Resenhas Books Reviews
Reseñas
Revista Caminhando v. 17, n. 2, p. 143-145, jul./dez. 2012 143
Bíblia sagrada com reflexões de Lutero [Resenha]
Holy Bible with reflections by Luther [Portuguese edition] [Book Review]
Santa Biblia con reflexiones de Lutero [Reseña]
Helmut Renders
Resumo
Resenha do livro: Bíblia sagrada com reflexões de Lutero. Almeida Revista e Atualizada. Barueri, SP: Sociedade Bíblica do Brasil, 2012. xvi + 1344p.
AbstRAct
Book review of: Bíblia sagrada com reflexões de Lutero. Almeida Revista e Atu- alizada. Barueri, SP: Sociedade Bíblica do Brasil, 2012. xvi + 1344p.
Resumen
Reseña del libro: Bíblia sagrada com reflexões de Lutero. Almeida Revista e Atualizada. Barueri, SP: Sociedade Bíblica do Brasil, 2012. xvi + 1344p.
É uma felicidade que a revista com o Dossiê “Milton Schwantes”
coincida com o recente lançamento da Sociedade Bíblica do Brasil (SBB):
uma edição da Bíblia “com reflexões de Lutero”.
Parabenizamos a SBB pela realização desse projeto, cuja execução provém de longa data, na proximidade das celebrações dos 500 anos das 95 teses de Lutero, em 2017. A SBB e o grupo dos editores da IECLB (Igreja Evangélica de Confissão Luterana do Brasil) e da IELB (Igreja Evangélica Luterana do Brasil) unem nesta edição informações sobre o reformador e a sua época e familiarizam quem a lê com algumas das suas obras e seus pensamentos centrais de duas formas: por trechos maiores, localizados na parte introdutória, antes do AT e NT e no apêndice e tre- chos menores das obras integrados ao próprio texto bíblico.
trechos maiores
• p. xi-xii: Breve retrospectiva histórica sobre a Reforma Luterana;
• p. xii-xiii: Minibiografia de Lutero;
• p. xv: Folha de rosto da primeira edição da Bíblia traduzida por Lutero de 1545;
• p. xvi: Abertura do livro dos salmos dessa edição de 1545;
• p. 3-9: Prefácio ao Antigo Testamento de Lutero de 1545;
• p. 861-862: Prefácio ao Antigo Testamento de Lutero de 1546;
• p. 1226-1227: Prefácio de Lutero para as Prédicas semanais sobre Mateus 5-7 de 1530/1531;
• p. 1228-1230: O comentário de Lutero sobre 1 Coríntios 15;
• p. 1231-1234: Prefácio de Lutero do Comentário da Epístola aos Gálatas de 1535;
• p. 1235-1238: Breve instrução sobre o que se deve procurar nos Evangelhos e esperar deles de 1522;
• p. 1239-1294: Uma seleção dos hinos compostos por Martinho Lutero;
• p. 1295-1297: Prefácio do Catequismo Menor para os pastores e pregadores indoutos.
Os textos criados ou escolhidos são centrais e funcionais no mesmo tempo. A história e minibiografia servem como uma primeira informação, os prefácios e as instruções aproximam a ipsima vox do reformador e os hinos relacionam a sua teologia com a vivência da fé e explicam seu im- pacto no povo da época. Aliás, cientes do desafio de apresentar um texto cantável e próximo ao original, os editores optaram por duas versões de tradição de cada canção. Metodistas se lembram de que, dentre os textos de Lutero, o Comentário da Epístola aos Gálatas foi fundamental para a experiência religiosa de Charles Wesley e, três dias depois, o prefácio do Comentário da Epístola aos Romanos para a de John Wesley, em Al- dersgate. Seria também bom para os metodistas contemporâneos saber o que Lutero escreveu sobre a ambiguidade da experiência religiosa em termos gerais, mas, isso vai além do propósito desta resenha.
trechos menores, integrados ao texto bíblico
A grande ênfase desta obra, porém, está nos trechos integrados ao texto bíblico. Na maioria das páginas que contêm o texto bíblico en- contramos de um a seis comentários, sempre com clara referência a um versículo. Elas conduzem a um encontro com o reformador, sua obra e seus pensamentos.
A opção por essa forma traz diversas vantagens, que hoje compreen-
demos como essenciais para o futuro desenvolvimento do protestantismo,
se não até do cristianismo brasileiro. Primeiro, ela facilita a descoberta
de um aspecto exemplar da teologia de Lutero, a sua concepção de
hermenêutica como norma normans do texto bíblico. Lutero apresenta
uma nova hermenêutica, alternativa à interpretação alegórica das épocas
anteriores. Isso, porém, não é dito explicitamente pelos editores, entretan-
to, pode ser descoberto ao longo da leitura. Nesta questão, os editores
tinham que contornar outro desafio ao qual Lutero respondeu com a sua
própria tradução de 1545. A edição brasileira baseia-se na tradução de
Revista Caminhando v. 17, n. 2, p. 143-145, jul./dez. 2012 145