Pontifícia Universidade Católica
WANDER DE MORAES PAES
INTEROPERABILIDADE DOS DISPOSITIVOS MÓVEIS
Dissertação de mestrado apresentada à Banca Examinadora como exigência parcial para obtenção do título de MESTRE em Tecnologias da Inteligência e Design Digital (TIDD) da PUC/SP, sob a
orientação da Profa. Dra. Lucia Leão
TIDD Tecnologias da Inteligência e Design Digital
Pontifícia Universidade Católica de São Paulo
O trabalho de pesquisa é uma ação coletiva. Além da minha dedicação para
elaboração desta dissertação, gostaria de agradecer a minha orientadora Profa.
Doutora Lúcia Leão e todos os professores do TIDD que me nutriram de informação
e colocaram em movimento em todas as idéias representadas neste trabalho.
Também com grande importância, o empenho da administração do TIDD que
intermediou a bolsa de estudos como um papel incentivador para minha pesquisa.
Ao CAPES, cujo apoio financeiro foi muito importante no desenvolvimento
deste trabalho de pesquisa.
A minha família que respeitou minhas ausências devido à dedicação aos estudos.
A qualificada banca examinadora composta pelos professores que serviu para
abalizar o conteúdo desta pesquisa:
1) Prof. Dra Gisele Beiguelman
2) Prof. Dr. Eduardo Braga
3) Prof. Dr. Demi Getschko
Tenho a certeza que consegui ampliar meus horizontes no mundo acadêmico
com o incentivo dos professores que me mostraram durante todo o percurso desta
BANCA EXAMINADORA
Prof. Dra Gisele Beiguelman __________________
__________________
Prof. Dr. Eduardo Braga __________________
__________________
Prof. Dr. Demi Getschko __________________
Paes, Wander; Leão, Lúcia (Advisor). Device Móbiles Interoperability. São Paulo, 2008. 92p. MSc. Dissertation
Departamento de Tecnologias da Inteligência e Design Digital, Pontifícia Universidade Católica de São Paulo.
The concept of sharing computing resources among WEB participants,
has been gradually extended to support scenarios in wireless world, networks, mobile
devices which introduce a variety possible uses. Wireless devices become a key of
sharing information among peoples. In this point of view we present the main
challenges in pervasive/ubiquitous concepts for wireless applications networks,
focusing on the resource of systems and information interoperability.
The idea about interdisciplinary culture, as instrument of dissemination and
production of the knowledge in the digital environment, is a factor that also is
applied to the environment of the mobile devices that remain the necessity of a study
related to the interoperability what refers to the communication and the exchange
information among peoples. This phenomenon shows up as a trend of the systems
solutions in Wireless environments and WEB due to variety use of the electronic
devices without wire as: cellular, PDA´s, Smartphone and Pocket PC. The
consolidation of the Internet as a collaboration environment as well as the sprout of
the mobile applications had directly influenced the business solutions and the
systems architecture in the contemporary society. This new cartographic map of the
decentralized services in cyberspace is fertile environment for the study about mobile
medias environment and its consequence among stakeholders in ciberspace, a scene
that represents significant impact in the contribution of the information in the
decentralization of the information in the mobile network.
Therefore, the specific objective of the thesis involves the idea about mobile
interoperability devices under the phenomenal about: mobility, cyberspace, portable
devices and the technological aspects of the hybrid networks and new media
architecture. The emergency of this context represents an important research study of
the technology due a great solution offered by telecom corporations and political
government. The aim of this research does not only approach the technological
aspect centered in design of systems and programs, but also it focuses the benefits of
the interoperability about all the flow of the information, deriving of the
decentralized flow of information in wireless environment and WEB, these aspects
had influenced the companies and the society in the digital culture. These solutions
prevail are inside the same solution for the collaboration and people integration in
cyberspace.
Keywords: Pervasive, Ubiquous, Mobile, Wireless Networks, Mobile System
Architecture, P2P, Interoperability, information and communication technologies,
Paes, Wander; Leão, Lúcia (Orientador). Interoperabilidade dos dispositivos Móveis. São Paulo, 2008. 92p. Dissertação de Mestrado.
Departamento de Tecnologias da Inteligência e Design Digital, Pontifícia Universidade Católica de São Paulo.
O conceito da cultura interdisciplinar, como instrumento de disseminação e
produção do conhecimento no ambiente digital é um fator que também se aplica ao
ambiente dos dispositivos móveis. O que traduz a necessidade de um estudo
relacionado à interoperabilidade das informações no que tange a comunicação e a
troca das informações por meio destes últimos. O tecnologia sem fio afirma-se como
tendência das soluções sistêmicas devido à popularização do uso dos dispositivos
eletrônicos (celular, PDA´s, Smartphone e Pocket PC) e principalmente pelo papel da
sociedade como parte integrante no dinamismo do processo de colaboração das
informações.
A consolidação da Internet e do surgimento da tecnologia móvel, sob a
perspectiva da colaboração das informações, influenciou diretamente as soluções de
negócio e os sistemas computacionais na sociedade contemporânea. Esse novo mapa
cartográfico dos serviços descentralizados no ciberespaço é um palco fértil para o
estudo da influência das mídias móveis e seu reflexo nas relações humanas. O que
representou um impacto significativo no ambiente de desenvolvimento de sistemas
inserido num ambiente heterogêneo que se caracteriza também por uma convivência
harmônica entre a centralização e a descentralização das informações.
Portanto, o objetivo específico dessa dissertação é apresentar a idéia da
interoperabilidade dos dispositivos móveis sob o contexto dos fenômenos
contemporâneos da mobilidade, ciberespaço móvel e os aspectos tecnológicos das
O foco desta pesquisa não aborda somente os aspectos tecnológicos centrados no
design de sistemas e programas, mas também enfoca a interoperabilidade em todo o
fluxo das informações na WEB e no emergente ambiente tecnológico Wireless com
abordagens que influenciaram as empresas e a sociedade na cultura digital. O que
representa o meio digital móvel e a interoperabilidade como parte integrante de uma
mesma inovação tecnológica como solução para a colaboração das informações e
integração de pessoas no ciberespaço.
Palavras Chave: Computação Pervasiva, Computação Ubíqua, Mobile, Wireless
Networks, Arquitetura Mobile, P2P, Interoperabilidade, Redes Móveis ,
Telecomunicação, SOA, MOA .
Áreas do conhecimento:
9010000-0 MULTIDICIPLINAR III
9.01.93.00-0.Engenharia/Tecnologia/Gestão
6.00.00.00-7 CIÊNCIAS SOCIAIS APLICADAS 6.07.99.00-5 Ciência da Informação
6.07.01.00-5 Teoria da Informação
1.00.00.00-3 CIÊNCIAS EXATAS E DA TERRA 1.03.99.00-3 Ciência da Computação
1.03.01.00-3 Teoria da Computação 1.03.04.00-2 Sistemas de Computação
1 INTRODUÇÃO... 2
1.1 ENQUADRAMENTO... 2
1.2 OBJETIVOS DO TRABALHO ... 3
1.3 ORGANIZAÇÃO DA DISSERTAÇÃO ... 5
1.3.1 Introdução... 5
1.3.2 Conceitos Básicos ... 5
1.3.3 O Meio Móvel ... 5
1.3.4 Tecnologia... 5
1.3.5 Considerações Finais... 5
1.3.6 Referência Bibliográfica... 5
1.3.7 Glossário ... 5
1.3.8 Legenda das Figuras... 5
1.4 JUSTIFICATIVA ... 6
1.5 FORMULAÇÃO DA SITUAÇÃO-PROBLEMA... 7
1.6 METODOLOGIA DE ESTUDO... 8
1.7 MOTIVAÇÃO ...10
2 CONCEITOS BÁSICOS...13
2.1 CIBERESPAÇO...13
2.2 MOBILIDADE...14
2.3 INTERATIVIDADE...15
2.4 COMPUTAÇÃO PERVASIVA E UBÍQUA ...20
2.5 REDES MÓVEIS ...22
2.6 INTEROPERABILIDADE ...25
2.7 PROTOCOLOS...28
3 O MEIO MÓVEL ...30
3.1 INTRODUÇÃO...30
3.2 ESPAÇO INFORMACIONAL ...30
3.3 APLICAÇÕES MÓVEIS...33
3.3.1.1 M-Commerce ...34
3.3.1.2 Infomediário...35
3.3.1.3 Vídeo ...36
3.3.1.4 Mensagens ...36
3.3.1.5 Áudio...37
3.4 DISPOSITIVOS MÓVEIS...37
3.5 MOBILIDADE...39
3.6 SIMETRIA E ASSIMETRIA NO AMBIENTE DIGITAL ...46
3.7 POLÍTICAS DE SEGURANÇA ...53
4 TECNOLOGIA...56
4.1 INTRODUÇÃO...56
4.2 CARACTERÍSTICAS DAS REDES MÓVEIS ...59
4.3 ARQUITETURA DE SISTEMAS ...66
4.4 ARQUITETURA DE SERVIÇO MÓVEL (MOA)...74
5 CONSIDERAÇÕES FINAIS ...77
6 PERSPECTIVA DE TRABALHOS FUTUROS ...85
7 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS...86
8 GLOSSÁRIO ...89
1 INTRODUÇÃO
1.1 ENQUADRAMENTO
Um dos principais fenômenos observados na chamada era da globalização
constitui-se na intensa difusão das novas tecnologias de informação (TIC´s). Os
sistemas de informação, tecnologia de telecomunicação e as redes de computadores têm
desempenhado um papel importante na sociedade contemporânea para compor cenário
da sociedade global da informação.
O advento da tecnologia móvel promoveu um outro novo cenário que
compõe os meios de conectividade existente como parte integrante dessa nova
realidade. No entanto, as tecnologias não se excluem, pelo contrário, se complementam.
A interoperabilidade das informações no ciberespaço tornou-se um papel importante
no contexto dos dispositivos móveis para lidar com o sistema complexo da colaboração
das informações que envolvem aspectos tecnológicos e sociais.
Figura 1.
O ambiente do ciberespaço, conforme abordagem da Prof. Lúcia Leão
(LEÃO,2004:9), representa um cenário híbrido com desdobramentos em diversas áreas
e sociais. Apoiado nessa interpretação, este projeto de pesquisa apresenta a formulação
de um corpo de conhecimento que envolve a interoperabilidade sob os aspectos da
utilização dos dispositivos móveis pela sociedade, arquitetura sistêmica, comunicação e
tecnologia de conectividade sem fio; com objetivo de abordar esses fenômenos
inter-relacionados de uma maneira colaborativa como parte integrante de um todo, que ora se
apresentam formatados sob um conceito sistêmico computacional, ora fora da
abordagem tecnológica de sistemas. Esta abordagem se faz necessária pela diversidade
de fenômenos que envolvem o meio móvel e seu enquadramento no cenário das novas
tecnologias.
Portanto, no âmbito desta dissertação, o trabalho realizado centra-se na
exposição dos fenômenos tecnológicos e sua utilização pela sociedade, à luz da
interpretação de diversos autores.
1.2 OBJETIVOS DO TRABALHO
O projeto de pesquisa sobre a interoperabilidade dos dispositivos móveis aborda
o sistema de informação no que tange as relações humanas, dispositivos eletrônicos
móveis, tecnologia Wireless e aspectos da Computação Pervasiva, relacionando-as à
arquitetura e informações e às integrações do meio móvel, bem como alguns fenômenos
devido ao uso dos dispositivos eletrônicos móveis pela sociedade contemporânea. Os
objetivos específicos desta pesquisa são:
• Decorrer sobre a tecnologia das redes móveis e da arquitetura sistêmica das
• Apresentar as características da arquitetura tecnológica relacionada à
Computação Pervasiva que compõe a colaboração das informações no meio digital
por meio da utilização dos aparelhos sem fio, elucidando aspectos técnicos dos
serviços computacionais.
• Evidenciar alguns serviços utilizados pelos sistemas de informação dos
dispositivos móveis: Message Service (SMS, MMS, e-mail , etc ..), Internet Móvel,
IPTV (TV sobre IP), LBS (Localização / GPS), E-comerce, video Blogs,
infomediário, crowdsourcing, RSS , e outros.
• Abordar o conceito da Rede P2P (Ponto a Ponto) e P2A (Ponto a aplicação) em
relação ao meio móvel, como um ambiente que permite a centralização e a
descentralização da informação.
• Evidenciar a importância da participação dinâmica dos usuários através das
soluções sistêmicas móveis no espaço cibernético.
• Abordar a simetria e assimetria das informações no meio digital sob aspectos da
centralização das informações dos Web Servers e da disposição descentralizada dos
dispositivos móveis.
• Relacionar os aspectos do ciberespaço e mobilidade como fatores importantes na
utilização dos dispositivos móveis.
• Apresentar o conceito da interoperabilidade do meio móvel convivendo em
harmonia com as informações e relações humanas como parte integrante de um
cenário de fenômenos que se inter-relacionam.
• Relacionar o fenômeno estudado ao contexto brasileiro, apontando deficiências,
1.3 ORGANIZAÇÃO DA DISSERTAÇÃO
1.3.1 Introdução
OBJETIVOS DO TRABALHO MOTIVAÇÃO
ORGANIZAÇÃO DA DISSERTAÇÃO JUSTIFICATIVA
FORMULAÇÃO DA SITUAÇÃO-PROBLEMA METODOLOGIA DE ESTUDO PESQUISA
1.3.2 Conceitos Básicos
CIBERESPAÇO MOBILIDADE INTERATIVIDADE
COMPUTAÇÃO PERVASIVA COMPUTAÇÃO UBÍQUA REDES SEM FIO
INTEROPERABILIDADE PROTOCOLOS
1.3.3 O Meio Móvel
INTRODUÇÃO
ESPAÇÕS INFORMACIONAIS DISPOSITIVOS MÓVEIS
APLICATIVOS MÓVEIS INTERATIVIDADE MOBILIDADE
SIMETRIA E ASSIMETRIA NO AMBIENTE DIGITAL POLÍTICAS DE SEGURANÇA
1.3.4 Tecnologia
INTRODUÇÃO REDES MÓVEIS
ARQUITETURA DE SISTEMAS
1.3.5 Considerações Finais
1.3.6 Referência Bibliográfica
1.3.7 Glossário
1.4 JUSTIFICATIVA
A intensificação da presença da tecnologia móvel no cotidiano da população
impõe a necessidade de apresentação dos sistemas de informação sem fio como parte
integrante da sociedade contemporânea, sobretudo, no que se refere à realidade de um
ambiente de conexão proporcionado pela interface dos aplicativos móveis como um
instrumento eficaz para a comunicação e integração das informações. Tudo isso
abrange o ciberespaço, a mobilidade e arquitetura tecnológica móvel. Esses aspectos
refletem o mapeamento, a conectividade e a colaboração das informações. Portanto,
trata-se de um universo conectado de pessoas por meio do ambiente informacional dos
dispositivos móveis.
Figura 2.
Palavras Chave: Ciberespaço, Mobilidade , Computação Pervasiva, Dispositivos Móveis, Mídias Móveis, WEB, Redes Móveis
Interoperabilidade
1.5 FORMULAÇÃO DA SITUAÇÃO-PROBLEMA
Por que ocorre ?
Porque existe uma tendência das soluções sistêmicas móveis, apontando
ferramentas e aplicações emergentes do ciberespaço móvel aderentes aos
dispositivos eletrônicos como celulares e smartphones.
Como ocorre ?
É decorrente de uma visão abrangente em relação à interoperabilidade das
informações proporcionada pela infra-estrutura das corporações como meio de
obtenção de receita e troca de informação pelos seus usuários. Consiste numa
abordagem da interação, num fluxo das informações e num ambiente cibernético
Wireless como fatores importantes para a integração de sistemas e indivíduos por
meio da utilização dos dispositivos móveis.
Onde ocorre ?
Em sistemas disponibilizados pelas entidades públicas e privadas, bem como
pela utilização dos aparelhos móveis pela sociedade, com o objetivo de modelar e
transmitir informações em ambiente de rede digital Wireless .
Quando ocorre ?
É um movimento contemporâneo com sinais claros de amadurecimento notado
desde o ano de 1990 até o ano de 2008 sobre emergência do meio móvel com
desdobramentos nos aspectos sociais e conceitos tecnológicos das soluções
1.6 METODOLOGIA DE ESTUDO
Inicialmente foi realizado um levantamento bibliográfico dos assuntos a fim de
identificar os diferentes conceitos dos tópicos da dissertação. Após extensa pesquisa e
leitura dessa bibliografia e de documentos complementares relacionados ao tema,
obtive-se uma noção do “estado da arte” relativo ao tema proposto. Foi utilizado o
recurso do Mapa Mental para representar e auxiliar no enlace das idéias relacionadas ao
assunto, conforme escopo deste objeto de estudo. Com isso, foram identificados os
problemas, sendo que, dentre eles, optou-se por direcionar este estudo para os assuntos
relacionados à Mobilidade, Cibercultura, e Tecnologia Móvel, já que esses fenômenos
se apresentam de forma latente na sociedade contemporânea.
Depois da definição do escopo da dissertação, os refinamentos sucessivos no
Mapa Mental auxiliaram a identificação dos assuntos relacionados às idéias da pesquisa
a fim de permitir uma melhor representação dos tópicos deste estudo.
Uma vez definido o recorte das idéias incentivadas no Mapa Mental, buscou-se
uma representação abrangente das idéias para validar o objetivo macro da pesquisa.
Depois de uma reflexão sobre a abrangência dos temas, incrementados no mapa mental,
houve um processo de consolidação do escopo da pesquisa baseado neste último que
contribuiu na definição da estrutura dos tópicos eleitos e o detalhamento dos objetivos
específicos do projeto de pesquisa.
A dissertação foi organizada em 3 tópicos: conceitos básicos, meio móvel e
tecnologia.
O objetivo do primeiro capítulo é a introdução da dissertação com as descrições
No segundo capítulo, são apresentados os conceitos básicos da problemática
sócio-tecnológica da interoperabilidade dos dispositivos móveis por meio da utilização
dos aparelhos eletrônicos sem fio. Assim, pretende-se que o leitor esteja sintonizado e a
par do enfoque, visão e contexto adotados, contribuindo para compreensão da
inter-relação dos assuntos envolvidos no decorrer da dissertação.
No terceiro capítulo, são apresentados e definidos alguns conceitos relacionados
ao tema de abrangência desta dissertação. O objetivo principal deste capítulo é auxiliar
os leitores na compreensão dos assuntos relacionados ao meio móvel sob o contexto do
ciberespaço, mobilidade e arquitetura da informação. Após, ele, segue-se o capítulo
Tecnologia cujo objetivo específico é demonstrar a estrutura tecnológica dos
dispositivos móveis e aspectos da arquitetura sistêmica da computação pervasiva. No
capítulo Considerações Finais é apresentado um fechamento das idéias que representam
1.7 MOTIVAÇÃO
O movimento contemporâneo considerado desde o ano de 1990
diante da popularização dos aparelhos sem fio representa a introdução da
tecnologia móvel no cotidiano da sociedade. O “made for mobile”
apresenta funcionalidades variadas com aplicações cada vez mais
avançadas e próximas da realidade dos usuários, o que contribui para
difusão das soluções móveis no dia-a-dia da sociedade. Este cenário latente reverbera
nas mídias com a divulgação das propagandas referentes às tendências tecnológicas,
funções variadas e interfaces que promovem a imersão do usuário no universo das
aplicações móveis.
As ilustrações das notícias veiculadas em alguns
jornais populares no Brasil retratam o enquadramento das
soluções comerciais tradicionais no meio móvel que vão
desde aplicações voltadas para o entretenimento até
soluções financeiras ou voltadas para problemas variados
A popularização dos dispositivos móveis em escala mundial, inicialmente pelo
uso em larga escala do serviço de voz, contribui para utilização das mídias móveis. O
aspecto da mobilidade com a possibilidade de se permanecer constantemente conectado
e disponível para comunicação constitui um
importante fator de atração para a utilização
crescente dos serviços móveis, daí a escolha
desse tema para o presente trabalho de pesquisa.
Dessa forma, há uma compreensão e sinais latentes da utilização dos
dispositivos móveis e de troca de informações propiciado por uma
estrutura sistêmica transparente aos usuários com características
particulares da arquitetura de rede sem fio e dos sistemas móveis para
coordenar e intermediar os recursos e as informações no ciberespaço
móvel. Dessa maneira os dispositivos sem fio se incluem neste cenário
desempenhando um papel integrador como um elemento
computacional no processamento das tarefas computacionais e uma
interface final inteligente ao usuário para a mediação com o meio
externo, bem como um dispositivo para o armazenamento de
Uma solução projetada para os dispositivos móveis está caracterizada como uma
interface sistêmica inserida num ambiente da computação pervasiva capaz de lidar com
o transporte das informações, com largura de banda, com a conexão permanente de
acordo com a mobilidade do indivíduo; capaz de lidar com ambientes heterogêneos e
configurações dinâmicas de acordo com o meio em questão.
Dentro desse contexto, o desenvolvimento das aplicações
móveis representa um aspecto importante na utilização de
recursos computacionais para comunicação proporcionada por
um ambiente sem fio com o objetivo de proporcionar o
compartilhamento dinâmico das informações por meio da
2 CONCEITOS BÁSICOS
A idéia deste capítulo é apresentar alguns conceitos abordados por diversos
autores para referência no decorrer dos assuntos a fim de enquadrá-los no escopo dessa
pesquisa.
2.1 CIBERESPAÇO
O conceito do ciberespaço nesta pesquisa apresenta o ambiente no qual a
interoperabilidade das informações, aplicações e dispositivos móveis estão inseridos no
meio digital. Esse ambiente apresenta como características os processos e fluxos
comunicacionais da informação, tais como: disseminação da informação de muitos para
muitos com alusão à rede P2P 13, comunicação de um para um ou de muitos para
muitos, interatividade homem-máquina, comunicação em rede; disponibilidade e
armazenamento das informações. Desse modo, constitui-se como um espaço de
comunicação aberto pela interconexão mundial dos computadores, sistemas de
comunicação e das memórias dos computadores (LEVY, 2000:92).
Conforme abordagem de Peter Anders, o ciberespaço é um ambiente híbrido
capaz de fomentar a relação da base humana entre espaço e informação como um meio
para administrar as informações e transformar dados em conhecimento com a utilização
dos recursos eletrônicos: televisão, telefone, redes de computadores e internet
(LEÃO,2003:14-15). Caracteriza-se um novo espaço dos meios de comunicação que
surge da interconexão mundial dos computadores. São as várias máquinas conectadas a
Ele [o ciberespaço] permite a combinação de vários modos de comunicação. Encontramos, em graus de complexidade crescente: o correio eletrônico, as conferências eletrônicas, o hiperdocumento compartilhado, os sistemas avançados de aprendizagem ou de trabalho cooperativo e, enfim, os mundos virtuais
multiusuários (Lévy, 1999:20).
Dessa forma, podemos considerar o ciberespaço como um ambiente heterogêneo
repleto de interconexões no ambiente digital, que envolve as tecnologias existentes e as
novas tecnologias. Sobretudo, situar a tecnologia móvel neste contexto.
2.2 MOBILIDADE
A mobilidade é o grande benefício das redes móveis ou Wireless em relação às
redes fixas. O conceito da mobilidade constitui um corpo de conhecimento para o
entendimento da utilização dos aplicativos móveis sem a necessidade de um ponto fixo
de conexão, o que proporciona o acesso das informações sem as barreiras de tempo e
lugar. Os sistemas computacionais móveis são sistemas que podem ser movimentados
fisicamente ou cujas capacidades podem ser utilizadas enquanto estão em movimento.
Como estes sistemas prevêem tal mobilidade, eles normalmente oferecem recursos e
características que não encontramos em sistemas tradicionais que são projetados para
computadores pessoais (PC – Personal Computer). Sistemas computacionais que são
projetados para rodar em Palmtops, Celulares, Tablet Pc´s e similares proporcionam o
acesso das informações com o usuário em movimento (FIELDING e B'FAR, 2004:3)
A sociedade contemporânea vive a era da mobilidade. A possibilidade de se
permanecer conectado sob as formas tecnológicas atuais de comunicação sem fio
representa novas práticas para colaboração das informações no ciberespaço (LEÃO,
O poder de se comunicar em qualquer hora e lugar representa um importante
fenômeno no cotidiano da sociedade. A diversidade de recursos de conectividade do
ambiente pervasivo1 amplia a possibilidade de conexão entre ambientes heterogêneos e
colaboração das informações.
2.3 INTERATIVIDADE
A interação mediada pelos dispositivos móveis permite agregar uma diversidade
de formas colaborativas. A relação espaço-tempo da colaboração das informações está
potencializada pelo fenômeno da mobilidade e pela capacidade dos dispositivos
eletrônicos de representarem estímulos do ambiente por meio de fotos, vídeos,
mensagens com a representação de notícias em tempo real de um acontecimento2; assim
como o reconhecimento de outros dispositivos eletrônicos no raio de alcance do
observador. Essa interação é proporcionada pela diversidade dos serviços móveis que
estão à disposição do usuário para expressar ações colaborativas promovidas pelas
interações com as interfaces computacionais móveis, essas por sua vez encontram-se
intimamente conectadas ao fato que está ocorrendo no momento.
As máquinas se tornaram uma extensão do ser humano, subordinadas às ações do
homem com o objetivo de desempenhar papéis com maior eficiência na automação de
um processo pelo qual o corpo humano não alcançaria uma determinada finalidade com
seus recursos naturais. O progresso dos computadores intensificou a necessidade da
interação homem-máquina representado pelo desenvolvimento das interfaces a fim de
aproximar a automação computacional às necessidades da sociedade contemporânea
(McLUHAN,1964:18). A mediação proporcionada pelos dispositivos móveis no
ambiente heterogêneo com diversos recursos de comunicação e com a apresentação das
informações permite a interpretação da mediação como parte integrante da
interatividade. Peter Anders ao decorrer sobre o assunto da mediação, mencionou o
termo cíbrido para representar o espaço da interoperabilidade entre diferentes sistemas
informacionais e o meio físico (pessoas e dispositivos), conforme citado por Lúcia Leão
(LEÃO, 2003:17).
Na medida em que a computação for sendo cada vez mais utilizada em diferentes campos, passaremos a encontrar cada vez mais essa classe de artefato. Os cíbridos surgem da história natural dos artefatos, que compreende o conteúdo físico e informacional. Com a febre dos dispositivos eletrônicos ocorrida no último século, o conteúdo simbólico dos artefatos assume o papel ativo, ampliando a presença dos artefatos para além dos limites de sua forma material.
Os sistemas cíbridos, oriundos da interoperabilidade das informações, permitem o
desenvolvimento de interfaces para lidar com o ambiente e aplicações móveis3 . O
comportamento dos indivíduos, sob a influência da tecnologia sem fio, reflete na
interação das pessoas através do aparelho eletrônico móvel em diversos lugares do
cotidiano como os restaurantes, supermercados e cafés ou em ações como trocar
músicas, efetuar transações bancárias, conversar e enviar mensagens instantâneas. Um
contexto que apresenta uma expansão do corpo, que está no meio livre, mediado e
expandido pela tecnologia.
Segundo Alan Kay4, criador do dos laboratórios Parc da Xerox, a interface é o
meio pelo o qual um usuário se relaciona com o computador: Inter + AGIR: Interagir,
2Os serviços móveis que retratam a idéia de registrar um acontecimento pela ação do usuário serão desenvolvidos nos capítulos: 3.3.1.3, 3.3.1.4 e 3.3.1.5.
3O tópico sobre as aplicações móveis está desenvolvido no capítulo 3.3.
4Alan Curtis Kay é um dos pioneiros da computação pessoal, iniciando suas contribuições na
década de 1960, na Universidade de Utah, Estados Unidos. Colaborou com a criação e difusão dos conceitos de computação pessoal, laptop, programação orientada a objetos, interface gráfica (GUI) e detentor do prêmioNobel da Computação: Prêmio Turing (Fonte:
Inter + AÇÃO: Interação. Essa noção de interface gráfica, sob a ótica exclusiva da operação do dispositivo eletrônico pelo usuário, se dá pela manipulação de ícones,
janelas e menus por intermédio de uma abstração, seja por meio do teclado ou mouse ou
ainda da programação ubíqua5, com a possibilidade da ausência da intervenção humana.
No meio móvel, as interfaces sofreram adaptações para atender às limitações de
apresentação das informações nos dispositivos eletrônicos. Sob o contexto da
mobilidade6, as interfaces proporcionaram uma nova perspectiva de sinergia entre os
usuários e a tecnologia.
A interface, com relação aos sistemas de informação na área de informática, não está somente relacionada à camada de apresentação das informações (GUI – Grafic User Interface), mas um conceito abrangente que designa um dispositivo que garante a comunicação entre dois sistemas informáticos ou um sistema informático e uma rede de comunicação. Uma interface homem-máquina que designa um conjunto de programas e aparelhos materiais que permitem a comunicação entre um sistema informático e seus usuários humanos (LEVY, 2006: 176).
O importante conceito de interface Universal Plug and Play (UPnP) desenvolvido
pela empresa Microsoft apresentou a solução a fim de promover a integração entre os
recursos sistêmicos e os usuários. Essa importante exposição das interfaces é aplicada
durante o processo de utilização dos recursos computacionais caracterizado
tecnicamente pelo compartilhamento de outros aparelhos e serviços existentes no meio
no qual o sistema mediador está inserido. Isso é realizado devido à utilização dos
recursos sistêmico RMI (Remote Method Invocation) desenvolvido para troca de
informações remotas que permite a um programa desenvolvido numa plataforma Java ,
por exemplo, invocar um outro recurso computacional remoto disponível por outro
sistema desenvolvido na mesma arquitetura sistêmica. O uso do recurso técnico do RMI
não é o único, pois um sistema desenvolvido sob outra tecnologia proprietária também
pode ser usado para contatar outros dispositivos uma vez que esteja sob administração
do ambiente UNPnP . O Universal Plug and Play - UPnP é uma arquitetura sistêmica
definida em nível de programas e protocolos de comunicação que detecta
automaticamente a existência de outros dispositivos no meio em que a solução sistêmica
está inserida. O UPnP tem como objetivo a padronização e integração de protocolos
específicos e a aderência dos fabricantes a este novo padrão com a definição,
mapemento e conectividade existentes entre os sistemas computacionais existentes. Esse
recurso permite que os dispositivos construam seus próprios meios de comunicação em
qualquer linguagem ou plataforma com o objetivo de tornar transparente, ao usuário, a
conectividade e a integração das informações.O protocolo especial, SSDP (Simple
Service Discovery Protocol) ,utilizado pelo UPnP, permite aos dispositivos anunciarem
a presença dos recursos disponíveis para troca de informação. É relevante mencionar
que o protocolo (SSDP) se integra aos protocolos os HTTP e TCP/IP, padrão WEB,
para o transporte e comunicação, respectivamente, bem como o protocolo XML para
descrever as informações nos modos de comunicação Unicast7 e Multicast8. O que
caracteriza uma aderência aos padrões existentes na WEB para integração das
informações. (HANSMANN, MERK e STOBER, 2003:316).
6Assunto desenvolvido no capítulo 3.5.
7Tipo de roteamento das informações que é enviado de uma estação para outra (Ponto a Ponto).
Uma comunicação Unicast se caracteriza pelo conhecimento e tráfego das informações entre os endereços específicos dos dispositivos de origem e destino (Fonte: BRAGA, Nilton: Segurança em Redes Multicast, Grupo de Teleinformática e Automação – GTA/COPPE/EE. Programa de Engenharia Elétrica – UFRJ Universidade Federal do Rio de Janeiro, 2006).
8Uma forma de comunicação broadcast no qual um pacote de informação é entregue a um grupo pré-definido para todos os destinos possíveis, que são recebidas por todos os computadores ou outros anfitriões na rede. .Ao contrário das difusões unicast. As aplicações típicas para multicast são as de conferência, áudio, rádio e TV, o que normalmente requer que os utilizadores configurem os endereços multicast para receber as informações distribuídas pelo emissor na rede (Fonte: BRAGA, Nilton: Segurança em Redes Multicast, Grupo de Teleinformática e Automação –
A interação dentro do contexto das novas tecnologias de comunicação requer a
compreensão do caráter abrangente, heterogêneo e acelerado das novas configurações
computacionais e está suscetível a novos tipos de recursos áudio-visual, textual e ao
fenômeno da mobilidade. Uma outra relação da interatividade pode ser considerada
como a simulação da interação, o que caracteriza uma relação do indivíduo como um
processo integrante para modificar a realidade. Neste conceito abrangente, o indivíduo
transforma a realidade física existente no meio natural em que vive e a realidade
artificial (existente no pensamento humano) em realidades nascidas da ação de uma
simulação. A interatividade como uma relação recíproca entre usuários e interfaces
computacionais inteligentes, permite uma comunicação criadora fundada nos princípios
da sinergia e da colaboração construtiva das informações.
A interatividade será, assim, um intermediário essencial, não passivo, mas exercendo um papel transformador. Esta interface entre homem e máquina, exercendo sua função única, permite a conversiblidade de um a outro, como um código comum permite a sinergia, ou seja , a ação coordenada de vários órgãos; aqui no caso, o homem e a máquina. A interatividade como um código com regras delimitadas que devem ser obedecidas pelos interagentes, em obediência à máquina e suas interfaces. Simulação e interatividade estão relacionadas. Simula-se para interagir (PLAZA,1990:22).
Assim, os dispositivos móveis inseridos no contexto das novas tecnologias de
comunicação permitem aos usuários uma nova forma de interação com a tecnologia. A
ação humana, mediada pela tecnologia, proporciona uma extensão do corpo para
2.4 COMPUTAÇÃO PERVASIVA E UBÍQUA
A computação pervasiva é o desenvolvimento de uma solução a fim de prover a
interoperabilidade das informações por meio da utilização dos sistemas computacionais
implementados nos aparelhos móveis. Esses aparelhos representam o ponto de acesso às
informações por meio da conexão sem fio em conjunto com os programas instalados
nesses dispositivos. Conceitualmente, as aplicações móveis são concebidas para serem
executadas em diversos dispositivos eletrônicos e preparadas para desenvolver a
comunicação e o processamento das informações com outros ambientes como a
Internet, computadores PC (Personal Computer) e outros dispositivos eletrônicos locais
e remotos (HANSMANN, MERK e STOBER, 2003:17-24).
O objetivo da computação pervasiva é permitir ao usuário o acesso à informação
em qualquer local e aparelho de uma maneira personalizada, para receber e solicitar as
informações por meio de um dispositivo portátil de modo a transferir o computador da
mesa de trabalho para um contexto móvel e descentralizado, o que Mark Weiser
(1991,94-104) chamou de computação invisível. A mobilidade e o reconhecimento do
contexto são dois aspectos importantes que representam características dinâmicas da
computação pervasiva. O aspecto técnico da mobilidade se dá pela necessidade da
permanência da conexão e da situação de contorno quando não há conectividade devido
à ausência de sinal da comunicação da rede sem fio. O outro aspecto se dá pela
percepção do contexto pelo qual se dá pelo reconhecimento dos estímulos do meio a
fim de identificar e trocar informações com outros dispositivos (ILYAS e MAHGOUG,
2005: 53-59).
A computação ubíqua ou sensiente não representa somente “em todo lugar”,
tecnologia sensiente sem a necessidade de uma abstração de um teclado, mouse ou uma
interface gráfica (GREENFIEL,2006:11, 48, 98, 101).
Segundo Mark Weiser9 a idéia de se colocar o aparato computacional como
pano de fundo, concentrando-se na relação homem-homem e menos na interface
homem-máquina. Uma nova concepção dos computadores tem sido criada de modo a
concentrar a solução sistêmica na integração com os estímulos do ambiente, numa
alusão à computação invisível 10 ao ser humano.
A Computação Pervasiva é uma nova área de pesquisa que está sendo
considerada a terceira onda da computação. Originou-se da proposta de Mark Weiser,
chamada Computação Ubíqua ou Sensiente (Ubiquitous Computing), também
denominada Tecnologia Tranqüila (Calm Tecnologia), Computação Pró-Ativa
(Proactive Computing) ou Computação Invisível (Invísible Computing). Mas o termo
predominante é Computação Pervasiva. O termo pervasivo (espalhado, integrado,
universal) não existe na língua portuguesa. Alguns autores consideram como sinônimo o
termo Computação Ubíqua, pois este existe na língua portuguesa como onipresente.
Porém outros autores consideram que a Computação Ubíqua está diretamente ligada a
proposta de Weiser: a computação que está em “background”, enquanto que a
computação Pervasiva está mais associada com a integração e a interface (apud
BIGONHA e GARCIA , 2006: 11).
9WEISER, Mark. The Origins of Ubiquitous Computing Research at PARC in the late 1980s - IBM Systems Journal,1999. pág 38,4.
2.5 REDES MÓVEIS
O termo Wireless, ou sem fio, significa uma conexão em rede por meio de ondas
eletromagnéticas, vulgarmente chamada de sinais, que utiliza a estrutura de uma rede de
telefonia celular para estabelecer o ambiente de conexão. As áreas de cobertura de uma
rede de telecomunicação sem fio estão distribuídas em células, conforme a freqüência
do sinal e a limitação geográfica de cobertura que a operadora oferece aos assinantes. O
nome celular representa o território mapeado através do alcance do sinal distribuído
numa região, de modo que um conjunto de células determina uma área de cobertura.
A operadora de telefonia administra as tarefas que são solicitadas pelos
dispositivos e demais elementos que integram a estrutura física da rede como o HLR
(Home Location Register), que armazena a localização do usuário os tipos de ligações
(locais e longa distância) a conexão com as antenas ERB (estação rádio Base) e os
demais serviços de conectividade solicitados pelos usuários.
A visão simplificada de uma estrutura da rede de telecomunicação celular serve
para mostrar o processo básico da comunicação e da transferência de sinais, de acordo
com a freqüência, entre os elementos da rede até chegar aos sistemas de informação
responsáveis pelas informações requeridas pelos dispositivos eletrônicos móveis.
Portanto as redes móveis que serão descritas no capítulo 4.2 utilizam a infra-estrutura e
os elementos de rede celular para promover a interligação dos dispositivos móveis.
Os três principais componentes de um sistema celular, mostrados no esquema
básico deste capítulo relacionam três elementos básicos para estabelecer uma rede
móvel: Estação móvel, Estações Base, Equipamento central de processamento
representado pela operadora de telecomunicação de rede celular móvel.
A Estação Móvel é a entidade que provê a função de telefone celular móvel utilizado em conjunto com a rede de sistema de sinais, que é equipada com uma unidade
de controle, um transceptor e sistema de antena que permite a comunicação com outra
estação-base mais próxima. A estação móvel gera um sinal de identificação para que a
estação-base possa identificá-la quando ativada.
As Estações-Base (ERB) gerenciam os canais de rádio dentro da célula. Contêm uma unidade básica de controle, equipamento de rádio-base e uma antena, que fornece a
ligação entre a estação móvel e o equipamento central de processamento. Além de
supervisionar as chamadas originadas pelas estações móveis e diagnóstico de problemas
de sinais, passa mensagens de dados para o equipamento central de
processamento e para as estações móveis, monitora a potência do sinal da estação
móvel, varre todas as estações móveis ativas nas células adjacentes e relata a potência
do sinal para a central. Esses controles determinam qual célula deve servir uma estação
móvel quando esta cruza de uma célula para outra, bem como a determinação da área de
acordo com o sinal de transmissão e o tamanho da antena ditam a cobertura de uma
célula. Em geral há três descrições de tamanhos de células são possíveis :
Macrocélula – célula típica em um sistema celular. Oferece cobertura em um raio
geralmente maior que 300m e até 40km.
Microcélula – Cobertura típica num raio entre 60 e 300 m. As microcelulas são
muitas vezes usadas para aumentar a capacidade do sistema, preencher pontos
mortos ou para reduzir congestionamentos de trafego.
Picocélulas – Oferece cobertura em um raio de menos de 60 m. É ideal para o
interior de prédios ou campus local.
O equipamento central de processamento é conhecido como Centro de Comutação Móvel (MSC). É o centro de controle sistema, pois controla a operação
móvel dentro das células. Pode alojar sistema de controle de sinal (HLR), informação
estatísticas sobre volume de tráfego e contabilizações em geral. O MSC é conectado às
estações-base, através de linhas terrestres, enlaces microondas ou uma combinação das
duas. O número de estações-base que podem ser controladas varia. Num sistema
pequeno, todas as estações base são conectadas a um MSC que faz as atribuições de
canais. Em um sistema grande pode haver uma hierarquia de MSC´s e
conseqüentemente conectada à Rede de Telefonia Pública Comutada (BORGES, 2003:
2.6 INTEROPERABILIDADE
Fonseca (2000, 45-52) considera a interoperabilidade como sendo a capacidade
que um sistema possui de compartilhar e trocar informação com outros sistemas, de
forma que as informações tenham significado para os sistemas envolvidos. Bombassaro
(2003)11 diz que a interoperabilidade também é a capacidade que um sistema tem de
integrar diferentes visões de informações de diferentes usuários com desdobramentos no
comportamento social e tecnológico.
Uma vez conseguida a conectividade, a interoperabilidade refere-se aos recursos lógicos que permitem a comunicação entre programas diferentes (ou com
configurações diferentes) e também a manipulação de dados, formatos e características diversas (SAWAYA, 2003: 140).
O enquadramento da interoperabilidade neste projeto de pesquisa está
relacionado à ação de um poder, faculdade ou de um conjunto de fenômenos dos quais
resulta um efeito bi-lateral ou inter-relacionado aos fenômenos que ocorrem no
ciberespaço, ou seja, a pesquisa enfoca os aspectos da mobilidade, interatividade,
tecnologia móvel e da arquitetura da computação pervasiva com o
11Bombassaro Jr. : Artigo Criação de Uma Ontologia para promover a
objetivo de apresentar o mapeamento e a conectividade das informações e das pessoas
no meio digital. Esses assuntos podem ser estudados separadamente, mas neste projeto
de pesquisa optou-se por apresentar as resultantes desses fenômenos que estão
diretamente ligados à utilização em massa dos dispositivos eletrônicos móveis.
O cenário da interoperabilidade das informações inseridas no ambiente
tecnológico do meio digital não relaciona o fenômeno da mobilidade como objetivo
exclusivo para o mapeamento das informações, mas também para o seu
compartilhamento e conectividade. O aspecto marcante da cultura digital é a capacidade
da relação dos indivíduos com os inúmeros ambientes de informação no ciberespaço e
de lidar com as interfaces digitais que fazem à mediação bem como filtrar informações
do meio. Como exemplo: diante de um terminal bancário, envio de mensagens, e
também da atividade lúdica dos videogames. (COSTA, 2004:23).
A possibilidade de integração no ciberespaço é da ordem jamais vista na nossa
história. As pessoas compartilham idéias, conhecimento, informações além das
fronteiras das redes locais, simplesmente porque estas últimas são, por definição,
limitadas no tempo e no espaço (COSTA, 2005:10). A relação lugar x tempo sobre a
afluência da mobilidade, da utilização das mídias móveis e da integração Móbile-WEB
acarreta uma mudança de comportamento no que tange o acesso as informações. O
recorte das informações no meio digital é consumido em tempo real, em qualquer lugar,
independente do tempo, pelos usuários distribuídos pelos dispositivos móveis que
exigem cada vez mais a interoperabilidade e a permanência de se manter conectado para
o consumo das informações. Sob tal perspectiva, o universo dos usuários
descentralizados representa um potencial mercado consumidor para as empresas devido
O relatório da 21st Century Manufacturing Enterprice Strategy (Estratégia
Empresarial de fabricação do século XXI), publicado em 1991, já previu o conceito de
uma organização virtual como recurso que seria utilizado de forma rotineira pela
indústria dos EUA no ano de 2006 chamada de Factory America Net (FAN) que se
define pela estrutura de uma rede de computadores e um sistema de banco de dados
entre empresas, tornando o comercio eletrônico uma rotina com a disponibilidade de
produtos, serviços, informações das necessidades e problemas específicos dos seus
clientes (AMATO, 2006:111). A disponibilidade destes produtos para atender um
público específico já inserido no contexto do ciberespaço e disponível para ser
identificado por meio de produtos e informações permite uma reflexão sobre a
formatação dos cidadãos sob a ótica do conceito chamado de FAN-Culture12 como uma
idéia de grupos que consomem um determinado produto, serviço, mídia, informação, ou
qualquer objeto de desejo (HILLS, 2002:1,18) .
As mudanças nas tecnologias da informação geram efeitos cujo nível de
efetividade depende da natureza e do alcance de penetração da implementação da
tecnologia em cada cultura, o que Lucia Santataella designou de Mídiamorfose ou
Mídiamania. (SATAELLA, 2007:201-202) como um efeito transformador do ser
humano sob a influência da mediação da tecnologia da informação. Dessa forma,
podemos considerar a tecnologia móvel como mais um ator no ciberespaço para
compor o ambiente de interface e influenciar na adaptabilidade dos indivíduos com o
objetivo de proporcionar a difusão e a interoperabilidade das informações.
2.7 PROTOCOLOS
Os protocolos são conjuntos de instruções e diretrizes que definem o modo pelos
quais diferentes sistemas se comunicam. O entendimento do princípio do
funcionamento dos protocolos pode ser exemplificado , de uma maneira abstrata , pelo
fluxo das informações entre o navegador WEB (Browser) e o servidor (WebServer) .
Ambos necessitam da comunicação para trocar informações, por isso os dois utilizam o
protocolo HTTP (Hypertext Transfer Protocol) para interpretar as informações que
recebem e para formular as mensagens que as partes irão trocar.
Este cenário representa o princípio da conectividade caracterizado pelo serviço
que oferece garantia de entrega dos dados, obedecendo a uma ordem de recepção sem a
duplicação da informação.
Os elementos inerentes ao protocolo relacionam três definições chaves: Sintaxe,
Semântica e Temporização. A Sintaxe define a estrutura ou formato e a ordem em que
as informações serão apresentadas (ex..: endereço de destino + endereço fonte +
mensagem) .
A Semântica relaciona a interpretação de um determinado conjunto de bits e a
ação a ser executada. E a Temporização determina quando a informação pode ser
enviada e quão rápida esta ação pode ser feita. O advento dos WebServers consolidou o
conceito de serviço para a interoperabilidade entre funcionalidades dos sistemas no
meio digital, caracterizado pelo conjunto de primitivas e eventos de programas
disponibilizados entre os ambientes que pretendem trocar informações (CARISSIMI,
2007:2).
Dentre os principais protocolos utilizados no meio digital podemos citar o HTTP
(Extensible MarkUp Language), WML (Wireless MarkUp Language), o HDML
(HandHeld Device Markup Language) e o protocolo de rede TCP/IP (Transmission
Control Protocol/Internet Protocol) . Os principais descritores de serviços baseados no
protocolo XML podemos relacionar: WSDL (WebService Description Language, UDDI
(Universal Description Discovery and Integration) e SOAP (Simple Object Access
Protocol). (HANSMANN, Uwe; MERK, Lothar; STOBER, Thomas; NICKLOUS,
3 O MEIO MÓVEL
3.1 INTRODUÇÃO
As aplicações móveis relacionam aspectos sociais e tecnológicos sob influência
dos fenômenos da mobilidade, ciberespaço e tecnologia sem-fio. A consolidação da
Internet como um ambiente de colaboração das informações e o surgimento das mídias
móveis, em conjunto com as redes sem fio, proporcionaram uma relação mútua entre as
soluções de negócio e o sistema de informação na sociedade. Este novo mapa
cartográfico dos serviços descentralizados no ciberespaço móvel é um palco fértil para o
estudo da influencia das aplicações móveis no cotidiano e seu reflexo nas relações
humanas. Este cenário representa um impacto significativo na colaboração e utilização
das informações no que tange ao desenvolvimento de novas soluções sistêmicas móveis,
constituindo um mapa de informações que proporciona uma convivência harmônica
entre a centralização e a descentralização das informações no ciberespaço.
3.2 ESPAÇO INFORMACIONAL
Lúcia Leão, no livro que organizou, decorreu sobre as reflexões de André Lemos
sobre ciberespaço no que se refere à era da conexão e o surgimento da tecnologia
móvel.
O desenvolvimento deste tema tem objetivo de, por um lado, apresentar o aspecto
da emergência do ciberespaço que tange a utilização da tecnologia sem fio no cotidiano
da sociedade, dentro de uma abordagem sócio-cultural da utilização dos dispositivos
móveis em rede e, por outro lado, distinguir o contexto dos sistemas móveis no meio
computacional digital para distribuição da informação. Desse modo, apresenta o
contexto da tecnologia da informação em relação à emergência das novas mídias a fim
de contribuir para que o leitor compreenda, ou ao menos forme uma base de
conhecimento para um entendimento global da utilização das mídias móveis
descentralizadas, conforme abordado por Manovich e citado por Lúcia Leão.
Exemplos do que abrangem os estudos de cibercultura incluem as comunidades on-line, jogos com múltiplos jogadores on-line, a questão da identidade on-line, a sociologia e a etnografia do uso do e-mail, o uso dos telefones celulares em várias comunidades, as questões de gênero e etnia do uso da Internet, etc. Observe que a ênfase está nos fenômenos sociais; a cibercultura não lida diretamente com os novos objetos culturais capacitados pelas tecnologias da comunicação em rede. O estudo desses objetos é o domínio das novas mídias. Além disso, as novas mídias ocupam-se de objetos e paradigmas culturais capacitados por todas as formas de computação, não apenas pela rede. Resumindo: a cibercultura concentra-se no social e na rede; as novas mídias concentram-se na cultura e na computação (LEÃO, 2005: 26-27).
O advento da computação digital proporciona uma interação maior com as
tecnologias de informação computacional (TIC). Neste cenário, os programas de
computadores implementados no meio digital proporcionam artefatos com
códigos-fontes que são executados em diversos aparelhos eletrônicos. Sistemas que antes
estavam restritos a um meio se apresentam aderentes aos outros tipos de distribuição,
exposição e interação, como é caso do serviço IPTV13, dentre outros. O que
anteriormente estava restrito ao meio de transmissão pela TV, hoje pode ser veiculado
No espaço em constante transformação do ciberespaço, é difícil enquadrar uma
tecnologia exclusivamente em um meio cultural sem considerar o fator espaço-tempo.
Essa dinâmica exige uma revisão constante dos conceitos em conjunto com as
evoluções tecnológicas e sociais, sob o conceito de Manovich e citado por Lúcia Leão.
Portanto, a Internet, os sites, a multimídia de computadores, os jogos de computadores, os CD-ROMs e o DVD, a realidade virtual e os efeitos especiais gerados por computador enquadram-se todos nas novas mídias. Outros objetos culturais que usam a computação para a produção e o armazenamento, mas não para produção final – programas de televisão, filmes de longa metragem, revistas, livros e outras publicações com base no papel, etc – não são novas mídias.
O problema com essa definição é tríplice. Primeiro que ela tem que ser revista de ano em ano [...]. Segundo, que podemos suspeitar que, no fim, a maioria das formas de cultura usará a distribuição computadorizada [...]. Terceiro, esta definição não nos diz nada dos possíveis efeitos da distribuição com base no computador sobre a estética do que está sendo distribuído (MANOVICH, 2003:27).
É importante ressaltar o ciberespaço como o meio ambiente dos fenômenos da
tecnologia móvel e objeto de reflexões dos estudiosos do ambiente digital. Sobretudo
esse trabalho apresenta os fenômenos tecnológicos e sociais, enquadrando o espaço das
novas mídias numa arquitetura da informação descentralizada com manifestações em
diversas áreas de atuação e conceitos. A necessidade crescente da sociedade moderna
em permanecer conectada não está relacionada somente a uma necessidade comercial,
existe ainda o papel social da tecnologia para viabilizar a comunicação e a
interatividade entre os indivíduos. As informações no ciberespaço móvel obedecem a
uma disposição rizomática, como um mapa de relações e informações com influência
crescente na sociedade à medida que cresce a popularização dos dispositivos sem fio em
conjunto com as aplicações que viabilizam o acesso e a transferência das informações
no meio móvel. O mapa das informações de um ambiente descentralizado pode ser
representado num mapeamento lógico, conforme afirma Andy Oram no livro O poder
transformador das redes ponto a ponto e que pode ser representado no diagrama
abaixo:
Nesse contexto, quanto maior a relação mais forte e influente é o meio
sócio-tecnológico, que representa um cenário aderente às mídias móveis e segundo os anseios
do coletivo no ambiente Móbile-WEB.
3.3 APLICAÇÕES MÓVEIS
O universo dinâmico das relações do ciberespaço apresenta uma diversidade de
soluções no meio móvel. O dispositivo informacional qualifica a estrutura da mensagem
ou o modo das relações dos elementos da informação (LÉVY, 1997). As aplicações
oriundas do ambiente (WEB) são adaptadas aos dispositivos móveis, bem como as
aplicações com interfaces simples e adaptadas ao contexto da mobilidade sob os
critérios da Teleoperação e Telepresença14. Programas e interfaces que mostram a
utilização social e comercial do meio móvel, dentre as quais podemos citar soluções de
negócio ; infomediário ; e-mail; som e mensagens instantâneas agregadas às imagens e
vídeos , que examinaremos nos tópicos a seguir.
3.3.1.1 M-Commerce
M-Commerce é o termo utilizado por Adam Greenfield em seu livro EveryWare
para representar as soluções móveis para o comércio eletrônico. Soluções de negócio
que estão adaptadas à utilização dos dispositivos móveis como o os celulares e
smartphones15 com o objetivo de substituir ou agregar as alternativas existentes nos
pontos de venda, tais como os cheques eletrônicos e cartões de crédito para efetivação
das transações financeiras dos bens de consumo, ou ainda ferramentas para auxílio de
localização LBS16 (Location Based Service) oferecidos pelas operadoras de
telecomunicações.
No cenário M-Commerce podemos citar uma solução móvel desenvolvida pela
empresa Druid Systems para vendedores em campo do Banco IBI (externos a
dependências da empresa) em São Paulo, com objetivo de pesquisar, por meio do
celular, os dados de crédito de um cliente no site da Associação Comercial de São
Paulo para concessão de empréstimos. Outro exemplo de soluções móveis refere-se às
aplicações Health Care para uso da área médica, que permitem o acesso e o
acompanhamento em tempo real dos pacientes de um hospital por meio de smartphones
15 Aparelhos eletrônicos móveis com acesso a Internet .
As aplicações móveis, de uma maneira abrangente, são desenvolvidas em
praticamente todas as atividades ou segmentos de negócio que lidam com informações,
considerando-se as devidas adaptações das regras de negócio e restrições de
apresentação das informações, dentre as quais podemos destacar: consultas de
informações, automação da equipe de vendas externa, automação industrial e bancária
assim como gerenciamento e pesquisa de informações em geral .
3.3.1.2 Infomediário
O infomediário é a publicação das informações específicas de um setor, que
reúne e distribui o conteúdo informacional a fim de promover um conteúdo específico
para um público alvo cujo negócio é pesquisar e analisar informação, desenvolvendo
análises detalhadas do mercado e informação dos clientes. São acompanhados de
mecanismos de distribuição como RSS17, acrônimo de Rich Site Summary.
Com a expansão da Internet e de outras redes de informação. Aparentemente, o
acesso às redes ficou aparentemente mais fácil e mais barato. Algumas das melhores
universidades do mundo, como o MIT (Massachusset Institute of Technology ),
anunciaram a publicação gratuita dos seus cursos. Softwares gratuitos e sites
informativos espalham-se pela Internet, o que representa um caminho para a
democratização e desenvolvimento da sociedade da informação (SCHWARTZ,2007:2) .
A exposição das informações institucionais eletrônicas e as ferramentas de busca
disponíveis no ambiente WEB também estão acessíveis pelo dispositivo móvel, o que
representa uma extensão do canal de comunicação para os portais informativos por meio
das mídias móveis.
3.3.1.3 Vídeo
O aumento de largura de banda dos sistemas de telecomunicações móvel, o
surgimento do sistema IPTV (Internet Protocol Telelevision), baseado no protocolo IP
(Internet Protocol), assim como o poder de processamento dos dispositivos
influenciaram a popularização e a reprodução dos vídeos pelas mídias móveis. Esse
movimento que transcende a simples reprodução e transferência dos arquivos
Streaming18 de vídeos com transmissões em tempo real e reproduções de som e imagem
como nas redes de TV. Como exemplo a proposta de se apresentar um novo canal de
comunicação que abrange desde a reprodução dos canais de TV no meio móvel como o
serviço simultâneo de imagem e som em tempo real durante a comunicação entre os
usuários dos dispositivos sem fio.
3.3.1.4 Mensagens
SMS (Short Message Service) é um serviço que permite a transferência de
mensagem curta entre dispositivos móveis. O serviço SMS tornou-se um dos serviços
mais populares da telefonia móvel para envio de pequenos recados, bem como o meio
de comunicação mais eficiente para propagandas e comercio eletrônico. O MMS
(Multimedia Message Service) surgiu como uma inovação em relação ao SMS
destinado aos equipamentos de terceira geração (3G) já que traz a possibilidade mais
abrangente de agregar conteúdos multimídia de áudio, imagem colorida e vídeos no
conceito da mensagem, com a reprodução por meio de arquivo streaming3 , que exige
Notícias. Sistemas de Informação – Centro Universitário Luterano de Palmas - CEULP/ULBRA, Palmas TO – Brasil, 2006).).
uma velocidade de transmissão superior. Enquanto o SMS exige somente uma
plataforma para troca de mensagem em formato texto.
Os serviços de mensagens em ambiente móvel é conhecido por M-MIM
(Móbile Instant Messaging), e o reflexo das mensagens de e-mail, conhecido na
Internet, é conhecido sob a sigla M-E-Mail. Esse contexto contribui para enriquecer o
conteúdo da mensagem e proporcionar uma interação mais atrativa no ambiente móvel.
3.3.1.5 Áudio
A utilização do áudio no meio digital não está restrita à Internet. Com o advento
dos dispositivos móveis que agregam processamentos multifuncionais de som e
imagem, houve a popularização dos arquivos de áudio no meio móvel sob a utilização
do modelo conhecido como PodCasting, que representa um sistema de distribuição de
áudio que mistura áudio, rádio e arquivos de MP319.
3.4 DISPOSITIVOS MÓVEIS
Em meados de 1992, houve o lançamento de um dispositivo chamado Newton, da
empresa Apple, que podemos considerar o inicio da introdução no mercado dos
aparelhos eletrônicos portáteis. Limitado no processamento da informação e na
capacidade de transmissão de dados (de 38.5kbps), este modelo não teve
muita repercussão, no entanto podemos considerá-lo um marco inicial na
comercialização dos dispositivos móveis.
Um pouco mais tarde, em 1996, a U.S. Robotics lançou o (Palm) Pilot
1000 e 5000, dispositivos com maior aceitação no mercado. No mesmo ano,
começaram a surgir dispositivos com o Windows CE 1.0, da Microsoft, como
o NEC MobilePro 200 e o Casio A-10. O período foi ainda marcado pelo
lançamento do Windows CE 3.0 e da plataforma Pocket PC, em 2000. Apesar da
primeira não ter grande aceitação do mercado, a partir do Sistema Operacional Pocket
PC 2000, embutido em dispositivos como o HP Jornada e o Compaq Ipaq, houve boa
aceitação do mercado e o cenário começou a ficar mais promissor para a
comercialização em massa dos dispositivos móveis.
Em 1998 A empresa Symbiam foi formada por alguns dos maiores fabricantes
de celulares do mundo e a PSION lançou no mercado o sistema operacional móvel
Symbiam compatível com a maioria dos smartphones e handhelds do fabricante Nokia.
Considerando o desenvolvimento tecnológico, é importante
apresentar alguns termos mais conhecidos que classificam os
aparelhos eletrônicos móveis :
PDA (Personal Digital Assistant): Termo criado em 1993, por John Sculley, ex-presidente de Apple Computer, para referir-se a pequenos aparelhos de
mão com funcionalidades de computador.
Smartphone :Termo utilizado para telefones com recursos de PDA, ou vice-versa. Aparelhos celulares (smartphones) equipados com sistemas Windows
Mobile, Palm OS ou Symbian. Aparelhos Sidekick e BlackBerry são considerados
smartphones , pois são preparados para integração com e-mail e Internet. Outro termo
os critérios que possam definir se determinado aparelho móvel é um Smartphone ou
PDA-Phone. Atualmente alguns modelos apresentam recursos que agregam as funções
dos aparelhos palmtop, celular, câmera fotográfica, gps, teclados mais ergonômicos, etc.
Com maior capacidade de processamento e armazenamento das informações, além de
funções de comunicações com as redes móveis e outros dispositivos (WI-FI, Bluetooth,
GSM/GPRS ou EDGE, etc.), já inseridos nas propostas comerciais das empresas
representados nos planos oferecidos para seus clientes.
3.5 MOBILIDADE
Os dispositivos móveis e as redes sem fio proporcionaram uma nova relação
entre as pessoas e as tecnologias. O poder de acessar e transmitir informações sem
precisar de um computador (PC) ou de uma rede física, transformou o poder da conexão
e da colaboração entre os indivíduos. Este, inserido no cenário da comunicação móvel,
se apresenta tanto no papel de consumidor quanto de emissor das informações, com a
possibilidade de estar conectado em movimento, o que caracteriza um novo espaço para
as relações tecnológicas e sociais. Conforme abordado por André Lemos (apud
LEÃO,2004:21).