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SÍNDROME DO TÚNEL DO CARPO: ANATOMIA, FISIOPATOLOGIA E TRATAMENTOS MAIS UTILIZADOS

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Revista Saúde Física & Mental

Revisão de literatura

SÍNDROME DO TÚNEL DO CARPO: ANATOMIA, FISIOPATOLOGIA

E TRATAMENTOS MAIS UTILIZADOS

TUNNEL SYNDROME: ANATOMY, PATHOPHYSIOLOGY AND MOST COMMONLY USED TREATMENTS

Rodrigo Silva Perfeito1,2,3; Mariana Abrantes de Figueiredo4

1- Mestrado em Ciências da Atividade Física 2- Fisioterapeuta pela FRASCE 3- Professor de Educação Física pela UERJ 4- Especialista em Traumato-ortopedia pelo IAPS

Resumo: A Síndrome do Túnel do Carpo (STC) é resultado da compressão do nervo mediano dentro do canal do carpo e é a neuropatia compressiva mais comum. A intervenção conservadora alivia os sintomas do paciente e promove o retorno às suas funções normais. O objetivo foi revisar as estruturas anatômicas específicas e adjacentes ao túnel do carpo, apresentar a fisiopatologia e destacar quais são as condutas de tratamento mais indicadas na literatura. Trata-se de uma pesquisa explicativa com procedimento de coleta de dados bibliográfico e sintetização da informação por tabelas. Conclui-se que a fisioterapia se mostra um importante recurso na reabilitação de pacientes com STC, tendo à sua disposição diversas condutas terapêuticas, mas nota-se que ainda são necessários mais estudos relacionados à sua atuação nesta patologia para maior consolidação e comprovação da eficácia de suas técnicas e recursos.

Palavras-chave: Fisioterapia; Reabilitação; Síndrome do Túnel do Carpo.

Abstract: Carpal Tunnel Syndrome (STC) is a result of compression of the median nerve within the carpal canal and is the most common compressive neuropathy. Conservative intervention alleviates the patient's symptoms and promotes a return to normal function. The objective: to review the anatomical structures specific to and adjacent to the carpal tunnel, to present the pathophysiology and to highlight which are the most indicated treatment lines in the literature. This is an explanatory research with a procedure for collecting bibliographical data and synthesizing information by tables. The physical therapy is an important resource in the rehabilitation of patients with CTS, and has several therapeutic approaches at its disposal, but it is noteworthy that further studies related to its action in this pathology are necessary for greater consolidation and confirmation of the efficacy of its techniques and resources.

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INTRODUÇÃO

O punho corresponde à extremidade distal do antebraço, dos ossos rádio e ulna, sendo a junção do antebraço com a mão, possuindo os movimentos de extensão, flexão e desvios radial e ulnar1.

Na parte distal do antebraço encontra-se uma fileira transversal de ossos curtos, constituindo o carpo. Mais abaixo, há cinco colunas ósseas verticais, formando o metacarpo. E por fim, existem os dedos, cada um deles compreendidos por três falanges, exceto pelo polegar que possui apenas duas2.

Os oito ossos que constituem o carpo estão articulados entre si e mantidos por fortes ligamentos. Em uma fileira proximal, estão os ossos escafoide, semilunar, piramidal e pisiforme. Na fileira distal, estão o trapézio, trapezoide, capitato e hamato3. Entre os ossos do carpo, existe um túnel por onde passa o Nervo Mediano (NM), chamado de túnel do carpo4.

O túnel do carpo é um túnel osteofibroso inextensível definido como um espaço situado entre o retináculo dos flexores que constitui o teto, e a caneleta carpiana, o fundo. É delimitado na borda ulnar pelo hâmulo do hamato, piramidal e pisiforme e na borda radial pelo escafoide, trapézio e o tendão do flexor radial do carpo. Sua base é formada pela cápsula e os ligamentos radiocárpicos anteriores recobrem as porções subjacentes do escafoide, semilunar, capitato, hamato, trapézio e trapezoide5.

O NM é acompanhado pelos quatro tendões dos flexores superficiais dos dedos, os quatro tendões dos flexores profundos dos dedos e o tendão flexor longo do polegar. Na entrada do túnel, este nervo está situado dorsalmente ao palmar longo ou entre o flexor radial do carpo e o palmar longo. Na parte distal do túnel, o NM se divide em seis ramos: o ramo motor ou tenar, três nervos digitais palmares próprios (radial e ulnar do polegar e radial do indicador) e os nervos digitais palmares comuns dos segundo e terceiro espaços5. A lesão mais comum nessa estrutura é conhecida como síndrome do túnel do carpo (STC) e um dos procedimentos mais baratos para identificá-la é a ultrassonografia6.

A STC é resultado da compressão do NM dentro do canal do carpo. Nesta síndrome, as mulheres são mais acometidas que os homens, e pelo menos metade destes pacientes têm entre 40 e 60 anos. Em quase 70% dos casos é bilateral,

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sendo o lado dominante mais acometido7. Uma compressão e tração nervosa podem criar problemas na microcirculação sanguínea intraneural, lesões a nível de bainha de mielina e axonal, além de alterações no tecido conjuntivo, sendo importante, em alguns casos mais graves, procedimentos cirúrgicos com transferência de retalho gorduroso hipotenar vascularizado8. É a neuropatia compressiva mais comum e pode estar relacionada à atividades ocupacionais9.

Apesar de diversos agentes causadores, como a tuberculose sinovial descrita por Oliveira et al.10, a etiologia precisa da STC é desconhecida, e ocorre, geralmente, em indivíduos que desempenham tarefas que envolvem movimentos repetitivos ou com estresse ergonômico ou psicossocial exagerados.

Tenossinovites, gravidez, hipotireoidismo, gota, acromegalia ou simplesmente microtraumatismos por movimentos de flexão-extensão dos dedos com flexão dorsal do punho também podem causar a síndrome9.

Os sintomas sensitivos e motores são observados no seu início, com sensação de parestesia nos dedos e vaga sensação de punho dolorido, parestesia nos quatro primeiros dedos e em punho, dor no braço, dificuldade em realizar movimentos suaves, hipoestesia no território do NM, dormência na distribuição sensorial mediana, principalmente à noite. A evolução da síndrome pode levar à atrofia tenar7.

O diagnóstico da STC é essencialmente clínico, e a história e o exame físico têm sensibilidade de 94%. Os testes específicos de Phalen (flexão palmar dos punhos por 30 a 60 segundos, provocando dor característica) e Tinel (percussão sobre a região do NM, resultando em uma disestesia na região deste nervo) são clássicos. Exames complementares como a eletromiografia, ultrassonografia e ressonância magnética nuclear também podem auxiliar num diagnóstico mais preciso11,12.

Em pacientes leves a moderados, a intervenção conservadora é direcionada para a minimização ou eliminação dos fatores causais. Quando as medidas conservadoras não aliviam os sintomas, ou quando os sintomas neurológicos são graves, a descompressão cirúrgica com secção do ligamento transverso do carpo é feita para aumentar o volume do túnel do carpo e aliviar as forças compressivas sobre o NM. A fisioterapia atua em ambos os casos, aliviando os sintomas do paciente e promovendo o retorno às funções normais13.

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Diante do exposto, o presente estudo tem como objetivo revisar as estruturas anatômicas específicas e adjacentes ao túnel do carpo, apresentar a fisiopatologia e destacar quais são as condutas de tratamento mais indicadas na literatura aqui utilizada, favorecendo um melhor entendimento do assunto por parte do profissional que atua nesse setor ou que pretende atuar em futuro próximo.

MÉTODOS

Trata-se de uma pesquisa explicativa com procedimento de coleta de dados bibliográfico e sintetização da informação por tabelas.

A busca pelos artigos foi realizada no Google Acadêmico, Scielo e LILACS através dos descritores específicos ao tema: “Síndrome do Túnel do Carpo” e “Reabilitação”.

Como critério de inclusão, optamos pela periodicidade de publicação de 2009 a 2018. Estes trabalhos tiveram seus títulos e resumos lidos, selecionando apenas as pesquisas mais pertinentes ao estudo presente. Além dos artigos, foram selecionados livros de acervo pessoal.

REVISÃO DE LITERATURA

Anatomia do antebraço, punho e mão

O antebraço é o segundo seguimento mais longo do membro superior, estendendo-se entre o cotovelo e o punho, unindo-os. É constituído dos ossos rádio e ulna, paralelos entre si, podendo um deles (o rádio) girar em torno do outro (a ulna), sendo possível realizar os movimentos de supinação e pronação. Na parte distal do antebraço encontra-se uma fileira transversal de ossos curtos, constituindo o carpo. Mais abaixo, há cinco colunas ósseas verticais, formando o metacarpo. E por fim, existem os dedos, cada um deles compreendidos por três falanges, exceto pelo polegar que possui apenas duas2.

Tabela 01. Ossos do punho

Fileira latero distal (de lateral para distal) Fileira latero proximal (de lateral para distal)

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Tabela 02. Ossos da mão

Região da palma ou metacarpeana Região dos dedos ou falangeana

1° metacarpo (polegar) ao 5° metacarpo 1° dedo (polegar, único com 2 falanges) ao 5°

O punho é uma articulação que tem a função de estabilizar a musculatura distal dos membros superiores e fazer a ligação entre antebraço e mão. A mão, através de musculatura intrínseca e extrínseca, tem comportamento manipulatório, podendo realizar diversos movimentos de acordo com o grau de força imposto pelos mesmos12.

A mão é um componente essencial, pois sua função é incapaz de ser reproduzida com a mesma perfeição por outra estrutura do corpo. A habilidade manual vai desde movimentos grosseiros até movimentos mais finos e complexos. É inervada por três nervos: mediano, radial e ulnar14.

Os ossos do carpo formam um túnel, por onde passam internamente o NM e os músculos flexor superficial e profundo dos dedos, longo do polegar e radial do carpo, formando assim o túnel do carpo12.

Tabela 03. Músculos que passam pelo túnel do carpo

Músculos que passam pelo túnel do carpo junto com o NM Flexor superficial e profundo dos dedos, longo do polegar e radial do carpo

O NM é responsável por controlar a sensibilidade da palma do polegar, dedo indicador e dedo médio e por controlar a ação dos músculos ao redor da base do polegar. O aspecto funcional do NM é caracterizado pela sensibilidade para o polegar e indicador e pela motricidade dos músculos flexores extrínsecos (flexor radial do carpo, palmar longo, flexor longo do polegar, flexor superficial dos dedos e porção radial do flexor profundo dos dedos) e intrínsecos (cabeça superficial do flexor curto e oponente do polegar, abdutor curto do polegar e lumbricais dos dedos

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indicador e médio). A vascularização do NM é feita pelas artérias radial e ulnar, que formam os arcos palmares superficial e profundo15.

O túnel do carpo localiza-se logo abaixo do palmar longo e conduz o NM e os tendões flexores dos dedos e polegar desde o antebraço até a mão. É uma região clinicamente importante pela alta incidência de STC7.

Fisiopatologia

Não há uma fisiopatologia bem definida para a STC descrita na literatura. Entre as teorias existentes, algum mecanismo ou patologia cria uma alteração do NM por compressão, fato que provoca uma redução do espaço do túnel do carpo, levando a hipóxia do tecido nervoso, injúria neuromuscular e incapacidade motora. Este fenômeno pode ocorrer de diferentes maneiras, sendo descritas de modo variado entre os pesquisados, como consta na tabela 04. Vale a ressalva de que poderemos encontrar outros mecanismos a mais em autores não contidos no trabalho, uma vez que a síndrome é polifatorial.

Quanto ao seu desenvolvimento, Figueiredo et al.6 dizem que há alguns fatores causais, como doenças reumatológicas e endocrinológicas, infecções, trombose da artéria mediana, alterações inflamatórias, alterações fibróticas bursais, anomalias ósseas, musculares e neurovasculares, traumas, lesões tumorais e gravidez. É também associada a atividades laborais e de natureza idiopática.

Segundo Chammas et al.5, a STC combina fenômenos de compressão e tensão. Anatomicamente, existem dois locais de compressão do NM: um no limite proximal do túnel do carpo, e o segundo no nível da porção mais estreita. Uma compressão e tração nervosa podem criar problemas na microcirculação sanguínea intraneural, lesões no nível da bainha de mielina e no nível axonal e alterações no tecido conjuntivo de suporte.

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Tabela 04. Fatores ou doenças que causam a STC

Fator ou doença causal Referência

Aumento no volume dos tecidos das estruturas ou do líquido contido em seus limites, aumentando a pressão, já que não é possível uma expansão das paredes do túnel. Podem ser causados por gravidez, tenossinovite reumatoide, mixedemas.

Ranzzi et al.7

Espessura sinovial, cicatrizes nas bainhas tendíneas (tendinose) ou irritação, inflamação e edema (tendinite) com flexão e extensão de punho mantidas e vibração contra o túnel do carpo.

Kisner e Colby13

Compressão e tensão do NM. Chammas et al.5

Doenças reumatológicas e endocrinológicas, infecções, trombose da artéria mediana, alterações inflamatórias, alterações fibróticas bursais, anomalias ósseas, musculares e neurovasculares, traumas, lesões tumorais e gravidez.

Figueredo et al.6

Tuberculose sinovial. Oliveira et al.10

Kisner e Colby13 afirmam que os fatores etiológicos incluem aumento da espessura sinovial, cicatrizes nas bainhas tendíneas (tendinose) ou irritação, inflamação e edema (tendinite) com flexão e extensão de punho mantidas. Outras formas de causar compressão ou trauma no NM são edema nas articulações do punho devido à um trauma no osso do carpo ou postura desajeitada do punho (flexão e extensão), força compressiva decorrentes do uso mantido de equipamentos e vibração contra o túnel do carpo. Além das evidências de comprometimento do NM, a dor na mão por uso repetitivo, a fraqueza progressiva ou atrofia nos músculos tenares e nos dois primeiros lumbricais, a retração dos músculos adutores do polegar e extensores do polegar e 2º e 3º dedos, a irritabilidade ou perda sensitiva na distribuição do NM, a possível diminuição da mobilidade articular no punho e nas articulações metacarpofalangeanas do polegar e dos dedos, são acontecimentos que podem desenvolver alterações simpáticas.

Ranzzi et al.7 afirmam que o canal do carpo tem construção rígida, de modo que um aumento no volume dos tecidos das estruturas ou do líquido contido em seus limites ocasiona um aumento de pressão, já que não é possível uma expansão

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de suas paredes. Essa pressão adicional sobre o NM diminui a pressão capilar e o nervo fica isquêmico. O aumento do volume do conteúdo no canal do carpo pode ocorrer por diversas razões, como gravidez, tenossinovite reumatoide, mixedemas. O nervo também pode ficar isquêmico sem que tenha ocorrido nenhum aumento significativo de volume, ocorrendo geralmente durante a execução de atividades intensas de flexão dos dedos, com punho igualmente flexionado.

Ainda segundo os autores, a STC pode ocorrer ainda em trabalhadores que desempenham tarefas com movimentos repetitivos, tais como digitação, operação em máquinas e linha de montagem. Estresses ergonômicos, hipotireoidismo, doenças sistêmicas, lúpus, diabetes mellitus também estão relacionadas às causas. A incidência é maior no sexo feminino, entre os 40 e 60 anos. Na maioria dos casos é bilateral, com o lado dominante sendo mais acometido. Sintomas sensitivos e motores são observados no início da síndrome, com “formigamento” nos dedos e vaga sensação de dor no punho. Há também dificuldade em realizar movimentos suaves, fraqueza e atrofia muscular.

Tratamentos conservadores mais utilizados

A STC é a neuropatia mais comum e existe uma diversidade de intervenções para evitar a sua progressão. Apesar de Faglioni Junior et al.16 sugerirem a cirurgia de descompressão do túnel do carpo por via convencional devido a satisfação do resultado por parte dos pacientes, ou ainda, Lopes et al.8 conseguirem ótimos resultados quando a síndrome é recorrente por meio da cirurgia de transferência de retalho gorduroso hipotenar vascularizado, o tratamento mais indicado é o conservador por meio de fisioterapia.

Para facilitar a discussão sobre o tema, foi criada a tabela 05 expondo os procedimento mais utilizados, antecedendo a apresentação dos estudos.

Segundo David, Oliveira e Oliveira9, as lesões causadas por esforços repetitivos, como a STC, são consideradas um dificultador para as atividades de vida diária (AVD´s) ou trabalhistas. Neste estudo de caso, observou-se a resposta do paciente ao protocolo de tratamento realizado, inicialmente com uso de splints e orientações quanto às atividades diárias e, posteriormente, associação de ultrassom, aplicação de laser e exercícios cinesioterápicos.

Em seu estudo, Lobo et al.17 afirmam que um tratamento multidisciplinar é de grande importância para amenizar complicações, visando o retorno às suas AVD´s e

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a melhora na qualidade de vida, tendo então a fisioterapia um papel fundamental no tratamento e na reabilitação funcional desses indivíduos. Em seus achados, a eletroterapia, cinesioterapia, uso de vídeo game, massagem Shiatsu e adoção de medidas ergonômicas estão entre as possíveis formas de tratamento da STC.

Tabela 05. Procedimentos mais utilizados

Procedimento sugerido Referência

Inicialmente Splints e orientação. Posteriomente, adição de ultrassom, laser de baixa intensidade e cinesioterapia.

David, Oliveira e Oliveira9

Eletroterapia, termoterapia, cinesioterapia e laserterapia.

Santos e Pereira20

Laser de baixa intensidade. Alves e Araújo18

Video games. Grande, Galvão e Gondim23

Ajustes ergonômicos, uso de talas, cinesioterapia, eletrotermofototerapia e acupuntura.

Esquivel et al.21

Ginástica laboral. Melo et al.22

Kinesio Taping na redução do quadro álgico

(mesmo sendo contestado por diversos estudos, como consta na discussão).

Moraes et al.12

Eletroterapia, cinesioterapia, uso de vídeo game, massagem Shiatsu e adoção de medidas ergonômicas.

Lobo et al.17

Cirurgia de descompressão do túnel do carpo por via convencional.

Faglioni Junior et al.16

Transferência de retalho gorduroso hipotenar vascularizado no tratamento da síndrome do túnel do carpo recorrente.

Lopes et al.8

Tens, crioterapia, ultrassom, laser de baixa intensidade, alongamento, massagem e treino de força.

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Segundo Alves e Araújo18, muitos estudos têm investigado os resultados da terapia com laser de baixa intensidade (LBI) no alívio de sintomas e na recuperação funcional do nervo mediano. Acredita-se que a irradiação com esse tipo de laser estimula a proliferação celular e tem sido utilizada para estímulo de cicatrização de feridas, regeneração neuronal e controle da dor. Neste estudo, foi aplicada a Caneta Laser; comprimento de onda 830 nm; gálio-alumínio-arsênico; potência de 30mW em pacientes pós cirúrgicos. Os resultados mostraram benefícios quando comparados ao grupo controle.

Apesar de diversos estudos de revisão sistemática, como o de Pereira et al.19, demonstrarem que a eficiência da técnica Kinesio Taping não é relevante para alívio da dor, sendo o resultado fruto de placebo, estudos com metodologias inconsistentes, como o de Moraes et al.12 com apenas 1 sujeito, relatam que após a utilização da técnica (proximal para distal), mostrou melhora no quadro álgico em 50%, além de ganho de capacidade funcional e diminuição de parestesia. Sugerimos cuidado quanto ao estudo da técnica destacada.

Santos e Pereira20 fizeram uma revisão da literatura acerca dos recursos fisioterapêuticos utilizados para promover a reabilitação de pacientes com STC, mostrando a fisioterapia como um excelente método de reabilitação. Foram relatados como principais terapêuticas utilizadas no tratamento a eletroterapia, termoterapia, cinesioterapia e laserterapia, com esta última sendo indicada apenas na fase aguda da síndrome.

Esquivel et al.21 relata em seu estudo que a sintomatologia apresentada pelo paciente é determinante para a escolha da terapêutica utilizada e o resultado de seu tratamento. E apesar da prevalência de abordagens cirúrgicas, 80% dos artigos destacaram a eficácia de recursos conservadores, principalmente quando diagnosticada precocemente. Ajustes ergonômicos, uso de talas, cinesioterapia, eletrotermofototerapia e acupuntura são algumas alternativas de tratamento.

O estudo de revisão bibliográfica de Melo et al.22 objetivou conhecer a influência da ginástica laboral na prevenção da STC, sendo por fim observado que sua implantação em espaços empresariais é de grande importância não só para os trabalhadores, como também para o bom funcionamento e lucro das empresas.

Além dos tratamentos tradicionais contidos na Fisioterapia e da Ginástica Laboral, a realidade virtual vem sendo utilizada de modo sofisticado e inovador, e por esse motivo, tem sido cada vez mais utilizado como um recurso para a

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reabilitação de diversas patologias. Grande, Galvão e Gondim23 abordam em seu estudo o uso da realidade virtual através do vídeo game no tratamento de um paciente com lesão alta dos nervos mediano e ulnar, sendo por fim observado um resultado eficiente, havendo ganho de movimentação ativa e aumento de amplitude de movimento, proporcionando o retorno do paciente às suas atividades habituais de modo mais rápido e prazeroso.

Independente de qual recurso utilizar, uma avaliação detalhada é fundamental para tomadas de decisão certeiras. Em seu estudo de revisão, Silva15 comenta que na avaliação por exame físico, a goniometria, perimetria articular, perimetria muscular, provas de função muscular, análise da postura e da coluna vertebral, investigação de dor e avaliação da ergonomia no ambiente de trabalho, além dos testes específicos para diagnóstico da STC são recomendados. Após a avaliação, as condutas são traçadas e realizadas. Os tratamentos citados no estudo foram a imobilização de punho num modo de tratamento mais conservador, uso de tens e crioterapia para alívio do quadro álgico, ultrassom na fase aguda inflamatória, aplicação de laser de baixa intensidade, alongamento da musculatura envolvida nos movimentos da mão, massageamento em pacientes que apresentam dor miofascial e exercícios de fortalecimento.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

A fisioterapia é uma ferramenta de promoção, prevenção e recuperação da saúde e se mostra um importante recurso na reabilitação de pacientes com síndrome do túnel do carpo, tendo à sua disposição diversas condutas terapêuticas. É importante que o tratamento seja realizado o mais precocemente possível, para melhor recuperação e minimização dos sintomas.

Com base nos estudos realizados, sua importância é verificada, mostrando resultados benéficos através dos métodos empregados. Porém, nota-se que ainda são necessários mais estudos relacionados à atuação conservadora nesta patologia para maior consolidação e comprovação da eficácia de suas técnicas e recursos.

REFERÊNCIAS

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Recebido em 02/02/19. Aceito em 29/05/19.

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