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Economia Brasileira - Werner Baer

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Academic year: 2021

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(1)

WERNER BAER

A ECONOMIA

BRASILEIRA

Uma breve análise

desde o período colonial

até a década de 1970

Uma abordagem profunda

da economia brasileira

até 2002

Os vários planos

econômicos a partir

da década de 1970

Texto bem documentado, com

informações quantitativas

e institucionais

Tradução de

Edite Sciulli

2

-

edição

(2)

Para

Marianne e Peter Kilby

Pia e D avid Maybury-Lewis

June e Jerry McDonald

Heloisa e Annibal Villela

(3)

Sumário

Tabelas... 1

Gráficos e figuras... 2

Prefácio à segunda edição brasileira...2

Parte I: Perspectiva histórica

1. Introdução e aspectos gerais

...2

Cenário físico e demográfico... 2

Recursos naturais...

Z

A população...2'

Notas ...3

2. Perspectiva histórica

...3;

A economia colonial...3;

Organização socioeconômica inicial...

31

O ciclo da cana-de-açúcar... 3^

O ciclo do ouro e o princípio do controle mercantilista...3í Os últimos anos da colônia... 3> O século após a Independência... 3/

O ciclo do café...

Outras exportações... 4C Políticas adotadas no século X IX ... 41

Notas ... 42

3. O início do desenvolvimento industrial

... 45

O período anterior à Primeira Guerra Mundial... 45

A Primeira Guerra M undial...50

A década de 1920... 51

A Grande Depressão... 54

Crescimento industrial durante a Depressão...56

A Segunda Guerra Mundial ...58

Avaliação do início do crescimento industrial brasileiro...59

Primeiras tentativas de planejamento no Brasil...62

(4)

4. 0 impulso de industrialização pós-Segunda Guerra Mundial:

1946-61

...66

0 comércio exterior do Brasil e seu papel na economia... 66

O mercado mundial para as exportações tradicionais do Brasil na década de 1950... 69

Os anos pós-guerra...71

Controles de câmbio: 1946-53 ... 72

O sistema de câmbio múltiplo: 1953-57... 74

Mudanças nos controles cambiais: 1957-61 ... 75

Reforma cambial: 1961-63 ... 77

A Lei dos Similares...78

Planos e programas especiais ...79

Programas de incentivos especiais... 82

Os efeitos das políticas de industrialização...83

Desequilíbrios e gargalos...86

Notas... 88

5.

Estagnação e

boom:

0 Brasil nas décadas de 1960-70

... 91

Dois pontos de vista sobre a estagnação da década de 1960 ... 92

Políticas econômicas desde 1964... 93

Realizações dos governos pós-1964... 95

O setor governamental... 98

Questões que envolvem a experiência de crescimento do período pós-1964... 98

A questão da eqüidade...98

Quem poupa?... 101

Perfis de demanda e produção...102

Outros problemas de distribuição...103

Afastamento da ortodoxia do período pós-1964... 104

Notas ... 105

6. Dos ajustes aos choques externos à crise provocada pela dívida:

1973-85

... 108

O primeiro choque do petróleo: impacto e reação...108

Mudanças políticas ... 109

As políticas do governo G eisel...109

A crescente dívida internacional...110

Em direção à crise provocada pela dívida...114

O desempenho econômico em 1980... 119

Ajustes através da recessão... 120

O macroimpacto do período de ajuste...125

O recorde de crescimento...125

Os indicadores macroeconômicos...125

A estrutura econômica... 126

O efeito de igualdade produzido pelos programas de ajuste 126 O papel do setor público na crise do período de ajuste... 130

(5)

O setor público durante a crise da dívida, 1981-85... 134

Notas ...136

7. 0 ressurgimento da inflação no Brasil: 1974-86

... 139

A natureza da inflação brasileira: dois pontos de vista...140

A tradição ortodoxa...140

Os neo-estruturalistas... 141

Antecedentes gerais da recente inflação brasileira...145

O impacto inflacionário produzido por choques externos...145

O mecanismo propagador da inflação...150

Aspectos monetários do processo inflacionário... 153

O processo inerente ao orçamento autoritário do Brasil...156

Indexação...158

Controlando a inflação pela manipulação de índices...160

Controle de preços... 161

Conclusão...161

Notas ...163

8. Declínio e queda do Cruzado

... 167

Antecedentes... 168

Acontecimentos que conduziram ao Plano Cruzado... 170

O Plano Cruzado... 170

Dificuldades e contradições em ergentes... 172

O impacto alocativo do congelamento de preços...172

Crescimento excessivo... 177

O déficit do setor público... 179

Os meios de pagamento... 181

As contas externas... 184

O colapso do Plano Cruzado... 187

A dívida externa... 190

Avaliação...191

Conclusão...192

Notas ...194

9. A vacilante economia brasileira: estagnação e inflação durante

1987-93 (cm

co-autoria com Cláudio Paiva)... 195

Cenário geral...195

Sarney depois do colapso do Cruzado... 197

Uma visão geral... 197

O Plano Bresser... 198

Do gradualismo aos choques e retrocessos...199

O impacto fiscal produzido pela Constituição de 1988... 201

O período C ollor... 201

(6)

O período Itamar Franco: uma transição...209

Uma revisão estatística dos anos de 1987-1993... 210

A estagflação brasileira, 1987-1993: uma interpretação... 214

O eterno “conflito distributivo” brasileiro... 214

A constante ausência de um ajuste fiscal...215

Notas ... 217

10. A ilusão de estabilidade: a economia brasileira durante o

governo Fernando Henrique Cardoso

fem co-autoria com Edmun Amann,)... 220

O Plano Real... 221

O impacto inicial do R eal...222

A taxa de câmbio torna-se o principal instrumento da política econômica...224

O dilema fiscal não-resolvido...226

Fluxos de capital...233

O desempenho da economia do Real... 234

A crise bancária...236

A crise de 1998-99... 237

Conclusões...239

Notas ... 240

P arte II: Questões contemporâneas

11.0 setor externo: comércio e investimentos estrangeiros

...243

Políticas econômicas internacionais no período I S I ... 243

As políticas “voltadas para o exterior” do período 1964-74 ... 245

Do crescimento sustentado pelo endividamento à crise por ele provocada... 246

A abertura da economia na década de 1990 ... 247

Resumo estatístico da posição internacional do Brasil... 247

As ligações do Brasil com o mundo externo... 249

Comércio...249

Políticas comerciais das décadas de 1980 e 1990... 252

A procura por fontes de energia e matérias-primas... 253

A dívida externa...253

Complementaridade

versus

competitividade nas relações do Brasil com o mundo industrializado... 255

Investimentos estrangeiros no Brasil: seus benefícios e custos...256

Perspectiva histórica...256

O período de 1950-86... 257

Os benefícios e custos das multinacionais: algumas considerações gerais... 264

(7)

Custos ...265

O impacto no balanço de pagam entos... 266

Tecnologia inadequada...266

Desnacionalização...267

Distorções de consumo...267

Influência política... 268

Um breve levantamento das provas empíricas... 268

Lucros ...268

Tecnologia... 272

Considerações sobre a eqüidade... 274

Desnacionalização... 274

Políticas governamentais e o comportamento das multinacionais no Brasil... 275

Controle de remessas...275

O Sistema BNDES... 275

Empresas estatais... 276

Controles de mercado... 276

A era do neoliberalismo: a década de 1990... 276

Um quadro estatístico do IED no Brasil...278

O impacto dos investimentos estrangeiros na década de 1990... 280

Conclusões...281

Notas ...283

12.0 ampliado setor público brasileiro: seu papel em processo

de mudança e a privatização

... 288

Estágios no crescimento do envolvimento do Estado na econom ia...289

A era pré-1930... 289

A década de 1930... 290

A década de 1940: a Segunda Guerra Mundial e o período inicial do pós-guerra...292

A década de 1950... 293

A década de 1960... 295

As décadas de 1970 e 1980 ... 295

O grau de controle do Estado sobre a economia...297

Im postos... 298

Regulamentação direta...299

O controle do governo sobre a poupança e sua distribuição... 299

O Estado como produtor...301

A decadência das empresas públicas... 303

A privatização como solução diante da falência do Estado... 305

As privatizações na década de 1990 ... 306

(8)

C onclusão...313

Notas ... 314

13.0 sistema bancário: privatização e reestruturação

('em co-autoria com Nader Nazmi^...318

Introdução...318

Uma breve perspectiva histórica...319

O comportamento dos bancos durante os períodos de elevada inflação... 321

Estabilidade e mudança institucional... 324

A reestruturação do setor bancário...328

Im plicações...335

Notas ... 338

14. Desequilíbrios regionais

... 340

0 grau de desigualdade regional...340

A dinâmica das desigualdades regionais... 348

A migração populacional interna...349

A interação entre o Nordeste e o Centro-Sul... 351

A transferência de recursos através do mecanismo fiscal...356

Políticas regionais...357

A dimensão regional dos problemas setoriais...359

As tendências regionais da década de 1980: o Nordeste

versus

o Brasil... 360

O Nordeste em uma economia cada vez mais aberta...363

Impacto regional negativo...363

Possíveis tendências positivas... 366

A fraqueza estrutural da economia do N ordeste...366

O mercado, o Estado e a igualdade regional...368

Conclusão...369

Notas ...371

15.0 desempenho da agricultura

...373

I O crescimento da produção agrícola desde a Segunda Guerra M undial... 374

Mudanças nos métodos de produção...377

\

Padrões regionais... 381

Fontes de crescimento agrícola... 382

Distribuição de terras... 384

\ Pobreza rural... 387

Políticas agrícolas... 387

A agricultura brasileira na década de 1990 ... 391

j Reformas nas políticas no final da década de 1980 e na de 1990 .... 393

1

Novo modelo na década de 1990... 393

O emprego na agricultura... 395

(9)

/

lójkspectos ambientais do desenvolvimento do Brasil

('em co-autoria com Charles C. Mueller^... 399

(

A expansão econômica e o meio ambiente sob \ uma perspectiva histórica... 400

A industrialização, o crescimento urbano e o meio am biente... 402

Poluição industrial...404

Poluição urbana... 409

J

A pobreza urbana e o meio ambiente...410

j

Visão sumária da degradação do meio ambiente oriunda da pobreza urbana...411

O crescimento agrícola e o meio am biente... 415

Impactos ambientais provocados pela expansão horizontal... 415

Impactos ambientais provocados pela modernização agrícola 415 A estratégia amazônica e o meio am biente... 419

O impacto ambiental da Amazônia...419

O recente impacto exercido pelas operações de corte de m adeira...421

A extensão do desmatamento na Amazônia...422

As políticas ambientais criadas no Brasil...424

A evolução das bases legais e institucionais...424

Políticas para reduzir a poluição urbano-industrial... 426

Políticas conservacionistas...427

Conclusão... 430

Notas ... 430

17. Saúde no processo de desenvolvimento do Brasil

(em co-autoria com Antonio Campino e Tiago Cavalcanti^...435

Informações sobre saú d e... 436

Saúde e serviço de saúde no Brasil antes de meados da década de 1980...439

A Constituição de 1988 e seu impacto sobre o sistema de distribuição de saúde no Brasil... 443

Contribuições do setor público e do setor privado para o serviço de saúde do Brasil...445

A distribuição da atenção de saúde... 445

Condição da saúde no Brasil...447

Demanda por serviços de saúde... 447

Gastos com saúde... 447

Financiamento do serviço de saúde... 448

Conclusão...449

Notas... 450

18. Mudanças estruturais na economia industrial do Brasil

,

(10)

A história industrial do Brasil no período pós-Segunda

Guerra Mundial... 454

Mudanças estruturais: 1959-1998 ... 458

Estrutura produtiva... 458

A estrutura de demanda final...458

Tecnologia de produção... 461

Encadeamentos regressivos e progressivos...464

Conclusões gerais...467

Notas ...469

19. Epílogo: a economia brasileira de 1999 a 2002

... 471

A crise de 2001... 474 A crise energética...474 A deterioração do crescimento em 2001 ... ... 475 A crise de 2002 ... 476 Notas ...477 Apêndice estatístico...479 Bibliografia... 491 índice remissivo... 505

(11)

Tabelas

3.1 3.2 3.3 3.4 3.5 3.6 3.7 3.8 3.9 4.1 4.2 4.3 4.4 4.5 4.6 4.7 4.8

Produção da indústria têxtil algodoeira, 5.1 1853-1945 46 Indicadores do produto real, 1911-19 47 5.2 índice de produção industrial,1920-39 48 5.3 Indicadores de formação de capital,

1901-45 49

6.1

Estabelecimentos industriais segundo a

data de fundação, 1920 51

índice de mudanças no volume de

importações brasileiras 54

Importação de maquinário 1913-30 55 Mudanças na estrutura de importações

do Brasil, 1901-29 56

A estrutura industrial brasileira em

1919 e 1939 60

Distribuição de exportações e importações 67 A participação das exportações agrícolas na receita interna e na produção agrícola total,

1947-60

68

Mudanças na estrutura do comércio

mundial, 1913-61 69

Importações, exportações e produção real, 1944-50 72 Mudanças na composição setorial do

Produto Interno Bruto, 1939-66 84 Mudanças na estrutura brasileira de

mercadorias de importação

As importações como uma percentagem do total de suprimentos, 1949-66

86

Mudanças na estrutura industrial brasileira:

A formação do capital bruto e os impostos como percentagem do PIB, 1949-77 97 Variações na distribuição de renda, 1960-70 99 Salários mínimos reais em cruzeiros, valor

de 1965, 1966-76

100

Razão importação/produção doméstica,

1973-81

111

6.2

6.3 6.4 6.5

6.6

6.7

6.8

6.9 6.10

6.11

A dívida externa brasileira: seu crescimento

e custo médio, 1968-86 113

O comércio exterior e os índices das relações

de troca, 1966-85 115

A taxa de câmbio real, 1973-82 Relações de troca do setor agrícola, 1970-86

119

120 Os parâmetros da dívida externa brasileira, 1965-86 122 O comércio de bens e serviços (% do PIB

em preços correntes) 125

Remuneração selecionada e estatísticas salariais 127-29 Distribuição de renda no Brasil, 1970-80 130

131 Estatísticas de distribuição de renda e fabricação, 1980-84

Estatísticas sobre receita, gastos e produção do governo e

empresas estatais, 1970-80

85 6.12 Ajustes do setor público, 1980-85 (% do PIB) 132 135 7.1 7.2 Indicadores-chave de preços, 1970-85 146-47 Estatísticas de preços selecionados,

(12)

7.3 7.4 7.5 7.6 7.7 8.1

8.2

8.3 8.4 8.5

8.6

8.7 9.1 9.2 9.3 9.4 9.5 9.6 9.7 9.8 9.9 EstlUísticas de indicadores de conl|ntração, 1973-83 152

Taxll nominal de crescimento da moeda

e diDprédito, 1971-87 154

Fin Prir

que nfluenciam a base monetária, 1973-84 157 Var Var Pro Ind 198 Var de sei Em índ con Cre orç Bra eco est£ MO 9 10.1 10.2 b )r c)l i) íciamento do governo, 1973-85 ipais forças de expansão e retração

e de preços reais dos setores de preços

alados, 1983-86 181

imento dos meios de pagamento e íento governamental, 1986-87 : os formuladores de política >mica e suas estratégias de

lização 1985-93

183

Tax l juros, receitas e gastos públicos 200 Tax | crescimento trimestral, 1988-93 204 Bra : tarifas médias de importação,

198 94 (%)

Pre s e meios de pagamento, 1988-92 A u ização da capacidade industrial, em ío Paulo, 1989-93

Bra : distribuição de renda Salí os reais e emprego, 1980-93 De; mprego e status de trabalhadores emj egados nas regiões metropolitanas do iBra , 1982-91

Tax mensais de inflação, 1986-93 i) 1 cas de inflação anuais, 1990-99

tas de inflação mensais, 1994-99 ;as de câmbio mensais, 1994-99 :volução do PIB do Brasil, 1985-99

206 207 211 212 212 213 214 223 223 224 225

b) Brasil: índices de crescimento setorial do PIB

10.3 Brasil — Relação de formação de capital/PIB

155 10.4 a) Itens do balanço de pagamentos, 1985-99

pões de preços, 1973-84 162 pões mensais de preços, 1986-87 173 jção e capacidade industrial, 1984-87 174 adores econômicos externos mensais,

e 1987 175

pões de preços de atacado, de janeiro '80 a fevereiro de 1986: produtos lonados 176 ■ego, desemprego e salários, 1986-87 178

b) Fluxos de capital, dívida e reservas, 1985-99

10.5 a) Saldos da conta do setor público, 1990-99

b) Itens selecionados do orçamento: governo federal

c) Itens selecionados do orçamento: governos estaduais e municipais, 1998 d) Evolução do endividamento do setor público, 1990-99

e) Cronologia dos principais eventos e reformas econômicas, 1994-99 227 227 228 229 230 230 230 231 234 225

10.6

Gastos selecionados do governo 10.7 Taxas de juros e taxas de câmbio médias

mensais

10.8

Produtividade de mão-de-obra no setor da indústria de transformação 235 196

11.1

A estrutura das mercadorias de exportação

e importação, 1948/50-96 250

Distribuição geográfica das exportações e

importações, 1945-98 251

A dívida externa brasileira 254

11.2 235 11.3 11.4 11.5 11.6 11.7

Distribuição setorial dos investimentos dos Estados Unidos no Brasil, 1929-98 258 Distribuição setorial do total de

investimentos estrangeiros e

taxas de crescimento setorial, 1976-91 259 A origem do capital estrangeiro no Brasil, 1951-95 259 a) Participação de empresas nacionais, estrangeiras e estatais no faturamento

total, 1992 260

b) Participação de empresas nacionais, estrangeiras e estatais no faturamento

total, 1998 261

11.8

Participação de empresas nacionais, estrangeiras e estatais nos ativos,

(13)

11.9 Investimentos, fluxos e rendimentos do capital estrangeiro no Brasil, 1967-92 269 11.10 Desempenho comparativo de empresas

nacionais privadas, multinacionais e

estatais no Brasil, 1977-91 270

11.11

Balanço comercial das firmas por setor 1975-77 271 11.12 Dívidas de empresas nacionais,

multinacionais e estatais, 1977-85 273 12.1 Taxa real do crescimento do PIB

e coeficientes de investimento/PIB,

1973-92 296 12.2 Gastos gerais do governo por categorias

principais como percentagem do PIB 298 12.3 Distribuição do PIB por setores de

controle acionário, 1970-83 302 12.4 Produção física de empresas públicas por

unidade do PIB, 1979 304

12.5 Privatizações na década de 1990

bancário

309

12.6

Distribuição das

100

maiores empresas e suas receitas por tipo de controle

acionário 311 13.1 Brasil: total de bancos comerciais 321 13.2 Brasil: total de bancos privados e filiais 322 13.3 Ganhos dos bancos brasileiros com a

inflação 323 13.4 Participação das instituições financeiras

no PIB 324

13.5 Intervenção do Banco Central no sistema 329

14.3 Distribuição setorial de renda das principais

macrorregiões, 1949-95

344

14.4 Distribuição setorial da força de trabalho

por região, 1940-98

345

14.5 Participação regional no PIB total e no total da População Economicamente

Ativa, 1950-95

347

14.6 Taxas nacionais e regionais da migração interna líquida, expressas como percentagem da população nos

primeiros censos, 1890-1970

350

14.7 a) Comércio exterior do Nordeste e

distribuição regional de exportações e

importações, 1947-60

352

b) Distribuição percentual regional de exportações e importações, 1947-60 352 14.8 Valor do comércio do Nordeste com o

Centro-Sul, 1948-59

353

14.9 Transferência estimada de recursos do Nordeste para o Centro-Sul através do

comércio, 1948-68

354

14.10 Perdas do Nordeste causadas pelo sistema

cambial, 1955-60 355

14.11 Carga fiscal e várias transferências ao

Nordeste, 1947-74 356

14.12 Taxas reais de crescimento do PIB, nacionais e do Nordeste, e taxa de crescimento anual de investimento,

1980-86 361 14.13 Investimentos do setor público e

crescimento do emprego, 1980-83 14.14 O impacto de uma redução geral de

tarifas de 25%

362

364 13.6 Os

8

maiores bancos (em termos de

tamanho de ativo) da América Latina 330 13.7 A evolução do sistema bancário no Brasil:

1995-98 331 13.8 População e filiais de bancos 332 13.9 Aquisições bancárias março 1997 -

setembro 1998 334

13.10 Crédito concedido pelo sistema financeiro 337 14.1 População regional e estatísticas de

renda 341-42

14.15 a) Participação regional nas receitas do

governo central 365

b) Participação regional nos gastos do

governo central 365

14.16 Faturamento, custo e estrutura de

consumo 367 14.17 Distribuição regional dos efeitos

multiplicadores de uma injeção inicial:

Brasil, 1985 367

15.1 Estatísticas agrícolas selecionadas,

(14)

15. 15.] 15. 15.6 15.; 15.É 16. Bras das “trai Inst

| Pro utividade agrícola, 1947-96 : variações de área e de produção rincipais culturas “modernas” e icionais”, 1970-1989 e 1985-1995/6 384 nos agrícolas, 1960-85

Cias ificação por tamanho das propriedades rura por quantidade de estabelecimentos e ár< i total, 1950-85 386 a) C cult b)P exp] poss a) B agrí.

stribuição de estabelecimentos e área

ada: 1970 e 1995 392

rcentagem de estabelecimentos e áreas radas por proprietários, meeiros, iros e administradores, 1970 e 1995

b) I) dices de produtividade das principais safn

Con bras

16.á| Mu< inças na estrutura industrial brasileira:

16.: 16. 16J 16 16. 16.d 16.< 16. 17. 17.

17.J

17, 17. dist] brut Cap indi pop da t Reg met urb: Met Bra: Are; met A R Uni 199(

Exp

Moi Ind Infr Gas

383 17.6 Principais causas da mortalidade 441

385-86

isil: índices de produtividade )la, 1987-98

;, 1986-98

entração espacial da indústria eira, 1980

buição percentual do valor agregado

cidade poluidora potencial das trias brasileiras, 1980 392 394 394 403 i: 404 405 As r >ve regiões metropolitanas do Brasil:

lação total e estimativas da população

ixa renda: 1989 412

3es metropolitanas do Brasil: algumas das de acessibilidade à infra-estrutura

ia

Floi :stas brasileiras não-amazônicas das de modernização agrícola no

desmatadas na Amazônia legal - a anual, 1978

gião Amazônica brasileira ades de conservação ambiental,

:ctativa de vida ao nascer alidade infantil :adores de saúde -estrutura sanitária 413 416 418 421 423 429 437 437 438 438 >s públicos com saúde como % do PIB 440

17.7 Distribuição dos estabelecimentos públicos

e privados no Brasil 442

17.8 Distribuição de planos de saúde 17.9 Distribuição do acesso aos serviços

hospitalares

18.1 Dados de corte transversal de Kuznets: participação de setores de produção no PIB

18.2 Distribuição setorial do PIB

18.3 Distribuição setorial do PIB segundo Kuznets

18.4 Distribuição setorial de mão-de-obra 18.5 Mudanças na estrutura industrial do Brasil,

1949-92: valor bruto agregado 18.6 Mudanças na estrutura de emprego

industrial no Brasil

18.7 Dados de corte transversal de Kuznets: participação no valor agregado da produção

18.8 Estrutura do valor agregado 18.9 Estrutura de consumo pessoal de

bens produzidos internamente 18.10 Participação do consumo pessoal na

produção total

18.11 Participação das exportações na produção total

18.12 Participação dos salários e da Previdência Social na produção total

18.13 Participação dos salários e da Previdência Social no valor agregado

18.14 Capacidade instalada

18.15 Participação de insumos importados na

produção total 466

18.16 índice de encadeamento regressivo 467 18.17 índice de encadeamento progressivo 468 19.1 a) Brasil: desempenho econômico geral,

1999-2001 472 b) Brasil: crescimento industrial 472 19.2 Brasil: indicadores de posição econômica

internacional, 1998-2002 473 446 448 453 453 454 454 455 456 457 459 460 461 462 463 464 465

(15)

15.3 Produtividade agrícola, 1947-96 383 17.6 Principais causas da mortalidade 441 15.4 Brasil: variações de área e de produção

das principais culturas “modernas” e “tradicionais”, 1970-1989 e 1985-1995/6 384 15.5 Insumos agrícolas, 1960-85 385-86 15.6 Classificação por tamanho das propriedades

rurais por quantidade de estabelecimentos

e área total, 1950-85 386

15.7 a) Distribuição de estabelecimentos e área

cultivada: 1970 e 1995 392

b) Percentagem de estabelecimentos e áreas exploradas por proprietários, meeiros, posseiros e administradores, 1970 e 1995 392 15.8 a) Brasil: índices de produtividade

agrícola, 1987-98 394

b) índices de produtividade das principais

safras, 1986-98 394

16.1 Concentração espacial da indústria

brasileira, 1980 403

16.2 Mudanças na estrutura industrial brasileira: distribuição percentual do valor agregado bruto 404 16.3 Capacidade poluidora potencial das

indústrias brasileiras, 1980 405 16.4 As nove regiões metropolitanas do Brasil:

população total e estimativas da população

da baixa renda: 1989 412

16.5 Regiões metropolitanas do Brasil: algumas medidas de acessibilidade à infra-estrutura urbana 413 16.6 Florestas brasileiras não-amazônicas 416 16.7 Medidas de modernização agrícola no

Brasil 418 16.8 Áreas desmatadas na Amazônia legal -

média anual, 1978 421

16.9 A Região Amazônica brasileira 423 16.10 Unidades de conservação ambiental,

1990

17.1 Expectativa de vida ao nascer 17.2 Mortalidade infantil 17.3 Indicadores de saúde 17.4 Infra-estrutura sanitária 429 437 437 438 438

17.7 Distribuição dos estabelecimentos públicos

e privados no Brasil 442

17.8 Distribuição de planos de saúde 446 17.9 Distribuição do acesso aos serviços

hospitalares 448 18.1 Dados de corte transversal de Kuznets:

participação de setores de produção

no PIB 453

18.2 Distribuição setorial do PIB 453 18.3 Distribuição setorial do PIB segundo

Kuznets 454 18.4 Distribuição setorial de mão-de-obra 454 18.5 Mudanças na estrutura industrial do Brasil,

1949-92: valor bruto agregado 455 18.6 Mudanças na estrutura de emprego

industrial no Brasil 456

18.7 Dados de corte transversal de Kuznets: participação no valor agregado da

produção 457 18.8 Estrutura do valor agregado 459 18.9 Estrutura de consumo pessoal de

bens produzidos internamente 460 18.10 Participação do consumo pessoal na

produção total 461 18.11 Participação das exportações na produção

total 462 18.12 Participação dos salários e da Previdência

Social na produção total 463 18.13 Participação dos salários e da Previdência

Social no valor agregado 464

18.14 Capacidade instalada 465

18.15 Participação de insumos importados na

produção total 466

18.16 índice de encadeamento regressivo 467 18.17 índice de encadeamento progressivo 468 19.1 a) Brasil: desempenho econômico geral,

1999-2001 472 b) Brasil: crescimento industrial 472 19.2 Brasil: indicadores de posição econômica

(16)

19.3 Brasil: posição fiscal do governo 473 19.4 Brasil: crescimento da capacidade de

energia elétrica, PIB e consumo de energia 475 Al Distribuição setorial do PIB (1950-99) 481 A2 Taxas de crescimento de subsetores

(1971-99) 482-85 A3 Formação de capital fixo bruto, 1950-99 486 A4 Balanço de pagamentos, 1950-99 487-88 A5 Taxa de câmbio, salário mínimo, inflação,

(17)

Gráficos e figuras

Gráfico 1 Entrada de investimento estrangeiro 278

Gráfico 2 Investimento estrangeiro líquido 278

Figura 1 Taxas de inflação anuais: 1989-98 319

Figura 2 Taxas de crescimento do PIB e do consumo no Brasil: 1993-96 325 Figura 3 Mudança percentual no crédito dos bancos privados brasileiros

para o comércio, habitação e particulares 325

Figura 4 Importações, exportações e balança comercial, 1987-97 326

Figura 5 Taxa base mensal: 1995: 1 - 1997: 12 327

Figura 6 Empréstimos vencidos como percentagem do total de empréstimos

no Brasil: 1994-96 328

Figura 7 Participação de bancos privados e estatais, 1996-98 332 Figura 8 Taxa de crescimento do total de ativos, 1994-97 333 Figura 9 Participação do capital estrangeiro nos ativos do setor bancário 334 Figura 10 Eficiência dos principais bancos brasileiros e internacionais 335 Figura 11 Medidas de eficiência: clientes por filial e transações eletrônicas 336

(18)

Prefácio à segunda edição brasileira

E s t a É u m a SEGUNDA EDIÇÃO de

A Efonomia Brasileira

atualizada. Há três capítulos novos e outros foram atualizados. O Capítulo 10 é novo e traz a análise do desempenho da economia brasileira até o ano 2000. Os capítulos 11, sobre o setor externo, e 12, sobre o setor governamental e a privatização, contêm grande quantidade de material novo baseado nos acontecimentos ocorridos na década de 1990. O Capítulo 13, sobre a reestruturação e privatização do sistema bancário brasileiro, é totalmente novo. Os capítulos 14, 15 e 16, sobre desequilíbrios regionais, o setor agrícola e o meio ambiente, foram atualizados com dados e análises de até o final da década de 1990. O Capítulo 17, sobre saúde e economia, é novo. E o Capítulo 18, sobre mudanças estruturais na economia industrial brasileira, contém mais dados recentes.

Os capítulos novos foram escritos com a colaboração de vários colegas. Desejo agrade-cer a Edmund Amann (co-autor do Capítulo 10), Nader Nazmi (co-autor do Capítulo 13), Antonio Campino e Tiago Cavalcanti (co-autores do Capítulo 17).

(19)

Parte I

Perspectiva

histórica

(20)

Introdução e aspectos gerais

O BRASIL PASSOU P O k PROFUNDAS mudanças socioeco- nômicas desde a Grande Depressão da década de 1930, e, principalmente, após a Se-gunda Guerra Mundial. Sua economia, durante séculos voltada para a exportação de uma pequena quantidade de produtos primários, foi dominada por um setor indus-trial amplo e diversificado em um espaço de tempo relativamente curto. Ao mesmo tempo, sua sociedade, predominantemente rural, tornou-se cada vez mais urbanizada.

Essa rápida transformação socioeconômica pode ser exemplificada com alguns nú-meros. Em 1940, apenas 30% da população do país era urbana; em 1970, essa proporção havia aumentado para 56%, e, em 1999, para 78%.1 A contribuição da agricultura para o Produto Interno Bruto (PIB) caiu de 28% em 1947 para cerca de 10% no final da década de 1990 (avaliada em preços atuais), enquanto a da indústria cresceu de quase 20% em 1947 para cerca de 36% no final da década de 1990. Após quatro décadas de intensa industrialização, o Brasil produzia 2 milhões de veículos a motor em 1997, 26 milhões de toneladas de aço em 1997, 39 milhões de toneladas de cimento em 1998, cerca de 7,8 milhões de aparelhos de televisão e 3,7 geladeiras em 1997. Em 1998, possuía mais de 58 mil megawatts de capacidade energética instalada e mais de 60% de suas exportações consistiam em produtos manufaturados. Sua rede de estradas pavimentadas cresceu de 36 mil quilômetros em 1960 para cerca de 150 mil quilômetros em 1999

.2

Embora a agricultura não fosse o setor líder nesses anos, seu crescimento foi conside-rável. A área cultivada do país ampliou-se de 6?6 milhões de hectares em 1920 para 52,1 milhões em 1985, caindo para 41,7 milhões em 1995,3 enquanto as terras dedicadas ao plantio de pastagens aumentaram de 74,1 milhões de hectares em 1985 para 99,6 mi-lhões em 1995. O_país_tornou-se o maior produtor de açúcar e exportador de suco de laranja e o segundo maior exportador de soja, depois dos Estados Unidos.

Essas realizações, entretanto, não transformaram o Brasil em uma sociedade indus-trial avançada, pois, em termos de prosperidade de seus cidadãos médios, ele conti-nuou sendo um país menos desenvolvido. Embora em 1998 a renda per capita tenha sido de US$ 4.570, esse número não é um bom indicador de bem-estar geral, visto que

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a distribuição de renda se mostrou altamente concentrada entre determinados grupos d e renda e regiões do país. Em 1998, 10% da população recebeu 46% da renda nacio-nal, enquanto os 50% pertencentes aos grupos de renda mais baixa receberam apenas 14% da renda nacional. A renda per capita variou regionalmente a tal ponto que em m uitos estados do Nordeste representou menos da metade da média nacional, enquan-to em regiões mais avançadas ela superou a média nacional em mais de 50%.4

Em 1998, 80% das residências tinham acesso a sistemas de fornecimento de água, 36% estavam conectadas a um sistema geral de esgotos, 65,6% dispunham de serviços de coleta regular de lixo, 94% tinham eletricidade, 74,6% tinham uma geladeira, 81% possuíam um aparelho de televisão e apenas 32% possuíam telefone. ^ Em 1984-89, a relação habitante-médico era de 1:1.120, passando a 1:746 em 1995, comparada a 1:408 nos Estados Unidos e 1:334 na Suécia; a relação enfermeira-habitante era de 1:2.439 em 1995, comparada a 114 nos Estados Unidos e 95 na Suécia. A taxa de mortalidade in-fantil era de 65 em cada 1.000 crianças em 1990, caindo para 34 em 1997, comparada a 7 nos Estados Unidos e 4 na Suécia.

Esses indicadores sociais descrevem apenas médias nacionais e, em muitas regiões do país, a população vivia em condições muito piores do que elas indicam. No início da década de 1990, por exemplo, no Nordeste do Brasil apenas 48% das residências urba-nas tinham acesso a sistemas gerais de abastecimento de água, comparadas a mais de 85% no Sudeste; apenas 16% das residências estavam ligadas a um sistema geral de esgotos, comparadas a 70% no Sudeste. A expectativa de vida ao nascer era de 88,1 no Sudeste, comparada a 60,7 no Nordeste, e a taxa de mortalidade infantil atingia 26,8% no Sudeste, comparada a 63,1 no Nordeste.6

Os responsáveis pela política econômica tinham esperança de que, além de contri-buir para o crescimento e desenvolvimento geral do Brasil, a industrialização diminuiria substancialmente a dependência econômica do país em relação aos tradicionais centros industriais do mundo. A divisão internacional do trabalho originada no século XIX con-feriu ao Brasil e à maioria dos países do Terceiro Mundo o papel de fornecedores de produtos primários. Assim, sua taxa de atividade econômica dependia em grande parte do desempenho dos centros industrializados do mundo. Esperava-se que a industriali-zação - visando à substituição de importações - resultasse em maior independência para o país, quando, na verdade, modificou somente a natureza de sua dependência. O coefi-ciente de importação (o indicador de importação/PIB) não sofreu uma queda acentuada, enquanto a composição de mercadorias de importação mudou e, no que diz respeito à atividade econômica, ocasionou uma dependência do país em relação ao comércio exterior no mínimo tão grande quanto antes. Além disso, como a industrialização foi atingida por investimento estrangeiro maciço nos setores mais dinâmicos da indústria, a influência estrangeira no desenvolvimento e no uso de meios de produção aumentou substancialmente.

O modelo brasileiro de industrialização baseou-se na ideologia das economias de mer-cado, isto é, na maioria dos governos durante o período em que a industrialização era estimulada. Enfatizou-se o respeito pela propriedade privada e a confiança nos em-preendimentos privados domésticos e estrangeiros. O Estado, entretanto, envolveu-se diretamente em atividades econômicas com maior intensidade do que foi planejado ori-ginalmente pelos responsáveis pela política econômica do país. Isso ocorreu devido às

(22)

limitações financeiras, ao atraso técnico do setor privado doméstico, à relutância do capi-tal estrangeiro em penetrar em certos campos de atividade e à resistência dos governos em permitir a entrada do capital estrangeiro em alguns setores.

Este livro examinará a evolução histórica da economia brasileira, concentrando-se principalmente no seu processo de industrialização no século XX, nos métodos usados para atingi-la, no impacto que produziu sobre o ambiente socioeconômico e nos ajustes das instituições socioeconômicas às mudanças estruturais ocorridas na economia. Esses fatos nos conduzirão ao estudo do tipo de sistema econômico surgido nesse processo, isto é, a combinação de capitalismo privado e estatal, em que algumas das caracterís-ticas são diferentes das de economias mistas da Europa ocidental. Finalmente, plane-jamos examinar alguns aspectos das políticas econômicas e do sistema econômico brasileiro responsáveis pela permanência do subdesenvolvimento em meio ao cres-cimento econômico.

Cenário físico e demográfico

A extensão territorial do Brasil, de 8,5 milhões de quilômetros quadrados, torna-o o quinto maior país do mundo, ultrapassado somente pela Rússia, Canadá, China e Estados Unidos, ocupando 47% da América do Sul. A maior parte do território é composta de montanhas geologicamente antigas, das quais cerca de 57% se encontram sobre um planalto que varia de 200 a 900 metros de altitude; 40% consistem em planícies com elevação inferior a 200 metros e 3% ultrapassam 900 metros. Ao norte da cidade de Salvador, observa-se um aumento gradual da costa para o interior. Entretan-to, quem se aproximar do Brasil pelo Atlântico, ao longo das costas do Centro e do Sul, terá a impressão de ver um país de montanhas, visto que o planalto montanhoso do Centro-Sul do país desce bruscamente para o Atlântico. Esse declive, semelhante a um muro, chamado de Grande Escarpa, dificultou o acesso ao interior e foi muitas vezes citado como a principal razão para o lento desenvolvimento do planalto da região Centro-Sul, antes do século XX.

Com exceção do Amazonas, a maioria dos principais sistemas fluviais tem suas nas-centes na região Centro-Sul do país, relativamente próximas ao oceano. No entanto, como os rios correm para o interior, não há um núcleo natural de rotas na área mais dinâmica do país, motivo pelo qual o transporte fluvial não desempenhou um papel importante no desenvolvimento do Brasil. O sistema do rio Paraná é alimentado por afluentes que se des-locam em direção ao oeste, para o interior, até atingirem o rio principal, que corre em di-reção ao sul, para a Argentina. O rio São Francisco, cuja nascente fica no sul, segue em direção ao norte, paralelo à costa por mais de 1.600 quilômetros antes de direcionar-se para o leste. A maioria dos sistemas fluviais desce rapidamente à medida que atravessa a Grande Escarpa, impossibilitando a navegação interna para as grandes embarcações. O rio São Francisco, por exemplo, é navegável por cerca de 250 quilômetros para o interior, até pouco antes da Usina de Paulo Afonso. Somente o rio Amazonas é navegável por uma grande distância em direção ao interior, unindo uma região do Brasil esparsamente habi-tada, subdesenvolvida e inexplorada.

(23)

O Brasil é, em grande parte, um país tropical e seus climas apresentam poucos extremos, mas “eles não são, de modo algum, tão monotonamente uniformes, ou tão insuportavelmente quentes e úmidos a ponto de entorpecer o espírito humano. Se parece faltar energia aos brasileiros de determinadas regiões, este fato não pode ser interpretado como resultado inevitável do clima até que outros elementos, como a alimentação e as doenças, tenham sido avaliados”.7

A temperatura média em Santarém, na Amazônia, a poucos graus da linha do Equador, é de 25°C; no seco Nordeste, a mais alta temperatura registrada é de 41°G, porém, mais ao sul, ao longo da costa, a temperatura máxima é muito mais baixa. A média no Rio de Janeiro no mês mais quente é de 26°C. Nas montanhas do interior, as temperaturas são mais baixas do que nas mesmas latitudes na costa; somente nos estados ao sul de São Paulo ocorrem geadas.

As chuvas são adequadas em quase todo o país. Há insuficiência somente no Nordeste, onde há áreas que recebem m enos de 244 milímetros por ano, enquanto a maior parte do N ordeste recebe entre 500 a 630 milímetros. O principal problema da região é a irregularidade das chuvas: as variações entre seu excesso e as secas.8 Áreas muito úmidas, com mais de 2.000 milímetros de precipitação por ano, existem em quatro regiões: nas planícies do interior da Amazônia, na costa de Belém, ao norte, em partes dispersas da Grande Escarpa, e numa pequena região no oeste do estado do Paraná.

Recursos naturais

O Brasil possui muitos e abundantes tipos diferentes de recursos minerais. Tem uma imensa reserva de minério de ferro (em 1990, acreditava-se que as reservas potenciais chegavam a cerca de 36 bilhões de toneladas), manganês (em 1992, cal-culavam-se as reservas em cerca de 136 milhões de toneladas), e outros metais industriais. O país tam bém possui quantidades significativas de bauxita, cobre, chum-bo, zinco, níquel, tungstênio, estanho, urânio, cristais de quartzo, diamantes indus-triais e pedras preciosas.

Até o final da década de 1960, o conhecimento sobre o total das reservas minerais do Brasil ainda era limitado. O uso de técnicas modernas de levantamento topográfico e prospecção (o emprego de satélites, por exemplo) ocasionou descobertas novas e significativas9. Acreditava-se, por exemplo, que a maioria dos depósitos conhecidos de minerais estivesse localizada na cadeia de montanhas que percorre o Brasil central (principalmente no estado de Minas Gerais). Em 1967, entretanto, imensas jazidas de minério de ferro (estimadas em 18 bilhões de toneladas) foram descobertas na serra de Carajás, na Região Amazônica. Também no final da década de 1960, descobriu-se que a Amazônia continha grandes jazidas de bauxita. Calculou-se que reservas de estanho próximas à fronteira da Bolívia eram maiores do que as desse país e, na década de 1970, importantes jazidas de cobre foram encontradas no estado da Bahia.

Houve uma drástica reformulação no consumo das fontes de energia do Brasil, nas décadas posteriores à Segunda Guerra Mundial. Em 1946, 70% do fornecimento de

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energia do país foram extraídos da lenha e do carvão vegetal. Na década de 1990, porém, mais de 66% estavam sendo extraídos do petróleo e de hidrelétricas. In-felizmente, os recursos de combustível do país não se equipararam aos seus recur-sos minerais. Até recentemente, as únicas jazidas de carvão conhecidas estavam localizadas no estado de Santa Catarina, no sul do país, carvão este de má cjuali- dade, que contém grandes quantidades de resíduo mineral e enxofre, e, conse-qüentem ente, não pode ser usado em sua totalidade pela indústria siderúrgica para a produção de carvão coqueificável. Cerca de 65% das necessidades de carvão metalúrgico são atendidas pelas importações. Na década de 1970, foram descobertas algumas novas jazidas de carvão nas profundezas da Região Amazônica, mas ainda não foram totalmente exploradas.

As reservas de petróleo conhecidas no Brasil são inadequadas às suas necessidades. Até o princípio da década de 1970, a maioria das reservas conhecidas estava localizada nos estados da Bahia c Sergipe, mas a produção doméstica dessas fontes atendia so-mente a 20% das necessidades do país em meados da década de 1970. Explorações realizadas ao longo da costa pela Petrobras, empresa pertencente ao governo, resulta-ram em novas descobertas próximas à cidade de Campos, no Rio de Janeiro, em Sergipe e perto da foz do Amazonas. As dimensões dessas descobertas eram conside-ráveis. Em 1984, as reservas de petróleo do Brasil eram de 2 bilhões de barris, 600 milhões dos quais se localizavam em terra firme e o restante na plataforma continental. Em 1998, a produção doméstica de petróleo totalizou 56,6 milhões de metros cúbicos, o que representava 69% do consumo interno.

O potencial hidrelétrico do Brasil é um dos maiores do mundo,

calculado

em 150 mil megawatts. Até o período posterior à Segunda Guerra Mundial, os melhores locais foram considerados afastados demais dos principais centros populacionais em desenvolvimen-to, mas desde a década de 1950 rapidamente o progresso de tais pontos ocorreu com a construção das usinas de Paulo Afonso e Boa Esperança, no Nordeste, Furnas e Ilha Solteira, no Sudeste, e Três Marias, em Minas Gerais. Em meados da década de 1970, deu-se início ao maior projeto hidrelétrico do mundo, Itaipu, na fronteira paraguaia e, em 1983, foram ligadas suas primeiras turbinas. Até a década de 1990, apenas pouco mais de 15% do potencial hidrelétrico do país estava sendo utilizado.

A população

Em 2000, a população do Brasil era calculada em 170 milhões de pessoas, o que o torna a sexta maior nação em número de habitantes. Considerando-se o enorme território do país, sua densidade populacional é relativamente baixa, havendo 19,6 pessoas por quilômetro quadrado, em 1998 (comparada com 13 na Argentina, 49 no México e 36 na Colômbia). Pode-se verificar uma grande oscilação na densidade populacional, variando de 2,6 pessoas por quilômetro quadrado na Região Amazônica a 27,5 habitantes no Nordeste e 127 no estado de São Paulo. Em 1991, 6,8% da população vivia na Região Amazônica, 28,9% no Nordeste, 42,7% no Sudeste, 15,1% no Sul e 6,5% no Centro-Oeste.

(25)

Uma característica notável sobre a distribuição regional da população no Brasil é o grau de concentração dentro de umas poucas centenas de quilômetros da costa marítima. A penetração populacional no interior apenas se tornou significativa no século XX, principalmente no sul. A construção de Brasília (que se tornou a capital federal em 1960) no interior, as estradas que se dirigiam a essa cidade e o elevado índice da atividade de construção de estradas nas décadas de 1960 e 1970 aumentaram substancialmente a migração da população para o interior do país.10

A alta taxa de crescimento populacional (3% ao ano na década de 1950, 2,9% na década de 1960, 2,5% na década de 1970 e 2,0% na década de 1980) deve-se à continuada taxa elevada de nascimentos, combinada com a queda da taxa de morta-lidade, o que fez com que uma grande parcela da população - 39,5% em 1995 (com-parados com 21,5% nos Estados Unidos e 29,4% na Argentina) - se inserisse no grupo etário dependente de 14 anos ou menos. A taxa de alfabetizados de 15 anos ou mais cresceu de 49% em 1950 para 61% em 1970 e 84% em 1995. Esse fato está intima-mente ligado ao recente elevado aumento do número de matrícula nas escolas. Até 1994, as inscrições em escolas do 1- grau do curso fundamental da faixa etária entre 7 e 13 anos representavam 90%; nos cursos médios atingiram 47% da faixa entre 14 e 19 anos e nos cursos superiores representaram 11% da faixa entre 20 e 24 anos.

A elevada parcela da população presente nas faixas etárias mais jovens é respon-sável, em parte, pelo reduzido índice de participação na força de trabalho, que era de 32,9% em 1950, caiu para 31,8% em 1970 e subiu para 65% em 1995.

A composição racial do país é bastante variada. Um especialista na população do Brasil declarou que “há poucos lugares no mundo em que a formação racial é mais confusa e complexa do que no Brasil. Todas as principais variedades do gênero hu -mano, todos os grupos étnicos básicos em que os seres humanos estão divididos — vermelhos, brancos, negros e amarelos — entraram na composição da população deste grande meio-continente”.11 Até o final do século XIX, a população era formada prin-cipalmente por descendentes de portugueses, africanos e ameríndios. Durante o pe-ríodo de colonização, e durante o século XIX, ocorreu uma quantidade considerável de miscigenação que ocasionou a descendência variada de grande parte da população atual. No final do século XIX e na primeira década do século XX, houve intensa imigração da Itália, Portugal, Espanha, Alemanha, Polônia e do Oriente Médio. Esses imigrantes estabeleceram-se principalmente no sudoeste e sudeste do Brasil. Na se-gunda década no século XX chegou ao país um grande número de imigrantes japo-neses que se estabeleceu principalmente nos estados de São Paulo e Paraná. Calcula- se que hoje há mais de 800 mil brasileiros descendentes de japoneses.

A diversidade na formação da população não evitou que o Brasil atingisse um elevado grau de unidade cultural. Com a exceção de um reduzido número de índios instalados nas profundezas da Região Amazônica, todos os brasileiros falam português, com pequenas variações regionais de sotaque (possivelmente menos do que nos Es-tados Unidos). De acordo com um dos principais intérpretes da sociedade brasileira, “existe um sentimento forte e profundo entre os brasileiros de todas as procedências raciais e origens nacionais que os faz formar um ‘povo’ e uma nação. Eles partilham os mesmos ideais, gostos e problemas, um passado comum e o mesmo senso de humor”.12

(26)

Notas

1. A fonte dos dados populacionais é a FIBGE, Censo Demográfico. Rio de Janeiro, FIBGE, 1940, 1950, 1960, 1970, 1980. FIBGE, Anuário Estatístico do Brasil, 1996. Esses dados exageram o grau de urbanização, visto que a definição brasileira da palavra “urbano” , utilizada em recenseam entos, se aplica a toda a população que vive em distritos administrativos, q ue pode consistir em pequenas cidades com população de 500 a 1.000 pessoas ou grandes cidades. Como as atividades do primeiro grupo são, com freqüência, mais rurais do que urbanas, o grau de urbanização do Brasil em 1990 provavelmente é menor do que indicam os dados oficiais. Se, por exemplo, fôssemos definir popula-ção urbana como aquela que vive nas cidades de

10

mil ou mais habitantes, a parcela da população que é urbana cairia 51%.

2. FIBGE, Anuário Estatístico do Brasil 1996.

3. A queda entre 1985 c 1995 ocorreu, em parte, devido ao aum ento de produtividade de algumas safras e, em parte, por causa da maior importação de alguns gêneros alimentícios.

4. FIBGE, Anuário Estatístico do Brasil 1996.

5. Isso mudou rapidamente no final da década de 1990 com o uso de telefones celulares e os planos de investimento dos sistemas de telefonia fixa, recentemente privatizados.

6

. W ILLUM SEN, Maria J.F., “Regional Disparities in Brasil”. In: The Brazilian economy: structure and

performance in recent decades, editado por Maria Willumsen e Eduardo Giannetti da Fonseca, Miami, North-

South Center Press, 1996, p. 243; Brasil: Reforma ou Caos, editado por I lélio Jaguaribe, Rio de Janeiro, Paz c Terra, 1989, p. 24.

7. JAMES, Preston E. Latin America. Nova York, Odyssey Press, 1969, p. 389. Informações mais deta-lhadas sobre a geografia brasileira podem ser obtidas através da FIBG E, Sinopse estatística do Brasil, 1975. DYE R, Donald R. “ Brasil’s half-continent”. In: Modem Brazil: New patterns and development, John Saunders, Gainesveille, University of Florida Press, 1979, p. 29-50.

8

. Ao comentar as secas do Nordeste, Dyer afirma que “a estação seca é regular, mas a seca não o é. Entretanto, as secas são por demais freqüentes para serem inesperadas, com períodos que variam dc um a quatro anos de duração”. DYER, op. cit., p. 41-2.

9. “Pesquisas de recursos naturais no Brasil”. In: Conjuntura Econômica, jan.1974, p. 66-70. Ver também FIBGE, Anuário Estatístico do Brasil 1981.

10

. S M IT II, T . Lynn. “The people of Brazil and their characteristics” . In: Modem Brazil', op. cit., p. 52-3. 11. Idem, ibid., p. 53-4.

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Perspectiva histórica

A economia colonial

N o PRINCÍPIO DO PERÍODO colonial, durante o século XVI, o Brasil não era considerado algo valioso por Portugal. Embora o território adquirido pela Coroa portuguesa fosse imenso, não trouxe a inesperada sorte econômica obtida pelos espanhóis em suas conquistas do Peru e México, isto é, metais preciosos e uma popu-lação ampla, estável e bem organizada que poderia ser empregada na mineração e nos setores agrícolas de apoio.1 O território brasileiro era esparsamente habitado por índios nômades que diminuíram em número devido a doenças contraídas dos primeiros colo-nizadores portugueses e que não puderam ser facilmente submetidos à disciplina e treinados para o trabalho de plantio.2

O nome Brasil originou-se de seu primeiro produto de exportação - o pau-brasil. A casca dessa árvore era utilizada como matéria corante na Europa, e sua colheita era uma atividade rudimentar que não criou muitos povoados permanentes e setores complementares.3

O primeiro produto de exportação importante do Brasil foi o açúcar. Seu cultivo foi introduzido aproximadamente em 1520 e trazido ao continente brasileiro por usineiros imigrantes e comerciantes de açúcar vindos de ilhas do Atlântico dominadas por Portugal. A rápida expansão do cultivo e da exportação do açúcar logo se trans-formou na primeira de uma série de grandes ciclos de exportação primária, que iriam dominar o crescimento econômico do Brasil até o século XX.4

Organização socioeconômica inicial

A escassez de mão-de-obra e os baixos benefícios econômicos que o Brasil parecia oferecer a Portugal no início conduziram a uma organização político-econômica

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des-centralizada. O comércio estava principalmente em mãos de particulares e, a fundação dos primeiros povoados foi deixada a cargo de donatários, indivíduos que recebiam concessões para povoar e desenvolver determinadas áreas (capitanias) às próprias expensas. Eles vendiam terras a colonos e envolviam-se na promoção de vários tipos de empresas comerciais. Assim, o princípio da colonização no Brasil “foi essencialmente um empreendimento comercial, combinado com aspectos de subgoverno privado”.' Embora em meados do século XVI fosse indicado um governador-geral, instalado na cidade de Salvador para dirigir a colônia, o governo local foi mais forte até a última metade do século XVIII.

Assim, “somente as principais linhas gerais da política a ser seguida eram formu-ladas na Europa e a implementação e interpretação real eram deixadas a cargo dos governadores e conselhos municipais”.6 Estes últimos, por sua vez, eram dominados pelos donos de grandes propriedades rurais (fazendeiros) e de engenhos de açúcar (senhores de engenho), e o centro da vida social e econômica concentrava-se nas grandes plantações costeiras de açúcar.7

O ciclo da cana-de-açúcar

O primeiro grande produto de exportação do Brasil - o açúcar - era produzido principalmente próximo à úmida zona litorânea do Nordeste brasileiro, conhecida como Zona da Mata. Além das excelentes condições de cultivo, a localização da região tam-bém favorecia o embarque do produto para a Europa e o recebimento de mão-de-obra escrava da África. Com a escassez de trabalhadores índios locais, os portugueses lan-çaram mão da importação de escravos africanos (principalmente de Angola) para tra-balhar nas fazendas de açúcar.

A rápida expansão do cultivo do açúcar transformou a Zona da Mata em uma área de monocultura. O volume das exportações de açúcar aumentou com regularidade durante um século. O aumento da produção baseou-se na extensão de terra cultivada (já que havia uma grande quantidade disponível) e no crescimento da população escrava mais do que em mudanças no processo de produção e aumento de produ-tividade. A maior parte da cana-de-açúcar era cultivada em grandes fazendas (o nú-mero de escravos que trabalhava em uma propriedade de tamanho médio, na época, era de 80 a 100).8

Na época, o único ponto doméstico de integração econômica era o interior do Nordeste (o agreste e o sertão), cuja produção agrícola excedente alimentava os ha-bitantes das zonas do açúcar. A população do interior era composta de imigrantes portugueses e seus escravos, escravos fugitivos e caboclos mestiços. Eles praticavam o cultivo e administravam as fazendas de modo bastante primitivo, mas eram capazes de produzir excedentes suficientes para dar apoio ao crescimento do setor de exportação.

O setor de exportação de açúcar foi lucrativo para vários agentes econômicos: os fazendeiros e aqueles envolvidos na comercialização, financiamento, expedição e co-mércio de escravos. Os comerciantes também obtiveram lucros significativos com as importações, visto que a colônia era quase que totalm ente dependente de produtos estrangeiros manufaturados e mesmo de alguns alimentos importados.

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Nessa análise do passado colonial brasileiro, Celso Furtado chama atenção para uma diferença fundamental entre a estrutura produtiva do Brasil e as colônias inglesas na América do Norte. Grande parte destas consistia em pequenas propriedades rurais, enquanto a agricultura de exportação do Brasil era composta de grandes propriedades dedicadas à monocultura. Como conseqüência, a renda era distribuída de forma muito mais uniforme na América do Norte do que no Brasil. Esse fato explica o aparecimen-to no início de grande mercado interno na América do Norte que criou a base para o desenvolvimento inicial de um setor comercial e industrial independente. A limi-tação do mercado brasileiro devido à concentração da propriedade e renda serviu para manter estagnada a estrutura econômica colonial no Brasil.9

Embora seja atraente, esse argumento pode não ser totalmente pertinente ao período colonial. As economias de escala eram menos importantes para a indústria e o comércio naquela época do que seriam nos séculos XIX e XX. Também se poderia argumentar que, como a economia possuía uma vantagem comparativa natural no açúcar e algodão, o desenvolvimento das indústrias não teria sido uma forma eficiente de alocar recursos.

Furtado também apresenta uma análise muito convincente a respeito das reper-cussões significativas sobre a economia causadas pelo fracasso da economia inicial de exportação de açúcar. Ele sugere que a maioria do excedente ia para as classes comer-ciais, que investiam seus lucros no estrangeiro, ou para os fazendeiros, que gastavam grandes somas em importações, tanto em bens de consumo como de produção (que incluíam escravos).10 Ele destaca o fato de como é fraca a relação entre investimento e renda em uma economia escravagista voltada para as exportações, visto que a maior parte dos gastos é realizada na importação de mão-de-obra e capital, enquanto a manutenção dos escravos é paga em espécie, na maioria das vezes. O investimento representado pelo emprego de escravos para trabalhar na infra-estrutura local também não representou entrada de dinheiro.

Como o setor monetário da economia era, dessa forma, muito restrito, a estagnação da exportação exerceu poucos efeitos sobre a economia como um todo, e foi sentida apenas por uma queda na importação de mercadorias e escravos e um declínio geral na importância relativa do setor monetário da economia." A economia baseada na pecuá-ria do interior foi a única a sofrer repercussões internas por causa da economia do açúcar. As quedas nas exportações iriam causar uma atrofia nesse setor à medida que ele iria transformar-se progressivamente em uma economia de subsistência (isto é, um setor auto-suficiente fora do setor monetário da economia). A migração da enfraquecida economia açucareira para o interior e a mudança da atividade econômica de criação de gado para exportação para a de subsistência resultariam em um processo que Furtado chama de “involução econômica” - precisamente o oposto de crescimento e desenvol-vimento.1- Esse processo iria ocorrer, com freqüência, na história econômica do país e mostra, com efeito, como a organização socioeconômica específica do Brasil não per-mitiu que repentinas altas na exportação exercessem efeitos secundários duradouros na sociedade. Para que ocorresse um desenvolvimento orientado pelas exportações, seriam necessários muitos pré-requisitos que não existiam no Brasil.

No início do século XVII, o Brasil havia se tornado o principal fornecedor de açúcar do mundo e, de acordo com Glade, “havia superado as especiarias asiáticas como os

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elementos principais do comércio anglo-português e as exportações brasileiras eram igualmente conhecidas no continente europeu”.13

A medida que o século XVII foi chegando ao fim, a atividade exportadora começou a enfraquecer. A queda nas exportações de açúcar não ocorreu devido à falta de m elho-rias tecnológicas no Brasil, pois o custo do açúcar brasileiro ainda era 30% menor do que o das plantações inglesas no Caribe. A causa do declínio foi o desenvolvimento de uma crescente quantidade da oferta do produto nas colônias inglesas, holandesas e francesas, que tinham acesso preferencial aos respectivos mercados dos países de origem.

As plantações de cana-de-açúcar não desapareceram. O fluxo de caixa declinante foi compensado, em parte, pela diminuição dos custos monetários “à medida que a criação de escravos nas fazendas oferecia um substituto, ao menos parcial, para sua importação”.14 Como descrevemos anteriormente, algumas terras foram redirecionadas para a agricultura de subsistência ou para o cultivo de alimentos para a população cos-teira em expansão. Nas proximidades de Salvador, algumas terras passaram a ser utili-zadas para o plantio de fumo e, mais tarde, em meados do século XVIII, de cacau. No Nordeste sempre se plantou certa quantidade de algodão que iria provocar breves ci-clos de exportação no final do século XVIII (à época da Guerra da Independência dos Estados Unidos) e no século XIX (por exemplo, durante a Guerra Civil Americana).15

O legado do ciclo de exportação do açúcar foi negativo. A organização da agricultura no interior do Nordeste permaneceu primitiva e nas plantações costeiras as técnicas agrícolas continuaram a ser arcaicas. O sistema escravagista manteve os recursos hu-manos subdesenvolvidos,16 e a distribuição de bens e de renda era extremamente con-centrada. Muitos dos lucros não previstos proporcionados pelo ciclo da cana-de-açúcar passaram às mãos dos portugueses e intermediários estrangeiros, enquanto grande par-te dos lucros que cabia aos fazendeiros e senhores de engenho foi gasta com bens de consumo importados, e não em melhorias técnicas e de infra-estrutura.

O ciclo do ouro e o princípio do controle mercantilista

Uma nova arrancada no crescimento foi iniciada em 1690 com a descoberta de m oe-das na região onde hoje é o estado de Minas Gerais. Apesar da precariedade do sistema de comunicação da época, a notícia do descobrimento espalhou-se rapidamente e logo a região antes desabitada estava repleta de migrantes que buscavam o precioso metal. A produção de ouro cresceu continuamente entre 1690 e 1760 (havia também alguma pro-dução de diamantes, embora em menor escala). Afirmou-se que o Brasil foi responsável por metade da produção mundial de ouro no século XVIII.17

O ciclo de exportação do ouro mudou o centro de atividade econômica do Brasil para o Centro-Sul e migrantes chegavam de todas as partes do país. Muitos nordes-tinos, inclusive plantadores que traziam consigo seus escravos, deixavam seu território em decadência em busca das regiões do ouro, além de fazendeiros e rancheiros pro-venientes do rústico Sul e novos imigrantes de Portugal. Surgiram muitas novas cida-des nas regiões de mineração que faziam as vezes de centros de serviços para as atividades de extração e possuíam estruturas ocupacionais mais complexas do que aquelas que haviam existido em outras cidades brasileiras. Pela primeira vez,

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desen-volveu-se um setor artesanal e surgiram grupos bancários privados, suprindo as neces-sidades dos setores de mineração e comercial.

Uma grande parte da mineração era do tipo de aluvião, que podia ser realizada em pequena escala. Gomo as exigências de capital e mão-de-obra por unidade de produ-ção eram, por conseguinte, pequenas, foi possível haver uma crescente participaprodu-ção nos empreendimentos de mineração e, conseqüentemente, a concentração de renda era menor do que no Nordeste.18

O setor de mineração de Minas Gerais surtiu consideráveis efeitos de encadeamen- to. A demanda por alimento nas cidades e centros de mineração representou um estí-mulo à produção agrícola não somente nesse Estado, mas também no Estado de São Paulo, nas regiões localizadas mais ao sul e mesmo no Nordeste. Como o transporte de ouro para os portos era realizado por animais de carga, a procura por mulas causou impacto em várias regiões fornecedoras no Sul. A exportação de ouro e diamantes tam-bém financiou um crescente volume de importações de bens de consumo e suprimen-tos de mineração.

O incremento da mineração fez com que o Rio de Janeiro despontasse como um porto importante, que se tornou o principal centro exportador de minérios e pelo qual entravam os artigos importados manufaturados. Não demorou muito para que as mais importantes casas comerciais, instituições financeiras e vários outros serviços lá se ins-talassem. Em 1763, o centro administrativo dessa colônia portuguesa foi transferido de Salvador para o Rio de Janeiro.

Com a significativa valorização de sua colônia brasileira, o governo português au-mentou drasticamente seus controles administrativos. As regiões de mineração eram cui-dadosamente inspecionadas a fim de minimizar a evasão do pagamento à Coroa de um quinto do ouro extraído. Estavam proibidas as navegações particulares; todos os navios tinham de fazer parte de comboios oficialmente supervisionados; foram criados mono-pólios especiais de comércio; a manufatura local era rigidamente controlada e os bens que poderiam ser fornecidos pela metrópole não podiam ser produzidos no Brasil.19

A redução da integração interna com um novo setor manufatureiro ao mínimo manteve os fatores de produção da colônia em um estado muito primitivo, o que também foi resultado, em parte, do descaso em relação à instrução que era pratica-mente inexistente antes de 1776 (exceto pelos esparsos esforços empreendidos pelos jesuítas antes de sua expulsão em 1759). Mesmo antes desse ano, as poucas escolas que funcionavam exerciam pouco impacto sobre o nível cultural da população.20 A infra-estrutura de transporte era mantida intencionalmente primitiva a fim de se con-trolar o contrabando, o que manteve limitadas as dimensões do mercado interno durante muito tempo.21

O ciclo do ouro terminou no final do século XVIII, quando a maioria das minas eco-nomicamente viáveis se havia esgotado. Parte da população mineira, então, rumou em direção ao Planalto Central do Brasil, onde encontrou trabalho em fazendas de gado, e outros foram para o Sul, engajando-se em atividades agrícolas. Muitos permaneceram em Minas Gerais, também se dedicando a atividades agrícolas, muitas de natureza de subsistência.

Na segunda metade do século XVIII também houve o renascimento da agricultura de exportação no Nordeste, especialmente de algodão. Mais notável foi o aumento do

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cul-tivo e exportação de algodão no Maranhão, em Pernambuco e na Bahia.22 As exportações de açúcar, que nunca cessaram por completo, restabeleceram-se nesse século, prove-nientes não somente da região Nordeste, mas também de São Paulo.

Glade resume bem a situação do Brasil no final do século XVIII. Ele declara que “a cortina... caiu sobre dois estados brasileiros nitidamente separados. No Norte, o complexo costeiro agreste-sertão estava aniquilado, com uma sociedade quase imobi-lizada por sua estrutura institucional interna depois que o antigo dinamismo havia deixado os vínculos comerciais externos... em direção ao sul, o primeiro ato, baseado no ouro e nos diamantes, também chegara ao fim. Mas lá permaneceu uma sociedade mais versátil e aberta, pairando, por assim dizer, numa espécie de intervalo de desen-volvimento. O palco já estava sendo preparado para a segunda apresentação - um trabalho mais demorado com o café como centro das atenções”.23

Os últimos anos da colônia

Quando Napoleão ocupou Portugal, em 1807, a família real, sob proteção britânica, veio para o Brasil. Em 1808, instalou a capital do império português no Rio de Janeiro, e a criação de empregos no governo e os efeitos da folha de pagamentos do governo sobre os setores de serviços e manufatureiro estimularam o crescimento da cidade. A Coroa também assumiu a construção destinada a melhorar a infra-estrutura da nova sede do novo governo.

A abolição dos controles mercantilistas ajudou a intensificar o comércio. Os merca-dores portugueses e estrangeiros e os estabelecimentos financeiros intensificaram suas atividades, auxiliados pela fundação do primeiro Banco do Brasil, em 1808, e que operou como banco emissor e banco comercial até 1829.

Durante esse período, uma prensa tipográfica foi trazida para o país pela primeira vez. A Coroa também fundou várias instituições educacionais e trouxe inúmeros cientistas e técnicos europeus para o Brasil como consultores, além de procurar incentivar vários ti-pos de estabelecimentos industriais que não criaram raízes devido à torrente de bens importados, principalmente da Grã-Bretanha. Os ingleses haviam recebido acesso espe-cial ao mercado brasileiro em troca da garantia da defesa naval do Brasil.

O rei retornou a Portugal em 1821, deixando seu filho como regente. Como, de-pois de algum tempo, se tornou óbvio que Portugal iria devolver ao Brasil o

status

de colônia subordinada, o crescente descontentamento em todo o país levou o regente a declarar a independência em 1822. Dessa data até 1889, o Brasil foi um país inde-pendente, governado por um sistema monárquico cujo chefe era D. Pedro I, um imperador, que, após um período de regência de nove anos, de 1831 a 1840, foi seguido por seu filho, D. Pedro II.

O século após a Independência

Na época da Independência, na verdade no ano após sua declaração, em 1822, a po-pulação brasileira era estimada em 3,9 milhões de habitantes, dos quais 1,2 milhão eram

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