Disciplina de
Informações
Novembro
2010
No presente módulo iremos estudar a forma como são produzidas e difundidas as informações policiais, analisando as diferentes fases do ciclo de produção de informações.
Ciclo de
Produção de
Informações
Módulo 4
Índice
1. Ciclo de Produção de Informações 3
1.1 Direcção e planeamento 4
1.2 Pesquisa 10
Processamento 11
Exploração de Informações 13
1.4.1 Difusão 14
1.4.1.1 Relatório Periódico de Informações (PERINTREP) 14 1.4.1.2 Relatório Diário de Ocorrências (RDO) 15 1.4.1.3 Relatório de Noticias (RELNOT) 16 1.4.1.4 Relatório Imediato (RELIM) 17
Anexos:
1. Ciclo de Produção de Informações
No módulo n.º 3 verificámos que para produzir informação útil (intelligence) é necessário desenvolver uma série de actividades. A esse conjunto de actividades atribuímos a designação de CICLO DE PRODUÇÃO DE INFORMAÇÕES.
O Ciclo de Produção de Informações é o conjunto de actividades que integram um processo especial, que se inicia com a necessidade de informação (intelligence) passando pela obtenção de notícias, factos e dados e sua transformação até suprimir essa necessidade e culminando na sua divulgação a quem tem necessidade de a conhecer.
Em termos práticos, o ciclo de produção de informações tem como objectivo último a produção de relatórios que visam simplificar o entendimento dos dados analisados, permitindo uma compreensão global de toda a matéria (INPCC, sem data). Na realidade os dados que o investigador ou o analista recolhe não são ainda informação. São dados, factos e notícias que depois de submetidos ao processamento se “transformam” em informações/intelligence.
Esquematicamente podemos ilustrar o referido anteriormente com a seguinte figura:
O Ciclo é constituído por 4 fases essenciais, complementares e indissociáveis:
- Direcção e Planeamento;
- Pesquisa;
- Processamento;
- Exploração de Informações.
Dados, factos, notícias Informação, intelligence
Fonte: INPCC, sem data, pág. 7
Em esquema teríamos:
Tal como podemos verificar, pela disposição das setas do esquema anterior, o ciclo inicia-se na fase da direcção e planeamento, onde se definem necessidades de informação, passando pela fase da pesquisa, posteriormente pelo processamento e no final pela exploração ou difusão da informação, sendo esta a ordem pela qual vão surgindo as fases.
Ainda assim, a seta que se apresenta entre a fase da pesquisa e do processamento tem dois sentidos, significando isto, que, durante a fase do processamento, pode verificar-se uma insuficiência de dados, que obrigue a uma nova recolha, e portanto à passagem à fase da pesquisa (INPCC, sem data).
Vejamos pormenorizadamente cada uma das fases ou actividades do Ciclo de Produção de Informações:
1.1 Direcção e Planeamento
Esta primeira fase/actividade do Ciclo de Produção de Informações é aquela que dá origem ao início de todo o processo de produção de informações. O ciclo abre porque existe uma necessidade de informação. Neste momento inicial determinam-se quais as informações
Direcção e Planeamento
Existência de um problema;
Necessidade de informação;
Planos de pesquisa;
Ordens e/ou pedidos.
Pesquisa
Humana;
Técnica.
Processamento
Registo;
Estudo;
Interpretação - Análise
Exploração
Apresentação.
Difusão.
necessárias. Podendo ser, informações necessárias à decisão do Comandante, informações indispensáveis à investigação de um processo-crime entre tantas outras.
Nesta fase:
• Determinam-se as necessidades de informação1;
O Ciclo de produção de informações tem início porque existe uma necessidade de informação. Essa necessidade de informação estabelece-se nesta primeira fase e tem origem num determinado problema que as forças policiais querem ver resolvido.
O ciclo de produção de informações inicia-se com uma pergunta – chave ou uma hipótese que é necessário confirmar ou infirmar – a qual damos o nome de Elementos Essenciais de Informação (os EEI). Estas perguntas ou hipóteses diferem, logicamente, tendo em conta o problema inicial ou a necessidade de informação existente. O objectivo final da polícia é confirmar ou infirmar a hipótese inicial.
As necessidades de informação devem ser determinadas tendo em conta a sua importância para a resolução do problema que deu inicio à abertura do ciclo de produção de informações.
Por exemplo, se o problema que deu origem à abertura do ciclo de Produção de Informações foi a preocupação com uma determinada claque de futebol, as perguntas a serem colocadas (os EEI) vão ser completamente distintas das questões a serem colocadas numa situação de um processo-crime sobre droga em investigação na Polícia. No entanto é necessário ter presente que ambos os problemas (a claque de futebol e o processo crime) podem dar origem à abertura do ciclo de produção de informações, porque ambos podem originar um problema e simultaneamente a necessidade de informação).
1 Estes procedimentos da 1º fase do Ciclo de Produção de Informações foram anotados numa acção de formação dada pelo Serviço de Informações de Segurança aos formadores de informações da Escola Prática de Polícia em Outubro de 2003, muito embora tenham sido adequados, por nós, à realidade policial.
Vejamos o seguinte exemplo:
A PSP de Lisboa, mais concretamente o Núcleo de Informações do Comando depara-se com um problema. Chega ao seu conhecimento a seguinte notícia:
EX: O grupo “Anasanarquico” de Lisboa prepara-se para cortar o trânsito junto à Assembleia da República e colocar explosivos na Câmara Municipal de Lisboa, Direcção Nacional da PSP e Ministério da Educação - Hipótese inicial
Depois de terem conhecimento desta notícia é necessário confirmar ou não a sua veracidade.
• Estabelecem-se os indícios técnicos;
Depois disto é necessário descobrir se existe intenção do grupo e capacidade para a prática de tais factos. Torna-se então necessário estabelecer os indícios técnicos. Os indícios técnicos são manifestações teóricas que uma vez verificadas confirmam ou não a hipótese anteriormente levantada.
Deverá levantar-se, então, uma série de hipóteses teóricas cuja confirmação nos permitem perceber que - a intenção e capacidade do grupo são reais e portanto é necessário tomar medidas.
Vejamos alguns exemplos:
- Compra de explosivos por pessoas ou entidades estranhas;
- Tentativa de mobilização nas faculdades (o grupo é constituído maioritariamente por estudantes e em situações anteriores de alteração da ordem pública mobilizou vários estudantes nas faculdades);
- Convocatória no site do grupo;
- Registo de visitas nos alvos.
Uma vez levantadas estas hipóteses é necessário confirmá-las. E tal confirmação exige um trabalho de pesquisa. É necessário saber onde podemos confirmar ou infirmar cada um dos indícios.
• Determinam-se as áreas de acesso para cada indício técnico;
Para isso estabelecem-se as áreas de acesso. Áreas de acesso são as fontes de informações, ou seja, as pessoas ou locais onde vamos buscar a informação relativa aos indícios técnicos.
Vejamos:
Para determinar se efectivamente existiu a compra de explosivos por pessoas ou entidades estranhas podemos consultar:
- Direcção Nacional da PSP – Departamento de Armas e Explosivos;
- Empresas que vendem explosivos na área de Lisboa;
Para determinar se existiu uma tentativa de mobilização nas faculdades podemos consultar:
- Faculdades/Associações de Estudantes;
Para determinar se as visitas, por pessoas estranhas, aos alvos foram realizadas (Câmara Municipal de Lisboa, Direcção Nacional da PSP e Ministério da Educação podemos consultar o registo de visitas:
- Na Câmara Municipal de Lisboa;
- Na Direcção Nacional da PSP:
- No Ministério da Educação.
Para determinar se fizeram uma convocatória no site do grupo devemos consultar:
- Site do grupo;
Para tal, é agora necessário determinar quem são as “entidades policiais” ou “outras”
que vão ás áreas de acesso, para determinar a veracidade ou não dos indícios técnicos – são os chamados órgãos de pesquisa.
• Escolhem – se os órgãos de pesquisa;
Os órgãos de pesquisa são os meios utilizados na obtenção de notícias e a pesquisa é a exploração (procura) sistemática das notícias pelos órgãos de pesquisa.
Assim, os órgãos de pesquisa são os meios que vão ser utilizados para ir ás áreas de acesso determinar a veracidade dos indícios técnicos. Estes órgãos de pesquisa podem ser entidades policiais ou não.
Partindo do princípio que é o Núcleo de Informações do Comando Metropolitano de Lisboa que tem este problema para resolver, pode accionar ou pedir ajuda a outras entidades/
órgãos de pesquisa2.
Vejamos:
Para determinar se efectivamente existiu a compra de explosivos por pessoas ou entidades estranhas junto da Direcção Nacional da PSP – Departamento de Armas e Explosivos e junto das empresas que vendem explosivos na área de Lisboa o Núcleo de Informações do Comando optou por escolher uma equipa sua para o fazer.
Para determinar se existiu uma tentativa de mobilização nas faculdades junto das diversas Faculdades/Associações de Estudantes o Núcleo de Informações do Comando optou por “pedir ajuda” à Divisão de Investigação Criminal do Comando.
Para determinar se existiram visitas por pessoas estranhas aos alvos (Câmara Municipal de Lisboa, Direcção Nacional da PSP e Ministério da Educação podemos consultar o registo de visitas o Núcleo de Informações optou por “pedir ajuda” à Divisão de Investigação Criminal.
Para determinar se o grupo fez uma convocatória no seu site o Núcleo de Informações do Comando optou por faze-lo por si próprio.
2 Muito embora, possa optar por efectuar as pesquisas necessárias sem auxilio, utilizando as suas equipas para
• Elabora-se o plano de pesquisa:
Depois de determinar os indícios técnicos, as áreas de acesso e os órgãos de pesquisa elabora-se um plano de pesquisa que é um documento onde estão sintetizadas todas estas questões. O plano de pesquisa é uma ordem de trabalhos ou plano organizado do trabalho de pesquisa. O presente plano pode ter a forma de um quadro. É necessário ter presente que este plano pode ser mental e comunicado aos órgãos de pesquisa, no entanto, sempre que possível deve ser reduzido a escrito.
Exemplo de um Plano de Pesquisa:
• Difundem-se ordens e pedidos:
Torna-se agora necessário difundir ordens (para órgãos de pesquisa internos de escalão inferior) ou pedidos (para órgãos de pesquisa internos de escalão superior ou órgãos de pesquisa externos) sobre aquilo que é necessário fazer3.
3 As ordens e pedidos de pesquisa tomam a forma de um documento com o mesmo nome ou de INTERQUEST é um documento através do qual o órgão de análise ou de decisão, solicita a resposta sobre determinado assunto.
EEI Indícios Técnicos
Áreas de acesso Órgãos de Pesquisa
Obs.
• Supervisiona-se:
Na medida do possível, todo o trabalho da pesquisa deve ser supervisionado, neste caso pelo núcleo do Comando Metropolitano de Lisboa.
1.2 Pesquisa
Como já foi referido anteriormente, a pesquisa é a exploração (procura) sistemática das notícias pelos órgãos de pesquisa. É um processo dinâmico e contínuo que passa, por exemplo, pela recolha de dados através de meios técnicos, como é o caso da fotografia ou das escutas telefónicas ou outros métodos que envolvam meios tecnológicos ou de fontes abertas, como é o caso dos jornais e revistas (Shulsky, 2002).
Existem duas formas de pesquisa:
- Humana (do inglês Human Inteligence): consiste na afectação de recursos humanos em acções de pesquisa;
- Técnica (do inglês Technical Inteligence Collection): consiste, tal como o próprio nome indica, no recurso a um conjunto de meios tecnológicos, cuja limitação advém da própria evolução dessa tecnologia e simultaneamente da capacidade humana para a maximizar. Ex: Fotografia, vídeo, etc. (Shulsky, 2002).
Os órgãos de pesquisa podem, então, proceder à pesquisa de notícias, dados e informações utilizando para o efeito a pesquisa humana e/ou técnica. São as formas de pesquisa que utilizam. No entanto devemos ter em atenção, para evitar a confusão dos conceitos, que o produto que procuram será fornecido pelas diversas fontes de informação.
Devemos ter presente que as fontes de pesquisa também têm uma possível classificação, vejamos:
- Fontes abertas: são aquelas fontes que estão disponíveis a toda a gente, podendo ter forma electrónica, escrita ou oral. Ex: Jornais e revistas,
- Fontes classificadas: são fontes que não estão publicamente disponíveis porque contém informações sensíveis;
- Fontes oficiais: são fontes, que tal como o próprio nome indica emergem de instituições e têm um carácter formal;
- Fontes privadas: são fontes com carácter informal;
- Fontes voluntárias: fontes que não exigem um pagamento e que se disponibilizam sem contrapartidas;
- Fontes pagas: por oposição às anteriores exigem um pagamento, - Fontes internas: são fontes disponíveis no seio da instituição;
- Fontes externas: são fontes exteriores à instituição.
1.3 Processamento
Depois de reunir através da pesquisa as várias notícias, dados e factos é necessário proceder ao seu processamento. O processamento consiste num conjunto de operações pelas quais as notícias são transformadas em inteligência (intelligence). É nesta 3ª fase que se produzem efectivamente as informações válidas e com um valor acrescentado para a actividade da Polícia.
O processamento compreende 3 fases essenciais:
- Registo: tal como o próprio nome indica, destina-se a organizar e categorizar as notícias par posterior utilização.
- Estudo ou Avaliação: o estudo de uma notícia consiste em determinar a sua pertinência, o grau de confiança que nos merece a fonte e a própria informação (fiabilidade).
A avaliação da Fonte e da Informação faz-se de acordo com o estipulado no Acto do Conselho de 3 de Novembro de 1998 que adoptou a regulamentação aplicável aos ficheiros de análise da Europol4 (1999/c 26/02). Vejamos:
4 O Sistema Estratégico de Informações da PSP prevê 5 níveis para além dos quatro aqui enunciados (E – a fonte é comprovadamente fictícia) e (5 – a notícia/informação é propositadamente falsa).
AVALIAÇÃO
FONTE NOTICIA (fiabilidade)
- Interpretação ou análise: Destina-se a determinar o significado de uma notícia relativamente a outras notícias ou informações já existentes e na extracção das conclusões.
A interpretação abrange a chamada Análise de Informações que vai permitir a construção do “todo” com as várias notícias/informações disponíveis (INPCC, sem data; U.S. Department of Justice, sem data). Com recurso a técnicas específicas como é o caso da análise comparativa de casos ou da análise de grupos de autores torna-se possível “transformar” todas as peças soltas que se foram reunindo na fase da pesquisa em “algo” útil com estrutura e significado (U.S. Department of Justice, apontamentos sem referencias). A análise de informações pretende dar sentido àquilo que de outra forma não passaria de um conjunto de notícias sem aparente significado (INPCC, sem data).
A análise existiu sempre através de várias formas e foi aplicada durante muito tempo de forma empírica. Qual o investigador que nunca recorreu a um pequeno desenho ou esquema para melhor entender um processo ou clarificar determinada situação? Actualmente a análise de informações requer formação especializada e uniforme. O que significa que nas suas diferentes formas gráficas, a análise criminal foi já definida a nível europeu. As diferentes técnicas são idênticas entre os diferentes países (INPCC, sem data).
A. Quando não há dúvidas quanto à autenticidade, credibilidade e competência da fonte ou quando a informação é fornecida por uma fonte que se tem mostrado fiável em todos os casos.
B. Fonte cuja informação se mostrou fiável na maior parte dos casos.
C. Fonte cuja informação não se mostrou fiável na maior parte dos casos.
D. Fonte cuja fiabilidade não pode ser avaliada.
1) Informação cuja exactidão não levanta dúvidas.
2) Informação conhecida pessoalmente pela fonte, mas não conhecida pessoalmente pelo funcionário que a transmite.
3) Informação não conhecida pessoalmente pela fonte mas corroborada por outra informação já registada.
4) Informação não conhecida pessoalmente pela fonte e que não pode ser corroborada.
1.4 Exploração de Informações
“ A intelligence adquirida pelos serviços ou compilada pelos analistas não serve para grande coisa enquanto não for colocada nas mãos dos consumidores.”
Allan Dulles in The Craft of intelligence
A última fase do ciclo de produção de informações, denominada de exploração de informações, tem como principal objectivo a apresentação “do produto final” a quem tem necessidade de o conhecer/o consumidor final.
A difusão de informações pode ser entendida como a transmissão das informações produzidas a entidades externas e/ou internas, com o objectivo de garantir a disponibilização do maior número de dados possível de forma a permitir uma decisão eficaz e eficiente.
A difusão de informações, como a própria definição o explana pode ser realizada a dois níveis:
- Interno: compreende a difusão realizada no interior da Polícia a nível vertical (ascendente e descendente, ou seja, dos escalões superiores para os escalões inferiores e vice-versa) e horizontal (entre departamentos e serviços colocados ao mesmo nível).
- Externo: compreende a difusão realizada no exterior da Polícia a entidades, serviços, forças, organismos e outros.
A difusão deve obedecer a vários princípios dos quais destacamos:
- Principio da necessidade de conhecer: Este é um princípio de importância fulcral em termos de informações. A informação produzida apenas deverá ser difundida às pessoas que têm necessidade de a conhecer para melhor desempenhar as suas funções profissionais.
1.4.1 Processo de Difusão
O processo de difusão da informação traduz-se na forma como a informação é transmitida e o modo como chega aos destinatários.
O processo de difusão assume duas formas:
- Contacto pessoal;
- Documentos de difusão.
Vejamos alguns documentos de Difusão existentes na Polícia de Segurança Pública com interesse na área das informações:
1.4.1.1 RELATÓRIO PERIÓDICO DE INFORMAÇÕES (PERINTREP);
Tal como o próprio nome indica, o PERINTREP é um relatório de informações criminais periódico. Nele consta a situação geral da criminalidade em toda a área da Polícia de Segurança Pública. O presente documento especifica através da estatística criminal detalhada.
- Crimes cometidos por grupos;
- Acções violentas/terrorismo;
- Roubos armados;
- Roubos/furtos comuns;
- Droga (tráfico e consumo);
- Desrespeito à autoridade;
- Delinquência Juvenil.
É de referir que o PERINTREP sofreu alterações com a Circular DEPIPOL 1782 de 08 de Agosto de 2003, passando a ter um novo aspecto e simultaneamente permitindo a comparação da criminalidade por Comandos.
1.4.1.2 RELATÓRIO DIÁRIO DE OCORRÊNCIAS (RDO)
A Direcção Nacional e o Departamento de Informações têm necessidade de tomar conhecimento oportuno de determinado tipo de ocorrências que, em virtude da sua natureza e/ou dimensão, tenham impacto nacional e impõem um enquadramento operacional diferente do que é tido por “normal”. O RDO consiste na recolha electrónica de vários dados, nomeadamente a descrição de ocorrências policiais, mediante o preenchimento de um formulário na intranet do DIP5 e cumpre tais objectivos.
O presente relatório obedece às seguintes regras:
1. Todos os dias, até às 08H00, os Comandos introduzem, na intranet do DIP, as ocorrências policiais de maior relevo ocorridas na área do respectivo Comando, no período compreendido entre as 07H00 do dia anterior e as 07H00 do dia a que o RDO respeita;
2. Deverão ser registadas todas as ocorrências respeitantes a:
a. Criminalidade violenta e grave;
b. Intervenções policiais de manutenção ou reposição da ordem pública ou em que tenham sido utilizadas armas de fogo;
c. Manifestações e reuniões públicas, independentemente do seu foro (sócio laboral, político, estudantil, etc);
d. Detenções e apreensões de material significativas ou outros resultados operacionais de relevo;
e. Visitas de Membros do Governo ou de outras altas entidades de relevo;
f. Policiamentos de actividades desportivas e outros espectáculos de grande dimensão ou risco elevado;
g. Outras actividades, crimes ou situações que, em função da conjuntura, se mostrem particularmente sensíveis.
3. As ocorrências mencionadas no RDO deverão conter, de forma objectiva e sucinta, todos os elementos necessários e suficientes para o enquadramento e análise das mesmas.
5 O RDO veio substituir o SITREP e o INTREP que eram enviados pelos comandos para a Direcção Nacional da PSP em suporte de papel.
4. Quando não existirem ocorrências a salientar, deverá ser introduzido um registo relativo ao Comando em causa, com todos os campos preenchidos com o valor “- Nada a referir – “.6
1.4.1.3 RELATÓRIO DE NOTÍCIAS (RELNOT)
O RELNOT é um documento com modelo próprio que contém informação não processada mas que poderá interessar a determinados destinatários. Note-se que esta informação poderá não ser processada pelas mais diversas razões, como seja por exemplo a urgência ou a falta de outros dados complementares.
O Relatório de Notícias pode também referir-se apenas a factos já ocorridos, dos quais interesse dar conhecimento ao escalão superior.
O Sistema Estratégico de Informações permite a elaboração de relatórios de notícias, nos campos: informações policiais, peça de informação, criar.
Quadro 1 – Quadro do SEI – informações policiais, peça de informação.
6 Ver documentos em anexo, nomeadamente Directiva do RDO, Formulário do RDO e um Exemplo de RDO
Quadro 2 – Quadro do SEI – informações policiais, peça de informação, Relatório de Notícias
1.4.1.4 RELATÓRIO IMEDIATO (RELIM)
O RELIM é um relatório através do qual se procura transmitir, com rapidez e oportunidade, qualquer notícia ou informação que pela sua importância e urgência deva ser imediatamente dada a conhecer. Este documento refere-se, sempre a uma só notícia não processada.
Normalmente o seu conteúdo responde às questões: porquê?, quem?, como?, onde?, quando? e o quê?. Deve ser elaborado no SEI e remetido, quando se justificar, ao DIP (Canal Técnico, procedimento standard do SEI)7
7 OS. da DN – 1 Parte B, n.º 15, 27-05 de 2008
Bibliografia
I.N.P.C.C, Curso de Análise Operacional da Criminalidade, sem referencias.
Shulsky, Abram N., Silent Warfare: Understanding the World of Intelligenge, 3ª ed., Brassey’s, EUA, 2002
U.S. Department of Justice, Drug Enforcement Administration, Recolección de Información y Métodos Analíticos, sem referencias
O presente módulo foi elaborado pela Comissária Vera Lourenço de Sousa Coordenadora das disciplinas de Informações e Investigação Criminal da EPP e CNO/MAI/PSP Telefone: 249819660 – Ext – 440 (EPP) [email protected]