como para a inser¸c˜ao na vida ativa.
• Contribuir para uma atitude positiva face `a ciˆencia.
• Promover a realiza¸c˜ao pessoal mediante o desenvolvimento de atitudes de autonomia e solidariedade.[6, pp. 26]
No que respeita aos objetivos propostos e finalidades a sua concretiza¸c˜ao implica o uso de uma nova metodologia, prevendo que o aluno dever´a ser o principal impulsionador da sua aprendizagem. Pelo que, ´e sugerida uma primeira abordagem intuitiva e experimental em alguns temas a lecionar, contextualizando a Matem´atica na vida pr´atica e nas outras ciˆencias.
O programa divide-se em quatro temas: N´umeros e C´alculo; Geometria e Trigonometria; Fun¸c˜oes e An´alise Infinitesimal e, Estat´ıstica e Probabilidades. Em todos eles, deve ser feita uma abordagem em espiral e progressiva ao longo do 10o, 11o e 12o anos, dando tempo ao aluno para adquirir e consolidar os conceitos abordados. Neste sentido, os temas devem ser prossegui-dos e abordaprossegui-dos v´arias vezes e em diferentes contextos, facultando uma melhor consolida¸c˜ao e relaciona¸c˜ao dos conceitos lecionados, em diferentes perspetivas. Nomeadamente, no estudo dos temas da Estat´ıstica e das Fun¸c˜oes, deve ser refor¸cada a capacidade de usar a Matem´atica em situa¸c˜oes da vida real, recorrendo, al´em desta ciˆencia, a outras como a F´ısica, Qu´ımica, Econo-mia e Geografia. E no caso particular das Fun¸c˜oes e C´alculo Infinitesimal, o programa entende que o estudo das fun¸c˜oes ´e fundamental para a interpreta¸c˜ao do mundo e suas leis. Devem, por isso, ser usados e interpretados gr´aficos de fun¸c˜oes representativos de situa¸c˜oes reais.
Neste programa, real¸cam algumas mudan¸cas significativas, como, a simbologia da l´ogica ser mais escassa, o peso da geometria aumenta e a maioria dos temas passam a ser enquadrados numa perspetiva s´ocio-cultural. O uso da calculadora, torna-se obrigat´orio, n˜ao s´o como facilitadora do c´alculo, quando este n˜ao tem papel relevante nas atividades propostas, mas tamb´em como ferra-menta usada para propiciar a explora¸c˜ao e investiga¸c˜ao de diferentes conte´udos program´aticos. O racioc´ınio dedutivo e a comunica¸c˜ao matem´atica s˜ao, tamb´em, apontamentos significativos
na orienta¸c˜ao metodol´ogica do programa. Nele se refere que, o uso adequado da linguagem matem´atica, por parte do aluno, atinge maior grau de eficiˆencia se for confrontado, ami´ude, com a necessidade de comunicar, oralmente ou por escrito, as suas ideias, pelo que se deve dar oportunidades de debate e exposi¸c˜ao das mesmas na turma. O professor deve ainda propor atividades numa perspetiva hist´orico-cultural e assumir, neste programa, um papel dinamizador e regulador do processo de ensino-aprendizagem, motivando o aluno e responsabilizando-o pela pr´opria aprendizagem.
A avalia¸c˜ao, ´e agora vista como parte integrante do processo de ensino aprendizagem, assu-mindo um papel mais formativo. O professor deve propor atividades matem´aticas significativas de forma a que o aluno se aproprie delas, desenvolva a autonomia desejada e evolua nas apren-dizagens. Por sua vez, as suas recolhas de informa¸c˜ao, efetuadas pelo professor, devem ser cont´ınuas e abrangentes, permitindo acompanhar os alunos, de modo a refor¸car e aprofundar os seus conhecimentos.
Na parte II, o documento apresenta a disposi¸c˜ao e seguimento dos diferentes temas, por ano e unidades tem´aticas, um organigrama com as principais conex˜oes entre as unidades did´aticas, gr´aficos com o peso relativo dos temas de cada ano, e, ainda, uma planifica¸c˜ao das v´arias unidades. O professor deve prever, na sua planifica¸c˜ao, como articular as diferentes unidades tem´aticas entre si, de modo a estabelecer liga¸c˜oes do mesmo conceito em contextos diferentes. Dever´a tamb´em, ter em aten¸c˜ao, que h´a conte´udos sequenciais cuja ordem n˜ao pode ser alterada. Em particular, no que respeita ao estudo do tema das Fun¸c˜oes, no 10o ano, s˜ao estudadas generalidades de fun¸c˜oes, fun¸c˜ao quadr´atica e fun¸c˜ao m´odulo. No 11o ano, s˜ao estudadas as fun¸c˜oes racionais e suas opera¸c˜oes, sucess˜oes e limites e, limites e derivadas de fun¸c˜oes. No 12o ano s˜ao estudadas a no¸c˜ao de integral, primitivas de fun¸c˜oes racionais, ´area sobre um gr´afico, fun¸c˜oes trigonom´etricas em R, e as fun¸c˜oes exponencial e logar´ıtmica.
Ao longo dos trˆes anos, o estudo das fun¸c˜oes assume um papel mais predominante no 11o e 12o anos.
A leitura pormenorizada deste documento normativo, mostra ter havido a preocupa¸c˜ao de registar, a necessidade de diversificar os conte´udos de aprendizagem, estendendo-os aos trˆes dom´ınios - conhecimentos, capacidades e atitudes. Houve tamb´em o cuidado de integrar mu-dan¸cas no que se refere ao papel relevante do aluno, considerado-o o centro de todo o processo de ensino-aprendizagem, como se afirma nas finalidades. Foram, ainda, expostas, diferentes conce¸c˜oes ao n´ıvel das op¸c˜oes metodol´ogicas gerais, das quais s˜ao exemplo, a resolu¸c˜ao de pro-blemas, o uso do racioc´ınio dedutivo, o exerc´ıcio da comunica¸c˜ao matem´atica, a utiliza¸c˜ao da calculadora e do computador, entre outros.
Mas o que constat´amos, de facto, ´e que, na pr´atica muitas das ideias preconizadas n˜ao foram integradas da melhor maneira. ´E o que podemos verificar, da leitura dos objetivos es-pec´ıficos e das op¸c˜oes metodol´ogicas espec´ıficas descritas no programa, pois, percebe-se que
nem a resolu¸c˜ao de problemas, nem a utiliza¸c˜ao de tecnologias, nem a liga¸c˜ao da matem´atica `
a realidade atrav´es da realiza¸c˜ao de projectos, constituem p´olos de orienta¸c˜ao claros dos novos programas[27, pp. 28].
Esta, ´e tamb´em a opini˜ao de Jaime Carvalho e Silva, que na mesma revista escreve um artigo, ”Sobre a proposta de novos programas de Matem´atica para o Ensino Secund´ario”[23, pp. 31]. Segundo ele, a proposta de Novos Programas de Matem´atica para o Ensino Secund´ario, carece,
antes de mais, de uma efetiva articula¸c˜ao das orienta¸c˜oes gerais do Ensino Secund´ario com as do 3o ciclo. E, aponta alguns defeitos que necessitavam ser reformulados:
• excessiva extens˜ao das mat´erias propostas;
• excessiva insistˆencia no c´alculo e nas rotinas;
• quase ausˆencia de aspectos de modela¸c˜ao matem´atica; • quase ausˆencia de problematiza¸c˜ao;
• ausˆencia de uma perspectiva num´erica, entre outros.
Apesar de tudo, e entendendo, o autor, estas ideias como pontos positivos a considerar numa reforma curricular, devem ser aprofundadas e desenvolvidas, de forma a que podendo ser integradas nas nossas pr´aticas letivas, fa¸cam parte dum contexto favor´avel para a aprendizagem. Neste sentido, os aspetos inovadores que possam ser integrados devem acompanhar as exigˆencias do ensino ao longo dos tempos e satisfazer as pretens˜oes das sociedades em constante mudan¸ca.
1.3
Curr´ıculo Nacional do Ensino B´
asico
O Departamento de Educa¸c˜ao B´asica do Minist´erio da Educa¸c˜ao publicou em 2001 o docu-mento, ”Curr´ıculo Nacional do Ensino B´asico - Competˆencias Essenciais”[2], onde se enunciam: as competˆencias gerais do aluno `a sa´ıda do ensino b´asico; as competˆencias espec´ıficas de cada disciplina; e o conjunto de experiˆencias de aprendizagem a proporcionar a todos os alunos.
Atendendo a que, a aprendizagem de um indiv´ıduo ´e feita segundo um processo progressivo e cont´ınuo, neste documento, as competˆencias foram n˜ao s´o elencadas por ciclos mas tamb´em articuladas entre eles. Por esta raz˜ao, o termo competˆencia pretende ser abrangente, no sentido de integrar conhecimentos, capacidades e atitudes.
Assim, ap´os a descri¸c˜ao das dez competˆencias gerais, onde se aponta o que ”o aluno deve ser capaz de”no final do terceiro ciclo, s˜ao ilustradas para cada uma destas a sua operacionaliza¸c˜ao transversal, ficando ao cuidado de cada ´area curricular/professor na sua disciplina decidir o modo de as concretizar. S˜ao ainda explanadas ”ac¸c˜oes a desenvolver por cada professor ”em contexto educativo, que se entendem como essenciais para o desenvolvimento dessa competˆencia.
Seguem-se as competˆencias espec´ıficas de cada disciplina/´area curricular. A Matem´atica ´e uma disciplina com grande peso no curr´ıculo do ensino b´asico. Pelo que, o desenvolvimento do seu curr´ıculo deve ser feito em sintonia com os outros curr´ıculos para que seja exequ´ıvel a promo¸c˜ao das competˆencias gerais do ensino b´asico. Em particular, importa aqui real¸car as competˆencias espec´ıficas da Matem´atica. O desenvolvimento das competˆencias matem´aticas ´e apresentado em quatro grandes dom´ınios tem´aticos: N´umeros e C´alculo; Geometria; Estat´ıstica e Probabilidades; ´Algebra e Fun¸c˜oes. O dom´ınio da ´Algebra e Fun¸c˜oes, aparece apenas no terceiro ciclo.
As competˆencias matem´aticas de aspeto geral, que todos os alunos devem desenvolver na disciplina s˜ao:
• A predisposi¸c˜ao para procurar padr˜oes e regularidades e para formular generaliza¸c˜oes em
• A aptid˜ao para analisar as rela¸c˜oes num´ericas de uma situa¸c˜ao, explicit´a-las em linguagem corrente e represent´a-las atrav´es de diferentes processos, incluindo o uso de s´ımbolos; • A aptid˜ao para construir e interpretar tabelas de valores, gr´aficos, regras verbais e outros
processos que traduzam rela¸c˜oes entre vari´aveis, assim como passar de umas forma de representa¸c˜ao para outras recorrendo ou n˜ao a instrumentos tecnol´ogicos;
• Aptid˜ao para concretizar, em casos particulares, rela¸c˜oes entre vari´aveis e f´ormulas e para procurar solu¸c˜oes de equa¸c˜oes simples;
• A sensibilidade para entender e usar as no¸c˜oes de correspondˆencia e de transforma¸c˜ao em situa¸c˜oes concretas diversas.[2]
As competˆencias matem´aticas de car´ater espec´ıfico, s˜ao:
• O reconhecimento do significado de f´ormulas no contexto de situa¸c˜oes concretas e a
aptid˜ao para us´a-las na resolu¸c˜ao de problemas;
• A aptid˜ao para usar equa¸c˜oes e inequa¸c˜oes como meio de representar situa¸c˜oes problem´aticas e para resolver equa¸c˜oes, inequa¸c˜oes e sistemas, assim como para realizar procedimentos alg´ebricos simples;
• A compreens˜ao do conceito de fun¸c˜ao e das facetas que pode apresentar, como corres-pondˆencia entre conjuntos e como rela¸c˜ao entre vari´aveis;
• A aptid˜ao para representar rela¸c˜oes funcionais de v´arios modos e passar de uns tipos de representa¸c˜ao para outros, usando regras verbais, tabelas, gr´aficos e express˜oes alg´ebricas recorrendo, nomeadamente, `a tecnologia gr´afica;
• A sensibilidade para entender o uso de fun¸c˜oes como modelos matem´aticos de situa¸c˜oes do mundo real, em particular nos casos em que traduzem rela¸c˜oes de proporcionalidade direta e inversa.[2]
1.4
Novo Programa de Matem´
atica do Ensino B´
asico 2007
O documento, Novo Programa de Matem´atica do Ensino B´asico (NPMEB) [11], estabelece um reajustamento do anterior programa para o ensino b´asico introduzindo mudan¸cas significati-vas no ensino da matem´atica. Segundo este, as principais raz˜oes que justificaram esta revis˜ao e aperfei¸coamento foram: a introdu¸c˜ao de modifica¸c˜oes curriculares importantes no ensino da ma-tem´atica; o desenvolvimento do conhecimento sobre o ensino e a aprendizagem da matem´atica nos ´ultimos quinze anos; e a necessidade de melhorar a articula¸c˜ao entre os programas dos trˆes ciclos.
Estas mudan¸cas refletem-se: nas finalidades e objetivos gerais propostos para o ensino da matem´atica definindo as principais metas para o ensino e aprendizagem da disciplina; na va-loriza¸c˜ao das competˆencias matem´aticas reconhecidas no Curr´ıculo Nacional do Ensino B´asico [2]; na introdu¸c˜ao de trˆes Capacidades Transversais a toda a aprendizagem matem´atica - a Re-solu¸c˜ao de Problemas, o Racioc´ınio Matem´atico e a Comunica¸c˜ao Matem´atica; e na apresenta¸c˜ao
de quatro temas estruturantes de todo o ensino/aprendizagem - N´umeros e Opera¸c˜oes, ´Algebra, Geometria e Organiza¸c˜ao e Tratamento de Dados.
Assim, todo o ensino da Matem´atica deve ser orientado por duas finalidades fundamentais: i) promover a aquisi¸c˜ao de informa¸c˜ao, conhecimento e experiˆencia em matem´atica e o
de-senvolvimento da capacidade da sua integra¸c˜ao e mobiliza¸c˜ao em contextos diversificados; ii) Desenvolver atitudes positivas face `a matem´atica e a capacidade de apreciar esta ciˆencia.[11,
pp. 3] Aliado `as finalidades s˜ao propostos um conjunto de objetivos gerais para o ensino da matem´atica que contemplam trˆes dom´ınios: o desenvolvimento de conhecimentos, capacidades e atitudes. S˜ao eles os seguintes:
1. Os alunos devem conhecer os factos e procedimentos b´asicos da matem´atica;
2. Os alunos devem desenvolver uma compreens˜ao da matem´atica;
3. Os alunos devem ser capazes de lidar com ideias matem´aticas em diversas representa¸c˜oes; 4. Os alunos devem ser capazes de comunicar as suas ideias e interpretar as ideias dos outros,
organizando e clarificando o seu pensamento matem´atico;
5. Os alunos devem ser capazes de raciocinar matematicamente usando os conceitos, repre-senta¸c˜oes e procedimentos matem´aticos;
6. Os alunos devem ser capazes de resolver problemas;
7. Os alunos devem ser capazes de estabelecer conex˜oes entre diferentes conceitos e rela¸c˜oes matem´aticas e tamb´em entre estes e situa¸c˜oes n˜ao matem´aticas;
8. Os alunos devem ser capazes de fazer matem´atica de modo aut´onomo; 9. Os alunos devem ser capazes de apreciar a matem´atica.[11, pp 4-6]
Estes objetivos gerais, aqui apresentados de forma sum´aria, pretendem clarificar o signifi-cado e alcance das finalidades enunciadas, procurando tornar mais expl´ıcito o que se espera da aprendizagem dos alunos.
No que respeita `as capacidades transversais, a Resolu¸c˜ao de Problemas ´e tida como uma capacidade matem´atica fundamental, pois al´em de ter como objetivo aprender a resolver pro-blemas, trata-se de uma atividade manifestamente importante para a aprendizagem de diversos conceitos, representa¸c˜oes e procedimentos matem´aticos. O Racioc´ınio Matem´atico, deve abran-ger a formula¸c˜ao e tese de conjeturas bem como, no final do terceiro ciclo, a sua demonstra¸c˜ao. Os alunos devem, ainda, ser capazes de distinguir entre racioc´ınio indutivo e dedutivo e reco-nhecer diferentes m´etodos de demonstra¸c˜ao. A Comunica¸c˜ao Matem´atica, por sua vez, deve assumir um cariz oral e escrito e envolver progressivamente o dom´ınio da linguagem simb´olica matem´atica.
Este documento agrega tamb´em Orienta¸c˜oes Metodol´ogicas Gerais, refor¸cando as ideias apontadas no Curr´ıculo Nacional do Ensino B´asico no que respeita ao desenvolvimento das competˆencias matem´aticas. O aluno deve ter oportunidades de se envolver em experiˆencias de aprendizagem diversificadas e significativas, das quais s˜ao exemplos: a resolu¸c˜ao de problemas; a realiza¸c˜ao de atividades de investiga¸c˜ao; a realiza¸c˜ao de projetos; a participa¸c˜ao em jogos
e ainda, resolver exerc´ıcios que lhe proporcionem a aquisi¸c˜ao e consolida¸c˜ao de conhecimentos atrav´es da pr´atica compreensiva de procedimentos. Para possibilitar este desenvolvimento, o professor deve propor aos alunos tarefas diversificadas, envolvendo contextos matem´aticos e n˜ao matem´aticos. Na apresenta¸c˜ao de uma tarefa `a turma, o professor deve, em primeiro lugar, esclarecer os alunos quanto ao que se espera do seu trabalho e apoi´a-los nas suas realiza¸c˜oes; posteriormente, deve promover a concerta¸c˜ao de resultados e ideias, numa discuss˜ao no grupo turma para que se possam institucionalizar conceitos e representa¸c˜oes matem´aticas.
Outras metodologias, referidas no novo programa do ensino b´asico, est˜ao relacionadas com as representa¸c˜oes; a explora¸c˜ao de conex˜oes; o uso de recursos; a valoriza¸c˜ao do c´alculo mental; a Hist´oria da Matem´atica bem como o seu papel no mundo atual; e as diferentes formas de trabalho em sala de aula.
Neste documento destaca-se ainda a referˆencia `a Gest˜ao Curricular. Assim, tendo em conta todas as especificidades da escola e dos alunos, o professor deve planificar o trabalho a realizar com os alunos, definindo as suas estrat´egias de ensino. Para o efeito, deve elaborar primeiro a sua planifica¸c˜ao anual e s´o depois a planifica¸c˜ao da cada unidade/aula, respetivamente. Existe tamb´em uma sec¸c˜ao dedicada `a Avalia¸c˜ao. Sobre a avalia¸c˜ao gostar´ıamos de destacar o seguinte trecho: ... deve, por isso, fornecer informa¸c˜oes relevantes e substantivas sobre o estado das
aprendizagens dos alunos, no sentido de ajudar o professor a gerir o processo de ensino apren-dizagem.[11, pp. 12] Aqui real¸ca-se a importˆancia da avalia¸c˜ao conter cumulativamente um
car´ater formativo e regulador em todo o processo de ensino aprendizagem.
O NPMEB cont´em ainda uma descri¸c˜ao dos quatro temas estruturantes ao longo dos trˆes ci-clos de estudo. Para cada um dos temas, faz-se uma pequena introdu¸c˜ao, explicita-se o prop´osito principal de ensino, os objetivos gerais de aprendizagem, as indica¸c˜oes metodol´ogicas e os t´opicos a lecionar bem como os objetivos espec´ıficos.
No t´opico das Fun¸c˜oes, englobado no tema da ´Algebra, ´e referido o seguinte: i) A articula¸c˜ao com o segundo ciclo:
Num pequeno texto faz-se um apanhado geral do que os alunos trabalharam no segundo ciclo sobre este tema, nomeadamente: a rela¸c˜ao de proporcionalidade direta; padr˜oes geom´etricos e regularidades em sequˆencias num´ericas finitas ou infinitas (sucess˜oes); generaliza¸c˜ao das proprie-dades das opera¸c˜oes num´ericas; e, ´areas e volumes de figuras e s´olidos geom´etricos.
No terceiro ciclo pretende-se que: os alunos alarguem e aprofundem o estudo da rela¸c˜ao de proporcionalidade direta, e iniciem o estudo da proporcionalidade inversa, ambas estudadas em termos de fun¸c˜oes; a partir do estudo das sequˆencias, apresentem simbolicamente o seu termo geral; estudem as equa¸c˜oes do primeiro e segundo graus e sistemas de equa¸c˜oes do primeiro grau; se introduzam as inequa¸c˜oes e as fun¸c˜oes associadas `a modela¸c˜ao de situa¸c˜oes da realidade.
ii) Como prop´osito principal de ensino pretende-se:
desenvolver nos alunos a linguagem e o pensamento alg´ebrico, a capacidade de interpretar,
representar e resolver problemas usando procedimentos alg´ebricos e de utilizar este conhecimentos e capacidades na explora¸c˜ao e modela¸c˜ao de situa¸c˜oes em contextos diversos.[11, pp. 55]
iii) Segundo os objetivos gerais de aprendizagem referidos, os alunos devem:
• Ser capazes de interpretar e representar situa¸c˜oes em contextos diversos, usando
• Compreender o conceito de fun¸c˜ao e ser capaz de o usar em diversas situa¸c˜oes, em parti-cular de proporcionalidade directa e inversa;
• ser capazes de interpretar f´ormulas em contextos matem´aticos e n˜ao matem´aticos;
• ser capazes de resolver problemas, comunicar, raciocinar e modelar situa¸c˜oes recorrendo a conceitos e procedimentos alg´ebricos.[11, pp. 55]
iv) As Indica¸c˜oes Metodol´ogicas sugerem que o desenvolvimento do pensamento alg´ebrico deve ser progressivo. Inicialmente devem propor-se tarefas diversificadas, onde os alunos pos-sam usar uma linguagem informal e, s´o mais tarde, deve ser feita uma manipula¸c˜ao alg´ebrica formal. Neste ciclo aprofunda-se o estudo das rela¸c˜oes alg´ebricas e sua simboliza¸c˜ao. O trabalho desenvolvido deve ser efetuado do real para o abstrato, com vista `a compreens˜ao da linguagem alg´ebrica.
As tarefas a desenvolver devem ser preferencialmente, resolu¸c˜ao de problemas e modela¸c˜ao de situa¸c˜oes. Pode ser usada a folha de c´alculo para, de um modo mais eficaz, se poder estabelecer rela¸c˜oes entre vari´aveis, e linguagem alg´ebrica e m´etodos gr´aficos, em tarefas de explora¸c˜ao. Devem ainda, ser estabelecidas conex˜oes com a Geometria e os N´umeros e C´alculo, de modo que o estudo da ´Algebra n˜ao seja fechado em si mesmo e visto apenas como um conjunto de regras e procedimentos.
Deve fazer-se uso das diversas formas de representa¸c˜ao de uma fun¸c˜ao em contexto de re-solu¸c˜ao de problemas e modela¸c˜ao de situa¸c˜oes.
O estudo das fun¸c˜oes afim, linear, inversa e quadr´atica simples deve ser explorado como ferramenta de modela¸c˜ao de diferentes situa¸c˜oes.
Na tabela 1.1 s˜ao apresentados, pelo Novo Programa do Ensino B´asico, o t´opico das fun¸c˜oes e os subt´opicos a lecionar bem como os objetivos espec´ıficos e algumas notas.
T ´OPICOS OBJETIVOS ESPEC´IFICOS NOTAS
- Dar destaque ao conceito de - Compreender o conceito de fun¸c˜ao fun¸c˜ao como rela¸c˜ao entre como rela¸c˜ao entre vari´aveis e como vari´aveis.
correspondˆencia entre dois conjuntos,
e utilizar as suas v´arias nota¸c˜oes. - Na an´alise de uma fun¸c˜ao, os alunos devem identificar o - Identificar e assinalar v´arios pares dom´ınio, o contradom´ınio e ordenados no plano cartesiano. determinar as imagens de
FUNC¸ ˜OES objetos quando a fun¸c˜ao ´e
- Analisar uma fun¸c˜ao a partir das suas dada por uma tabela, por um representa¸c˜oes. gr´afico e por uma express˜ao
alg´ebrica. - Interpretar a varia¸c˜ao de uma fun¸c˜ao
representada por um gr´afico, - Propor a an´alise de gr´aficos - Conceito de fun¸c˜ao e indicando intervalos onde a fun¸c˜ao ´e que traduzam casos de de gr´afico de uma fun¸c˜ao crescente e decrescente, ou constante. proporcionalidade direta e
inversa em contextos de vida -Proporcionalidade direta - Analisar situa¸c˜oes de real.
e inversa como fun¸c˜oes proporcionalidade direta e inversa
como fun¸c˜oes do tipo - A partir de uma - Fun¸c˜oes linear e afim y = kx e y = k
x, k 6= 0, representa¸c˜ao gr´afica de uma respectivamente. fun¸c˜ao linear ou afim,
- Fun¸c˜oes do tipo y = ax2 identificar a imagem dado o
- Representar algebricamente situa¸c˜oes objeto e o objeto dada a de proporcionalidade direta e inversa. imagem.
- Os alunos devem
- Representar gr´afica e algebricamente compreender a influˆencia do uma fun¸c˜ao linear e uma fun¸c˜ao afim. parˆametro a e b (na express˜ao
y = ax + b) no gr´afico da fun¸c˜ao. - Relacionar as fun¸c˜oes lineares e afim.
- Relacionar as fun¸c˜oes linear com a - Propor a representa¸c˜ao proporcionalidade direta. alg´ebrica de uma:
- fun¸c˜ao linear sendo dado um objeto n˜ao nulo e a sua imagem; - Representar graficamente fun¸c˜oes do - fun¸c˜ao afim sendo dados
tipo y = ax2. dois objetos e as suas
imagens. - Relacionar as representa¸c˜oes
alg´ebrica e gr´afica das fun¸c˜oes - Na representa¸c˜ao gr´afica de estudadas. fun¸c˜oes quadr´aticas utilizar
valores inteiros de a. Os -Resolver e formular problemas, e alunos devem compreender a modelar situa¸c˜oes utilizando fun¸c˜oes. influˆencia da varia¸c˜ao do
parˆametro a no gr´afico da fun¸c˜ao.
As capacidades transversais, s˜ao tidas neste programa como um t´opico a lecionar e por isso est´a estruturado como qualquer outro:
i) A articula¸c˜ao com o segundo ciclo
Ao longo do primeiro e segundo ciclos os alunos desenvolvem a capacidade de resolu¸c˜ao de problemas e, no terceiro ciclo, espera-se que essa capacidade seja desenvolvida. Nos dois primeiros ciclos, os alunos adquirem maior poder de argumenta¸c˜ao que lhes permite desenvolver, no terceiro ciclo, o seu racioc´ınio indutivo e dedutivo e, serem mais cr´ıticos na fundamenta¸c˜ao e defesa do seu ponto de vista matem´atico. A linguagem corrente e matem´atica usada ´e mais cuidada e assertiva, permitindo uma melhor intera¸c˜ao entre pares.
ii) Como prop´osito principal de ensino pretende-se,
Desenvolver nos alunos as capacidades de resolu¸c˜ao de problemas, de racioc´ınio e de
comu-nica¸c˜ao matem´aticos e de as usar na constru¸c˜ao, consolida¸c˜ao e mobiliza¸c˜ao dos conhecimentos matem´aticos.[11, pp. 62]
iii) Segundo os objetivos gerais de aprendizagem referidos, os alunos devem:
• resolver problemas em contextos matem´aticos e n˜ao matem´aticos, adaptando, concebendo
e pondo em pr´atica estrat´egias variadas, discutindo as solu¸c˜oes encontradas e os processos utilizados;
• raciocinar matematicamente, formulando e testando conjecturas e generaliza¸c˜oes, e desen-volvendo e avaliando argumentos matem´aticos incluindo cadeias dedutivas;
• comunicar oral e por escrito, recorrendo `a linguagem natural e `a linguagem matem´atica, interpretando, expressando e discutindo resultados, processos e ideias matem´aticos.[11]
iv) As Indica¸c˜oes Metodol´ogicas sugerem que a resolu¸c˜ao de problemas deve ser rica e di-versificada, pois ´e indispens´avel para a aquisi¸c˜ao, compreens˜ao a apropria¸c˜ao de conhecimentos matem´aticos dos diferentes temas tratados nos ciclos. Devem pois, ser propostos problemas com diferentes graus de estrutura¸c˜ao e promover a discuss˜ao das diferentes estrat´egias de resolu¸c˜ao em pequenos grupos e/ou no grupo turma, contribuindo assim, para uma reflex˜ao e consequente sistematiza¸c˜ao de ideias por parte dos alunos.
Nas tarefas de explora¸c˜ao e investiga¸c˜ao matem´atica, o aluno ´e conduzido a fazer racioc´ınios indutivos, quando procura generalizar as propriedades descobertas. Neste n´ıvel de ensino, os alunos tamb´em realizam racioc´ınios dedutivos, quando resolvem problemas e quando fazem demonstra¸c˜oes simples.
Na Comunica¸c˜ao Matem´atica, os alunos exp˜oem e debatem as suas ideias oralmente, apren-dem a saber ouvir os outros e arranjam argumentos de defesa para as suas pr´oprias ideias, quer quando questionados pelo professor quer na comunica¸c˜ao com os colegas. Tamb´em devem ser propostas tarefas de comunica¸c˜ao escrita ao aluno, isto ´e, pequenos relat´orios ou textos, empregando progressivamente simbologia e vocabul´ario espec´ıfico da matem´atica.
Na tabela seguinte s˜ao apresentados, pelo Novo Programa de Matem´atica do Ensino B´asico, os t´opicos e subt´opicos relativos `as capacidades transversais bem como os objetivos espec´ıficos e algumas notas.
T ´OPICOS OBJETIVOS ESPEC´IFICOS NOTAS Resolu¸c˜ao de problemas
- Compreens˜ao do problema
- Conce¸c˜ao, aplica¸c˜ao e justifica¸c˜ao de estrat´egias
• Identificar os dados, as condi¸c˜oes e o objetivo do problema.
• Conceber e por em pr´atica estrat´egias de resolu¸c˜ao de problemas, verificando a adequa¸c˜ao dos resultados obtidos e dos processos utilizados.
• Averiguar da possibilidade de abordagens diversificadas para a resolu¸c˜ao de um problema.
• Analisar as consequˆencias da altera¸c˜ao nos dados e nas condi¸c˜oes de um problema na respetiva solu¸c˜ao.
• Formular problemas a partir de
situa¸c˜oes matem´aticas e n˜ao matem´aticas.
• Propor problemas com informa¸c˜ao irrelevante ou dados insuficientes, ou sem solu¸c˜ao.
• Considerar abordagens tais como:
- desdobrar um problema complexo em quest˜oes mais simples;
- explorar conex˜oes matem´aticas para obter m´ultiplas perspetivas de um problema;
- resolver um problema an´alogo mas mais simples; - explorar casos particulares; - resolver o problema
admitindo que se conhece uma solu¸c˜ao. • Usar as TIC na:
- resolu¸c˜ao de problemas e em atividades de
explora¸c˜ao e investiga¸c˜ao; - an´alise de um problema em diferentes
representa¸c˜oes (por exemplo, na representa¸c˜ao gr´afica de um problema alg´ebrico).
Racioc´ınio matem´atico - Formula¸c˜ao teste e demonstra¸c˜ao de conjeturas.
- Indu¸c˜ao e dedu¸c˜ao. - Argumenta¸c˜ao.
• Formular, testar e demonstrar conjeturas. • Distinguir entre uma demonstra¸c˜ao e um teste de uma conjetura e fazer demonstra¸c˜oes simples. • Identificar e usar racioc´ınio indutivo e dedutivo.
• Compreender o papel das defini¸c˜oes em matem´atica. • Distinguir uma argumenta¸c˜ao informal de uma demonstra¸c˜ao.
• Pedir aos alunos para identificar casos particulares, formular generaliza¸c˜oes e testar a validade dessas generaliza¸c˜oes.
• Proporcionar situa¸c˜oes em que os alunos raciocinem indutivamente
(formulando conjeturas a partir de dados obtidos na explora¸c˜ao de regularidades) e dedutivamente (demonstrando essas conjeturas).
• Selecionar e usar v´arios tipos de racioc´ınio e m´etodos de demonstra¸c˜ao.
• Salientar o papel das defini¸c˜oes na dedu¸c˜ao de propriedades, por exemplo no estudo dos quadril´ateros. • Realizar uma pesquisa hist´orica sobre os Elementos de Euclides e a organiza¸c˜ao axiom´atica desta obra. Salientar os significados de axioma, teorema e
demonstra¸c˜ao. Analisar a demonstra¸c˜ao da primeira proposi¸c˜ao dos Elementos. • Fazer referˆencia `a an´alise exaustiva de casos e `a redu¸c˜ao ao absurdo como m´etodos de demonstra¸c˜ao.
• Pedir a fundamenta¸c˜ao de afirma¸c˜oes atrav´es de conceitos, propriedades ou procedimentos matem´aticos, ou contra-exemplos.
Comunica¸c˜ao matem´atica - Interpreta¸c˜ao
- Representa¸c˜ao - Express˜ao - Discuss˜ao
• Interpretar informa¸c˜ao, ideias e conceitos representados de diversas formas, incluindo textos matem´aticos.
• Representar informa¸c˜ao, ideias e conceitos matem´aticos de diversas formas.
• Traduzir rela¸c˜oes de linguagem natural para linguagem matem´atica e vice-versa.
• Exprimir resultados, processos e ideias matem´aticos, oralmente e por escrito, utilizando a nota¸c˜ao, simbologia e vocabul´ario pr´oprios.
• Discutir resultados, processos e ideias matem´aticos.
• Proporcionar a an´alise e interpreta¸c˜ao de textos matem´aticos com origens diversas (livros, manuais, jornais, Internet).
• Recorrer a v´arios tipos de representa¸c˜oes (gr´afica, alg´ebrica e tabular) e estabelecer conex˜oes entre elas para obter m´ultiplas perspetivas de um problema e das suas solu¸c˜oes.
• Solicitar aos alunos a utiliza¸c˜ao progressiva e consistente de simbologia e vocabul´ario adequados `as situa¸c˜oes.
• Criar oportunidades para apresenta¸c˜oes
e para diversos tipos de intera¸c˜ao (professor-aluno,
aluno-aluno, aluno-turma, professor-turma).
• Criar situa¸c˜oes em que os alunos interpretam e criticam as solu¸c˜oes de um problema (ou a inexistˆencia de
solu¸c˜oes) no seu contexto e discutem o processo de resolu¸c˜ao usado,
apresentando argumentos fundamentados.
Tabela 1.2: Subt´opicos relativos `as capacidades transversais
Para finalizar, o documento apresenta cinco quadros tem´aticos, onde se podem visualizar, para cada um dos temas, os diferentes t´opicos ao longo dos trˆes ciclos.
Fazendo uso dos documentos normativos analisados, Programa de Matem´atica - Plano de Organiza¸c˜ao do Ensino Aprendizagem para o Ensino B´asico do 3o ciclo (1991) e os NPMEB (2007), podem comparar-se os seus: t´opico e subt´opicos das fun¸c˜oes, na tabela 1.3.
Especifica¸c˜ao do tema (Programa-1991) Tema da ´Algebra (NPMEB-2007)
FUNC¸ ˜OES T´opico-FUNC¸ ˜OES
8o ano Conceito de fun¸c˜ao - Tabelas
- Gr´aficos
- Fun¸c˜oes definidas por uma express˜ao anal´ıtica A proporcionalidade direta como fun¸c˜ao x → kx - Gr´afico da fun¸c˜ao x → kx
- Gr´afico da fun¸c˜ao x → kx + b 9o ano Proporcionalidade inversa
- Constante de proporcionalidade inversa - Tabelas
- Gr´aficos
A proporcionalidade inversa como fun¸c˜ao x → k x An´alise de gr´aficos que traduzem situa¸c˜oes
da vida real
7o, 8o e 9o anos Fun¸c˜oes
- Conceito de fun¸c˜ao e de gr´afico de uma fun¸c˜ao
- Proporcionalidade direta e inversa como fun¸c˜oes
- Fun¸c˜ao linear e afim - Fun¸c˜oes do tipo y = ax2
Capacidades transversais - Resolu¸c˜ao de problemas - Racioc´ınio Matem´atico - Comunica¸c˜ao Matem´atica
Analisando o quadro anterior e com base em todo o documento dos NPMEB 2007, pode concluir-se que as grandes altera¸c˜oes curriculares relativamente ao Programa de Matem´atica do Ensino B´asico de 1990/91, prendem-se essencialmente com a mudan¸ca de t´opicos entre anos do mesmo ciclo e entre ciclos. Em particular, no que diz respeito ao ensino da Matem´atica no 3o ciclo, a diferen¸ca mais significativa entre os dois Programas ´e a valoriza¸c˜ao da ´Algebra. Constata-se que, no 1o ciclo, surgem as primeiras ideias alg´ebricas no trabalho com sequˆencias e no 2o ciclo, a ´Algebra aparece j´a como um tema matem´atico individualizado. Mas ´e no 3o ciclo, que a ´Algebra assume um realce evidente, uma vez que, se implementa o uso da linguagem alg´ebrica, no trabalho com express˜oes, equa¸c˜oes, inequa¸c˜oes e fun¸c˜oes para desenvolver no aluno a capacidade de lidar com v´arios tipos de rela¸c˜oes matem´aticas em contextos significativos. O desenvolvimento do pensamento alg´ebrico marca uma grande diferen¸ca relativamente aos programas do ensino b´asico anteriores, fazendo uso do simbolismo alg´ebrico de forma gradativa - come¸ca-se por experiˆencias de car´ater informal at´e chegar `a manipula¸c˜ao alg´ebrica formal.
Inicia-se o estudo das fun¸c˜oes, como rela¸c˜oes de proporcionalidade direta. Estuda-se a fun¸c˜ao afim e linear, em contextos preferencialmente da vida real. Analisam-se gr´aficos de fun¸c˜oes e suas propriedades, propiciando, ao aluno, o desenvolvimento das diferentes capacidades transversais consoante o contexto que lhes s˜ao apresentadas e, realiza-se o estudo da fun¸c˜ao de proporciona-lidade inversa. Ainda ´e estudada a fun¸c˜ao quadr´atica, na forma mais simples, isto ´e, x → ax2, com a ∈ Z. Esta ´ultima, n˜ao fazia parte do estudo das fun¸c˜oes do 3ociclo, tendo vindo a integrar este novo programa. S´o no 10o ano de Matem´atica A, o estudo da fun¸c˜ao quadr´atica ´e realizado de forma completa.
O novo programa aponta o desenvolvimento das capacidades transversais como objetivo de aprendizagem central e, como orienta¸c˜ao metodol´ogica geral a considerar, em particular, no tema de ´Algebra.
As Observa¸c˜oes/Sugest˜oes metodol´ogicas, do antigo programa, eram indica¸c˜oes de um ensino direto. As Indica¸c˜oes Metodol´ogicas relativas ao novo programa, s˜ao indica¸c˜oes que incentivam o ensino explorat´orio o qual ´e mais centrado no aluno. Pressup˜oe uma mudan¸ca substancial nas metodologias e pr´aticas de sala de aula, cabendo ao professor escolher as tarefas que julgue mais adequadas e, ao aluno a atribui¸c˜ao de um papel preponderante na constru¸c˜ao do seu conhecimento.
1.5
Programa de Matem´
atica do Ensino Secund´
ario 2003/2004
A sociedade e o mundo em geral sofreram transforma¸c˜oes a um ritmo muito acelerado nesta ´
ultima d´ecada, e a educa¸c˜ao teve necessidade de dar resposta `as mudan¸cas fazendo-se acompa-nhar desta evolu¸c˜ao. Procedeu-se a v´arias altera¸c˜oes ao n´ıvel educativo, entre as quais, mais uma reforma dos programas de Matem´atica do ensino Secund´ario. O primeiro passo, nestas grandes altera¸c˜oes no ensino da matem´atica, tinha sido dado com a reforma dos programas de 1991. Seguiram-se, v´arias tentativas de mudan¸ca e a implementa¸c˜ao gradual do programa ajus-tado de Matem´atica para o ensino Secund´ario iniciou-se com o 10o ano, em 1997/1998. Ap´os sucessivos adiamentos, s´o no ano letivo de 2003/2004 se deu a grande viragem, quando foram institu´ıdos os Novos Programas de Matem´atica do Ensino Secund´ario.
no ensino secund´ario, continua a ser trienal e integrada na componente de forma¸c˜ao espec´ıfica para os cursos Gerais de Ciˆencias Naturais, Ciˆencias e Tecnologias e Ciˆencias S´ocio-Econ´omicas. Pretende-se, assim, assegurar a promo¸c˜ao de uma forma¸c˜ao cient´ıfica e t´ecnica s´olida no dom´ınio do conhecimento e para tal, agregaram-se no programa trˆes grandes temas: N´umeros e Geome-tria; Fun¸c˜oes Reais e An´alise Infinitesimal e, Estat´ıstica e Probabilidades.
No caso particular do estudo das Fun¸c˜oes Reais, prevˆe-se apreciar n˜ao s´o uma perspetiva gr´afica mas tamb´em num´erica e alg´ebrica das fun¸c˜oes. Realiza-se uma abordagem ao c´alculo de varia¸c˜oes e limites, e ainda, ao estudo da continuidade, pese embora, feito sem recurso inicial `as defini¸c˜oes simb´olicas rigorosas. As quest˜oes de l´ogica e teoria de conjuntos, aparecem dilu´ıdas nos diferentes temas, n˜ao s˜ao tratadas como conte´udo propriamente dito mas sim como ferramenta necess´aria `a apropria¸c˜ao de conceitos por parte dos alunos, segundo indica¸c˜oes metodol´ogicas sugeridas no programa e como tema transversal.
No sentido de estabelecer uma continuidade entre o terceiro ciclo e o secund´ario, evitando as cr´ıticas a que esteve sujeito o anterior programa, criou-se um m´odulo inicial no 10o ano, com a pretens˜ao de incluir conceitos pr´evios considerados verdadeiramente essenciais e
estruturan-tes.[18, pp. 2]
Segue-se a apresenta¸c˜ao do programa. O programa da disciplina de Matem´atica ´e apresen-tado segundo: as finalidades da disciplina no ensino secund´ario; objetivos e competˆencias gerais; vis˜ao geral dos temas e conte´udos e sugest˜oes metodol´ogicas gerais.
No que respeita `as finalidades, acresce apenas mais uma `as enunciadas no programa de 1991, a saber:
Contribuir para o desenvolvimento da existˆencia de uma consciˆencia cr´ıtica e
in-terventiva em ´areas como o ambiente, a sa´ude e a economia entre outras, formando uma cidadania activa e participativa[18, pp. 3]
Observando os objetivos e competˆencias gerais, embora estruturados da mesma forma que o programa anterior, entre valores/atitudes, capacidades/aptid˜oes e conhecimentos, s˜ao notadas algumas altera¸c˜oes no que respeita a este ´ultimo. Pode assim constatar-se, no item ”Iniciar o estudo da An´alise Infinitesimal”, n˜ao s´o a referˆencia inovadora ao uso da calculadora gr´afica, mas tamb´em que os conceitos de continuidade, derivadas e limites s˜ao abordados de forma intuitiva, delegando para segundo plano o formalismo alg´ebrico a eles associado.
No ponto seguinte do programa, vis˜ao geral dos temas e conte´udos, constat´amos que tamb´em a ´Algebra, n˜ao ´e tratada num tema espec´ıfico, mas sim, dilu´ıda nos diferentes temas previstos.
Pela primeira vez no curr´ıculo, s˜ao integrados os temas transversais, como t´opico a lecio -nar. S˜ao eles: a comunica¸c˜ao matem´atica; aplica¸c˜oes e modela¸c˜ao matem´atica; hist´oria da matem´atica; l´ogica e racioc´ınio matem´atico; resolu¸c˜ao de problemas e atividades investigativas e, tecnologia e matem´atica. Devem fazer parte integrante da planifica¸c˜ao de cada tema e explorados de forma transversal e sistem´atica ao longo dos trˆes anos. Fica pois, ao cuidado de cada professor definir, na sua planifica¸c˜ao, os momentos e os temas transversais a tratar nos diferentes conte´udos program´aticos. As capacidades transversais, s˜ao apresentadas neste programa, com destaque, sendo referidas n˜ao s´o como indica¸c˜oes metodol´ogicas mas tamb´em como tema obrigat´orio a tratar.
De seguida, ´e apresentada uma tabela resumo onde se pode visualizar a distribui¸c˜ao dos temas e respetivos t´opicos por cada ano. E em particular, no que respeita `as fun¸c˜oes pode observar-se:
10o 11o 12o
Fun¸c˜oes e Gr´aficos. Fun¸c˜oes racionais e com Fun¸c˜oes exponenciais e Fun¸c˜oes polinomiais. radicais. Taxa de varia¸c˜ao logar´ıtmicas.
Fun¸c˜ao m´odulo. e derivada. Limites e continuidade. Conceito de derivada - Fun¸c˜ao, gr´afico e - Problemas envolvendo e aplica¸c˜oes. representa¸c˜ao gr´afica. fun¸c˜oes ou taxa de varia¸c˜ao.
- Estudo intuitivo de - Propriedades das fun¸c˜oes - Teoria de limites propriedades da: do tipo f (x) = a + b
cx + d - C´alculo diferencial - fun¸c˜ao quadr´atica; - Aproxima¸c˜ao experimental - Problemas de otimiza¸c˜ao.
- fun¸c˜ao m´odulo. da no¸c˜ao de limite.
- Fun¸c˜oes polinomiais - taxa de varia¸c˜ao e Trigonometria e (graus 3 e 4) derivadas em casos simples. n´umeros complexos. - Decomposi¸c˜ao de - Opera¸c˜oes com fun¸c˜oes.
polin´omios em fatores. Composi¸c˜ao e invers˜ao de - Fun¸c˜oes seno, co-seno: fun¸c˜oes. c´alculo de derivadas
- Introdu¸c˜ao hist´orica dos Sucess˜oes reais n´umeros complexos.
- Complexos na forma - Defini¸c˜ao e propriedades. alg´ebrica e trigonom´etrica;
Exemplos ( o caso das opera¸c˜oes e interpreta¸c˜ao progress˜oes) geom´etrica. - Sucess˜oes 1 + 1 n n e primeira defini¸c˜ao de e - Limites: infinitamente grande e infinitamente pequenos. Limites reais e convergˆencia. Temas Transversais
Comunica¸c˜ao matem´atica; Hist´oria da matem´atica; L´ogica e racioc´ınio matem´atico; Apli-ca¸c˜oes e modela¸c˜ao; restri¸c˜ao matem´atica; resolu¸c˜ao de problemas e atividades
investigativas e; tecnologia e matem´atica.
Tabela 1.4: Distribui¸c˜ao do tema fun¸c˜oes e respetivos t´opicos por ano de escolaridade
No que se refere `as sugest˜oes metodol´ogicas gerais, n˜ao sofreram grandes altera¸c˜oes em rela¸c˜ao aos programas anteriores, divergindo apenas na forma. Pode observar-se que em vez de ”um ensino em espiral ”, se prop˜oe estabelecer conex˜oes entre os temas, com grande enfoque para a realiza¸c˜ao de diferentes tipos de trabalho em sala de aula, em detrimento do aprofundar dos mesmos. A introdu¸c˜ao da axiom´atica das probabilidades, tem como objetivo dar a conhecer ao aluno a constru¸c˜ao hipot´etico-dedutiva de uma ciˆencia. Devem ser propostas aos alunos,
”composi¸c˜oes matem´aticas”, com o intuito de fortalecer a capacidade de comunica¸c˜ao oral e escrita matem´atica. E como m´etodo de trabalho, em sala de aula, deve estimular-se o trabalho de pares e grupos entre os alunos. O papel do professor continua a ser o de dinamizar e regular todo o processo de ensino-aprendizagem. Em termos da avalia¸c˜ao do aluno, os instrumentos de avalia¸c˜ao usados pelo professor devem ser diversificados e abrangentes. N˜ao se restringindo aos testes, devem ser propostas um conjunto de tarefas que visem atingir as finalidades previstas no curr´ıculo. Em concreto, refere-se, como um elemento de avalia¸c˜ao obrigat´oria, por per´ıodo letivo, a realiza¸c˜ao de uma composi¸c˜ao matem´atica, com o objetivo de desenvolver a comunica¸c˜ao matem´atica. Esta tarefa, individual ou em grupo, pode ser executada sob a forma de resolu¸c˜ao de um problema, uma demonstra¸c˜ao, composi¸c˜ao/reflex˜ao, um projeto, um relat´orio, uma reflex˜ao hist´orica, entre outras.
No que se refere aos recursos a usar, s˜ao referidos com pormenor, materiais e equipamen-tos diversificados que devem figurar nas escolas, mais propriamente num ”Laborat´orio de Ma-tem´atica”. Entre outros, o uso da calculadora gr´afica e o computador em sala de aula s˜ao considerados obrigat´orios neste programa.
Por fim, surge o desenvolvimento do programa. O documento come¸ca por apresentar os temas transversais, e segue-se, para cada ano e para cada um dos trˆes grandes temas, o seu de-senvolvimento. Para o efeito, s˜ao usadas indica¸c˜oes metodol´ogicas, que definem em pormenor, a forma de abordagem, a profundidade e o rigor que se pretende implementar neste programa. S˜ao ainda sugeridos alguns t´opicos facultativos, para proporcionar ”mais matem´atica”, aos alunos interessados. Estes alunos podem desenvolver estes t´opicos em trabalhos de projeto ou estudo em casa.
Nos temas transversais, as tarefas apresentadas ao alunos devem versar o desenvolvimento: da comunica¸c˜ao matem´atica; das aplica¸c˜oes e modela¸c˜ao matem´atica; da hist´oria da matem´atica; da l´ogica e racioc´ınio; da reflex˜ao sobre as heur´ısticas de Polya para a resolu¸c˜ao de problemas - atividades investigativas e, da tecnologia e matem´atica. Neste contexto, pretende-se que as aprendizagens matem´aticas sejam feitas, numa primeira fase, de forma intuitiva e numa fase progressiva e posterior, apare¸ca a escrita simb´olica matem´atica com uma fun¸c˜ao sint´etica, precisa e clarificadora. Trabalhar assuntos relacionados com a hist´oria da matem´atica assume um papel fundamental no programa, bem como o estabelecer conex˜oes, atrav´es de aplica¸c˜oes e modela¸c˜oes, entre os diversos temas matem´aticos e com outras ciˆencias. De igual modo, devem ser propostos trabalhos de grupo ou pares que sejam apresentados e discutidos na turma. O recurso `a hist´oria da matem´atica com a utiliza¸c˜ao de exemplos ou a referˆencia `a evolu¸c˜ao de conceitos matem´aticos faz com que os alunos prezem o contributo da matem´atica face `a compreens˜ao e resolu¸c˜ao de problemas da humanidade. As no¸c˜oes de l´ogica e teoria de conjuntos s˜ao introduzidas consoante a necessidade de ser usada. O mesmo deve acontecer relativamente aos m´etodos de demonstra¸c˜ao. S´o devem ser usados ap´os os alunos terem feito demonstra¸c˜oes informais, entenda-se, depois do aluno ter argumentado e justificado as suas ideias. O conhecimento da heur´ıstica de Polya para a resolu¸c˜ao de problemas, permite ao aluno perceber a importˆancia de definir um plano bem estruturado e otimizar os seus desempenhos, quer na matem´atica quer nos diferentes desafios da sua vida. O professor deve promover atividades de natureza investigativa ajudando a desenvolver a linguagem e o simbolismo para comunicar ideias matem´aticas, refor¸cando a capacidade de raciocinar logicamente. O uso da tecnologia, mais precisamente, o computador e a calculadora
gr´afica, deve ser usada como enriquecimento das aprendizagens matem´aticas e n˜ao como ”simples substitui¸c˜ao de racioc´ınios b´asicos”.
Em particular, o conhecimento sobre as fun¸c˜oes foi ampliado com base no estudo anal´ıtico, num´erico e gr´afico, em especial com fun¸c˜oes que envolvam vari´aveis do dia a dia ou de outras ciˆencias. Comparando com o programa anterior, o desenvolvimento do tema prevˆe, nos 10o, 11o e 12o anos, conhecimentos espec´ıficos para cada um dos subt´opicos a lecionar, que se apresentam na tabela seguinte.
Desenvolvimento no programa de 1991 Desenvolvimento no programa de 2001
10o 10o
FUNC¸ ˜OES - I Generalidades. Fun¸c˜ao quadr´atica. Tema II- Fun¸c˜oes e gr´aficos. Fun¸c˜oes Fun¸c˜ao M´odulo. polinomiais. Fun¸c˜ao m´odulo. Gr´afico cartesiano de uma fun¸c˜ao Fun¸c˜ao, gr´afico
em referencial ortogonal. (gr´afico cartesiano de uma fun¸c˜ao em referencial ortogonal) e representa¸c˜ao - Esbo¸co e interpreta¸c˜ao do gr´afico de uma gr´afica.
fun¸c˜ao dada por uma tabela ou por uma f´ormula
da geometria, de outra ciˆencia ou da vida - Estudo intuitivo de propriedades das
corrente. fun¸c˜oes e dos seus gr´aficos.
(tanto a partir de um gr´afico particular - No¸c˜oes gerais relativas a fun¸c˜oes de uma como usando a calculadora gr´afica, para
vari´avel. as seguintes classes fun¸c˜oes:
i) Fun¸c˜oes quadr´aticas; Fun¸c˜oes quadr´aticas: i) Fun¸c˜ao m´odulo.
E recorrendo a : Estudo dos gr´aficos de x → ax2 ; a) An´alises dos efeitos das
x → ax2+ c; x → a(x + h)2 mudan¸cas dos parˆametros nos x → ax2+ bx + c. Eixo de simetria. gr´aficos das fam´ılias de fun¸c˜oes Estudo do sinal de x → ax2+ bx + c a partir dessas classes (considerando
de a e de 4. apenas a varia¸c˜ao de um
Inequa¸c˜oes do 2ograu. parˆametro de cada vez); Uso de quantificadores. b) Transforma¸c˜oes simples de
fun¸c˜oes: dada a fun¸c˜ao, esbo¸car o Fun¸c˜ao m´odulo: gr´afico das fun¸c˜oes definidas por
y = f (x) + a.
Gr´afico de x → |x − a| y = f (x + a); y = af (x); y = f (ax); y = |f (x)|
A defini¸c˜ao. com a positivo ou negativo,
|x| = (
x se x ≥ 0
−x se x < 0 descrevendo o resultado com
recurso `a linguagem das As propriedades: transforma¸c˜oes geom´etricas.
|x| < a ⇔ −a < x < a e
|x| > a ⇔ x < −a ∨ x > a, ∀x ∈ R Resolu¸c˜ao de problemas envolvendo |x| > a ⇔ x2> a2 fun¸c˜oes polinomiais (com particular |x| < a ⇔ x2< a2 incidˆencia nos graus 2,3 e 4) |x| = a ⇔ x2= a2
Implica¸c˜ao e equivalˆencia de condi¸c˜oes; inclus˜ao Possibilidade da decomposi¸c˜ao de um e igualdade de conjuntos. polin´omio em fatores (informa¸c˜ao). Fun¸c˜oes de dom´ınio N: Decomposi¸c˜ao de um polin´omio em
factores, em casos simples, por divis˜ao Generalidades, gr´aficos. dos polin´omios e recorrendo `a regra de
Sucess˜oes mon´otonas. Ruffini. Justifica¸c˜ao desta regra. Sucess˜oes limitadas.
11o 11o
FUNC¸ ˜OES - II- Fun¸c˜oes Racionais. Opera¸c˜oes. A Trigonometria ´e integrada no Tema I-Geometria no Plano e no Espa¸co II Polin´omios:
- Divis˜ao inteira. Regra de Ruffini. - Resolu¸c˜ao de problemas que envolvam
- Divisibilidade por x − α. triˆangulos.
Fra¸c˜oes alg´ebricas: Angulo e arco generalizados:ˆ Dom´ınio, equivalˆencia, opera¸c˜oes. - radiano;
Equa¸c˜oes e inequa¸c˜oes fracion´arias. - express˜ao geral das amplitudes dos ˆ
angulos com os mesmos lados, em graus Fun¸c˜oes polinomiais. Fun¸c˜oes racionais: e radianos
Opera¸c˜oes com fun¸c˜oes; composi¸c˜ao; invers˜ao;
restri¸c˜ao. Fun¸c˜oes seno, co-seno e tangente: - defini¸c˜ao, varia¸c˜ao (estudo no c´ırculo Fun¸c˜oes com radicais quadr´aticos ou c´ubicos: trigonom´etrico);
dom´ınio. - compara¸c˜ao de senos e co-senos de dois n´umeros reais.
TRIGONOMETRIA
Express˜ao geral das amplitudes dos ˆ
Angulo e arcos generalizados: ˆangulos com o mesmo seno, co-seno ou tangente.
-Radiano Equa¸c˜oes trigonom´etricas elementares. -Express˜ao geral das amplitudes dos ˆangulos com
os mesmos lados, em graus e radianos.
Fun¸c˜oes seno, co-seno e tangente: Tema II- Introdu¸c˜ao ao c´alculo diferencial - defini¸c˜ao, varia¸c˜ao (estudo no c´ırculo I. Fun¸c˜oes racionais e com radicais. Taxa
trigonom´etrico); de varia¸c˜ao e derivada
- Valores em π6 , π4, π3 radianos. - Rela¸c˜oes entre as fun¸c˜oes de α, e de π
2 ± α, - Resolu¸c˜ao de problemas envolvendo π ± α e −α. fun¸c˜oes ou taxa de varia¸c˜ao. Analogia dos senos. - Estudo intuitivo das propriedades das