UNIVERSIDADE
DE
SAO
PAULO
INSTITUTO
DE
GEOCIÊNCIAS
ANÁLtsE
CINEMÁrlCa
DO
SETOR
DE
JUNçAO
ENTRE
AS ZONAS DE
CISALHAMENTO
DIREC¡ONAIS
SÃO
BENTO
DO
SAPUCAí,
SERTÃOz:INHO
E
JUNDIUVIRA,
NAS
IMEDIAçÖES
DE
PIRACAIA.SP
Maria
da
Glória Motta
Garcia
Orientador:
Prof. Dr.
Mário
da
Costa
Campos Neto
DrssERTeçAo
DE
MESTRADO
COI"I¡SSÃO
JULGADORA
Presidente:
ExaminadoreB:
nomo
l,lario
da
Costa
Canpos NetoMarcos
Eggdio
da
Silua
Hans
Dirk
Ebert
àn^-t
UNIVERSIDADE
DE
SÃO
PAULO
INSTITUTO
DE
GEOCIÊNCIAS
DEDALUS-Acervo-¡GC
ffillt Iilil lllll llil llill llil llil llil llil lllil llil lil
il
30900004985
ANÁL¡SE gINEMÁTICA
DO SET9R
DE
JUNÇAO
ENTRE AS ZONAS
DE
CISALHAMENTO
DIRECIONAIS
SÃO
BENTO DO
SAPUCAí,
SERTÃOZINHO
E
JUNDIUVIRA,
NAS
IMEDIAçOES
DE
PIRACAIA-SP
Maria
da
Glória Motta
Garcia
Orientador:
Prof.
Dr,
Mário
da
Costa
CamPos Neto
DISSERTAçÃO
DE
MESTRADO
Programa
de
Pós-Graduaçâo
em
Geoquímica
e
GeotectÔnica
'-,',t ti l.t.:' t (-.t4)
SÄO
PAULO
'{
mzuoþatb;
RESUMO
O setor centro-leste do Estado de São Paulo
é
caracterizadopor um
importante sistema de falhas transcorrentes que se constitui na feição mais visivel da Faixa Ribeira.O
objetivo destetrabalho é compreender a evolução cinemática de uma área atravessada
por
três destas zonas de cisalhamento direcionais: São Bento do Sapucaí (ZCSBS), Sertãozinho (ZCS) e Jundiuvira (ZCJ).As rochas mapeadas foram individualizadas nas seguintes unidades. Complexo Piracaia,
constituído
por
paragnaissese
xistos
a
granada localmente migmatizados,Grupo
Serra
doItaberaba, seqüência metavulcano-sedimentar
com
sillimanita-xistos,biotita-xistos,
quartzitos,sericita-filitos e metabásicas e
Grupo
São Roque, formadopor
metarenitosa
metargilitos. Estesterrenos são intrudidos
por
ortognaisses de composição granítica-granodiorítica (Serra do BarroBranco) a granítica (Serra do
Mato Mole)
e por vários corpos granitóides menores.A
movimentação das zonas de cisalhamento direcionaisfoi
responsável pela geração dafoliação mais persistente na área (Sn milonítica), orientada preferencialmente NE, e plano axial a
dobras apertadas
a
isoclinaisem
superficiesS(n-l).
A
similaridade mineralógica entreos
doisplanos sugere
uma
evolução
progressivasobre
a
própria foliação
milonítica
principal
Estafoliação
é
modificada
localmente
por
clivagens
S(n+l).
tardias
ou
posteriores
ao
seudesenvolvimento e plano-axiais a dobras assimétricas com vergência para NW.
O deslocamento sinistral das zonas de cisalhamento São Bento
do
Sapucaí e Sertãozinho gerou movimentos laterais oblíquos divergentes essencialmente subhorizontais, responsávers pelo desenvolvimento de uma estrutura emflor
negativa (naZCSBS)
queperrnitiu
o
abatimento derochas de
grau
maisbaixo
e
provavelmentea
colocaçãode
corpos graníticos (Serrado
MatoMole).
A
movimentação destral posterior daZCI
gerou domínios transtrativos, preenchidos pormetassedimentos,
e
transpressivos, responsáveispor
compressão generalizada paraNW e
pelo clesenvolvimento de grande parte das estruturasS(n+l).
Esta inversão tectônicafoi
acompanhada de redução na temperatura em toda a área.Com
base nos estudosde
orientação preferencial cristalográfica(OPC) de
eixos-C dequartzo
foi
possívela
individualizaçãode dois
setores,
caracterizados, respectivamente. pordeformação
não-coaxial
(cisalhamento
simples)
e
deformacão não-coaxial
associada
aachatamento (transpressão).
Estes
setores
estão
relacionadoscom
os
limites
do
domíniotranspressivo
da
ZCJ, cujos
padrões
de
OPC
sugeremainda
redução
na
temperatura cleABSTRACT
The middle-eastern part of the State
of
São Paulo is characterised by a transcurrent fault systemthat
is
the
most visible feature
of
the fubeira Belt. The aim
of
this
researchis
to understand the kinematic evolutionof
an area cross-cut by threeof
thesestrike-slip
shear zones(SZ):
São Bento do Sapucaí (SBSSZ), Sertãozinho (SSZ) and Jundiuvira (JSZ)'Field data allowed identification
of
thefollowing
units: Piracaia Complex, composedof
paragneissic
rocks and locally
migmatized
garnet
schists;
Serra
do
Itaberaba
Group,
ametavolcanic-sedimentary sequence
that
includes sillimanite-schists,biotite-schists,
quartzites,sericite-filites
and
metabasicrocks; and
São Roque
Group,
madeup
of
metasandstones tometamudstones. These
terrains
are
intruded
by
orthogneissicrocks
of
granitic-granodioritic(Serra
do Barro
Branco)to
granitic
(Serrado Mato Mole)
composition andby
several smallgranitic bodies.
Displacement
along
these shear zones
has
generatedthe
most
penetrative
planarstructure
in
the
area, an axial-planefoliation (milonitic,
called Sn)to tight
to
isoclinalfolds
of
S(n-l)
surfaces, orientedmostly
NE. The
mineralogical resemblance betweenthe
two
planessuggesrs a progressive evolution
of
the
mainmilonitic foliation.
It
is locally
modifiedby
late to post S(n+ I ) axial-plane cleavagesto
asymmetric, northwest-verging folds.A
sinistral senseof
shear, identifiedin
the São Bentodo
Sapucaí and Sertãozinho shearzones, produced mainly horizontal, divergent
oblique
lateral movements,by which a
negativeflower
structure evolved (SBSSZ), leading
to
the
subsidenceof
low-grade
metasedimentaryblocks
and
emplacementof
granitic
bodies (Serra
do
Mato Mole). The late dextral
shearmovement of the
JSZ
gave riseto
transtensile domains, occupied by metasedimentaryrocks'
andtranspressive
domains,
which
led
to
a
general
compressiontoward
the
NW
and
to
thedevelopment of the
S(n+l)
structures. This tectonic inversion was accompanied by a temperature reduction in the whole area.On
the
basisof
lattice
preferredorientation
(LPO)
analysisof
quartz
C-axesit
waspossible
to
identifli
two
main
sectors,which
are
characterised.respectively'
by
non-coaxialdeformation (simple shear) and
AGRADECIMENTOS
Ao
Prof.
Dr.
Mário
da
Costa CamposNeto,
pela criteriosa
orientação, cuidado nasrevisões
e
pela paciência duranteos
processosde
aprendizadocientífico
e
de maturação deste trabalho;Ao
Prof.
Dr.
MarcosEgydio da
Silvae Prof.
Dr. Alain
Vauchez, pela atençãoe
peloauilio
na confecção e interpretação dos diagramas de OPC de eixos-C de quartzo,A
IvoneKeiko
Sonoki (CPGEO), pela preciosa assistência nos intermináveis problemascom o computador;
A
José RobertoMotta
Garcia(INPE),
pelo programa de conversão de medidas de eixos-C de quartzo;A
Rita
Parisi
Conde,
Márcia Cristina
da
Ponte
e
Thelma
Maria Collaço
Samara(Laboratório de Infbrmíttica) pela ajuda na confecção dos mapas, perfis e desenhos;
A
Deborah Mendes (a Comúna) e Diana Ragatki, pela colaboração nas etapas de campo;Ao
Prof.Dr.
Thomaz R. Fairchild pela revisão do abstracl;Ao
Prof. Alexis Rosa Nummer (UFRRJ), pelas sugestões quanto à parte grâficaAo Prof Dr.
CaetanoJuliani, pelos
vários artigos
cedidos
e
pela
atenção
sempredispensada;
Ao
Prof.
GergelyA.
Szabó, peloauxílio
nos problemascom os
microscópiose
com aplatina universal;
À
comunidade da EEPGR doBairro
do Peão (Piracaia-SP), em especial aoDiretor
LuisMartins (o Zoca), pelo apoio e hospitalidade;
A
Nicia
Maria Brandão Zalaf e Sônia Gomes CostaVieira
(Secretariado DGG),
ao Sr.Dalton
Machado
da
Silva
e
sua
equipe
(Gráfica)
e
Angélica Dolores
de
Mello
Morente(Laboratório de Ótica do
DMP),
pelos inúmeros serviços gentilmente prestados;SUMÁRIO
1 - TNTRODUÇ.4O
l.l
- Localização e acesso 1.2 - Aspectos geográficos 1.3 - Objetivos1,3.1 - Justificativa
1.3.2 - Etapas de trabalho
I
I 2 2 2 3 5 5 5 6 6 7 1.4 - Metodologia específica1.4.1. - Procedimentos iniciais
I .4.2.- Platina Universal
2 - SOBRE O
CONHECIMENTO ANTERIOR
2.1- Contexto tectônico regional
2.2- Ðvolução das idéias 2.2.1 - Generalidades
2.2.2 - Os grandes falhamentos
2.3 - Unidades geológico-estruturais presentes
7 8
l0
ll
t4
2.3.1 - Dornínio São Roquc
2.3.2 - Dominio da Nappc dc Empurrão Socorro-Guaxupé 2.3.3 - Zonas de cisalhamento
3 -
APRESENTAÇAO DA
GEOLOGTA LOCAL2.3..1 - Rochas granitóides
3.1 - Unidades Mapeadas
3. l. I - Complexo Piracaia
t4
l5
I6
3.1.2 - Grupo Scrra do Itabcraba
t6
l6 l7
ì.1.3 - Grupo São Roquc
3.2 - Atividades magmáticas 2. I - Ortognaisscs
l
3 2.2 - Corpos graníticos ¡ncrìorcs
4
- qRGANIZAÇ,íO
ESTRUTURAL4.1 - Conceitos básicos e terminologia utilizada
4.2 - Aspectos gerais das zonas de cisalhamento
4.3 - Zona de cisalhamento São Bento do Sapucaí (ZCSBS) -1.3.I - Foliações
22 23 23 26 28 28 30 33 :ì8 -1.3.2 - Liueaçõcs
-t.:1.:ì - Dobras
4.4 - Zona de cisalhamento Sertãozinho (ZCS) 42 42 46 4.4.1- Foliações
4.4.2 - Lineações
4.4.3 - Dobras
4.4.4 - Outras estruturas
4.5 - Zona de cisalhamento Jundiuvtra
(ZCJ\
4.5 I - Foliações 4.5 .2 - Lineações
4.5.3 - Dobras
4.5 .4 - Dominios transtrativos e transpressivos
5
.
INDICADORES
CINEfufuíTICOS5.1 - Conceito
5.2 - Classificação
5.2.
I
- Assimetrias em porhroclastos/porhroblastos5.2.2 - Mica fislr
5.2.3 - Bandas dc cisalhamento
5.2.4 - Desvios da foliação
46 47 48 49 53 54 55 58 58 58 58 60 63 65 65 67 ('¡'l 70 10 72 73 75 75 79 8(ì 82 86
9I
935.2.5 - Fragmentos imbricados
5.2.6 - Estruturas hack-rotqted
5.2.7 - Outros tipos de indicadores
6
-
ESTUDODE PETROTRAMA
DE QUARTZo
6.1 - Generalidades
6.2 - O Estudo da Orientação dos Eixos-C no quartzo 6.2, | - Caractcristic¿rs cristalogriificas
6.2.2 - Deformação coaxial 6.2.3 - Defonnação não-coaxial
6.3 - Apresentação dos Dados
6.3.1 - Setor com prcdonrínio de cisalhamento sirnples
6.3.2 - Sctor corn prcdominio de cisalhamento simplcs associado a achatamcnto (transpressão)
6.4 - Discussão
7
-
CONSIDERAÇOES
FINAIS
Índice
deFiguras
Fìg. 1. 1 - Mapa de localização.
1.2 - Articulação das folhas I : 10.000
2.1 - Principaisfeições estruturais do setor leste do Estado de São Paulo e adjacências.
al. (1977), Campos Neto & Basei (1983b) e Artur e ll/ernick (f 986)
Fig, 2.2 - Dotnínios tectônicos na porçdo sudeste do Estado de São Paulo.
I
I
Fig.Fíg. Baseado em Høsui et
9
Tassinari (1988) e Tassinari & Campos
Neto (1988). t2
29
Fíg. 4.
I
- Domínios e subdotnínios estruturqis na area mapeada,Fig. 1. 2 - Principais traços da foliação e lirniles aproximados das zonas de cisalhatnento na area mapeada.
-
3 IFig. 4. 3 - Orientação geral das principais estruturas observadas na area. a) Foliação ¡nilonítica Sn (Contornos 0.47, 1.18, L88, 2.59, 3.29); b) Lineações de estiranrcnto miloniticas Lem
(
) e eixos de dobras E(n)(
) eE(n+l)
(
)Fíg. 1. 1 - Dominio da ZCSBS. a) Subdominio dos xistos e rnigmalitos; b)Subdomínio do's paragnaisses; c)
Subdominio dos xistos e
f
litos. Contornos de Sn.Fig. 4.5 - Domínio da ZCSBS, subdomínio dos paragnaisses. Dobra subcilíndrica D(n t
l)
em superJícies Sn, mostrando plano axial e eixo construído.Fig. 4.
l4
- (a) Relaçdo entre ,\n e S(n-l). (b) e (c) Dobra:; indicalivas de lransposição. Orlognaisses granítico:;,ponto ('i-21
32
36
38
Fig. 1.6 - Planta e perfs esquemáticos dos subdomínios da estrutura ern Jlor da ZCSBS. (a) Subdominio Sl/. (b) Subdomínio
NE.
-
10 Fig. 4.7 - Fotomicrografia ntostrando estrulura rúptil distensiva em rochas graníticas do domínio da ZCSBS. Aporçdo cenlral, mais clara, desceu. Objetiva 0.8 X, sem anali.sador. Ponto (i-152.
,--
11Fig. 1.8 - Superticie extensional subparalela (N l5"E/75"58) ao traço principal da estrutura em.flor neg,aliva.
Bloco da direita clesceu. Biotita-xistos do Grupo Serra do ltaberqba, Ponto G-2
I0
-
1l
Fig. 1.9 - Domínio da ZCS. a) Subdomínio noroeste; h) Subdomínio sudeste (plano axial e eixo construído da
estrulura sinþrmal). Contornos de Sn. 13 Fig 1.10 - I'ittomicrograJìa mostrando dobra intraJittial em super/icies,\(n-l). I'bliação principal milonítica (Sn).
Objetiva 2.5 )', com analisador. Sillimanita-xisto do Grupo Serra do ltaberaba, lt¡tostra G-2
14.
15 Fig.l.II
- Dohra D(n+l)
em paragnaisses bandados do Grupo Serra do Ilaberaho. Ponto (ì-79 J7 Fig.l.
I2 - Dobras isoclinais plano-axiai.s a Sn em metassedimentos do (ìrupo São ll.oque. Ponto G-200..-
5l
Fig,
J,Ij
- Domínio da ZCJ. o) Subdonínio sucloeste; b) Subdomínio central: c) Strbdomínio nordeste. ('ontornos¿le Sn. 52
.t.l Fi¡¡. 1.15 - I;otornicrogra.fìa mo.stranclo tlohra D(n+ t) assintétrica em quorlzo,'illimanita-xistc¡ ck¡ (ìrupo '\erra ¿lo
Itaberaha. Iiergència da dobra paro NW. Notar o crescinrcnto de hiotita estática em plano's 'Sn. Aumenk¡ .t.t 0.8 ,\', sem analisodor. Pr¡nto G-3.
Fig. 5.
I
- [ìotomicrograJìa nostrando ntanlo cle recrislalização assinútrico sinistrol em por.fìroclaslo deK-./'eldspato..4umento 2.5.\', com analisaclor. Domínio da ZC.I, ponto (ì-126.
Fi¡¡. 5.2 - Fotornicrogro|ìa tno.strando ntanto de recristalização e pctrfìroclosto asr^imclricos indicando
movimentação sinislral. ..lunrcnk¡ 5.0,Y, com analisador. Domínio cla ZCJ, ponlo (ì-18
Fig. 5.3 - [ìotomicrogrq/ìa tle por./ìrohlastos cle granaclo cottt somhro.s cl<: pres.sdo asr'int¿tricas .sini¡^lrais ant
quortzo biotita sillinnnita-xistos clo Contplexo Piracaia. Åumenlo 1.2 .Y, com anali'sador. Domínio da
ZCSII:;, ponto
G-132
()lFig. 5.1 - Iiolomicrttgra.fìa mo.rtrarttlo /ìguras tipo õ cleslrai:; pouco de.senvolviclas enr porfìroclaslos de
K-/blctspato...lunrcnt<¡ 2.5 -\', cotn analisador..\lilonito por/ìroclaslico de ortogttoissc da,Scrra clo ltlato IIole, 59
60
Fíg. 5,5 - Fotomicrografia mostrando mica fish sinistral em ortognaisses da Serua do Barro Branco' Aumento I0 X, com analisador. Dominio da ZCJ, ponto
G-52.
62Fig. 5.6 - Fotomicrograf a de mica fish mostrando crescimento de muscovita em zonas de alívio de pressão,
relacionado possivelmente a uma movimentação destral tardia. Aumento l0 X, com analisador.
Ortognaisses da Serra do Barro branco, domínio da ZCJ, ponto G-53. 62 Fig.5.7 - Fotomicrografia de superJicies S-C com arranjo sinistral em biotita-xistos do Grupo Serra do ltaberaba.
Aumento 2.5 X, sem analisador. Domínio da ZCSBS, ponto G-35. 64 64 Fíg. 5,8 - Fotomicrografa mostrando superJicies S-C de.strais em muscovita sericita-filitos do Grupo Serra do
Itaberaba. Aumento 1.2 X, com analisador. Domínio da ZCJ, ponto G-163.
Fig. 5.9 - Fotomicrografia de superJicies C' destrais em sillimanita-xistos do Grupo Serra do ltaberaba. Aumento
0.8 X, sem analisador. Domínio da ZCJ, ponto G-2 14, 65
Fig. 5.10 - Fotomicrografia mostrando micro zona de cisalhamento sinistral. Aumento 2.5 X, sem analisador.
Biotita-xistos do Grupo Serra do ltaberaba, domínio da ZCSBS, ponto G-35
FÍg, 5,1
I
- Fotomicrografia mostrando porf roclasto de K-feldspato fraturodo indicando ntovimentaçdo destral. .Aumento 2.5 X, com analisador. Ortognaisses da Serra do Barro Brqnco, domínio da ZCI, ponto G-167. 66 Fig. 5.12 - Boudin de granito hololeucocratico em hiolita-xistos do Grupo Serra do Itaberaba mostrandoeslrutura back rotated indicativa de movimentação .sini,stral. Domínio da ZCSBS, ponto G-290.
-
67 Fig. 5.13 - I,'eios de quartzoþrmando tension gashes indicativos de movimentação sinistral. Ortognaisses da
Serra do Barro lJranco, domínio cla ZCS, ponto
G-86.
_---
68Fig. 5.11- Dobras assimélricas com eixos paralelos à direção cle maior eslirqmento em hiolila-xistos do Grupo Serra clo ltqberaba. Sentido de movimentação sinistral. Domínio da ZCSBS, ponto G-290 69
/J 66
Fíg. 6.1 - Principais planos e direções de deslizamento que podem ser ativados no quarfzo.
Fìg. 6.2 - Ilelação enlre crsse temperatura para os principais sistetnas de deslizamento no quartzo (ßlacic 1975:
in Ílobbs 1985)
_
71Fig. 6.3 - Diagratna de Flinn mostrando a relação da geometria dos padrões de orientação preferencial de eixos-C de quarlzo cot¡t a deformação coaxial. 76
Fig. 6.4 - Írsquema da deþrmação por deslizanrcnto intracri.çtalino basal etn quartzo. C é o eixo cri,stalografìco
perpendicularaoplanoba,sal {0001 },Séo./bliação,Léalineaçãodeesliramenlocuéoânguloentrea jitliação,\ e a direçdo de.fluxo, que tende a 0"cot¡t o aumento cla cleformação. O senliclo cle cisalhamenlo
esta representaclo pelas setas. (Laurent & Elchecopar
1976).
_,, _ _
77Fil¡. 6.5 - Esquema dos lrês cingulos ø, IJ e ry em diagramas do tipo guirlanda simple,s em relação aos eixos .\', I' e
Z do elipsoide de deJbrmação (Simpson
1980).
7¿lFi¡¡. 6.6 - Diagranns tla orientaçãr¡ cle eixo.s-C de c¡uarlzo ent reginres tle deþrmoção progressiva não-coaxial
devido a nuclanças nos sislemas cle cleslizamento clominantes. a) I,ftiximo.s típico.s cle dcslizanrcnto do :;i.slema ha.sal (a); b) (ìuirlanda simples; c) Guirlantla cruzada tipo
l:
tl) lvkiximo.ç típicos cle deslizamenlo dosi.stema prinnatico (c). Sentido tle nu¡vinrcntaçdo nos diagranms deslral. [iixo.\'horizontal.
-
79Fig. 6.7 - lisquema cla orientação da /oliação c da lineação em relaçdo a) ao.s cortes tlas .seções delgada's e h) aos diagrama.s de petrotranta de quarlzo. I)e acortlo com Nicolas & I)oirier (1976) assume-se que o.t eixrt'r
principais do fabric macro.rcópico coincidem cont o.s eixo.s clo elipsriide cle
de.fbrmação./ìnita. -
ll0Fig. 6.8 - Diagratna.t dc pelrolranta cle eixos-C de quartzo clo :;etor con predonrínio tlc ci.salhanrcnlo 'simple,s.
a)Donrinio da Z(-J; b), c), d), e) Domínio da Z(--5.
Fi¡¡. 6.9 - Diagramas de petrolranta cle eixos-C cle quarlzo tlo.çelr¡r com precktmínio cle tron.spres.são. a) a./)
Dominio da Z(-J: g)
a
m) Dontínio da ZCSBS.Fig. lí. I0 -.\lapa a pcrfil csqucmotico moslronclo a tlistrihuiçdo dos cliagrama:; clc orictrtação pre./ërencial de
8l
¿J3
Anexos
I
-Mapade
pontosl
- TNTRODUÇAO
l.l
- LocALrzAçLo
EACEssoA
âreaem
questão está localizadana porção
centro-lestedo
Estado
de
São Paulo, inserida nos setoresNE
eNW
das folhas Piracaia(SF.23-Y-D-I-l) e
lgaratâ (SF.23-Y-D-[-2),
respectivamente. Está incluída nos limites dos municípios de Piracaia, Igaratâ e Nazaré Paulista, eé delimitada pelas seguintes coordenadas geográficas'. 23" 4' 5.31" e 23o 07'
30"
S, 46ol3'
I I .36"e 46o
l8'45"
W (Fig.
I
1)
O acesso principalàírea
estudada se dá pelas rodovias Dom PedroII
(SP-65)
e
SP-36.
A
partir daí
inúmeras estradas secundáriase trilhas de
lenheiros facilitambastante a penetração no local, constituindo uma malha quase que suficiente para se visitar toda a região.
1.
0 l0 l0 l(rr
+
1.2 -
Asprcros
cpocnÁFrcos
A
configuração geomorfológicada
ârea mapeada (inserida totalmente dentro dos limitesda
província
denominadaPlanalto
Atlântico)
foi
imposta
em
grande
parte
pelas zonas
decisalhamento direcionais que atravessam estes terrenos. Almeida
Q96\
já
apontava a morfologiaestrutural
como
a
principal
responsávelpelas
formas
topográficas exibidas
na
região.
A
diversidade litológica é também fator condicionante para os elementos morfológicos.
O padrão hidrográfico está também intimamente ligado a esta estruturação, caso do Rio Atibainha e seus afluentes, que constituem a rede de drenagem principal da região. Este
rio,
assimcomo
a
represa homônima, possui direção persistentepara
NE-SW
controlada pela Zona
deCisalhamento Jundiuvira
(ZCJ), com
inflexões paraENE/SSW,
enquantoque
seus tributáriosobedecem, na sua maioria, a uma estruturação ligada ao sistema de fraturamentos regional.
O
clima
ameno
e
a
abundânciade
chuvas favoreceram
a
formação
de
florestas, caracterizadaspor
uma formação intermediária entre as florestas perenesda
encostae
asnão-florestas
do interior. Na
regiãoem
pauta esta vegetação encontra-se parcialmente devastada,dando lugar a plantações de eucaliptos destinados à fabricação de carvão.
1.3
- On¡nrrvos
1.3.1 -
Justificativa
O
setor
lestedo
Estadode
SãoPaulo
é
formado
por
rochasdo
embasamentoPré-Cambriano, grande parte delas retrabalhadas no
Ciclo
Brasiliano, duranteo
qual houve também a instalaçãode
feixesde
falhas transcorrentes,que colocou lado
a
lado terrenos
com
históriasgeológicas diferentes,
provenientes
de
ambientes
tectônicos diversos.
Os
movimentos transtensivos ao longo destes falhamentos permitiram a deposição de seqüências sedimentares decarater
tardi-tectônico,
de
pequenoporte, da
mesmaforma
que
a
sua
reativação, durante oEvento Sul-Atlantiano (Schobbenhaus et
al.
1984),foi
responsável pela instalação de bacias.A
compreensão da cinemática destas falhas, assim comoo
posicionamento temporal dasua movimentação é de
vital
importância parao
entendimento da geologia regional.já
que sãoO
objetivo
deste trabalhoé contribuir
parao
conhecimento da evolução estrutural dasrochas que se encontram na junção entre as zonas de cisalhamentos de Jundiuvira, Sertãozinho e
São Bento do Sapucaí, responsáveis pela segmentação de terrenos em distintos níveis crustais.
Os segmentos em questão correspondem .
a.
Terrenosda
Nappe
de
Empurrão
Socorro-Guaxupé (CamposNeto
sl ø/.
1984),situados
a
oeste das zonas de cisalhamento Jundiuvirae
SãoBento
do
Sapucaí. Neste domínio predominam unidades supracrustais metamorfizadasno grau
alto
associadasa
intensa anatexia,que ocorrem envolvendo porções alóctones mais antigas. Estes terrenos
têm
sido denominadosComplexo Piracaia (Campos Neto e Basei 1983a; Campos
Neto
l99l).
b.
Seqüências metassedimentares e metawlcânicas dos grupos São Roque (Hasui et al.1969)
e
Serra
do
ltaberaba
(Juliani
1993;
Juliani
et
ol.
1986),
limitados
pelas zonas
decisalhamento ltu-Jundiuvira a norte, Taxaquara e rio Jaguari a sul e de
Monteiro
Lobato a leste. Ocomportamento destas rochas
junto
às zonas de cisalhamento aindaé pouco
conhecido. Nesteslocais, como entre as zonas de cisalhamento Jundiuvira/Sertãozinho e Jundiuvira/São
Bento
doSapucaí, ocorrem estruturas acunhaladas que merecem um estudo mais apurado.
A
ocorrênciade
corpos granitóides pre
a
tardi-cinemáticosem
relaçãoàs
zonas decisalhamento transcorrentes,
é
característica marcante
na
região. Estes corpos
aparecemdeformados ou não, mas em geral são concordantes com o trend regional.
1.3.2
-
Etapas detrabalho
O produto final deste trabalho pode ser
dividido
em cinco partes, na confecção dos quaisforam utilizados determinados critérios e métodos.
l.
Confecção de mapas e seções geológicas;23 02'30"
23 07',34" 46 18',45' 46 15' 46 il',15"
Bairro dol
Crontdrtcr
Fig. 1.2 -
Articulação
dasfolhas
I : 10.0002. Individualização dos domínios estruturais;
A
análise dos dados estruturais obtidosno
campopermitiu a
delimitação de domínioscom
distribuição geométrica das estruturas planares (especialmentea
foliação principal, Sn)
elineares homogênea.
Posteriormente,
o
tratamento destes
dados
em
estereogramase
emdiagramas de isofreqüência permitiu a caracterizaçã,o estatística de cada domínio. 3. Caracterização dos principais conjuntos de estruturas pré a pós-cinemáticas;
Esta caracterizaçáo
foi
feita com base nostipos
de estruturas identificadas no campo e,posteriormente,
em
seção delgada.
Os
conjuntos
foram
descritos relativamente
à
foliaçãomilonitica predominante na área.
4. Descrição dos tipos de indicadores cinemáticos observados em microestruturas,
Esta seção, predominantemente descritiva,
contou com
fotomicrografias dos principaistipos
de indicadores cinemáticos encontrados,e visou a
geraçãode
dados adicionais quanto àmovimentação das zonas de cisalhamento.
5. Análise de petrotrama de quartzo;
Aquisição
de
dados
de
orientação
de
eixos-C
de
quartzo
em
lâminas
orientadas,1.4
- METoDoLocrA
ESpEcÍFrcA1.4.1.
-
Procedimentosiniciais
A
preparação das amostrasa
serem utilizadasnos
estudosde
petrotramade
quartzo envolveu as seguintes etapas.Amostragem
-
Coleta de amostras de rochas orientadas segundo um plano de orientação qualquer, em geralo
plano da foliação principal ou plano defratura
mais marcante.A
orientaçãodo
plano escolhidoé feita
anotando-se sua atitudee a
posiçãodo
norte
verdadeiro, além dasrelações de topo e base, vistas no campo.
Orientação
do corte
-
Identificaçãodo
melhor posicionamento para as seçõesa
seremfeitas, observando-se os planos de deformação que contêm as principais feições
(
xistosidade elineação).
Os dois
cortes devem
ser
ortogonais, nas posições
dos
planos paralelo
(XZ)
eperpendicular
(YZ)
à lineação de estiramento.Laminacão
-
Preparação das lâminas delgadas.1,4.2.-
Platina
UniversalA
Platina
Universal
é
um
método
clássico
para medir
a
orientação
preferencialcristalográfica
(OPC) dos
grãos
de
determinadomineral
em
rochas
muito
deformadas. Esteinstrumento consiste de dois hemisferios de
vidro,
entre os quaisé
colocadaa
lâmina delgada aser
analisada.O
conjunto
todo
é
acopladoa um
microscópio petrográfico
e,
atravésde
um sistemade
eixos (neste trabalhoforam
utilizadas platinasde quatro
e
cinco eixos),
a
seção é rotacionada em diversas direções. Deste modo a orientação de cristaisou
microestruturas pode ser rnedida segundo sua posição em relação aos eixos do microscopio (Hackspacher etctl.
1988. Passchier&
Trouw 1994)
Os
dadosobtidos
são plotadosem
redes estereográficas (Schimdt-Lambert) e posteriormente transformados em diagramas de contorno.Neste estudo
a
Platina
Universalfbi
utilizada
paramedir
a
orientaçãode
eixos-C em2.
SOBRE
O
CONHECIMENTO
ANTERIOR
2. 1-
CoxrEXTo
rncrÔxrco
REGIoNALO
arcabouçoestrutural dos
terrenosda
porção
sudestedo
Estado
de
São Paulo
écaracterizada pela justaposição
de blocos
separadospor
grandes falhamentos transcorrentes e empurrões de idade brasiliana (Hasui e Sadowski 1976; Almeida etal.
1977; Tassinari e CamposNeto
1988). Estes blocos, alguns alóctones, constituem domínios tectônicos que tiveram históriasgeológicas diversas, e sofreram as influências dos cinturões de dobramentos que se instalaram na
região.
Almeida et
at.
(1973) descreveramo
Cinturão Ribeirae
suas relaçõescom
o
CinturãoParaíba
do
Sul,
de
idade
transamazônica(1800-2000
m.a.),
remobilizado durante
o
CicloBrasiliano. Estes dois cinturões fariam parte do Cinturão de Dobramentos Ribeira, formado pelos
terrenos da região costeira entre o Estado da Bahia e
o
Uruguai(
Hasui etal.
1975), quedividir-se-ia em dois segmentos, Meridional
e
Setentrional, separados pela Zona de Transcorrência SãoPaulo.
O
Cinturão
Ribeira inserir-se-iano
Segmento Setentrional, juntamentecom
o
CinturãoParaíba
do
Sul.
Posteriormente,
Almeida
et
al.
(1976)
propuseram
o
nome Região
deDobramentos Sudeste para substituir a designação Cinturão de Dobramentos Ribeira.
A
origem dos cinturões de dobramentos brasilianosfoi
discutidapor
diversos autores,discussão esta acompanhada através dos tempos pela evolução dos conceitos geológicos. Almeida
(1967) aponta os estudos que levaram os geólogos a identificar uma significativa faixa tectogênica
Baicaliana (Brasiliana), que constituiria um geossinclíneo com área interna no vale do Rio Paraíba
do
Sule
área externano
sul deMinas
Gerais.O
desenvolvimento destes geossinclíneos estaria ligado à origem da plataforma brasileira, consolidada como resultado do evento tecto-orogenético Baicaliano.Hasui
at
al.
(1978),
em uma síntese sobre as unidades geotectônicas brasilianase
suarelação com
o
lado africano, distinguiram a FaixaApiaí-
São Roque, de caráterinterior,
que serestringiria
ao lado
brasileiro.
A
evolução
destafaixa de
dobramentosteria
seu término
noCambro- Ordoviciano, idade dos
granitos
pós-tectônicose
das rochas vulcânicas associadas àsBrito
Nevese
Cordani(1991),
numatentativa
de
relacionara
história geológica
do Gondwana Ocidental ao evento tectono-magmático Brasiliano/
Pan-Africano, caracterizaram a Faixa Ribeira como um complexo sistema de nappes e empurrõesdo
tipo
interior,
formado pela interação dos crátons do São Francisco e Rio de la Plata.As características gerais dos cinturões de dobramentos interiores são descritas por vários autores (Almeida el
ql.
1977',Brito Neves e Cordanil99l),
sendo as principais:a. Sedimentação de caráter psamo-pelítico, associada a de vulcanismo bimodal;
b. Magmatismo pré-tectônico pouco significativo,
c. Magmatismo sin e pós-tectônico intenso, de caráter granítico a granodiorítico;
d. Metamorfismo de fäcies xisto-verde a anfibolito, com localizadamigmatizaçáo;
e. Deformação polifâsica,
f.
Presença de feixes de falhas transcorrentes, longitudinais.2.2-
EvotuÇÃo
DAS rDÉrAS2.2.1
-
GeneralidadesArtur
e Wernick (1986) apresentamum
modelo de colisão continental para a região do embasamentocristalino
do
Estadode
SãoPaulo
e
adjacências, atravésda
correlaçãoentre
asfèições
encontradase
aquelas descritasna
literatura.
A
colisão
teria ocorrido em
ângulo,aproximadarnente na direção E-W.
A
hipótese de colisãocrustal
paraa
área em questãoé
corroboradapor
Davinocl
ul. ( 1986), que sugerem um modelo colisional com subducção dotipo-A
do
Cinturão Ribeira sob oCinturão
Paraíbado
Sul.
A
interpretaçãode
levantamentos gravimétricosfeita
pelos
autoresindica que
a
presençade
uma anomalialinear
negativa numa extensafaixa
rniloníticano
localcorresponde à zona de sutura principal.
Através da análise tipológica
do
zircãoWernick
( 1990) fez uma análisedo
zoneamentornagmático
da
região,e
reconheceua
existência de duas zonas de subducção, sugeridapor
umcinturão de granitóides crustais.
A
primeiraé
referida emArtur
eWernick
( 1986)e a
segunda,rnais ocidental.
em
Tassinari(1988),
e
são sugestivas para uma tectônicade
colisão entre
oscrátons do Paraná e Kalahari.
Uma síntese dos modelos geotectônicos existentes para
o
Pré-Carnbriano da região f'oidesenvolvimento metodológico
foi
dividida em três fases: clássica, essencialmente ensiálica e com aplicações da tectônica de placas.2.2.2
-
Os grandes falhamentosOs grandes falhamentos transcorrentes que secionam
a
região lestedo
Estadode
SãoPaulo
e
porções adjacentesdos
Estadosde Minas
Geraise
Rio
de
Janeiro possuem enormeimportância
na
estruturação
regional,
pois
são
responsáveispela
estrutura
em
blocoscaracterística dessa região
(Fig. 2.1).
Desdeo
reconhecimento da primeira falha (Hennies et ql. 1967), inúmeros trabalhos buscandoa
identificaçãoe
o
entendimento destas estruturas foram realizados.Com a
gradual expansão da malha estruturale
com
o
desenvolvimento natural dos conceitos e técnicas geológicos, os estudos relacionados aos falhamentos nesta região adquiriram carâter mais específìco.Assim,
além das grandes sínteses regionais,as
pesquisas envolvendo metamorfismo, análise estrutural e cinemática, geometria, relação temporal de corpos granitóidese sedimentação ao longo de segmentos menores ganharam significativo impulso.
Um primeiro
inventário das principais falhas transcorrentesdo
embasamentodo
Estadode
São Paulofoi
feito por
Penalva&
Wernick
(97$,
no qual
são destacadosos
profundosreflexos
destas
falhas
na
morfologia
das
áreas cristalinas.
A
origem
dos
falhamentos transcorrentes é então relacionada a movimentos pós-orogênicos.Hasui e Sadowski (1976) apontam uma série de evidências indicativas de uma evolução
ligada ao Ciclo Brasiliano para este sistema de falhas, que teria começado a se desenvolver após o
metamorfismo
regional
e
se manifestado até apóso
magmatismo pós-tectônico,no
estágio deestabilização
da
plataforma.
Um
intervalo mínimo
para
o
desenvolvimentodeste
sistema é apresentado como entre 600 e 540 M.a. Estas idéias são corroboradaspor
Campos Neto&
Basei(1983b), que citam ainda alguns fatores (além dos expostos
por
Hasuie
Sadowskl
op cit)
quejustificariam uma idade Brasiliana para
os
falhamentos,
e
observam
que, em
geral,
osmetassedimentos
brasilianos
apresentamdistribuição coerente
com
os
conjuntos
estruturaispresentes.
Hasui et ctl.
(1977)
fazem um síntese destas zonas de fàlhas, que foram ativas no final doCiclo
Brasilianoe
reativadasno
Meso-Cenozóico, apontandocomo
principal
caracteristica ocarater transcorrente destas estruturas, com deslocamentos sub-horizontais e foliação planar bem
A
ocorrência de movimentação aolongo
destas falhas, desdea
épocada
diferenciação das áreas de sedimentação brasilianas até o final do ciclo,foi
admitida por Hasui etal.
(1980). Asprincipais
evidências destefato
seriama
presençade
rochas
metabásicasno
seu
interior,
acompartimentação das seqüências supracrustais, a estreita relação espacial dos corpos granitóides com as falhas e o posicionamento das bacias molássicas.
O
sistemade
falhamentos transcorrentesdo
Cinturão de
Dobramentos
Ribeira
foi
associado a um regime transpressional gerado a
partir
do Mioceno(Riccomini
1987), que destacao
fato
deste regirne afetar sedimentosjá
depositadose
sugere que as idades brasilianasou
maisantigas atribuídas
por
muitos autores a estas falhas deve ser revista.Vauchez et
at.
(1992) interpretam a distribuição das estruturas na Faixa Ribeirapor
meio de uma tectônica de escape da litosfera em direção a SW, causadapor
uma compressão entre oscrátons
do
São Franciscoe do
Congo.
O
regime
transcorrenteparalelo
à
faixa,
associado ametamorfismo
de
alta
temperaturae
magmatismo abundante seriam característicosde
regiõesnlais afastadas do cráton.
Analisando
as
mesmas estruturas Machado&
Endo
(1993a;
1993b) concluemque
oCinturão de Cisalhamento
Atlântico
(redenominação dada parao
Cinturão Ribeira) se constituirianum
foco a
partir do
quala
deformação se propagaria para as zonas mais internasao
cinturão.Nesta região
é
descrita
uma
megaestrutura
em
flor
positiva, resultante
de
movimentos transpressionais ligados a zonas de cisalhamentos tlanscorrentes destrais.2.3
-
UxmADES cEoLócICo-ESTRUTURAIS PRESENTESA
compartimentaçãoem blocos que
caracterizaa
região
em
pauta
tem
permitido
adiversos autores
dividí-la
em domíniosou
setores homogêneos.Com
relação aos terrenos queinteressam
a
esta
pesquisa,existe,
de modo geral, certa
concordânciano
que se
refere
àsdiferenças entre as rochas pelas quais são constituídos
e
seuslimites.
Assim estes terrenos têmrecebido várias denominações, como Compartimentos Jundiaí
e
São Roque (Hasui&
Sadowski1976; Hasui
et
ql.
1977\. CamposNeto
&
Basei(1983b)
mantêm esta divisão, separando estescornpartimentos em blocos, dentre os quais interessar-nos-ia
o Bloco
Piracaia, entre as falhas deExtrema
e
São Bento
do
Sapucaí,e o
Bloco
Mantiqueira,
entre
esta
última
e a
falha
deJundiuvira, no Compartimento Jundiaí.
Hasui
(1983)
reconhece três conjuntos de rochas entre a falha de Camanducaiae a Baciaestaria
colocado
principalmentenos
limites
destesetor,
a
noroeste
e
sudeste.Um
segundoconjunto, constituído
por
gnaissese
xistos,
foi
incluído
no
Grupo São Roque
e
situadoaproximadamente
na porção
central.O
terceiro conjunto
seriaformado
por
epimetamorfitos e estaria limitadoa
faixas estreitas e bastante extensas que acompanhariam trechos das falhas deJundiuvira e São Bento do Sapucaí.
Posteriormente
a
região que compreendea
porção sudestedo
Estadode
São Paulo e parte do Estado de Minas Geraisfoi
separada em cinco terrenos tectônicos, com base nos padrõesgeocronológicos
e
história geológica(Fig. 2.2).
Estes domínios são separadospor
falhamentostranscorrentes e
por
cavalgamentos (CamposNeto
etal.
1984; CamposNeto
1985; Tassinari&
CamposNeto
1988; Tassinari 1988; Camposneto
l99l),
dizendo-nos respeito aqueles referentesà Nappe Socorro-Guaxupé e Domínio São Roque.
2.3.1
-
Domínio
São RoqueConstituído inteiramente pela seqüência metavulcano-sedimentar
do
Grupo
São Roquelalu
.çensu, que inclui quartzitos, metaconglomerados, xistos,filitos,
gnaisses, rochas carbonáticase
metavulcânicas ácidase
básicas, orientada aproximadamentea E-W e
limitada,
a
norte,
pela falha de Itu-Jundiuvira e a sul pela falha de Taxaquara. Um histórico completo desde as primeiras pesquisas geológicasna região
(ligadasà
exploraçãode
ouro)
até
a
evolução das idéias com relação à litoestratigrafia do Grupo São Roquefoi
apresentado por Juliani (1993)A
primeira referência de caráter nominal aoGrupo
São Roque é atribuída erroneamentea
Gonzaga de Campos (1889, in Juliani 1993 e Juliani e Beljavskis 1995), que teria denominado esta unidadecomo
"Camadasde
São Roque".Na
verdade,o
autor
referia-se às camadas queafloram próximo
à
cidade
de
São Roque
(SP),
não
havendo,portanto,
nenhuma conotaçãonominativa.
Por muito
tempo,
estas seqriênciasforarn
consideradasuma
extensãodo
GrupoAçungui, existindo inclusive uma tendência de abandono
do
nome São Roque emfävor
desteúltimo.
Hasuicl
crl.(1975),
através de estudos estrutr¡rais, concluíramque
as duas seqüênciastiveram histórias deformacionais diferentes,
não
podendopor
isso ser
enquadradasna
mesmaE
ffi
ffi
E
ll
Domínio da Faira Alto Rio Grande
Dominio da Nappc Socorro-Guaxupé
Dominio São Roque
Dominio Embu Domínio Costeiro
As pesquisas relacionadas ao Grupo São Roque latu sensu têm sido realizadas quase que
totalmente na região a noroeste da cidade de São Paulo, nas proximidades
de
São Roque, maisprecisamente na faixa entre
o
Picodo
Jaraguâe a
Serra dos Cristais. Carneiro etal.
(1984a), apartir
da aplicação de métodos de análise estrutural em várias escalase
estudos metamórficos,caracterizaram
três
lases
de
deformação
para
a
area.
Algumas zonas
de
movimentaçãotranscorrente também foram reconhecidas, através da identificação de faixas formadas
por
rochas miloníticas.Figueiredo
ct al.
(1982)
reconheceram estruturas
de
pillow
lavas nas
rochas metavulcânicas básicas,e
sugeriramque
estegrupo
fosseuma
seqüência vulcano-sedimentar. Campos Neto e/al.
(1983) admitem para o Grupo São Roque uma evolução geológica a partir deum mar raso, epicontinental, transgressivo em direção a sudeste.
A
deposição destas seqüênciaster-se-ia iniciado no início do ciclo Brasiliano, em presença de magmatismo básico pré-orogênico. Na região estudada a expressão cartográfica do Grupo São Roque
lalu
.sensutem
sido ade uma faixa que se desfaz entre as falhas de Jundiuvira e Rio Jaguari
(Hasui
1983), Jundiuvira eSão Bento
do
Sapucaí (CamposNeto
e¡al.
1983). CamposNeto
e Basei (1983a) definem paraeste
grupo
uma evolução estruturalcom quatro
fases de dobramentos superpostos,em
que as idades brasilianas obtidas pelos métodos Rb-Sr eK-Ar
corresponderiam ao final da segunda fase.Tassinari
et
al.
(1985)
estudaramos
metaconglomeradosdo
Grupo São
Roque
eobtiveram, através de amostras de seixos analisadas pelos métodos Rb-Sr em rocha
total
eK-Ar
em concentrados de minerais separados, valores
de
1200M.a.,
que corresponderiaa
uma idademáxima para
a
deposiçãodos
sedimentosdo
grupo.
Para as análises realizadasna matriz
dosrnetaconglomerados
as
idadespróximas
a
800
M.a.
foram
interpretadascomo
a
época
dometamorfismo principal, provavelmente sin-tectônico,
e a
idade aproximadade 620
M.a.
comorepresentativas da fàse de resfiiamento regional.
Juliani
et
al.
(1986), Juliani(1993) e
Juliani&
Beljavskis(1995)
estudaram as rochaspolideformadas
e
polimetamorfizadas da regiãoda
Serrado
ltaberaba e, atravésde
parârnetrosestratigráficos, deformacionais e metamórficos, redefiniram
o
Grupo
São RoquelaÍu
sensu nestelocal. Assim, estas supracrustais foram subdivididas nos grupos Serra do ltaberaba, mais antigo e
basal e São Roque, superior. Destaca-se ainda uma redução na deformação e no metamorfismo da base para o
topo,
nos dois grupos.A
idade de sedimentação dos grupos Serrado
ltaberaba e São Roquefoi
admitida comoem
torno de
1.7 Ga por Hackspacher(1994)
A
história tectono-metamórficado
conjunto estarialocalizadas
nos
regimes tectônicos
e foram
dominados
por
movimentos transcorrentes/transpressivos responsáveispela
deformaçãodos
sedimentos destas unidades e pelo alojamento de corpos graniticos em diferentes níveis crustais.2,3.2
- Domínio
da Nappe deEmpurrão
Socorro-Guaxupé
Esta
estrutura engloba terrenos gnáissicos, migmatíticos, granulíticose
graníticos quesofreram transporte para noroeste
no Ciclo
Brasiliano (CamposNeto el
al.
1984)
Seu padrãoestrutural
é
constituídopor
domínios transcorrentese
de
cavalgamento, associadosa
porçõesalóctones que incluem lascas de empurrão, suítes granitóides sin a tardi-cinemáticas e complexos gnáissico-migmatíticos. Segundo Tassinari e Campos
Neto
(1988)
pelo menos dois importantes eventos formadores de rochas ocorreram neste domínio,o
primeiro em
1.4 Ga eo
segundo porvolta de 800 Ma.
Na
área mapeada estes terrenos estão representadospelo
Complexo Piracaia (CamposNeto
e¡at.
1983), que compreende rochas gnáissicase
migmatíticas associadas aum
complexogranitóide
intrusivo,
de caráter intermediário (Janasil936).
A
unidade estaria limitada,a
norte,por cavalgamentos sobre o Complexo Socorro e a leste pela falha de São Bento do Sapucaí.
A
ocorrência
de
metaritmitos
de
alto grau
foi
estudada,na
região
de Atibaia,
porPeloggia
&
Melhem (1991), que
constatarama
presençade
estruturas gradacionais primáriasnestas rochas.
2.3.3 - Zonas de cisalhamento
A, írea mapeada neste trabalho é secionada por três faixas de rochas rniloníticas distintas,
que têm sido
freqüentemente chamadasde
falhas
ou
falhamentos.São elas as
zonas
decisalhamento direcionais São Bento do Sapucai (ZCSBS), Sertãozinho (ZCS) e Jundiuvira (ZCJ),
que
serãoaqui
denominadas assimdevido
ao
caráter
predominantementedúctil. São
aindacritérios a serem considerados a grande extensão,
o
padrão anastomosado que promove contatostectônicos entre as rochas envolvidas
e o
alto grau de
deformaçãoa
queforam
submetidas as2.3.4
-
Rochasgranitóides
A
evolução das rochas granitóides que se distribuempor
quasetodo
o
embasamento do Estado de São Paulo é bastante complexa e ainda não conhecida satisfatoriamente. Carneito et al. (1984b) estudaramo
magmatismo do Grupo São Roque e identifìcaram as rochas metawlcânicase
os
anfibolitos
metabasíticose
bandadoscomo
representantesde uma
atividade
igneapré-tectônica.
A
complexidade da evolução dos corpos granitóides tambémfoi
atestada pelos mesmosautores, além
da
incidênciade
intrusões pré-tectônicasa
F2
e
da
presençade
corpos
pós-cinemáticos essencialmente pegmatíticos.
Com base em informações petrográficas, geocronológicas
e
estruturais,e
analisando a distribuição geográfìca dos corpos, Hasui etal.
(1978) classificaram os granitos e granitóides daregião
de
dobramentos sudestede
acordo com
diversos
critérios,
descritivos
(relações deestruturas, fücies)
e
interpretativos (posicionamentotectônico, nível crustal).
Merece atenção adivisão obtida entre granitóides sin e pós-tectônicos. Nos primeiros,
foram
incluídos os gnaisseslgaratâ.
Tentativa
semelhantefoi
realizadapor
Janasie
Ulbrich (1985,
l99l)
A
região
foidividida
em sete domínios, estandoa
area deste trabalhoincluída nos domínios
São Roque e3
-
ApRESENTAÇÃo
n¡,
cEoLocIA LocAL
3.1
-
U¡vnADESM¡,prnpns
3.1.1
-
Complexo PiracaiaEsta unidade engloba as rochas metassedimentares na flácies
anfibolito,
migmatizadas ounão, pertencentes ao Complexo Piracaia (Campos
Neto
1984). São separados nesta unidade osseguintes litotipos:
l.
Granada biotita sillimanita-xistos localmente migmatizados2. Paragnaisses bandados e porfiroclásticos
Granada
biotita sillimanita -
xistos localmente migmatizadosEstas rochas
ocorrem
no
extremo
noroesteda
area mapeada.Seu contato
com
osgnaisses adjacentes é tectônico.
O
tipo
de estrutura predominante nestes migmatitos é a estromática, dada por alternânciade bandas centimétricas a métricas com padrão anastomosado.
O
mesossomaé
constituido
por biotita
sillimanita-xistos,biotita
sillimanita
quartzo-xistos,
biotita
quartzo-xistos e granadabiotita
sillimanita quartzo-xistos, que ocorrem em ritmoscentimétricos a subcentimétricos, associados a mica-quartzitos finos a grossos.
A
granulometria é predominantemente média e a foliação principal é formada pela disposição de placas debiotita
efìbras
de
sillimanita alternadascom
bandasde
quartzo
recristalizado.Os
cristais
de
granadachegam a atingir 0.5 cm. Uma foliação anterior é visível nestas rochas, configurando superfìcies S que contêm restos de charneiras.
O
leucossomaé
formado
por
bandas graníticas hololeucocráticascom
granulometria rnédiaa
grossa, a turmalina.Às
ueres aparecem como bolsões em rneio aos xistos, cortando aloliação milonítica.
As
bordas
são
marcadas
por
enriquecimento
biotítico,
de
espessurarnilimétrica.
Não forarn
encontradas exposições frescas, principalmenteno
caso
dos xistos.
Naricos
em granadae
sillimanita.O
leucossomagranítico
encontra-se com avançada caolinização dos feldspatos.São freqüentes ainda intercalações
de
anfibolitos bandados lentes métricas.A
foliação nestas lentes é em geral concordante com a Paragnaisses bandados e porfTroclásticostambém bastante alterado,
e
maciços, soba forma
dedos xistos.
Estas rochas apresentam-se sob duas formas:
-
Gnaisses bandados-
exibem bandamentos de espessuras variáveis, desde centimétricaaté
métrica.As
bandas são formadasem geral pela
alternânciade
porçõesricas em
mineraismicáceos, especialmente
biotita,
e
outras quartzo-feldspáticas (bandamentodiferencial),
mas a presença de níveis quartzíticos com granulometria média a grossa são também freqtientes.-
Gnaissesporfiroclásticos
-
possuem geralmente
cor
cinza
clara,
matriz
comgranulometria fina e porfìroclastos de plagioclásio e feldspato potássico de até 5 mm no diâmetro maior.
Os dois
tipos
ocorrem freqüentemente associadose,
quandomiloníticos,
exibem umaestrutura linear dada por ribbons de quartzo.
A
granada é mineral freqüente nestas rochas, como acessórioou
não, podendo alcançar dimensões subcentimétricas. Suas bordas estão comumente substituídas por biotita.A
seqüência é atravessada por corpos de rochas granitóides bem diferentes entre si, que serão clescritos posteriormente.3.1.2
-
Grupo
Serra do ltaberaba
Esta unidade é representada essencialmente
por
rochas metassedimentares e metabásicasde baixo
a
médio graus, incluídaspor
Julianiet
al.
(1986)
e Juliani(1993) no Grupo
Serra doItaberaba,
e
que representariama
porção basaldo
Grupo
São Roquelatu
.sensu,com
taxas dedeformação
e
metamorfismo mais altasque
este úrltimo.Foram
individualizadasas
seguintesseqúências litotipicas:
l.
Quartzitos e metassedimentos quartzosos,2. Paragnaisses bandados;
3. Sillimanita-xistos a sillimanita quartzo-xistos.
Sericita-filitos a
filitos
grafitosos quartzosos ou não,Anfibolitos
maciços e bandados.Quartzitos
e metassedimentos quartzososEstas rochas ocorrem predominantemente sob
a forma de
lentes alongadas segundo adireção
das
zonasde
cisalhamentoonde
estão situadas(Jundiuvira
e
Sertãozinho).Por
istoapresentam-se quase sempre milonitizadas, exibindo pronunciada lineação de estiramento mineral dada por
rihbons
de quartzo. Seus contatos são quase sempre tectônicos, mas foram observadas gradações internas para rnembros feldspáticosou
micáceos, alémde
intercalaçõeslocais
com lentes de metassedimentos quartzosos rítmicos efilitos
arenosos.Dependendo
do
grau
e
do tipo
de
impurezasa
rocha
apresentacor
de
alteraçãovermelha, amarela
ou
mesmo cinza, mas em geral sua aparênciaé
branca.As
proximidades daborda
do corpo
maior encontra-se quase sempre laminadoou
bandado, enquanto queno
centro seu aspectoé
mais maciço.Os
membros feldspáticos chegamà
granulação média.Às
vezes a rocha passa para um quartzito micáceo, com superficies de desplacamento desenvolvidas a partirde
bandascom
espessurasmilirnétrica
a
subcentimétrica,Nos
metassedimentos quartzososrítmicos
e
filitos
arenososa
granulometriavaria de
areia
fina
a
silte, com
coloração
cinzaesverdeado a marrom. Os ritmos definem um acamamento
primário
subcentimétrico preservado, paraleloà
foliação
S I.
Estruturas sedimentarescomo
marcasde
ondas simétricas na escala do decímetro foram encontradas em alguns blocos clistantes dos corpos principais.A
turmalina
é
acessório freqüente nestes
quartzitos, podendo
atingir
dimensões centimétricas. Suacor
é sempre negra e ocorre tanto nos quartzitos puros como nos feldspáticose micáceos. Porções ricas em grafita também foram observadas.
Microscopicamente
estes quartzitos
são
caracterizados
por
cristais
de
quartzof'orlemente recristalizados,
com
granulometriafina.
A
muscovita
ocorre tanto em grãos
depequeno tamanho, que são envolvidos pelo quartzo, corno em grãos maiores. que controlam o
crescimento deste mineral e faz com cìue adquira aspecto tabular.
Paragnaisses bandados
Esta
unidade
dispõe-secom formato lenticular
ou
de
faixas
alongadasna
direçãoNE/SW,
e
faz
contato.
a
noroeste.
com
rochas ultramiloníticas
da ZCJ
e
a
norte
com 5metassedimentos
do
Grupo
São Roque.O
contatocom os
ortognaisses bandadosda
Serra doBarro
Branco,
a
sudeste,não
é
claro,
masalgum
materialgranítico
intrusivo
foi
observadoformando bandas
ou
níveis que se intercalam freqrientemente aos metassedimentos, de maneiraconcordante.
Não foram
encontrados afloramentos frescos destas rochas.De um
modo
geral estasapresentam
estrutura gnáissica
a
xistosa
bandada
a
fitada,
com
bandas centimétricas
aeventualmente decamétricas.
Estas
bandasocorrem
freqüentementede
maneira
descontínua,formando lentes
por
vezes sigmoidais.A
coloração nos leitos mais escuros é em geral dada portons
avermelhadosa
amarelados.Nos
mais claros
é
quase sempre branca
a
ligeiramente acinzentada.O
bandamentoé
caracterizado principalmentepor
diferenças
composicionais e/ougranulométricas.
Os niveis
maisclaros
são compostos essencialmentepor
material quartzíticocom
ou
sem contribuição de minerais micáceos (sericitae/ou
muscovita)ou
de feldspatos, queocorrem freqüentemente
como
porfiroclastos.A
granulometria nestas bandasvaria de
média amuito fina, chegando aparentemente à filonitização quando ricas em mica. Os níveis mais escuros
são constituídos
por
materialbiotítico
a
quartzo-biotítico que,
dependendoda
granulometria,apresenta aspecto
filítico
a
xistoso. AIém disto
aparentes gradações granulométricas forarn observadas localmente.A
estruturaçã"o interna destes leitos varia, não faltandotipos
laminados e, ¡nais raramente. maciços.Sillimanita-xistos
asillimanita biotita
quartzo-xistosEstas rochas ocorrem a sudeste
daZCJ.
nos dominiosdaZCS,
e constituem-se de xistoscom granulometria
fina a
média que mostrarn fieqüentementeum
bandamento bastante estreito,dado
por
alternânciade leitos
subcentimétricosa
milimétricos. Nas
porções mais frescas estebandamento
é
representadopor
alternânciade
bandasde
cor
acinzentada. clarase
escuras.Estados rnais alterados conferem
a
estas
bandascolorações
alaranjadas (provenientes dasillimanita) e esverdeadas.
Ao
rnicroscópio
os
sillimanita-xistos
têm
texturas
granolepidoblásticas
¿tgranonematoblásticas, estas
últimas
relacionadasà
ocorrênciade
sillirnanitafibrosa
(fibrolita).Composicionalmente possuem,
além
de
filossilicatos
(biotita
e
muscovita)
e
quartzo,
apenassillimanita e/ou
fibrolita,
que aparece freqüentemente em forma de agregados nos quais podem serforma de lentes
ou
filmes, exibindoforte
extinção ondulante, mas em alguns locais apresenta-sesob a forma de cristais poligonizados, refletindo um grau de recristalizaçáo bastante avançado.
Foram encontrados leitos turmaliníferos com espessura decimétrica, concordantes com a
foliação principal.
Biotita
sericita-xistos
a sericita
quartzo-xistos e xistos com
granada com
intercalações
de metabásicasAs rochas englobadas nesta seqüência têm sua ocorrência invariavelmente associada aos
metapelitos sericíticos e grafitosos mencionados, e aparecem a noroeste
daZCJ,
nos domínios daZCSBS.
Sãobiotita
quartzo-xistos,biotita
muscovita-xistos,biotita
sericita muscovitaquaftzo-xistos,
biotita
muscovita quartzo-xistos
e
xistos
com
granada
com
granulometria predominantemente média, podendo localmente alcançar dimensões pegmatóides.Os
afloramentos disponíveis encontram-se quase semprealterados
ou
parcialmentealterados, exibindo
tons
violáceosa
vermelhose
alaranjados, sendoque
nas porçõescom
alta concentração de biotita predominam tons dourados. São comuns as disseminações de manganês ea
formaçãode
canga manganesífera.Em
geral
a
foliação
é
anastomosada, desenvolvida porminerais planares envolvendo núcleos quartzo-feldspáticos.
Este
padrão
pode ser
observadotambém a nível mesoscópico.
Os xistos com
granadatêm
sua ocorrência restrita
a
poucos
afloramentos situados preferencialmente a nordeste e, aparentemente, refletem um aumento de grau metamórfico nestadireção.
A
granadaé
quase sempre mais grossado
que os outros
mineraise,
quando fresca,possui cor marrom avermelhada, exibindo formas euédricas a subédricas.
Microscopicamente
estes
xistos
apresentam
texturas
lepidoblásticas
a granolepidoblásticas. com quantidades de biotita que atingem até quase a totalidade da rocha. masque, em geral. aparecem como cristais
finos a
médios, intercrescidoscom a
muscovita. Sua corvaria de verde-claro a marrom, e está geralmente associada a minerais opacos.
A
ocorrência doquartzo
dá-seem
agregadoscom
formatos
lenticularesa
ovalados, policristalinos,
exibindocontatos internos geralmente
em
mosaicos poligonaise
envolvidospor biotita. Os
cristais degranada
não
possuem inclusões.
Turmalina
ocorre
normalmente
com
hábito
prisrnáticocaracterístico,