Análise dos “Prolegômenos a toda
Análise dos “Prolegômenos a toda metafísica futura que possa apresentar-semetafísica futura que possa apresentar-se como ciência”
como ciência”
Mário Ferreira dos Santos Mário Ferreira dos Santos
Ex
Exigige e esesta ta obobra ra de de KaKantnt, , quque e papassssararememos os dadaququi i popor r didianante te a a chchamamá-á-la la dede Prolegômenos, uma análise especial. Contudo, por amor à síntese, s analisaremos as Prolegômenos, uma análise especial. Contudo, por amor à síntese, s analisaremos as passagens
passagens principais, que principais, que interessam ao interessam ao exame da exame da Crítica e Crítica e que possam que possam o!erecer o!erecer elementoselementos para uma crítica ao m"todo crítico do !amoso pensado
para uma crítica ao m"todo crítico do !amoso pensador de Koenisberg.r de Koenisberg.
# !inalidade dessa obra consiste em examinar, se " possí$el, a %eta!ísica como # !inalidade dessa obra consiste em examinar, se " possí$el, a %eta!ísica como ci&ncia. Considera Kant que os ataques de 'ume à %eta!ísica (e !oram ao conceito de ci&ncia. Considera Kant que os ataques de 'ume à %eta!ísica (e !oram ao conceito de meta!ísica que ele concebia), constituíram o marco de uma *ornada decisi$a. meta!ísica que ele concebia), constituíram o marco de uma *ornada decisi$a. +espertaram-no de um sonho meta!ísico e lhe deu uma +espertaram-no$a tomada de consci&ncia.
no de um sonho meta!ísico e lhe deu uma no$a tomada de consci&ncia.
# %eta!ísica no se !unda na experi&ncia, e o ob*eto está al"m da experi&ncia. # %eta!ísica no se !unda na experi&ncia, e o ob*eto está al"m da experi&ncia. #ssim nem a experi&ncia externa, !onte da !ísica propriamente dita, nem a experi&ncia #ssim nem a experi&ncia externa, !onte da !ísica propriamente dita, nem a experi&ncia interna, base constituti$a da psicologia empírica, no lhe !ornecero !undamento. Ela ", interna, base constituti$a da psicologia empírica, no lhe !ornecero !undamento. Ela ", pois,
pois, conhecimento conhecimento a a priori priori do do entendimento entendimento puro puro e e da da rao rao pura/. pura/. (Prolegômenos,(Prolegômenos, pág.01). Essas so as !on
pág.01). Essas so as !ontes do conhecimento meta!ísico.tes do conhecimento meta!ísico.
Prossegue !aendo a distin2o entre os *uíos analíticos e os *uíos sint"ticos. 3s Prossegue !aendo a distin2o entre os *uíos analíticos e os *uíos sint"ticos. 3s primeiros
primeiros !undam-se !undam-se no no princípio princípio de de contradi2o. contradi2o. %as %as os os segundo segundo *á *á exigem exigem outrooutro princípio.
princípio. Entre Entre os os *uíos *uíos sint"ticos, sint"ticos, temos temos os os a a posteriori, posteriori, cu*a cu*a origem origem " " empírica, empírica, e e os os aa priori, cu*a origem está no entendimento puro e na r
priori, cu*a origem está no entendimento puro e na rao pura.ao pura.
Conclui ele que todos os *uíos empíricos so sint"ticos e que os *uíos matemáticos Conclui ele que todos os *uíos empíricos so sint"ticos e que os *uíos matemáticos so sint"ticos tamb"m.
so sint"ticos tamb"m.
4odos os *uíos meta!ísicos propriamente ditos so sint"ticos. +istingue ele os *uíos 4odos os *uíos meta!ísicos propriamente ditos so sint"ticos. +istingue ele os *uíos que pertencem à %eta!ísica dos *uíos propriamente ditos meta!ísicos. Entre os primeiros que pertencem à %eta!ísica dos *uíos propriamente ditos meta!ísicos. Entre os primeiros há muitos analíticos, que so apenas meios para alcan2ar *uíos meta!ísicos, que constituem há muitos analíticos, que so apenas meios para alcan2ar *uíos meta!ísicos, que constituem o !im exclusi$o da ci&ncia e que so sempre sint"ticos. Pois, se conceitos decorrem da o !im exclusi$o da ci&ncia e que so sempre sint"ticos. Pois, se conceitos decorrem da meta!ísica, o de subst5ncia, por exemplo, os *uíos que decorrem de sua análise decorrem meta!ísica, o de subst5ncia, por exemplo, os *uíos que decorrem de sua análise decorrem necessariamente da %eta!ísica, assim6 a subst5ncia " o que existe como su*eito, etc., por necessariamente da %eta!ísica, assim6 a subst5ncia " o que existe como su*eito, etc., por int
intermerm"di"dio o de de muimuitos tos desdesses ses *uí*uíos os analanalítiíticos, cos, buscbuscamoamos s aproaproximximar ar a a de!ide!ini2ni2o o dosdos conceitos. %as como a análise de um puro conceito de entendimento (como a %eta!ísica o conceitos. %as como a análise de um puro conceito de entendimento (como a %eta!ísica o
encerra) no se pode !aer de outro modo que qualquer outro conceito, mesmo empírico, encerra) no se pode !aer de outro modo que qualquer outro conceito, mesmo empírico, no pertencente à %eta!ísica (por exemplo, o ar " um !luido elástico, cu*a elasticidade no " no pertencente à %eta!ísica (por exemplo, o ar " um !luido elástico, cu*a elasticidade no " suprimida pelo !rio em nenhum grau conhecido), o conceito " certamente propriamente suprimida pelo !rio em nenhum grau conhecido), o conceito " certamente propriamente meta!ísico, no, por"m, o *uío analítico8 esta ci&ncia conser$a, com e!eito, alguma coisa de meta!ísico, no, por"m, o *uío analítico8 esta ci&ncia conser$a, com e!eito, alguma coisa de particular
particular e e tamb"m o tamb"m o seu seu caráter caráter prprio, prprio, na prna produ2o odu2o dos condos conhecimentos hecimentos a a priori, qpriori, que ue sese de
de$e$em m didiststininguguir ir do do quque e t&t&m m de de cocomumum m cocom m totododos s os os ououtrtros os coconhnhececimimenentotos s dodo entendimento8 assim a proposi2o6 tudo o que " subst5ncia, nas coisas, " constante/, " uma entendimento8 assim a proposi2o6 tudo o que " subst5ncia, nas coisas, " constante/, " uma proposi2o sint"tica e propriamente meta!ísica (op. cit., pág. 91)
proposi2o sint"tica e propriamente meta!ísica (op. cit., pág. 91).. :e
:e pre$pre$iamiamente se ente se reunreuniu, seguiniu, seguindo do cercertos tos priprincíncípiopios, s, os os concconceiteitos os a a pripriori ori queque constituem a mat"ria e os instrumentos da meta!ísica, a análise desses conceitos tem ento constituem a mat"ria e os instrumentos da meta!ísica, a análise desses conceitos tem ento um grande $alor8 tamb"m poder-se-ia expor como uma parte especial (uma esp"cie de um grande $alor8 tamb"m poder-se-ia expor como uma parte especial (uma esp"cie de philophia de!initi$a),
philophia de!initi$a), contendo apcontendo apenas prenas proposi2;es oposi2;es analíticas pro$indas analíticas pro$indas da meta!ísica, da meta!ísica, comcom exclus
excluso o de de todas as todas as proposiproposi2;es sint"tic2;es sint"ticas, as, que constituem a que constituem a prpria %eta!ísprpria %eta!ísica. +e ica. +e !ato,!ato, es
essas sas anáanálilises ses s s o!eo!ererecem cem umuma a ututililididadade e conconsisidederá$rá$el el na na %e%etata!í!ísisicaca, , quequer r didieer,r, rel
relatiati$am$amentente e às às propproposiosi2;es 2;es sinsint"tt"ticaicas s que que de$e de$e !orn!orneceecer r a a resoresolu2lu2o o pr"pr"$ia $ia desdessesses conceitos/(op. cit. pág. 97).
conceitos/(op. cit. pág. 97). Com
Comententando ando suas suas prpprpriarias s palpala$raa$ras, s, conconcluclui i Kant Kant que que a a %et%eta!ía!ísicsica a dedidedica-sca-see propriamente
propriamente às às proposi2;es proposi2;es sint"ticas sint"ticas a a priori priori e e que que estas estas constituem constituem seu seu !im/ !im/ (<)8 (<)8 parapara atingi-lo, tem ela necessidade realmente de muitas análises de seus conceitos, como atingi-lo, tem ela necessidade realmente de muitas análises de seus conceitos, como conseq=&ncia de *uíos analíticos, mas o m"todo no " em nada di!erente do que há em toda conseq=&ncia de *uíos analíticos, mas o m"todo no " em nada di!erente do que há em toda out
outra ra espesp"c"cie ie de de coconhnheciecimementnto o em em quque e a a anáanálilise se serser$e $e apapenenas as parpara a dadar r ninititide de aoaoss conceitos/ (op. cit. pág. 97).
conceitos/ (op. cit. pág. 97).
# intui2o sensí$el permite adicionar percep2;es a percep2;es, e realiar, portanto, # intui2o sensí$el permite adicionar percep2;es a percep2;es, e realiar, portanto, !acilmente, *uíos sint"ticos a posteriori, !undados, pois, na experi&ncia. 3 problema que !acilmente, *uíos sint"ticos a posteriori, !undados, pois, na experi&ncia. 3 problema que surge no ", portanto, para os *uíos analíticos, nem para estes >ltimos, mas sim para os surge no ", portanto, para os *uíos analíticos, nem para estes >ltimos, mas sim para os *uíos
*uíos sint"ticos sint"ticos a a priori, priori, ou ou se*a se*a aqueles aqueles em em que que há há um um acrescentamento acrescentamento ao ao su*eito su*eito pelopelo predicado,
predicado, no no contido contido naquele, naquele, mas mas que que " " achado achado sem sem a a experi&ncia, experi&ncia, !ora !ora da da experi&ncia.experi&ncia. 3ra, qual a $alide de tais *uíos< Em suma, o que dará a $alide que de$eriam ter tais 3ra, qual a $alide de tais *uíos< Em suma, o que dará a $alide que de$eriam ter tais *uíos<
*uíos< Estas Estas perguntas perguntas constituem constituem a a mola mola principal principal de de toda toda pesquisa pesquisa ?antiana ?antiana nesta nesta obra,obra, completada de modo mais pleno em Crítica da @ao Pura.
completada de modo mais pleno em Crítica da @ao Pura.
Comentando o trabalho de 'ume (op. cit. pág. 9A) escre$e Kant6 Pois, como " Comentando o trabalho de 'ume (op. cit. pág. 9A) escre$e Kant6 Pois, como " possí$el,
possí$el, diia diia esse esse homem homem perspica, perspica, que, que, quando quando me me " " dado dado um um conceito, conceito, possapossa ultrapassá-lo e ligar-lhe um outro conceito que no está nele contido totalmente, tal como se ultrapassá-lo e ligar-lhe um outro conceito que no está nele contido totalmente, tal como se lhe pertences
lhe pertencesse necessariamese necessariamente< : nte< : a experi&ncia experi&ncia nos a nos pode !ornecer tais rela2;es (" o pode !ornecer tais rela2;es (" o queque ele concluía dessa di!iculdade que tinha por uma impossibilidade), e toda essa pretendida ele concluía dessa di!iculdade que tinha por uma impossibilidade), e toda essa pretendida necessidade ou, o que " o mesmo, todo este conhecimento a priori tomado por ela, nada necessidade ou, o que " o mesmo, todo este conhecimento a priori tomado por ela, nada mais " que o longo hábito que se tem de encontrar alguma coisa $erdadeira e de mais " que o longo hábito que se tem de encontrar alguma coisa $erdadeira e de considerá-la a seguir como ob*eti$a a necessidade sub*eti$a/.
la a seguir como ob*eti$a a necessidade sub*eti$a/. Ba
Ba $erdade, $erdade, era era para para 'ume 'ume di!ícil di!ícil conceber conceber tais tais correlacionamentos correlacionamentos de de conceitos.conceitos. 4odo o que combate uma posi2o !ilos!ica sempre so!re alguma in!lu&ncia da posi2o 4odo o que combate uma posi2o !ilos!ica sempre so!re alguma in!lu&ncia da posi2o com
combatibatida. da. 'um'ume e querqueria ia comcombatebater r a a metmeta!ísa!ísica ica raciracionalonalistista, a, que, que, rearealmlmenteente, , !oi !oi umum momento de de!luxo da !iloso!ia ocidental. %as, ao combat&-la, colocou-se na posi2o !alsa momento de de!luxo da !iloso!ia ocidental. %as, ao combat&-la, colocou-se na posi2o !alsa de que o !iloso!ar s poder-se-ia dar dentro dos quadros do racionalismo, e seguindo as suas de que o !iloso!ar s poder-se-ia dar dentro dos quadros do racionalismo, e seguindo as suas normas e dire2;es.
normas e dire2;es.
@acionalisticamente, de$ido ao abstractismo exagerado, os conceitos so estanques e @acionalisticamente, de$ido ao abstractismo exagerado, os conceitos so estanques e o la2o que os une no " !acilmente compreendido. :e o racionalismo seguisse a linha o la2o que os une no " !acilmente compreendido. :e o racionalismo seguisse a linha platônica
platônica genuína, genuína, tomando tomando em em considera2o considera2o os os logoi logoi analogantes analogantes poderia poderia ter ter descobertodescoberto que há entre todos os conceitos correlacionamentos prximos ou remotos, e que todas as que há entre todos os conceitos correlacionamentos prximos ou remotos, e que todas as esq
esquemuematatiia2a2;es;es, , quque e nosnossa sa rarao o popossa ssa rerealaliiarar, , ququanando do bebem m !u!undandadadas, s, llgigica ca ee ontolo
ontologicamgicamente, so ente, so analoanalogicamegicamente nte inseparinsepará$eis de á$eis de outras e outras e $irtua$irtualmentlmente e conticontidas das umasumas em outras, cu*a considera2o e presen2a no !iloso!ar constitui o que chamamos de !iloso!ar em outras, cu*a considera2o e presen2a no !iloso!ar constitui o que chamamos de !iloso!ar con
concrcreteto. o. +a+amomos s exexememplplos os dedesse sse !i!iloloso!so!ar ar em em nonossa ssa iiloloso!so!ia ia CoConcncretreta/a/, , ondonde e sese patenteiam os
patenteiam os nexos nexos de liga2o de liga2o analgica, analgica, o qo que impede ue impede se tose tome um me um conceito em conceito em sua totalsua total abstra2o, porque a abstra2o !ormal, como a considera$am os escolásticos, no realia abstra2o, porque a abstra2o !ormal, como a considera$am os escolásticos, no realia uma separa2o absoluta, mas apenas uma separa2o real-!ormal.
uma separa2o absoluta, mas apenas uma separa2o real-!ormal.
undado nas opini;es de 'ume, Kant termina por concluir6 Como conseq=&ncia, undado nas opini;es de 'ume, Kant termina por concluir6 Como conseq=&ncia, todos os meta!ísicos esto, solenemente e con!orme prescre$e a lei, suspensos de suas todos os meta!ísicos esto, solenemente e con!orme prescre$e a lei, suspensos de suas !un2;es at" que tenham resol$ido de maneira satis!atria esta questo6 Como so possí$eis !un2;es at" que tenham resol$ido de maneira satis!atria esta questo6 Como so possí$eis conhecimentos sint"ticos a priori<
conhecimentos sint"ticos a priori< 3ra, os
3ra, os conheciconhecimentomentos s sint"tsint"ticos a icos a priori so to priori so to possí$possí$eis como os eis como os analíanalíticos, comoticos, como $eremos mais adiante, pois estes so possí$eis quando !undados naqueles.
$eremos mais adiante, pois estes so possí$eis quando !undados naqueles.
D deste modo claramente colocada a sua posi2o em !ace da %eta!ísica. Esta está suspensa, enquanto no resol$er esse problema. Por acaso Kant o resol$e< 4amb"m no o !a, e a!irma que ningu"m pode !a&-lo, porque a armadilha ?antiana, como $eremos, está armada à espera de qualquer um. Contudo, o problema *á !ora solucionado com s"culos de anteced&ncia. Essa pro$a agora nos cabe e " o que !aremos oportunamente, ao criticar a sua !amosa Crítica da @ao Pura.
. . .
Crítica da Crítica da a!"o Pura# Crítica $ posi%"o de &ant
# >nica oposi2o seria que ainda pode restar ao que empreendemos nesta obra, " a que se !unda no criticismo ?antiano. Como, para muitos, Kant desterrou de uma $e para sempre a $ meta!ísica/, como goosamente a!irma alguns dedicados ao estudo da !iloso!ia, pois mostrou, de modo de!initi$o/ a impossibilidade de *uíos sint"ticos a priori, os >nicos que podem caber à %eta!ísica, *á que os sint"ticos a posteriori so dados pela experi&ncia, *ulgamos de nosso de$er reproduir aqui algumas páginas do que escre$emos em nosso #s 4r&s Críticas de Kant/, onde examinamos a sua doutrina e *usti!icamos a nossa. Pedimos ao leitor que nos perdoe a longa transcri2o, mas como " imprescindí$el !undamentar a nossa posi2o, *ulgamos acertado esta pro$id&ncia.
. . .
D nos Prolegômenos que Kant procura responder a pergunta de como a %eta!ísica " possí$el como ci&ncia. Ba Crítica da @ao Pura, prossegue examinando o tema para concluir que a !iloso!ia s será possí$el quando possa estabelecer-se !undada em *uíos sint"ticos a priori, o que nega ele tenha sido !eito at" o momento pelos meta!ísicos.
Kant " inega$elmente um produto !inal do #u!?laerung, do s"culo das lues, do luminismo, da lustra2o, s"culo que mereceu tantos nomes pomposos atra$"s dos tempos. @ealmente, há um progresso no saber experimental e cientí!ico do homem. Fuanto ao saber !ilos!ico, por"m, !e-se um hiato perigoso e terrí$el entre a !iloso!ia do passado e as no$as experi&ncias !ilos!icas das quais Kant " um per!eito representante.
3 luminismo que !oi uma ascenso no campo cientí!ico, terminou por tornar-se no campo !ilos!ico um período de tre$as do conhecimento. Bo era *usto que esse hiato se
7 Escrito no manuscrito6 Entram aqui os originais que !oram apensos à 9 a.edi2o da iloso!ia Concreta.
prolongasse, como se prolongou at" nossos dias, a ponto de ser mani!esta e palmar a ignor5ncia de muitos !ilso!os da obra dos medie$alistas e at" dos gregos.
%esmo que no hou$esse elementos a nossa !a$or, estaríamos certos que Kant nunca leu nenhuma das grandes obras dos medie$alistas, como por exemplo 4omás de #quino, +uns :cot, :o Hoa$entura e :uare. Bem tampouco leu, seno por alto, a obra de #ristteles e de Plato, porque, talentoso como era, no poderia, de modo algum, enunciar sobre a %eta!ísica, as a!irmati$as que encontramos em seus trabalhos, to comuns e !req=entes em seu s"culo, quando essa disciplina caíra no des!a$or dos intelectuais de ento, que *ulga$am que a obra de autores menores e os exageros de alguns meta!ísicos de!icientes constituíssem o ápice da %eta!ísica.
Ba "poca de Kant, proclamar-se meta!ísico era atrair sobre si o riso de todos os $oltairianos de ento. Kant era um homem tímido e tremeria dos p"s à cabe2a se o chamassem de meta!ísico. 4udo en$idou para estar no seu s"culo, procurando tornar impossí$el a %eta!ísica. E o !e com uma habilidade sat5nica. :ua obra " uma armadilha bem urdida. Caindo nela, ningu"m se sal$a. Cerca aparentemente por todos os lados as possí$eis saídas em !a$or de tese contrária. Isando de uma so!ística extraordinária, e de argumentos aparentemente slidos, consegue enlear os despre$enidos em suas malhas. +epois da sua obra s poderia $ir o materialismo $ulgar, o !iccionalismo, o empírio-criticismo, o positi$ismo, o relati$ismo !ilos!ico, o agnosticismo, o materialismo histrico, o cepticismo moderno, o niilismo de toda esp"cie, o desesperismo de nossos dias, etc. Kant !oi menos construti$o na !iloso!ia que destruti$o. Bo " de admirar que todos aqueles que procuram destruir o trabalho !ilos!ico de s"culos, busquem por todos os meios, di!undir
sua obra sem acompanhá-la da necessária crítica. :abem muitos que o ?antismo " um meio caminho aberto ao desespero e à destrui2o da !iloso!ia. Bo ", pois, de admirar que receba os a!agos de alguns pro!essores de !iloso!ia e sua propaga2o se*a to estimulada, sobretudo pelos que t&m interesses outros, muitas $ees incon!essá$eis.
Je*amos algumas passagens da obra citada6
# %eta!ísica, como disposi2o natural da rao, " real, mas tomadas em si unicamente (como o demonstrou a solu2o analítica da terceira questo capital) dial"tica e enganadora. Fuerer, por conseq=&ncia, extrair dela princípios, e seguir, utiliando-os, " uma apar&ncia natural, e na $erdade, !alsa. Ela nunca poderá produir ci&ncia, mas somente uma
$ arte dial"tica, onde uma escola poderá ter melhor &xito que outra, sem que nenhuma possa obter uma apro$a2o legítima e durá$el/. (Prolegômenos, pág.7A)
.../Laranto que ningu"m, aps ter meditado e compreendido os princípios da crítica, nem que se*a nestes Prolegômenos no $oltará nunca mais a essa !alsa ci&ncia antiga e so!ística.../ (pág. 7M).
%as a meta!ísica que o :r. Kant conhecia era a de :pinoa, Nol!, Oeibnit, Clar?e, Beton, %endelssohn, etc. Bo conhecia os escolásticos. Conhecia Nol!, e basta$a. Bo era ele consagrado como o mais pro!undo e completo conhecedor da escolástica</ E a síntese que ha$ia !eito, na exposi2o das doutrinas medie$alistas, no era um monumento de !idelidade</ Bo era, pois, de admirar que Kant no perdesse seu tempo a ler aqueles $olumosos trabalhos dos medie$alistas, muitas $ees pouco inteligí$eis. Hasta$a lou$ar-se em Nol!, e daí por diante era !ácil o caminho. %as, na $erdade, Nol! no " considerado um aut&ntico expositor da obra dos medie$alistas. #o contrário, !alsi!icou e no compreendeu muitas coisas, expondo-as !alsamente. Fuanto aos outros, no campo da %eta!ísica, !oram le$ados por concep2;es racionalistas ou excessi$amente idealistas, sem o de$ido !undamento na realidade.
4oda arte !alsa, toda ci&ncia $ t&m apenas um tempo, pois terminam por aniquilarem-se a si mesmas8 a "poca de sua mais alta cultura coincide com a de sua decad&ncia. Esse momento " agora $indo para a %eta!ísica6 o que o pro$a " o estado na qual ele caiu entre todos os po$os cultos, enquanto as ci&ncias de todo g&nero so estudados com tanto ardor/ (pág. 7Q).
%as qual !oi a "poca de máxima ascenso e, portanto, de início do declínio< 3 s"culo RJ absolutamente no. 3 período áureo da meta!ísica !oi na "poca de 4omás de #quino e :o Hoa$entura, #lberto %agno, :cot nos s"culos R e RJ, e depois, no s"culo RJ com os combrinenses e salmanticenses. 3 período de que !ala Kant " precisamente de declínio. #quela meta!ísica era mis"ria da meta!ísica. Esta$a-se em pleno período de re!luxo da escolástica, e o $oltairismo ha$ia in!luído nas consci&ncias ing&nuas. @ealmente o espetáculo na !iloso!ia era desolador. 3 que ha$ia era o meta!icismo, !orma $iciosa da meta!ísica que Kant na $erdade combatia. Ele con!undira essa decad&ncia com a ascenso, ou por ignorar a $erdadeira meta!ísica ou por má !". Pre!erimos por enquanto a primeira hiptese, mais consent5nea com os !atos e com a prpria obra de Kant.
Prossegue a!irmando que meta!ísicos, em todo tempo, no !ieram essa ci&ncia a$an2ar um passo al"m de #ristteles o que resulta dessa causa bem natural que a ci&ncia no existia ainda.../
E aqui, a %eta!ísica no pôde $alidamente demonstrar a priori nem esse princípio (o da subst5ncia e do accidente), nem o princípio de rao su!iciente, nem ainda qualquer proposi2o mais complexa, que se re!ira, por exemplo, à Psicologia ou à Cosmologia8 em
suma, nenhuma proposi2o sint"tica8 assim, toda essa análise no alcan2ou nada, nada produiu, nada !e a$an2ar, e depois de tantas agita2;es e ruído, a ci&ncia está ainda onde
ela esta$a na "poca de #ristteles/... E prossegue6
:e algu"m se acredita o!endido por isso, " lhe !ácil reduir a nada esta acusa2o, limitando-se a dar uma s proposi2o sint"tica na meta!ísica, e o!erecendo-se a demonstrar a priori pelo m"todo dogmático8 se o !ier, mas ento somente assim, eu concordarei que realmente contribuiu para o progresso da ci&ncia e que essa proposi2o se !or ademais, su!icientemente con!irmada pela experi&ncia $ulgar/ (idem pág. 7A0).
E ele resume a sua posi2o !ilos!ica nestes termos6 4odo conhecimento das coisas, tirado do entendimento puro ou da rao pura, " apenas iluso8 no há $erdade seno na experi&ncia/ (pág. 7S7).
inaliando a!irma que cabe ao de!ensor da %eta!ísica pro$ar, seguindo seu m"todo, ou se*a, como lhe con$"m, por princípios a priori, uma qualquer das proposi2;es $erdadeiramente meta!ísicas que prop;e, quer dier, sint"ticas, conhecidas a priori por conceitos, mas, em todo caso, uma das mais indispensá$eis, por exemplo, o princípio de perman&ncia da subst5ncia ou da determina2o necessária dos acontecimentos do mundo por sua causa. :e no o pode, (o sil&ncio " uma con!isso), de$e con$ir que, no sendo a %eta!ísica nada sem uma certea apodítica das proposi2;es dessa esp"cie, " mister, antes de tudo, estabelecer a possibilidade ou a impossibilidade destas numa crítica da rao pura, sendo, depois, obrigado ou a reconhecer que meus princípios na Crítica so exatos, ou demonstrar que so sem $alor/ (pág. 7SA)
E dispensando as concess;es que Kant !a, resol$emos dar a resposta, em duas partes6 7) mostrando a improced&ncia de suas a!irmati$as sintetiadas na Crítica, quanto à impossibilidade da %eta!ísica8
0) e realiando, por meio de demonstra2;es, uma constru2o !ilos!ica rigorosamente apodíctica, em nossa iloso!ia Concreta/.
. . .
'ntrodu%"o $ nossa crítica
Bo se poderia compreender de$idamente a crítica de Kant sem considerar o clima de suas id"ias, segundo as in!lu&ncias que so!reu dos autores que constituíram a sua leitura predileta e mais importante.
D mister considerar o empirismo !enomenista de 'ume, o dogmatismo racionalista de Nol!, que a muitos parecia como a melhor mani!esta2o da escolástica e o racionalismo de +escartes, de Oeibnit e de :pinoa. 3 cepticismo a que le$a$a o empirismo e as contradi2;es internas de que esta$a ei$ado o racionalismo, le$aram Kant a considerar a necessidade imperiosa de uma crítica, capa de resol$er as aporias que surgiam ou estabelecer qual o alcance e qual a $alide de cada uma, bem como os pontos sobre os quais a intelig&ncia humana teria sempre que patinar inutilmente, sem encontrar uma solu2o como dese*a$a, seguindo aqueles caminhos.
3 postulado geral do racionalismo " o paralelismo da ordem da rao com a ordem das coisas. %as, esse postulado " contraditado pela concluso de que as coisas !initas so ininteligí$eis. #demais o !undamento da identidade, como a concebem os racionalistas, le$a-os, mais cedo ou mais tarde, ao monismo e at" ao panteísmo spinoista.
3 conceito de empíria tem sido moti$o de grandes di$erg&ncias na !iloso!ia e pode-se dier at" que grande parte da !iloso!ia moderna gira em torno das maneiras de concebe-la.
3 temo ex peri&ncia, de ex e do antigo perior, signi!ica alcan2ar, a$eriguar, pro$ar. Em alemo, er!ahr deri$a do $erbo er!ahren, que signi!ica alcan2ar algo andando, portanto o indagar submetido às condi2;es tempo-espaciais. Concebe-se, ento, que indica a recep2o de impress;es por parte das coisas que se op;em, que ocorrem, de ob e currere, o que $em em sentido contrário. +este modo nem toda intui2o " experi&ncia. 4amb"m no se pode con!undi-la com pensamento, porque este " uma !orma de conhecimento mais ati$o e no depende da impresso imediata que pode o ob*eto produir. Em seu sentido mais puro, experi&ncia " toda a percep2o produida por impress;es externas. D $erdade que se
emprega o termo em sentido analgico quando se !ala em experi&ncias místicas e outros. #ristteles da$a um sentido mais restrito ao termo. Para ele, a empíria era !ormada por
muitas percep2;es e pela memoria2o de casos análogos, !ormando uma imagem esquemática. 3utros consideram experi&ncia o *uío que se !ormula sobre a base da percep2o, o *uío da experi&ncia.
Kant considera a experi&ncia no o *uío de percep2o em geral, mas aquele no qual entra um conceito a priori do entendimento, o que lhe dá, por isso, uma $alide uni$ersal. # experi&ncia di$ide-se em interna e externa. # primeira consiste na percep2o dos ob*etos, nos processos corpreos, mediante os sentidos externos (sensorial) e, a segunda, a $i$&ncia dos prprios estados e atua2;es interiores anímicas.
# $iso intelectual da ess&ncia " uma $i$&ncia intelectual. Poder-se-ia tamb"m, dar um sentido mais prprio, dentro das normas da iloso!ia Concreta, desde que se busque o logos analogante de toda experi&ncia. Beste sentido, a experi&ncia caracteria-se pela singularidade como ponto de partida e pelo seu caráter predominantemente imediato. Considerando-se assim, s há experi&ncia dos !atos particulares, singulares, e no dos ob*etos uni$ersais necessários. 3 empirismo em sua !orma singela parte da pretenso de que a experi&ncia " a !onte >nica, primordial do conhecimento. :e permanecermos aí, torna-se di!ícil explicar os princípios do conhecer como uni$ersalmente $alidos e necessários, nem tampouco se consegue !undamentar o $alor do conhecimento induti$o porque o salto do particular para o uni$ersal no tem !undamento su!iciente.
# análise da obra de Kant exige que a antecedamos por uma coloca2o pr"$ia dos temas principais, e entre estes surge como mais exigente o espa2o, o tempo, a intui2o, o conhecimento, o *uío, sob todos seus aspectos, a possibilidade, a conting&ncia, a exist&ncia, para citarmos os principais.
#s nossas representa2;es podem re!erir-se às coisas que pertencem a uma realidade absoluta, às coisas inteligí$eis, ou ento às sensí$eis, !enomenais e a estas pertencem o tempo e o espa2o. Kant examina a teoria netoniano do espa2o absoluto, uma realidade meta!ísica axiologicamente antecedente às coisas, e o espa2o relati$o que depende da exist&ncia das coisas, que " de!inido em rela2o a estas.
Para Oeibnit e para Nol!, o espa2o " a id"ia con!usa da ordem de coexist&9ncia dos ob*etos. Para Kant, " um ob*eto conceitual. Beton aceita$a a possibilidade de um espa2o $aio antecedente a toda possibilidade dos corpos e !undamento do espa2o relati$o. 3
primeiro era o campo in!inito da presen2a di$ina/. Como Kant concebia o espa2o, $eremos mais adiante.
3utro ponto importante que de$emos pre$iamente analisar em Kant " a sua concep2o da rao su!iciente e de causa. Em Nol!, elas so con$ertí$eis. # rao lgica " a causa ontolgica, e a causa ontolgica " a rao lgica. Kant distingue a rao determinante antecedente (ratio essendi $el !iendi), no coincidindo esta necessariamente com a primeira. #ssim o ser necessário " a ratio cognoscendi, no a ratio essendi da sua exist&ncia, porque a exist&ncia no pode !undar-se numa possibilidade. +eus " possí$el, mas dessa possibilidade no se pode concluir a sua exist&ncia. 4angemos aqui um tema dos mais pro!undos da !iloso!ia, !undamento do argumento ontolgico. :e partimos da !initude humana no podemos conceber que o homem possa captar o ser in!inito !undado apenas na sua !initude. 3ra, o ser in!inito " logicamente possí$el. :e " possí$el no contradi ele o ser. # no exist&ncia do ser in!inito a!irmaria que ele " nada. Beste caso ns tornaríamos inteligí$el o nada, o que " absurdo. E teríamos mais, "ramos capaes de dar o que no temos, de alcan2ar o que no existe. Ento teríamos de concluir que essa capacidade de alcan2armos o ser in!inito teria sua rao de ser no que em ns se ausenta, o que seria contraditrio, quando :anto #nselmo a!irma$a que se somos capaes de pensar no ser in!inito, ele necessariamente existe, era porque a sua nega2o torna$a-se contraditria e consequentemente absurda.
4inha :anto #nselmo rao, na resposta a Launillon, de chamar a aten2o que a id"ia do ser in!inito, do ser que nada de maior pode existir, no pode ser con!undido, enquanto id"ia, com a de qualquer coisa !inita, que *ulgamos a mais per!eita na sua esp"cie, como as lhas Hema$enturadas, do argumento de Launillon. # paridade no procede, porque o ser contingente inteligí$el " inteligí$el como contingente, e as lhas Hema$enturadas eram contingentes e como tais podiam ou no existir. %as a id"ia de um ser absolutamente necessário, com o qual tudo o mais perde sua rao de ser, no s " inteligí$el, como logicamente necessário. Fue a mente pode conceber seres contingentes, que podem ou no existir " indubitá$el, mas como poderia a mente humana alcan2ar a inteligibilidade do ser in!inito e necessário< Bo se argumente que há quem no possa concebe-lo e realmente há muitos cu*a mente no chega a alcan2á-los. %as bastaria que um s ser humano !osse capa de alcan2ar essa inteligibilidade para que ela, como possibilidade, se atualiasse num ser
humano. 3ra, inteligí$el " s o ser. 3 nada absoluto " absolutamente ininteligí$el, e como no há meio termo entre ser e nada, porque mais que nada " ser e menos que ser " nada, o inteligí$el tem uma realidade. E como poderia ter uma realidade !raca, de!iciente, o ser que " in!inito e absolutamente necessário< #demais a possibilidade dele no pode a!irmar uma mera possibilidade, porque se " possí$el um ser in!inito e necessário essa possibilidade estaria num ser contingente, e teríamos um possí$el de ser maior que suas causas, o que " absurdo. # possibilidade que captamos humildemente com a nossa mente do ser in!inito e necessário a!irma, ineludi$elmente, na dial"tica de :anto #nselmo, a sua exist&ncia. Bo procedeu com !raquea o bispo de Hec. :ua demonstra2o " coerente com as id"ias que
esposa, e a sua *usti!ica2o " dialeticamente rigorosa. Pode ser uma pro$a incompleta, e há muitas que goam de maior renome, e que so ainda menos rigorosas, mas dentro da dial"tica que segue, ele tem su!icientes apoditicidade, e pode ser corroborada por outras como temos mostrado em nossos trabalhos.
3 grande argumento contrário " que a rao lgica de alguma coisa no garante ainda a rao ontolgica, e muito menos a ôntica. Bo se pode a!irmar porque algo " possí$el que algo exista. @ealmente, se o ser pensado " um ser contingente, porque " da rao do contingente existir ou no existir. Bo, quando se trata de um ser absolutamente necessário, lgica e ontologicamente.
Por ser possí$el conceb&-lo, essa possibilidade " da nossa mente, no dele. Ba sua rao de ser no há possibilidade8 há, sim, na nossa de conhecer. Ele " cognosciti$amente possí$el por ns, mas a sua exist&ncia no depende de nossa cognoscibilidade. Tamais :anto #nselmo queria a!irmar que a rao da sua exist&ncia !osse dada pela nossa mente ou por qualquer outra mente. Bem tampouco que, pelo simples !ato de sermos capaes de entend&-lo, esti$esse por isso assegurado a exist&ncia. # rao do ser necessário s pode estar em si mesmo e no em outro. 3ra, há em ns a capacidade de entender um ser cu*a rao de ser está em si mesmo, que " in!inito e necessário. :e " tal, no " a nossa mente que lhe dá tais atributos, porque a mente poderia !alar e no entend&-lo, como há a de muitos que a!irmam que no podem entend&-lo. #ssim, nossa mente no " su!iciente nem para garantir a sua exist&ncia, nem para garantir a sua no exist&ncia. %as :anto #nselmo *amais disse que nossa mente !osse a !iadora dessa exist&ncia. +isse apenas que se podemos conceber um ser maior que tudo, o qual no superado por nenhum outro, e que esse ser "
inteligí$el, tal re$ela que a nossa mente " capa de captar o que lhe " proporcionado6 a inteligibilidade do ser. Portanto, o ser in!inito e absoluto no " absurdo, no contradi o ser, no re$ela nenhuma impossibilidade à nossa mente. 4al no quer ainda dier que ele exista porque " inteligí$el. Im ser contingente inelegí$el " possí$el tamb"m. %as aqui ressalta a di!eren2a !undamental6 " que a exist&ncia do ser contingente " contingente, e a do ser necessário e in!inito " in!inita e necessária. Esta no tem mais uma possibilidade ser ou no, mas uma necessidade de ser e uma total e absoluta impossibilidade de no ser. :ua exist&ncia " assegurada a ns pela sua necessidade e in!initude. Entre os possí$eis (contingentes) tudo quanto " possí$el " possí$el, mas quanto ao ser in!inito e necessário tudo quanto " possí$el, e que constitui a sua ess&ncia no pode ser apenas possí$el, mas necessário. Portanto tudo quanto a nossa mente pode descortinar no ser in!inito, absoluto e necessário, todos os atributos que no o contradiem, so nele reais e no meramente possí$eis. 3ra, a exist&ncia " um atributo essencial, porque tal ser " essencialmente existente e existencialmente essente, pois ess&ncia e exist&ncia nele se identi!icam. Bo " a sua exist&ncia uma concluso apenas lgica, mas ontolgica para :anto #nselmo, porque o ser contingente s se *usti!ica pelo necessário. E nossa mente pode captá-lo. # ordem da inteligibilidade " contingente quando se re!ere a seres contingente, mas necessária quando se trata do ser absolutamente necessário.
# pro$a de :anto #nselmo !unda-se numa $ia dial"tica, que no " a comum, e que necessita ser de$idamente exposta. Bo nos a!astamos *amais da sua pro$a, porque há nela sempre constantes sugest;es que nos pro$ocam o máximo interesse e elementos para nossas in$estiga2;es. Constantemente estaremos retornando a ela, sempre que exigir no$as demonstra2;es a seu !a$or.
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Bo desen$ol$imento do pensamento de Kant obser$a-se que a rao ontolgica extrínseca à ess&ncia no s no " con$ertí$el com a rao lgica, como nunca pode coincidir com ela. # rao lgica re!ere-se à identidade do su*eito com a sua rao explicati$a. 3ra, a rao ontolgica extrínseca à ess&ncia " a causa à qual se re!ere a oposi2o relati$a entre o e!eito e o seu princípio !ísico. # causa, ", assim, outro que o e!eito. Compreendo muito bem (escre$ia Kant nas Fuantidades negati$as/, a?. , pág. 010) como uma conseq=&ncia possa ser apoiada sobre uma rao (Lrund), segundo a regra da
identidade8 quer dier, quanto à análise dos conceitos mostra esta conseq=&ncia inclusa nessa rao..., posso $er claramente a liga2o da rao e da conseq=&ncia, porque a conseq=&ncia " identicamente um conceito parcial desta mesma rao, mas que alguma coisa decorra de alguma coisa outra (aus etas anderem)., sem que se*a em $irtude da regra de identidade, eis o que eu bem queria que me !osse explicado. Ima rao da primeira esp"cie chamo-a rao lgica, porque sua rela2o à conseq=&ncia goa de uma e$id&ncia lgica8 quer dier, " mani!esta segundo a regra da identidade. Ima rao da :egunda esp"cie chamo-a rao ontolgica (real), porque a sua rela2o com a conseq=&ncia " representada em meus conceitos $erdadeiros, sem contudo a naturea dessa rela2o prestar-se ao *uío.
3ra, quanto esta rao ontolgica em seu nexo a uma conseq=&ncia real, eis a simples pergunta que eu coloco6 como compreender que, porque alguma coisa ", outra coisa de$a
ser<
# concluso de Kant " a seguinte6 segundo os nossos conceitos, a rao ontolgica (@ealgrund) no " uma rao lgica (logischer Lrunds), no " a regra de identidade que !a concluir do $ento à chu$a... @e!leti sobre a naturea do nosso conhecimento, concernente a esses *uíos, que p;em em *ogo ra;es e conseq=&ncias, e proponho-me expor um dia com pormenores o !ruto das minhas re!lex;es. +aí resulta que a rela2o de uma rao ontolgica
ao ob*eto, colocada ou descartada por esta, no pode, de nenhuma maneira, ser expressada por um *uío, mas somente por um conceito6 este conceito pode-se ligá-lo, por análises, a
outros conceitos mais simples, que representam igualmente ra;es ontolgicas, mas de tal maneira, contudo, que nosso conhecimento da rela2o subdita (de depend&ncia real), se det"m em conceitos simples e irredutí$eis, que representam ra;es ontolgicas, cu*o nexo das suas conseq=&ncias no se*a susceptí$el de ulterior esclarecimento. Bessa "poca conclui Kant que o conhecimento humano está cheio de *uíos indemonstrá$eis. +este modo, a!asta$a-se ele de :pinoa, Oeibnit e Nol!, e prepara$a-se para a Crítica da @ao Pura cu*a análise dese*amos !aer.
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4e$e, contudo, Kant, uma !ase semi-empirista, na qual concluía que a %eta!ísica s encontraria uma *usti!ica2o nos dados que !ossem o!erecidos pela experi&ncia e no e apenas pela coer&ncia lgica dos conceitos. Bo se pode diminuir a in!lu&ncia decisi$a que
'ume exerceu sobre ele, e at" quando procurou re!utá-lo no pode impedir que muitas das suas id"ias so!ressem diretamente a in!lu&ncia daquela origem. # perda de con!ian2a nas possibilidades da %eta!ísica, que atirou Kant no seu agnosticismo crítico, " produto em
grande parte dessa in!lu&ncia.
# %eta!ísica s pode ser construída sob !undamentos dados pela experi&ncia. %as esta tem seus limites, consequentemente so limitadas as possibilidades daquela. D essa a concluso a que chega no seu período semi-empírico, e que marca o ponto de partida para a Crítica da @ao Pura.
# in!lu&ncia de 'ume caracteria-se nas tomadas de posi2;es que so típicas da !ase anterior a essa obra. # realidade de um ser transcendental no se conclui pela coer&ncia de sua de!ini2o. : a exist&ncia do ob*eto assegura a sua realidade. +esse modo, a possibilidade de uma realidade " assegurada pela constata2o empírica de sua exist&ncia.
# exist&ncia escapa, assim, à demonstra2o puramente analítica, porque esta redu-se apenas a mostrar que há identidade de um predicado com o seu su*eito. %as a exist&ncia real no " propriamente um predicado. Ela no pertence à de!ini2o, nem à no2o de uma coisa, nem " essencial nem accidental a esta, por permanecer !ora do seu conceito. Portanto, pensar sobre a exist&ncia de alguma coisa, no " estabelecer a sua exist&ncia nem muito
menos conhec&-la.
(nega$elmente, a experi&ncia pode pro$ar, pelo menos, a exist&ncia de alguma coisa. # total no exist&ncia, considerada apenas sob rela2o lgica dos seus conceitos no " incoerente, porque podemos a!irmar a recusa de ser ao su*eito e ao predicado8 ou se*a, analiticamente, podemos estabelecer a nega2o. +esse modo, por uma simples análise !ormal no se re!uta o nada, nem se demonstra a exist&ncia apenas analiticamente. D a concluso a que chega Kant. %as mesmo que no pud"ssemos analiticamente demonstrar a exist&ncia desta ou daquela coisa, podemos, ao menos, demonstrar a exist&ncia de alguma coisa. 3u se*a, a tese ?antiana no pre*udica em nada os postulados !undamentais da iloso!ia Concreta).
:endo a causa outra que o e!eito e a rao lgica id&ntica nos termos, nunca uma pode ser con!undida com a outra, pois o que caracteria a primeira " a alteridade, e " a
identidade que caracteria a segunda.
:e a exist&ncia real no " expressa por um predicado, nem pode ser o ob*eto de uma demonstra2o analítica, o argumento ontolgico dos racionalistas cai por terra. # análise no pode demonstrar a causa. Consequentemente, toda partida da conting&ncia nunca chegará apoditicamente ao ser necessário.
Contudo, Kant deu pre!er&ncia a dois argumentos a !a$or da exist&ncia de um ser necessário que " o extraído da ordem e da harmonia das coisas e o !undado sobre a exist&ncia dos possí$eis/, que " de origem leibnitiiana.
Ele !oi exposto por Oeibnit da seguinte maneira6 /# ess&ncia da coisa, sendo apenas o que !a a possibilidade em particular, " mani!esto que existir por sua ess&ncia, " existir por sua possibilidade. E se o :er de si " o :er que de$e existir porque " possí$el, " mani!esto que tudo quanto se possa dier contra a exist&ncia de um tal ser seria negar a sua possibilidade. Poder-se-ia ainda, sobre este ponto, !ormular uma proposi2o modal que
seria um dos melhores !rutos da Ogica6 se o :er necessário " possí$el, ele existe. Pois o :er necessário e o :er por sua ess&ncia so a mesma coisa. #ssim o raciocínio, tomado deste lado, pode ter solide8 e os que querem que apenas das no2;es, id"ias, de!ini2;es, ou ess&ncia possí$eis no se pode in!erir a exist&ncia atual, caem com e!eito no que acabo de dier8 ou se*a, negam a possibilidade do :er de si. %as o que se de$e notar, esse lado ser$e at" para !aer conhecer que erram, e preenche o $aio da demonstra2o. Pois si o :er em si " impossí$el, todos os seres por outrem tamb"m o so8 *á que no so seno pelo :er de si8 assim nada poderia existir. Esse raciocínio nos condu a uma outra importante proposi2o modal igual à precedente, e que *unta com ela acaba a demonstra2o. Poder-se-ia enunciá-la deste modo6 se o :er necessário no existe, no há ser possí$el. Parece que esta demonstra2o no !oi le$ada to longe at" ento6 contudo, trabalhei noutros setores para pro$ar que o :er per!eito " possí$el.U
# possibilidade de que se trata aqui " a interna/. E comentando esta passagem, escre$e %ar"chal6 4oda possibilidade interna apresenta dois aspectos insepará$eis6 um aspecto normati$o-!ormal6 a coer&ncia lgica8 um aspecto material ou real/6 o conte>do logicamente coerente. 4odo possí$el/ V qualquer que se*a V encontrar-se-ia suprimido, tanto por supresso de seu real como pela supresso de seu elemento !ormal (quer dier, por contradi2o lgica). Portanto, pode-se raciocinar da seguinte maneira6 3 que suprimisse toda possibilidade " absolutamente impossí$el. 3ra, a no exist&ncia de um ser necessário
suprimiria toda possibilidade. Portanto, a no-exist&ncia de um :er necessário " absolutamente impossí$el./
# menor deste silogismo pro$a-se !acilmente, segundo Kant6 com e!eito, a no-exist&ncia de um :er necessário (subsistente por si) acarreta a impossibilidade de toda realidade, portanto a impossibilidade do elemento real (quer dier no puramente lgico) de todo possí$el, portanto a aus&ncia de toda possibilidade.
# maior, ao contrário, no ", parece, despida de ambig=idade. Ela pode receber di$ersas signi!ica2;es6
a)Entre a a!irma2o, que se sup;e pre$iamente admitida, do possí$el/, e a a!irma2o de uma condi2o, que suprimisse toda possibilidade, há incompatibilidade lgica. Portanto, o que des!aria todo possí$el/ V quer do ponto de $ista !ormal/, por exemplo a nega2o do princípio de identidade8 quer do ponto de $ista material ou real/, por exemplo a nega2o de toda exist&ncia, " impossí$el. 3 prprio Kant, no !im do W 0 (7a.
parte, 0a. considera2o) parece sugerir esta exegese (4rata-se de Heeisgrund...us).
@esta-nos ento *usti!icar a !irma2o pr"$ia do possí$el/, conclui %ar"chal/ (op. cit. , pág. 0).
%ostra ainda este autor que no há contradi2o entre este argumento e a crítica !eita por Kant ao argumento ontolgico. Baquela crítica, o ser necessário era suposto como deduido a partir de exist&ncias contingentes, por $ia da causalidade. #qui " ele concebido por uma condi2o lgica da possibilidade enquanto tal. Baquele argumento, o :er
necessário era demonstrado pelo mesmo conceito de sua necessidade/, enquanto neste >ltimo argumento so garantidos analiticamente pelo simples !ato de o :er necessário ser posto como condi2o do conte>do real/ de todo e qualquer possí$el. 'á, assim, di!eren2as
entre os dois argumentos. Fuanto saber-se se este " mais slido que o primeiro " uma questo que exige no$os estudos.
%ar"chal, no mesmo local, o!erece ainda outra interpreta2o6 3 que suprime toda possibilidade seria por si mesmo impossí$el, pois, se !osse por si mesmo possí$el, no suprimiria toda possibilidade. Proposi2o, pelo menos na apar&ncia, e$idente e analítica. 3ra, olhando-se de mais perto, o que " e$idente " apenas que uma pretendida ess&ncia/ positi$a, ou um pretenso possí$el/, cu*a no2o comportaria a nega2o de toda possibilidade, seria logicamente contraditria e absolutamente impossí$el. %as, o primeiro
termo da maior, o que suprime toda possibilidade/ no designa aqui uma ess&ncia/ ou um possí$el/ hipot"tico, destruidor de toda possibilidade8 trata-se de uma pura condi2o ideal, que acarreta, logicamente, a nega2o de toda possibilidade8 ou, para precisar melhor, trata-se de saber trata-se a proposi2o6 no há trata-ser necessário/, ou nada " considerado em si/, em sua signi!ica2o prpria, seria impossí$el, quer dier, intrinsecamente contraditria, pelo simples !ato apenas de conter analiticamente essa outra proposi2o6 nada " possí$el/8 ou ainda, trata-se de saber se a hiptese6 aus&ncia de exist&ncia necessária/, e por conseguinte de toda exist&ncia, *unto à sua conseq=&ncia6 aus&ncia de toda possibilidade/, o!ende o princípio de contradi2o. :im, parece dier-se, ou melhor, atribuir a Kant6 o que suprime toda possibilidade/ coloca-se na categoria de impossibilidade ou do contraditrio/8 portanto, a car&ncia total da exist&ncia " impossí$el/
. . .
#dmite Kant que a no2o do nada, como aus&ncia total de toda exist&ncia e de toda possibilidade, no encerra em si contradi2o interna. %as que tenha possibilidade, e que, portanto, nada existe, eis o que " contraditrio. 3ra, na !iloso!ia concreta no se chega à recusa do nada absoluto por uma rao de ordem lgica, mas simplesmente que " impossí$el ser $erdadeira a sua postula2o, porque esta *á a nega. 3 nada absoluto " impossí$el em si mesmo e " contraditrio no em si mesmo, mas em !ace de ha$er alguma coisa. #s a!irma2;es na !iloso!ia concreta no so !eitas isoladamente, mas em !ace das antíteses, da impossibilidade tamb"m das antíteses, porque todo *uío apodítico que " o marcado pela necessidade, implica no s a imediata in$alide do seu contraditrio, como tamb"m, a insu!ici&ncia de tudo quanto o restringe.
# !elicidade no " apenas a !ormal e lgica, mas tamb"m a material e a real (conte>do). 3s *uíos da !iloso!ia concreta !undam-se em teses dial"ticas, que possuem em si mesmas uma condi2o !ormal e lgica $erdadeira e tamb"m material, real-real, portanto.
Kant em sua Crítica da @ao Pura no s empreende a re!uta2o, outra $e do argumento ontolgico, como abandona, ou pelo menos silencia o seu argumento dos possí$eis, do qual no trata mais nem para de!end&-lo nem para negá-lo, embora o negue
implicitamente, em !ace dos no$os postulados que o!erece.
Fuando o estudou, colocou-o entre as pro$as a priori, bem como reconheceu que a sua !ormula2o no " puramente analítica, o que " o oposto do argumento ontolgico.
3 tema !undamental da Crítica da @ao Pura ", como nos mostra %ar"chal, sem d>$ida, o $alor da meta!ísica. %as o exame desse tema exige o de dois pontos principais6 a rela2o exata do !enômeno e do inteligí$el no conhecimento ob*eti$o e as condi2;es de possibilidade do ob*eto no pensamento.
(eses principais de &ant
#s teses principais de Kant na Crítica da @ao Pura so as seguintes6 7)Bosso conhecimento no tem sua origem exclusi$amente nos sentidos.
@epele o sensualismo em seus excessos, embora reconhe2a que nossos conhecimentos come2am com as nossas experi&ncias8 no todos, por"m. Bossos conhecimentos sensí$eis so compostos das impress;es percepti$as e das id"ias que nossa !aculdade de conhecer produ. Essas id"ias pro$&m da nossa capacidade de conhecer, e tem elas um caráter absoluto e uni$ersal. Bossas percep2;es so apenas singulares. # uni$ersalidade no poderia pro$ir delas.
0)Bossa experi&ncia s " possí$el pelo conhecimento que temos a priori das $erdades necessárias.
4r&s so as no2;es a priori6 as intui2;es pura, os conceitos puros ou categricos e as id"ias absolutas.
#s intui2;es puras so as representa2;es do espa2o e do tempo construídas pelo espírito, sem as quais no há experi&ncia nenhuma possí$el. :o tamb"m chamadas de !ormas da sensibilidade. Enquanto a mat"ria que lhes " submetida pode $ariar ilimitadamente, essas !ormas so imutá$eis. #s rela2;es entre as percep2;es so os conceitos ou categorias, cu*a !un2o consiste em ordenar di$ersas representa2;es e !aer delas uma representa2o comum. Como a experi&ncia se aplica a ob*etos singulares, e esses conceitos se aplicam ao ob*eto em geral, no podem 4er sua origem na experi&ncia. Fualquer ob*eto perseguido s pode ser $isualiado sobre quatro aspectos6 qualidade, quantidade, rela2o, modalidade.
# $arian2a dos ob*etos, dados pela sensa2o, no modi!ica a imutabilidade dessa !orma. 4em o homem tamb"m id"ias absolutas, como a alma imaterial e a do ser per!eito. 3s conceitos so a condi2o de todo o pensamento, mas as id"ias absolutas so a condi2o de todos os conceitos. 4odo conceito expressa uma rela2o8 toda a rela2o está insepara$elmente unido à id"ia de uma causa primeira. :em a id"ia da unidade absoluta "
impossí$el o conceito de quantidade8 sem a id"ia de per!ei2o " impossí$el o conceito de qualidade. 3 conceito de modalidade implica a s"rie dos seres possí$eis, e exige a realidade de um ser necessário. #s id"ias absolutas so tamb"m chamadas de id"ias transcendentais8 por isso di Kant que todo e qualquer *uío, e at" toda e qualquer percep2o, sup;e a id"ia
de in!inito, a id"ia de +eus.
9) 3s *uíos, que a rao constri, no so necessariamente $erdadeiros, e podem no corresponder à realidade das coisas.
Entra aqui o exame do *uío. 3s *uíos analíticos no podem ser negados sem contradi2o. %as s há progresso no conhecimento quando se constri *uíos sint"ticos, e , sobretudo, *uíos sint"ticos a priori. 3 *uío sint"tico a posteriori tem a sua pro$a na experi&ncia. Kant a!irma que os *uíos sint"ticos a priori s so possí$eis por uma intui2o do tempo e do espa2o. Ele redu nossos *uíos sobre a casualidade à expresso de uma rela2o de tempo. # no2o de causa se identi!ica com a sucesso, tese de 'ume, que ele, apesar de combat&-lo, termina por aceitar. 4odo o *uío sint"tico sobre os ob*etos que esto !ora do espa2o e do tempo so, para Kant, a!irma2;es ilegítimas. #ssim os conceitos de subst5ncia, de causa, s so legítimas quando aplicados aos ob*etos da experi&ncia. E ser$em apenas para tornar a experi&ncia possí$el. Joltando à primeira tese, no se conclua que Kant se*a um sensualista, porque a experi&ncia no " apenas a que nos dá os sentidos.
G)Bo percebemos os ob*etos tais como so, mas como nos aparecem. Como os ob*etos so em si mesmos a coisa em si, " o n>meno (noumenon)8 como ob*eto de nosso conhecimento, como nos aparece, " o !enômeno. 3 tempo e o espa2o no existem, e ns s percebemos os seres materiais no espa2o e no tempo, e como estes no existem, so eles meras apar&ncias. +este modo, a sua naturea nos " inacessí$el. Kant conclui que o que conhecemos " nada. E o que ", " o que no conhecemos.
)'á uma id"ia da rao indubitá$el6 a id"ia do Hem. 3 Hem no pode ser uma simples !orma do meu pensamento, porque ele me comanda, " superior a mim, imp;e-me uma lei. Portanto, tem uma exist&ncia !ora de mim8 no " uma simples abstra2o. Ela atua, porque uma abstra2o no poderia atuar, no poderia ser causa de nada. # realidade do bem
sup;e a realidade de um bem absoluto. Bo há, contudo, uma acord5ncia per!eita entre a $irtude e a !elicidade neste mundo. Portanto, de$e ha$er num outro mundo. +e$e, portanto, existir um ser in!initamente *usto e in!initamente poderoso para remunerar cada um
segundo o seu m"rito. Bo posso crer na lei moral sem acreditar em +eus e sem esperar a imortalidade/. Estas teses morais de Kant so desen$ol$idas na Crítica da @ao Prática, que será ob*eto de nosso exame.
Crítica da “Crítica da a!"o Pura”
Passamos agora a analisar as id"ias de Kant, expostas nesta obra !undamental, e a assinalar o seu $erdadeiro intuito, o alcance das suas conclus;es e mostrar, a!inal, a improced&ncia de muitas das suas id"ias. Bo podemos saber como as coisas so, mas apenas sabemos como ns as pensamos. Esta " uma tese !undamental de Kant, que redu, deste modo, a !iloso!ia à lgica e tamb"m a nega2o pura e simples da rao, terminando, no em re!ormar a %eta!ísica, mas em suprimi-la. Kant " uma !igura do !im do #u!?laerung. Bota$a ele que a Ogica, desde #ristteles, permanecia !irme em sua serena imobilidade, que as matemáticas puras conseguiram a adeso total dos espíritos, a !ísica terica encontra$a em Beton uma estabilidade, e as ci&ncias experimentais o!ereciam dados seguros. : a %eta!ísica permanecia entregue aos caprichos das id"ias mais díspares. Preocupou-se Kant pela seguran2a que o!ereciam as outras disciplinas e pela instabilidade $eri!icada na %eta!ísica. :e no " possí$el pôr de acordo os que trabalham no mesmo mister..., pode-se estar persuadido que um tal estudo está longe de estar no caminho certo de uma $erdadeira ci&ncia/.
Bo exame dos *uíos, estabelece Kant, em primeiro lugar, os *uíos analíticos, os quais so simples e !acilmente compreensí$eis por todos. @epousam eles sobre os princípios de identidade ou de contradi2o. Eles apenas desassociam, pormenoriam, expressam uma no2o dada. 3 predicado *á está contido implicitamente no conte>do do conceito do su*eito. Por si s eles no enriquecem o nosso conhecimento. Fuando diemos todo corpo " extenso/, enunciamos um *uío analítico, pois ser extenso *á está contido no conceito de corpo. 4emos, ento, um *uío meramente declarati$o, explicati$o, no, por"m, de modo algum, extensi$o/, no sentido clássico dos escolásticos. 4ais *uíos so !undados de !ato e de direito no princípio de identidade.
'á outros *uíos, por"m, em que o predicado está totalmente !ora do conceito do su*eito, e por mais que analisemos no encontraremos neste o predicado, nem explicita nem implicitamente. Esses *uíos realmente enriquecem o conhecimento. :o os *uíos sint"ticos, porque o predicado " ad*udicado ao su*eito, !ormando com ele uma síntese.
Como se poderia a!irmar de um su*eito # um predicado H, que no está implicado na prpria id"ia do su*eito< Bo *uío todos os corpos so pesados/ no podemos extrair o
conceito de peso do conceito de corpo. D possí$el que no ha*a nenhum corpo que no tenha mesmo peso. %as o corpo " um ob*eto de tr&s dimens;es, e como poderia, desse conceito, tirar o de peso< Este conceito " a*untado ao de corpo. 4emos, pois, um *uío sint"tico.
%as, como há *uíos sint"ticos, cu*o acrescentamento " dado pela experi&ncia, há aqueles em que a síntese no " realiada totalmente a posteriori, como " o caso dos primeiros, que " de ordem empírica, mas de outra ordem, antecedendo a experi&ncia, a priori.
4emos, assim, *uíos sint"ticos a posteriori e *uíos sint"ticos a priori. +e$e-se compreender que a prioridade " lgica e no uma anterioridade psicolgica. Bada impede, portanto, que a experi&ncia se*a, psicologicamente, antecedente ao nosso saber sobre o que
conhecemos a priori, como o n>mero e as leis do n>mero.
:o esses *uíos possí$eis e necessários à !ísica pura, às matemáticas e à meta!ísica. 3ra, na Est"tica 4ranscendental, di Kant que tais *uíos s so possí$eis pelas intui2;es do tempo e do espa2o, e a seguir a!irma que no " legítimo o *uío sint"tico a priori que no se !unde numa intui2o, e exempli!ica com o argumento ontolgico da
exist&ncia de +eus.
Kant a!irma que tais *uíos s so legítimos (possí$eis) quando !undados numa intui2o e sem ela no t&m $alor.
D !lagrante a contradi2o de Kant. Je*amos6 como so possí$eis os *uíos sint"ticos a priori< Ele responde6 pelas intui2;es, o espa2o e o tempo.
Besse caso, no se estendem al"m dos sentidos.
Portanto, no tem $alor seno quando relati$os às coisas que pertencem à experi&ncia.
Consequentemente6 so sem $alor. 3s *uíos sint"ticos a priori, sem a intui2o, no tem $alor. %as, com a intui2o, assim apenas *uíos sint"ticos a posteriori.
%as s pode ser sem $alor um *uío possí$el, um *uío pensado, pois s no pensado pode ha$er erro.
# intui2o no " necessária à !orma2o de tais *uíos, porque na $erdade ns os construímos sobre ob*etos transcendentais e independentes do tempo e do espa2o. # a!irma2o de uma causa primeira de todas as coisas escapa à intui2o, e no corresponde a nenhuma intui2o. 3ra, que tal *uío " possí$el, " e$idente porque podemos !ormula-lo. @esta, portanto, saber da sua legitimidade, ou se*a se tem um ob*eto real. Kant o nega, porque no se !undam numa intui2o do tempo e do espa2o.
Bo so as intui2;es do tempo e do espa2o para Kant puramente sub*eti$as. E como poderiam elas o!erecer ob*eti$idade a um *uío< E como a sua aus&ncia poderia negar
ob*eti$idade ao mesmo<
# contradi2o " indiscutí$el.
# intui2o pura, que Kant considera representar um grande papel nos *uíos sint"ticos a priori, termina por no representar nenhum papel importante6
a)no " necessária à possibilidade de tais *uíos8
b)no lhes dá nenhum caráter de legitimidade, pois a intui2o " !ruto apenas da imagina2o.
@esta-nos saber como so possí$eis os *uíos sint"ticos a priori, e qual a sua legitimidade. Kant responde pela nega2o.
Fue !aemos *uíos sint"ticos a priori " inegá$el, e se so eles ilegítimos, " ilegítimo, portanto toda a nossa ci&ncia, todo nosso saber.
# experi&ncia, como a entende Kant, em sentido to restrito, s nos dá sensa2;es, no a realidade. +á-nos os e!eitos e no as causas.
Kant di que tais *uíos so legítimos quando necessários à experi&ncia. %as como sab&-lo se a origem deles " du$idosa< +o mesmo modo que se conclui pela legitimidade !undada na experi&ncia, poder-se-ia concluir que a experi&ncia no " legítima, porque ela se apoia sobre *uíos de $alor contestado.
Kant caiu no cepticismo e dele no se liberta por mais es!or2os que !a2a. Como pode assegurar que a experi&ncia " bastante para legitimar o *uío sint"tico a priori< # aplica2o destes à experi&ncia dá-lhes $alor, mas por que< Porque os que se aplicam à experi&ncia $alem mais que os que no se aplicam a ela, como os que ele chama de transcendentais<
:e s so $álidas as a!irma2;es da rao (*uíos sint"ticos a priori), quando !undados na experi&ncia, porque no se exige o mesmo para os analíticos< 3 princípio de identidade
no " to $álido à naturea da rao como o de causalidade e outros axiomas que surgem no so !iloso!ar<
+i-nos ele que, no *uío analítico, a contradi2o no " $álida, mas pode ser $álida no *uío sint"tico. %as quem pode negar que a contradi2o de um *uío sint"tico a priori implica uma absurdidade< :e no se aceita o contraditrio por que se $ai aceitar o absurdo< Je*amos este *uío da !iloso!ia concreta6 todo ser que no tem uma rao de ser em si mesmo " um ser dependente. Contradi2o6 todo ser que no tem uma rao de ser em si mesmo no " um ser dependente. 4al ser, ento, no penderia de outro, mas de si mesmo. :e pende de si mesmo tem sua rao de ser em si mesmo. 3 segundo *uío " absurdo e !also. E que demonstra isso<
Im exame simples nos mostra a $alide incontestá$el de nosso m"todo6 num *uío analítico, a!irma-se apenas a identidade de uma concep2o sub*eti$a consigo mesma, e, num sint"tico, uma rela2o entre dois termos. 3 *uío analítico tem um $alor puramente lgico, enquanto o *uío sint"tico pretende possuir um $alor ob*eti$o meta!ísico, " o que a!irma Kant.
%as aqui está o erro de Kant. 3s *uíos analíticos no so puras a!irma2;es lgicas. 4odos eles pressup;em uma a!irma2o meta!ísica, um *uío sint"tico a priori. :e esse *uío no " expresso, ", no entanto, subentendido.
@ealmente todo *uío analítico pressup;e o princípio de contradi2o, está certo.
%as o princípio de contradi2o pressup;e outros, antecedentemente, como o mostramos em iloso!ia Concreta.
Fuando digo que um ser " possí$el, acrescento ao ser a conting&ncia. Eis aí um *uío sint"tico a priori.
Fuando digo que certamente um ser existe, acrescento-lhe a realidade do pleno exercício de seu ser. Eis outro *uío sint"tico a priori.
Fuando digo que um ser " o que ele ", tanto !alo de seres no pleno exercício de si mesmos, como meramente possí$eis. 'á aí duas a!irma2;es que so *uíos sint"ticos a priori (que há seres no pleno exercício de si mesmos e há seres possí$eis). # possibilidade ou a exist&ncia no esto inclusas no conceito de ser. J&-se que o princípio de contradi2o inclui, assim, dois *uíos sint"ticos a priori6 esses que acima citamos. E tamb"m quando diemos que uma coisa " ela mesma, diemos que ela o " no mesmo tempo e sob o mesmo
aspecto. Portanto, a a!irma2o do tempo e das rela2;es possí$eis *á esto inclusas no princípio de contradi2o. E mais ainda6 esse princípio tem de ser considerado eterno (imutá$el), e tamb"m necessário. E a!irmar a eternidade e a necessidade " construir *uíos sint"ticos a priori.
Kant a!irmou que so $álidos os *uíos analíticos, e pôs em d>$ida a legitimidade dos sint"ticos. %as esse so insepará$eis daqueles. # pergunta de Kant " a seguinte6 como so possí$eis, como so legítimos os *uíos sint"ticos a priori<
# resposta que se lhes dá " esta6 com a mesma legitimidade dos *uíos analíticos, porque estes pressup;es *uíos sint"ticos a priori.
. . .
Examinemos o *uío6 todo ser contingente tem uma causa. Fue se entende por ser contingente< 3 ser que pode ser e pode no ser, aquele que no em si mesmo suas ra;es de ser, aquele cu*a no exist&ncia no implica contradi2;es, e que s pode existir como conseq=&ncia de outro.
:e se enunciar o princípio de causalidade da seguinte maneira6 4odo contingente (ou se*a todo ser cu*a exist&ncia " condicionada de !ora) tem uma causa (ou se*a, está submetido a uma condi2o exterior), o *uío " tautolgico, e seria assim meramente analítico. Kant diia6/ Fuando uma coisa " admitida como contingente " uma proposi2o analítica dier que tem uma causa/.
@ealmente " assim. %ar"chal responde6 %as que uso !aer de uma proposi2o analítica desse g&nero< Benhum8 pois como poderei saber, de um ob*eto qualquer, se sua exist&ncia está condicionada de !ora/< 6# experi&ncia de um ob*eto me mostrará sua causa empírica, os antecedentes que o determinam no tempo. %as se se trata de uma causa meta!ísica, terei de considerar o ob*eto empírico em si mesmo, e nunca a pura análise !ará sair, do conceito desse ob*eto, a nota metempírica de conting&ncia/ ou de depend&ncia causal/. Contudo, considerando tal ou tal ob*eto, posso ao menos conceber/ que no tenha existido. :ua exist&ncia no " necessária. Ela " contingente.
Esse raciocínio parecerá sem d>$ida um pouco rápido. +e poder eu conceber a exist&ncia de um ob*eto, no se segue, de maneira alguma, obser$a Kant, que essa no-exist&ncia se*a possí$el na ordem real. # aparente possibilidade lgica no permite concluir imediatamente a possibilidade !ísica6 eu concebo/ no se tradu analiticamente por isto
"/, nem tampouco eu no concebo/ no se tradu analiticamente por isto no "/. %as, prosseguir-se-á, este ob*eto/ muda8 pode, pois, ser e no ser/, eu o $eri!ico. :em d>$ida, $eri!ica-se neste ob*eto uma sucesso de modalidades6 mas $eri!ica-se imediatamente a desapari2o ou a altera2o de seu princípio substancial<... Jamos mais longe6 suponhamos que se $eri!ica sucessi$amente a exist&ncia e a no-exist&ncia do ob*eto ontolgico/, poder-se-ia, por simples análise, extrair do conceito possibilidade sucessi$a de exist&ncia e de no-exist&ncia/ esse outro contra conceito6 conting&ncia, depend&ncia de uma causa/< sendo dado esses dois conceitos, pretender-se-á, no somente que um se*a con$ocado pelo outro (o que no " contestado), mas que se*a incluso no outro, de maneira que um no representa seno um aspecto parcial do outro</
Em suma, conclui %ar"chal, os dados conceptuais, diretamente !ornecidos pela experi&ncia no cont&m nem a nota6 conting&ncia, nem a nota6 depend&ncia de uma causa. :e se lhes atribui, contudo, irresisti$elmente, essas duas notas, no o pode ser seno em $irtude uma síntese a priori/.
Nol! queria reduir toda certea a priori ao tipo analítico. E muitos *ulgaram que esse será o proceder da escolástica. atalmente essa atitude teria de pre*udicar o bom nome da %eta!ísica, como aconteceu. 'ume, por sua $e, combatendo essa atitude dos dogmáticos, caiu no excesso contrário, e no compreendeu de$idamente o sentido do a priori dessa síntese. 3 abismo entre ambas posi2;es era !ruto de um abstratismo $icioso e de um desconhecimento exato do que *á ha$ia sido !eito na !iloso!ia.
3 problema continua de p". # pergunta da Crítica da @ao Pura permanece6 como so possí$eis os *uíos sint"ticos a priori< Husquemos outros caminhos.
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Bo se trata apenas de mostrar os erros da posi2o de Kant, mas demonstrar porque o conhecimento racional come2a pela síntese, e qual o nexo de necessidade e legitimidade que possui. Este nexo no " a intui2o sensí$el, nem a intui2o ideal da imagina2o, mas sim uma intui2o da consci&ncia, na qual se dá sinteticamente a ati$idade que expressamos, e o ob*eto sobre o qual tende esta ati$idade (intencionalidade). 3 ob*eto " o possí$el. #lguma coisa há " um *uío sint"tico. Ba iloso!ia Concreta este *uío " simultaneamente um *uío de experi&ncia e sint"tico porque o ha$er implica o possí$el, o poder ser e, tamb"m, o ser. :e !ormularmos o *uío há alguma coisa possí$el, nele $emos a a!irma2o