Superior Tribunal de Justiça
EDcl no RECURSO ESPECIAL Nº 1.507.320 - RS (2015/0000982-8)
RELATOR : MINISTRO HUMBERTO MARTINS
EMBARGANTE : FAZENDA NACIONAL EMBARGADO : EDISIO EGIDIO MOREIRA
ADVOGADO : ALAÔ ROBSON CAVALCANTI DE PAIVA
EMENTA
PROCESSUAL CIVIL. OMISSÃO INEXISTENTE. PECÚLIO. QUESTÃO NOVA NÃO DELINEADA NAS RAZÕES DO ESPECIAL. LIMITE DA DEVOLUTIVIDADE. INOVAÇÃO RECURSAL.
1. Os embargos declaratórios somente são cabíveis para a modificação do julgado que se apresenta omisso, contraditório ou obscuro, bem como para sanar possível erro material existente no acórdão, o que não ocorre na espécie.
2. De detida leitura das razões do recurso especial, observa-se que a tese recursal trazida a esta Corte em nenhum momento suscitou questão atinente a "resgate de pecúlio", limitando-se a alegar que os valores recebidos pelo segurado/participante a título de aposentadoria complementar devem sofrer incidência de imposto de renda, visto que a isenção abrangeria "apenas os proventos de aposentadoria ou reforma ".
3. Não há nenhuma menção ao "saque de pecúlio (saldo CIAP-INVALIDEZ-IR regressivo para saque e pecúlio) ", não cabendo a esta Corte inferir a real pretensão da parte no provimento de seu apelo nobre, de modo que o acórdão embargado analisou o recurso especial nos limites do que fora aqui trazido.
4. "Este Superior Tribunal de Justiça está limitado ao pedido formulado pelo recorrente nas razões de recurso especial, não podendo julgar questões que não foram especificamente impugnadas, as quais, ressalte-se, estão cobertas pela preclusão, se também não atacadas por recurso extraordinário. É uma conseqüência do efeito devolutivo, inerente
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Embargos de declaração rejeitados.
ACÓRDÃO
"A Turma, por unanimidade, rejeitou os embargos de declaração, nos termos do voto do(a) Sr(a). Ministro(a)-Relator(a)." Os Srs. Ministros Herman Benjamin, Og Fernandes, Mauro Campbell Marques (Presidente) e Assusete Magalhães votaram com o Sr. Ministro Relator.
Brasília (DF), 07 de abril de 2015(Data do Julgamento).
MINISTRO HUMBERTO MARTINS Relator
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EDcl no RECURSO ESPECIAL Nº 1.507.320 - RS (2015/0000982-8)
RELATOR : MINISTRO HUMBERTO MARTINS
EMBARGANTE : FAZENDA NACIONAL EMBARGADO : EDISIO EGIDIO MOREIRA
ADVOGADO : ALAÔ ROBSON CAVALCANTI DE PAIVA
RELATÓRIO
O EXMO. SR. MINISTRO HUMBERTO MARTINS (Relator):
Cuida-se de embargos de declaração opostos pela FAZENDA NACIONAL contra acórdão proferido pela Segunda Turma desta Corte, que negou provimento ao recurso especial da embargante, nos termos da seguinte ementa (fls. 136/147, e-STJ):
"PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. OMISSÃO INEXISTENTE. DEVIDO ENFRENTAMENTO DAS QUESTÕES RECURSAIS. IMPOSTO DE RENDA. MOLÉSTIA GRAVE. COMPLEMENTAÇÃO DE APOSENTADORIA. CARÁTER PREVIDENCIÁRIO. ISENÇÃO. CABIMENTO.
1. Inexiste violação do art. 535 do CPC quando a prestação jurisdicional é dada na medida da pretensão deduzida, com enfrentamento e resolução das questões abordadas no recurso.
2. O art. 6º, XIV, da Lei n. 7.713/88 estipula isenção de imposto de renda à pessoa física portadora de doença grave que receba proventos de aposentadoria ou reforma.
3. O regime da previdência privada é facultativo e se baseia na constituição de reservas que garantam o benefício contratado, nos termos do art. 202 da Constituição Federal e da exegese da Lei Complementar 109 de 2001. Assim, o capital acumulado em plano de previdência privada representa patrimônio destinado à geração de aposentadoria, possuindo natureza previdenciária, mormente ante o fato de estar inserida na seção sobre Previdência Social da Carta Magna (EREsp 1.121.719/SP, Rel. Ministra NANCY ANDRIGHI, SEGUNDA SEÇÃO, julgado em 12/2/2014, DJe
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Nas razões dos aclaratórios, a embargante aduz omissão no julgado quanto à extensão da isenção do imposto de renda, visto que o benefício fiscal sobre a complementação de aposentadoria pago mensalmente não se confunde com o saque de pecúlio pago ao participante/contribuinte.
Suscita a embargante:
"A presente demanda visa a isenção do imposto de renda sobre o benefício de complementação de aposentadoria pago mensalmente pelo fundo de previdência privada (CELOS), retroativamente, bem como a restituição do imposto de renda recolhido por ocasião do saque do pecúlio (saldo CIAP-INVALIDEZ -IR regressivo para saque e pecúlio).
O acórdão proferido pelo Tribunal de origem foi explícito quanto à isenção quanto a duas parcelas. Vejamos:
Ainda observo que a isenção do imposto de renda abrange quaisquer proventos de inatividade, assim como sobre o resgate de tais contribuições, desde que seja portador de doença incapacitante. (e-STJ. fls. 80)
Não obstante, o acórdão ora embargado, embora conste do seu relatório a controvérsia em torno da isenção sobre o resgate, que em termos fáticos e totalmente diferente do pecúlio, limita-se a fundamentar sua decisão em torno da isenção de imposto de renda sobre a verba de complementação de aposentadoria, que em regra é entendida como o benefício mensal e continuado.
Nessa toada, há que ser reconhecida a omissão quanto à incidência ou não da exação sobre o pecúlio resgatado." (fls. 153, e-STJ).
Pugna, por fim, seja sanado o vício apontado.
A embargada, instada a manifestar-se, silenciou.
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EDcl no RECURSO ESPECIAL Nº 1.507.320 - RS (2015/0000982-8)
EMENTA
PROCESSUAL CIVIL. OMISSÃO INEXISTENTE. PECÚLIO. QUESTÃO NOVA NÃO DELINEADA NAS RAZÕES DO ESPECIAL. LIMITE DA DEVOLUTIVIDADE. INOVAÇÃO RECURSAL.
1. Os embargos declaratórios somente são cabíveis para a modificação do julgado que se apresenta omisso, contraditório ou obscuro, bem como para sanar possível erro material existente no acórdão, o que não ocorre na espécie.
2. De detida leitura das razões do recurso especial, observa-se que a tese recursal trazida a esta Corte em nenhum momento suscitou questão atinente a "resgate de pecúlio", limitando-se a alegar que os valores recebidos pelo segurado/participante a título de aposentadoria complementar devem sofrer incidência de imposto de renda, visto que a isenção abrangeria "apenas os proventos de aposentadoria ou reforma ".
3. Não há nenhuma menção ao "saque de pecúlio (saldo CIAP-INVALIDEZ-IR regressivo para saque e pecúlio) ", não cabendo a esta Corte inferir a real pretensão da parte no provimento de seu apelo nobre, de modo que o acórdão embargado analisou o recurso especial nos limites do que fora aqui trazido.
4. "Este Superior Tribunal de Justiça está limitado ao pedido formulado pelo recorrente nas razões de recurso especial, não podendo julgar questões que não foram especificamente impugnadas, as quais, ressalte-se, estão cobertas pela preclusão, se também não atacadas por recurso extraordinário. É uma conseqüência do efeito devolutivo, inerente a todos os recursos, que delimita a atuação do órgão ad quem" (AgRg no REsp 774.639/RS, Rel. Ministro HÉLIO QUAGLIA BARBOSA, QUARTA TURMA, julgado em 25/09/2007, DJ 15/10/2007, p. 281).
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VOTOO EXMO. SR. MINISTRO HUMBERTO MARTINS (Relator):
Nada a acolher.
Os embargos declaratórios somente são cabíveis para a modificação do julgado que se apresenta omisso, contraditório ou obscuro, bem como para sanar possível erro material existente no acórdão, o que não ocorre na espécie.
De detida leitura das razões do recurso especial (fls. 105/108, e-STJ), observa-se que a tese recursal trazida a esta Corte em nenhum momento suscitou questão atinente a "resgate de pecúlio", limitando-se a alegar que os valores recebidos pelo segurado/participante a título de aposentadoria complementar devem sofrer incidência de imposto de renda, visto que a isenção abrangeria "apenas os proventos de aposentadoria ou reforma ".
Para melhor ilustração, transcrevo os fundamentos do recurso (fls. 107/108, e-STJ.):
"A NEGATIVA DE VIGÊNCIA AO DISPOSTO NO ART. 6º, XIV, DA LEI Nº 7713/88, E NO ART. 111, DO CTN
Com o devido respeito, ao julgar como fez, o v. acórdão ora recorrido deixou de considerar o disposto no art. 6º, XIV, da Lei n. 7713/88, e no art. 111, do CTN, como se expõe.
O art. 6º, inciso XIV, da Lei n. 7713/88, é expresso no sentido de que são isentos, em razão de doença grave, entre elas a neoplasia maligna, apenas os proventos de aposentadoria ou reforma. Confira-se o teor do referido dispositivo, in verbis:
'Art. 6º - Ficam isentos do imposto de renda os seguintes rendimentos percebidos por pessoas físicas:
(...)
XIV - os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, estado avançado de doença de Paget (osteíte deformante), síndrome de imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma;' (grifamos).
Como se vê, a teor da norma que outorga a isenção, estão isentos apenas os proventos de aposentadoria ou reforma, e, não,
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os valores resgatados do fundo previdenciário privado complementar, sendo estes sujeitos à incidência do imposto de renda, a teor do art. 43 do Código Tributário Nacional.
Nessa linha de orientação, aliás, o disposto no art.111, II, do CTN que estabelece a interpretação literal para a legislação tributária que disponha sobre outorga de isenção.
Em consequência, plenamente exigível o imposto de renda sobre os valores recebidos de fundo de previdência privada.
III – PEDIDO
Em face ao exposto, a União espera e requer seja conhecido e provido o presente Recurso Especial para que, com base na tese apresentada acima e com o emprego correto da lei, seja afastada a negativa de vigência do disposto no art. 6º, XIV, da Lei n. 7713/88, e no art. 111, do CTN, com a consequente reforma do v. acórdão recorrido nos termos da fundamentação.
Acaso entenda que a matéria não se encontra devidamente prequestionada, a União requer desde já a anulação do acórdão para que outro seja proferido, respeitando o disposto no artigo 535 do CPC."
Não há, nos fundamentos acima delineados, nenhuma menção ao "saque de pecúlio (saldo CIAP-INVALIDEZ-IR regressivo para saque e pecúlio) " (fls. 153, e-STJ), não cabendo a esta Corte inferir a real pretensão da parte no provimento de seu apelo nobre, de modo que o acórdão embargado analisou o recurso especial nos limites do que aqui fora trazido. A propósito:
"3. A questão relativa à irregularidade na publicação da sentença não foi objeto do recurso especial interposto pela parte recorrente, ora agravada. Desse modo, considerando que o efeito devolutivo dos recursos submetidos à instância especial está limitado às razões recursais neles deduzidas (recurso de fundamentação vinculada), nesta sede, falece competência ao STJ para conhecer de tal questão." (AgRg no REsp 1.151.208/SP, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, julgado em 03/08/2010, DJe 09/08/2010)
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podendo julgar questões que não foram especificamente impugnadas, as quais, ressalte-se, estão cobertas pela preclusão, se também não atacadas por recurso extraordinário. É uma conseqüência do efeito devolutivo, inerente a todos os recursos, que delimita a atuação do órgão ad quem." (AgRg no REsp 774.639/RS, Rel. Ministro HÉLIO QUAGLIA BARBOSA, QUARTA TURMA, julgado em 25/09/2007, DJ 15/10/2007, p. 281)
Nesse diapasão, a tese sobre a qual a embargante aduz omissão constitui, na verdade, inovação de razões recursais, manobra processual amplamente rechaçada pela jurisprudência do STJ, seja em agravo regimental, seja em embargos de declaração. Nesse sentido:
"2. Não se admite a adição de teses não expostas no recurso especial em sede agravo regimental, por importar em inadmissível inovação recursal. Precedentes." (AgRg nos EDcl no AREsp 55.769/PR, Rel. Ministra MARIA ISABEL GALLOTTI, QUARTA TURMA, julgado em 24/02/2015, DJe 27/02/2015)
"2. Os aclaratórios não constituem veículo próprio para o exame de questões que não foram apreciadas pelo acórdão recorrido, por não terem sido deduzidas nas razões ou contrarrazões do recurso especial, caracterizando, assim, inovação recursal, inadmissível na via eleita." (EDcl no AgRg no REsp 1.359.746/MG, Rel. Ministro NEFI CORDEIRO, SEXTA TURMA, julgado em 05/02/2015, DJe 20/02/2015)
"4. É vedada a inovação recursal, seja em sede de agravo regimental, seja em embargos de declaração. Precedentes." (AgRg no AREsp 618.726/RJ, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 18/12/2014, DJe 19/12/2014)
Ante o exposto, rejeito os embargos de declaração.
É como penso. É como voto.
MINISTRO HUMBERTO MARTINS Relator
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CERTIDÃO DE JULGAMENTO SEGUNDA TURMA
EDcl no
Número Registro: 2015/0000982-8 REsp 1.507.320 / RS
Números Origem: 50003018420134047200 SC-50003018420134047200
PAUTA: 07/04/2015 JULGADO: 07/04/2015
Relator
Exmo. Sr. Ministro HUMBERTO MARTINS Presidente da Sessão
Exmo. Sr. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES Subprocuradora-Geral da República
Exma. Sra. Dra. ELIZETA MARIA DE PAIVA RAMOS Secretária
Bela. VALÉRIA ALVIM DUSI
AUTUAÇÃO
RECORRENTE : FAZENDA NACIONAL
RECORRIDO : EDISIO EGIDIO MOREIRA
ADVOGADO : ALAÔ ROBSON CAVALCANTI DE PAIVA
ASSUNTO: DIREITO TRIBUTÁRIO - Impostos - IRPF / Imposto de Renda de Pessoa Física - Incidência sobre Aposentadoria
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO
EMBARGANTE : FAZENDA NACIONAL
EMBARGADO : EDISIO EGIDIO MOREIRA
ADVOGADO : ALAÔ ROBSON CAVALCANTI DE PAIVA
CERTIDÃO
Certifico que a egrégia SEGUNDA TURMA, ao apreciar o processo em epígrafe na sessão realizada nesta data, proferiu a seguinte decisão:
"A Turma, por unanimidade, rejeitou os embargos de declaração, nos termos do voto do(a) Sr(a). Ministro(a)-Relator(a)."
Os Srs. Ministros Herman Benjamin, Og Fernandes, Mauro Campbell Marques (Presidente) e Assusete Magalhães votaram com o Sr. Ministro Relator.