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N ´UMEROS COMPLEXOS Professores Jorge Aragona e Oswaldo R. B. de Oliveira

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(1)

N ´UMEROS COMPLEXOS

Professores Jorge Aragona e Oswaldo R. B. de Oliveira

(2)

Cap´ıtulo 1

N ´ UMEROS COMPLEXOS

(3)

Cap´ıtulo 2 - POLIN ˆOMIOS 1 - Polinˆomios com Coeficientes Complexos

2 - Resolu¸c˜ao Elementar de Equa¸c˜oes por Radicais.

3 - Equa¸c˜oes Redut´ıveis a Quadr´aticas.

Apˆendice - Teorema da Decomposi¸c˜ao em Fra¸c˜oes Simples (ou Parciais).

(4)

Cap´ıtulo 2

POLIN ˆ OMIOS

2.1 - Polinˆomios com Coeficientes Complexos

2.1 Defini¸c˜ao. Uma fun¸c˜ao polinomial de C em C ´e uma fun¸c˜ao do tipo:

p∶z∈C↦∑m

j=0

ajzmj ∈C ,

com m∈N e (aj)0jm uma sequˆencia em C. Os n´umeros a0, .., am s˜ao os coefici- entes de p e a0 ´e por vezes dito primeiro coeficiente e p. Sea0≠0, m ´e o grau de p, e escrevemos m=∂p. Se a0, ..., am=0, p ´e a fun¸c˜ao polinomial nula e seu grau

´e −∞; isto ´e, ∂(0) = −∞.

O conjunto de toda as fun¸c˜oes polinomiais ´e indicado por C[z].

2.2 Observa¸c˜ao. (a) Na nota¸c˜ao C[z], a letra z ´e uma vari´avel muda e sua escolha ´e determinada pela tradi¸c˜ao. (b) Estudaremos apenas fun¸c˜oes polinomiais em uma vari´avel complexa, salientando que a teoria das fun¸c˜oes polinomiais (ou

“polinˆomios”, ver Obs....) de v´arias (e at´e infinitas) vari´aveis existe de longa data e ´e muito relevante em v´arias ´areas da Matem´atica.

Dadosp, q ∈C[z], com p∶z ↦ ∑m

j=0

ajzmj e q∶z ↦ ∑n

k=0

bkznk, ent˜ao a soma p+q e o produtopq definidos por,

p+q∶zz→p(z)+q(z)=∑m

j=0

ajzmj+∑n

k=o

bkznk,

p q∶z z→p(z)q(z)=(∑m

j=0

ajzmj)(∑n

k=o

bkznk) ,

(5)

pertencem ambos aC[z]. Iniciando com o primeiro a afirma¸c˜ao ´e clara sem=n pois definidos os coeficientes cj =aj+bj, j =0,1, ...m, tem-se

p(z)+q(z)=∑m

j=0

ajzmj+∑m

j=0

bjzmj =∑m

j=0

cjzmj ,

dondep+q∈C[z]. Se m≠n, supomos sem perda de generalidade m>n e ent˜ao, p(z)+q(z) =a0zm+a1zm1+...+amn1zn+1+(amn+b0)zn

+(amn1+b1)zn1+...+(am1+bn1)z+(am+bn)), e definindo a sequencia finita de n´umeros(cj)0jm por

⎧⎪⎪⎨⎪⎪

cj =aj, se 0≤j≤m−n−1, cmn+k =amn+k+bk, se 0≤k ≤n,

resulta p(z)+q(z) = ∑mj=0cjzmj, donde p+q ∈ C[z] e ∂(p+q) = max(∂p, ∂q) (mesmo se temosp=0 ou q=0).

Analogamente verificamos pq∈C[z] pois (pq)(z) =p(z)q(z)=(∑m

j=0

ajzmj)( ∑n

k=0

bkznk)=(amz +...+am)(b0zn+...bn)

=a0b0zm+n+(a0b1+a1b0)zm+n1+(a0b2+a1b1+a2b0)zm+n2+...+ambm

=m+n

p=0

cmz+np, ondecp= ∑

r+s=parbs (0≤p≤m+n). Observe que, mesmo se p=0 ou q=0, (2.2.1) ∂(pq)=∂(p)+∂(q).

E claro que a opera¸c˜ao adi¸c˜ao´ (p, q) ↦ p+q sobre C[z] ´e associativa, co- mutativa, admite a fun¸c˜ao polinomial nula como elemento neutro e, ainda, cada elementop∈C[z] tem elemento oposto −p,

(−p)(z)∶=∑m

j=0

(−aj)zmj,∀z∈C, se p(z)=∑m

j=0

ajzmj,∀z ∈C.

Analogamente, a opera¸c˜ao produto(p, q)↦pq sobre C[z]´e associativa, comuta- tiva e tem por elemento neutro a fun¸c˜ao constante igual a 1 :

1∶z ∈C↦1∈C .

Notemos que 1 ´e uma fun¸c˜ao polinomial de grau zero. Por fim, sep, q er perten- cem a C[z], ´e imediato que p(q+r)=pq+qr. Reunimos as considera¸c˜oes acima no resultado abaixo.

(6)

2.3 Proposi¸c˜ao. O conjunto C[z] das fun¸c˜oes polinomiais de C em C, munido das opera¸c˜oes soma (p, q) ↦ p+q e produto (p, q) ↦ pq acima definidas, ´e um anel unit´ario e comutativo.

2.4 Observa¸c˜ao. Usaremos a palavra polinˆomio como sinˆonimo de fun¸c˜ao po- linomial e frequentemente citaremos os elementos de C[z] como polinˆomios com coeficientes complexos.

2.5 Defini¸c˜ao. Dado p∈C[z], p≠0, se α∈C ´e tal que p(α)=0, α ´e um zero, ou ra´ız, de p.

Um resultado fundamental da teoria de polinˆomios expressa que um polinˆomio de graum tˆem no m´aximo m zeros distintos.

2.6 Teorema (Princ´ıpio da Identidade) Se p(z)=a0zm+a1zm1+...+am ∈ C[z], ∂p ≤ m, tem mais de m zeros distintos ent˜ao p = 0 (isto ´e, aj = 0, j = 0,1, ..., m, e ∂p=∂0− ∞).

Prova. Sejam α1, ..., αm+1∈C, distintos, com p(αj)=0, ∀j =1, ..., m+1. Isto ´e,

(S)

⎧⎪⎪⎪⎪

⎪⎪⎪⎪⎪

⎪⎪⎨⎪⎪⎪

⎪⎪⎪⎪⎪

⎪⎪⎪⎩

p(α1) = a0α1m + a1αm11+...+ am1α1 + am.1=0 p(α2) = a0α2m + a1αm21+...+ am1α2 + am.1=0

...

...

p(αm+1)=a0αmm+1+ a1αmm+11+...+ am1αm+1+ am.1=0 . Utilizando o determinante de Vandermonde associado ao sistema linear ho- mogˆeneo (S) dem+1 equa¸c˜oes, com coeficientes αki (1≤i≤m+1, 0≤k ≤m) e inc´ognitas a0, a1, ..., am,

∆= RRRRR RRRRR RRRRR RRRRR RRRRR RRRRR

αm1 αm1 1 .... α1 1 αm2 αm2 1 .... α2 1 ... ... ... ... ...

... ... ... ... ...

αmm+1 αmm+11 ... αm+1 1 RRRRR RRRRR RRRRR RRRRR RRRRR RRRRR

= ∏

i<j

i−αj)≠0 ,

resulta, pelo Teorema de Cramer, que (S)´e determinado e a0=a1=...=am0.

(7)

2.7 Corol´ario. Sejam p, q∈C[z] tais que p≠0 e q≠0, dados por p(z)=∑m

j=0

ajzmj e q(z)=∑n

k=0

bkznk ,∀z∈C , com a0≠0 e b0≠0 (isto ´e, ∂p≥0 e ∂q≥0). S˜ao equivalentes:

(i) p=q (isto ´e, p(z)=q(z),∀z ∈C).

(ii) Existeml∶=max(m, n) +1 n´umeros complexos α1, ...αl, distintos, tais que p(αj)=q(αj),∀j=1, ..., l .

(iii) m=n e aj =bj, ∀j =1,2, ..., l.

Prova. Como as implica¸c˜oes (i) ⇒ (ii) e (iii)⇒ (i) s˜ao triviais, verifiquemos a implica¸c˜ao (ii)⇒(iii). Mostremos primeiro a igualdade m=n. Supondo por absurdo que m>n, o polinˆomio diferen¸cad∶=p−q se escreve:

d(z)=a0zm+...+amn1zn+1+(amn−b0)zn+...+(am−bn),∀z ∈C, e por (ii) ´e claro que

(2.7.1) d(αj)=0, ∀j=1,2, ..., l=m+1 .

Como a0 ≠0 e ∂d =m, aplicando o Teorema 2.6 (Princ´ıpio da Indentidade) ao polinˆomiod, em vista de (2.7.1) concluimos que os coeficientes de d s˜ao nulos e, em particular, a0=0, o que ´e absurdo. Logo, temos m=n e

d(z)=∑m

j=0

(aj−bj)zmj, ∀z∈C ,

e, em consequˆencia, de novo pelo Teorema 2.6 e (2.7.1), obtemos aj = bj, se j=0,1,2, ..., m ∎

Uma das principais aplica¸c˜oes do Teorema 2.6 (ou do Corol´ario 2.7) ´e o M´etodo dos Coeficientes a Determinar para encontrar um ou v´arios po- linˆomios, de grau e forma pr´e-fixados, que submetidos a certas opera¸c˜oes d˜ao um resultado conhecido. Ilustremos com dois exemplos.

2.8 Exemplos. (a) Transformarz ↦z2+3/4em diferen¸ca de quadrados de dois trinˆomios: z ↦(z2+az+b)2−(z2+az+b)2.

(b) Achar m e n tais que o polinˆomio p(z) =z4−10z3+mz2−50z+n ´e um quadrado perfeito.

(8)

Solu¸c˜ao.

(a) Impondo z2+3/4=(z2+az+b)2−(z2+az+b)2, ∀z∈C, desenvolvemos:

z2+3/4=2(a−a)z3+(a22+2b−a2−2b)z2+2(ab−ab)z+(b2−b2) (z∈C). Portanto, pelo Corol´ario 2.7 seguem as quatro equa¸c˜oes:

2(a−a)=0, a2+2b−a2−2b=1, 2(ab−ab)=0 e b2−b2 =3/4. Da primeira equa¸c˜ao resulta a=a, da segunda equa¸c˜ao segue b−b=1/2, o que junto com a terceira equa¸c˜ao e a igualdade a=a implica a(b−b)=0, isto ´e, a = a = 0. Da quarta equa¸c˜ao temos (b−b)(b+b) = 3/4, donde (b+b)=3/2 e, como b−b=1/2,b=1 e b =1/2. Logo, a ´unica solu¸c˜ao do problema ´e

z2+3/4=(z2+1)2−(z2+1/2)2 .

(b) Como∂p=4 e o primeiro coeficiente dep´e 1, o polinˆomio solu¸c˜ao, se existir,

´e da forma q(z)=z2+az+b. Impondo

(q(z))2=z4+2az3+(a2+2b)z2+2abz+b2 =p(z)=z4−10z3+mz2−50z+n ,∀z∈C, obtemos, pelo Corol´ario 2.7,

2a= −10, a2+2b=m , 2ab= −50 e b2 =n ,

que ´e um sistema trivial com solu¸c˜ao a= −5,b=5,n=25 em=35. A ´unica solu¸c˜ao do problema ´e ent˜ao

z4−10z3+35z2−50z+25=(z2−5z+5)2

Como no anel Z, no anel C[z]´e v´alida a divis˜ao inteira, isto ´e,

(9)

2.9 Proposi¸c˜ao. Dados dois polinˆomios P, D ∈ C[z], com D ≠ 0, existe um

´

unico par de polinˆomiosQ e R em C[z] verificando, P =DQ+R , e ∂R<∂D . Prova.

Existˆencia. Se∂(P)<∂(D) pomos Q=0 e R=P.

Suponhamos agora o caso 0<∂(D)=m≤n=∂(P)e escrevamos

⎧⎪⎪⎨⎪⎪

P(z)=anzn+an1zn1+...+a1z+a0, com ais∈C ean≠0, D(z)=bmzm+bm1zm1+...+b1z+b0, com bis∈C e bm≠0.

Definindo os polinˆomios Q1(z) = bamnznm e R1 = P −Q1D ´e f´acil ver que obtemos ∂(R1) < n e P = Q1D+R1. Assim, se ∂(R1) < m findamos a tarefa.

Caso contr´ario, aplicando um argumento an´alogo ao polinˆomioR1 determinamos Q2 ∈C[z]tal que o polinˆomioR2 =R1−Q2Dsatisfaz∂(R2)<∂(R1)e a identidade R1 =Q2D+R2. Novamente, se ∂(R2)<m encerramos a tarefa. Sen˜ao, iteramos o processo at´e obtermos Rk1 =QkD+Rk, ∂(Rk)<m, e concluirmos

P =Q1D+Q2D+....+QkD+Rk=(Q1+...+Qk)D+Rk .

Ent˜ao, definindoQ=Q1+...+Qk e R=Rk completamos a prova da existˆencia.

Unicidade.

SeQ1, Q2, R1, R2∈C[z], max(∂(R1), ∂(R2))<∂(D), eQ1D+R1 =P =Q2D+R2 ent˜ao temos (Q1−Q2)D=R2−R1 e, analisando graus, Q1−Q2=0=R2−R1

Observa¸c˜ao: Com a nota¸c˜ao da Proposi¸c˜ao 2.9, os polinˆomiosQ e R s˜ao ditos quociente e resto da divis˜ao inteira de P por D. Se o resto R ´e zero dizemos que Ddivide P e escrevemos D∣P.

Uma consequˆencia da Proposi¸c˜ao 2.9, importante no que segue, ´e o da divis˜ao inteira de um polinˆomio p∈C[z] por um polinˆomio de 1 grau, z↦z−α, α∈C. Como o restor de tal divis˜ao tem grau menor ou igual a 1, isto ´e, 0 ou−∞, segue que temosr∈C ou r=0.

(10)

2.10 Proposi¸c˜ao. Dados p(z) = ∑mj=0ajzmj ∈ C[z] e α ∈ C arbitr´arios, de- finimos o polinˆomio de grau um pα ∈ C[z] por pα(x) = z −α, ∀z ∈ C. Se q(z) = ∑mk=01ckzm1k e r ∈ C s˜ao o quociente e o resto, respectivamente, da divis˜ao inteira do polinˆomio p por pα, valem as trˆes asser¸c˜oes:

(a) c0=a0, c1=c0α+a1, c2 =c1α+a2, cm1 =cm2α+am1 e r=cm1α+am. (b) r=p(α)= ∑m

j=0

ajαmj.

(c) p ´e divis´ıvel (exatamente) por α se e s´o se p(α)=0.

Na Proposi¸c˜ao 2.10, o item (a) ´e a regra dos quocientes de Ruffini e (b) ´e o Teorema do resto. Do item (a) resulta o conhecido algoritmo (na divis˜ao inteira em R[x] pelo polinˆomio de grau 1 x↦x−α) que se estende facilmente a C[z], como exemplificamos abaixo.

z−α

c0zm1+c1zm2+...+cm1

a0zm+a1zm1+a2zm2+...+am1z+am

−c0zm+c0αzm1

c1zm1+a2zm2+...+am1z+am

−c1zm1+c1αzm2

c2zm2+...+am1z+am

cm1z+am

−cm1z+cm1α r

(11)

Exemplo 2.11 Dividir−2z4+32z2+iz+12i porz+i. De acordo com a Proposi¸c˜ao 3.8(a) escrevemos:

−2(a0) 0(a1) 32(a2) i(a3) 12i(a4)

−i(α) 2i 2 27i 25

−2(c0) 2i(c1) 72(c2) 25i(c3) −2−2i −2−2i

O pr´oximo resultado, o “Teorema Fundamental da ´Algebra”, expressa que cada polinˆomio p ∈C[z], ∂p ≥ 1, tem pelo menos um zero em C. ´E pertinente notar que o enunciado an´alogo com R[x] no lugar de C[x] ´e falso (pois, por exemplo,p(x)=x2+1,∀x∈R, pertence aR[x]mas n˜ao tem nenhum zero emR).

O matem´atico francˆes d’Alembert pensou ter achado uma prova deste teorema , em 1746, mas seu argumento tinha um erro. A primeira “prova” conhecida deste resultado ´e devida a Gauss, raz˜ao pela qual o resultado ´e tamb´em conhecido como “Teorema de d’Alembert-Gauss”. A “Primeira Prova de Gauss”, de 1799, tamb´em tinha erros, que s´o foram corrigidos em 1920 por A. Ostrowski. Em 1806 o livreiro sui¸co J. Argand publicou uma prova muito simples, ainda incompleta, mas que ´e para a matem´atica moderna correta.

2.12 Teorema Fundamental da ´Algebra. Cada p ∈ C[z], ∂p ≥ 1, tem ao menos um zero (real ou complexo). Isto ´e, existe ζ∈C tal que p(ζ)=0.

Duas das provas do Teorema Fundamental da ´Algebra (TFA) que apresentaremos s˜ao uma sutil varia¸c˜ao da demonstra¸c˜ao de Argand. A terceira ´e a demonstra¸c˜ao de Argand. As duas primeiras s˜ao recentes (2011) e deslocam a prova do TFA do ˆambito da ´Algeba e da Teoria das Fun¸c˜oes de Uma Vari´avel Complexa para os cursos de C´alculo de Duas Vari´aveis Reais. A mesma se ap´oia apenas em alguns poucos fatos b´asicos da teoria dos n´umeros reais e em c´alculos com n´umeros complexos que, embora tenham um certo grau de sutileza, uma vez explicitados s˜ao de f´acil compreens˜ao. A prova do Teorema 2.12 ´e deixada para o Cap´ıtulo 4.

(12)

Centraremos nossa aten¸c˜ao pelo momento nas consequˆencias interessantes deste resultado.

A primeira aplica¸c˜ao importante do TFA diz respeito `a decomposi¸c˜ao fatorial de um polinˆomioe `as rela¸c˜oes entre coeficientes e ra´ızes. Seja p∈C[z],

p(z)=a0zm+a1zm1+...+am1z+am, a0≠0, com ∂(p)=m≥1 .

Pelo Teorema 2.12 (TFA) existeζ1 ∈Ctal que p(z1)=0 e ent˜ao, pela Proposi¸c˜ao 2.10 (c),p´e divisivel pelo polinˆomioz ↦z−ζ11, portanto existe p1 ∈C[z]tal que

p(z)=(z−ζ1)p1(z),∀z ∈C, com ∂(p1)=m−1.

Se m−1 ≥ 1, aplicando o Teorema Fundamental da ´Algebra ao polinˆomio p1, vemos que existe ζ2 ∈ C com p12)= 0 e ent˜ao, pela Proposi¸c˜ao 2.10(c), existe p2 ∈C[z], ∂(p2)=m−2, tal quep1(z)=(z−ζ2)p2(z),∀z ∈Ce, em consequˆencia,

p(z)=(z−ζ1)(z−ζ2)p2(z),∀z∈C .

Continuando com este processo2, ap´osm−1 passos obtemos:

p(z)=(z−ζ1)(z−ζ2)...(z−ζm1)pm1(z), com ∂pm1=1,

e portantopm1(z)=a0z+b 3,∀z∈C. O ´unico zero depm1 ´eζm = −b/a0 e assim obtemospm1(z)=a0(z−ζm),∀z∈C, o que implica

[2.1] p(z)=a0(z−ζ1)(z−ζ2)....(z−ζm1)(z−ζm),∀z∈C.

Comop≠0 e m=∂p≥1, o Teorema 2.6 mostra que o polinˆomio p n˜ao tem mais quem zeros distintos emC. Por´em, alguns destes zeros podem ser iguais e ent˜ao, a forma mais precisa de escrever a decomposi¸c˜ao [2.1] do polinˆomiopem produto de fatores lineares ´e:

[2.2] ⎧⎪⎪⎪⎪⎪⎨

⎪⎪⎪⎪⎪

p(z)=a0(z−ζ1)ν1(z−ζ2)ν2...(z−ζr)νr,∀z∈C, com ζi≠ζj se i≠j , 1≤i, j≤r , νj ∈N,∀j =1,2, ..., r , e ν12+...+νr=m=∂p .

1Doravante indicaremos (abusivamente) o polinˆomiozzαporzα.

2Aqui vale uma observa¸c˜ao an´aloga `a 1: a prova rigorosa deste fato deveria ser feita por indu¸c˜ao mas ´e t˜ao simples que n˜ao vale o esfor¸co fazer a formaliza¸c˜ao.

3A Proposi¸c˜ao 2.10 mostra que o 1 coeficiente de cada um dos polinˆomiosp1, ..., pm−1´ea0.

(13)

Com as nota¸c˜oes de [2.2], o n´umero naturalνj ´e amultiplicidadedo zeroζj ∈Ceζj

´e um zero (ra´ız) do polinˆomio pde multiplicidade νj4. Claramente, qualquer que seja a decomposi¸c˜ao de p em fatores lineares o conjunto de zeros n˜ao se altera.

Mostremos que, analogamente, a multiplicidade de cada zero tamb´em n˜ao muda e, portanto, n˜ao existem duas decomposi¸c˜oes diferentes do tipo [2.2] parap:

a0(z−ζ1)ν1(z−ζ2)ν2...(z−ζr)νr =a0(z−ζ1)ν1(z−ζ2)ν2...(z−ζr)νr , ∀z∈C , pois, se por exemploν11, dividindo ambos os membros por(z−ζ1)ν1 resultaria

a0(z−ζ1)ν1ν1(z−ζ2)ν2...(z−ζr)νr =a0(z−ζ2)ν2...(z−ζr)νr , ∀z∈C , o que ´e absurdo pois o primeiro membro se anula para z = ζ1 mas o segundo membro n˜ao, logoν11 e, analogamente,ν22,....,νrr. Resumindo obtemos o resultado abaixo.

2.13 Teorema. A todo p ∈ C[z] com m = ∂p ≥ 1 est´a associado um ´unico conjunto finito n˜ao vazio1, ..., ζr}⊂C, comr≤m, determinado pelas condi¸c˜oes:

p(ζj)=0,∀j=1,2, ..., r e p(z)≠0,∀z ∉{ζ1, ..., ζr} .

Seνj ∈N ´e a multiplicidade do zero ζj, 1≤j ≤r,ent˜ao ∑rj=1νj =m e pse escreve como o produto dea0 (primeiro coeficiente de p) por m fatores lineares na forma [2.2] e, a menos da ordem dos fatores, esta decomposi¸c˜ao ´e ´unica.

Para as aplica¸c˜oes ´e importante conhecer a estrutura (fatora¸c˜ao) de um po- linˆomio com os coeficientes em R atrav´es dos seus zeros. O muito ´util Teorema 2.15, a seguir, nos dar´a informa¸c˜oes completamente precisas. Antes, provemos um lema que tem interesse pr´oprio.

2.14 Lema. Sep∈C[z]tˆem todos os seus coeficientes reais, valem as asser¸c˜oes:

(a) p(z)=p(z), ∀z∈C.

(b) Se ζ∈C∖R´e um zero dep ent˜aoζ tamb´em ´e um zero depe existe q∈C[z] tal que:

(i) p(z)=(z−ζ)(z−ζ)q(z), ∀z∈C, (ii) q tem todos os seus coeficientes reais.

4No caso νj=1 diz-se queζj ´e um zero (ou uma ra´ız)simplesdep.

(14)

Prova.

(a) O caso em quep´e um polinˆomio constante,p=a∈R, ´e ´obvio. Suponhamos p(z)= ∑mj=0ajzmj, z∈C, comm≥1 ea0≠0. Ent˜ao, pelas propriedades da conjuga¸c˜ao, e utilizando que aj =aj, poisaj ∈R, obtemos

p(z)=∑m

j=0

ajzmj =∑m

j=0

ajzmj =∑m

j=0

ajzmj =∑m

j=0

ajzmj =p(z),∀z ∈C.

(b) A primeira afirma¸c˜ao ´e ´obvia por (a) pois p(ζ)=0⇒ p(ζ) =p(ζ)=0=0.

Ainda mais, como ζ ´e zero dep, pela Proposi¸c˜ao 2.10 (c), o polinˆomioz−ζ divide o polinˆomio p, isto ´e, existeq1 ∈C[z] tal que

(2.14.1) p(z)=(z−ζ)q1(z), ∀z∈C.

Como ζ tamb´em ´e ra´ız de p, de(2.14.1)resulta 0=p(ζ)=(ζ−ζ)q1(ζ)e de ζ−ζ ≠0 (pois ζ ∉R), obtemos q1(ζ)=0 e ent˜ao, pela Proposi¸c˜ao 2.10 (c) conclu´ımos que (z−ζ) ∣q1. Isto ´e, existe q∈C[z] tal que

(2.14.2) q1(z)=(z−ζ)q(z), ∀z ∈C. De (2.14.1) e(2.14.2) resulta (i).

Verifica¸c˜ao de (ii): Seja ζ =ξ+iη (ξ , η∈R). Ent˜ao,

(2.14.3) ⎧⎪⎪⎪⎪⎪⎨

⎪⎪⎪⎪⎪

(z−ζ)(z−ζ) =(z−ξ−iη)(z−ξ+iη)=(z−ξ)2−(iη)2

=(z−ξ)22

=z2+az+b , com a= −2ξ ∈R e b=ξ22∈R. Assim, escrevemos a rela¸c˜ao (i)como:

p(z)=(z2+az+b)q(z),∀z ∈C.

Logo,q´e o quociente (exato) da divis˜ao inteira depporz2+az+b, estes com os coeficientes em R, e portantoq tˆem os coeficientes em R[segue da prova da Proposi¸c˜ao 2.9 pois, ´e claro que o quociente e o resto da divis˜ao inteira entre polinˆomios com os coeficientes em R tamb´em tˆem os coeficientes em R, pois as opera¸c˜oes envolvidas s˜ao adi¸c˜ao, subtra¸c˜ao e multiplica¸c˜ao de n´umeros reais] ∎

(15)

2.15 Teorema Se p∈C[z], p≠0, tˆem todos os seus coeficientes reais tˆem-se:

(a) ζ ´e um zero de multiplicidade ν de p se, e somente se, ζ tamb´em o ´e.

(b) A fatora¸c˜ao [2.2] do polinˆomio p pode ser escrita (de forma mais precisa):

p(z)=a0[(z−ξ1)221]µ1...[(z−ξs)2s2]µs.(z−b1)λ1...(z−bt)λt,∀z ∈C , com a0 o coeficiente dominante do polinˆomiop, comζjj+iηj eζjj−iηj

j, ηj ∈R,1≤j ≤s) os zeros complexos n˜ao reais de p, com bk (1≤k≤t) os zeros reais de p, com µj a multiplicidade do zero ζj e λk a do zero bk. (c) Se ∂p ´e ´ımpar, p tem pelo menos uma ra´ız real.

Prova.

(a) Se ζ∈R, a afirma¸c˜ao ´e ´obvia (e in´util)5 poisζ=ζ. Se ζ∈C∖R ent˜ao ζ≠ζ e, pelo Lema 2.14 (b), ζ ´e ra´ız de p e ∂p=m≥2. Ainda, pela defini¸c˜ao de multiplicidade (vide [2.2]), temos (z−ζ)ν ∣p, isto ´e, existeQ∈C[z]tal que (2.15.1) p(z)=(z−ζ)νQ(z), ∀z∈C.

Por (2.2.1) temos ∂Q=m−ν e, ´e claro, Qpode ser escrito na forma Q(z)=a0+a1(z−ζ)+...+amν(z−ζ)mν, ∀z ∈C; a0, a1, ..., amν ∈C, com a0 ≠0 (a0 =0⇒ ζ ´e ra´ız de multiplicidade ν+1, contra a hip´otese).

Ent˜ao, pela equa¸c˜ao (2.15.1) obtemos

p(x)=(x−ζ)νQ(x),∀x∈R ,

e ent˜ao, conjugando a equa¸c˜ao acima (os coeficientes de pep(x)s˜ao reais), p(x)=p(x)=(x−ζ)ν[a0 + a1(x−ζ) + ...+ amν(x−ζ)mν], ∀x∈R , e pondo G(z)=a0+a1(x−ζ)+...+amν(x−ζ)mν, para todoz∈C, temos p(x) = (x−ζ)νG(x), para todo x ∈ R, e pelo Princ´ıpio de Identidade de Polinˆomios (Teorema 2.6) ou Corol´ario 2.7,

p(z)=(z−ζ)νG(z), ∀z∈C , com G(ζ)=a0 ≠0.

Logo, por [2.2], ζ ´e ra´ız de multiplicidade ν de p. Fim da prova de (a).

5De fato, se ζ R ent˜ao p(ζ) =0 p(ζ) = 0 ´e uma tautologia. J´a no casoζ CR, a implica¸c˜ao “ζ´e um zero de multiplicidadeν depζ ´e um zero de multiplicidadeν dep” nos indica um novo zero, de multiplicidadeν.

(16)

(b) Pelo item (a) e pela fatora¸c˜ao em [3.2] de p temos,

p(z) =a0(z−ζ1)ν1...(z−ζs)νs.(z−ζ1)ν1....(z−ζs)νs.(z−b1)λ1...(z−bt)λt

=a0[(z−ζ1)(z−ζ1)]ν1...[(z−ζs)(z−ζs)]νs.(z−b1)λ1...(z−bt)λt . Aplicando (2.14.3) `as express˜oes entre colchetes segue a fatora¸c˜ao citada.

(c) ´Obvio ∎

2.16 Observa¸c˜ao. Se os coeficientes de p ∈ C[z], p ≠ 0, s˜ao reais, ent˜ao a restri¸c˜ao a R de p ´e um polinˆomio p˜= p∣R ∈ R[x] e as conclus˜oes de Teorema 2.15 valem parae, entre elas,

(2.16.1) p˜(x)=a0[(x−ξ1)212]ν1...[(x−ξs)2s2]νs(x−b1)λ1...(x−bt)λt, ∀x∈R. Mais precisamente, podemos dizer que o Teorema 2.15 ´e essencialmente um re- sultado de estrutura para elementos deR[x]. Notemos que em (2.16.1) todos os n´umeros s˜ao reais mas, para obtˆe-lo ampliamos o “campo de manobra”, de R paraC, onde s˜ao poss´ıveis muitas computa¸c˜oes que n˜ao em R. Este ´e um exem- plo (entre muitos) de um fato geral: o desenvolvimento da teoria dos n´umeros complexos [e suas consequˆencias: c´alculo diferencial e integral complexos, etc,], al´em do seu enorme interesse pr´oprio, permite entender bem mais profundamente fenˆomenos puramente reais (por exemplo: como provar´ıamos (2.16.1) sem utili- zarmos C ?). Neste ponto ´e interessante voltar a refletir sobre a atitude de R.

Bombelli mencionada no 0 desta notas.

2.17 Exemplo. Determinemos m e a reais tais que para o polinˆomio p(z)=z5−z4+2z3−mz2+z+a ,

z=i seja zero de multiplicidade 2 e, para tais m e a, mostremos as ra´ızes de p.

Solu¸c˜ao. Como i ´e zero duplo6 de p, pelo Teorema 2.13 o polinˆomio p0(z) = (z−i)2=z2−2iz−1 divide (exatamente)p. Efetuando a trivial divis˜ao inteira de ppor p0 obtemos o quocienteq(z)=z3+(2i−1)z2−(1+2i)z+(3−m) e o resto r(z)=2i(2−m)z+a+3−m(z∈C). Impondo r=0 temos 2i(2−m)=a+3−m=0 e assim,m=2 e a= −1.

6A express˜ao “zero duplo” ´e frequentemente empregada para um “zero de multiplicidade 2”.

(17)

Desta forma obtemos,

p(z)=z5−z4+2z3−2z2+z−1, ∀z∈C.

Por fim, como os coeficientes deps˜ao reais, pelo Teorema 2.15, o n´umeroi= −i´e zero duplo dep=(z−i)2qe portanto−i´e ra´ız dupla deq. Desta forma, aplicando aq o algoritmo de Ruffini (Proposi¸c˜ao 2.10 e Exemplo 2.11) obtemos

1−i) 1−i) 1

−1+2i

−i −1−2i 1+i

−11

−1+i 0

−i

−1

−i +i 0

donde segueq(z)=(z+i)2(z−1), ∀z ∈C, e

p(z)=(z−i)2(z+i)2(z−1), ∀z∈C,

e portanto as ra´ızes dep s˜ao i e −i (ambas duplas) e 1 (ra´ız simples) ∎

2.18 Observa¸c˜ao. A partir do Teorema 3.15 e do m´etodo dos coeficientes a de- terminar (v. Exemplo 3.8) ´e poss´ıvel obter (e n˜ao ´e dif´ıcil) a decomposi¸c˜ao de uma fun¸c˜ao racional em fra¸c˜oes simples.

Lembremos que uma fra¸c˜ao racional real ´e uma fun¸c˜ao do tipo P

p =P/p∶ xz→ P(x)

p(x) =P(x)/p(x) ,

ondeP, p∈R[x]ep≠0, definida sobre o conjuntoC∖F, ondeF ´e o conjunto finito das ra´ızes dep(vide Teorema 3.13). Notemos primeiro que, se∂P ≥∂p, efetuando a divis˜ao inteira de P por p, se q e r s˜ao o quociente e o resto, respectivamente, obtidos temosP =pq+r, ∂r<∂p e ent˜ao,

(2.18.1) P

p = pq+r

p =q+r q .

(18)

Como objetivamos escrever P/pcomo soma de express˜oes mais simples que a original eq´e um polinˆomio, de (2.18.1) resulta que ser´a suficiente estudar o termo r/q onde ∂r <∂q. Em consequˆencia, podemos supor no que segue, ∂P <∂p. No Apˆendice B provamos (e mostramos algumas aplica¸c˜oes):

Teorema: Seja P/p uma fra¸c˜ao racional real irredut´ıvel 7, com ∂P < ∂p. Se a fatora¸c˜ao de p ´e a que consta no enunciado do Teorema 3.15 (b) ent˜ao P/p se escreve de modo ´unico na forma:

(2.18.2) P(x) p(x) =∑t

k=1

{ Ak,1

(x−bk)λk+...+Ak,λk

x−bk}+∑s

j=1

{ Mj,1x+Nj,1

[(x−ξj)2j2]µj+...+Mj,µjx+Nj,µj (x−ξj)2j2 }, para cadax∈R, x≠bk (1≤k≤t).

O segundo membro de (2.18.2) ´e chamado decomposi¸c˜ao de P/p em fra¸c˜oes simples. A prova da existˆencia da decomposi¸c˜ao (3.18.2) [“Analisis Matematico”, R. Pastor et all, Cap XII, 46-4, pg 645 ( 4 ed., 1958)] ´e feita de modo construtivo e pode ser ´util para a determina¸c˜ao dos coeficientes Ak,j, Mj,m e Nj,m. Por´em, a existˆencia e a unicidade da decomposi¸c˜ao justificam o uso, `as vezes mais cˆomodo, do m´etodo dos coeficientes a determinar, como ilustramos a seguir.

2.19 Exemplo. Determinar a decomposi¸c˜ao em fra¸c˜oes simples de (x2+1x)(5+xx2+2)2. Neste caso temosP(x)∶=x5+x ep(x)∶=(x2+1)(x2+2)2, isto ´e, ptem os zeros conjugados simples±i e os zeros conjugados duplos ±i√

2. Escrevemos x5+x

(x2+1)(x2+2)2 = ax+b

x2+1+cx+d

x2+2+ ex+f

(x2+2)2 ,∀x∈R, e ent˜ao, multiplicando ambos os membros por p(x) resulta

(x5+x)=(ax+b)(x2+2)2+(cx+d)(x2+1)(x2+2)+(ex+f)(x2+1),∀x∈R . Efetuando as opera¸c˜oes indicadas no 2 membro, a igualdade acima se escreve x5+x=(a+c)x5+(b+d)x4+(4a+3c+e)x3+(4b+3d+f)x2+(4a+2c+e)x+4b+2d+f ,∀x∈R, e (v. Corol´ario 2.7) obtemos o sistema linear de 6 equa¸c˜oes com 6 inc´ognitas:

(1) a+c=1, (2) b+d=0, (3)4a+3c+e=0, (4) 4b+3d+f =0, (5) 4a+2c+e=1, (6) 4b+2d+f =1.

7Isto ´e, P e p n˜ao tˆem zeros comuns ou equivalentemente fatores lineares ou de 2 grau comuns nas fatora¸c˜oes de ambos (Teor. 3.15 (b)).

(19)

De(2)segued= −be portanto(4)e(6)se escrevem, respectivamente,b+f =0 e 2b+f=0 que ´e visivelmente um sistema determinado; donde,b=f =0 e, ent˜ao, d = 0. De (1) segue c = 1−a e ent˜ao (3) e (5) se escrevem, respectivamente, a+e= −3 e 2a+e= −1; cuja solu¸c˜ao ´ea=2 ee= −5 e portanto,c=1−a=1−2= −1 dondec= −1. Consequentemente,

x5+x

(x2+1)(x2+2)2 = 2x

x2+1− x

x2+2− 5x

(x2+2)2,∀x∈R ∎ A decomposi¸c˜ao (2.18.2) ´e especialmente ´util no c´alculo das primitivas

∫ P(x) p(x)dx de uma fra¸c˜ao racional real P/p.

Dadop∈C[z], com ∂p≥1, suponhamos p(z)=∑n

j=0

ajzmj,∀z∈C .

Se F ∶= {α1, ... , αr} ´e o conjunto dos zeros de p (r ≤ m) e νj ∈ N denota a multiplicidade deαj (1≤j ≤r, ∑r

j=1=m), examinemos a sequˆencia dos zeros dep: (ζj)1jm=(ζ1, ... , ζm)∶=(α1... α1, α2, ... α2, ... αr, ... αr),

com αj ocorrendo νj-vezes na sequˆencia, para cada j = 1, , .. , r. ´E claro que para cada permuta¸c˜ao σ ∈ Sm, a sequˆencia (ζσ(1), ζσ(2), ...ζσ(m)) ´e tamb´em uma sequˆencia dos zeros depe ´e irrelevante distingui-las, pois que todas d˜ao a mesma informa¸c˜ao. Assim, abusivamente, chamamos qualquer uma delas dea sequˆencia dos zeros dep. Logo, se como no Exemplo 2.17 temos

p(z)=z5−z4+2z3−2z2+z−1,

qualquer das sequˆencias (i, i,−i,−i,1), (i,−i,−i, i,1), (1, i,−i, i,−i), etc., d˜ao a mesma informa¸c˜ao a respeito dos zeros de p, a saber, que p admite i e −i como ra´ızes duplas e 1 como ra´ız simples. Posto isto, vamos ao pr´oximo resultado que fornece as rela¸c˜oes existentes entre coeficientes e ra´ızes de um polinˆomio.

(20)

2.20 Teorema. Seja p∈C[z] dado por p(z)=∑m

j=0

ajzmj,∀z∈C, m=∂p≥1 (i.e., a0≠0), e sejaj)1jm a sequˆencia dos zeros de p. S˜ao v´alidas as rela¸c˜oes:

−a1

a0 =∑m

j=1

ζj; a2

a0 = ∑

1i<jm

ζiζj; −a3

a0 = ∑

1i<j<km

ζiζjζk, ... ,(−1)mam

a0 =∏m

i=1

ζj . Prova.

As hip´oteses sobre p implicam que vale [2.1] (v. prova do Teor. 2.13). Isto ´e, p(z)=a0(z−ζ1)(z−ζ2)...(z−ζm),∀z∈C .

Efetuando os produtos indicados no 2 membro da rela¸c˜ao acima obtemos a0zm+zm1(−a0ζ1−a0ζ2−...−a0ζm)+zm2(a0ζ1ζ2+a0ζ1ζ3+...+a0ζm1ζm)+...+ +zmj[a0(−1)j

1s1<s2<...<sjm

ζs1ζs2...ζsj]+...+a0(−1)mζ1ζ2...ζm,

e como este polinˆomio ´e igual a p(z)=a0zm+a1zm1+...+am, pelo Princ´ıpio de Identidade dos Polinˆomios resulta:

a1 = −a0ζ1−a0ζ2− ...−a0ζm, isto ´e, −a1

a0 =∑m

i=1

ζi

a2=a0ζ1ζ2+a0ζ1ζ3+ ... +a0ζm1ζm, isto ´e, a2

a0 = ∑

1i<jm

ζiζj

...

...

...

aj =a0(−1)j

1s1<s2<...<sjm

ζs1ζs2...ζsj, isto ´e, (−1)jaj

a0 = ∑

1s1<...<sjm

ζs1ζs2...ζsj

am =a0(−1)mm

i=1

ζi, isto ´e, (−1)mam a0 =∏m

i=1

ζi

(21)

2.2 - Resolu¸c˜ao Elementar de Equa¸c˜oes por Radicais A equa¸c˜ao de 2 grau: ´e a equa¸c˜ao da forma

[2.3] az2+bz+c=0 (a, b, c∈C, a≠0).

Multiplicando [2.3] por 4a obtemos a equa¸c˜ao equivalente [2.3] 4a2z2+4abz+4ac=0 (a, b, c∈C, a≠0).

e observando que (2az+b)2 =4a2z2+4abz+b2, se somamos e subtra´ımos b2 em [2.3’] e pomos ∆∶=b2−4ac, podemos escrever [2.3’] da maneira equivalente:

[2.4] (2az+b)2=∆, ou seja,

[2.4] (2az+b−√

∆)(2az+b+√

∆)=0,

e ent˜ao, os zeros de [2.3] s˜ao os valores que anulam a um qualquer dos fatores em [2.4’], isto ´e,

z1= −b−√

2a e z2= −b+√

2a .

O que usualmente se expressa pela f´ormula

[2.5] z = −b±√

2a = −b±√

b2−4ac

2a .

A diferen¸ca entre as duas ra´ızes ´e z2−z1 =

√∆ a =⎧⎪⎪

⎨⎪⎪⎩

≠0, se ∆≠0

=0, se ∆=0 . Se em [2.5] supomos ∆=0, obtemos a ra´ız dupla

z1=z2= − b 2a . Em resumo temos o resultado abaixo.

(22)

2.21 Proposi¸c˜ao. A equa¸c˜ao [2.8] tem duas ra´ızes, reais ou complexas, que s˜ao diferentes se ∆≠0 e coincidentes se ∆=0.

Quando os coeficientesa, b, cem [2.3] s˜ao reais (o que ´e frequente), as duas ra´ızes s˜ao reais e diferentes se ∆>0, s˜ao reais e coincidentes se ∆=0 e s˜ao complexas conjugadas se ∆<0 pois, se ∆= −∆ ent˜ao de [2.5] resulta,

z = −b±i√

2a .

Voltando ao caso geral (a, b, c∈C), somando as ra´ızes [2.5] obtemos [2.6] z1+z2 = −b+√

2a +−b−√

∆ 2a = −b

a. Multiplicando as ra´ızes [2.5] resulta:

z1z2 =(−b+√

∆)(−b−√

∆))

4a2 =b2−∆ 4a2 = 4ac

4a2 = c a,

e, convenientemente, re-encontramos neste caso particular as rela¸c˜oes dadas pelo Teor. 2.19.

O assunto que seria natural desenvolver a seguir ´e o estudo da varia¸c˜ao do sinal de um trinˆomio REAL de 2 grau e sua aplica¸c˜ao a inequa¸c˜oes de 2 grau.

Mas n˜ao nos deteremos neste conhecido t´opico, solicitando ao leitor desenvolve-lo nos exerc´ıcios (v. Exerc´ıcios - Cap´ıtulo 2).

2.3 - Equa¸c˜oes Redut´ıveis a Quadr´aticas (A) Equa¸c˜oes biquadradas: s˜ao as do tipo

[2.7] ax4+bx3+c=0 (a, b, c∈C, a≠0),

que se resolvem pela substitui¸c˜aoy=x2, que transforma [2.7] em [2.7] ay2+by+c=0,

cujas ra´ızes sabemos calcular. Sey1 e y2 s˜ao as ra´ızes de [2.7’] ent˜ao as ra´ızes de [2.7] s˜ao x1 = √y1, x2 = −√y1, x3 =√y2 e x−4= −√y2, as quais s˜ao dadas pela f´ormula

x= ±

√−b±√

b2−4ac

2a .

(23)

(B)Equa¸c˜oes rec´ıprocas: S˜ao as equa¸c˜oes que tˆem os coeficientes equidistantes dos extremos iguais. Assim, uma equa¸c˜ao rec´ıpoca de 4 grau tem o aspecto:

[2.8] ax4+bx3+cx2+bx+a=0. Dividindo [2.8] porx2, a transformamos em [2.8] a(x2+ 1

x2)+b(x+1

x)+c=0.

A substitui¸c˜aoz =x+1x, que implica x2+x12 =z2−2, transforma [2.8’] em [2.9] az2+bz+c−2a=0 .

Resolvendo [2.9] obtemos dua ra´ızesz1, z2 cada uma das quais d´a um par de ra´ızes de [2.8] que se obt´em resolvendo as equa¸c˜oes

x2−zjx+1=0 (j=1,2) . A Equa¸c˜ao C´ubica: A equa¸c˜ao geral de grau 3 ´e,

a0z3+a1z2+a2z+a3=0, a0 ≠0,

e portanto, dividindo pora0 podemos supor sem perda de generalidade quea0=1 e escreve-la

[2.10] z3+a1z2+a2z+a3=0 (a1, a2, a3 ∈C).

Faremos uma transla¸c˜aoz=x−k, onde a constante complexak ser´a determinada pela condi¸c˜ao de eliminar o monˆomio de 2 grau em [2.10]. Assim, substituindo z por x−k em [2.10], ap´os efetuar as opera¸c˜oes requeridas e agrupar termos semelhantes e ordenar em potˆencias decrescentes dex, obtemos uma equa¸c˜ao do tipo:

x3+(a1−3k)x2+(...)x+ termo indep. =0, o que mostra que parak= a31, a equa¸c˜ao [2.10] toma a forma:

[2.11] x3+px+q=0.

As considera¸c˜oes acima mostram que equa¸c˜oes da forma [2.10] podem ser trans- formadas em equa¸c˜oes do tipo [2.11] por meio da mudan¸ca de vari´avelz=x−a31.

(24)

Assim, ´e claro que para resolver [2.10] basta saber resolver [2.11] (pois, sexj,1≤ j≤3, s˜ao as trˆes ra´ızes de [2.11] ent˜aozj =xja31,1≤j≤3, s˜ao as trˆes ra´ızes de [2.10]). Para resolver [2.11] introduzimos duas novas vari´aveis u, v com a substi- tui¸c˜aox=u+v. Agrupando convenientemente, [2.11] toma a forma

u3+v3+(3uv+p)(u+v)+q=0,

que tem por solu¸c˜oes valores deu e v verificando as condi¸c˜oes seguintes:

[2.12] ⎧⎪⎪

⎨⎪⎪⎩

u3+v3 = −q

3uv = −p ⇒ [2.13] ⎧⎪⎪

⎨⎪⎪⎩

u3+v3= −q u3v3= −p273 . De [2.13] resulta que u3 ev3 s˜ao as ra´ızes da equa¸c˜ao de 2 grau

[2.14] y2+qy−p3

27=0,

chamadaresolvente de [2.11]. Resultam ent˜ao os valores u3=y1= −q

2+

√q2 4 + p3

27, v3=y2= −q 2−

√q2 4 + p3

27,

e ent˜ao extraindo as ra´ızes c´ubicas obtemos trˆes valores paraue trˆes valores para v, o que d´a nove pares de valores para u e v. Embora estes nove pares (u, v) satisfazem [2.13], nem todos verificam [2.12] pois a eleva¸c˜ao ao cubo introduziu solu¸c˜oes estranhas; devemos ent˜ao escolher apenas aqueles pares(u, v)de solu¸c˜oes que satisfazem a 2 equa¸c˜ao de [2.12], isto ´e,

[2.15] uv= −p

3.

Com esta restri¸c˜ao, as trˆes ra´ızes de [2.11] s˜ao dadas pela F´ormula de Tartaglia (`as vezes erroneamente atribuida a Scipion del Ferro ou mesmo a Cardano, que foi o primeiro a public´a-la):

[2.16] x= 3

¿Á ÁÀ−q

2+

√q2 4 + p3

27 + 3

¿Á ÁÀ−q

2−

√q2 4 +p3

27 .

Aqui ´e importante frisar que com o avan¸co das calculadoras que resolvem em ins- tantes uma equa¸c˜ao do tipo [2.11], a f´ormula [2.16] tem interesse apenas hist´orico e n˜ao apresentaremos nenhum exemplo de sua aplica¸c˜ao, relegando isto a um

(25)

exerc´ıcio (vide Exerc´ıcios - Cap´ıtulo 2). Nos livros mais antigos era feita a dis- cuss˜ao do tipo de ra´ızes da equa¸c˜ao [2.11] quando p, q∈R, segundo

q2 4 +p3

27 fosse maior, igual ou menor que zero.

A equa¸c˜ao do 4 grau: Se a f´ormula [2.16] dando as ra´ızes da equa¸c˜ao c´ubica [2.11] ´e complicada demais para ter, na atualidade, algum valor pr´atico, o que dizer da f´ormula para as ra´ızes da equa¸c˜ao geral de 4 grau, que ´e bem mais dif´ıcil ? A seguir mostraremos brevemente os passos principais que levam a esta f´ormula apenas por raz˜oes culturais e hist´oricas.

Se na equa¸c˜ao geral de 4 grau (ap´os pr´evia divis˜ao pelo 1 coeficiente):

[2.17] z4+a1z3+a2z2+a3z+a4 =0, (aj ∈C,1≤j≤4),

efetuamos a substitui¸c˜ao z = x−a41, obtemos outra equa¸c˜ao sem segundo ermo, do tipo:

[2.18] x4+px2+qx+r=0.

Procedendo como na equa¸c˜ao c´ubica, fazemos a substitui¸c˜aox=u+v+w, igual- dade que elevada ao quadrado pode ser escrita assim:

x2−(u2+v2+w2)=2(uv+uw+vw). Elevando de novo ao quadrado obtemos:

x4−2(u2+v2+w2)x2+(u2+v2+w2)2=4(u2v2+u2w2+v2w2)+8uvw(u+v+w) ou seja,

x4−2(u2+v2+w2)x2−8uvw(u+v+w)+(u2+v2+w2)2−4(u2v2+u2w2+v2w2)=0 e ent˜ao, para obter as ra´ızes de [2.18] bastar´a obter valores u, v, w verificando as condi¸c˜oes

[2.19] ⎧⎪⎪⎪⎪⎪⎨

⎪⎪⎪⎪⎪

u2+v2+w2 = −p2

uvw= −q8

(u2+v2+w2)2−4(u2v2+u2w2+v2w2)=r .

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