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Metassíntese de áreas de conhecimentos que investigam Infância(s) no Brasil

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Metassíntese de áreas de conhecimentos que investigam Infância(s) no

Brasil

Adélia Augusta Souto de Oliveira1, Manuel Sarmento2, Maria Laura Barros da Rocha1

e Luciano Domingues Bueno3

1 Instituto de Psicologia da Universidade Federal de Alagoas, Brasil. [email protected]; [email protected].

2 Instituto de Educação da Universidade do Minho, Portugal. [email protected] 3 Hospital Universitário Professor Alberto Antunes, Brasil. [email protected]

Resumo. Realiza-se metassíntese das Áreas do Conhecimento das Ciências Humanas que investigam infância(s) no Diretório de Grupos de Pesquisa do Brasil (DGP), através da qual se identificam relações histórico-institucionais e de distribuição por área de conhecimento. A investigação qualitativa percorre as etapas de exploração, consulta, cruzamento, armazenamento, descrição e interpretação. O corpus se constitui através de descritores (infância, infâncias, infantil, infantis, criança e crianças), com presença no título do grupo de pesquisa e com filtragem de 11.251 grupos da Grande Área de Ciências Humanas. Os resultados indicam 245 grupos investigam a temática da infância, nas áreas de Educação (186), Psicologia (44), Sociologia (7), História (3), Antropologia (2), Filosofia (2) e Teologia (1). Aprofunda-se a investigação dos grupos de Educação, seus pesquisadores e configurações histórico-institucionais. Por último, verifica-se o pioneirismo e às potencialidades do DGP como ferramenta para produção de sínteses analíticas, além de permitir avanços na construção de redes de pesquisadores.

Palavras-chave: Infância; Ciências Humanas; Metassíntese; Educação; Pesquisa Qualitativa.

Metasynthesis of knowledge fields that investigate Childhood in Brazil

Abstract. A Metasynthesis of knowledge areas, within the Humanities, that study childhood in the Directory of Research Groups of Brazil (DGP) is conducted through an examination of historical-institutional relations and identification of fields of knowledge. This qualitative research progresses through the stages of exploration, search, crossing, storage, description and interpretation. The corpus consists of descriptors (childhood, childhoods, childlike, child, children), with the presence in the research group's title and filtered within 11,251 groups in the Area of Human Sciences. The results indicate 245 groups that investigate the subject of childhood, in the fields of Education (186), Psychology (44), Sociology (7), History (3), Anthropology (2), Philosophy (2) and Theology (1). It deepens the analysis of the Education groups, their researchers and historical-institutional configurations. Finally, the pioneering and the potentialities of the DGP as a tool for the production of analytical syntheses are verified, allowing advances in the formation of networks of researchers.

Keywords: Childhood; Human Sciences; Metassynthesis; Education; Qualitative Research.

1 Introdução

O Diretório de Grupos de Pesquisa do Brasil (DGP), criado em 1992, é uma plataforma online do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), que funciona como um inventário de grupos de pesquisa em atividade no Brasil. Reúne informações referentes aos recursos humanos do grupo (pesquisadores, estudantes, técnicos, colaboradores estrangeiros), às linhas de pesquisa, às áreas de conhecimento, à produção científica, às instituições com as quais os grupos estão vinculados, entre outros dados disponíveis.

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Desse modo, considera-se que o DGP é uma ferramenta capaz de acessar elementos históricos, geográficos e institucionais dos grupos de pesquisa científicos que estudam a temática da(s) infância(s) no Brasil, bem como verificar, a partir dos recursos humanos dos grupos, às parcerias entre estes e pesquisadores estrangeiros. Com isso em mente, a análise do diretório pode contribuir para o entendimento de como as áreas de conhecimento estão estruturadas no cenário nacional, apresentar um perfil da pesquisa no Brasil e permitir a criação de possíveis redes de pesquisadores sobre determinado assunto/temática.

A potencialidade do DGP como banco de dados para realização de pesquisas qualitativas foi verificada em estudos anteriores sobre diferentes temáticas, como Adolescência (Menezes, Oliveira, Morais, Bueno, Rocha, 2017), Violência de Gênero (Falcão, Menezes, 2018) e Psicologia do Desenvolvimento (Barboza, Silva, Branco, Cavalcante, Oliveira, 2017).

O presente estudo se desenvolve a partir da questão norteadora: quais são as áreas de conhecimento das Ciências Humanas que pesquisam a(s) infância(s) e como elas estão representadas no Diretório de Grupos de Pesquisa no Brasil?

Dessa forma, realiza-se uma metassíntese através do mapeamento das Áreas do Conhecimento das Ciências Humanas que pesquisam infância(s) no DGP. A partir das informações presentes nas páginas dos grupos de pesquisa, descrevem-se as relações histórico-institucionais e interpretam-se qualitativamente esses dados. Assim, a investigação extrapola uma síntese e amplia a compreensão do conteúdo dos documentos (Matheus, 2009; Oliveira, Trancoso, Bastos, Canuto, 2015).

2 Método

A metassíntese configura-se como a integração qualitativa de dados “que são, em si mesmos, a síntese interpretativa” (Lopes, Fracolli, 2008, p. 74) e que pode ser empregada na investigação de diferentes fontes de informação. Nesse caso, o avanço metodológico proposto pelo presente estudo é a utilização da metassíntese, já consolidada como estratégia de análise bibliográfica (Oliveira et al, 2015; Oliveira, Bastos, Santos Júnior, Bueno, Rocha, 2017), como recurso investigativo e interpretativo de informações disponíveis em plataforma virtuais, como o DGP.

O percurso metodológico desenvolveu-se em seis etapas para a busca e análise de informações: exploração, consulta, cruzamento, armazenamento e tratamento de informações, descrição e interpretação. Para a estruturação desse tipo de estudo é essencial a organização de etapas sequenciais e complementares para propiciar o alcance dos objetivos previstos (Oliveira et al, 2015). Por tratar-se de um estudo desenvolvido online, de forma colaborativa e simultânea por uma equipe de pesquisadores, a efetivação do delineamento do percurso metodológico busca, mediante a sistematização, assegurar uma consistência na produção do corpus de pesquisa e da análise do mesmo.

Na primeira etapa foram identificados os recursos da base de dados, a partir de movimentos exploratórios iniciais, através da experimentação de busca com diferentes descritores e filtros de refinamento da pesquisa, de modo a qualificar e alinhar o material de análise com os objetivos da pesquisa. Momento da pesquisa em que, mediante as especificidades da fonte de informações investigada, podemos refletir sobre a construção das etapas seguintes do método, buscando produzir um percurso alinhado com as potencialidades encontradas na plataforma que subsidia o estudo. Por exemplo, podem surgir categorias analíticas, sequência ou níveis de análise e interpretação a partir de recursos contidos na própria base de dados.

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Posterior a definição dos descritores (infância, infâncias, infantil, infantis, criança e crianças) foi realizada a consulta à base de dados, através da inserção individual dos descritores, na ferramenta de busca, e da utilização de filtros de refinamento, que assinalavam apenas os grupos de pesquisa, que possuíam o(s) descritor(es) no título e que pertenciam à categoria da Grande Área de Ciências Humanas. Entende-se que a presença do descritor no título prioriza a investigação na temática da infância. Trata-se de um critério escolhido para a captura de material que sugere uma maior relação com os objetivos de pesquisa, dessa forma, realiza-se um recorte em que ficam desconsideradas, para este estudo, eventuais linhas de pesquisa que trabalhem infância em grupos que não possuem, no título, os descritores elegidos. Esses são aspectos que ficam fora do corpus da presente pesquisa podem ser estudados em investigações futuras sobre o tema nessa base de dados.

Além disso, ressalta-se que a definição das áreas pertencentes a Ciências Humanas foi realizada partir da classificação do CNPq, que é seguida pelo Diretório de Grupos, e inclui: Antropologia, Arqueologia, Ciência Política, Educação, Filosofia, Geografia, História, Psicologia, Sociologia e Teologia.

Durante a etapa de cruzamento foi realizada a leitura dos títulos dos grupos de pesquisa indicados, comparando-os para identificar duplicidades de material e eliminá-las. Posteriormente, as páginas dos grupos de pesquisa, resultantes desta etapa, foram salvas em formato PDF e armazenadas em drive virtual, acarretando a criação de um banco de dados próprio. Essa prática de armazenamento virtual permite o compartilhamento mais acessível aos outros integrantes da investigação, com acesso aos dados em qualquer lugar sem restrição a um computador ou disco rígido fixo, bem como possibilita o acesso simultâneo do material para os investigadores envolvidos. Etapa essa que também resguarda a pesquisa de possíveis oscilações na plataforma original dos dados, pois o armazenamento cria uma base virtual independente da fonte consultada inicialmente.

A criação de bancos de pesquisa, assim como o uso de ferramentas online de armazenagem e acesso a dados tem sido alternativa explorada como recurso logístico de gestão virtual de material que possibilita, além assegurar uma independência das fontes primárias de informação, arquivamento e compartilhamento destas fontes.

O tratamento dos dados foi efetivado a partir da construção de planilhas eletrônicas do tipo Excel com informações presentes nas páginas dos grupos: ano de formação, nome do líder e do vice líder, nome do grupo, ano de formação, instituição a qual está vinculado, entre outros dados. Esse tipo de tabulação das informações facilita a descrição dos aspectos relevantes a partir da construção de tabelas e gráficos, sintetiza informações e facilita a posterior interpretação do material obtido através das etapas anteriores. Ainda, com base nos recursos disponibilizados pela própria planilha, é possível filtragem de conteúdo e acesso otimizado ao material de pesquisa, mediante inserção de

hiperlinks.

Para investigação qualitativa, seja no trabalho com elementos textuais ou outro tipo de material como, por exemplo, imagens, o uso de fontes online de pesquisa, a criação de bancos virtuais e o emprego de ferramentas tecnológicas online possibilitam avanços metodológicos capazes de otimizar a produção e divulgação do conhecimento científico. Os bancos online permitem uma sistematização alinhada com critérios qualitativos de análise, ampliando a capacidade de alcance das investigações realizadas, bem como aumenta a eficiência na administração de informações, que na pesquisa qualitativa pode alcançar uma quantidade significativa (Bauer & Gaskell, 2007).

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3 Resultados

Inicialmente, a partir da consulta à base do DGP foram indicados 335 grupos de pesquisa. O descritor com maior expressividade foi Infância, com 158 grupos, seguido de Infantil (69), infâncias (31),

criança (48), crianças (26), infantis (3). A partir do cruzamento foram excluídos 90 grupos duplicados,

resultando em um quantitativo final de 245 grupos.

O ano de maior formação de grupos que pesquisam infância nas Ciências Humanas é 2016, com 23 grupos, além de ser àquele com maior diferença quantitativa em relação ao ano que o precede diretamente, 2015. A partir de 2007, pode-se perceber que, apesar de flutuações em quantitativo, há a criação de pelo menos 11 grupos por ano.

Fig. 1: Série histórica dos Grupos de Pesquisa que investigam Infância nas Ciências Humanas

O grupo de pesquisa mais antigo do corpus é “Centro de Investigação Sobre Desenvolvimento Humano e Educação Infantil” (CINDEDI), criado em 1988, vinculado à Universidade de São Paulo (USP) e da área de Psicologia. Apesar de ter sua data de início apresentada no DGP como 1988, na página do grupo há a informação de que ele funciona informalmente desde 1979. Este grupo consta como excluído, como última data de atualização de situação em 27 de outubro de 2018.

No Diretório de Grupos de Pesquisa há uma subdivisão dos grupos relativa ao sua situação de certificação, através da qual os grupos de pesquisa são classificados com seis possíveis tipos de

status: Aguardando certificação pela instituição; Certificação negada pela instituição; Certificado pela

instituição; Grupo não-atualizado; Grupo em preenchimento; e Grupo Excluído. Na amostra desta pesquisa apenas as últimas quatro dessas classificações aparecem.

Um grupo é considerado como Certificado depois que os dados inseridos na base corrente pelo líder do grupo são confirmados pelo dirigente institucional de pesquisa da instituição a qual está vinculado. Apenas os grupos com esse status são considerados pelo CNPq nos Censos do DGP e tem acesso irrestrito à Base Corrente.

Após a certificação, se o grupo passar um período de 12 meses sem ser atualizado pelos líderes ele passa a ter o status de Grupo não-atualizado. Basta ser feita qualquer atualização para que ele volte a ser Grupo Certificado. A categoria “Grupo em preenchimento” refere-se àqueles cujos dados ainda estão sendo editados pelo líder e “Grupos Excluídos” são àqueles excluídos pelo líder ou pelo próprio

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CNPq, por conta de falta de atualizações por um longo período de tempo ou irregularidades nas informações.

Tabela 1: Áreas de conhecimento que pesquisam infâncias

ÁREAS DO CONHECIMENTO

QUANTIDADE DE GRUPOS TOTAL DE

GRUPOS

Certificado Não atualizado Em preenchimento Excluído

Antropologia 1 1 0 0 2 Educação 131 21 10 24 186 Filosofia 2 0 0 0 2 História 2 0 0 1 3 Psicologia 20 6 6 12 44 Sociologia 5 0 0 2 7 Teologia 0 0 0 1 1 Total 161 28 16 40 245

Os grupos de pesquisa de Educação representam 75,9% da amostra, a qual pode ser entendida a partir de alguns fatores principais. Primeiramente, de um modo geral há uma quantidade maior de grupos cadastrados na base corrente em Educação, 4.970 dos 11.251 grupos de Ciências Humanas. Em segundo lugar, há uma tradição na área da Educação de pesquisas relacionadas à infância e ao ensino infantil, algo que culmina em uma grande quantidade de grupos cujo foco é o estudo da temática.

Algo semelhante pode ser pensado em relação à Psicologia, que fica em segundo lugar na quantidade de grupos (17,9%), uma vez que há um histórico de pesquisas voltadas à infância e ao desenvolvimento infantil.

A análise da expressividade da infância, nessas áreas de conhecimento, possibilita vislumbrar um “lugar” ocupado pela infância dentro da sociedade e saber científico. Assim como o historiador francês Áries (1981) apresenta, em seu livro A história social da infância e da família, percepções de uma concepção de infância através de pinturas de crianças, pode-se perceber, a partir das áreas de concentração dos estudos, uma concepção de infância majoritariamente vinculada à aprendizagem e desenvolvimento.

Em investigação sobre o conceito de infância em periódicos brasileiros de psicologia, Canuto (2017) constatou que, ainda que atualmente existam concepções múltiplas de infância no interior da Psicologia, permanecem como base referências advindas dos campos da aprendizagem e do desenvolvimento. Além disso, aponta para a importante ligação entre psicologia e pedagogia no conceito em relação ao conceito de infância na atualidade.

Em concordância com essa afirmação, aponta-se que, apesar das multiplicidades de dimensões de possível abordagem da temática - reafirmadas pela presença, ainda que tímida, de grupos de

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Antropologia, Filosofia, História, Sociologia e Teologia - o maior enfoque continua sendo em questões educacionais.

3.1 Infâncias nos Grupos de Pesquisa da Área de Educação

Para as próximas etapas do estudo toma-se como foco os grupos de Educação, por conta da grande representatividade desta área na amostra, e dentre estes apenas os grupos certificados, uma vez que as informações acerca dos recursos humanos nesses grupos encontram-se mais recentemente atualizadas. Com esse refinamento, passa-se a trabalhar com as informações de 131 grupos de pesquisa.

Fig. 2: Série histórica dos Grupos de Pesquisa Certificados na Área de Educação

O ano inicial da série histórica de grupos de Educação é 1991, com os grupos “Educação e Infância: políticas e práticas”, da Fundação Carlos Chagas, liderado por Eliana Maria Bahia Bhering e Moysés Kuhlmann Júnior; e “Núcleo de estudos e pesquisas da Educação na primeira infância”, da Universidade Federal de Santa Catarina, cujas líderes são Kátia Adair Agostinho e Eloisa Acires Candal Rocha.

Ao todo, a amostra dispõe de 78 instituições diferentes, com variados graus de repetição no corpus. Destaca-se que as instituições descritas na Figura 2, são as 24 vinculadas a mais de um Grupo de Pesquisa, e representam 58,8% da amostra.

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Fig. 3: Fragmento do panorama institucional dos Grupos de Pesquisa de Educação

A Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (UNESP) é uma universidade estadual localizada no estado de São Paulo e dispõe de sete grupos de pesquisa de Educação cadastrados no DGP. O mais antigo é o “Grupo de Estudos e Pesquisas sobre Infância, família e escolarização - GEPIFE”, formado em 2006. Além disso, houve a formação de três grupos de pesquisa no mesmo ano (2012): “Formação, Trabalho Pedagógico e Representações Sociais na Educação”, “Grupo de Estudos e Pesquisa em Atividade e Desenvolvimento Infantil - GEPADI”, “Professores e gestores de Educação Infantil: formação, saberes e práticas”.

Ressalta-se que esses dados devem ser considerados como decorrentes de composições históricas, geográficas e econômicas que influenciam a construção e manutenção de programas de graduação e pós-graduação no País, bem como o investimento econômico na Educação e Pesquisa nessas localidades.

3.2. Pesquisadores de Infância(s) em Grupos de Pesquisa da Educação

Tendo como base o item de recursos humanos presente nas páginas dos grupos de pesquisa, foram identificados 216 pesquisadores brasileiros distintos, entre líderes e vice-líderes, além de 24 colaboradores estrangeiros.

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Fig. 5: País de origem de pesquisadores estrangeiros

Os colaboradores estrangeiros são, em sua maioria, de países europeus (62,5%), mais especificamente pesquisadores portugueses (33,3%). Além disso, há três pesquisadores de Portugal que fazem parte de mais de um grupo de pesquisa do corpus, como pode ser observado na Tabela 2.

Tabela 2: Pesquisador e pesquisadoras portugueses vinculados a mais de um Grupo de Pesquisa sobre Infância.

PESQUISADORES(AS) GRUPOS DE PESQUISA

Manuel José Jacinto Sarmento Pereira

INFOC - Infância, Formação e Cultura

Núcleo de Estudos e Pesquisas da Educação na Pequena Infância Infância, Educação, Sociedade e Cultura – IESC

Maria Manuela Martinho Ferreira

INFOC - Infância, Formação e Cultura

Núcleo de Estudos e Pesquisas da Educação na Pequena Infância

Grupos de Estudos e Pesquisas sobre Sociologia da Infância e Educação Infantil (GEPSI)

Ângela Maria Franco Martins Coelho de

Paiva Balça

Literalise: grupo de pesquisa em Literatura Infantil e Juvenil e práticas de mediação literária

Imagens, Tecnologias e Infâncias

O idioma pode ser uma das conexões entre pesquisadores portugueses e brasileiros, uma vez que falar a mesma língua facilita troca de ideias e leitura de artigos científicos. Além disso, considera-se que pesquisas portuguesas sobre a educação e sobre a infância também são estudos de referência no Brasil. Os eventos científicos luso-brasileiros, como o Simpósio Luso Brasileiro de Estudos da Criança e Seminário Luso-Brasileiro de Educação de Infância (SLBEI), por exemplo, também podem ser espaços promotores de contato e criação de redes de colaboração entre pesquisadores.

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4 Conclusões

O Diretório de Grupos de Pesquisa configura-se como recurso potencial para estudos que investigam as formas de construção de conhecimento, em diferentes campos de pesquisa no Brasil, uma vez que permite destacar marcos históricos, geográficos e institucionais dos grupos de pesquisa brasileiros. Nesse sentido, a metassíntese de grupos de pesquisa como estratégia metodológica proporciona interpretação e análise qualitativa de resultados encontrados, além do agrupamento de informações a respeito de grupos com interesses comuns, de modo a evidenciar redes de contribuição em torno da infância. Esse percurso metodológico oportuniza uma revisão crítica que contribui para a reflexão e para a crítica interna à ciência, produzindo novo conhecimento. Conhecimento esse produzido a partir da investigação do fluxo histórico registrado nas informações do DGP, as quais contribuem para o campo dos estudos sobre a infância. Viabiliza assim, o acompanhamento da multiplicidade presente no campo científico e na distribuição por áreas de estudo. Verifica-se ainda, a dinâmica das caracterizações e alterações, históricas e geográficas, das temáticas de interesse das investigações. Partindo de uma perspectiva crítica e do entendimento que conceitos são construídos em um processo histórico-social (Vigotski, 1999; 2007), a integração qualitativa dos dados do DGP sobre as áreas de conhecimento que investigam infância nos permite compor uma síntese interpretativa da constituição da temática no campo científico. Esse estudo corrobora com a compreensão de Canuto (2017) de que, por mais que busquemos proposições ampliadas acerca da infância, há uma predominância de discursos provenientes das áreas da educação, aprendizagem e desenvolvimento. Convida-nos assim, a refletir acerca das possíveis contribuições advindas das áreas distintas de conhecimento.

Com isso, o Diretório de Grupos demonstrou ser uma ferramenta que permite, a partir da utilização de diferentes descritores e formas de filtragem, capturar recortes distintos das áreas de conhecimento por temáticas. Por exemplo, a investigação por linhas de pesquisa que pesquisam infância, ao invés da consulta aos Grupos de Pesquisa, também pode ser uma estratégia de acesso aos objetivos e as temáticas de pesquisa dos grupos, em razão de sua vinculação aos mesmos.

Em investigações futuras, podem ser estudadas as publicações indicadas no currículo lattes dos líderes e vice-líderes, na direção de analisar pressupostos teóricos e metodológicos da infância, bem como as modificações que ocorreram ao longo dos anos.

Dessa forma, o DGP é base de informações inovadora para pesquisas sobre a produção de conhecimento no Brasil e possui grande potencialidade de pesquisa, como fonte de informações que podem ser utilizadas de forma alternativa ou complementar às produções bibliográficas acerca de determinada temática.

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