2.5 Aplica¸ c˜ oes da derivada
2.5.4 Estudo completo de uma fun¸ c˜ ao real de vari´ avel real
Por estudo completo de uma dada fun¸c˜ao, considera-se a apresenta¸c˜ao, de modo direto ou indireto, de: o dom´ınio, interse¸c˜ao com os eixos, simetrias, continuidade, ass´ıntotas, monotonia, concavidades e, finalmente, a representa¸c˜ao gr´afica. Para exemplificar, optou-se por fazer o estudo completo da fun¸c˜ao quadr´atica, definida por f (x) = ax2+ bx + c, ∀x ∈ R, com a 6= 0 e a, b e c ∈ R.
Esta fun¸c˜ao ´e cont´ınua pois ´e polinomial. Determinem-se as interse¸c˜oes com os eixos coor- denados.
I) Interse¸c˜ao com o eixo das abcissas f (x) = 0 ⇔ ax2+ bx + c = 0 ⇔ x = −b ±
√
b2− 4ac
2a .
Sendo ∆ = b2− 4ac, tem-se:
(i) Se ∆ > 0, a equa¸c˜ao tem duas solu¸c˜oes distintas: x1 =
−b +√∆
2a e x2 =
−b −√∆ 2a , pelo que a fun¸c˜ao interseta o eixo das abcissas em dois pontos, de coordenadas:
−b +√b2− 4ac 2a , 0 ! e −b − √ b2− 4ac 2a , 0 ! .
(ii) Se ∆ = 0, a equa¸c˜ao tem uma raiz dupla: x1 =
−b + 0 2a e x2 = −b − 0 2a , isto ´e, x1 = x2 = −b
2a, pelo que f interseta o eixo das abcissas no ponto de coordenadas −b
2a, 0
. (iii) Se ∆ < 0, a equa¸c˜ao ´e imposs´ıvel em R pelo que f n˜ao interseta o eixo das abcissas. II) Interse¸c˜ao com os eixos das ordenadas
Pretende-se encontrar o valor da ordenada do ponto cuja abcissa ´e nula. Uma vez que f (0) = c, tem-se que f interseta o eixo das ordenadas no ponto de coordenadas (0, c).
Sendo f uma fun¸c˜ao polinomial ´e diferenci´avel, e tem-se que f0(x) = 2ax + b, ∀x ∈ R. A fun¸c˜ao derivada anula-se no ponto de abcissa x = − b
2a. Assim: a) se a > 0, tem-se x −b 2a f0(x) - 0 + f (x) & −∆ 4a %
portanto f ´e estritamente crescente em −b 2a, +∞ e estritamente decrescente em −∞,−b 2a , logo tem um m´ınimo relativo, que ´e tamb´em absoluto, em −b
2a, − ∆ 4a . b) se a < 0, tem-se x −b 2a f0(x) + 0 - f (x) % −∆ 4a & portanto f ´e estritamente crescente em
−∞,−b 2a e estritamente decrescente em −b 2a, +∞ , logo tem um m´aximo relativo, que ´e tamb´em absoluto, em −b
2a, − ∆ 4a
. Para estudar a concavidade da fun¸c˜ao f determine-se a segunda derivada.
Como f00(x) = 2a, tem-se: se a > 0, f tem concavidade voltada para cima; e se a < 0, f tem concavidade voltada para baixo.
A fun¸c˜ao f n˜ao admite ass´ıntotas verticais, por se tratar de uma fun¸c˜ao cont´ınua em R. Admitindo ass´ıntotas n˜ao verticais seriam do tipo y = mx + b; mostre-se que tamb´em n˜ao existem. Com efeito, m = lim x→∞ f (x) x = limx→∞ ax2+ bx + c x = limx→∞ ax2 x + bx x + c x = lim x→∞ ax + b + c x = ∞. A fun¸c˜ao quadr´atica: ´e par se b = 0 pois, f (−x) = f (x) ⇔ a(−x)2+b(−x)+c = ax2+bx+c ⇔ b = 0, ∀x ∈ R; e n˜ao ´e ´ımpar pois, f(−x) = f(x) ⇔ ax2− bx + c = −ax2− bx − c ⇔ a = c = 0, o que n˜ao pode acontecer, visto que a 6= 0.
O gr´afico de f depende dos valores de a, b e c ∈ R. Para exemplificar apresentam-se repre- senta¸c˜oes gr´aficas da fun¸c˜ao definida por f (x) = ax2, para a > 0.
Neste caso, a fun¸c˜ao interseta os eixos coordenados na origem; ´e estritamente decrescente em ] − ∞, 0[ e estritamente crescente em ]0, +∞[; atinge um m´ınimo absoluto em x = 0; tem concavidade voltada para cima; e ´e uma fun¸c˜ao par logo o seu gr´afico ´e sim´etrico em rela¸c˜ao ao eixo dos yy.
Na figura 2.25 est´a representado o gr´afico da fun¸c˜ao quadr´atica, para a > 0 e b = c = 0, que se designa por par´abola.
Figura 2.25: Representa¸c˜ao gr´afica de ax2, para a > 0
Note-se que se a > 1, ent˜ao os ”bra¸cos” da par´abola aproximam-se do eixo dos yy e se 0 < a < 1 os bra¸cos da par´abola aproximam-se do eixo do xx.
Tarefas aplicadas na sala de aula
Introdu¸c˜ao
A fam´ılia, a escola e a turma s˜ao meios socioculturais diversificados onde os alunos est˜ao inseridos. As intera¸c˜oes estabelecidas nestes contextos espec´ıficos s˜ao preponderantes no desen- volvimento das aprendizagens e na forma¸c˜ao c´ıvica dos alunos.
Neste contexto, o processo de ensino/aprendizagem requer uma observa¸c˜ao atenta de modo que a planifica¸c˜ao do trabalho em sala de aula, se concretize num projeto de sucesso. Da´ı a necessidade de se observar dados exteriores `a escola que possam ser ´uteis na an´alise de aspetos do processo pedag´ogico. Assim, perspetivando uma melhor escolha de estrat´egias de modo a alcan¸car os objetivos/metas definidos para cada ano de escolaridade, foi efetuado um estudo da caracteriza¸c˜ao do grupo, do s´etimo ano e da turma, do nono ano, onde foram aplicadas as tarefas que s˜ao descritas e analisadas no trabalho que se segue.
Outras vari´aveis revelantes, tidas em conta neste estudo, foram as metas do projeto Cur- ricular do Agrupamento Vertical de Escolas Monsenhor Jer´onimo do Amaral e em particular uma das suas ´areas priorit´arias - o sucesso escolar. Neste sentido, no decorrer do ano letivo 2011 − 2012, e em particular para as trˆes turmas de s´etimo ano de escolaridade, foi desenvolvido o projeto: ”Jer´onimo Mais Sucesso”. ´E de referir, que este projeto tem como principal objetivo o combate ao insucesso nas disciplinas de Matem´atica, L´ıngua Portuguesa e Inglˆes. Para tal, foram efetuados quatro grupos de alunos, seriados pelos seus desempenhos escolares na prova de aferi¸c˜ao de sexto ano a Matem´atica e L´ıngua Portuguesa, classifica¸c˜ao de final do terceiro per´ıodo do sexto ano `as trˆes referidas disciplinas e respetivo desempenho no teste diagn´ostico efetuado no in´ıcio do ano letivo em curso.
Atendendo a estes fatores, no in´ıcio do ano letivo, procedeu-se `a caracteriza¸c˜ao das turmas. Cada diretor de turma das trˆes turmas de s´etimo ano distribuiu uma ficha biogr´afica, que foi preenchida pelos alunos, e que serviu de base `a caracteriza¸c˜ao de cada turma. Posteriormente, para cada grupo de alunos do s´etimo ano, foram recolhidos os seus dados e elaborado um estudo que melhor os caracteriza.
O grupo de s´etimo ano que serviu de suporte `a consecu¸c˜ao do trabalho da professora in- vestigadora e onde foram implementadas as tarefas, foi o que lhe foi atribu´ıdo no seu hor´ario letivo.
A realiza¸c˜ao da breve caracteriza¸c˜ao deste grupo, come¸cou pelo levantamento de algumas 69
informa¸c˜oes que julgamos pertinentes. O grupo em estudo, ´e constitu´ıdo por quinze alunos, oriundos das trˆes turmas de s´etimo ano. As suas idades oscilam entre os 11 e os 12 anos de idade, sendo trˆes do sexo feminino e os restantes doze alunos do sexo masculino. Portuguˆes, Inglˆes e Matem´atica foram as disciplinas mais indicadas pelos alunos, na ficha biogr´afica, como sendo aquelas onde tˆem mais dificuldades. A proveniˆencia dos alunos ´e diversificada sendo a maioria do meio rural; apenas dois alunos habitam na cidade; doze alunos utilizam o transporte p´ublico nas desloca¸c˜oes para a escola; dois utilizam o transporte p´ublico e o carro; e apenas um utiliza sempre o carro. A distˆancia de casa `a escola, para mais de metade dos alunos, varia entre 5 e 10 kms; para quatro alunos varia entre 11 e 15 kms; e apenas para um a distˆancia ´e menor que 5 kms. Quanto ao agregado familiar, as idades dos pais situam-se predominantemente entre os 39 e os 45 anos, e das m˜aes entre 35 e os 45, possuindo, na sua grande maioria, como habilita¸c˜oes liter´arias uma escolaridade igual ou inferior ao 9o ano. Refira-se que trˆes pais e quatro m˜aes possuem um curso superior. A maioria dos alunos tem s´o um irm˜ao, apenas dois tˆem mais que um. Relativamente `a situa¸c˜ao profissional dos pais, uma parte significativa de m˜aes ´e dom´estica e alguns pais est˜ao desempregados. Relativamente `a ocupa¸c˜ao dos tempos livres, os alunos referem que veem televis˜ao, utilizam o computador, jogam consola, ouvem m´usica, leem, jogam futebol e andam de bicicleta. A maior parte destes alunos estuda diariamente em casa e, de um modo geral, frequentam assiduamente a biblioteca da escola.
Com base nestes dados e tendo em aten¸c˜ao as carater´ısticas espec´ıficas destes alunos foi desenvolvido o trabalho de pesquisa, constru¸c˜ao e sele¸c˜ao das tarefas diversificadas propos- tas em sala de aula e trabalhadas neste n´ıvel de ensino. Foram ainda, efetuadas adapta¸c˜oes `
a planifica¸c˜ao anual da disciplina, garantindo a cobertura dos objetivos/metas previstos nos documentos normativos.
Pelo facto deste grupo de alunos se ter mostrado muito coeso, quer ao n´ıvel das rela¸c˜oes interpessoais quer ao n´ıvel das aprendizagens matem´aticas, foi f´acil constituir grupos e/ou pares de alunos com car´ater de rotatividade, para a realiza¸c˜ao das tarefas propostas em sala de aula. Trata-se de alunos, de um modo geral, motivados para a escola que tˆem em vista a prossecu¸c˜ao dos estudos no ensino regular. N˜ao obstante esta mais-valia, os alunos necessitam de trabalhar os n´ıveis de concentra¸c˜ao em sala de aula, pois tendem a dispersar os seus pensamentos para assuntos extra-aula. Tamb´em aqui, as tarefas escolhidas objetivam melhorar esta competˆencia nos alunos.
`
A semelhan¸ca do s´etimo ano, a implementa¸c˜ao das tarefas ao n´ıvel do nono ano fez-se numa das turmas atribu´ıdas no hor´ario da professora investigadora.
A caracteriza¸c˜ao da turma do nono ano ficou ao cuidado do respetivo diretor de turma que, distribuiu igualmente a ficha biogr´afica para os alunos preencherem e fez o levantamento dos seus registos.
Quanto aos alunos da turma do nono ano de escolaridade, foram recolhidas algumas in- forma¸c˜oes. A turma ´e constitu´ıda por dezanove alunos, sendo que trˆes s˜ao do sexo feminino e os restantes dezasseis do sexo masculino; as idades est˜ao compreendidas entre os treze e os catorze anos, sendo a m´edia de idades de catorze anos. A proveniˆencia dos alunos ´e diversificada e na sua maioria do meio rural, apenas trˆes alunos habitam na cidade e todos os alunos utilizam o transporte p´ublico nas desloca¸c˜oes para a escola. O tempo que demoram de casa `a escola, para mais de metade dos alunos, ´e superior a 30 minutos, os restantes demoram entre 10 a 15 minutos.
Quanto ao agregado familiar, possuem na sua grande maioria como habilita¸c˜oes liter´arias uma escolaridade igual ou inferior ao nono ano. Refira-se que dois pais possuem o d´ecimo segundo ano e duas m˜aes possuem um curso superior. A maioria dos alunos tem um irm˜ao, apenas dois tˆem mais que um. Relativamente `a situa¸c˜ao profissional dos pais, uma parte significativa de m˜aes ´e dom´estica e trabalham na agricultura e alguns pais est˜ao desempregados. Relativamente `
a ocupa¸c˜ao dos tempos livres, os alunos referem que veem televis˜ao, utilizam o computador, jogam consola, ouvem m´usica, leem, jogam futebol e andam de bicicleta; a maior parte destes alunos n˜ao estuda diariamente em casa, s´o o fazem para os momentos formais de avalia¸c˜ao mas, de um modo geral, frequentam a biblioteca da escola.
Com base nestes dados e tendo em aten¸c˜ao as carater´ısticas espec´ıficas destes alunos foi desenvolvido o trabalho de pesquisa, constru¸c˜ao e sele¸c˜ao das tarefas diversificadas propostas em sala de aula e trabalhadas neste n´ıvel de ensino. Foram ainda, efetuadas adapta¸c˜oes `a plani- fica¸c˜ao anual da disciplina, garantindo a cobertura dos objetivos/metas previstos nos documentos normativos. Pelo facto dos alunos desta turma formarem um grupo muito heterog´eneo, quer ao n´ıvel das rela¸c˜oes interpessoais quer ao n´ıvel das aprendizagens matem´aticas, foi mais dif´ıcil constituir grupos e/ou pares de alunos com car´ater de rotatividade, para a realiza¸c˜ao das tarefas propostas em sala de aula. Estes alunos evidenciam uma reduzida concentra¸c˜ao nas tarefas de sala de aula, dispersando, a mi´ude, os seus pensamentos para assuntos extra-aula. S˜ao pouco aut´onomos e pouco organizados, mas s˜ao bem comportados e cumprem as regras de compor- tamento estabelecidas. As tarefas escolhidas objetivam, tamb´em, melhorar estas competˆencias nos alunos.
As tarefas para o s´etimo e nono anos, aplicadas ao longo do ano letivo 2011 − 2012, foram escolhidas n˜ao s´o atendendo ao cumprimento dos objetivos do programa em vigor, como referido acima, mas tamb´em `a diversidade do tipo de tarefas e `a aquisi¸c˜ao de capacidades transversais por parte dos alunos. N˜ao se realizou qualquer tarefa ao n´ıvel do oitavo ano pois a docente investigadora n˜ao tinha turma atribu´ıda nesse n´ıvel de ensino.
A planifica¸c˜ao come¸cou com a escolha de seis tarefas adequadas aos conte´udos a abordar no t´opico das fun¸c˜oes, nos s´etimo e nonos anos. Para cada uma delas foram, selecionados os objetivos espec´ıficos do programa relativos ao t´opico em quest˜ao, caraterizados os tipos de tarefas a aplicar e ainda, definidas as capacidades transversais a desenvolver.
No quadro ”Objetivos das tarefas”apresentado em anexo, elencam-se os objetivos do pro- grama e os que foram escolhidos para cada tarefa. Pode observar-se que, propositadamente, os objetivos preconizados no programa, cobrem na sua maioria os do conjunto de tarefas a propor aos alunos.
A caracteriza¸c˜ao das tarefas como exerc´ıcio e/ou explora¸c˜ao deve-se `a terminologia usada em a¸c˜oes de forma¸c˜ao atendidas pela docente investigadora. Pode ainda constatar-se quais as capacidades transversais que se pretende desenvolver em cada tarefa aplicada.
Quer as tarefas tenham sido propostas para realizar em pares ou em grupo foi sempre dis- tribu´ıda uma fotoc´opia a cada aluno no sentido de facilitar a leitura, interpreta¸c˜ao, registos das resolu¸c˜oes e conclus˜oes. Cada tarefa era lida em voz alta por um aluno volunt´ario. A professora investigadora certificou-se que os alunos entenderam o que lhes era pedido, tendo o cuidado de n˜ao responder ao desafio proposto.
para o grupo do s´etimo ano, cujos enunciados e planifica¸c˜oes se encontram apresentados em anexo.
3.1
Tarefa 1 - A Compra do televisor
As quest˜oes pensadas para esta tarefa foram concebidas propositadamente com um enca- deamento do geral para o particular, isto ´e, a partir da express˜ao alg´ebrica de uma fun¸c˜ao de proporcionalidade direta, j´a lecionada em aulas anteriores, pretende-se que os alunos a apli- quem em casos particulares. Deste modo, proporciona-se `a turma mais um momento para que a apropria¸c˜ao da linguagem alg´ebrica matem´atica ocorra de forma natural e progressiva.
Na primeira quest˜ao da tarefa pretende-se que os alunos, refletindo sobre a rela¸c˜ao existente entre as vari´aveis comprimento e largura, se apropriem do conceito de fun¸c˜ao - lecionado em aulas anteriores. Por analogia com os diferentes modos de definir uma fun¸c˜ao, abordados em aulas anteriores, os alunos podem construir um diagrama e observar que existe uma correspondˆencia un´ıvoca entre os dois conjuntos, medidas de comprimento e medidas de largura, satisfazendo a rela¸c˜ao 4 : 3. Verificamos que todos os alunos conseguiram responder corretamente `a quest˜ao pelo que estamos convictos de que o conceito de fun¸c˜ao foi devidamente interiorizado.
Na quest˜ao seguinte, espera-se que os alunos apresentem uma das duas express˜oes seguintes: c = 4
3l ou l = 3 4c
Contrariamente ao que era suposto, verificou-se que os alunos sentiram algumas dificuldades em responder satisfatoriamente. Podem ver-se algumas produ¸c˜oes que ilustram as dificuldades sentidas:
Figura 3.1: Respostas `a quest˜ao 2 da tarefa 1
O que mostra que estes alunos reconheceram que esta rela¸c˜ao se pode traduzir por uma fun¸c˜ao de proporcionalidade direta mas, ou n˜ao explicitam a sua express˜ao alg´ebrica ou, mesmo que a tenham escrito de forma correta, como se observa no segundo exemplo, sentiram dificuldades em encontrar a respetiva constante de proporcionalidade. Este condicionalismo pode ter ocorrido pelo facto da constante n˜ao ser um n´umero inteiro e portanto ter surgido a dificuldade em encontrar o fator multiplicativo que permite obter o comprimento atrav´es da largura ou vice- versa. Neste caso, o professor enquanto mediador da tarefa deve questionar os alunos de modo que estes possam ultrapassar esta etapa com sucesso. Para o efeito deve formular as seguintes quest˜oes: - Que forma geom´etrica tem o ´ecran do televisor? - Observem os exemplos que deram anteriormente. Qual a raz˜ao entre o comprimento e a largura dos exemplos dados? - Que ordem
de grandeza se pode estabelecer entre as dimens˜oes do ´ecran? Isto ´e, como podem comparar o comprimento com a largura, obtendo um em fun¸c˜ao do outro?
Os alunos s˜ao induzidos a concluir que a escrita correta da express˜ao pretendida pode ser obtida de uma das duas maneiras seguintes: determinar a largura do ´ecran, multiplicando o comprimento por 34 ou determinar o seu comprimento, multiplicando a largura por 43. Na figura seguinte apresenta-se uma resposta correta dada por um grupo de alunos.
Figura 3.2: Resposta `a quest˜ao 2 da tarefa 1
Na quest˜ao trˆes o objetivo principal ´e a apropria¸c˜ao gradual da escrita alg´ebrica matem´atica, que neste caso se prende com o uso da linguagem de fun¸c˜oes do tipo y = kx, k 6= 0. Assim, ´e suposto que o aluno utilize a express˜ao alg´ebrica da fun¸c˜ao de proporcionalidade direta, pedida na quest˜ao anterior, para a obten¸c˜ao da resposta. Por´em, verificou-se que a maioria dos alunos tendem a resistir ao uso de novos tipos de escrita matem´atica e, neste caso, usam a propor¸c˜ao ou regra de trˆes simples a que estavam habituados no sexto ano de escolaridade. Vejamos por exemplo a resposta apresentada por dois dos pares:
Figura 3.3: Resposta `a quest˜ao 3 da tarefa 1
Refira-se que, neste exemplo, a escrita matem´atica usada para o c´alculo do comprimento do ´
ecran, foi devidamente corrigida na aula.
Figura 3.4: Resposta `a quest˜ao 3 da tarefa 1
Mas alguns alunos da turma realizaram os seus c´alculos usando a express˜ao da fun¸c˜ao de proporcionalidade direta, embora n˜ao tenham respondido devidamente `a quest˜ao. Ap´os os c´alculos efetuados deveriam ter comparado o comprimento do ´ecran que o Jos´e tinha com o do an´uncio e estabelecido a rela¸c˜ao de ordem que permitisse afirmar que o televisor do an´uncio tinha um ´ecran maior.
Figura 3.5: Respostas `a quest˜ao 3 da tarefa 1
Aquando da discuss˜ao da tarefa na turma os alunos foram confrontados com as diferentes respostas dadas, de modo a conclu´ırem que o uso da express˜ao da fun¸c˜ao de proporcionalidade direta ´e a mais adequada. ´E nossa convic¸c˜ao que s´o depois da discuss˜ao com a turma, consegui- mos que, em geral, os alunos interiorizassem essa rela¸c˜ao. Neste sentido, considera-se ser este aspeto o ponto forte da tarefa. O grande objetivo ao propor a quarta quest˜ao foi promover a autoestima dos alunos na resolu¸c˜ao de problemas; mostrar-lhes que s˜ao capazes, devendo para isso relacionar os assuntos, compreender o significado e a utilidade das express˜oes alg´ebricas e ainda que o dual tentativa/erro ´e t˜ao mais importante que a apresenta¸c˜ao precipitada de uma solu¸c˜ao. Seguem-se alguns exemplos de resolu¸c˜oes apresentadas. Alguns usaram valores de me- didas de comprimento e largura que satisfaziam a rela¸c˜ao 4 : 3 at´e chegarem ao valor da ´area apresentada.
Outro exemplo idˆentico de outro par de alunos,
Figura 3.7: Resposta `a quest˜ao 4 da tarefa 1
e ainda outro par de alunos que foi mais assertivo e come¸cou com as dimens˜oes do televisor Sirai:
Figura 3.8: Resposta `a quest˜ao 4 da tarefa 1
Outros n˜ao conseguiram responder ou responderam erradamente. Nos dois exemplos que se seguem os alunos n˜ao relacionaram a propor¸c˜ao apresentada `a forma geom´etrica do televisor.
Nestes casos, os alunos foram confrontados com os seus resultados e foram-lhes colocadas as seguintes quest˜oes: - Calculem a ´area do ´ecran com as dimens˜oes que apresentaram. Obtiveram a ´area dada no problema? Que conclus˜oes podem tirar? Estas respostas foram discutidas na turma e os alunos chegaram `a conclus˜ao que tinham estabelecido rela¸c˜oes erradas. Aperceberam- se que confundiram o formato do televisor com um quadrado e que tinham estabelecido uma rela¸c˜ao errada entre: os lados do televisor e, lados e ´area. O problema proposto ´e de resposta fechada, mas envolve um racioc´ınio mais elaborado e exige uma melhor compreens˜ao da tarefa. O aluno ´e obrigado a estabelecer conex˜oes com a geometria, recordando o c´alculo da ´area de uma figura geom´etrica e, com o estudo dos m´ultiplos de um n´umero, descobrindo a largura do